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Para o aniversário de Brigitte Bardot (82 anos hoje), uma das cenas que a transformaram num fenômeno mundial em E Deus Criou a Mulher (1956). Juliete, sua personagem é um espírito livre, fulgurante e sensual, desejada pelos homens e que tem problemas com a rigidez de seu casamento com o personagem de Jean-Louis Trintignant. Nesta cena em que ela dança uma rumba como se não houvesse amanhã, o atrito entre os dois atinge o limite.

E Deus Criou a Mulher. Et Dieu… Créa la Femme, França, 1956. Direção: Roger Vadim. Elenco: Brigitte Bardot, Jean-Louis Trintignant, Curd Jürgens.

Cena anterior: O Pirata.

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“Make’em laugh”, aquele número em que Donald O’Connor canta sobre como é ser um comediante e sai tropeçando, batendo a cara, dando cambalhotas e dançando com (e apanhando de) um boneco é um dos grandes número de Cantando na Chuva (1952). E é um plágio. A história é esta: o filme é uma reunião de canções de Arthur Freed e Nacio Herb Brown escritas nos anos 1920, produzido agora pelo próprio Freed. Stanley Donen, que co-dirigiu com Gene Kelly, sentiu falta de um número solo para O’Connor e pediu a Freed uma música nova, algo “no estilo de ‘Be a clown’, de Cole Porter”. Quando Freed trouxe a canção, as semelhanças estavam na cara. Porter aparentemente nunca reclamou e a cena é brilhante, para dizer o mínimo. No entanto, esta aqui é a canção original: “Be a clown”, cantada duas vezes em O Pirata (1948), a segunda delas no final do filme, um encantador número de palhaços com Gene e a magistral Judy Garland.

O Pirata. The Pirate (1948). Direção: Vincente Minnelli. Elenco: Judy Garland, Gene Kelly, Walter Slezak, Gladys Cooper.

Cena anterior: Footloose – Ritmo Louco

A cena mais lembrada de Footloose (1984) deve ser, claro, a cena da festa no final, ao som da música-tema cantada por Kenny Loggins. Quantos não terão tentado repetir aqueles passos? Mas eu destaco este momento: Kevin Bacon ensinando o bronco Chris Penn a dançar, ao som da irresistível “Let’s hear it for the boy”, com Deniece Williams. É tão bom que, no desnecessário remake de 2011, esse momento similar usou a mesma versão original, não uma regravação (ao contrário do que acontece com a própria “Footloose” no final).

Footloose – Ritmo Louco. Footloose. Estados Unidos, 1984. Direção: Howard Zieff. Elenco: Kevin Bacon, Lori Singer, John Lithgow, Diane Wiest, Chris Penn, Sarah Jessica Parker.

Cena anterior: Vamos Dançar?

“You like potato, I like ‘potahto’/ You like tomato and I like ‘tomahto’”

George Gershwin notou que Fred Astaire e Ginger Rogers pronunciavam as palavras de maneira diferente. E criou para eles esta obra-prima chamada “Let’s call the whole thing off” para o sétimo dos 10 filmes de Fred e Ginger juntos. E a dupla dança sobre patins!

Vamos Dançar? Shall We Dance. Estados Unidos, 1937. Direção: Mark Sandrich. Elenco: Fred Astaire, Ginger Rogers, Edward Everett Horton.

Cena anterior: Onde Começa o Inferno

No meio de um dos maiores faroestes de todos os tempos, o diretor Howard Hawks arrumou um tempo para aproveitar o talento dos dois cantores de seu elenco: o crooner Dean Martin e o astro jovem Ricky Nelson. Eles cantam “My rifle, my pony and me” e “Get along home, Cindy” e criam um momento de camaradagem entre os delegados que estão segurando um assassino na cadeia e aguentando a pressão da gangue que quer soltá-lo. Até o Walter Brennan acompanha, faltou só o John Wayne cantar também.

Onde Começa o Inferno. Rio Bravo. Estados Unidos, 1959. Direção: Howard Hawks. Elenco: John Wayne, Dean Martin, Angie Dickinson, Ricky Nelson, Walter Brennan.

Cena anterior: Cabaret.

Liza Minnelli puxou a mãe, Judy Garland, em talento (em problemas também, mas isso é outra história). Infelizmente, ela apareceu para o cinema quando os grandes musicais já tinham saído de cena. Mas ainda deu tempo deu tempo de um trabalho para marcar época: Cabaret (1972), de Bob Fosse, pelo qual ganhou o Oscar de melhor atriz.

Sensação de maravilhamento: Margot Kidder e Christopher Reeve em "Superman - O Filme"

Sensação de maravilhamento: Margot Kidder e Christopher Reeve em “Superman – O Filme”

“Você me pegou? E quem pega você?”, pergunta uma atônita Lois Lane ao desconhecido que a apanhou, voando, no ar, quando ela despencava do alto do prédio do Planeta Diário. É simplesmente a primeira aparição pública do Super-Homem em Superman – O Filme (1978), um prodígio de narrativa cinematográfica (dentro da cena e si e ela dentro do contexto do filme como um todo), combinação de todos os efeitos especiais disponíveis na época, o grande carisma de Christopher Reeve e Margot Kidder, a música de John Williams e o humor de frases como “Espero que isso não tire seu medo de voar. Estatisticamente é a maneira mais segura de viajar”. Uma sensação de maravilhamento que provavelmente nunca haverá igual em um filme de super-heróis.

Superman – O Filme (1978), dirigido por Richard Donner; roteiro de Mario Puzo, David Newman, Leslie Newman e Robert Benton (e Tom Mankiewicz, não creditado), baseado nos personagens de Jerry Siegel e Joe Shuster.

E o Vento Levou-02

Um aviso sinistro: Vivien Leigh em “…E o Vento Levou”

Uma das muito marcantes cenas de …E o Vento Levou é uma aula de linguagem do cinema: Scarlett (Viven Leigh) está a caminho do hospital para falar com o doutor para ajudar com o parto de Melanie (Olivia DeHavilland). Estamos em Atlanta, em plena Guerra da Secessão, e ela tem um aviso sinistro do que encontrará no hospital: se depara com feridos estirados em plena rua. A câmera sobe, mostrando mais e mais deles – centenas – até o close da bandeira confederada, ironicamente hasteada. Em uma época sem computadores, os figurantes foram misturados a bonecos, no magnífico artesanato da Hollywood clássica.

…E o Vento Levou (1944), dirigido por Victor Fleming (George Cukor e Sam Wood não creditados); roteiro de Sidney Howard (e contribuições não creditadas de Ben Hecht, Jo Swerling, John Van Druten e Oliver H.P. Garret), baseado em livro de Margaret Mitchell.

Aurora Miranda e Pato Donald em "Você Já Foi à Bahia?"

Um grande feito: Aurora Miranda e Pato Donald em “Você Já Foi à Bahia?”

Unir pessoas reais a personagens animados não é novidade nenhuma, o cinema brinca disso desde os primórdios. Em Você Já Foi à Bahia? (1944), a Disney consegue um grande feito ao fazer Aurora Miranda cantar “Os quindins de Iaiá” para Donald e Zé Carioca nas ruas de uma Salvador animada. Aurora, irmã de Carmen e uma grande cantora brasileira da era do rádio, marcou sua trajetória no cinema com esta participação. A cena, no vídeo, é toda a sequência do pato e do papagaio na Bahia, começando pela divertidíssima interpretação de Zé (misturando inglês e português) para “Você já foi à Bahia?”, de Dorival Caymmi. “Os quindins de Iaiá” começa em 2min40seg.

Você Já Foi á Bahia? (1944), dirigido por Norman Ferguson, roteiro de Homer Brightman, Ernest Terrazas, Ted Sears, Bill Peet, Ralph Wright, Elmer Plummer, Roy Williams, William Cottrell, Del Connell, James Bodrer; “Os quindins de Iaiá” composta por Ary Barroso.

Vamos Dancar

“You say ‘to-may-toes’, I say ‘to-mah-toes'”: Fred Astaire e Ginger Rogers em “Vamos Dançar”

A influência de Fred Astaire e Ginger Rogers pode ser medida nisto: os irmãos compositores George e Ira Gershwin, uma das maiores parcerias musicais da História, perceberam que Fred e Ginger (parceiros de atuação, canto e dança em, ao todo, dez filmes musicais) tinham sotaques diferentes para certas palavras e criaram “Let’s call the whole thing off” para a dupla em Vamos Dançar (1937). “You say ‘to-may-toes’, I say ‘to-mah-toes'” acabou virando uma expressão popular. E, claro, tem a sensacional segmento de dança sobre patins, um mais que legítimo Ginger & Fred.

Vamos Dançar (1937), direção de Mark Sandrich; roteiro de Allan Scott e Ernest Pagano, baseado em história de Lee Loeb e Harold Buchman; “Let’s call the whole thing off” composta por George Gershwin e Ira Gershwin.

O final com a frase antológica: Leandro Firmino da Hora, em "Cidade de Deus"

O final com a frase emblemática: Leandro Firmino da Hora em “Cidade de Deus”

A história da “boca dos apês” é uma passagem de tempo em flashback absolutamente brilhante, com a câmera parada e as cenas se desenrolando em vários locais da sala, uma se misturando às outras. E termina justamente com o emblemático “Dadinho é o caralho! Meu nome agora é Zé Pequeno, porra!”.

Cidade de Deus (2002), direção de Fernando Meirelles; roteiro de Bráulio Mantovani, baseado em livro de Paulo Lins.

Groucho Marx, Chico Marx, Harpo Marx: disparo de frases certeiras

Disparo de frases certeiras: Groucho Marx, Chico Marx e Harpo Marx em “Uma Noite na Ópera”

Um dos maiores cômicos da face deste planeta, Groucho Marx não seria ninguém no cinema mudo. Seu gênio estava no disparar de frases certeiras. Mas o momento mais antológico dos irmãos Marx é uma gag visual: o camarote minúsculo onde não pára de entrar gente. Mas as piadas verbais de Groucho tornam tudo ainda melhor. Uma moça bate à porta procurando a tia e ele diz: “Pode procurar. Se ela não estiver aí, você talvez encontre outra pessoa que sirva”.

Uma Noite na Ópera (1935), direção de Sam Wood, roteiro de George S. Kaufman e Morrie Ryskynd.

Charles Chaplin e Virginia Cherril: coisas mais importantes que a palavra

Coisas mais importantes que a palavra: Charles Chaplin e Virginia Cherrill em “Luzes da Cidade”

Depois de um tempo na prisão, Carlitos, absolutamente na pior, reencontra a florista cega que ajudou a voltar a enxergar. Pra mim, um dos melhores finais de todos os tempos: em plena aurora do cinema falado, Chaplin mostra que pode haver coisas mais importantes e reconhecíveis que a palavra.

Luzes da Cidade (1931), direção e roteiro de Charles Chaplin.

James Stewart e Donna Reed: reencontro com a própria vida

Reencontro com a própria vida: James Stewart e Donna Reed em “A Felicidade Não Se Compra”

Um Frank Capra mais capriano do que nunca e um James Stewart fenomenal. Essa combinação foi fundamental para que A Felicidade Não se Compra se tornasse um favorito dos natais americanos e de inúmeros cinéfilos. Nâo é um filme natalino, propriamente, é um filme sobre a amizade, sobre um homem tão bom que não consegue não ajudar os outros. E que, quando precisa, é lembrado de como foi e é importante para tanta gente. Seu reencontro com a própria vida e o reconhecimento dos amigos a quem ajudou foi copiada, citada, imitada e ainda faz muita gente chorar.

A Felicidade Não se Compra (1946), dirigido por Frank Capra; roteiro de Frances Goodrich, Albert Hackett e Frank Capra, de história de Philip Van Doren Stern; cenas adicionais de Jo Swerling e contribuição não creditada de Michael Wilson.

Woody Allen e Mariel Hemingway: "Não seja tão madura"

“Não seja tão madura”: Woody Allen e Mariel Hemingway em “Manhattan”

O gênio Woody Allen se pautou em George Gershwin para compor o roteiro e a direção de Manhattan. E, como não poderia deixar de ser, o final é um gran finale: depois de uma decepção amorosa e de enumerar as coisas que fazem a vida valer à pena (cena que poderia estar aqui, aliás), Isaac chega ao rosto de Tracy, a namoradinha de 17 anos que ele dispensou pelo amor que não deu certo. Com Gershwin retumbante, ele corre para evitar que ela viaje para Londres – como ele sugeriu. E, chegando lá, ela se mostra mais uma vez mais madura do que ele. “O que são seis meses, se nos amamos?”, ela pergunta. “Não seja tão madura, ok?”, ele responde.

Manhattan (1979), dirigido por Woody Allen; roteiro de Woody Allen e Marshall Brickman.

Noite Americana

Amor à arte de fazer filmes: Jean-Pierre Léaud e Jacqueline Bisset em “A Noite Americana”

François Truffaut declara seu amor à arte de fazer filmes, sob a linda trilha de Georges Delerue e com a ajuda do belíssimo rosto de Jacqueline Bisset.

A Noite Americana (1973), dirigido por François Truffaut; roteiro de François Truffaut, Jean-Louis Richard e Suzanne Schiffman.

Kim Hunter e Marlon Brando: além do limite

Além do limite: Kim Hunter e Marlon Brando em “Uma Rua Chamada Pecado”

Elia Kazan leva o cinema dos anos 1950 além do limite da sensualidade permitida pelo famigerado Código de Produção, através de Marlon Brando e Kim Hunter. Se alguém gritar “Stella!!” em um filme – qualquer um – saiba: é referência a esta cena.

Uma Rua Chamada Pecado (1951), dirigido por Elia Kazan; roteiro de Tennessee Williams, baseado em sua peça.

Donald O'Connor, Gene Kelly: eles dançam mesmo, amigo

Eles dançam mesmo, amigo: Donald O’Connor e Gene Kelly em “Cantando na Chuva”

Para começar essa séria série, acho adequado que seja a minha cena favorita do meu filme favorito. Acompanhem Gene Kelly e Donald O’Connor, se puderem, em “Moses supposes” e reparem quantos cortes tem a cena. A dança não é construída na edição aqui, não, amigo: eles dançam mesmo.

Cantando na Chuva (1952), dirigido por Gene Kelly e Stanley Donen; roteiro de Betty Comden e Adolph Green; “Moses supposes” composta por Roger Edens, Betty Comden e Adolph Green.

Um Frank Capra mais capriano do que nunca e um James Stewart fenomenal. Essa combinação foi fundamental para que A Felicidade Não se Compra se tornasse um favorito dos natais americanos e de inúmeros cinéfilos. Nâo é um filme natalino, propriamente, é um filme sobre a amizade, sobre um homem tão bom que não consegue não ajudar os outros. E que, quando precisa, é lembrado de como foi e é importante para tanta gente. Seu reencontro com a própria vida e o reconhecimento dos amigos a quem ajudou foi copiada, citada, imitada e ainda faz muita gente chorar.

A Felicidade Não se Compra (1946), dirigido por Frank Capra.

O gênio Woody Allen se pautou em George Gershwin para compor o roteiro e a direção de Manhattan. E, como não poderia deixar de ser, o final é um gran finale: depois de uma decepção amorosa e de enumerar as coisas que fazem a vida valer à pena (cena que poderia estar aqui, aliás), ele Isaac chega ao rosto de Tracy, a namoradinha de 17 anos que ele dispensou pelo amor que não deu certo. Com Gershwin retumbante, ele corre para evitar que ela viaje para Londres – como ele sugeriu. E, chegando lá, ela se mostra mais uma vez mais madura do que ele. “O que são seis meses, se nos amamos?”, ela pergunta. “Não seja tão madura, ok?”, ele responde.

Manhattan (1979), dirigido por Woody Allen.

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