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Moonlight

Jordan Horowitz, produtor de “La La Land”, mostra o cartão que anuncia a vitória de “Moonlight” no Oscar 2017

Coluna Cinemascope (#24). Correio da Paraíba, 1/3/2017

Gafes e suas culpas 

por Renato Félix

Em 1952, Shelley Winters estava tão certa que iria vencer o Oscar de melhor atriz por Um Lugar ao Sol que, quando a vencedora foi anunciada, levantou-se naturalmente e encaminhou-se para o palco. Só quando caiu no corredor depois de agarrada pelo marido Vittoria Gassman é que ouviu dele: “Shelley, é Vivien Leigh”. E, assim, enquanto a atriz britânica recebia seu Oscar por Uma Rua Chamada Pecado, Shelley e Gassman voltavam engatinhando para seus lugares. Culpa de Shelley.

Em 1934, o apresentador Will Rogers abriu o envelope para anunciar o prêmio de melhor direção. “Ora, ora, ora. O que vocês acham? Eu acompanho este rapaz há muito tempo. Eu o vi vir lá de baixo, e quero dizer de baixo. Isso não poderia acontecer a um cara melhor. Suba aqui e pegue-o, Frank!”.

Frank Capra, indicado por Dama por um Dia, levantou-se e começou a andar para o palco. E viu que os holofotes foram para… Frank Lloyd, o outro Frank indicado na categoria, por Cavalgada. “Foi a mais longa, mais triste, mais arrasadora caminhada da minha vida. Todos os meus amigos na mesa estavam chorando”, disse Capra. Culpa de quem? Não de Capra, claro. Culpa de Will Rogers.

No domingo passado, certamente a culpa não foi de Warren Beatty e Faye Dunaway, que apenas leram o que lhes foi dado para ser lido. Ainda assim, Warren sentiu que havia algo errado, mas não conseguiu evitar o constrangimento antes que a colega lesse a informação errada. Eu gostaria de saber quem colocou aquele envelope nas mãos dele. E onde estava o envelope correto naquele momento?

Está aí uma história do Oscar que espero ver contada nos próximos dias.

FOTO: Jordan Horowitz, produtor de La La Land, mostra o cartão que anuncia a vitória de Moonlight no Oscar 2017

ADENDO: Da publicação original desse texto para cá, sabemos bem o que aconteceu, claro.

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Coluna Cinemascope (#19). Correio da Paraíba, 25/1/2017

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O contexto ‘La La Land’

por Renato Félix

Na última vez que olhei, La La Land – Cantando Estações era o 27º filme de melhor média entre os usuários do IMDb. O 27º entre todos os filmes de todos os tempos.  Mesma média de O Silêncio dos Inocentes (1991), A Felicidade Não Se Compra (1946), Cidade de Deus (2002), Guerra nas Estrelas (1977) e Os Sete Samurais (1954).

No começo do mês, se tornou recordista isolado do Globo de Ouro, com sete prêmios. Ontem, se tornou recordista de indicações ao Oscar: 14 (empatado com A Malvada, 1950, e Titanic, 1997). No Rotten Tomatoes, que faz um levantamento das críticas nos EUA, são 93% de críticas positivas (283 favoráveis, 22 desfavoráveis).

É para tanto? É uma delícia de filme, sim, talvez até um cinco estrelas, mas essa aceitação já é algo para ser analisado além da qualidade do filme em si.

É esse mundo conservador-baixo astral, com reacionários dando cria como gremlins de banho tomado, que está nos fazendo necessitar que o cinema nos eleve – e La La Land é o filme certo na hora certa? É uma boa aposta. O escapismo (e o musical, em particular) foi ao auge na Grande Depressão americana. E a vitória de i no Oscar não tinha tudo a ver com o baixo-astral pós-Nixon, Watergate e Vietnã?

A isso pode contribuir o deserto de musicais no cinema. Certo, um ou outro aparecem, mas não no estilo da Hollywood clássica, tipo anos 1940/ 1950, aqueles com Fred Astaire, Gene Kelly, Judy Garland. Quando um filme abraçou o estilo com tanta disposição, sinceridade e sem cinismo, ele se tornou um representante daquele cinema maravilhoso, todo concentrado em um filme só. E parte do público reencontrou e outra simplesmente descobriu esse prazer.

É o contexto possível para o fenômeno La La Land.

FOTO: La La Land – Cantando Estações (2016)

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Coluna Cinemascope (#18). Correio da Paraíba, 18/1/2017

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“La La Land – Cantando Estações” (2016)

Gostar ou não de musicais

por Renato Félix

Enquanto escrevo, ainda não assisti a La La Land – Cantando Estações, filme mais comentado deste começo de ano e que, como tal, vai gerando tanto comentários elogiosos como outros nem tanto. E, sendo um musical, inevitavelmente surgem os “eu não gosto de musicais” e suas variações.

Eu, que adoro musicais, não vejo problema nisso, a não ser em algumas justificativas. “Ninguém sai cantando assim na vida real”, por exemplo. Não ouço reclamações assim em, digamos, filmes de super-heróis (“Ninguém sai voando na vida real”) ou com certos aspectos da linguagem do cinema em quase todos os filmes (“Não toca música de fundo em cenas românticas na vida real”).

Realidade, verossimilhança, não é a questão. Acho que uma das questões é o esquema narrativo particular de um musical, onde canções vão costurando a narrativa, integradas a ela ou as comentando. O que, na percepção de alguns, é uma “interrupção da história”.

A questão é o espectador se adaptar a uma forma diferente de contar a história. É mais fácil para uns que para outros. De  certa forma, um filme como Os Miseráveis (2012), que é praticamente todo cantado, como uma ópera, pode ser até mais fácil – desde que a cobaia o assista em condições de temperatura e pressão ideais: do começo ao fim, sem interrupções ou distrações, passando pela estranheza inicial para seu cérebro se ajustar que a realidade ali “é assim mesmo” e aceitá-la.

Importante também é gostar da música. Quem não gosta da grande música americana dos anos 1940 e 1950 pode achar difícil encarar um filme com Sinatra. Por outro lado, deve ser esse um dos fatores que leva tanta gente a gostar de um filme medíocre como Moulin Rouge (2001): com a trilha compilando o greatest hits de uma geração fica fácil.

FOTO: La La Land – Cantando Estações (2016)

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