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OS QUATRO BATUTAS
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 39

Anarquia a bordo

Os filmes dos irmãos Marx eram marcados sobretudo pela anarquia. Poucos devem ser mais anárquicos que Os Quatro Batutas, que completa 90 anos este ano. Considerando que o filme foi banido na Irlanda por “incentivar tendências anarquistas”, parece que deu certo.

Clandestinos num transatlântico, o quarteto bagunça o cotidiano do navio e tenta escapar da segurança, enquanto se envolve com gangsters. Esse fiapo de trama é o alicerce para as diabruras típicas dos Marx: os diálogos de Groucho, a música e sotaque italiano de Chico, as loucuras visuais de Harpo. Zeppo, que nessa época ainda fazia parte do grupo, era o galã.

Como Groucho reclamando com um funcionário do navio, perguntando se ele sabia quem tinha entrado na cabine dele às 3 da madrugada. “Quem entrou?”, devolve a pergunta o funcionário. “Ninguém. É por isso que estou reclamando”. Ou: “Olhe pra mim: trabalhei duro para sair do nada para um estado de extrema pobreza”. E as piadas nonsense com Maurice Chevalier.

É o terceiro filme do grupo e o primeiro escrito direto para o cinema (os dois anteriores eram adaptações do teatro). Também foi o primeiro em Hollywood. Era só o começo de muita alegria que os Marx proporcionariam nas telas, até muito depois de seus filmes serem produzidos.

É só olhar referências como a cena de Hannah e Suas Irmãs (1986) em que o personagem de Woody Allen reencontra o prazer de viver ao assistir um filme do grupo no cinema. “Olhe para essas pessoas na tela. São tão engraçadas!”. Às vezes, só isso já basta.

Onde ver: DVD, Looke, NetMovies, YouTube (som original).

Monkey Business, 1931.
Direção: Norman Z. McLeod. Elenco: Groucho Marx, Chico Marx, Harpo Marx, Zeppo Marx, Rockliffe Fellowes, Thelma Todd

O DIABO E A MULHER
⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 37

Comédia treabalhista

Os créditos iniciais já deixam claro quem é quem: o diabo é Charles Coburn, aparecendo sombrio, cara de mau, o fogo ardendo lá atrás; na tela seguinte, a mulher é Jean Arthur, auréola sobre a cabeça, sombra de asas de anjo por trás, e que ainda apaga o fogo do outro com um sopro. O Diabo e a Mulher, 80 anos este ano, possui abertura mais criativa do que o usual na época e que já resume bem, e de maneira metafórica, o tom de comédia rasgada. Não é uma história sobrenatural, muito pelo contrário: o pé está firme em terreno bem humano.

Coburn é um magnata tão rico quem nem lembrava que era dono de uma loja de departamentos. Os funcionários de lá, no entanto, o odeiam por serem mal pagos, perderem direitos e serem ameaçados pelos gerentes quando tentam se organizar. Quando protestam em frente à loja, o velho fica sabendo e resolve tomar providências,

A providência é contratar um detetive para se infiltrar na loja e descobrir quem está liderando essa insurreição proletária, para depois demitir os responsáveis. Quando o detetive consegue se empregar, mas precisa sair do caso antes de assumir, o próprio milionário resolve assumir a investigação, já que ninguém conhece seu rosto.

O “novo funcionário” é rapidamente acolhido pela colega Senhorita Jones, que o protege dos chefes e dá dicas do dia-a-dia. Ela o leva até na reunião clandestina dos trabalhadores, que tentam se organizar em busca de soluções para seus problemas.

Convivendo com seus empregados, o patrão vai mudar sua visão das coisas, é claro. O filme conta isso com muita verve, um ótimo elenco (incluindo coadjuvantes sólidos e expressivos como S.Z. Sakall e Spring Byington). A verve começa nos créditos e continua na cartela irônica que introduz o filme, dirigida aos “Queridos homens mais ricos do mundo” e avisando logo que o personagem do filme não foi inspirado em ninguém.

“Nos sentiríamos muito mal se alguém se ofendesse.
Ass.: o Autor, o Diretor e o Produtor.
PS: Não nos processem.
P.P.S.: Por favor”.

É interessante também situar O Diabo e a Mulher num cenário interessante onde havia uma corrente social no cinema americano que abordava os problemas da classe trabalhadora. São dessa época Vinhas da Ira (1940), Adorável Vagabundo (1941), Como Era Verde Meu Vale (1941) e Contrastes Humanos (1941). Mesmo que enveredem quase sempre para finais otimistas e românticos demais, o olhar social está lá. E finais otimistas nunca foram um problema em si mesmo, apesar dos mal-humorados.

Onde ver: DVD digipack Comédias Clássicas.

The Devil and Miss Jones, 1941.
Direção: Sam Wood. Elenco: Jean Arthur, Charles Coburn, Robert Cummings, S.Z. Sakall, Spring Byington.

LIMITE
⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 35

Vaca sagrada do cinema brasileiro

Limite, 90 anos esta semana, é uma vaca sagrada do cinema brasileiro. O status é de lenda. Eleito pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) como o melhor nacional de todos os tempos. Único filme de seu diretor, Mário Peixoto, aos 22 anos. Não entrou no circuito comercial: foi exibido algumas vezes, saiu de circulação, voltou décadas depois. Experimental, vanguardista, à frente do seu tempo.

Ele nunca foi e nunca será um filme fácil. Desconfio que, se tivesse entrado no circuito comercial, não teria grande público. “Limite” abre mão da comunicação com a plateia em prol da plasticidade, da introspecção, do simbolismo, da poesia e da abstração. Quase não usa cartelas com diálogos ou narrações. Não é filme para quem procura uma narrativa tradicional. É algo não “além da narrativa”, nem “aquém”: é “à parte”.

O filme trata de duas mulheres e um homem à deriva em um bote. Vagamente eles contam suas histórias antes de chegar lá. A primeira mulher fugiu da prisão e tentou retomar a vida; a outra deixou o marido bêbado; o homem tinha uma amante casada e, confrontado pelo marido, descobriu que ela tem lepra.

Fora isso, não há muito de história. São cenas soltas, personagens caminhando muito, e sofrendo, ou sofrendo com um tédio mortal de tudo. Por que estão no barco, o filme não se dá ao trabalho de responder (ou ficou em alguma cena perdida).

Mário Peixoto, com Edgar Brazil na direção de fotografia, se dedica a um extraordinário trabalho de câmera, procurando sempre um ângulo inusitado. Às vezes, puro virtuosismo (a câmera correndo para enfocar uma biqueira, plano repetido três ou quatro vezes; ou super de baixo para cima entre dois personagens conversando na rua); outras, simbolicamente poderosas (a câmera gira, refletindo a desorientação da personagem no alto de um penhasco).

A restauração de 2011, pela World Cinema Foundation (criada por Martin Scorsese) com a Cinemateca Brasileira, ajuda a curtir mais a beleza das imagens e da música clássica na trilha. E daí que saiu a edição em blu-ray da prestigiada Criterion Collection, nunca lançada no Brasil. Mas esta cópia também está disponível no YouTube. Vão longe os dias em que Limite era a “obra-prima que ninguém viu”. Hoje, todo mundo pode ver.

Onde ver: blu-ray (da Criterion Collection, importado), Libreflix, YouTube.

Limite, 1931.
Direção: Mário Peixoto. Elenco: Olga Breno, Tatiana Rey, Raul Schnoor, Mário Peixoto

BOLA DE FOGO
⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 31

Branca de Neve de ‘corpo perturbador’

A trama de um homem cerebral e comedido que tem vida posta de pernas para o ar por causa de uma mulher que aparece de repente em sua vida não era exatamente nova em Hollywood. Nem mesmo na carreira de Howard Hawks: o diretor havia lançado o maluco Levada da Breca três anos antes.

Mas, agora, não é só um homem: são oito. E a mulher é, mais do que nunca, uma tentação: Barbara Stanwyck é a liberada cantora de boate que, envolvida com um gangster e procurada pela polícia, vai encontrar abrigo em uma casa onde estão oito professores que se dedicam há anos à elaboração de uma enciclopédia.

Com roteiro de Billy Wilder e Charles Brackett (Wilder começaria a dirigir seus próprios filmes naquele mesmo ano), o filme tira um sarro da situação central de Branca de Neve e os Sete Anões (1937). Uma paródia safadinha que concentra suas piadas nessa colisão de dois mundos, com Cooper tentando manter como pode a dignidade diante do “corpo perturbador” de Barbara (palavras do personagem).

Com uma situação divertida bem explorada em ótimos diálogos (o professor vivido por Cooper está interessado nas gírias da cantora para sua pesquisa), o filme é uma demonstração da perícia do versátil Hawks na comédia. É grande diversão com excelente elenco (Barbara foi indicada ao Oscar).

Onde ver: DVD, Oldflix

Ball of Fire, 1942.
Direção: Howard Hawks. Elenco: Gary Cooper, Barbara Stanwyck, Henry Travers, Dana Andrews, S.Z. Sakall, Richard Haydn, Dan Duryea

CIDADÃO KANE
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 56

Uma narrativa para além das revoluções

Lançado há 80 anos, as revoluções narrativas que “Cidadão Kane” compilou dentro de si já foram absorvidas, reprocessadas, diluídas e subvertidas ao longo do tempo. Para um espectador de hoje, que não se esforçar em buscar o olhar do tempo em que o filme foi feito, pode ser desafiador encontrar esses elementos inovadores.

Fora isso, o que sobra então? Revendo o filme de Orson Welles, é um grande prazer reencontrar uma extrema habilidade narrativa. essas “revoluções” nada mais eram do que uma busca incansável por narrar cada cena de uma maneira criativa, inteligente e surpreendente. E esse modo vigoroso de contar a história sobrevive através desses oito décadas, não só numa revisita cinéfila a “Kane”, mas também em alguns dos melhores cineastas da atualidade.

Steven Spielberg, por exemplo, é um cineasta que sempre pensa: “Como posso deixar essa cena mais interessante?”. E isso de uma maneira que isso esteja adequado à narrativa, que tudo no fim não seja apenas um festival de momentos elaborados mal colados um no outro.

Diversos planos diferentes ligados por um plano-sequência que não se percebe, se o espectador não estiver realmente prestando atenção à câmera. Tem muito em Spielberg e tem em “Cidadão Kane”.

Por exemplo, a emblemática cena em que o pequeno Charles Foster Kane brinca na neve, a câmera recua e revela estar dentro da casa onde seus pais, recém-milionários, estão entregando seu destino a um banco para que a empresa seja tutora do garoto até a idade adulta.

Enquanto o debate sobre o futuro de Charles acontece em primeiro plano, o garoto continua em cena o tempo todo, lá no fundo, lá fora, visto pela janela.

Esse recurso da profundidade de campo já não era comum, numa época em que o padrão era desfocar o fundo para que o público prestasse atenção só nos atores em primeiro plano.

Mas a cena é também um plano-sequência em que a câmera começa no garoto, recua dois cômodos dentro da casa até depois de uma mesa e, em seguida e sem cortes, avança até a janela novamente.

O plano seguinte é visto pelo lado de fora, com a mãe em close chamando Charles pela janela, depois a família saindo em plano geral pela porta, para encontrarem Charles no meio da neve, onde se desenrola o diálogo. De novo, tudo sem cortes.

Essa busca pelo mais interessante já vem desde o primeiro segundo, onde a montagem começa da placa “Proibida a entrada” para “pular o muro” da propriedade nababesca de Kane, mostrar seus detalhes (sempre o castelo no lado superior direito da imagem) e terminar com o moribundo personagem, e o superclose de sua boca murmurando “Rosebud”.

Primeiro a morte, depois a vida contada em um cinejornal. Então, a equipe desse veículo, numa sala de projeção decide que precisam saber se a última palavra do magnata possui um significado oculto. Nessa cena, os personagens são todos mostrados em silhueta, ou na contraluz.

São momentos já muito comentados, assim como vários outros. O teto do jornal Inquirer, num tempo em que os cenários dos filmes quase não mostravam os tetos dos ambientes por dentro. Aí também, um plano-sequência com três ou quatro planos dentro dele.

Ou o momento em que Kane passa o controle do jornal para o banco: dois personagens à mesa, um de frente para o outro em primeiro plano, Kane de pé, entre eles, caminha para o fundo da sala, onde fica minúsculo abaixo de janelas que, agora vemos, são enormes.

O close na cantora de ópera, que se abre para o plano geral do palco e depois sobre muito até chegar a dois trabalhadores que assistem tudo lá de cima, e fazem sua crítica demolidora ao que ocorre lá embaixo (efeito conseguido pelo movimento de câmera mais uma trucagem que emenda dois planos com um cenário-miniatura entre eles).

Há também as passagens de tempo. O banqueiro que deseja “Feliz natal. Charles” e completa “e um feliz ano novo” numa cena que é um salto de mais de dez anos.

O casamento, que é mostrado da lua de mel à indiferença total em segundos, em sucessivos cafés da manhã: da proximidade ao distanciamento físico, e onde a esposa até termina lendo o jornal concorrente.

Ou Kane ambicionando a equipe do jornal concorrente, numa foto exposta numa vitrine, e a foto se torna a cena da equipe agora contratada pelo personagem e sendo novamente fotografada, simbolizando sua vitória.

O personagem passando derrotado por dois espelhos, gerando um reflexo infinito.

Ou Kane em primeiro plano, datilografando, o amigo Jedediah mais atrás e Bernstein lá no fundo, em silhueta, na porta iluminada.

Como esta, a composição das imagens e sempre saborosa: quem está na luz e quem está nas sombras; personagens em close e no extremo fundo do quadro ao mesmo tempo (conseguidos pelo trabalho de câmera e luz de Gregg Toland ou por efeitos combinados como a projeção de fundo); fusões em que a primeira imagem e a segunda se combinam em um jogo de luz e escuridão.

Isso tudo para seguir um roteiro (de Herman J. Mankiewicz e Welles) que também fugia do formato começo-meio-fim: começa com a morte do protagonista, resume sua vida do começo ao fim pelo cinejornal e, depois, mostra o que estaria por trás dos fatos pelos flashbacks dos coadjuvantes entrevistados por um dos repórteres.

Ao invés dos flashbacks contarem a vida de Kane em ordem cronológica, eles são quase temáticos: a riqueza e a falência; o jornal; as mulheres e a política; o isolamento. No fim, o mistério a ser desvenda, que guia a trama, só revela que um homem nunca consegue ser compreendido em sua totalidade.

A isso tudo que o filme contém, soma-se aquilo que aconteceu fora do set. Como Welles era o gênio do rádio aos 25 anos e chegou a Hollywood com poder para fazer o filme que quisesse e como quisesse, despertando a inveja de meio mundo; como Mankiewicz escreveu a primeira versão do roteiro se inspirando no poderoso e temido magnata da imprensa William Randolph Hearst, de quem já havia usufruído da hospitalidade várias vezes (entre outras coisas, o jornalismo sensacionalista e controverso, a aventura política, o castelo construído para a amante, de quem ele tentou alavancar a carreira); de como o roteirista teve que brigar para ter crédito no filme (história contada em “Mank”, da Netflix).

Há muitos, muitos detalhes em “Cidadão Kane” que valem observações e comentários. Cada cena é inspirada, tecnica ou narrativamente. E é isso o que garante sua permanência e sua influência ainda hoje.

Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play

“Citizen Kane”, 1941.
Direção: Orson Welles. Elenco: Orson Welles, Joseph Cotten, Dorothy Comingore, Agnes Moorehead, Everett Sloane.

ÚLTIMA HORA
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 19

Tinta de máquina de escrever nas veias

Ben Hecht e Charles MacArthur escreveram a peça The Front Page, de 1928, com base em suas experiências como repórteres em Chicago. Levaram ao palco um espírito de vale tudo pela notícia, em que puxar o tapete dos outros era só um dos talentos dos melhores no ofício.

A trama se passa quase toda na sala de imprensa de um complexo de tribunal e cadeia em Chicago, onde repórteres de vários jornais passam tempo à espera da execução de um suposto revolucionário comunista condenado por assassinato. Walter Burns (Adolphe Menjou), um editor implacável, faz de tudo para que seu melhor repórter, Hildy Johnson (Pat O’Brien) cubra a notícia. Mas Hildy está largando tudo para se casar.

Porém, ele tem tinta de máquina de escrever correndo nas veias, e ela fala mais alto quando o condenado escapa no meio da noite e pode, de quebra, expor um escândalo de corrupção. Cheia de personagens entrando e saindo de cena, e metralhando diálogos, a peça acabou levada às telas nos primeiros anos do cinema falado. Numa época de muitos diálogos empolados e “importantes”, Última Hora, que completa 90 anos este ano, ajudou a consolidar o coloquialismo de falas espirituosas.

Lewis Milestone era um diretor que não se dobrava à tirania do som naqueles anos (quando o protagonismo dos microfones restringia o movimento das câmeras). Já tinha mostrado isso em Sem Novidades no Front, no ano anterior. Aqui, há vários planos de encher os olhos, como o plano-sequência da caminhada de Burns pela redação do jornal, que começa com o editor sentado em sua mesa, visto através do vidro (mas não sabemos disso até a câmera se afastar), seguido por outros dois na gráfica (um com a câmera baixa, outro com o personagem visto por trás das máquinas).

O diretor até usa o som de modo bem criativo, quando Burns se apoia numa máquina de escrever para soltar um sonoro “filho da puta” que se torna inaudível pelo barulho da máquina na hora exata.

The Front Page gerou outras três adaptações. Jejum de Amor (1940), antológica, é dirigida por Howard Hawks e adiciona romance ao transformar Hildy em personagem feminino (Cary Grant e Rosalind Russell estrelam o filme). A Primeira Página (1974) é o tributo de Billy Wilder, com Walter Matthau e Jack Lemmon. E Troca de Maridos (1988), não tão bom quanto os outros, mas ainda interessante, de novo muda o sexo de um dos personagens (Burt Reynolds, Kathleen Turner e Christopher Reeve estrelam).

O original, menos conhecido hoje que as versões de Hawks e Wilder, mantém seu frescor, humor e agilidade, que escondem um pouco a importância que ele teve na naturalização dos diálogos no cinema americano e no surgimento da comédia maluca (ou screwball comedy) na década.

Onde ver: YouTube

The Front Page, 1931.
Direção: Lewis Milestone. Elenco: Adolphe Menjou, Pat O’Brien, Mary Brian, Edward Everett Horton

Na minha coluna de hoje na CBN João Pessoa, comentei dois filmes e uma minissérie para não passar verginha chamando o golpe militar de 1964 de “movimento”. Está online, ouça aqui.

Na foto: Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho.

A VERDADE
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 14

Quatro anos antes, Brigitte Bardot apareceu para o mundo (e como veio ao mundo) em E Deus Criou a Mulher. Em A Verdade, ela tentou dar um passo para um desafio dramático maior. Esplendorosa, é a jovem de vida livre que está sendo julgada pelo assassinato do amante. A moralidade entra na balança, enquanto a história trágica de amor (ou não) é contada em flashback, ainda com doses generosas do corpo de Bardot.

Onde ver: DVD, YouTube

La Verité, 1960.
Direção: Henri-Georges Clouzot. Elenco: Brigitte Bardot, Sami Frey, Marie-Jose Nat.

O GAROTO
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 13

100 anos de risos e, talvez, uma lágrima

100 anos este ano de O Garoto. “Um filme com um sorriso – e, talvez, uma lágrima”, diz a primeira cartela do filme, primeiro longa dirigido por Charles Chaplin. O espírito já está posto desde o princípio: a comédia misturada com o melodrama, que Chaplin sabia fazer como ninguém.

Talvez fosse um aviso, para o espectador que estivesse esperando só as risadas. Mas o drama é que abre o filme, com a mulher que se vê obrigada a abrir mão de seu bebê. Ela tenta deixá-lo com uma família rica, mas, por circunstâncias do destino, ele vai parar nos braços do paupérrimo Carlitos, que até tenta, mas não consegue se livrar dele naquele primeiro momento.

Alguns anos depois, vem a famosa cena que mostra o entrosamento entre esse pai e esse filho. Eles trabalham juntos: Carlitos é o vidraceiro que providencialmente aparece para consertar as janelas que o moleque quebra.

São transgressores contra uma sociedade que não os entende e logo se voltará contra eles quando tenta separá-los. Vem aí a grande sequência dramática do filme: o garotinho chorando no caminhão pelo pai e Carlitos correndo pelos telhados para alcançá-lo. Merece, sem dúvida, a lágrima prometida no começo do filme.

É tocante, ainda mais quando se pensa na infância miserável e sem pai do próprio Chaplin. O retrato da vizinhança pobre vem da lembrança de seus próprios dias difíceis em Londres: a pobreza, a mãe com problemas mentais, a possibilidade de ir parar num orfanato (chegando a fugir da polícia para evitar isso). De uma maneira ou de outro, tudo isso está no filme.

A química entre Chaplin e Coogan é admirável e vem da relação que o cineasta cultivou com o astro mirim fora dos sets: o levava a parques de diversões e a passeios. Essa proximidade por ter vindo da infância sem pai de Charlie ou do fato de que ele mesmo havia perdido há pouco tempo um filho, de seu casamento com Mildred Harris: o bebê morreu três dias depois de nascer. De qualquer forma, resultou em uma relação sincera de carinho que foi captada perfeitamente pelo filme.

Chaplin relançou o filme em 1971. Com a reedição, ficou mais curto: de 1h08 para 50min, eliminando cenas que o diretor naquele momento considerou excessivamente sentimentais (todas envolvendo o sofrimento da mãe, vivida por Edna Purviance, parceira de longa da data de Chaplin em seus filmes). O Garoto ganhou também uma bela trilha sonora composta por Chaplin.

O filme, que foi concebido como curta e foi crescendo na duração durante a produção, mudou a carreira de Chaplin. Ele já tinha criado a United Artists em 1919 (seu próprio estúdio, em sociedade com o diretor D.W. Griffith e os astros Douglas Fairbanks e Mary Pickford) e O Garoto seria um dos últimos produtos de seu contrato com a First National. O sucesso estrondoso redirecionou sua carreira para os longas-metragens.

E ainda em 1921 as memórias que estão por todo lado em O Garoto ganham vida quando Chaplin visita a Inglaterra, para onde não tinha voltado desde 1912, quando viajou para os Estados Unidos. Foi quando reencontrou sua mãe, a quem mantinha sob cuidados em seu país natal, e a levou para morar com ele e o irmão Sidney nos EUA.

Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play, YouTube

The Kid, 1921
Direção: Charles Chaplin. Elenco: Charles Chaplin, Jackie Coogan, Edna Purviance.

ROSAS DE SANGUE
⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 12

Roger Vadim aborda a história insinuante de Carmilla, a vampira de Karnstein, com a esposa da vez, a dinamarquesa Annette Stroyberg (na época, Annette Vadim). Vadim era ótimo em revelar atrizes lindas, mas não era lá um grande diretor. O filme é correto, tem um certo ar erótico entre suas duas atrizes, mas pouco mais que isso. Carmilla voltou outras vezes ao cinema, como a principal representante do filão das vampiras lésbicas.

Et Mourir de Plaisir, 1960
Direção: Roger Vadim. Elenco: Annette Stroyberg, Mel Ferrer, Elsa Martinelli.

A VOLTA DE FRANK JAMES ou O RETORNO DE FRANK JAMES
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 10

O filme fantasia os eventos que teriam acontecido após o assassinato do lendário Jesse James, pelas costas, por homens de seu bando. O irmão Frank sai de seu esconderijo para vingar a morte. É uma continuação de Jesse James (1939), inclusive abrindo com a cena da morte de Jesse do filme anterior, e vários atores reprisando seus papéis, inclusive Henry Fonda como o agora protagonista. Lang, bem ajustado aos filmes B americanos, está bem longe de seus dias no Expressionismo Alemão. E tem a estreia da belíssima Gene Tierney.

Onde ver: DVD, YouTube

The Return of Frank James, 1940
Direção: Fritz Lang. Elenco: Henry Fonda, Gene Tierney, Jackie Cooper, Henry Hull, John Carradine.

A CARTA
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 9

Na primeira cena, um plano sequência numa bucólica noite de um cenário exótico. Então, aparece ninguém menos que Bette Davis descarregando a arma num infeliz. Ela conta ao marido e ao advogado: o sujeito a atacou e ela o matou em legítima defesa. Mas uma carta misteriosa e uma chantagem podem complicar seu julgamento. Wyler, um grande diretor, e Bette Davis, uma atriz inigualável, numa história de verdades e mentiras, esplendidamente fotografada, mas guiada pelas regras de crime e castigo do Código Hays: é uma versão mais moralista que outra de 1929, baseada na mesma peça.

Onde ver: DVD, YouTube

The Letter, 1940
Direção: William Wyler. Elenco: Bette Davis, Herbert Marshall, James Setephenson, Gale Sondergaard.

PSICOSE
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 7

As histórias em torno da concepção, filmagem e recepção de Psicose são tantas que renderam até uma dramatização em filme (Hitchcock, 2012). O material original chocante, a decisão de filmar rápido com a equipe de sua série de TV, o risco financeiro, matar a estrela antes da metade do filme, a procura pelo som ideal da faca entrando na pele, um quarto da filmagem dedicada à cena do chuveiro, a rancorosa desglamourização de Vera Miles, o sutiã branco/ sutiã preto, o quanto ou não mostrar de nudez, a música de Bernard Herrmann, as jogadas de marketing no lançamento (“Ninguém será admitido no cinema após o começo”, “Não conte o final”)… E, mais que tudo, a direção não só do filme, mas também do espectador, levado por Hitch para onde o diretor quer.

Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play

Psycho, 1960
Direção: Alfred Hitchcock. Elenco: Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles, Martin Balsam

Pai, mãe e filho vivem em uma casa de arquitetura modernosa e impessoal. Mas o menino tem um tio, o Sr. Hulot, que vive em um outro bairro: pobre, bagunçado, mas muito mais humano. Hulot apresenta ao menino este outro lado da vida.

Meu Tio é a obra-prima de Tati, que usa Hulot para apresentar sua visão de mundo. Mais uma vez ele faz um filme puramente visual, praticamente sem nenhum diálogo importante e com um tema musical que se repete.

A arquitetura cheia de pose e nada prática dá pano para muito riso e debate. Assim como a necessidade de ostentar um status (a mulher liga a fonte sempre que chega uma visita – mas se é o irmão, Hulot, ela logo desliga).

Assim como o contraste com a área pobre, com uma vila labiríntica, ruínas de muros (em contraposição aos muros altos das casas ricas), e cachorros vadios que correm soltos pelas ruas (como as crianças).

Tati nunca perde de vista o foco em seus personagens. É algo com que o filme seguinte, Playtime, sofreria. Mas aqui o equilíbrio é perfeito.

Diário de Filmes 2020: 22
MEU TIO (Mon Oncle, 1958)
Direção: Jacques Tati. Elenco: Jacques Tati, Alain Bécourt, Jean-Pierre Zola, Adrienne Servantie.
⭐⭐⭐⭐⭐

Em DVD: na coleção Jacques Tati, do selo Obras-Primas do Cinema

Lolita, o livro, havia saído apenas sete anos antes e foi aquele escândalo que todo mundo sabe. O filme Sue Lyon tinha 14 anos quando o filme foi rodado e 16 quando lançado, interpretando a personagem que, no romance de Vladimir Nabokov, tinha 12. Mesmo com Kubrick produzindo de maneira independente na Inglaterra, o tema explosivo foi amenizando até onde deu. A relação entre Humbert Humbert (vivido por um bravo James Mason) e Lolita nunca é gráfica e basicamente quase sempre insinuada. Com personagens difíceis ou impossíveis de simpatizar, é narrado com elegância e perícia por Kubrick.

Diário de Filmes 2020: 20
LOLITA (Stanley Kubrick, 1962)
⭐⭐⭐⭐

20 — O PÁSSARO AZUL (The Blue Bird)

A Metro quis Shirley Temple para estrelar O Mágico de Oz em 1939, e não conseguiu. A Fox, então, resolveu colocar a estrela mirim em sua própria aventura encantada. Já aos 12 anos, Shirley já não é mais tão novinha e faz um papel antipático. Não é Oz, longe disso, mas o filme marcou uma geração.
Estados Unidos. Direção: Walter Lang. Roteiro: Ernest Pacal, com Walter Bullocm (diálogos adicionais), baseado em peça de Maurice Maeterlinck. Elenco: Shirley Temple, Spring Byington, Nigel Bruce, Gale Sodeengard.

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19 — A VOLTA DE FRANK JAMES (The Return of Frank James)

O filme fantasia os eventos que teriam acontecido após o assassinato do lendário Jesse James, pelas costas, por homens de seu bando. O irmão Frank sai de seu esconderijo para vingar a morte. É uma continuação de Jesse James (1939), inclusive abrindo com a cena da morte do filme anterior, e vários atores reprisando seus papéis, inclusive Henry Fonda. Lang, bem ajustado aos filmes B americanos, está bem longe de seus dias no Expressionismo Alemão. 
Estados Unidos. Direção: Fritz Lang. Roteiro: Sam Hellman. Elenco: Henry Fonda, Gene Tierney, Jackie Cooper, Henry Hull, John Carradine.

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18 — PICA-PAU ATACA NOVAMENTE (Knock, Knock)

Apesar do título brasileiro falar em novo ataque, essa é a estreia do Pica-Pau, na série do Andy Panda, apenas como uma dor de cabeça ocasional para o pai do ursinho. O personagem ainda nem tinha nome. Seu comportamento alucinado garantiu a ele protagonizar um novo curta no ano seguinte (Pica-Pau Biruta, em que enlouquece um psiquiatra) e o resto é história.
Estados Unidos. Direção: Walter Lantz e Alex Lovy (não creditados). Roteiro: Lowell Elliot e Ben Hardaway. Vozes na dublagem original: Sara Berner, Mel Blanc.

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Wild Hare

17 — COELHO SELVAGEM (A Wild Hare)

Outro curta com uma estreia muito importante: aqui, o Pernalonga surge definido, após alguns protótipos terem aparecido em desenhos anteriores. O coelho subverte a caçada de Hortelino com todos os truques que aprimoraria nos anos seguintes. Pela primeira vez, ele diz o célebre “O que é que há, velhinho?”.
Estados Unidos. Direção: Tex Avery. Roteiro: Rich Hogan. Vozes na dublagem original: Mel Blanc, Arthur Q. Bryan.

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Melodia da Broadway de 1940 - 03

16 — MELODIA DA BROADWAY DE 1940 (Broadway Melody of 1940)

Não é um dos mais inspirados musicais da Metro, mas aconteceu de unir os dois melhores em seu ofício. Fred Astaire e Eleanor Powell, dois gênios absolutos, o melhor dançarino e a melhor dançarina do cinema, se encontraram na tela e entregaram juntos pelo menos dois momentos antológicos. “Jukebox’s dance” e “Begin the beguine” entram em qualquer antologia séria da dança no cinema.
Estados Unidos. Direção: Norman Taurog. Roteiro: Leon Gordon e George Oppenheimer, história original de Jack McGowan e Dore Schary, contribuições não creditadas de Preston Sturges, Walter DeLeon, Vincent Lawrence, Albert Mannheimer, Eddie Moran, Thomas Phipps e Sid Silvers. Elenco: Fred Astaire, Eleanor Powell, George Murphy, Frank Morgan.

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Ponte de Waterloo

15 — A PONTE DE WATERLOO (Waterloo Bridge)

Depois de …E o Vento Levou, Vivien Leigh estrelou esse melodrama que volta aos dias da I Guerra: ela é uma bailarina que se apaixona por um oficial. Tudo vai bem, mas ela perde o emprego e acha que ele morreu em combate. Sem dinheiro e esperança, acaba se tornando prostituta. Refilmagem de um filme de 1931, parece datado na maneira como trata a prostituição (ninguém ousa dizer o nome). Mas, bem, o filme se passa nos anos 1910. Vivien é absolutamente hipnotizante e Robert Taylor é um dos atores mais bonitos que o cinema já viu.
Estados Unidos. Direção: Mervyn LeRoy. Roteiro: S.N. Behrman, Hans Rameau e George Foerschel, baseado em peça de Robert E. Sherwood. Elenco: Vivien Leigh, Robert Taylor, Virginia Field, Lucile Watson, Maria Ouspenskaya.

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Bichano em Maus Lençóis

14 — UM BICHANO EM MAUS LENÇÓIS ou UM GATO TRAVESSO (Puss Get the Boot)

Esse curta é a estreia de dois dos personagens mais amados e de maior sucesso dos desenhos animados: Tom & Jerry. Aqui, ainda sem seus nomes definitivos: Tom é chamado de Jasper, e Jerry nem tem seu nome mencionado. Mas a dinâmica já está toda aí: com o camundongo aproveitando que a dona mandou o gato não fazer bagunça para fazer da vida do bichano um inferno.
Estados Unidos. Direção e roteiro: William Hanna e Joseph Barbera. Voz na dublagem original: Lillian Randolph.

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13 — A CARTA (The Letter)

Bette Davis já surge em cena descarregando uma arma em um infeliz. Depois disso, ela se justifica para o marido e o advogado, mas sua história é ameaçada pela notícia de que há uma carta comprometedora. Wyler mostra sua perícia com a câmera e o uso da luz para contar esse dramão de crime e castigo.
Estados Unidos. Direção: William Wyler. Roteiro: Howard Koch, baseado na peça de W. Somerset Maughan. Elenco: Bette Davis, Herbert Marshall, James Stephenson, Gale Sondergaard.

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12 — VOCÊ DEVIA ESTAR NO CINEMA (You Ought to Be in Pictures)

Patolino convence Gaguinho a romper seu contrato de desenho animado com a Warner e tentar ser ator no cinema. Isso acontece numa divertida mistura de personagens animados em cenários reais, com o produtor Leon Schlesinger interpretando a si mesmo, e o roteirista Michael Maltese como um guarda de estúdio.
Estados Unidos. Direção: Friz Freleng. Roteiro: Jack Miller. Elenco: Leon Schlesinger, Michael Maltese. Voz na dublagem original: Mel Blanc.

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Correpondente Estrangeiro11 — CORRESPONDENTE ESTRANGEIRO (Foreign Correspondent)

O segundo filme de Alfred Hitchcock em Hollywood é um suspense de espionagem já sobre a II Guerra (os EUA estavam ainda fora do conflito, mas a Inglaterra natal do diretor estava dentro). É daqui a grande cena do avião que cai no mar e acompanhamos a queda de dentro da cabine até a água entrar.
Estados Unidos. Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Charles Bennett e Joan Harrison, com diálogos de James Hilton e Robert Benchley, e contribuições de Ben Hecht (não creditado) e Richard Maibaum (não creditado). Elenco: Joel McCrea, Laraine Day, Herbert Marshall, George Sanders, Robert Benchley, Edmund Gwenn.

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Marca do Zorro10 — A MARCA DO ZORRO (The Mark of Zorro)

Tyrone Power estrela a versão 1940 do herói da literatura que já havia tido uma adaptação antológica no cinema mudo (em 1920, com Douglas Fairbanks). Bem produzida, ágil, é um grande representante do gênero capa-e-espada. Tem um grande herói, um baita vilão (Basil Rathbone) e uma mocinha das mais deslumbrantes (Linda Darnell, aos 16 anos nas filmagens). O duelo final é antológico.
Estados Unidos. Direção: Rouben Mamoulian. Roteiro: John Taintor Foote, com adaptação de Garret Fort e Besse Meredyth para o romance seriado de Johnston McCulley. Elenco: Tyrone Power, Linda Darnell, Basil Rathbone, Gale Sondergaard.

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Sr Pato Sai de Casa

9 — O SR. PATO SAI DE CASA ou DONALD ADORA DANÇAR (Mr. Duck Steps Out)

O curta da Disney mostra Donald e seus três sobrinhos em um inusitado duelo quando o pato visita a namorada. O desenho estabelece de vez a personagem da Margarida, que aqui ganha seu nome. Tem aquele momento safadinho em que, no sofá, ela dá aquela afastada no pato saidinho, mas o chama com o rabinho. Clarence Nash faz todas as vozes (inclusive a da Margarida).
Estados Unidos. Direção: Jack King. Roteiro (não creditados): Carl Barks, Chuck Couch, Jack Hannah, Harry Reeves, Milt Schaffer e Frank Tashlin. Voz na dublagem original: Clarence Nash.

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Loja da Esquina8 — A LOJA DA ESQUINA (The Shop Around the Corner)

A comédia romântica de Lubitsch se passa em uma loja de presentes em Budapeste, com algumas tramas, sendo a principal a do casal de vendedores que vive às turras, mas que, sem saber, são apaixonados um pelo outro. É que eles trocam cartas de maneira anônima. A combinação da direção com os ótimos James Stewart e Margaret Sullavan é perfeita. O filme originou o também bem bom Mensagem para Você, em 1998, já no mundo dos e-mails.
Estados Unidos. Direção: Ernst Lubitsch. Roteiro: Samson Raphaelson, com colaboração de Ben Hetch (não creditado), baseado em peça de Miklós László. Elenco: Margaret Sullavan, James Stewart, Frank Morgan, Joseph Schildkraut.

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Grande Ditador

7 — O GRANDE DITADOR (The Great Dictator)

Chaplin usou música e algumas falas pontuais em seus dois filmes anteriores, mas este é o seu primeiro falado para valer. E ele não desperdiçou sua voz. De um lado há um barbeiro judeu (o último filme de Carlitos?) em um gueto. Do outro, o ditador que parodia Hitler. Na primeira cena, o ditador ridículo discursa histrionicamente num alemão inventado. Na última, o barbeiro que foi parar no lugar do ditador faz o maior discurso pela paz e humanismo no cinema. É bom lembrar que a guerra já estava comendo no centro na Europa e os EUA ainda nem aí.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Charles Chaplin. Elenco: Charles Chaplin, Paulette Goddard, Jack Oakie.

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Núpcias de Escândalo6 — NÚPCIAS DE ESCÂNDALO (The Philadelphia Story)

A primeira cena é de antologia. Cary Grant sai pela porta em direção ao carro. Atrás dele, vem Katharine Hepburn, flutuando, com seus tacos de golfe. Ao chegar perto, os solta no chão. E, com aquela cara de satisfação, parte um dos tacos ao meio. É quando sabemos que estamos assistindo a uma separação. A história começa mesmo quando ela vai casar de novo, o ex reaparece com um repórter e uma fotógrafa de uma revista de fofocas para embaralhar o negócio. Uma comédia de erros de Cukor é cheia de maus entendidos, paixões que vêm e vão, falsas premissas. O elenco é incrível, mas o show é de Kate Hepburn: a peça na Broadway foi escrita para ela; ela comprou os direitos para o cinema; ela apostou no material para reerguer sua carreira em Hollywood, que andava em baixa. Deu certíssimo.
Estados Unidos. Direção: George Cukor. Roteiro: Donald Ogden Stewart, com colaboração de Waldo Salt (não creditado), baseado em peça de Philip Barry. Elenco: Katharine Hepburn, Cary Grant, James Stewart, Ruth Hussey, John Howard.

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Rebecca5 — REBECCA, A MULHER INESQUECÍVEL (Rebecca)

A estreia de Hitchcock em Hollywood foi um duelo entre ele e o produtor David O. Selnick pelo controle criativo do filme. A história é a da jovem que se casa com um aristocrata, mas a presença da primeira mulher morta na propriedade é sufocante além da conta. Rebecca é o nome até do próprio filme, a pobre nova Senhora De Winter nem nome tem na história.
Estados Unidos. Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Robert E. Sherwood e Joan Harrison, com adaptação de Philip MacDonald e Michael Hogan para o romance de Daphne Du Maurier. Elenco: Joan Fontaine, Laurence Olivier, Judith Anderson, George Sanders.

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Fantasia

4 — FANTASIA (Fantasia)

Walt Disney pensou bem grande ao conceber Fantasia: um filme-concerto, com curtas animados inspirados em peças da música clássica. E a ideia ainda era ir relançando o filme anualmente, trocando alguns segmentos a cada vez. Não deu porque o filme não foi bem de bilheteria, mas ele acabou encontrado seu público e status de obra de arte ao ser relançado. É a silly symphony definitiva, que vai do Mickey aprendiz de feiticeiro à uma representação ambiciosa do começo da vida na Terra.
Estados Unidos. Direção: James Algar, Samuel Armstrong, Ford Beebe Jr., Norman Ferguson, David Hand, Jim Handley, T. Hee, Wilfred Jackson, Hamilton Luske, Bill Roberts, Paul Satterfield e Ben Sharpsteen. Roteiro: Joe Grant e Dick Huemer (diretores de história), Lee Blair, Elmer Plummer, Phil Dike, Sylvia Moberly-Holland, Norman Wright, Albert Heath, Bianca Majolie, Graham Heid, Perce Pearce, Carl Fallberg, William Martin, Leo Thiele, Robert Sterner, John McLeish, Otto Englander, Webb Smith, Erdman Penner, Joseph Sabo, Bill Peet, Vernon Stallings, Campbell Grant, Arthur Heinemann e Phil Dike. Elenco: Deems Taylor, Leopold Stokowski.

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Pinóquio - 023 — PINÓQUIO (Pinocchio)

A animação em Pinóquio é, 80 anos após seu lançamento, de cair o queixo. O conto moral infantil que ainda cala fundo no imaginário coletivo, sobre amor paterno, fadas e os perigos das mentiras e do mundo, é embalado por imagens lindamente confeccionadas, movimentos de câmera elaborados e momentos impactantes (a impressionante aparição da baleia Monstro, a assustadora sequência dos meninos se transformando literalmente em burros).
Estados Unidos. Direção: Hamilton Luske e Ben Sharpsteen (supervisores), Norman Ferguson, T. Hee, Wilfred Jackson, Jack Kinney, Bill Roberts. Roteiro: Ted Sears, Otto Englander, Webb Smith, William Cottrell, Joseph Sabo, Erdman Penner, Aurelius Battaglia, com colaboração não creditada de Bill Peet e Frank Tashlin, baseado em livro de Carlo Collodi. Vozes na dublagem original: Dickie Jones, Cliff Edwards, Christian Rub, Evelyn Venable, Charles Judels. Vozes na dublagem brasileira de 1940: Doraldo Thompson, Mesquitinha, Baptista Junior, Zezé Fonseca. Vozes na dublagem brasileira de 1965: Carlos Alberto Mello, Ênio Santos, Luis Motta, Selma Lopes.

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Jejum de Amor2 — JEJUM DE AMOR (His Girl Friday)

A Primeira Página é uma peça onde os dois personagens principais são um editor de jornal e seu repórter que quer largar o emprego para se casar, mas é empurrado para a cobertura de um preso à beira da execução. Howard Hawks contava que, lendo diálogos numa festa com uma amiga, sacou que ficava muito melhor se um dos personagens fosse uma mulher. E, assim, a peça ganhou sua segunda adaptação para o cinema, na qual “o” repórter passava a ser “a” repórter. Cary Grant e Rosalind Russell, além de parceiros profissionais, agora também seriam ex-casados. À tensão romântica, Hawks ainda acrescentaria o modo de metralhar os diálogos. Rapidíssimos e sobrepostos, com uma técnica ensaiada onde o espectador não ficaria sem entender nada importante, e ainda abertos aos improvisos dos atores, são um marco na maneira de atuar no cinema. E, claro, é muito engraçado.
Estados Unidos. Direção: Howard Hawks. Roteiro: Charles Lederer, com colaboração de Ben Hecht (não creditado) e diálogos adicionais de Morrie Ryskind (não creditado), baseado na peça de Hecht e Charles MacArthur. Elenco: Cary Grant, Rosalind Russell, Ralph Bellamy, Gene Lockhart, Cliff Edwards.

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The Grapes Of Wrath - 1940

1 — VINHAS DA IRA (The Grapes of Wrath)

A saga de uma família americana que é expulsa de sua terra por ricos proprietários e atravessa o país até a Califórnia em busca de trabalho digno em plantações. A miséria nos Estados Unidos durante a Grande Depressão viajou da prosa premiada de John Steinbeck para a narrativa de um cineasta maravilhoso, John Ford. Ele conta esse épico da pobreza, que avança com a formação da consciência social do filho mais velho da família, vivido por Henry Fonda, a respeito de uma sociedade que se vende como justa, mas massacra os pobres com violência, discriminação e mesquinharia. Ganhou os Oscars de direção e atriz coadjuvante (para Jane Darwell, a comovente mãe do clã).
Estados Unidos. Direção: John Ford. Roteiro: Nunnally Johnson, baseado em romance de John Steinbeck. Elenco: Henry Fonda, Jane Darwell, John Carradine, Charley Grapewin, Dorris Bowdon, Ward Bond.

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ATUALIZAÇÕES:

11/2/2021: A lista passa de 15 filmes para 20. Os cinco novos filmes são: O Pássaro Azul (20º), A Volta de Frank James (19º), Pica-Pau Ataca Novamente (18º), A Carta (13º), Você Devia Estar no Cinema (12º). Coelho Selvagem foi de 14º para 17º. Melodia da Broadway de 1940 foi de 15º para 16º. A Ponte de Waterloo, de 13º para 15º. Um Bichando em Maus Lençóis, de 12º para 14º. Correspondente Estrangeiro, de 10º para 11º. A Marca do Zorro, de 9º para 10º. O Sr. Pato Sai de Casa, de 11º para 9º.

* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS:

Horizonte Sombrio - 08

Estamos entrando na era dos longa-metragens centenários. Há 100 anos, D.W. Griffith dirigiu Lillian Gish flutuando em um bloco de gelo, por um rio semicongelado e em direção a uma cachoeira, no antológico clímax de ‘Horizonte Sombrio’. Até chegar aí, o filme é um melodramão sobre a mocinha que é enganada por um ricaço conquistador que a engravida e a abandona. Após muitos infortúnios, ela conseguie emprego numa fazenda, mas o sujeito reaparece. Esta reta final sensacional vale o filme e deixou marcas: anos depois, Gish disse que sua mão doeu pelo resto da vida por causa da água geladíssima do rio.

HORIZONTE SOMBRIO (D.W. Griffith, 1920)

Tubarao

Anos depois, Spielberg definiu ter aceitado esse projeto como um misto de coragem e estupidez. Muito antes da possibilidade da animação por computador, o cineasta tinha que se virar com um tubarão mecânico que vivia dando mau funcionamento. A solução foi melhor que a encomenda: reduzir as aparições do bicho.

Isso, junto com a trilha incrível de John Williams, o fez ainda mais assustador e rendeu uma das melhores cenas aberturas do cinema. Hoje, o CGI colocaria uns 20 tubarões na tela aparecendo o tempo todo. Aqui, as limitações estimularam a perícia narrativa de Spielberg, um grande contador de histórias, que cria maravilhosos momentos visuais tanto das ocasiões mais impactantes quanto de situações mais triviais (como Roy Scheider na praia, com a câmera se aproximando dele a cada vez que uma pessoa passa em frente).

O filme também tira força da química entre seus três protagonistas: o policial vivido por Scheider, o acadêmico vivido por Richard Dreyfuss e o lobo do mar durão de Robert Shaw. Spielberg isola o trio em alto-mar em boa parte do filme, para um duelo contra uma máquina de matar. Uma aventura que está ao lado das maiores do cinema.

TUBARÃO (Steven Spielberg, 1975)

Gilda - 01

Rita Hayworth em “Gilda” (1946)

50. ‘I WANNA BE LOVED BY YOU’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe. Direção: Billy Wilder. Coreografia: Jack Cole. Canção de Herbert Stothart, Harry Ruby e Bert Kalmar.

“Boop-boop-a-doop”. A canção de 1928 é a cara da Betty Boop e não por acaso: a interpretação de Helen Kane, com sua voz meio infantil cantando esse “boop-boop-a-doop” inspirou a criação da personagem dos desenhos animados, em 1930. Como Quanto Mais Quente Melhor se passa em 1929, caiu como uma luva para Marilyn desfilar sua sensualidade brejeira na canção. Como Billy Wilder dizia, filmar com Marilyn podia ser um pesadelo, mas o resultado compensava de longe.

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49. ‘SO LONG, FAREWELL’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Charmian Carr, Nicholas Hammond, Heather Menzies-Urich, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner e Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II.

O capitão Von Trapp não que transformar sua família num grupo musical, mas está difícil. No final de uma festa em casa, seus sete filhos se despedem dos convidados com este encantador número musical. Uma das forças desse filme é o carisma das crianças. “So long, farewell, auf wiedersehen, adieu”, em um número reprisado mais tarde no filme (e rever sempre é muito bem-vindo).

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48. ‘CABARET’, de Cabaret (1972)
Com Liza Minnelli. Direção e coreografia: Bob Fosse. Canção de John Kander e Fred Ebb.

Liza, sozinha em cena: e precisa mais? A canção-título do filme estabelece que esse não é um musical inocente como a maioria do que vieram antes dele. E, três anos após a morte da mãe Judy Garland, Liza chama o trono para si com toda a justiça, ao menos nesse filme. A vida é um cabaré, old chum, apesar dos profetas do pessimismo.

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47. ‘A WHOLE NEW WORLD’, de Aladdin (1992)
Com Brad Kane e Lea Salonga (vozes). Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Tim Rice.

Aladdin joga baixo para conquistar a princesa Jasmine: a leva em um passeio de tapete mágico pelo mundo. As maravilhas que vai encontrando são embaladas pela maravilha que é essa canção vencedora do Oscar. A animação é um deslumbre.

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46. ‘THE BALLET OF RED SHOES’, de Sapatinhos Vermelhos (1948)
Com Moira Shearer, Alan Carter, Joan Harris. Direção: Michael Powell e Emeric Pressburger. Coreografia: Robert Helpmann. Música de Brian Esdale.

Bailarina de carreira consolidada nos anos 1940, a escocesa Moira Shearer estreou no cinema no papel principal de Sapatinhos Vermelhos. E o ponto alto do filme é o balé que dá nome ao filme, um número espetacular de quase 15 minutos, que soma recursos cinematográficos à atmosfera da dança no palco para ir além da fábula dançada e representar o turbilhão emocional da protagonista: closes, planos de detalhe, câmera lenta, sobreposição de imagens. Este número impressionou tanto Gene Kelly que o inspirou para Sinfonia de Paris (1951).

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45. ‘ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE’, de A Vida de Brian (1979)
Com Eric Idle. Direção: Terry Jones. Canção de Eric Idle.

Essa música adorável e incrivelmente otimista, com assobios e tudo, é um dos momentos mais clássicos do grupo Monty Python. Contribui para isso, é claro, o fato de ela ser cantada por um grupo que está sendo crucificado na Judeia dos tempos de Cristo. O tipo de nonsense que foi a genialidade do grupo inglês.

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44. ‘CAN’T BUY ME LOVE’, de A Hard Day’s Night (1964)
Com The Beatles. Direção: Richard Lester. Canção de Paul McCartney (creditada a John Lennon e Paul McCartney).

A Hard Day’s Night acompanha os Beatles no que seria seu cotidiano típico de correrias para fugir das fãs, compromissos comerciais e entrevistas chatas pra caramba. Em um momento de descuido dos outros, eles escapolem por uma porta, dão numa escada externa e se divertem a valer em campo aberto, filmados de helicóptero em patetices de cinema mudo. Sua descida pelas escadas é uma das mais célebres do grupo.

Para assistir, clique aqui.

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43. ‘PUT THE BLAME ON MAME’, de Gilda (1946)
Com Rita Hayworth (voz de Anita Ellis). Direção: Charles Vidor. Coreografia: Jack Cole. Canção de Allan Roberts e Doris Fischer.

Pê da vida com o marido, (“nunca houve uma mulher como”) Gilda irrompe no palco do nightclub que ele dirige e canta “Put the blame on Mame”. Não só isso, como tira uma das luvas — e é o bastante para que seja um dos mais sexy strip-teases da história. O vestido tomara-que-caia ajuda: nos closes é como se Gilda… bem… não estivesse usando nada.

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42. ‘BELLE’, de A Bela e a Fera (1991)
Com Paige O’Hara, Richard White, Alec Murphy, Mary Kay Bergman, Kath Soucie e coro (vozes). Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Após um breve prólogo, A Bela e a Fera já mostra a que veio: a cena de apresentação da protagonista e seu vilarejo acanhado e o vilão valentão que a deseja é um espetáculo, com todo o jeito de Broadway. Dá para imaginar os cantores e bailarinos pelo palco. Mas aqui é cinema, há planos clássicos e divinos: Bela deslizando pelas prateleiras de livros em direção à câmera, ou a câmera girando em torno dela quando ela diz que quer “mais que essa vida provinciana”.

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41. ‘WOULDN’T BE LOVERLY?’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (voz de Marni Nixon). Direção: George Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe.

A florista pobre Eliza Doolittle tem sua canção de “eu quero” após ser desmerecida pelo irritante professor de dicção. Ela canta nesse momento adorável, errando todas as palavras que pode (canta “ands” em vez de “hands”, por exemplo). Sonha com um mundo de elegância e amor em meio aos restos e aos desvalidos. Audrey, que sempre apareceu como dama nos filmes, brilha como a pobretona inculta que, no fim, vai embora em sua carruagem: uma carroça de lixo.

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Irene a Teimosa - 04

IRENE, A TEIMOSA (Gregory La Cava, 1936)

Diario de Filmes 2019: 44

Maravilhosa atriz de comédia dos anos 1930 e começo dos 1940, Carole Lombard é, aqui, uma das filhas em uma família ricaça que, desconectada da realidade dura da grande depressão, pega num lixão um mendigo para ganhar uma gincana. Mas, se sentindo culpada, arranja para ele um emprego de mordomo na casa de sua família. Ela se apaixona por ele, mas ele, cioso de sua nova função e com alguns segredos a manter, tenta evitar esse relacionamento.

Jean Dixon é ótima como a empregada com todo o jeitão atrevido que Thelma Ritter consagraria anos depois. O filme é uma comédia, mas certeiro no comentário social, e desde o começo: os criativos créditos começam com elenco e equipe em elegantes luminosos nos topos de prédios chiques e uma panorâmica não demora a mostrar ali do lado uma favela. O filme foi relançado há pouco na coleção Comédias Clássicas, da distribuidora Obras-Primas do Cinema.

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