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O Dia dos Pais foi domingo, mas a lista ainda vale: dez grandes pais no cinema. A quem observar que alguns na lista não são pais biológicos, me adianto: não me importa.

Kramer vs Kramer - 04

Justin Henry e Dustin Hoffman, em “Kramer vs. Kramer”

10 – TED KRAMER, Dustin Hoffman em Kramer vs. Kramer (1979)

Abandonado pela mulher, Ted precisa se redescobrir como pai: não só aprendendo a cuidar do filho, mas também a se conectar emocionalmente com a criança. O título diz respeito tanto a uma batalha posterior pela custódia quanto à convivência entre pai e filho.

Natal-felicidade

James Stewart e Donna Reed em “A Felicidade Não Se Compra”

9 – GEORGE BAILEY, James Stewart em A Felicidade Não Se Compra (1946), de Frank Capra

A vida fez George abdicar de seus sonhos de aventuras e viagens pelo mundo. Em seu pior momento, um anjo mostra o que ele teria a perder se não existisse – como seus quatro filhos.

Retorno de Jedi-33

Mark Hamill e David Prowse, em “O Retorno de Jedi”

8 – DARTH VADER, David Prowse e voz de James Earl Jones em O Retorno de Jedi (1983), de Richard Marquand

Ok, a grande frase “Não, Luke. Eu sou seu pai” é do filme anterior, O Império Contra-Ataca (1980), mas é no terceiro filme da trilogia original de Guerra nas Estrelas onde a relação pai-filho se desenvolve: Luke Skywalker vai ao encontro de Darth Vader para sua missão mais difícil: tentar resgatá-lo do lado negro da Força.

Menina de Ouro

Clint Eastwood e Hilary Swank em “Menina de Ouro”

7 – FRANKIE DUNN, em Menina de Ouro (2004), de Clint Eastwood

Velho dono de uma academia, Frankie não quer treinar a iniciante boxeadora Maggie. Quando acaba cedendo contrariado, pouco a pouco ela ocupa o lugar da filha de quem Frankie está afastado há tanto tempo.

Vida E Bela - 08

Roberto Benigni e Giorgio Cantarini em “A Vida É Bela”

6 – GUIDO, em A Vida É Bela (1997), de Roberto Benigni

Em um campo de concentração nazista, Guido faz de tudo para que seu filho pequeno não perceba o ambiente de atrocidades que os rodeia. Vai criando fantasias e jogos e se mantém firme. Até o fim.

FINDING NEMO, Nemo, Marlin, 2003, (c) Walt Disney/courtesy Everett Collection

“Procurando Nemo”

5 – MARLIN, voz de Albert Brooks em Procurando Nemo (2003), de Andrew Stanton

Traumatizado com uma tragédia pessoal, Marlin supera todos os seus medos para cruzar o oceano em busca do filho sequestrado. Enfrenta tubarões, pega carona em tartarugas-marinhas, escapa de ser engolido por uma baleia. E supera seu maior medo: deixar o filho enfrentar o mundo.

Sol E para Todos - 22

Mary Badham e Gregory Peck em “O Sol É para Todos”

4 – ATTICUS FINCH, em O Sol É para Todos (1962), de Richard Mulligan

É pelo olhos de seus filhos que assistimos ao advogado viúvo Atticus Finch defender um negro da acusação de estupro em uma cidade racista. Scout, que narra o filme como uma memória de adulta, e Jem vivem dias de amadurecimento sob a orientação do personagem eleito pelo AFI o maior herói do cinema americano.

Poderoso Chefao - 27

Al Pacino e Marlon Brando, em “O Poderoso Chefão”

 

3 – VITO CORLEONE, em O Poderoso Chefão (1972), de Francis Ford Coppola

“Um homem que não passa tempo com sua família pode nunca ser um homem de verdade”. “Eu trabalhei a minha vida inteira, eu não me desculpo por isso, para cuidar da minha família. E eu me recusei a dançar para todos aqueles figurões. Essa é a minha vida, eu não me desculpo por isso”. São palavras de Don Vito Corleone, um gangster, mas um pai capaz de desejar uma vida fora do crime para seu filho Michael ou de comover ao chorar perante o corpo do filho Sonny.

Ladroes de Bicicleta-05

Lamberto Maggiorani e Enzo Staiola em “Ladrões de Bicicleta”

2 – ANTONIO RICCI, em Ladrões de Bicicleta (1948), de Vittorio de Sica

Uma das obras máximas do neo-realismo italiano é uma história de pai e filho. Antonio precisa da bicicleta para trabalhar, mas ela é roubada. Ele percorre Roma com o filho Bruno na tentativa de encontrá-la. Eles se apoiam e se estranham, mas ninguém é imune ao momento em que ele desaba na frente do garoto e a relação dos dois é redefinida.

Antes do primeiro colocado, algumas menções honrosas: Clayton Poole, Jerry Lewis em Bancando a Ama-Seca (1958); Daniel Hillard, Robin Williams em Uma Babá Quase Perfeita (1993); Henry Jones, Sean Connery em Indiana Jones e a Última Cruzada (1989); Thomas Dunson, John Wayne em Rio Vermelho (1948); Mustafa, voz de James Earl Jones em O Rei Leão (1994); Ed Bloom, Ewan McGregor e Albert Finney em Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (2003); Adam Trask, Raymond Massey em Vidas Amargas (1955); Shukichi Hirayama, Chisu Ryu em Era uma Vez em Tóquio (1953), de Yasujiro Ozu

Garoto-03

Jackie Coogan e Charles Chaplin, em “O Garoto”

1 – CARLITOS, em O Garoto (1921), de Charles Chaplin

Um garoto quebra uma vidraça. Logo depois, “por coincidência”, surge na rua um vidraceiro pronto para fazer o conserto e, claro, receber por ele. O vidraceiro é Carlitos. Logo se vê que o garoto, claro, está com ele. Tão desprotegido quanto o próprio vagabundo, que o encontrou ainda bebê, abandonado numa lixeira, e o criou (a seu modo). Chaplin amava tanto à comédia quanto o melodrama e que cena quando o serviço social vem arrancar o filho de seus braços, em imagens inundadas de lágrimas e amor.

A música é um universo muito vasto. Por isso, claro que vale uma parte II do top 10 com nossos covers preferidos. Veja o primeiro aqui. E confira o segundo:

10. “CAN’T TAKE MY EYES OFF YOU”, Boys Town Gang (1982).
Autor: Bob Crewe, Bob Gaudio. Gravação original: Frankie Valli (1967).

Um dos grandes clássicos românticos de todos os tempos, “Can’t take my eyes off you” teve cerca de 200 regravações. Uma especialmente bacana é a versão disco do grupo americano Boys Town Gang.

9. “SUGAR, SUGAR”, Mary Lou Lord and Semisonics (1995).
Autores: Jeff Barry e Andy Kim. Gravação original: The Archies (1969).

Canção-tema do seriado animado The Archie Show, da Filmation, que adaptava um gibi famoso nos EUA, é um sucesso da banda ficcional do desenho. Em 1995, foi um dos covers do disco Saturday Morning Cartoons’ Greatest Hits, com Mary Lou Lord e a banda alternativa Semisonic. Mas há diversas outras versões, como as de Wilson Pickett (1970), Bob Marley & The Wailers (1970) e Gladys Knight & The Pips (1975).

8. “GLORIA”, Laura Branigan (1982).
Autores: Umberto Tozzi e Giancarlo Bigazzi. Gravação original: Umberto Tozzi (1979).

Sucesso internacional na versão original em italiano, “Gloria” ganhou letra em inglês de Jonathan King, que a regravou ainda em 1979. Mas teve outra versão em inglês que se tornou outro grande sucesso na voz de Laura Branigan, com letra dela e de Trevor Veitch.

7. “WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS”, Joe Cocker (1969).
Autores: John Lennon e Paul McCartney. Gravação original: The Beatles (1967).

A faixa que Ringo Starr canta em Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band foi totalmente reinventada por Cocker, certamente a mais memorável entre mais de 50 versões da canção, graças a uma performance antológica no Festival de Woodstock e a reaparição como música de abertura da série Anos Incríveis.

6. “DIAMONDS ARE A GIRL’S BEST FRIEND”, Marilyn Monroe (1953).
Autores: Jule Stine e Leo Robin. Performance original: Carol Channing (1949).

Vencedora de três prêmios Tony, Channing interpretou a canção no palco, na primeira versão do musical. A versão de cinema, no entanto, ajudou a consolidar Marilyn como uma superestrela. Em 2001, a música foi combinada com “Material girl”, da Madonna, para Nicole Kidman cantar. É legal, mas claro que não se compara.

5. “JUST CAN’T GET ENOUGH”, Nouvelle Vague (2004).
Autor: Vince Clarke. Gravação original: Depeche Mode (1981).

Ainda bem na aurora da música eletrônica de mercado, o Depeche Mode emplacou este ótimo hit. Que ganhou uma ótima e inusitada releitura do grupo francês Nouvelle Vague, em um estilo bossanoveado.

4. “DON’T LEAVE ME THIS WAY”, The Communards e Sarah Jane Morris (1986).
Autor: Kenneth Gamble, Leon Huff, Cary Gilbert. Gravação original: Harold Melvin & The Blue Notes (1975).

Já um sucesso com o grupo de soul, virou um grande sucesso da era da discoteca com Thelma Houston, na Motown, dois anos depois. A banda inglesa Communards, chegada numa releitura dos anos 1970, regravou a música em 1986, numa enérgica versão em que Jimmy Sommerville divide os vocais com a cantora de jazz Sarah Jane Morris.

3. “BIZARRE LOVE TRIANGLE”, Frente! (1994).
Autor: Gillian Gilbert, Peter Hook, Stephen Morris, Bernard Sumner. Gravação original: New Order (1986).

Outra mudança total de tom. Curiosamente a música não foi um hit de saída, melhorando um pouco quando ganhou um remix em 1994, mas seu status cresceu muito desde então (entrou na lista das 500 maiores canções da Rolling Stone, por exemplo). A versão acústica e melancólica da australiana Frente!, no mesmo ano do remix, também se tornou um clássico por si só. Na Billboard americana, chegou mais alto que a original.

 

 

2. “NOTHING COMPARES 2 U”, Sinéad O’Connor (1990).
Autor: Prince. Gravação original: The Family (1985).

The Family foi uma banda funk de um selo de Prince. Ele compôs a música para seus protegidos, mas ela se tornou um sucesso mesmo é com esta inesquecível versão balada da irlandesa Sinéad O’Connor.

1. “RESPECT”, Aretha Franklin (1967).
Autor: Otis Redding. Gravação original: Otis Redding (1965).

A versão de Aretha transforma a canção de Otis em uma declaração de força feminina. E ainda adiciona a soletração “R – E – S – P -E – C – T” à letra. É uma das gravações mais icônicas da música popular.

 

Eu sei, eu sei: alguns desses personagens são reais. Mas tecnicamente foram ficcionalizados para seus filmes, certo?

Boa Noite e Boa Sorte-08

10 – EDWARD R. MURROW, David Strathairn em Boa Noite e Boa Sorte (2005)

Murrow foi correspondente de rádio na II Guerra e, na TV, comandava o See it Now quando ele e sua equipe resolveram denunciar os desmandos do Comitê de Atividades Antiamericanas liderado pelo senador Joseph McCarthy, história essa contada em Boa Noite e Boa Sorte, título que reproduz seu bordão.

MBDCIKA EC019

9 – CHARLES FOSTER KANE, Orson Welles em Cidadão Kane (1941)

Kane usou sua fortuna herdada para comprar um jornal de terceira e, a partir dele, construir um império de imprensa nos EUA. Frase clássica quando mandou um fotógrafo cobrir uma guerra no Caribe e ele ligou dizendo que estava tudo calmo: “Mande as fotos que eu entro com a guerra”. Inspirado (e nem se esforça em disfarçar) em William Randolph Hearst.

Cidade de Deus-02

8 – BUSCAPÉ, Alexandre Rodrigues em Cidade de Deus (2002)

Testemunha da ascensão do tráfico de drogas na Cidade de Deus, um dia Buscapé ganha uma máquina fotográfica e registra a ação dos bandidos para o Jornal do Brasil.

Princesa e o Plebeu-07

7 – JOE BRADLEY, Gregory Peck em A Princesa e o Plebeu (1953)

Bradley trabalha para um serviço de notícias em Roma até que dá de cara com um furo: a princesa (Audrey Hepburn) que está em visita oficial, mas fugiu para viver a cidade. Sem dizer que a reconheceu, se oferece para ciceroneá-la e fazer uma reportagem exclusiva.

Montanha dos Sete Abutres

6 – CHUCK TATUM, Kirk Douglas em A Montanha dos Sete Abutres (1953)

Preso ao jornaleco de uma cidadezinha, Tatum descobre que um homem está preso em uma mina. Ele logo começa a manipular o xerife, a esposa do cara e a cidade inteira, fazendo a situação virar um circo e controlando a situação para sua matéria o levar de volta ao topo. “Eu posso cuidar de grandes notícias ou pequenas notícias. E se não houver notícias, eu saio e mordo um cachorro”, diz ao seu editor.

Quase Famosos-04

5 – WILLIAM MILLER, Patrick Fugit em Quase Famosos (2000)

Miller é um adolescente que escreve para uma revista quando recebe uma ligação da Rolling Stone pedindo uma pauta. Ele sugere a banda em ascensão Stillwater e de repente se vê acompanhando a turnê do conjunto e mergulhado no mundo do rock dos anos 1970. O diretor-roteirista Cameron Crowe semibiografa a própria história.

Hildy Johnson

4 – HILDY JOHNSON, Rosalind Russell em Jejum de Amor (1940) e Jack Lemmon em A Primeira Página (1974)

A peça já tinha rendido um filme em 1931, mas estas são as duas versões clássicas: Hildy é o repórter que abandona o emprego para se casar e levar uma vida pacata, mas é convencido pelo editor a cobrir a execução de um assassino de policiais. O editor usa cada truque para não perder seu repórter, que não resiste ao vício da adrenalina da cobertura. Em Jejum de Amor, o detalhe é que o repórter é uma mulher. E aí o editor quer tanto manter a repórter quanto evitar que sua ex-mulher se case de novo.

Todos os Homens do Presidente-07

3 – BOB WOODWARD E CARL BERNSTEIN, Robert Redford e Dustin Hoffman em Todos os Homens do Presidente (1976)

Uma das histórias mais famosas do jornalismo: Woodward e Bernstein, do Washington Post, fazem o trabalho de formiguinha de investigar uma invasão à sede do Partido Democrata e descortinam o escândalo que ficou conhecido como Watergate e provocou a renúncia do presidente Richard Nixon.

Homem que Matou o Facinora-64

2 – DUTTON PEABODY, Edmond O’Brien em O Homem que Matou o Facínora (1962)

Peabody é o, como ele mesmo diz, “dono, editor, redator e faxineiro” do jornal de uma cidade sem lei do velho oeste. Ele testemunha a luta de um advogado idealista (James Stewart) e trazer a civilização ao lugar, mas isso implica em enfrentar o grande bandido Liberty Valance (Lee Marvin). Ao dar com uma história que vai incriminar Valance e o avisam para não publicar, ele não titubeia: “É notícia. E eu sou um jornalista”.

Lois Lane

1 – LOIS LANE, Margot Kidder em Superman – O Filme (e mais três filmes) e Teri Hatcher em Lois & Clark – As Novas Aventuras do Superman, entre outras atrizes

Lois Lane surgiu junto com o Super-Homem, nos quadrinhos, em 1938. Já trabalhava no Planeta Diário, mas era infeliz: fazia uma coluna de fofocas. Com o tempo, se tornou a melhor repórter dos quadrinhos, amplamente reconhecida, tão talentosa quanto abelhuda e agitada. Sua importância não deve ser subestimada: é um ícone, um símbolo do reconhecimento do talento feminino antes que o feminismo ganhasse corpo. Teve revista própria, versões para rádio, livros, desenhos animados e, claro, cinema e TV. Atualmente, é vivida por Amy Adams no cinema. A versão clássica é a de Margot Kidder, na série de filmes do Super-Homem de 1978 a 1987. Ela mostrou o domínio da personagem desde os testes: é visível como é melhor que as adversárias. Na TV, a melhor versão é a Teri Hatcher na série em que Lois vinha (com toda a justiça) antes do super-herói no título.

O editor Sidney Gusman divulgou hoje as primeiras imagens de Papa Capim – Noite Branca, a 11ª Graphic MSP e a primeira de 2016. Para celebrar (mentira, eu já pretendia publicar isso antes), resolvi fazer meu top 10 da série até agora. É preciso duas observações. Primeiro, é claro que, se tem só 10, nenhuma ficou de fora. Segundo, o nível de todas vai, pra mim, de muito boas a excelente.

Top 10 Graphic MSP - Muralha

10. TURMA DA MATA – MURALHA (2015)

Com a pegada de uma HQ de ação e aventura, Muralha é interessante, tem bom ritmo e criou uma bom ambientação, mas acho que acabou se distanciando demais dos personagens originais, pouco reconhecíveis em seu novo formato. Muitos deles estão mais para clichês genéricos de personagens de filmes de ação (o que é evidenciado em muitos dos diálogos). A HQ é de Artur Fujita (roteiro), Roger Cruz (arte) e Davi Calil (cores).

 

 

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9. ASTRONAUTA – SINGULARIDADE (2014)

A segunda incursão de Danilo Beyruth pelo universo do Astronauta (com perdão do trocadilho) resolveu expandir sua versão, incluindo outros personagens. É uma ótima trama de ficção científica, mas minimizou-se aquilo que é uma das principais características do personagem:a solidão.

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8. PENADINHO – VIDA (2015)

A trama sensível de Paulo Crumbim e Cristina Eiko mistura elementos da ficção de horror com ecos de rock pesado e estética influenciada pelo mangá. A história usa os personagens de Mauricio de Sousa praticamente como eles são nos quadrinhos tradicionais.

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7. CHICO BENTO – PAVOR ESPACIAR (2013)

Esta pode ser a Graphic MSP que mais tem “a cara” de seu autor. É uma HQ muito do Gustavo Duarte, seguindo firme em seu estilo puramente visual (aqui abrindo exceções para alguns balões). Sendo assim, é um deleite para os olhos, com seus traços limpos e cartunescos e quadros cheios de detalhes e referências.

 

 

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6. BIDU – CAMINHOS (2014)

Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho optaram por uma “história de origem”: como Bidu e Franjinha se conheceram. Do ponto de vista do cãozinho, mas com a difícil missão de trazer os diálogos entre os bichos “traduzidos” em desenhos dentro dos balões, como em tantas histórias “mudas” do Mauricio. As onomatopeias muito integradas à ação são um charme a mais na narrativa.

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5. PITECO – INGÁ (2013)

Shiko fez uma bela adaptação do personagem pré-histórico de Mauricio, conseguindo muitas soluções ótimas para as referências originais. E construiu uma narrativa de ação que funciona muito bem, emoldurada por suas ilustrações deslumbrantes.

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4. TURMA DA MÔNICA – LAÇOS (2013)

Coim uma forte pegada Goonies, Vitor e Lu Cafaggi conta uma aventura com os quatro principais personagens de Mauricio. O resultado é exatamente o que se espera dos dois: humor e ternura combinando perfeitamente. Enquanto Vitor desenhou a ação “no presente”, colorida, Lu ficou com os fofíssimos flashbacks que imaginam como o quarteto se conheceu, praticamente ainda bebês.

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3. LOUCO – FUGA (2015)

A mais recentes das Graphic MSPs (até o lançamento de Papa-Capim – Noite Branca), a obra de Rogério Coelho ao mesmo tempo estabelece uma linha narrativa para o mais surrealista personagem do universo mauriciano (criado pelo irmão dele, Márcio) e subverte a narrativa (o personagem atravessa quadrinhos e ressignifica viradas de páginas). E ainda desenvolve metáforas metalinguísticas com a trajetória das próprias criações de Mauricio e do próprio selo Graphic MSP, servindo como o fechamento simbólico de um ciclo para as dez primeiras edições da série.

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2. ASTRONAUTA – MAGNETAR (2013)

A primeira das Graphic MSP é uma aula de como se pode fazer uma grande história de aventuras para todas as idades (coisa que DC e Marvel parecem ter esquecido há tempos). Danilo Beyruth, de quebra, tira proveito da maior característica do Astronauta, sua solidão estelar, e a leva a consequências inéditas para o personagem. E abre a trama já com uma reinvenção: um background do personagem, mostrando sua relação com o avô.

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1. TURMA DA MÔNICA – LIÇÕES (2015)

Os irmãos Vitor e Lu Cafaggi se superaram em Lições. Se Laços jogava a Turma da Mônica em uma aventura, Lições enfrenta desafios narrativos ainda maiores: é basicamente uma comédia dramática que se passa exclusivamente no cotidiano do quarteto. Os Cafaggi fazem de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali seus personagens e ao mesmo tempo não se afastam quase nada das criações originais de Mauricio de Sousa – um equilíbrio difícil. Os flashbacks de Lu estão mais integrados à narrativa “no presente” de Vítor. E, ao separar os personagens por boa parte da história, a trama reforça a união entre eles. E a página final é nada menos do que uma obra-prima.

007 O Espiao que Me Amava-abertura

Os elaborados créditos de abertura da série James Bond são uma tradição tão forte que nem a repaginada da era Daniel Craig os derrubaram (em comparação, lembremos que o tiro no olho-cano de revólver que sempre abriu os filmes foi escanteado para o final na era Craig, até Spectre devolvê-lo ao começo). É um top 10 das aberturas, não das músicas-tema. Então, a música é levada muito em conta, claro, mas também elementos como originalidade, bom humor quando for o caso, visual e narrativa. Os créditos de abertura sempre têm uma boa dose de abstração, o que deixa tudo ainda mais subjetivo.

10 – 007 CONTRA A CHANTAGEM ATÔMICA (1965)

O quarto filme da série iniciou uma tradição: as aberturas com silhuetas femininas nuas, criadas por Maurice Binder (que havia ficado de fora dos dois filmes anteriores, mas voltou aqui e exigindo o nome nos créditos). Aqui, como faria depois Somente para Seus Olhos, o tom é submarino evocando as sequências embaixo d’água que o público assistiria no filme. A música-tema é cantada por Tom Jones, com um instrumental bem bondiano.

9 – 007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO (1962)

O primeiro filme da série tem uma abertura bem no estilo dos anos 1960: predominantemente gráfica, com os créditos interagindo (no ritmo e visual) com as bolinhas piscando. Inclui também o icônico tiro inicial desenhado por Maurice Binder (a cena antes dos créditos só viria a partir do segundo filme) e o antológico tema da série composto por Monty Norman. No meio, há uma quebra meio brusca para uns temas caribenhos, já que o plot principal do filme é na Jamaica.

8 – 007 A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE (1969)

A abertura mais psicodélica da série, bem no espírito do final dos anos 1960. É visível também a preocupação em minimizar a mudança do ator principal (Sean Connery havia saído e era a estreia de George Lazenby, que acabou fazendo só esse mesmo) usando imagens dos vilões e bondgirls dos filmes anteriores. Também é a terceira e última abertura apenas com trilha instrumental (as outras foram a dos dois primeiros filme). E é mais uma de Maurice Binder.

7 – 007, O ESPIÃO QUE ME AMAVA (1977)

A abertura do terceiro 007 com Roger Moore, de Maurice Binder, absorve a autoparódia do filme. As silhuetas agora fazem uma espécie de ginástica olímpica (destaque para a evolução na barra formada pelo cano do revólver) e há elementos soviéticos, evocando o romance entre Bond e a espiã russa no filme. Há uma bela imagem inicial, com as mãos capturando o para-quedas de Bond. E a música é uma das melhores da série toda: “Nobody does it better”, com Carly Simon.

6 – 007 – CASSINO ROYALE (2006)

A repaginada que a série recebeu em 2006 refletiu na abertura. Não há mulheres, com a exceção de uma discretíssima aparição do rosto de Eva Green. Ao invés disso, muito tiro, muita luta e muito sangue. Um tom muito mais claro que o usual também, com essa ambientação no mundo do baralho e seus elementos. Daniel Kleinman, que desenhou os créditos, integrou, depois de 43 anos, a sequência do tiro à abertura, se aproximou da pop art e usou muito a imagem de Daniel Craig para reforçá-lo como o novo Bond. A música, ótima, é “You know my name”, com Chris Cornell.

5 – 007 CONTRA GOLDFINGER (1964)

Uma das imagens famosas do filme é a morte de Shirley Eaton com o corpo pintado de dourado. A abertura (de Robert Brownjohn) aproveita a ideia: o corpo da atriz e modelo Margaret Nolan pintado de dourado, nos quais são projetadas cenas deste e dos dois filmes anteriores da série. Na música-tema (foi a primeira vez que a abertura ganhou uma canção como tema), a inigualável Shirley Bassey. No vídeo abaixo, a vinheta do tiro está incluída, mas, como quase sempre, há uma sequência entre ela e os créditos.

4 – 007 CONTRA GOLDENEYE (1995)

Fazia seis anos que não Bond não dava as caras nas telas, quando veio a estreia de Pierce Brosnan no papel. Junto com ele, a estreia de Daniel Kleinman, diretor de clipes e vídeos de shows, como designer dos créditos de abertura (substituindo Maurice Binder, que morreu em 1991). Ele segue a herança de Maurice Binder (principalmente no que diz respeito à silhueta feminina), mas aposta firme nos efeitos por computador: os símbolos soviéticos, já que o filme tem relação com o fim da guerra fria. A música-tema tem Tina Turner cantando música de Bono & The Edge. No vídeo, a vinheta do tiro está incluída, mas, como quase sempre, há uma sequência entre ela e os créditos.

3 – 007 NA MIRA DOS ASSASSINOS (1985)

Maurice Binder de cabeça nos anos 1980. O som dançante do Duran Duran na trilha e detalhes coloridos explodindo do fundo negro: o batom, a arma, uma mulher dançando no fogo (claro). As mulheres esquiadoras são uma imagem bonita, mas o que se sobressai é a sensação divertida de não se levar a sério.

2 – 007 – O AMANHÃ NUNCA MORRE (1997)

Como no anterior, Daniel Kleinman se inspira fortemente no tema do filme: aqui, o mundo da comunicação e da computação e mulheres e armas, claro. São belas imagens, muita produção digital e a música bem bondiana cantada por Sheryl Crow. O visual também prefere imagens em negativo e sensação de raio-x.

Antes do primeiro lugar, algumas enções honrosas: Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (1967) e seus temas japoneses (de Maurice Binder); Moscou contra 007 (1963), com os créditos (de Robert Brownjohn) projetados na pele feminina; Com 007 Viva e Deixe Morrer (1973), de Maurice Binder, com os temas vudu e Paul McCartney cantando.

1 – 007 – OPERAÇÃO SKYFALL (2012)

Deu tudo certo na abertura de Skyfall, a sexta com design de Daniel Kleinman. Partindo do momento final da cena pré-créditos (baleado sobre um trem, Bond desaparece sob a água), somos encaminhados no que às vezes parece uma experiência subconsciente de 007 à beira da morte (principalmente um certo conflito consigo mesmo: tiros nas sombras e nos espelhos), outras vezes a antecipação de elementos que o espectador só vai ver mais à frente (o vilão vivido por Javier Bardem, a Skyfall do título). Isso com um ponto de vista que está indo sempre para a frente (ou mais para dentro). Há mais símbolos sinistros de morte (túmulos, sangue e caveiras, que podem tanto remeter ao desenrolar da primeira sequência quanto ao que vem pela frente) mais do que as tradicionais armas e mulheres. Coroando tudo, a espetacular canção de Adele, num estilo muito bondiano.

A lendária atriz sueca teria completado 100 anos sábado. Ela começou a carreira na Suécia, depois virou estrela em Hollywood, mas não ficou sentada nisso. Sempre perseguiu os bons papéis e os desafios, o que a levou a querer filmar com Rossellini, o papa do neorealismo na Itália. Aí, veio a paixão e ela trocou o marido dentista pelo cineasta italiano, o que levou à ira da turma da moral e dos bons costumes nos EUA.

Depois que a relação acabou (tendo, dela, nascido a futura – lindíssima – atriz Isabella Rossellini), Hollywood recebeu Ingrid de volta de braços abertos. Na maturidade, voltou à Suécia para um encontro de titãs do país com Ingmar Bergman, que não é seu parente. Vencedora de três Oscars, Ingrid morreu em 1982. Aqui estão seus dez grandes momentos, pra mim.

Ingrid Bergman - Indiscreta

“Indiscreta” (1955)

10. INDISCRETA (1958), de Stanley Donen

No segundo encontro com Cary Grant, Ingrid estrela uma comédia-romãntica do co-diretor de Cantando na Chuva. Seus papéis mais famosos eram sempre dramáticos, então é ótimo vê-la mostrando talento em algo mais leve. Já Cary Grant era um especialista no ramo. No filme, Ingrid começa um relacionamento com ele, mas descobre que ele mentia, e, enfurecida, quer vingança.

Ingrid Bergman - Joana d'Arc-02

“Joana d’Arc” (1948)

9. JOANA D’ARC (1948), de Victor Fleming

Com o diretor de …E o Vento Levou (1939) e O Mágico de Oz (1939), ela se arriscou aos 33 anos a viver a adolescente francesa que chegou a liderar o exército do país contra os ingleses na Guerra dos Cem Anos, guiada, segundo ela, por Deus, e morrendo na fogueira após ser presa. Foi sua quarta indicação ao Oscar.

“Assassinato no Expresso Oriente” (1974)

8. ASSASSINATO NO EXPRESSO ORIENTE (1974), de Sidney Lumet

Num elenco cheio de estrelas, Ingrid teve papel de destaque como uma das passageiras do trem onde ocorre o crime investigado por Hercule Poirot, nesta adaptação do livro mais clássico de Agatha Christie. Tanto que ela ganhou o Oscar de atriz coadjuvante, sua terceira estatueta.

Por Quem os Sinos Dobram-06

“Por Quem os Sinos Dobram” (1943)

7. POR QUEM OS SINOS DOBRAM? (1943), de Sam Wood

Depois da heroína romântica de Casablanca, Ingrid mostrou que não ia ficar surfando em um registro apenas. Cortou os cabelos para viver a moça que teve os pais mortos por franquistas na trama de Ernest Hemingway que se passa durante a Guerra Civil Espanhola. Foi sua primeira indicação ao Oscar.

“Anastácia, a Princesa Esquecida” (1956)

6. ANASTÁCIA, A PRINCESA ESQUECIDA (1956), de Anatole Litvak

O filme marcou a volta de Ingrid aos Estados Unidos, após os anos na Itália. A recepção não poderia ser melhor: um papel que deu a ela seu segundo Oscar de melhor atriz. Ela interpreta a mulher com amnésia que é treinada para se passar pela princesa que teria escapado do massacre dos Romanov durante a revolução russa.

“Sonata de Outono” (1978)

5. SONATA DE OUTONO (1978), de Ingmar Bergman

Na maturidade, Ingrid voltou à sua Suécia natal para atuar em um drama do maior cineasta do país, e com o mesmo sobrenome (embora não fossem parentes). Ela interpreta a pianista famosa, uma mãe dura com uma relação dificílima com a filha vivida por Liv Ullman. Foi sua sétima e última indicação ao Oscar.

“À Meia-Luz” (1944)

4. À MEIA-LUZ (1944), de George Cukor

Ingrid é a moça frágil enredada em uma trama na qual o marido (antes gentil, depois cada vez mais sinistro) faz de tudo para que ela enlouqueça. Primeiro Oscar da atriz, que está estupenda como a mulher que vai gradativamente perdendo o controle sobre si mesma. A história inspirou a trama de Daniel Filho e Renata Sorrah em Rainha da Sucata, lembram?

“Stromboli” (1950)

3. STROMBOLI (1950), de Roberto Rossellini

Encantada com neo-realismo italiano, Ingrid resolveu tomar parte daquilo. Se ofereceu para filmar com o diretor e o resultado foi Stromboli, o encontro do neo-realismo com uma superestrela de Hollywood. Ela é a mulher que se casa com um pescador e vai morar nessa vila, Stromboli, sempre ameaçada por um vulcão. Ingrid faria outros cinco filmes com Rossellini.

“Interlúdio” (1946)

2. INTERLÚDIO (1946), de Alfred Hitchcock

Segundo dos três filmes que fez com Hitchcock, ela é obrigada a espionar para os americanos um grupo nazista no Rio de Janeiro. E, para isso, é levada até a casar com o chefe deles. Suspense, espionagem, romantismo em um Rio de back projection e um dos mais notáveis beijos do cinema.

Antes do primeiro lugar, algumas menções honrosas: Intermezzo – Uma História de Amor (1939); O Médico e o Monstro (1941); Quando Fala o Coração (1945); Os Sinos de Santa Maria (1945); Europa 51 (1952); Romance na Itália (1954); Flor de Cacto (1969).

“Casablanca” (1942)

1. CASABLANCA (1942), de Michael Curtiz

Ingrid é Ilsa Lundl, que aparece no Rick’s Cafe Americaine, em Casablanca, no Marrocos, e transforma a vida do dono do bar, Rick (Humphrey Bogart) num inferno. Eles viviam um romance em Paris, bem quando os nazistas invadiram, mas na hora da fuga ela deu o cano e ele nunca se recuperou. E quem vai censurá-lo? Ilsa tem sua justificativa: era casada com um líder da resistência, achava que tinha ficado viúva e, de repente, fica sabendo que o marido estava vivo. Além do compromisso de esposa, se fez valer o compromisso com a causa. Agora, estão todos em Casablanca, ela e o marido tentando chegar a salvo na América e Rick de posse dos salvo-condutos que podem viabilizar isso. Conta-se que, como o roteiro era escrito e reescrito o tempo todo, Ingrid não sabia com quem iria terminar ou por quem deveria estar apaixonada. O que ajudou a compor sua personagem dividida neste clássico imortal. Imortal como a atriz.

“O que é que há, velhinho?”, dizia um certo coelho cinza para um certo caçador há 75 anos. No curta A Wild Hare (1940), de Tex Avery, Pernalonga aparecia pela primeira vez completamente desenvolvido, após dois anos de protótipos aparecendo em quatro curtas da Warner. Foram vários os animadores a contribuir para o estrelato do coelho, mas quatro se destacam: Bob Clampett, Friz Freleng, Chuck Jones e Robert McKimson.

Juro que tentei fazer um top 10, mas não consegui (no CORREIO, fui mais objetivo e saiu um). Assim, optei por três top 10 do Pernalonga: um só com os desenhos de Chuck Jones (todos com roteiro de Michael Maltese), outro só com Friz Freleng, e um terceiro com os demais diretores.

“Operation: Rabbit” (1952)

10. OPERATION: RABBIT/ OPERAÇÃO: COELHO (1952)

O coiote, que aqui se apresenta como “Willie E. Coyote, gênio”, só havia aparecido uma vez no então único desenho do Papa-Léguas (Fast and Furry-ous, 1949). O alvo do coiote, aqui, é o coelho, a quem ele aristocraticamente se apresenta já no começo, levando sua própria porta. A dupla contracenou outras quatro vezes, mas esta aqui é a que marcou.

Assista com o som original

“Haredevil Hare” (1948)

9. HAREDEVIL HARE/ COELHO HERÓICO/ COELHO ESPACIAL (1948)

Pernalonga conhece um novo rival: Marvin, o Marciano (aqui, ainda sem nome). O começo já é ótimo, com o coelho sendo lançado em pânico ao espaço pela Nasa. Em Marte, ele conhece o sujeitinho que quer explodir a Terra porque “está atrapalhando sua vista de Vênus”.

Assista com o som original

“Rabbit Seasoning” (1952)

8. RABBIT SEASONING/ CAÇA AO PATO (1952)

Segundo da Trilogia da Caça (dirigida por Jones e escrita por Michael Maltese), este é aquele do “Vai atirar nele agora ou vai esperar até chegar em casa?”. Em termos de ritmo de comédia, é tão bom quanto o primeiro, Rabbit Fire (1951). E o terceiro, Duck! Rabbit! Duck! (1953) não fica atrás. Na eleição de 50 melhores cartoons, a partir de uma votação entre mil animadores, ficou em 30º lugar.

Assista com o som original

Bônus! O desenho dublado por mim!

“Rabbit Hood” (1949)

7. RABBIT HOOD/ PERNALONGA HOOD/ COELHO HOOD/ PERNALONGA EM SHERWOOD (1949)

Pernalonga ataca o canteiro real de cenouras e tem que se ver com o Xerife de Nottingham. Mas João Pequeno aparece ao longo do episódio anunciando solenemente: “Não se aflija! Não tema! Porque Robin Hood não tarda a chegar!”. Não que o coelho precise: fingindo ser o rei, ele destroça o xerife enquanto o sagra cavaleiro seguidas vezes em mais uma sequência antológica (“Levante Sir Royal do Bife! Levante Cavaleiro da Abóbora! Levante, seu cavaleiro idiota!”)..

Assista com o som original / Cena com a dublagem da Cinecastro

“Bully for Bugs” (1953)

6. BULLY FOR BUGS/ COELHO TOUREIRO/ PERNALONGA, O TOUREIRO (1953)

Colocar o herói como toureiro foi um expediente muito usado nas animações clássicas. Nenhum se saiu tão bem quanto o Pernalonga, que foi parar em uma arena ao tomar o caminho errado para um festival de cenouras (“Eu sabia que devia ter virado à esquerda em Albuquerque”). O olhar assassino do touro torna o duelo memorável, assim como as artimanhas do coelho para iludi-lo (como aproveitar uma dança para estapear o bicho).

Assista com o som original

“Beanstalk Bunny” (1955)

5. BEANSTALK BUNNY/ O COELHO E O PÉ DE FEIJÃO (1955)

De novo Pernalonga, Patolino e Hortelino juntos, mas numa ambientação diferente. Agora, o pato é o João do pé-de-feijão e a planta cresce a partir dos feijões mágicos que ele joga desavisadamente na toca do sonolento coelho. Hortelino é o gigante. Há diálogos maravilhosos (“É mentira! Meu nome é Aloísio! Ele é o João: João Coelho”), grande ritmo, humor visual de primeira (para fugir de uma redoma com um cortador de vidro, a dupla corta suas exatas silhuetas).

Assista com o som original

“Ali Baba Bunny” (1957)

4. ALI BABA BUNNY/ O TESOURO DE ALI BABÁ (1957)

A parceria com Patolino tem mais um grande momento. Os dois por acaso chegam à caverna dos tesouros roubados de Ali Babá. Mas há um guarda brutamontes que tenta liquidá-los. O coelho só quer sair dali, mas é claro que o pato ganancioso pira diante de tal fortuna. Na eleição de 50 melhores cartoons, a partir de uma votação entre mil animadores, ficou em 35º lugar.

Assista com o som original

“Long-Haired Hare” (1949)

3. LONG-HAIRED HARE/ MAESTRO PERNALONGA (1949)

Um dos maiores momentos da comédia em todos os tempos, entre animações e seres humanos: a imitação que Pernalonga faz do maestro Leopold Stokowski, regendo o tenor Giovanni Jones, com quem tem uma rusga em pleno recital do sujeito no Hollywood Bowl. Tudo começa porque o ensaio de Jones é atrapalhado seguidas vezes pelo coelho, atacando “Raining night at Rio” no banjo, depois tocando harpa e uma tuba.

Assista com o som original

“Rabbit Fire” (1951)

2. RABBIT FIRE/ TEMPORADA DE CAÇA (1951)

O primeiro da Trilogia da Caça marcou a primeira vez em que Pernalonga e Patolino contracenam. Até então duas estrelas da Warner com suas próprias séries de curtas, o coelho e o pato combinaram de maneira espantosa. Jones e Maltese redefiniram aqui a personalidade do Patolino, que deixava de ser o pato maluquete do começo da carreira para se tornar mais sofisticado e complexo: vaidoso, ganancioso, egoísta, vingativo e se achando mais esperto do que de fato é. Os diálogos são brilhantes, partindo, claro, da cena “Duck season! Rabbit season!”. Um show particular do dublador Mel Blanc, que fazia as vozes tanto do coelho quanto do pato.

Assista com o som original

Bônus! O desenho dublado por mim!

Antes do primeir lugar, algumas MENÇÕES HONROSAS: Duck! Rabbit! Duck! (1953), terceiro da Trilogia da Caça; What’s Opera, Doc? (1957), primeiro lugar na eleição dos 50 melhores cartoons; Bunny Hugged (1951), no mundo da luta livre; Hare-Raising Hare (1946), a estreia do monstro cabeludo depois conhecido como Gossamer; Baby Buggy Bunny (1954), em que Pernalonga adota um bebê sem saber que é um gangster.

“Rabbit of Seville” (1950)

1. RABBIT OF SEVILLE/ O COELHO DE SEVILHA (1950)

Em sua eterna perseguição, Pernalonga e Hortelino vão parar no palco de uma ópera que está para começar. Quando a cortina sobe e a orquestra ataca, a confusão se dá ao som da abertura de O Barbeiro de Sevilha. A dupla transforma esse trecho inicial da obra-prima de Rossini em uma ópera à parte, cantada  e subvertida por eles. Cada piada é melhor que a outra, num exemplo magnífico da conjunção entre música e animação.

Assista com o som original

Assista com uma orquestra tocando a música ao vivo

Assista com a dublagem da Cinecastro

Houve um tempo em que se dizia que nenhuma continuação era superior ao original (só O Poderoso Chefão 2 – Parte 2O Império Contra-Ataca, o que sempre é discutível, mas era o que se dizia). Hoje já existem muitas partes 2 melhores que a parte 1, mas parece que sobre as partes 3 alguma maldição acontece. O senso comum costuma apedrejá-las (pergunte o que o pessoal acha de Homem-Aranha 3Homem de Ferro 3X-Men – O Confronto Final, por exemplo – em tempo: gosto dos três).

Então vamos a um top 10 de partes 3 que burlam isso aí. São filmes bem aceitos por público em geral e pela crítica e, às vezes, até melhores que o original.

"Star Wars – A Vingança dos Sith"

“Star Wars – A Vingança dos Sith”

10 – STAR WARS – A VINGANÇA DOS SITH (2005)

A segunda trilogia da série Guerra nas Estrelas é cheia de problemas e o próprio A Vingança dos Sith tem alguns bem sérios. Mas é inegável que também é bastante superior aos dois primeiros e possivelmente o único que realmente não faz feio com relação à trilogia original. RT: 80%.

"De Volta para o Futuro – Parte III"

“De Volta para o Futuro – Parte III”

9 – DE VOLTA PARA O FUTURO – PARTE III (1990)

Filmado simultaneamente com a parte II, tem uma diferença razoável com relação aos anteriores por se passar quase inteiramente no velho oeste. Acaba então se tornando uma deliciosa paródia do gênero. E faz isso muito bem, além de também cumprir muito bem o papel de encerrar a história. RT: 73%.

"O Ultimato Bourne"

“O Ultimato Bourne”

8 – O ULTIMATO BOURNE (2007)

Os dois primeiros filmes já são muito bons, mas o terceiro realmente fecha com chave de ouro a trilogia. Paul Greengrass está muito inspirado nas cenas de perseguição e de luta e no ritmo das revelações que vão aparecendo para elucidar a história do agente que, no primeiro filme, começa desacordado e perseguido por colegas sem saber o motivo. RT: 93%.

"Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban"

“Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”

7 – HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN (2004)

Para o terceiro filme da série, houve uma mudança de direção: saiu o burocrático Chris Columbus e entrou o mexicano Alfonso Cuarón, que imprimiu mudanças visíveis: reduziu muito o ar glamouroso e de conto-de-fadas da escola de bruxaria e nos brindou com a sequência antológica em que Harry fica frente a frente com Sirius Black e outra, a da volta no tempo. Nenhum filme que veio depois conseguiu superá-lo (talvez o sétimo dos oito, mas a discutir). RT: 91%.

"O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei"

“O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei”

6 – O SENHOR DOS ANÉIS – O RETORNO DO REI (2003)

A trilogia O Senhor dos Anéis foi filmada numa tirada só, mas a edição foi um de cada vez. Isso deve ter ajudado o diretor Peter Jackson a corrigir problemas a cada passo e controlar, por exemplo, sua tendência ao exagero. Ou isso, ou o exagero se justifica pelo clímax gigante que é o capítulo final da saga. RT: 95%.

"007 – Operação Skyfall"

“007 – Operação Skyfall”

5 – 007 – OPERAÇÃO SKYFALL (2012)

Ok, ok, sabemos que Skyfall é o 23º filme da série James Bond. Mas desde que 007 – Cassino Royale reiniciou a série em 2006, então podemos entender o filme como o terceiro dessa nova fase (fizemos isso também com A Vingança dos Sith, oras). E o sentimento foi de “até que enfim!”. Depois de um ótimo filme que tinha pouco do James Bond que o cinema consagrou e um segundo que nem era muito bom, nem era muito Bond, este conseguiu ser excelente e fazer Daniel Craig envergar bastante da autoparódia que acompanhava o agente desde Sean Connery. Além disso, há a fotografia sensacional de Roger Deakins e sacadas como colocar a M de Judi Dench como a principal bondgirl do filme. RT: 92%.

Indiana Jones e a Ultima Cruzada-26

“Indiana Jones e a Última Cruzada”

4 – INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA (1989)

Steven Spielberg achou o segundo filme da série muito sombrio (gente tendo o coração arrancado do peito… aquelas coisas), então caprichou na comédia em A Última Cruzada. O golpe de mestre foi escalar Sean Connery como o pai de Indy (fazia todo o sentido, já que de certa forma James Bond foi o “pai” de Indiana Jones). Como o original, aqui também tivemos uma corrida apostada contra os nazistas por um tesouro bíblico. RT: 88%.

"Toy Story 3"

“Toy Story 3”

3 – TOY STORY 3 (2010)

Parecia ser difícil superar o excelente segundo filme, de 1999. Além disso, o terceiro filme surgia sob a sombra de puro oportunismo (detentora dos direitos, a Disney ia tocá-lo sozinha quando a Pixar estava para deixar a parceria com o estúdio). Mas Pixar conseguiu surpreender e entregar, 11 anos depois, uma continuação melhor ainda, que vira um filme de prisão, chega no limite do suspense para um filme infantil e com um final de deixar o coração apertado. RT: 99%.

"Três Homens em Conflito"

“Três Homens em Conflito”

2 – TRÊS HOMENS EM CONFLITO (1966)

É a terceira parte da trilogia do Homem sem Nome, de Sergio Leone. Os anteriores – Por um Punhado de Dólares (1964) e Por uns Dólares a Mais (1965) – foram eclipsados por esta ciranda de trapaças e violências entre o bom (Clint Eastwood), o mau (Lee Van Cleef) e o feio (Eli Wallach). Seria o máximo do western spaghetti, não fosse Era uma Vez no Oeste (1968), do próprio Leone. RT: 97%.

"007 contra Goldfinger"

“007 contra Goldfinger”

1 – 007 CONTRA GOLDFINGER (1963)

Em Goldfinger, James Bond finalmente estava completo como o personagem que se tornaria um dos mais conhecidos do universo da ficção (muito mais do que na literatura). Os dois filmes anteriores contribuíram muito para isso (principalmente o segundo, Moscou contra 007, de 1963), mas aqui todos os elementos chegaram ao ponto ideal: um vilão megalomaníaco, capangas magistrais, bondgirls de tirar o fôlego, cenas antológicas (a beldade que morre folheada a ouro, o raio laser que corta a mesa em direção a 007) e a autoparódia, o não-se levar-muito-a-sério (no começo do filme, Bond sai do mar de escafandro e já tem um smoking por baixo). Ainda é o melhor dos até agora 23 filmes de Bond. RT: 96%.

A lista seria de covers que conseguem reinventar uma música e melhorá-la? Ou só torná-la diferente? Ou só continuar muito boa? Eu não fecho em nenhum critério. Há um pouco de tudo isso nessa lista de música que adoro. O que elas têm em comum: são minhas versões preferidas e não são as originais (embora algumas pareçam ser).

10. “MORE THAN THIS”, 10,000 Maniacs (1997).
Autor: Bryan Ferry. Gravação original: Roxy Music (1982).

O primeiro single do último álbum do Roxy Music, antes de Bryan Ferry partir para a carreira solo voltou às paradas com a ótima e delicada versão do 10.000 Maniacs, estreando uma vocalista nova: Mary Ramsey no lugar de Natalie Merchant.

9. “BETTE DAVIS EYES”, Kim Carnes (1981)
Autoras: Donna Weiss, Jackie DeShannon. Gravação original: Jackie DeShannon (1974)

A versão de Kim Carnes é hoje tão mais conhecida, que mal se sabe que ela é um cover da original de Jackie DeShannon, também ótima e mais próxima de um swing sinatriano.

8. “ALWAYS ON MY MIND”, Pet Shop Boys (1987)
Autores: Johnny Christopher, Mark James e Wayne Carson. Gravação original: Brenda Lee (1972)

A canção de amor country foi reinventada para o sinthpop do Pet Shop Boys. Esta é uma daquelas canções que tem várias versões ótimas, com destaque também para a de Elvis Presley e a de Willie Nelson.

7. “SUSPICIOUS MINDS”, Elvis Presley (1969)
Autor: Mark James. Gravação original: Mark James (1968)

A gravação do próprio compositor não fez sucesso e ela foi oferecida a Elvis. Virou um clássico. Depois, nos anos 1980, o Fine Young Cannibals também regravou.

6. “COMO NOSSOS PAIS”, Elis Regina (1976)
Autor: Belchior. Gravação original: Belchior (1976)

Belchior lançou a música em seu disco de 1976, Alucinação. No mesmo ano, Elis a incluiu no seu show Falso Brilhante e o poder de sua interpretação extraordinária elevou a canção à imortalidade.

5. “SINGIN’ IN THE RAIN”, Gene Kelly (1952)
Autores: Arthur Freed e Nacio Herb Brown. Performance original: Doris Eaton Travis (1929)

Doris Eaton Travis cantou primeiro a canção no palco, em The Hollywood Music Box Revue. Cliff Edwards (o Ukelele Ike) com as Brox Sisters foram dos primeiros a gravá-la, no filme The Hollywood Revue of 1929. Depois Judy Garland (em Um Amor de Pequena, 1940) e Doris Day a regravaram, entre muitos outros. Mas, claro, nenhuma é mais célebre que a de Gene Kelly para Cantando na Chuva, filme criado para desfilar as composições de Freed (produtor do grandes musicais da Metro, inclusive este) e Herb Brown.

4. “I’VE GOT YOU UNDER MY SKIN”, Frank Sinatra e Bono (1993)
Autor: Cole Porter. Gravação original: Virginia Bruce (1936)

Essa canção de Cole Porter foi lançada no filme Nasci para Dançar, com Eleanor Powell, e foi cantada de um jeito meio operístico por Virginia Bruce para James Stewart. Sinatra a cantou pela primeira vez no rádio em 1946. Em 1956, surgiu sua antológica versão com arranjos estilo big band de Nelson Riddle. São os arranjos usados no disco Duets, de 1993, onde Old Blue Eyes divide os vocais com Bono Vox.

3. “GIRLS JUST WANT TO HAVE FUN”, Cyndi Lauper (1983)
Autor: Robert Hazard. Gravação original: Robert Hazard (1979)

É surpreendente encarar o fato de que “Girls just want to have fun” não veio ao mundo pela voz de Cyndi Lauper. Mas o primeiro a gravá-la foi o próprio compositor Robert Hazard, em 1979. Mas isso perdeu-se na história: a canção nasceu mesmo na versão de Cyndi, indicada ao Grammy de gravação do ano e performance vocal pop feminina do ano, e regravada por mais de 30 artistas depois.

2. “TWIST AND SHOUT”, The Beatles (1962)
Autores: Phil Medley e Bert Berns. Gravação original: Top Notes (1961)

Quando a canção foi gravada pela primeira vez ainda era chamada “Shake it up, baby” e era esquisitamente diferente (Medley reclamou muito da produção de Phil Spector). Os Isley Brothers colocaram a canção no mapa com sua gravação de 1962, já do jeito que a conhecemos (e produzida por Medley). E, no ano seguinte, os Beatles tomaram posse dela para sempre. Foi a última faixa do primeiro LP do grupo, registrada no fim de uma sessão de 11 canções gravadas em 10 horas. O efeito disso e do frio do estúdio é audível na voz de John Lennon que, com tudo isso, entregou uma performance definitiva.

1. “TURN, TURN, TURN (TO EVERYTHING THERE IS A SEASON)”, The Byrds (1965)
Autor: Peter Seeger. Gravação original: The Limeliters (1962)

Seeger tirou quase toda a música do Livro do Eclesiastes, da Bíblia. O grupo folk Limeliters lançaram a música, meses antes da versão do próprio Seeger. Marlene Dietrich a regravou em alemão em 1963 (como “Glau, glau, glau”)! Mas em 1965, foi o grupo The Byrds que a tornou um hit internacional com sua versão definitiva e insubstituível, melancólica e admirada pela existência humana na Terra.

Menções honrosas: “Gloria”, Laura Branigan (1982; versão original de Umberto Tozzi, 1979); “With a little help from my friends”, Joe Cocker (1969; versão original dos Beatles, 1967); “Diamonds are a girl’s best friend”, Marilyn Monroe (1953; versão original de Carol Channing, 1949); “Sugar, sugar”, Mary Lou Lord and Semisonics (1995; versão original de The Archies, 1969); “Respect”, Aretha Franklin (1967, versão original de Otis Redding, 1965); “Just can’t get enough”, Nouvelle Vague (2004; versão original de Depeche Mode, 1981); “Bizarre love triangle”, Frente! (1994; versão original de New Order, 1986); “Nothing compares 2 u”, Sinéad O’Connor (1990; The Family, 1985).

A comédia-romântica é quase tão antiga como o próprio cinema. O que é Luzes da Cidade (1931), de Chaplin, se não uma comédia-romântica? Mas Harry & Sally, Feitos um para o Outro (1989), que está completando 25 anos, redefiniu o subgênero para os filmes que vieram depois.

Mas a comédia-romântica também acabou virando alvo de bastante preconceito. É um cinema pueril? É um cinema bobo? É um cinema “de mulherzinha”?

É verdade que, como em todo gênero,  muitos filmes se escoram em uma fórmula óbvia, uma receita repetida mil vezes, exageram na água-com-açúcar, optam por um humor rasteiro e constrangedor. Mas também há aqueles que conseguem combinar seus dois elementos básicos muito bem, que contam sua história com estilo e talento narrativo.

São romances, são comédias e são ótimos.

10 - "Simplesmente Amor"

O primeiro-ministro e a funcionária: Hugh Grant e Martine McCutcheon, em “Simplesmente Amor”

10 – SIMPLESMENTE AMOR (2003), de Richard Curtis

A la Robert Altman, o roteirista Richard Curtis assumiu a direção aqui também para esse mosaico de histórias de amor natalinas, com um grande elenco (Hugh Grant, Emma Thompson, Alan Rickman, Colin Firth, Keira Knightley, Bill Nighy, Laura Linney, Liam Neeson, Rowan Atkinson e até tem um bom lugarzinho pro Rodrigo Santoro). Como em todo mosaico, há momentos melhores que outros, mas histórias melhores que outras – mas o que é bom, é ótimo: a corrida do garotinho pelo aeroporto só pra dizer “eu te amo”, o casal de stand-ins de filme pornô (que são super tímidos), o drama do casal de meia idade em que o marido está no alvo da funcionária sedutora, a relação do escritor com a empregada portuguesa (um sem falar a língua do outro), o primeiro-ministro apaixonado pela funcionária, o impagável Bill Nighy de roqueiro decadente, e, claro, o momento favorito do público: a declaração de amor com cartazes.

9 - "O Casamento do Meu Melhor Amigo"

“I say a little prayer” no restaurante: Rupert Everett e Julia Roberts, em “O Casamento do Meu Melhor Amigo”

9 – O CASAMENTO DO MEU MELHOR AMIGO (1997), de P.J. Hogan

P.J. Hogan já tinha feito na Austrália o ótimo O Casamento de Muriel (1994) e voltou ao tema do casório em seu primeiro filme americano. Começa com um número musical totalmente descolado do filme, é centrado na “vilã” vivida por Julia Roberts (que resolve que ama seu melhor amigo – Dermot Mulroney – no segundo em que ele diz estar de casamento marcado com outra – Cameron Diaz – e faz de tudo para conquistá-lo) e tem o grande personagem de apoio de Rupert Everett. Além do número do começo, Hogan reserva momentos musicais ótimos, como o karaokê desafinado de Cameron Diaz, “I say a little prayer” no restaurante, “The way you look tonight” no barco.

8 - "Feito Cães e Gatos"

Meio Cyrano de Bergerac: Ben Chaplin, Uma Thurman e Janeane Garolafo, em “Feito Cães e Gatos”

8 – FEITO CÃES E GATOS (1996), de Michael Lehmann

Uma história meio Cyrano de Bergerac é a base da trama em que Janeane Garofalo é uma radialista por quem Ben Chaplin se interessa. Mas, com vergonha de ser baixinha e gordinha, ela convence a vizinha, uma modelo vivida por Uma Thurman, a se passar por ela. O elenco é todo bom, a trama é engraçada e muito bem narrada, desenvolvendo bem a confusão de indentidades, mas o melhor é que a ótima Janeane Garofalo consegue ser mais interessante que Uma Thurman!

7 - "Enquanto Você Dormia"

Confundida com a noiva de um ricaço em coma: Peter Gallagher e Sandra Bullock, em “Enquanto Você Dormia”

7 – ENQUANTO VOCÊ DORMIA (1995), de Jon Turteltaub

Primeiro filme de Sandra Bullock como estrela, após Velocidade Máxima (1994), este realmente a estabeleceu como “namoradinha da América”. É um filme muito feliz, que combina bem o carisma da atriz com uma história rocambolesca em que ela é uma bilheteira da estação de trem confundida com a noiva de um ricaço em coma – um bonitão que ela sempre desejou em segredo. O problema mesmo é que a família se apaixona por ela e o nó vai ficando mais difícil de desatar.

6 - "Um Dia Especial"

A modernidade da vida adulta: George Clooney e Michelle Pfeiffer, em “Um Dia Especial”

6 – UM DIA ESPECIAL (1996), de Michael Hoffman

Não faltam comédias-românticas em que o casal tem uma antipatia à primeira vista e depois vai descobrindo os encantos um dos outro. Poucos recentes são tão bons como este, em que George Clooney é um jornalista e Michelle Pfeiffer é uma arquiteta, ambos divorciados, e que, por acidente, precisam ficar com seus filhos durante um dia inteiro e especialmente atribulado. É bom como o filme trata de questões da modernidade da vida adulta: a vida após o divórcio, a pressa do mundo atual, a pressão do trabalho e a vida com os filhos no meio disso tudo.

5 - "500 Dias em Ela"

Também sobre o desamor: Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel, em “500 Dias em Ela”

5 – 500 DIAS COM ELA (2009), de Marc Webb

Entre as muitas coisas interessantes do filme estão as idas e vindas no tempo, que alternam os bons e os maus momentos de um relacionamento, as sacadas narrativas (o número musical, a imagem de transformando em croqui de arquiteto), a cena que divide a tela em “expectativa” e “realidade”, a ótima trilha sonora, tudo passando pelo muito carismático casal de atores. Mas o grande lance, pra mim, é que é também um filme sobre o desamor. A tradução disso pelo filme é muito inteligente: é difícil alguém que não se identifique.

4 - "Abaixo o Amor"

Como nos anos 1960 (segundo Hollywood): Renée Zellweger e Ewan McGregor, em “Abaixo o Amor”

4 – ABAIXO O AMOR (2003), de Peyton Reed

Este é um recorte especial. É uma história que se passa nos anos 1960, em que uma escritora chega a Nova York para divulgar seu livro que está prestes a bombar e que prega que as mulheres devem ter a mesma atitude dos homens com relação ao sexo: não se apaixonar. Um jornalista galã resolve provar que ela é uma mulher como todas as outras e que pode fazê-la se apaixonar. O grande lance é que o filme é feito como se fosse uma produção de 1962: a reconstituição de época é com o design de sets, figurinos e penteados da Hollywood da época, a trilha sonora também segue aquele estilo, passando pela interpretação dos atores e efeitos como a projeção de fundo nas cenas ao volante e a tela dividida nas cenas de diálogos ao telefone. Tudo lembrando as comédias de Doris Day e Rock Hudson, com uma trama parecida com Médica, Bonita e Solteira (1964), Ewan McGregor evocando Tony Curtis, referências a Kim Novak…

3 - "Sintonia de Amor"

Entre NY e Seattle: Meg Ryan e Tom Hanks, em “Sintonia de Amor”

3 – SINTONIA DE AMOR (1993), de Nora Ephron

O filho legítimo de Harry & Sally nessa lista. Roteirista do filme de 1989, Nora Ephron assumiu também a direção aqui com uma história de amor em que os protagonistas praticamente não se encontram: Tom Hanks é o viúvo com um filho, em Seattle, que ainda não voltou para a pista e conta sua história em um programa de rádio; Meg Ryan é a jornalista de Nova York, noiva de um cara meio sem graça, que ouve o programa e é tomada de uma curiosidade irresistível sobre o sujeito. O filme vai contando suas histórias separadas e os pequenos pontos de interseção entre os dois personagens. E há uma relação umbilical com o dramão Tarde Demais para Esquecer (1957).

2 - "Quatro Casamentos e um Funeral"

Charmoso, inteligente, engraçado: Andie MacDowell e Hugh Grant, em “Quatro Casamentos e um Funeral”

2 – QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL (1994), de Mike Newell

Quatro Casamentos e um Funeral talvez seja a comédia romântica mais importante desde Harry & Sally porque deu início a uma onda de filmes ingleses do subgênero. E ainda é o melhor deles: o elenco mais coeso (além dos protagonistas, uma turma de coadjuvantes na medida certa, como Kristin Scott Thomas, Simon Callow, John Hannah, uma ótima aparição de Rowan Atkinson), a narrativa mais interessante (divida nos “capítulos” do título) e redonda, surpresas. Quase tudo o que Hugh Grant fez de bom depois descende de seu personagem nesse filme e Andie MacDowell é musa com conteúdo. É charmoso, é inteligente, é engraçado, não exagera nas tintas. Dois pontos (bem) altos: Andie contando todos os homens que teve e o diálogo em linguagem de sinais entre Hugh Grant e seu irmão surdo durante um dos casamentos.

1 - "Muito Barulho por Nada"

Um convite ao ardor da paixão: Keanu Reeves, Denzel Washington, Emma Thompson, Kenneth Branagh, Kate Beckinsale e Robert Sean Leonard, em “Muito Barulho por Nada”

1 – MUITO BARULHO POR NADA (1993), de Kenneth Branagh

Ok, é Shakespeare, mas é um romance contado como comédia: a comitiva do Príncipe Don Pedro (Denzel Washington) chega à cidade de Messina e logo começa a ciranda amorosa dos cavalheiros com as moças locais. Há o jovem e inocente casal (Kate Beckinsale e Robert Sean Leonard) vítima da inveja do irmão do príncipe (Keanu Reeves), mas o melhor está reservado para o duelo verbal entre Benedick (Kenneth Branagh) e Beatrice (Emma Thompson, casada com Branagh na época). A metralhadora de provocações e insultos entre os dois é um primor, assim como a trama dos amigos para fazer com que eles se apaixonem um pelo outro. O filme ainda capta lindamente a paisagem da Toscana, quase um convite ao ardor da paixão.

Menções honrosas: Uma Linda Mulher (1990); Esqueça Paris (1995); Um Lugar Chamado Notting Hill (1997); Mensagem para Você (1998); Como Se Fosse a Primeira Vez (2004); Separações (2004); Letra & Música (2007); O Primeiro Amor (2010)…

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