Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria. Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

OS 20 MELHORES DE 1999

Tudo sobre Minha Mae - 01

1 — TUDO SOBRE MINHA MÃE

(Todo Sobre Mi Madre, Espanha/ França). Direção: Pedro Almodóvar. Elenco: Cecília Roth, Marisa Paredes, Candela Peña, Antonia San Juan, Penélope Cruz.
Almodóvar voltava a investir no melodrama, temperado por seu amor pelas atrizes. Um jovem que quer ser escritor tenta pegar um autógrafo de uma famosa atriz, mas é atropelado e morre.  Sua mãe convive com esse luto enquanto busca pelo pai do rapaz, para dar a notícia. Na jornada, conhece um travesti, uma freira e a própria atriz. O título mostrava sua devoção à Hollywood clássica, citando diretamente o clássico All about Eve (A Malvada no Brasil, filme de 1950), com Bette Davis e Anne Baxter. O filme é dedicado a Bette, a Romy Schneider e Gena Rowlands, três grandes atrizes do cinema. Ganhou o Oscar de filme de língua não inglesa.

***

Toy Story 2 - 01

2 — TOY STORY 2

(Toy Story 2, Estados Unidos). Direção: John Lasseter. Elenco (vozes originais): Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Kelsey Grammer, Don Rickles, Wallace Shawn, Annie Potts, Wayne Knight, Lurie Metcalf, Estelle Harris. R. Lee Ermey, Jodi Benson.
Quatro anos após o primeiro filme, Toy Story coloca o devotado boneco Woody frente a possibilidade de um dia ser descartado (tema que seria retomado no terceiro e quarto filmes). O drama da rejeição aparece mais forte na figura de Jessie e a canção que conta sua história com a antiga dona, com um final de cortar o coração. Há muitas, muitas ideias maravilhosas: o segundo Buzz Lightyear, que — como o primeiro, no primeiro filme — pensa que é mesmo um herói espacial, mas é ainda mais caricato e engraçadíssimo; o prólogo; a sequência nas esteiras do aeroporto; o clímax que remete aos faroestes.

***

Buena Vista Social Club

3 — BUENA VISTA SOCIAL CLUB

(Buena Vista Social Club, Alemanha/ Estados Unidos/ Reino Unido/ França/ Cuba). Direção: Wim Wenders. 
Wim Wenders e Ry Cooder foram pra Cuba. E lá eles trouxeram à luz uma série de músicos extraordinários que estavam meio esquecidos: Compay Segundo, Ibrahim Ferrer, Rubén González, Omara Portuondo e muitos outros. O filme e o disco resgataram essa parte da música cubana para o mundo.

***

Eleicao

4 — ELEIÇÃO

(Election, Estados Unidos). Direção: Alexander Payne. Elenco: Matthew Broderick, Reese Witherspoon, Chris Klein, Jessica Campbell, Colleen Camp. 
Em uma aparentemente inocente eleição do corpo estudantil de uma escola, um professor detecta o perigo futuro em uma das concorrentes, especialmente ambiciosa. Ele resolve interferir no pleito, enquanto sua vida pessoal vai se tornando mais e mais confusa. Uma comédia que parece um John Hughes dark.

***

Sexto Sentido - 04

5 — O SEXTO SENTIDO

(The Sixth Sense, Estados Unidos). Direção: M. Night Shyamalan. Elenco: Bruce Willis, Haley Joel Osment, Toni Collette, Olivia Williams. 
Um dos finais-surpresa mais famosos da História, o filme é uma extremamente bem armada pegadinha narrativa, além de criar um clima de terror dramático mais importante que eventuais sustos.

***

Informante - 1999 - 02

6 — O INFORMANTE

(The Insider, Estados Unidos). Direção: Michael Mann. Elenco: Al Pacino, Russell Crowe, Christopher Plummer, Diane Venora, Gina Gershon. 
Às vezes Michael Mann se deixa levar pelo apuro estético e esquece um pouco de contar a história. Não é o que acontece aqui, na forte trama de um denunciante da indústria do tabaco (Crowe que,  ganhou o Oscar do ano seguinte por Gladiador, quando merecia muito mais por este aqui) que é atacado depois que resolve abrir a boca em um programa jornalístico da TV após a insistência de um produtor (Pacino).

***

Quero Ser John Malkovich - 04

7 — QUERO SER JOHN MALKOVICH

(Being John Malkovich, Estados Unidos). Direção: Spike Jonze. Elenco: John Cusack, Cameron Diaz, Catherne Keener, Octavia Spencer, John Malkovich. 
Filmes esquisitos hoje não são mais tão incomuns, mas a trama de um meio-andar em um prédio onde as pessoas têm que andar curvadas e onde há uma passagem para dentro da mente do ator John Malkovich foi uma imensa surpresa em sua época. O roteiro é de Charlie Kaufman, que a partir daqui virou grife.

***

DH Wallpapers

8 — MAGNÓLIA

(Magnolia, Estados Unidos). Direção e roteiro: Paul Thomas Anderson. Elenco: Julianne Moore, Tom Cruise, William H. Macy, Phillip Seymour Hoffman, Jason Robards, John C. Reilly, Philip Baker Hall, Alfred Molina, Melinda Dillon.
Uma intrincada teia de dramas, ressentimentos, dores, frustrações e desesperos interligando diversos personagens, pela batuta firme e elegante de P.T. Anderson.

***

A Espera de um Milagre - 04

9 — À ESPERA DE UM MILAGRE

(The Green Mile, Estados Unidos). Direção: Frank Darabont. Elenco: Tom Hanks, Michael Clarke Duncan, David Morse, James Cromwell, Bonnie Hunt, Sam Rockwell, Michael Jeter, Doug Hutchison, Patricia Clarkson, Harry Dean Stanton. 
Darabont dirige outra trama de Stephen King (depois de Um Sonho de Liberdade, 1995) e de novo entregou um grande trabalho. Há o elemento sobrenatural, na figura do preso gigante que é acusado de matar uma menina e que tem um dom misterioso, e há a rotina do corredor da morte, de seus hóspedes e dos policiais que os guardam. O filme tem vários bons personagens, defendidos por um elenco ótimo.

***

Picaretas - 01

10 — OS PICARETAS

(Bowfinger, Estados Unidos). Direção: Frank Oz. Roteiro: Steve Martin. Elenco: Steve Martin, Eddie Murphy, Heather Graham, Christine Baranski, Terence Stamp, Robert Downey Jr. 
Uma comédia amorosa sobre o mundo do cinema em que Steve Martin é um produtor/diretor meia-boca que resolve dirigir um filme com um grande astro — sem que ele saiba. Para isso, vale usar de todos os recursos para a interação com o ator, que ainda é um paranoico membro de uma religião dessas tipo cientologia.

***

Lugar Chamado Notting Hill - 03

11 — UM LUGAR CHAMADO NOTTING HILL

(Notting Hill, Estados Unidos). Direção: Roger Michell. Roteiro: Richard Curtis. Elenco: Hugh Grant, Julia Roberts, Rhys Ifans, Tim McInnerny, Gina McKee, Emma Chambers, Hugh Bonneville. 
Especialista em comédias românticas, Richard Curtis teve um ponto alto aqui, fantasiando essa relação entre um britânico suburbano sem graça e uma estrela de Hollywood. Michell tem uma direção inspirada e há diversos bons coadjuvantes.

***

Virgens Suicidas - 01

12 — AS VIRGENS SUICIDAS

(The Virgin Suicides, Estados Unidos). Direção e roteiro: Sofia Coppola. Elenco: Kirsten Dunst, James Woods, Kathleen Turner, Josh Hartnett, Michael Paré, Scott Glenn, Danny DeVito, Hayden Christensen.
A redenção de uma artista, nove anos antes massacrada por uma escalação infeliz do pai e uma consequente má atuação em O Poderoso Chefão — Parte III, Com As Virgens Suicidas, Sofia Coppola se revelou uma cineasta sensível e talentosa nessa história dos rapazes obcecados com as cinco misteriosas irmãs novas na vizinhança.

***

Clube da Luta - 01

13 — CLUBE DA LUTA

(Fight Club, Estados Unidos/ Alemanha). Direção: David Fincher. Roteiro: Jim Uhls. Elenco: Edward Norton, Brad Pitt, Helena Bonham Carter, Meat Loaf.
Vidas em Jogo
(1997) não havia tido a mesma recepção impressionante de Seven (1995), mas David Fincher recuperou seu prestígio narrativo com essa adaptação vistosa e que se tornou cult do livro de Chuck Palahniuk. É incrivelmente o primeiro roteiro de Uhls.

***

Tarzan - 13

14 — TARZAN

(Tarzan, Estados Unidos). Direção: Chris Buck, Kevin Lima. Roteiro: Tab Murphy, Bob Tzudiker, Noni White. Elenco (vozes na dublagem original): Tony Goldwin, Minnie Driver, Glenn Close, Brian Blessed, Lance Henriksen, Rosie O’Donnel, Nigel Hawthorne, Wayne Knight.
Foi meio surpreendente que a Disney tivesse recorrido a um personagem já usado tantas vezes no cinema para seu longa de animação da vez. No fim, foi um ponto alto do estúdio nos anos 1990, um dos últimos grandes trabalhos da animação tradicional na Disney para o cinema antes do computador tomar conta de vez.

***

Matrix - 01

15 — MATRIX

(The Matrix, Estados Unidos). Direção e roteiro: Lana Wachowski e Lilly Wachowski. Elenco: Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving.
O universo hacker, efeitos de última geração, a pílula azul ou a pílula vermelha, filosofia pop, estilo visual cyberpunk. Matrix fez a cabeça de um mundo de gente e nem as desastrosas continuações diminuíram sua força.

***

Mundo de Andy

16 — O MUNDO DE ANDY

(Man on the Moon, Estados Unidos). Direção: Milos Forman. Roteiro: Scott Alexander e Larry Karaszewski. Elenco: Jim Carrey, Danny DeVito, Courtney Love, Paul Giamatti.
Jim Carrey entrega uma daquelas performances que costumam chamar de mediúnicas na cinebiografia de um lendário comediante americano, pouco conhecido por aqui: Andy Kaufman.

***

Meninos Nao Choram - 01

17 — MENINOS NÃO CHORAM

(Boys Don’t Cry, Estados Unidos). Direção: Kimberly Pearce. Roteiro: Kimberly Peirce e Andy Bienen. Elenco: Hilary Swank, Chloë Sevigny, Peter Sarsgaard.
A crua cinebiografia de Brandon Teena, e sua vida de homem transgênero no interior dos EUA, revelou a grande atriz Hilary Swank, que ganhou o Oscar, mas teve poucas oportunidades realmente boas depois.

***

Gigante de Ferro - 01

18 — O GIGANTE DE FERRO

(The Iron Giant, Estados Unidos). Direção: Brad Bird. Roteiro: Tim McCanlies. Elenco (vozes na dublagem original): Eli Marienthal, Jennifer Aniston, Harry Connick Jr., Vin Diesel. 
Animação que bebe na ficção científica dos anos 1950, com a história de um robô gigante que veio do espaço, cai próximo a uma cidadezinha do interior e faz amizade com um garoto local. Não por acaso, o filme se passa exatamente nos anos 1950. Lembra também Frankenstein Jr., da Hanna-Barbera. Bird depois dirigiu Ratatouille e Os Incríveis, na Pixar, e o melhor filme disparado de Missão: Impossível.

***

Beleza Americana-04

19 — BELEZA AMERICANA

(American Beauty, Estados Unidos). Direção: Sam Mendes. Roteiro: Alan Ball. Elenco: Kevin Spacey, Annette Bening, Thora Birch, Wes Bentley, Mena Suvari, Peter Gallagher, Allison Jenney, Chris Cooper. 
A partir da crise de meia idade de um sujeito assolado pelo desejo pela amiga da filha vão se revelando os desejos ocultos na comunidade americana suburbana perfeitinha na superfície.

***

Fim de Caso - 16

20 — FIM DE CASO

(The End of the Affair, Reino Unido/ Estados Unidos). Direção e roteiro: Neil Jordan. Elenco: Ralph Fiennes, Julianne Moore, Stephen Rea, Jason Isaacs. 
Jordan adaptou o romance de Graham Greene, no qual um escritor tem notícia de uma ex-amante, que o abandonou sem explicação, e tenta obsessivamente descobrir o motivos do final abrupto. Um grande elenco, com uma Julianne Morre especialmente deslumbrante.

***

 

OS 10 PIORES

Zoando na TV - 01

1 — ZOANDO NA TV

(Brasil). Direção: José Alvarenga Jr. Roteiro: Carlos Lombardi, Mauro Wilson, José Alvarenga Júnior, Maria Carmem Barbosa. Elenco: Angélica, Márcio Garcia, Danielle Winits, Paloma Duarte, Miguel Falabella, Bussunda, Oscar Magrini, Nicete Bruno, Maria Padilha, Odilon Wagner.
A primeira produção da Globo Filmes é essa comédia infantojuvenil que usa o elenco da emissora (a na época apresentadora infantil à frente) girando em torno da própria TV. Mau começo, parece forçado o tempo todo.

2 — UM COPO DE CÓLERA (Brasil). Direção: Aluízio Abranches. Elenco: Júlia Lemmertz, Alexandre Borges. Um livro lido em cena (e sexo).

3 — UMA AVENTURA DO ZICO (Brasil). Direção: Antônio Carlos da Fontoura. Elenco: Zico, Laura Cardoso. Fazem um clone do Zico e a personalidade dele é dividida em duas: um fica sério demais e o outro, zoeiro. Não podia dar certo.

4 — ARMADILHA (Entrapment, EUA/ Reino Unido/ Alemanha). Direção: Jon Amiel. Elenco: Sean Connery, Catherine Zeta-Jones. Um dos piores filmes de roubo já feitos, só vale pela Catherine, lindíssima.

5 — ROMANCE (Romance, França). Direção: Catherine Breillat. Elenco: Caroline Ducey, Rocco Sifredi. Fez o maior bafafá na época porque era um filme “sério” que tinha sexo explícito. Mas, como filme, é bem fraco.

6 — DO FUNDO DO MAR (Deep Blue Sea, EUA/ México). Direção: Renny Harlin. Elenco: Saffron Burrows, Thomas Jane, Samuel L. Jackson. Tubarões inteligentes digitais.

7 — ORFEU (Brasil). Direção: Carlos Diegues. Elenco: Toni Garrido, Patrícia França, Murilo Benício. Tentativa de atualizar a peça de Vinicius e Tom Jobim, que não funcionou. E ainda teve aquela ponta nonsense do Caetano tocando violão numa laje.

8 — A CASA AMALDIÇOADA (The Hauting, EUA). Direção: Jan de Bont. Elenco: Liam Neeson, Catherine Zeta-Jones, Lily Taylor, Owen Wilson, Virginia Madsen. Fazia parte de um projeto de refilmar clássicos do horror dos anos 1950. Tinha um bom elenco e bons nomes por trás das câmeras, mas não foi longe.

9 — O TRAPALHÃO E A LUZ AZUL (Brasil). Direção: Paulo Aragão e Alexandre Boury. Elenco: Renato Aragão, Adriana Esteves, Rodrigo Santoro, Christine Fernandes, Danielle Winits, Dedé Snatana, Roberto Guilherme. Dois filmes e oito anos depois, este filme trouxe Dedé de volta, mas como vilão. Já começou errado.

10 — STAR WARS — A AMEAÇA FANTASMA (Star Wars — The Phantom Menace, EUA). Direção: George Lucas. Elenco: Liam Neeson, Ewan McGregor, Natalie Portman, Jake Lloyd, Ian McDiarmid, Terence Stamp. Lucas recomeçou a saga Star Wars no cinema assumindo sozinho a direção e o roteiro. Estava fora de forma. Apesar da pompa e de causar muita expectativa no lançamento, o “episódio 1” pode ser descartado tranquilamente.

  • Não estão na lista porque não vi (mas aposto que entrariam: Xuxa Requebra e Gigolô por Acidente)

Continue lendo »

Guerra dos Sexos - 1983 - 02

Por um ou dois segundos, a câmera mostra o nada. Logo, alguém entra na imagem de baixo pra cima, em close, e solta alguma expressão de surpresa tipo: “Como assim??” ou “Mas não é possível!”. Era o personagem sentado e levantando, atônito.

A repetição desse efeito narrativo deve ter sido a primeira vez que eu notei um toque de diretor numa novela. Era Jorge Fernando.

Um rei numa fase gloriosa das novelas das sete. Um cara que, associado a Sílvio de Abreu escrevendo, firmou a pura comédia como gênero nas telenovelas. Ele, claro, passeou por outros horários e estilos, mas foi aí que ele me marcou. Algumas das minhas novelas preferidas foram dirigidas por ele, a saber:

1 – GUERRA DOS SEXOS (1983/1984). Escrita por Sílvio de Abreu. A audácia de reunir os monstros sagrados Paulo Autran e Fernanda Montenegro numa comédia rasgada, com direito àquela antológica e inacreditável cena pastelão do café da manhã estrelando dois ícones do mais sério teatro nacional. Genial.

2 – QUE REI SOU EU? (1989), Escrita por Cassiano Gabus Mendes. Uma volta satírica às novelas tipo Gloria Magadan, misturando comédia, aventura e fantasia. Lembro que Jorge usou muito os espelhos, principalmente nas cenas de monólogo.

3 – A PRÓXIMA VÍTIMA (1995). Escrita por Sílvio de Abreu. Uma combinação do folhetim com o suspense, onde o cinéfilo Sílvio de Abreu passeou à vontade.

4 – CAMBALACHO (1986). Escrita por Sílvio de Abreu. Outro clássico da comédia na TV, novamente com Fernanda Montenegro. Agora, ao lado de Guanfrancesco Guarnieri, como uma dupla de trambiqueiros.

5 – VAMP (1991/1992). Escrita por Antônio Calmon. Uma novela aloprada, que, em certo momento, tinha vampiro, fantasma, anjo, o escambau. E alopração o Jorge Fernando abraçava e transformava muitas vezes em clássico.

MENÇÃO HONROSA: RAINHA DA SUCATA (1990). Escrita por Sílvio de Abreu. Depois dos sucessos das sete, a dupla autor/diretor foi responsável pela novela nas oito que celebraria os 25 anos da Globo. Fizeram uma novelona com um elencão, sem medo do melodrama, mas com personagens inesquecíveis (a Dona Armênia de Aracy Balabanian, o galã Fagundes fazendo aquele professor gago) e teve aquela cena sensacional do suicídio de Laurinha Figueroa, inspirado em “Amar Foi Minha Ruína”: o corpo caindo do alto do prédio, enquanto a filha brilhava cantando “Cabaret” no palco da casa noturna que ficava no térreo.

  • Jorge Fernando morreu na noite de domingo, 27/10, aos 64 anos.
Laurentino Gomes - 01 - 2019

Laurentino Gomes mergulha no contexto para abordar a escravidão no Brasil

A ferida ainda aberta da escravidão  

por Renato Félix

“O legado da escravidão persiste entre nós ainda hoje, na forma de preconceito, exclusão social, ou, pior, de autonegação, como se o tema não existisse ou não merecesse ser estudado”. Essa é a opinião do jornalista e escritor paranaense Laurentino Gomes, que vem percorrendo o Brasil em uma maratona de lançamentos de seu novo livro Escravidão — Volume I: Do Primeiro Leilão de Cativos em Portugal Até a Morte de Zumbi dos Palmares. É o primeiro de uma trilogia que mergulha em um dos mais sombrios e trágicos assuntos da história do Brasil.

“Uma sociedade, ou um país, que não estuda história é incapaz de entender a si mesmo porque desconhece as suas raízes”.

Sua turnê de lançamentos tem parada na Paraíba esta semana: ele autografa Escravidão quinta em João Pessoa, sexta no Festival Literário de Bananeiras, sábado na Feira Literária de Areia e domingo na comunidade quilombola Caiana dos Crioulos, em Alagoa Grande, uma das quais ele visitou quando sua pesquisa passou pela Paraíba.

“A Paraíba me acolheu de maneira muito generosa durante a fase de pesquisa”, conta ele ao CORREIO. “Recebi contribuições importantes de professores da Universidade Federal e do Instituto Histórico e Geográfico. Visitei dois antigos quilombos, o de Cruz da Menina (no município de Dona Inês) e o de Caiana dos Crioulos. Também percorri as antigas regiões produtoras de cana-de-açúcar e café na Zona do Brejo, onde, curiosamente, as ideias abolicionistas já circulavam muito antes da Lei Áurea. Aprendi muito com essas visitas. Em retribuição a tudo isso, decidi fazer quatro eventos de lançamentos deste novo livro”.

“No domingo, dia 27, volto a Caiana dos Crioulos para uma ‘roda de conversa’ com os amigos que fiz lá”, continua. “Acredito que será o mais simbólico de todos os eventos da minha turnê nacional de lançamento. A região Nordeste foi o berço da escravidão indígena e africana no Brasil. O uso da mão-de-obra cativa chegou junto com a cultura da cana de açúcar nos ricos e férteis solos de terra escura, repleta de sedimento orgânico, o chamado massapê, tão abundante na zona da mata. Portanto, para estudar a escravidão no Brasil é preciso começar primeiro pela África. Depois, por Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia. Essas viagens me deram uma compreensão muito maior e mais próxima do que foi o fenômeno da escravidão no passado e do que é o seu legado ainda hoje”.

A escravidão indígena

O livro aborda a escravidão no Brasil não só de africanos, mas também dos índios. “Essa é uma história trágica, de extermínio sem precedentes na história da humanidade”, conta. “Estima-se que na época da chegada de Cabral haveriam entre três e quatro milhões de indígenas brasileiros, distribuídos em centenas de tribos. Falavam mais de mil línguas e representavam uma das maiores diversidades culturais e linguísticas do mundo. Em 1808, ano da chegada da corte portuguesa de Dom João ao Rio de Janeiro, os índios tinham sido vítimas de uma bomba demográfica. A esta altura, os indígenas estavam reduzidos a cerca de 700 mil pessoas, aproximadamente 20% do seu contingente original. Em média, durante o período colonial, o Brasil exterminou um milhão de índios a cada cem anos”.

“Antes de investir maciçamente no tráfico de cativos africanos, os portugueses tentaram de todas as maneiras suprir as necessidades de mão-de-obra da colônia brasileira com escravos indígenas”, prossegue. “A primeira carga de cativos a cruzar do Atlântico não partiu da África, mas do próprio Brasil. Eram indígenas escravizados e levados para a Europa. A viagem aconteceu apenas uma década após a chegada de Cabral à Bahia”.

A troca de escravos indígenas por africanos trazidos do outro lado do oceano obedeceu a uma cruel praticidade: um mercado de escravos já estruturado na África. Mas também já havia o elemento do racismo. “A escravidão africana, por sua vez, foi sempre justificada por uma ideologia racista, de natureza teológica, filosófica e, muitas vezes, resultante de observações pretensamente científica, que se referiam não apenas as diferenças relacionadas à cor da pele, mas também a alguns traços anatômicos peculiaridades dos negros, como o formato dos olhos, da cabeça e do nariz”, explica o autor. “Os africanos eram apontados como bárbaros, selvagens, pagãos, praticantes de religiões demoníacas e, por isso, passíveis de serem escravizados. Essa ideologia persistiu entre nós até o final do século XIX e traços dela podem ser observados ainda hoje, na forma de preconceito racial”.

“O grande desafio é ampliar o interesse do público pela História do Brasil com informação e clareza, sem desqualificar o conteúdo e sem ficar apenas na superfície”.

A prosa simples e direta de Laurentino Gomes se consagrou com sua trilogia histórica anterior: 1808, 1822 e 1889, que abordam, respectivamente, a família real portuguesa no Brasil, a independência e a proclamação da República. Em Escravidão, de novo ele se comunica com clareza e se dedica muito ao contexto.

O livro detalha a escravidão entre os povos, a evolução da tecnologia das navegações, as correntes de vento no Atlântico (que definiam as rotas) e a história dos povos e reinos da África (tão pouco conhecida por aqui).

“Episódios como a fuga da corte de Dom João para o Rio de Janeiro não são fatos isolados. Para compreendê-los é preciso observar os acontecimentos, as revoluções e as ideias que circulavam no resto do mundo, ou seja, as circunstâncias da época na história da humanidade, que acabaram influenciando as decisões e as transformações de Portugal e Brasil”, afirma. “Escravidão sempre existiu em todas as grandes civilizações humanas. É como se fizesse parte do nosso código genético. Além disso, escravidão nem sempre foi sinônimo da cor da pele negra. Até o final do século 17, a maioria dos escravos no mundo era constituída por pessoas brancas”.

A África, essa desconhecida tão próxima

Há muita informação sobre a África, continente de quem somos tão próximos, mas insistimos em não conhecer. O próprio Laurentino Gomes o conhecia muito pouco, mas, para a pesquisa, fez cinco viagens a oito países, no período de um ano. “Infelizmente, há muito preconceito no Brasil em relação a África. O que é uma pena”, lamenta o autor.  “Brasil e África já estiveram mais próximos. Até o final do século 19, havia rotas regulares de navios entre Salvador, na Bahia, e a Nigéria, por exemplo. Angola tentou aderir à independência do Brasil, em 1822”.

Para ele, as semelhanças atuais ainda impressionam. “Praia, capital de Cabo Verde, é uma mistura de Salvador e Rio de Janeiro. A presença da música da brasileira está em todo lugar, especialmente a Bossa Nova, muito forte entre os compositores e intérpretes caboverdianos. Luanda, capital de Angola, lembra muito o Rio de Janeiro, incluindo as muitas favelas que compõem e periferia pobre da cidade”, conta. “O biotipo das pessoas, o jeito de falar e se comportar lembra muito o jeito carioca. A mesma sensação se tem em relação a Bahia em países como Gana, Senegal e Benim, de onde, por sinal, vieram muitos cativos africanos para trabalhar nos engenhos de açúcar do Recôncavo Baiano. No Benim, especialmente, muito me impressionou a quantidade de tempos e símbolo ligadas a prática do candomblé. A culinária também é muito parecida, marcada pelo uso de ingredientes como a pimenta malagueta, mandioca, feijão, quiabo, inhame e milho. Qualquer brasileiro que visita a África, pelo menos nessas regiões, vai sentir-se imediatamente em casa”.

Mas a ausência do Brasil também se faz notar. “Um detalhe que me chamou muito a atenção foi a presença chinesa em todo o continente”, diz. “O vácuo deixado pela ausência do Brasil é ocupado hoje pelos chineses, cujos projetos estão espalhados por todo lugar. Encontrei-as em Cabo Verde, Angola e Moçambique – para citar apenas três dos países africanos de língua portuguesa que visitei no meu trabalho de reportagens. São obras gigantescas identificadas com placas, também enormes, escritas em mandarim, o idioma predominante na China”.

O assunto mais importante

A escravidão é um tema que o país foi empurrando para baixo do tapete, após a Abolição, e é visto apenas por alto nas escolas. E, para o autor, este é o assunto mais importante na história do Brasil.

“Tudo que já fomos no passado, o que somos hoje e o que seremos no futuro tem a ver com as nossas raízes africanas e a forma como nos relacionamos com elas. No final do século 17, o padre jesuíta Antônio Vieira cunhou uma frase famosa. ‘O Brasil tem seu corpo na América e sua alma na África’, afirmava ele. No meu entender, é uma frase profética, que se torna cada vez mais verdadeira com o passar do tempo. E continua atual ainda hoje”, diz. “O Brasil foi o maior território escravagista do hemisfério ocidental. Recebeu quase cinco milhões de cativos africanos, cerca de 40% do total de doze milhões embarcados para as Américas. Como resultado, tem hoje a maior população negra do mundo, com exceção apenas da Nigéria. Foi também o país que mais tempo resistiu a acabar com o tráfico negreiro e o último a abolir o cativeiro”.

Hoje os indicadores sociais refletem a chaga que foi a escravidão e o fato de o Brasil não a ter resolvido completamente. “Os indicadores mostram um abismo de oportunidades entre a população descendente de colonos europeus e os afrodescendentes, em todos os itens das nossas estatísticas. Nós somos um povo profundamente preconceituoso. Os descendentes de africanos ganham menos, moram em lugares mais insalubres, estão mais expostos aos efeitos da violência e da criminalidade e tem menos oportunidades em todas as áreas, incluindo emprego, saúde, educação, segurança, saneamento, moradia e acesso aos postos da administração pública. A melhor maneira de resolver essa chaga e enfrentar os desafios é pelo estudo da história. Precisamos entender e refletir sobre o que aconteceu”, afirma.

Sua experiência com o jornalismo ajuda sobretudo no texto claro e de fácil compreensão. “Minha contribuição é de linguagem. Procuro usar elementos relevantes ou personagem para chamar a atenção do leitor. Mas, em seguida, tendo capturado sua atenção, é necessário também dar um mergulho mais profundo”, explica. “A escravidão foi a experiência mais determinante na história brasileira, com impacto profundo na cultura e no sistema político que deu origem ao país depois da independência. Nenhum outro assunto é tão importante e tão definidor para a construção da nossa identidade. Minha trilogia segue a fórmula dos meus livros anteriores, pelo uso de uma linguagem simples, fácil de entender, capaz de atrair a atenção mesmo de leitores mais jovens e não habituados a estudar o tema. Mas espero dar uma contribuição pessoal para o desafio brasileiro de encarar a sua própria história escravista e dela tirar lições que nos ajudem a construir o futuro”.

Continue lendo »

Bacurau - 06

BACURAU
⭐⭐⭐⭐⭐

O Nordeste contra-ataca ou ‘O senhor já combinou com os russos?’ 

por Renato Félix  

Bacurau é um filme bastante estudado, no que diz respeito à narrativa. Há um jogo muito grande de entregar e sonegar informações do espectador. Quem assiste pode ir deduzindo elementos, mas também ser ocasionalmente enganado por pistas falsas, enquanto outras reais vão passando despercebidas. Por essa razão, é muito difícil conversar sobre o filme sem abordar algumas de suas surpresas e seus efeitos. Portanto, revelações sobre o enredo (os não tão populares spoilers) vêm a seguir. Vá em frente por conta e risco. E, se for, vá na paz.

O filme de Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles se passa em um povoado do fim do mundo do sertão nordestino: Bacurau. O tempo é o futuro próximo. Trata-se, então, de uma ficção científica? Empurrando o espectador para este lado, o filme chega a plantar um disco voador em determinado momento do filme. Não um qualquer, mas um com toda a cara de filme americano dos anos 1950, tipo O Dia em que a Terra Parou (1951).

No clássico de Robert Wise, um alienígena chega à Terra para alertar sobre a crescente violência em nosso planeta. Não deu certo: os habitantes de Bacurau, que começam o filme lidando com seus próprios problemas, logo se dão conta que estão sendo vítimas de um ataque misterioso.

Quem seriam os agressores, a ameaça? O filme vai nos contando aos poucos, e o disquinho voador, que segue uma primeira imagem que vê a Terra do ponto de vista do espaço, dá toda a pinta de algo como um ataque alienígena. Uma invasão como em Vampiros de Almas (1956), em que os aliens se disfarçam de humanos para conquistar a Terra a partir de uma cidadezinha do interior dos EUA (a trama era parábola da paranoia anticomunista).

O disquinho, de aparência tão falsa que incomoda, é uma das pistas falas: é um drone, na verdade. Mas as pessoas quem estão por trás são, sem dúvida, alienígenas àquela terra, embora deste mesmo planeta.

Embora o filme não se preocupe em esmiuçar detalhes — o que nos coloca apenas um pouco menos no mesmo isolamento que os habitantes de Bacurau —, o grupo de estrangeiros está ali para caçar os habitantes do povoado. É uma espécie de safari.

O filme, nesse ponto, reflete uma das faces mais aterradoras da sociedade estadunidense: as armas no cotidiano e os seguidos massacres a cidadãos comuns indefesos. Um dia, alguém pega uma arma, se dirige a uma escola ou restaurante e abre fogo. Caça outras pessoas.

Aparentemente, nesse futuro próximo, grupos de predadores supremacistas chegaram à conclusão que a ânsia de matar não precisa ser contra os de seu próprio país. Se organizaram para caçadas “seguras” a pessoas em terras para quem eles não ligam — e tampouco o governo local. Na visão deles, pode até haver um viés ecológico nisso: eles não matam animais na África em perigo de extinção, mas seres humanos — o que, afinal,  o planeta tem sobrando.

O supremacismo branco é um dos poucos elementos que ficam muito claro em Bacurau: na cena em que os estrangeiros debocham dos brasileiros brancos, seus aliados, e que se acham iguais aos estrangeiros. Esses brasileiros são, também, alienígenas: surgem em suas motos e roupas coloridas, não tendo nada a ver com os habitantes dali. Seu comportamento também mostra isso, ao darem pouco caso ao convite para conhecer melhor a história do lugar, visitando o pequeno museu dali.

O fator de identificação com o povo de Bacurau — portanto, do sertão nordestino — ou com os alienígenas — os estrangeiros brancos — certamente provocou algumas das críticas perplexas e assustadas que Bacurau recebeu, principalmente em veículos da região Sudeste.

O que acontece em seguida foi avisado em pistas cifradas no decorrer do filme. A placa de boas-vindas — “Bacurau — Se for, vá na paz” — está mais para um aviso a quem passa por ela. A definição do que significa o nome da cidade — um pássaro que só sai à noite porque “é brabo” — também.

Mais do que a ficção científica, deixada mais de lado quando os mistérios vão ficando mais claros, é o faroeste a fonte de onde os diretores bebem. Não só no plano do prefeito no povoado, a câmera subindo para mostrá-lo só na rua (decalcado de Matar ou Morrer, 1952), mas sobretudo na reta final, uma espécie de versão de Sete Homens e um Destino (1960), sem os sete homens.

No faroeste de John Sturges (e no filme em que ele se baseia, Os Sete Samurais, de Kurosawa, de 1954), um povoado é periodicamente saqueado por bandidos que aparecem, roubam tudo e vão embora. Os habitantes procuram um grupo de caubóis (ou samurais, no original) para defendê-los. E os guerreiros acabam treinando o povo para enfrentar os opressores. No fim, não só os guerreiros, mas a comunidade dá cabo dos vilões.

Aqui, o povo não precisa desses professores: sua história de enfrentamento das opressões que vêm de fora já os treinou. A explosão de violência contra a violência de quem se considera superior a ponto de achar que a vida do outro não vale nada não deixa a plateia incólume: é espertamente embalada nesses códigos do faroeste, que mostram como são ainda efetivos.

O cinema de gênero é abraçado por Bacurau e é fator importante para a vibração das plateias. Além do faroeste, Rambo também está lá (a violência do filme ganha até uma autosátira: quando um personagem pergunta se outro não foi “longe demais”, é Bacurau dando uma piscadela sobre si mesmo). Não à toa seus personagens se tornaram familiares ao público, frases vão sendo repetidas, memes são feitos. Coisa que o cinema brasileiro recente alcançou poucas vezes — com Cidade de Deus (2002) e Tropa de Elite (2007), principalmente.

De certa forma, Kléber Mendonça Filho fez o seu próprio “filme de boneco”, termo que ele usa para se referir aos filmes de super-herói.

Houve quem reclamasse da falta de profundidade nos personagens de Bacurau. É verdade, mas não se trata muito de um filme “de personagem” (como foi Aquarius, o longa anterior de Mendonça, de 2016), mas “de grupos”, de comunidades. Há, claro, excelentes caracterizações básicas — como Disney ensinou lá atrás, em Branca de Neve e os Sete Anões (1937), ao definir que cada anão tinha que ter uma característica predominante, para que o público diferenciasse facilmente um do outro.

Muitos dos personagens de Bacurau poderiam até ganhar seus próprios filmes, prelúdios que contam sua história anterior.

Claro que, paralelo a essas questões narrativas, existe a alegoria política e social. Não dá para não relacionar o Nordeste atacado por supremacistas estrangeiros aliados ao poder, em Bacurau, com o Brasil atual, da extrema-direita no poder, revanchista contra a região que, no geral, votou contra sua ascensão. O contra-ataque de Bacurau é a metáfora da resistência do Nordeste.

A catarse da reta final do filme pega o espectador na veia porque não é só uma revanche contra o ataque físico. É contra a soberba e a arrogância de quem se acha melhor que os outros, a ponto de nem levar esse outros em consideração como oponentes. De desconsiderar suas vidas e história (uma visitinha ao museu não teria feito nada mal).

Diz que na Copa do Mundo de 1958, o técnico Vicente Feola fez uma preleção com os jogadores da Seleção Brasileira sobre o jogo a seguir com a União Soviética. Com seu quadro de “xizinhos” e “bolinhas” mostrou a estratégia em campo que, sem dúvida, traria a vitória ao Brasil. Até que Garrincha levantou a mão: “Está bem, professor. Mas o senhor já combinou com os russos?”.

Os alienígenas de Bacurau foram de férias para o safari perfeito. Só esqueceram de combinar com o povo de Bacurau.

BACURAU — Brasil/ França, 2019. Direção: Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Elenco: Barbara Colen, Sonia Braga, Udo Kier, Thomas Aquino, Silvero Pereira, Ingrid Trigueiro, Thardelly Lima, Karine Teles, Buda Lira, Suzy Lopes, Danny Barbosa, Jamila Facury. Em cartaz.

50. ‘I WANNA BE LOVED BY YOU’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe. Direção: Billy Wilder. Coreografia: Jack Cole. Canção de Herbert Stothart, Harry Ruby e Bert Kalmar.

“Boop-boop-a-doop”. A canção de 1928 é a cara da Betty Boop e não por acaso: a interpretação de Helen Kane, com sua voz meio infantil cantando esse “boop-boop-a-doop” inspirou a criação da personagem dos desenhos animados, em 1930. Como Quanto Mais Quente Melhor se passa em 1929, caiu como uma luva para Marilyn desfilar sua sensualidade brejeira na canção. Como Billy Wilder dizia, filmar com Marilyn podia ser um pesadelo, mas o resultado compensava de longe.

***

49. ‘SO LONG, FAREWELL’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Charmian Carr, Nicholas Hammond, Heather Menzies-Urich, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner e Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II.

O capitão Von Trapp não que transformar sua família num grupo musical, mas está difícil. No final de uma festa em casa, seus sete filhos se despedem dos convidados com este encantador número musical. Uma das forças desse filme é o carisma das crianças. “So long, farewell, auf wiedersehen, adieu”, em um número reprisado mais tarde no filme (e rever sempre é muito bem-vindo).

***

48. ‘CABARET’, de Cabaret (1972)
Com Liza Minnelli. Direção e coreografia: Bob Fosse. Canção de John Kander e Fred Ebb.

Liza, sozinha em cena: e precisa mais? A canção-título do filme estabelece que esse não é um musical inocente como a maioria do que vieram antes dele. E, três anos após a morte da mãe Judy Garland, Liza chama o trono para si com toda a justiça, ao menos nesse filme. A vida é um cabaré, old chum, apesar dos profetas do pessimismo.

***

47. ‘A WHOLE NEW WORLD’, de Aladdin (1992)
Com Brad Kane e Lea Salonga (vozes). Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Tim Rice.

Aladdin joga baixo para conquistar a princesa Jasmine: a leva em um passeio de tapete mágico pelo mundo. As maravilhas que vai encontrando são embaladas pela maravilha que é essa canção vencedora do Oscar. A animação é um deslumbre.

***

46. ‘THE BALLET OF RED SHOES’, de Sapatinhos Vermelhos (1948)
Com Moira Shearer, Alan Carter, Joan Harris. Direção: Michael Powell e Emeric Pressburger. Coreografia: Robert Helpmann. Música de Brian Esdale.

Bailarina de carreira consolidada nos anos 1940, a escocesa Moira Shearer estreou no cinema no papel principal de Sapatinhos Vermelhos. E o ponto alto do filme é o balé que dá nome ao filme, um número espetacular de quase 15 minutos, que soma recursos cinematográficos à atmosfera da dança no palco para ir além da fábula dançada e representar o turbilhão emocional da protagonista: closes, planos de detalhe, câmera lenta, sobreposição de imagens. Este número impressionou tanto Gene Kelly que o inspirou para Sinfonia de Paris (1951).

***

45. ‘ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE’, de A Vida de Brian (1979)
Com Eric Idle. Direção: Terry Jones. Canção de Eric Idle.

Essa música adorável e incrivelmente otimista, com assobios e tudo, é um dos momentos mais clássicos do grupo Monty Python. Contribui para isso, é claro, o fato de ela ser cantada por um grupo que está sendo crucificado na Judeia dos tempos de Cristo. O tipo de nonsense que foi a genialidade do grupo inglês.

***

44. ‘CAN’T BUY ME LOVE’, de A Hard Day’s Night (1964)
Com The Beatles. Direção: Richard Lester. Canção de Paul McCartney (creditada a John Lennon e Paul McCartney).

A Hard Day’s Night acompanha os Beatles no que seria seu cotidiano típico de correrias para fugir das fãs, compromissos comerciais e entrevistas chatas pra caramba. Em um momento de descuido dos outros, eles escapolem por uma porta, dão numa escada externa e se divertem a valer em campo aberto, filmados de helicóptero em patetices de cinema mudo. Sua descida pelas escadas é uma das mais célebres do grupo.

Para assistir, clique aqui.

***

43. ‘PUT THE BLAME ON MAME’, de Gilda (1946)
Com Rita Hayworth (voz de Anita Ellis). Direção: Charles Vidor. Coreografia: Jack Cole. Canção de Allan Roberts e Doris Fischer.

Pê da vida com o marido, (“nunca houve uma mulher como”) Gilda irrompe no palco do nightclub que ele dirige e canta “Put the blame on Mame”. Não só isso, como tira uma das luvas — e é o bastante para que seja um dos mais sexy strip-teases da história. O vestido tomara-que-caia ajuda: nos closes é como se Gilda… bem… não estivesse usando nada.

***

42. ‘BELLE’, de A Bela e a Fera (1991)
Com Paige O’Hara, Richard White, Alec Murphy, Mary Kay Bergman, Kath Soucie e coro (vozes). Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Após um breve prólogo, A Bela e a Fera já mostra a que veio: a cena de apresentação da protagonista e seu vilarejo acanhado e o vilão valentão que a deseja é um espetáculo, com todo o jeito de Broadway. Dá para imaginar os cantores e bailarinos pelo palco. Mas aqui é cinema, há planos clássicos e divinos: Bela deslizando pelas prateleiras de livros em direção à câmera, ou a câmera girando em torno dela quando ela diz que quer “mais que essa vida provinciana”.

***

41. ‘WOULDN’T BE LOVERLY?’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (voz de Marni Nixon). Direção: George Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe.

A florista pobre Eliza Doolittle tem sua canção de “eu quero” após ser desmerecida pelo irritante professor de dicção. Ela canta nesse momento adorável, errando todas as palavras que pode (canta “ands” em vez de “hands”, por exemplo). Sonha com um mundo de elegância e amor em meio aos restos e aos desvalidos. Audrey, que sempre apareceu como dama nos filmes, brilha como a pobretona inculta que, no fim, vai embora em sua carruagem: uma carroça de lixo.

Continue lendo »

Irene a Teimosa - 04

IRENE, A TEIMOSA (Gregory La Cava, 1936)

Diario de Filmes 2019: 44

Maravilhosa atriz de comédia dos anos 1930 e começo dos 1940, Carole Lombard é, aqui, uma das filhas em uma família ricaça que, desconectada da realidade dura da grande depressão, pega num lixão um mendigo para ganhar uma gincana. Mas, se sentindo culpada, arranja para ele um emprego de mordomo na casa de sua família. Ela se apaixona por ele, mas ele, cioso de sua nova função e com alguns segredos a manter, tenta evitar esse relacionamento.

Jean Dixon é ótima como a empregada com todo o jeitão atrevido que Thelma Ritter consagraria anos depois. O filme é uma comédia, mas certeiro no comentário social, e desde o começo: os criativos créditos começam com elenco e equipe em elegantes luminosos nos topos de prédios chiques e uma panorâmica não demora a mostrar ali do lado uma favela. O filme foi relançado há pouco na coleção Comédias Clássicas, da distribuidora Obras-Primas do Cinema.

Simplesmente Feliz - 09

SIMPLESMENTE FELIZ (Mike Leigh, 2008)

Diário de Filmes 2019: 43

Às vezes, um filme é sua atriz principal (ou ator). Depende fundamentalmente de achar a pessoa certa para encarnar a protagonista. É uma simbiose, Se dá certo, a mágica acontece. E aconteceu isso em Simplesmente Feliz, com Sally Hawkins como a professora londrina que é alegre à toda prova, de um jeito que influi diretamente em – ou até incomoda – quem está próximo. Seu cotidiano inclui um verdadeiro duelo de humores com seu neurastênico professor de direção. Hawkins é luminosa e sua interpretação foi premiada pelo Gllobo de Ouro, o Festival de Berlim e o Círculo de Críticos de Nova York.

Monstros SA - 01

MONSTROS S.A. (Pete Docter, 2001)

Diário de Filmes 2019: 42

Monstros S.A. parece que acabou, com o tempo, meio eclipsado pelas obras-primas da Pixar que vieram logo depois (Procurando Nemo, Ratatouille, Wall-E). Mas que filme ótimo! Ele se apoia na ideia recorrente de uma realidade alternativa fantástica que adapta a nossa própria, mas é um dos melhores filmes a fazer isso. Desde a ideia já engraçada de monstros com nomes absolutamente humanos e banais até a crise de energia.

A partir da premissa de que a energia do mundo dos monstros vem dos gritos de medo das crianças e que as portas dos armários são portais por onde assustadores profissionais fazem o trabalho, inverte-se o drama: o trabalho precisa ser feito, mas os monstros, na verdade, morrem de medo das crianças, que seriam tóxicas.

A confusão começa mesmo quando uma menininha passa para o outro lado. Personagens ótimos, narração ótima (a sequência no depósito das portas é um primor), piadas ótimas (“Temos um 2319! Temos um 2319!”).

Infamia - 1961 - 03

INFÂMIA (William Wyler, 1961)
⭐½
Diário de Filmes 2019: 41

O lesbianismo não era, claro, um tema comum na Hollywood do começo dos anos 1960, em tempos ainda sob a censura do Código Hays — longe disso. Em parte, isso se reflete na maneira como o tema é tratado nesta adaptação da peça de Lillian Hellman, na qual uma menina maldosa inventa uma mentira sobre as duas donas de sua escola: elas seriam amantes.

Isso torna a vida das duas um inferno. A menina conta a sua avó sussurrando — mesmo com as duas estando em um ambiente onde ninguém as ouve. As professoras, sem saber porque os pais estão levando as crianças embora, forçam um pai a revelar o motivo: a cena é mostrada de longe. Nas duas cenas, não ouvimos as palavras — apenas vemos a reação de quem escuta. Outra razão para isso é que o filme assume o ponto de vista das pessoas conservadoras daquela comunidade — as duas professoras incluídas. É, mais uma vez, “o amor que não ousa dizer seu nome”. Na segunda metade, o filme deixa de lado as meias palavras.

É datado, claro, mas não tanto quanto a versão dos anos 1930 (dirigida pelo mesmo William Wyler), que limou a homossexualidade da trama. O fato desta versão de 1961 ser dirigida por um cineasta classe A como Wyler (recém-saído do multioscarizado Ben-Hur), e com duas estrelas de primeira grandeza como Audrey Hepburn e Shirley MacLaine, não deixa de ser marcante.

Joy o Nome do Sucesso-06

JOY, O NOME DO SUCESSO (David O. Russell, 2016)
⭐½
Diário de Filmes 2019: 40

Este filme parece o estouro da bolha David O.Russell. Ele costuma ser um ótimo diretor de elenco, mas narrador que não consegue empurrar suas tramas ao máximo. O Lado Bom da Vida e Trapaça são assim. Este Joy é de novo com Jennifer Lawrence, Bradley Cooper e Robert De Niro, mas desta vez as atuações não vão acima da média nem a narrativa sai muito do trivial. Ele se apoia na história de uma vencedora enfrentando o mundo e em sua familia esquisita. Não é o suficiente. Russell é artificial e sua chapa-branquice com a personagem principal é irritante, parece coisa de telefilme “baseado em uma história real”.

Doutor Estranho - 20

DOUTOR ESTRANHO (Scott Derrickson, 2016)
⭐½
Diário de Filmes 2019: 39

Com um herói então pouco conhecido fora do círculo de leitores de quadrinhos, Doutor Estranho introduziu elementos místicos no universo cinematográfico da Marvel. Visualmente, o filme é bem interessante, mesmo que o andamento da trama não fuja muito do padrão. Mas a solução final é engenhosa. Depois de conferir Vingadores — Guerra Infinita e Vingadores — Ultimato, é interessante revisitar este filme e ver sementes plantadas: a joia do tempo e o conceito de multiverso.

Projeto Florida - 01

PROJETO FLÓRIDA (Sean Baker, 2018)

Diário de Filmes 2019: 38

Consciente disso ou não, Projeto Flórida é herdeiro de Os Incompreendidos, de Truffaut. Ele acompanha a vidinha de uma menina que faz suas travessuras com os amigos na vizinhança do hotel fuleira nos arredores dos parques Disney, em Orlando, onde vive com a mãe cronicamente desempregada. Como no filme de Truffaut, não há propriamente uma história com começo, meio e fim, mas há perigos, falta de perspectiva e um final aberto. Brooklynn Prince, como a protagonista de 6 anos Moonee, é uma pequena joia, tão boa de assistir quanto o veterano e ótimo Willem Dafoe, que interpreta o gerente do hotel, se equilibrando entre rigor e compaixão. Sean Baker, se quisesse, poderia fazer igual a Truffaut e revisitar a vida de Moonee várias vezes, sempre com Brooklynn Prince no papel, como o francês fez com Antoine Doinel/ Jean-Pierre Léaud nos anos 1960 e 1970.

A QUIET PLACE

UM LUGAR SILENCIOSO (John Krasinski, 2018)

Diário de Filmes 2019: 37

Filmes que se propõem uma limitação narrativa podem resultar bem interessantes. Aqui, começamos a acompanhar os personagens já num mundo devastado por monstros cegos que atacam guiados pelo som. Então esta família precisa viver em absoluto silêncio: falar, nem pensar. Os diálogos, então, são quase todos em língua de sinais. É um desafio que ajudou o roteiro e direção a criar cenas de suspense bem eficientes, com um molho diferente.

Jogador Numero 1 - 05

JOGADOR N°1 (Steven Spielberg, 2018)
½
Diário de Filmes 2019: 36

Com mais referências pop do que o espectador é capaz de contar, o filme é mais uma distopia em que a revolução é levada à frente pelos jovens. Mas aqui grande parte da trama se passa dentro de um videogame de realidade virtual. Curioso que o filme, que se passa em 2045, faz parecer que não há nem haverá nada marcante na cultura pop depois dos anos 1980 e 1990, mas, enfim, a sequência dentro de O Iluminado é uma das sacadas muito boas. É divertido, mas está longe de ser um dos melhores Spielbergs. Ou está longe de ser um dos melhores Spielbergs, mas é divertido.

Matador -1950 - 03

O MATADOR (Henry King, 1950)

Diário de Filmes 2019: 35

No começo de O Matador, o pistoleiro Johnny Ringo (Gregory Peck) para numa birosca para tomar um trago. É reconhecido e provocado por um valentão local, que quer saber se Ringo é tão bom quanto a fama. Ringo não quer confusão, mas é pressionado até ter que matar o sujeito em defesa própria. Quantas vezes isso não terá acontecido com o pistoleiro, depois que ficou famoso? Quantas vezes ainda não acontecerá?

Agora, ele só quer chegar à sua cidade e rever um amor do passado e seu filho. Lá, passa o filme quase todo no saloon, à espera da resposta da amada. Do lado de fora, a cidade em polvorosa, com curiosos, gente querendo vingança, inconsequentes querendo se provar.

Faroestão psicológico sobre um homem que é rápido, mas não tanto quanto a própria reputação. Um filme que não fez grande sucesso de público na época (Zanuck, chefão da Fox, culpou o bigodão de Gregory Peck), mas está entre os clássicos do gênero, influenciando muitos filmes que vieram depois.

Bob Esponja - Um Heroi Fora d'Agua - 01

BOB ESPONJA — UM HERÓI FORA D’ÁGUA (Paul Tibbitt e Mike Mitchell, 2018)
1/2
Diário de Filmes 2019: 34

O trailer e o subtítulo brasileiro me enganaram: fizeram parecer que essa coisa de super-herói iria ocupar o filme todo ou quase todo. Felizmente, não. A trama combina o fundo do mar no estilo tradicional da série, com a aventura fora do mar com os personagens em animação digital contracenando com Antonio Banderas sem medo da canastrice. Muita maluquice e a melhor delas é a engraçadíssima Fenda do Biquíni pós-apocalíptica.

Lino - 02

LINO — UMA AVENTURA DE SETE VIDAS (Rafael Ribas, 2017)

Diário de Filmes 2019: 33

Lino é  uma animação brasileira que se esforça bastante para parecer uma produção padrão de Hollywood. O animador de festas magicamente transformado em gato gigante precisa resolver sua situação enquanto é perseguido pela polícia por um crime que não cometeu. E com uma garotinha a tira-colo, que ele inicialmente não quer por perto, mas que o adora (a dinâmica de Sulley e Bu em Monstros S.A.). É agitado, mas aos personagens falta carisma. Um ponto bom é Selton Mello na dublagem do personagem principal: sua voz é bastante familiar em outras animações, o que não deixa de ser, por tabela, mais um ponto para soar como uma animação americana. Rafael Ribas é filho de Walbercy Ribas, de O Grilo Feliz

Mamma Mia, Here We Go Again!

MAMMA MIA! — LÁ VAMOS NÓS DE NOVO (Ol Parker, 2018)
1/2
Diário de Filmes 2019: 32

As canções do Abba continuam uma delícia, mas isso está longe de ser o suficiente nessa continuação muito forçada do original, que era baseado em um musical do teatro. A estrutura, por incrível que pareça, é a mesma de O Poderoso Chefão  Parte II: a trama da filha e a trama da juventude da mãe são contadas intercaladas, sem ser uma um flashback da outra. Mas ambas são fracas. A juventude de Donna, embora Lily James seja adorável, nem tem coragem de assumir tudo o que era contado do passado da personagem e seus namorados. O sumiço de Meryl Streep é totalmente desnecessário e sua breve aparição torna isso ainda mais evidente. Cher, então, é um desperdício total.

Vinganca de Milady - 01

A VINGANÇA DE MILADY/
OS QUATRO MOSQUETEIROS — A VINGANÇA DE MILADY
(Richard Lester, 1974)

Diário de Filmes 2019: 31

A segunda parte da adaptação de Os Três Mosqueteiros mantém a qualidade do primeiro. Natural: o filme foi rodado como um só e depois dividido em dois (mas os atores só tinham recebido por um, então processaram os produtores). Equilibra ação e humor, entre ironias e patetices, e a vontade de desglamourizar a história. Mas há mais elementos dramáticos e sombrios, com a vingança propriamente dita da Milady de Faye Dunaway e seus desdobramentos. É uma grande conclusão para a melhor adaptação de Os Três Mosqueteiros para o cinema.

null

CAPITÃO AMÉRICA — GUERRA CIVIL (Anthony Russo e Joe Russo, 2015)
1/2
Diário de Filmes 2019: 30

Guerra Civil é um dos pontos altos do universo cinematografico da Marvel. Estabelece um conflito entre os super-heróis partindo de uma diferença ideológica: se os heróis devem ou não ser controlados pelos governos. As questões pessoais agravam as tensões, envolvendo, pelo lado do Capitão, a fidelidade ao velho amigo Bucky, acusado de matar um estadista, e, pelo lado do Homem de Ferro, as dores do assassinato do pai no passado. Aqui, antes do conflito há muita discussão e impasse, e peso dramático no conflito. Ninguém quer brigar, mas ninguém vai parar de brigar porque a mãe tem o mesmo nome da mãe do outro.

Sigam-me os bons (no Twitter)

novembro 2019
D S T Q Q S S
« out    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Cenas da Vida

Páginas

Estatísticas

  • 1.340.624 hits