You are currently browsing the tag archive for the ‘Super-heróis’ tag.

Doutor Estranho - 20

DOUTOR ESTRANHO (Scott Derrickson, 2016)
⭐½
Diário de Filmes 2019: 39

Com um herói então pouco conhecido fora do círculo de leitores de quadrinhos, Doutor Estranho introduziu elementos místicos no universo cinematográfico da Marvel. Visualmente, o filme é bem interessante, mesmo que o andamento da trama não fuja muito do padrão. Mas a solução final é engenhosa. Depois de conferir Vingadores — Guerra Infinita e Vingadores — Ultimato, é interessante revisitar este filme e ver sementes plantadas: a joia do tempo e o conceito de multiverso.

null

CAPITÃO AMÉRICA — GUERRA CIVIL (Anthony Russo e Joe Russo, 2015)
1/2
Diário de Filmes 2019: 30

Guerra Civil é um dos pontos altos do universo cinematografico da Marvel. Estabelece um conflito entre os super-heróis partindo de uma diferença ideológica: se os heróis devem ou não ser controlados pelos governos. As questões pessoais agravam as tensões, envolvendo, pelo lado do Capitão, a fidelidade ao velho amigo Bucky, acusado de matar um estadista, e, pelo lado do Homem de Ferro, as dores do assassinato do pai no passado. Aqui, antes do conflito há muita discussão e impasse, e peso dramático no conflito. Ninguém quer brigar, mas ninguém vai parar de brigar porque a mãe tem o mesmo nome da mãe do outro.

null

VINGADORES — ULTIMATO (Anthony Russo e Joe Russo, 2019)

Diário de Filmes 2019: 28

O filme responde bem a tanto mistério e expectativa. É também um dos raros casos em que quanto menos informação o espectador tiver sobre a trama, melhor (então, se preferir, pare agora, antes desta pequena análise). O que se desenhava como um grande contra-ataque contra o vilão Thanos é subvertido logo no início. O filme faz os personagens viverem o luto e joga apressadamente um plot de viagem no tempo que força um pouco a barra, mas o que acontece nela é tão divertido e engenhoso na auto-homenagem, e há surpresas tão boas como a importância da Nebulosa na trama, que não é tão difícil deixar pra lá soluções narrativas fáceis demais, contradições e o sumiço forçado de uma personagem problemática como a Capitã Marvel. Há desfechos comoventes e, sobretudo, muito respeito aos dois personagens centrais dessa saga: o Homem de Ferro e o Capitão América.

null

VINGADORES — GUERRA INFINITA (Anthony Russo e Joe Russo, 2018)

Diário de Filmes 2019: 27

O épico que reúne quase todos os heróis do universo cinematográfico da Marvel tem muita coisa e muita gente para dar conta, por isso é uma grande correria, na qual não há muito tempo para considerações psicológicas ou contextualizações detalhadas. A exceção fica basicamente para o vilãozão Thanos, que quer erradicar metade dos seres vivos do universo num estalar de dedos, quando possuir todas as joias do infinito em sua manopla poderosa. Ramificado em quatro linhas narrativas simultâneas, é frenético, intenso e consegue manter a personalidade dos personagens egressos de seus próprios filmes. 

Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria. Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada, claro, aos filmes que vi — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes dessa lista ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano.

OS 20 MELHORES DE 1989

Faca a Coisa Certa - 03

1 — FAÇA A COISA CERTA

(Do the Right Thing, Estados Unidos). Direção e roteiro: Spike Lee. Elenco: Danny Aiello, Spike Lee, John Tuturro, Rosie Perez, Sameul L. Jackson, Ossie Davis, Ruby Dee, Bill Nunn, Martin Lawrence, John Savage.
O caldeirão multicultural em Bed-Stuy está fervilhando no dia mais quente do ano e a intolerância racial está em ebulição. Lee, em seu quarto longa, traça um mosaico complexo e sem resolução fácil, sustentado por personagens marcantes. Seu filme termina com citações de Martin Luther King e Malcolm X, historicamente líderes que lutavam pela mesma causa, mas divergiam sobre o uso da violência.

***

When Harry Met Sally2 — HARRY E SALLY, FEITOS UM PARA O OUTRO

(When Harry Met Sally…, Estados Unidos). Direção: Rob Reiner. Roteiro: Nora Ephron. Elenco: Billy Crystal, Meg Ryan, Carrie Fisher, Bruno Kirby.
O filme que redefiniu a comédia romântica tem um quê de inspiração em Woody Allen, brinca com o documentário (com atores interpretando depoimentos de histórias que, na verdade, são reais), tem diálogos ótimos (como a discussão sobre existir ou não amizade entre homem e mulher), momentos de improviso (a cena imortal do orgasmo fingido no restaurante foi sugestão de Meg Ryan; a fala final dessa cena foi sugestão de Billy Crystal), telas divididas espertas (homenageando Indiscreta, 1958, e Confidências à Meia-Noite, 1959). A trama é a do homem e da mulher que se detestam à primeira vista, depois ficam amigos, depois se apaixonam.

***

Dead Poets Society (1989) Directed by Peter Weir Shown: Robin Williams

3 — SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS

(Dead Poets Society, Estados Unidos). Direção: Peter Weir. Roteiro: Tom Schulman. Elenco: Robin Williams, Ethan Hawke, Robert Sean Leonard, Josh Charles, Norman Lloyd.
Robin Williams em todas as suas potencialidades cômicas e dramáticas num filme sobre o poder transformador da arte. Filme obrigatório também sobre a arte de ensinar.

***

Splendor-11

4 — SPLENDOR

(Splendor, Itália/ França) Direção e roteiro: Ettore Scola. Elenco: Marcello Mastroianni, Massimo Troisi, Marina Vlady.
Lançado meses depois de Cinema Paradiso, foi meio eclipsado pelo filme de Tornatore, mas é outro grande filme sobre o amor ao cinema. E o final ainda é citação direta de A Felicidade Não Se Compra.

***

THE LITTLE MERMAID 3D

5 — A PEQUENA SEREIA

(The Little Mermaid, Estados Unidos) Direção e roteiro: John Musker, Ron Clements. Vozes na dublagem original: Jodi Benson, Pat Carroll, Kenneth Mars.
O filme que simboliza a renascença da Disney, após um período de filmes de pouco sucesso. O estúdio retornou à seara das princesas com algumas atualizações, caprichou na animação deslumbrante do fundo do mar e nas canções, com as ótimas “Part of your world” e “Kiss the girl” e a maravilhosa “Under the sea”.

***

Sexo Mentiras e Videotape - 01

6 — SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE

(Sex, Lies and Videotape, Estados Unidos) Direção e roteiro: Steven Soderbergh. Elenco: James Spader, Andie MacDowell, Peter Gallagher, Laura San Giacomo.
Em um período onde o cinema independente não aparecia com tanto destaque, o filme de Soderbergh mostrou a força criativa que existia fora dos grandes estúdios.

***

Indiana Jones e a Ultima Cruzada-26

7 — INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA

(Indiana Jones and the Last Cruzade, Estados Unidos) Direção: Steven Spielberg. Roteiro: Jeffrey Boam. Elenco: Harrison Ford, Sean Connery, Denholm Elliot, Alison Doody, John Rhys-Davies, Julian Glover, River Phoenix.
Spielberg resolveu pegar mais leve na terceira parte da franquia, que volta ao esquema do primeiro: uma corrida contra os nazistas por um tesouro místico. O golpe de mestre foi incluir o pai de Indy na trama, vivido na medida por Sean Connery (e os filmes de James Bond não são o “pai” dos de Indiana Jones, afinal de contas?). Vale o destaque para o prólogo com River Phoenix vivendo o jovem Indy.

***

Crimes e Pecados - 01

8 — CRIMES E PECADOS

(Crimes and Misdemeanors, Estados Unidos) Direção e roteiro: Woody Allen. Elenco: Martin Landau, Woody Allen, Anjelica Huston, Alan Alda, Mia Farrow, Claire Bloom.
Como em Hannah e Suas Irmãs, Woody divide o filme em drama e comédia. E de novo equilibra bem as duas tramas que se entrelaçam. Se inspirou em Crime e Castigo e voltará a isso em Match Point (2006).

***

Henrique V - 1989 - 02

9 — HENRIQUE V

(Henry V, Reino Unido) Direção e roteiro: Kenneth Branagh. Elenco: Kenneth Branagh, Ian Holm, Brian Blessed, Emma Thompson, Derek Jacobi.
Em seu primeiro filme como diretor, Branagh mostrou uma grande força criativa e narrativa nesta adaptação da peça de Shakespeare. A sequência da batalha de Azincourt é um grande momento, onde o ufanismo que Laurence Olivier usou como tom no filme de 1944 é trocado pela tragédia.

***

Tempo de Gloria - 02

10 — TEMPO DE GLÓRIA

(Glory, Estados Unidos) Direção: Edward Zwick. Roteiro: Kevin Jarre. Elenco: Matthew Broderick, Denzel Washington, Cary Elwes, Morgan Freeman.
A história do primeiro pelotão de soldados negros na Guerra Civil Americana, e o preconceito que enfrentaram até de seu próprio exército.

***

De Volta para o Futuro - Parte 2 - 12

11 — DE VOLTA PARA O FUTURO — PARTE II

(Back to the Future — Part II, Estados Unidos) Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: Robert Zemeckis e Bob Gale. Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Thomas F. Wilson, Elisabeth Shue, Billy Zane, Elijah Wood.
O divertidíssimo segundo filme tem três momentos: mostra o futuro prometido no final do primeiro, depois volta a 1985 alterado (como o mundo em que George não existiu em A Felicidade Não Se Compra, 1946) e volta a 1955, onde a nova trama tem momento de interseção com a do primeiro filme. Engenhoso e com efeitos especiais que hoje, na era do CGI, são corriqueiros, mas foram surpreendentes na época.

***

Arquitetura da Destruicao - 01

12 — ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO

(Undergångens Arkitektur, Suécia) Direção: Peter Cohen.
O ideal estético do nazismo, da raça pura e da arte “não degenerada”, é analisada nesse excelente documentário. A visão estética deformada do III Reich se refletiu em sua odiosa política higienista, onde a ideia de uma “arte degenerada” refletia o preconceito com doentes mentais e uma obsessão com uma suposta pureza que gerou o Holocausto.

***

Black Rain - A Coragem de uma Raca - 01

13 — BLACK RAIN — A CORAGEM DE UMA RAÇA

(Kuroi Ame, Japão) Direção: Shohei Imamura. Roteiro: Shohei Imamura e Toshiro Ishido. Elenco: Yoshiko Tanaka, Kazuo Kitamura, Etsuko Ichihara.
Uma visão dramática e poderosa, em preto-e-branco, da cidade de Hiroshima depois da explosão da bomba atômica jogada pelos americanos no final da II Guerra.

***

Eu Sou o Senhor do Castelo - 01

14 — EU SOU O SENHOR DO CASTELO

(Je Suis le Seigneur du Château, França) Direção: Régis Wargnier. Roteiro: Alain Le Henry e Régis Wargnier. Elenco: Régis Arpin, David Behar, Jean Rochefort, Dominique Blanc.
Filmes com criança nem sempre são filmes infantis. Aqui, o filho do dono de uma mansão empreende uma rivalidade feroz contra o filho da empregada.

***

Campo dos Sonhos - 01

15 — CAMPO DOS SONHOS

(Field of Dreams, Estados Unidos) Direção e roteiro: Phil Alden Robinson. Elenco: Kevin Costner, Amy Madigan, Ray Liotta, James Earl Jones, Burt Lancaster, Gaby Hoffmann.
Um dos melhores feel good movies, que aposta numa história difícil de levar a sério: um fazendeiro que ouve vozes que dizem para construir um campo de beisebol no meio de um milharal. E aí grandes jogadores do passado aparecem do além para bater uma bolinha. Mas, embarcando, é uma delícia de ver.

***

Shirley Valentine - 01

16 — SHIRLEY VALENTINE

(Shirley Valentine, Reino Unido/ Estados Unidos) Direção: Lewis Gilbert. Roteiro: Willy Russell. Elenco: Pauline Collins, Tom Conti, Joanna Lumley.
Russell adapta a própria peça de sucesso, com a mesma Pauline Collins, que ganhou um Tony pelo papel: uma dona-de-casa inglesa tão solitária que dá bom dia às paredes e quebra a quarta parede para conversar com o espectador. Nada que uma viagem à Grécia não mude. Gilbert digiriu três filmes de 007 nos anos 1960 e 1970.

***

Ata-me - 01

17 — ATA-ME

(Atame!, Espanha) Direção e roteiro: Pedro Almodóvar. Elenco: Victoria Abril, António Banderas, María Barranco, Rossy de Palma, Julieta Serrano.
Um sujeito com problemas mentais sequestra uma atriz de filmes pornô para tentar convencê-la a se casar com ele. A trama e a relação dos dois acaba se tornando mais complexa. Um Almodóvar atrevido de primeira linha.

***

Meu Pe Esquerdo - 06

18 — MEU PÉ ESQUERDO

(My Left Foot — The Story of Christy Brown, Irlanda/ Reino Unido) Direção: Jim Sheridan. Roteiro: Shane Connaughton e Jim Sheridan. Elenco: Daniel Day-Lewis, Brenda Fricker, Alison Whelan, Fiona Shaw.
A história real de Christy Brown, que nasceu com paralisia cerebral e descobriu como escrever e pintando com a única parte do corpo que conseguia controlar: o pé esquerdo. O primeiro dos três Oscars de Day-Lewis.

***

Batman-1989-20

19 — BATMAN

(Batman, Estados Unidos) Direção: Tim Burton. Roteiro: Sam Hamm, Warren Skaaren. Elenco: Michael Keaton, Jack Nicholson, Kim Basinger, Jack Palance, Billy Dee Williams.
A primeira grande adaptação do Homem-Morcego para os cinemas detonou uma batmania mundial. O filme é cheio de senões (o Coringa ser responsável pela morte dos pais do Batman, pro exemplo), muita gente reclamou de Keaton como o herói, mas o Coringa de Nicholson é brilhante e Burton conseguiu impor sua marca autoral, isso não se pode negar.

***

M8DSEOF EC020

20 — VÍTIMAS DE UMA PAIXÃO

(Sea of Love, Estados Unidos) Direção: Harold Becker. Roteiro: Richard Price. Elenco: Al Pacino, Ellen Barkin, John Goodman, Michael Rooker, Richard Jenkins, William Hickey, Samuel L. Jackson.
Al Pacino encerrou um hiato de quatro anos sem um filme com esse noir moderno, em que é um policial que investiga assassinatos e se envolve com uma mulher que pode ser a culpada. Nesse papel, está Ellen Barkin, em seu papel mais memorável e sexy.

***

OS 10 PIORES

Orquidea Selvagem - 01

1 — ORQUÍDEA SELVAGEM

(Wild Orchid, Estados Unidos) Direção: Zalman King. Roteiro: Patricia Louisianna Knope e Zalman King. Elenco: Carré Otis, Mickey Rourke, Jacqueline Bisset, Assumpta Serna, Milton Gonçalves.
Uma advogada é levada a um turismo erótico pelo Rio de Janeiro por um milionário. Produtor e roteirista de 9 1/2 Semanas de Amor (1986), King tentou reproduzir o sucesso com o mesmo Mickey Rourke e a modelo Carré Otis, linda, mas inexpressiva, no lugar de Kim Basinger. O resultado foi péssimo, onde pessoas dobrando uma esquina no Rio e saindo em Salvador era o de menos.

***

2 — O JUSTICEIRO (The Punisher, Austrália/ Estados Unidos) Direção: Mark Goldblatt. Elenco: Dolph Lundgren, Louis Gossett Jr. Versão podreira muito longe do que a Marvel é hoje no cinema.

3 — DOIDA DEMAIS (Brasil) Direção: Sergio Rezende. Elenco: Vera Fischer, Paulo Betti, José Wilker. Aventura que tenta usar a sensualidade de Vera Fischer e não muito mais.

4 — A MOSCA II (Estados Unidos) Direção: Chris Walas. Elenco: Eric Stoltz, Daphne Zuniga. Caça-níquel total.

5 — CONDENAÇÃO BRUTAL (Lock Up, Estados Unidos). Direção: John Flynn. Elenco: Sylvester Stallone, Donald Sutherland, Tom Sizemore. Um dos piores filmes de Stallone e essa é uma escolha difícil

6 — GUERREIRO AMERICANO III (American Ninja III Blood Hunt, Estados Unidos/ Canadá/ África do Sul). Direção: Cedric Sundstrom. Elenco: David Bradley, Steve James. Essa série foi uma praga com toda a cara da produtora Golan-Globus.

7 — LOUCADEMIA DE POLÍCIA VI — CIDADE EM ESTADO DE SÍTIO (Police Academy VI City Under Siege, Estados Unidos) Direção: Peter Bonerz. Elenco: Michael Winslow, G.W. Bailey, Bubba Smith, David Graf, George Gaynes, Leslie Easterbrook, Marion Ramsey. Steve Gutenberg já tinha pulado fora dois filmes atrás e a série não aprendeu com o filme anterior que era hora de acabar.

8 — MATADOR DE ALUGUEL (Road House, Estados Unidos). Direção: Rowdy Herrington. Elenco: Patrick Swayze, Kelly Lynch, Sam Elliott, Ben Gazzara. Patrick Swayze como leão de chácara. Pior que Dirty Dancing.

9 — OS TRAPALHÕES NA TERRA DOS MONSTROS (Brasil) Direção: Flávio Migliaccio. Elenco: Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Zacarias, Angélica, Conrado, Gugu Liberato, Vanessa de Oliveira. Os Trapalhões têm filmes bons e ruins. Mas esse aqui sofre com péssimos monstrinhos (e falo também das atuações de Angélica, Conrado e Gugu).

10 — CONFUSÕES DE UM SEDUTOR (Skin Deep, Estados Unidos). Direção: Blake Edwards. Elenco: John Ritter, Vincent Gardenia, Nina Foch. Deve ser o pior filme da carreira de Blake Edwards. Ele parece ter feito esse filme antes e muito melhor.

Continue lendo »

Capitã Marvel

CAPITÃ MARVEL (Anna Boden e Ryan Fleck, 2019)
½
Diário de Filmes 2019: 22

O primeiro filme do Universo Cinematografico Marvel liderado por uma super-heroína infelizmente não é um dos pontos altos da série. A narrativa até começa bem, com a personagem tendo flashes de memória que vão construindo seu passado. Mas o desenrolar é frouxo, tem uma insistência irritante em certas tolices pra justificar piadas lá na frente, uma protagonista que o filme parece não ter coragem de tornar casca-grossa de verdade e que é uma personagem problemática pelo nível desproporcional de poder. Na questão do empoderamento feminino é bem correto, mas só isso não faz um filme.

Aquaman - 06

AQUAMAN (James Wan, 2018)

Diário de Filmes 2019: 15

Finalmente parece que alguém estava se divertindo num filme do Universo DC. Aquaman não sai muito do mediano, perdendo tempo como um sub-Indiana Jones em certo momento, abusando das bobagens no roteiro e se afundando numa exagerada megabatalha final. Mas tem um protagonista que tira onda, abraça sua estética muito kitsch e isso rende algumas risadas.

era uma vez um deadpool

ERA UMA VEZ UM DEADPOOL (David Leitch, 2018)
½
Diário de Filmes 2019: 2

A recauchutagem de Deadpool 2 pra pegar uma censura mais leve se apoia na boa ideia envolvendo Fred Savage e uma paródia de A Princesa Prometida. A maior parte do filme, no entanto, é o segundo Deadpool maneirando nos palavrões e no sangue. E ainda é bastante engraçado.

No cinema (Cinépolis Manaíra).

 

HAR_DM_FIRST LOOK RND F04

Ezra Miller (Flash), Ben Affleck (Batman) e
Gal Gadot (Mulher-Maravilha): mudança de rota

LIGA DA JUSTIÇA
Sem borda - 2,5 estrelas

Sofrendo com o ‘Efeito Martha’

por Renato Félix

A primeiríssima cena de Liga da Justiça (2017) é muito importante para entender os rumos que o filme toma, em relação ao que vinha sendo feito com esse universo DC compartilhado no cinema. Ela mostra o Super-Homem (Henry Cavill) respondendo, após um salvamento, perguntas de algumas crianças para uma filmagem em celular. Embora meio constrangido, ele atende às crianças com atenção e paciência antes de sair voando.

Trata-se de um novo personagem na franquia, alguém que não foi apareceu em O Homem de Aço (2013) e nem em Batman vs. Superman – A Origem da Justiça (2016) – mesmo que nesses filmes houvesse um que tenha tido o mesmo nome e tenha sido interpretado pelo mesmo ator deste. É uma caracterização completamente diferente.

Para quem defendia a versão dos primeiros filmes dizendo que era uma “atualização” do personagem, que era um “Super-Homem para os novos tempos”, que aquele Super-Homem “não tinha mais lugar nos tempos de hoje”, talvez tenha sido uma grande surpresa essa virada.

Terá sido a influência de Joss Whedon, que assumiu o filme na reta final? Ou Zack Snyder aprendeu com as críticas e abandonou o argumento do “Super-Homem nunca visto antes” que usava em O Homem de Aço, voltando finalmente ao personagem nos velhos moldes?

O fato é que Liga da Justiça parece uma continuação que não assistiu aos filmes anteriores da franquia. E isso, que normalmente seria um ponto negativo, não é: é positivo. A única saída para se safar do que foi plantado em O Homem de Aço só poderia ser essa: esquecer o tanto quanto possível os filmes anteriores assinados pelo próprio Snyder (Whedon, que escreveu e dirigiu os dois Vingadores, não assina aqui como diretor, apenas como co-roteirista).

Já era conhecida a orientação de se levar aos cinemas um filme mais relaxado e divertido, e isso fica evidente desde a primeira cena. Mas não são raras as vezes em que fica evidente demais, como no fato de qualquer diálogo do Flash (Ezra Miller) ter a obrigação de tentar fazer graça. Muitas piadas simplesmente não dão certo, mas algumas, vale ressaltar, até que funcionam bem – como a que envolve o Aquaman (Jason Momoa) e o laço mágico da Mulher-Maravilha e o Flash partindo para cima do Super-Homem.

Já é um avanço. Mas, no geral, o filme simplesmente carece de brilho. Quando é observado à luz do universo compartilhado da DC no cinema, ele reflete a arquitetura apressada e desajeitada dessa construção. Mulher-Maravilha (2017), por exemplo, é o filme imediatamente anterior, lançado também este ano, mas se passa 100 anos antes deste – e, ainda assim, Diana (Gal Gadot) fala sem parar no amor perdido na I Guerra. Mesmo que uma amazona imortal tenha uma percepção de tempo diferente da nossa, não convence.

E por que o Batman (Ben Affleck) iria convocar alguém vestido não como o Homem-Morcego, mas como Bruce Wayne, sem qualquer zelo por sua identidade secreta? A explicação só pode ser essa: acharam ótima a ideia de Affleck jogar um batarangue e Barry Allen, o Flash em sua identidade secreta, pegá-lo no ar com sua supervelocidade e deduzir: “Você é o Batman!”. Mas, para chegar a esse momento, a construção de cenas e diálogos é péssima.

Infelizmente, Liga da Justiça é cheia de momentos assim. Momentos que podemos chamar de Efeito Martha (quem assistiu Batman vs. Superman vai entender): pensar em uma cena de efeito e simplesmente não construir minimamente bem o alicerce dramático para chegar lá.

O vilão é outro ponto fragilíssimo do filme. A reunião dos principais super-heróis do mundo merecia alguém com mais peso e carisma que um inimigo da terceira divisão da DC Comics, sem qualquer carisma e cujas motivações são tão rasas. Se tivesse pelo menos dois elementos do tripe importância-carisma-motivação, escaparia. Mas o Lobo da Estepe passou longe de qualquer um deles.

O CGI também não ajuda nada, competindo com o não bigode de Henry Cavill (a ausência mais presente do filme) pelo título de visual incômodo do filme.

Os heróis chegam a funcionar a contento juntos e – quem diria? –  o filme melhora quando o Super-Homem entra em cena (mesmo que a justificativa para sua volta seja mais um dos elementos forçados do roteiro). Como se simbolicamente renegasse o estabelecido nos filmes anteriores de Snyder, Danny Elfman (autor das trilhas dos Batman de Tim Burton e dos Homem-Aranha de Sam Raimi) entra no lugar de Hans Zimmer e traz momentos… da trilha clássica de John Williams para Superman – O Filme (1978)!

Liga da Justiça. Justice League. EUA, 2017. Direção: Zack Snyder. Elenco: Ben Affleck, Gal Gadot, Ezra Miller, Jason Momoa, Ray Fisher, Henry Cavill, Amy Adams, J.K. Simmons, Jeremy Irons, Jesse Eisenberg, Robin Wright, Connie Nielsen, Amber Heard, Diane Lane, Billy Crudup. Em cartaz.

 

Estreias 10.26

Atenção para as estreias do cinema no circuito paraibano nesta quinta, 26 de outubro. É uma semana movimentada, com nove estreias e uma reestreia.

O blockbuster da semana é o elogiado Thor – Ragnarok, o terceiro solo do deus do trovão. Cris Hemsworth tem a companhia de Mark Ruffalo como Hulk, Tom Hiddleston como Loki e de Cate Blanchett, a grande vilã. Estreia quinta em JP (Cinépolis Manaíra, Centerplex MAG, Cinesercla Tambiá, Cinépolis Mangabeira), CG (Cinesercla Partage) e Patos (Cine Guedes).

Premiado em Berlim, Uma Mulher Fantástica lidera as estreias do Cine Banguê, em João Pessoa, sábado. Também chegam por lá o elogiado As Duas Irenes, a partir de segunda, e o documentário Gaga – O Amor pela Dança, a partir de domingo. E, a partir de domingo, a reestreia de Como Nossos Pais, da Laís Bodanzky, que já esteve em cartaz, mas por pouco tempo.

Em tempo: neste sábado, a partir das 15h, o Banguê exibe uma mostra comemorando o Dia da Animação. Em tempo 2: a reestreia do antológico  Cidade dos Sonhos no Banguê já tem data: é no dia 2.

O Centerplex MAG exibe sozinho três estreias: Manifestotour de force experimental em que Cate Blanchett interpreta 13 personagens (e ela, lembrando, ainda está também em Thor – Ragnarok); O Formidável, sobre Jean-Luc Godard e do diretor de O Artista, Michel Hazanavicius (que passa apenas sábado e domingo); e A Menina Indigo, do diretor de Nosso Lar.

O criticado Pelé – O Nascimento de uma Lenda, produção americana sobre a juventude do rei do futebol, entra só no Cinépolis Manaíra. E ainda tem a animação europeia Missão Cegonha, em JP (Cinépolis Manaíra, Cinesercla Tambiá e Cinépolis Mangabeira).

 


TRAILERS:

  • Thor – Ragnarok:

  • Uma Mulher Fantástica:

  • As Duas Irenes:

  • Manifesto:

  • O Formidável:

  • Gaga – O Amor pela Dança:

  • A Menina Indigo:

  • Pelé – O Nascimento de uma Lenda:

  • Missão Cegonha:

  • Como Nossos Pais:

uem me conhece sabe que acho chuva um saco. Mas, em um fenômeno possivelmente interessante (mas provavelmente não), eu gosto de muitas cenas de filmes onde a chuva é um elemento importante – seja como composição do cenário, seja como simbolismo. Isso nos leva a mais um top 10.

Novica Rebelde - 1410 – A NOVIÇA REBELDE (1965)

“You are sixteen going on seventeen” canta o carteiro Rowlf para Liesl, sua namoradinha que deu aquela escapada do jantar em família para namorarem em segredo no jardim da casa. No meio do canto e dança, cai aquela chuvarada e eles se refugiam no solário.

***

Quatro Casamentos e um Funeral - 019 – QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL (1994)

Um personagem no meio do filme diz que sonha com uma paixão que o atinja como um relâmpago. No fim do filme, passados os quatro casamentos e o funeral, os personagens de Hugh Grant e Andie MacDowell têm o seu clímax: sob a chuva que providencia o simbólico relâmpago.

***

Naufrago - 018 – NÁUFRAGO (2000)

É debaixo de uma chuva torrencial que o personagem de Tom Hanks reencontra a esposa (bem, ex-esposa) vivida por Helen Hunt, anos após viver isolado em uma ilha. É uma cena difícil e dolorosa, com todos os elementos de “o que poderia ter sido e não foi”, conduzida por dois grandes atores.

***

Homem-Aranha-04

7 – HOMEM-ARANHA (2002)

Um beijo que já está virando um clássico. Depois de salvar Mary Jane (Kirsten Dunst) de bandidos em uma rua escura, o Homem-Aranha (Tobey Maguire) desde sobre ela pendurado de cabeça para baixo na teia. Ela baixa parte da máscara dele e…

***

Match Point - 03

6 – MATCH POINT (2005)

Woody Allen não é exatamente conhecido por dirigir cenas sensuais. Também por isso, a cena em que Scarlett Johansson e Jonathan Rhys Meyers se rendem ao desejo proibido no campo, sob muita água, se destaca na filmografia do diretor.

***

Blade Runner-055 – BLADE RUNNER, O CAÇADOR DE ANDRÓIDES (1982)

A chuva é constante na Los Angeles do futuro, cenário de Blade Runner. É também o cenário do clímax do filme, com o monólogo do replicante vivido por Rutger Hauer, no confronto decisivo por o caçador de andróides vivido por Harrison Ford.

***

Bonequinha de Luxo-15

4 – BONEQUINHA DE LUXO (1961)

Frustrada por seus sonhos de riqueza naufragarem e sem aceitar qualquer vínculo emocional, Holly Golightly (Audrey Hepburn) reage à declaração amorosa de Paul (George Peppard) expulsando seu fiel companheiro Gato de um taxi para um beco, debaixo do maior pé d’água. Logo se arrepende – e a procura pelo gato, sob água e a música de Henry Mancini, é um terno simbolismo do reencontro consigo mesma.

***

Inimigo Publico-10

3 – INIMIGO PÚBLICO (1931)

A chuva cai forte, mas o personagem de James Cagney não dá a mínima. Na cena, já um poderoso gangster, ele está esperando na rua o momento de entrar sozinho em um restaurante e acertar as contas ele mesmo com uma gangue rival. O tiroteio é acompanhado pelo espectador do lado de fora, ouvindo os tiros e apenas aguardando quem sairá vivo pela porta.

***

Sete Samurais - 04

2 – OS SETE SAMURAIS (1954)

O confronto final entre a pobre aldeia, liderada pelos sete samurais contratados, contra os bandidos que rotineiramente a atacam, acontece debaixo de um dos maiores pés d’água já vistos no cinema, o que torna tudo ainda mais desafiador, épico e dramático neste clássico de Kurosawa.

***

Antes do primeiro colocado, algumas menções honrosas: Deus desafiado em Forrest Gump, o Contador de Histórias (1994); visibilidade zero em Psicose (1960); a mensagem fatídica em Casablanca (1942); os créditos de abertura de Os Guarda-Chuvas do Amor (1964); fuga sob a chuva em Um Sonho de Liberdade (1995); um beijo de Depois do Vendaval (1952); e o sexo na escadaria de 9½ Semanas de Amor (1986).

Cantando na Chuva - 25

1 – CANTANDO NA CHUVA (1952)

Dizem que Gene Kelly estava com 38 graus de febre no dia em que filmou a cena mais icônica de Cantando na Chuva: seu  personagem deixa a namorada em casa, parece que todos os seus problemas estão resolvidos e ele está tão feliz que não se importa com o aguaceiro: fecha o guarda-chuva, canta e sapateia pela rua. Leite foi misturado na água para que os pingos ficassem mais visíveis na filmagem. Kelly improvisou uma parte do número. E tudo foi feito em poucos e longos planos, que mostram a perícia não só de Kelly como da equipe inteira.

A seguir, os meus melhores filmes de 2016, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, como em todo ano, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

O número de filmes em cartaz em João Pessoa explodiu em 2016: foram 258 estreias contra as 163 de 2015 e 164 de 2014. O recorde anterior, desde 2006, ano em que o Boulevard começou a fazer esse acompanhamento, havia sido 165 em 2007. Os motivos determinantes para esse aumento são a inauguração do novo Cine Banguê, que vem servindo filmes que não passam nos demais cinemas, e alguma diversidade no Cinépolis e no Cinespaço.

THE REVENANT

1 – O REGRESSO, de Alejandro González Iñarritu

Iñarritu é um diretor que arrisca muito em suas narrativas, nem sempre com sucesso. Mas quando acerta, entrega coisas belas como este O Regresso, a jornada selvagem e espiritual de um homem em busca de outro que o deixou para morrer, aós ter sido atacado por um urso. A interpretação visceral de Leonardo DiCaprio foi, com toda a justiça, premiada com o Oscar, o Globo de Ouro, o SAG e o Bafta. Crítica no Boulevard

Elle - 03

2 – ELLE, de Paul Verhoeven

Isabelle Huppert matadora, para variar, em um filme desconcertante e doentio – Paul Verhoeven sendo Paul Verhoeven. Isabelle é uma mulher fria e cerebral que é estuprada dentro de casa por um mascarado e lida ao seu modo com a possibilidade de um novo ataque.

Aquarius - 06

3 – AQUARIUS, de Kléber Mendonça Filho

Sônia Braga é a única moradora que restou em um antigo prédio que uma construtora quer demolir. Mas ela luta pelo direito de preservar suas memórias afetivas. Uma bela defesa de que coisas – como discos ou um apartamento – podem não ser apenas “coisas”.

Zootopia - 06

4 – ZOOTOPIA – ESSA CIDADE É O BICHO, de Byron Howard e Rich Moore

No que parecia apenas mais uma sátira de bichinhos se comportando como seres humanos, desenrola-se uma imaginação bem cuidada de como seria essa cidade levando-se em consideração as características dos animais antropomorfizados, uma história policial instigante e uma crítica surpreendente e dura aos preconceitos de quem se acha o mocinho.

Spotlight - 01

5 – SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS, de Tom McCarthy

Com uma história que tinha tudo para mergulhar no melodrama, essa trama que conta a investigação jornalística que expôs o escândalo de pedofilia da Igreja de Boston é contida e precisa em sua narrativa. Crítica no Boulevard

null

6 – CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL, de Anthony Russo e Joe Russo

Um filme de super-heróis que reflete sobre si mesmo, sobre o gênero e seus personagens. E coloca os dois personagens principais do universo cinematográfico da Marvel com o peso dramático acumulado em todos estes anos e filmes.

Bruxa - 03

7 – A BRUXA, de Robert Eggers

Famílias isoladas à mercê do sobrenatural não são exatamente uma novidade, mas este filme consegue imprimir um clima opressor e tanto. Crítica no Boulevard

Cinco Gracas - 03

8 – CINCO GRAÇAS, de Deniz Gamze Ergüven

Cinco irmãs jovens e cheias de vida vítimas de um tio que as prende em casa e as obriga a casamentos arranjados. O filme nos leva a procurar tanto quanto elas uma saída.

Filho de Saul - 03

 

9 – FILHO DE SAUL, de Lázló Nemes

Filmado quase todo em close, é uma experiência que nos faz acompanhar de perto o drama pesado e doloroso de um homem que tenta impedir que o filho morto seja incinerado pelo nazistas. Ao menos isso.

ARRIVAL

 

10 – A CHEGADA, de Denis Villeneuve

Uma ficção científica que recusa a pirotecnia e celebra o poder da comunicação. Denis Villeneuve evoca o Spielberg de Contatos Imediatos do Terceiro Grau.

+ 10: A Grande Aposta, de Adam McKay; Deadpool, de Tim Miller; Mia Madre, de Nanni Moretti; Café Society, de Woody Allen; Sully, o Herói do Rio Hudson, de Clint Eastwood; Rogue One – Uma História Star Wars, de Gareth Edwards; Star Trek – Sem Fronteiras, de Justin Lin; Carol, de Todd Haynes; Jogo do Dinheiro, de Jodie Foster; Animais Fantásticos e Onde Habitam, de David Yates.

***

<< Meus melhores filmes de 2015


MAIS RETROSPECTIVA 2016:

Mulher-Maravilha - 07

Choque de realidade: Gal Gadot em “Mulher-Maravilha”

‘MULHER-MARAVILHA’
Estrelas-03 e meia juntas-site

O universo da DC Comics é muito caro pra mim. São os super-heróis da minha infância, são os cânones dos quais todos os outros são derivados (por aproximação ou oposição). São os modelos primordiais. Por isso tem doído bastante vê-los tão maltratados nos quadrinhos e no cinema. Desisti dos quadrinhos quando a editora tentou enfiar goela abaixo aquela coisa triste chamada “Novos 52”. E no cinema, um festival de tranqueiras tentando montar aos trancos e barrancos um universo compartilhado, como o que a Marvel construiu (com bem mais paciência e inteligência).

Isto posto, a alegria de constatar que conseguiram fazer de Mulher-Maravilha um filme. E não um amontoado de ideias ruins ou mal executadas, como os três exemplares anteriores desse universo compartilhado.

A ambientação na I Guerra Mundial provou-se um grande acerto. Nascida e criada na idílica Themiscyra (antes conhecida como Ilha Paraíso), povoada só por amazonas e isolada do mundo, Diana (Gal Gadot) socorre o aviador Steve Trevor (Chris Pine) que cai ali. E toma conhecimento da guerra que está consumindo o mundo. E decide deixar a ilha para ajudar acabar com a guerra no “mundo dos homens”.

A partir daí, o filme combina um humor leve ancorado na estranheza com que a princesa amazona vê os costumes do mundo de 1918 – especificamente em Londres. As roupas, o papel da mulher na sociedade, ver um bebê (o último em sua ilha havia sido ela mesma).

Ao entrarmos na guerra, Diana vai tomando contato com as complexidades da humanidade. Mesmo que o filme trate várias delas de leve, é quando ele cresce: o sofrimento de pessoas humildes, o racismo, não poder salvar a todos, as mortes gratuitas. Em certa medida, um índio diz que seu povo “foi morto pelo povo dele”, referindo-se ao branco Trevor, aliado de ambos. Como compreender coisas assim? O filme lida muito bem com o impacto disso na personagem.

O mundo é meio o inimigo, e isso compensa um pouco as fragilidades dos vilões do filme. Danny Huston faz o que pode, mas seu personagem é pobre e não ajuda. E, quando o deus Ares se revela, nunca convence, nem seu estratagema. Pior, a sequência final direciona desnecessariamente o filme para o simplismo quando ele navegava bem em mares mais complexos. Também parece um clímax de combate grandioso posto ali meio que por obrigação.

A espanhola Elena Anaya, como a Doutora Veneno, se sai melhor fazendo um tipo propositalmente caricato, mas o filme não a aproveita bem. Sua participação é bem menor do que poderia.

Mas, enfim, o filme também se vale bem do carisma de Gal Gadot e Chris Pine e da boa química entre eles. Há um clima de romance bem conduzido, equilibrando bem com o humor e as cenas de ação.

Cenas de ação, aliás, que exageram nas câmeras lentas: nenhuma amazona pode dar um pulo sequer que para no ar. Esses momentos são incontáveis, de bonitos tornam-se logo banais e repetitivos e, curiosamente, só dão um descanso justamente no combate final.

Felizmente, a construção da personagem é que é o motor do filme: quando ela destrói uma torre para parar um atirador alemão que ataca seu grupo e surge depois lá em cima, é difícil não ver que ali está a Mulher-Maravilha. Em termos de DC no cinema, ultimamente, isso já é muita coisa.

Mulher-Maravilha. Wonder Woman. Estados Unidos, 2017. Direção: Patty Jenkins. Roteiro: Allan Heinberg, baseado em história de Heinberg, Zack Snyder e Jason Fuchs. Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen, Robin Wright, Danny Huston, Elena Anaya, David Thewlis, Saïd Taghmaoui, Ewen Bremner, Eugene Brave Rock, Lucy Davis, Lilly Aspell.

Coluna Cinemascope (#9). Correio da Paraíba, 16/11/2016.

mestres-do-universo-01

“Mestres do Universo” (1987)

Há (quase) 30 anos

por Renato Félix

Todo mundo tem duas primeiras vezes no cinema: a primeira vez em que foi levado pelos pais (ou um tio, ou algum outro adulto) e a primeira vez em que foi por si mesmo (sozinho ou com amigos) e com seu próprio dinheiro (da mesada, economizado do lanche da escola, ou mesmo dado pelos pais). Esta minha “segunda primeira vez” no cinema vai completar 30 anos em 2017.

Foi no antigo Cine Municipal, na época o maior em atividade na cidade, com seus  mais de 900 lugares. O filme, no entanto, não é nada para se orgulhar muito: Mestres do Universo, aquela versão em carne-e-osso do He-Man, com Dolph Lundgren, produzida pela Cannon. Não exija muito, eu tinha 13 anos.

O IMDb me diz que o filme estreou no Brasil em 30 de junho, então é provável que julho tenha sido o mês em que peguei meu dinheirinho (economizado do lanche), fui de ônibus à tarde ao Municipal, no Centro de João Pessoa, assisti o filme e voltei pra casa. No ano seguinte, fui ver mais uns três ou quatro filmes e em 1989 a sala escura me pegou de vez.

Mas 1988 também foi um ano que definiu o cinema para mim. Foi o ano em que vi pela primeira vez um Indiana Jones (o primeiro), um Jornada nas Estrelas (o segundo), um James Bond (Os Diamantes São Eternos, com Sean Connery). Todos na TV, na Tela Quente, que foi lançada em março de 1988 (o filme de estreia foi O Retorno de Jedi, que também vi pela primeira vez aí).

Mas tem uma data que não consigo precisar: foi no reveillón de 1987 ou de 1988 que Cantando na Chuva foi exibido como primeiro filme do ano na Globo? Sozinho em casa, o filme transformou uma virada de ano super tranquila em um maravilhamento que me abriu as portas do cinema clássico. Até hoje meu filme preferido e um definidor de quem sou hoje.

FOTO: Mestres do Universo (1987)

<< Anterior: Clássico é clássico (e vice versa)
>> Antes e depois deles

Coluna Cinemascope (#7). Correio da Paraíba, 2/11/2016.

null

“Doutor Estranho” (2016)

 

Super-heróis, lado B

por Renato Félix

Quando eu era ainda um menino e via os filmes do Super-Homem com Christopher Reeve ainda na primeira dublagem brasileira na TV preto-e-branco dos meus pais, nunca imaginei que veria uma época como esta: vários filmes de super-heróis por ano, não raro muito bons e com chance até para personagens que não são aqueles mais populares entre não-leitores.

Naquela época, eu ainda estava começando a ler gibis do gênero (lia o Batman de Neal Adams e Denny O’Neill, basicamente, e logo viria O Cavaleiro das Trevas, Watchmen, que mudariam tudo nas HQs de heróis). De filmes, só havia mesmo os do Super-Homem. Fora isso, os heróis só apareciam de carne-e-osso em séries de TV em geral sofríveis. O Batman de Tim Burton em 1989 apareceu como honrosa exceção nos cinemas.

A coisa mudou mesmo quando X-Men – O Filme se tornou um grande sucesso em 2000 (eu sei, teve Blade pouco antes, mas que não-leitor já ouviu falar de Blade?). Homem-Aranha (2002) consolidou o gênero em ascensão. E Homem de Ferro (2008) deu o ponta-pé nos filmes interligados da Marvel.

E, com eles, a Marvel se tornou uma marca tão conhecida dos não-leitores que passou a ser avalista até de filmes de heróis pouco conhecidos além das páginas dos gibis. O garoto daqueles tempos, os anos 1980, nunca imaginaria assistir a um filme do Homem-Formiga, do Deadpool, dos Guardiões da Galáxia…

Ou Doutor Estranho, que teve pré-estreia com toda a pompa nesta madrugada, e já entra em horários à tarde nesta quarta em JP, Campina e Patos, embora a estreia oficial seja só na quinta. Quem sabe no futuro o público não-leitor acabe íntimo de personagens como o Homem-Elástico (da DC) ou da Ms. Marvel (da Marvel)?

FOTO: Doutor Estranho (2016)

<< Anterior: Passaram longe
>> Clássico é clássico (e vice versa)

Coluna Cinemascope (#2). Correio da Paraíba, 28/9/2016.

superman-2-04b

“Superman II – A Aventura Continua” (1980)

Final aberto: você decide

por Renato Félix

Outro dia revi Superman II e me lembrei da questão interessante envolvendo os três kryptonianos do filme. Questão que ficou adormecida durante mais de 30 anos (até ser despertada pela infame cena de O Homem de Aço, 2013), aparentemente com cada espectador guardando para si o que achava: eles morrem ou não?

Você lembra: depois que o trio de vilões perde seus poderes, é jogado em um fosso na Fortaleza da Solidão, base do herói no Ártico. Somem na névoa (que está bem próxima à beira) ao cair e não voltam ao filme depois disso.

O filme deixa esse final dos personagens em aberto, deixando que o espectador imagine o desfecho. E aí preenchemos muitas vezes com elementos que trazemos conosco. Acostumados a filmes onde James Bond (ou Rambo ou Schwarzenegger) matam bandidos sem culpa, não chega a ser supresa que se faça a associação automática: os vilões sumiram de cena, logo morreram.

No entanto, é preciso colocar esse processo condizente com a narrativa do filme. Teria aquele Super-Homem, de Christopher Reeve, matado a sangue frio três indivíduos sem poderes – e depois agir como se nada tivesse acontecido? Acho que não. Logo, o desfecho dos vilões teria que ser outro, dos muitos possíveis na situação que o filme deixou em aberto.

Há diversos outros exemplos, ainda mais intrigantes: Shane morre ou não no fim de Os Brutos Também Amam (1953), qual o destino que Tom Hanks vai tomar na encruzilhada final de Náufrago (2000)? Quais os problemas dos filhos que Marty vai encontrar no futuro depois do fim de De Volta para o Futuro (1985)? Bom, esse é um final aberto que a parte II explicou.

Em tempo: há uma edição exibida apenas na TV nos EUA que mostra policiais do Ártico prendendo Lex Luthor e os kryptonianos. Logo, não morreram.

FOTO: Superman II – A Aventura Continua (1980)

<< Anterior: Para que você vê um filme?
>> Próxima: A crítica não é uma pessoa só

 

Assim como treino é treino e jogo é jogo, trailer é trailer e filme é filme. Mas não posso deixar de dizer que esse trailer de Homem-Aranha – De Volta ao Lar me passa a melhor das impressões. Um visual simples e direto, economizando nas firulas e com bom destaque para os personagens (mais que aos efeitos). Robert Downey Jr. marcando ótima presença e Michael Keaton assumindo de vez o Birdman (ele faz o vilão Abutre). Estreia no Brasil em 6 de julho.

por Renato Félix

Não é uma atualização (ainda). É a mesma lista que foi publicada aqui no blog em 2014, mas reunida em um mesmo infográfico. Abaixo dele, a lista dos filmes, só com o texto. Lembrando que a lista não reflete a minha opinião: é uma combinação da média ponderada das avaliações dos usuários do IMDb e das cotações do Metacritic e do Rotten Tomatoes, sites que compilam avaliações dos críticos americanos.

A partir do 50º lugar, a lista indica opções de leitura referentes ao filme em questão. Como foi feito em 2014, pode haver naturais desatualizações e, claro, não inclui os filmes de 2014 para cá, que ficam para uma futura nova lista.

Detalhes e a lista parte a parte? Clique aqui.

Ranking completo 3

 

Os 100 primeiros:

1 – Persépolis (2007)
2 – Batman, o Cavaleiro das Trevas (2008)
3 – O Fantasma do Futuro (1995)
4 – Anti-Herói Americano (2003)
5 – Azul É a Cor Mais Quente (2013)
6 – Ghost World – Aprendendo a Viver (2001)
7 – Guardiões da Galáxia (2014)
8 – Superman – O Filme (1978)
9 – Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)
10 – O Castelo de Cagliostro (1979)
11 – Nausicaa – A Princesa do Vale dos Ventos (1984)
12 – Homem-Aranha 2 (2004)
13 – Homem de Ferro (2008)
14 – Charlie Brown e Snoopy (1969)
15 – Expresso do Amanhã (2013)
16 – X-Men – Dias de um Futuro Esquecido (2014)
17 – Cor da Pele: Mel (2012)
18 – Superman II (1980)
19 – Volte para Casa, Snoopy (1972)
20 – Akira (1988)
21 – Os Vingadores – The Avengers (2012)
22 – Marcas da Violência (2005)
23 – O Reino dos Gatos (2002)
24 – Batman – A Máscara do Fantasma (1993)
25 – Capitão América 2 – O Soldado Invernal (2014)
26 – Batman Begins (2005)
27 – Oldboy (2003)
28 – Death Note (2006)
29 – Hellboy II – O Exército Dourado (2008)
30 – Homem-Aranha (2002)
31 – Metropolis (2001)
32 – MIB – Homens de Preto (1997)
33 – Sin City, a Cidade do Pecado (2005)
34 – Contos do Além (1972)
35 – Estrada para Perdição (2002)
36 – Death Note – The Last Name (2006)
37 – X-Men 2 (2003)
38 – X-Men – Primeira Classe (2011)
39 – O Corvo (1994)
40 – Asterix e Obelix – Missão Cleópatra (2002)
41 – Gen Pés Descalços (1983)
42 – Scott Pilgrim contra o Mundo (2010)
43 – Batman – O Retorno (1992)
44 – Lobo Solitário – Espada da Vingança (1972)
45 – Ping-Pong (2002)
46 – Meus Vizinhos, os Yamada (1999)
47 – Hellboy (2004)
48 – Kick-Ass – Quebrando Tudo (2010)
49 – X-Men – O Filme (2000)
50 – As Aventuras de Tintim (2011)
51 – V de Vingança (2005)
52 – As Múmias do Faraó (2010)
53 – Batman, o Homem-Morcego (1966)
54 – Mind Game (2004)
55 – Homem de Ferro 3 (2013)
56 – A Família Addams 2 (1993)
57 – Batman (1989)
58 – Capitão América, o Primeiro Vingador (2011)
59 – Frango com Ameixas (2011)
60 – Superman – O Retorno (2006)
61 – Os Sem-Floresta (2006)
62 – O Espetacular Homem-Aranha (2012)
63 – Sakuran (2006)
64 – Nana (2005)
65 – Flash Gordon (1980)
66 – Dredd (2012)
67 – Noé (2014)
68 – O Fantasma do Futuro 2 – A Inocência (2004)
69 – Creepshow – Show de Horrores (1982)
70 – Thor (2011)
71 – O Procurado (2008)
72 – RED – Aposentados e Perigosos (2010)
73 – O Máskara (1994)
74 – Homem de Ferro 2 (2010)
75 – Sparks (2013)
76 – Gainsbourg, o Homem que Amava as Mulheres (2010)
77 – Perigo: Diabolik (1968)
78 – Homens de Preto III (2012)
79 – Wolverine Imortal (2013)
80 – O Incrível Hulk (2008)
81 – Watchmen – O Filme (2009)
82 – Barbarella (1968)
83 – O Palácio Francês (2013)
84 – O Retorno de Tamara (2010)
85 – A Família Addams (1991)
86 – Thor – O Mundo Sombrio (2013)
87 – Transformers (2007)
88 – Conan, o Bárbaro (1982)
89 – 300 (2006)
90 – Dose Dupla (2013)
91 – Dick Tracy (1990)
92 – Rocketeer (1991)
93 – Homem-Aranha 3 (2007)
94 – Quase Super-Heróis/ Heróis Muito Loucos (1999)
95 – X-Men – O Confronto Final (2006)
96 – O Homem de Aço (2013)
97 – Heavy Metal – Universo em Fantasia (1981)
98 – Do Inferno (2001)
99 – O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro (2014)
100 – Blade II – O Caçador de Vampiros (2002)

 

 

Batman V. Superman: Dawn Of Justice

Batman vs. Superman – A Origem da Justiça, o primeiro encontro no cinema dos  dois principais super-heróis dos quadrinhos, é um filme cheio e vazio ao mesmo tempo.  É soterrado por referências a histórias clássicas dos personagens, mas faltou uma história que as ligasse bem. É repleto de ideias de tramas, mas não consegue desenvolver razoavelmente bem uma sequer.

Com Zack Snyder novamente na direção, os personagens da DC Comics voltam a sofrer com a mão pesada do diretor (como O Homem de Aço já havia sofrido em 2013). Dedicado a imprimir um visual de impacto, Snyder é muito pobre de narrativa – suas câmeras lentas em excesso e gratuitas já viraram uma marca do diretor, mas uma marca negativa.

Criatividade também não é o seu forte: ele tem fervor em copiar grandes momentos dos gibis, mas não em transformá-los em grandes momentos cinematográficos. Basicamente, fica na xerox. Aqui, há citações de Batman, o Cavaleiro das TrevasCrise nas Infinitas TerrasA Morte do Super-Homem e outras, mas parecem espalhadas a esmo.

Várias só farão sentido lá na frente, nos próximos filmes e se revelam incompreensíveis para quem não é íntimo do material original nos quadrinhos. E um pouco disso também vale para as cenas brevíssimas em que aparecem outros heróis (Flash, Ciborgue e Aquaman), algo tão gratuito que, se retirado do filme, não faria a menor falta.

E quando Snyder inventa, se sai ainda pior. O exemplo mais claro aqui é o Lex Luthor vivido por Jesse Eisenberg, uma “atualização” que o transformou em um sub-Mark Zuckerberg (que Eisenberg interpretou em A Rede Social, vocês sabem).

Atualização, aliás, em termos. Depois de leitores de HQ chatos reclamarem por anos a fio do Luthor cômico de Gene Hackman nos filmes do Super-Homem dos anos 1970/ 1980, e de sua releitura por Kevin Spacey em Superman – O Retorno, este filme traz um… Luthor engraçado? Ainda não deu para entender qual a intenção do filme com isso.

O filme não é uma perda total. Há um ou outro momento interessante, ou, como está no começo do texto, premissas boas mal desenvolvidas. O conflito central entre Batman e Superman é pífio. A explicação não convence e a luta em si menos ainda, acontecendo por um motivo tolo e podendo ser evitada por uma frase banal.

Sem falar na já famosa resolução do conflito, uma originalmente boa sacada totalmente desperdiçada por falta de um roteiro minimamente inteligente: uma palavra dita de maneira incrivelmente forçada resolve o assunto e muda o status de “ameaça à humanidade” para “amigo”. Acabou virando piada (e com justiça, é uma cena péssima). Essa pressa está presente em muitos momentos, e pode refletir o excesso de ideias (e seu mal aproveitamento). O desfecho do filme, por exemplo, usa uma carta grande como uma ejaculação precoce.

Curiosamente, a vontade de ser épico o leva a uma contradição: mesmo com a pressa, a edição não sabe como terminar o filme, com alguns incômodos “falsos finais” até a verdadeira cena final.

Em termos de representação dos personagens, o Super-Homem é um caso perdido. O que foi feito em O Homem de Aço se reflete da pior maneira aqui: um personagem apático o tempo inteiro. O Batman de Ben Affleck é decente, e chega a ter alguns momentos muito bons, mas equilibrado com outros totalmente sem brilho (sem falar que é enrolado com muita facilidade e seus motivos para rivalizar com o Super-Homem são muito frágeis). A Mulher-Maravilha é um dos bons momentos do filme – Gal Gadot convence, talvez porque apareça pouco, e dá esperanças para seu filme solo.

Batman vs. Superman insiste em querer ser “sério”, mas só consegue ser sisudo e baixo astral. É preciso lembrar que não há de errado em um filme de super-heróis querer ser sério. Nem leve. Há excelentes exemplares de um lado (Batman, o Cavaleiro das TrevasCapitão América – O Soldado Invernal) e de outro (Homem de FerroOs Vingadores – The Avengers). Mas de um lado ou de outro há que se contar uma boa história. E isso Batman vs. Superman – A Origem da Justiça não faz.

Batman vs. Superman – A Origem da Justiça. Batman v. Superman – Dawn of Justice. Estados Unidos, 2016. Direção: Zack Snyder. Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Jesse Eisenberg, Diane Lane, Laurence Fishburne, Jeremy Irons, Holly HUnter, Gal Gadot, Michael Shannon, Ezra Miller, Jason Momoa.

stars-blue-2-0

Estrelas-04 juntas-site

Famosos ‘quem?’

A Marvel já aposta em seu lado B no cinema - e se dá bem

A Marvel já aposta em seu lado B no cinema – e se dá bem

No começo de Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, Estados Unidos, 2014; em cartaz em JP, CG e Patos), um personagem é preso é se apresenta com um dos codinomes mais pomposos do universo: “Starlord”. Mas a resposta é “Quem?” e, consciente ou não, isso dá o parâmetro de como essa nova produção com personagens da Marvel foi recebida pelos não iniciados na HQ, enquanto o filme ia sendo divulgado.

Também é uma demonstração, de saída, de que o filme vai combater isso com muito bom humor. E funciona: ninguém precisa saber nem de longe quem são Peter Quill (ou o tal Starlord, vivido por Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax, o Destruidor (Dave Bautista), Rocket (um guaxinim com voz de Bradley Cooper) e Groot (uma árvore ambulante com voz de Vin Diesel – cuja única fala é “I am Groot” repetidas vezes) para se interessar pelos personagens depois de apresentados e de firmada a relação entre eles.

Certamente, uma sacada que ajuda a aproximar o espectador é a abdução de Quill ainda criança nos anos 1980, mantendo as referências de seu tempo muito vivas com ele 20 anos depois, no espaço. Em vez das sinfonias de John Williams dando o suporte épico para viagens espaciais, a trilha desfila sucessos antigões com o pretexto de estarem na fita k7 que Quill leva consigo: de “Hooked on a feeling”, com Blue Swede, a “I want you back”, com o Jackson 5, canção esta que não deixa de apostar no desejo do público por uma continuação (que os créditos já fazem questão de anunciar). Assim, quando um local estranho e soturno é desbravado por Quill nos créditos de abertura, ele dançar ao som de “Come on and get your love”, do Redbone, deixa a plateia em casa, mesmo que a história seja nos confins do espaço.

O descompromisso com muita profundidade dramática e a determinação de não se levar a sério acabam ajudando bastante. Depois da ótima abertura, o filme patina um pouco até engrenar de novo, mas boas piadas conseguem sempre manter o nível. No fim, quando o mesmo personagem do começo (Djimon Hounsou que, como Glenn Close, não tem nada a fazer em termos de atuação aqui) reencontra Quill e o chama de Starlord, é sinal de que nós espectadores também já devemos saber também quem ele é.

Guardiões da Galáxia. (Guardians of the Galaxy). EUA, 2014. Direção: James Gunn. Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Djimon Hounsou, John C. Reilly, Glenn Close, Beniicio del Toro. Vozes: Bradley Cooper, Vin Diesel.

* Versão estendida de crítica publicada em julho no Correio da Paraíba.

Sigam-me os bons (no Twitter)

dezembro 2019
D S T Q Q S S
« nov    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  

Cenas da Vida

Páginas

Estatísticas

  • 1.341.707 hits