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170. ‘NOWHERE FAST’, de Ruas de Fogo (1984)
Com Diane Lane. Direção: Walter Hill. Canção de Jim Steinman.

“Uma fábula rock’n’roll”, setencia o filme logo em seu créditos de abertura. E a princesa aparece como a vocalista de uma banda de rock. A deslumbrante Diane Lane dubla, mas a voz é de Laurie Sargent, à frente da banda Fire Inc., que só existiu para gravar as canções deste filme. É uma cena de show, como tantas, mas tem um diretor aí: Walter Hill joga bem demais com os planos e as luzes.

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169. ‘HOLLYWOOD’, de Os Saltimbancos Trapalhões (1981)
Com Lucinha Lins e Os Trapalhões. Direção: J.B Tanko. Canção de Chico Buarque, Sergio Bardotti e Luis Enriquez Bacalov.

O cowboy: “The girl is mine”. Didi: “Cuma?”. Os Trapalhões foram até Hollywood para gravar as cenas deste número. Mas isso é menos importante que a desconstrução que eles fazem do glamour.

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168. ‘YOUR SONG’, de Moulin Rouge — Amor em Vermelho (2001)
Com Ewan McGregor e Placido Domingo. Direção: Baz Luhrmann. Canção de Elton John e Bernie Taupin.

Baz Luhrmann exagerando no exagero, mas com essa belíssima canção de Elton John e o talento de McGregor e Kidman, ficou uma bela cena.

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167. ‘REMEMBER ME’, de Viva — A Vida É uma Festa (2018)
Com Gael García Bernal e Libertad García Fonzi. Direção: Lee Unkrich. Canção de Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez.

A canção de um pai para uma filha, em momento de arrancar lágrimas de Viva. Não precisa mais que os dois personagens e um cenário difuso e a reinvenção (e ressignificação) de uma canção que já ouvimos antes do filme.

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166. ‘KISS THE GIRL’, de A Pequena Sereia (1989)
Com Samuel E. Wright. Direção: John Musker, Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Ariel, a sereia, trocou sua bela voz por pernas para conhecer o mundo da superfície. Como num conto clássico, um beijo pode quebrar o encanto. Mas a falta de conversa atravanca o romance e os amigos animais tentam criar o clima para o beijo acontecer.

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165. ‘PIRUETAS’, de Os Saltimbancos Trapalhões (1981)
Com Chico Buarque e Os Trapalhões. Direção: J.B Tanko. Canção de Chico Buarque, Sergio Bardotti e Luis Enriquez Bacalov.

O amor pelos cirquinhos transpira nesse número que entra no filme como a viga principal da lona. Mesmo que o intervalo tenha cheirim de macarrão. Chico cantando com os Trapalhões é um incrível e saboroso encontro de dois mundos.

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164. ‘SINGIN’ IN THE RAIN’, de Um Amor de Pequena (1940)
Com Judy Garland. Direção: Norman Taurog. Canção de Arthur Freed e Nacio Herb Brown

Antes de Gene Kelly, “Singin’ in the rain” já era um sucesso cantado diversas vezes no cinema. E uma especial teve como uma protagonista toda faceira a “pequena com uma grande voz”: Judy Garland aos 17.

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163. ‘BOOGIE WOOGIE BUGLE BOY OF COMPANY B’, de Ordinário, Marche! (1941)
Com The Andrew Sisters. Direção: Arthur Lubin. Canção de Don Raye e Hugh Prince.

O filme da dupla cômica Abbott e Costello abriu espaço para um número de baixo orçamento, mas muito charme, com as Andrew Sisters lançando aqui esse clássico absoluto.

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162. ‘SKIP TO MY LOU’, de Agora Seremos Felizes (1944)
Com Judy Garland, Lucille Bremer, Tom Drake, Henry H. Daniels Jr. e elenco. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Charles Walters. Canção de Hugh Martin e Ralph Blane.

Agora Seremos Felizes foi um marco por ser um musical que não era uma trama de bastidores: os protagonistas eram uma família comum na St. Louis de 1903. E esta cena reflete isso: uma festa caseira, com músicas tradicionais, que vira um número musical lindamente coreografado e filmado em apenas quatro planos.

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161. ‘THE LUMBERJACK SONG’, de E Agora, para Algo Completamente Diferente (1971)
Com Michael Palin e The Fred Tomlinson Singers. Direção: Ian MacNaughton. Canção de Michael Palin, Terry Jones e Fred Tomlinson.

O lenhador machão que canta seu cotidiano abraçado à sua beldade loura e acompanhado por um coro da polícia montada canadense é, originalmente, um número da série Monty Python’s Flying Circus. Mas vários quadros foram refilmados para este primeiro filme do grupo inglês. O mais engraçado são os guardas surpreendidos e se entreolhando durate a canção. Oh, Beavis, nós achávamos que você era durão!

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190. ‘VOCÊ JÁ FOI À BAHIA? (HAVE YOU EVER BEEN TO BAÍA?)’, de Você Já Foi à Bahia? (1945)
Com José Oliveira e Clarence Nash. Direção: Norman Ferguson. Canção de Dorival Caymmi.

Zé Carioca e um convite irresistível ao Pato Donald para conhecer a Bahia (cantando Caymmi). Animação simples, mas eficaz, muito charme e carisma.

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189. ‘MAMMA MIA’, de Mamma Mia — O Filme (2008)
Com Meryl Streep. Direção: Phyllida Lloyd. Canção de Benny Andersson, Björn Ulvaeus & Stig Anderson.

Muita entrega de Meryl Streep, em um filme irregular, mas que é muito divertido em seus melhores momentos. E a canção-título é o melhor deles.

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188. ‘AND ALL THAT JAZZ’, de Chicago (2002)
Com Catherine Zeta-Jones e Renée Zellweger. Direção: Rob Marshall. Canção de John Kander e Fred Ebb.

A abertura firme e movimentada que condensa Velma Kelly brilhando após ter matado a irmã, Roxie Hart num breve delírio querendo o lugar dela, sexo e mais assassinato.

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187. ‘HAVE YOURSELF A MERRY LITTLE CHRISTMAS’, de Agora Seremos Felizes (1944)
Com Judy Garland. Direção: Vincente Minnelli. Canção de Hugh Martin e Ralph Blane.

Um momento agridoce em que uma canção de Natal embala a tristeza pela iminência de deixar uma vida feliz inteira para trás.

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186. ‘IN THE MIDNIGHT HOUR’, de The Commitments (1991)
Com Andrew Strong, Angeline Ball, Maria Doyle Kennedy e Bronagh Gallagher. Direção: Alan Parker. Canção de Wilson Pickett e Steve Cropper.

Os Commitments chegam a seu auge, ao controle completo do palco. Adoro a viradinha das garotas bem quando a cena volta da conversa na escada para a banda no palco: tempero de direção e montagem.

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185. ‘YOU WONDERFUL YOU’, de Casa, Comida e Carinho (1950)
Com Gene Kelly. Direção: Charles Walters. Canção de Harry Warren, Jack Brooks e Saul Chaplin.

Momento solo de Gene Kelly no filme, em uma daquelas invenções: dançando sobre um jornal.

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184. ‘THAT THING YOU DO!’, de The Wonders — O Sonho Não Acabou (1989)
Com Tom Everett Scott, Johnathon Schaech, Steve Zahn, Ethan Embry. Direção: Tom Hanks. Canção de Adam Schlesinger.

Os “Oneders” apresentam uma balada xaroposa que o atrevido baterista transforma de improviso em rock. Das onze vezes em que a música é ouvida no filme, segundo o IMDb, este é meu momento preferido (outro, é a cena em que ela é tocada no rádio).

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183. ‘HOW SILLY CAN YOU GET/ SPEND THIS NIGHT WITH ME’, de Top Secret! — Superconfidencial (1984)
Com Val Kilmer. Direção: Jerry Zucker, Jim Abrahams, David Zucker. Canções de Phil Pickett; Mike Moran, Jim Abrahams, David Zucker e Jerry Zucker.

Em um dos grandes filmes paródicos de todos os tempos, o astro Nick Rivers mostra perícia no rock e no romance. Mas o que acontece no palco não se vê em todo show.

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182. ‘OUT TONIGHT’, de Rent — Os Boêmios (2005)
Com Rosario Dawson. Direção: Chris Columbus. Canção de Jonathan Larson.

Rosario Dawson engole a tela nessa interpretação poderosa: um hino à noite que parte do trabalho como dançarina erótica, uma passadinha por casa e termina no encontro com o namorado.

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181. ‘ANYTHING GOES’, de Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984)
Com Kate Capshaw. Direção: Steven Spielberg. Canção de Cole Porter.

Indiana Jones é sobre cinema. E, se passando nos anos 1930, não deveria ser supresa que um dos filmes comece com um número musical a la Busby Berkeley, com uma das grandes músicas da época (e de todos os tempos). Detalhe: como estamos na China, ela é cantada em mandarim.

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Sete Noivas para Sete Irmaos - 01

A dança-duelo de “Sete Noivas para Sete Irmãos”

ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD – A COLEÇÃO COMPLETA.

DVD sofre com péssimas legendas

. por Renato Félix.

Entre 1929 e 1958, um estúdio de Hollywood desenvolveu uma forma de arte em que se tornou mestre (ou melhor: um celeiro de mestres): o filme musical. Reunindo talentos gigantescos entre atores/ cantores, atores/ dançarinos, compositores, coreógrafos, a Metro-Goldwyn-Mayer construiu um repertório máximo no gênero, autocelebrado no documentário Era uma Vez em Hollywood (1974), que depois teve duas continuações. A trilogia finalmente chegou ao DVD no Brasil, em lançamento pela Classic Line.

Os três filmes seguem basicamente a mesma fórmula, enfileirar trechos antológicos e/ou curiosos dos musicais da Metro. Porém, com particularidades que veremos mais adiante. Continuam uma delícia de ver, mas as legendas da edição tentam muito sabotar esse prazer.

Nas partes 2 e 3, o trabalho assinado pela Studio Mille, cearense como a distribuidora Classic Line, é péssimo. A ponto de parecer ter sido feito grosseiramente no Google Tradutor sem qualquer revisão depois. Não são um ou dois erros, mas dezenas.

Muitas vezes o que se lê está completamente desconectado do que aparece na tela. Gene Kelly mostra um número de Cantando na Chuva em que Cyd Charisse “interpreta uma dessas vamps glamourosas” e a legenda crava “um desses glamourosos vampiros”. Sinatra canta “Old man river” e a legenda traduz como “rio velho” (esquecendo do homem). Alguém diz que Garbo que ficar só e a legenda a transforma em “ele”.

Groucho Marx usa, em Uma Noite na Ópera (1935), a expressão “half Nelson”, que se refere a um golpe de luta, e na legenda: “Ele está meio dormindo e meio Nelson”. É mais de uma vez diz-se que alguém é “cherce”, que nem ganhou tradução (significaria “ótimo”). “Leading man”, que seria o par romântico da atriz, mais de uma vez surge como “condutor”.

E títulos de filmes surgem traduzidos ao pé da letra. Chega a ser engraçado. Salve a Campeã (1953) virou “Perigosa quando Molhada”. Quando as Nuvens Passam (1946) virou “Até as Nuvens Rolam”. Minha Vida É uma Canção (1948) virou “Palavras e música” (e a tradução literal correta do título ainda seria “letra e música”). Bonita e Valente (1950) virou “Annie, pegue sua arma”. Se Você Fosse Sincera (1941) virou “Moça, seja boa”.

Qualquer visita ao IMDb resolve a busca pelos títulos nacionais do filmes. A legenda das partes 2 e 3 nem os deixa no original, nem põe os títulos brasileiros corretos, gerando essa desinformação completa.

Nem a embalagem escapa dos erros. O digipack traz estampadas fotos dos filmes, mas numa delas credita como Gene Kelly uma cena de Sinfonia de Paris (1951), mas com Georges Guétary – sequência que está lá, no volume 2.

É um desleixo que compromete bastante o resultado final desse lançamento, embora os filmes em si continuem sendo um belo resumo para quem gosta dos musicais clássicos.

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ERA UMA VEZ HOLLYWOOD (1974)
Sem borda - 04 estrelas

O tesouro da Metro

Melodia da Broadway de 1940 - 03

Eleanor Powell e Fred Astaire em “Melodia da Broadway de 1940”: você nunca mais verá algo assim de novo

O primeiro filme, por ser o primeiro, tem o privilégio de contar com as principais cenas, dos principais filmes. Estão nele Gene Kelly debaixo d’água em Cantando na Chuva (1952), Fred Astaire dançando nas paredes e tetos de um quarto em Núpcias Reais (1951), Judy Garland em cenas de O Mágico de Oz (1939), a dança-duelo no celeiro em construção em Sete Noivas para Sete Irmãos (1954).

Cyd Charisse brilha ao lado de Astaire em A Roda da Fortuna (1953). Dois mestres da voz, Sinatra e Bing Crosby surgem juntos em Alta Sociedade (1955). Cenas dos primeiríssimos musicais, Melodia da Broadway (1929) e Hollywood Revue (1929) dão bem a medida de como o gênero evoluiu.

É um momento antológico após o outro. E, na época do lançamento original, sem home vídeo, muitas dessas cenas não eram vistas havia décadas. Em determinado momento, Sinatra apresenta o encontro maravilhoso de dois gênios: Fred Astaire e Eleanor Powell em Melodia da Broadway de 1940 (1940). Ele sentencia: “Eu aposto: você nunca mais verá algo assim de novo”. Ele tinha razão.

Os segmentos são apresentados por astros que fizeram história nos musicais do estúdio, como, além de Sinatra, os próprios Astaire e Kelly, e mais Donald O’Connor, Mickey Rooney e Debbie Reynolds.

Outros nomes que brilharam nos musicais da Metro acabaram preteridos em favor de, por exemplo, Bing Crosby. Uma lenda que fez vários musicais, mas apenas dois na Metro (ele foi uma estrela do cinema, mas na Paramount). E de outros astros importantes, mas não muito afeitos ao gênero como Elizabeth Taylor, Peter Lawford e James Stewart.

Liza Minelli é incluída como apresentadora representando a nova geração do gênero (havia acabado de ganhar o Oscar de melhor atriz por Cabaret, 1972) e também, de certa maneira, representando a mãe, Judy Garland (que havia morrido cinco anos antes).

Alguns dos apresentadores ficaram com um bloco temático. Sinatra mostrou os primeiros musicais. Jimmy Stewart, dos atores dramáticos que tiveram que se aventurar nos musicais (ele próprio teve sua vez). Donald O’Connor apresentou os musicais aquáticos de Esther Williams. Mickey Rooney, os musicais que estrelou em dupla com Judy Garland. E Liza lembrou a mãe.

Num lance bem sacado, os dois maiores astros falaram um do outro. Gene Kelly apresenta o segmento sobre Fred Astaire e Astaire a parte dedicada a Kelly.

O filme tem um tom nostálgico e até um pouco melancólico. Os atores surgem nos cenários do estúdio como a reprodução de uma rua de Nova York, ou uma estação de trem, já desgastadas pelo tempo. No período, os anos 1970, a preferência por filmagens em locação fez com que os cenários de fundo dos estúdios saíssem de moda. Ainda assim, Era uma Vez em Hollywood é apresentado como uma celebração dos 50 anos da Metro e de seus “próximos 50 anos”.

O filme, assim como a parte 2, possui dublagem em português. E uma clássica, de quando filmes assim passavam na TV aberta, com Élcio Romar como Gene Kelly e Isaac Bardavod como Fred Astaire. O detalhe é que, mesmo sendo claramente antiga, a dublagem é assinada como “versão brasileira: Studio Mille”, mesma empresa que assina as legendas.

A única explicação razoável é que a empresa tenha editado a dublagem antiga: usado o som em português nos momentos das apresentações e deixado o som original nas cenas de música, privilegiando o som de melhor qualidade nessas sequências. Mas isso não justifica assinar a versão brasileira do áudio.

Um detalhe resultado disso é que a dublagem “some” em alguns pontos do filme. Devem ter esquecido de sobrepor a voz brasileira algumas vezes em que o apresentador falou durante as cenas dos filmes clássicos.

A legenda, aqui, é bastante boa, ao contrário da dos filmes seguintes – incluindo até os títulos corretos em português. E por que essa diferença? Há um motivo: a legenda do primeiro filme é quase exatamente a mesma disponível na internet (em http://www.opensubtitles.org) para acompanhar o download do filme.

Prova disso é que os mesmos erros permanecem. Bing Crosby e Sinatra cantam “It’s in the stars” e as duas traduções dizem “É em Marte”. “Don’t dig that kind of crooning, chum” (“não me venha com essa de crooner, amigo”) vira em ambas as legendas “Não beba assim, amigo”. Coincidência demais.

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ISTO TAMBÉM ERA HOLLYWOOD (1976)
Sem borda - 03 estrelas

Cavando mais um pouco

Era uma Vez em Hollywood - Parte 2 - 05

Gene Kelly e Fred Astaire apresentando a parte 2: dois gênios em forma

O segundo filme chamou-se, nos cinemas brasileiros, Isto Também Era Hollywood (1976). A maior parte dos principais números musicais já tinha sido usada, mas ainda havia munição para gastar: Gene Kelly e Cyd Charisse na sensual dança de Cantando na Chuva; Bing Crosby e Louis Armstrong em Alta Sociedade; outra cena incrível de Astaire e Eleanor Powell em Melodia da Broadway de 1940.

Boa parte, como se vê, outras cenas dos mesmos filmes. Nada de errado nisso, o acervo é grande e rico. Ainda assim, o filme (agora dirigido por Gene Kelly) abriu o leque para apresentar também cenas de dramas e comédias da Metro, como os irmãos Marx no camarote minúsculo de Uma Noite na Ópera (1935) ou um segmento dedicado a Spencer Tracy e Katharine Hepburn, que viveram uma longa história de amor e dividiram muitos filmes juntos.

O filme é apresentado, desta vez, apenas por Kelly e  Fred Astaire, que respectivamente aos 63 e 77 anos, dividem aqui raríssimos passos de dança juntos. A única vez em que Astaire e Kelly haviam dançado juntos num filme, valendo pontos, foi em Ziegfeld Follies, de 1945. Um filme de segmentos de dança, sem história propriamente, que reservou uma sequência para os dois (aqui, inclusa na parte 1).

É difícil dizer, daqui de 2018, qual era a percepção da grandiosidade desse encontro em 1945. Com relação ao cinema, Fred já estava na praça havia 13 anos, Gene apenas três. O fato é que, depois disso, a Metro não os colocou juntos nenhuma outra vez, preferindo fazê-los estrelar seus próprios filmes.

Por isso a apresentação com os dois juntos nesta parte 2 têm um sabor especial – e os dois gênios mostram que estavam em forma.

Não há muitos segmentos temáticos, a maior parte das cenas parece surgir sem muita ligação. Há um momento dedicado a Sinatra, outro aos filmes que se passaram em Paris, mais um sobre filmes em preto-e-branco. Boa parte da apresentação de Kelly e Astaire é cantada, com mais estética e brincadeira que informação.

A edição também vem com a dublagem brasileira clássica. E aqui começa o desastre das legendas já mencionado.

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ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD III (1994)
Sem borda - 04 estrelas

A magia por trás da cortinas

Se Voce Fosse Sincera - 04

Eleanor Powell em “Se Você Fosse Sincera”: enquanto ela sapateia, a equipe se desdobra nos bastidores

18 anos depois, veio Era uma Vez em Hollywood III. Agora na direção estavam Bud Friedgen, que foi montador nos dois anteriores, e Michael J. Sheridan, que é creditado como montador aprendiz no primeiro filme e como assistente no segundo.

A proposta voltou a ser a do primeiro filme: focado só nos musicais e com vários apresentadores. Mas o volume III não fica só no desfile de grandes cenas e se dedica bastante a explorar curiosidades inéditas para o público.

Assim, há várias cenas que foram cortadas dos filmes clássicos, como as que Judy Garland filmou para Bonita e Valente (1950), antes de a atriz ser substituída por Betty Hutton. Ou um número solo de Debbie Reynolds em Cantando na Chuva e outro que era a versão caipira do número glamouroso “A lady loves”, de sua personagem em É Deste que Eu Gosto (1953).

Em outro momento, é revelado que a voz que canta “Two-faced woman” por Joan Crawford em Se Eu Soubesse Amar (1953) é de India Adams e que a gravação que havia sido usada primeiro para dublar um número de Cyd Charisse de A Roda da Fortuna (1953) que acabou cortado. As duas cenas são colocadas lado a lado (com franca vantagem para a cena deletada de Cyd).

Especialmente interessante é o número “Fascinating rhythm”, de Eleanor Powell em Se Você Fosse Sincera (1941). Já tinha aparecido na parte II, mas agora é colocado lado a lado com a filmagem dos bastidores da cena, mostrando o imenso trabalho feito por trás das câmeras para adequar o cenário aos passos do sapateado da genial dançarina.

Ela sapateia para trás, passando por pianistas e cortinas, enquanto blocos do cenário são empurrados por guindastes e pela equipe para dar espaço para a grua se aproximar da dançarina. Um trabalho imenso e milimétrico, tudo em uma tomada contínua. Impressionante.

Fred Astaire aparece refazendo um número inteiro com um figurino diferente em Ver, Gostar e Amar (1952) – colocadas lado a lado, é possível ver nas duas imagens a inacreditável precisão de Astaire na coreografia antes e depois.

Um momento particular da terceira parte é a participação de Lena Horne. A cantora e atriz apresenta sequências sobre ela mesma para dar um depoimento sobre o racismo que enfrentou nos dias em foi contratada pela Metro.

O estúdio nunca a escalava com um bom personagem. Apenas a colocava em participações especiais, cantando, de modo que seu número pudesse ser cortado quando o filme fosse exibido em estados que praticavam a segregação racial e cujas plateias brancas torceriam o nariz ao ver uma negra linda e talentosa brilhando em um dos estúdios mais poderosos de Hollywood.

Dos astros que apresentaram o primeiro Era uma Vez em Hollywood apenas Debbie Reynolds, Mickey Rooney e Gene Kelly reaparecem na mesma função no terceiro, que celebra os 70 anos do estúdio. Dos demais apresentadores, todos também brilharam nos musicais da Metro: além de Lena Horne, Cyd Charisse (que apresenta o segmento sobre Kelly), Ann Miller (a parte sobre Astaire), Esther Williams (sobre si mesma), June Alysson, Howard Keel (um segmento sobre o Cinemascope).

Rooney rende homenagem à sua antiga parceira Judy Garland. E Gene Kelly é encarregado de abrir o filme, mostrando didaticamente a evolução do gênero desde os primeiros filmes sonoros. Ele faz aqui sua última aparição em um filme. Muito apropriado que seja sobre os musicais.

Coleção Era uma Vez em Hollywood. Distribuição: Classic Line.
Era uma Vez em Hollywood. That’s Entertainment!. Estados Unidos, 1974. Direção: Jack Haley Jr. Elenco: Fred Astaire, Gene Kelly, Frank Sinatra, Bing Crosby, Elizabeth Taylor, Donald O’Connor, Mickey Rooney, Liza Minnelli, James Stewart, Peter Lawford.
Isto Também Era Hollywood. That’s Entertainment! – Part 2. Estados Unidos, 1976. Direção: Gene Kelly. Elenco: Fred Astaire, Gene Kelly.
Era uma Vez em Hollywood III. That’s Entertainment! III. Estados Unidos, 1994. Direção: Bud Friedgen, Michael J. Sheridan. Elenco: Gene Kelly, Cyd Charisse, Ann Miller, Mickey Rooney, Lena Horne, Esther Williams, Howard Keel, Debbie Reynolds, June Allyson.

“Make’em laugh”, aquele número em que Donald O’Connor canta sobre como é ser um comediante e sai tropeçando, batendo a cara, dando cambalhotas e dançando com (e apanhando de) um boneco é um dos grandes número de Cantando na Chuva (1952). E é um plágio. A história é esta: o filme é uma reunião de canções de Arthur Freed e Nacio Herb Brown escritas nos anos 1920, produzido agora pelo próprio Freed. Stanley Donen, que co-dirigiu com Gene Kelly, sentiu falta de um número solo para O’Connor e pediu a Freed uma música nova, algo “no estilo de ‘Be a clown’, de Cole Porter”. Quando Freed trouxe a canção, as semelhanças estavam na cara. Porter aparentemente nunca reclamou e a cena é brilhante, para dizer o mínimo. No entanto, esta aqui é a canção original: “Be a clown”, cantada duas vezes em O Pirata (1948), a segunda delas no final do filme, um encantador número de palhaços com Gene e a magistral Judy Garland.

O Pirata. The Pirate (1948). Direção: Vincente Minnelli. Elenco: Judy Garland, Gene Kelly, Walter Slezak, Gladys Cooper.

Cena anterior: Footloose – Ritmo Louco

15 – “Os Saltimbancos Trapalhões” (1981), de J.B. Tanko

15 – OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES (1981), de J.B. Tanko

14 – “O Magico de Oz”, de Victor Fleming (1939)

14 – O MÁGICO DE OZ (1939), de Victor Fleming

13 – “Toy Story 3”, de Lee Unkrich

13 – TOY STORY 3 (2010), de Lee Unkrich

12 – “Perdidos na Noite” (1969), de John Schlesinger

12 – PERDIDOS NA NOITE (1969), de John Schlesinger

11 – “Ratatouille” (2007), de Brad Bird

11 – RATATOUILLE (2007), de Brad Bird

10 – “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” (2003), de Peter Jackson

10 – O SENHOR DOS ANÉIS – O RETORNO DO REI (2003), de Peter Jackson

* Revendo o post percebi que faltava o número 9. Foi a deixa para incluir a lembrança do amigo nos comentários.

9 – “Butch Cassidy” (1969), de George Roy Hill

9 – BUTCH CASSIDY (1969), de George Roy Hill

8 – “Cinema Paradiso” (1988), de Giuseppe Tornatore

8 – CINEMA PARADISO (1988), de Giuseppe Tornatore

7 – “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” (2004), de Alfonso Arau

7 – HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN (2004), de Alfonso Arau

6 – “Conta Comigo” (1986), de Rob Reiner

6 – CONTA COMIGO (1986), de Rob Reiner

5 – “Forrest Gump, o Contador de Histórias” (1994), de Robert Zemeckis

5 – FORREST GUMP, O CONTADOR DE HISTÓRIAS (1994), de Robert Zemeckis

4 – “E.T., o Extraterrestre” (1982), de Steven Spielberg

4 – E.T., O EXTRATERRESTRE (1982), de Steven Spielberg

3 – “Um Sonho de Liberdade” (1994), de Frank Darabont

3 – UM SONHO DE LIBERDADE (1994), de Frank Darabont

2 – “Thelma & Louise” (1991), de Ridley Scott

2 – THELMA & LOUISE (1991), de Ridley Scott

1 – “A Felicidade Não Se Compra” (1946), de Frank Capra

1 – A FELICIDADE NÃO SE COMPRA (1946), de Frank Capra

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