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Era uma Vez em Hollywood - 01

Brad Pitt e Leonardo DiCaprio: elementos ficcionais para fazer diferença

ERA UMA VEZ EM… HOLLYWOOD
Sem borda - 04 estrelas

Brincando de narrativa e namoro com Sharon Tate  

Renato Félix

Há dois tipos possíveis de espectadores para o Era uma Vez em… Hollywood (2019) do Tarantino: aqueles que conhecem a história de Sharon Tate e aqueles que nem sabem quem ela foi. E há outros dois tipos de espectadores para o Era uma Vez em… Hollywood do Tarantino: os que viram Bastardos Inglórios (2009) e os que não viram.

Como o espectador se enquadra dentro dessas caixinhas, e o cruzamento e combinações entre elas, certamente influi nas expectativas e antecipações da trama. O filme, sem dúvida, conversa muito mais com quem, por exemplo, conhece a história de Sharon Tate, que, interpretada por Margot Robbie, protagoniza uma das duas histórias paralelas entre as quais a narrativa vai e volta. A outra é a de dois personagens ficcionais: o ator decadente Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) e seu dublê e parceiro Cliff Booth (Brad Pitt).

O filme acompanha a jornada de Dalton para recuperar a carreira. Ator de TV que sente já não estar fazendo mais o sucesso de antes, ele sofre e procura novas oportunidades, sempre com o fiel Booth ao lado, dando suporte. É uma Holywood em mudança: o antigo star system e a força do modelo antigo dos estúdios estava ficando para trás, e novos rostos estavam aparecendo, como o do diretor polonês Roman Polanski, que havia acabado de emplacar o sucesso estrondoso de O Bebê de Rosemary (1968) e estava casado com a lindíssima Sharon Tate.

Enquanto mostra Dalton e Booth, Tarantino também mostra Sharon e seu momento de atriz em ascensão, flanando por Los Angeles, dançando em uma festa da Mansão Playboy, curtindo se assistir no cinema e tirar fotos com pessoas que não sabem bem ainda quem ela é (mas, se está em um filme, está valendo). A interseção entre as duas tramas é que Dalton e Sharon Tate são vizinhos e quem conhece a história passa o filme aguardando que essas tramas convirjam para um momento capital.

Para esse espectador, qualquer sinal da presença da Família Manson é um arrepio na espinha, que tende a crescer com a aproximação desse momento fatídico.

Mas e para quem não conhece a vida de Sharon Tate? Seria interessante saber como são as expectativas e antecipações do filme para esse espectador específico.

Assim como, para quem assistiu Bastardos Inglórios e, assim, já sabe do que Tarantino é capaz ao lidar com fatos históricos. Para estes, mais cartas estão na mesa e já se considera que algumas surpresas podem ou não acontecer: para um espectador escolado, passam a ser, então, possibilidades.

Então cruzamentos diferentes podem resultar em experiências de recepção sensivelmente diferentes. Quem conhece a história de Sharon Tate e viu Bastardos Inglórios acompanha o filme de uma maneira. Quem conhece a história, mas não assistiu ao filme de 2009, de outra. Para quem não sabe dos fatos, ter ou não assistido a Bastardos tende a não fazer muita diferença, acredito.

Era uma Vez em Hollywood - 2019 - 06

Margot Robbie como Sharon Tate: flanando

Apoiada nessas duas jornadas — a de Rick Dalton/ Cliff Booth e a de Sharon Tate —, Era uma Vez em… Hollywood é um grande passeio pelo meio cinematográfico de 1969. O cenário é muito importante, as ruas e carros, o cinema de rua com um concierge, o drive-in, as cidades cenográficas abandonadas (agora ocupados como moradia por hippies muito suspeitos). E Tarantino, um cinéfilo fervoroso, que em seus filmes sempre vai beber nas fontes de seus gêneros preferidos, aproveita para brincar de recriar a estética e a narrativa de tudo o que pode.

Então, se Rick Dalton aparece em cenas de seriados de faroeste ou policiais, o cineasta não perde a oportunidade de reproduzir o estilo dessas cenas. DiCaprio é até inserido em uma cena de Fugindo do Inferno (1963), como se fosse uma possibilidade que não aconteceu de ele ficar com o papel que acabou com Steve McQueen (que aparece como personagem no filme). Entrevistas, programas musicais, western spaghetti, comerciais de cigarro: Tarantino faz sua própria versão de tudo isso. Cabe ao espectador compartilhar ou não dessa curtição do diretor — e, por isso, um cinéfilo tende a sair mais satisfeito de Era uma Vez em… Hollywood.

O tratamento do filme com Sharon Tate era uma temeridade. Como o cinismo de Tarantino lidaria com um tema tão delicado? Mas o clima é praticamente de namoro. Até na cena em que Sharon, na pele de Margot Robbie, se assiste no cinema em Arma Secreta contra Matt Helm (1968), pés sobre a cadeira da frente, o filme não “recria” a cena, como vinha sendo a regra: prefere usar a cena real. Desse modo, a verdadeira Sharon Tate aparece brevemente em cena nesse momento de Era uma Vez em… Hollywood. O final, já apontado como um momento sentimental incomum na obra do diretor, é outro elemento desse sentimento carinhoso do filme pela atriz.

A partir daqui, o texto traz informações sobre o enredo. Ou seja: os populares spoilers.

Como em Bastardos Inglórios, Tarantino usa o cinema para fazer “justiça com as próprias mãos”. Desta vez, também para se vingar de assassinos cruéis (Hitler em Bastardos Inglórios e a Família Manson, aqui), mas também para salvar diretamente a quem o diretor se referiu em entrevistas como “um anjo”.

Para isso, ele prepara o personagem de Brad Pitt no imaginário do espectador. O coloca como um adversário à altura de Bruce Lee (Mike Moh), aqui retratado antes da fama, e saindo sem dificuldade do ninho da Família Manson após esmurrar um dos integrantes da seita. Com isso, ele antecipa que existe um elemento ficcional que poderia fazer diferença na história real.

E nesse ponto, Tarantino deixa sua marca da violência gráfica temperada com humor, como um substituto ao horror da vida real. No final, o terno encontro que pode até redimir o personagem de DiCaprio (Rick Dalton fará um filme com Polanski? Quem sabe ele estará em Chinatown?) é mais uma vez o diretor dizendo que, nos filmes dele, ele é quem manda — e nem a História (com “h” maiúsculo) manda mais do que ele.

Era uma Vez em… Hollywood. Once Upon a Time… in Hollywood. Reino Unido/ EUA/ China, 2019. Direção: Quentin Tarantino. Elenco: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie, Emile Hirsch, Dakota Fanning, Bruce Dern, Luke Perry, Damian Lewis, Al Pacino, Nicholas Hammond. 2h41. 16 anos. Em cartaz nos cinemas (confira locais e sessões na Paraíba).

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Dando sequência a essa retrospectiva atrasada do que esteve em cartaz nos cinemas de João Pessoa, faço a primeira de uma nova lista: das atuações que considerei melhores em 2016. Resolvi também que não vou separar por atores e atrizes porque, como disse o Chris Rock, “não é atletismo”.

Elle - 04

1 – ISABELLE HUPPERT (Elle)

Huppert engrandece papéis que não são tão grandes e agiganta os papéis maiores, que é o caso em Elle. Ela é Michèle Leblanc, violentada em sua própria casa por um mascarado invasor. Depois, ela vai se preparando para o retorno do agressor – de seu próprio jeito. É, sem dúvida, uma das maiores atrizes do nosso tempo.

Regresso-05

2 – LEONARDO DICAPRIO (O Regresso)

DiCaprio só faltou comer o pão que o diabo amassou para esse papel: um caçador que é atacado por um urso e deixado para morrer na floresta por seus companheiros. Mas sobrevive e se arrasta por quilômetros e quilômetros, no inverno, para se vingar. Uma jornada visceral para o personagem e para o ator.

Aquarius - 01

3 – SÔNIA BRAGA (Aquarius)

O Brasil reencontrou-se com uma grande Sônia Braga no filme de Kléber Mendonça Filho. Ela contribui decisivamente para que este filme seja ainda melhor que o anterior do diretor, o já muito elogiado O Som ao Redor. Aqui, Sônia constrói uma grande personagem que ancora as ações e fascina o espectador.

Filho de Saul - 01

3 – GÉZA RÓHRIG (Filho de Saul)

Uma experiência de narrativa bem particular, a produção húngara é quase toda registrada em close do personagem principal ou de seu ponto de vista subjetivo. É claro que isso exige um trabalho intenso de atuação de seu ator principal. O húngaro Róhrig, que também é poeta corresponde plenamente em seu primeiro (e aparentemente até agora único) longa.

Chegada - 03

5 – AMY ADAMS (A Chegada)

A grande injustiça do Oscar deste ano foi a não inclusão de Amy Adams entre as indicadas a melhor atriz. Ela interpreta muito bem a personagem de uma linguista com uma missão inédita e decisiva para a humanidade, enquanto lida com seus dramas pessoais.

Carol - 06

6 – CATE BLANCHETT (Carol)

Cate já é um monumento da arte da atuação. Em Carol, ela entrega de novo um grande personagem: a mulher da alta roda que se apaixona por uma balconista. Mas são os anos 1950, ela é casada e tem que pôr na balança a possibilidade de o marido ficar com a guarda do filho.

Trumbo - 06

7 – BRYAN CRANSTON (Trumbo – Lista Negra)

Cranston tem a difícil missão de ir encontrando no cinema personagens que falam jus ao status de grande ator que adquiriu na série Breaking Bad. Conseguiu um ponto com a cinebiogragfia de Dalton Trumbo, roteirista de Hollywood que foi perseguido nos EUA dos anos 1950 por ser comunista e ganhou um Oscar sem ninguém saber.

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8 – MARK RUFFALO (Spotlight – Segredos Revelados)

Um ator consistente, que sempre entrega atuações muito boas, Ruffalo construiu um tipo particular e com certa sutileza no Mike Rezendes, o jornalista interpretado por ele em Spotlight. Ruffalo poderia muito bem ter ganhado o Oscar.

Chocolate - 2015 - 04

9 – OMAR SY (Chocolate)

Depois de Intocáveis, Omar Sy se tornou um astro na França e bastante conhecido fora dela. Em seus filmes seguintes por aqui, continuou entregando ótimas atuações, a bordo de muito carisma. Em Chocolate, ele interpreta o primeiro palhaço negro da França e tem a oportunidade de atuar em números clássicos de circo.

Oito Odiados-07

10 – JENNIFER JASON LEIGH (Os Oito Odiados)

Jennifer Jason Leigh entrou para o time de atores de quem Tarantino fez o mundo lembrar como são bons. Ela está por aí desde o começo dos anos 1980, em aparições sempre eficientes seja em Picardias Estudantis (1982) ou Mulher Solteira Procura… (1992). Em um filme cheio de gente em quem não se pode confiar, ela é desde o começo uma das mais perigosas.


MAIS RETROSPECTIVA 2016:

A seguir, os meus melhores filmes de 2016, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, como em todo ano, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

O número de filmes em cartaz em João Pessoa explodiu em 2016: foram 258 estreias contra as 163 de 2015 e 164 de 2014. O recorde anterior, desde 2006, ano em que o Boulevard começou a fazer esse acompanhamento, havia sido 165 em 2007. Os motivos determinantes para esse aumento são a inauguração do novo Cine Banguê, que vem servindo filmes que não passam nos demais cinemas, e alguma diversidade no Cinépolis e no Cinespaço.

THE REVENANT

1 – O REGRESSO, de Alejandro González Iñarritu

Iñarritu é um diretor que arrisca muito em suas narrativas, nem sempre com sucesso. Mas quando acerta, entrega coisas belas como este O Regresso, a jornada selvagem e espiritual de um homem em busca de outro que o deixou para morrer, aós ter sido atacado por um urso. A interpretação visceral de Leonardo DiCaprio foi, com toda a justiça, premiada com o Oscar, o Globo de Ouro, o SAG e o Bafta. Crítica no Boulevard

Elle - 03

2 – ELLE, de Paul Verhoeven

Isabelle Huppert matadora, para variar, em um filme desconcertante e doentio – Paul Verhoeven sendo Paul Verhoeven. Isabelle é uma mulher fria e cerebral que é estuprada dentro de casa por um mascarado e lida ao seu modo com a possibilidade de um novo ataque.

Aquarius - 06

3 – AQUARIUS, de Kléber Mendonça Filho

Sônia Braga é a única moradora que restou em um antigo prédio que uma construtora quer demolir. Mas ela luta pelo direito de preservar suas memórias afetivas. Uma bela defesa de que coisas – como discos ou um apartamento – podem não ser apenas “coisas”.

Zootopia - 06

4 – ZOOTOPIA – ESSA CIDADE É O BICHO, de Byron Howard e Rich Moore

No que parecia apenas mais uma sátira de bichinhos se comportando como seres humanos, desenrola-se uma imaginação bem cuidada de como seria essa cidade levando-se em consideração as características dos animais antropomorfizados, uma história policial instigante e uma crítica surpreendente e dura aos preconceitos de quem se acha o mocinho.

Spotlight - 01

5 – SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS, de Tom McCarthy

Com uma história que tinha tudo para mergulhar no melodrama, essa trama que conta a investigação jornalística que expôs o escândalo de pedofilia da Igreja de Boston é contida e precisa em sua narrativa. Crítica no Boulevard

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6 – CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL, de Anthony Russo e Joe Russo

Um filme de super-heróis que reflete sobre si mesmo, sobre o gênero e seus personagens. E coloca os dois personagens principais do universo cinematográfico da Marvel com o peso dramático acumulado em todos estes anos e filmes.

Bruxa - 03

7 – A BRUXA, de Robert Eggers

Famílias isoladas à mercê do sobrenatural não são exatamente uma novidade, mas este filme consegue imprimir um clima opressor e tanto. Crítica no Boulevard

Cinco Gracas - 03

8 – CINCO GRAÇAS, de Deniz Gamze Ergüven

Cinco irmãs jovens e cheias de vida vítimas de um tio que as prende em casa e as obriga a casamentos arranjados. O filme nos leva a procurar tanto quanto elas uma saída.

Filho de Saul - 03

 

9 – FILHO DE SAUL, de Lázló Nemes

Filmado quase todo em close, é uma experiência que nos faz acompanhar de perto o drama pesado e doloroso de um homem que tenta impedir que o filho morto seja incinerado pelo nazistas. Ao menos isso.

ARRIVAL

 

10 – A CHEGADA, de Denis Villeneuve

Uma ficção científica que recusa a pirotecnia e celebra o poder da comunicação. Denis Villeneuve evoca o Spielberg de Contatos Imediatos do Terceiro Grau.

+ 10: A Grande Aposta, de Adam McKay; Deadpool, de Tim Miller; Mia Madre, de Nanni Moretti; Café Society, de Woody Allen; Sully, o Herói do Rio Hudson, de Clint Eastwood; Rogue One – Uma História Star Wars, de Gareth Edwards; Star Trek – Sem Fronteiras, de Justin Lin; Carol, de Todd Haynes; Jogo do Dinheiro, de Jodie Foster; Animais Fantásticos e Onde Habitam, de David Yates.

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