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THOR – RAGNAROK
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 34

Chanchada em Asgard

Toda vez que revejo sempre gosto muito de Thor – Ragnarok. Há uns exageros, mas tem muita coisa que me diverte muito. Sobretudo a esplendorosa Cate Blanchett, mostrando mais uma vez o que uma grande atriz pode fazer num papel de vilã, e Jeff Goldblum, divertidíssimo.

Agitado, colorido, muito bem-humorado, meio iconoclasta, o filme também mostra que há uma variedade de estilos dentro do amarradinho universo cinematográfico da Marvel. Há filmes mais sérios, mas também chanchadas deliciosas como essa.

Onde ver: DVD, blu-ray, Disney +.

Thor – Ragnarok, 2017.
Direção: Taika Waititi. Elenco: Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett, Mark Ruffalo, Tessa Thompson, Idris Elba, Jeff Goldblum, Karl Urban, Anthony Hopkins, Benedict Cumberbatch

LIGA DA JUSTIÇA DE ZACK SNYDER
⭐½
Diário de Filmes 2021: 36

Egotrip sem freios

Na primeiríssima cena do corte de Liga da Justiça que esteve nos cinemas em 2017, o Super-Homem é visto pela lente de um celular, filmado por algumas crianças que fazem algumas perguntas ao herói após um salvamento. Meio constrangido, ele reserva um tempinho para responder as perguntas. Além da boca esquisita de Henry Cavill (que tentou eliminar em CGI o bigode que o ator ostentava na ocasião), saltava aos olhos o reencontro da plateia com um personagem que fazia tempo não era visto no cinema: o Super-Homem.

Aquele Super-Homem, pelo menos, e não a versão carrancuda que Zack Snyder imprimiu em O Homem de Aço e Batman vs. Superman. Aquele personagem da abertura de Liga era uma novidade neste universo compartilhado da DC no cinema, e foi fruto direto da troca de comando na direção do filme (a trilha de Danny Elfman até resgatou de leve o tema clássico de John Williams).

Como quase todo mundo sabe, Snyder teve que sair do projeto antes de conclui-lo para lidar com uma tragédia pessoal. A Warner chamou Joss Whedon para terminar o filme, na expectativa de, no fim, ter algo mais próximo ao clima dos dois Vingadores que Whedon dirigiu.

Ele fez o que deu pra fazer com o material que tinha. Não foi muito.

O resultado foi meio uma criatura de Frankenstein, um remendo que terminou não sendo nem um filme padrão de Snyder (que mesmo assim continuou tendo a assinatura solo como diretor), nem um filme de Whedon (que é creditado apenas como co-roteirista). Era um filme meio esquizofrênico, que brigava consigo mesmo o tempo todo.

Mas Zack Snyder tem um grupo de fãs ruidosos, que logo fez campanha para ver o “corte original” do diretor (que não existia, visto que ele não havia editado nada). Snyder abraçou a campanha, fez seu lobby e conseguiu o aval da Warner para fazer sua montagem mais pessoal, com o estúdio de olho em dar um gás em seu serviço próprio de streaming.

Então, a primeira coisa a considerar é: Liga da Justiça de Zack Snyder é a versão original do diretor? A resposta é “não”.

É a visão dele combinando o que pretendia no começo mais suas ideias após ver a versão finalizada por Whedon (o que achou que deu certo, o que achou que deu errado, inclusive sobre o que ele mesmo tinha feito). E ainda o que mais resolveu fazer sabendo que, sendo uma produção para o streaming e não para o cinema, poderia entregar um filme com mais tempo de duração.

Daí, chegamos às 4 horas e dois minutos de duração. O Poderoso Chefão – Parte II (1974) tem 3h22. Ben-Hur (1959) tem 3h32. Lawrence da Arábia (1962) tem 3h48. …E o Vento Levou (1939) tem 3h58. É evidente que no caso de Liga não é para tanto: essas 4h02 são de um diretor sem freio algum para sintetizar o próprio filme. Uma viagem sem volta a uma egotrip.

Faltou limite e o filme se confia no fato de que, já que é para o streaming mesmo, o público pode assisti-lo como minissérie, se quiser. O novo Liga é até dividido em capítulos, para facilitar essa opção.

É claro que há ganhos nessa metragem maior que a da outra versão. Notadamente para o personagem Ciborgue, que ganhou uma história mais detalhada e com peso dramático maior. Também o Flash recebeu alguns momentos melhores.

E, considerando o remendo que é a outra versão, esta é, sem dúvida, mais coerente. É decorrência direta e lógica de O Homem de Aço e Batman vs. Superman. Agora, se isso faz dela um filme melhor, são outros quinhentos. Porque ser uma decorrência lógica, nesse caso, implica em também mergulhar em tudo o que os dois filmes anteriores têm de problemáticos. Snyder é fiel a seu – digamos assim – estilo: tons cinzas e marrons, caras emburradas e infinitas câmeras lentas, que são o que o diretor realmente acredita que dão intensidade dramática a um filme.

Então tem coisas melhores que a versão finalizada por Whedon? Sim. Tem coisas piores? Tem, também.

Visto de uma vez, é um filme interminável. Isso é quase literal: conclui, por assim dizer, com um epílogo inacreditável de longo, que empilha cenas sem parar depois de a história ter acabado. Não só aí, mas pelo meio do filme também brotam cenas e personagens inúteis, enxertados apenas para a alegria dos leitores que vão reconhecê-los dos quadrinhos.

O maior exemplo disso é o Caçador de Marte. Um personagem bem menos conhecido (se não for quase desconhecido) por quem não é leitor da DC, ausente da versão de Joss Whedon e que aparece em duas cenas que não dizem nada. Pelo contrário, o espectador fica se perguntando por que, afinal, ele não toma parte da ação, já que estava por ali.

O que ficou de fora foi tudo o que Whedon filmou a mais para dar uma levantada no astral da outra versão. Por exemplo, o momento em que o Super-Homem deixa momentaneamente de lutar com o vilão para – vejam só – salvar diretamente pessoas em perigo.

Para Zack Snyder, tendo em vista os filmes anteriores e esta versão, salvar pessoas é um inconveniente. O pouco interesse do Super-Homem em salvar pessoas no meio da destruição do quebra-pau em Metrópolis, em O Homem de Aço, virou piada, mas o diretor não aprendeu com isso.

Agora, a solução de Snyder para evitar novos memes é convenientemente localizar a ação do clímax e do combate com o vilão em uma área desabitada. Na versão de Whedon, há moradores ali, inocentes que precisam ser protegidos e ajudados. Agora – que confortável – não é preciso salvar ninguém e os heróis podem se concentrar naquilo que interessa de verdade ao diretor: a troca supostamente épica de sopapos com o vilão da vez.

Uma coisa importante a levar em conta é que o pior da Liga de Whedon (com exceção da boca esquisita de Henry Cavill) já estava no que Zack Snyder tinha feito até sair do projeto. E está de volta.

O Batman, por exemplo, recruta o Aquaman e o Flash no começo do filme. Mas faz isso como Bruce Wayne (!), revelando de primeira sua identidade secreta a desconhecidos. A ideia já é ridícula por si só, mas a construção das cenas torna tudo ainda pior: parece que só importou o momento de efeito (Barry Allen pegando o batarangue que Bruce Wayne atira e descobrindo, assim, que Wayne é o Batman), mas a construção da cena para chegar lá é feita de qualquer jeito.

Darkseid, vilão icônico da DC, criação de Jack Kirby que fez história até nos Superamigos, foi vendido como uma grande novidade dessa nova versão, mas não rende 10% do anunciado. Só age em flashback e sonhos. Na hora H, ainda temos que nos contentar mesmo é com o Lobo da Estepe.

Ou seja: o grande vilão de Liga da Justiça de Zack Snyder continua sendo um capanga, um personagem da quarta divisão da DC Comics, com carisma zero e sem uma motivação minimamente interessante. Aliás, tanto Darkseid quanto seu ajudante, e também os cenários sem qualquer verdade, parecem ter saído direto de um videogame.

E, por fim, ainda tem esse formato 4:3, quase quadrado, como os das TVs antigas, um troço injustificável. Foi justificado como uma “opção artística” do diretor porque se aproxima da tela imax. Mas, francamente… no streaming? Parece só mais um entre tantos caprichos gratuitos do diretor com essa versão.

Onde ver: Google Play, Looke, AppleTV, YouTube.

Zack Snyder’s Justice League, 2021.
Direção: Zack Snyder. Elenco: Ben Affleck, Gal Gadot, Ezra Miller, Jason Momoa, Ray Fisher, Henry Cavill, Amy Adams, J.K. Simmons, Jeremy Irons, Willem Dafoe, Jesse Eisenberg, Robin Wright, Connie Nielsen, Amber Heard, Diane Lane, Billy Crudup.

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LEIA MAIS:

Meu comentário para a CBN sobre Liga da Justiça de Zack Snyder. Tem coisas melhores que a versão finalizada por Whedon? Tem. Tem coisas piores? Tem também.

Para ouvir, clique aqui.

MULHER-MARAVILHA 1984
⭐½
Diário de Filmes 2021: 4

Não há nada de errado em um filme que pretenda ser leve, alegre, descompromissado, engraçado. Não é esse o problema do segundo filme solo da Mulher-Maravilha. Os problemas são o mau roteiro e a má direção. A nova aventura da princesa amazona estabelece contradições com que não consegue lidar, desdenha da inteligência do espectador e disfarça como humor vergonhas inaceitáveis da trama (como um poder de tornar as coisas invisíveis que, sem trocadilho, aparece do nada). Um esforçozinho em fazer as coisas um pouco mais inteligentes já melhoraria muito o filme. Do jeito que está, parece que apenas desejaram que fosse bom e pronto. Não funcionou.

Onde ver: cinemas, Now, Looke, Google Play, Apple TV, UOL Play, Vivo Play

WW84, 2019
Direção: Patty Jenkins. Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Kristen Wiig, Pedro Pascal.

20 – O HOMEM ELEFANTE (The Elephant Man)

Em preto-e-branco, David Lynch impõe um clima de horror gótico à história real do homem deformado que tenta mostrar, na Inglaterra vitoriana, que nada mais é que um ser humano.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: David Lynch. Roteiro: Christopher De Vore, Eric Bergren e David Lynch, baseado em livros de Frederick Treves e Ashley Montagu. Elenco: John Hurt, Anthony Hopkins, Anne Bancroft, John Gielgud, Freddie Jones, Wendy Hiller.

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19 – GAIJIN – OS CAMINHOS DA LIBERDADE

Tizuka Yamasaki conta a saga de um grupo de famílias japonesas que vêm tentar a vida trabalhando em uma fazenda brasileira. A dureza da imigração, geralmente contada em lentes cor-de-rosa em outras produções.
Brasil. Direção: Tizuka Yamasaki. Roteiro: Jorge Durán e Tizuka Yamasaki. Elenco: Kyoko Tsukamoto, Antônio Fagundes, Jiro Kawarazaki, Gianfrancesco Guarnieri, Álvaro Freire, Clarisse Abujamra, José Dumont, Louise Cardoso, Carlos Augusto Strasser.

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18 – EM ALGUM LUGAR DO PASSADO (Somewhere in Time)

Um filme romântico que marcou uma geração, com o Superman Reeve voltando de novo no tempo por amor. Desta vez, em sua melhor tentativa de ter uma carreira além do super-herói, ele é um personagem que vence as barreiras cronológicas para encontrar a mulher que vê numa pintura (a lindíssima Jane Seymour).
Estados Unidos. Direção: Jeannot Szwarc. Roteiro: Richard Matheson, baseado em seu romance. Elenco: Christopher Reeve, Jane Seymour, Christopher Plummer, Teresa Wright.

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17 – GENTE COMO A GENTE (Ordinary People)

Robert Redford não se escalou como ator na sua estreia na direção. Preferiu ficar só atrás das câmeras para contar a história de uma família que tenta se recuperar a morte de um filho. Amor, desamor, incomunicabilidade, depressão e um desempenho bem sensível de Timothy Hutton. Ganhou o Oscar de filme, direção e Hutton, de maneira absurda, o de ator coadjuvante quando é o protagonista do filme.
Estados Unidos. Direção: Robert Redford. Roteiro: Alvin Sargent e Nancy Dowd (não creditada), baseado em romance de Judith Guest. Elenco: Timothy Hutton, Mary Tyler Moore, Donald Sutherland, Judd Hirsch, Elizabeth McGovern, M. Emmet Walsh, Dinah Manoff.

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16 – MEMÓRIAS (Stardust Memories)

Depois de evocar Bergman em Interiores (1978), Woody Allen voltou-se para Fellini em Memórias: um diretor de cinema em crise às voltas com questões de seu passado. Mas com seus toques típicos de humor, como no encontro com alienígenas que aparecem e não só não trazem nenhuma resposta para os dilemas da humanidade como ainda dizem que gostam dos filmes dele “mas dos antigos, mais engraçados”.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Woody Allen. Elenco: Woody Allen, Charlotte Rampling, Jessica Harper, Marie-Christine Barrault, Tony Roberts, Daniel Stern.

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15 – GLORIA (Gloria)

Gloria é, aparentemente, um trabalho mais comercial do grande nome pioneiro do cinema independente: John Cassavettes. Um filme policial nas ruas de Nova York, protagonizado por uma mulher dura na queda que protege relutantemente um garoto que tem provas contra mafiosos e teve a família assassinada. O diretor foca principalmente no relacionamento entre essas duas figuras muito diferentes. Não me surpreenderia que tivesse inspirado Central do Brasil (1998).
Estados Unidos. Direção e roteiro: John Cassavettes. Elenco: Gena Rowlands, John Adames, John Finnegan.

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14 – AGONIA E GLÓRIA (The Big Red One)

O histórico diretor Samuel Fuller não aparecia assinando um filme no cinema desde 1969. Mas o retorno foi triunfal: Fuller levou suas memórias da II Guerra ao cinema. E com sua filosofia particular a respeito: um grupo de soldados com missões a cumprir e que não têm tempo nem espaço para dramalhões e questões sobre o horror das guerras. Para isso, ninguém melhor que Lee Marvin para o papel principal.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Samuel Fuller. Elenco: Lee Marvin, Mark Hamill, Robert Carradine, Bobby Di Cicco, Kelly Ward, Stéphane Audran.

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13 – O ÚLTIMO METRÔ (Le Dernier Metro)

Mais II Guerra, desta vez no cotidiano de uma companhia teatral em Paris, cujo chefe, judeu, está foragido dos nazistas. Na verdade, está escondido no porão do teatro e comanda a companhia em segredo através de sua esposa atriz. Requintada produção de Truffaut, com Deneuve divina e muito carinho pela arte dos palcos.
França. Direção: François Truffaut. Roteiro: François Truffaut e Suzanne Schiffman, com diálogos também de Jean-Claude Grumberg. Elenco: Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Jean Poiret, Jean-Louis Richard.

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12 – COMO ELIMINAR SEU CHEFE (9 to 5)

Lily Tomlin, Dolly Parton e Jane Fonda formam o grande trio que se une para a vingança contra o chefe que abusa de diferentes maneiras delas e das demais funcionárias. Por baixo da eficiente comédia, está a representação das agruras enfrentadas pela mulher no mercado de trabalho.
Estados Unidos. Direção: Colin Higgins. Roteiro: Colin Higgins e Patricia Resnick, baseado em argumento de Resnick. Elenco: Jane Fonda, Dolly Parton, Lily Tomlin, Dabney Coleman, Sterling Hayden, Marian Mercer.

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11 – KAGEMUSHA – A SOMBRA DO SAMURAI (Kagemusha)

O grande mestre Akira Kurosawa teve Coppola e George Lucas como produtores executivos para este épico suntuoso sobre um ladrão que é sósia do chefe de um clã e acaba sendo levado a assumir o posto com a morte do titular. E vai se confundindo com o papel, enquanto os eventos levam a uma gigantesca batalha, um evento real ocorrido em 1575.
Japão/ Estados Unidos. Direção: Akira Kurosawa. Roteiro: Masato Ide e Akira Kurosawa. Elenco: Tatsuya Nakadai, Tsutomo Yamasaki, Ken’ichi Hagiwara.

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10 – SUPERMAN II – A AVENTURA CONTINUA (Superman II)

Começou a ser filmado junto com Superman – O Filme (1978), teve mudança de diretor, mudança de roteiro, de tom, ator que protestou e se recusou a voltar… Mais transtornos que os causados pelos três kryptonianos que chegam à Terra para atazanar a vida do Super-Homem e fazê-lo “se ajoelhar perante Zod”. Mas ninguém pensou nisso na época, na plateia: apenas curtiu um filme vibrante, mais para o escapismo que para o tom épico do primeiro filme. Em 2006, foi lançada uma versão que aproveitava as cenas cortadas e reduzia um pouco do humor excessivo: ficou ainda melhor.
Estados Unidos/ Reino Unido/ Canadá. Direção: Richard Lester (não creditado na edição de 2006), Richard Donner (não creditado na edição de 1980). Roteiro: Mario Puzo, David Newman e Leslie Newman, com Tom Mankiewicz (não creditado), argumento de Puzo baseado em personagens de Jerry Siegel e Joe Shuster. Elenco: Christopher Reeve, Gene Hackman, Margot Kidder, Terence Stamp, Sarah Douglas, Susannah York (na edição de 1980), Jackie Cooper, Jack O’Halloran, Valerie Perrine, Ned Beatty, E.G. Marshall, Clifton James, Marc McClure, Marlon Brando (na edição de 2006).

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9 – FAMA (Fame)

As aspirações artísticas de alunos de uma escola de artes dramáticas de Nova York. A narrativa acompanha o período na escola da matrícula à formatura, como um painel ou uma crônica, sem um protagonista. Vários jovens carismáticos, ótimos momentos musicais (mesmo que não haja números musicais tradicionais). Entre os temas: dilemas artísticos, os problemas familiares, a relação com os professores, decisões equivocadas, medos, questões sociais. Rendeu uma série de TV que durou de 1982 a 1987 e teve alguns atores do filme repetindo seus papéis.
Estados Unidos. Direção: Alan Parker. Roteiro: Christopher Gore. Elenco: Irene Cara, Barry Miller, Gene Anthony Ray, Lee Currieri, Paul McCrane, Maureen Teefy, Antonia Franceschi, Laura Dean, Gene Anthony Ray.

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8 – PIXOTE A LEI DO MAIS FRACO

Hector Babenco aparece no começo do filme fazendo uma introdução sociológica sobre as comunidades pobres das periferias brasileiras. De quebra, apresenta seu ator protagonista, o pequeno Fernando Ramos da Silva, oriundo daquela comunidade. Como Pixote, ele se agiganta numa odisseia marginal comovente com diversos degraus, como uma passagem por um reformatório e a relação com uma prostituta (Marília Pêra, em grande desempenho). Visto hoje, é impossível adicionar ao filme a camada do trágico fim do ator, que participou de alguns assaltos, e acabou morto aos 19 anos por policiais (demitidos depois por fraude processual, nesse caso em particular).
Brasil. Direção: Hector Babenco. Roteiro: Hector Babenco e Jorge Durán, baseado em livro de José Louzeiro. Elenco: Fernando Ramos da Silva, Gilberto Moura, Jorge Julião, Edilson Lino, Marília Pêra, Jardel Filho, Rubens de Falco, Elke Maravilha, Toni Tornado, Beatriz Segall, Ariclê Perez.

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7 – VESTIDA PARA MATAR (Dressed to Kill)

Um dos grandes exemplares de Brian de Palma em seu modelo homenagem-a-Hitchcock. Uma garota de programa testemunha um crime e começa a ser perseguida pela assassina misteriosa. A vítima é Angie Dickinson, cliente do psicanalista vivido por Michael Caine. Nancy Allen, linda demais, é a prostituta, em seu melhor momento no cinema. Os ecos de Psicose (1960) são muito fortes – tem até cena do chuveiro.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Brian De Palma. Elenco: Michael Caine, Nancy Allen, Keith Gordon, Angie Dickinson, Dennis Franz.

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6 – OS IRMÃOS CARA DE PAU (The Blues Brothers)

Personagens de um quadro do Saturday Night Live, a banda The Blues Brothers lançou um disco em 1978 e protagonizou seu próprio filme dois anos depois. Com John Landis no leme, o filme reuniu um dream team do blues em participações (Aretha Franklin, Ray Charles, James Brown, Cab Calloway, John Lee Hooker), numa história louquíssima em que a banda é reunida para a missão divina de salvar um orfanato, fugindo da polícia, valentões caipiras e neonazistas. Kathleen Freeman (histórica coadjuvante dos filmes de Jerry Lewis), a supermodelo Twiggy e até Steven Spielberg também fazem pontas.
Estados Unidos. Direção: John Landis. Roteiro: John Belushi e Dan Aykroyd. Elenco: John Belushi, Dan Aykroyd, Cab Calloway, John Candy, James Brown, Carrie Fisher, Henry Gibson, Ray Charles, Aretha Franklin, Kathleen Freeman, John Lee Hooker, Pee-Wee Herman, Twiggy, Frank Oz, Steven Spielberg, Chaka Khan, Murphy Dunne, Tom Malone, Matt Murphy, Steve Cropper, Donald Dunn, Willie Hall, Lou Marini, Alan Rubin, Charles Napier, John Landis.

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5 – BYE BYE BRASIL

Uma odisseia bufa pelo interiorzão do Brasil, seguindo uma trupe de artistas pé-de-chinelo: a Caravana Rolidei e seus tipos pitorescos, liderados pelos personagens de José Wilker e Betty Faria. Um road movie mambembe, tão mambembe quanto o próprio país que ele desbrava.
Brasil. Direção: Carlos Diegues. Roteiro: Carlos Diegues e Leopoldo Serran. Elenco: José Wilker, Betty Faria, Fábio Jr., Zaira Zambelli, Príncipe Nabor, Carlos Kroebber, Joffre Soares.

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4 – O ILUMINADO (The Shining)

Stephen King, autor do livro original, já reclamou da versão de Stanley Kubrick para o cinema. Problema dele. O filme é envolvente, tem um clima de desconforto realçado também pelo uso da steady-cam pelos corredores do hotel vazio (e, no fim, pelo labirinto). E cenas que extraem as vísceras de seus atores, principalmente Jack Nicholson e Shelley Duvall.
Reino Unido. Direção: Stanley Kubrick. Roteiro: Stanley Kubrick e Diane Johnson, baseado em romance de Stephen King. Elenco: Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd, Scatman Crothers, Barry Nelson.

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3 – APERTEM OS CINTOS! O PILOTO SUMIU… (Airplane!)

“Precisamos pousar o avião. Esta mulher precisa ser levada a um hospital”. “Hospital?! Mas o que é??”. “É um prédio grande e branco com pacientes, mas isso não é importante agora”. Apertem os Cintos! é uma joia brilhante e aloprada, que pega um filme-catástrofe metido a sério de 1957 (Entre a Vida e a Morte) e o refilma como a mais louca das comédias até então. Os atores interpretam todos com a maior seriedade os diálogos mais absurdos e os trocadilhos mais infames. É uma esculhambação genial.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker, baseado em roteiro anterior de Hall Bartlett, John C. Champion e Arthur Hailey. Elenco: Robert Hays, Julie Hagerty, Leslie Nielsen, Lloyd Bridges, Peter Graves, Robert Stack, Kareem Abdul-Jabbar, Lorna Patterson.

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2 – O IMPÉRIO CONTRA-ATACA ou STAR WARS – EPISÓDIO V: O IMPÉRIO CONTRA-ATACA (The Empire Strikes Back ou Star Wars Episode V: the Empire Strikes Back)

Qual terá sido a reação das primeiras plateias do segundo Guerra nas Estrelas à cena capital do filme, “Não, Luke. Eu sou seu pai”? O capítulo do meio da primeira trilogia é, praticamente um consenso, o melhor da série. Passa a maior parte do tempo dividido em duas subtramas: Han Solo, Leia e os andróides fugindo do Império; e Luke Skywalker encontrando o mestre Yoda para virar de vez um jedi. Muito bem equilibrado entre movimento e emoção.
Estados Unidos. Direção: Irvin Kershner. Roteiro: Leigh Brackett e Lawrence Kasdan, com argumento de George Lucas. Elenco: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Alec Guinness, Billy Dee Williams, Anthony Daniels, David Prowse, Kenny Baker, Peter Mayhew, Jeremy Bulloch, Julian Glover, Treat Williams. Vozes: James Earl Jones, Frank Oz, Clyde Revill.

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1 – TOURO INDOMÁVEL (Raging Bull)

Diz que Scorsese foi assistir a uma luta de boxe e ficou apavorado: “Não tenho a menor ideia de como filmar esse negócio!”. Era a preparação para Touro Indomável, projeto para onde foi praticamente empurrado pelo velho amigo Robert De Niro. De alguma forma, ele encontrou seu jeito. Em preto-e-branco, com a câmera dentro do ringue, sangue e suor, a explosão de violência como válvula de escape de um homem patético e confuso que só consegue se expressar através justamente da violência.
Estados Unidos. Direção: Martin Scorsese. Roteiro: Paul Schrader e Mardik Martin, com Joseph Carter e Peter Savage, baseado na autobiografia de Jake LaMotta. Elenco: Robert De Niro, Cathy Moriarty, Joe Pesci, Frank Vincent, Nicholas Colasanto, John Turturro, Martin Scorsese.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

Doutor Estranho - 20

DOUTOR ESTRANHO (Scott Derrickson, 2016)
⭐½
Diário de Filmes 2019: 39

Com um herói então pouco conhecido fora do círculo de leitores de quadrinhos, Doutor Estranho introduziu elementos místicos no universo cinematográfico da Marvel. Visualmente, o filme é bem interessante, mesmo que o andamento da trama não fuja muito do padrão. Mas a solução final é engenhosa. Depois de conferir Vingadores — Guerra Infinita e Vingadores — Ultimato, é interessante revisitar este filme e ver sementes plantadas: a joia do tempo e o conceito de multiverso.

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CAPITÃO AMÉRICA — GUERRA CIVIL (Anthony Russo e Joe Russo, 2015)
1/2
Diário de Filmes 2019: 30

Guerra Civil é um dos pontos altos do universo cinematografico da Marvel. Estabelece um conflito entre os super-heróis partindo de uma diferença ideológica: se os heróis devem ou não ser controlados pelos governos. As questões pessoais agravam as tensões, envolvendo, pelo lado do Capitão, a fidelidade ao velho amigo Bucky, acusado de matar um estadista, e, pelo lado do Homem de Ferro, as dores do assassinato do pai no passado. Aqui, antes do conflito há muita discussão e impasse, e peso dramático no conflito. Ninguém quer brigar, mas ninguém vai parar de brigar porque a mãe tem o mesmo nome da mãe do outro.

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VINGADORES — ULTIMATO (Anthony Russo e Joe Russo, 2019)

Diário de Filmes 2019: 28

O filme responde bem a tanto mistério e expectativa. É também um dos raros casos em que quanto menos informação o espectador tiver sobre a trama, melhor (então, se preferir, pare agora, antes desta pequena análise). O que se desenhava como um grande contra-ataque contra o vilão Thanos é subvertido logo no início. O filme faz os personagens viverem o luto e joga apressadamente um plot de viagem no tempo que força um pouco a barra, mas o que acontece nela é tão divertido e engenhoso na auto-homenagem, e há surpresas tão boas como a importância da Nebulosa na trama, que não é tão difícil deixar pra lá soluções narrativas fáceis demais, contradições e o sumiço forçado de uma personagem problemática como a Capitã Marvel. Há desfechos comoventes e, sobretudo, muito respeito aos dois personagens centrais dessa saga: o Homem de Ferro e o Capitão América.

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VINGADORES — GUERRA INFINITA (Anthony Russo e Joe Russo, 2018)

Diário de Filmes 2019: 27

O épico que reúne quase todos os heróis do universo cinematográfico da Marvel tem muita coisa e muita gente para dar conta, por isso é uma grande correria, na qual não há muito tempo para considerações psicológicas ou contextualizações detalhadas. A exceção fica basicamente para o vilãozão Thanos, que quer erradicar metade dos seres vivos do universo num estalar de dedos, quando possuir todas as joias do infinito em sua manopla poderosa. Ramificado em quatro linhas narrativas simultâneas, é frenético, intenso e consegue manter a personalidade dos personagens egressos de seus próprios filmes. 

OS 20 MELHORES DE 1989

Faca a Coisa Certa - 03

1 — FAÇA A COISA CERTA (Do the Right Thing)

O caldeirão multicultural em Bed-Stuy está fervilhando no dia mais quente do ano e a intolerância racial está em ebulição. Lee, em seu quarto longa, traça um mosaico complexo e sem resolução fácil, sustentado por personagens marcantes. Seu filme termina com citações de Martin Luther King e Malcolm X, historicamente líderes que lutavam pela mesma causa, mas divergiam sobre o uso da violência.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Spike Lee. Elenco: Danny Aiello, Spike Lee, John Tuturro, Rosie Perez, Sameul L. Jackson, Ossie Davis, Ruby Dee, Bill Nunn, Martin Lawrence, John Savage.

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When Harry Met Sally2 — HARRY E SALLY, FEITOS UM PARA O OUTRO (When Harry Met Sally…)

O filme que redefiniu a comédia romântica tem um quê de inspiração em Woody Allen, brinca com o documentário (com atores interpretando depoimentos de histórias que, na verdade, são reais), tem diálogos ótimos (como a discussão sobre existir ou não amizade entre homem e mulher), momentos de improviso (a cena imortal do orgasmo fingido no restaurante foi sugestão de Meg Ryan; a fala final dessa cena foi sugestão de Billy Crystal), telas divididas espertas (homenageando Indiscreta, 1958, e Confidências à Meia-Noite, 1959). A trama é a do homem e da mulher que se detestam à primeira vista, depois ficam amigos, depois se apaixonam.
Estados Unidos. Direção: Rob Reiner. Roteiro: Nora Ephron. Elenco: Billy Crystal, Meg Ryan, Carrie Fisher, Bruno Kirby.

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Ilha das Flores

3 — ILHA DAS FLORES

Histórico curta que começa bem-humorado ao narrar a trajetória de um tomate através de hiperlinks com fatos históricos e científicos (técnica narrativa que fez sucesso de novo anos depois em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) e personagens fictícios (o fazendeiro que cria os tomates, o quitandeiro que vende, a dona de casa que compra e cozinha). Para, no fim, dar um belo soco de realidade.
Brasil. Direção e roteiro: Jorge Furtado. Narração: Paulo José.

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Dead Poets Society (1989) Directed by Peter Weir Shown: Robin Williams

4 — SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS (Dead Poets Society)

Robin Williams em todas as suas potencialidades cômicas e dramáticas num filme sobre o poder transformador da arte. Filme obrigatório também sobre a arte de ensinar.
Estados Unidos. Direção: Peter Weir. Roteiro: Tom Schulman. Elenco: Robin Williams, Ethan Hawke, Robert Sean Leonard, Josh Charles, Norman Lloyd.

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Splendor-11

5 — SPLENDOR (Splendor)

Lançado meses depois de Cinema Paradiso, foi meio eclipsado pelo filme de Tornatore, mas é outro grande filme sobre o amor ao cinema. E o final ainda é citação direta de A Felicidade Não Se Compra.
Itália/ França. Direção e roteiro: Ettore Scola. Elenco: Marcello Mastroianni, Massimo Troisi, Marina Vlady.

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THE LITTLE MERMAID 3D

6 — A PEQUENA SEREIA (The Little Mermaid)

O filme que simboliza a renascença da Disney, após um período de filmes de pouco sucesso. O estúdio retornou à seara das princesas com algumas atualizações, caprichou na animação deslumbrante do fundo do mar e nas canções, com as ótimas “Part of your world” e “Kiss the girl” e a maravilhosa “Under the sea”.
Estados Unidos. Direção e roteiro: John Musker, Ron Clements. Vozes na dublagem original: Jodi Benson, Pat Carroll, Kenneth Mars.

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Indiana Jones e a Ultima Cruzada-26

7 — INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA (Indiana Jones and the Last Crusade)

Spielberg resolveu pegar mais leve na terceira parte da franquia, que volta ao esquema do primeiro: uma corrida contra os nazistas por um tesouro místico. O golpe de mestre foi incluir o pai de Indy na trama, vivido na medida por Sean Connery (e os filmes de James Bond não são o “pai” dos de Indiana Jones, afinal de contas?). Vale o destaque para o prólogo com River Phoenix vivendo o jovem Indy.
Estados Unidos. Direção: Steven Spielberg. Roteiro: Jeffrey Boam. Elenco: Harrison Ford, Sean Connery, Denholm Elliot, Alison Doody, John Rhys-Davies, Julian Glover, River Phoenix.

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Crimes e Pecados - 01

8 — CRIMES E PECADOS (Crimes and Misdemeanors)

Como em Hannah e Suas Irmãs, Woody divide o filme em drama e comédia. E de novo equilibra bem as duas tramas que se entrelaçam. Se inspirou em Crime e Castigo e voltará a isso em Match Point (2006).
Estados Unidos. Direção e roteiro: Woody Allen. Elenco: Martin Landau, Woody Allen, Anjelica Huston, Alan Alda, Mia Farrow, Claire Bloom.

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Henrique V - 1989 - 02

9 — HENRIQUE V (Henry V)

Em seu primeiro filme como diretor, Branagh mostrou uma grande força criativa e narrativa nesta adaptação da peça de Shakespeare. A sequência da batalha de Azincourt é um grande momento, onde o ufanismo que Laurence Olivier usou como tom no filme de 1944 é trocado pela tragédia.
Reino Unido. Direção e roteiro: Kenneth Branagh. Elenco: Kenneth Branagh, Ian Holm, Brian Blessed, Emma Thompson, Derek Jacobi.

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Sexo Mentiras e Videotape - 01

10 — SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE (Sex, Lies and Videotape)

Em um período onde o cinema independente não aparecia com tanto destaque, o filme de Soderbergh mostrou a força criativa que existia fora dos grandes estúdios.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Steven Soderbergh. Elenco: James Spader, Andie MacDowell, Peter Gallagher, Laura San Giacomo.

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Tempo de Gloria - 02

11 — TEMPO DE GLÓRIA (Glory)

A história do primeiro pelotão de soldados negros na Guerra Civil Americana, e o preconceito que enfrentaram até de seu próprio exército.
Estados Unidos. Direção: Edward Zwick. Roteiro: Kevin Jarre. Elenco: Matthew Broderick, Denzel Washington, Cary Elwes, Morgan Freeman.

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De Volta para o Futuro - Parte 2 - 12

12 — DE VOLTA PARA O FUTURO — PARTE II (Back to the Future — Part II)

O divertidíssimo segundo filme tem três momentos: mostra o futuro prometido no final do primeiro, depois volta a 1985 alterado (como o mundo em que George não existiu em A Felicidade Não Se Compra, 1946) e volta a 1955, onde a nova trama tem momento de interseção com a do primeiro filme. Engenhoso e com efeitos especiais que hoje, na era do CGI, são corriqueiros, mas foram surpreendentes na época.
Estados Unidos. Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: Robert Zemeckis e Bob Gale. Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Thomas F. Wilson, Elisabeth Shue, Billy Zane, Elijah Wood.

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Arquitetura da Destruicao - 01

13 — ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO (Undergângens Arkitektur)

O ideal estético do nazismo, da raça pura e da arte “não degenerada”, é analisada nesse excelente documentário. A visão estética deformada do III Reich se refletiu em sua odiosa política higienista, onde a ideia de uma “arte degenerada” refletia o preconceito com doentes mentais e uma obsessão com uma suposta pureza que gerou o Holocausto.
Suécia. Direção: Peter Cohen.

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Black Rain - A Coragem de uma Raca - 01

14 — BLACK RAIN — A CORAGEM DE UMA RAÇA (Kuroi Ame)

Uma visão dramática e poderosa, em preto-e-branco, da cidade de Hiroshima depois da explosão da bomba atômica jogada pelos americanos no final da II Guerra.
Japão. Direção: Shohei Imamura. Roteiro: Shohei Imamura e Toshiro Ishido. Elenco: Yoshiko Tanaka, Kazuo Kitamura, Etsuko Ichihara.

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Eu Sou o Senhor do Castelo - 01

15 — EU SOU O SENHOR DO CASTELO (Je Suis le Seigneur du Château)

Filmes com criança nem sempre são filmes infantis. Aqui, o filho do dono de uma mansão empreende uma rivalidade feroz contra o filho da empregada.
França. Direção: Régis Wargnier. Roteiro: Alain Le Henry e Régis Wargnier. Elenco: Régis Arpin, David Behar, Jean Rochefort, Dominique Blanc.

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Campo dos Sonhos - 01

16 — CAMPO DOS SONHOS (Field of Dreams)

Um dos melhores feel good movies, que aposta numa história difícil de levar a sério: um fazendeiro que ouve vozes que dizem para construir um campo de beisebol no meio de um milharal. E aí grandes jogadores do passado aparecem do além para bater uma bolinha. Mas, embarcando, é uma delícia de ver.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Phil Alden Robinson. Elenco: Kevin Costner, Amy Madigan, Ray Liotta, James Earl Jones, Burt Lancaster, Gaby Hoffmann.

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Shirley Valentine - 01

17 — SHIRLEY VALENTINE (Shirley Valentine)

Russell adapta a própria peça de sucesso, com a mesma Pauline Collins, que ganhou um Tony pelo papel: uma dona-de-casa inglesa tão solitária que dá bom dia às paredes e quebra a quarta parede para conversar com o espectador. Nada que uma viagem à Grécia não mude. Gilbert digiriu três filmes de 007 nos anos 1960 e 1970.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: Lewis Gilbert. Roteiro: Willy Russell. Elenco: Pauline Collins, Tom Conti, Joanna Lumley.

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Meu Pe Esquerdo - 06

18 — MEU PÉ ESQUERDO (My Left Foot — The Story of Christy Brown)

A história real de Christy Brown, que nasceu com paralisia cerebral e descobriu como escrever e pintando com a única parte do corpo que conseguia controlar: o pé esquerdo. O primeiro dos três Oscars de Day-Lewis.
Irlanda/ Reino Unido. Direção: Jim Sheridan. Roteiro: Shane Connaughton e Jim Sheridan. Elenco: Daniel Day-Lewis, Brenda Fricker, Alison Whelan, Fiona Shaw.

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Batman-1989-20

19 — BATMAN (Batman)

A primeira grande adaptação do Homem-Morcego para os cinemas detonou uma batmania mundial. O filme é cheio de senões (o Coringa ser responsável pela morte dos pais do Batman, pro exemplo), muita gente reclamou de Keaton como o herói, mas o Coringa de Nicholson é brilhante e Burton conseguiu impor sua marca autoral, isso não se pode negar.
Estados Unidos. Direção: Tim Burton. Roteiro: Sam Hamm, Warren Skaaren. Elenco: Michael Keaton, Jack Nicholson, Kim Basinger, Jack Palance, Billy Dee Williams.

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M8DSEOF EC020

20 — VÍTIMAS DE UMA PAIXÃO (Sea of Love)

Al Pacino encerrou um hiato de quatro anos sem um filme com esse noir moderno, em que é um policial que investiga assassinatos e se envolve com uma mulher que pode ser a culpada. Nesse papel, está Ellen Barkin, em seu papel mais memorável e sexy.
Estados Unidos. Direção: Harold Becker. Roteiro: Richard Price. Elenco: Al Pacino, Ellen Barkin, John Goodman, Michael Rooker, Richard Jenkins, William Hickey, Samuel L. Jackson.

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OS 10 PIORES

Orquidea Selvagem - 01

1 — ORQUÍDEA SELVAGEM

Uma advogada é levada a um turismo erótico pelo Rio de Janeiro por um milionário. Produtor e roteirista de 9 1/2 Semanas de Amor (1986), King tentou reproduzir o sucesso com o mesmo Mickey Rourke e a modelo Carré Otis, linda, mas inexpressiva, no lugar de Kim Basinger. O resultado foi péssimo, onde pessoas dobrando uma esquina no Rio e saindo em Salvador era o de menos.
Estados Unidos. Direção: Zalman King. Roteiro: Patricia Louisianna Knope e Zalman King. Elenco: Carré Otis, Mickey Rourke, Jacqueline Bisset, Assumpta Serna, Milton Gonçalves.

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2 — O JUSTICEIRO (The Punisher, Austrália/ Estados Unidos) Direção: Mark Goldblatt. Elenco: Dolph Lundgren, Louis Gossett Jr. Versão podreira muito longe do que a Marvel é hoje no cinema.

3 — DOIDA DEMAIS (Brasil) Direção: Sergio Rezende. Elenco: Vera Fischer, Paulo Betti, José Wilker. Aventura que tenta usar a sensualidade de Vera Fischer e não muito mais.

4 — A MOSCA II (Estados Unidos) Direção: Chris Walas. Elenco: Eric Stoltz, Daphne Zuniga. Caça-níquel total.

5 — CONDENAÇÃO BRUTAL (Lock Up, Estados Unidos). Direção: John Flynn. Elenco: Sylvester Stallone, Donald Sutherland, Tom Sizemore. Um dos piores filmes de Stallone e essa é uma escolha difícil

6 — GUERREIRO AMERICANO III (American Ninja III Blood Hunt, Estados Unidos/ Canadá/ África do Sul). Direção: Cedric Sundstrom. Elenco: David Bradley, Steve James. Essa série foi uma praga com toda a cara da produtora Golan-Globus.

7 — LOUCADEMIA DE POLÍCIA VI — CIDADE EM ESTADO DE SÍTIO (Police Academy VI City Under Siege, Estados Unidos) Direção: Peter Bonerz. Elenco: Michael Winslow, G.W. Bailey, Bubba Smith, David Graf, George Gaynes, Leslie Easterbrook, Marion Ramsey. Steve Gutenberg já tinha pulado fora dois filmes atrás e a série não aprendeu com o filme anterior que era hora de acabar.

8 — MATADOR DE ALUGUEL (Road House, Estados Unidos). Direção: Rowdy Herrington. Elenco: Patrick Swayze, Kelly Lynch, Sam Elliott, Ben Gazzara. Patrick Swayze como leão de chácara. Pior que Dirty Dancing.

9 — OS TRAPALHÕES NA TERRA DOS MONSTROS (Brasil) Direção: Flávio Migliaccio. Elenco: Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Zacarias, Angélica, Conrado, Gugu Liberato, Vanessa de Oliveira. Os Trapalhões têm filmes bons e ruins. Mas esse aqui sofre com péssimos monstrinhos (e falo também das atuações de Angélica, Conrado e Gugu).

10 — CONFUSÕES DE UM SEDUTOR (Skin Deep, Estados Unidos). Direção: Blake Edwards. Elenco: John Ritter, Vincent Gardenia, Nina Foch. Deve ser o pior filme da carreira de Blake Edwards. Ele parece ter feito esse filme antes e muito melhor.


EDIÇÕES:

Em 15/5/2020: Sai Ata-me, que entrou para a lista de 1990. Entrou Ilha das Flores, em 3º. E Sexo, Mentiras e Videotape caiu de 6º para 10º.


Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria. Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada, claro, aos filmes que vi — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes dessa lista ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano.


OUTRAS LISTAS:

Capitã Marvel

CAPITÃ MARVEL (Anna Boden e Ryan Fleck, 2019)
½
Diário de Filmes 2019: 22

O primeiro filme do Universo Cinematografico Marvel liderado por uma super-heroína infelizmente não é um dos pontos altos da série. A narrativa até começa bem, com a personagem tendo flashes de memória que vão construindo seu passado. Mas o desenrolar é frouxo, tem uma insistência irritante em certas tolices pra justificar piadas lá na frente, uma protagonista que o filme parece não ter coragem de tornar casca-grossa de verdade e que é uma personagem problemática pelo nível desproporcional de poder. Na questão do empoderamento feminino é bem correto, mas só isso não faz um filme.

Aquaman - 06

AQUAMAN (James Wan, 2018)

Diário de Filmes 2019: 15

Finalmente parece que alguém estava se divertindo num filme do Universo DC. Aquaman não sai muito do mediano, perdendo tempo como um sub-Indiana Jones em certo momento, abusando das bobagens no roteiro e se afundando numa exagerada megabatalha final. Mas tem um protagonista que tira onda, abraça sua estética muito kitsch e isso rende algumas risadas.

era uma vez um deadpool

ERA UMA VEZ UM DEADPOOL (David Leitch, 2018)
½
Diário de Filmes 2019: 2

A recauchutagem de Deadpool 2 pra pegar uma censura mais leve se apoia na boa ideia envolvendo Fred Savage e uma paródia de A Princesa Prometida. A maior parte do filme, no entanto, é o segundo Deadpool maneirando nos palavrões e no sangue. E ainda é bastante engraçado.

No cinema (Cinépolis Manaíra).

 

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Ezra Miller (Flash), Ben Affleck (Batman) e
Gal Gadot (Mulher-Maravilha): mudança de rota

LIGA DA JUSTIÇA
Sem borda - 2,5 estrelas

Sofrendo com o ‘Efeito Martha’

por Renato Félix

A primeiríssima cena de Liga da Justiça (2017) é muito importante para entender os rumos que o filme toma, em relação ao que vinha sendo feito com esse universo DC compartilhado no cinema. Ela mostra o Super-Homem (Henry Cavill) respondendo, após um salvamento, perguntas de algumas crianças para uma filmagem em celular. Embora meio constrangido, ele atende às crianças com atenção e paciência antes de sair voando.

Trata-se de um novo personagem na franquia, alguém que não foi apareceu em O Homem de Aço (2013) e nem em Batman vs. Superman – A Origem da Justiça (2016) – mesmo que nesses filmes houvesse um que tenha tido o mesmo nome e tenha sido interpretado pelo mesmo ator deste. É uma caracterização completamente diferente.

Para quem defendia a versão dos primeiros filmes dizendo que era uma “atualização” do personagem, que era um “Super-Homem para os novos tempos”, que aquele Super-Homem “não tinha mais lugar nos tempos de hoje”, talvez tenha sido uma grande surpresa essa virada.

Terá sido a influência de Joss Whedon, que assumiu o filme na reta final? Ou Zack Snyder aprendeu com as críticas e abandonou o argumento do “Super-Homem nunca visto antes” que usava em O Homem de Aço, voltando finalmente ao personagem nos velhos moldes?

O fato é que Liga da Justiça parece uma continuação que não assistiu aos filmes anteriores da franquia. E isso, que normalmente seria um ponto negativo, não é: é positivo. A única saída para se safar do que foi plantado em O Homem de Aço só poderia ser essa: esquecer o tanto quanto possível os filmes anteriores assinados pelo próprio Snyder (Whedon, que escreveu e dirigiu os dois Vingadores, não assina aqui como diretor, apenas como co-roteirista).

Já era conhecida a orientação de se levar aos cinemas um filme mais relaxado e divertido, e isso fica evidente desde a primeira cena. Mas não são raras as vezes em que fica evidente demais, como no fato de qualquer diálogo do Flash (Ezra Miller) ter a obrigação de tentar fazer graça. Muitas piadas simplesmente não dão certo, mas algumas, vale ressaltar, até que funcionam bem – como a que envolve o Aquaman (Jason Momoa) e o laço mágico da Mulher-Maravilha e o Flash partindo para cima do Super-Homem.

Já é um avanço. Mas, no geral, o filme simplesmente carece de brilho. Quando é observado à luz do universo compartilhado da DC no cinema, ele reflete a arquitetura apressada e desajeitada dessa construção. Mulher-Maravilha (2017), por exemplo, é o filme imediatamente anterior, lançado também este ano, mas se passa 100 anos antes deste – e, ainda assim, Diana (Gal Gadot) fala sem parar no amor perdido na I Guerra. Mesmo que uma amazona imortal tenha uma percepção de tempo diferente da nossa, não convence.

E por que o Batman (Ben Affleck) iria convocar alguém vestido não como o Homem-Morcego, mas como Bruce Wayne, sem qualquer zelo por sua identidade secreta? A explicação só pode ser essa: acharam ótima a ideia de Affleck jogar um batarangue e Barry Allen, o Flash em sua identidade secreta, pegá-lo no ar com sua supervelocidade e deduzir: “Você é o Batman!”. Mas, para chegar a esse momento, a construção de cenas e diálogos é péssima.

Infelizmente, Liga da Justiça é cheia de momentos assim. Momentos que podemos chamar de Efeito Martha (quem assistiu Batman vs. Superman vai entender): pensar em uma cena de efeito e simplesmente não construir minimamente bem o alicerce dramático para chegar lá.

O vilão é outro ponto fragilíssimo do filme. A reunião dos principais super-heróis do mundo merecia alguém com mais peso e carisma que um inimigo da terceira divisão da DC Comics, sem qualquer carisma e cujas motivações são tão rasas. Se tivesse pelo menos dois elementos do tripe importância-carisma-motivação, escaparia. Mas o Lobo da Estepe passou longe de qualquer um deles.

O CGI também não ajuda nada, competindo com o não bigode de Henry Cavill (a ausência mais presente do filme) pelo título de visual incômodo do filme.

Os heróis chegam a funcionar a contento juntos e – quem diria? –  o filme melhora quando o Super-Homem entra em cena (mesmo que a justificativa para sua volta seja mais um dos elementos forçados do roteiro). Como se simbolicamente renegasse o estabelecido nos filmes anteriores de Snyder, Danny Elfman (autor das trilhas dos Batman de Tim Burton e dos Homem-Aranha de Sam Raimi) entra no lugar de Hans Zimmer e traz momentos… da trilha clássica de John Williams para Superman – O Filme (1978)!

Liga da Justiça. Justice League. EUA, 2017. Direção: Zack Snyder. Elenco: Ben Affleck, Gal Gadot, Ezra Miller, Jason Momoa, Ray Fisher, Henry Cavill, Amy Adams, J.K. Simmons, Jeremy Irons, Jesse Eisenberg, Robin Wright, Connie Nielsen, Amber Heard, Diane Lane, Billy Crudup. Em cartaz.

 

Estreias 10.26

Atenção para as estreias do cinema no circuito paraibano nesta quinta, 26 de outubro. É uma semana movimentada, com nove estreias e uma reestreia.

O blockbuster da semana é o elogiado Thor – Ragnarok, o terceiro solo do deus do trovão. Cris Hemsworth tem a companhia de Mark Ruffalo como Hulk, Tom Hiddleston como Loki e de Cate Blanchett, a grande vilã. Estreia quinta em JP (Cinépolis Manaíra, Centerplex MAG, Cinesercla Tambiá, Cinépolis Mangabeira), CG (Cinesercla Partage) e Patos (Cine Guedes).

Premiado em Berlim, Uma Mulher Fantástica lidera as estreias do Cine Banguê, em João Pessoa, sábado. Também chegam por lá o elogiado As Duas Irenes, a partir de segunda, e o documentário Gaga – O Amor pela Dança, a partir de domingo. E, a partir de domingo, a reestreia de Como Nossos Pais, da Laís Bodanzky, que já esteve em cartaz, mas por pouco tempo.

Em tempo: neste sábado, a partir das 15h, o Banguê exibe uma mostra comemorando o Dia da Animação. Em tempo 2: a reestreia do antológico  Cidade dos Sonhos no Banguê já tem data: é no dia 2.

O Centerplex MAG exibe sozinho três estreias: Manifestotour de force experimental em que Cate Blanchett interpreta 13 personagens (e ela, lembrando, ainda está também em Thor – Ragnarok); O Formidável, sobre Jean-Luc Godard e do diretor de O Artista, Michel Hazanavicius (que passa apenas sábado e domingo); e A Menina Indigo, do diretor de Nosso Lar.

O criticado Pelé – O Nascimento de uma Lenda, produção americana sobre a juventude do rei do futebol, entra só no Cinépolis Manaíra. E ainda tem a animação europeia Missão Cegonha, em JP (Cinépolis Manaíra, Cinesercla Tambiá e Cinépolis Mangabeira).

 


TRAILERS:

  • Thor – Ragnarok:

  • Uma Mulher Fantástica:

  • As Duas Irenes:

  • Manifesto:

  • O Formidável:

  • Gaga – O Amor pela Dança:

  • A Menina Indigo:

  • Pelé – O Nascimento de uma Lenda:

  • Missão Cegonha:

  • Como Nossos Pais:

uem me conhece sabe que acho chuva um saco. Mas, em um fenômeno possivelmente interessante (mas provavelmente não), eu gosto de muitas cenas de filmes onde a chuva é um elemento importante – seja como composição do cenário, seja como simbolismo. Isso nos leva a mais um top 10.

Novica Rebelde - 1410 – A NOVIÇA REBELDE (1965)

“You are sixteen going on seventeen” canta o carteiro Rowlf para Liesl, sua namoradinha que deu aquela escapada do jantar em família para namorarem em segredo no jardim da casa. No meio do canto e dança, cai aquela chuvarada e eles se refugiam no solário.

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Quatro Casamentos e um Funeral - 019 – QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL (1994)

Um personagem no meio do filme diz que sonha com uma paixão que o atinja como um relâmpago. No fim do filme, passados os quatro casamentos e o funeral, os personagens de Hugh Grant e Andie MacDowell têm o seu clímax: sob a chuva que providencia o simbólico relâmpago.

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Naufrago - 018 – NÁUFRAGO (2000)

É debaixo de uma chuva torrencial que o personagem de Tom Hanks reencontra a esposa (bem, ex-esposa) vivida por Helen Hunt, anos após viver isolado em uma ilha. É uma cena difícil e dolorosa, com todos os elementos de “o que poderia ter sido e não foi”, conduzida por dois grandes atores.

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Homem-Aranha-04

7 – HOMEM-ARANHA (2002)

Um beijo que já está virando um clássico. Depois de salvar Mary Jane (Kirsten Dunst) de bandidos em uma rua escura, o Homem-Aranha (Tobey Maguire) desde sobre ela pendurado de cabeça para baixo na teia. Ela baixa parte da máscara dele e…

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Match Point - 03

6 – MATCH POINT (2005)

Woody Allen não é exatamente conhecido por dirigir cenas sensuais. Também por isso, a cena em que Scarlett Johansson e Jonathan Rhys Meyers se rendem ao desejo proibido no campo, sob muita água, se destaca na filmografia do diretor.

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Blade Runner-055 – BLADE RUNNER, O CAÇADOR DE ANDRÓIDES (1982)

A chuva é constante na Los Angeles do futuro, cenário de Blade Runner. É também o cenário do clímax do filme, com o monólogo do replicante vivido por Rutger Hauer, no confronto decisivo por o caçador de andróides vivido por Harrison Ford.

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Bonequinha de Luxo-15

4 – BONEQUINHA DE LUXO (1961)

Frustrada por seus sonhos de riqueza naufragarem e sem aceitar qualquer vínculo emocional, Holly Golightly (Audrey Hepburn) reage à declaração amorosa de Paul (George Peppard) expulsando seu fiel companheiro Gato de um taxi para um beco, debaixo do maior pé d’água. Logo se arrepende – e a procura pelo gato, sob água e a música de Henry Mancini, é um terno simbolismo do reencontro consigo mesma.

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Inimigo Publico-10

3 – INIMIGO PÚBLICO (1931)

A chuva cai forte, mas o personagem de James Cagney não dá a mínima. Na cena, já um poderoso gangster, ele está esperando na rua o momento de entrar sozinho em um restaurante e acertar as contas ele mesmo com uma gangue rival. O tiroteio é acompanhado pelo espectador do lado de fora, ouvindo os tiros e apenas aguardando quem sairá vivo pela porta.

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Sete Samurais - 04

2 – OS SETE SAMURAIS (1954)

O confronto final entre a pobre aldeia, liderada pelos sete samurais contratados, contra os bandidos que rotineiramente a atacam, acontece debaixo de um dos maiores pés d’água já vistos no cinema, o que torna tudo ainda mais desafiador, épico e dramático neste clássico de Kurosawa.

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Antes do primeiro colocado, algumas menções honrosas: Deus desafiado em Forrest Gump, o Contador de Histórias (1994); visibilidade zero em Psicose (1960); a mensagem fatídica em Casablanca (1942); os créditos de abertura de Os Guarda-Chuvas do Amor (1964); fuga sob a chuva em Um Sonho de Liberdade (1995); um beijo de Depois do Vendaval (1952); e o sexo na escadaria de 9½ Semanas de Amor (1986).

Cantando na Chuva - 25

1 – CANTANDO NA CHUVA (1952)

Dizem que Gene Kelly estava com 38 graus de febre no dia em que filmou a cena mais icônica de Cantando na Chuva: seu  personagem deixa a namorada em casa, parece que todos os seus problemas estão resolvidos e ele está tão feliz que não se importa com o aguaceiro: fecha o guarda-chuva, canta e sapateia pela rua. Leite foi misturado na água para que os pingos ficassem mais visíveis na filmagem. Kelly improvisou uma parte do número. E tudo foi feito em poucos e longos planos, que mostram a perícia não só de Kelly como da equipe inteira.

A seguir, os meus melhores filmes de 2016, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, como em todo ano, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

O número de filmes em cartaz em João Pessoa explodiu em 2016: foram 258 estreias contra as 163 de 2015 e 164 de 2014. O recorde anterior, desde 2006, ano em que o Boulevard começou a fazer esse acompanhamento, havia sido 165 em 2007. Os motivos determinantes para esse aumento são a inauguração do novo Cine Banguê, que vem servindo filmes que não passam nos demais cinemas, e alguma diversidade no Cinépolis e no Cinespaço.

THE REVENANT

1 – O REGRESSO, de Alejandro González Iñarritu

Iñarritu é um diretor que arrisca muito em suas narrativas, nem sempre com sucesso. Mas quando acerta, entrega coisas belas como este O Regresso, a jornada selvagem e espiritual de um homem em busca de outro que o deixou para morrer, aós ter sido atacado por um urso. A interpretação visceral de Leonardo DiCaprio foi, com toda a justiça, premiada com o Oscar, o Globo de Ouro, o SAG e o Bafta. Crítica no Boulevard

Elle - 03

2 – ELLE, de Paul Verhoeven

Isabelle Huppert matadora, para variar, em um filme desconcertante e doentio – Paul Verhoeven sendo Paul Verhoeven. Isabelle é uma mulher fria e cerebral que é estuprada dentro de casa por um mascarado e lida ao seu modo com a possibilidade de um novo ataque.

Aquarius - 06

3 – AQUARIUS, de Kléber Mendonça Filho

Sônia Braga é a única moradora que restou em um antigo prédio que uma construtora quer demolir. Mas ela luta pelo direito de preservar suas memórias afetivas. Uma bela defesa de que coisas – como discos ou um apartamento – podem não ser apenas “coisas”.

Zootopia - 06

4 – ZOOTOPIA – ESSA CIDADE É O BICHO, de Byron Howard e Rich Moore

No que parecia apenas mais uma sátira de bichinhos se comportando como seres humanos, desenrola-se uma imaginação bem cuidada de como seria essa cidade levando-se em consideração as características dos animais antropomorfizados, uma história policial instigante e uma crítica surpreendente e dura aos preconceitos de quem se acha o mocinho.

Spotlight - 01

5 – SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS, de Tom McCarthy

Com uma história que tinha tudo para mergulhar no melodrama, essa trama que conta a investigação jornalística que expôs o escândalo de pedofilia da Igreja de Boston é contida e precisa em sua narrativa. Crítica no Boulevard

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6 – CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL, de Anthony Russo e Joe Russo

Um filme de super-heróis que reflete sobre si mesmo, sobre o gênero e seus personagens. E coloca os dois personagens principais do universo cinematográfico da Marvel com o peso dramático acumulado em todos estes anos e filmes.

Bruxa - 03

7 – A BRUXA, de Robert Eggers

Famílias isoladas à mercê do sobrenatural não são exatamente uma novidade, mas este filme consegue imprimir um clima opressor e tanto. Crítica no Boulevard

Cinco Gracas - 03

8 – CINCO GRAÇAS, de Deniz Gamze Ergüven

Cinco irmãs jovens e cheias de vida vítimas de um tio que as prende em casa e as obriga a casamentos arranjados. O filme nos leva a procurar tanto quanto elas uma saída.

Filho de Saul - 03

 

9 – FILHO DE SAUL, de Lázló Nemes

Filmado quase todo em close, é uma experiência que nos faz acompanhar de perto o drama pesado e doloroso de um homem que tenta impedir que o filho morto seja incinerado pelo nazistas. Ao menos isso.

ARRIVAL

 

10 – A CHEGADA, de Denis Villeneuve

Uma ficção científica que recusa a pirotecnia e celebra o poder da comunicação. Denis Villeneuve evoca o Spielberg de Contatos Imediatos do Terceiro Grau.

+ 10: A Grande Aposta, de Adam McKay; Deadpool, de Tim Miller; Mia Madre, de Nanni Moretti; Café Society, de Woody Allen; Sully, o Herói do Rio Hudson, de Clint Eastwood; Rogue One – Uma História Star Wars, de Gareth Edwards; Star Trek – Sem Fronteiras, de Justin Lin; Carol, de Todd Haynes; Jogo do Dinheiro, de Jodie Foster; Animais Fantásticos e Onde Habitam, de David Yates.

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MAIS RETROSPECTIVA 2016:

Mulher-Maravilha - 07

Choque de realidade: Gal Gadot em “Mulher-Maravilha”

‘MULHER-MARAVILHA’
Estrelas-03 e meia juntas-site

O universo da DC Comics é muito caro pra mim. São os super-heróis da minha infância, são os cânones dos quais todos os outros são derivados (por aproximação ou oposição). São os modelos primordiais. Por isso tem doído bastante vê-los tão maltratados nos quadrinhos e no cinema. Desisti dos quadrinhos quando a editora tentou enfiar goela abaixo aquela coisa triste chamada “Novos 52”. E no cinema, um festival de tranqueiras tentando montar aos trancos e barrancos um universo compartilhado, como o que a Marvel construiu (com bem mais paciência e inteligência).

Isto posto, a alegria de constatar que conseguiram fazer de Mulher-Maravilha um filme. E não um amontoado de ideias ruins ou mal executadas, como os três exemplares anteriores desse universo compartilhado.

A ambientação na I Guerra Mundial provou-se um grande acerto. Nascida e criada na idílica Themiscyra (antes conhecida como Ilha Paraíso), povoada só por amazonas e isolada do mundo, Diana (Gal Gadot) socorre o aviador Steve Trevor (Chris Pine) que cai ali. E toma conhecimento da guerra que está consumindo o mundo. E decide deixar a ilha para ajudar acabar com a guerra no “mundo dos homens”.

A partir daí, o filme combina um humor leve ancorado na estranheza com que a princesa amazona vê os costumes do mundo de 1918 – especificamente em Londres. As roupas, o papel da mulher na sociedade, ver um bebê (o último em sua ilha havia sido ela mesma).

Ao entrarmos na guerra, Diana vai tomando contato com as complexidades da humanidade. Mesmo que o filme trate várias delas de leve, é quando ele cresce: o sofrimento de pessoas humildes, o racismo, não poder salvar a todos, as mortes gratuitas. Em certa medida, um índio diz que seu povo “foi morto pelo povo dele”, referindo-se ao branco Trevor, aliado de ambos. Como compreender coisas assim? O filme lida muito bem com o impacto disso na personagem.

O mundo é meio o inimigo, e isso compensa um pouco as fragilidades dos vilões do filme. Danny Huston faz o que pode, mas seu personagem é pobre e não ajuda. E, quando o deus Ares se revela, nunca convence, nem seu estratagema. Pior, a sequência final direciona desnecessariamente o filme para o simplismo quando ele navegava bem em mares mais complexos. Também parece um clímax de combate grandioso posto ali meio que por obrigação.

A espanhola Elena Anaya, como a Doutora Veneno, se sai melhor fazendo um tipo propositalmente caricato, mas o filme não a aproveita bem. Sua participação é bem menor do que poderia.

Mas, enfim, o filme também se vale bem do carisma de Gal Gadot e Chris Pine e da boa química entre eles. Há um clima de romance bem conduzido, equilibrando bem com o humor e as cenas de ação.

Cenas de ação, aliás, que exageram nas câmeras lentas: nenhuma amazona pode dar um pulo sequer que para no ar. Esses momentos são incontáveis, de bonitos tornam-se logo banais e repetitivos e, curiosamente, só dão um descanso justamente no combate final.

Felizmente, a construção da personagem é que é o motor do filme: quando ela destrói uma torre para parar um atirador alemão que ataca seu grupo e surge depois lá em cima, é difícil não ver que ali está a Mulher-Maravilha. Em termos de DC no cinema, ultimamente, isso já é muita coisa.

Mulher-Maravilha. Wonder Woman. Estados Unidos, 2017. Direção: Patty Jenkins. Roteiro: Allan Heinberg, baseado em história de Heinberg, Zack Snyder e Jason Fuchs. Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen, Robin Wright, Danny Huston, Elena Anaya, David Thewlis, Saïd Taghmaoui, Ewen Bremner, Eugene Brave Rock, Lucy Davis, Lilly Aspell.

Coluna Cinemascope (#9). Correio da Paraíba, 16/11/2016.

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“Mestres do Universo” (1987)

Há (quase) 30 anos

por Renato Félix

Todo mundo tem duas primeiras vezes no cinema: a primeira vez em que foi levado pelos pais (ou um tio, ou algum outro adulto) e a primeira vez em que foi por si mesmo (sozinho ou com amigos) e com seu próprio dinheiro (da mesada, economizado do lanche da escola, ou mesmo dado pelos pais). Esta minha “segunda primeira vez” no cinema vai completar 30 anos em 2017.

Foi no antigo Cine Municipal, na época o maior em atividade na cidade, com seus  mais de 900 lugares. O filme, no entanto, não é nada para se orgulhar muito: Mestres do Universo, aquela versão em carne-e-osso do He-Man, com Dolph Lundgren, produzida pela Cannon. Não exija muito, eu tinha 13 anos.

O IMDb me diz que o filme estreou no Brasil em 30 de junho, então é provável que julho tenha sido o mês em que peguei meu dinheirinho (economizado do lanche), fui de ônibus à tarde ao Municipal, no Centro de João Pessoa, assisti o filme e voltei pra casa. No ano seguinte, fui ver mais uns três ou quatro filmes e em 1989 a sala escura me pegou de vez.

Mas 1988 também foi um ano que definiu o cinema para mim. Foi o ano em que vi pela primeira vez um Indiana Jones (o primeiro), um Jornada nas Estrelas (o segundo), um James Bond (Os Diamantes São Eternos, com Sean Connery). Todos na TV, na Tela Quente, que foi lançada em março de 1988 (o filme de estreia foi O Retorno de Jedi, que também vi pela primeira vez aí).

Mas tem uma data que não consigo precisar: foi no reveillón de 1987 ou de 1988 que Cantando na Chuva foi exibido como primeiro filme do ano na Globo? Sozinho em casa, o filme transformou uma virada de ano super tranquila em um maravilhamento que me abriu as portas do cinema clássico. Até hoje meu filme preferido e um definidor de quem sou hoje.

FOTO: Mestres do Universo (1987)

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Coluna Cinemascope (#7). Correio da Paraíba, 2/11/2016.

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“Doutor Estranho” (2016)

 

Super-heróis, lado B

por Renato Félix

Quando eu era ainda um menino e via os filmes do Super-Homem com Christopher Reeve ainda na primeira dublagem brasileira na TV preto-e-branco dos meus pais, nunca imaginei que veria uma época como esta: vários filmes de super-heróis por ano, não raro muito bons e com chance até para personagens que não são aqueles mais populares entre não-leitores.

Naquela época, eu ainda estava começando a ler gibis do gênero (lia o Batman de Neal Adams e Denny O’Neill, basicamente, e logo viria O Cavaleiro das Trevas, Watchmen, que mudariam tudo nas HQs de heróis). De filmes, só havia mesmo os do Super-Homem. Fora isso, os heróis só apareciam de carne-e-osso em séries de TV em geral sofríveis. O Batman de Tim Burton em 1989 apareceu como honrosa exceção nos cinemas.

A coisa mudou mesmo quando X-Men – O Filme se tornou um grande sucesso em 2000 (eu sei, teve Blade pouco antes, mas que não-leitor já ouviu falar de Blade?). Homem-Aranha (2002) consolidou o gênero em ascensão. E Homem de Ferro (2008) deu o ponta-pé nos filmes interligados da Marvel.

E, com eles, a Marvel se tornou uma marca tão conhecida dos não-leitores que passou a ser avalista até de filmes de heróis pouco conhecidos além das páginas dos gibis. O garoto daqueles tempos, os anos 1980, nunca imaginaria assistir a um filme do Homem-Formiga, do Deadpool, dos Guardiões da Galáxia…

Ou Doutor Estranho, que teve pré-estreia com toda a pompa nesta madrugada, e já entra em horários à tarde nesta quarta em JP, Campina e Patos, embora a estreia oficial seja só na quinta. Quem sabe no futuro o público não-leitor acabe íntimo de personagens como o Homem-Elástico (da DC) ou da Ms. Marvel (da Marvel)?

FOTO: Doutor Estranho (2016)

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