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88th Oscars®, Academy Awards, Telecast

Chris Rock arrebentou no monólogo de abertura desse Oscar. Não fugiu um segundo da polêmica, atirou para todo o lado (a falta de diversidade que existe mesmo, mas também para quem vê racismo em tudo). Meu amigo Luiz Joaquim, crítico de cinema pernambucano, fez uma bela análise em seu blog. De minha parte, aqui vai a transcrião completa do monólogo:

CHRIS ROCK (após o clipe com cenas dos filmes de destaque no ano passado): “Cara, eu contei pelo menos 15 negros nessa montagem! Estou aqui no Oscar, também conhecido como o Pessoas Brancas Choice Awards.

Você sabe, se eles indicassem os mestres de cerimônia, eu nem conseguiria esse emprego. Então vocês estariam assistindo ao Neil Patrick Harris agora.

Mas esta é o Oscar mais selvagem e mais louco para apresentar, porque temos toda essa polêmica. Não, não há indicados negros, você sabe, e as pessoas ficam dizendo “Chris, você deve boicotar. Chris, você devia cair fora. Você devia cair fora”.

Repare que só desempregados te dizem para sair de alguma coisa, tá sabendo? Ninguém com um emprego nunca te diz para se demitir.

Então, eu pensei em cair fora. Eu pensei nisso pra valer. Mas, eu pensei, eles fariam o Oscar de qualquer jeito. Eles não vão cancelar o Oscar porque eu saí. Entendem? E a última coisa que eu preciso é perder outro emprego para o Kevin Hart, ok?

Eu não preciso disso. Kev, bem ali – Kev faz filmes rápido. Todo mês. Estrelas pornô não fazem filmes tão rápido.

Agora o negócio é o seguinte: por que estamos protestando? A grande questão: por que neste Oscar? Por que neste Oscar, entende?

É o 88º Oscar.É o 88º Oscar, o que significa que toda esta coisa de nenhum indicado negro aconteceu, pelo menos, 71 outras vezes. Ok?

Você tem que entender que isso aconteceu nos anos 1950, nos anos 1960 – você sabe, nos anos 1960, num desses anos, Sidney não colocou um filme na rua. Tenho certeza de que não havia indicados negros em alguns desses anos. Vamos dizer, 1962 ou 1963, e os negros não protestaram.

Por quê? Porque nós tínhamos coisas reais para protestar naquele tempo, tá sabendo? Tínhamos coisas reais para protestar; você sabe, a gente estava muito ocupado sendo estuprado e linchado para se preocupar com quem ganhou melhor fotografia.

Você sabe, quando sua avó está pendurada em uma árvore, é realmente difícil se importar com o melhor curta documentário estrangeiro.

Mas o que aconteceu este ano? O que aconteceu? As pessoas enlouqueceram. Spike ficou puto – ficou puto, e Jada ficou furiosa, e Will ficou louco. Todo mundo ficou puto, sabe?

Jada ficou furiosa! Jada diz que não vem, em protesto. E eu: “Mas ela não faz uma série de TV?

Jada vai boicotar o Oscar… Jada boicotar o Oscar é como eu boicotar a calcinha da Rihanna. Eu não fui convidado.

Oh, esse é um convite em que eu não recusaria.

Mas eu entendo, não estou reclamando. Eu entendo sua fúria. Jada furiosa porque seu homem Will não foi indicado por Um Homem entre Gigantes. Eu entendo, eu entendo.

De verdade. Eu entendo, eu entendo. Você ficou louca – não é justo que Will tenha estado tão bem e não tenha sido indicado.

 

Sim, você está certa. Também não é justo que Will tenha recebido 20 milhões de dólares para As Loucuras de James West, ok?

Essas coisas, você sabe (com o gesto de que se equlibram)… Este ano, o Oscar, as coisas vão ser um pouco diferentes. As coisas vão ser um pouco diferentes no Oscar. Este ano, na parte do In Memoriam, vai ser só pessoas negras que levaram tiros da polícia quando estavam indo pro cinema.

É, é. Eu disse isso. Tá certo?

Ei, se você quiser indicado negros todo ano, precisa apenas ter categorias para negros. Isso é o que você precisa. Você precisa ter categorias negras.

Você já faz isso com homens e mulheres. Pense nisso: não há nenhuma razão real para que haja uma categoria para homem e outra para mulher em atuação.

Qual é? Não há motivo. Não é atletismo.

Você não tem que separá-los. Sabe, o Robert De Niro nunca disse: “É melhor eu ir mais devagar nessa atuação, assim a Meryl Streep pode me alcançar”.

Não, de jeito nenhum, cara! Se você quer negros todo ano no Oscar, apenas tenha categorias negras como o melhor amigo negro.

Está certo. “E a vencedora, pelo 18º ano consecutivo é Wanda Sykes. Este é 18º Oscar Negro da Wanda”.

Mas aqui está a verdadeira questão. A pergunta que todo mundo realmente quer saber, todo mundo no mundo quer saber é: Hollywood é racista? Hollywood é racista?

Você sabe, isso é um … você tem que ir nesse assunto do jeito certo.

É racista de queimar cruzes? Não.

É racista de me-traz-uma-limonada? Não, não, não, não.

É um tipo diferente de racista. Olha, eu lembro de uma noite em que eu estava em um evento para arrecadar fundos para o presidente Obama. Muitos de vocês estavam lá. Eu e toda a Hollywood.

Estávamos todos lá. E tinha cerca de quatro negros lá: eu, hã, vamos ver, Quincy Jones, Russell Simmons, Questlove. Você sabe, os suspeitos de sempre, certo? E cada ator negro que não estava trabalhando.

Desnecessário dizer que Kev Hart não estava lá. Ok? Então, em certo momento você vai tirar uma foto com o presidente, e, você sabe, enquanto eles estão acertando o enquadramento, você consegue ter um momento com o presidente.

Eu disse algo como “Sr. Presidente, está vendo todos esses escritores e produtores e atores? Eles não contratam negros, e eles são os brancos mais legais do mundo! Eles são liberais! Diga ‘x’!”.

Tá certo. Hollywood é racista? Você tem toda a razão: Hollywood é racista. Mas não a racista a que você cresceu acostumado.

Hollywood é um fraternidade de moças racista.

É como “Nós gostamos de você, Rhonda, mas você não é uma Kappa”.

É assim que Hollywood é.

Mas as coisas estão mudando. As coisas estão mudando.

Temos um Rocky negro este ano. Algumas pessoas o chamam de Creed. Eu chamo de “Rocky Negro”.

E isso é uma grande, inacreditável afirmação. Quer dizer, porque Rocky se passa em um mundo onde os atletas brancos são tão bons quanto os atletas negros.

Rocky é um filme de ficção científica. Há coisas que aconteceram em Guerra nas Estrelas, que são mais críveis do que coisas que aconteceram em Rocky, ok?

Mas, ei, nós estamos aqui para honrar atores. Estamos aqui para honrar atores, estamos aqui para honrar filmes.

Há um monte de injustiças, muitas injustiças. Uma das maiores injustiças ninguém está falando: meu ator favorito no mundo é Paul Giamatti.

Paul Giamatti, pra mim, é o maior ator do mundo. Pense sobre o que Paul Giamatti fez nos últimos dois anos.

No ano passado, ele esteve em 12 Anos de Escravidão – ​​odeia pessoas negras. Este ano, ele está em Straight Outta Compton – ama pessoas negras.

Ano passado, ele estava gritando com Lupita; este ano, ele está chorando no funeral de Eazy-E.

Isso é que é versatilidade. Ben Affleck não consegue fazer isso.

O que eu estou tentando dizer é, você sabe, não se trata de boicotar coisa alguma. É só que queremos oportunidade. Queremos que atores negros tenham as mesmas oportunidades que os atores brancos.

É isso aí. Não apenas uma vez. Leo recebe um grande papel todo ano e, você sabe, todo mundo, todos vocês, têm grandes papeis o tempo todo.

Mas o que acontece com os atores negros?

Olha para o Jamie Foxx. Jamie Foxx é um dos melhores atores do mundo, cara. Jamie Foxx estava tão bom em Ray que foram ao hospital e tiraram da tomada os aparelhos do verdadeiro Ray Charles. É como “Nós não precisamos de dois deles!”. Não, cara.

Sabe, nem tudo é sobre raça, cara. Outro grande tema de hoje à noite é – alguém me disse isso – que você não está mais autorizado a perguntar às mulheres o que eles estão vestindo.

Há essa coisa toda, “Pergunte mais coisas a ela. Você tem que perguntar mais”. Você sabe, é como, você pergunta outras coisas aos homens.

Nem tudo é sexismo, nem tudo é racismo.

Eles perguntam mais coisas aos homens porque os homens estão todos vestindo a mesma roupa, ok? Cada cara lá está vestindo exatamente a mesma coisa.

Você sabe, se George Clooney aparecesse com um smoking verde-limão, e um cisne saindo da bunda dele, alguém perguntaria: “O que você está vestindo, George?”

Ei, bem-vindos ao 88º Oscar. É, obrigado.

Você quer diversidade? Temos diversidade: por favor, deem as boas vindas a Emily Blunt e alguém ainda mais branca, Charlize Theron!”.

Veja o vídeo com a abertura legendada aqui.

 

“Já tinha ouvido falar da hospitalidade americana, mas isso é ridículo”. Quem disse isso, arrancando risadas da plateia, foi Julie Andrews ao ganhar seu Oscar de melhor atriz em 1965 pelo primeiro filme que fez: Mary Poppins. A disputa daquele ano, antes das indicações, parecia que seria especialmente equlibrada – já que o ano anterior teve My Fair Lady, que revelou a sensacional Julie no teatro e para o qual ela não foi chamada na versão de cinema. Em seu lugar entrou a mais famosa (e bem menos cantora) Audrey Hepburn. Falou-se em injustiça desde aí e a Disney tratou de escalar Julie para Mary Poppins. Os dois filmes foram os mais indicados daquele ano, mas, no fim, Audrey não foi nem indicada e Julie venceu. Há quem diga que ainda foi reflexo daquela injustiça do começo.

“The winner is… a tie!”, disse, surpresa, a linda Ingrid Bergman na cerimônia de 1968. Nunca antes (e –  até agora – nunca depois) havia acontecido aquilo nas principais categorias (e acho que em nenhuma categoria): Katharine Hepburn, por O Leão no Inverno, e Barbra Streisand, por Funny Girl, a Garota Genial, empataram na disputa pelo Oscar de melhor atriz. Kate, como de costume, não estava lá, mas Barbra aceitou com graça seu prêmio: “Hello, gorgeous”, disse para a estatueta, citando sua própria personagem no filme.

Roger Moore e Liv Ullman não esconderam a surpresa quando, em 1973, ao anunciarem Marlon Brando como vencedor do Oscar de melhor ator por O Poderoso Chefão, subiu ao palco uma índia. Com um gesto, Sacheen Littlefeather recusa em nome de Brando o Oscar oferecido por Moore e lê um comunicado onde o ator justifca o gesto como um protesto contra o tratamento que os nativos americanos sofreram do cinema. Depois, ficou-se sabendo de que ela era, na verdade, Marie Cruz, uma atriz contratada por Brando (seu site oficial – sim, ela tem um – afirma que ela é filha de uma francesa-alemã-holandesa e de um apache).

Woody Allen já ganhou os Oscars de melhor direção (em 1978, por Noivo Nuerótico, Noiva Nervosa) e de melhor roteiro (por Noivo Neurótico… e em 1987, por Hannah e Suas Irmãs). Indicado, ele foi 21 vezes em 14 anos diferentes. Mas nunca foi à cerimônia – na época em que ela era realizada na segunda-feira, ele dizia que tinha um compromisso: era a mesma noite em que tocava com seu grupo de jazz em um clube de Nova York. Corrigindo: Allen foi ao palco do Oscar uma única vez. Foi em 2002, para uma homenagem à sua cidade querida após o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001. Isso não foi anunciado previamente e posso dizer que foi o momento que mais me surpreendeu em meus anos acompanhando a cerimônia. Aplaudido de pé, deu um verdadeiro show de comédia stand up: “Há quatro semanas estava no meu apartamento em Nova York e o telefone tocou. A voz do outro lado da linha disse: ‘Aqui é a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas’. E eu fiquei em pânico porque achei que ele queriam os meus Oscars de volta”.

Ingrid Bergman ganhou três Oscars: melhor atriz por À Meia-Luz (1944) e Anastácia, a Princesa Esquecida (1956) e atriz coadjuvante por Assassinato no Orient Express (1974). Este último, na cerimônia de 1975, foi especialmente memorável: a grande atriz sueca não se conformou por ter vencido Valentina Cortese (concorrendo por A Noite Americana) e passou o discurso inteiro se desculpando com ela.

Katharine Hepburn é a maior ganhadora da história do Oscar, entre as atuações: quatro prêmios de melhor atriz em 12 indicações. Mas só esteve na cerimônia uma única vez: em 1974, para apresentar o Prêmio Irving Thalberg para seu amigo, o produtor Lawrence Weingarten. E bem a seu modo. Aproveite para lembrar como foi incrível a atuação de Cate Blanchett como Kate Hepburn em O Aviador.

Sempre menosprezado como ator, o mito do western John Wayne teve essa injustiça corrigida em 1970. Na cerimônia daquele ano, ele ganhou o Oscar de melhor ator por Bravura Indômita – cuja nova versão concorre a 10 Oscars este ano (incluindo melhor ator para Jeff Bridges) e espera-se que estréie nesta sexta em João Pessoa. Duke ganhou de Dustin Hoffman e Jon Voight (os dois por Perdidos na Noite). Apresentado por Barbra Streisando, o maior cowboy de todos os tempos derramou uma lagriminha quando subiu ao palco.

Já fazia tempo que o cinema devia tal honraria a Martin Scorsese. Se ele merecia mais por outros filmes que por Os Infiltrados, dane-se. Ele merecia e ponto. A Academia sacou que em 2007 seria a vez e colocou no palco, para apresentar o prêmio de melhor diretor, três ícones da “nova Hollywood”, da qual Martin foi parte fundamental nos anos 1970. Amigos de linga data, Francis Ford Coppola, George Lucas e Steven Spielberg lideraram a incrível ovação de pé recebida por um Scorsese que estava explodindo de alegria, metralhando palavras, como sempre.

Donald O’Connor, que tinha arrebentado em Cantando na Chuva, em 1952, apresentou a cerimônia de 1954. Nela, uma jovencíssima belga de cidadania inglesa levou o Oscar de melhor atriz pelo seu primeiro filme em Hollywood: Audrey Hepburn, por A Princesa e o Plebeu. Vale notar Audrey se esforçando para domar a emoção no palco e a aparição de Gary Cooper, que lê as indicadas direto do cenário de um western.

Charles Chaplin havia se tornado persona non grata para o governo dos EUA na época da caça aos comunistas, nos anos 1950. Acabou em um autoexílio. O pedido de perdão da América a Chaplin veio na entrega do Oscar de 1972, talvez o maior momento da história do prêmio (que até fechou o filme Chaplin).

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