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1. ‘SINGIN’ IN THE RAIN’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Música de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

Muita gente que me conhece está agora dizendo: “Mas é óbvio”. Mas juro que não foi tão óbvio assim. “Singin’ in the rain” passou boa parte do tempo fora do primeiro lugar. Mas o peso de sua importância foi decisivo num desempate, assim como o fato de que o número está totalmente integrado à narrativa da história (não é mostrado como uma apresentação num palco). Aqui, Don Lockwood, o personagem de Gene Kelly, diz através da música aquilo que está sentido e dança para sublinhar isso. Quem nunca teve vontade de, numa alegria imensa, sair correndo e pulando? “Singin’ in the rain” é isso. Além disso, é cheio de perícias técnicas que permitiram ao número ser a referência que é hoje. Há o fato de que leite foi misturado à água para que a chuva pudesse ser melhor vista na tela. Que buracos foram cavados no chão, para que água fosse acumulada exatamente onde a coreografia pedia. Que Gene Kelly gravou com febre. Que a música já havia aparecido seis ou quatro vezes antes em filmes da Metro e esta eclipsou todas as outras para sempre. E o resultado é uma obra-prima de técnica e emoção, com Kelly jogando e pegando o guarda-chuva no ar, se equilibrando no meio-fio, flutua para se agarrar a um poste, brincando com biqueiras e vitrines, pulando em poças e sendo silenciosamente repreendido por um policial com cara de poucos amigos. Do primeiro ao último segundo, uma maravilha.

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2. ‘BEGIN THE BEGUINE’, de Melodia da Broadway de 1940 (1940)
Com Eleanor Powell e Fred Astaire. Direção: Norman Taurog. Coreografia: Bobby Connolly. Música de Cole Porter.

Às vezes, tudo o que é preciso é um casal incrível e uma grande música. Eleanor Powell, a melhor entre as mulheres, e Fred Astaire, o melhor entre os homens, só se encontraram em um filme, esse filme. E nem é um filme muito bom, não deve estar nem entre os 50 melhores musicais da MGM. Quase tudo de Melodia da Broadway de 1940 poderia ser descartado, menos (e jamais!) as cenas em que Fred e Eleanor trocam passos, olhares, sorrisos, carisma e talento puro. Já vimos uma dessas cenas (a cena da jukebox) nessa lista, mas essa daqui é inigualável. Eles não cantam. Não há cenário, além de um palco basicamente vazio e escuro, com umas luzinhas e um espelho ao fundo, e com um chão que os reflete. Nem é uma dança romântica como as de Fred e Ginger. Eles até fazem isso em outro momento, mas aqui Fred e Eleanor são mais é espelhos um do outro, se convidam, se desafiam. Fazem tudo o que fazem em dois únicos e impressionantes planos-sequência. Por 46 segundos, nem de música precisam: ela é cortesia unicamente do ritmo e da velocidade dos pés da dupla. Que gigantes! E olhe que Eleanor nem gostava de sapateado no início da carreira, teve que aprender a contragosto. Esse número é para se revisto várias vezes: olhando o conjunto, depois só os pés, depois só as mãos, depois só os rostos… E até prestando atenção no reflexo ao fundo, que mostra de costas os dois dançando. Quando esse número é apresentado no documentário Era uma Vez em Hollywood (1974), Frank Sinatra o introduz dizendo: “Vocês nunca vão ver algo assim de novo”. E ele estava absolutamente certo.

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3. ‘THE BARN RAISING DANCE (BLESS YOUR BEAUTIFUL HIDE)’, de Sete Noivas para Sete Irmãos (1954)
Com Russ Tamblyn, Tommy Rall, Marc Platt, Matt Mattox, Jacques d’Amboise, Jeff Richards, Virginia Gibson, Julie Newmar, Nancy Kilgas, Betty Carr, Ruta Lee, Norma Doggett, Jane Powell e elenco. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Michael Kidd. Música de Gene de Paul e Johnny Mercer.

O cinema já mostrou todo tipo de duelo: com revólveres, com espadas, no ringue, na cama. E na dança? Nesta cena mais famosa de Sete Noivas para Sete Irmãos, os seis rapazes Pontipee estão na quermesse para a construção de um celeiro e querendo dar uma paquerada nas moças (o sétimo, mais velho, casou não faz muito). Eles se arrumam logo, mas têm rivais almofadinhas da cidade. Na hora da dança, os adversários de cinza levam as moças para o tablado, mas os irmãos, de camisetas coloridas e treinados por Millie (a esposa do irmão mais velho), também sobem. E aos poucos se desenha o duelo, em que os rapazes disputam passo a passo a atenção e a companhia das garotas. A dança mais marcada evolui para passos mais exuberantes e, dai, para momentos acrobáticos antológicos (saltos de telhados, deslizamentos por baixo de bancos, saltos mortais sobre tábuas). Stanley Donen, diretor, e Michael Kidd, coreógrafo, sem muita grana e obrigados a ter no elenco um irmão que nem dançar sabia, criaram um momento imortal em que tudo ruma para o final maravilhoso. Onde, apesar de toda a luta entre os rapazes, quem decide mesmo são as moças.

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4. ‘DO RE MI’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews, Charmian Carr, Heather Menzies, Nicholas Hammond, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner, Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Música de Oscar Hammerstein II e Richard Rodgers.

“Do re mi” mudou de lugar na história, na transposição da peça de teatro para o cinema. Nos palcos, esse número já aparece na cena em que a fraulein Maria conhece os sete filho do capitão Von Trapp. O roteirista Ernest Lehman a colocou mais à frente, fez a relação entre a babá e as crianças ter algumas turbulências até que, após finalmente conquistá-las e longe das vistas do pai severo, ela descobre que os pequenos não conhecem nenhuma música. Isso acontece em um piquenique nas montanhas, um local significativo: foi ali que, na abertura do filme, Maria cantou todo seu amor pela música. Julie Andrews começa no “dó re mi” e, no fim, com algumas passagens de tempo, as crianças já estão estrelas da Broadway. Muitos momentos da edição são fabulosos, nos quadros simétricos de Wise que aproveitam ao máximo a paisagem de Salzburgo. As bicicletas, a carruagem, a borda do monumento, a corrida, o portal com as estátuas, o final em que cada degrau corresponde a uma das notas musicais).

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5. ‘PICK YOURSELF UP’, de Ritmo Louco (1936)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: George Stevens. Direção de dança: Hermes Pan. Música de Dorothy Fields e Jerome Kern.

Os personagens de Fred usaram desse truque muitas vezes. Fingia que tinha dois pés esquerdos, fazia a garota ensinar uns passos de dança para se aproximar dela e, no meio da aula – zás! – ele mostrava tudo o que sabia. Aqui, ele se revela para ajudar a moça, professora prestes a ser despedida da escola de dança. “Como era mesmo aquele passo que estava me ensinando? Ah, sim”, ele pergunta, na frente do dono do lugar. E o show começa. É a quintessência de Fred e Ginger: leves, charmosos, com uma química fundamental entre eles, como uma extensão natural um do outro, tirando onda ao caminhar de braços dados no meio da música, fazendo tudo parecer extremamente fácil e natural. E aquela saída fantástica dos pulinhos sobre as cerquinhas. Antes, quando ele levou uns bons tombos com ela, Ginger havia cantado o conselho: “Pick yourself up, dust yourself off”, que poseríamos traduzir com o nosso “levanta, sacode a poeira”.

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6. ‘MOSES SUPPOSES’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly e Donald O’Connor. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Música de Betty Comden, Adolph Green e Roger Edens.

Eu me lembro como se fosse hoje o impacto de assistir a “Moses supposes”, na primeira vez que vi Cantando na Chuva, na TV, no réveillon de 1988. A energia, temperada com muita irreverência, era irresistível. Dava vontade de levantar e dançar junto pela sala. A música era, então, uma novidade. A trilha do filme era quase toda feita de antigas canções de Arthur Freed e Nacio Herb Brown, mais duas criadas especialmente para o filme: “Make’em laugh” e “Moses supposes”. No contexto de atores do cinema mudo sendo treinados em dicção para atuar no cinema falado, os personagens de Donald O’Connor e Gene Kelly subvertem uma aula a partir dos trava-línguas propostos pelo sisudo professor. Eles sapateiam sobre uma mesa, brincam com cadeiras e cortinas, jogam o professor para lá e para cá. Uma farra, mas com uma das maiores exibições de sapateado do cinema. E a câmera é exemplar, dançando com O’Connor e Kelly, os seguindo sem descanso, para um lado, para o outro, para cima e para baixo.

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7. ‘AMERICA’, de Amor, Sublime Amor (1961)
Com Rita Moreno, George Chakiris, Suzie Kaye, Yvonne Wilder e elenco. Direção: Robert Wise e Jerome Robbins. Coreografia: Jerome Robbins. Música de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim.

Os garotos porto-riquenhos, reunidos num telhado, debatem suas visões conflitantes sobre a vida de imigrante nos Estados Unidos. Oportunidades versus racismo. Consumo versus violência. Distância da pobreza de seu local de origem versus a pobreza no país adotivo. “America” tem uma melodia incrível e conhecidíssima e uma letra antológica que o filme melhorou: na Broadway, ela tirava sarro dos portorriquenhos; no filme, o foco é a discriminação sofrida pelos imigrantes. Este foi um dos quatro números concluídos por Robbins, antes de ser retirado do filme. Encenador do espetáculo no teatro, ele foi demitido do filme por refilmar muito as cenas, mas seu talento pode ser muito apreciado aqui, com uma dança espetacular. Liderando a cena, a maravilhosa Rita Moreno e George Chakiris, que ganharam os Oscars de coadjuvante aquele ano.

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8. ‘THE TROLLEY SONG’, de Agora Seremos Felizes (1944)
Com Judy Garland. Direção: Vincente Minnelli. Direção de dança: Charles Walters. Coreografia: Paul Jones. Música de Hugh Martin e Ralph Blane.

Não chega a ser uma regra escrita na pedra, mas o musical clássico muitas vezes apresenta o número desta maneira: quem canta (e eventualmente dança) é quem está conectado na mesma emoção. Quem não está, fica alheio. Isso é exemplar em “The trolley song”. A garotada vai passear de bonde até onde estão sendo construídos os pavilhões para a Feira Mundial de St. Louis. A personagem de Judy Garland está esperando que o vizinho de quem ela está a fim apareça. Mas chega a hora, e nada do rapaz. Todo mundo canta feliz, mas ela passa pela turma calada e cabisbaixa. É só quando o sujeito aparece correndo atrás do bonde que Judy começa a cantar e domina a cena. E aí Vincente Minelli começa a compor quadros diferentes dentro do mesmo plano sequência, com os coadjuvantes levantando ou sentando ou trocando de lado para formarem uma moldura colorida para Judy, magnífica. A canção virou (como “Over the rainbow”) assinatura da atriz/ cantora. E até João Gilberto gravou.

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9. ‘DANCING IN THE DARK’, de A Roda da Fortuna (1953)
Com Fred Astaire e Cyd Charisse. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Michael Kidd. Música de Arthur Schwartz e Howard Dietz.

Na história de A Roda da Fortuna, os personagens de Fred Astaire e Cyd Charisse se estranham de cara. Ele, um sapateador; ela, uma bailarina clássica; ambos colocados lado a lado para estrelarem um pretensioso musical da Broadway. Este é o momento no qual eles finalmente entram em sintonia. Sem uma única palavra (falada ou cantada), em um Central Park de estúdio. Não pelo diálogo, não pela canção: a comunicação e o entendimento vem exclusivamente através da dança, em um dos mais belos duetos de movimento da história do cinema.

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10. ‘MAKE’EM LAUGH’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Donald O’Connor. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Música de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

Donald O’Connor interpreta Cosmo Brown, o amigo comediante do galã Don Lockwood (Gene Kelly). Para animar o parceiro, ele diz que o show deve continuar – e o show dele, no caso, é fazer rir. O’Connor ganhou este solo no filme e não desperdiçou: dá tudo de si em um número inesquecível. Faz caretas, leva tombos, dança com um boneco (e apanha dele), dá saltos mortais (dois seguidos, subindo correndo pelas paredes). Fumante inveterado, o ator-dançarino ficou uma semana no hospital para se recuperar. Só que a filmagem foi comprometida e ele, de volta, precisou fazer os saltos de novo… E a música é um caso à parte. Foi pedido a Arthur Freed e Nacio Herb Brown esta nova canção com a comédia como tema. Quando foi entregue, a melodia da dita cuja era igualzinha a ‘Be a clown’, de Cole Porter… Cole nunca reclamou, ainda bem.

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20 – O HOMEM ELEFANTE (The Elephant Man)

Em preto-e-branco, David Lynch impõe um clima de horror gótico à história real do homem deformado que tenta mostrar, na Inglaterra vitoriana, que nada mais é que um ser humano.
(Reino Unido/ Estados Unidos). Direção: David Lynch. Roteiro: Christopher De Vore, Eric Bergren e David Lynch, baseado em livros de Frederick Treves e Ashley Montagu. Elenco: John Hurt, Anthony Hopkins, Anne Bancroft, John Gielgud, Freddie Jones, Wendy Hiller.

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19 – GAIJIN – OS CAMINHOS DA LIBERDADE

Tizuka Yamasaki conta a saga de um grupo de famílias japonesas que vêm tentar a vida trabalhando em uma fazenda brasileira. A dureza da imigração, geralmente contada em lentes cor-de-rosa em outras produções.
(Brasil). Direção: Tizuka Yamasaki. Roteiro: Jorge Durán e Tizuka Yamasaki. Elenco: Kyoko Tsukamoto, Antônio Fagundes, Jiro Kawarazaki, Gianfrancesco Guarnieri, Álvaro Freire, Clarisse Abujamra, José Dumont, Louise Cardoso, Carlos Augusto Strasser.

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18 – EM ALGUM LUGAR DO PASSADO (Somewhere in Time)

Um filme romântico que marcou uma geração, com o Superman Reeve voltando de novo no tempo por amor. Desta vez, em sua melhor tentativa de ter uma carreira além do super-herói, ele é um personagem que vence as barreiras cronológicas para encontrar a mulher que vê numa pintura (a lindíssima Jane Seymour).
(Estados Unidos). Direção: Jeannot Szwarc. Roteiro: Richard Matheson, baseado em seu romance. Elenco: Christopher Reeve, Jane Seymour, Christopher Plummer, Teresa Wright.

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17 – GENTE COMO A GENTE (Ordinary People)

Robert Redford não se escalou como ator na sua estreia na direção. Preferiu ficar só atrás das câmeras para contar a história de uma família que tenta se recuperar a morte de um filho. Amor, desamor, incomunicabilidade, depressão e um desempenho bem sensível de Timothy Hutton. Ganhou o Oscar de filme, direção e Hutton, de maneira absurda, o de ator coadjuvante quando é o protagonista do filme.
(Estados Unidos). Direção: Robert Redford. Roteiro: Alvin Sargent e Nancy Dowd (não creditada), baseado em romance de Judith Guest. Elenco: Timothy Hutton, Mary Tyler Moore, Donald Sutherland, Judd Hirsch, Elizabeth McGovern, M. Emmet Walsh, Dinah Manoff.

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16 – MEMÓRIAS (Stardust Memories)

Depois de evocar Bergman em Interiores (1978), Woody Allen voltou-se para Fellini em Memórias: um diretor de cinema em crise às voltas com questões de seu passado. Mas com seus toques típicos de humor, como no encontro com alienígenas que aparecem e não só não trazem nenhuma resposta para os dilemas da humanidade como ainda dizem que gostam dos filmes dele “mas dos antigos, mais engraçados”.
(Estados Unidos). Direção e roteiro: Woody Allen. Elenco: Woody Allen, Charlotte Rampling, Jessica Harper, Marie-Christine Barrault, Tony Roberts, Daniel Stern.

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15 – GLORIA (Gloria)

Gloria é, aparentemente, um trabalho mais comercial do grande nome pioneiro do cinema independente: John Cassavettes. Um filme policial nas ruas de Nova York, protagonizado por uma mulher dura na queda que protege relutantemente um garoto que tem provas contra mafiosos e teve a família assassinada. O diretor foca principalmente no relacionamento entre essas duas figuras muito diferentes. Não me surpreenderia que tivesse inspirado Central do Brasil (1998).
(Estados Unidos). Direção e roteiro: John Cassavettes. Elenco: Gena Rowlands, John Adames, John Finnegan.

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14 – AGONIA E GLÓRIA (The Big Red One)

O histórico diretor Samuel Fuller não aparecia assinando um filme no cinema desde 1969. Mas o retorno foi triunfal: Fuller levou suas memórias da II Guerra ao cinema. E com sua filosofia particular a respeito: um grupo de soldados com missões a cumprir e que não têm tempo nem espaço para dramalhões e questões sobre o horror das guerras. Para isso, ninguém melhor que Lee Marvin para o papel principal.
(Estados Unidos). Direção e roteiro: Samuel Fuller. Elenco: Lee Marvin, Mark Hamill, Robert Carradine, Bobby Di Cicco, Kelly Ward, Stéphane Audran.

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13 – O ÚLTIMO METRÔ (Le Dernier Metro)

Mais II Guerra, desta vez no cotidiano de uma companhia teatral em Paris, cujo chefe, judeu, está foragido dos nazistas. Na verdade, está escondido no porão do teatro e comanda a companhia em segredo através de sua esposa atriz. Requintada produção de Truffaut, com Deneuve divina e muito carinho pela arte dos palcos.
(França). Direção: François Truffaut. Roteiro: François Truffaut e Suzanne Schiffman, com diálogos também de Jean-Claude Grumberg. Elenco: Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Jean Poiret, Jean-Louis Richard.

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12 – COMO ELIMINAR SEU CHEFE (9 to 5)

Lily Tomlin, Dolly Parton e Jane Fonda formam o grande trio que se une para a vingança contra o chefe que abusa de diferentes maneiras delas e das demais funcionárias. Por baixo da eficiente comédia, está a representação das agruras enfrentadas pela mulher no mercado de trabalho.
(Estados Unidos). Direção: Colin Higgins. Roteiro: Colin Higgins e Patricia Resnick, baseado em argumento de Resnick. Elenco: Jane Fonda, Dolly Parton, Lily Tomlin, Dabney Coleman, Sterling Hayden, Marian Mercer.

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11 – KAGEMUSHA – A SOMBRA DO SAMURAI (Kagemusha)

O grande mestre Akira Kurosawa teve Coppola e George Lucas como produtores executivos para este épico suntuoso sobre um ladrão que é sósia do chefe de um clã e acaba sendo levado a assumir o posto com a morte do titular. E vai se confundindo com o papel, enquanto os eventos levam a uma gigantesca batalha, um evento real ocorrido em 1575.
(Japão/ Estados Unidos). Direção: Akira Kurosawa. Roteiro: Masato Ide e Akira Kurosawa. Elenco: Tatsuya Nakadai, Tsutomo Yamasaki, Ken’ichi Hagiwara.

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10 – SUPERMAN II – A AVENTURA CONTINUA (Superman II)

Começou a ser filmado junto com Superman – O Filme (1978), teve mudança de diretor, mudança de roteiro, de tom, ator que protestou e se recusou a voltar… Mais transtornos que os causados pelos três kryptonianos que chegam à Terra para atazanar a vida do Super-Homem e fazê-lo “se ajoelhar perante Zod”. Mas ninguém pensou nisso na época, na plateia: apenas curtiu um filme vibrante, mais para o escapismo que para o tom épico do primeiro filme. Em 2006, foi lançada uma versão que aproveitava as cenas cortadas e reduzia um pouco do humor excessivo: ficou ainda melhor.
(Estados Unidos/ Reino Unido/ Canadá). Direção: Richard Lester, Richard Donner (não creditado na edição de 1980). Roteiro: Mario Puzo, David Newman e Leslie Newman, com Tom Mankiewicz (não creditado), argumento de Puzo baseado em personagens de Jerry Siegel e Joe Shuster. Elenco: Christopher Reeve, Gene Hackman, Margot Kidder, Terence Stamp, Sarah Douglas, Susannah York (na edição de 1980), Jackie Cooper, Jack O’Halloran, Valerie Perrine, Ned Beatty, E.G. Marshall, Clifton James, Marc McClure, Marlon Brando (na edição de 2006).

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9 – FAMA (Fame)

As aspirações artísticas de alunos de uma escola de artes dramáticas de Nova York. A narrativa acompanha o período na escola da matrícula à formatura, como um painel ou uma crônica, sem um protagonista. Vários jovens carismáticos, ótimos momentos musicais (mesmo que não haja números musicais tradicionais). Entre os temas: dilemas artísticos, os problemas familiares, a relação com os professores, decisões equivocadas, medos, questões sociais. Rendeu uma série de TV que durou de 1982 a 1987 e teve alguns atores do filme repetindo seus papéis.
(Estados Unidos). Direção: Alan Parker. Roteiro: Christopher Gore. Elenco: Irene Cara, Barry Miller, Gene Anthony Ray, Lee Currieri, Paul McCrane, Maureen Teefy, Antonia Franceschi, Laura Dean, Gene Anthony Ray

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8 – PIXOTE A LEI DO MAIS FRACO

Hector Babenco aparece no começo do filme fazendo uma introdução sociológica sobre as comunidades pobres das periferias brasileiras. De quebra, apresenta seu ator protagonista, o pequeno Fernando Ramos da Silva, oriundo daquela comunidade. Como Pixote, ele se agiganta numa odisseia marginal comovente com diversos degraus, como uma passagem por um reformatório e a relação com uma prostituta (Marília Pêra, em grande desempenho). Visto hoje, é impossível adicionar ao filme a camada do trágico fim do ator, que participou de alguns assaltos, e acabou morto aos 19 anos por policiais (demitidos depois por fraude processual, nesse caso em particular).
(Brasil). Direção: Hector Babenco. Roteiro: Hector Babenco e Jorge Durán, baseado em livro de José Louzeiro. Elenco: Fernando Ramos da Silva, Gilberto Moura, Jorge Julião, Edilson Lino, Marília Pêra, Jardel Filho, Rubens de Falco, Elke Maravilha, Toni Tornado, Beatriz Segall, Ariclê Perez.

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7 – VESTIDA PARA MATAR (Dressed to Kill)

Um dos grandes exemplares de Brian de Palma em seu modelo homenagem-a-Hitchcock. Uma garota de programa testemunha um crime e começa a ser perseguida pela assassina misteriosa. A vítima é Angie Dickinson, cliente do psicanalista vivido por Michael Caine. Nancy Allen, linda demais, é a prostituta, em seu melhor momento no cinema. Os ecos de Psicose (1960) são muito fortes – tem até cena do chuveiro.
(Estados Unidos). Direção e roteiro: Brian De Palma. Elenco: Michael Caine, Nancy Allen, Keith Gordon, Angie Dickinson, Dennis Franz.

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6 – OS IRMÃOS CARA DE PAU (The Blues Brothers)

Personagens de um quadro do Saturday Night Live, a banda The Blues Brothers lançou um disco em 1978 e protagonizou seu próprio filme dois anos depois. Com John Landis no leme, o filme reuniu um dream team do blues em participações (Aretha Franklin, Ray Charles, James Brown, Cab Calloway, John Lee Hooker), numa história louquíssima em que a banda é reunida para a missão divina de salvar um orfanato, fugindo da polícia, valentões caipiras e neonazistas. Kathleen Freeman (histórica coadjuvante dos filmes de Jerry Lewis), a supermodelo Twiggy e até Steven Spielberg também fazem pontas.
(Estados Unidos). Direção: John Landis. Roteiro: John Belushi e Dan Aykroyd. Elenco: John Belushi, Dan Aykroyd, Cab Calloway, John Candy, James Brown, Carrie Fisher, Henry Gibson, Ray Charles, Aretha Franklin, Kathleen Freeman, John Lee Hooker, Pee-Wee Herman, Twiggy, Frank Oz, Steven Spielberg, Chaka Khan, Murphy Dunne, Tom Malone, Matt Murphy, Steve Cropper, Donald Dunn, Willie Hall, Lou Marini, Alan Rubin, Charles Napier, John Landis.

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5 – BYE BYE BRASIL

Uma odisseia bufa pelo interiorzão do Brasil, seguindo uma trupe de artistas pé-de-chinelo: a Caravana Rolidei e seus tipos pitorescos, liderados pelos personagens de José Wilker e Betty Faria. Um road movie mambembe, tão mambembe quanto o próprio país que ele desbrava.
(Brasil). Direção: Carlos Diegues. Roteiro: Carlos Diegues e Leopoldo Serran. Elenco: José Wilker, Betty Faria, Fábio Jr., Zaira Zambelli, Príncipe Nabor, Carlos Kroebber, Joffre Soares.

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4 – O ILUMINADO (The Shining)

Stephen King, autor do livro original, já reclamou da versão de Stanley Kubrick para o cinema. Problema dele. O filme é envolvente, tem um clima de desconforto realçado também pelo uso da steady-cam pelos corredores do hotel vazio (e, no fim, pelo labirinto). E cenas que extraem as vísceras de seus atores, principalmente Jack Nicholson e Shelley Duvall.
(Reino Unido). Direção: Stanley Kubrick. Roteiro: Stanley Kubrick e Diane Johnson, baseado em romance de Stephen King. Elenco: Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd, Scatman Crothers, Barry Nelson.

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3 – O IMPÉRIO CONTRA-ATACA ou STAR WARS – EPISÓDIO V: O IMPÉRIO CONTRA-ATACA (The Empire Strikes Back ou Star Wars Episode V: the Empire Strikes Back)

Qual terá sido a reação das primeiras plateias do segundo Guerra nas Estrelas à cena capital do filme, “Não, Luke. Eu sou seu pai”? O capítulo do meio da primeira trilogia é, praticamente um consenso, o melhor da série. Passa a maior parte do tempo dividido em duas subtramas: Han Solo, Leia e os andróides fugindo do Império; e Luke Skywalker encontrando o mestre Yoda para virar de vez um jedi. Muito bem equilibrado entre movimento e emoção.
(Estados Unidos). Direção: Irvin Kershner. Roteiro: Leigh Brackett e Lawrence Kasdan, com argumento de George Lucas. Elenco: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Alec Guinness, Billy Dee Williams, Anthony Daniels, David Prowse, Kenny Baker, Peter Mayhew, Jeremy Bulloch, Julian Glover, Treat Williams. Vozes: James Earl Jones, Frank Oz, Clyde Revill.

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2 – TOURO INDOMÁVEL (Raging Bull)

Diz que Scorsese foi assistir a uma luta de boxe e ficou apavorado: “Não tenho a menor ideia de como filmar esse negócio!”. Era a preparação para Touro Indomável, projeto para onde foi praticamente empurrado pelo velho amigo Robert De Niro. De alguma forma, ele encontrou seu jeito. Em preto-e-branco, com a câmera dentro do ringue, sangue e suor, a explosão de violência como válvula de escape de um homem patético e confuso que só consegue se expressar através justamente da violência.
(Estados Unidos). Direção: Martin Scorsese. Roteiro: Paul Schrader e Mardik Martin, com Joseph Carter e Peter Savage, baseado na autobiografia de Jake LaMotta. Elenco: Robert De Niro, Cathy Moriarty, Joe Pesci, Frank Vincent, Nicholas Colasanto, John Turturro, Martin Scorsese.

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1 – APERTEM OS CINTOS! O PILOTO SUMIU… (Airplane!)

“Precisamos pousar o avião. Esta mulher precisa ser levada a um hospital”. “Hospital?! Mas o que é??”. “É um prédio grande e branco com pacientes, mas isso não é importante agora”. Apertem os Cintos! é uma joia brilhante e aloprada, que pega um filme-catástrofe metido a sério de 1957 (Entre a Vida e a Morte) e o refilma como a mais louca das comédias até então. Os atores interpretam todos com a maior seriedade os diálogos mais absurdos e os trocadilhos mais infames. É uma esculhambação genial.
(Estados Unidos). Direção e roteiro: Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker, baseado em roteiro anterior de Hall Bartlett, John C. Champion e Arthur Hailey. Elenco: Robert Hays, Julie Hagerty, Leslie Nielsen, Lloyd Bridges, Peter Graves, Robert Stack, Kareem Abdul-Jabbar, Lorna Patterson.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

Ritmo Louco

Fred Astaire e Ginger Rogers em “Ritmo Louco”

20. ‘OVER THE RAINBOW’, de O Mágico de Oz (1939)
Com Judy Garland. Direção: Victor Fleming. Canção de E.Y. Harburg e Harold Arlen.

Uma das canções definitivas do cinema americano, com Judy no papel para o qual a Metro queria Shirley Temple. Ainda no Kansas tão sem graça que é fotografado em sépia, a menina Dorothy sonha com algum lugar mais colorido (que ela conhecerá após o furacão que a levará “além do arco-íris”). Não precisa muito para criar um momento eterno: é Judy cantando, com seu ar de quem precisa de proteção, e apenas com Totó de plateia.

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19. ‘FRIEND LIKE ME’, de Aladdin (1992)
Com Robin Williams. Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Escalar Robin Williams como o Gênio de Aladdin foi um jogada de mestre. O comediante improvisou a valer, em imitações, vozes e diálogos. E deu um show na interpretação desta música introdutória de seu personagem. O que inspirou os animadores a também darem um show para acompanhar sua interpretação. É tão fantástico que a versão live action de 2019, com todo o CGI à disposição, simplesmente não consegue acompanhar.

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18. ‘BROADWAY RHYTHM BALLET’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly, Cyd Charisse e elenco. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

“Gotta dance!”. Ao modo do que Sinfonia de Paris fez um ano antes, Cantando na Chuva também reservou um grande balé para perto do seu final. É quase um curta-metragem dançado dentro do filme. No caso, é a imaginação de um número para o filme-dentro-do-filme: um dançarino que tenta começar na Broadway e sua escalada ao sucesso, tendo, no caminho, o encontro com uma sedutora mulher que é namorada de um gangster. Para o número, foi escalada a monumental Cyd Charisse, bailarina que fazia pequenos papeís na MGM. Com pernas intermináveis, este número a catapultou para o primeiro time dos musicais do estúdio. E já estava demorando.

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17. ‘CHEEK TO CHEEK’, de O Picolino (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Fred Astaire. Canção de Irving Berlin.

Este talvez seja o momento mais icônico da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers. Apareceu em momentos capitais, por exemplo, de A Rosa Púrpura do Cairo (1985) e À Espera de um um Milagre (1999). Muito se fala sobre essa cena, inclusive que Fred odiava esse vestido de Ginger, que ela insistiu em usar, porque as penas o faziam espirrar e se soltavam durante a dança. Ginger acabou ganhando o apelido sacana de “Feathers”, mas a a magia da dança no cinema é isso aí: fazer o difícil parecer sublime. “Anjos… Eles são como anjos no céu”, diz sobre eles o personagem de À Espera de um Milagre.

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16. ‘LET’S CALL THE WHOLE THING OFF’, de Vamos Dançar? (1937)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Harry Losee. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

George Gershwin notou que Fred Astaire e Ginger Rogers tinham sotaques diferentes. E escreveu com irmão letrista Ira uma canção especialmente para brincar com isso. “You say ‘eether’, and I say ‘eyether'”, “You say ‘tomayto’, and I say ‘tomahto'” e por aí vai. Já é uma obra-prima, mas ainda tem a parte da dança, esse impressionante dueto… sobre patins! Número que, fora os ensaios, levou mais 150 takes. No fim, na cena em que os dois se estabanam na grama falsa, Fred e Ginger já estavam mesmo com tudo doendo de tanto repetirem a cena.

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15. ‘AN AMERICAN IN PARIS BALLET’, de Sinfonia de Paris (1951)
Com Gene Kelly, Leslie Caron é elenco. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Gene Kelly. Música de George Gershwin.

Sapatinhos Vermelhos pegou fundo em Gene Kelly. Ele usou o recurso de um grande como clímax já no ano seguinte, em Um Dia em Nova York. Usaria também, ainda mais elaborado, em Cantando na Chuva. E, entre eles, aqui: um ponto de inflexão em sua carreira como astro e como coreógrafo. Seu personagem é pintor e, neste delírio quando perde a mulher amada, ele entra literalmente dentro de obras de pintores franceses famosos.

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14. ‘SUPERCALIFRAGILISTICEXPIALIDOCIOUS’, de Mary Poppins (1964)
Com Julie Andrews e Dick van Dyke. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

A palavra para se dizer quando não se sabe o que dizer. Dentro de um mundo de desenho animado, Mary Poppins e Bert cantam e dançam com os desenhos, no estilo dos números musicais no teatro de 1910. É uma canção antológica, que ficou em 36º lugar na eleição das 100 canções do cinema americano pelo American Film Institute. É um trava-língua indo e voltando: Julie Andrews diz a palavra de trás pra frente em um momento (e já mostrou que ainda consegue fazê-lo).

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13. ‘DIAMONDS ARE A GIRL’S BEST FRIEND’, de Os Homens Preferem as Louras (1953)
Com Marilyn Monroe. Direção: Howard Hawks. Coreografia: Jack Cole. Canção de Jule Styne e Leo Robin.

1953 foi o ano em que Marilyn explodiu para o mundo. E este permanece até hoje seu número-assinatura: no filme, ela se apresenta para uma plateia, mas também manda um recado irônico para o ex-noivo. É icônico, uma referência visual e auditiva para sempre. Não por acaso, foi citado no clipe de “Material girl”, da Madonna, e nos filmes Moulin RougeAves de Rapina.

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12. ‘YOU’RE ALL THE WORLD TO ME’, de Núpcias Reais (1951)
Com Fred Astaire. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Nick Castle. Canção de Burton Lane e Alan Jay Lerner.

Dançando, Fred Astaire era capaz de tudo: até de subir pelas paredes. Nem a gravidade era páreo para ele. Num efeito especial genial ainda hoje, Fred dança nas paredes e no teto de um quarto. Por muito tempo cinéfilos se perguntaram como foi feito. O segredo é que o quarto inteiro girava e a câmera girava junto. Astaire usava a perícia para acompanhar a rotação. Esse exemplo antológico do artesanato do cinema foi usado recentemente com a mesma técnica em A Origem, por exemplo. Mas lembre-se que aqui estamos falando de 1951.

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11. ‘NEVER GONNA DANCE’, de Ritmo Louco (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: George Stevens. Direção de dança: Hermes Pan. Canção de Dorothy Fields e Jerome Kern.

Fred quer Ginger, Ginger quer ir embora. Ele tenta reconquistá-la, primeiro, cantando. Então, eles estão juntos na pista de dança vazia. O que se segue é uma preciosidade. Do andar desalentado, evolui-se para a dança. Na dança, surgem passos que já foram trocados em momentos mais felizes no filme. É a dança contando a história, sem palavras. Uma dança espetacular em um plano sequência de 2 minutos e 30 segundos, que inclui uma subida de escada e a dança seguindo depois disso. Só há um corte, para um segundo plano, com os muitos giros de Ginger Rogers (que levou 47 takes em um dia e fez os pés de Ginger sangrarem).

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Bons Companheiros - 04

1 — OS BONS COMPANHEIROS (Goodfellas)

Uma vez Scorsese disse que em seus filmes de máfia, Coppola abordava a elite, enquanto ele, Scorsese, focava na “classe baixa”. Em Os Bons Companheiros, ele conta a ascensão de um sujeito que vê a máfia como meio de ascensão social. “Desde que me entendo por gente, sempre quis ser um gangsters”, é a frase que abre o filme. O desfecho é com Joe Pesci e uma citação visual de O Grande Roubo do Trem, curta mudo, pioneiro do faroeste, de 1903. Pesci ganhou o Oscar de coadjuvante como sua interpretação antológica (“Você acha que eu sou engraçado?”). E tem aquele plano sequência clássico nos bastidores do nightclub.
(Estados Unidos).  Direção: Martin Scorsese. Roteiro: Nicholas Pileggi e Martin Scorsese, baseado em livro de Nicholas Pileggi. Elenco: Robert De Niro, Ray Liotta, Joe Pesci, Lorraine Bracco, Paul Sorvino, Frank Sivero.

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Viagem do Capitao Tornado - 07

2 — A VIAGEM DO CAPITÃO TORNADO (Il Viaggio di Capitan Fracassa ou Le Voyage de Capitaine Fracasse)

A obra de Ettore Scola é uma saborosa viagem pelo mundo do espetáculo mambembe no século XVIII. Visualmente é belíssimo, é divertido e ainda tem duas das mulheres mais lindas daquele período no cinema: Emmanuelle Béart e Ornella Muti.
(Itália/ França). Direção: Ettore Scola. Roteiro: Ettore Scola e Furio Scarpelli, baseado em argumento de Vincenzo Cerami, Fulvio Ottaviano e Silvia Scola, do livro de Théophile Gautier. Elenco: Vincent Pérez, Massimo Troisi, Ornella Muti, Emmanuelle Béart, Lauretta Masiero.

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Filhos da Guerra - 04

3 — FILHOS DA GUERRA (Europa, Europa)

A cineasta polonesa conta a história de um jovem judeu que precisa fingir que é nazista. Um sensível retrato sobre a II Guerra e ainda tinha Julie Delpy nos primeiros anos da carreira.
(Alemanha/ França/ Polônia). Direção e roteiro: Agnieszka Holland, baseado em livro de Solomon Perel. Elenco: Marco Hofschneider, Julie Delpy, Andre Wilms, Aschley Wanninger

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Louca Obsessao

4 — LOUCA OBSESSÃO (Misery)

Talvez o melhor filme adaptado de uma obra de Stephen King, não tem nada de sobrenatural. É um baita suspense em que um escritor de uma série best seller se acidenta e é cuidado por uma fã que o encontra. Mas ela o manuscrito do novo livro, em que ele mata a protagonista, e o salvamento se transforma em cárcere e tortura. Kathy Bates, sensacional, ganhou o Oscar de melhor atriz.
(Estados Unidos). Direção: Rob Reiner. Roteiro: William Goldman, baseado em romance de Stephen King. Elenco: James Caan, Kathy Bates, Richard Farnsworth, Frances Sternhagen, Lauren Bacall

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Edward Maos de Tesoura - 06

5 — EDWARD, MÃOS DE TESOURA (Edward Scissorhands)

Vindo da anarquia de Os Fantasmas Se Divertem e da aventura gótica de Batman, Tim Burton fez aqui um de seus filmes mais queridos, quase um conto-de-fadas dark e seu filme mais romântico. Johnny Depp é uma espécie de criatura de Frankenstein que fica sem rumo quando o cientista que o trouxe à vida morre. Vai parar num subúrbio, onde lida com o american-way-of-life classe média.
(Estados Unidos). Direção: Tim Burton. Roteiro: Caroline Thompson, do argumento de Tim Burton e Caroline Thompson. Elenco: Johnny Depp, Winona Ryder, Dianne Wiest, Anthony Michael Hall, Alan Arkin, Kathy Baker, Vincent Price

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Coracao Selvagem - 13

6 — CORAÇÃO SELVAGEM (Wild at Heart)

David Lynch põe pouco o amor no centro dos seus filmes. Mas é a relação efervescente entre Sailor (Nicolas Cage) e Lula (Laura Dern) que conduz Coração Selvagem. Temperado por evocações anos 1950 (Elvis e James Dean, entre outras coisas) e referências a O Mágico de Oz, tudo embalado na narrativa tão estranha quanto fascinante que é a marca de Lynch.
(Estados Unidos). Direção e roteiro: David Lynch, baseado no romance de Barry Gifford. Elenco: Nicolas Cage, Laura Dern, Diane Ladd, Willem Dafoe, Harry Dean Stanton, Isabella Rossellini, Crispin Glover, J.E. Freeman.

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Cyrano - 1990 - 01

7 — CYRANO (Cyrano de Bergerac)

Versão elegante (e em versos!) da peça de Edmond Rostand, com uma produção suntuosa (mais de 2 mil atores e extras) e uma atuação gigante de Gérard Depardieu.
(França). Direção: Jean-Paul Rappeneau. Roteiro: Jean-Paul Rappeneau e Jean-Claude Carière, baseado na peça de Edmond Rostand. Elenco: Gérard Depardieu, Anne Brochet, Vincent Perez, Jacques Weber, Roland Bertin

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Vingador do Futuro - 1990 - 01

8 — O VINGADOR DO FUTURO (Total Recall)

Com um título brasileiro chupado na cara dura de O Exterminador do Futuro, o filme de Paul Verhoeven é uma ótima ficção científica de ação, que joga com a ideia de realidade virtual e a perda de referência sobre o que é ou não a realidade para valer. O filme elevou Sharon Stone, muito sexy, a outro patamar.
(Estados Unidos). Direção: Paul Verhoeven. Roteiro: Ronald Shusett, Dan O’Bannon e Gary Goldman, do argumento de Shusett, O’Bannon e Jon Povill, baseado no conto de Phillip K. Dick. Elenco: Arnold Schwarzenegger, Rachel Ticotin, Sharon Stone, Michael Ironside, Ronny Cox, Michael Champion, Mel Johnson Jr

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Cidade sem Passado - 02

9 — UMA CIDADE SEM PASSADO (Das Schreckliche Maeddchen)

O filme alemão mostra o fantasma do nazismo em uma cidade sendo desenterrado por uma jovem que investiga o passado do lugar e vê os cidadãos se voltarem contra ela. O filme alivia o tom através de sua personagem principal e do uso de projeção de fundo para alguns cenários.
(Alemanha). Direção e roteiro: Michael Verhoeven. Elenco: Lena Stolze, Monika Baumgartner, Michael Gahr, Fred Stillkrauth

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Poderoso Chefao - Parte 3 - 12

10 — O PODEROSO CHEFÃO — 3ª PARTE (Mario Puzo’s The Godfather Part III)

Muitas vezes esculachado por não repetir a excelência dos dois anteriores, o terceiro Chefão também está muito longe de ser um mau filme. Coppola segue como o mestre narrativo da máfia operística, Pacino e Diane Keaton continuam perfeitos, e há cenas memoráveis (“Bem quando pensei que estava fora, eles me puxam de volta pra dentro”; o atentado nas escadas da ópera). Ok, também há a escolha infeliz e nepotista de Sofia Coppola para o elenco, mas o filme sobrevive bem a isso.
(Estados Unidos). Direção: Francis Ford Coppola. Roteiro: Mario Puzo e Francis Ford Coppola. Elenco: Al Pacino, Diane Keaton, Talia Shire, Andy Garcia, Eli Wallach, Joe Mantegna, George Hamilton, Bridget Fonda, Sofia Coppola, Raf Vallone, Franc D’Ambrosio, Helmut Berger, John Savage

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Esqueceram de Mim - 09

11 — ESQUECERAM DE MIM (Home Alone)

Uma mistura de Tom & Jerry com Duro de Matar, o filme é uma absurda, mas divertida aventura natalina, capitaneada por um carismático Macaulay Culkin, e um ótimo elenco de apoio.
(Estados Unidos). Direção: Chris Columbus. Roteiro: John Hughes. Elenco: Macaulay Culkin, Catherine O’Hara, Joe Pesci, Daniel Stern, John Heard, John Candy

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Tempo de Despertar - 01

12 — TEMPO DE DESPERTAR (Awakenings)

Robin Williams em grande fase é o médico que usa uma nova droga para trazer de volta um paciente que há tempos está catatônico (Robert De Niro). Também foi uma grande fase para a diretora Penny Marshall, que vinha de Quero Ser Grande (1988) e iria para Uma Equipe Muito Especial (1992).
(Estados Unidos). Direção: Penny Marshall. Roteiro: Steve Zaillian, baseado em livro de Oliver Sacks. Elenco: Robert De Niro, Robin Williams, Julie Kavner, Ruth Nelson, John Heard, Penelope Ann Miller, Max Von Sydow, Judith Malina, Peter Stormare, Vin Diesel

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De Volta para o Futuro - Parte 3 - 06

13 — DE VOLTA PARA O FUTURO – PARTE III (Back to the Future Part III)

O fechamento da trilogia (filmado junto com a parte II) levou seus personagens para o velho oeste. O que acontece aí é uma gostosa brincadeira com o gênero, suas referências e clichês.
(Estados Unidos). Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: Bob Gale, do argumento de Gale e Zemeckis. Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Mary Steenburgen, Lea Thompson, Thomas F. Wilson, Elisabeth Shue, James Tolkan, Matt Clark, Harry Carey Jr., Marc McClure, Wendie Jo Sperber, Flea.

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Danca com Lobos - 02

14 — DANÇA COM LOBOS (Dances with Wolves)

Um amigo uma vez disse que Kevin Costner devia fazer só faroestes. E certamente ele é muito bom nisso. Não era para sair do Oscar como grande vencedor, mas é um belo filme.
(Estados Unidos, 1990). Direção: Kevin Costner. Roteiro: Michael Blake, baseado em seu romance. Elenco: Kevin Costner, Mary McDonnell, Graham Grenne, Rodney Grant, Floyd ‘Red Crow’ Westerman, Tom Everett, Wes Studi

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22395 H

15 — HENRY & JUNE ou HENRY & JUNE DELÍRIOS ERÓTICOS (Henry and June)

Philip Kaufman adaptou a obra erótica autobiográfica de Anais Nin, que conta seu envolvimento com o escritor Henry Miller e a esposa dele, June, na Paris de 1931. Os debates em torno da classificação etária do filme nos EUA geraram uma nova faixa, o NC-17. Maria de Medeiros e Uma Thurman soltam faíscas.
(Estados Unidos). Direção: Philip Kaufman. Roteiro: Philip Kaufman e Rose Kaufman, baseado no romance de Anais Nin. Elenco: Maria de Medeiros, Fred Ward, Uma Thurman, Richard E. Grant, Kevin Spacey.

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PRETTY WOMAN (1990) RICHARD GERE, JULIA ROBERTS PRW 081

16 —  UMA LINDA MULHER (Pretty Woman)

O romance mais lembrado daquele ano, é basicamente uma história de Cinderela: uma prostituta que é contratada para acompanhar um milionário que acaba se apaixonando por ela. O carisma de Julia Roberts fez o filme ser o que é e ela virou uma estrela de primeira grandeza em Hollywood depois dele.
(Estados Unidos). Direção: Garry Marshall. Roteiro: J.F. Lawton. Elenco: Julia Roberts, Richard Gere, Ralph Bellamy, Jason Alexander, Laura San Giacomo, Hector Elizondo, Alex Hyde-White, Amy Yasbeck

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Ata-me - 01

17 — ATA-ME! (Atame!)

Um sujeito com problemas mentais sequestra uma atriz de filmes pornô para tentar convencê-la a se casar com ele. A trama e a relação dos dois acaba se tornando mais complexa. Um Almodóvar atrevido de primeira linha.
(Espanha) Direção e roteiro: Pedro Almodóvar. Elenco: Victoria Abril, António Banderas, María Barranco, Rossy de Palma, Julieta Serrano.

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Darkman - 01

18 — DARKMAN — VINGANÇA SEM ROSTO (Darkman)

O mundo era muito diferente em 1990. Filmes com super-heróis eram uma raridade. Sam Raimi e equipe não adaptaram nenhuma HQ para este filme, mas se inspiraram de corpo em alma no clima dos quadrinhos (especialmente em O Sombra, egresso da literatura e do rádio). Pintou aqui o diretor de Homem-Aranha (2002).
(Estados Unidos). Direção: Sam Raimi. Roteiro: Chuck Pfarrer, Sam Raimi, Ivan Raimi, Daniel Goldin e Joshua Goldin, do argumento de Sam Raimi. Elenco: Liam Nesson, Frances McDormand, Colin Friels, Larry Drake

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Nikita - 01

19 — NIKITA — CRIADA PARA MATAR (La Femme Nikita)

O mundo era muito diferente em 1990, parte 2. Filmes de ação com mulheres no papel principal também não eram comuns. O francês Luc Besson sacudiu esse gênero com sua criminosa recrutada e treinada para ser uma agente implacável.
(França/ Itália). Direção e roteiro: Luc Besson. Elenco: Anne Parillaud, Jean-Hugues Anglade, Tcheky Karyo, Jeanne Moreau, Jean Reno, Jean Bouise

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Ghost - 01

20 — GHOST – DO OUTRO LADO DA VIDA (Ghost)

Jerry Zucker saiu das comédias amalucadas que fez com o irmão David e com Jim Abrahams (como Apertem os Cintos! O Piloto Sumiu…, 1980) e mergulhou no romanção de Ghost. Para equilibrar o melodrama entre Patrick Swayze e Demi Moore, colocou Whoopi Goldberg como coadjuvante cômica. E ainda tem uma trama de crime. No fim, deu certo.
(Estados Unidos). Direção: Jerry Zucker. Roteiro: Bruce Joel Rubin. Elenco: Patrick Swayze, Demi Moore, Whoopi Goldberg, Tony Goldwyn.

* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

OUTRAS LISTAS:

Cantando na Chuva - 33

Donald O’Connor, Debbie Reynolds e Gene Kelly, em “Cantando na Chuva”

30. ‘JE CHERCHE APRÈS TITINE’, de Tempos Modernos (1936)
Com Charles Chaplin. Direção: Charles Chaplin. Canção de Léo Daniderff, Marcel Bertal e Louis Maubon.

Como todo mundo sabe, Charles Chaplin resistiu o quanto pôde ao cinema falado. Quando Tempos Modernos estreou, já fazia nove anos da estreia de O Cantor de Jazz. E o filme, genial, continua praticamente sem diálogos. Há duas exceções. Uma são as ordens ásperas do chefe da fábrica. A outra é o único momento em que Carlitos fala. Contratado para cantar em um restaurante, ele esquece em cena a letra da canção. “Cante! Deixe as palavras pra lá!”, orienta, em socorro, a personagem de Paulette Goddard. O que vem a seguir só podia ser obra de um gênio como Chaplin: ouve-se a voz de Carlitos, mas as palavras são inventadas, não fazem sentido. O sentido da música, o que ela conta, está na coreografia que ele faz, na pantomima, como Carlitos se comunicava desde que surgiu no cinema, em 1914.

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29. ‘MEIN HERR’, de Cabaret (1972)
Com Liza Minnelli. Direção e coreografia: Bob Fosse. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de John Kander e Fred Ebb.

“Mein herr” é a primeira aparição de Liza Minnelli em Cabaret, e que introdução! Sexy, ela mostra logo que esse não é um musical como os que sua mãe, Judy Garland, fazia. A canção foi feita para o filme – não estava na versão original para os palcos.

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28. ‘GET HAPPY’, de Casa, Comida e Carinho (1950)
Com Judy Garland. Direção e coreografia: Charles Walters. Canção de Harold Arlen e Ted Koehler.

O inferno de Judy Garland com o vício em remédios já afetavam seu trabalho na Metro, e o estúdio a demitiu após esse filme. Nas filmagens, Judy passou por alterações de peso, de humor, incapacidade de trabalhar. Este número foi rodado três meses depois do resto do trabalho do filme ter sido concluído. É um verdadeiro canto do cisne de sua obra na Metro. Judy perdeu peso e está absolutamente espetacular. Seu figurino virou uma assinatura (a ideia foi resgatada de um número de Desfile de Páscoa que acabou cortado). A canção (escolhida por Judy) parece dizer mais do que todo mundo ali sabia no momento (ela morreria muito jovem, apenas 19 anos depois). Judy passou dois dias aprendendo e ensaiando a coreografia, gravou a canção num take só e perfeito e a sequência levou outros dois dias para ser filmada. Foi seu último número na Metro. E foi uma obra-prima.

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27. ‘EVERY SPERM IS SACRED’, de O Sentido da Vida (1983)
Com Michael Palin, Terry Jones, Andrew MacLachlan, Jennifer Franks, Graham Chapman e Eric Idle. Direção: Terry Jones. Coreografia: Arlene Phillips. Canção de Michael Palin, Terry Jones, André Jacquemin e Dave Howman.

Uma família católica fervorosa tem uma multidão de filhos porque não pode usar métodos contraceptivos. Dessa proposta aloprada, surge um dos números musicais mais inacreditáveis do cinema: “Todo esperma é sagrado/ Se o esperma é desperdiçado/ Deus fica muito irado”. As crianças não tinham ideia sobre o que estavam cantando (algumas palavras sujas foram mudadas na filmagem e dubladas depois). Um número alto astral, embora as crianças estejam para ser vendidas para experimentos científicos! Terry Jones gastou a maior parte do orçamento do filme neste número implacável e demolidor, que diz animadamente sobre ser católico: “Você não precisa ter um grande cérebro/ você é católico desde que o papai gozou”.

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26. ‘SILK STOCKINGS’, de Meias de Seda (1957)
Com Cyd Charisse. Direção: Rouben Mamoulien. Coreografia: Eugene Loring. Música de Cole Porter.

Uma magnífica Cyd Charisse interpreta uma espiã russa durona que acaba seduzida pelo luxo de Paris (o musical é uma refilmagem de Ninotchka, com Greta Garbo). Seu momento de virada é aqui: um número solo antológico onde sua roupas sisudas de comunista dão lugar às meias de seda do título e ao vestido suntuoso. Cyd (com suas pernas lendárias) é tão sublime que a gente quase não percebe estar assistindo a um strip-tease de uma belíssima mulher (mentira).

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25. ‘SHAKIN’ THE BLUES AWAY’, de Ama-me ou Esquece-me (1955)
Com Doris Day. Direção: Charles Vidor. Coreografia: Alex Romero. Canção de Irving Berlin.

Doris Day fazia musicais na Warner, com resultados oscilantes. Dois anos antes, tinha conseguido um gol com Ardida como Pimenta (1953), no qual cantou a vencedora do Oscar “Secret love”. Ama-me ou Esquece-me, no entanto, foi na Metro — e aí era “ôto patamá”. Ela interpreta Ruth Etting, cantora dos anos 1920 que, para chegar ao sucesso, se envolve com um gangster (James Cagney). Marcada por papéis virtuosos que renderam a ela o apelido de “virgem profissional de Hollywood”, Doris nunca esteve tão sensual como neste filme. E neste número, a bordo de uma produção de primeira e uma canção otimista toda-vida de Irving Berlin, ela seduz cantando e dançando.

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24. ‘UNDER THE SEA’, de A Pequena Sereia (1989)
Com Samuel E. Wright. Direção: Jon Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Ariel quer se meter com os humanos na superfície e o caranguejo Sebastião tenta convencê-la que é muito melhor no fundo do mar. É difícil não concordar com ele, nesta maravilhosa canção vencedora do Oscar que inspirou esse número colorido e movimentado que diz que, lá, peixe termina no aquário — e este tem até sorte, porque se o chefe fica com fome… “Lá eles tem um monte de areia, aqui temos uma banda de crustáceos da pesada”. Não adianta: a sereia já se mandou no meio da música. Mas o espectador fica.

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23. ‘WELL DID YOU EVAH?’, de Alta Sociedade (1956)
Com Bing Crosby e Frank Sinatra. Direção: Charles Walters. Canção de Cole Porter.

Esses dois monstros sagrados da música popular americana nunca tinham aparecido juntos num longa-metragem. Nesta refilmagem de Núpcias de Escândalo (1940), eles dão uma escapada de uma festa chique para beber mais do que a elegância permite. Sinatra é o jornalista que está lá para cobrir o casório para sua revista de celebridades e ricaços. Crosby é o ex-marido da tempestuosa noiva, que ainda gosta dela. Juntos, os dois homens desfilam más notícias de brincadeira, ironias, bebem mais, falam besteira e resumem suas impressões sobre aquilo tudo: “Bem, quem diria? Que festa legal essa é!”. O número, originalmente do musical de palco Du Barry Was a Lady, foi acrescentado ao filme para dar a Crosby e Sinatra um momento em que pudessem cantar junto. Decisão mais que acertada: um número divertidíssimo com dois caras com grandes vozes e carismas ainda maiores.

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22. ‘REMEMBER MY FORGOTTEN MAN’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Joan Blondell, Etta Moten e côro. Direção: Mervyn LeRoy. Direção de dança: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

O musical geralmente é um gênero indentificado com o escapismo, o romance, o sonho, o humor. O que dizer de “Remember my forgotten man”, então? Em 1933, o número que encerra grandiosamente Cavadoras de Ouro dá um tapa na cara da sociedade americana, falando dos desvalidos que foram mandados à guerra como soldados e voltam esfolados e sem encontrar seu lugar. E que terminam marginalizados pelo mesmo país que foram defender. Busby Berkerley em estado de graça: um momento mostra uma fila de garbosos soldados parte para o conflito e outra ao lado, com os homens retornando feridos. Mas o final é que é brilhante: com o desfile militar de silhuetas ao fundo, Joan Blondell quase fazendo uma oração cercada pelos “forgotten men” e o incrível plano sequência final, que começa no rosto da atriz e termina com a cena inteira. Sensacional.

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21. ‘GOOD MORNING’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly, Debbie Reynolds e Donald O’Connor. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Nacio Herb Brown e Arthur Freed.

Depois de muito baixo astral, um boa ideia reanima os ânimos do trio. E como! Don Lockwood, Kathy Selden e Cosmo Brown fazem da casa um palco: dançam na cozinha, pelas escadas, com capas de chuva, no bar, viram sofás, em uma das maiores exibições de sapateado do cinema. E, nisso, um grande destaque para Debbie Reynolds, que, aos 19 aninhos, não era dançarina, teve que dançar com dois monstros do ofício e deu conta do recado olimpicamente. “Cantando na Chuva e dar à luz foram as duas coisas mais difíceis que já fiz”, disse ela em suas memórias, em 2013. Este número levou 15 horas no dia para ser filmado. São três minutos e apenas nove cortes. No fim, Debbie estava com os pés sangrando. Mas ela conseguiu: entregou o momento mais formidável de sua carreira.

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Todo ano, dias antes do Oscar, é a mesma coisa: o Oscar erra, o Oscar é injusto. É evidente que sim.

Às vezes o lobby fala mais alto, às vezes existe um ranço contra alguém, às vezes a consciência geral sobre a grandeza de um filme acaba vindo muito depois de ele ser lançado e não no momento.

Há casos de escolhas inacreditáveis em todas as categorias. Aqui embaixo vem um top 10 de grandes injustiças só na categoria melhor filme.

Mas o Oscar acerta também. Muitas vezes, e acho que há mais acertos do que erros clamorosos. E aí é preciso entender o seguinte: algumas vezes eu posso achar que o filme eleito não é o melhor, mas também não achar a escolha absurda. Em tempos de polarização radical, essa perspectiva pode parecer incompreensível, mas eu a tenho.

Por exemplo, Moonlight ganhou em 2017, mas não era meu preferido para vencer, que seria La La Land ou Manchester à Beira-Mar. Mas tudo bem, não considero “um erro”. Há um espectro de possibilidades que considero aceitável.

Mas, como eu dizia, o Oscar acertou muitas vezes. Acertos cravando filmes que se tornaram clássicos incontestáveis ou opções certeiras em anos mais divididos.

Vamos às duas listas, então. Elas se referem unicamente à categoria de melhor filme e, para efeito de referência, levando em conta apenas os filmes indicados. Os anos são da cerimônia em que os filmes concorreram:

TOP 10 JUSTIÇAS DO OSCAR:

humphrey bogart &amp; ingrid bergman - casablanca 1943

1 — 1944: CASABLANCA

Poderoso Chefao - 27

2 — 1973: O PODEROSO CHEFÃO

Lawrence da Arabia

3 — 1963: LAWRENCE DA ARÁBIA

 

Se Meu Apartamento Falasse-02

4 — 1961: SE MEU APARTAMENTO FALASSE

Imperdoaveis - 01

5 — 1993: OS IMPERDOÁVEIS

lista-de-schindler-043

6 — 1994: A LISTA DE SCHINDLER

Poderoso Chefao2-04

7 — 1975: O PODEROSO CHEFÃO — PARTE II

Novica Rebelde-02

8 — 1966: A NOVIÇA REBELDE

Aconteceu Naquela Noite-05

9 — 1935: ACONTECEU NAQUELA NOITE

Golpe de Mestre - 11

10 — 1974: GOLPE DE MESTRE

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TOP 10 INJUSTIÇAS DO OSCAR:

Todos os Homens do Presidente-07

“Todos os Homens do Presidente”

1 — 1977: Quem concorria: TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE; TAXI DRIVER; REDE DE INTRIGAS
Quem venceu: ROCKY, UM LUTADOR

Boa Noite e Boa Sorte-08

“Boa Noite e Boa Sorte”

2 — 2006: Quem concorria: BOA NOITE E BOA SORTE; O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN
Quem venceu: CRASH — NO LIMITE

cidadao-kane-19

“Cidadão Kane”

3 — 1942: Quem concorria: CIDADÃO KANE
Quem venceu: COMO ERA VERDE O MEU VALE

Touro Indomavel - 03

“Touro Indomável”

4 — 1981: Quem concorria: TOURO INDOMÁVEL
Quem venceu: GENTE COMO A GENTE

Roma - 01

“Roma”

5 —  2019: Quem concorria: ROMA; INFILTRADO NA KLAN
Quem venceu:-GREEN BOOK —  O GUIA

Tigre e o Dragao-2

“O Tigre e o Dragão”

6 — 2001: Quem concorria: O TIGRE E O DRAGÃO; TRAFFIC
Quem venceu: GLADIADOR

Resgate do Soldado Ryan - 01

“O Resgate do Soldado Ryan”

7 — 1999: Quem concorria: ELIZABETH; A VIDA É BELA; O RESGATE DO SOLDADO RYAN
Quem venceu: SHAKESPEARE APAIXONADO

Bons Companheiros - 01

“Os Bons Companheiros”

8 — 1991: Quem concorria: OS BONS COMPANHEIROS
Quem venceu: DANÇA COM LOBOS

Cacadores da Arca Perdida - 01

“Os Caçadores da Arca Perdida”

9 — 1982: Quem concorria: OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA; REDS
Quem venceu: CARRUAGENS DE FOGO

Fargo - 01

“Fargo”

10 — 1997: Quem concorria: FARGO
Quem venceu: O PACIENTE INGLÊS

OS 15 MELHORES DE 1969

Butch Cassidy - 01

1 — BUTCH CASSIDY (Butch Cassidy and the Sundance Kid)

Na linhagem dos “bandidos simpáticos”, poucos se comparam à dupla formada por Newman e Redford em Butch Cassidy. O filme é de uma época em que o faroeste passava por uma revisão. Menos glamour, um pouco mais de sujeira, abraçando um pouco o que vinha sendo feito na Itália. Butch e Sundance também ganhavam uma releitura menos interessada na fidelidade histórica e mais em inseri-los no simbolismo da rebeldia dos anos 1960, um pouco como havia sido feito em Bonnie & Clyde, dois anos antes. Newman, Redford e Katharine Ross desfilam charme pelo filme todo.
(Butch Cassidy and the Sundance Kid, Estados Unidos). Direção: George Roy Hill. Roteiro: William Goldman. Elenco: Paul Newman, Robert Redford, Katharine Ross, Strother Martin.

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Meu Odio Sera Sua Heranca - 01

2 — MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA (The Wild Bunch)

Zack Snyder devia assistir a esse filmes três vezes por dia até aprender como usar a câmera lenta para propósitos dramáticos. Numa época em que sangue não era gasto em galões no cinema, Peckinpah era conhecido como o mestre da violência. Mas também por causa de sua carga dramática. Aqui, ele um canto do cisne do faroeste, com a missão final de pistoleiros veteranos.
(The Wild Bunch, Estados Unidos). Direção: Sam Peckinpah. Roteiro: Walon Green e Sam Peckinpah, argumento de Walon Green e Roy N. Sickner. Elenco: William Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan, Edmond O’Brien, Warren Oates, Strother Martin.

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Z - 02

3 — (Z)

Costa-Gavras se tornou conhecido por um cinema fortemente político. E aqui ele denuncia a ditadura militar grega, através de um jornalista que investiga o assassinato de um líder da oposição. Foi o primeiro filme de língua não inglesa indicado ao Oscar de melhor filme.
(Z, França/ Argélia). Direção: Costa-Gavras. Roteiro: Costa-Gavras e Ben Barzman, dialogos de Jorge Semprún, baseado em romance de Vasilis Vasilikos. Elenco: Yves Montand, Irene Papas, Jean-Louis Trintignant, François Pérrier, Jacques Perrin.

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Perdidos na Noite - 01

4 — PERDIDOS NA NOITE (Midnight Cowboy)

Jon Voight chega a Nova York para ganhar a vida como prostituto. O ingênuo caipira encontra um trapaceiro de rua, o “Ratso” Rizzo vivido por Dustin Hoffman. Os dois atores comandam este, que foi o primeiro filme para maiores de 18 a vencer o Oscar. Um filme sobre amizade na sarjeta. E tem aquele improviso maravilhoso de Hoffman com o taxi: “Hey, I’m walking here!”.
(Midnight Cowboy, Estados Unidos). Direção: John Schlesinger. Roteiro: Waldo Salt, baseado em romance de James Leo Herlihy. Elenco: Jon Voight, Dustin Hoffman, Sylvia Miles, Brenda Vaccaro, Jennifer Salt.

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Charlie Brown e Snoopy-04

5 — CHARLIE E SNOOPY ou CHARLIE BROWN E SNOOPY ou UM GAROTO CHAMADO CHARLIE BROWN (A Boy Named Charlie Brown)

A turma da tira Peanuts, escrita e desenhada por Charles M. Schulz, já aparecia na TV em especiais de pouco mais de 20 minutos desde 1965, com O Natal de Charlie Brown, no ritmo de uma ou duas vezes por ano. Em 1969, Charlie, Lucy, Linus e o cãozinho Snoopy chegavam às telonas em um longa que mantinha o estilo simples das produções para a TV e os mesmos temas recorrentes da frustração e medo da rejeição.
(A Boy Named Charlie Brown, Estados Unidos). Direção: Bill Melendez. Roteiro: Charles M. Schulz, baseado em sua própria tira de quadrinhos. Vozes na dublagem original: Peter Robbins, Pamelyn Ferdin, Glenn Gilger.

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Macunaima - 02

6 — MACUNAÍMA

O romance modernista de Mário de Andrade ganhou uma versão irreverente pelas mãos de Joaquim Pedro de Andrade, com dois atores-ícones do cinema nacional dividindo o papel-título (Grande Otelo e Paulo José) e ainda Dina Sfat.
(Brasil). Direção e roteiro: Joaquim Pedro de Andrade, baseado em romance de Mário de Andrade. Elenco: Grande Otelo, Paulo José, Dina Sfat, Jardel Filho, Milton Gonçalves, Joanna Fomm, Zezé Macedo, Wilza Carla.

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007 a Servico de Sua Majestade - 03

7 — 007 A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE (On Her Majesty’s Secret Service)

O senso comum aponta George Lazenby como o pior ator a encarnar James Bond. É difícil discordar. O interessante é que isso acontece em um ótimo exemplar da série, que tenta humanizar um pouco o agente 007 e tem Diana Rigg como uma das melhores bondgirls (ou bondwoman, como se diz hoje).
(On Her Majesty’s Secret Service, Reino Unido). Direção: Peter Hunt. Roteiro: Richard Maibaum, com diálogos adicionais por Simon Raven, baseado em romance de Ian Fleming. Elenco: George Lazenby, Telly Savallas, Diana Rigg, Gabriele Ferzetti, Lois Maxwell, Bernard Lee, Desmond Llewelyn.

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Dragao da Maldade contra o Santo Guerreiro - 01

8 — O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO

Glauber voltou aqui ao personagem mítico Antônio das Mortes, de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), alçando-o ao papel principal e fazendo-o refletir sobre sua atividade de matador de cangaceiros. Ganhou melhor direção em Cannes.
(França/ Brasil/ Alemanha Ocidental/ Estados Unidos). Direção e roteiro: Glauber Rocha. Elenco: Maurício do Valle, Odete Lata, Othon Bastos, Hugo Carvana, Jofre Soares.

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Sem Destino - 01

9 — SEM DESTINO (Easy Rider)

Emblemático talvez seja a melhor palavra para Sem Destino. Um filme que, em sua história dos motoqueiros que viajam pelos EUA, resume em si um espírito daquela época no que diz respeito à contracultura. A própria produção do filme foi louquíssima, como eram os personagens e aqueles dias.
(Easy Rider, Estados Unidos). Direção: Dennis Hopper. Roteiro: Peter Fonda, Dennis Hopper e Terry Southern. Elenco: Peter Fonda, Dennis Hopper, Jack Nicholson, Phil Spector.

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Assaltante Bem Trapalhao - 01

10 — UM ASSALTANTE BEM TRAPALHÃO (Take the Money and Run)

Primeiro filme valendo pontos de Woody Allen como diretor, é uma comédia rasgada sobre um assaltante de banco que não tinha nada de gênio do crime. Allen já mostrava que tinha vontade de ir além, ao brincar um pouco com a narrativa dos documentários, inserindo depoimentos para contar a história.
(Take the Money and Run, Estados Unidos). Direção: Woody Allen. Roteiro: Woody Allen e Michael Rose. Elenco: Woody Allen, Janet Margolin, Michael Hillaire.

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Noite dos Desesperados - 01

11 — A NOITE DOS DESESPERADOS (They Shoot Horses, Don’t They?)

O filme se passa nos anos 1930, época da Grande Depressão nos EUA, e o cenário é uma desumana maratona de dança onde personagem sem qualquer esperança jogam suas últimas fichas em busca de uma virada na vida — ou morrer. Tambpem marcou uma virada na carreira de Jane Fonda em busca de papéis mais fortes — no ano anterior, ela havia feito Barbarella!
(They Shoot Horses, Don’t They?, Estados Unidos). Direção: Sydney Pollack. Roteiro: James Poe e Robert E. Thompson, baseado em romance de Horace McCoy. Elenco: Jane Fonda, Michael Sarrazin, Susannah York, Gig Young, Red Button, Bonnie Bedelia, Bruce Dern.

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Flor de Cacto-07

12 — FLOR DE CACTO (Cactus Flower)

Adaptação de uma comédia de sucesso da Broadway, revelou Goldie Hawn, que acabou ganhando um Oscar de coadjuvante. Walter Matthau é o protagonista do roteiro maluquete, sobre um dentista que finge que é casado pra não ter que firmar compromisso com a “amante”. Mas aí sua enfermeira, vivida por Ingrid Bergman, precisa fingir que é a esposa.
(Cactus Flower, Estados Unidos). Direção: Gene Saks. Roteiro: I.A.L. Diamond, baseado em peça de Abe Burrows, por sua vez versão da peça francesa de Pierre Barillet e Jean-Pierre Grédy. Elenco: Walter Matthau, Ingrid Bergman, Goldie Hawn.

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Alo Dolly - 01

13 — ALÔ, DOLLY! (Hello, Dolly!)

Barbra Streisand pós Oscar por A Garota Genial é a grande estrela deste musical da Broadway dirigido no cinema por Gene Kelly – um dos maiores astros e coreógrafos do gênero, aqui ele só é diretor (foi indicado ao Globo de Ouro). Barbra e Walter Matthau não se deram e o filme tem coisa demais, mas ainda é bem divertido. E ainda tem a aparição de Louis Armstrong, sua última no cinema.
(Hello, Dolly!, Estados Unidos). Direção: Gene Kelly. Roteiro: Ernest Lehman, baseado na peça musical de Michael Stewart, por sua vez baseado na peça de Thornton Wilder, por sua vez versão da peça francesa de Johann Nestroy. Elenco: Barbra Streisand, Walter Matthau, Michael Crawford, Marianne McAndrew.

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Matou a Família e Foi ao Cinema - 1969 - 01

14 — MATOU A FAMÍLIA E FOI AO CINEMA

Exemplar do cinema marginal brasileiro, terceiro longa de Bressane. Parte da premissa literal do título, um rapaz que mata os pais e vai ao cinema, para outros contos curtos de violência, como o das meninas que se apaixonam e matam a mãe de uma delas. Teve uma refilmagem muito ruim em 1991, com Cláudia Raia.
(Brasil). Direção e roteiro: Júlio Bressane. Elenco: Márcia Rodrigues, Renata Sorrah, Vanda Lacerda, Antero de Oliveira.

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Bravura Indomita - 1969 - 05

15 — BRAVURA INDÔMITA (True Grit)

Garota determinada procura um profissional que a ajude a prender o homem que matou seu pai. Consegue o xerife bebum, caolho e decadente vivido por John Wayne. Um papel longe dos costumeiros papéis invencíveis do astro, o que rendeu a ele um Oscar. Bem bom, rendeu uma refilmagem ainda melhor, dirigida pelos irmãos Coen em 2010.
(True Grit, Estados Unidos). Direção: Henry Hathaway. Roteiro: Marguerite Roberts, baseado no romance de Charles Portis. Elenco: John Wayne, Kim Darby, Glen Campbell, Robert Duvall, Dennis Hopper, Strother Martin.


Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.


OUTRAS LISTAS:

Grease - Nos Tempos da Brilhantina -21

John Travolta em “Grease — Nos Tempos da Brilhantina” (1978)

40. ‘42ND STREET’, de Rua 42 (1933)
Com Ruby Keeler, Dick Powell e elenco. Direção: Lloyd Bacon. Coreografia: Busby Berkeley. Canção de Al Dubin e Harry Warren.

Depois de uma introdução com Ruby Keeler sozinha no palco, o número começa para valer: a vida na feérica Rua 42 de Nova York é encenada musicalmente, com sua agitação, seu balançado e até suas tragédias humanas. Tudo com a brilhante coreografia de Busby Berkeley.

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39. ‘MY OLD KENTUCKY HOME’, de A Mascote do Regimento (1935)
Com Bill “Bojangles” Robinson e Shirley Temple. Direção: David Butler. Música de Stephen Foster.

Histórico: pela primeira vez um par formado por um homem negro e uma mulher branca dançam juntos no cinema. Esse tabu racista foi quando o ás do sapateado Bill “Bojangles” Robinson, 57 anos, estende a mão para a estrelinha mirim Shirley Temple, 7 anos, e eles sobem e descem os degraus de uma escada de mãos dadas. A dança nos degraus eram uma marca pessoal de Robinson e, nesta cena, ele ensina Shirley a dançar como ele. E ela é uma ótima aluna.

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38. ‘DENTIST!’, de A Pequena Loja dos Horrores (1986)
Com Steve Martin, Michelle Weeks, Tichina Arnold e Tisha Campbell-Martin. Direção: Frank Oz. Coreografia: Pat Garrett. Canção de Howard Ashman e Alan Menken.

Qual seria o emprego ideal para um sádico? Para este filme, a resposta é óbvia: dentista! Steve Martin deita e rola nesta participação especial, fazendo sofrer pacientes e enfermeiras, em um número hilariante e cruel.

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37. ‘SUNDAY JUMPS’, de Núpcias Reais (1951)
Com Fred Astaire. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Nick Castle. Música de Burton Lane.

Astaire não era só um dançarino. Era praticamente um músico com os pés. Aqui, além da noção impressionante de ritmo, que ele mostra na prática, ainda tem um de seus momentos antológicos: ele dança com um guarda-chapéus e, como disse Gene Kelly em Era uma Vez em Hollywood (1974), “como de costume, ele fez seu parceiro parecer ótimo”.

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36. ‘MOON RIVER’, de Bonequinha de Luxo (1961)
Com Audrey Hepburn. Direção: Blake Edwards. Canção de Henry Mancini e Johnny Mercer.

Em uma reunião de produção, alguém quis tirar essa canção do filme. Audrey Hepburn se levantou e disse: “Só por cima do meu cadáver”. Ela estava absolutamente certa. Sentada em sua janela, dedilhando um violão e observada pelo vizinho que logo estará apaixonado, Holly Golightly mostra um lado menos festeiro, mas encantador. A canção ganhou um Oscar e virou um ícone, associada para sempre à atriz.

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35. ‘NEW YORK, NEW YORK’, de Um Dia em Nova York (1949)
Com Gene Kelly, Frank Sinatra e Jules Munshin. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Canção de Leonard Bernstein, Adolph Green e Betty Comden.

6 da manhã em Nova York. Marinheiros saem em disparada de seu navio loucos para aproveitar suas 24 horas de folga em Manhattan. Nossos três protagonistas não perdem tempo e, num tempo em que os filmes eram sempre rodados dentro do estúdio, eles cantam sua canção nas locações reais da cidade (atenção: não é a mesma “New York, New York” do filme do Scorsese de 1977, que depois virou ícone como parte do repertório de Frank Sinatra). As cenas em locação eram raríssima na época, mas Gene Kelly e Stanley Donen fizeram questão. E os marinheiros vão fazendo planos do que vão aprontar por lá, entre visitar pontos turísticos e arranjar namoradas. Afinal, “New York, New York: it’s a wonderful town!”.

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34. ‘SUMMER NIGHTS’, de Grease — Nos Tempos da Brilhantina (1978)
Com John Travolta, Olivia Newton-John, Barry Pearl, Dinah Manoff, Didi Conn, Jeff Conaway, Kelly Ward, Stockard Channing, Jamie Donnelly e Michael Tucci . Direção: Randal Kleiser. Coreografia: Patricia Birch. Canção de Galt MacDermot, Gerome Ragni e James Rado.

A magia do musical: Olivia e Travolta estão separados, mas unidos pela canção. Eles, que se conheceram e se apaixonaram nas férias, agora estão na mesma escola, mas não sabem disso. Contam aos amigos como foi esse namoro (ele, particularmente, exagera ao contar vantagem). O “ele disse, ela disse” vai e volta para um e para outro, com suas versões do que rolou. Apenas uma sobreposição de imagens vai uni-los no final do dueto.

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33. ‘JUKEBOX DANCE’, de Melodia da Broadway de 1940 (1940)
Com Fred Astaire e Eleanor Powell. Direção: Norman Taurog. Coreografia: Bobby Connolly. Música de Walter Ruick.

Os personagens de Fred Astaire usaram esse truque mais de uma vez: fingir que não sabe dançar para que a moça o ensine e, aí, ele dá show. O encontro entre Fred, o melhor entre os homens, e Eleanor, a melhor entre as mulheres, só aconteceu neste filme. Como se pode ver neste número, que bom que este filme foi feito. Eleanor Powell era tão genial que até intimidava Astaire, que achava que ela talvez fosse melhor até do que ele.

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32. ‘THE GIRL HUNT’, de A Roda da Fortuna (1953)
Com Fred Astaire e Cyd Charisse. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Michael Kidd. Música de Arthur Schwartz.

Uma criativa e espirituosa versão musical dos romances policiais de detetives particulares, com um Fred Astaire que resistia a experimentar coisas novas (segundo o coreógrafo Michael Kidd), mas que arrasou como sempre, e uma não menos do que esplêndida Cyd Charisse. O ponto alto é a investigação no nightclub, onde Fred e Cyd traduzem em passos e movimentos o jogo perigoso (mas animado) de sedução entre seus personagens.

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31. ‘MY FAVORITE THINGS’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews, Charmian Carr, Nicholas Hammond, Heather Menzies-Urich, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner e Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Oscar Hammerstein II e Richard Rodgers.

Na peça original, a canção que Maria canta para as crianças para afastar o medo da tempestade é “The lonely goatherd”. “My favorite things” é cantada em outro momento por Maria… e com a madre superiora! Foi o roteirista Ernst Lehmann que resolveu rearranjar a posição das canções e ele estava mais do que certo: “My favorite things” é o argumento ideal para afastar os maus pensamentos das crianças. Quando o filme foi feito, a canção já havia virado um clássico também do jazz, depois John Coltrane a gravou em 1961 no álbum homônimo.

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OS 20 MELHORES DE 1999

Tudo sobre Minha Mae - 01

1 — TUDO SOBRE MINHA MÃE (Todo Sobre Mi Madre)

(Espanha/ França). Direção: Pedro Almodóvar. Elenco: Cecília Roth, Marisa Paredes, Candela Peña, Antonia San Juan, Penélope Cruz.
Almodóvar voltava a investir no melodrama, temperado por seu amor pelas atrizes. Um jovem que quer ser escritor tenta pegar um autógrafo de uma famosa atriz, mas é atropelado e morre.  Sua mãe convive com esse luto enquanto busca pelo pai do rapaz, para dar a notícia. Na jornada, conhece um travesti, uma freira e a própria atriz. O título mostrava sua devoção à Hollywood clássica, citando diretamente o clássico All about Eve (A Malvada no Brasil, filme de 1950), com Bette Davis e Anne Baxter. O filme é dedicado a Bette, a Romy Schneider e Gena Rowlands, três grandes atrizes do cinema. Ganhou o Oscar de filme de língua não inglesa.

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Toy Story 2 - 01

2 — TOY STORY 2 (Toy Story 2)

(Estados Unidos). Direção: John Lasseter. Elenco (vozes originais): Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Kelsey Grammer, Don Rickles, Wallace Shawn, Annie Potts, Wayne Knight, Lurie Metcalf, Estelle Harris. R. Lee Ermey, Jodi Benson.
Quatro anos após o primeiro filme, Toy Story coloca o devotado boneco Woody frente a possibilidade de um dia ser descartado (tema que seria retomado no terceiro e quarto filmes). O drama da rejeição aparece mais forte na figura de Jessie e a canção que conta sua história com a antiga dona, com um final de cortar o coração. Há muitas, muitas ideias maravilhosas: o segundo Buzz Lightyear, que — como o primeiro, no primeiro filme — pensa que é mesmo um herói espacial, mas é ainda mais caricato e engraçadíssimo; o prólogo; a sequência nas esteiras do aeroporto; o clímax que remete aos faroestes.

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Buena Vista Social Club

3 — BUENA VISTA SOCIAL CLUB (Buena Vista Social Club)

(Alemanha/ Estados Unidos/ Reino Unido/ França/ Cuba). Direção: Wim Wenders. 
Wim Wenders e Ry Cooder foram pra Cuba. E lá eles trouxeram à luz uma série de músicos extraordinários que estavam meio esquecidos: Compay Segundo, Ibrahim Ferrer, Rubén González, Omara Portuondo e muitos outros. O filme e o disco resgataram essa parte da música cubana para o mundo.

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Eleicao

4 — ELEIÇÃO (Election)

(Estados Unidos). Direção: Alexander Payne. Elenco: Matthew Broderick, Reese Witherspoon, Chris Klein, Jessica Campbell, Colleen Camp. 
Em uma aparentemente inocente eleição do corpo estudantil de uma escola, um professor detecta o perigo futuro em uma das concorrentes, especialmente ambiciosa. Ele resolve interferir no pleito, enquanto sua vida pessoal vai se tornando mais e mais confusa. Uma comédia que parece um John Hughes dark.

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Sexto Sentido - 04

5 — O SEXTO SENTIDO (The Sixth Sense)

(Estados Unidos). Direção: M. Night Shyamalan. Elenco: Bruce Willis, Haley Joel Osment, Toni Collette, Olivia Williams. 
Um dos finais-surpresa mais famosos da História, o filme é uma extremamente bem armada pegadinha narrativa, além de criar um clima de terror dramático mais importante que eventuais sustos.

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Informante - 1999 - 02

6 — O INFORMANTE (The Insider)

(Estados Unidos). Direção: Michael Mann. Elenco: Al Pacino, Russell Crowe, Christopher Plummer, Diane Venora, Gina Gershon. 
Às vezes Michael Mann se deixa levar pelo apuro estético e esquece um pouco de contar a história. Não é o que acontece aqui, na forte trama de um denunciante da indústria do tabaco (Crowe que,  ganhou o Oscar do ano seguinte por Gladiador, quando merecia muito mais por este aqui) que é atacado depois que resolve abrir a boca em um programa jornalístico da TV após a insistência de um produtor (Pacino).

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Quero Ser John Malkovich - 04

7 — QUERO SER JOHN MALKOVICH (Being John Malkovich)

(Estados Unidos). Direção: Spike Jonze. Elenco: John Cusack, Cameron Diaz, Catherne Keener, Octavia Spencer, John Malkovich. 
Filmes esquisitos hoje não são mais tão incomuns, mas a trama de um meio-andar em um prédio onde as pessoas têm que andar curvadas e onde há uma passagem para dentro da mente do ator John Malkovich foi uma imensa surpresa em sua época. O roteiro é de Charlie Kaufman, que a partir daqui virou grife.

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DH Wallpapers

8 — MAGNÓLIA (Magnolia)

(Magnolia, Estados Unidos). Direção e roteiro: Paul Thomas Anderson. Elenco: Julianne Moore, Tom Cruise, William H. Macy, Phillip Seymour Hoffman, Jason Robards, John C. Reilly, Philip Baker Hall, Alfred Molina, Melinda Dillon.
Uma intrincada teia de dramas, ressentimentos, dores, frustrações e desesperos interligando diversos personagens, pela batuta firme e elegante de P.T. Anderson.

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A Espera de um Milagre - 04

9 — À ESPERA DE UM MILAGRE (The Green Mile)

(Estados Unidos). Direção: Frank Darabont. Elenco: Tom Hanks, Michael Clarke Duncan, David Morse, James Cromwell, Bonnie Hunt, Sam Rockwell, Michael Jeter, Doug Hutchison, Patricia Clarkson, Harry Dean Stanton. 
Darabont dirige outra trama de Stephen King (depois de Um Sonho de Liberdade, 1995) e de novo entregou um grande trabalho. Há o elemento sobrenatural, na figura do preso gigante que é acusado de matar uma menina e que tem um dom misterioso, e há a rotina do corredor da morte, de seus hóspedes e dos policiais que os guardam. O filme tem vários bons personagens, defendidos por um elenco ótimo.

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Picaretas - 01

10 — OS PICARETAS (Bowfinger)

(Estados Unidos). Direção: Frank Oz. Roteiro: Steve Martin. Elenco: Steve Martin, Eddie Murphy, Heather Graham, Christine Baranski, Terence Stamp, Robert Downey Jr. 
Uma comédia amorosa sobre o mundo do cinema em que Steve Martin é um produtor/diretor meia-boca que resolve dirigir um filme com um grande astro — sem que ele saiba. Para isso, vale usar de todos os recursos para a interação com o ator, que ainda é um paranoico membro de uma religião dessas tipo cientologia.

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Lugar Chamado Notting Hill - 03

11 — UM LUGAR CHAMADO NOTTING HILL (Notting Hill)

(Estados Unidos). Direção: Roger Michell. Roteiro: Richard Curtis. Elenco: Hugh Grant, Julia Roberts, Rhys Ifans, Tim McInnerny, Gina McKee, Emma Chambers, Hugh Bonneville. 
Especialista em comédias românticas, Richard Curtis teve um ponto alto aqui, fantasiando essa relação entre um britânico suburbano sem graça e uma estrela de Hollywood. Michell tem uma direção inspirada e há diversos bons coadjuvantes.

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Virgens Suicidas - 01

12 — AS VIRGENS SUICIDAS (The Virgin Suicides)

(Estados Unidos). Direção e roteiro: Sofia Coppola. Elenco: Kirsten Dunst, James Woods, Kathleen Turner, Josh Hartnett, Michael Paré, Scott Glenn, Danny DeVito, Hayden Christensen.
A redenção de uma artista, nove anos antes massacrada por uma escalação infeliz do pai e uma consequente má atuação em O Poderoso Chefão — Parte III, Com As Virgens Suicidas, Sofia Coppola se revelou uma cineasta sensível e talentosa nessa história dos rapazes obcecados com as cinco misteriosas irmãs novas na vizinhança.

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Clube da Luta - 01

13 — CLUBE DA LUTA (Fight Club)

(Estados Unidos/ Alemanha). Direção: David Fincher. Roteiro: Jim Uhls. Elenco: Edward Norton, Brad Pitt, Helena Bonham Carter, Meat Loaf.
Vidas em Jogo
(1997) não havia tido a mesma recepção impressionante de Seven (1995), mas David Fincher recuperou seu prestígio narrativo com essa adaptação vistosa e que se tornou cult do livro de Chuck Palahniuk. É incrivelmente o primeiro roteiro de Uhls.

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Tarzan - 13

14 — TARZAN (Tarzan)

(Estados Unidos). Direção: Chris Buck, Kevin Lima. Roteiro: Tab Murphy, Bob Tzudiker, Noni White. Elenco (vozes na dublagem original): Tony Goldwin, Minnie Driver, Glenn Close, Brian Blessed, Lance Henriksen, Rosie O’Donnel, Nigel Hawthorne, Wayne Knight.
Foi meio surpreendente que a Disney tivesse recorrido a um personagem já usado tantas vezes no cinema para seu longa de animação da vez. No fim, foi um ponto alto do estúdio nos anos 1990, um dos últimos grandes trabalhos da animação tradicional na Disney para o cinema antes do computador tomar conta de vez.

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Matrix - 01

15 — MATRIX (The Matrix)

(Estados Unidos). Direção e roteiro: Lana Wachowski e Lilly Wachowski. Elenco: Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving.
O universo hacker, efeitos de última geração, a pílula azul ou a pílula vermelha, filosofia pop, estilo visual cyberpunk. Matrix fez a cabeça de um mundo de gente e nem as desastrosas continuações diminuíram sua força.

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Mundo de Andy

16 — O MUNDO DE ANDY (Man on the Moon)

(Estados Unidos). Direção: Milos Forman. Roteiro: Scott Alexander e Larry Karaszewski. Elenco: Jim Carrey, Danny DeVito, Courtney Love, Paul Giamatti.
Jim Carrey entrega uma daquelas performances que costumam chamar de mediúnicas na cinebiografia de um lendário comediante americano, pouco conhecido por aqui: Andy Kaufman.

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Meninos Nao Choram - 01

17 — MENINOS NÃO CHORAM (Boys Don’t Cry)

(Estados Unidos). Direção: Kimberly Pearce. Roteiro: Kimberly Peirce e Andy Bienen. Elenco: Hilary Swank, Chloë Sevigny, Peter Sarsgaard.
A crua cinebiografia de Brandon Teena, e sua vida de homem transgênero no interior dos EUA, revelou a grande atriz Hilary Swank, que ganhou o Oscar, mas teve poucas oportunidades realmente boas depois.

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Gigante de Ferro - 01

18 — O GIGANTE DE FERRO (The Iron Giant)

(Estados Unidos). Direção: Brad Bird. Roteiro: Tim McCanlies. Elenco (vozes na dublagem original): Eli Marienthal, Jennifer Aniston, Harry Connick Jr., Vin Diesel. 
Animação que bebe na ficção científica dos anos 1950, com a história de um robô gigante que veio do espaço, cai próximo a uma cidadezinha do interior e faz amizade com um garoto local. Não por acaso, o filme se passa exatamente nos anos 1950. Lembra também Frankenstein Jr., da Hanna-Barbera. Bird depois dirigiu Ratatouille e Os Incríveis, na Pixar, e o melhor filme disparado de Missão: Impossível.

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Beleza Americana-04

19 — BELEZA AMERICANA (American Beauty)

(Estados Unidos). Direção: Sam Mendes. Roteiro: Alan Ball. Elenco: Kevin Spacey, Annette Bening, Thora Birch, Wes Bentley, Mena Suvari, Peter Gallagher, Allison Jenney, Chris Cooper. 
A partir da crise de meia idade de um sujeito assolado pelo desejo pela amiga da filha vão se revelando os desejos ocultos na comunidade americana suburbana perfeitinha na superfície.

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Fim de Caso - 16

20 — FIM DE CASO (The End of the Affair)

(Reino Unido/ Estados Unidos). Direção e roteiro: Neil Jordan. Elenco: Ralph Fiennes, Julianne Moore, Stephen Rea, Jason Isaacs. 
Jordan adaptou o romance de Graham Greene, no qual um escritor tem notícia de uma ex-amante, que o abandonou sem explicação, e tenta obsessivamente descobrir o motivos do final abrupto. Um grande elenco, com uma Julianne Morre especialmente deslumbrante.

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OS 10 PIORES

Zoando na TV - 01

1 — ZOANDO NA TV

(Brasil). Direção: José Alvarenga Jr. Roteiro: Carlos Lombardi, Mauro Wilson, José Alvarenga Júnior, Maria Carmem Barbosa. Elenco: Angélica, Márcio Garcia, Danielle Winits, Paloma Duarte, Miguel Falabella, Bussunda, Oscar Magrini, Nicete Bruno, Maria Padilha, Odilon Wagner.
A primeira produção da Globo Filmes é essa comédia infantojuvenil que usa o elenco da emissora (a na época apresentadora infantil à frente) girando em torno da própria TV. Mau começo, parece forçado o tempo todo.

2 — UM COPO DE CÓLERA (Brasil). Direção: Aluízio Abranches. Elenco: Júlia Lemmertz, Alexandre Borges. Um livro lido em cena (e sexo).

3 — UMA AVENTURA DO ZICO (Brasil). Direção: Antônio Carlos da Fontoura. Elenco: Zico, Laura Cardoso. Fazem um clone do Zico e a personalidade dele é dividida em duas: um fica sério demais e o outro, zoeiro. Não podia dar certo.

4 — ARMADILHA (Entrapment, EUA/ Reino Unido/ Alemanha). Direção: Jon Amiel. Elenco: Sean Connery, Catherine Zeta-Jones. Um dos piores filmes de roubo já feitos, só vale pela Catherine, lindíssima.

5 — ROMANCE (Romance, França). Direção: Catherine Breillat. Elenco: Caroline Ducey, Rocco Sifredi. Fez o maior bafafá na época porque era um filme “sério” que tinha sexo explícito. Mas, como filme, é bem fraco.

6 — DO FUNDO DO MAR (Deep Blue Sea, EUA/ México). Direção: Renny Harlin. Elenco: Saffron Burrows, Thomas Jane, Samuel L. Jackson. Tubarões inteligentes digitais.

7 — ORFEU (Brasil). Direção: Carlos Diegues. Elenco: Toni Garrido, Patrícia França, Murilo Benício. Tentativa de atualizar a peça de Vinicius e Tom Jobim, que não funcionou. E ainda teve aquela ponta nonsense do Caetano tocando violão numa laje.

8 — A CASA AMALDIÇOADA (The Hauting, EUA). Direção: Jan de Bont. Elenco: Liam Neeson, Catherine Zeta-Jones, Lily Taylor, Owen Wilson, Virginia Madsen. Fazia parte de um projeto de refilmar clássicos do horror dos anos 1950. Tinha um bom elenco e bons nomes por trás das câmeras, mas não foi longe.

9 — O TRAPALHÃO E A LUZ AZUL (Brasil). Direção: Paulo Aragão e Alexandre Boury. Elenco: Renato Aragão, Adriana Esteves, Rodrigo Santoro, Christine Fernandes, Danielle Winits, Dedé Snatana, Roberto Guilherme. Dois filmes e oito anos depois, este filme trouxe Dedé de volta, mas como vilão. Já começou errado.

10 — STAR WARS — A AMEAÇA FANTASMA (Star Wars — The Phantom Menace, EUA). Direção: George Lucas. Elenco: Liam Neeson, Ewan McGregor, Natalie Portman, Jake Lloyd, Ian McDiarmid, Terence Stamp. Lucas recomeçou a saga Star Wars no cinema assumindo sozinho a direção e o roteiro. Estava fora de forma. Apesar da pompa e de causar muita expectativa no lançamento, o “episódio 1” pode ser descartado tranquilamente.

  • Não estão na lista porque não vi (mas aposto que entrariam: Xuxa Requebra e Gigolô por Acidente)

Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria. Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.


OUTRAS LISTAS:

OS 20 MELHORES DE 1989

Faca a Coisa Certa - 03

1 — FAÇA A COISA CERTA (Do the Right Thing)

O caldeirão multicultural em Bed-Stuy está fervilhando no dia mais quente do ano e a intolerância racial está em ebulição. Lee, em seu quarto longa, traça um mosaico complexo e sem resolução fácil, sustentado por personagens marcantes. Seu filme termina com citações de Martin Luther King e Malcolm X, historicamente líderes que lutavam pela mesma causa, mas divergiam sobre o uso da violência.
(Estados Unidos). Direção e roteiro: Spike Lee. Elenco: Danny Aiello, Spike Lee, John Tuturro, Rosie Perez, Sameul L. Jackson, Ossie Davis, Ruby Dee, Bill Nunn, Martin Lawrence, John Savage.

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When Harry Met Sally2 — HARRY E SALLY, FEITOS UM PARA O OUTRO (When Harry Met Sally…)

O filme que redefiniu a comédia romântica tem um quê de inspiração em Woody Allen, brinca com o documentário (com atores interpretando depoimentos de histórias que, na verdade, são reais), tem diálogos ótimos (como a discussão sobre existir ou não amizade entre homem e mulher), momentos de improviso (a cena imortal do orgasmo fingido no restaurante foi sugestão de Meg Ryan; a fala final dessa cena foi sugestão de Billy Crystal), telas divididas espertas (homenageando Indiscreta, 1958, e Confidências à Meia-Noite, 1959). A trama é a do homem e da mulher que se detestam à primeira vista, depois ficam amigos, depois se apaixonam.
(Estados Unidos). Direção: Rob Reiner. Roteiro: Nora Ephron. Elenco: Billy Crystal, Meg Ryan, Carrie Fisher, Bruno Kirby.

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Ilha das Flores

3 — ILHA DAS FLORES

Histórico curta que começa bem-humorado ao narrar a trajetória de um tomate através de hiperlinks com fatos históricos e científicos (técnica narrativa que fez sucesso de novo anos depois em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) e personagens fictícios (o fazendeiro que cria os tomates, o quitandeiro que vende, a dona de casa que compra e cozinha). Para, no fim, dar um belo soco de realidade.
(Brasil) Direção e roteiro: Jorge Furtado. Narração: Paulo José.

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Dead Poets Society (1989) Directed by Peter Weir Shown: Robin Williams

4 — SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS (Dead Poets Society)

Robin Williams em todas as suas potencialidades cômicas e dramáticas num filme sobre o poder transformador da arte. Filme obrigatório também sobre a arte de ensinar.
(Estados Unidos). Direção: Peter Weir. Roteiro: Tom Schulman. Elenco: Robin Williams, Ethan Hawke, Robert Sean Leonard, Josh Charles, Norman Lloyd.

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Splendor-11

5 — SPLENDOR (Splendor)

Lançado meses depois de Cinema Paradiso, foi meio eclipsado pelo filme de Tornatore, mas é outro grande filme sobre o amor ao cinema. E o final ainda é citação direta de A Felicidade Não Se Compra.
(Itália/ França) Direção e roteiro: Ettore Scola. Elenco: Marcello Mastroianni, Massimo Troisi, Marina Vlady.

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THE LITTLE MERMAID 3D

6 — A PEQUENA SEREIA (The Little Mermaid)

O filme que simboliza a renascença da Disney, após um período de filmes de pouco sucesso. O estúdio retornou à seara das princesas com algumas atualizações, caprichou na animação deslumbrante do fundo do mar e nas canções, com as ótimas “Part of your world” e “Kiss the girl” e a maravilhosa “Under the sea”.
(Estados Unidos) Direção e roteiro: John Musker, Ron Clements. Vozes na dublagem original: Jodi Benson, Pat Carroll, Kenneth Mars.

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Indiana Jones e a Ultima Cruzada-26

7 — INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA (Indiana Jones and the Last Crusade)

Spielberg resolveu pegar mais leve na terceira parte da franquia, que volta ao esquema do primeiro: uma corrida contra os nazistas por um tesouro místico. O golpe de mestre foi incluir o pai de Indy na trama, vivido na medida por Sean Connery (e os filmes de James Bond não são o “pai” dos de Indiana Jones, afinal de contas?). Vale o destaque para o prólogo com River Phoenix vivendo o jovem Indy.
(Estados Unidos) Direção: Steven Spielberg. Roteiro: Jeffrey Boam. Elenco: Harrison Ford, Sean Connery, Denholm Elliot, Alison Doody, John Rhys-Davies, Julian Glover, River Phoenix.

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Crimes e Pecados - 01

8 — CRIMES E PECADOS (Crimes and Misdemeanors)

Como em Hannah e Suas Irmãs, Woody divide o filme em drama e comédia. E de novo equilibra bem as duas tramas que se entrelaçam. Se inspirou em Crime e Castigo e voltará a isso em Match Point (2006).
(Estados Unidos) Direção e roteiro: Woody Allen. Elenco: Martin Landau, Woody Allen, Anjelica Huston, Alan Alda, Mia Farrow, Claire Bloom.

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Henrique V - 1989 - 02

9 — HENRIQUE V (Henry V)

Em seu primeiro filme como diretor, Branagh mostrou uma grande força criativa e narrativa nesta adaptação da peça de Shakespeare. A sequência da batalha de Azincourt é um grande momento, onde o ufanismo que Laurence Olivier usou como tom no filme de 1944 é trocado pela tragédia.
(Reino Unido) Direção e roteiro: Kenneth Branagh. Elenco: Kenneth Branagh, Ian Holm, Brian Blessed, Emma Thompson, Derek Jacobi.

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Sexo Mentiras e Videotape - 01

10 — SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE (Sex, Lies and Videotape)

Em um período onde o cinema independente não aparecia com tanto destaque, o filme de Soderbergh mostrou a força criativa que existia fora dos grandes estúdios.
(Estados Unidos) Direção e roteiro: Steven Soderbergh. Elenco: James Spader, Andie MacDowell, Peter Gallagher, Laura San Giacomo.

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Tempo de Gloria - 02

11 — TEMPO DE GLÓRIA (Glory)

A história do primeiro pelotão de soldados negros na Guerra Civil Americana, e o preconceito que enfrentaram até de seu próprio exército.
(Estados Unidos) Direção: Edward Zwick. Roteiro: Kevin Jarre. Elenco: Matthew Broderick, Denzel Washington, Cary Elwes, Morgan Freeman.

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De Volta para o Futuro - Parte 2 - 12

12 — DE VOLTA PARA O FUTURO — PARTE II (Back to the Future — Part II)

O divertidíssimo segundo filme tem três momentos: mostra o futuro prometido no final do primeiro, depois volta a 1985 alterado (como o mundo em que George não existiu em A Felicidade Não Se Compra, 1946) e volta a 1955, onde a nova trama tem momento de interseção com a do primeiro filme. Engenhoso e com efeitos especiais que hoje, na era do CGI, são corriqueiros, mas foram surpreendentes na época.
(Estados Unidos) Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: Robert Zemeckis e Bob Gale. Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Thomas F. Wilson, Elisabeth Shue, Billy Zane, Elijah Wood.

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Arquitetura da Destruicao - 01

13 — ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO (Undergângens Arkitektur)

O ideal estético do nazismo, da raça pura e da arte “não degenerada”, é analisada nesse excelente documentário. A visão estética deformada do III Reich se refletiu em sua odiosa política higienista, onde a ideia de uma “arte degenerada” refletia o preconceito com doentes mentais e uma obsessão com uma suposta pureza que gerou o Holocausto.
(Suécia) Direção: Peter Cohen.

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Black Rain - A Coragem de uma Raca - 01

14 — BLACK RAIN — A CORAGEM DE UMA RAÇA (Kuroi Ame)

Uma visão dramática e poderosa, em preto-e-branco, da cidade de Hiroshima depois da explosão da bomba atômica jogada pelos americanos no final da II Guerra.
(Japão) Direção: Shohei Imamura. Roteiro: Shohei Imamura e Toshiro Ishido. Elenco: Yoshiko Tanaka, Kazuo Kitamura, Etsuko Ichihara.

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Eu Sou o Senhor do Castelo - 01

15 — EU SOU O SENHOR DO CASTELO (Je Suis le Seigneur du Château)

(França) Direção: Régis Wargnier. Roteiro: Alain Le Henry e Régis Wargnier. Elenco: Régis Arpin, David Behar, Jean Rochefort, Dominique Blanc.
Filmes com criança nem sempre são filmes infantis. Aqui, o filho do dono de uma mansão empreende uma rivalidade feroz contra o filho da empregada.

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Campo dos Sonhos - 01

16 — CAMPO DOS SONHOS (Field of Dreams)

Um dos melhores feel good movies, que aposta numa história difícil de levar a sério: um fazendeiro que ouve vozes que dizem para construir um campo de beisebol no meio de um milharal. E aí grandes jogadores do passado aparecem do além para bater uma bolinha. Mas, embarcando, é uma delícia de ver.
(Estados Unidos) Direção e roteiro: Phil Alden Robinson. Elenco: Kevin Costner, Amy Madigan, Ray Liotta, James Earl Jones, Burt Lancaster, Gaby Hoffmann.

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Shirley Valentine - 01

17 — SHIRLEY VALENTINE (Shirley Valentine)

Russell adapta a própria peça de sucesso, com a mesma Pauline Collins, que ganhou um Tony pelo papel: uma dona-de-casa inglesa tão solitária que dá bom dia às paredes e quebra a quarta parede para conversar com o espectador. Nada que uma viagem à Grécia não mude. Gilbert digiriu três filmes de 007 nos anos 1960 e 1970.
(Reino Unido/ Estados Unidos) Direção: Lewis Gilbert. Roteiro: Willy Russell. Elenco: Pauline Collins, Tom Conti, Joanna Lumley.

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Meu Pe Esquerdo - 06

18 — MEU PÉ ESQUERDO (My Left Foot — The Story of Christy Brown)

A história real de Christy Brown, que nasceu com paralisia cerebral e descobriu como escrever e pintando com a única parte do corpo que conseguia controlar: o pé esquerdo. O primeiro dos três Oscars de Day-Lewis.
(Irlanda/ Reino Unido) Direção: Jim Sheridan. Roteiro: Shane Connaughton e Jim Sheridan. Elenco: Daniel Day-Lewis, Brenda Fricker, Alison Whelan, Fiona Shaw.

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Batman-1989-20

19 — BATMAN (Batman)

A primeira grande adaptação do Homem-Morcego para os cinemas detonou uma batmania mundial. O filme é cheio de senões (o Coringa ser responsável pela morte dos pais do Batman, pro exemplo), muita gente reclamou de Keaton como o herói, mas o Coringa de Nicholson é brilhante e Burton conseguiu impor sua marca autoral, isso não se pode negar.
(Estados Unidos) Direção: Tim Burton. Roteiro: Sam Hamm, Warren Skaaren. Elenco: Michael Keaton, Jack Nicholson, Kim Basinger, Jack Palance, Billy Dee Williams.

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20 — VÍTIMAS DE UMA PAIXÃO (Sea of Love)

Al Pacino encerrou um hiato de quatro anos sem um filme com esse noir moderno, em que é um policial que investiga assassinatos e se envolve com uma mulher que pode ser a culpada. Nesse papel, está Ellen Barkin, em seu papel mais memorável e sexy.
(Estados Unidos) Direção: Harold Becker. Roteiro: Richard Price. Elenco: Al Pacino, Ellen Barkin, John Goodman, Michael Rooker, Richard Jenkins, William Hickey, Samuel L. Jackson.

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OS 10 PIORES

Orquidea Selvagem - 01

1 — ORQUÍDEA SELVAGEM

(Wild Orchid, Estados Unidos) Direção: Zalman King. Roteiro: Patricia Louisianna Knope e Zalman King. Elenco: Carré Otis, Mickey Rourke, Jacqueline Bisset, Assumpta Serna, Milton Gonçalves.
Uma advogada é levada a um turismo erótico pelo Rio de Janeiro por um milionário. Produtor e roteirista de 9 1/2 Semanas de Amor (1986), King tentou reproduzir o sucesso com o mesmo Mickey Rourke e a modelo Carré Otis, linda, mas inexpressiva, no lugar de Kim Basinger. O resultado foi péssimo, onde pessoas dobrando uma esquina no Rio e saindo em Salvador era o de menos.

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2 — O JUSTICEIRO (The Punisher, Austrália/ Estados Unidos) Direção: Mark Goldblatt. Elenco: Dolph Lundgren, Louis Gossett Jr. Versão podreira muito longe do que a Marvel é hoje no cinema.

3 — DOIDA DEMAIS (Brasil) Direção: Sergio Rezende. Elenco: Vera Fischer, Paulo Betti, José Wilker. Aventura que tenta usar a sensualidade de Vera Fischer e não muito mais.

4 — A MOSCA II (Estados Unidos) Direção: Chris Walas. Elenco: Eric Stoltz, Daphne Zuniga. Caça-níquel total.

5 — CONDENAÇÃO BRUTAL (Lock Up, Estados Unidos). Direção: John Flynn. Elenco: Sylvester Stallone, Donald Sutherland, Tom Sizemore. Um dos piores filmes de Stallone e essa é uma escolha difícil

6 — GUERREIRO AMERICANO III (American Ninja III Blood Hunt, Estados Unidos/ Canadá/ África do Sul). Direção: Cedric Sundstrom. Elenco: David Bradley, Steve James. Essa série foi uma praga com toda a cara da produtora Golan-Globus.

7 — LOUCADEMIA DE POLÍCIA VI — CIDADE EM ESTADO DE SÍTIO (Police Academy VI City Under Siege, Estados Unidos) Direção: Peter Bonerz. Elenco: Michael Winslow, G.W. Bailey, Bubba Smith, David Graf, George Gaynes, Leslie Easterbrook, Marion Ramsey. Steve Gutenberg já tinha pulado fora dois filmes atrás e a série não aprendeu com o filme anterior que era hora de acabar.

8 — MATADOR DE ALUGUEL (Road House, Estados Unidos). Direção: Rowdy Herrington. Elenco: Patrick Swayze, Kelly Lynch, Sam Elliott, Ben Gazzara. Patrick Swayze como leão de chácara. Pior que Dirty Dancing.

9 — OS TRAPALHÕES NA TERRA DOS MONSTROS (Brasil) Direção: Flávio Migliaccio. Elenco: Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Zacarias, Angélica, Conrado, Gugu Liberato, Vanessa de Oliveira. Os Trapalhões têm filmes bons e ruins. Mas esse aqui sofre com péssimos monstrinhos (e falo também das atuações de Angélica, Conrado e Gugu).

10 — CONFUSÕES DE UM SEDUTOR (Skin Deep, Estados Unidos). Direção: Blake Edwards. Elenco: John Ritter, Vincent Gardenia, Nina Foch. Deve ser o pior filme da carreira de Blake Edwards. Ele parece ter feito esse filme antes e muito melhor.


EDIÇÕES:

Em 15/5/2020: Sai Ata-me, que entrou para a lista de 1990. Entrou Ilha das Flores, em 3º. E Sexo, Mentiras e Videotape caiu de 6º para 10º.


Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria. Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada, claro, aos filmes que vi — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes dessa lista ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano.


OUTRAS LISTAS:

Hair - 03

Renn Woods em “Aquarius”, de “Hair” (1979)

70. ‘THE SHORTY GEORGE’, de Bonita como Nunca (1942)
Com Fred Astaire, Rita Hayworth (voz de Nan Wynn) e Xavier Cugat e sua orquestra. Direção: William A. Seiter. Direção de dança: Val Raset. Coreografia: Fred Astaire e Nicanor Molinare. Canção de Jerome Kern e Johnny Mercer.

Fred Astaire e Rita Hayworth tinham mesmo alguma coisa mágica entre eles. Basta a graça, a química entre eles, o bom humor e essa grande música para transformar esse número simples numa delícia de ver. Infelizmente o símbolo sexual impressionante que Rita se tornaria dali a pouco parece que eclipsou um pouco esse seu talento como dançarina. Mas olha como ela era ótima! O número é uma homenagem a George “Shorty” Snowden, dançarino negro do Harlem nos anos 1920 e 1930.

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69. ‘LET IT GO’, de Frozen — Uma Aventura Congelante (2013)
Com Idina Menzel. Direção: Chris Buck e Jennifer Lee. Canção de Kristen Anderon-Lopez e Robert Lopez.

Um dos maiores sucesso musicais da Disney dos últimos tempos, inevitável Oscar de melhor canção, é uma poderosa canção de autoafirmação que começa praticamente do zero e vai num crescendo: no ânimo da Rainha Elsa e na animação, que começa numa paisagem gelada de céu e neve para terminar num castelo erguido do gelo e a luz do sol. A sequência da ponte é particularmente bonita.

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68. ‘LULLABY OF BROADWAY’, de Mordedoras de 1935 (1935)
Com Wini Shaw, Ramon & Rosita, Dick Powell, Alice Brady e elenco. Direção e coreografia: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

Há muito a dizer sobre esse impressionante número de 1935, que leva 13 minutos. É outro daqueles números que no filme se passam num palco, mas impossíveis de caber em um de verdade. Um curta-metragem dentro do filme. Começa pelo incrível plano da cabecinha da cantora “flutuando” lá no fundo preto enquanto a câmera lentamente se aproxima até um superclose (recriado com Doris Day em 1951). Um show de iluminação e câmera. Depois, a girada e o rosto que se torna a Broadway. Depois começa o ruge-ruge do dia na cidade grande. Também há quem chegue da noitada. Para estes, o dia só começa de novo à noite e a noite é deles. O nightclub parece que é só do casal vivido por Dick Powell e Alice Brady. Eles são a única plateia para as dezenas de dançarinos que fazem aquelas coreografias gigantescas de Berkeley. E a câmera dança: o diretor-coreógrafo os filma em 90º de cima e até em 90º de baixo, mostrando as solas dos pés. Um delírio que cresce até terminar em tragédia.

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67. STREET DANCE TO RAISE MONEY, de A Pequena Rebelde (1935)
Com Shirley Temple e Bill “Bojangles” Robinson. Direção: David Butler.

Shriley Temple tinha 7 anos, Bill Robinson tinha 57. Eles formaram o primeiro casal de dançarinos inter-racial do cinema em cenas cheias de graça como esta, que nem foi a primeira (que aparecerá na lista mais tarde). Aqui, eles dançam na rua e passam o chapéu para arrumar fundos e salvar o pai da menina, prisioneiro na guerra civil americana. O filme tem sua dose de racismo (aquela coisa do “bom escravo”), mas, ao menos, registra o talento do genial Bojangles e ajudou a quebrar essa barreira: uma branca e um negro dançando juntos.

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66. ‘THE GOLD DIGGERS’ SONG (WE’RE IN THE MONEY)’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Ginger Rogers e elenco. Direção: Mervyn LeRoy. Direção de dança e coreografia: Burby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

“Estamos montadas na grana” é o que basicamente dizem as primeiras palavras de Cavadoras de Ouro, cantadas por Ginger Rogers. Do close de Ginger passamos para as outras as dançarinas e delas para o plano aberto em que vemos que se trata do ensaio de um número de teatro. A dupla ironia é que, sem o espetáculo, as dançarinas estarão quebradas; e o país inteiro estava ainda sobre os efeitos devastadores da Grande Depressão. Detalhe: em determinado trecho, Ginger canta em “pig-latin”, um jogo infantil de mudar palavras para transformá-las em código (meio como fazemos aqui com a língua do P).

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65. ‘STEP IN TIME’, de Mary Poppins (1961)
Com Dick van Dyke, Julie Andrews e elenco. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

Como as pessoas nas casas embaixo não reclamavam do barulho do incrível sapateado dos limpadores de chaminés em seus telhados? Deve fazer parte da magia de Mary Poppins, mas o fato é que a coreografia de extremo vigor tem poucas competidoras no quesito animação. A participação de Julie Andrews, na segunda metade do número, dá um charme extra e mil rodopios extras.

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64. ‘THINK’, de Os Irmãos Cara de Pau (1980)
Com Aretha Franklin, Matt Murphy, Carolyn Franklin, Brenda Bryant Corbett, Margaret Branch, Lou Marini, John Belushi, Dan Aykroyd. Direção: John Landis. Coreografia: Carlton Johnson. Canção de Ted White e Aretha Franklin.

A inigualável Aretha Franklin faz uma participação enérgica no filme com nova versão de seu sucesso de 1968. No restaurante meio fuleira do casal, Aretha dá uma prensa no maridão, Matt “Guitarra” Murphy, quando os Blues Brothers aparecem para convocá-lo (e ao sax “Blue” Lou Marini) para voltar à banda. Daqui a pouco, o plano que abre das três garotas do coro para os Blues Brothers participando da coreografia. E, sobre o balcão, Lou Marini fazendo uns passinhos. Tudo muito divertido.

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63. ‘EPILOGUE’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Emma Stone e Ryan Gosling. Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz.

À moda de Sinfonia de Paris (1951), La La Land reservou uma fantasia musical para seu clímax. Aqui, ao reencontrar o amor do passado, a personagem de Emma Stone reimagina a própria história desde o momento em que o conheceu, mas com mudanças em que eles terminam juntos. Como o sonho é dela, ele é que abre mãos dos seus sonhos para segui-la. Diversos segmentos embalados em rebuscamento visual e citações de musicais clássicos. É lindo e é triste: uma lembrança do que poderia ter sido.

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62. ‘AQUARIUS’, de Hair (1979)
Com Renn Woods e elenco. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt McDermot, Gerome Ragni e James Rado.

A música mais famosa de Hair é uma declaração filosófica na abertura, estabelecendo o que virá pela frente. O que acontecia no palco, ali ganhava o Central Park, com coreografia que inclui ironias contra a autoridade (os hippies fazendo os cavalos dos policiais dançarem). Os protagonistas do filme aparecem no número, mas sem cantar ou dançar. Quem canta é Renn Woods, com flores no cabelo (como mandava aquela canção de Scott McKenzie, mesmo que fosse sobre San Francisco e não Nova York) e câmera sempre girando em torno, ela que havia feito Raízes em 1977, na TV.

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61. ‘STORMY WEATHER’, de Tempestade de Ritmos (1943)
Com Lena Horne e Katherine Dunham. Direção: Andrew L. Stone. Direção de dança: Nick Castle. Coreografia: Clarence Robinson. Canção de Harold Arlen e Ted Koehler.

A espetacular Lena Horne foi outra vítima do racismo em Hollywood. Grande cantora e muito linda, era relegada pela MGM a participações como cantora nos filmes, para que os números pudessem simplesmente ser cortados quando exibidos para as plateias racistas do sul dos Estados Unidos. Por isso, ela raramente teve a chance de ter um papel, muito menos de protagonista. Isto aconteceu em filmes como este, com elenco negro, dirigido a um “público negro”. Sua interpretação definitiva de “Stormy weather” mostra o que o cinema muitas vezes preferiu perder. O número tem aquela curiosidade de passar de um palco para uma realidade fantasiosa que não caberia num ambiente fechado. É onde aparece a dança de Katherine Dunham. Um dos grandes nomes negros da dança também como coreógrafa, ela fez carreira acadêmica no campo da antropologia da dança.

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