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‘…E o Vento Levou’: ainda o número 1

Andou aparecendo no Facebook uma lista dos 99 filmes “mais populares de todos os tempos”, segundo uma rede social para fãs de filmes. Dela veio um teste do tipo “quantos você viu”.

Como chegaram ao resultado, não faço a menor ideia: 51 dos 99 são filmes de 2014 para cá; o mais antigo é 2001, de 1968. Procurei o critério, não encontrei.

Um critério mais razoável, embora não infalível, é medir a bilheteria. Mas desde que seja ajustada pela inflação, ou só vão ficar filmes recentes com ingressos de shopping e inflados por sessões em 3D.

O Box Office Mojo faz essa atualização constante. E o resultado dos 100 mais (em 19 de abril de 2018) está a seguir.

Quantos você viu? Eu vi 95.

  1. …E o Vento Levou (1939)
  2. Guerra nas Estrelas (1977)
  3. A Noviça Rebelde (1965)
  4. E.T., o Extraterrestre (1982)
  5. Titanic (1997)
  6. Os Dez Mandamentos (1956)
  7. Tubarão (1975)
  8. Doutor Jivago (1965)
  9. O Exorcista (1973)
  10. Branca de Neve e os Sete Anões (1937)
  11. Star Wars – O Despertar da Força (2015)
  12. 101 Dálmatas (1961)
  13. O Império Contra-Ataca (1980)
  14. Ben-Hur (1959)
  15. Avatar (2009)
  16. O Retorno de Jedi (1983)
  17. Jurassic Park – Parque dos Dinossauros (1993)
  18. Star Wars – Episódio I: A Ameaça Fantasma (1999)
  19. O Rei Leão (1994)
  20. Golpe de Mestre (1973)
  21. Os Caçadores da Arca Perdida (1981)
  22. A Primeira Noite de um Homem (1967)
  23. Fantasia (1940)
  24. Jurassic World (2015)
  25. O Poderoso Chefão (1972)
  26. Forrest Gump, o Contador de Histórias (1994)
  27. Mary Poppins (1964)
  28. Grease – Nos Tempos da Brilhantina (1978)
  29. Os Vingadores – The Avengers (2012)
  30. 007 contra a Chantagem Atômica (1965)
  31. Batman, o Cavaleiro das Trevas (2008)
  32. Mogli, o Menino-Lobo (1967)
  33. Pantera Negra (2018)
  34. A Bela Adormecida (1959)
  35. Os Caça-Fantasmas (1984)
  36. Shrek 2 (2004)
  37. Butch Cassidy (1969)
  38. Love Story (1970)
  39. Homem-Aranha (2002)
  40. Independence Day (1996)
  41. Esqueceram de Mim (1990)
  42. Star Wars – Os Últimos Jedi (2017)
  43. Pinóquio (1940)
  44. Cleópatra (1963)
  45. Um Tira da Pesada (1984)
  46. 007 contra Goldfinger (1964)
  47. Aeroporto (1970)
  48. Loucuras de Verão (1973)
  49. O Manto Sagrado (1953)
  50. Piratas do Caribe – O Baú da Morte (2006)
  51. A Volta ao Mundo em 80 Dias (1956)
  52. Bambi (1942)
  53. Banzé no Oeste (1974)
  54. Batman (1989)
  55. Os Sinos de Santa Maria (1945)
  56. O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei (2003)
  57. Procurando Nemo (2003)
  58. Inferno na Torre (1974)
  59. Rogue One – Uma História Star Wars (2016)
  60. Cinderela (1950)
  61. Homem-Aranha 2 (2004)
  62. My Fair Lady (1964)
  63. O Maior Espetáculo da Terra (1952)
  64. O Clube dos Cafajestes (1978)
  65. A Paixão de Cristo (2004)
  66. Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith (2005)
  67. De Volta para o Futuro (1985)
  68. O Senhor dos Anéis – As Duas Torres (2002)
  69. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)
  70. O Sexto Sentido (1999)
  71. Superman – O Filme (1978)
  72. Tootsie (1982)
  73. Agarra-me Se Puderes (1977)
  74. A Bela e a Fera (2017)
  75. Procurando Dory (2016)
  76. Amor, Sublime Amor (1961)
  77. Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977)
  78. Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001)
  79. A Dama e o Vagabundo (1955)
  80. Lawrence da Arábia (1962)
  81. Rocky Horror Picture Show (1975)
  82. Rocky, um Lutador (1976)
  83. Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946)
  84. O Destino do Poseidon (1972)
  85. O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel (2001)
  86. Twister (1996)
  87. Homens de Preto (1997)
  88. A Ponte do Rio Kwai (1957)
  89. Transformers – A Vingança dos Derrotados (2009)
  90. Deu a Louca no Mundo (1963)
  91. A Cidadela dos Robinson (1960)
  92. Um Estranho no Ninho (1975)
  93. M.A.S.H. (1970)
  94. Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984)
  95. Vingadores – Era de Ultron (2015)
  96. Star Wars – Episódio II: Ataque dos Clones (2002)
  97. Toy Story 3 (2010)
  98. Uma Babá Quase Perfeita (1993)
  99. Aladdin (1992)
  100. Ghost – Do Outro Lado da Vida (1990)
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Monstro da Lagoa Negra - 01

DIÁRIO DE FILMES 2018: 17 – O MONSTRO DA LAGOA NEGRA
Sem borda - 2,5 estrelas

Um clássico dos filmes fantásticos B, voltou a ficar meio em evidência por causa das referências diretas de A Forma da Água, do Del Toro. Na onda do 3D dos anos 1950, não dá pra levar muito a sério, as fragilidades são muitas. Mas tem aquela cena interessante e bonita do monstro nadando abaixo da mocinha, a ambientação na Amazônia é uma curiosidade para nós aqui e tem lá seu charme trash.

O Monstro da Lagoa Negra. Creature from the Black Lagoon. Estados Unidos, 1954. Direção: Jack Arnold. Elenco: Julie Adams, David Reed, Richard Denning, Antonio Moreno. Em blu-ray.

Rastros de Ódio

DIÁRIO DE FILMES 2018: 16 – RASTROS DE ÓDIO
Sem borda - 05 estrelas

Ethan Edwards é um herói? Não necessariamente. Sim, ele passa anos numa árdua e incansável busca por sua sobrinha Debbie, raptada por índios que dizimaram a família da garota. Mas pode muito bem matá-la, se ela tiver virado índia – ele diz que é melhor morrer que viver como índio. Para não deixar dúvidas sobre seu racismo, trata mal Martin, o irmão adotado de Debbie, um mestiço que ele mesmo encontrou e deu para o irmão criar. Mesmo que seja Martin que fique sempre a seu lado na busca. Um monumental John Wayne é o alicerce dessa obra-prima de um John Ford que mostrava um ponto de vista bem mais complexo que o de seus primeiros faroestes.

Rastros de Ódio. The Searchers. Estados Unidos, 1956. Direção: John Ford. Elenco: John Wayne, Jeffrey Hunter, Vera Miles, Ward Bond, Natalie Wood. Em DVD.

wall-e

DIÁRIO DE FILMES 2018: 15 – WALL-E
Sem borda - 05 estrelas

A Terra tomada pelo lixo e deserta: apenas um robozinho permanece limpando lixo, que forma montanhas maiores que os arranha-céus. Como uma animação de premissa tão deprê poderia funcionar numa produção a princípio infantil? Mas o protagonista tem tanto de Chaplin e de Buster Keaton que sustenta 40 minutos praticamente sem falas. Uma visão do futuro tão aterradora quanto divertida. Uma obra-prima desde o primeiro segundo, estabelecendo a relação com o musical Alô, Dolly (1969) que depois vai nortear a relação romântica com a mais avançada Eva.

Wall-E. Wall-E. Estados Unidos, 2008. Direção: Andrew Stanton. Elenco: Fred Willard. Vozes na dublagem original: Ben Burtt, Elissa Knight, Jeff Garlin, John Ratzenberger, Kathy Najimi, Sigourney Weaver. Vozes na dublagem brasileira: Cláudio Galvan, Sylvia Salustti, Reginaldo Primo, Guilherme Briggs, Priscila Amorim. Em DVD.

Sete Noivas para Sete Irmaos - 01

A dança-duelo de “Sete Noivas para Sete Irmãos”

ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD – A COLEÇÃO COMPLETA.

DVD sofre com péssimas legendas

. por Renato Félix.

Entre 1929 e 1958, um estúdio de Hollywood desenvolveu uma forma de arte em que se tornou mestre (ou melhor: um celeiro de mestres): o filme musical. Reunindo talentos gigantescos entre atores/ cantores, atores/ dançarinos, compositores, coreógrafos, a Metro-Goldwyn-Mayer construiu um repertório máximo no gênero, autocelebrado no documentário Era uma Vez em Hollywood (1974), que depois teve duas continuações. A trilogia finalmente chegou ao DVD no Brasil, em lançamento pela Classic Line.

Os três filmes seguem basicamente a mesma fórmula, enfileirar trechos antológicos e/ou curiosos dos musicais da Metro. Porém, com particularidades que veremos mais adiante. Continuam uma delícia de ver, mas as legendas da edição tentam muito sabotar esse prazer.

Nas partes 2 e 3, o trabalho assinado pela Studio Mille, cearense como a distribuidora Classic Line, é péssimo. A ponto de parecer ter sido feito grosseiramente no Google Tradutor sem qualquer revisão depois. Não são um ou dois erros, mas dezenas.

Muitas vezes o que se lê está completamente desconectado do que aparece na tela. Gene Kelly mostra um número de Cantando na Chuva em que Cyd Charisse “interpreta uma dessas vamps glamourosas” e a legenda crava “um desses glamourosos vampiros”. Sinatra canta “Old man river” e a legenda traduz como “rio velho” (esquecendo do homem). Alguém diz que Garbo que ficar só e a legenda a transforma em “ele”.

Groucho Marx usa, em Uma Noite na Ópera (1935), a expressão “half Nelson”, que se refere a um golpe de luta, e na legenda: “Ele está meio dormindo e meio Nelson”. É mais de uma vez diz-se que alguém é “cherce”, que nem ganhou tradução (significaria “ótimo”). “Leading man”, que seria o par romântico da atriz, mais de uma vez surge como “condutor”.

E títulos de filmes surgem traduzidos ao pé da letra. Chega a ser engraçado. Salve a Campeã (1953) virou “Perigosa quando Molhada”. Quando as Nuvens Passam (1946) virou “Até as Nuvens Rolam”. Minha Vida É uma Canção (1948) virou “Palavras e música” (e a tradução literal correta do título ainda seria “letra e música”). Bonita e Valente (1950) virou “Annie, pegue sua arma”. Se Você Fosse Sincera (1941) virou “Moça, seja boa”.

Qualquer visita ao IMDb resolve a busca pelos títulos nacionais do filmes. A legenda das partes 2 e 3 nem os deixa no original, nem põe os títulos brasileiros corretos, gerando essa desinformação completa.

Nem a embalagem escapa dos erros. O digipack traz estampadas fotos dos filmes, mas numa delas credita como Gene Kelly uma cena de Sinfonia de Paris (1951), mas com Georges Guétary – sequência que está lá, no volume 2.

É um desleixo que compromete bastante o resultado final desse lançamento, embora os filmes em si continuem sendo um belo resumo para quem gosta dos musicais clássicos.

***

ERA UMA VEZ HOLLYWOOD (1974)
Sem borda - 04 estrelas

O tesouro da Metro

Melodia da Broadway de 1940 - 03

Eleanor Powell e Fred Astaire em “Melodia da Broadway de 1940”: você nunca mais verá algo assim de novo

O primeiro filme, por ser o primeiro, tem o privilégio de contar com as principais cenas, dos principais filmes. Estão nele Gene Kelly debaixo d’água em Cantando na Chuva (1952), Fred Astaire dançando nas paredes e tetos de um quarto em Núpcias Reais (1951), Judy Garland em cenas de O Mágico de Oz (1939), a dança-duelo no celeiro em construção em Sete Noivas para Sete Irmãos (1954).

Cyd Charisse brilha ao lado de Astaire em A Roda da Fortuna (1953). Dois mestres da voz, Sinatra e Bing Crosby surgem juntos em Alta Sociedade (1955). Cenas dos primeiríssimos musicais, Melodia da Broadway (1929) e Hollywood Revue (1929) dão bem a medida de como o gênero evoluiu.

É um momento antológico após o outro. E, na época do lançamento original, sem home vídeo, muitas dessas cenas não eram vistas havia décadas. Em determinado momento, Sinatra apresenta o encontro maravilhoso de dois gênios: Fred Astaire e Eleanor Powell em Melodia da Broadway de 1940 (1940). Ele sentencia: “Eu aposto: você nunca mais verá algo assim de novo”. Ele tinha razão.

Os segmentos são apresentados por astros que fizeram história nos musicais do estúdio, como, além de Sinatra, os próprios Astaire e Kelly, e mais Donald O’Connor, Mickey Rooney e Debbie Reynolds.

Outros nomes que brilharam nos musicais da Metro acabaram preteridos em favor de, por exemplo, Bing Crosby. Uma lenda que fez vários musicais, mas apenas dois na Metro (ele foi uma estrela do cinema, mas na Paramount). E de outros astros importantes, mas não muito afeitos ao gênero como Elizabeth Taylor, Peter Lawford e James Stewart.

Liza Minelli é incluída como apresentadora representando a nova geração do gênero (havia acabado de ganhar o Oscar de melhor atriz por Cabaret, 1972) e também, de certa maneira, representando a mãe, Judy Garland (que havia morrido cinco anos antes).

Alguns dos apresentadores ficaram com um bloco temático. Sinatra mostrou os primeiros musicais. Jimmy Stewart, dos atores dramáticos que tiveram que se aventurar nos musicais (ele próprio teve sua vez). Donald O’Connor apresentou os musicais aquáticos de Esther Williams. Mickey Rooney, os musicais que estrelou em dupla com Judy Garland. E Liza lembrou a mãe.

Num lance bem sacado, os dois maiores astros falaram um do outro. Gene Kelly apresenta o segmento sobre Fred Astaire e Astaire a parte dedicada a Kelly.

O filme tem um tom nostálgico e até um pouco melancólico. Os atores surgem nos cenários do estúdio como a reprodução de uma rua de Nova York, ou uma estação de trem, já desgastadas pelo tempo. No período, os anos 1970, a preferência por filmagens em locação fez com que os cenários de fundo dos estúdios saíssem de moda. Ainda assim, Era uma Vez em Hollywood é apresentado como uma celebração dos 50 anos da Metro e de seus “próximos 50 anos”.

O filme, assim como a parte 2, possui dublagem em português. E uma clássica, de quando filmes assim passavam na TV aberta, com Élcio Romar como Gene Kelly e Isaac Bardavod como Fred Astaire. O detalhe é que, mesmo sendo claramente antiga, a dublagem é assinada como “versão brasileira: Studio Mille”, mesma empresa que assina as legendas.

A única explicação razoável é que a empresa tenha editado a dublagem antiga: usado o som em português nos momentos das apresentações e deixado o som original nas cenas de música, privilegiando o som de melhor qualidade nessas sequências. Mas isso não justifica assinar a versão brasileira do áudio.

Um detalhe resultado disso é que a dublagem “some” em alguns pontos do filme. Devem ter esquecido de sobrepor a voz brasileira algumas vezes em que o apresentador falou durante as cenas dos filmes clássicos.

A legenda, aqui, é bastante boa, ao contrário da dos filmes seguintes – incluindo até os títulos corretos em português. E por que essa diferença? Há um motivo: a legenda do primeiro filme é quase exatamente a mesma disponível na internet (em http://www.opensubtitles.org) para acompanhar o download do filme.

Prova disso é que os mesmos erros permanecem. Bing Crosby e Sinatra cantam “It’s in the stars” e as duas traduções dizem “É em Marte”. “Don’t dig that kind of crooning, chum” (“não me venha com essa de crooner, amigo”) vira em ambas as legendas “Não beba assim, amigo”. Coincidência demais.

***

ISTO TAMBÉM ERA HOLLYWOOD (1976)
Sem borda - 03 estrelas

Cavando mais um pouco

Era uma Vez em Hollywood - Parte 2 - 05

Gene Kelly e Fred Astaire apresentando a parte 2: dois gênios em forma

O segundo filme chamou-se, nos cinemas brasileiros, Isto Também Era Hollywood (1976). A maior parte dos principais números musicais já tinha sido usada, mas ainda havia munição para gastar: Gene Kelly e Cyd Charisse na sensual dança de Cantando na Chuva; Bing Crosby e Louis Armstrong em Alta Sociedade; outra cena incrível de Astaire e Eleanor Powell em Melodia da Broadway de 1940.

Boa parte, como se vê, outras cenas dos mesmos filmes. Nada de errado nisso, o acervo é grande e rico. Ainda assim, o filme (agora dirigido por Gene Kelly) abriu o leque para apresentar também cenas de dramas e comédias da Metro, como os irmãos Marx no camarote minúsculo de Uma Noite na Ópera (1935) ou um segmento dedicado a Spencer Tracy e Katharine Hepburn, que viveram uma longa história de amor e dividiram muitos filmes juntos.

O filme é apresentado, desta vez, apenas por Kelly e  Fred Astaire, que respectivamente aos 63 e 77 anos, dividem aqui raríssimos passos de dança juntos. A única vez em que Astaire e Kelly haviam dançado juntos num filme, valendo pontos, foi em Ziegfeld Follies, de 1945. Um filme de segmentos de dança, sem história propriamente, que reservou uma sequência para os dois (aqui, inclusa na parte 1).

É difícil dizer, daqui de 2018, qual era a percepção da grandiosidade desse encontro em 1945. Com relação ao cinema, Fred já estava na praça havia 13 anos, Gene apenas três. O fato é que, depois disso, a Metro não os colocou juntos nenhuma outra vez, preferindo fazê-los estrelar seus próprios filmes.

Por isso a apresentação com os dois juntos nesta parte 2 têm um sabor especial – e os dois gênios mostram que estavam em forma.

Não há muitos segmentos temáticos, a maior parte das cenas parece surgir sem muita ligação. Há um momento dedicado a Sinatra, outro aos filmes que se passaram em Paris, mais um sobre filmes em preto-e-branco. Boa parte da apresentação de Kelly e Astaire é cantada, com mais estética e brincadeira que informação.

A edição também vem com a dublagem brasileira clássica. E aqui começa o desastre das legendas já mencionado.

***

ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD III (1994)
Sem borda - 04 estrelas

A magia por trás da cortinas

Se Voce Fosse Sincera - 04

Eleanor Powell em “Se Você Fosse Sincera”: enquanto ela sapateia, a equipe se desdobra nos bastidores

18 anos depois, veio Era uma Vez em Hollywood III. Agora na direção estavam Bud Friedgen, que foi montador nos dois anteriores, e Michael J. Sheridan, que é creditado como montador aprendiz no primeiro filme e como assistente no segundo.

A proposta voltou a ser a do primeiro filme: focado só nos musicais e com vários apresentadores. Mas o volume III não fica só no desfile de grandes cenas e se dedica bastante a explorar curiosidades inéditas para o público.

Assim, há várias cenas que foram cortadas dos filmes clássicos, como as que Judy Garland filmou para Bonita e Valente (1950), antes de a atriz ser substituída por Betty Hutton. Ou um número solo de Debbie Reynolds em Cantando na Chuva e outro que era a versão caipira do número glamouroso “A lady loves”, de sua personagem em É Deste que Eu Gosto (1953).

Em outro momento, é revelado que a voz que canta “Two-faced woman” por Joan Crawford em Se Eu Soubesse Amar (1953) é de India Adams e que a gravação que havia sido usada primeiro para dublar um número de Cyd Charisse de A Roda da Fortuna (1953) que acabou cortado. As duas cenas são colocadas lado a lado (com franca vantagem para a cena deletada de Cyd).

Especialmente interessante é o número “Fascinating rhythm”, de Eleanor Powell em Se Você Fosse Sincera (1941). Já tinha aparecido na parte II, mas agora é colocado lado a lado com a filmagem dos bastidores da cena, mostrando o imenso trabalho feito por trás das câmeras para adequar o cenário aos passos do sapateado da genial dançarina.

Ela sapateia para trás, passando por pianistas e cortinas, enquanto blocos do cenário são empurrados por guindastes e pela equipe para dar espaço para a grua se aproximar da dançarina. Um trabalho imenso e milimétrico, tudo em uma tomada contínua. Impressionante.

Fred Astaire aparece refazendo um número inteiro com um figurino diferente em Ver, Gostar e Amar (1952) – colocadas lado a lado, é possível ver nas duas imagens a inacreditável precisão de Astaire na coreografia antes e depois.

Um momento particular da terceira parte é a participação de Lena Horne. A cantora e atriz apresenta sequências sobre ela mesma para dar um depoimento sobre o racismo que enfrentou nos dias em foi contratada pela Metro.

O estúdio nunca a escalava com um bom personagem. Apenas a colocava em participações especiais, cantando, de modo que seu número pudesse ser cortado quando o filme fosse exibido em estados que praticavam a segregação racial e cujas plateias brancas torceriam o nariz ao ver uma negra linda e talentosa brilhando em um dos estúdios mais poderosos de Hollywood.

Dos astros que apresentaram o primeiro Era uma Vez em Hollywood apenas Debbie Reynolds, Mickey Rooney e Gene Kelly reaparecem na mesma função no terceiro, que celebra os 70 anos do estúdio. Dos demais apresentadores, todos também brilharam nos musicais da Metro: além de Lena Horne, Cyd Charisse (que apresenta o segmento sobre Kelly), Ann Miller (a parte sobre Astaire), Esther Williams (sobre si mesma), June Alysson, Howard Keel (um segmento sobre o Cinemascope).

Rooney rende homenagem à sua antiga parceira Judy Garland. E Gene Kelly é encarregado de abrir o filme, mostrando didaticamente a evolução do gênero desde os primeiros filmes sonoros. Ele faz aqui sua última aparição em um filme. Muito apropriado que seja sobre os musicais.

Coleção Era uma Vez em Hollywood. Distribuição: Classic Line.
Era uma Vez em Hollywood. That’s Entertainment!. Estados Unidos, 1974. Direção: Jack Haley Jr. Elenco: Fred Astaire, Gene Kelly, Frank Sinatra, Bing Crosby, Elizabeth Taylor, Donald O’Connor, Mickey Rooney, Liza Minnelli, James Stewart, Peter Lawford.
Isto Também Era Hollywood. That’s Entertainment! – Part 2. Estados Unidos, 1976. Direção: Gene Kelly. Elenco: Fred Astaire, Gene Kelly.
Era uma Vez em Hollywood III. That’s Entertainment! III. Estados Unidos, 1994. Direção: Bud Friedgen, Michael J. Sheridan. Elenco: Gene Kelly, Cyd Charisse, Ann Miller, Mickey Rooney, Lena Horne, Esther Williams, Howard Keel, Debbie Reynolds, June Allyson.

Ratatouille

DIÁRIO DE FILMES 2018: 14 – RATATOUILLE
Sem borda - 05 estrelas

Mais de dez anos após o lançamento, Ratatouille permanece um dos melhores filmes da Pixar. Há originalidade na história de um ratinho cozinheiro, mas, sobretudo, há um roteiro bem desenhado e uma narrativa com momentos brilhantes. Como a sequência em que em um plano rápido o filme mostra que os diálogos que ouvimos dos ratinhos são “traduzidos”, a sequência em que Remy sobe por dentro das paredes de um prédio, a fuga com os documentos pelas ruas de Paris, o momento proustiano do crítico Anton Ego, sua crítica e as imagens que a acompanham.

Ratatouille. Ratatouille. Estados Unidos, 2007. Direção: Brad Bird. Vozes na dublagem original: Patton Oswalt, Lou Romano, Ian Holm, Janeane Garofalo, Peter O’Toole, Brian Dennehy. Vozes na dublagem brasileira: Philippe Maia, Thiago Fragoso, Márcio Simões, Samara Felippo, Lauro Fabiano, Carlos Gesteira. Em DVD.

Culpa E das Estrelas

DIÁRIO DE FILMES 2018: 13 – A CULPA É DA ESTRELAS
Sem borda - 03 estrelas

Doenças potencialmente fatais e romance estão por aí desde, pelo menos, A Dama das Camélias. Ingredientes embalados para leitores e espectadores jovens, a adaptação para filme funciona bem. Tem dois bons atores nos papeis principais e uma cena bonita no Museu Anne Frank.

A Culpa É das Estrelas. The Fault in Our Stars. Estados Unidos, 2014. Direção: Josh Boone. Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Willem Dafoe, Laura Dern. Na TV.

Silencio

DIÁRIO DE FILMES 2018: 12 – SILÊNCIO
Estrelas-03 e meia juntas-site

Silêncio é filme mais institucionalmente católico de Scorsese. Mostra dois jovens padres no século XVII em busca de um outro, mais velho, que desapareceu no Japão, numa época em que o Cristianismo era proibido e perseguido. Sobre o desparecido, surgem histórias de que teria renegado a fé cristã. O filme tenta muito nos convencer da importância dessa epopeia, mas esse Apocalypse Now cristão parece ter mais vontade de ser grandioso do que ter méritos para se apresentar assim. Mas visualmente é bonito e tanto o silêncio de Deus quanto a voz da fé se fazem presentes.

Silêncio. Silence. EUA/ Taiwan/ México, 2016. Direção: Martin Scorsese. Elenco: Andrew Garfield, Adam Driver, Tadanobu Asano, Issei Ogata, Liam Neeson, Ciarán Hinds. Download.

Forma da Agua - 02

Sally Hawkins e Doug Jones: com tudo o que têm direito

A FORMA DA ÁGUA
Sem borda - 04 estrelas

Testando as intolerâncias

. por Renato Félix

Guillermo del Toro é conhecido por amar monstros, mas ele ama, sobretudo, algumas facetas do cinema do passado, que ele vai revisitando em seus filmes. Ele salpica de referências seu A Forma da Água, que ganhou o Festival de Veneza e o Oscar de melhor filme (quatro, no total). A mais óbvia, claro, é que seu homem-anfíbio remete  diretamente a O Monstro da Lagoa Negra (1954), filme B que ganhou status de cult com o tempo.

A criatura desperta a empatia da faxineira muda vivida pela excelente Sally Hawkins, funcionária do laboratório secreto que o aprisiona. Ela é um tipo entre Chaplin e Amélie Poulain. O envolvimento cresce até que ela decide salvá-lo.

O coquetel de referências e citações mais e menos diretas gerou um certo debate sobre se isso diminui ou não o filme. Mesmo que isso não seja nenhuma novidade no cinema, de algumas décadas para cá. As referências a um cinema do passado são a base do cinema de Quentin Tarantino, por exemplo.

Falou-se em cópia e até em plágio. A relação entre Elisa, a personagem de Hawkins, e o homem-anfíbio vivido por Doug Jones, remete facilmente às versões de King Kong (1933/ 1976/ 2005) ou a ET (1982). E já anda na internet um meme que mostra que há muitos pontos em comum com a trama de Splash – Uma Sereia em Minha Vida (1984).

Mas há uma diferença fundamental. Em Splash, o “peixe” é metade Daryl Hannah, que ainda deixa de lado a cauda para se tornar totalmente Daryl Hannah nos momentos convenientes. È bem mais fácil para o público aceitar o amor entre diferentes quando eles não são assim tão diferentes: romances entre seres humanos e seres não humanos não são novidade no cinema – desde que o não humano seja, basicamente, uma figura humana.

Em A Forma da Água, Del Toro busca um equilíbrio difícil nesse sentido. Procura não facilitar tanto para a plateia, mas também não pode perdê-la. Aqui, o anfíbio ainda é uma forma humanoide, anda em duas pernas, tem dois olhos e uma boca (um  rosto reconhecível), mas as semelhanças parecem parar por aí. A pele é escamosa, os olhos são diferentes, ele não “fala”.

O filme tenta sustentar a estranheza da plateia, enquanto vai tentando vencê-la mesmo assim, através do lirismo. Elisa vai descobrindo e mostrando ao espectador que há sentimentos e inteligência ali. A Forma da Água testa o espectador, convidando a vencer a resistência a esse “amor diferente”. E nesse ponto é um amor romântico correspondido e nada de platônico, com tudo o que tem direito, inclusive sexo.

Assim, A Forma da Água não é tanto uma ficção científica ou um filme de monstro tradicionais. Testado em suas intolerâncias, cabe ao espectador embarcar ou não nessa fantasia romântica, com uma dose forte de nostalgia. Del Toro chega a incluir um número musical aos moldes dos anos 1930, outra referência cinéfila usada pelo diretor – mas, mais uma vez provocando o espectador, colocando seu monstro como um Fred Astaire.

A cena é outra referência direta, no caso ao número “Let’s face the music and dance”, com Fred e Ginger Rogers, de Nas Águas da Esquadra (1936). Vencer a estranheza é ser brindado pelo belo momento em que Elisa ganha uma voz além dela, como o musical clássico hollywoodiano costumava ser o sentimento além do sentimento.

Testado em suas intolerâncias (há paralelos com racismo e homofobia ao longo do filme, com nos personagens de Octavia Spencer e Richard Jenkins), cabe ao espectador embarcar ou não nessa fantasia romântica, com uma dose forte de nostalgia. Boa parte da trama se passa em apartamentos sobre um cinema exibindo A História de Ruth (1960) e As Noites de Mardi Gras (1958). Efetivamente, o cinema em si é o alicerce de A Forma da Água.

A Forma da Água. The Shape of Water. EUA, 2017. Direção: Guillermo del Toro. Elenco: Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Octavia Spencer, Doug Jones.

The Post

Meryl Streep e Tom Hanks: entre o furo e a prisão

THE POST – A GUERRA SECRETA
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A urgência do deadline

Para usar um termo da moda, The Post – A Guerra Secreta (2017) é uma espécie de prequel de Todos os Homens do Presidente (1976): uma continuação cuja história se passa antes do original. Enquanto o filme de Alan J. Pakula tratava da investigação do Washington Post que resultou no escândalo Watergate e na renúncia de Nixon, o filme de Spielberg em cartaz mostra o mesmo jornal às voltas com o mesmo presidente e o vazamento de documentos que mostravam que o governo americano vinha mentindo sobre o Vietnã, mesmo muitos anos antes da guerra.

Claro que Todos os Homens do Presidente já possui uma aura com a qual é muito difícil concorrer, mas The Post tomou a opção de assumir explicitamente a influência e buscar um espelho narrativo e visual – a ponto de seu último plano ser igual ao primeiro do filme de Pakula. Uma “emenda retroativa” maior até que a de Rogue One (2016)/ Guerra nas Estrelas (1977).

O filme é centrado principalmente em seus dois personagens centrais: Katharine Graham, dona do Washington Post, e Ben Bradlee, editor. Ele é vivido em Todos os Homens do Presidente por Jason Robards, mas ela não aparece no filme de Pakula. The Post busca, de certa forma, fazer justiça a Graham. Até por isso, no filme de Spielberg, Bradlee é movido pela competição e pela adrenalina da notícia – um retrato tradicional do jornalista de redações de filmes – enquanto a jornada dela é mais complexa.

Katharine é retratada como uma dondoca que herdou do pai e do marido um jornal com o qual não tem muita familiaridade e que se sente mais à vontade circulando na alta roda entre ricaços e políticos. Nos negócios, não é levada muito a sério por seus pares. Sucedendo o pai e o marido, sua presença nas mesas de reuniões parece uma anomalia. Seu personagem cresce à medida que precisa lidar com a bomba que o jornal pode detonar e precisa tomar decisões a respeito, com potencial claro de atingir, inclusive, alguns de seus amigos poderosos.

A questão central é que o New York Times teve acesso aos tais documentos comprometedores, mostrando que sucessivos governos americanos vinham mentindo sobre o Vietnã. Mas o governo entrou na Justiça e o Times teve que parar de publicar o material. O Post, que tomou o furo, correu atrás e conseguiu acesso aos mesmos documentos. Então uma decisão foi posta sobre a mesa: publicar, mesmo sabendo que isso poderia resultar na mesma censura e, talvez, em prisão?

Na primeira metade do filme, o emaranhado de nomes pode ser um pouco confuso para quem não está familiarizado com a história da politica e imprensa americanas. Spielberg também opta muitas vezes por distribuir a informação aos poucos.

Por exemplo, Katharine tem um encontro para o almoço. A conversa se desenrola e boa parte do público (possivelmente a maior parte) provavelmente não saberá de cara com quem ela afinal está almoçando. Mas, no meio da cena, a plateia descobre que trata-se do editor do concorrente, o New York Times. É de se esperar que o diretor esteja contando com certa desorientação da plateia, antes de dar os dados para que ela volte ao prumo.

Spielberg, porém, não deixa de derrapar na falta de sutileza. Katharine precisa verbalizar com todas as letras as condições de uma mulher no mercado de trabalho nos anos 1960. Mais à frente, ela é ignorada pela imprensa após uma batalha nos tribunais, os repórteres preferem as declarações dos homens. Mas ela desce as escadas lá fora sob o olhar de admiração e reverência de outras mulheres enfileiradas.

Mas o diretor também exibe sua habitual destreza com a câmera, mesmo buscando se manter preso à estética sóbria herdada de Todos os Homens do Presidente. Spielberg toma bom partido do cenário da redação e flui a câmera em planos-sequência de maneira tão natural que o público pode não perceber, uma marca sua. E cria um ritmo empolgante à medida em que o deadline se aproxima.

Ele já declarou que se trata de um filme de urgência: ele se apropria dessa história dos anos 1960 para fazer comentários sobre hoje, com respeito à liberdade de imprensa, mentiras governamentais e afirmação do lugar da mulher na sociedade. Curioso como, nesse sentido, Todos os Homens do Presidente era um filme que falava, também com urgência, sobre a própria época em que foi feito: Nixon havia renunciado apenas dois anos antes do lançamento da produção, como resultado da investigação que a história contava. Em comum, ambos os filmes precisaram ser feitos logo, como se tivessem que cumprir, cada um, o seu deadline.

The Post – A Guerra Secreta. The Post. Reino Unido/ EUA, 2017. Direção: Steven Spielberg. Elenco: Maryl Streep, Tom Hanks, Sarah Paulson, Bob Odenkirk. No cinema.

* Versão estendida da crítica publicada no Correio da Paraíba de 31/03/2018

Eu Daniel Blake

DIÁRIO DE FILMES 2018: 11 – EU, DANIEL BLAKE
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Em uma poderosa denúncia sobre um sistema que esmaga pessoas, Ken Loach mostra a crueldade da lógica da desumanização dos serviços em uma sociedade tida por muitos como um paraíso desejado. Daniel Blake é jogado em um labirinto burocrático kafkiano, onde sua médica o proíbe de voltar ao trabalho após um ataque cardíaco, mas a empresa que avalia o seguro-saúde para o governo britânico nega a ele o benefício. Ainda assim, ele encontra tempo e disposição para ajudar uma mãe e os filhos dela que parecem em situação ainda pior. Sóbrio, mas muito contudente.

Eu, Daniel Blake. I, Daniel Blake. Reino Unido/ França/ Bélgica, 2016. Direção: Ken Loach. Elenco: Dave Johns, Hayley Squires, Brianma Shann, Sharon Percy. Na Netflix.

The Post

DIÁRIO DE FILMES 2018: 10 – THE POST – A GUERRA SECRETA
Sem borda - 04 estrelas

Spielberg já declarou que este é “um filme de urgência” para ele. Aproveitou a história sobre liberdade de imprensa e mentiras governamentais sobre a Guerra do Vietnã para falar de hoje. Para tanto, aproveitou também a relação direta com Todos os Homens do Presidente (1976) para se inspirar no filme de Pakula, funcionando como um prelúdio, a ponto do final emendar com o começo do outro, que era sobre o Watergate. Resulta num clássico “drama de redação”,  com algumas observações das relações pouco institucionais da imprensa com o poder e da afirmação da mulher no mercado de trabalho. O começo é meio embaralhado para quem não conhece todos aqueles nomes e Tom Hanks está mais careteiro que o normal, mas o filme cresce bem na metade final.

The Post – A Guerra Secreta. The Post. Reino Unido/ EUA, 2017. Direção: Steven Spielberg. Elenco: Maryl Streep, Tom Hanks, Sarah Paulson, Bob Odenkirk. No cinema.

A seguir, os meus melhores filmes que passaram comercialmente nos cinemas pessoenses em 2017. O Cine Banguê ajudou mais uma vez a melhorar nosso ano cinematográfico, em termos de qualidade e também de número.

Tivemos 241 estreias. O número caiu em relação a 2016 (258), é verdade. Mas ainda é muito superior aos anos anteriores, sem o Banguê: 163, em 2015; 164, em 2014.

A participação de filmes nacionais entre as estreias por aqui chegou a 27,8%. É um índice muito acima dos números nacionais, nos quais o índice não chegou aos dois dígitos.

Confira agora a minha lista (e fique à vontade para dividir a sua):

La La Land - Cantando Estações - 09

1 – LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES, de Damien Chazelle

Fred Astaire dizia que um número musical devia ser filmado com um mínimo de cortes possível – para valorizar o trabalho da dança. Desde a aurora do videoclipe, poucos musicais arriscaram seguir esse mandamento: a maioria edita seus números com dezenas de planos. La La Land é o que corajosamente mais se aproxima do estilo e espírito dos musicais clássicos, deixando de lado essa facilidade que é construir a dança na edição. Considerando inclusive que seus atores (Emma Stone e Ryan Gosling, com muito carisma) não são gênios do canto e dança como eram Astaire (ou Gene Kelly, ou Judy Garland) e nem tiveram uma vida dedicada a se apromimorar nessas capacidades, como eles tiveram. O cinema de hoje é outro, pouco disposto a sustentar uma companhia criativa daquele naipe dentro de um estúdio. Ainda assim, Emma e Gosling dançam longas sequências sem cortes e sem fazer feio. La La Land é corajoso também ao arriscar em músicas originais (não sucessos já consagrados na Broadway ou na música popular, que já entram com a identificação e simpatia do público). Com isso, imprime uma sucessão de momentos notáveis (como a primeira parte de “Someone in the crowd”, em um plano-sequência coreografado com precisão por diversos cômodos da casa, cada qual em uma cor diferente, assim como o vestidos das atrizes). Essa atmosfera de sonho emoldura uma trama que é sobre perseguir sonhos da Cidade dos Sonhos, mas faltando combinar com a realidade. O número final é simplesmente brilhante em como é executado e como funciona como narrativa (e narrativa subjetiva em particular).

Paterson - 13

2 – PATERSON, de Jim Jarmusch

Um motorista de ônibus que escreve poesia é o personagem-título de Paterson. Seus dias são uma gigante rotina: de casa para o trabalho, o trajeto do ônibus, lidar com as constantes invenções para a casa de sua mulher com alma de artista plástica, sair com o cachorro à noite, dar uma paradinha no bar. O olhar diferente para o cotidiano, para as pessoas que conhece, para o que observa dentro e fora de seu ônibus é que fazem a poesia no seu dia e no filme. O papo sobre poesia com uma garotinha é um desses momentos de encanto perdidos no dia. E ainda há a piscadela para quem adora Moonrise Kingdom.

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3 – MANCHESTER À BEIRA-MAR, de Kenneth Lonergan

O personagem de Casey Affleck vive aprisionado por uma dor do passado que o fez se afastar de tudo. Mas ele terá que encarar esse passado ao voltar para sua cidade para cuidar do sobrinho após a morte do irmão. Sentimentos sufocados e um belo jogo de dar e reter informações, o que ajuda o filme a nunca se deixar levar pelo melodrama. Um delicado equilíbrio de emoções.

Cidadao Ilustre - 04

4 – O CIDADÃO ILUSTRE, de Kenneth Lonergan

Escritor vencedor do Nobel há muitos anos vive fora da Argentina, sem nunca ter colocado os pés de volta à sua pequena cidade (apesar de ser ela a fonte de inspiração e cenário de todos os seus livros). Mas resolve aceitar o convite para receber uma homenagem. Esse reencontro irá bem além da nostalgia de rever amigos e da vaidade em ser celebrado pelos seus. Passa por celebrações vazias da fama e de como elas são frágeis.

LOGAN

5 – LOGAN, de James Mangold

Um futuro desesperançado é o cenário para esse conto de Wolverine que sobe o tom em comparação às demais aparições do personagem no cinema. Em queda e afastado, que precisa voltar à violência para defender inocentes. Um herói a contragosto. O paralelo com Os Brutos Também Amam é explícito e belo.

Eu Nao Sou Seu Negro - 01

6 – EU NÃO SOU SEU NEGRO, de Raoul Peck

As ideias de James Baldwin, preparadas para um livro que ele nunca conseguiu terminar, ganham vida em forma de filme neste documentário. Ele mostra sua visão e conceitos do racismo nos EUA e do movimentos dos direitos civis, com os assassinatos dos líderes Medgar Evers, Luther King e Malcolm X, combinando a leitura dos manuscritos por Samuel L. Jackson e as cenas de arquivo.

Blade Runner 2049 - 12

7 – BLADE RUNNER 2049, de Denis Villeneuve

Um filme influenciado não só pelo original (o visual – mais uma fotografia extraordinária de Roger Deakins –, a música evocando a trilha de Vangelis, o esforço em imaginar aquele universo 30 anos depois, mas sem perder a personalidade), mas também pela aura que o cerca. E uma vontade imensa de ser “grande”, de estar à altura desse mito, quando o filme de 1982 tinha temas estimulantes sobre o que é ser humano, mas estes estavam sob uma trama policial até simples. 

Dunkirk - 01

8 – DUNKIRK, de Christopher Nolan

Três histórias, cada uma com uma duração diferente, entrelaçadas como se durassem o mesmo tempo. Tecendo um painel sobre uma batalha perdida, sobre jovens assustados que não podem ser heróis num conflito no qual são atirados, sobre pessoas comuns que se tornam heróis e sobre profissionais da aventura da guerra. Assim, cada parte evocando um segmento marcante dos filmes sobre a II Guerra através das décadas.

BR 716 - 01

9 – BR 716, de Domingos Oliveira

Talvez Domingos Oliveira tenha feito seu melhor filme desde Separações (2002). Num apartamento da icônica avenida Barata Ribeiro, nos anos 1960, um jovem vai se despedindo do lugar em meio a farras, uma bela mulher e a ameaça lá fora de algo terrível que se avizinha – a ditadura. Diálogos espirituosos em meio a uma triste nostalgia da boemia e Caio Blat interpretando Domingos.

Eu Daniel Blake

10 – EU, DANIEL BLAKE, de Ken Loach

Daniel Blake vive um pesadelo kafkiano, perdido na burocracia desumana do seguro social britânico: após um ataque cardíaco, sua médica o proíbe de trabalhar, mas o governo (ou, melhor, a empresa que o governo está pagando) nega o seguro. Mesmo com seus próprios problemas, ele se dedica a ajudar uma mãe e seus dois filhos, que parecem estar em situação ainda pior. Uma denúncia-porrada contra um sistema desumano, em um país que tanta gente considera um paraíso, com a sobriedade narrativa costumeira de Ken Loach.

+ 10 filmes: Roda Gigante, de Woody Allen; Corra!, de Jordan Peele; Star Wars – Os Últimos Jedi, de Rian Johnson; O Apartamento, de Asghar Farhadi; Moonlight – Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins; Atômica, de David Leitch; Bingo, o Rei das Manhãs, de Daniel Rezende; Estrelas Além do Tempo, de Theodore Melfi; Mulher-Maravilha, de Patty Jenkins; Como Nossos Pais, de Laís Bodanzky.

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Viva - 02

Miguel e a bisavó Lupita: indo além do esperado

VIVA – A VIDA É UMA FESTA
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Saudade é vida

. por Renato Félix

Se existe vida além da morte, o que seria “a morte da morte”? Viva – A Vida É uma Festa (2017) dá sua visão: é o esquecimento. Nossos mortos continuam vivos em nossas memórias. Se nos esquecemos deles, eles deixam de existir. Com essa base, o estúdio de animação – que tem alternado seus melhores momentos com continuações meio no piloto automático – volta à sua melhor forma.

E essa melhor forma vem principalmente da combinação de roteiro e animação para esculpir personagens que conseguem transmitir grandes e complexas emoções, por mais que o filme não perca de vista o público infantil e o alto astral. Então, mais uma vez, humor, música e cores (mesmo no mundo dos mortos) são colocados como a base em que, quando menos se percebe, é construído algo que vai além.

O tema –  a morte –  é delicado e complexo, tanto que o marketing tentou desviar do assunto o melhor que pôde. O título brasileiro, então, exagera desnecessariamente na alegria. A vida não é uma festa para Miguel, o protagonista. O garoto quer ser músico, mas a família é contra: quer que ele siga a tradição sem graça dos parentes e seja um sapateiro.

O que ajuda o filme é que evidentemente a trama se passa no México, onde o Dia de Finados é encarado de uma maneira muito particular. Segundo a tradição, é o dia em que os mortos têm a permissão de visitar os parentes e amigos vivos. Enquanto a família tem um altar com fotos dos parentes que já se foram, Miguel tem o seu particular para Ernesto de la Cruz, um antigo ídolo da música.

Uma situação limite o leva, vivo, ao mundo dos mortos. E para voltar antes do fim do dia, o garoto vai ter que repensar valores familiares, sua vocação e descobrir segredos do passado. Conhece os antepassados, mas sua volta está ligada ao seu futuro e o levará ao encontro do ídolo em quem se espelha. Na jornada, terá a ajuda de Hector, uma caveira que parece ser apenas um alivio cômico, mas é o personagem em que Viva vai se apoiar para chegar mais longe.

O visual do mundo dos mortos é impressionante, começando pela ponte de pétalas que o liga ao mundo dos vivos e as plataformas inspiradas nas pirâmides astecas. Ter que conseguir o “visto de imigração” para passar “para o nosso lado” é uma situação que não pode estar ali por acaso.

E a animação aproveita para muitas brincadeiras visuais, lembrando tanto clássicos da Warner Bros. quanto o curta A Dança dos Esqueletos (1929), uma das primeiras Silly Symphonies da Disney.

A aventura misturada com comédia familiar começa a abraçar outras emoções quando entra em cena a possibilidade do esquecimento desses personagens mortos, mas com tanta vida, por parte de quem ficou por aqui (através da saudade). Coco, o título original (de que a Disney Brasil teve tanto medo de um trocadilho infame), se refere a personagem da bisavó, já sofrendo do mal de Alzheimer. É uma pena que o título brasileiro tenha desperdiçado essa relação com a personagem.

Linhas se cruzam e surgem algumas soluções que são mais fáceis e certos segredos que podem ser previstos a uma boa distância pelo espectador. Mas nada disso chega a ser um problema. As qualidades do filme de Lee Unkrich (é se segundo longa como diretor; o primeiro foi Toy Story 3) compensam, como centrar em dois personagens até então coadjuvantes (Hector e Coco, que aqui no Brasl foi rebatizada como Lupita) para construir uma cena de dimensão tão grande, que já está no rol daquelas da Pixar que arrancam lágrimas do espectador.

Viva! – A Vida É uma Festa. Coco. EUA, 2017. Direção: Lee Unkrich, Adrian Molina. Vozes na dublagem original: Anthony Gonzalez, Gael García Bernal, Benjamin Bratt, Alanna Ubach, Renee Victor, Alfonso Arau. Vozes na dublagem brasileira: Arthur Salerno, Leandro Luna, Nando Prado, Adriana Quadros.

* Crítica estendida da original publicada no Correio da Paraíba, em 13 de janeiro de 2018.

Touro Ferdinando

DIÁRIO DE FILMES 2018: 9 – O TOURO FERDINANDO
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A história é bem conhecida, seja pelo livro de Munro Leaf (ilustrado por Robert Lawson), de 1936, ou pelo curta animado da Disney, vencedor do Oscar, de 1938. O desafio da Blue Sky e do diretor Carlos Saldanha foi ampliar a trama. Esse trabalho é bem feito, adicionando uma fuga, uma vida paralela, mas o retorno ao andamento básico da trama: picado por uma abelha, o gentil Ferdinando sai doido e é confundido com um touro bravo, indo parar numa arena. O clímax contra o toureiro é muito bom. Uma coisa que atrapalha é o excesso de personagens: não basta ter um ouriço malandro, são três; não basta ter um cavalo arrogante, são três!

O Touro Ferdinando. Ferdinand. EUA, 2017. Direção: Carlos Saldanha. Vozes na dublagem original: John Cena, Kate McKinnon, Lily Day, David Tennant, Gina Rodriguez, Jeremy Sisto. Vozes na dublagem brasileira: Thalita Carauta, Maísa Silva, Otaviano Costa. No cinema.

Bee Movie

DIÁRIO DE FILMES 2018: 8 – BEE MOVIE – A HISTÓRIA DE UMA ABELHA
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Arthur voltou a assistir Bee Movie e eu com ele. É meio consenso que essa animação podia ter rendido mais, mas acho, no geral, bastante boa, com boas ideias e alguns momentos acima da média. Como virar um filme de tribunal em certo momento, com destaque para o depoimento de Sting. Ou o mosquito advogado: “Eu já era um grande sanguessuga, mesmo”. Uma coisa interessante é que, sendo um projeto concebido e estrelado por Jerry Seinfeld, a persona do comediante é figura forte para quem vai assistir ao filme e gosta da série: a dublagem em português não consegue corresponder a isso. Não por deficiência no trabalho do grande Guilherme Briggs, claro, mas porque são vozes bem diferentes e o efeito se perde. Provavelmente, uma perda inevitável, assim como muitos trocadilhos intraduzíveis do original (já começa no título: Bee Movie lembra “B movie” ou “filme B”).

Bee Movie – A História de uma Abelha. Bee Movie. Estados Unidos, 2007. Direção: Simon J. Smith, Steve Hickner. Vozes da dublagem original: Jerry Seinfeld, Renée Zellweger, Matthew Broderick, Patrick Warburton, John Goodman, Chris Rock, Kathy Bates, Barry Levinson, Larry King, Ray Liotta, Sting, Oprah Winfrey, Megan Mullaly, Rip Torn, Michael Richards. Vozes na dublagem brasileira: Guilherme Briggs, Fernanda Baronne, Alexandre Moreno. Em DVD.

Capitalismo - Uma Historia de Amor - 02

DIÁRIO DE FILMES 2018: 7 – CAPITALISMO – UMA HISTÓRIA DE AMOR
Estrelas-03 e meia juntas-site

Michael Moore investiga o que esteve por trás da crise americana provocada pela bolha habitacional e as tramoias dos bancos atrás de cada vez mais lucros – uma história de terror que depois gerou o filme A Grande Aposta (2015). Sempre combinando opiniões fortes e provocações com doses de bom humor, Moore escancara as engrenagens de um sistema que privilegiou as corporações em um momento crítico do país a um alto custo social. Para mostrar que o problema não é de hoje, o cineasta volta, em alguns momentos, a seu primeiro filme, Roger & Eu (1989).

Capitalismo – Uma História de Amor. Capitalism – A Love Story. Estados Unidos, 2009. Direção: Michael Moore. No Netflix.

Com Amor Van Gogh 2

DIÁRIO DE FILMES 2018: 6 – COM AMOR, VAN GOGH
Sem borda - 04 estrelas

Todo animado a partir de pinturas a óleo, o filme da polonesa Dorota Kobiela e do britânico Hugh Welchman é um evento visual. A narrativa bebe na fonte de Cidadão Kane para recontar os últimos dias do pintor holandês. Mais detalhes na minha crítica.

Com Amor, Van Gogh. Loving Vincent. Reino Unido/ Polônia, 2017. Direção: Dorota Kobiela, Hugh Welchman. Vozes na dublagem original: Douglas Booth, Robert Gulaczyk, Saoirse Ronan. No cinema.

Viva

DIÁRIO DE FILMES 2018: 5 – VIVA – A VIDA É UMA FESTA
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A Pixar hoje parece dividida em dois modelos de produção: as continuações feitas meio no piloto automático para lucrar com os personagens já conhecidos; e a pérolas genuínas do estúdio, feitas com risco e aprofundamento. Viva está no segundo tipo, que já nos deu obras-primas como Procurando Nemo (2003), Ratatouille (2007), Wall-E (2008) e Divertida Mente (2015). A trama sobre um garoto mexicano que quer ser músico contra a posição da família e vai parar no mundo dos mortos, com muita cor e humor, vai se desenrolando sobre temas mais complexos, como saudade e o que seria “a morte dos mortos”: o esquecimento. Visualmente, é bem elaborado, e há momentos especialmente tocantes.

Viva! – A Vida É uma Festa – Coco. EUA, 2017. Direção: Lee Unkrich, Adrian Molina. Vozes na dublagem original: Anthony Gonzalez, Gael García Bernal, Benjamin Bratt, Alanna Ubach, Renee Victor, Alfonso Arau. Vozes na dublagem brasileira: Arthur Salerno, Leandro Luna, Nando Prado, Adriana Quadros. No cinema.

Com Amor Van Gogh

Metalinguagem do filme evoca estilo de Van Gogh

COM AMOR, VAN GOGH
Sem borda - 04 estrelas

Um mundo pintado a óleo

por Renato Félix

É difícil não se impressionar. Uma equipe de 100 artistas, comandados pelos diretores Dorota Kobiela e Hugh Welchman, pintou centenas e centenas de quadros a óleo que foram animados para gerar Com Amor, Van Gogh (2017), filme em que o jovem filho de um carteiro é encarregado de entregar uma carta do pintor holandês, um ano após a morte dele. Viajando à procura da família de Van Gogh, vai conhecendo pessoas que o conheceram e foram retratadas por ele.

Começa aí um processo narrativo semelhante ao de Cidadão Kane (1941). O jovem Armand ouve de cada um versões sobre a vida de Van Gogh, passando pela infância e pelo episódio dramático do corte da própria orelha. Mas os relatos são especialmente sobre seus últimos dias, que desembocaram no tiro que deu contra si mesmo, resultando na morte do pintor dois dias depois.

Armand questiona a versão do suicídio – ele terá mesmo se matado ou terá sido assassinado? – e procura entender o intenso artista e seus tormentos. A narrativa segue o modelo de Cidadão Kane de perto, com cada depoimento puxando uma cena do passado (mostradas em preto-e-branco). Através delas, quadros de Van Gogh são recriados quando surgem os personagens com quem ele conviveu e pintou.

Não é uma narrativa que busca inovação e talvez até seja didática demais. Mas o projeto todo é comovente pelo carinho pelo seu personagem, que transborda de cada cena. Muito, claro, pelo esforço em narrar tudo seguindo o estilo visual de Van Gogh. Uma metalinguagem e tanto.

A técnica fica mais evidente nos momentos coloridos e, curiosamente, as cenas  com “movimento de câmera” dão uma curiosa sensação de que é o cenário que está se movimentando, não os personagens. As cenas em preto-e-branco “escondem” mais as pinceladas. Mas a graça, claro, não é escondê-las, mas que a técnica esteja bem evidente. Um retrato visual fiel da realidade, afinal, não era pretendido por Van Gogh e, também não o é pelo filme.

Com Amor, Van Gogh. Loving Vincent. Reino Unido/ Polônia, 2017. Direção: Dorota Kobiela, Hugh Welchman. Vozes na dublagem original: Douglas Booth, Robert Gulaczyk, Saoirse Ronan. No cinema.

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