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20 – ROCKETEER (The Rocketeer)

Filmes com super-heróis ou baseados em quadrinhos ainda eram raridade. Rocketeer é isso e ainda tem um sabor dos velhos seriados até com uma trama que se passa nos anos 1940. Delicinha carismática. Onde ver: Disney Plus.
Estados Unidos. Direção: Joe Johnston. Roteiro: Danny Bilson e Paul De Meo, com argumento de Bilson, De Meo e William Dear, baseado na graphic novel de Dave Stevens. Elenco: Billy Campbell, Jennifer Connelly, Timothy Dalton, Paul Sorvino.

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19 – A ARTE DE VIVER (Tui Shou ou Pushing Hands)

Primeiro filme de Ang Lee, super independente, financiado pelo governo de Taiwan através de um concurso, um veterano chinês que foi morar com o filho nos EUA e, sem falar inglês, tem dificuldades para se adaptar. Entre outras coisas, há um choque cultural forte com a nora americana. Sensível e leve, pegada que Lee teria ainda em seus próximos filmes (Banquete de Casamento e Comer, Beber, Viver). Onde ver: DVD digipack Trilogia Ang Lee.
Taiwan/ Estados Unidos. Direção: Ang Lee. Roteiro: Ang Lee e James Schamus. Elenco: Shihung Lung, Bozhao Wang, Deb Snyder, Lai Wang.

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18 – OS PESCADOR DE ILUSÕES (The Fisher King)

Terry Gilliam conta essa fábula, em que Jeff Bridges é um ex-DJ atormentado por um erro que cometeu e Robin Williams é um sem teto afetado por esse erro e que pensa que é um cavaleiro do Rei Arthur em busca do cálice sagrado. Bridges, então, ajuda Williams em uma jornada da própria redenção. Robin Williams estava em estado de graça naqueles anos. Saudades da Mercedes Ruehl. Onde ver: DVD, Google Play/ YouTube Filmes, Claro Vídeo, Apple TV/ iTunes.
Estados Unidos. Direção: Terry Gilliam. Roteiro: Richard Lagravenese. Elenco: Jeff Bridges, Robin Williams, Mercedes Ruehl, Amanda Plummer.

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17 – O APOCALIPSE DE UM CINEASTA (Heart of Darkness – A Filmmaker’s Apocalypse)

A odisseia das filmagens de Apocalypse Now, na Tailândia, foram registradas por Eleanor Coppola, esposa de Francis. Ela gravou, inclusive, desabafos do marido sem que ele soubesse. Um material valioso sobre uma produção tão acidentada (teve furacão, interferência do governo local, ataque cardíaco do ator principal, Marlon Brando aparecendo no set acima do peso e sem ter decorado nada) que resultou em um filme imediatamente aclamado. Onde ver: Belas Artes a la Carte.
Estados Unidos. Direção: Fax Bahr, George Hickenlooper, Eleanor Coppola. Roteiro: Fax Bahr e George Hickenlooper.

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16 – CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ 2½ (The Naked Gun 2½ – The Smell of Fear)

É incrível, mas essa continuação da maluquíssima comédia de 1988 resolveu trazer junto uma mensagem pela ecologia e sustentabilidade energética. Poderia ter colocado tudo a perder, mas à frente continuou a equipe do original e o elenco liderado por Leslie Nielsen, cada vez mais à vontade com a veia cômica descoberta em Apertem os Cintos! O Piloto Sumiu…, de 1980, de Zucker, seu irmão Jerry e Jim Abrahams). Onde ver: DVD, blu-ray Trilogia Corra que a Polícia Vem Aí, Google Play/ YouTube Filmes, Microsoft Store, Claro Vídeo, Apple TV/ iTunes.
Estados Unidos. Direção: David Zucker. Roteiro: David Zucker e Pat Proft, baseado na série de TV Esquadrão de Polícia. Elenco: Leslie Nielsen, Priscilla Presley, George Kennedy, O.J. Simpson, Robert Goulet, Richard Griffiths, Weird Al Yankovic, Zsa Zsa Gabor.

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15 – A FAMÍLIA ADDAMS (The Addams Family)

Diretor de fotografia de grande personalidade, Barry Sonnenfeld estreou em grande estilo na direção nessa adaptação de A Família Addams, que começou nos cartuns e já tinha virado série com atores e animação. O acerto começou no elenco brilhante, com uma escalação perfeita de Raul Julia, Anjelica Huston e Christopher Lloyd, e que revelou Christina Ricci, e segue pelo visual estiloso. Onde ver: DVD, Oi Play.
Estados Unidos. Direção: Barry Sonnenfeld. Roteiro: Caroline Thompson e Larry Wilson, baseado nos quadrinhos de Charles Addams. Elenco: Raul Julia, Angelica Huston, Christopher Lloyd, Christina Ricci.

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14 – NEBLINA E SOMBRAS (Shadows and Fog)

Woody Allen brinca de expressionismo alemão nessa kafkiana história do sujeito acordado no meio da noite para entrar em um grupo que caça um assassino. Mas ele não sabe o que deve fazer e, logo, acaba virando o principal suspeito. O elenco é estelar, falando diálogos de um Woody afiadíssimo. Onde ver: DVD, blu-ray, Apple TV/ iTunes.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Woody Allen. Elenco: Woody Allen, Mia Farrow, John Malkovich, Kathy Bates, John Cusack, Madonna, Julie Kavner, Lily Tomlin, Jodie Foster, Kenneth Mars, Donald Pleasence, John C. Reilly, William H. Macy.

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13 – TOMATES VERDES FRITOS (Fried Green Tomatoes)

São duas histórias de amizade feminina separadas no tempo, mas entrelaçadas. Kathy Bates, de vida infeliz, encontra conforto nos papos com a velhinha Jessica Tandy, que conta a história de carinho e apoio mútuo entre duas jovens que ela conheceu no passado. Há um romance entre elas no livro, que acabou sendo amenizado no filme, mas ainda assim há ternura, emoção e personagens cativantes. Onde ver: DVD, Apple TV/ iTunes, Google Play/ YouTube Filmes.
Estados Unidos. Direção: Jon Avnet. Roteiro: Fannie Flagg e Carol Sobieski, baseado em romance de Flagg. Elenco: Kathy Bates, Mary Stuart Masterson, Mary Louise Parker, Jessica Tandy, Cicely Tyson, Chris O’Donnell.

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12 – VOLTAR A MORRER (Dead Again)

Kenneth Branagh dirigiu seu segundo filme, já mostrando um gosto por variar os estilos. Depois do shakespeareano Henrique V, ele enveredou por um filme noir misturado com reencarnação que se passa em dois tempos. No presente, um detetive tenta ajudar uma moça sem memória. O mistério tem a ver com o passado, onde os dois aparecem como um compositor e sua esposa em uma relação marcada pelo ciúme. Branagh explora bem a química entre ele e a grande Emma Thompson, esposa dele na época. Onde ver: DVD, Amazon Prime Video.
Estados Unidos. Direção: Kenneth Branagh. Roteiro: Scott Frank. Elenco: Kenneth Branagh, Emma Thompson, Andy Garcia, Robin Williams, Derek Jacobi, Hannah Schygulla, Wayne Knight.

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11 – JFK – A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR (JFK)

Oliver Stone gosta de mexer nuns vespeiros e caprichou aqui. Usando imagens reais até então nunca vistas do assassinato de Kennedy (Jackie catando o cérebro do marido sobre o capô do carro, etc), o diretor adapta o livro do procurador Jim Garrison e sua investigação sobre o que havia sobre o caso que o governo não estava contando. Onde ver: DVD, blu-ray, Amazon Prime Video.
Estados Unidos/ França. Direção: Oliver Stone. Roteiro: Oliver Stone e Zachary Sklar, baseado nos livros de Jim Garrison e Jim Marrs. Elenco: Kevin Costner, Sissy Spacek, Gary Oldman, Tommy Lee Jones, Joe Pesci, Wayne Knight, Michael Rooker, Donald Sutherland, Jack Lemmon, Vincent D’Onofrio, Laurie Metcalf, Walter Matthau, John Candy, Kevin Bacon, Lolita Davidovich.

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10 – CABO DO MEDO (Cape Fear)

Scorsese refilmou Círculo do Medo (1962) e estendeu o tapete para Robert de Niro deitar e rolar. O papel é o de Max Cady, o psicopata que sai da prisão decidido a fazer um inferno na vida do advogado que não impediu sua prisão anos antes. Nick Nolte, Jessica Lange e Juliette Lewis são a família perfeita por fora e em pedaços por dentro que vai sendo enredada pelo predador. Lewis foi, aqui, uma revelação. E Scorsese, convidado por Spielberg para este filme, entrega um suspense mais comercial, mas temperado com seu estilo expressivo e improvisações (a cena entre De Niro e Lewis no auditório, por exemplo). Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play, Now, Oi Play, Claro Video, Google Play/ YouTube Filmes, Apple TV/ iTunes.
Estados Unidos. Direção: Martin Scorsese. Roteiro: Wesley Strick, baseado no roteiro anterior de James R. Webb e no romance de John D. MacDonald. Elenco: Robert De Niro, Nick Nolte, Jessica Lange, Juliette Lewis, Joe Don Baker, Robert Mitchum, Gregory Peck, Martin Balsam, Illeana Douglas.

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9 – A BELA INTRIGANTE (La Belle Noiseuse)

Quatro horas de projeção para a história de um pintor perseguindo sua obra-prima e duelando com sua modelo. Como se dá essa relação? Até que ponto a modelo é um instrumento moldável, um corpo à disposição do artista ou uma co-autora da obra? Incrível como o filme de Rivette não cansa, enclausurado por tanto tempo nesse ateliê. Uma das razões certamente é que o esperto diretor equilibra a alta discussão sobre arte com uma mundana obra de arte em si mesma, que é a nudez onipresente de Emmanuelle Béart, uma das mais lindas atrizes do seu tempo. Onde ver: DVD A Arte de Jacques Rivette.
França/ Suíça. Direção: Jacques Rivette. Roteiro: Pascal Bonitzer, Christine Laurent e Jacques Rivette, diálogos de Bonitzer e Laurent, baseado em romance de Honoré de Balzac. Elenco: Michel Piccoli, Emmanuelle Béart, Jane Birkin.

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8 – BOYZ N THE HOOD OS DONOS DA RUA (Boyz n the Hood)

John Singleton foi o primeiro diretor negro indicado ao Oscar. O filme foi esse, baseado em suas memórias sobre como é crescer em uma vizinhança pobre e violenta e tentar encontrar o caminho do futuro. Sem o rebuscamento visual de Spike Lee em Faça a Coisa Certa (1989), mais “cru” e direto, Boyz n the Hood derrubou muros e influenciou gerações. Onde ver: Netflix, Apple TV/ iTunes.
Estados Unidos. Direção e roteiro: John Singleton. Elenco: Cuba Gooding Jr., Ice Cube, Laurence Fishburne, Angela Bassett, Nia Long, Regina King.

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7 – JORNADA NAS ESTRELAS VI A TERRA DESCONHECIDA (Star Trek The Undiscovered Country)

Após o quinto filme não ter se saído bem, o diretor do ótimo segundo exemplar da série voltou ao leme e o tom de comédia foi reduzido em prol de uma metáfora direta e evidente do cenário político daqueles dias: o acidente nuclear de Chernobyl e a Glasnost de Gorbachev na União Soviética são representados pela aproximação entre klingons e a Federação de Planetas, velhos inimigos. Prestes a se aposentar, a tripulação da Enterprise é envolvida nesse momento diplomático delicado, precisando enfrentar velhos preconceitos e também sabotagens ao processo de paz. como despedida do elenco original, é emocionante. Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play, Google Play/ YouTube Filmes, Claro Video, Apple TV/ iTunes.
Estados Unidos. Direção: Nicholas Meyer. Roteiro: Nicholas Meyer e Denny Martin Flynn, a partir de argumento de Leonard Nimoy, Lawrence Konner e Mark Rosenthal, baseado na série de TV Jornada nas Estrelas. Elenco: William Shatner, Leonard Nimoy, DeForest Kelley, James Doohan, Walter Koenig, Nichelle Nichols, George Takei, Kim Catrall, Mark Lenard, Christopher Plummer, Grace Lee Whitney, Christian Slater, Iman.

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6 – O EXTERMINADOR DO FUTURO 2 O JULGAMENTO FINAL (Terminator 2 Judgment Day)

Schwarzenegger volta como o andróide futurista. Mas em 1991 ele já era um superastro então, em vez do vilão do primeiro filme, agora ele era o mocinho. ele vem do futuro com a missão de proteger o garoto que um dia será o líder da resistência humana contra o exército das máquinas. O segundo filme é, em tudo, várias escalas acima: na ação, na produção agigantada e no vilão, agora de “metal líquido”, um efeito especial que marcou uma geração. Onde ver: DVD, blu-ray, Netflix, Amazon Prime Video, Google Play/ YouTube Filmes, Microsoft Store, Apple TV/ iTunes.
Estados Unidos. Direção: James Cameron. Roteiro: James Cameron e William Wisher. Elenco: Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Edward Furlong, Robert Patrick.

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5 – THE COMMITMENTS LOUCOS PELA FAMA (The Commitments)

Sem rostos conhecidos, Alan Parker montou um time super carismático de atores-cantores e atores-músicos para contar a história de uma banda de soul da periferia de Dublin. Tem ótimo diálogos, é muito divertido e musicalmente é uma maravilha, numa seara onde Parker era um mestre, construindo cenas como a montagem de “Nowhere to run” com integrantes da banda ensaiando em lugares diferentes (entre as roupas de um varal, na carroceria de um caminhão, num frigorífico, num ônibus…). Onde ver: DVD.
Irlanda/ Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: Alan Parker. Roteiro: Dick Clement, Ian La Frenais e Roddy Doyle, baseado em romance de Doyle. Elenco: Robert Arkins, Angeline Ball, Maria Doyle Kennedy, Glen Hansard, Bronagh Gallagher, Johnny Murphy, Andrew Strong, Andrea Corr.

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4 – A BELA E A FERA (Beauty and the Beast)

Depois de um longo período meio no piloto automático, a Disney vivia seu renascimento e emplacou aqui a primeira animação indicada ao Oscar de melhor filme. O conto-de-fadas ganhou um trabalho de animação estonteante, foi um passo à frente na modernização de suas princesas (outros viriam) e soube usar muito bem um tom de terror e suspense (mas ainda adequado a crianças). E, musicalmente, tem muito do espírito de um musical da Broadway (não por acaso, foi parar depois nos palcos) e também momentos em que cita Busby Berkeley. Onde ver: DVD, blu-ray, Disney Plus.
Estados Unidos. Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise. Roteiro: Linda Woolverton, com argumento de Brenda Chapman, Chris Sanders, Burny Mattinson, Kevin Harkey, Brian Pimental, Bruce Woodside, Joe Ranft, Tom Ellery, Kally Asbury e Robert Lence, baseado em contos de Jeanne-Marie Leprince de Beaumont e Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve. Vozes na dublagem original: Paige O’Hara, Robby Benson, Angela Lansbury, Jerry Orbach, David Odgen Stiers. Vozes na dublagem brasileira: Ju Cassou, Garcia Junior, Maurício Luz, Ivon Cury.

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3 – LANTERNAS VERMELHAS (Dà Hóng Denglong Gaogao Guà)

Uma universitária chinesa nos anos 1920 é obrigada pelas circunstâncias a se casar com um homem rico e se torna sua quarta esposa. Na vila onde todos vivem, ela logo se vê em uma disputa de poder com as outras esposas e até com sua criada. Gong Li, deslumbrante, comanda as ações em uma personagem condenada a um cenário retrógrado ao qual não se adapta, embora se esforce. As mulheres são o epicentro do filme: o senhor marido só é visto de costas ou de longe. Onde ver: DVD.
China/ Hong Kong/ Taiwan. Direção: Zhang Yimou. Roteiro: Zhen Ni, baseado no romance de Tong Su. Elenco: Gong Li, Saifei He, Jingwu Ma.

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2 – O SILÊNCIO DOS INOCENTES (The Silence of the Lambs)

Anthony Hopkins tem 16 minutos em cena. Com eles, ganhou o Oscar de melhor ator e se tornou um ícone pop com o psicopata canibal Hannibal Lecter. Jodie Foster também venceu como Clarice Starling, a agente novata do FBI escalada para conseguir algumas informações dele na prisão para capturar outro serial killer. Mas, para isso, precisa encarar um jogo mental em que Hannibal tenta entrar na mente dela e fazê-la reviver dores do passado. O diretor Jonathan Demme vinha de duas comédias ótimas e meio maluquetes (Totalmente Selvagem, 1986, e De Caso com a Máfia, 1988). Virou a chave para este suspense em que as conversas entre Clarice e Lecter, sempre separados por um vidro, são tão ou mais importantes e aflitivas que o enfrentamento ao sequestrador assassino no escuro total. O Silêncio dos Inocentes é uma das únicas três produções a vencer os Oscars de filme, direção, ator, atriz e roteiro. E o último que conseguiu isso. Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play, Apple TV/iTunes, Google Play/YouTube Filmes.
Estados Unidos. Direção: Jonathan Demme. Roteiro: Ted Tally, baseado em romance de Thomas Harris. Elenco: Jodie Foster, Anthony Hopkins, Scott Glenn, Ted Levine.

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1 – THELMA & LOUISE (Thelma & Louise)

Mais importante que o destino é a viagem: uma tese clássica dos road movies. Thelma e Louise iam viajar para passar um fim de semana longe das aporrinhações. Encontraram a violência e o machismo. Encontraram também a si mesmas. Deslumbrante visualmente, cativante emocionalmente, impactante socialmente, Thelma & Louise mostra como é fácil a vida virar um inferno para as mulheres. Mas faz isso não sem dosar o drama e a ação com muito bom humor. Um coquetel dificílimo de equilibrar, mas que o roteiro de Callie Khouri e a direção de Ridley Scott montam com perfeição. Faz isso não sem mostrar como suas protagonistas pressionadas e perseguidas são apaixonantes e apaixonadas pela vida. Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play, Apple TV/iTunes.
Estados Unidos/ Reino Unido/ França. Direção: Ridley Scott. Roteiro: Callie Khouri. Elenco: Susan Sarandon, Geena Davis, Harvey Keitel, Michael Madsen, Christopher McDonald, Stephen Tobolowsky, Brad Pitt.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com ela inteira. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente. Esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

As aberturas das novelas brasileiras são uma obra de arte à parte. Essa lista reúne as 50 melhores (na minha opinião, claro). Algumas resumem o ponto de partida da trama principal, outras metaforizam o tema central, há aquelas que brilham como peças isoladas. Algumas são em animação em stop motion, outras em CGI, algumas possuem efeitos especiais sofisticados (para suas épocas), outras são perfeitas em sua simplicidade. Podem ser dramáticas, épicas, cômicas, alegres. A mais antiga é de 1970, a mais recente, de 2019. Confira a lista, assista às peças e confira algumas opiniões e informações (muitas delas retiradas do completíssimo site Teledramaturgia, de Nilson Xavier).

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50 – ÓRFÃOS DA TERRA (Globo, 2019)

A novela sobre refugiados teve uma abertura sóbria e simples, no estilo “álbum de retratos”. Mas muito adequada. O grande lance é que as pessoas que aparecem são realmente refugiados, com alguns integrantes do elenco entre eles (informação do de onde tirei outras curiosidades nessa lista). A música-tema também é ideal, talvez inevitável: “Diáspora”, com os Tribalistas. No vídeo a seguir, a abertura está sem os créditos. Novela de Thelma Guedes e Duca Rachid. Para ver com créditos, clique aqui.

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49 – CIDADÃO BRASILEIRO (Record, 2006)

A abertura reflete bem uma trama que avança 30 anos no tempo, com “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam, como tema, numa versão cantada por Edu e Zizi Possi. Novela de Lauro César Muniz.

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48 – AMOR E REVOLUÇÃO (SBT, 2011-2012)

A novela que se passa nos anos da ditadura militar era péssima de dar vergonha, mas a abertura era muito boa: usou uma canção clássica da época e sobre a época (“Roda viva”, de Chico Buarque, com o MPB-4) e foca nos desaparecimentos e mortes provocadas pelo regime. De maneira meio brega, também, é verdade, reencena aquela imagem da garota que coloca uma flor no cano da arma de um soldado. Mas tudo bem. Novela de Tiago Santiago.

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47 – CHOCOLATE COM PIMENTA (Globo, 2003-2004)

Aberturas de novelas de época muitas vezes recorrem a ilustrações antigas ou num estilo do período retratado. Aqui os desenhos de Sylvia Trenker (e os créditos) evocam os anos 1920 e ganha cores e relevo que lembrar o chocolate. O delicioso tema é cantado por, vejam só, Deborah Blando: “Chocolate com pimenta”, de Aldir Blanc e Mú Pimenta. Novela de Walcyr Carrasco.

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46 – MEU PEDACINHO DE CHÃO (Globo, 2014)

Um tom épico e de fantasia, reflexo do visual altamente rebuscado da novela. Para isso, uma bela animação com gigantes, heróis, vilões, tudo pelos olhos de uma criança. O tema de abertura, instrumental, é composição de Tim Rescala. Novela de Benedito Ruy Barbosa.

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45 – CHEIAS DE CHARME (Globo, 2012)

A divertida animação que resume a trama das empregadas que formam um grupo musical, retratando a história como um show de marionetes. O tema é o sucesso de Gaby Amarantos, “Ex-mai love”. Novela de Filipe Miguez e Isabel de Oliveira. No vídeo, a versão é sem os créditos.

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44 – PASSIONE (Globo, 2010-2011)

A abertura foi criada pelo artista Vik Muniz: instalações com “desenhos” feitos a partir do lixo, trabalho desenvolvido pelo artista que gerou um documentário, Lixo Extraordinário. A música, “Aquilo que dá no coração”, é de Lenine. Novela de Sílvio de Abreu.

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43 – FINAL FELIZ (Globo, 1982-1983)

Essa colagem de cenas de filmes clássicos se faz hoje em casa, com um computador e internet. Mas em época sem home vídeo, era uma prestação de serviço poder rever os beijos clássicos do cinema. Divertido, também, os personagens assistindo na plateia. A música, então, era perfeita: “Flagra”, de Rita Lee e Roberto de Carvalho. Novela de Ivani Ribeiro.

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42 – CHAMPAGNE (Globo, 1983-1984)

Uma tiração de sarro com esse monte de elementos chiques flutuando em volta do casal. Um efeito divertido e fascinante, brincando de ser elegante, muito bem realizado. Com boa parte dos créditos na diagonal e ao som de “Casanova”, de Ritchie. Novela de Cassiano Gabus Mendes.

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41 – IRMÃOS CORAGEM (Globo, 1970-1971):

Em época em que as aberturas ainda eram incipientes, embora gráficas, esta focou no aspecto da aventura e da relação entre os irmãos, buscando evocar o espírito dos faroestes, com imagens rebuscadas e congeladas. A novela de Janete Clair tentou mesmo trazer os homens para assistir. O tema sensacional entrou apenas instrumental nos primeiros capítulos, depois com Jair Rodrigues. A composição é de Nonato Buzar e Paulinho Tapajós.

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40 – CORAÇÃO DE ESTUDANTE (Globo, 2002)

A edição valoriza muito essa abertura, seguindo muito o ritmo da canção (“Maria solidária”, de Fernando Brant e Milton Nascimento, com Beto Guedes). As imagens são um caleidoscópio de objetos que remetem à vida de estudantes universitários, que é o ponta-pé inicial da novela de Emanuel Jacobina.

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39 – SINAL DE ALERTA (Globo, 1978-1979)

Possivelmente um caso único, Sinal de Alerta não tinha uma música na abertura. Em vez disso, sons da metrópole, numa animação por colagem, parecida com aquelas criadas por Terry Gilliam para o grupo Monty Python. Novela de Dias Gomes.

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38 – CARAS E BOCAS (Globo, 2009-2010)

A beleza gráfica da tinta sendo jogada em câmera lenta sobre rostos, junto com as cores fortes e chapadas, forma um conjunto bonito e pra cima. A canção leva o título da novela, com composição de Thallysson Rodrigues e interpretação do grupo Chicas. A novela é de Walcyr Carrasco.

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37 – BOM SUCESSO (Globo, 2019-2020)

Os universos da costura, da Zona Norte do Rio e do amor pelos livros se cruzam na colorida e bonita abertura, que ainda contou com o clássico “O sol nascerá”, de Cartola e Elton Medeiros, numa nova e ótima versão com Zeca Pagodinho e Teresa Cristina. Novela de Rosane Svartman e Paulo Halm. No vídeo a seguir, a abertura está sem créditos. Para ver com créditos, clique aqui.

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36 – RODA DE FOGO (Globo, 1986-1987)

A palavra fogo, gigante, aparece flutuando e incadescente, enquanto animais petrificados ganham vida ao atravessarem as letras. No fim, o contrário acontece com um homem, que vira pedra, num reflexo do protagonista da novela. É muito bom quando o logotipo se integra à abertura de uma maneira mais orgânica. A música é “Pra começar”, de Marina Lima e Antônio Cícero, com Marina. A curiosidade é que ela foi lançada ao vivo e gravada em estúdio só para a abertura da novela de Lauro César Muniz.

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35 – MARRON GLACÉ (Globo, 1979-1980)

A abertura das borboletas, num clipe criativo e colorido, que parte da gravata borboleta do logotipo. A música, bem no clima, criada para a abertura, leva o título da obra e foi composta por Guto Graça Melo, Mariozinho Rocha e Renato Corrêa, na voz de Ronaldo Resedá. Novela de Cassiano Gabus Mendes.

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34 – LAÇOS DE FAMÍLIA (Globo, 2000-2001)

As aberturas de novelas de Manoel Carlos algumas vezes recorreram a clássicos da bossa nova, evocando um certo espírito clássico do Rio de Janeiro (mesmo que a realidade a contrarie, inclusive na novela). Aqui, a escolhida foi “Corcovado”, de Antônio Carlos Jobim (com versão em inglês de Gene Lees), com Astrud Gilberto, João Gilberto, Jobim e Stan Getz. A Zona Sul carioca é retratada em imagens como pinturas animadas, em que manchas de tinta vão formando a cena, de meninas na praia, família na praça até prostitutas no calçadão.

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33 – AS PUPILAS DO SENHOR REITOR (SBT, 1994-1995)

Um grande e elaborado plano-sequência com a visão subjetiva do reitor do título caminhando por sua aldeia portuguesa. O tema é “Canção do mar”, com a portuguesa Dulce Pontes. Novela de Lauro César Muniz.

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32 – O SALVADOR DA PÁTRIA (Globo, 1989)

Abertura com golpe de vista, em que cenários são desmontados em outros pela perspectiva e recebem a inserção do personagem Sassá Mutema caminhando sobre eles. A sequência mostra a evolução política do personagem, de um campo árido a Brasília e até ao espaço infinito. O jogo de perspectiva é real, foi feito em estúdio. A música é “Amarra o teu arado a uma estrela”, de e com Gilberto Gil. Novela de Lauro César Muniz.

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31 – ESPERANÇA (Globo, 2002-2003)

Mais uma novela de imigrantes by Benedito Ruy Barbosa, muito calcada no sucesso anterior, Terra Nostra. Mas a abertura aqui é melhor: com belas fusões entre um piano e um conjunto de malas, com cenas de época ou com tratamento de época. O tema musical foi cantado primeiro em italiano (com Laura Pausini), mas também teve versões em hebraico (Gilbert), espanhol (Alejandro Sánz) e português (Fama Coral), refletindo as diversas colônias de imigrantes retratados na trama.

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30 – ÉRAMOS SEIS (Globo, 2019-2020)

Uma animação 3D que simula figuras de papel e mostra o tempo correndo na cidade de São Paulo, em volta da casa da família protagonista. Não só o crescimento da cidade, mas a efervescência política. O tema instrumental foi composto por Rafael Langoni e Victor Pozas. Novela de Ângela Chaves. No vídeo a seguir, a abertura está sem créditos. Para ver com créditos, clique aqui.

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29 – QUATRO POR QUATRO (Globo, 1994-1995)

Quatro mulheres esgrimistas que se unem em uma só para se vingar dos homens que maltrataram cada uma. É um bom reflexo da trama central da novela: a vingança de quatro mulheres unidas contra os homens que as sacanearam. A música, também, tudo a ver: “Picadinho de macho”, de Aldir Blanc e Tavito, com Sandra de Sá. Novela de Carlos Lombardi.

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28 – VELHO CHICO (Globo, 2016)

A abertura mostra uma ilustração em madeira entalhada. O artista gráfico Mello Menezes criou o desenho e Samuel Casal fez o entalhe na madeira. Cada entalhe foi registrado, para formar uma animação em stop motion. Caetano Veloso regravou sua “Tropicália” para a abertura, com arranjos de Tim Rescala que reforça o tom épico e mítico da novela de Benedito Ruy Barbosa.

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27 – BRILHANTE (Globo, 1981-1982)

Uma modelo, um gato, espelhos. Essa combinação bem filmada virou uma abertura icônica. A canção, “Luiza”, foi composta e interpretada por Antônio Carlos Jobim especialmente para a novela de Gilberto Braga.

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26 – ORGULHO E PAIXÃO (Globo, 2018)

As histórias da novela são lindamente ilustradas em uma animação 2D, que apresenta algumas tramas (inspiradas nos livros de Jane Austen) ao som de “Doce companhia”, com Lucy Alves. Novela de Marcos Bernstein. A abertura no vídeo a seguir está sem os créditos. Para ver com os créditos, clique aqui.

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25 – IRMÃOS CORAGEM (Globo, 1995)

O remake do clássico de Janete Clair também teve uma nova versão da música-tema, em tons ainda mais épicos e agora cantada por Milton Nascimento. As belíssimas imagens combinam a dureza da mineração, a água, cavalos em disparada.

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24 – LOCOMOTIVAS (Globo, 1977)

Uma abertura icônica: a modelo é maquiada e penteada em ritmo acelerado para surgir no final esplendorosa, mas com uma luva de boxe com a qual acerta a câmera. A música é o samba-funk “Maria-fumaça”, da banda Black Rio. Novela de Cassiano Gabus Mendes.

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23 – CORDEL ENCANTADO (Globo, 2011)

A trama básica é apresentada através de uma animação inspirada na estética do cordel e das xilogravuras. A mistura com os contos-de-fadas é representada por elementos dos livros pop-up. Gilberto Gil compôs “Minha princesa cordel” para a abertura e a canta com Roberta Sá. Novela de Thelma Guedes e Duca Rachid.

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22 – SELVA DE PEDRA (Globo, 1986)

Quando o remake de um dos maiores sucessos de Janete Clair foi planejado, Boni ordenou que não queria nada de “Rock and roll lullaby” na trilha. Este tinha sido a icônica canção do casal romântico da primeira versão. A abertura, a cidade de arranha-céus que brota do chão foi feita em maquete, com o elenco no reflexo dos edifícios espelhados. No final, vistos de cima, 2.800 maquetes formavam o rosto de Tony Ramos, o protagonista. A canção escolhida inicialmente foi “Demais”, com Verônica Sabino, mas não teve jeito: já no segundo capítulo, Boni mudou de ideia e pediu uma versão instrumental de “Rock and roll lullaby” para ocupar a abertura. A composição é de Barry Mann e Cynthia Weil, e a nova versão foi creditada a Freesounds (a original é cantada por B.J. Thomas).

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21 – A PRÓXIMA VÍTIMA (Globo, 1995)

Ao som de “Vítima”, de Rita Lee e Roberto de Carvalho (originalmente de 1985), que, além do título também fala de São Paulo, a abertura mostra pessoas em lugares paulistanos desaparecendo ao som de tiros e de seus rostos serem mudados para os do elenco da novela. Perfeito casamento com a obra de Sílvio de Abreu.

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20 – A HISTÓRIA DE ANA RAIO E ZÉ TROVÃO (Manchete, 1990-1991)

Ana Raio e Zé Trovão era uma novela itinerante, gravada em diversas partes do Brasil, de norte a sul, com o drama se desenrolando em uma caravana que cruzava o país. A abertura refletia essa aventura (dos personagens e da própria equipe), num plano-sequência com vários cenários estilizados, cheios de detalhes, e culminando nos dois cavalos empinados que simbolizam o casal protagonista. A canção é “Raio e trovão”, com o grupo Sagrado Coração da Terra. Novela de Marcos Caruso e Rita Buzzar.

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19 – TROPICALIENTE (Globo, 1994)

Aberturas com golpes de vista são bem legais, e a de Tropicaliente é bem alto astral, refletindo o cenário das praias nordestinas, onde se passa a trama. Quase nada de CGI: quase tudo feito na câmera. Elba Ramalho canta “Coração da gente”, de Nando Cordel e João Wash. Novela de Walther Negrão.

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18 – TOP MODEL (Globo, 1989-1990)

Modelos desfilando é uma ideia óbvia, mas a abertura se inspirou nas Penrose Stairs (essa construção surrealista das escadas) para colocar as top models em um espaço sem gravidade, andando pelas passarelas de lado ou de cabeça para baixo. O ritmo é ótimo, começando pelo take inicial rente à “passarela” e o caminhar da modelo se afastando da câmera. O tema de abertura é “Eu só quero ser feliz”, com o grupo Buana 4. Novela de Walther Negrão e Antônio Calmon.

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17 – ROQUE SANTEIRO (Globo, 1985-1986)

A interação entre homens e natureza, através de golpes de vista com o uso de chroma-key e miniaturas. Boias-frias andando sobre folhas, tratores sobre milhos, barcos navegando em asas de borboletas… Criativo e divertido, mesmo que as miniaturas no final sejam evidentes. “Santa fé”, de Moraes Moreira, é o tema de abertura. Novela de Dias Gomes.

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16 – ESTÚPIDO CUPIDO (Globo, 1976-1977)

A novela que se passava nos anos 1950 usou o clássico maravilhoso de Celly Campello (de 1959) para embalar cartões recortados que deslizavam e interagiam. Totalmente no clima da novela, agitada e divertida, sem afetação nenhuma. Novela de Mário Prata.

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15 – VALE TUDO (Globo, 1988-1989)

Novela de Gilberto Braga, Vale Tudo discutia a ética no Brasil. A partir disso, a abertura trazia uma saraivada acelerada de imagens do país, embalada pela explosiva “Brasil”, de Cazuza, George Israel e Nilo Pedrosa, na voz de Gal Costa (que regravou a canção especialmente para a abertura).

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14 – MULHERES DE AREIA (Globo, 1993)

Água e areia simbolizavam as gêmeas rivais da trama, resumidas na abertura na modelo Mônica Carvalho. Quando a novela passou no Vale a Pena Ver de Novo, a nudez de Mônica teve que ser amenizada por tarjas que desfocavam as partes superior e inferior da tela. A canção-tema era “Sexy Iemanjá”, de Pepeu Gomes e Tavinho Paes, cantada por Pepeu. Novela de Ivani Ribeiro.

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13 – VAMP (Globo, 1991-1992)

Caçadores de vampiros. que entram em cena dançando numa sátira ao clipe de “Thriller”, estão em busca de um cão preto que persegue Cláudia Ohana. Charme e bom humor, com a adição de “Noite preta”, com Vange Leonel (dela com Cilmara Bedaque, perfeita para a abertura), resultaram em uma das mais lembradas aberturas dos anos 1990. Novela de Antônio Calmon.

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12 – TIETA (Globo, 1989-1990)

O corpaço nu de Isadora Ribeiro se “desdistorcia” para compor com a natureza de Mangue Seco, na Bahia. A abertura começa só ao som do vento, para depois entrar “Tieta”, de Paulo Debétio e Boni, com Luiz Caldas, e terminar com a imagem da silhueta da modelo andando insinuante em direção à câmera. Um clássico sensual, que traduz totalmente a novela de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares.

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11 – BREGA & CHIQUE (Globo, 1987)

Com a novela de Dias Gomes tratando da dicotomia entre uma personagem rica e outra pobre que invertiam as posições, a abertura alterna mulheres em versões brega e chique de um jeito que a gente nem sabe bem onde começa um e termina o outro. A edição ágil e algo sexy ganham pontos, assim como a música antológica do Ultraje a Rigor (“Pelado”). A abertura teve problemas de censura – em parte da novela havia uma impagável folhinha de parreira que a Globo incluiu para encobrir a bunda do cidadão, na cena final. Doris Giesse está entre as moças que aparecem. Novela de Cassiano Gabus Mendes. No vídeo a seguir, a abertura está sem os créditos. Para ver com os créditos, clique aqui.

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10 – O CRAVO E A ROSA (Globo, 2000-2001)

Para uma novela romântica que se passava nos anos 1920, a abertura da novela de Walcyr Carrasco e Mário Teixeira teve a ótima sacada de brincar com o cinema mudo. Outro grande acerto é a música é “Jura”, de Sinhô, gravada pela primeira vez em 1928, aqui em uma nova versão com Zeca Pagodinho.

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9 – A FAVORITA (Globo, 2008-2009)

A abertura é uma animação estilizada que conta a trama central, num estilo que lembra os cartazes e aberturas de Saul Bass para filmes como Um Corpo que Cai e Anatomia de um Crime. Na trilha, o tango “Pá bailar”, do grupo Bajofondo. Novela de João Emanuel Carneiro.

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8 – PAI HERÓI (Globo, 1979)

Antológica abertura com a montagem de um quebra-cabeças em que, no final, uma parte fica faltando: a silhueta do pai de uma criança. Embalada pela música “Pai”, de Fábio Jr. Novela de Janete Clair.

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7 – O DONO DO MUNDO (Globo, 1991-1992)

A cena de Charles Chaplin satirizando Hitler em O Grande Ditador, no balé com o globo terrestre, é a base da abertura da novela centrada em um vilão que começa destruindo um casamento seduzindo a noiva no dia da cerimônia. A sequência recebe uma intervenção com belas mulheres dentro do globo. Com “Querida”, composta e interpretada por Antônio Carlos Jobim, não tinha como dar errado. Novela de Gilberto Braga.

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6 – PEDRA SOBRE PEDRA (Globo, 1992)

Os anos pós-ditadura militar, com o fim da censura, foram de exacerbação da liberdade. Um dos destinos a que isso levou foi a um show de nudez nas aberturas de novelas. Tieta, Mulheres de Areia e, um pouco mais discretamente (ou menos indiscreta), O Dono do Mundo deslumbraram o espectador com corpos de belas mulheres; enquanto Brega & Chique ousou colocar um bonitão de bunda de fora às 19h. A abertura de Pedra sobre Pedra foi o auge. Mônica Fraga desfila em nudez quase total, com seu corpo se fundindo e se misturando às paisagens naturais de pedras e árvores da Chapada Diamantina. Na trilha, a antológica versão de “Pedras que cantam”, de Dominguinhos e Fausto Nilo, na voz de Fagner. Novela de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares.

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5 – TI TI TI (Globo, 1985-1986)

Hans Donner, o homem do design gráfico por trás de muitas das melhores aberturas da Globo, criou, com sua equipe, este grande clássico: lápis coloridos, tesouras, fitas métricas e agulhas que brigam entre si, espelhando a divertida rivalidade entre dois costureiros que conduzia a novela de Cassiano Gabus Mendes. Tudo sem computadores: imãs e fios foram usados para animar os objetos. A canção-título, de Rita Lee e Roberto de Carvalho, foi repaginada para a abertura pelo grupo Metrô. A original embalou a abertura da refilmagem de 2010, que também refez a abertura, desta vez em CGI (mas a original é bem melhor).

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4 – POR AMOR (Globo, 1997-1998)

Com mãe e filha protagonistas interpretadas por atrizes que são mesmo mãe e filha, a abertura aproveitou brilhantemente o fato. Fotos das duas, juntas ou separadas, foram usadas num mosaico. Mas não só isso: a execução foi um primor, com os rostos de uma e da outra se fundindo. Tudo ao som do MPB-4 e do Quarteto em Cy cantando “Falando de amor”, de Antônio Carlos Jobim. Novela de Manoel Carlos.

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3 – DANCIN’ DAYS (Globo, 1978-1979)

Nenhuma abertura representou melhor sua época. O espetacular sucesso d’As Frenéticas (composto por Nelson Motta e Rubens Queiroz), que batizou a novela, foi inspirado na discoteca Frenetic Dancing Days, de Motta. Numa montagem com fotos de pessoas dançando numa discoteca, os créditos do elenco, do autor Gilberto Braga e do diretor Daniel Filho apareciam em fontes diferentes, piscando, como em letreiros neon. É irresistível.

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2 – DEUS NOS ACUDA (Globo, 1992-1993)

No ano do impeachment de Collor, a novela de Sílvio de Abreu falava da ética do brasileiro, da corrupção, mas no registro da sátira. A abertura antológica deitou e rolou: uma festa chique começa a afundar num mar de lama, que vira um redemoinho, que se revela um ralo no mapa do Brasil. Um prodígio cenográfico, com a parte da festa dispensando o CGI (os atores estavam em uma espécie de gaiola suspensa que ia afundando nessa piscina coberta de lama artificial, feita de isopor ralado). O tema musical, usado de modo irônico, é a clássica “Canta Brasil”, de Alcyr Pires Vermelho e David Nasser, lançada originalmente em 1941 por Francisco Alves e cantada aqui por Gal Costa na gravação de 1981.

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1 – ELAS POR ELAS (Globo, 1982)

A novela de Cassiano Gabus Mendes partia do reencontro de sete amigas de colégio, que não se viam há anos. A abertura, então, capturou a ideia de maneira brilhante: uma festa nos anos 1960, as imagens em preto-e-branco são congeladas em fotos e das garotas nas fotos saem as versões atuais e coloridas das personagens (Aracy Balabanian, Ester Góes, Sandra Bréa, Mila Moreira, Eva Wilma, Maria Helena Dias e Joana Fomm). A canção-tema foi feita para a novela, mas evocando os anos 1960: “Elas por elas” foi composta por Augusto César e Nelson Motta, gravada pelo grupo The Fevers. Com o nome inicial de “Coisas da vida”, ela depois foi rebatizada como “Elas por elas” por causa do sucesso da novela.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que aberturas você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!).

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VEJA TAMBÉM:

Meu recorte exclui aberturas mais antigas, quando essa arte ainda estava em evolução. Também só listamos aberturas da Globo porque, francamente, a concorrência seria desleal.

10 – FELICIDADE (1991)

A maneira como o arco-íris transforma o tédio em alegria é muito engraçada de tão ruim. Faltou um esforço. Novela de Manoel Carlos. Tema de abertura: “Felicidade”, com Roupa Nova, de Kiko e Orlando Morais.

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9 – A INDOMADA (1997)

É Maria Fernanda Cândido, antes da carreira de atriz, que corre superando obstáculos toscos de maneira também bem tosca. Ela encarna elementos da natureza contra barreiras de ferro e concreto. Novela de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. Tema instrumental “Maracatudo”, de Sérgio Mendes.

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8 – ZAZÁ (1997)

Com todo o respeito à dona Fernanda, ela de piloto nesses transportes voadores de animação, sobre imagens aéreas do Rio não funcionou. Nem mesmo Rita Lee no tema musical (“Dona Doida”, composta com Roberto de Carvalho) foi muito feliz. Novela de Lauro César Muniz.

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7 – A LEI DO AMOR (2016)

Riponga em excesso, com essas fitas vermelhas citando uma tradição chinesa, etc. e tal. Nem Ney Matogrosso cantando Villa-Lobos (“O trenzinho do caipira”) salva. Novela de Maria Adelaide Amaral e Vicente Villari.

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6 – AVENIDA BRASIL (2012)

Nada mais que um baile muitíssimo vagamente ligado à novela, com focos de luz coloridos ao fundo (ah, faróis de carros!… Estão numa avenida, então… Hum-rum…). A música (há quem goste) é “Vamos dançar com tudo” (“com tudo” em vez da palavra original, provavelmente porque a emissora não quis “kuduro” repetido todo dia no horário nobre), com Robson Moura e Lino Krizz. Rendeu ao menos uma hashtag no Twitter: #oioioi. Novela de João Emanuel Carneiro.

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5 – AGORA É QUE SÃO ELAS (2003)

Cores fortes, uma animação digital xarope e enjoativa e fotos do elenco, o que é quase sempre sinal de pouquíssima inspiração. Música (também pouco inspirada) de Lulu Santos (“Já é”). Novela de Ricardo Linhares.

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4 – O PROFETA (2006)

Fotos dos atores nessa geleca. O tema, também péssimo, é “Além do olhar”, com Ivo Pessoa. Parece coisa das piores novelas do SBT. Novela de Duca Rachid, Thelma Guedes e Júlio Fischer.

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3 – OLHO NO OLHO (1993)

Não se pode dizer que a abertura não combina com a novela: é tão ridícula quanto. Sabe quem é o paranormal soltando raiozinhos pelos olhos? Ricardo Macchi, que depois seria o inesquecível cigano Igor! Não podia mesmo dar certo. Tema de abertura: “Magnificat”, com Rútila Máquina. Novela de Antônio Calmon.

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2 – SENHORA DO DESTINO (2004)

A câmera passeia por totens digitais de pessoas comuns em preto-e-branco. No meio delas, estão os personagens da novela, coloridos. Era pra parecer que eles são gente comum? É uma abertura preguiçosa demais, desinteressante na ideia e na execução. É preguiçosa a ponto de nem editarem direito o tema de abertura, terminando no meio de uma frase. O tema, aliás, é “Encontros e despedidas”, com Maria Rita, de Fernando Brant e Milton Nascimento. Novela de Aguinaldo Silva.

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1 – VILA MADALENA (1999)

Nosso primeiro lugar chegou a posto porque é simplesmente uma não-abertura. Eu disse que o auge da preguiça era a abertura de Senhora do Destino? Não, é esta: resolveram não fazer abertura nenhuma. Apenas jogaram clipes com músicas da trilha sonora, trocados semanalmente, e os créditos do elenco por cima. Inacreditável. Novela de Walther Negrão.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que aberturas você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!).

20 – O GAROTO SELVAGEM (L’Enfant Sauvage)

Truffaut partiu de uma história real do seculo XVIII: um garoto há anos sem contato com a civilização, sem falar ou ler, que é pratucamente adotado por um médico que se esforça em civilizá-lo. O filme parece seguir mais o ponto de vista da curiosidade científica que da emoção, mas é bem contado.
França. Direção: François Truffaut. Roteiro: François Truffaut e Jean Gruault, baseado nas memórias de Jean Itard. Elenco: François Truffaut, Jean-Pierre Cargol, Françoise Seigner.

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19 – LOVE STORYUMA HISTÓRIA DE AMOR (Love Story)

“Amar é nunca ter que pedir perdão”. Virou ícone cultural esse melodrama jovem que, ainda por cima, envolve classes sociais e doença grave.
Estados Unidos. Direção: Arthur Hiller. Roteiro: Erich Segal. Elenco: Ryan O’Neal, Ali MacGraw, Ray Milland, Tommy Lee Jones.

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18 – A VIDA ÍNTIMA DE SHERLOCK HOLMES (The Private Life of Sherlock Holmes)

Billy Wilder desenvolveu um filme de mais de três horas e episódico que foi severamente cortado pela United Artists. Ainda assim é um curioso olhar que ele queria muito fazer sobre Sherlock Holmes, levando-o até o monstro de Loch Ness.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: Billy Wilder. Roteiro: Billy Wilder e I.A.L. Diamond. Elenco: Robert Stephens, Colin Blakely, Geneviève Page, Christopher Lee.

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17 – GIMME SHELTER (Gimme Shelter)

Seria mais um documentário sobre rock, mas o show dos Rolling Stones em uma rodovia terminou em tragédia. O filme começa já fazendo os Stones encararem as filmagens da confusão na plateia, após a ideia infeliz de colocar os Hell’s Angels como seguranças.
Estados Unidos. Direção: Albert Maysles, David Maysles e Charlotte Zwerin.

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16 — MATOU A FAMÍLIA E FOI AO CINEMA

Exemplar do cinema marginal brasileiro, terceiro longa de Bressane. Parte da premissa literal do título, um rapaz que mata os pais e vai ao cinema, para outros contos curtos de violência, como o das meninas que se apaixonam e matam a mãe de uma delas. Teve uma refilmagem muito ruim em 1991, com Cláudia Raia.
Brasil. Direção e roteiro: Júlio Bressane. Elenco: Márcia Rodrigues, Renata Sorrah, Vanda Lacerda, Antero de Oliveira.

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15 – CADA UM VIVE COMO QUER (Five Easy Pieces)

Jack Nicholson é o operário que gosta de tocar piano e tem um relacionamento que não o anima muito, e que volta às raízes: a família rica e musicista. Esse contraste de modos de vida leva a tensões. Nicholson na sua aurora como grande ator, que se consolidaria nos anos 1970.
Estados Unidos. Direção: Bob Rafelson. Roteiro: Carole Eastman, baseado em argumento de Eastman e Bob Rafelson. Elenco: Jack Nicholson, Karen Black, Susan Anspach.

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14 – A MULHER DE TODOS

Helena Ignez é a mulher imparável nessa comédia do cinema marginal (o que parece funcionar melhor), libertária, cafajeste, chegada à linguagem dos quadrinhos e com um Jô Soares inspirado.
Brasil. Direção: Rogério Sganzerla. Roteiro: Rogério Sganzerla, baseado em argumento de Egídio Eccio. Elenco: Helena Ignez, Jô Soares, Stênio Garcia, Paulo Villaça, Antônio Pitanga. Narração: Renato Machado.

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13 – DEIXA ESTAR ou LET IT BE (Let it Be)

É tido como um registro dos Beatles a caminho do fim, com os turbulentos ensaios e gravações do que viria a ser o álbum Let it Be. Tem lá a célebre discussão entre Paul e George (“Eu toco do jeito que você quiser. Se não quiser, também não toco”), mas não há depoimentos ou narração. Não há George abandonando o grupo por alguns dias. A mudança do Twickenham Studios para o prédio da Apple aparece, mas sem qualquer explicação. Boa parte da crise fica mesmo nas entrelinhas pra quem conhece a história da banda. Mas são os Beatles, experimentando e cantando e culminando no show do telhado, que é uma imagem (e som) eterna.
Reino Unido. Direção: Michael Lindsay-Hogg.

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12 – A FILHA DE RYAN (Ryan’s Daughter)

David Lean ficou quase 15 anos sem dirigir um filme depois que esse não foi bem recebido. Realmente parece agigantado sem muita razão de ser. É uma história de amor e adultério simples, embora com paisagens embasbacantes e um fundo histórico – como havia sido, cinco anos antes, Doutor Jivago, na Rússia dos tempos da Revolução. Esse ultimo quesito, porém (revoltas na Irlanda contra a Inglaterra em 1916), é bem menos presente na trama. Mas é bonito, Lean não precisava ter passado esse tempo todo longe.
Reino Unido. Direção: David Lean. Roteiro: Robert Bolt. Elenco: Sarah Miles, Robert Mitchum, Christopher Jones, Trevor Howard, John Mills, Leo McKern.

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11 – INVESTIGAÇÃO SOBRE UM CIDADÃO ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA (Indagine su un Cittadino al di Sopra di Ogni Sospetto)

Chefe da divisão de homicídios da polícia mata a amante e vai deixando pistas pelo caminho, parecendo querer ver se a polícia consegue passar por cima dos pré-julgamentos e pegá-lo. Um clássico dos filmes políticos, uma bofetada na hipocrisia das instituições, retratando uma ambiente de opressão italiana a tudo que não era reacionário.
Itália. Direção: Elio Petri. Roteiro: Elio Petri e Ugo Pirro. Elenco: Gian Maria Volontè, Florinda Bolkan, Gianni Santuccio.

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10 – TRISTANA, UMA PAIXÃO MÓRBIDA (Tristana)

Buñuel deixa o surrealismo um pouco de lado e vai para um registro meio seco para mostrar um caso de obsessão amorosa de um homem rico por uma bela e pobre jovem. Uma tragédia muda, no entanto, o jogo de forças. Deneuve linda, mesmo quando não é para ser.
Espanha/ Itália/ França. Direção: Luís Buñuel. Roteiro: Luís Buñuel e Julio Alessandro, do romance de Benito Pérez Galdós. Elenco: Catherine Deneuve, Fernando Rey, Franco Nero.

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9 – BANZÉ NA RÚSSIA (The Twelve Chairs)

O humor maluco de Mel Brooks servindo-se de uma história clássica já adaptada até pela Atlântida no Brasil. É antes de se concentrar nas sátiras ao próprio cinema, que viria logo a seguir. Aqui, os alvos são a ganância inerente aos homens e as contradições da União Soviética pós-Revolução Russa. Como na placa da Rua Marx, Engels, Lenin & Trotsky, em que o nome de Trostky aparece riscado.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Mel Brooks, baseado no romance de Ilya Ilf e Yevgeni Petrov. Elenco: Ron Moody, Frank Langella, Dom DeLuise, Mel Brooks.

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8 – DOMICÍLIO CONJUGAL (Domicile Conjugal)

Interessante como Truffaut estreou o personagem Antoine Doinel como seu alter-ego em um drama tão tocante como Os Incompreendidos (1959) e depois retornou a ele em comédias românticas leves como esta. Este é o quarto filme com Doinel, que arruma problemas para seu casamento ao se envolver com outra mulher.
França. Direção: François Truffaut. Roteiro: François Truffaut, Claude de Givray e Bernard Revon. Elenco: Jean-Pierre Léaud, Claude Jade, Hiroko Berghauer.

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7 – A ESTRATÉGIA DA ARANHA (Strategia del Ragno)

O filho volta à sua cidadezinha natal para se envolver na história misteriosa do pai, herói local, líder da resistência contra os fascistas, morto há muitos anos. Grande fotografia de Vittorio Storaro e Franco Di Giacomo, cujo ponto alto é aquele plano sequência soberbo no começo, em que o filho está parado na praça e, quando anda, vemos que ele encobria o busto do pai. E, enquanto caminha, acaba sendo coberto por ele.
Itália. Direção: Bernardo Bertolucci. Roteiro; Bernardo Bertolucci, Marilù Parolini e Eduardo de Gregorio, baseado em conto de Jorge Luis Borges. Elenco: Giulio Brogi, Alida Valli, Pippo Campanini.

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6 – WOODSTOCK – 3 DIAS DE PAZ, AMOR E MÚSICA (Woodstock)

Mais do que registrar os três dias de um festival de rock que se tornou mítico, o documentário teve a sagacidade de traduzir o estado de espírito de quem estava no palco, nos bastidores, na plateia e nos arredores. O uso da câmera dividida só reforça a sensação de que estava acontecendo muito mais do que todo mundo estava percebendo.
Estados Unidos. Direção: Michael Wadleigh.

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5 – PEQUENO GRANDE HOMEM (Little Big Man)

Em uma época de revisionismo do western e de reavaliação da figura do nativo norte-americano na tela, o herói é uma figura nada heroica que aprende a ser um índio, se torna um pistoleiro de araque e acaba integrando a tropa do General Custer rumo à batalha de Little Big Horn. O filme tem humor e senso de grandeza.
Estados Unidos. Direção: Arthur Penn. Roteiro: Calder Willingham, baseado no romance de Thomas Berger. Elenco: Dustin Hoffman, Faye Dunaway, Chief Dan George, Martin Balsam.

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4 – PATTON – REBELDE OU HERÓI? (Patton)

É praticamente um Lawrence da Arábia americano, no sentido de ser a grandiosa cinebiografia de um militar que ama o que faz. Politicamente incorreto, irascível, visceral e um gênio do teatro de guerra, Patton é um grande personagem. A abertura, com o general discursando para as tropas na frente de uma imensa bandeira americana, é icônica. Tanto quanto a cena em que ele esbofeteia um soldado traumatizado porque não admite tal fraqueza (depois é obrigado a se desculpar).
Estados Unidos. Direção: Franklin J. Schaffner. Roteiro: Francis Ford Coppola e Edmund H. North, baseado nos livros de Ladislas Farago e Omar N. Bradley. Elenco: George C. Scott, Karl Malden, Stephen Young.

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3 – M.A.S.H. (M.A.S.H.)

Um trio de cirurgiões em um hospital de campanha se defende da violência da guerra com atitudes irreverentes e iconoclastas. A guerra é a da Coreia, nos anos 1950, mas Robert Altman quase não menciona: ele queria que o público associasse ao Vietnã. Também incentivou o elenco a improvisar bastante. O espírito do filme é tão irreverente quanto seus personagens.
Estados Unidos. Direção: 1robert Altman. Roteiro: Ring Lardner Jr., baseado em romance de Richard Hooker. Elenco: Donald Sutherland, Elliot Gould, Tom Skerritt, Sally Kellerman, Robert Duvall.

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2 – O CONFORMISTA (Il Conformista)

O filme acompanha um fascista italiano que precisa cumprir a missão de assassinato de um antigo professor, na França. Apesar de sua dedicação ao fascismo, memórias de infância e as relações tanto com sua recém-esposa quanto com a mulher do professor, ambas extremamente atraentes e que se tornam ligadas uma à outra, complicam tudo. Um belíssimo filme político de Bertolucci, embalado numa fotografia descomunal de Vittorio Storaro.
Itália/ França/ Alemanha Ocidental. Direção e roteiro: Bernardo Bertolucci, baseado em romance de Alberto Moravia. Elenco: Jean-Louis Trintignant, Stefania Sandrelli, Dominique Sanda.

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1 – O JARDIM DOS FINZI CONTINI (Il Giardino dei Finzi Contini)

De Sica mostra o fascínio de um jovem por uma família rica judia, enquanto o fascismo avança na Itália. É o registro de um idílio que vai se desfazendo, de uma ilha de beleza no meio de um mar de horror que a vai engolindo. O fascínio não é só pela família, mas pela bela mulher que, encastelada, não parece ver o que está acontecendo até ser tarde demais. Como a sociedade, aliás.
Itália/ Alemanha Ocidental. Direção: Vittorio de Sica. Roteiro: Ugo Pirro e Vittorio Bonicelli, além de, não creditados, Vittorio de Sica, Cesare Zavattini, Franco Brusati, Alain Katz, Tullio Pinelli e Valerio Zurlini, baseado no livro de Giorgio Bassani. Elenco: Lino Capolichio, Dominique Sanda, Fabio Teste, Helmut Berger.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

10 – MARROCOS (Morocco)

Depois de O Anjo Azul na Alemanha, Marlene Dietrich e Joseph von Sternberg deram sequência à parceria em Hollywood. Marlene é magnética, protagoniza uma escandalosa sequência em que tasca um beijo numa moça, mas o filme não vai muito além disso, chegando a um final duro de engolir.
Estados Unidos. Direção: Joseph von Sternberg. Roteiro: Jules Furthman, baseado em peça de Benno Vigny. Elenco: Marlene Dietrich, Gary Cooper, Adolphe Menjou.

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9 – LÁBIOS SEM BEIJOS

Saído de Cataguazes para a Cinédia, no Rio, Humberto Mauro assumiu a direção deste drama romântico mudo, de história simples: garota se apaixona por rapaz com fama de Don Juan, depois de se desentenderem. Um equívoco de identidades faz a moça achar que ele se envolveu com a irmã dela. Imagens bonitas do Rio, em planos às vezes inspirados, como o vento na rua, na abertura.
Brasil. Direção: Humberto Mauro. Roteiro: Adhemar Gonzaga. Elenco: Lelita Rosa, Paulo Morano, Didi Viana.

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8 – A IDADE DO OURO (l’Age d’Or)

Segundo filme da parceria surrealista entre Luís Buñuel e Salvador Dalí, aqui eles já não se entenderam tão bem quanto em Um Cão Andaluz (1929). É mais linear, com ideias mais concatenadas, mas ainda visualmente instigante, embora muito longo para tanta viagem.
França. Direção: Luís Buñuel. Roteiro: Luís Buñuel e Salvador Dalí. Elenco: Gaston Modot, Lya Lys.

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7 – OS GALHOFEIROS (Animal Crackers)

A chegada do cinema falado poderia ser saudada só pela possibilidade dos filmes dos Irmãos Marx. Neste, o segundo, eles aprontam numa mansão onde há uma recepção a um explorador famoso e há o roubo de uma obra de arte. Ideias desconexas e humor demolidor. A música em homenagem ao Capitão Spaulding virou tema do quiz show de Groucho Marx na TV e, depois, revisitada em Todos Dizem Eu Te Amo (1996), de Woody Allen.
Estados Unidos. Direção: Victor Heerman. Roteiro: Morrie Ryskind, baseado em peça de Ryskind, George S. Kaufman, Bert Kalmar e Harry Ruby. Elenco: Groucho Marx, Harpo Marx, Chico Marx, Zeppo Marx, Lillian Roth, Margaret Dumont.

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6 – ASSASSINATO (Murder!)

Um dos primeiros filmes falados de Hitchcock, também é tido como o primeiro em que pensamentos de um personagem são ouvidos pelo espectador. A trama já é super Hitch: um integrante de um júri que condena uma acusada passa a investigar o caso antes que pode inocentar a moça antes que ele seja executada.
Reino Unido. Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Alma Reville, da adaptação de Alfred Hitchcock e Walter C. Mycroft, baseado em romance de Clemence Dane e Helen Simpson. Elenco: Herbert Marshall, Norah Baring, Phyllis Konstam.

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5 – TERRA (Zemlya)

O filme soviético celebra o esforço coletivo de uma comunidade rural de se manter enquanto isso desagrada a poderosos vizinhos donos de terras. Há momentos visuais poderosos, de contemplação de paisagens da natureza e paisagens do rosto humano. Além de momentos dramaticamente fortes, como os camponeses urinando no trator recém adquirido que parou no meio da estrada e precisa de água. E a nudez da moça enlutada pelo noivo, líder assassinado. Coisas de que a censura não gostou.
União Soviética. Direção e roteiro: Aleksandr Dovzhenko. Elenco: Stepan Shkurat, Semyon Svashenko, Yelena Maksimova.

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4 – A PATRULHA DA MADRUGADA (The Dawn Patrol)

É o filme que Anjos do Inferno queria ser. Howard Hawks já coloca no centro sua trama recorrente de heróis profissionais que fazem seu trabalho a todo custo, seja qual for o risco envolvido. Aqui, enquanto aviadores arriscam o pescoço em missões suicidas, seu comandante sofre pela responsabilidade e pressão terrível de mandá-los sabendo que muitos não voltarão. Hawks brilhante nas cenas de ação e no drama.
Estados Unidos. Direção: Howard Hawks. Roteiro: Dan Totheroh, Howard Hawks e Seton I. Miller, baseado na história de John Monk Saunders. Elenco: Richard Barthelmess, Douglas Fairbanks Jr., Neil Hamilton.

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3 – SEM NOVIDADES NO FRONT (All Quiet on the Western Front!)

A I Guerra vista pelo lado de jovens alemães idealistas que se alistam, mas só encontram miséria, sofrimento e morte nos campos de combate. Ganhou o Oscar de melhor filme e chegou a ser censurado pelo contundente tom antibelicista. Fora isso, tem tomadas muito inspiradas, como o discurso patriótico em sala de aula, com uma parada imponente passando na rua, ao fundo. Ou a morte através do plano da mão que tenta alcançar uma flor.
Estados Unidos. Direção: Lewis Milestone. Roteiro: George Abbott, Del Andrews (adaptação), Maxwell Anderson (adaptação e diálogos), C. Gardner Sullivan (supervisão), Walter Anthony (não creditado) e Lewis Milestone (não creditado), baseado em romance de Eric Maria Remarque. Elenco: Louis Wolheim, Lew Ayres, John Wray.

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2 – O ANJO AZUL (Der Blaue Engel)

O encontro mágico entre Marlene Dietrich e o diretor Joseph von Sternberg na Alemanha, que rendeu outros seis filmes em Hollywood. Marlene interpreta Lola-Lola, a cantora de um espetáculo que vira o objeto de desejo e obsessão de um orgulhoso professor moralista. Eles se casam, a vida dele vai degringolando até perder completamente a dignidade. A combinação de ar desinteressado e pernas lendárias de Marlene já estavam aí definindo sua persona.
Alemanha. Direção: Josef von Sternberg. Roteiro: Carl Zuckmayer, Karl Vollmöller, Robert Liebmann e Josef von Sternberg (não creditado), adaptação do romance de Heinrich Mann. Elenco: Emil Jannings, Marlene Dietrich, Kurt Gerron.

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1 – SOB OS TETOS DE PARIS (Sous le Toits de Paris)

Na abertura, o filme começa mostrando telhados para depois descer sobre uma rua onde pessoas cantam até se deter sobre uma moça em uma porta. Um plano sequência antológico para 1930, um tempo do qual se fala muito das limitações que o som impunha à imagem naquele começo de cinema falado. O filme, na verdade, é parcialmente mudo, com cartelas, e parcialmente com diálogos sonoros e canções. As sacadas visuais contam com beleza a história de um vendedor de partituras que se apaixona por uma polonesa, mas é preso e ela fica dividida entre ele e o melhor amigo.
França. Direção e roteiro: René Clair. Elenco: Albert Préjean, Pola Illéry, Edmond T. Greville.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

20 – A VERDADE (La Verité)

Brigitte Bardot, esplendorosa, é a jovem de vida livre que está sendo julgada pelo assassinato do amante. A moralidade entra na balança, enquanto a história trágica de amor (ou não) é contada em flashback, com doses generosas do corpo de Bardot.
França/ Itália. Direção: Henri-Georges Clouzot. Roteiro: Henri-Georges Clouzot, Simone Drieu, Michèle Perrein, Jérôme Géronimi, Christiane Rochefort e Véra Clouzot. Elenco: Brigitte Bardot, Sami Frey, Marie-Jose Nat.

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19 – O PASSADO NÃO PERDOA (The Unforgiven)

Audrey Hepburn, índia? John Huston a escalou como a filha de uma família do velho oeste que pode ter sido roubada de uma tribo. Um ajuste de contas se avizinha. É um faroeste acidentado, mas de charme estranho.
Estados Unidos. Direção: John Huston. Roteiro: Ben Maddow, baseado em livro de Alan le May. Elenco: Burt Lancaster, Audrey Hepburn, Audie Murphy, Lillian Gish.

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18 – VIDA DE ARTISTA (The Entertainer)

Laurence Olivier é o veterano artista de music hall que faz de tudo para se manter nos palcos, sem perceber que seu tempo está chegando ao fim. Sua decadência é testemunhada pela filha (Joan Plowright, em seu segundo filme). Há metáforas aí com o poder da Inglaterra no mundo e com o próprio Olivier, que fez a peça original na estratégia de não ficar ultrapassado (ele pediu ao dramaturgo rebelde John Osborne que escrevesse esta peça especialmente para ele).
Reino Unido. Direção: Tony Richardson. Roteiro: Nigel Kneale e John Osborne, baseado em peça de Osvorne. Elenci: Laurenfe Olivier, Joan Plowright, Brenda de Banzie, Roger Livesey, Alan Bates, Shirley Anne Field.

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17 – ZAZIE NO METRÔ (Zazie dans le Metro)

Uma garotinha solta em Paris quando passa dois dias com o tio (para que a mãe possa passar algum tempo com um namorado). Malle não economiza nonsense e recursos de desenho animado para criar uma fábula louca e encantada.
França. Direção: Louis Malle. Roteiro: Louis Malle e Jean-Paul Rappeneau, baseado em Raymond Queneau. Elenco: Catherine Demongeot, Philippe Noiret, Hubert Deschamps, Carla Marlier.

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16 – DUAS MULHERES (La Ciociara)

Sophia Loren foi a primeira pessoa a ganhar um Oscar de atuação num papel que não era falado em inglês. Aos 25 anos, ela interpreta a mãe de uma adolescente tentando livrá-la dos horrores da II Guerra: naquela região, aconteciam estupros em massa. De Sica e Zavattini foram mestres do neo-realismo italiano, cerca de dez anos antes, e voltam um pouco àqueles tempos.
Itália, França. Direção: Vittorio De Sica. Roteiro: Cesare Zavattini e Vittorio De Sica, baseado em romance de Alberto Moravia. Elenco: Sophia Loren, Eleonora Brown, Jean-Paul Belmondo.

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15 – A TORTURA DO MEDO (Peeping Tom)

Michael Powell, que filmes que marcaram pela beleza visual nos anos 1940, surpreendeu todo mundo com esse conto macabro de um serial killer que filma suas vítimas mulheres no momento do assassinato, para registrar suas expressões de terror. O sexo (o filme foi o primeiro britânico a mostrar nudez) e a violência não foram perdoados: o filme foi cortado e censurado, e a carreira de Powell ficou em apuros. Mas hoje é cult: sobressai-se o modo perturbador de ver a câmera como uma arma.
Reino Unido. Direção: Michael Powell. Roteiro: Leo Marks. Elenco: Karlheinz Böhm, Anna Massey, Moira Shearer.

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14 – A MÁQUINA DO TEMPO (The Time Machine)

A viagem para o futuro de um homem visionário revela uma sociedade muito mais sombria do que ele esperava. Charmosa adaptação do romance de H.G. Wells, um clássico da ficção científica, nas mãos de um grande artista dos efeitos especiais.
Estados Unidos. Direção: George Pal. Roteiro: David Duncan, baseado no romance de H.G. Wells. Elenco: Rod Taylor, Alan Young, Yvette Mimieux.

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13 – ARUANDA

O curta de Linduarte Noronha ganhou lugar de honra na história do cinema brasileiro quando Glauber Rocha o apontou como precursor do cinema novo. O documentário apresenta o cotidiano de um quilombo isolado usando também recursos de encenação. A autoria do roteiro, creditado na tela unicamente ao diretor, é alvo de debate: Vladimir Carvalho e João Ramiro Mello, creditados como assistentes de direção, também seriam co-autores.
Brasil. Direção e roteiro: Linduarte Noronha.

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12 – O VENTO SERÁ TUA HERANÇA (Inherit the Wind)

Atualíssimo, embora se passe nos anos 1920: professor é processado por ensinar a Teoria da Evolução das Espécies e não a fantasia do criacionismo. O julgamento na cidadezinha atrai atenção nacional para o duelo visceral entre o promotor fundamentalista e o advogado de  defesa. O “julgamento do macaco” aconteceu mesmo e o filme, além se socialmente contundente, tem grandes atuações e a curiosidade de ver Gene Kelly num papel não musical.
Estados Unidos. Direção: Stanley Kramer. Roteiro: Nedrick Young e Harold Jacob Smith, baseado na peça de Jerome Lawrence e Robert E. Lee. Elenco: Spencer Tracy, Fredric March, Gene Kelly, Dick York.

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11 – SETE HOMENS E UM DESTINO (The Magnificent Seven)

Adaptação (muito mais curta) do épico japonês Os Sete Samurais. Muito justo, já que Akira Kurosawa se inspirou nos faroestes para seu clássico. Às vezes simplifica demais, mas tem muito charme, um elencaço e uma trilha sensacional (de Elmer Bernstein).
Estados Unidos. Direção: John Sturges. Roteiro: William Roberts, com Walter Bernstein (não creditado) e Walter Newman (não creditado), baseado no filme Os Sete Samurais, escrito por Akira Kurosawa, Shinobu Hashimoto e Hideo Oguni. Elenco: Yul Brynner, Eli Wallach, Steve McQueen, Horst Buchholz, Charles Bronson, Robert Vaughn, James Coburn.

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10 – TUDO COMEÇOU NUM SÁBADO (Saturday Night and Sunday Morning)

O free cinema inglês mostrando uma Londres muito longe dos castelos e nobres. Albert Finney já começa fazendo uma manifesto de sua visão revoltada de mundo: tudo o que não for diversão “é propaganda”. Nisso, se apaixona por uma garota certinha, mas engravida a amante casada. A vida é dura num filme que é algo bruto e cheio de vitalidade, como seu protagonista.
Reino Unido. Direção: Karel Reisz. Roteiro: Alan Sillitoe, baseado em seu romance. Elenco: Albert Finney, Shirley Anne Field, Rachel Roberts.

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9 – A FONTE DA DONZELA (Jungfrükällan)

Bergman visita uma lenda medieval escandinava, de uma virgem que é atacada por bandidos. É um filme trágico, mas menos pesado que outros carregados de inquietações psicológicas que Bergman dirigiu. Aqui, há relações com a mitologia nórdica e inspiração declarada do diretor sueco no japonês Kurosawa.
Suécia. Direção: Ingmar Bergman. Roteiro: Ulla Isaksson. Elenco: Max von Sydow, Birgitta Valberg, Gunnel Lindblom.

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8 – A AVENTURA (L’Avventura)

No Mediterrâneo, uma mulher desaparece. Seu amante e sua melhor amiga a procuram e acabam ficando atraídos um pelo outro. A partir de certo momento, o desaparecimento dela deixa de importar? O filme é o primeiro da Trilogia da Incomunicabilidade de Antonioni, seguido por A Noite (1961) e O Eclipse (1962) e foi atacado por moralistas bobocas.
Itália/ França. Direção: Michelangelo Antonioni. Roteiro: Michelangelo Antonioni, Elio Bartolini e Tonino Guerra, de argumento de Antonioni. Elenco: Monica Vitti, Gabriele Ferzetti, Lea Massari.

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7 – SPARTACUS (Spartacus)

Kirk Douglas produziu, Anthony Mann começou a dirigir e acabou parando nas mãos de Stanley Kubrick. Em muita coisa, a cara ainda é de um filme de Mann, mas Kubrick se defendeu bem num épico de modelo clássico. E Kirk ainda bateu na cara do macartismo ao não só empregar Dalton Trumbo no roteiro como colocar os créditos na tela.
Estados Unidos. Direção: Stanley Kubrick. Roteiro: Dalton Trumbo, com contribuições não creditadas de Peter Ustinov e Calder Willingham, baseado no romance de Howard Fast e registros de Plutarco. Elenco: Kirk Douglas, Laurence Olivier, Jean Simmons, Tony Curtis, Charles Laughton, Peter Ustinov, John Gavin, Nina Foch, Herbert Lom, Woody Strode.

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6 – O MENSAGEIRO TRAPALHÃO (The Bellboy)

Em seu primeiro filme como diretor, Jerry Lewis mostrou que não queria apenas sentar no trono de astro da comedia. O prólogo satiricamente pomposo já avisa que trata-se de um filme “sem história”. De fato, não há uma trama central: apenas uma coleção de gags sobre o cotidiano de um mensageiro de um hotel de luxo em Miami. Lewis ainda faz um personagem que não diz uma palavra (bem quase), uma homenagem aos cômicos do cinema mudo. Ele arranca o motor de um Fusca achando que é a bagagem do hóspede. Em outra cena: rege uma orquestra inexistente, um de seus grandes momentos de pantomima.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Jerry Lewis. Elenco: Jerry Lewis, Alex Gerry, Milton Berle.

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5 – ROCCO E SEUS IRMÃOS (Rocco i Suoi Fratelli)

Até onde é bom ser bom? Esta é a questão que acompanha a jornada de Rocco, que vai tendo que escolher entre “o que é certo” e a família, com quem migrou para Milão. O maior dilema: a disputa pela bela prostituta com o irmãos malandro e agressor. Os Parondi vão tentando sobreviver cada um ao seu modo na metrópole sob o olhar duro de Luchino Visconti. Leia a crítica.
Itália/ França. Direção: Luchino Visconti. Roteiro: Suso Cecchi D’Amico, Pasquale Festa Campanile, Massimo Franciosa, Enrico Medioli e Luchino Visconti, a partir de argumento de Visconti, D’Amico e Vasco Pratolini, baseado em romance de Giovanni Testori. Elenco: Alain Delon, Renato Salvatori, Annie Girardot, Katina Paxinou.

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4 – ACOSSADO (À Bout de Souffle)

Godard estreia na direção sacudindo o mundo do cinema. Forçado a reduzir a duração de seu filme, resolveu não cortar uma ou outra sequência inteira, mas retirar trechos de dentro de cada cena. Não importou que o filme ficasse todo saltado — o cinema agradeceu essa liberdade na montagem. Jean-Luc mostrou seu amor ao filme de gangster americano, filmou escondido Jean Seberg oferecendo o Herald Tribune no Champs-Elysées, e consagrou de vez a nouvelle vague.
França. Direção: Jean-Luc Godard. Roteiro: Jean-Luc Godard (não creditado), baseado no roteiro original de François Truffaut e Claude Chabrol (não creditado). Elenco: Jean-Paul Belmondo, Jean Seberg, Daniel Boulanger.

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3 – A DOCE VIDA (La Dolce Vita)

Marcello flana por Roma, entre os ricos e famosos. E, entre muitos episódios, vai encontrando muitos vazios – inclusive o dele próprio. Longo e melancólico, com final enigmático e uma sequência que entrou para a história (Anita Ekberg na Fontana di Trevi), com fotografia de Otello Martelli e música de Nino Rota, é um dos mais emblemáticos filmes de Fellini. O que passa longe de ser pouco.
Itália/ França. Direção: Federico Fellini. Roteiro: Federico Fellini, Ennio Flaiano, Tullio Pinelli, Brunello Rondi, Pier Paolo Pasolini (não creditado). Elenco: Marcello Mastroianni, Anouk Aimée, Anita Ekberg, Yvonne Funeaux, Magali Noël.

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2 – SE MEU APARTAMENTO FALASSE (The Apartment)

Após o esfuziante Quanto Mais Quente Melhor, Billy Wilder levou o filme seguinte mais para o melancólico: o solitário Baxter é tão solitário que empresta seu apartamento para os chefes se esbaldarem com as amantes (enquanto ele espera na rua fria para usar a própria casa). Em troca, aquela forcinha para subir na firma. Quando o dono da empresa faz uso do serviço, Baxter descobre que a amante é Miss Kubelik, a ascensorista de quem ele gosta. Billy reduz o tom e sobe ao sublime, culminando no final, com o famoso “Cale a boca e dê as cartas”. Minha crítica.
Estados Unidos. Direção: Billy Wilder. Roteiro: Billy Wilder e I.A.L. Diamond. Elenco: Jack Lemmon, Shirley MacLaine, Fred MacMurray.

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1 – PSICOSE (Psycho)

Dirigir um filme também é dirigir o espectador. Ninguém foi melhor nisso que Alfred Hitchcock. E ele nunca foi melhor nisso que em Psicose. Arriscado, e com a equipe de seu programa de TV para ter agilidade, Hitch reservou uma semana das quatro de filmagens só para rodar a xena do chuveiro, recomendou que ninguém fosse admitido nos cinemas após o início do filme e que ninguém contasse o final. Faz o público acompanhar uma personagem antes de subverter tudo, usa posições e movimentos de câmera para revelar e esconder o que quer sem que o espectador perceba. Cinema purissimo (e ainda tem a trilha sensacional de Bernard Herrmann).
Estados Unidos. Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Joseph Stefano, baseado no romance de Robert Bloch. Elenco: Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles, John Gavin, Martin Balsam.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

1. ‘SINGIN’ IN THE RAIN’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Música de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

Muita gente que me conhece está agora dizendo: “Mas é óbvio”. Mas juro que não foi tão óbvio assim. “Singin’ in the rain” passou boa parte do tempo fora do primeiro lugar. Mas o peso de sua importância foi decisivo num desempate, assim como o fato de que o número está totalmente integrado à narrativa da história (não é mostrado como uma apresentação num palco). Aqui, Don Lockwood, o personagem de Gene Kelly, diz através da música aquilo que está sentido e dança para sublinhar isso. Quem nunca teve vontade de, numa alegria imensa, sair correndo e pulando? “Singin’ in the rain” é isso. Além disso, é cheio de perícias técnicas que permitiram ao número ser a referência que é hoje. Há o fato de que leite foi misturado à água para que a chuva pudesse ser melhor vista na tela. Que buracos foram cavados no chão, para que água fosse acumulada exatamente onde a coreografia pedia. Que Gene Kelly gravou com febre. Que a música já havia aparecido seis ou quatro vezes antes em filmes da Metro e esta eclipsou todas as outras para sempre. E o resultado é uma obra-prima de técnica e emoção, com Kelly jogando e pegando o guarda-chuva no ar, se equilibrando no meio-fio, flutua para se agarrar a um poste, brincando com biqueiras e vitrines, pulando em poças e sendo silenciosamente repreendido por um policial com cara de poucos amigos. Do primeiro ao último segundo, uma maravilha.

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2. ‘BEGIN THE BEGUINE’, de Melodia da Broadway de 1940 (1940)
Com Eleanor Powell e Fred Astaire. Direção: Norman Taurog. Coreografia: Bobby Connolly. Música de Cole Porter.

Às vezes, tudo o que é preciso é um casal incrível e uma grande música. Eleanor Powell, a melhor entre as mulheres, e Fred Astaire, o melhor entre os homens, só se encontraram em um filme, esse filme. E nem é um filme muito bom, não deve estar nem entre os 50 melhores musicais da MGM. Quase tudo de Melodia da Broadway de 1940 poderia ser descartado, menos (e jamais!) as cenas em que Fred e Eleanor trocam passos, olhares, sorrisos, carisma e talento puro. Já vimos uma dessas cenas (a cena da jukebox) nessa lista, mas essa daqui é inigualável. Eles não cantam. Não há cenário, além de um palco basicamente vazio e escuro, com umas luzinhas e um espelho ao fundo, e com um chão que os reflete. Nem é uma dança romântica como as de Fred e Ginger. Eles até fazem isso em outro momento, mas aqui Fred e Eleanor são mais é espelhos um do outro, se convidam, se desafiam. Fazem tudo o que fazem em dois únicos e impressionantes planos-sequência. Por 46 segundos, nem de música precisam: ela é cortesia unicamente do ritmo e da velocidade dos pés da dupla. Que gigantes! E olhe que Eleanor nem gostava de sapateado no início da carreira, teve que aprender a contragosto. Esse número é para se revisto várias vezes: olhando o conjunto, depois só os pés, depois só as mãos, depois só os rostos… E até prestando atenção no reflexo ao fundo, que mostra de costas os dois dançando. Quando esse número é apresentado no documentário Era uma Vez em Hollywood (1974), Frank Sinatra o introduz dizendo: “Vocês nunca vão ver algo assim de novo”. E ele estava absolutamente certo.

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3. ‘THE BARN RAISING DANCE (BLESS YOUR BEAUTIFUL HIDE)’, de Sete Noivas para Sete Irmãos (1954)
Com Russ Tamblyn, Tommy Rall, Marc Platt, Matt Mattox, Jacques d’Amboise, Jeff Richards, Virginia Gibson, Julie Newmar, Nancy Kilgas, Betty Carr, Ruta Lee, Norma Doggett, Jane Powell e elenco. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Michael Kidd. Música de Gene de Paul e Johnny Mercer.

O cinema já mostrou todo tipo de duelo: com revólveres, com espadas, no ringue, na cama. E na dança? Nesta cena mais famosa de Sete Noivas para Sete Irmãos, os seis rapazes Pontipee estão na quermesse para a construção de um celeiro e querendo dar uma paquerada nas moças (o sétimo, mais velho, casou não faz muito). Eles se arrumam logo, mas têm rivais almofadinhas da cidade. Na hora da dança, os adversários de cinza levam as moças para o tablado, mas os irmãos, de camisetas coloridas e treinados por Millie (a esposa do irmão mais velho), também sobem. E aos poucos se desenha o duelo, em que os rapazes disputam passo a passo a atenção e a companhia das garotas. A dança mais marcada evolui para passos mais exuberantes e, dai, para momentos acrobáticos antológicos (saltos de telhados, deslizamentos por baixo de bancos, saltos mortais sobre tábuas). Stanley Donen, diretor, e Michael Kidd, coreógrafo, sem muita grana e obrigados a ter no elenco um irmão que nem dançar sabia, criaram um momento imortal em que tudo ruma para o final maravilhoso. Onde, apesar de toda a luta entre os rapazes, quem decide mesmo são as moças.

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4. ‘DO RE MI’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews, Charmian Carr, Heather Menzies, Nicholas Hammond, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner, Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Música de Oscar Hammerstein II e Richard Rodgers.

“Do re mi” mudou de lugar na história, na transposição da peça de teatro para o cinema. Nos palcos, esse número já aparece na cena em que a fraulein Maria conhece os sete filho do capitão Von Trapp. O roteirista Ernest Lehman a colocou mais à frente, fez a relação entre a babá e as crianças ter algumas turbulências até que, após finalmente conquistá-las e longe das vistas do pai severo, ela descobre que os pequenos não conhecem nenhuma música. Isso acontece em um piquenique nas montanhas, um local significativo: foi ali que, na abertura do filme, Maria cantou todo seu amor pela música. Julie Andrews começa no “dó re mi” e, no fim, com algumas passagens de tempo, as crianças já estão estrelas da Broadway. Muitos momentos da edição são fabulosos, nos quadros simétricos de Wise que aproveitam ao máximo a paisagem de Salzburgo. As bicicletas, a carruagem, a borda do monumento, a corrida, o portal com as estátuas, o final em que cada degrau corresponde a uma das notas musicais).

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5. ‘PICK YOURSELF UP’, de Ritmo Louco (1936)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: George Stevens. Direção de dança: Hermes Pan. Música de Dorothy Fields e Jerome Kern.

Os personagens de Fred usaram desse truque muitas vezes. Fingia que tinha dois pés esquerdos, fazia a garota ensinar uns passos de dança para se aproximar dela e, no meio da aula – zás! – ele mostrava tudo o que sabia. Aqui, ele se revela para ajudar a moça, professora prestes a ser despedida da escola de dança. “Como era mesmo aquele passo que estava me ensinando? Ah, sim”, ele pergunta, na frente do dono do lugar. E o show começa. É a quintessência de Fred e Ginger: leves, charmosos, com uma química fundamental entre eles, como uma extensão natural um do outro, tirando onda ao caminhar de braços dados no meio da música, fazendo tudo parecer extremamente fácil e natural. E aquela saída fantástica dos pulinhos sobre as cerquinhas. Antes, quando ele levou uns bons tombos com ela, Ginger havia cantado o conselho: “Pick yourself up, dust yourself off”, que poseríamos traduzir com o nosso “levanta, sacode a poeira”.

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6. ‘MOSES SUPPOSES’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly e Donald O’Connor. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Música de Betty Comden, Adolph Green e Roger Edens.

Eu me lembro como se fosse hoje o impacto de assistir a “Moses supposes”, na primeira vez que vi Cantando na Chuva, na TV, no réveillon de 1988. A energia, temperada com muita irreverência, era irresistível. Dava vontade de levantar e dançar junto pela sala. A música era, então, uma novidade. A trilha do filme era quase toda feita de antigas canções de Arthur Freed e Nacio Herb Brown, mais duas criadas especialmente para o filme: “Make’em laugh” e “Moses supposes”. No contexto de atores do cinema mudo sendo treinados em dicção para atuar no cinema falado, os personagens de Donald O’Connor e Gene Kelly subvertem uma aula a partir dos trava-línguas propostos pelo sisudo professor. Eles sapateiam sobre uma mesa, brincam com cadeiras e cortinas, jogam o professor para lá e para cá. Uma farra, mas com uma das maiores exibições de sapateado do cinema. E a câmera é exemplar, dançando com O’Connor e Kelly, os seguindo sem descanso, para um lado, para o outro, para cima e para baixo.

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7. ‘AMERICA’, de Amor, Sublime Amor (1961)
Com Rita Moreno, George Chakiris, Suzie Kaye, Yvonne Wilder e elenco. Direção: Robert Wise e Jerome Robbins. Coreografia: Jerome Robbins. Música de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim.

Os garotos porto-riquenhos, reunidos num telhado, debatem suas visões conflitantes sobre a vida de imigrante nos Estados Unidos. Oportunidades versus racismo. Consumo versus violência. Distância da pobreza de seu local de origem versus a pobreza no país adotivo. “America” tem uma melodia incrível e conhecidíssima e uma letra antológica que o filme melhorou: na Broadway, ela tirava sarro dos portorriquenhos; no filme, o foco é a discriminação sofrida pelos imigrantes. Este foi um dos quatro números concluídos por Robbins, antes de ser retirado do filme. Encenador do espetáculo no teatro, ele foi demitido do filme por refilmar muito as cenas, mas seu talento pode ser muito apreciado aqui, com uma dança espetacular. Liderando a cena, a maravilhosa Rita Moreno e George Chakiris, que ganharam os Oscars de coadjuvante aquele ano.

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8. ‘THE TROLLEY SONG’, de Agora Seremos Felizes (1944)
Com Judy Garland. Direção: Vincente Minnelli. Direção de dança: Charles Walters. Coreografia: Paul Jones. Música de Hugh Martin e Ralph Blane.

Não chega a ser uma regra escrita na pedra, mas o musical clássico muitas vezes apresenta o número desta maneira: quem canta (e eventualmente dança) é quem está conectado na mesma emoção. Quem não está, fica alheio. Isso é exemplar em “The trolley song”. A garotada vai passear de bonde até onde estão sendo construídos os pavilhões para a Feira Mundial de St. Louis. A personagem de Judy Garland está esperando que o vizinho de quem ela está a fim apareça. Mas chega a hora, e nada do rapaz. Todo mundo canta feliz, mas ela passa pela turma calada e cabisbaixa. É só quando o sujeito aparece correndo atrás do bonde que Judy começa a cantar e domina a cena. E aí Vincente Minelli começa a compor quadros diferentes dentro do mesmo plano sequência, com os coadjuvantes levantando ou sentando ou trocando de lado para formarem uma moldura colorida para Judy, magnífica. A canção virou (como “Over the rainbow”) assinatura da atriz/ cantora. E até João Gilberto gravou.

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9. ‘DANCING IN THE DARK’, de A Roda da Fortuna (1953)
Com Fred Astaire e Cyd Charisse. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Michael Kidd. Música de Arthur Schwartz e Howard Dietz.

Na história de A Roda da Fortuna, os personagens de Fred Astaire e Cyd Charisse se estranham de cara. Ele, um sapateador; ela, uma bailarina clássica; ambos colocados lado a lado para estrelarem um pretensioso musical da Broadway. Este é o momento no qual eles finalmente entram em sintonia. Sem uma única palavra (falada ou cantada), em um Central Park de estúdio. Não pelo diálogo, não pela canção: a comunicação e o entendimento vem exclusivamente através da dança, em um dos mais belos duetos de movimento da história do cinema.

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10. ‘MAKE’EM LAUGH’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Donald O’Connor. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Música de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

Donald O’Connor interpreta Cosmo Brown, o amigo comediante do galã Don Lockwood (Gene Kelly). Para animar o parceiro, ele diz que o show deve continuar – e o show dele, no caso, é fazer rir. O’Connor ganhou este solo no filme e não desperdiçou: dá tudo de si em um número inesquecível. Faz caretas, leva tombos, dança com um boneco (e apanha dele), dá saltos mortais (dois seguidos, subindo correndo pelas paredes). Fumante inveterado, o ator-dançarino ficou uma semana no hospital para se recuperar. Só que a filmagem foi comprometida e ele, de volta, precisou fazer os saltos de novo… E a música é um caso à parte. Foi pedido a Arthur Freed e Nacio Herb Brown esta nova canção com a comédia como tema. Quando foi entregue, a melodia da dita cuja era igualzinha a ‘Be a clown’, de Cole Porter… Cole nunca reclamou, ainda bem.

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20 – O HOMEM ELEFANTE (The Elephant Man)

Em preto-e-branco, David Lynch impõe um clima de horror gótico à história real do homem deformado que tenta mostrar, na Inglaterra vitoriana, que nada mais é que um ser humano.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: David Lynch. Roteiro: Christopher De Vore, Eric Bergren e David Lynch, baseado em livros de Frederick Treves e Ashley Montagu. Elenco: John Hurt, Anthony Hopkins, Anne Bancroft, John Gielgud, Freddie Jones, Wendy Hiller.

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19 – GAIJIN – OS CAMINHOS DA LIBERDADE

Tizuka Yamasaki conta a saga de um grupo de famílias japonesas que vêm tentar a vida trabalhando em uma fazenda brasileira. A dureza da imigração, geralmente contada em lentes cor-de-rosa em outras produções.
Brasil. Direção: Tizuka Yamasaki. Roteiro: Jorge Durán e Tizuka Yamasaki. Elenco: Kyoko Tsukamoto, Antônio Fagundes, Jiro Kawarazaki, Gianfrancesco Guarnieri, Álvaro Freire, Clarisse Abujamra, José Dumont, Louise Cardoso, Carlos Augusto Strasser.

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18 – EM ALGUM LUGAR DO PASSADO (Somewhere in Time)

Um filme romântico que marcou uma geração, com o Superman Reeve voltando de novo no tempo por amor. Desta vez, em sua melhor tentativa de ter uma carreira além do super-herói, ele é um personagem que vence as barreiras cronológicas para encontrar a mulher que vê numa pintura (a lindíssima Jane Seymour).
Estados Unidos. Direção: Jeannot Szwarc. Roteiro: Richard Matheson, baseado em seu romance. Elenco: Christopher Reeve, Jane Seymour, Christopher Plummer, Teresa Wright.

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17 – GENTE COMO A GENTE (Ordinary People)

Robert Redford não se escalou como ator na sua estreia na direção. Preferiu ficar só atrás das câmeras para contar a história de uma família que tenta se recuperar a morte de um filho. Amor, desamor, incomunicabilidade, depressão e um desempenho bem sensível de Timothy Hutton. Ganhou o Oscar de filme, direção e Hutton, de maneira absurda, o de ator coadjuvante quando é o protagonista do filme.
Estados Unidos. Direção: Robert Redford. Roteiro: Alvin Sargent e Nancy Dowd (não creditada), baseado em romance de Judith Guest. Elenco: Timothy Hutton, Mary Tyler Moore, Donald Sutherland, Judd Hirsch, Elizabeth McGovern, M. Emmet Walsh, Dinah Manoff.

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16 – MEMÓRIAS (Stardust Memories)

Depois de evocar Bergman em Interiores (1978), Woody Allen voltou-se para Fellini em Memórias: um diretor de cinema em crise às voltas com questões de seu passado. Mas com seus toques típicos de humor, como no encontro com alienígenas que aparecem e não só não trazem nenhuma resposta para os dilemas da humanidade como ainda dizem que gostam dos filmes dele “mas dos antigos, mais engraçados”.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Woody Allen. Elenco: Woody Allen, Charlotte Rampling, Jessica Harper, Marie-Christine Barrault, Tony Roberts, Daniel Stern.

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15 – GLORIA (Gloria)

Gloria é, aparentemente, um trabalho mais comercial do grande nome pioneiro do cinema independente: John Cassavettes. Um filme policial nas ruas de Nova York, protagonizado por uma mulher dura na queda que protege relutantemente um garoto que tem provas contra mafiosos e teve a família assassinada. O diretor foca principalmente no relacionamento entre essas duas figuras muito diferentes. Não me surpreenderia que tivesse inspirado Central do Brasil (1998).
Estados Unidos. Direção e roteiro: John Cassavettes. Elenco: Gena Rowlands, John Adames, John Finnegan.

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14 – AGONIA E GLÓRIA (The Big Red One)

O histórico diretor Samuel Fuller não aparecia assinando um filme no cinema desde 1969. Mas o retorno foi triunfal: Fuller levou suas memórias da II Guerra ao cinema. E com sua filosofia particular a respeito: um grupo de soldados com missões a cumprir e que não têm tempo nem espaço para dramalhões e questões sobre o horror das guerras. Para isso, ninguém melhor que Lee Marvin para o papel principal.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Samuel Fuller. Elenco: Lee Marvin, Mark Hamill, Robert Carradine, Bobby Di Cicco, Kelly Ward, Stéphane Audran.

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13 – O ÚLTIMO METRÔ (Le Dernier Metro)

Mais II Guerra, desta vez no cotidiano de uma companhia teatral em Paris, cujo chefe, judeu, está foragido dos nazistas. Na verdade, está escondido no porão do teatro e comanda a companhia em segredo através de sua esposa atriz. Requintada produção de Truffaut, com Deneuve divina e muito carinho pela arte dos palcos.
França. Direção: François Truffaut. Roteiro: François Truffaut e Suzanne Schiffman, com diálogos também de Jean-Claude Grumberg. Elenco: Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Jean Poiret, Jean-Louis Richard.

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12 – COMO ELIMINAR SEU CHEFE (9 to 5)

Lily Tomlin, Dolly Parton e Jane Fonda formam o grande trio que se une para a vingança contra o chefe que abusa de diferentes maneiras delas e das demais funcionárias. Por baixo da eficiente comédia, está a representação das agruras enfrentadas pela mulher no mercado de trabalho.
Estados Unidos. Direção: Colin Higgins. Roteiro: Colin Higgins e Patricia Resnick, baseado em argumento de Resnick. Elenco: Jane Fonda, Dolly Parton, Lily Tomlin, Dabney Coleman, Sterling Hayden, Marian Mercer.

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11 – KAGEMUSHA – A SOMBRA DO SAMURAI (Kagemusha)

O grande mestre Akira Kurosawa teve Coppola e George Lucas como produtores executivos para este épico suntuoso sobre um ladrão que é sósia do chefe de um clã e acaba sendo levado a assumir o posto com a morte do titular. E vai se confundindo com o papel, enquanto os eventos levam a uma gigantesca batalha, um evento real ocorrido em 1575.
Japão/ Estados Unidos. Direção: Akira Kurosawa. Roteiro: Masato Ide e Akira Kurosawa. Elenco: Tatsuya Nakadai, Tsutomo Yamasaki, Ken’ichi Hagiwara.

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10 – SUPERMAN II – A AVENTURA CONTINUA (Superman II)

Começou a ser filmado junto com Superman – O Filme (1978), teve mudança de diretor, mudança de roteiro, de tom, ator que protestou e se recusou a voltar… Mais transtornos que os causados pelos três kryptonianos que chegam à Terra para atazanar a vida do Super-Homem e fazê-lo “se ajoelhar perante Zod”. Mas ninguém pensou nisso na época, na plateia: apenas curtiu um filme vibrante, mais para o escapismo que para o tom épico do primeiro filme. Em 2006, foi lançada uma versão que aproveitava as cenas cortadas e reduzia um pouco do humor excessivo: ficou ainda melhor.
Estados Unidos/ Reino Unido/ Canadá. Direção: Richard Lester (não creditado na edição de 2006), Richard Donner (não creditado na edição de 1980). Roteiro: Mario Puzo, David Newman e Leslie Newman, com Tom Mankiewicz (não creditado), argumento de Puzo baseado em personagens de Jerry Siegel e Joe Shuster. Elenco: Christopher Reeve, Gene Hackman, Margot Kidder, Terence Stamp, Sarah Douglas, Susannah York (na edição de 1980), Jackie Cooper, Jack O’Halloran, Valerie Perrine, Ned Beatty, E.G. Marshall, Clifton James, Marc McClure, Marlon Brando (na edição de 2006).

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9 – FAMA (Fame)

As aspirações artísticas de alunos de uma escola de artes dramáticas de Nova York. A narrativa acompanha o período na escola da matrícula à formatura, como um painel ou uma crônica, sem um protagonista. Vários jovens carismáticos, ótimos momentos musicais (mesmo que não haja números musicais tradicionais). Entre os temas: dilemas artísticos, os problemas familiares, a relação com os professores, decisões equivocadas, medos, questões sociais. Rendeu uma série de TV que durou de 1982 a 1987 e teve alguns atores do filme repetindo seus papéis.
Estados Unidos. Direção: Alan Parker. Roteiro: Christopher Gore. Elenco: Irene Cara, Barry Miller, Gene Anthony Ray, Lee Currieri, Paul McCrane, Maureen Teefy, Antonia Franceschi, Laura Dean, Gene Anthony Ray.

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8 – PIXOTE A LEI DO MAIS FRACO

Hector Babenco aparece no começo do filme fazendo uma introdução sociológica sobre as comunidades pobres das periferias brasileiras. De quebra, apresenta seu ator protagonista, o pequeno Fernando Ramos da Silva, oriundo daquela comunidade. Como Pixote, ele se agiganta numa odisseia marginal comovente com diversos degraus, como uma passagem por um reformatório e a relação com uma prostituta (Marília Pêra, em grande desempenho). Visto hoje, é impossível adicionar ao filme a camada do trágico fim do ator, que participou de alguns assaltos, e acabou morto aos 19 anos por policiais (demitidos depois por fraude processual, nesse caso em particular).
Brasil. Direção: Hector Babenco. Roteiro: Hector Babenco e Jorge Durán, baseado em livro de José Louzeiro. Elenco: Fernando Ramos da Silva, Gilberto Moura, Jorge Julião, Edilson Lino, Marília Pêra, Jardel Filho, Rubens de Falco, Elke Maravilha, Toni Tornado, Beatriz Segall, Ariclê Perez.

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7 – VESTIDA PARA MATAR (Dressed to Kill)

Um dos grandes exemplares de Brian de Palma em seu modelo homenagem-a-Hitchcock. Uma garota de programa testemunha um crime e começa a ser perseguida pela assassina misteriosa. A vítima é Angie Dickinson, cliente do psicanalista vivido por Michael Caine. Nancy Allen, linda demais, é a prostituta, em seu melhor momento no cinema. Os ecos de Psicose (1960) são muito fortes – tem até cena do chuveiro.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Brian De Palma. Elenco: Michael Caine, Nancy Allen, Keith Gordon, Angie Dickinson, Dennis Franz.

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6 – OS IRMÃOS CARA DE PAU (The Blues Brothers)

Personagens de um quadro do Saturday Night Live, a banda The Blues Brothers lançou um disco em 1978 e protagonizou seu próprio filme dois anos depois. Com John Landis no leme, o filme reuniu um dream team do blues em participações (Aretha Franklin, Ray Charles, James Brown, Cab Calloway, John Lee Hooker), numa história louquíssima em que a banda é reunida para a missão divina de salvar um orfanato, fugindo da polícia, valentões caipiras e neonazistas. Kathleen Freeman (histórica coadjuvante dos filmes de Jerry Lewis), a supermodelo Twiggy e até Steven Spielberg também fazem pontas.
Estados Unidos. Direção: John Landis. Roteiro: John Belushi e Dan Aykroyd. Elenco: John Belushi, Dan Aykroyd, Cab Calloway, John Candy, James Brown, Carrie Fisher, Henry Gibson, Ray Charles, Aretha Franklin, Kathleen Freeman, John Lee Hooker, Pee-Wee Herman, Twiggy, Frank Oz, Steven Spielberg, Chaka Khan, Murphy Dunne, Tom Malone, Matt Murphy, Steve Cropper, Donald Dunn, Willie Hall, Lou Marini, Alan Rubin, Charles Napier, John Landis.

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5 – BYE BYE BRASIL

Uma odisseia bufa pelo interiorzão do Brasil, seguindo uma trupe de artistas pé-de-chinelo: a Caravana Rolidei e seus tipos pitorescos, liderados pelos personagens de José Wilker e Betty Faria. Um road movie mambembe, tão mambembe quanto o próprio país que ele desbrava.
Brasil. Direção: Carlos Diegues. Roteiro: Carlos Diegues e Leopoldo Serran. Elenco: José Wilker, Betty Faria, Fábio Jr., Zaira Zambelli, Príncipe Nabor, Carlos Kroebber, Joffre Soares.

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4 – O ILUMINADO (The Shining)

Stephen King, autor do livro original, já reclamou da versão de Stanley Kubrick para o cinema. Problema dele. O filme é envolvente, tem um clima de desconforto realçado também pelo uso da steady-cam pelos corredores do hotel vazio (e, no fim, pelo labirinto). E cenas que extraem as vísceras de seus atores, principalmente Jack Nicholson e Shelley Duvall.
Reino Unido. Direção: Stanley Kubrick. Roteiro: Stanley Kubrick e Diane Johnson, baseado em romance de Stephen King. Elenco: Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd, Scatman Crothers, Barry Nelson.

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3 – APERTEM OS CINTOS! O PILOTO SUMIU… (Airplane!)

“Precisamos pousar o avião. Esta mulher precisa ser levada a um hospital”. “Hospital?! Mas o que é??”. “É um prédio grande e branco com pacientes, mas isso não é importante agora”. Apertem os Cintos! é uma joia brilhante e aloprada, que pega um filme-catástrofe metido a sério de 1957 (Entre a Vida e a Morte) e o refilma como a mais louca das comédias até então. Os atores interpretam todos com a maior seriedade os diálogos mais absurdos e os trocadilhos mais infames. É uma esculhambação genial.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker, baseado em roteiro anterior de Hall Bartlett, John C. Champion e Arthur Hailey. Elenco: Robert Hays, Julie Hagerty, Leslie Nielsen, Lloyd Bridges, Peter Graves, Robert Stack, Kareem Abdul-Jabbar, Lorna Patterson.

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2 – O IMPÉRIO CONTRA-ATACA ou STAR WARS – EPISÓDIO V: O IMPÉRIO CONTRA-ATACA (The Empire Strikes Back ou Star Wars Episode V: the Empire Strikes Back)

Qual terá sido a reação das primeiras plateias do segundo Guerra nas Estrelas à cena capital do filme, “Não, Luke. Eu sou seu pai”? O capítulo do meio da primeira trilogia é, praticamente um consenso, o melhor da série. Passa a maior parte do tempo dividido em duas subtramas: Han Solo, Leia e os andróides fugindo do Império; e Luke Skywalker encontrando o mestre Yoda para virar de vez um jedi. Muito bem equilibrado entre movimento e emoção.
Estados Unidos. Direção: Irvin Kershner. Roteiro: Leigh Brackett e Lawrence Kasdan, com argumento de George Lucas. Elenco: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Alec Guinness, Billy Dee Williams, Anthony Daniels, David Prowse, Kenny Baker, Peter Mayhew, Jeremy Bulloch, Julian Glover, Treat Williams. Vozes: James Earl Jones, Frank Oz, Clyde Revill.

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1 – TOURO INDOMÁVEL (Raging Bull)

Diz que Scorsese foi assistir a uma luta de boxe e ficou apavorado: “Não tenho a menor ideia de como filmar esse negócio!”. Era a preparação para Touro Indomável, projeto para onde foi praticamente empurrado pelo velho amigo Robert De Niro. De alguma forma, ele encontrou seu jeito. Em preto-e-branco, com a câmera dentro do ringue, sangue e suor, a explosão de violência como válvula de escape de um homem patético e confuso que só consegue se expressar através justamente da violência.
Estados Unidos. Direção: Martin Scorsese. Roteiro: Paul Schrader e Mardik Martin, com Joseph Carter e Peter Savage, baseado na autobiografia de Jake LaMotta. Elenco: Robert De Niro, Cathy Moriarty, Joe Pesci, Frank Vincent, Nicholas Colasanto, John Turturro, Martin Scorsese.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

Ritmo Louco

Fred Astaire e Ginger Rogers em “Ritmo Louco”

20. ‘OVER THE RAINBOW’, de O Mágico de Oz (1939)
Com Judy Garland. Direção: Victor Fleming. Canção de E.Y. Harburg e Harold Arlen.

Uma das canções definitivas do cinema americano, com Judy no papel para o qual a Metro queria Shirley Temple. Ainda no Kansas tão sem graça que é fotografado em sépia, a menina Dorothy sonha com algum lugar mais colorido (que ela conhecerá após o furacão que a levará “além do arco-íris”). Não precisa muito para criar um momento eterno: é Judy cantando, com seu ar de quem precisa de proteção, e apenas com Totó de plateia.

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19. ‘FRIEND LIKE ME’, de Aladdin (1992)
Com Robin Williams. Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Escalar Robin Williams como o Gênio de Aladdin foi um jogada de mestre. O comediante improvisou a valer, em imitações, vozes e diálogos. E deu um show na interpretação desta música introdutória de seu personagem. O que inspirou os animadores a também darem um show para acompanhar sua interpretação. É tão fantástico que a versão live action de 2019, com todo o CGI à disposição, simplesmente não consegue acompanhar.

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18. ‘BROADWAY RHYTHM BALLET’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly, Cyd Charisse e elenco. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

“Gotta dance!”. Ao modo do que Sinfonia de Paris fez um ano antes, Cantando na Chuva também reservou um grande balé para perto do seu final. É quase um curta-metragem dançado dentro do filme. No caso, é a imaginação de um número para o filme-dentro-do-filme: um dançarino que tenta começar na Broadway e sua escalada ao sucesso, tendo, no caminho, o encontro com uma sedutora mulher que é namorada de um gangster. Para o número, foi escalada a monumental Cyd Charisse, bailarina que fazia pequenos papeís na MGM. Com pernas intermináveis, este número a catapultou para o primeiro time dos musicais do estúdio. E já estava demorando.

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17. ‘CHEEK TO CHEEK’, de O Picolino (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Fred Astaire. Canção de Irving Berlin.

Este talvez seja o momento mais icônico da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers. Apareceu em momentos capitais, por exemplo, de A Rosa Púrpura do Cairo (1985) e À Espera de um um Milagre (1999). Muito se fala sobre essa cena, inclusive que Fred odiava esse vestido de Ginger, que ela insistiu em usar, porque as penas o faziam espirrar e se soltavam durante a dança. Ginger acabou ganhando o apelido sacana de “Feathers”, mas a a magia da dança no cinema é isso aí: fazer o difícil parecer sublime. “Anjos… Eles são como anjos no céu”, diz sobre eles o personagem de À Espera de um Milagre.

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16. ‘LET’S CALL THE WHOLE THING OFF’, de Vamos Dançar? (1937)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Harry Losee. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

George Gershwin notou que Fred Astaire e Ginger Rogers tinham sotaques diferentes. E escreveu com irmão letrista Ira uma canção especialmente para brincar com isso. “You say ‘eether’, and I say ‘eyether'”, “You say ‘tomayto’, and I say ‘tomahto'” e por aí vai. Já é uma obra-prima, mas ainda tem a parte da dança, esse impressionante dueto… sobre patins! Número que, fora os ensaios, levou mais 150 takes. No fim, na cena em que os dois se estabanam na grama falsa, Fred e Ginger já estavam mesmo com tudo doendo de tanto repetirem a cena.

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15. ‘AN AMERICAN IN PARIS BALLET’, de Sinfonia de Paris (1951)
Com Gene Kelly, Leslie Caron é elenco. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Gene Kelly. Música de George Gershwin.

Sapatinhos Vermelhos pegou fundo em Gene Kelly. Ele usou o recurso de um grande como clímax já no ano seguinte, em Um Dia em Nova York. Usaria também, ainda mais elaborado, em Cantando na Chuva. E, entre eles, aqui: um ponto de inflexão em sua carreira como astro e como coreógrafo. Seu personagem é pintor e, neste delírio quando perde a mulher amada, ele entra literalmente dentro de obras de pintores franceses famosos.

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14. ‘SUPERCALIFRAGILISTICEXPIALIDOCIOUS’, de Mary Poppins (1964)
Com Julie Andrews e Dick van Dyke. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

A palavra para se dizer quando não se sabe o que dizer. Dentro de um mundo de desenho animado, Mary Poppins e Bert cantam e dançam com os desenhos, no estilo dos números musicais no teatro de 1910. É uma canção antológica, que ficou em 36º lugar na eleição das 100 canções do cinema americano pelo American Film Institute. É um trava-língua indo e voltando: Julie Andrews diz a palavra de trás pra frente em um momento (e já mostrou que ainda consegue fazê-lo).

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13. ‘DIAMONDS ARE A GIRL’S BEST FRIEND’, de Os Homens Preferem as Louras (1953)
Com Marilyn Monroe. Direção: Howard Hawks. Coreografia: Jack Cole. Canção de Jule Styne e Leo Robin.

1953 foi o ano em que Marilyn explodiu para o mundo. E este permanece até hoje seu número-assinatura: no filme, ela se apresenta para uma plateia, mas também manda um recado irônico para o ex-noivo. É icônico, uma referência visual e auditiva para sempre. Não por acaso, foi citado no clipe de “Material girl”, da Madonna, e nos filmes Moulin RougeAves de Rapina.

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12. ‘YOU’RE ALL THE WORLD TO ME’, de Núpcias Reais (1951)
Com Fred Astaire. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Nick Castle. Canção de Burton Lane e Alan Jay Lerner.

Dançando, Fred Astaire era capaz de tudo: até de subir pelas paredes. Nem a gravidade era páreo para ele. Num efeito especial genial ainda hoje, Fred dança nas paredes e no teto de um quarto. Por muito tempo cinéfilos se perguntaram como foi feito. O segredo é que o quarto inteiro girava e a câmera girava junto. Astaire usava a perícia para acompanhar a rotação. Esse exemplo antológico do artesanato do cinema foi usado recentemente com a mesma técnica em A Origem, por exemplo. Mas lembre-se que aqui estamos falando de 1951.

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11. ‘NEVER GONNA DANCE’, de Ritmo Louco (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: George Stevens. Direção de dança: Hermes Pan. Canção de Dorothy Fields e Jerome Kern.

Fred quer Ginger, Ginger quer ir embora. Ele tenta reconquistá-la, primeiro, cantando. Então, eles estão juntos na pista de dança vazia. O que se segue é uma preciosidade. Do andar desalentado, evolui-se para a dança. Na dança, surgem passos que já foram trocados em momentos mais felizes no filme. É a dança contando a história, sem palavras. Uma dança espetacular em um plano sequência de 2 minutos e 30 segundos, que inclui uma subida de escada e a dança seguindo depois disso. Só há um corte, para um segundo plano, com os muitos giros de Ginger Rogers (que levou 47 takes em um dia e fez os pés de Ginger sangrarem).

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Bons Companheiros - 04

1 — OS BONS COMPANHEIROS (Goodfellas)

Uma vez Scorsese disse que em seus filmes de máfia, Coppola abordava a elite, enquanto ele, Scorsese, focava na “classe baixa”. Em Os Bons Companheiros, ele conta a ascensão de um sujeito que vê a máfia como meio de ascensão social. “Desde que me entendo por gente, sempre quis ser um gangsters”, é a frase que abre o filme. O desfecho é com Joe Pesci e uma citação visual de O Grande Roubo do Trem, curta mudo, pioneiro do faroeste, de 1903. Pesci ganhou o Oscar de coadjuvante como sua interpretação antológica (“Você acha que eu sou engraçado?”). E tem aquele plano sequência clássico nos bastidores do nightclub.
Estados UnidosDireção: Martin Scorsese. Roteiro: Nicholas Pileggi e Martin Scorsese, baseado em livro de Nicholas Pileggi. Elenco: Robert De Niro, Ray Liotta, Joe Pesci, Lorraine Bracco, Paul Sorvino, Frank Sivero.

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Viagem do Capitao Tornado - 07

2 — A VIAGEM DO CAPITÃO TORNADO (Il Viaggio di Capitan Fracassa ou Le Voyage de Capitaine Fracasse)

A obra de Ettore Scola é uma saborosa viagem pelo mundo do espetáculo mambembe no século XVIII. Visualmente é belíssimo, é divertido e ainda tem duas das mulheres mais lindas daquele período no cinema: Emmanuelle Béart e Ornella Muti.
Itália/ França. Direção: Ettore Scola. Roteiro: Ettore Scola e Furio Scarpelli, baseado em argumento de Vincenzo Cerami, Fulvio Ottaviano e Silvia Scola, do livro de Théophile Gautier. Elenco: Vincent Pérez, Massimo Troisi, Ornella Muti, Emmanuelle Béart, Lauretta Masiero.

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Filhos da Guerra - 04

3 — FILHOS DA GUERRA (Europa, Europa)

A cineasta polonesa conta a história de um jovem judeu que precisa fingir que é nazista. Um sensível retrato sobre a II Guerra e ainda tinha Julie Delpy nos primeiros anos da carreira.
Alemanha/ França/ Polônia. Direção e roteiro: Agnieszka Holland, baseado em livro de Solomon Perel. Elenco: Marco Hofschneider, Julie Delpy, Andre Wilms, Aschley Wanninger.

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Louca Obsessao

4 — LOUCA OBSESSÃO (Misery)

Talvez o melhor filme adaptado de uma obra de Stephen King, não tem nada de sobrenatural. É um baita suspense em que um escritor de uma série best seller se acidenta e é cuidado por uma fã que o encontra. Mas ela o manuscrito do novo livro, em que ele mata a protagonista, e o salvamento se transforma em cárcere e tortura. Kathy Bates, sensacional, ganhou o Oscar de melhor atriz.
Estados Unidos. Direção: Rob Reiner. Roteiro: William Goldman, baseado em romance de Stephen King. Elenco: James Caan, Kathy Bates, Richard Farnsworth, Frances Sternhagen, Lauren Bacall.

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Edward Maos de Tesoura - 06

5 — EDWARD, MÃOS DE TESOURA (Edward Scissorhands)

Vindo da anarquia de Os Fantasmas Se Divertem e da aventura gótica de Batman, Tim Burton fez aqui um de seus filmes mais queridos, quase um conto-de-fadas dark e seu filme mais romântico. Johnny Depp é uma espécie de criatura de Frankenstein que fica sem rumo quando o cientista que o trouxe à vida morre. Vai parar num subúrbio, onde lida com o american-way-of-life classe média.
Estados Unidos. Direção: Tim Burton. Roteiro: Caroline Thompson, do argumento de Tim Burton e Caroline Thompson. Elenco: Johnny Depp, Winona Ryder, Dianne Wiest, Anthony Michael Hall, Alan Arkin, Kathy Baker, Vincent Price.

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amor e Sedução

6 — AMOR E SEDUÇÃO (Ju Dou)

Gong Li é a tentação inevitável do empregado e sobrinho do dono de uma casa de tingir tecidos. O patrão é brutal, violento e impotente. E o amor proibido floresce entre longos panos coloridos estendidos pelo lugar. Mas a tragédia dá as caras de maneiras inesperadas, neste trabalho admirável.
China/ Japão. Direção: Zhang Yimou. Co-direção: Fengliang Yang. Roteiro: Heng Liu. Elenco: Gong Li, Baotian Li, Wei Li.

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Coracao Selvagem - 13

7 — CORAÇÃO SELVAGEM (Wild at Heart)

David Lynch põe pouco o amor no centro dos seus filmes. Mas é a relação efervescente entre Sailor (Nicolas Cage) e Lula (Laura Dern) que conduz Coração Selvagem. Temperado por evocações anos 1950 (Elvis e James Dean, entre outras coisas) e referências a O Mágico de Oz, tudo embalado na narrativa tão estranha quanto fascinante que é a marca de Lynch.
Estados Unidos. Direção e roteiro: David Lynch, baseado no romance de Barry Gifford. Elenco: Nicolas Cage, Laura Dern, Diane Ladd, Willem Dafoe, Harry Dean Stanton, Isabella Rossellini, Crispin Glover, J.E. Freeman.

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Poderoso Chefao - Parte 3 - 12

8 — O PODEROSO CHEFÃO — 3ª PARTE (Mario Puzo’s The Godfather Part III)

Muitas vezes esculachado por não repetir a excelência dos dois anteriores, o terceiro Chefão também está muito longe de ser um mau filme. Coppola segue como o mestre narrativo da máfia operística, Pacino e Diane Keaton continuam perfeitos, e há cenas memoráveis (“Bem quando pensei que estava fora, eles me puxam de volta pra dentro”; o atentado nas escadas da ópera). Ok, também há a escolha infeliz e nepotista de Sofia Coppola para o elenco, mas o filme sobrevive bem a isso.
Estados Unidos. Direção: Francis Ford Coppola. Roteiro: Mario Puzo e Francis Ford Coppola. Elenco: Al Pacino, Diane Keaton, Talia Shire, Andy Garcia, Eli Wallach, Joe Mantegna, George Hamilton, Bridget Fonda, Sofia Coppola, Raf Vallone, Franc D’Ambrosio, Helmut Berger, John Savage.

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Close Up

9 — CLOSE UP (Nema-Ye Nazdik)

A história real de um homem que é preso se fazendo passar pelo cineasta Mohsen Makhmalbaf para uma família rica é contada com os principais personagens interpretando a si mesmos. SE todos estão juntos numa boa nessa encenação, a gente já sabe que tudo acaba bem, mas Kiarostami mistura o real e o ficcional e até inventa uma falha no microfone quando um diálogo captado numa câmera escondida não o satisfaz.
Irã. Direção e roteiro: Abbas Kiarostami. Elenco: Hossain Sabzian, Mohsen Makhmalbaf, Abolfazi Ahankhah.

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Vingador do Futuro - 1990 - 01

10 — O VINGADOR DO FUTURO (Total Recall)

Com um título brasileiro chupado na cara dura de O Exterminador do Futuro, o filme de Paul Verhoeven é uma ótima ficção científica de ação, que joga com a ideia de realidade virtual e a perda de referência sobre o que é ou não a realidade para valer. O filme elevou Sharon Stone, muito sexy, a outro patamar.
Estados Unidos. Direção: Paul Verhoeven. Roteiro: Ronald Shusett, Dan O’Bannon e Gary Goldman, do argumento de Shusett, O’Bannon e Jon Povill, baseado no conto de Phillip K. Dick. Elenco: Arnold Schwarzenegger, Rachel Ticotin, Sharon Stone, Michael Ironside, Ronny Cox, Michael Champion, Mel Johnson Jr.

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Cyrano - 1990 - 01

11 — CYRANO (Cyrano de Bergerac)

Versão elegante (e em versos!) da peça de Edmond Rostand, com uma produção suntuosa (mais de 2 mil atores e extras) e uma atuação gigante de Gérard Depardieu.
França. Direção: Jean-Paul Rappeneau. Roteiro: Jean-Paul Rappeneau e Jean-Claude Carière, baseado na peça de Edmond Rostand. Elenco: Gérard Depardieu, Anne Brochet, Vincent Perez, Jacques Weber, Roland Bertin.

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Cidade sem Passado - 02

12 — UMA CIDADE SEM PASSADO (Das Schreckliche Maeddchen)

O filme alemão mostra o fantasma do nazismo em uma cidade sendo desenterrado por uma jovem que investiga o passado do lugar e vê os cidadãos se voltarem contra ela. O filme alivia o tom através de sua personagem principal e do uso de projeção de fundo para alguns cenários.
Alemanha. Direção e roteiro: Michael Verhoeven. Elenco: Lena Stolze, Monika Baumgartner, Michael Gahr, Fred Stillkrauth.

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De Volta para o Futuro - Parte 3 - 06

13 — DE VOLTA PARA O FUTURO – PARTE III (Back to the Future Part III)

O fechamento da trilogia (filmado junto com a parte II) levou seus personagens para o velho oeste. O que acontece aí é uma gostosa brincadeira com o gênero, suas referências e clichês.
Estados Unidos. Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: Bob Gale, do argumento de Gale e Zemeckis. Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Mary Steenburgen, Lea Thompson, Thomas F. Wilson, Elisabeth Shue, James Tolkan, Matt Clark, Harry Carey Jr., Marc McClure, Wendie Jo Sperber, Flea.

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Ata-me - 01

14 — ATA-ME! (Atame!)

Um sujeito com problemas mentais sequestra uma atriz de filmes pornô para tentar convencê-la a se casar com ele. A trama e a relação dos dois acaba se tornando mais complexa. Um Almodóvar atrevido de primeira linha.
Espanha. Direção e roteiro: Pedro Almodóvar. Elenco: Victoria Abril, António Banderas, María Barranco, Rossy de Palma, Julieta Serrano.

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Imorais

15 — OS IMORAIS (The Grifters)

Um golpista pé-de-chinelo fica entre a mãe ligada à máfia e a nova namorada, golpista da pesada. Filme noir charmoso e sedutor, com reviravoltas bem armadas.
Estados Unidos/ Canadá. Direção: Stephen Frears. Roteiro: Donald E. Westlake, baseado no romance de Jim Thompson. Elenco: Angelica Huston, John Cusack, Annette Bening, Stephen Tobolowsky. Narração: Martin Scorsese.

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Esqueceram de Mim - 09

16 — ESQUECERAM DE MIM (Home Alone)

Uma mistura de Tom & Jerry com Duro de Matar, o filme é uma absurda, mas divertida aventura natalina, capitaneada por um carismático Macaulay Culkin, e um ótimo elenco de apoio.
Estados Unidos. Direção: Chris Columbus. Roteiro: John Hughes. Elenco: Macaulay Culkin, Catherine O’Hara, Joe Pesci, Daniel Stern, John Heard, John Candy.

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Danca com Lobos - 02

17 — DANÇA COM LOBOS (Dances with Wolves)

Um amigo uma vez disse que Kevin Costner devia fazer só faroestes. E certamente ele é muito bom nisso. Não era para sair do Oscar como grande vencedor, mas é um belo filme.
Estados Unidos, 1990. Direção: Kevin Costner. Roteiro: Michael Blake, baseado em seu romance. Elenco: Kevin Costner, Mary McDonnell, Graham Grenne, Rodney Grant, Floyd ‘Red Crow’ Westerman, Tom Everett, Wes Studi.

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22395 H

18 — HENRY & JUNE ou HENRY & JUNE DELÍRIOS ERÓTICOS (Henry and June)

Philip Kaufman adaptou a obra erótica autobiográfica de Anais Nin, que conta seu envolvimento com o escritor Henry Miller e a esposa dele, June, na Paris de 1931. Os debates em torno da classificação etária do filme nos EUA geraram uma nova faixa, o NC-17. Maria de Medeiros e Uma Thurman soltam faíscas.
Estados Unidos. Direção: Philip Kaufman. Roteiro: Philip Kaufman e Rose Kaufman, baseado no romance de Anais Nin. Elenco: Maria de Medeiros, Fred Ward, Uma Thurman, Richard E. Grant, Kevin Spacey.

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Darkman - 01

19 — DARKMAN — VINGANÇA SEM ROSTO (Darkman)

O mundo era muito diferente em 1990. Filmes com super-heróis eram uma raridade. Sam Raimi e equipe não adaptaram nenhuma HQ para este filme, mas se inspiraram de corpo em alma no clima dos quadrinhos (especialmente em O Sombra, egresso da literatura e do rádio). Pintou aqui o diretor de Homem-Aranha (2002).
Estados Unidos. Direção: Sam Raimi. Roteiro: Chuck Pfarrer, Sam Raimi, Ivan Raimi, Daniel Goldin e Joshua Goldin, do argumento de Sam Raimi. Elenco: Liam Nesson, Frances McDormand, Colin Friels, Larry Drake.

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Nikita - 01

20 — NIKITA — CRIADA PARA MATAR (La Femme Nikita)

O mundo era muito diferente em 1990, parte 2. Filmes de ação com mulheres no papel principal também não eram comuns. O francês Luc Besson sacudiu esse gênero com sua criminosa recrutada e treinada para ser uma agente implacável.
França/ Itália. Direção e roteiro: Luc Besson. Elenco: Anne Parillaud, Jean-Hugues Anglade, Tcheky Karyo, Jeanne Moreau, Jean Reno, Jean Bouise.

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ATUALIZAÇÕES:

11/02/2021: Entraram Os Imorais (15º), Close Up (9º), Amor e Sedução (6º). Saíram Ghost Do Outro Lado da Vida (20º), Uma Linda Mulher (16º), Tempo de Despertar (12º). Nikita foi de 19º para 20º. Darkman foi de 18º para 19º. Henry & June, de 15º para 18º. Dança com Lobos, de 14º para 17º. Esqueceram de Mim, de 11º para 16º. Ata-me, de 17º para 14º. Uma Cidade sem Passado, de 9º para 12º. Cyrano, de 7º para 11º. O Vingador do Futuro, de 8º para 10º. O Poderoso Chefão 3ª Parte, de 10º para 8º. Coração Selvagem, de 6º para 7º.

* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

OUTRAS LISTAS:

Cantando na Chuva - 33

Donald O’Connor, Debbie Reynolds e Gene Kelly, em “Cantando na Chuva”

30. ‘JE CHERCHE APRÈS TITINE’, de Tempos Modernos (1936)
Com Charles Chaplin. Direção: Charles Chaplin. Canção de Léo Daniderff, Marcel Bertal e Louis Maubon.

Como todo mundo sabe, Charles Chaplin resistiu o quanto pôde ao cinema falado. Quando Tempos Modernos estreou, já fazia nove anos da estreia de O Cantor de Jazz. E o filme, genial, continua praticamente sem diálogos. Há duas exceções. Uma são as ordens ásperas do chefe da fábrica. A outra é o único momento em que Carlitos fala. Contratado para cantar em um restaurante, ele esquece em cena a letra da canção. “Cante! Deixe as palavras pra lá!”, orienta, em socorro, a personagem de Paulette Goddard. O que vem a seguir só podia ser obra de um gênio como Chaplin: ouve-se a voz de Carlitos, mas as palavras são inventadas, não fazem sentido. O sentido da música, o que ela conta, está na coreografia que ele faz, na pantomima, como Carlitos se comunicava desde que surgiu no cinema, em 1914.

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29. ‘MEIN HERR’, de Cabaret (1972)
Com Liza Minnelli. Direção e coreografia: Bob Fosse. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de John Kander e Fred Ebb.

“Mein herr” é a primeira aparição de Liza Minnelli em Cabaret, e que introdução! Sexy, ela mostra logo que esse não é um musical como os que sua mãe, Judy Garland, fazia. A canção foi feita para o filme – não estava na versão original para os palcos.

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28. ‘GET HAPPY’, de Casa, Comida e Carinho (1950)
Com Judy Garland. Direção e coreografia: Charles Walters. Canção de Harold Arlen e Ted Koehler.

O inferno de Judy Garland com o vício em remédios já afetavam seu trabalho na Metro, e o estúdio a demitiu após esse filme. Nas filmagens, Judy passou por alterações de peso, de humor, incapacidade de trabalhar. Este número foi rodado três meses depois do resto do trabalho do filme ter sido concluído. É um verdadeiro canto do cisne de sua obra na Metro. Judy perdeu peso e está absolutamente espetacular. Seu figurino virou uma assinatura (a ideia foi resgatada de um número de Desfile de Páscoa que acabou cortado). A canção (escolhida por Judy) parece dizer mais do que todo mundo ali sabia no momento (ela morreria muito jovem, apenas 19 anos depois). Judy passou dois dias aprendendo e ensaiando a coreografia, gravou a canção num take só e perfeito e a sequência levou outros dois dias para ser filmada. Foi seu último número na Metro. E foi uma obra-prima.

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27. ‘EVERY SPERM IS SACRED’, de O Sentido da Vida (1983)
Com Michael Palin, Terry Jones, Andrew MacLachlan, Jennifer Franks, Graham Chapman e Eric Idle. Direção: Terry Jones. Coreografia: Arlene Phillips. Canção de Michael Palin, Terry Jones, André Jacquemin e Dave Howman.

Uma família católica fervorosa tem uma multidão de filhos porque não pode usar métodos contraceptivos. Dessa proposta aloprada, surge um dos números musicais mais inacreditáveis do cinema: “Todo esperma é sagrado/ Se o esperma é desperdiçado/ Deus fica muito irado”. As crianças não tinham ideia sobre o que estavam cantando (algumas palavras sujas foram mudadas na filmagem e dubladas depois). Um número alto astral, embora as crianças estejam para ser vendidas para experimentos científicos! Terry Jones gastou a maior parte do orçamento do filme neste número implacável e demolidor, que diz animadamente sobre ser católico: “Você não precisa ter um grande cérebro/ você é católico desde que o papai gozou”.

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26. ‘SILK STOCKINGS’, de Meias de Seda (1957)
Com Cyd Charisse. Direção: Rouben Mamoulien. Coreografia: Eugene Loring. Música de Cole Porter.

Uma magnífica Cyd Charisse interpreta uma espiã russa durona que acaba seduzida pelo luxo de Paris (o musical é uma refilmagem de Ninotchka, com Greta Garbo). Seu momento de virada é aqui: um número solo antológico onde sua roupas sisudas de comunista dão lugar às meias de seda do título e ao vestido suntuoso. Cyd (com suas pernas lendárias) é tão sublime que a gente quase não percebe estar assistindo a um strip-tease de uma belíssima mulher (mentira).

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25. ‘SHAKIN’ THE BLUES AWAY’, de Ama-me ou Esquece-me (1955)
Com Doris Day. Direção: Charles Vidor. Coreografia: Alex Romero. Canção de Irving Berlin.

Doris Day fazia musicais na Warner, com resultados oscilantes. Dois anos antes, tinha conseguido um gol com Ardida como Pimenta (1953), no qual cantou a vencedora do Oscar “Secret love”. Ama-me ou Esquece-me, no entanto, foi na Metro — e aí era “ôto patamá”. Ela interpreta Ruth Etting, cantora dos anos 1920 que, para chegar ao sucesso, se envolve com um gangster (James Cagney). Marcada por papéis virtuosos que renderam a ela o apelido de “virgem profissional de Hollywood”, Doris nunca esteve tão sensual como neste filme. E neste número, a bordo de uma produção de primeira e uma canção otimista toda-vida de Irving Berlin, ela seduz cantando e dançando.

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24. ‘UNDER THE SEA’, de A Pequena Sereia (1989)
Com Samuel E. Wright. Direção: Jon Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Ariel quer se meter com os humanos na superfície e o caranguejo Sebastião tenta convencê-la que é muito melhor no fundo do mar. É difícil não concordar com ele, nesta maravilhosa canção vencedora do Oscar que inspirou esse número colorido e movimentado que diz que, lá, peixe termina no aquário — e este tem até sorte, porque se o chefe fica com fome… “Lá eles tem um monte de areia, aqui temos uma banda de crustáceos da pesada”. Não adianta: a sereia já se mandou no meio da música. Mas o espectador fica.

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23. ‘WELL DID YOU EVAH?’, de Alta Sociedade (1956)
Com Bing Crosby e Frank Sinatra. Direção: Charles Walters. Canção de Cole Porter.

Esses dois monstros sagrados da música popular americana nunca tinham aparecido juntos num longa-metragem. Nesta refilmagem de Núpcias de Escândalo (1940), eles dão uma escapada de uma festa chique para beber mais do que a elegância permite. Sinatra é o jornalista que está lá para cobrir o casório para sua revista de celebridades e ricaços. Crosby é o ex-marido da tempestuosa noiva, que ainda gosta dela. Juntos, os dois homens desfilam más notícias de brincadeira, ironias, bebem mais, falam besteira e resumem suas impressões sobre aquilo tudo: “Bem, quem diria? Que festa legal essa é!”. O número, originalmente do musical de palco Du Barry Was a Lady, foi acrescentado ao filme para dar a Crosby e Sinatra um momento em que pudessem cantar junto. Decisão mais que acertada: um número divertidíssimo com dois caras com grandes vozes e carismas ainda maiores.

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22. ‘REMEMBER MY FORGOTTEN MAN’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Joan Blondell, Etta Moten e côro. Direção: Mervyn LeRoy. Direção de dança: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

O musical geralmente é um gênero indentificado com o escapismo, o romance, o sonho, o humor. O que dizer de “Remember my forgotten man”, então? Em 1933, o número que encerra grandiosamente Cavadoras de Ouro dá um tapa na cara da sociedade americana, falando dos desvalidos que foram mandados à guerra como soldados e voltam esfolados e sem encontrar seu lugar. E que terminam marginalizados pelo mesmo país que foram defender. Busby Berkerley em estado de graça: um momento mostra uma fila de garbosos soldados parte para o conflito e outra ao lado, com os homens retornando feridos. Mas o final é que é brilhante: com o desfile militar de silhuetas ao fundo, Joan Blondell quase fazendo uma oração cercada pelos “forgotten men” e o incrível plano sequência final, que começa no rosto da atriz e termina com a cena inteira. Sensacional.

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21. ‘GOOD MORNING’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly, Debbie Reynolds e Donald O’Connor. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Nacio Herb Brown e Arthur Freed.

Depois de muito baixo astral, um boa ideia reanima os ânimos do trio. E como! Don Lockwood, Kathy Selden e Cosmo Brown fazem da casa um palco: dançam na cozinha, pelas escadas, com capas de chuva, no bar, viram sofás, em uma das maiores exibições de sapateado do cinema. E, nisso, um grande destaque para Debbie Reynolds, que, aos 19 aninhos, não era dançarina, teve que dançar com dois monstros do ofício e deu conta do recado olimpicamente. “Cantando na Chuva e dar à luz foram as duas coisas mais difíceis que já fiz”, disse ela em suas memórias, em 2013. Este número levou 15 horas no dia para ser filmado. São três minutos e apenas nove cortes. No fim, Debbie estava com os pés sangrando. Mas ela conseguiu: entregou o momento mais formidável de sua carreira.

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