You are currently browsing the tag archive for the ‘Maurício de Sousa’ tag.

O editor Sidney Gusman divulgou hoje as primeiras imagens de Papa Capim – Noite Branca, a 11ª Graphic MSP e a primeira de 2016. Para celebrar (mentira, eu já pretendia publicar isso antes), resolvi fazer meu top 10 da série até agora. É preciso duas observações. Primeiro, é claro que, se tem só 10, nenhuma ficou de fora. Segundo, o nível de todas vai, pra mim, de muito boas a excelente.

Top 10 Graphic MSP - Muralha

10. TURMA DA MATA – MURALHA (2015)

Com a pegada de uma HQ de ação e aventura, Muralha é interessante, tem bom ritmo e criou uma bom ambientação, mas acho que acabou se distanciando demais dos personagens originais, pouco reconhecíveis em seu novo formato. Muitos deles estão mais para clichês genéricos de personagens de filmes de ação (o que é evidenciado em muitos dos diálogos). A HQ é de Artur Fujita (roteiro), Roger Cruz (arte) e Davi Calil (cores).

 

 

Preview astronauta-singularidade-preview-3

9. ASTRONAUTA – SINGULARIDADE (2014)

A segunda incursão de Danilo Beyruth pelo universo do Astronauta (com perdão do trocadilho) resolveu expandir sua versão, incluindo outros personagens. É uma ótima trama de ficção científica, mas minimizou-se aquilo que é uma das principais características do personagem:a solidão.

Preview - PenadinhoVidaPreview02

8. PENADINHO – VIDA (2015)

A trama sensível de Paulo Crumbim e Cristina Eiko mistura elementos da ficção de horror com ecos de rock pesado e estética influenciada pelo mangá. A história usa os personagens de Mauricio de Sousa praticamente como eles são nos quadrinhos tradicionais.

Preview MSP_Pavor_Espaciar_007

7. CHICO BENTO – PAVOR ESPACIAR (2013)

Esta pode ser a Graphic MSP que mais tem “a cara” de seu autor. É uma HQ muito do Gustavo Duarte, seguindo firme em seu estilo puramente visual (aqui abrindo exceções para alguns balões). Sendo assim, é um deleite para os olhos, com seus traços limpos e cartunescos e quadros cheios de detalhes e referências.

 

 

preview BiduCaminhosPreview08

6. BIDU – CAMINHOS (2014)

Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho optaram por uma “história de origem”: como Bidu e Franjinha se conheceram. Do ponto de vista do cãozinho, mas com a difícil missão de trazer os diálogos entre os bichos “traduzidos” em desenhos dentro dos balões, como em tantas histórias “mudas” do Mauricio. As onomatopeias muito integradas à ação são um charme a mais na narrativa.

preview piteco-ingc3a1-05

5. PITECO – INGÁ (2013)

Shiko fez uma bela adaptação do personagem pré-histórico de Mauricio, conseguindo muitas soluções ótimas para as referências originais. E construiu uma narrativa de ação que funciona muito bem, emoldurada por suas ilustrações deslumbrantes.

Preview Laços

4. TURMA DA MÔNICA – LAÇOS (2013)

Coim uma forte pegada Goonies, Vitor e Lu Cafaggi conta uma aventura com os quatro principais personagens de Mauricio. O resultado é exatamente o que se espera dos dois: humor e ternura combinando perfeitamente. Enquanto Vitor desenhou a ação “no presente”, colorida, Lu ficou com os fofíssimos flashbacks que imaginam como o quarteto se conheceu, praticamente ainda bebês.

preview louco-fuga-rogerio-coelho-preview-7

3. LOUCO – FUGA (2015)

A mais recentes das Graphic MSPs (até o lançamento de Papa-Capim – Noite Branca), a obra de Rogério Coelho ao mesmo tempo estabelece uma linha narrativa para o mais surrealista personagem do universo mauriciano (criado pelo irmão dele, Márcio) e subverte a narrativa (o personagem atravessa quadrinhos e ressignifica viradas de páginas). E ainda desenvolve metáforas metalinguísticas com a trajetória das próprias criações de Mauricio e do próprio selo Graphic MSP, servindo como o fechamento simbólico de um ciclo para as dez primeiras edições da série.

preview 00e19-astronauta-2

2. ASTRONAUTA – MAGNETAR (2013)

A primeira das Graphic MSP é uma aula de como se pode fazer uma grande história de aventuras para todas as idades (coisa que DC e Marvel parecem ter esquecido há tempos). Danilo Beyruth, de quebra, tira proveito da maior característica do Astronauta, sua solidão estelar, e a leva a consequências inéditas para o personagem. E abre a trama já com uma reinvenção: um background do personagem, mostrando sua relação com o avô.

preview lições

1. TURMA DA MÔNICA – LIÇÕES (2015)

Os irmãos Vitor e Lu Cafaggi se superaram em Lições. Se Laços jogava a Turma da Mônica em uma aventura, Lições enfrenta desafios narrativos ainda maiores: é basicamente uma comédia dramática que se passa exclusivamente no cotidiano do quarteto. Os Cafaggi fazem de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali seus personagens e ao mesmo tempo não se afastam quase nada das criações originais de Mauricio de Sousa – um equilíbrio difícil. Os flashbacks de Lu estão mais integrados à narrativa “no presente” de Vítor. E, ao separar os personagens por boa parte da história, a trama reforça a união entre eles. E a página final é nada menos do que uma obra-prima.

Em história desconcertante, Horácio encara o futuro de sua espécie

Em história desconcertante, Horácio encara o futuro de sua espécie

Quando os dinossauros andavam sobre a Terra, um deles era dado a pensar sobre os mistérios da vida e do mundo. Pelo menos é assim na visão de Mauricio de Sousa, criador do Horácio, seu personagem mais pessoal: até hoje, ao contrário de seus outros personagens, Mauricio é o único que desenha e escreve as histórias do dinossaurinho verde. Agora, estes fortes tempos autorais estão de volta com Horácio e Seus Amigos Dinossauros – Vol. 1 (2013), o primeiro de uma série que pretende republicar todas as páginas dominicais estreladas pelo personagem.

“Horácio, pra mim, é uma série atemporal”, contou ao CORREIO. “Vai sair agora em álbuns e, no futuro, continuará sendo publicado ou animado com os mesmos resultados de público. Não segue a linha popular da Mônica. mas é marcante”.

Este primeiro volume compila quadrinhos que saíram originalmente entre 1963 e 1965 – ou seja, comemora 50 anos da série – e, de fato, eles têm uma outra pegada – muitas vezes surpreendente. “É a divulgação dos meus tempos de exercícios com temas não usuais em histórias lançadas originalmente em publicações dirigidas às crianças”.

Lucinda, eterna pretendente, estreia logo nas primeiras páginas

Lucinda, eterna pretendente, estreia logo nas primeiras páginas

Já nos primeiros domingos, a série fugiu da piada pura e simples. Há bastante humor, claro, mas Mauricio trocou piadas fechadas por páginas seriadas que duravam várias semanas (a história mais longa da edição durou 19 semanas, ou seja: quase cinco meses!). E os temas combinavam o suspense do “próximo capítulo” e um tom bem presente de mistério.

“Não foi planejado”, diz o autor, revelando que o Horácio era produzido sob pressão. “Como, no estúdio, o Horácio ‘sobrava’ pra mim (para roteiro e desenho) e eu andava sempre muito ocupado, deixava a produção das suas páginas para a última hora. Entregava a página semanal, em alguns casos, duas horas antes do fechamento do prazo do jornal – o suplemento infantil Folhinha de São Paulo. Não tinha tempo de elocubrar muito, planejar melhor a história e seu desenvolvimento. Consequentemente as ideias tinham que brotar na hora e serem resolvidas no ato. Então eu tinha que ousar”.

As dificuldades acabaram fazendo brotar um trabalho genial. “Começava a escrever e desenhar a página sem planejamento. Desenvolvia a história à medida que brotavam figuras e textos. Ia ‘vivendo’ as situações, com a responsabilidade de encontrar a fala seguinte, a ação imediata. Saindo da ideia estopim, passando para o meio e rezando para chegar com coerência a um desfecho no fim de uma página ou de uma sequência de páginas”, recorda. “Se eu acreditasse em produção psicografada, diria que o que acontecia – uma vez por semana, às quintas-feiras – era algo mais ou menos parecido. E isso durante quase 30 anos”.

Mastodontes defendem sua "pureza racial": uma surpreendente referência ao nazismo

Mastodontes defendem sua “pureza racial”: uma surpreendente referência ao nazismo

Daí surgiram tramas que sempre partiam da solidão algo chapliniana do Horácio para fazê-lo ser forçado a se casar, ser levado ao espaço e lidar com árvores que ganham consciência e planejam a dominação do mundo. O lugar do nascente ser humano no planeta volta e meia e tema de observação. E, em outra história, o dinossauro pensa que é um mastodonte e é discriminado por outros que defendem uma “pureza racial” – é bom lembrar que as HQs são de 1963, e o nazismo havia levado o mundo à II Guerra menos de 25 anos antes.

Mas as duas tramas mais surpreendentes mostram Horácio sendo capturado pelos napões, um povo que viveu feliz tanto tempo que passa a desejar que algum animal os devore e aterrorize, e sendo levado a encarar o futuro de sua raça por uma névoa mágica que prevê o futuro.

Mauricio também já tinha criado o Piteco, mas tinha um interesse especial menos pela pré-história do que pelos quadrinhos que a usavam como cenário. “Histórias sobre a pré-história e suas figuras rotineiramente mostradas em muitas histórias em quadrinhos do passado me pareciam muito interessantes. Mas dezenas de outros temas também me eram interessantes”, diz, falando com sinceridade sobre sua opção pelo cenário. “Talvez o que me levou a ir buscar a ambientação pré-histórica foi, mais uma vez, minha falta de tempo. Produzia demais, varava noites criando, desenhando. Então, quando fiz meu planejamento de personagens e ambientes que deveriam compor a variedade de gêneros que eu necessitava para fazer frente à concorrência estrangeira, pensei numa história que não me obrigasse a usar cenários detalhados, sofisticados, com carros, edifícios, vestuário. Fui buscar no barroco dos traços soltos o estilo que eu tinha tempo de fazer com traços rápidos. E quando fui dividindo o trabalho com a equipe, fiquei com a opção Horácio”.

Os napões: após anos pacíficos, desejam simplesmente ser devorados por um predador

Os napões: após anos pacíficos, desejam simplesmente ser devorados por um predador

A maior parte dessas histórias não é vista desde sua publicação original. Algumas foram redesenhadas para caber nas revistas Mônica e Cebolinha nos anos 1970 (incluindo uma atualização dos traços dos personagens) ou na edição especial que leva o mesmo nome que essa e foi publicada em 1993.

Mauricio conta, também, que deseja voltar a escrever e desenhar o Horácio – o que a atividade na condução da Mauricio de Sousa Produções e a aprovação de roteiros tem impedido já há algum tempo. “Realmente ando com sede e fome de voltar a criar novas situações para meu dinossaurinho verde”, revela. “Tenho pensado em muitos temas. E todos  estão à espera de um processo de delegação em curso no estúdio. Pretendo me afastar de algumas atividades internas – já estou treinando meus segundos nessas áreas – para voltar a criar. Principalmente agora, às voltas com o início da produção de um longa metragem em 3D do Horácio. E empurrado pela publicação da série de álbuns com suas primeiras histórias”.

HORÁCIO E SEUS AMIGOS DINOSSAUROS - VOL. 1, de Mauricio de Sousa. Panini Books, 168 páginas. R$ 46.

HORÁCIO E SEUS AMIGOS DINOSSAUROS – VOL. 1, de Mauricio de Sousa. Panini Books, 168 páginas. R$ 46.

Veja a linha do tempo publicada na edição deste domingo do Caderno 2 do Correio. E, abaixo, a entrevista que fiz com Mauricio de Sousa sobre a personagem:

03.03 - Monica 50-02-linha

Qual o principal momento na trajetória da Mônica, como personagem, para o senhor? A publicação da primeira revista em 1970, a homenagem de quadrinistas de todo o mundo nos 30 anos…
Sem dúvida a primeira revista publicada. É o sonho de todo desenhista ter seus personagens em uma publicação de banca. O personagem já era popular pelas publicações em jornais e aparições nos desenhos comerciais da cica. A revista saiu no tempo certo.

Existe uma “tradição” nos seus personagens de coadjuvante tomarem o lugar dos protagonistas. Caso do Chico Bento e do Horácio. Em que momento o senhor percebeu que era a Mônica – e não o Cebolinha – a personagem principal da série?
 Tem personagens que o público adota e quer ver mais. Foi assim com a Mônica. Os leitores viviam pedindo mais historinhas com ela. Então ganhou cada vez mais destaque até a série virar Turma da Mônica e não Turma do Cebolinha. Talvez por isso ele viva bolando seus planos infalíveis para voltar ao poder na rua.
Como o senhor lidou com sua filha enquanto o sucesso da personagem ia crescendo?
Até que ela entrou na escola, eu evitava passar pra ela informações sobre o personagem e seu sucesso crescente. Mas um dia ela descobriu tudo pela boca das coleguinhas de classe. Daí me questionou. Eu confirmei e durante muito tempo ela aceitava bem o sucesso do personagem e do pai… mas se recusava a reconhecer seu gênio forte e pavio curto. Hoje, quando a Mônica personagem já está mais suave, mais feminina, ela já aceita a situação.
Em que medida o ‘politicamente correto’ tem causado problemas para a criação das histórias (que eram muito mais livres tempos atrás)?
O Cebolinha não desenha mais nos muros. desenha em papel e cola nos muros ou paredes. a Mônica suavizou as coelhadas. o nho lau não usa mais espingarda… São algumas das transformações no comportamento e hábitos dos personagens através dos anos. Mas tudo isso foi resultado de uma conscientização dos leitores, nossa, da população em geral. Que foi se instalando nos hábitos e na consciência de todos nós. O chamado politicamente correto já é outra coisa, com um viés mais radical e coercitivo. Da forma como se estabelece, às vezes cerceia criatividade e espalha insegurança. Vale mais seguirmos o bom senso e os conhecimentos que nos chegam.
Depois do sucesso da Mônica Jovem, foi anunciada a intenção de uma série da Mônica adulta. O que o senhor pode adiantar sobre isso?
Esse é um projeto para daqui uns 3 anos quando teremos uma equipe montada para desenvolver uma série ao estilo folhetim. Com os personagens vivendo situações do tempo em que vive o leitor. Planejamos uma série onde os personagens envelheçam com o leitor. Vivam sua realidade social, política, econômica. Tudo temperado com muito humor e criatividade.

Mônica é, hoje, diretora comercial da Mauricio de Sousa Produções (foto: Bruno Honda Leite/ Divulgação MSP)

Ela tinha apenas dois anos e andava para lá e para cá pela casa agarrada ao seu coelho de pelúcia (amarelo) quando seu pai, o desenhista Mauricio – que estava tentando criar figuras femininas para suas tiras de jornal -, se inspirou nela, criando a personagem de quadrinhos mais conhecida do Brasil. Mônica, a personagem, completa 50 anos no ano que vem. E Mônica Sousa, a filha do Mauricio e hoje diretora comercial da Mauricio de Sousa Produções, falou ao CORREIO sobre seu “relacionamento” com a versão de papel e adiantou alguma coisa do que virá no ano do cinquentenário.

Em 1963, Mauricio de Sousa estava em plena ascenção como quadrinista, mas foi alertado para o fato de que, em suas tiras, não havia personagens femininas. A solução, ele encontrou dentro de casa, inspirando-se nas filhas e suas personalidades: Magali, Mônica e, a mais velha, Mariângela (que virou a Maria Cebolinha, irmã do Cebolinha).

Com dois anos ela, claro, não tinha a menor ideia do que viria pela frente. Ela começou a se dar conta de que tinha virado uma personagem de HQ na escola. “Nas reuniões de pais e mestres as pessoas reconheciam o meu pai, mas eu não entendia a proporção daquilo”, conta. “Comecei a entender quando comecei a frequentar programas de televisão com meu pai”.

Na época em que inspirou o personagem, com seu coelhinho original (amarelo!). (foto: Arquivo pessoal/ divulgação MSP)

Mas se a Mônica dos quadrinhos não aguenta ser chamada de “baixinha, gorducha e dentuça”, é de se esperar que a de verdade também se irritasse com as infalíveis brincadeiras dos amiguinhos ao ser comparada com a personagem. “Chegou uma fase pré-adolescente em que eu não gostava muito, não”, confessa, rindo. “Mas eu tenho um relacionamento muito bom com a personagem”.

Mônica Sousa, hoje com 51 anos, começou a trabalhar nas empresas do pai como vendedora em uma das antigas Lojinhas da Mônica. “Comecei na Lojinha da Mônica da Paulista com a Augusta, como vendedora”, conta. “Éramos eu, a Magali e a Mariângela. Eu fazia faculdade de Desenho Industrial, na época, mas apaixonei pela área comercial”. Ela se tornou assistente de gerente e, de lá, foi para a Mauricio de Sousa Produções como gerente comercial.

“Fui gerente de produtos por mais de dez anos”, completa. Ela atendia o segmento de alimentos, um dos vários em que a marca da Turma da Mônica aparece estampada em produtos – uma ação de merchadising extremamente bem realizada por Mauricio de Sousa já desde os anos 1960 e que, em uma via de mão dupla, ajudou a popularizar ainda mais os personagens. Agora, Mônica está há 11 anos na direção comercial e licenciamento da empresa. “É muito fácil trabalhar em uma empresa em que você acredita no que está fazendo”, afirma, lembrando a filosofia para a aprovação dessas parcerias: “Produtos que nós daríamos para os nossos filhos”.

O primeiro coelho, amarelo, presente da madrinha, não existe mais. Mas o segundo, azul, sim. “Ele tá bem acabadinho”, diz ela. “E o amarelo vai ser relançado no ano que vem”. É só uma das muitas ações já planejadas para o cinquentenário da Mônica.

Ela não gostava muito de ser comparada à personagem na pré-adolescência. “Mas temos um bom relacionamento”, diz. (foto: Marcela Beltrão/ Divulgação MSP)

Produtos clássicos voltarão às lojas: a primeira boneca da Mônica, de vinil, lançada pela Troll nos anos 1970, a Estrelinha Mágica lançada pela Tec Toy na esteira do filme de 1988. “Também tem uma boneca da Mônica que trocava o rostinho”, adiciona ela. “Sairão quatro livrões. Um deles, com todas as capas de aniversário até agora – todas as vezes em que ela fez sete anos. E estamos pensando em um com ilustradores internacionais”. E ela continua: “Vai ter uma exposição no MuBE, em maio”, adianta Mônica, referindo-se ao Museu Brasileiro da Escultura, em São Paulo – onde também aconteceu a exposição dos 50 anos de quadrinhos de Maurício de Sousa, em 2009. “Além de atividades nas redes sociais”.

É a preparação de um aniversário e tanto. De certa forma, não deixa de ser mais um aniversário também para a Mônica de verdade. “Acho que foi um presente que ganhei ter sido a filha inspiradora da personagem. Eu só tive sorte do meu pai fazer esse desenho”.

Mais:

Entrevista com Mauricio de Sousa (em quatro partes)
Mauricio fala sobre Osamu Tezuka
– Entrevista com Sidney Gusman, editor do Universo HQ e do álbum MSP 50.
– Meu presente de casamento feito pelo Mauricio!
– Crítica do MSP 50
– Crítica de Turma da Mônica – Romeu e Juleta
– Crítica de Bidu – 50 Anos
– Assista o Comic Show sobre Maurício de Sousa

Safiri e Mônica contracenam na revista Turma da Mônica Jovem

Foi em 1984 que Mauricio de Sousa e Osamu Tezuka (ou Tezuka Osamu, como se diz no Japão) se conheceram. Foi o nascimento de uma bela amizade entre os dois quadrinistas, separados por meio mundo. Celebrando esta amizade, o brasileiro conduziu sua equipe em uma bela homenagem ao maior nome dos quadrinhos japoneses: um encontro inédito entre os personagens das duas produtoras em duas edições da Turma da Mônica Jovem (a segunda, a número 44, está atualmente nas bancas).

As versões adolescentes de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali encontram Astro Boy, Kimba, o leão branco e a Princesa Safiri (de A Princesa e o Cavaleiro) em uma aventura na Amazônia. “Tezuka me deixou envergonhado quando disse que eu precisava conhecer a Amazônia, como ele conheceu em sua viagem para o Brasil”, revela Mauricio de Sousa. “Eu, brasileiro, ainda não conhecia de perto a maior floresta do mundo”. Mauricio conta como surgiu a amizade entre os dois artistas, da negociação para o crossover de importância inédita nos quadrinhos brasileiros e dos planos já em andamento para a Turma da Mônica retribuir a visita aos personagens de Tezuka. A entrevista foi publicada hoje no Caderno 2 do Correio da Paraíba.

***

Mauricio e Tezuka no Japão, em 1985

– Do que você se recorda do dia em que conheceu Tezuka?

– Nosso primeiro encontro foi quando Tezuka esteve no Brasil em 1984, convidado pela Fundação Japão e visitou nosso estúdio. Foi quando me convidou para visitar o estúdio dele, também. Fiz isso no ano seguinte, em viagem também oferecida pela Fundação Japão. Na ocasião, sugeri que desejava estudar a vida das crianças japonesas em seus diversos aspectos.

– Como era a amizade de vocês? Diria que ele foi o que se tornou mais próximo entre todos os mestres da HQ que conheceu?

– Tezuka Osamu  não está entre nós desde 1989. Mas nos seus últimos anos de vida surgiu entre nós uma amizade, uma camaradagem que poucas vezes tive com outra pessoa. Em outra viagem, mais planejada, quando Tezuka completava 50 anos de profissão e fez uma festa, tive a honra de acompanhá-lo numa viagem por todos os pontos que marcaram sua vida. Desde a distante cidade de Takarazuka, com seu gigantesco teatro à moda do Radio City de Nova York, os parques em que ele brincava em criança, a escola, e depois seus estúdios, em Tóquio, seu museu particular, sua família, sua casa… Era um retorno, uma viagem de nostalgia que ele nunca havia feito na vida, um momento de descanso para um artista que fazia meio século não parava de trabalhar. Mas também tive um longo período de aproximação com Will Eisner. Com encontros no Brasil e nos EUA.

– Você escreveu que resolveu conhecer melhor a Amazônia por sugestão do próprio Tezuka…

– Tezuka me deixou envergonhado quando disse que eu precisava conhecer a Amazônia, como ele conheceu em sua viagem para o Brasil. Eu, brasileiro, ainda não conhecia de perto a maior floresta do mundo. Foi aí que surgiu a ideia de fazermos juntos um desenho animado com nossos personagens. Com fundo ecológico, usando a Amazônia como cenário. Anos mais tarde visitei a Amazônia não só para conhecê-la, mas para pesquisar por conta. Naturalmente quando tivemos a ideia não existia ainda a Turma da Mônica Jovem. O estilo próximo ao mangá da TMJ ajudou na composição com os personagens do Tezuka.

Primeiro encontro entre os personagens: Turma da Mônica consola personagens de Tezuka após a morte do criador, em 1989

– Que cuidados foram necessários para combinar os universos de todos esses personagens?

– Primeiro contatamos a família de Tezuka para retomar esse assunto. Foram muito simpáticos e marcaram um encontro no Festival de Livros Infantis de Bologna, na Itália. Contei tudo sobre os encontros com Tezuka e eles foram receptivos à ideia. Aprovaram a participação dos principais personagens de Tezuka na trama – Kimba, o leão branco; a princesa Safiri; e o Astro Boy. Desenvolvemos a história em nossos estúdios assim como os traços dos personagens de Tezuka. Tudo foi enviado para o Japão já com tradução para o japonês. Essa troca de mensagens e material gráfico foi perfeita. Pediram para adaptar uma coisa aqui e outra ali. Mas aprovaram tudo.

– Para finalizar: há algum plano de a história ser publicada também no Japão?

– Estamos iniciando negociação com editoras japonesas para publicar essa história também no Japão. E daqui a alguns meses sairá uma nova história apenas com a Turma da Mônica Jovem viajando para o Japão. Nessa história queremos mostrar como o Japão se reergueu das catástrofes do ano passado e está lindo e preparado para receber visitantes. Principalmente nossos jovens brasileiros.

Mike Deodato seguiu sua linha super-herói para uma reinvenção dramática do Anjinho

O Astronauta ganhou um impactante de Shiko

Klevisson Viana se inspirou no visual e narrativa dos folhetos de cordel para o Chico Bento

Para Ana Koehler, a Mônica continua gorducha depois que cresce

Carlos Ruas, do "Um Sábado Qualquer", transforma Cebolinha e Monica em Adão e Eva

Desenhista da Liga da Justiça, Ed Benes levou a turma, já crescida, à praia

Lederly Mendonça rebuscou o visual do Penadinho

Adão Iturrusgarai narra em primeira pessoa sua relação com a turma

Rogério Coelho também criou uma versão muito pessoal do Horácio

Will Leite apostou nas maluquices do Cebolinha e o Louco

Sam Hart surpreendeu na escolha: foi de Lorde Coelhão!

Estas aí acima são algumas das páginas já liberadas do MSP Novos 50, álbum que fecha trilogia MSP 50. O lançamento será na 15ª Bienal do Livro do Rio, que começa hoje, no Riocentro. O Maurício de Sousa estará lá, autografando a edição no estande da Panini – e outras coisas em estandes de outras editoras. Veja aí os dias e horários e mande um alô por mim se aparecer lá.

Sábado, dia 3
Verus (Record) – 13h às 15h
Globo – 16h às 18h
Girassol – 19h às 21h

Domingo, dia 4
Ave-Maria – 13h às 15h
Panini – 16h às 18h
Melhoramentos – 19h às 21h

Sábado, dia 10
Girassol (Record) – 13h às 15h
Melhoramentos – 16h às 18h
Panini – 19h às 21h

Domingo, 11
Ave-Maria – 13h às 14h30
Globo – 15h30 às 17h

Vocês já viram a capa no novo álbum, né?

Vocês sabem que eu não sou de me gabar, mas… que se dane, desta vez eu vou me gabar!

Obrigado a minha esposinha Larissa Claro, que tramou tudo às minhas costas, e ao Sidney Gusman, por ter se preocupado em tornar isso possível.

…E obrigado ao Maurício de Sousa, claro, por ter dedicado um pouquinho do seu tempo para esse presentaço! E por ser quem é e por tudo o que fez nesses quase 52 anos de carreira.

O Bugu de Roger Cruz,...

Quando o primeiro MSP 50 foi lançado, muita gente que não é da área deve ter se surpreendido em haver no Brasil 50 quadrinistas talentosos, capazes de tais releituras dos personagens criados por Maurício de Sousa. Pois e estes outros 50 que estrelam MSP+50 – Maurício de Sousa por Mais 50 Artistas (Panini, 216 páginas, em capa dura ou cartonada)? Nele, revelações dividem espaço com grandes nomes como Rafael Grampá, Allan Sieber, Roger Cruz e Mozart Couto.

O editor Sidney Gusman, da Maurício de Sousa Produções, reuniu um time que realizou um trabalho tão bom quanto o primeiro álbum. A principal diferença é que o original tinha muito forte o clima de homenagem pelos 50 anos de carreira de Maurício e este não mais. “Eu pedi que esquecessem o negócio da homenagem e aproveitassem a chance para fazer a história que quisessem”, explica Gusman, por telefone, de São Paulo.

... a Mônica de Romahs,...

O resultado tem como uma grande qualidade, mais uma vez, a variedade. Há HQs que imaginam a Turma da Mônica por um tom realista (a de Rogério Vilela, por exemplo, autor de Joquempô), ou como HQ franco-belga (a de Ricardo Manhães), mangás (a de Kako) e por aí vai. Há estilos tão particulares que são até difícil definir (caso do Jotalhão minimalista de André Ducci e as HQs de Rafael Coutinho e Caco Galhardo).

“Eu podia montar um álbum só com HQs de super-heróis, ou tiras, ou underground”. conta o editor. “Mas isso não passaria o que eu quero para o livro”.

Tão variados quanto os estilos foi a escolha dos personagens – como no álbum original, os convidados tiveram liberdade. “Isso me deixou absolutamente feliz: ter o maior número possível de personagens, mas não queria pautar ninguém”, diz o editor.

Assim, Mônica e seus amigos aparecem muito, e o Chico Bento também. Mas dois que seriam menos cotados voltaram a se mostrar preferidos dos quadrinistas: o Piteco e o Astronauta.

...a Tina de Adriana Mello...

“O Astronauta é o mais próximo de ficção científica que o Maurício tem e antes as histórias dele tinham aquele caráter filosófico”, analisa Gusman. O Piteco e sua ambientação pré-histórica também se motraram atraentes a quem quis contar uma trama de aventura.

Mas há personagens  curiosos no centro de algumas histórias: Rosinha (a namorada do Chico Bento), a Pipa (normalmente coadjuvante da Tina, mas protagonista numa bela HQ de Fernanda Chiella), o Jeremias, o Bugu (que Roger Cruz coloca em um reality show!) e o Nico Demo. Essa variedade acbou surgindo naturalmente, mas uma ou outra vez Gusman acabou fazendo sugestões. “Disse ao André Ducci que ele poderia escolher quem quisesse, mas que, pelo trabalho dele, se ele desenhasse a turma do Jotalhão ficaria ótimo. E, mesmo assim, ele me respondeu: ‘Não tenha dúvida que é ele'”, conta Sidney.

Muitos autores se tornaram conhecidos no mercado através do MSP 50 e, agora, do MSP+50. “Você não tem noção do tanto de autor que pegou frila por causa dos álbuns”, conta Sidney Gusman. “O Vítor Cafaggi, das Aventuras do Pequeno Parker, até está publicando em jornal”. Por isso, se antes o caráter era de homenagem, agora a idéia se sustenta sozinha. “Os álbuns se tornaram um catálogo do que há de melhor na HQ nacional”, continua.  “A maioria desses autores nunca foi tão lida quanto nesses álbuns”.

O sucesso ajudou a fortalecer uma continuação. “Com o MSP 50, foi a primeira vez que uma HQ apareceu na lista das mais vendidas da Bienal (o álbum foi lançado na Bienal do Rio, em 2009)”, lembra Gusman. A estratégia de lançamento do novo álbum usou muito o twitter: os convidados foram revelados aos poucos, assim como, depois, alguns previews das páginas. E os quatro principais portais do país também receberam previews, que colocaram em suas capas no mesmo dia.

E vem aí mais um, incentivado pelo próprio Maurício de Sousa. “Ele entrou na minha sala e disse: ‘Eu sei que você não quer, mas tem que fazer o terceiro. Tem mais 50?’. Respondi: ‘Fácil’. ‘Então faz, Sidão!’”. O terceiro álbum, antes mesmo de ser anunciado, já tinha “candidatos” que se ofereciam enviado até histórias já prontas para o editor. “Já tem caras na internet me mandando Os Sousa!”, espanta-se. “Mais de 120 pessoas já pediram para entrar no livro”.

...e Pipa e Zecão por Fernanda Chiella

Mas ele também avisou que esse expediente não adianta porque a seleção é feita a partir dos trabalhos naturais dos autores. Atualmente, a lista já está pronta e Sidney Gusman está convidando os participantes do terceiro álbum. A relação de carinho dos quadrinistas brasileiros com a obra de Maurício de Sousa é algo que encanta Sidney Gusman e mostra como o projeto é mesmo especial. “Tem cara que pira, quando eu ligo e convido. Tem caraque grita, tem cara que chora”, revela.

Mas, embora um dos nortes do projeto seja a diversificação dos convidados por estados brasileiros, nenhum quadrinista paraibano está no MSP 50 ou no MSP+50. Sidney Gusman garante que, no terceiro álbum, a história será diferente: tem paraibano na lista. Mas ele mantém a sete chaves qualquer um dos nomes.

Catalisador dos álbuns, Maurício ainda se emociona com o projeto. “Ele me revelou uma vez: ‘O álbum me faz sentir desenhista de novo’”, confidencia Sidney Gusman. Que venha o terceiro, então.

*Versão estendida de matéria publicada no Correio da Paraíba.

Mais:

– Leia a minha entrevista com Maurício de Sousa (em quatro partes)
– Assista o Comic Show sobre Maurício de Sousa
– Minha entrevista com Sidney Gusman sobre o MSP 50
– Crítica do MSP 50
– Matéria sobre Turma da Mônica – Romeu e Julieta

Parecia natural que uma das maiores empresas de entretenimento do país, a Maurício de Sousa Produções, tivesse como plataforma para seus produtos audiovisuais a principal emissora de TV do país, a Rede Globo. E por um breve tempo, isso foi verdade, quando pequenas novas animações da turminha eram apresentadas diariamente no, se não me falha a memória, Bambuluá. Depois, a coisa parou e Maurício levou suas animações para o Cartoon Network.

Mas as duas empresas se aproximaram de novo: um comunicado hoje anuncia que vem por aí uma nova parceria. Mas não diz do que se trata – apenas que uma coletiva com Maurício e José Luiz Bartolo, diretor de licenciamento da Globo, está marcada para segunda, às 16 horas.

Só resta ficar na expectativa. Será que a Globo vai exibir as novas séries do Ronaldinho Gaúcho, Penadinho e Astronauta, que andam sendo produzidas?

Esse namoro, na verdade, é bem antigo. Vem desde a animação de fim de ano exibida pela emissora lááááá no meio dos anos 1970, lembra?

Um cachorrinho gente boa

A primeira aparição do Bugu: o Bidu tem seu próprio universo de histórias

Dentro do universo de Maurício de Sousa, o Bidu ocupa um lugar especial. Não só por ser o primeiro personagem criado pelo autor, início e símbolo de uma trajetória única e vitoriosa na HQ nacional, mas também por ser o único entre eles que assume vários papeis. E todos eles estão bem representados em Bidu 50 Anos (Panini Books, 162 páginas), uma das edições que comemoram o cinquentenário de carreira de Maurício.

Bidu pode ser apenas o cãozinho de estimação do Franjinha, e foi assim que começou, em 1959, nas tiras de jornal. Com o tempo, ganhou personalidade para interagir com outros animais da vizinhança. Depois, surpreendentemente passou a fazer trocadilhos com objetos inanimados – dos quais a mais famosa é a Dona Pedra. Astro que é de suas próprias HQs, passou a ser importunado pelo bicão Bugu e a se comportar até com certo estrelismo frente ao pobre contrarregra Manfredo. Como “ator”, até grandes épicos em suas historinhas ele interpretou.

A versatilidade do cachorrinho azul é tanta que a edição quase não consegue dar conta, mas dá. Começando por preciosas histórias que saíram na antiga revista Bidu, que Maurício publicou pela Editora Continental em 1961. A primeira edição dessa revista é republicada em um fac-símile que acompanha Bidu 50 Anos – sem dúvida, um marco histórico dos quadrinhos nacionais, que antes estava absolutamente fora do alcance do leitor comum.

Edição tem capa dura e "relê" a capa do primeiro número de "Bidu"

Dessas primeiras histórias em preto e branco, o livro avança até… o preto e branco. Se começa com o Bidu “primitivo”, a edição termina com uma história inédita na estética “semimangá” da Turma da Mônica Jovem. No meio, o azul do Bidu predomina em tramas onde o bom humor dá o tom, sempre.

Várias delas são clássicas, como “A volta do velho Rinti”, já dos anos 1980. Já “‘Olha eu’ aqui, gente!” mostra a primeira aparição do Bugu – ainda andando em quatro patas e – incrível! – sem ser chutado no final. “O valentão”, dos anos 1970, cria até uma “origem” para o Bidu, e dramática: um originário de família rica, desprezado pelos irmãos.

Em capa dura e edição impecável, Bidu 50 Anos é uma homenagem justíssima a um personagem que está no rol dos grandes cachorros dos quadrinhos. Gente muito boa.

Primeiro, você já foi à página de comemoração dos dez anos do Universo HQ? O site mais importante do Brasil sobre quadrinhos fez aniversário este mês e merece todos os parabéns. Eu mandei os meus, mas tem muita gente boa por lá, como o Maurício, o Vítor Cafaggi e até o Audaci Junior.

Acontece, também, que a ótima crítica do Eduardo Nasi, no site, sobre Turma da Mônica – Romeu e Julieta cita a minha matéria publicada no dia 1º, no Jornal da Paraíba. Era sobre o lançamento do álbum e citava o fato de que 12 páginas foram cortadas na edição em duas partes publicada em 1979. Fato que – surpresa! – nem o Maurício de Sousa sabia.

Bem, fiquei devendo a publicação da matéria aqui. Então aí vai. O maior clássico da Turma da Mônica (na minha opinião).

***

Mônica e Cebolinha encenando Shakespeare

Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta é uma das mais clássicas histórias da turma criada por Maurício de Sousa – e foi republicada algumas vezes desde seu lançamento, há 30 anos. A mais recente faz parte das comemorações pelos 50 anos de carreira do quadrinhista e recebeu finalmente um tratamento de luxo: tamanho grande, capa dura, novas cores e papel couché. Rebatizada de Turma da Mônica – Romeu e Julieta (Panini Books, 68 páginas), ela também surpreende quem só conhece a versão original: a história possui 12 páginas a mais.

A história surgiu como uma peça homônima, em 1978, encenada com atores fantasiados, e que, além de ficar dois anos em cartaz em São Paulo, ainda rendeu um LP e um especial para a TV gravado na cidade histórica mineira de Ouro Preto. No texto de Maurício de Sousa e Yara Maura Silva (que também escreveu as canções com Márcio de Sousa), os personagens de Shakespeare viravam Julieta Monicapuleto, Romeu Montéquio Cebolinha, Frei Lourenço Cascão e a Ama Gali.

Ainda em 1979, surgiu a versão em quadrinhos – que inclui até as músicas do espetáculo – com desenhos de Emy Acosta e artefinal de Alice Takeda. A primeira parte foi publicada na revista Cebolinha 82, de outubro, e a segunda em Mônica 115, em novembro. Comparando com a versão atual, a reportagem do JORNAL DA PARAÍBA teve a surpresa: 12 páginas a menos na edição original. Teriam sido cortadas na época ou criadas e adicionadas depois?

A Maurício de Sousa Produções foi procurada e a reação foi de total surpresa. “O Maurício ficou surpreso. Ele nunca soube do corte de páginas na primeira publicação de Romeu e Julieta. A história foi produzida como saiu neste último álbum, inteira”, contou, por e-mail, o jornalista Sidney Gusman, da área de planejamento editorial da MSP. “Caí duro”, confirmou Maurício, pelo Twitter. “Nunca soube da ‘reedição’!!”.

A Editora Abril, que publicou as revistas da MSP de 1970 a 1987, cortou as páginas. “Hoje provocaria ruptura de contrato”, afirmou Maurício de Sousa. “Mas leve em consideração que alguém do estúdio pode ter autorizado na época. Faz tanto tempo…”. No mesmo ano, uma edição especial contou com as duas partes da história, desta vez, integralmente.

Mas no Almanaque da Mônica 31, de 1986, ela voltou a aparecer cortada e com o texto reacomodado. Na Editora Globo, ela voltou integral na Coleção Um Tema Só, em 1993, no Gibizão da Turma da Mônica, em 1997, e no Clássicos da Literatura Turma da Mônica, em 2005. Esta é a primeira publicação pela Panini. “Analisando o que foi cortado, percebo que foram as páginas com as letras das músicas”, contou Maurício de Sousa. “O editor da época achou que estava sobrando. No gibi não há som, daí…”.

A importância da história de Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta é grande para o estúdio. Sua narrativa é marcada pelos enquadramentos que fogem do habitual, desenhos muito expressivos e por ser uma inusitada HQ musical. Agora, há planos para transformá-la no próximo longa de animação da Turma da Mônica. Shakespeare nunca imaginou onde sua tragédia chegaria.

Mais:

Entrevista com Sidney Gusman, editor do Universo HQ e do álbum MSP 50.
– Crítica do MSP 50
– Assista o Comic Show sobre Maurício de Sousa
– Confira previews do MSP 50
– Leia a minha entrevista com Maurício de Sousa (em quatro partes)

Depois de um ano movimentadíssimo em matéria de stand ups por aqui, 2010 começa amanhã. Admito que não consigo assistir ao Pânico na TV, mas há quem goste – e, para esses, amanhã tem show do Evandro Santo (que faz o Christian Pior do programa).

Evandro não está a fim de regras

Não conversei com o humorista mineiro e nem o relise ou matérias que procurei pela internet resolvem um ambigüidade: por um lado, ele diz que o show quebra regras do stand up (vocês sabem quais são: cara limpa, texto próprio, nada de vídeos ou música, etc.) e vários textos terminam com um “tudo isso na pele de Christian Pior”. Os mesmo textos, porém, dizem que ele aparece como ele mesmo. De modo que não fica claro se ele leva o stand up interpretando Pior o tempo todo, ou não o faz em momento algum.

Imagino que seja a segunda opção, mas, de qualquer forma, não deve fazer tanta diferença para os fãs. O show é no Teatro Paulo Pontes, às 20 horas. Os ingressos custam R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). E a Coxia Produções é a responsável pela produção local, reservando ingressos pelo contatocoxia@gmail.com.

Novidades também sobre o show de Rafael Cortez. Os ingressos para De Tudo um Pouco já estão sendo vendidos para quem fez reserva no restaurante Terraço Brasil (Av. Cabo Branco, Cabo Branco). O preço é R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). A sessão é única, os ingressos são limitados e as cadeiras numeradas.

O show será também no Teatro Paulo Pontes, no dia 23 (um sábado), às 20 horas. Mais informações pelo incenareserva@gamil.com ou nos telefones 3211.6280 e 3247.5030. Recife recebe o show no dia seguinte e Natal tem duas datas: 28 e 29 de janeiro.

Atualização (12h18): Os ingressos já estão sendo vendidos para todos, não apenas para quem fez reserva.

Em tempo: me perguntaram, mas ainda estou esperando confirmação para o Improvável e Marcelo Adnet em João Pessoa. Já ouvi essa história faz tempo, vamos ver se vai rolar. Eu quero mais é que venha, claro, porque o Improvável é pra ver mais de uma sessão e o Adnet também é ótimo no 15 Minutos.

Conversei com o Sidney Gusman por telefone na semana passada para essa matéria que foi pubolicada domingo no Jornal da Paraíba. Aqui, ele fala sobre como foi criado o álbum MSP 50 e outras edições comemorativas do cinqüentenário do Maurício de Sousa.

***

Bidu e Franjinha, por Laerte

Quando começou a pensar em qual seria o principal produto que comemoraria os 50 anos de carreira de Maurício de Sousa, o jornalista Sidney Gusman, da área de planejamento editorial da Maurício de Sousa Produções, tinha uma ideia em mente. “A edições comemorativas que foram feitas antes eram legais, mas eu queria que o mercado prestasse essa homenagem”, disse, por telefone, de São Paulo. Inspirado pelos álbuns Mônica 30 Anos (1993), onde artistas internacionais fizeram desenhos da personagem, e Asterix e Seus Amigos (2008), em que o gaulês foi homenageado por histórias de vários autores, ele chegou ao MSP 50 – Maurício de Sousa por 50 Artistas (Panini Books, 192 páginas).

O álbum reúne o trabalho de 50 quadrinhistas brasileiros convidados a recriar, cada um a seu modo, o universo de Maurício de Sousa. “Na verdade, a ideia nem é muito nova, mas era nova para o universo do Maurício”, contou. “Cheguei pro Maurício e apresentei a idéia. Aí, comecei a fazer a seleção dos escolhidos. Quando comecei  convidar, os caras piraram”.

Gusman procurou diversificar ao máximo: foram selecionados autores de 13 estados diferentes e de estilos também distintos. “Poderia pegar 50 caras só de super-heróis, mas queria um cara do humor, um cara do underground…”, apontou. “A maioria se sentiu absolutamente honrada. Teve gente que disse: ‘Pô, e você ainda quer me pagar?’”.
Maurício não interferiu nas histórias, mas acompanhou a empolgação de Gusman a cada colaboração recebida. “Você não sabe a alegria do Maurício quando encontra um autor”, revelou. “Ele me pediu um exemplar com autógrafos dos 50 para guardar”.

Como editor do álbum, Sidney Gusman acha que o MSP 50 serve também para desmistificar a imagem de Maurício como alguém distante do mercado. “E também para mostrar para quem só lê o Maurício, que é a grande maioria de leitores de quadrinhos do país, o quanto tem de gente boa fazendo quadrinhos nesse país”, afirmou.

Três autores acabaram recusando a participação por falta de prazo, mas terão uma segunda chance: um segundo volume já está confirmado, e com lançamento marcado para a Bienal de São Paulo, em agosto do ano que vem. Até lá, ainda virão alguns lançamentos especiais que comemoram os 50 anos, como uma série de tiras pela L&PM. Outros ainda estão sendo tramados em segredo, mas as livrarias já contam com mais edições especiais: caso de Bidu 50 Anos e Turma da Mônica – Romeu & Julieta.

As duas em capa dura, assim como o MSP 50 (que também é encontrado em capa cartonada, mais barata), um marco para o estúdio. “Ele abriu essa possibilidade: mostrar que a Turma da Mônica pode ser usada de muitas outras formas”, disse Gusman.

Mais:

– Crítica do MSP 50
– Assista o Comic Show sobre Maurício de Sousa
– Confira previews do MSP 50
– Leia a minha entrevista com Maurício de Sousa (em quatro partes)

A genialidade na variedade

Mônica e Magali por Ivan Reis, que desenha super-heróis para a DC

Como qualquer coletânea formada por autores diferentes, MSP 50 – Maurício de Sousa por 50 Artistas (Panini Books, 192 páginas) tem histórias melhores que outras. Mas a genialidade do álbum está até nisso: a diferença entre elas, a grande variedade de visões e estilos somados em torno da obra de Maurício de Sousa. E se algumas são melhores que outras é porque todas são muito boas, mas algumas são belíssimas e, entre elas, há obras-primas.

Com muita liberdade para criar, vários artistas optaram pela piscadela de um “parabéns, Maurício” em suas páginas. Outros, aproveitaram até para divulgar seus próprios personagens. Mas alguns criaram histórias com vida própria e desde já antológicas. Laerte, por exemplo, abre o álbum com um delicado retorno aos primeiros personagens de Maurício: Bidu e Franjinha. Ivan Reis, atual desenhista do Lanterna Verde, usa seu estilo de super-herói para dar traços realistas aos personagens. Otoniel Oliveira coloca um Franjinha adulto reencontrando uma Marina que virou artista plástica – lembrando também a filha de Maurício que desenha e também é personagem. Orlandeli fala do desaparecimento do Capitão Feio e Vítor Cafaggi vai ao extremo do romantismo com o Chico Bento.

Compreensivelmente, há recorrências. Algumas histórias imaginam os personagens adultos entre recordações da infância. E, Astronauta, Chico Bento, Piteco e o Louco foram personagens muito visitados – além, claro, da Turma da Mônica propriamente dita. Mas mesmo as coincidências são tratadas de maneira muito diferente, como o Louco de Jean Galvão e o de Fábio Lyra (que contracena com a Tina). Alguns autores, como Fido Nesti e a dupla Fábio Moon & Gabriel Bá foram buscar na memória lembraças de produtos associados aos personagens: uma boneca, um lençol.

Há caricaturas, cartuns, quadrinhos caricatos, de humor escancarado ou de tom filosófico. Há dos traços únicos de Samuel Casal para o Penadinho e de Rafael Sica para o Cebolinha até o estilo mangá de Erika Awano para – vejam só – o caipirinha Chico Bento. Há até quem tenha se aproximado do estilo mauriciano, como Spacca, com o Horácio. Há de quase tudo, com muito bom gosto e muito carinho pelos personagens. Uma edição impecável, que homenageia não só Maurício de Sousa, mas também o talento dos quadrinhistas brasileiros.

Mais:

– Assista o Comic Show sobre Maurício de Sousa
– Confira previews do MSP 50
– Leia a minha entrevista com Maurício de Sousa (em quatro partes)

comicshow11-01comicshow11-06comicshow11-03comicshow11-05

Depois de um longo e tenebroso inverno (mesmo), o Comic Show original está de volta. E não poderia voltar melhor e em melhor hora. Logo após o fim de semana em que Maurício de Sousa lançou uma pá de lançamentos na Bienal do Rio em comemoração aos seus 50 anos de carreira, o programa é exatamente sobre o principal quadrinhista do Brasil, com tudo o que você gostaria de saber sobre Maurício de Sousa e que cabe em 20 minutos! (Se o vídeo estiver maior que a janela, é simples: clique com o botão direito do mouse e escolha a opção “mostrar tudo”).

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

more about “Coelhadas no Comic Show“, posted with vodpod

Antonio Eder usa uma piada visual metalinguística (que fez sucesso em "O Gralha")

Antonio Eder usa uma piada visual metalinguística (que fez sucesso em "O Gralha")

Laerte foi idílico com Bidu e Franjinha

Laerte foi idílico com Bidu e Franjinha

Daniel Brandão até citou os Beatles

Daniel Brandão até citou os Beatles

Fernando Gonsáles, do "Níquel Náusea", sempre metalingüístico

Fernando Gonsáles, do "Níquel Náusea", sempre metalingüístico

Ivan Reis, desenhista atual do Lanterna Verde e que já trabalhou na MSP, num belo traço realista

Ivan Reis, desenhista atual do Lanterna Verde e que já trabalhou na MSP, num belo traço realista

Jean Galvão soltou a imaginação com o Louco

Jean Galvão soltou a imaginação com o Louco

Uma versão impressionista do Chico Bento, por Lelis

Uma versão impressionista do Chico Bento, por Lelis

A surpreendente versão de Samuel Casal para o Penadinho

A surpreendente versão de Samuel Casal para o Penadinho

Vitor Cafaggi, de "Aventuras do Pequeno Parker", vê o Chico Bento

Vitor Cafaggi, de "Aventuras do Pequeno Parker", vê o Chico Bento

Este é o fim de semana do lançamento do MSP 50 – Maurício de Sousa por 50 Artistas na Bienal do Rio. E a coisa bombou de vez. O G1, por exemplo, publicou uma série de previews do álbum (alguns deles, reproduzidos acima). Lembrando: são 192 páginas, em duas opções (capa dura e capa cartonada).

MSP está cheia de novidades na Bienal: Bidu 50 Anos comemora o cinqüentenário do cãozinho que foi o primeiro personagem do Maurício. Além das histórias, há um fac-símile da primeira revista do Bidu, lá de 1960. Também será apresentado Turma da Mônica – Romeu e Julieta, edição em capa dura da clássica história “Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta”, publicada pela primeira vez em 1978, em duas partes, virou peça de teatro, especial de TV, foi republicada diversas vezes através dos anos e se prepara para virar um longa de animação.

São lançamentos de seis editoras e Maurício estará nos estandes de todas elas, em sessões de autógrafos. Veja aí os horários. Daqui de João Pessoa, não posso ir. Mas, se você for, manda um olá para ele por mim.

Sábado, 12

Melhoramentos – 12h às 14h
Globo – 15h às 17h
Panini – 18h às 20h

Domingo, 13

FTD – 12h às 14h
Girassol – 14h30 às 16h30
Ave Maria – 17h30 às 19h30

Capa.indd

Saiu a capa do MSP 50 – Maurício de Sousa por 50 Artistas, vocês viram? Olha ela aí em cima. O álbum (de 192 páginas) será lançado nos dias 12 e 13 de dezembro, na Bienal do Livro do Rio, e chegará às livrarias em duas versões: uma de luxo, com capa dura (custando 98 reais), e outra com capa cartonada, mais em conta (55 reais).

O desenho do Maurício na capa é de José Marcio Nicolosi, autor dos ótimos desenhos de Cascão Porker, que acaba de chegar às bancas. Os demais desenhos da capa são dos colaboradores que contribuíram com as histórias do álbum, aqui enumerados pelo Universo HQ: Laudo (Louco), José Aguiar (Magali), Laerte (Franjinha e Bidu), Manoel Magalhães (Astronauta), Samuel Casal (Penadinho), Benett (Jotalhão), Raphael Salimena (Horácio), Ivan Reis (Cebolinha), João Marcos (Cascão), Christie Queiroz (Mônica), Fábio Cobiaco (Anjinho) e Erica Awano (Chico Bento).

Mas uma novidade e tanto que o próprio Maurício soltou no Twitter é o primeiro álbum da coleção que vai republicar o Horácio completo. Particularmente, acho essa notícia tão importante quanto o MSP 50 ou mais até. O Horácio é um dos personagens mais interessantes dos quadrinhos nacionais, onde Maurício joga suas idéias e visão de mundo. Um dia sugeri ao Sidney Gusmán um almanaque com histórias autorais do Maurício e ele me respondeu dizendo que alguma coisa nesse sentido estava em andamento. Só pode ser esse!

A Marina Sousa, filha do Maurício e inspiradora da personagem Marina da Turma da Mônica, publicou no Twitter esta imagem aí saída de Cascão Porker, um próximo número de Clássicos do Cinema Turma da Mônica. Você identifica os figurantes?

Cascao Porker-02

1a_4a_CAPAS_CLC_015_CASCAO_PORKER.indd

“Quero voltar a desenhar o Horácio e também tiras”

Depois de voltar às animações, Maurício prepara um longa do Horácio

Depois de voltar às animações, Maurício prepara um longa do Horácio

Não é nenhum segredo o fato de que Maurício de Sousa não escreve ou desenha as histórias da Turma da Mônica – a demanda do trabalho o levou a montar uma equipe para ajudá-lo, iniciando o que hoje é a Maurício de Sousa Produções. Mas ele supervisiona pessoalmente todos os roteiros. “Uma história da Turma da Mônica Jovem já voltou para os redatores três vezes”, conta ele. “É uma história de uma edição só. O começo estava bom, mas não estava ótimo; o meio da história estava devagar; e o final estava razoável”. Mas há um personagem em que só ele mexe.

“O Horácio é um território meu”, confirma. “Ele permite que eu coloque muito de mim ali. Acho que os fabulistas sempre usam animais para falar por eles e eu não fujo à regra”. Horácio sempre foi escrito e desenhado por Maurício, que também continuou fazendo o Chico Bento até os anos 1980. “Já houve algumas tentativas de passar para outros roteiristas, mas em geral eles não pegam bem. O Chico Bento, sim, eles já pegaram bem”.

Maurício acredita que as histórias do dinossaurinho e suas filosofias acabam curtidas mesmo é pelos adultos. “As crianças não gostam muito do Horácio”, afirma. “Pela proposta dele, ele tem três épocas de leitura: a criançada, que não pega bem; o jovem, que começa a perceber o conteúdo; e o adulto, que olha e diz: ‘Ah, então era isso!’”.

Ele ainda tenta equilibrar suas atividades de empresário com o desenho e os roteiros. “Quero voltar a fazer, assim que resolver uns problemas administrativos – não só o Horácio, mas também tiras, que é o que eu gosto de fazer”, revela. “As pessoas acham que eu vivo num mar de rosas, mas meu dia é cheio de reuniões de negócios, leituras de contratos, encontros com diretores financeiros, tentativas de buscar soluções para problemas intransponíveis. E, às vezes, os problemas parecem insolúveis, mas, no outro dia, como numa história em quadrinhos, aparece a solução ou o problema desaparece”.

A empresa também voltou com sucesso aos desenhos animados, com Cinegibi – O Filme (2005) e Uma Aventura no Tempo (2008). Mas os dois primeiros longas, As Aventuras da Turma da Mônica (1982) e A Princesa e o Robô (1983), ainda não saíram em DVD, embora muitas coletâneas de curtas da turma tenham sido lançadas. “Questão de direitos autorais”, aponta Maurício. “A administração de então não teve esse cuidado com os direitos na parte de som. É uma pena porque eu gostava muito daquela trilha. Talvez eu tenha que refazer uma parte da trilha, e isso também é caro. Vai sair, mas ainda não sei quando”.

Mas a produção está mesmo de volta. Os curtas animados de sete minutos (que foram exibidos pela Globo e estão no Cartoon Network) hoje estão em países como Itália, Indonésia e Coreia do Sul. “Estamos produzindo Penadinho e Astronauta em computação gráfica. E o Horácio vai ganhar um longa em computação gráfica. Será uma junção das primeiras histórias”. Os Napões estarão lá, então? “Estarão. Estarão, sim”, confirma.

A única vez em que ele esteve em João Pessoa foi há três anos. “De passeio”, conta. “Gostei muito, achei a cidade muito agradável”. Mas o que ninguém sabia é que Maurício Araújo de Sousa tem uma origem paraibana. “O meu Araújo é da Paraíba”, conta. “Meus avós maternos são da Paraíba. Só não sei exatamente de onde, acho que de perto de João Pessoa. Meu avô fugiu por problemas políticos, perseguido, nos anos 1910. Vieram para uma cidade chamada Igaratá. A viagem foi muito extenuante e meu avô morreu assim que chegou. E minha avó morreu logo após dar à luz a minha mãe”.

E, voltando aos tempos de repórter policial, em que se vestia como Dick Tracy,  ele quer resolver esse mistério. “Como meu pai era militar, mamãe recebia uma pensão dele aqui em São Paulo. É ali que vou buscar os dados e já estou trabalhando nisso. Quem sabe não apareço por aí para descobrir essa origem?”.

Maurício de Sousa – Parte 1
Maurício de Sousa – Parte 2
Maurício de Sousa – Parte 3

Maurício de Sousa comemorou seus 50 anos de carreira este fim de semana e o Jornal da Paraíba publicou ontem a segunda parte da entrevista que fiz com ele, por telefone, em março. De novo, esta será, por sua vez, dividida em duas aqui.

***

…E tudo começou com um cachorrinho azul

Maurício e suas criações, no traço do cartunista paraibano William

Maurício e suas criações, no traço do cartunista paraibano William

Com mais de um bilhão de revistas publicadas e mais de 200 personagens criados, é difícil encontrar um artista brasileiro cujo trabalho é tão familiar para o brasileiro de todas as regiões e classes sociais quanto Maurício de Sousa. Na arte do traço definitivamente não há nenhum. Com 50 anos de carreira completados ontem, Maurício comemora com a abertura de uma exposição no Museu Brasileiro da Escultura (inaugurada sexta) e um documentário inédito no Biography Channel (que estreou sexta, mas que será reprisado quarta, às 17h). A celebração acontece em uma grande fase, com um bum de publicações – incluindo o estrondoso sucesso da Turma da Mônica Jovem.

A “invasão” nas bancas é resultado direto de sua mudança para a Panini, em 2007, após 17 anos de Editora Abril e mais 20 de Editora Globo. “Eu queria era abrir o leque de produtos. Nas outras editoras, eu não podia crescer com livros, que é o que estou fazendo agora, porque os contratos eram de exclusividade. E nenhuma editora faz bem as duas coisas: quadrinhos e livros”, contou por telefone ao JORNAL DA PARAÍBA. “O contrato com a Panini diz respeito só às histórias em quadrinhos e me permite lançar muitos livros. E vamos lançar muitos livros”.

Além dos livros, há muito mais revistas em banca, entre almanaques temáticos, especiais e até a nova revista mensal da Tina. As edições especiais do cinquentenário, no entanto, ficaram para setembro, na Bienal Internacional do Livro, no Rio. Serão lançados o álbum MSP 50, em que 50 artistas brasileiros dão suas versões sobre os personagens de Maurício, e Bidu 50 Anos, que celebra também o aniversário do cãozinho azul que estrelou a primeira tira – incluindo um fac-símile da primeiríssima revista publicada por Maurício (Bidu, de 1960).

Trata-se de uma publicação voltada aos leitores adultos da Turma da Mônica, segmento que tem recebido cada vez mais atenção. “50% do nosso público é adulto e desde os anos 1970”, confirma Maurício. “Isso até foi bom pra mim, porque na primeira editora (a Abril) viviam sugerindo que as histórias deveriam ser mais infantizinhas. Aí, fizeram uma primeira pesquisa: deu 55% de leitores adultos. Não acreditaram. Fizeram uma segunda pesquisa, com outro instituto: deu 52%”.

Para eles, foram criadas a Coleção Histórica e a série Tiras Clássicas. “E vem aí um material totalmente inédito, que são as primeiras tiras da Folha, seriadas, antes de terem o formato de piadas diárias”, adianta. “Eu não tenho os originais desse material. Estamos escaneando da coleção da Folha. E vamos fazer isso também com as tiras do Piteco e do Astronauta”.

Maurício de Sousa: parte 1
Maurício de Sousa: parte 2
Maurício de Sousa: parte 4

Sigam-me os bons (no Twitter)

  • "A Montanha dos Sete Abutres" por alguém que é um grande admirador de Billy Wilder (eu). fb.me/8EQItMRQNPublicado há 8 hours ago
  • 'O Batedor de Carteiras' por alguém que não um grande admirador em especial de Bresson (eu). fb.me/36GlEkpVSPublicado há 8 hours ago
  • "Minha Brasília amanheceu pegando fogo. Fogo! Fogo! Foi um golpista que tirou direitos de mim E que me deixou assim"Publicado há 3 days ago
maio 2017
D S T Q Q S S
« abr    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Cenas da Vida

Você lembra dos meus cabelos?

Cineport 2011

Cineport 2011

Mais fotos

Páginas

Estatísticas

  • 1,245,971 hits