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100. ‘I GOT RHYTHM’, de Sinfonia de Paris (1951)
Com Gene Kelly e crianças. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Gene Kelly. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Uma máxima dos grandes dançarinos do cinema é que ele fazem o difícil parecer fácil. Exigente como poucos, Gene Kelly parece uma das crianças com quem ele contracena neste número delicioso, em que ele brinca com o fato de, sendo um americano em Paris, ensinar palavras inglesas aos garotos da vizinhança.

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99. ‘FOOTLOOSE’, de Footloose – Ritmo Louco (1984)
Com Kevin Bacon, Lori Singer, Chris Penn. Direção: Herbert Ross. Coreografia: Lynne Taylor-Corbett. Canção de Kenny Loggins e Keith Pitchford.

Quem nunca tentou repetir esses passos quando “Footloose” toca numa festa? O baile de formatura de uma cidade onde a dança era proibida é um momento de libertação para os jovens e a cena retrata isso muito bem.

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98. ‘KEEP IT GAY’, de Os Produtores (2005)
Com Gary Beach, Roger Bart, Nathan Lane, Matthew Broderick, Brent Barrett, Peter Bartlett, Jim Borstelmann e Kathy Fitzgerald. Direção e coreografia: Susan Stroman. Canção de Mel Brooks.

Os dois produtores que estão tentando garantir que sua próxima peça seja um fracasso tentam convencer o pior diretor da Broadway a pegar o projeto. Retratar a Alemanha nazista parece meio deprimente, então a chave é fazer a trama um pouco mais alegre (gay). Entrecortado por diálogos, o aloprado número é conduzido por um Roger De Bris de vestido longo e termina apoteoticamente numa animadíssima conga.

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97. ‘ALL I DO IS DREAM OF YOU’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Debbie Reynolds. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Nacio Herb Brown e Arthur Freed.

Debbie Reynolds é uma das coristas contratadas pra um showzinho numa festa de um chefe de estúdio de Hollywood. Todas lindas, mas que, por mágica do cinema, não competem com, mas, sim, ressaltam a graça de Debbie. A ambientação é fim dos anos 1920, então o charleston marca presença. Num detalhe, Debbie tira uma serpentina que caiu sobre seu rosto, sem deixar a peteca cair. The cat’s meow!

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96. ‘SIXTEEN GOING ON SEVENTEEN’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Charmian Carr e Daniel Truhitte. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

Liesl, a filha mais velha do Capitão Von Trapp, dá aquela escapadinha depois do jantar para encontrar o namorado mensageiro no jardim. Eles cantam sobre a inocência dela aos 16 e a autopresumida maturidade dele aos 17. Mas, na verdade, é um momento idílico e esplendidamente fotografado que retrata a inocência daqueles dias, antes da ascensão do nazismo, que chega na segunda metade do filme.

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95. ‘GEE, OFFICER KRUPKE’, de Amor, Sublime Amor (1961)
Com Russ Tamblyn, Tony Mordente, Bert Michaels, David Winters, David Bean. Direção: Robert Wise e Jerome Robbins. Coreografia: Jerome Robbins. Canção de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim.

A gangue dos Jets tira onda do policial da vizinhança e da sociedade, interpretando juízes, psicólogos e assistentes sociais, que empurram o problema uns para os outros, satirizando várias justificativas clichê para seu mal comportamento com uma letra genial: “nossas mães são drogadas, nossos pais são bêbados: claro que somos marginais”, “não somos delinquentes, somos incompreendidos”, “não sou anti-social, sou é anti-trabalho” e por aí vai. É um distúrbio psicológico? É uma doença social? É um bando de vagabundos que merecem ir presos? No fim, é tudo muito mais complexo e o número mostra que os rapazes não tem noção (ou não querem ter) do próprio problema.

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94. ‘A COUPLE OF SWELLS’, de Desfile de Páscoa (1948)
Com Judy Garland e Fred Astaire. Direção: Charles Walters. Coreografia: Fred Astaire e Charles Walters. Canção de Irving Berlin.

Fred Astaire sempre foi identificado com a extrema elegância. Aqui, ele e Judy Garland aparecem aos farrapos, mas como dois vagabundos cheios de pose. Um número de palco cheio de graça, nos dois sentidos, mostrando mais uma vez o talento para o humor desses dois astros gigantescos do canto e da dança.

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93. ‘THE BABBITT AND THE BROMIDE’, de Ziegfeld Follies (1945)
Com Fred Astaire e Gene Kelly. Direção: Vincente Minnelli. Direção de dança: Robert Alton. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Momento antológico, para começar, por ser a única vez em que Fred Astaire e Gene Kelly aparecem dançando juntos num filme valendo pontos (31 anos depois, eles voltaram a trocar uns passos no documentário Isto Também Era Hollywood). Como dois cavalheiros que se provocam, eles estrelam um dos segmentos de Ziegfeld Follies, filme que é uma colagem de números (o número foi encenados originalmente nos palcos por Fred e sua irmã Adele, em 1927). Astaire eram então, um astro consagrado: já fazia seis anos que havia encerrado sua icônica série de filmes com Ginger Rogers na RKO e 15 anos de sua primeira aparição num filme. Kelly era, em comparação, um iniciante: havia estreado no cinema apenas três anos antes. Visto hoje, é o momento encantado de dois monstros sagrados juntos, que a Metro decidiu não reunir de novo nos filmes que fariam no estúdio dali para a frente.

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92. ‘RUNNIN’ WILD’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe, Jack Lemmon, Tony Curtis. Direção: Billy Wilder. Coreografia: Jack Cole. Canção de A.H. Gibbs, Joe Grey e Leo Wood.

É um pouquinho mais de um minuto. Joe e Jerry – ou melhor, Josephine e Daphne – estão atacando no sax e no contrabaixo no ensaio da banda feminina ao bordo do trem que segue para Miami. Aí entra Marilyn como a vocalista Sugar Kane e seu ukelele (tocado, na verdade, por Al Hendrickson) e o mundo para.

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91. ‘LE RENCONTRES’, de Duas Garotas Românticas (1967)
Com Françoise Dorléac (com voz de Claude Parent), Jacques Perrin (com voz de Jacques Revaux), Gene Kelly (com voz de Donald Burke) e Catherine Deneuve (com voz de Anne Germain). Direção: Jacques Demy. Coreografia: Norman Maen. Canção de Michel Legrand.

Este é o momento em que Duas Garotas Românticas mais se parece com Os Guarda-Chuvas do Amor (1964), musical anterior de Demy e Legrand. A canção é formada por diálogos cantados, com personagens que vão se cruzando pelo caminho, mas os casais que estão uns à procura dos outros ainda não se esbarram. A diferença para o filme anterior é que aqui há alto astral e muito mais humor.

 

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A última impressão é a que fica? Aqui está uma lista de meus 50 finais preferidos de filmes. 

Noivo Neurotico Noiva Nervosa - 41

50. NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA. Woody Allen, 1977

ALVY: “Eu, eu pensei naquela velha piada, sabe, um, um cara vai a um psiquiatra e diz: ‘Doutor, hã, meu irmão está louco. Ele pensa que é uma galinha’. E, hã, o doutor diz: ‘Bem, por que você não o interna?’. E o cara diz: ‘Eu ia, mas eu preciso dos ovos’. Bem, acho que isso é muito como eu me sinto sobre relacionamentos. Você sabe, eles são totalmente irracionais e loucos e absurdos e… mas, hã, acho que continuamos com eles porque, hã, a maioria de nós precisa dos ovos”.

Assista!

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Bebe de Rosemary - 14

49. O BEBÊ DE ROSEMARY. Roman Polanski, 1968

ROSEMARY: “Você está balançando muito rápido”.

Assista!

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Doce Vida - 15

48. A DOCE VIDA. Federico Fellini, 1960

MARCELLO: “Não consigo escutar!”.

Assista!

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Setimo Selo-03

47. O SÉTIMO SELO. Ingmar Bergman, 1957

JOF: “E a Morte, a mestre severa, os convida para dançar”.

Assista!

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Intocaveis - 1987 - 10

46. OS INTOCÁVEIS. Brian de Palma, 1987

ELLIOT NESS: “Acho que vou tomar um drinque”.

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Chinatown - 26

45. CHINATOWN. Roman Polanski, 1974

WALSH: “Esqueça, Jake. É Chinatown”.

Assista!

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Bonequinha de Luxo-15

44. BONEQUINHA DE LUXO. Blake Edwards, 1961

HOLLY: “O Gato… Onde está o Gato?…”

Assista!

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Separacao - 09

43. A SEPARAÇÃO. Asghar Farhadi, 2011

JUIZ: “Você quer que eles esperem lá fora, se for difícil para você?
TERMEH: “Eles podem?”

Assista!

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Vida de Brian - 12

42. A VIDA DE BRIAN. Terry Jones, 1979

SR. FRISBEE: “Olhe sempre o lado bom da vida”.

Assista!

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Clube dos Cinco-29

41. CLUBE DOS CINCO. John Hughes, 1985

BRIAN: “Mas o que descobrimos é que cada um de nós é um cérebro…”
ANDREW: “…e um atleta…”
ALLISON: “…e uma inútil…”
CLAIRE: “…e uma princesa…”
BENDER: “…e um criminoso.”

Assista!

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Pacto de Sangue - 02

41. PACTO DE SANGUE. Billy Wilder, 1944

KEYES: “Você não vai chegar nem ao elevador”.

Assista!

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Butch Cassidy - 06

40. BUTCH CASSIDY. George Roy Hill, 1969

BUTCH: “Tenho uma grande ideia de onde deveríamos ir depois daqui”.

Assista!

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Montanha dos Sete Abutres - 09

39. A MONTANHA DOS SETE ABUTRES. Billy Wilder, 1951

CHUCK: “Gostaria de ganhar mil dólares por dia, Sr. Boot? Sou um jornalista que vale mil dólares por dia. Pode ficar comigo por nada”.

Assista!

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Deus e o Diabo na Terra do Sol - 12

38. DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL. Glauber Rocha, 1964

CORISCO: “Mais fortes são os poderes do povo!”.

Assista!

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Bons Companheiros - 06

37. OS BONS COMPANHEIROS. Martin Scorsese, 1990

HENRY: “Sou um ninguém. Vou viver o resto da minha vida como um merda”.

Assista!

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Toy Story 3 - 09

36. TOY STORY 3. Lee Unkrich, 2010

WOODY: “Até mais, parceiro”.

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Cavadoras de Ouro - 07

35. CAVADORAS DE OURO DE 1933. Mervyn LeRoy, 1933

CAROL: “Lembre-se do meu homem esquecido”.

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Homem de Ferro - 34

34. HOMEM DE FERRO. Jon Favreau, 2008

TONY STARK: “Eu sou o Homem de Ferro”.

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Dona Flor e Seus Dois Maridos - 21

33. DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS. Bruno Barreto, 1976

TRILHA SONORA: “O que será, que será, que andam suspirando pelas alcovas?”

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Sociedade dos Poetas Mortos - 03

32. SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS. Peter Weir, 1989

KEATING: “Obrigado, garotos. Obrigado”.

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Ouro e Maldicao - 02

31. OURO E MALDIÇÃO. Erich von Stroheim, 1924

Assista!

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Princesa e o Plebeu - 15

29. A PRINCESA E O PLEBEU. William Wyler, 1953

ANN: “Muito feliz, Sr. Bradley”.

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Malvada - 09

28. A MALVADA. Joseph L. Mankiewicz, 1950

ADDISON: “Você deve perguntar à Srta. Harrington como conseguir um. A Srta. Harrington sabe tudo sobre isso”.

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8½

27. 8 ½. Federico Fellini, 1963

GUIDO: “Esta confusão… sou eu”.

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Inimigo Publico - 03

26. INIMIGO PÚBLICO. 1931

MIKE: “Mãe, estão trazendo Tom para casa!”.

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Incompreendidos - 05

25. OS INCOMPREENDIDOS. François Truffaut, 1959

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Thelma e Louise-08

24. THELMA & LOUISE. Ridley Scott, 1991

THELMA: “Apenas vamos em frente”.

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Tempos Modernos - 05

23. TEMPOS MODERNOS. Charles Chaplin, 1936

CARLITOS: “Sorria!”

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Suspeitos - 1995 - 02

22. OS SUSPEITOS. Bryan Singer, 1995

VERBAL: “O maior truque do diabo foi convencer o mundo de que ele não existe”.

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Cinema Paradiso - 20

21. CINEMA PARADISO. Giuseppe Tornatore, 1988

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E o Vento Levou-13

20. …E O VENTO LEVOU. Victor Fleming, 1939

RHETT: “Francamente, minha querida, estou cagando pra isso”.

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Passaros - 34

19. OS PÁSSAROS. Alfred Hitchcock, 1963

CATHY: “Posso levar os periquitos, Mitch? Eles não machucaram ninguém”.

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Ladroes de Bicicleta - 12

18. LADRÕES DE BICICLETA. Vittorio de Sica, 1948

BRUNO: “Papai! Papai!”

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Se Meu Apartamento Falasse - 06

17. SE MEU APARTAMENTO FALASSE. Billy Wilder, 1960

FRAN KUBELIK: “Cale a boca e dê as cartas”.

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Casablanca - 40

 

16. CASABLANCA. Michael Curtiz, 1942

RICK: “Louis, acho que este é o início de uma bela amizade”.

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Planeta dos Macacos - 1968 - 10

15. O PLANETA DOS MACACOS. Franklin J. Schaffner, 1968

GEORGE TAYLOR: “Seus maníacos! Vocês estragaram tudo! Malditos sejam!”.

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14. A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM. Mike Nichols, 1967

TRILHA SONORA: “Olá, escuridão, velha amiga”.

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De Volta para o Futuro - 31

13. DE VOLTA PARA O FUTURO. Robert Zemeckis, 1985

DOUTOR BROWN: “Ruas? Para onde vamos não precisamos… de ruas”.

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2001 - Uma Odisseia no Espaco - 25

12. 2001 – UMA ODISSEIA NO ESPAÇO. Stanley Kubrick, 1968

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Bonnie e Clyde - 35

11. BONNIE AND CLYDE – UMA RAJADA DE BALAS. Arthur Penn, 1967

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Rastros de Ódio - 01

10. RASTROS DE ÓDIO. John Ford, 1956

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Cidadao Kane - 38

9. CIDADÃO KANE. Orson Welles, 1941

JERRY THOMPSON: “Talvez ‘Rosebud’ seja alguma coisa que ele não conseguiu. Ou algumas coisa que ele perdeu”.

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Psicose - 1960 - 20

8. PSICOSE. Alfred Hitchcock, 1960

NORMA BATES: “Ele vão dizer: ‘Ela não mataria uma mosca’…”.

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Quanto Mais Quente Melhor - 22

7. QUANTO MAIS QUENTE MELHOR. Billy Wilder, 1959

OSGOOD: “Ninguém é perfeito”.

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Noites de Cabiria - 04

6. NOITES DE CABÍRIA. Federico Fellini, 1957

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Manhattan - 03

5. MANHATTAN. Woody Allen, 1979

TRACY: “Nem todo mundo se corrompe. Você tem que ter um pouco de fé nas pessoas”.

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Felicidade Nao Se Compra - 18

4. A FELICIDADE NÃO SE COMPRA. Frank Capra, 1946

HARRY: “Ao meu irmão George: o homem mais rico da cidade”.

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Poderoso Chefao - 08

3. O PODEROSO CHEFÃO. Francis Ford Coppola, 1972

KAY: “É verdade? É?”
MICHAEL: “Não”.

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Crepusculo dos Deuses-12

2. CREPÚSCULO DOS DEUSES. Billy Wilder, 1950

NORMA DESMOND: “Está bem, Sr. DeMille, estou pronta para o meu close-up”.

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Luzes da Cidade - 03

1. LUZES DA CIDADE. Charles Chaplin, 1931

CARLITOS: “Você consegue ver agora?”
FLORISTA: “Sim, eu consigo ver agora”.

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Marilyn Monroe, Tony Curtis e Jack Lemmon

Marilyn Monroe, Tony Curtis e Jack Lemmon

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Sexo e tiros, graças ao deus Billy

Em preto-e-branco, um carro funerário antigo vem pela rua. Logo, é perseguido pela polícia. Tiros são trocados, uma perseguição acontece, o carro escapa, mas o caixão foi atingido. Dos furos, jorra um líquido. Não é sangue: quando o caixão é aberto, nos é revelado que está cheio de garrafas de birita. E só aí Quanto Mais Quente Melhor nos localiza (para quem ainda não percebeu por si só): estamos em Chicago, 1929. Época da Lei Seca.

O filme de Billy Wilder, escrito por ele e o parceiro I.A.L. Diamond, mostra de saída uma de suas maiores qualidades (entre tantas e tantas): o ritmo. Não há pressa: o filme começa com uma trama que ainda não envolve seus personagens principais: essa fuga, a batida da polícia em uma funerária de fachada que na verdade é um nightclub. Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon), músicos que tocam na banda do lugar, só aparecem aí, aos 7 minutos de filme. A outra protagonista do filme, Sugar Kane (Marilyn Monroe), só aos 25. E essa cadência é tão precisa quanto o rebolado de Marilyn em sua primeira aparição, na estação de trem. “Olha como ela se mexe! É como gelatina com molas”, diz o personagem de Lemmon. “Deve ter algum tipo de motor interno. Vou te dizer, é um sexo totalmente diferente!”.

Nesta cena, Joe e Jerry já estão vestidos de mulher. Eles – com uma dinâmica meio Dean Martin e Jerry Lewis – testemunharam o acerto de contas entre gangsters que ficou conhecido como o massacre do Dia de São Valentim (que aconteceu mesmo) e, para não serem mortos também, precisam fugir da cidade. Conseguem emprego em uma banda que está indo para Miami – só que é uma banda só de mulheres. Então, Joe vira Josephine e Jerry, Geraldine. Até sua antológica apresentação ao pessoal da banda: “Sou Daphne”. Mais um exemplo do ritmo do roteiro: há todo um diálogo depois disso até que Joe possa finalmente colocar Jerry na parede e perguntar: “Daphne??”.

O desafio da dupla é se tornar esse “sexo totalmente diferente”. É claro que não vai ser fácil. Joe parece mais desconfortável, mas mais concentrado. Jerry fica saltitante ao se ver entre as mulheres da banda, mas curiosamente rapidamente cria uma expansiva persona feminina. Além disso, há Sugar, a cantora da banda. Que homem resiste a Marilyn em seu máximo? Em um segundo, os dois se interessam por ela e vão arriscar seus disfarces e pescoços.

No hotel e Miami, ainda há os milionários em busca de aventuras amorosas. Joe se aproveita disso e cria um novo personagem para conquistar Sugar, em uma impagável imitação de Cary Grant (“Que sotaque é esse? Ninguém fala assim!”, diz Jerry). Já Daphne atrai a atenções de um ricaço de verdade, Osgood Fielding (Joe E. Brown).

As correrias e o entra-e-sai são orquestrados na medida, emoldurando (e várias vezes desviando a atenção) todas as piadas com o homossexualismo que não podiam ser feitas naquela época em que o Código de Produção ainda ditava normas em Hollywood. A cena em que Daphne conta que foi pedida em casamento – um dos melhores diálogos da história do cinema (Joe: “Por que um cara se casaria com outro cara?”; Daphne: “Segurança!”) – é cheia de subentendidos, desmentidos, coisas que ficam no ar e é tão engraçada que Billy Wilder entregou duas maracas para Jack Lemmon e o instruiu a sacudi-las entre os diálogos – para dar ao público tempo de rir sem perder nada.

A interação entre Curtis e Lemmon é perfeita, mas o filme tem em Marilyn uma arma que não desperdiça. Billy Wilder pagou seus pecados com a atriz e sua dificuldade em decorar as falas. Em uma cena, ela só tinha que entrar no quarto e perguntar “Cadê aquele bourbon?”, mas não acertava. Billy, então, escreveu a fala num papel e colocou dentro de uma gaveta que ela deveria abrir. E ela não conseguia abrir a gaveta certa. Então, o diretor pôs a fala dentro de todas a gavetas. Foram 49 takes e não foi a única cena a ser repetida tantas vezes.

Billy já tinha dirigido Marilyn em O Pecado Mora ao Lado e sabia que valia a insistência. E valeu mesmo. Marilyn está luminosa no seu tipo de ser a mulher mais sensual do mundo sem ter consciência de que é. E seus números musicais (“Runnin’ wild”, “I wanna be loved by you” e “I’m through with love”) são todos ótimos.

São todas músicas do período em que o filme se passa, o final dos anos 1920. E Marilyn (que ganhou o Globo de Ouro de atriz/ comédia ou musical; Jack Lemmon ganhou melhor ator e ainda teve o de melhor filme) está fascinante de maneiras diferentes em cada um deles (estava com uns quilinhos a mais porque estava grávida, mas quem liga?). No segundo ainda há aquele jogo de luz, que brinca, ficando acima do já generoso decote de Sugar, evocando a nudez da personagem. O sexo está por todo lado no filme.

Às vezes, em dois lugares ao mesmo tempo e com sentidos diferentes, como na cena em que Sugar se esforça para seduzir o suposto milionário supostamente impotente que Joe finge ser enquanto Jerry, como Daphne, precisa lidar com o apaixonado Osgood em um baile (“Daphne, está conduzindo de novo”).

E tem o final, claro. Billy Wilder (com seus parceiros) era brilhante em seus finais. E o de Quanto Mais Quente Melhor, eleito pelo American Film Institute como a melhor comédia do cinema american, é lendário. A solução de resolver com um atrevido nonsense a questão entre Osgood e Daphne causou dúvidas até no próprio Wilder (I.A.L. Diamond criou a fala). É tão surpreendente, absurdo e anticlimático que a plateia só pensa nas possíveis implicações dela depois. Pode ser que ninguém seja perfeito, mas esse final é.

Quanto Mais Quente Melhor. Some Like it Hot. Estados Unidos, 1959. Direção: Billy Wilder. Roteiro: Billy Wilder e I.A.L. Diamond, a partir de história de Robert Thoeren e Michael Logan, inspirado no filme alemão Ritmos de Amor (1951). Elenco: Marilyn Monroe, Tony Curtis, Jack Lemmon, George Raft, Pat O’Brien, Joe E. Brown.

35 - "Sonhos de um Sedutor" (1972)

35 – “Sonhos de um Sedutor” (1972)

35 – SONHOS DE UM SEDUTOR (1972), de Herbert Ross

34 - "Tootsie" (1982)

34 – “Tootsie” (1982)

34 – TOOTSIE (1982), de Sydney Pollack

33 - "Aladdin" (1992)

33 – “Aladdin” (1992)

33 – ALADDIN (1992), de John Musker e Ron Clements

32 - "Romeu & Julieta" (1968)

32 – “Romeu & Julieta” (1968)

32 – ROMEU E JULIETA (1968), de Franco Zefirelli

31 - "Jules e Jim - Uma Mulher para Dois" (1961)

31 – “Jules e Jim – Uma Mulher para Dois” (1961)

31 – JULES E JIM –  UMA MULHER PARA DOIS (1961), de François Truffaut

30 - "Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas" (1967)

30 – “Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas” (1967)

30 – BONNIE & CLYDE –  UMA RAJADA DE BALAS (1967), de Arthur Penn

29 - "Desencanto" (1945)

29 – “Desencanto” (1945)

29 – DESENCANTO (1945), de David Lean

28 - "Sabrina" (1954)

28 – “Sabrina” (1954)

28 – SABRINA (1954), de Billy Wilder

27 - "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" (2001)

27 – “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (2001)

27 – O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN (2001), de Jean-Pierre Jeunet

26 - "Ritmo Louco" (1935)

26 – “Ritmo Louco” (1935)

26 – RITMO LOUCO (1935), de George Stevens

25 - "Forrest Gump, o Contador de Histórias" (1994)

25 – “Forrest Gump, o Contador de Histórias” (1994)

25 – FORREST GUMP, O CONTADOR DE HISTÓRIAS (1994), de Robert Zemeckis

24 - "A Felicidade Não Se Compra" (1946)

24 – “A Felicidade Não Se Compra” (1946)

24 – A FELICIDADE NÃO SE COMPRA (1946), de Frank Capra

23 - "A Dama e o Vagabundo" (1955)

23 – “A Dama e o Vagabundo” (1955)

23 – A DAMA E O VAGABUNDO (1955), de Clyde Geronimi, Wifred Jackson e Hamilton Luske

22 - "Todas as Mulheres do Mundo" (1967)

22 – “Todas as Mulheres do Mundo” (1967)

22 – TODAS AS MULHERES DO MUNDO (1967), de Domingos Oliveira

21 - "Se Meu Apartamento Falasse" (1960)

21 – “Se Meu Apartamento Falasse” (1960)

21 – SE MEU APARTAMENTO FALASSE (1960), de Billy Wilder

20 - "Antes do Amanhecer" (1994)

20 – “Antes do Amanhecer” (1994)

20 – ANTES DO AMANHECER (1994), de Richard Linklater

19 - "Cupido É Moleque Teimoso" (1937)

19 – “Cupido É Moleque Teimoso” (1937)

19 – CUPIDO É MOLEQUE TEIMOSO (1937), de Leo McCarey

18 - "Aconteceu Naquela Noite" (1934)

18 – “Aconteceu Naquela Noite” (1934)

18 – ACONTECEU NAQUELA NOITE (1934), de Frank Capra

16 - "Quatro Casamentos e um Funeral" (1994)

17 – “Quatro Casamentos e um Funeral” (1994)

17 – QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL (1994), de Mike Newell

16 - "A Bela e a Fera" (1991)

16 – “A Bela e a Fera” (1991)

16 – A BELA E A FERA (1991), de Gary Trousdale e Kirk Wise

15 - "Amor, Sublime Amor" (1961)

15 – “Amor, Sublime Amor” (1961)

15 – AMOR, SUBLIME AMOR (1961), de Robert Wise e Jerome Robbins

14 - "Quem Quer Ser um MIlionário?" (2008)

14 – “Quem Quer Ser um Milionário?” (2008)

14 – QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO? (2008), de Danny Boyle

13 - "...E o Vento Levou" (1939)

13 – “…E o Vento Levou” (1939)

13 – …E O VENTO LEVOU (1939), de Victor Fleming

12 - "Muito Barulho por Nada" (1993)

12 – “Muito Barulho por Nada” (1993)

12 – MUITO BARULHO POR NADA (1993), de Kenneth Branagh

11 - "Manhattan" (1979)

11 – “Manhattan” (1979)

11 – MANHATTAN (1979), de Woody Allen

10 - "Bonequinha de Luxo" (1961)

10 – “Bonequinha de Luxo” (1961)

10 – BONEQUINHA DE LUXO (1961), de Blake Edwards

9 - "Wall-E" (2008)

9 – “Wall-E” (2008)

9 – WALL-E (2008), de Andrew Stanton

8 - "O Feitiço de Áquila" (1985)

8 – “O Feitiço de Áquila” (1985)

8 – O FEITIÇO DE ÁQUILA (1985), de Richard Donner

7 - "Depois do Vendaval" (1952)

7 – “Depois do Vendaval” (1952)

7 – DEPOIS DO VENDAVAL (1952), de John Ford

6 - "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" (2004)

6 – “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” (2004)

6 – BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEBRANÇAS (2004), de Michel Gondry

5 - "Luzes da Cidade" (1931)

5 – “Luzes da Cidade” (1931)

5 – LUZES DA CIDADE (1931), de Charles Chaplin

4 - "Harry e Sally, Feitos um para o Outro" (1989)

4 – “Harry e Sally, Feitos um para o Outro” (1989)

4 – HARRY E SALLY, FEITOS UM PARA O OUTRO (1989), de Rob Reiner

3 - "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (1977)

3 – “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977)

3 – NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA (1977), de Woody Allen

2 - "A Princesa e o Plebeu" (1953)

2 – “A Princesa e o Plebeu” (1953)

2 – A PRINCESA E O PLEBEU (1953), de William Wyler

1 - "Casablanca" (1942)

1 – “Casablanca” (1942)

1 – CASABLANCA (1942), de Michael Curtiz

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