You are currently browsing the tag archive for the ‘Woody Allen’ tag.

Woody Allen visita a Hollywood dos anos 1930 em seu novo filme, Café Society. A ambientação é um prato cheio para inspirar o diretor. A trama é centrada em Jesse Eisenberg, novaiorquino que sonha em vencer no mundo do cinema, mas encontra em los Angeles um mundo diferente do que esperava (e também se apaixona). No elenco também estão Kristen Stewart, Steve Carrell, Blake Lively e Parker Posey. Estreia no Brasil: 25 de agosto.

Melhores 2014

O Lobo de Wall Street estreou em janeiro e, na nossa votação em que cada mês vai sendo votado de cada vez, ele assumiu a primeira posição já ali e nunca mais a largou. O filme de Martin Scorsese chegou a ter O PassadoGarota Exemplar empatados com ele, mas sempre desempatou à frente e chegou confortável à vitória.

Veja a lista completa e comentada dos 114 filmes na página da votação.

Ele agora integra o rol de que fazem parte Boa Noite e Boa Sorte, de George Clooney (2006), Ratatouille, de Brad Bird (2007), Batman, o Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan (2008), Quem Quer Ser um Milionário?, de Danny Boyle (2009), Toy Story 3, de Lee Unkrich (2010), Meia-Noite em Paris, de Woody Allen (2011), A Separação, de Asghar Farhadi (2012), e A Caça, de de Thomas Vinterberg (2013).

Até outubro, quando vai começar o nosso 10º Melhores do Ano.

— MAIS RETROSPECTIVA 2014:

Meus melhores filmes de 2014
Musas/ cinema em JP
50 filmes que não foram exibidos em João Pessoa

Top 10 - 01.16

– A foto mostra o top 10 da nossa eleição até agora. Até agora (de janeiro a julho, meses abertos à votação) foram computados 102 filmes que estrearam em João Pessoa. Desses, 55 atingiram o quórum mínimo de quatro notas. Um índice muito alto de “abstenção”, quase 50%.

– Após o empate, ‘O Lobo de Wall Street’, de Martin Scorsese, voltou à liderança por microscópica margem. ‘O Passado’ está somente 0,008 atrás.

– A grande novidade da lista é ‘Guardiões da Galáxia’, filme de julho que já aparece em 3º. Aliás, mostra o poder da Marvel no cinema atualmente: três filmes baseados em HQs da editora estão no top 10: ‘Capitão América 2’ está em 5º e ‘X-Men – Dias de um Futuro Esquecido’ em 10º. A decepção é ‘O Espetacular Homem-Aranha 2’, amargando apenas um 40º lugar.

– O pessoal continua preferindo o primeiro ‘Ninfomaníaaca’ (22º, média 3,318) ao segundo (31º, média 2,952).

Top 25 (até agora):

O Lobo de Wall Street – 4,28
O Passado – 4,272
Guardiões da Galáxia – 4,181
Blue Jasmine – 4,083
12 Anos de Escravidão – 4,074

Capitão América 2 – O Soldado Invernal – 4,047
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho – 4
O Menino e o Mundo – 3,833
Praia do Futuro – 3,818
X-Men – Dias de um Futuro Esquecido – 3,789

Tatuagem – 3,785
Azul É a Cor Mais Quente – 3,739
Frozen – Uma Aventura Congelante – 3,7
Planeta dos Macacos – O Confronto – 3,555
Como Treinar Seu Dragão 2 – 3,5

Uma Aventura Lego – 3,454
Trapaça – 3,4
Sem Escalas – 3,4
No Limite do Amanhã – 3,4
Eu, Mamãe e os Meninos – 3,375

Noé – 3,272
Ninfomaníaca – Volume 1 – 3,318
A Culpa É das Estrelas – 3,222
Um Amor em Paris – 3,2
Uma Relação Delicada – 3,166

Entraram no top 25: ‘Guardiões da Galáxia’ (3º), ‘Planeta dos Macacos – O Confronto’ (14º), ‘Como Treinar Seu Dragão 2’ (15º), ‘No Limite do Amanhã’ (17º).

Saíram do top 25: ‘Malévola’ (caiu de 25º para 26º), ‘RoboCop’ (de 21º para 27º), ‘Walt nos Bastidores de Mary Poppins’ (de 22º para 28º) e ‘As Aventuras de Peabody e Sherman’ (de 23º para 30º).

– Filmes com três notas (faltando uma para o quórum): ‘Caminhando com Dinossauros’, ‘Namoro ou Liberdade’, ‘O Grande Herói’, ‘Um Plano Perfeito’, ‘Uma Viagem Extraordinária’, ‘Antes do Inverno’, ‘Inatividade Paranormal 2’, ‘Em Busca de Iara’, ‘Junho – O Mês que Abalou o Brasil’ e ‘O Homem das Multidões’.

A seguir, os meus melhores filmes de 2014, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

– 164 filmes estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa em 2014 (379 estrearam no Brasil, segundo o levantamento da Abraccine). São 13 a mais que no ano passado, encostando no recorde de 2007 (165), marca de antes do fechamento do primeiro multiplex do MAG. O Boulevard faz esse acompanhamento desde 2006.

– A participação do cinema brasileiro é a melhor de todos os tempos. Chegou a 26,8% dos filmes em cartaz (44 no total). No ano passado, com 32 filmes, o cinema tupiniquim ficou nos 21,2%. Ainda estava bem porque, de 2010 para trás, a conta ficava nos 20 filmes e pouco mais de 10% de filmes em cartaz.

Rosamund Pike em "Garota Exemplar"

Rosamund Pike em “Garota Exemplar”

1 – GAROTA EXEMPLAR, de David Fincher

Uma trama de mistério que brilha no jogo de entregar e sonegar informação ao espectador. A plateia acompanha o tormento do marido (Ben Affleck) que pode ou não ter matado a esposa (Rosamnd Pike, excelente). E acompanha a leitura do diário dela, antes mesmo dos personagens do filme. Semanas em cartaz: duas. Crítica no Boulevard

Leonardo DiCaprio em "O Lobo de Wall Street"

Leonardo DiCaprio em “O Lobo de Wall Street”

2 – O LOBO DE WALL STREET, de Martin Scorsese

Scorsese ridiculariza as falcatruas do mercado financeiro e exige o máximo de Leonardo DiCaprio, talvez na melhor interpretação de sua carreira. Alucinado, é como se fosse um filme sob efeito de cocaína. Semanas em cartaz: sete.

 

Chiwetel Ejiofor e Michael Fassbender em "12 Anos de Escravidão"

Chiwetel Ejiofor e Michael Fassbender em “12 Anos de Escravidão”

3 – 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO, de Steve McQueen

O vencedor do Oscar mostra um homem negro que nasceu livre e é sequestrado e vendido como escravo. Sua luta é a de não se tornar um escravo por dentro. Michael Fassbender está assustador. Semanas em cartaz: três. Crítica no Boulevard

 

Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux em "Azul É a Cor Mais Quente"

Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux em “Azul É a Cor Mais Quente”

4 – AZUL É A COR MAIS QUENTE, de Abdellatif Kechiche

Dormir, comer, amar, chorar, fazer sexo: o filme de Kechiche mostra como que através de um microscópio os muitos detalhes da vida de Adéle, vivida pela revelação Adèle Exarchopoulos. Semanas em cartaz: três.

Bérenice Bejo e ???? em "O Passado"

Bérenice Bejo e Ali Mosaffa em “O Passado”

5 – O PASSADO, de Asghar Farhadi

De novo Farhadi traça filme de mistério e investigação sem sair do drama familiar, com peças a juntar e personagens com algo a esconder. Passou no Festival Varilux e depois entrou em cartaz rapidamente. Semanas em cartaz: uma.

Charis Evans e Scarlett Johansson em "Capitão América 2 - O Soldado Invernal"

Charis Evans e Scarlett Johansson em “Capitão América 2 – O Soldado Invernal”

6 – CAPITÃO AMÉRICA 2 – O SOLDADO INVERNAL, de Anthony Russo e Joe Russo

O filme tem muita ação e movimento, mas o grande lance é o contraste entre o herói de valores antiquados em um mundo complexo. Semanas em cartaz: sete. Crítica no Boulevard

"Planeta dos Macacos - O Confronto"

“Planeta dos Macacos – O Confronto”

7 – PLANETA DOS MACACOS – O CONFRONTO, de Matt Reeves

Esta continuação é tão boa (talvez melhor) que o primeiro filme da retomada da série. Pela primeira vez, um ator em captura de movimento surge em primeiro nos créditos. Com justiça, é Andy Serkis. Semanas em cartaz: cinco.

Cate Blanchett em "Blue Jasmine"

Cate Blanchett em “Blue Jasmine”

8 – BLUE JASMINE, de Woody Allen

Cate Blanchett foi quase unanimidade como a melhor interpretação feminina de 2013 (o filme só estreou em JP este ano) como a Jasmine, meio Blanche DuBois, de Allen. E ganhou o Oscar de melhor atriz. Semanas em cartaz: três.

Zoe Saldana, Chris Pratt e Dave Bautista em "Guardiões da Galáxia"

Zoe Saldana, Chris Pratt e Dave Bautista em “Guardiões da Galáxia”

9 –  GUARDIÕES DA GALÁXIA, de James Gunn

Heróis absolutamente desconhecidos do grande público e nenhum ator famoso, a não ser na dublagem de uma árvore e de um guaxinim. Mas com ritmo e humor, o filme foi um sucesso. E ainda tinha aquele awesome mix!. Semanas em cartaz: cinco. Crítica no Boulevard

Fabio Audi, Tess Amorim e Ghilherme Lobo em "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho"

Fabio Audi, Tess Amorim e Ghilherme Lobo em “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”

10 – HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO, de Daniel Ribeiro

Uma bem sucedida versão em longa-metragem do curta Não Quero Voltar Sozinho, o filme tem um cativante trio de jovens protagonistas e é uma delicado e muito bem narrado conto sobre o primeiro amor. Semanas em cartaz: duas.

Vale lembrar também: Frozen – Uma Aventura CongelanteO Menino e o MundoTatuagemUma Aventura LegoRoboCopWalt nos Bastidores de Mary PoppinsEu, Mamãe e os MeninosUma Viagem ExtraordináriaEm Busca de IaraOs Filhos do PadrePraia do FuturoX-Men – Dias de um Futuro EsquecidoO Mercado de NotíciasSerá que?Magia ao LuarTim MaiaJogos Vorazes – A Esperança: Parte 1.

 << Meus melhores filmes de 2013

MAIS RETROPECTIVA 2014:

Top 5 - 11.21

Mais uma semana de votação, filmes de abril incluídos, e Capitão América 2 – O Soldado Invernal já entra em segundo no nosso ranking. Com média 4,142, está 0,191 atrás do líder, que ainda é O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese. A animação nacional O Menino e o Mundo subiu muito de média e chegou também ao top 5, empatado com o francês (de diretor iraniano) O Passado. É interessante notar a diferença de médias entre os volumes 1 e 2 de Ninfomaníaca: o primeiro tem 3,125; o segundo nem chega ao top 25, com 2,363.

Ao todo 36 filmes conseguiram o quórum mínimo até agora. A seguir, nosso top 25:

O Lobo de Wall Street – 4,333
Capitão América 2 – O Soldado Invernal – 4,142
Blue Jasmine – 4,055
O Menino e o Mundo – 4
O Passado – 4

12 Anos de Escravidão – 3,928
Frozen – Uma Aventura Congelante – 3,812
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho – 3,8
Azul É a Cor Mais Quente – 3,733
Tatuagem – 3,727

Sem Escalas – 3,5
Walt nos Bastidores de Mary Poppins – 3,4
Trapaça – 3,375
Uma Aventura Lego – 3,375
Eu, Mamãe e os Meninos – 3,25

RoboCop – 3,181
Ninfomaníaca – Volume 1 – 3,125
Caçadores de Obras-Primas – 3
Noé – 3
Uma Relação Delicada – 3

Confissões de Adolescente – 2,8
Divergente – 2,75
A Menina que Roubava Livros – 2,666
Frankenstein – Entre Anjos e Demônios – 2,6
Operação Sombra – Jack Ryan – 2,571

Os seis piores do ano até agora:

300 – A Ascensão do Império – 2
Rio 2 – 2
Atividade Paranormal – Marcados pelo Mal – 2
Muita Calma Nessa Hora 2 – 1,8
Pompeia – 1,5
S.O.S. – Mulheres ao Mar – 1,25

Cinco filmes estão com três notas, falta uma para o quórum: Caminhando com DinossaurosAs Aventuras de Peabody e ShermanNeed for Speed – O FilmeO Grande HeróiUm Amor em Paris.

Estrelas-03 e meia juntas-site

A verdadeira magia

Colin Firth e Emma Stone: o  contraste entre o arrogante e a espontânea

Colin Firth e Emma Stone: o contraste entre o arrogante e a espontânea

Toda vez que Woody Allen faz um filme de menor pretensão – o que se tornou bastante comum após sua fase de ouro nos anos 1980 – é a mesma coisa: os cinéfilos se dividem entre aquele que acreditam que a criatividade do cineasta acabou e aqueles que defendem que mesmo um filme menor de Woody é melhor do que a maioria (se você ainda não percebeu, este crítico costuma ser da segunda turma).

A verdade é que Magia ao Luar (Magic on the Moonlight, Estados Unidos, 2014) está consideravelmente distante dos momentos mais inspirados de Allen (o último desses momentos foi Meia-Noite em Paris, de 2011). Mas é preciso ter em mente que esses “momentos mais inspirados” são coisas para entrar no panteão do cinema. Assim, não falta com o que se deleitar neste novo filme.

A história começa com Stanley (Colin Firth), um mágico inglês que se apresenta nos palcos de Paris como chinês. Uma noite, ele recebe um colega (Simon McBurney) que o convida a ir à Riviera desmascarar uma falsa vidente (Emma Stone) que está claramente enganando uma rica família americana que caiu de amores por ela e suas previsões. Apesar de trabalhar apresentando mágica às plateias (ou até por causa disso), Stanley é um cético terminal e tem muito orgulho disso, sem fazer o menor esforço para esconder sua desagradável arrogância. O contraste com o jeito espontâneo de Sophie, a vidente, e a complexidade crescente do relacionamento que se forma entre eles dá seguimento à trama.

Trata-se de uma comédia romântica aparentemente bastante simples, temperada com um pouquinho de mistério (não muito, qualquer cinéfilo experiente mata logo a dúvida se a personagem de Emma Stone é ou não uma impostora). Acontece que, embora seja o fio condutor da trama, esse mistério importa menos do que a visão de Woody sobre um de seus assuntos preferidos: a dúvida se existe ou não um mundo além do que este em que vivemos.

O cineasta costuma paradoxalmente ser um cético que sempre coloca em seus filmes magia como sendo algo que existe, à revelia do que acreditam seus personagens (e do que ele mesmo, ateu de carteirinha, acredita). Há exemplos disso em filmes tão diferentes como Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão (1982), Contos de Nova York (1989), Simplesmente Alice (1990), Neblina e Sombras (1991) e Scoop – O Grande Furo (2006).

Aqui, quando menos se espera, Woody mostra que está menos fazendo um filme de mistério e mais fabulando sobre o que ele acredita ser a magia verdadeira da vida. E isso ainda é emoldurado pelo sul da França e o tradicional e delicioso jazz de suas trilhas (em Magia ao Luar, ele nos faz querer ouvir mais das big bands de Leo Reisman e de Bix Beiderbeicke). Combinar esses elementos não deixa de ser – menor aqui, maior ali – uma magia que Woody Allen sabe bem como fazer.

Magia ao Luar – Magic in the Moonlight. Estados Unidos, 2014. Direção: Woody Allen. Elenco: Colin Firth, Emma Stone, Símon McBurney, Marcia Gay Harden.

* Versão estendida de crítica publicada no Correio da Paraíba.

Leve passeio

Penélope Cruz (falando em italiano) é a espetacular garota de programa que aparece no quarto de um recém-casado interiorano

Woody Allen ter escolhido narrar pequenos contos em Para Roma, com Amor (To Rome, with Love, EUA/ Itália/ Espanha, 2012) não é por acaso. Mesmo narrados paralelamente, as histórias (independentes entre si) remetem aos filmes em episódios do cinema italiano dos anos 1960, como Boccaccio’ 70 (1962) ou Ontem, Hoje e Amanhã (1963). As quatro tramas formam um conjunto coerente, leve e muito agradável.

Mesmo com a referência do formato e a trilha sonora (que já começa com o indefectível “Volare”), desta vez a visão de Allen não está intrinsecamente ligada à alma cultural da cidade, como aconteceu no excelente Meia-Noite em Paris (2011). Em um filme bem menos ambicioso, Roma é, basicamente, um cenário de tirar o fôlego para histórias de comédia e romance que poderiam se passar em qualquer outro lugar. Uma cinecittà e tanto.

Duas delas envolvem turistas americanos. Allen e Judy Davis são o casal que vão à capital italiana para conhecer os pais do noivo da sua sua filha – e descobrem que o pai dele é um excelente cantor de ópera, mas só no chuveiro. Woody volta a atuar depois de seis anos, e que bom: ele está muito engraçado como o diretor de ópera aposentado, que sempre foi “à frente de seu tempo”, como repete a personagem de Judy Davis (também ótima como a esposa psicanaista que analisa o marido o tempo todo). O clímax dessa história é o grande momento cômico do filme.

Na outra, Alec Baldwin é o arquiteto que lembra quando morou na cidade, testemunhando o nascimento do romance entre um jovem estudante (Jesse Eisenberg) e uma atriz (Ellen Page). É a melhor das histórias, muito porque Woody não escancara o que ela realmente é, fazendo com que o público tenha que raciocinar um pouquinho para ligar os pontos.

As duas tramas são com personagens italianos. Os recém-casados que chegam a Roma vindos do interior e se metem em confusão (a jovem esposa se perde na cidade e esbarra em uma filmagem; o marido vê em sua porta uma garota de programa – a deslumbrante Penélope Cruz – enviada a seu quarto por engano) lembra alguns filmes de Fellini – em especial, o primeiro que ele assina sozinho, Abismo de um Sonho (1952), onde também uma esposa do interior acaba envolvida pelo clima de uma produção (no caso, a de uma fotonovela).

E há a história estrelada por Roberto Benigni, a do homem absolutamente comum que, de uma hora para outra, vira uma celebridade e nem entende a razão. Os brasileiros torcem o nariz para Benigni desde que seu A Vida É Bela derrotou nosso Central do Brasil no Oscar, em 1999, mas sua força continua a mesma: a combinação de um histrionismo tipicamente italiano com um quê chapliniano. E a trama – com seu final patético que deveria ser assistido por todos os ex-participantes de reality shows – joga com um realismo fantástico que sempre é revisitado por Allen.

O filme ainda rende outras homenagens ao cinema italiano na participação discreta de alguns ícones dos filmes de lá, como a sempre bela Ornella Muti, como uma atriz famosa, e Giuliano Gemma, astros dos faroestes-spaghetti, em um hotel. Ninguém é gênio todo dia, logo não se pode cobrar de Allen um acerto da magnitude de Meia-Noite em Paris ano após ano. Mas Para Roma, com Amor também é um acerto de sensibilidade e bom humor.

Para Roma, com Amor. To Rome, with Love. Estados Unidos/ Itália/ Espanha, 2012. Direção: Woody Allen. Elenco: Woody Allen, Roberto Benigni, Penélope Cruz, Alec Baldwin, Jesse Eisenberg, Ellen Page, Judy Davis, Ornella Muti, Giuliano Gemma.

Veja aqui um preview do que vai rolar no Trilha Sonora de hoje – Especial Woody Allen. Jazz, a Filarmônica de Nova York, e as vozes de Goldie Hawn, Ewan McGregor, Diane Keaton e… Woody Allen!  Às 20h na Tabajara FM (105.5, em João Pessoa) ou pelo site da rádio.

Igual, mas diferente

A pupila e o mestre: quem ensina quem?

Quem conhece a obra de Woody Allen sabe que a velha piada de que ele faz sempre o mesmo filme não corresponde à verdade. Mas no ritmo de um filme por ano (este é seu 40º), ideias são naturalmente revisitadas e pensamentos reafirmados. Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works, Estados Unidos, 2009), a volta de Woody a Nova York após quatro filmes na Europa, usa elementos que o cineasta já usou e os mistura e modifica para criar um novo filme.

Ancorado na relação acidental entre Boris (Larry David), um ex-professor de física grosseiro e que não vê sentido na vida, e Melody (Evan Rachel Wood), uma garota do interior muitos anos mais nova e um QI bem menor, o filme mostra como esse encontro totalmente casual influi drasticamente em suas vidas e nas de todos em volta. A sorte, mais uma vez, como em Ponto Final – Match Point (2005). Woody também já usou a relação professor-pupila como assunto amoroso (em Manhattan, 1979, Hannah e Suas Irmãs, 1986, e Maridos e Esposas, 1993), mas desta vez o professor também tem a aprender.

E o recurso de falar para a câmera já apareceu em filmes como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977), mas repare como as pessoas na rua estranham como Larry David fala com a plateia neste filme. O que poderia ser só um recurso de estilo é amarrado com extrema esperteza no desfecho, numa saborosa cumplicidade entre personagem e público.

David, no caso, assume “o papel” de Woody no filme: neurótico, hipocondríaco (tipos que Allen gosta de interpretar na tela), mas muito mais rude, desagradável. Melody – com um sotaque impagável – é a jovem que vem fazê-lo reencontrar o prazer de viver, que vem suavizá-lo, mesmo contra a vontade dele.

É um filme leve e sem grandes pretensões, mas com uma visão de mundo bastante clara. É uma obra com algo a dizer: veja como Woody sempre trata em seus filmes do passo seguinte, mostrando que o fim de um relacionamento é dureza, mas não o fim do mundo.

É isso o que está em Tudo Pode Dar Certo, em meio a muitas piadas muito engraçadas, divididas entre os imprompérios de Boris e as tentativas de Evan de explicar o que sente usando teorias da física que ouviu dele – os melhores momentos do filme. Uma delícia.

Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works). Estados Unidos, 2009. Direção: Woody Allen. Elenco: Larry David, Evan Rachel Wood, Patricia Clarkson, Ed Begley Jr., Henry Cavill, Jessica Hecht.

Zelig (Zelig, 1983). Direção e roteiro de Woody Allen.

"Eu te amo... Mas chega de panquecas..."

"Eu te amo... Mas chega de panquecas..."

Leonard Zelig (Woody Allen) é um homem-camaleão: um distúrbio o faz ficar parecido com quem quer que esteja à sua volta – física e psicologicamente. Quem o trata é a doutora Eldora Fletcher (Mia Farrow), que se isola com ele numa casa de campo, esperando conseguir respostas através da hipnose. Depois de dias de uma convivência próxima, mas sem conseguir avanços, ela finalmente consegue hipnotizá-lo.

ELDORA – Você será totalmente sincero. Está em transe profundo. Será não quem pensa que quero que seja, mas você mesmo. Agora, você gosta daqui?

ZELIG – É horrível… Odeio o campo… Odeio a grama e os mosquitos… E a comida… Sua comida é horrível… Suas panquecas… Eu as jogo no lixo quando você não está olhando… E as piadas que tenta contar, quando acha que é divertida, são longas e sem sentido… Não acabam nunca…

ELDORA – (levemente constrangida) Entendo… O que mais?

ZELIG – Quero dormir com você…

ELDORA – (surpresa e constrangida) Bem, isso… Isso me surpreende… Achei que não gostasse muito de mim…

ZELIG – Eu te amo…

ELDORA – Ama?

ZELIG – Você é muito meiga… porque não é tão esperta quanto acha que é… Você é toda enrolada… Você é nervosa e você é uma péssima cozinheira…  Aquelas panquecas… Eu te amo… Quero cuidar de você. Mas chega de panquecas…

A cena começa a 3min15 no vídeo abaixo:

Declaração anterior: Desfile de Páscoa

Sigam-me os bons (no Twitter)

  • "A Montanha dos Sete Abutres" por alguém que é um grande admirador de Billy Wilder (eu). fb.me/8EQItMRQNPublicado há 8 hours ago
  • 'O Batedor de Carteiras' por alguém que não um grande admirador em especial de Bresson (eu). fb.me/36GlEkpVSPublicado há 8 hours ago
  • "Minha Brasília amanheceu pegando fogo. Fogo! Fogo! Foi um golpista que tirou direitos de mim E que me deixou assim"Publicado há 3 days ago
maio 2017
D S T Q Q S S
« abr    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Cenas da Vida

Você lembra dos meus cabelos?

Cineport 2011

Cineport 2011

Mais fotos

Páginas

Estatísticas

  • 1,245,971 hits