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O coronel Frank Capra, em 1944, mostrando serviço

Coluna Cinemascope (#26). Correio da Paraíba, 15/3/2017

Filmando e fazendo história

por Renato Félix

Mark Harris é um jornalista a mericano que foi editor executivo da Entertainment Weekly e escreveu em 2008 o livro Cenas de uma Revolução – O Nascimento da Nova Hollywood (L&PM), sobre esse período brilhante do cinema americano a partir dos cinco indicados a melhor filme no Oscar de 1967.

Em 2014, veio Cinco Voltaram (Objetiva), com foco em cinco super diretores de Hollywood e seu trabalho com documentários no front da II Guerra Mundial. São eles Frank Capra, John Ford, John Huston, George Stevens e William Wyler.

É uma história conhecida, mas pouco vista. Quem assistiu a esses documentários nas últimas décadas? Mas o livro gerou uma série documental que o Netflix estreia no final deste mês, no dia 31: Five Came Back  vai contar em três partes essa história e ressucitar essas imagens.

Escrita por Harris, a série terá também o olhar de cinco diretores modernos – Steven Spielberg, Francis Ford Coppola, Guillermo del Toro, Lawrence Kasdan e Paul Greengrass – e narração de Meryl Streep. Além das imagens da guerra, a série promete se debruçar sobre como a experiência mexeu com os próprios diretores.

Todos os cinco partiram para grandes fases em suas carreiras quando voltaram da Europa. Capra entregou logo A Felicidade Não Se Compra (1946) e Wyler, Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946). Huston fez pouco depois O Tesouro de Sierra Madre (1948). Stevens dirigiu sua trilogia da formação da América (Um Lugar ao Sol, 1951; Os Brutos Também Amam, 1953; Assim Caminha a Humanidade, 1956). E Ford logo faria nada menos que Rastros de Ódio (1956).

Viram, filmaram e fizeram história.

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Coluna Cinemascope (#23). Correio da Paraíba, 22/2/2017

Brutos Tambem Amam - 09

“Os Brutos Também Amam” (1953)

Os defeitos dos perfeitos

por Renato Félix

O fotógrafo de cinema João Carlos Beltrão me contou certa vez que o montador João Ramiro Mello dava aulas na UFPB e, mostrando à classe o faroeste clássico Os Brutos Também Amam (1953), desafiou os alunos: “Ache um defeito nesse filme!”.

Haverá um filme sem defeitos? Creio que a apreciação de um filme parte de qualidades que compensem problemas, sendo que o grande filme não é necessariamente aquele sem defeitos, mas, mais importante, é aquele cujas qualidades são tão grandes que eclipsam os eventuais defeitos.

Por exemplo, quem liga para o evidente erro de montagem em O Encouraçado Potemkin (1925)? Mas logo de montagem, sendo o cinema soviético referência nesse quesito? Pois é. O fato é que, na sequência da escadaria de Odessa (mas logo nessa, uma das fundamentais da história? Sim, logo nessa), a mãe cujo filhinho escapa de suas mãos enquanto descem os degraus, fugindo dos atiradores, assiste horrorizada o filho ser pisoteado mais acima. Porém, quando se aproxima dele, é de cima para baixo.

Pior acontece em Cantando na Chuva (1952), o maravilhoso musical da Metro, outra figurinha fácil no álbum dos melhores filmes do mundo. Em duas cenas o montador só podia estar cochilando. Na primeira, quando o professor de dicção está dizendo trava-línguas para Don (Gene Kelly) e Cosmo (Donald O’Connor) está ao seu lado fazendo caretas, o momento em que o professor o flagra e se assusta repete-se.

Na segunda, um corte brusco no movimento quando Gene Kelly e Cyd Charisse estão na dança sensual do “Broadway Melody Ballet”, como se uma parte dos fotogramas tivessem sido cortados.

Mas quem liga? Isso é o que faz um grande filme.

FOTO: Os Brutos Também Amam (1953)

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