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Estreias 10.26

Atenção para as estreias do cinema no circuito paraibano nesta quinta, 26 de outubro. É uma semana movimentada, com nove estreias e uma reestreia.

O blockbuster da semana é o elogiado Thor – Ragnarok, o terceiro solo do deus do trovão. Cris Hemsworth tem a companhia de Mark Ruffalo como Hulk, Tom Hiddleston como Loki e de Cate Blanchett, a grande vilã. Estreia quinta em JP (Cinépolis Manaíra, Centerplex MAG, Cinesercla Tambiá, Cinépolis Mangabeira), CG (Cinesercla Partage) e Patos (Cine Guedes).

Premiado em Berlim, Uma Mulher Fantástica lidera as estreias do Cine Banguê, em João Pessoa, sábado. Também chegam por lá o elogiado As Duas Irenes, a partir de segunda, e o documentário Gaga – O Amor pela Dança, a partir de domingo. E, a partir de domingo, a reestreia de Como Nossos Pais, da Laís Bodanzky, que já esteve em cartaz, mas por pouco tempo.

Em tempo: neste sábado, a partir das 15h, o Banguê exibe uma mostra comemorando o Dia da Animação. Em tempo 2: a reestreia do antológico  Cidade dos Sonhos no Banguê já tem data: é no dia 2.

O Centerplex MAG exibe sozinho três estreias: Manifestotour de force experimental em que Cate Blanchett interpreta 13 personagens (e ela, lembrando, ainda está também em Thor – Ragnarok); O Formidável, sobre Jean-Luc Godard e do diretor de O Artista, Michel Hazanavicius (que passa apenas sábado e domingo); e A Menina Indigo, do diretor de Nosso Lar.

O criticado Pelé – O Nascimento de uma Lenda, produção americana sobre a juventude do rei do futebol, entra só no Cinépolis Manaíra. E ainda tem a animação europeia Missão Cegonha, em JP (Cinépolis Manaíra, Cinesercla Tambiá e Cinépolis Mangabeira).

 


TRAILERS:

  • Thor – Ragnarok:

  • Uma Mulher Fantástica:

  • As Duas Irenes:

  • Manifesto:

  • O Formidável:

  • Gaga – O Amor pela Dança:

  • A Menina Indigo:

  • Pelé – O Nascimento de uma Lenda:

  • Missão Cegonha:

  • Como Nossos Pais:

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Quem me conhece sabe que acho chuva um saco. Mas, em um fenômeno possivelmente interessante (mas provavelmente não), eu gosto de muitas cenas de filmes onde a chuva é um elemento importante – seja como composição do cenário, seja como simbolismo. Isso nos leva a mais um top 10.

Novica Rebelde - 1410 – A NOVIÇA REBELDE (1965)

“You are sixteen going on seventeen” canta o carteiro Rowlf para Liesl, sua namoradinha que deu aquela escapada do jantar em família para namorarem em segredo no jardim da casa. No meio do canto e dança, cai aquela chuvarada e eles se refugiam no solário.

Quatro Casamentos e um Funeral - 019 – QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL (1994)

Um personagem no meio do filme diz que sonha com uma paixão que o atinja como um relâmpago. No fim do filme, passados os quatro casamentos e o funeral, os personagens de Hugh Grant e Andie MacDowell têm o seu clímax: sob a chuva que providencia o simbólico relâmpago.

Naufrago - 018 – NÁUFRAGO (2000)

É debaixo de uma chuva torrencial que o personagem de Tom Hanks reencontra a esposa (bem, ex-esposa) vivida por Helen Hunt, anos após viver isolado em uma ilha. É uma cena difícil e dolorosa, com todos os elementos de “o que poderia ter sido e não foi”, conduzida por dois grandes atores.

Homem-Aranha-04

7 – HOMEM-ARANHA (2002)

Um beijo que já está virando um clássico. Depois de salvar Mary Jane (Kirsten Dunst) de bandidos em uma rua escura, o Homem-Aranha (Tobey Maguire) desde sobre ela pendurado de cabeça para baixo na teia. Ela baixa parte da máscara dele e…

Match Point - 03

6 – MATCH POINT (2005)

Woody Allen não é exatamente conhecido por dirigir cenas sensuais. Também por isso, a cena em que Scarlett Johansson e Jonathan Rhys Meyers se rendem ao desejo proibido no campo, sob muita água, se destaca na filmografia do diretor.

Blade Runner-055 – BLADE RUNNER, O CAÇADOR DE ANDRÓIDES (1982)

A chuva é constante na Los Angeles do futuro, cenário de Blade Runner. É também o cenário do clímax do filme, com o monólogo do replicante vivido por Rutger Hauer, no confronto decisivo por o caçador de andróides vivido por Harrison Ford.

Bonequinha de Luxo-15

4 – BONEQUINHA DE LUXO (1961)

Frustrada por seus sonhos de riqueza naufragarem e sem aceitar qualquer vínculo emocional, Holly Golightly (Audrey Hepburn) reage à declaração amorosa de Paul (George Peppard) expulsando seu fiel companheiro Gato de um taxi para um beco, debaixo do maior pé d’água. Logo se arrepende – e a procura pelo gato, sob água e a música de Henry Mancini, é um terno simbolismo do reencontro consigo mesma.

Inimigo Publico-10

3 – INIMIGO PÚBLICO (1931)

A chuva cai forte, mas o personagem de James Cagney não dá a mínima. Na cena, já um poderoso gangster, ele está esperando na rua o momento de entrar sozinho em um restaurante e acertar as contas ele mesmo com uma gangue rival. O tiroteio é acompanhado pelo espectador do lado de fora, ouvindo os tiros e apenas aguardando quem sairá vivo pela porta.

Sete Samurais - 04

2 – OS SETE SAMURAIS (1954)

O confronto final entre a pobre aldeia, liderada pelos sete samurais contratados, contra os bandidos que rotineiramente a atacam, acontece debaixo de um dos maiores pés d’água já vistos no cinema, o que torna tudo ainda mais desafiador, épico e dramático neste clássico de Kurosawa.

Antes do primeiro colocado, algumas menções honrosas: Deus desafiado em Forrest Gump, o Contador de Histórias (1994); visibilidade zero em Psicose (1960); a mensagem fatídica em Casablanca (1942); fuga sob a chuva em Um Sonho de Liberdade (1995); um beijo de Depois do Vendaval (1952); e o sexo na escadaria de 9½ Semanas de Amor (1986).

Cantando na Chuva - 25

1 – CANTANDO NA CHUVA (1952)

Dizem que Gene Kelly estava com 38 graus de febre no dia em que filmou a cena mais icônica de Cantando na Chuva: seu  personagem deixa a namorada em casa, parece que todos os seus problemas estão resolvidos e ele está tão feliz que não se importa com o aguaceiro: fecha o guarda-chuva, canta e sapateia pela rua. Leite foi misturado na água para que os pingos ficassem mais visíveis na filmagem. Kelly improvisou uma parte do número. E tudo foi feito em poucos e longos planos, que mostram a perícia não só de Kelly como da equipe inteira.

A seguir, os meus melhores filmes de 2016, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, como em todo ano, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

O número de filmes em cartaz em João Pessoa explodiu em 2016: foram 258 estreias contra as 163 de 2015 e 164 de 2014. O recorde anterior, desde 2006, ano em que o Boulevard começou a fazer esse acompanhamento, havia sido 165 em 2007. Os motivos determinantes para esse aumento são a inauguração do novo Cine Banguê, que vem servindo filmes que não passam nos demais cinemas, e alguma diversidade no Cinépolis e no Cinespaço.

THE REVENANT

1 – O REGRESSO, de Alejandro González Iñarritu

Iñarritu é um diretor que arrisca muito em suas narrativas, nem sempre com sucesso. Mas quando acerta, entrega coisas belas como este O Regresso, a jornada selvagem e espiritual de um homem em busca de outro que o deixou para morrer, aós ter sido atacado por um urso. A interpretação visceral de Leonardo DiCaprio foi, com toda a justiça, premiada com o Oscar, o Globo de Ouro, o SAG e o Bafta. Crítica no Boulevard

Elle - 03

2 – ELLE, de Paul Verhoeven

Isabelle Huppert matadora, para variar, em um filme desconcertante e doentio – Paul Verhoeven sendo Paul Verhoeven. Isabelle é uma mulher fria e cerebral que é estuprada dentro de casa por um mascarado e lida ao seu modo com a possibilidade de um novo ataque.

Aquarius - 06

3 – AQUARIUS, de Kléber Mendonça Filho

Sônia Braga é a única moradora que restou em um antigo prédio que uma construtora quer demolir. Mas ela luta pelo direito de preservar suas memórias afetivas. Uma bela defesa de que coisas – como discos ou um apartamento – podem não ser apenas “coisas”.

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4 – ZOOTOPIA – ESSA CIDADE É O BICHO, de Byron Howard e Rich Moore

No que parecia apenas mais uma sátira de bichinhos se comportando como seres humanos, desenrola-se uma imaginação bem cuidada de como seria essa cidade levando-se em consideração as características dos animais antropomorfizados, uma história policial instigante e uma crítica surpreendente e dura aos preconceitos de quem se acha o mocinho.

Spotlight - 01

5 – SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS, de Tom McCarthy

Com uma história que tinha tudo para mergulhar no melodrama, essa trama que conta a investigação jornalística que expôs o escândalo de pedofilia da Igreja de Boston é contida e precisa em sua narrativa. Crítica no Boulevard

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6 – CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL, de Anthony Russo e Joe Russo

Um filme de super-heróis que reflete sobre si mesmo, sobre o gênero e seus personagens. E coloca os dois personagens principais do universo cinematográfico da Marvel com o peso dramático acumulado em todos estes anos e filmes.

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7 – A BRUXA, de Robert Eggers

Famílias isoladas à mercê do sobrenatural não são exatamente uma novidade, mas este filme consegue imprimir um clima opressor e tanto. Crítica no Boulevard

Cinco Gracas - 03

8 – CINCO GRAÇAS, de Deniz Gamze Ergüven

Cinco irmãs jovens e cheias de vida vítimas de um tio que as prende em casa e as obriga a casamentos arranjados. O filme nos leva a procurar tanto quanto elas uma saída.

Filho de Saul - 03

 

9 – FILHO DE SAUL, de Lázló Nemes

Filmado quase todo em close, é uma experiência que nos faz acompanhar de perto o drama pesado e doloroso de um homem que tenta impedir que o filho morto seja incinerado pelo nazistas. Ao menos isso.

ARRIVAL

 

10 – A CHEGADA, de Denis Villeneuve

Uma ficção científica que recusa a pirotecnia e celebra o poder da comunicação. Denis Villeneuve evoca o Spielberg de Contatos Imediatos do Terceiro Grau.

+ 10: A Grande Aposta, de Adam McKay; Deadpool, de Tim Miller; Mia Madre, de Nanni Moretti; Café Society, de Woody Allen; Sully, o Herói do Rio Hudson, de Clint Eastwood; Rogue One – Uma História Star Wars, de Gareth Edwards; Star Trek – Sem Fronteiras, de Justin Lin; Carol, de Todd Haynes; Jogo do Dinheiro, de Jodie Foster; Animais Fantásticos e Onde Habitam, de David Yates.

***

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MAIS RETROSPECTIVA 2016:

Mulher-Maravilha - 07

Choque de realidade: Gal Gadot em “Mulher-Maravilha”

‘MULHER-MARAVILHA’
Estrelas-03 e meia juntas-site

O universo da DC Comics é muito caro pra mim. São os super-heróis da minha infância, são os cânones dos quais todos os outros são derivados (por aproximação ou oposição). São os modelos primordiais. Por isso tem doído bastante vê-los tão maltratados nos quadrinhos e no cinema. Desisti dos quadrinhos quando a editora tentou enfiar goela abaixo aquela coisa triste chamada “Novos 52”. E no cinema, um festival de tranqueiras tentando montar aos trancos e barrancos um universo compartilhado, como o que a Marvel construiu (com bem mais paciência e inteligência).

Isto posto, a alegria de constatar que conseguiram fazer de Mulher-Maravilha um filme. E não um amontoado de ideias ruins ou mal executadas, como os três exemplares anteriores desse universo compartilhado.

A ambientação na I Guerra Mundial provou-se um grande acerto. Nascida e criada na idílica Themiscyra (antes conhecida como Ilha Paraíso), povoada só por amazonas e isolada do mundo, Diana (Gal Gadot) socorre o aviador Steve Trevor (Chris Pine) que cai ali. E toma conhecimento da guerra que está consumindo o mundo. E decide deixar a ilha para ajudar acabar com a guerra no “mundo dos homens”.

A partir daí, o filme combina um humor leve ancorado na estranheza com que a princesa amazona vê os costumes do mundo de 1918 – especificamente em Londres. As roupas, o papel da mulher na sociedade, ver um bebê (o último em sua ilha havia sido ela mesma).

Ao entrarmos na guerra, Diana vai tomando contato com as complexidades da humanidade. Mesmo que o filme trate várias delas de leve, é quando ele cresce: o sofrimento de pessoas humildes, o racismo, não poder salvar a todos, as mortes gratuitas. Em certa medida, um índio diz que seu povo “foi morto pelo povo dele”, referindo-se ao branco Trevor, aliado de ambos. Como compreender coisas assim? O filme lida muito bem com o impacto disso na personagem.

O mundo é meio o inimigo, e isso compensa um pouco as fragilidades dos vilões do filme. Danny Huston faz o que pode, mas seu personagem é pobre e não ajuda. E, quando o deus Ares se revela, nunca convence, nem seu estratagema. Pior, a sequência final direciona desnecessariamente o filme para o simplismo quando ele navegava bem em mares mais complexos. Também parece um clímax de combate grandioso posto ali meio que por obrigação.

A espanhola Elena Anaya, como a Doutora Veneno, se sai melhor fazendo um tipo propositalmente caricato, mas o filme não a aproveita bem. Sua participação é bem menor do que poderia.

Mas, enfim, o filme também se vale bem do carisma de Gal Gadot e Chris Pine e da boa química entre eles. Há um clima de romance bem conduzido, equilibrando bem com o humor e as cenas de ação.

Cenas de ação, aliás, que exageram nas câmeras lentas: nenhuma amazona pode dar um pulo sequer que para no ar. Esses momentos são incontáveis, de bonitos tornam-se logo banais e repetitivos e, curiosamente, só dão um descanso justamente no combate final.

Felizmente, a construção da personagem é que é o motor do filme: quando ela destrói uma torre para parar um atirador alemão que ataca seu grupo e surge depois lá em cima, é difícil não ver que ali está a Mulher-Maravilha. Em termos de DC no cinema, ultimamente, isso já é muita coisa.

Mulher-Maravilha. Wonder Woman. Estados Unidos, 2017. Direção: Patty Jenkins. Roteiro: Allan Heinberg, baseado em história de Heinberg, Zack Snyder e Jason Fuchs. Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen, Robin Wright, Danny Huston, Elena Anaya, David Thewlis, Saïd Taghmaoui, Ewen Bremner, Eugene Brave Rock, Lucy Davis, Lilly Aspell.

Coluna Cinemascope (#9). Correio da Paraíba, 16/11/2016.

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“Mestres do Universo” (1987)

Há (quase) 30 anos

por Renato Félix

Todo mundo tem duas primeiras vezes no cinema: a primeira vez em que foi levado pelos pais (ou um tio, ou algum outro adulto) e a primeira vez em que foi por si mesmo (sozinho ou com amigos) e com seu próprio dinheiro (da mesada, economizado do lanche da escola, ou mesmo dado pelos pais). Esta minha “segunda primeira vez” no cinema vai completar 30 anos em 2017.

Foi no antigo Cine Municipal, na época o maior em atividade na cidade, com seus  mais de 900 lugares. O filme, no entanto, não é nada para se orgulhar muito: Mestres do Universo, aquela versão em carne-e-osso do He-Man, com Dolph Lundgren, produzida pela Cannon. Não exija muito, eu tinha 13 anos.

O IMDb me diz que o filme estreou no Brasil em 30 de junho, então é provável que julho tenha sido o mês em que peguei meu dinheirinho (economizado do lanche), fui de ônibus à tarde ao Municipal, no Centro de João Pessoa, assisti o filme e voltei pra casa. No ano seguinte, fui ver mais uns três ou quatro filmes e em 1989 a sala escura me pegou de vez.

Mas 1988 também foi um ano que definiu o cinema para mim. Foi o ano em que vi pela primeira vez um Indiana Jones (o primeiro), um Jornada nas Estrelas (o segundo), um James Bond (Os Diamantes São Eternos, com Sean Connery). Todos na TV, na Tela Quente, que foi lançada em março de 1988 (o filme de estreia foi O Retorno de Jedi, que também vi pela primeira vez aí).

Mas tem uma data que não consigo precisar: foi no reveillón de 1987 ou de 1988 que Cantando na Chuva foi exibido como primeiro filme do ano na Globo? Sozinho em casa, o filme transformou uma virada de ano super tranquila em um maravilhamento que me abriu as portas do cinema clássico. Até hoje meu filme preferido e um definidor de quem sou hoje.

FOTO: Mestres do Universo (1987)

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Coluna Cinemascope (#7). Correio da Paraíba, 2/11/2016.

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“Doutor Estranho” (2016)

 

Super-heróis, lado B

por Renato Félix

Quando eu era ainda um menino e via os filmes do Super-Homem com Christopher Reeve ainda na primeira dublagem brasileira na TV preto-e-branco dos meus pais, nunca imaginei que veria uma época como esta: vários filmes de super-heróis por ano, não raro muito bons e com chance até para personagens que não são aqueles mais populares entre não-leitores.

Naquela época, eu ainda estava começando a ler gibis do gênero (lia o Batman de Neal Adams e Denny O’Neill, basicamente, e logo viria O Cavaleiro das Trevas, Watchmen, que mudariam tudo nas HQs de heróis). De filmes, só havia mesmo os do Super-Homem. Fora isso, os heróis só apareciam de carne-e-osso em séries de TV em geral sofríveis. O Batman de Tim Burton em 1989 apareceu como honrosa exceção nos cinemas.

A coisa mudou mesmo quando X-Men – O Filme se tornou um grande sucesso em 2000 (eu sei, teve Blade pouco antes, mas que não-leitor já ouviu falar de Blade?). Homem-Aranha (2002) consolidou o gênero em ascensão. E Homem de Ferro (2008) deu o ponta-pé nos filmes interligados da Marvel.

E, com eles, a Marvel se tornou uma marca tão conhecida dos não-leitores que passou a ser avalista até de filmes de heróis pouco conhecidos além das páginas dos gibis. O garoto daqueles tempos, os anos 1980, nunca imaginaria assistir a um filme do Homem-Formiga, do Deadpool, dos Guardiões da Galáxia…

Ou Doutor Estranho, que teve pré-estreia com toda a pompa nesta madrugada, e já entra em horários à tarde nesta quarta em JP, Campina e Patos, embora a estreia oficial seja só na quinta. Quem sabe no futuro o público não-leitor acabe íntimo de personagens como o Homem-Elástico (da DC) ou da Ms. Marvel (da Marvel)?

FOTO: Doutor Estranho (2016)

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Coluna Cinemascope (#2). Correio da Paraíba, 28/9/2016.

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“Superman II – A Aventura Continua” (1980)

Final aberto: você decide

por Renato Félix

Outro dia revi Superman II e me lembrei da questão interessante envolvendo os três kryptonianos do filme. Questão que ficou adormecida durante mais de 30 anos (até ser despertada pela infame cena de O Homem de Aço, 2013), aparentemente com cada espectador guardando para si o que achava: eles morrem ou não?

Você lembra: depois que o trio de vilões perde seus poderes, é jogado em um fosso na Fortaleza da Solidão, base do herói no Ártico. Somem na névoa (que está bem próxima à beira) ao cair e não voltam ao filme depois disso.

O filme deixa esse final dos personagens em aberto, deixando que o espectador imagine o desfecho. E aí preenchemos muitas vezes com elementos que trazemos conosco. Acostumados a filmes onde James Bond (ou Rambo ou Schwarzenegger) matam bandidos sem culpa, não chega a ser supresa que se faça a associação automática: os vilões sumiram de cena, logo morreram.

No entanto, é preciso colocar esse processo condizente com a narrativa do filme. Teria aquele Super-Homem, de Christopher Reeve, matado a sangue frio três indivíduos sem poderes – e depois agir como se nada tivesse acontecido? Acho que não. Logo, o desfecho dos vilões teria que ser outro, dos muitos possíveis na situação que o filme deixou em aberto.

Há diversos outros exemplos, ainda mais intrigantes: Shane morre ou não no fim de Os Brutos Também Amam (1953), qual o destino que Tom Hanks vai tomar na encruzilhada final de Náufrago (2000)? Quais os problemas dos filhos que Marty vai encontrar no futuro depois do fim de De Volta para o Futuro (1985)? Bom, esse é um final aberto que a parte II explicou.

Em tempo: há uma edição exibida apenas na TV nos EUA que mostra policiais do Ártico prendendo Lex Luthor e os kryptonianos. Logo, não morreram.

FOTO: Superman II – A Aventura Continua (1980)

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Assim como treino é treino e jogo é jogo, trailer é trailer e filme é filme. Mas não posso deixar de dizer que esse trailer de Homem-Aranha – De Volta ao Lar me passa a melhor das impressões. Um visual simples e direto, economizando nas firulas e com bom destaque para os personagens (mais que aos efeitos). Robert Downey Jr. marcando ótima presença e Michael Keaton assumindo de vez o Birdman (ele faz o vilão Abutre). Estreia no Brasil em 6 de julho.

por Renato Félix

Não é uma atualização (ainda). É a mesma lista que foi publicada aqui no blog em 2014, mas reunida em um mesmo infográfico. Abaixo dele, a lista dos filmes, só com o texto. Lembrando que a lista não reflete a minha opinião: é uma combinação da média ponderada das avaliações dos usuários do IMDb e das cotações do Metacritic e do Rotten Tomatoes, sites que compilam avaliações dos críticos americanos.

A partir do 50º lugar, a lista indica opções de leitura referentes ao filme em questão. Como foi feito em 2014, pode haver naturais desatualizações e, claro, não inclui os filmes de 2014 para cá, que ficam para uma futura nova lista.

Detalhes e a lista parte a parte? Clique aqui.

Ranking completo 3

 

Os 100 primeiros:

1 – Persépolis (2007)
2 – Batman, o Cavaleiro das Trevas (2008)
3 – O Fantasma do Futuro (1995)
4 – Anti-Herói Americano (2003)
5 – Azul É a Cor Mais Quente (2013)
6 – Ghost World – Aprendendo a Viver (2001)
7 – Guardiões da Galáxia (2014)
8 – Superman – O Filme (1978)
9 – Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)
10 – O Castelo de Cagliostro (1979)
11 – Nausicaa – A Princesa do Vale dos Ventos (1984)
12 – Homem-Aranha 2 (2004)
13 – Homem de Ferro (2008)
14 – Charlie Brown e Snoopy (1969)
15 – Expresso do Amanhã (2013)
16 – X-Men – Dias de um Futuro Esquecido (2014)
17 – Cor da Pele: Mel (2012)
18 – Superman II (1980)
19 – Volte para Casa, Snoopy (1972)
20 – Akira (1988)
21 – Os Vingadores – The Avengers (2012)
22 – Marcas da Violência (2005)
23 – O Reino dos Gatos (2002)
24 – Batman – A Máscara do Fantasma (1993)
25 – Capitão América 2 – O Soldado Invernal (2014)
26 – Batman Begins (2005)
27 – Oldboy (2003)
28 – Death Note (2006)
29 – Hellboy II – O Exército Dourado (2008)
30 – Homem-Aranha (2002)
31 – Metropolis (2001)
32 – MIB – Homens de Preto (1997)
33 – Sin City, a Cidade do Pecado (2005)
34 – Contos do Além (1972)
35 – Estrada para Perdição (2002)
36 – Death Note – The Last Name (2006)
37 – X-Men 2 (2003)
38 – X-Men – Primeira Classe (2011)
39 – O Corvo (1994)
40 – Asterix e Obelix – Missão Cleópatra (2002)
41 – Gen Pés Descalços (1983)
42 – Scott Pilgrim contra o Mundo (2010)
43 – Batman – O Retorno (1992)
44 – Lobo Solitário – Espada da Vingança (1972)
45 – Ping-Pong (2002)
46 – Meus Vizinhos, os Yamada (1999)
47 – Hellboy (2004)
48 – Kick-Ass – Quebrando Tudo (2010)
49 – X-Men – O Filme (2000)
50 – As Aventuras de Tintim (2011)
51 – V de Vingança (2005)
52 – As Múmias do Faraó (2010)
53 – Batman, o Homem-Morcego (1966)
54 – Mind Game (2004)
55 – Homem de Ferro 3 (2013)
56 – A Família Addams 2 (1993)
57 – Batman (1989)
58 – Capitão América, o Primeiro Vingador (2011)
59 – Frango com Ameixas (2011)
60 – Superman – O Retorno (2006)
61 – Os Sem-Floresta (2006)
62 – O Espetacular Homem-Aranha (2012)
63 – Sakuran (2006)
64 – Nana (2005)
65 – Flash Gordon (1980)
66 – Dredd (2012)
67 – Noé (2014)
68 – O Fantasma do Futuro 2 – A Inocência (2004)
69 – Creepshow – Show de Horrores (1982)
70 – Thor (2011)
71 – O Procurado (2008)
72 – RED – Aposentados e Perigosos (2010)
73 – O Máskara (1994)
74 – Homem de Ferro 2 (2010)
75 – Sparks (2013)
76 – Gainsbourg, o Homem que Amava as Mulheres (2010)
77 – Perigo: Diabolik (1968)
78 – Homens de Preto III (2012)
79 – Wolverine Imortal (2013)
80 – O Incrível Hulk (2008)
81 – Watchmen – O Filme (2009)
82 – Barbarella (1968)
83 – O Palácio Francês (2013)
84 – O Retorno de Tamara (2010)
85 – A Família Addams (1991)
86 – Thor – O Mundo Sombrio (2013)
87 – Transformers (2007)
88 – Conan, o Bárbaro (1982)
89 – 300 (2006)
90 – Dose Dupla (2013)
91 – Dick Tracy (1990)
92 – Rocketeer (1991)
93 – Homem-Aranha 3 (2007)
94 – Quase Super-Heróis/ Heróis Muito Loucos (1999)
95 – X-Men – O Confronto Final (2006)
96 – O Homem de Aço (2013)
97 – Heavy Metal – Universo em Fantasia (1981)
98 – Do Inferno (2001)
99 – O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro (2014)
100 – Blade II – O Caçador de Vampiros (2002)

 

 

Batman V. Superman: Dawn Of Justice

Batman vs. Superman – A Origem da Justiça, o primeiro encontro no cinema dos  dois principais super-heróis dos quadrinhos, é um filme cheio e vazio ao mesmo tempo.  É soterrado por referências a histórias clássicas dos personagens, mas faltou uma história que as ligasse bem. É repleto de ideias de tramas, mas não consegue desenvolver razoavelmente bem uma sequer.

Com Zack Snyder novamente na direção, os personagens da DC Comics voltam a sofrer com a mão pesada do diretor (como O Homem de Aço já havia sofrido em 2013). Dedicado a imprimir um visual de impacto, Snyder é muito pobre de narrativa – suas câmeras lentas em excesso e gratuitas já viraram uma marca do diretor, mas uma marca negativa.

Criatividade também não é o seu forte: ele tem fervor em copiar grandes momentos dos gibis, mas não em transformá-los em grandes momentos cinematográficos. Basicamente, fica na xerox. Aqui, há citações de Batman, o Cavaleiro das TrevasCrise nas Infinitas TerrasA Morte do Super-Homem e outras, mas parecem espalhadas a esmo.

Várias só farão sentido lá na frente, nos próximos filmes e se revelam incompreensíveis para quem não é íntimo do material original nos quadrinhos. E um pouco disso também vale para as cenas brevíssimas em que aparecem outros heróis (Flash, Ciborgue e Aquaman), algo tão gratuito que, se retirado do filme, não faria a menor falta.

E quando Snyder inventa, se sai ainda pior. O exemplo mais claro aqui é o Lex Luthor vivido por Jesse Eisenberg, uma “atualização” que o transformou em um sub-Mark Zuckerberg (que Eisenberg interpretou em A Rede Social, vocês sabem).

Atualização, aliás, em termos. Depois de leitores de HQ chatos reclamarem por anos a fio do Luthor cômico de Gene Hackman nos filmes do Super-Homem dos anos 1970/ 1980, e de sua releitura por Kevin Spacey em Superman – O Retorno, este filme traz um… Luthor engraçado? Ainda não deu para entender qual a intenção do filme com isso.

O filme não é uma perda total. Há um ou outro momento interessante, ou, como está no começo do texto, premissas boas mal desenvolvidas. O conflito central entre Batman e Superman é pífio. A explicação não convence e a luta em si menos ainda, acontecendo por um motivo tolo e podendo ser evitada por uma frase banal.

Sem falar na já famosa resolução do conflito, uma originalmente boa sacada totalmente desperdiçada por falta de um roteiro minimamente inteligente: uma palavra dita de maneira incrivelmente forçada resolve o assunto e muda o status de “ameaça à humanidade” para “amigo”. Acabou virando piada (e com justiça, é uma cena péssima). Essa pressa está presente em muitos momentos, e pode refletir o excesso de ideias (e seu mal aproveitamento). O desfecho do filme, por exemplo, usa uma carta grande como uma ejaculação precoce.

Curiosamente, a vontade de ser épico o leva a uma contradição: mesmo com a pressa, a edição não sabe como terminar o filme, com alguns incômodos “falsos finais” até a verdadeira cena final.

Em termos de representação dos personagens, o Super-Homem é um caso perdido. O que foi feito em O Homem de Aço se reflete da pior maneira aqui: um personagem apático o tempo inteiro. O Batman de Ben Affleck é decente, e chega a ter alguns momentos muito bons, mas equilibrado com outros totalmente sem brilho (sem falar que é enrolado com muita facilidade e seus motivos para rivalizar com o Super-Homem são muito frágeis). A Mulher-Maravilha é um dos bons momentos do filme – Gal Gadot convence, talvez porque apareça pouco, e dá esperanças para seu filme solo.

Batman vs. Superman insiste em querer ser “sério”, mas só consegue ser sisudo e baixo astral. É preciso lembrar que não há de errado em um filme de super-heróis querer ser sério. Nem leve. Há excelentes exemplares de um lado (Batman, o Cavaleiro das TrevasCapitão América – O Soldado Invernal) e de outro (Homem de FerroOs Vingadores – The Avengers). Mas de um lado ou de outro há que se contar uma boa história. E isso Batman vs. Superman – A Origem da Justiça não faz.

Batman vs. Superman – A Origem da Justiça. Batman v. Superman – Dawn of Justice. Estados Unidos, 2016. Direção: Zack Snyder. Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Jesse Eisenberg, Diane Lane, Laurence Fishburne, Jeremy Irons, Holly HUnter, Gal Gadot, Michael Shannon, Ezra Miller, Jason Momoa.

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Famosos ‘quem?’

A Marvel já aposta em seu lado B no cinema - e se dá bem

A Marvel já aposta em seu lado B no cinema – e se dá bem

No começo de Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, Estados Unidos, 2014; em cartaz em JP, CG e Patos), um personagem é preso é se apresenta com um dos codinomes mais pomposos do universo: “Starlord”. Mas a resposta é “Quem?” e, consciente ou não, isso dá o parâmetro de como essa nova produção com personagens da Marvel foi recebida pelos não iniciados na HQ, enquanto o filme ia sendo divulgado.

Também é uma demonstração, de saída, de que o filme vai combater isso com muito bom humor. E funciona: ninguém precisa saber nem de longe quem são Peter Quill (ou o tal Starlord, vivido por Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax, o Destruidor (Dave Bautista), Rocket (um guaxinim com voz de Bradley Cooper) e Groot (uma árvore ambulante com voz de Vin Diesel – cuja única fala é “I am Groot” repetidas vezes) para se interessar pelos personagens depois de apresentados e de firmada a relação entre eles.

Certamente, uma sacada que ajuda a aproximar o espectador é a abdução de Quill ainda criança nos anos 1980, mantendo as referências de seu tempo muito vivas com ele 20 anos depois, no espaço. Em vez das sinfonias de John Williams dando o suporte épico para viagens espaciais, a trilha desfila sucessos antigões com o pretexto de estarem na fita k7 que Quill leva consigo: de “Hooked on a feeling”, com Blue Swede, a “I want you back”, com o Jackson 5, canção esta que não deixa de apostar no desejo do público por uma continuação (que os créditos já fazem questão de anunciar). Assim, quando um local estranho e soturno é desbravado por Quill nos créditos de abertura, ele dançar ao som de “Come on and get your love”, do Redbone, deixa a plateia em casa, mesmo que a história seja nos confins do espaço.

O descompromisso com muita profundidade dramática e a determinação de não se levar a sério acabam ajudando bastante. Depois da ótima abertura, o filme patina um pouco até engrenar de novo, mas boas piadas conseguem sempre manter o nível. No fim, quando o mesmo personagem do começo (Djimon Hounsou que, como Glenn Close, não tem nada a fazer em termos de atuação aqui) reencontra Quill e o chama de Starlord, é sinal de que nós espectadores também já devemos saber também quem ele é.

Guardiões da Galáxia. (Guardians of the Galaxy). EUA, 2014. Direção: James Gunn. Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Djimon Hounsou, John C. Reilly, Glenn Close, Beniicio del Toro. Vozes: Bradley Cooper, Vin Diesel.

* Versão estendida de crítica publicada em julho no Correio da Paraíba.

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O lenga-lenga é o inimigo

Andrew Garfield e Emma Stone: a relação entre Peter e Gwen ainda segura o filme

Andrew Garfield e Emma Stone: a relação entre Peter e Gwen ainda segura o filme

Uma boa história de super-heróis começa com um bom vilão? Se começar, está aí um dos principais motivos para O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro (The Amazing Spider-Man 2, EUA, 2014) ter ficado tão aquém do poderia ter sido. São três vilões neste filme e nenhum chega a empolgar: Electro, o principal, chega a ser constrangedor.

Não é culpa de seu intérprete, Jamie Foxx, mas de uma construção de personagem digna dos Batmans dirigidos por Joel Schumacher. Max Dillon é um cientista retraído ao nível que quase pedir desculpas por existir. Quando o Homem-Aranha o salva um dia, fica obcecado. Aí um acidente dá a ele poderes elétricos, ele vira o Electro e…

Além dele, Paul Giamatti deve ter se divertido como Rino, mas o personagem não diz a que veio – está lá só para ser um criminoso genérico e estereotipado. E o Harry Osborn/ Duende Verde de Dane DaHaan tem o momento mais impactante do filme, mas só esse. Mesmo que se saiba que o personagem voltará no terceiro filme, para este ele foi subutilizado: não há um bom desenvolvimento para chegarmos à tal cena impactante (e esperada por quem conhece bem a história do Aranha nos quadrinhos). Isso, sem falar na mediocridade que foi reservada a Norman Osborn – que, com ou sem fantasia, tradicionalmente é o maior inimigo do Aranha.

O ponto forte do filme acaba emergindo da relação de Peter Parker (Andrew Garfield) e Gwen Stacy (Emma Stone). Os dois conseguem ser um ponto positivo até mesmo com o fragilíssimo dilema estabelecido no final do primeiro filme – o de que Peter fez a promessa ao moribundo pai de Gwen de se afastar da namorada para protegê-la. Não convence em momento algum a crise interna do personagem sobre manter ou não o relacionamento com a garota, o que só atrapalha a boa química entre Garfield e Emma, que é o que ainda sustenta o filme.

Também é boa a participação de Sally Field como a Tia May, embora o lenga-lenga a respeito dos pais de Peter continue levando muito mais tempo do que merecia (nenhum). Com o final desse assunto no filme, espera-se que o terceiro da série esteja de uma vez por todas livre dessa ideia que só foi usada para tentar diferenciar um pouco mais esta série da dirigida por Sam Raimi e se provou bem supérflua.

É também verdade que o herói gozador enervando os criminosos foi um fator que a trilogia de Raimi ficou devendo e, nesta nova série, é resgatado (e neste filme, particularmente, é melhor usado que no primeiro). Mas O Espetacular 2 ainda fica medindo ombros com a série anterior, mudando elementos para que não se torne uma refilmagem do que já foi feito e, nessas mudanças, sempre sai perdendo.

O Espectacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro. (The Amazing Spider-Man 2). Estados Unidos, 2014. Direção: Marc Webb. Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Jamie Foxx, Dane DeHaan, Sally Field, Paul Giamatti, Felicity Jones, Embeth Davidtz, Campbell Scott.

Sensação de maravilhamento: Margot Kidder e Christopher Reeve em "Superman - O Filme"

Sensação de maravilhamento: Margot Kidder e Christopher Reeve em “Superman – O Filme”

“Você me pegou? E quem pega você?”, pergunta uma atônita Lois Lane ao desconhecido que a apanhou, voando, no ar, quando ela despencava do alto do prédio do Planeta Diário. É simplesmente a primeira aparição pública do Super-Homem em Superman – O Filme (1978), um prodígio de narrativa cinematográfica (dentro da cena e si e ela dentro do contexto do filme como um todo), combinação de todos os efeitos especiais disponíveis na época, o grande carisma de Christopher Reeve e Margot Kidder, a música de John Williams e o humor de frases como “Espero que isso não tire seu medo de voar. Estatisticamente é a maneira mais segura de viajar”. Uma sensação de maravilhamento que provavelmente nunca haverá igual em um filme de super-heróis.

Superman – O Filme (1978), dirigido por Richard Donner; roteiro de Mario Puzo, David Newman, Leslie Newman e Robert Benton (e Tom Mankiewicz, não creditado), baseado nos personagens de Jerry Siegel e Joe Shuster.

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Para não ser uma peça de museu

Capitão América (Evans) e a Vipuva Negra (Scarlett): o herói tenta compreender o mundo atual sem perder seus valores

Capitão América (Evans) e a Viúva Negra (Scarlett): o herói tenta compreender o mundo atual sem perder seus valores

O primeiro Capitão América da Marvel Studios, em 2011, usou muito bem a ambientação anos 1940 da história da origem do personagem. Com o diretor Joe Johnston, evocou o sabor de aventuras antigas com um ótimo resultado final. O desfecho, porém, já era no século XXI, em ligação com Os Vingadores – The Avengers (2012). O segundo, Capitão América 2 – O Soldado Invernal (Captain America – The Winter Soldier, EUA, 2014), conseguiu a proeza de adaptar muito bem o herói para uma aventura na atualidade.

O filme começa situando Steve Rogers (Chris Evans), em Washington, e não por acaso, já que é a sede do governo americano. É uma bonita e significativa sequência em que ele dá uma corrida em torno do espelho d’água que liga o Monumento a Washington ao Memorial de Lincoln e faz amizade com o ex-aviador Sam Wilson (Anthony Mackie). Rogers, é bom lembrar, não tem identidade secreta: Wilson reconhece logo que se trata do Capitão América (e é uma ótima representação do herói Falcão, parceiro de longa data do Capitão nas HQs e um dos poucos heróis negros de destaque nos quadrinhos).

A rotina é logo interrompida por uma beldade em um carrão: a Viúva Negra (Scarlett Johansson), que o busca para mais uma missão a serviço da organização SHIELD, bastante secreta até para quem trabalha para ela. Até aí, o filme também já tratou de situar Rogers como um homem ainda precisando se adaptar a um tempo que não é o seu. Por enquanto, no que diz respeito a referências culturais (ele precisa anotar sobre Guerra nas Estrelas e Marvin Gaye em um caderninho) e maneira de lidar com as mulheres (tema de conversa com a colega agente).

Mais tarde, essa inadequação vai se fazer mais presente, e de maneira mais geral, na contraposição entre um herói “antiquado” que vê (ou se esforça para continuar vendo) as coisas em termos claros de certo e errado (como na II Guerra, onde o “errado”, pelo menos, era fácil de reconhecer) e um mundo que insiste em dizer a ele que já não é bem assim, com certo e errado se embaralhando.

Isso é temperado pelo surgimento do Soldado Invernal (Sebastian Stan), um assassino supereficiente que está disposto a macular para valer a agência. Muita coisa nessa história vai remeter ao passado do Capitão, passado emblematizado numa bonita sequência de uma exposição sobre sua história no museu (sequência que também serve bem para contextualizar a história toda para quem está chegando agora).

O filme dos irmãos Anthony e Joe Russo mostra exatamente o herói tentando não se tornar uma peça de museu, mas ainda mantendo seus valores e ideais (caminho pelo qual O Homem de Aço deveria ter seguido e não o fez). O Capitão América é um sujeito simples e direto em um mundo complexo e ambíguo, mas em nenhum momento pensa em se deixar dobrar.

Os irmãos diretores, incrível, não comandavam um filme desde 2006 – a comédia ruim Dois É Bom, Três É Demais. Desde então, se dedicaram à TV, principalmente à série Community, para a qual dirigiram 21 episódios. Em Capitão América 2, eles abandonaram o clima de seriado dos anos 1940, que Joe Johnston imprimiu em O Primeiro Vingador, e optaram por aproximar o filme dos thrillers políticos dos anos 1970, o que funcionou muito bem.

Talvez não seja por acaso a presença de Robert Redford, portanto, que dá peso extra a um filme de super-heróis e que ajuda na construção da nova atmosfera. Embora, claro, com o molho dos filmes de ação bem século XXI. O filme vai dosando esses momentos com o Capitão superando seguidos desafios até a reta final. Aí, há muito movimento e barulho, como esperado, mas, felizmente, nada que ofusque a história.

E a ação se dirige a um ponto em que, em boa medida, não se sabe mais quem é aliado ou inimigo, e rumos importantes do universo Marvel nos cinemas são sensivelmente alterados (atenção para a cena pós-créditos, primeira menção a um certo tipo importante de personagem que ainda não havia aparecido nos filmes do Marvel Studios). Em um ponto onde os filmes de super-heróis poderiam estar saturados, Capitão América 2 – O Soldado Invernal mostra que dá para misturar o “à moda antiga” e a “modernidade”.

Capitão América 2 – O Soldado InvernalCapitain America – The Winter Soldier. Estados Unidos, 2014. Direção: Anthony Russo, Joe Russo. Elenco: Chris Evans, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson, Robert Redford, Sebastian Stan, Anthonie Mackie, Cobie Smulders, Emily VanCamp, Hayley Atwell, Toby Jones, Stan Lee. Voz: Gary Sinise.

Com muito atraso – mas é melhor do que faltar – os 10 títulos mais esdrúxulos de 2012, entre os filmes exibidos em João Pessoa em 2012. Lembrando mais uma vez: adaptar o título de um filme para a cultura nacional não é um crime, às vezes é realmente necessário, e pode ser feito com inteligência. Não é bem o caso aqui…

Cada um Tem a Gemea que Merece-02 Cada um Tem a Gemea que Merece-01

1. Cada um Tem a Gêmea que Merece – A velha história: o título brasileiro tem que ser engraçado senão o público burrinho não percebe que é uma comédia – assim parece pensar as distribuidoras. Jack and Jill, os nomes dos personagens de Adam Sandler naquele que foi considerado um dos piores filmes do ano pela nossa eleição anual, virou um trocadalho do qual alguém deve ter inacreditavelmente rido na reunião de marketing da Columbia.

Vingador do Futuro-02 Vingador do Futuro-01

2. O Vingador do Futuro – Aqui a culpa nem é da Columbia. Afinal, já que a refilmagem é produzida se escorando no sucesso que o filme fez no passado, que sentido faria mudar o título brasileiro, mesmo que ele fosse uma chupada cara-de-pau de O Exterminador do Futuro, que o Schwarzenegger tinha estrelado antes? Aqui, Scharwa não está, Colin Farrell não fez O Exterminador do Futuro e o título faz menos sentido ainda – a não ser pela ligação com o anterior, mesmo que o discurso oficial de qualquer refilmagem é que ela deve “ser vista como uma obra independente”. A semiótica explica…

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3. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge – Como é? “Ressurge”? Deve ser a primeira vez que essa palavra é usada em um título de filme no Brasil. “A ascensão do Cavaleiro das Trevas” não chega a ser bom, mas traz muito mais significado ao filme, hein, Warner?

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4. 007 – Operação Skyfall – Historicamente, os títulos originais da série James Bond não usam o 007. Isso é coisa do Brasil. Até aí, tudo bem, nada contra. Como lidar com isso quando o título original é um nome próprio é que são elas. Às vezes, joga-se um “contra” (Goldfinger vira 007 contra Goldfinger; Octopussy vira 007 contra Octopussy), inventa-se algo meio genérico (Moonraker vira 007 contra o Foguete da Morte; Thunderball vira 007 contra a Chantagem Atômica). O que aconteceu com Skyfall, na Columbia, é, no mínimo, curioso: o título não é nem de perto o nome de uma “operação” do agente 007.

Piratas Pirados-02 Piratas Pirados-01

5. Piratas Pirados! – Mais uma dos traduzidores brasileiros tentando ser engraçadinhos no título. O pior é que The Pirates! – Band of Misfists (ou algo como “Os Piratas! – Bando de Desajeitados”) já era engraçado. Mas pra quê sutileza britânica?  (aliás, o título na Inglaterra era The Pirates! In an Adventure with Scientists, o que mais tinha realmente a ver com o filme). No Brasil, ficou o trocadalho – obra da Columbia, já pela quarta vez na lista.

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6. Tinker Bell – O Segredo das Fadas – São dois pontos, e o primeiro é uma questão de princípios: a mudança do nome da personagem Sininho para Tinker Bell. Este é o terceiro longa animado da série estrelada pela personagem saída de Peter Pan e o primeiro a passar nos cinema daqui. O primeiro chegou a ser anunciado nos DVDs com “você sabe o nome dela: Sininho – O Filme“. De repente, ninguém mais sabia o nome dela porque ele foi mudado. A Disney fez isso com o Ursinho Puff/ Pooh, com Caco, o Sapo/ Kermit e daqui a pouco vamos ter que chamar o Pateta de Goofy. O outro ponto é que, sendo todos os personagens fadas, o segredo não é exatamente “das fadas”. Mas, sim, “das asas”, como diz o título original.

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7. Tudo pelo Poder – Vá lá, “Os idos de março” pode ser culturalmente elitista demais para a plateia comum – afinal, é uma citação a Julio Cesar, de Shakespeare. Mas precisava ir para o lado da banalização total, como fez a California…

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8. Battleship – A Batalha dos Mares – A ideia do filme já é ridícula: adaptar para um blockbuster de ação o jogo Batalha Naval – aquele que a geração pré-iPod jogava nos cadernos da escola e o Bozo fazia com o amiguinho de casa pelo telefone. A titulação nacional da Universal esqueceu totalmente que o jogo já tinha um título consagrado no Brasil. Ou não? Alguém iria mesmo assistir um filme porque é baseado naquele jogo? Ou, na verdade, fugiria dele? Então, vamos deixar o título em inglês, pra parecer mais importante, né? E arrematamos com um subtítulo que, redudantemente, diz quase o mesmo que o título em inglês.

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9 . Os Vingadores – The Avengers – Dos mesmos autores de Ponto Final – Match Point e de Tempo de Violência – Pulp Fiction… Qual o sentido de se colocar o título original como subtítulo do filme? Claro que é a Disney querendo familiarizar o nome em inglês do grupo para que, quando o consumidor encontre na loja o produto com o nome “Avengers” saiba do que se trata (que é o mesmo processo de chamar a Sininho de Tinker Bell). Mas pra quê no subtítulo, se em DVD e na TV paga a ordem mudou para The Avengers – Os Vingadores? É redundante, ok, mas é menos estranho.

Lorax - Em Busca da Trufula Perdida-02 Lorax - Em Busca da Trufula Perdida-01

10. O Lorax – Em Busca da Trúfula Perdida – Se não bastasse ninguém saber o que é um lorax – o livro do Dr. Seuss é desconhecido por aqui – ainda enfiaram a tal trúfula perdida. Não vou ao google saber o que é uma trúfula, desculpa aí, Universal.

Os títulos mais esdrúxulos de 2011 <<

— MAIS RETROSPECTIVA 2012:

Eleição Melhores do AnoMeus melhores do ano
As musas de 2012
50 filmes não exibidos nos cinemas de JP em 2012

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Um novo Super-Homem. Mas melhor?

Henry Cavill (Super-Homem) e Amy Adams (Lois Lane): a culpa não é deles

Henry Cavill (Super-Homem) e Amy Adams (Lois Lane): a culpa não é deles

O cinema vive uma época de dessacralizar seus mitos: as reinvenções perderam o receio de mexer demais com os ícones e versões mais ousadas são incentivadas pelos estúdios. A ação de mudar não é boa ou má em si mesma. Às vezes dá certo, como na trilogia do Cavaleiro das Trevas, dirigida por Christopher Nolan. E às vezes não, como em O Homem de Aço (Man of Steel, EUA, 2013).

Após a trilogia dedicada ao Batman, o roteirista David S. Goyer e Christopher Nolan (aqui como produtor e co-autor do argumento) se debruçaram sobre o outro grande herói da DC, o Super-Homem – apenas dando a direção a Zack Snyder. As ousadias da equipe em Batman Begins (2005) resultaram no primeiro filme que mostrava exemplarmente quem era o Homem-Morcego e por que ele fazia o que fazia e daquela maneira (a despeito do bom trabalho de Tim Burton em seus dois Batmans e considerando que os dois seguintes de Nolan foram levando Batman a um tipo de filme à margem das aventuras de super-heróis). O Homem de Aço, ao contrário, parece simplesmente não compreender bem o herói que põe na tela.

O Super-Homem há muito tempo é um herói difícil de se lidar, em qualquer mídia. Acertar o tom com ele é difícil, mas não impossível (a série animada de Bruce Timm e Paul Dini ou a minissérie em HQ As Quatro Estações são bons exemplos mais ou menos recentes). É um personagem que se sustenta em valores “antiquados” ou “fora de moda”, que contrastam com heróis mal encarados e sombrios, muito em voga atualmente. A tentação em “modernizá-lo”, torná-lo mais “profundo” é grande e muitos não resistem a ela.

Superman – O Retorno (2006), por exemplo, já havia equilibrado mal esses elementos. O filme de Bryan Singer já havia simbolicamente escurecido o azul e o vermelho do uniforme do super-herói. Nele, o personagem sofria porque sua amada Lois Lane estava com outro e porque, com sua superaudição, ouvia sempre os pedidos de ajuda, mas nem sempre podia atendê-los. Em O Homem de Aço, também simbolicamente, essas cores do uniforme chegam muito próximas da escuridão total – e o amarelo do escudo no peito sumiu. É um reflexo do desequilíbrio quase total do filme nesse aspecto.

Com a mão pesada de sempre de Zack Snyder, há pouquíssimo espaço para romance ou humor em O Homem de Aço. O sentimento que domina o filme é o medo. Repare que, na construção do personagem, não há quase nada que mostre sua ligação afetiva com o mundo adotivo – nem mesmo seus pais terráqueos (vividos por Kevin Costner e Diane Lane) encontrando a nave com o bebê e decidindo ficar com ele.

Depois do prólogo longo demais passado em Krypton, já encontramos Clark Kent garoto, na escola, começando a sentir seus superpoderes, e apavorado com isso. Daí pra frente, o que se vê são Jonathan e Martha Kent sempre com medo de tudo, insistindo para que Clark não mostre suas capacidades em público – nem mesmo para salvar crianças de um ônibus escolar da morte certa.

Este é o Super-Homem “pós-11 de setembro” que Snyder tenta emplacar. Onde a tônica é o medo do estrangeiro. Para isso, antes mesmo de Clark aparecer como o super-herói, já surge uma invasão alienígena dos remanescentes do planeta destruído dele. O general Zod (Michael Shannon) e sua turma chegam à Terra em busca de Kal-El (o nome kryptoniano do Super-Homem) por causa de um McGuffin: o pai biológico depositou no DNA do filho um dispositivo que poderia trazer à vida vários embriões kryptonianos e, assim, fazer o povo renascer em outro lugar, etc., etc.

Pela lógica de O Homem de Aço, portanto, antes de ser um herói da Terra, o Super-Homem é “um deles”. De vez em quando ele diz “eu cresci aqui no Kansas”, mas o filme não o ajuda a convencer muito. Os flashbacks da infância e juventude do herói em Smalville deveriam servir para isso, mas, embora bem cuidadas, também não ajudam tanto. Começam bem com a infância do personagem, mas desandam na juventude e culminam na constrangedora e indefensável cena do destino final de Jonathan Kent.

Essa inversão do roteiro – os alienígenas primeiro, a aparição do herói depois – torna totalmente inconvincente qualquer aceitação do Super-Homem pelos habitantes da Terra (vulgo Metrópolis). Tão inconvincente quanto o romance entre o herói e Lois Lane (Amy Adams, correta), que não tem tempo algum de ser desenvolvido e parece brotar do nada. Ou ter sido posto lá por obrigação, como tudo o que envolve o personagem de Perry White (Laurence Fishburne): suas cenas em meio à destruição de Metrópolis poderiam ser retiradas do filme sem prejuízo algum. Laurence não está sozinho: a ótima Diane Lane também não tem muito a fazer.

A culpa não é do ator, Henry Cavill, que faz o que pode. Snyder tem a sua parcela, claro, apesar de aqui estar quase totalmente despido de suas maneirices mais óbvias e supérfluas. Mas ele encontra outras: este filme tem os voos mais mal filmados da história do Super-Homem – e não por incompetência, mas por “decisão criativa”, o que talvez seja ainda pior. Nada pode estar no céu que é filmado como se um cinegrafista amador estivesse tentando ajustar o foco. Estilo documental? Bem, estilo é coisa pra se usar nos momentos adequados. Snyder, mestre do exagero, acha que descobriu a roda e – como as alterações de velocidade das cenas em outros de seus filmes – usa sem parar o recurso.

Foi de Snyder também a decisão de roteiro mais polêmica do filme (e pule este parágrafo se não quiser saber o que é). O diretor deu declarações justificando na base da “modernização”, do Super-Homem para os “novos tempos”, a decisão de fazer o personagem assassinar Zod no final do filme. Disse que o roteiro foi desenhado para não dar alternativas ao personagem: além de não ser verdade, é chamar os espectadores de burros por supostamente não imaginarem que uma página rabiscada no dia da filmagem já poderia ter alterado a cena. E finaliza dizendo que o Super-Homem que surge após esta cena é “um Super-Homem que nunca vimos antes”. Bem, não um Super-Homem melhor. E, em termos mais filosóficos, poderíamos muito bem dizer que se trata de outro personagem, não o Super-Homem.

A dita cena – criada apenas para chocar a plateia – é o ápice de uma hora final interessada apenas no barulho e na destruição em larga escala. Conta-se nos dedos os momentos em que o Super-Homem salva diretamente alguém – a não ser que seja alguém caindo próximo a ele. É este o herói para os “novos tempos”? O roteiro de Goyer tem outras soluções de roteiro lamentáveis (entre eles, a aparição do uniforme do herói lembrando um dos piores momentos de Batman & Robin, 1997; e Lois Lane sendo convocada para a nave e depois o filme esquecendo de explicar o porquê).

A vontade de “fazer algo diferente”, de causar um sensacionalismo ao fazer uma versão radical do super-herói base para todos os outros, de não repetir o tom romântico-dramático de Superman – O Retorno e de seguir a moda dos heróis sombrios era tanta que a equipe deste O Homem de Aço não percebeu que Batman e Super-Homem são heróis diferentes e que elementos que funcionam para um podem não funcionar para o outro. É um problema de conceito. E aí  o que começa errado desde o conceito dificilmente acerta mais à frente.

O Homem de Aço (Man of Steel, EUA, 2013). Direção: Zack Snyder. Elenco: Henry Cavill, Amy Adams, Michael Shannon, Kevin Costner, Russell Crowe, Diane Lane, Laurence Fishburne, Antje Traue, Ayelet Zurer.

Batman-Serial

O Homem-Morcego chegou ao cinema pela primeira vez há 70 anos, em 1943, com o seriado em episódios Batman. Em 15 capítulos, naquele estilo “continua na próxima semana”, tinha Lewis Wilson como Batman e Douglas Croft como Robin. Eram os tempos da II Guerra Mundial e o vilão era um certo Dr. Daka, um agente japonês. Foi nesse seriado que surgiu a Batcaverna, com a entrada secreta pelo grande relógio na mansão Wayne. Fez muito sucesso: teve uma continuação em 1949 e foi relançado, em 1965, e esse relançamento foi tão popular que acabou inspirando a mitológica série de TV Batman.

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