Na minha coluna da CBN João Pessoa desta sexta, falei sobre a estreia de Meu Pai, com Anthony Hopkins, o festival de documentários É Tudo Verdade (online e gratuito) e sobre a obra da cineasta belga Chantal Akerman, agora disponível restaurada no streaming. Ouça aqui!

(Foto: Olivia Colman e Anthony Hopkins, em Meu Pai)

LIGA DA JUSTIÇA DE ZACK SNYDER
⭐½
Diário de Filmes 2021: 36

Egotrip sem freios

Na primeiríssima cena do corte de Liga da Justiça que esteve nos cinemas em 2017, o Super-Homem é visto pela lente de um celular, filmado por algumas crianças que fazem algumas perguntas ao herói após um salvamento. Meio constrangido, ele reserva um tempinho para responder as perguntas. Além da boca esquisita de Henry Cavill (que tentou eliminar em CGI o bigode que o ator ostentava na ocasião), saltava aos olhos o reencontro da plateia com um personagem que fazia tempo não era visto no cinema: o Super-Homem.

Aquele Super-Homem, pelo menos, e não a versão carrancuda que Zack Snyder imprimiu em O Homem de Aço e Batman vs. Superman. Aquele personagem da abertura de Liga era uma novidade neste universo compartilhado da DC no cinema, e foi fruto direto da troca de comando na direção do filme (a trilha de Danny Elfman até resgatou de leve o tema clássico de John Williams).

Como quase todo mundo sabe, Snyder teve que sair do projeto antes de conclui-lo para lidar com uma tragédia pessoal. A Warner chamou Joss Whedon para terminar o filme, na expectativa de, no fim, ter algo mais próximo ao clima dos dois Vingadores que Whedon dirigiu.

Ele fez o que deu pra fazer com o material que tinha. Não foi muito.

O resultado foi meio uma criatura de Frankenstein, um remendo que terminou não sendo nem um filme padrão de Snyder (que mesmo assim continuou tendo a assinatura solo como diretor), nem um filme de Whedon (que é creditado apenas como co-roteirista). Era um filme meio esquizofrênico, que brigava consigo mesmo o tempo todo.

Mas Zack Snyder tem um grupo de fãs ruidosos, que logo fez campanha para ver o “corte original” do diretor (que não existia, visto que ele não havia editado nada). Snyder abraçou a campanha, fez seu lobby e conseguiu o aval da Warner para fazer sua montagem mais pessoal, com o estúdio de olho em dar um gás em seu serviço próprio de streaming.

Então, a primeira coisa a considerar é: Liga da Justiça de Zack Snyder é a versão original do diretor? A resposta é “não”.

É a visão dele combinando o que pretendia no começo mais suas ideias após ver a versão finalizada por Whedon (o que achou que deu certo, o que achou que deu errado, inclusive sobre o que ele mesmo tinha feito). E ainda o que mais resolveu fazer sabendo que, sendo uma produção para o streaming e não para o cinema, poderia entregar um filme com mais tempo de duração.

Daí, chegamos às 4 horas e dois minutos de duração. O Poderoso Chefão – Parte II (1974) tem 3h22. Ben-Hur (1959) tem 3h32. Lawrence da Arábia (1962) tem 3h48. …E o Vento Levou (1939) tem 3h58. É evidente que no caso de Liga não é para tanto: essas 4h02 são de um diretor sem freio algum para sintetizar o próprio filme. Uma viagem sem volta a uma egotrip.

Faltou limite e o filme se confia no fato de que, já que é para o streaming mesmo, o público pode assisti-lo como minissérie, se quiser. O novo Liga é até dividido em capítulos, para facilitar essa opção.

É claro que há ganhos nessa metragem maior que a da outra versão. Notadamente para o personagem Ciborgue, que ganhou uma história mais detalhada e com peso dramático maior. Também o Flash recebeu alguns momentos melhores.

E, considerando o remendo que é a outra versão, esta é, sem dúvida, mais coerente. É decorrência direta e lógica de O Homem de Aço e Batman vs. Superman. Agora, se isso faz dela um filme melhor, são outros quinhentos. Porque ser uma decorrência lógica, nesse caso, implica em também mergulhar em tudo o que os dois filmes anteriores têm de problemáticos. Snyder é fiel a seu – digamos assim – estilo: tons cinzas e marrons, caras emburradas e infinitas câmeras lentas, que são o que o diretor realmente acredita que dão intensidade dramática a um filme.

Então tem coisas melhores que a versão finalizada por Whedon? Sim. Tem coisas piores? Tem, também.

Visto de uma vez, é um filme interminável. Isso é quase literal: conclui, por assim dizer, com um epílogo inacreditável de longo, que empilha cenas sem parar depois de a história ter acabado. Não só aí, mas pelo meio do filme também brotam cenas e personagens inúteis, enxertados apenas para a alegria dos leitores que vão reconhecê-los dos quadrinhos.

O maior exemplo disso é o Caçador de Marte. Um personagem bem menos conhecido (se não for quase desconhecido) por quem não é leitor da DC, ausente da versão de Joss Whedon e que aparece em duas cenas que não dizem nada. Pelo contrário, o espectador fica se perguntando por que, afinal, ele não toma parte da ação, já que estava por ali.

O que ficou de fora foi tudo o que Whedon filmou a mais para dar uma levantada no astral da outra versão. Por exemplo, o momento em que o Super-Homem deixa momentaneamente de lutar com o vilão para – vejam só – salvar diretamente pessoas em perigo.

Para Zack Snyder, tendo em vista os filmes anteriores e esta versão, salvar pessoas é um inconveniente. O pouco interesse do Super-Homem em salvar pessoas no meio da destruição do quebra-pau em Metrópolis, em O Homem de Aço, virou piada, mas o diretor não aprendeu com isso.

Agora, a solução de Snyder para evitar novos memes é convenientemente localizar a ação do clímax e do combate com o vilão em uma área desabitada. Na versão de Whedon, há moradores ali, inocentes que precisam ser protegidos e ajudados. Agora – que confortável – não é preciso salvar ninguém e os heróis podem se concentrar naquilo que interessa de verdade ao diretor: a troca supostamente épica de sopapos com o vilão da vez.

Uma coisa importante a levar em conta é que o pior da Liga de Whedon (com exceção da boca esquisita de Henry Cavill) já estava no que Zack Snyder tinha feito até sair do projeto. E está de volta.

O Batman, por exemplo, recruta o Aquaman e o Flash no começo do filme. Mas faz isso como Bruce Wayne (!), revelando de primeira sua identidade secreta a desconhecidos. A ideia já é ridícula por si só, mas a construção das cenas torna tudo ainda pior: parece que só importou o momento de efeito (Barry Allen pegando o batarangue que Bruce Wayne atira e descobrindo, assim, que Wayne é o Batman), mas a construção da cena para chegar lá é feita de qualquer jeito.

Darkseid, vilão icônico da DC, criação de Jack Kirby que fez história até nos Superamigos, foi vendido como uma grande novidade dessa nova versão, mas não rende 10% do anunciado. Só age em flashback e sonhos. Na hora H, ainda temos que nos contentar mesmo é com o Lobo da Estepe.

Ou seja: o grande vilão de Liga da Justiça de Zack Snyder continua sendo um capanga, um personagem da quarta divisão da DC Comics, com carisma zero e sem uma motivação minimamente interessante. Aliás, tanto Darkseid quanto seu ajudante, e também os cenários sem qualquer verdade, parecem ter saído direto de um videogame.

E, por fim, ainda tem esse formato 4:3, quase quadrado, como os das TVs antigas, um troço injustificável. Foi justificado como uma “opção artística” do diretor porque se aproxima da tela imax. Mas, francamente… no streaming? Parece só mais um entre tantos caprichos gratuitos do diretor com essa versão.

Onde ver: Google Play, Looke, AppleTV, YouTube.

Zack Snyder’s Justice League, 2021.
Direção: Zack Snyder. Elenco: Ben Affleck, Gal Gadot, Ezra Miller, Jason Momoa, Ray Fisher, Henry Cavill, Amy Adams, J.K. Simmons, Jeremy Irons, Willem Dafoe, Jesse Eisenberg, Robin Wright, Connie Nielsen, Amber Heard, Diane Lane, Billy Crudup.

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Na minha coluna de hoje na CBN João Pessoa, comentei dois filmes e uma minissérie para não passar verginha chamando o golpe militar de 1964 de “movimento”. Está online, ouça aqui.

Na foto: Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho.

As aberturas das novelas brasileiras são uma obra de arte à parte. Essa lista reúne as 50 melhores (na minha opinião, claro). Algumas resumem o ponto de partida da trama principal, outras metaforizam o tema central, há aquelas que brilham como peças isoladas. Algumas são em animação em stop motion, outras em CGI, algumas possuem efeitos especiais sofisticados (para suas épocas), outras são perfeitas em sua simplicidade. Podem ser dramáticas, épicas, cômicas, alegres. A mais antiga é de 1970, a mais recente, de 2019. Confira a lista, assista às peças e confira algumas opiniões e informações (muitas delas retiradas do completíssimo site Teledramaturgia, de Nilson Xavier).

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50 – ÓRFÃOS DA TERRA (Globo, 2019)

A novela sobre refugiados teve uma abertura sóbria e simples, no estilo “álbum de retratos”. Mas muito adequada. O grande lance é que as pessoas que aparecem são realmente refugiados, com alguns integrantes do elenco entre eles (informação do de onde tirei outras curiosidades nessa lista). A música-tema também é ideal, talvez inevitável: “Diáspora”, com os Tribalistas. No vídeo a seguir, a abertura está sem os créditos. Novela de Thelma Guedes e Duca Rachid. Para ver com créditos, clique aqui.

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49 – CIDADÃO BRASILEIRO (Record, 2006)

A abertura reflete bem uma trama que avança 30 anos no tempo, com “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam, como tema, numa versão cantada por Edu e Zizi Possi. Novela de Lauro César Muniz.

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48 – AMOR E REVOLUÇÃO (SBT, 2011-2012)

A novela que se passa nos anos da ditadura militar era péssima de dar vergonha, mas a abertura era muito boa: usou uma canção clássica da época e sobre a época (“Roda viva”, de Chico Buarque, com o MPB-4) e foca nos desaparecimentos e mortes provocadas pelo regime. De maneira meio brega, também, é verdade, reencena aquela imagem da garota que coloca uma flor no cano da arma de um soldado. Mas tudo bem. Novela de Tiago Santiago.

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47 – CHOCOLATE COM PIMENTA (Globo, 2003-2004)

Aberturas de novelas de época muitas vezes recorrem a ilustrações antigas ou num estilo do período retratado. Aqui os desenhos de Sylvia Trenker (e os créditos) evocam os anos 1920 e ganha cores e relevo que lembrar o chocolate. O delicioso tema é cantado por, vejam só, Deborah Blando: “Chocolate com pimenta”, de Aldir Blanc e Mú Pimenta. Novela de Walcyr Carrasco.

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46 – MEU PEDACINHO DE CHÃO (Globo, 2014)

Um tom épico e de fantasia, reflexo do visual altamente rebuscado da novela. Para isso, uma bela animação com gigantes, heróis, vilões, tudo pelos olhos de uma criança. O tema de abertura, instrumental, é composição de Tim Rescala. Novela de Benedito Ruy Barbosa.

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45 – CHEIAS DE CHARME (Globo, 2012)

A divertida animação que resume a trama das empregadas que formam um grupo musical, retratando a história como um show de marionetes. O tema é o sucesso de Gaby Amarantos, “Ex-mai love”. Novela de Filipe Miguez e Isabel de Oliveira. No vídeo, a versão é sem os créditos.

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44 – PASSIONE (Globo, 2010-2011)

A abertura foi criada pelo artista Vik Muniz: instalações com “desenhos” feitos a partir do lixo, trabalho desenvolvido pelo artista que gerou um documentário, Lixo Extraordinário. A música, “Aquilo que dá no coração”, é de Lenine. Novela de Sílvio de Abreu.

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43 – FINAL FELIZ (Globo, 1982-1983)

Essa colagem de cenas de filmes clássicos se faz hoje em casa, com um computador e internet. Mas em época sem home vídeo, era uma prestação de serviço poder rever os beijos clássicos do cinema. Divertido, também, os personagens assistindo na plateia. A música, então, era perfeita: “Flagra”, de Rita Lee e Roberto de Carvalho. Novela de Ivani Ribeiro.

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42 – CHAMPAGNE (Globo, 1983-1984)

Uma tiração de sarro com esse monte de elementos chiques flutuando em volta do casal. Um efeito divertido e fascinante, brincando de ser elegante, muito bem realizado. Com boa parte dos créditos na diagonal e ao som de “Casanova”, de Ritchie. Novela de Cassiano Gabus Mendes.

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41 – IRMÃOS CORAGEM (Globo, 1970-1971):

Em época em que as aberturas ainda eram incipientes, embora gráficas, esta focou no aspecto da aventura e da relação entre os irmãos, buscando evocar o espírito dos faroestes, com imagens rebuscadas e congeladas. A novela de Janete Clair tentou mesmo trazer os homens para assistir. O tema sensacional entrou apenas instrumental nos primeiros capítulos, depois com Jair Rodrigues. A composição é de Nonato Buzar e Paulinho Tapajós.

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40 – CORAÇÃO DE ESTUDANTE (Globo, 2002)

A edição valoriza muito essa abertura, seguindo muito o ritmo da canção (“Maria solidária”, de Fernando Brant e Milton Nascimento, com Beto Guedes). As imagens são um caleidoscópio de objetos que remetem à vida de estudantes universitários, que é o ponta-pé inicial da novela de Emanuel Jacobina.

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39 – SINAL DE ALERTA (Globo, 1978-1979)

Possivelmente um caso único, Sinal de Alerta não tinha uma música na abertura. Em vez disso, sons da metrópole, numa animação por colagem, parecida com aquelas criadas por Terry Gilliam para o grupo Monty Python. Novela de Dias Gomes.

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38 – CARAS E BOCAS (Globo, 2009-2010)

A beleza gráfica da tinta sendo jogada em câmera lenta sobre rostos, junto com as cores fortes e chapadas, forma um conjunto bonito e pra cima. A canção leva o título da novela, com composição de Thallysson Rodrigues e interpretação do grupo Chicas. A novela é de Walcyr Carrasco.

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37 – BOM SUCESSO (Globo, 2019-2020)

Os universos da costura, da Zona Norte do Rio e do amor pelos livros se cruzam na colorida e bonita abertura, que ainda contou com o clássico “O sol nascerá”, de Cartola e Elton Medeiros, numa nova e ótima versão com Zeca Pagodinho e Teresa Cristina. Novela de Rosane Svartman e Paulo Halm. No vídeo a seguir, a abertura está sem créditos. Para ver com créditos, clique aqui.

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36 – RODA DE FOGO (Globo, 1986-1987)

A palavra fogo, gigante, aparece flutuando e incadescente, enquanto animais petrificados ganham vida ao atravessarem as letras. No fim, o contrário acontece com um homem, que vira pedra, num reflexo do protagonista da novela. É muito bom quando o logotipo se integra à abertura de uma maneira mais orgânica. A música é “Pra começar”, de Marina Lima e Antônio Cícero, com Marina. A curiosidade é que ela foi lançada ao vivo e gravada em estúdio só para a abertura da novela de Lauro César Muniz.

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35 – MARRON GLACÉ (Globo, 1979-1980)

A abertura das borboletas, num clipe criativo e colorido, que parte da gravata borboleta do logotipo. A música, bem no clima, criada para a abertura, leva o título da obra e foi composta por Guto Graça Melo, Mariozinho Rocha e Renato Corrêa, na voz de Ronaldo Resedá. Novela de Cassiano Gabus Mendes.

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34 – LAÇOS DE FAMÍLIA (Globo, 2000-2001)

As aberturas de novelas de Manoel Carlos algumas vezes recorreram a clássicos da bossa nova, evocando um certo espírito clássico do Rio de Janeiro (mesmo que a realidade a contrarie, inclusive na novela). Aqui, a escolhida foi “Corcovado”, de Antônio Carlos Jobim (com versão em inglês de Gene Lees), com Astrud Gilberto, João Gilberto, Jobim e Stan Getz. A Zona Sul carioca é retratada em imagens como pinturas animadas, em que manchas de tinta vão formando a cena, de meninas na praia, família na praça até prostitutas no calçadão.

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33 – AS PUPILAS DO SENHOR REITOR (SBT, 1994-1995)

Um grande e elaborado plano-sequência com a visão subjetiva do reitor do título caminhando por sua aldeia portuguesa. O tema é “Canção do mar”, com a portuguesa Dulce Pontes. Novela de Lauro César Muniz.

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32 – O SALVADOR DA PÁTRIA (Globo, 1989)

Abertura com golpe de vista, em que cenários são desmontados em outros pela perspectiva e recebem a inserção do personagem Sassá Mutema caminhando sobre eles. A sequência mostra a evolução política do personagem, de um campo árido a Brasília e até ao espaço infinito. O jogo de perspectiva é real, foi feito em estúdio. A música é “Amarra o teu arado a uma estrela”, de e com Gilberto Gil. Novela de Lauro César Muniz.

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31 – ESPERANÇA (Globo, 2002-2003)

Mais uma novela de imigrantes by Benedito Ruy Barbosa, muito calcada no sucesso anterior, Terra Nostra. Mas a abertura aqui é melhor: com belas fusões entre um piano e um conjunto de malas, com cenas de época ou com tratamento de época. O tema musical foi cantado primeiro em italiano (com Laura Pausini), mas também teve versões em hebraico (Gilbert), espanhol (Alejandro Sánz) e português (Fama Coral), refletindo as diversas colônias de imigrantes retratados na trama.

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30 – ÉRAMOS SEIS (Globo, 2019-2020)

Uma animação 3D que simula figuras de papel e mostra o tempo correndo na cidade de São Paulo, em volta da casa da família protagonista. Não só o crescimento da cidade, mas a efervescência política. O tema instrumental foi composto por Rafael Langoni e Victor Pozas. Novela de Ângela Chaves. No vídeo a seguir, a abertura está sem créditos. Para ver com créditos, clique aqui.

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29 – QUATRO POR QUATRO (Globo, 1994-1995)

Quatro mulheres esgrimistas que se unem em uma só para se vingar dos homens que maltrataram cada uma. É um bom reflexo da trama central da novela: a vingança de quatro mulheres unidas contra os homens que as sacanearam. A música, também, tudo a ver: “Picadinho de macho”, de Aldir Blanc e Tavito, com Sandra de Sá. Novela de Carlos Lombardi.

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28 – VELHO CHICO (Globo, 2016)

A abertura mostra uma ilustração em madeira entalhada. O artista gráfico Mello Menezes criou o desenho e Samuel Casal fez o entalhe na madeira. Cada entalhe foi registrado, para formar uma animação em stop motion. Caetano Veloso regravou sua “Tropicália” para a abertura, com arranjos de Tim Rescala que reforça o tom épico e mítico da novela de Benedito Ruy Barbosa.

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27 – BRILHANTE (Globo, 1981-1982)

Uma modelo, um gato, espelhos. Essa combinação bem filmada virou uma abertura icônica. A canção, “Luiza”, foi composta e interpretada por Antônio Carlos Jobim especialmente para a novela de Gilberto Braga.

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26 – ORGULHO E PAIXÃO (Globo, 2018)

As histórias da novela são lindamente ilustradas em uma animação 2D, que apresenta algumas tramas (inspiradas nos livros de Jane Austen) ao som de “Doce companhia”, com Lucy Alves. Novela de Marcos Bernstein. A abertura no vídeo a seguir está sem os créditos. Para ver com os créditos, clique aqui.

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25 – IRMÃOS CORAGEM (Globo, 1995)

O remake do clássico de Janete Clair também teve uma nova versão da música-tema, em tons ainda mais épicos e agora cantada por Milton Nascimento. As belíssimas imagens combinam a dureza da mineração, a água, cavalos em disparada.

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24 – LOCOMOTIVAS (Globo, 1977)

Uma abertura icônica: a modelo é maquiada e penteada em ritmo acelerado para surgir no final esplendorosa, mas com uma luva de boxe com a qual acerta a câmera. A música é o samba-funk “Maria-fumaça”, da banda Black Rio. Novela de Cassiano Gabus Mendes.

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23 – CORDEL ENCANTADO (Globo, 2011)

A trama básica é apresentada através de uma animação inspirada na estética do cordel e das xilogravuras. A mistura com os contos-de-fadas é representada por elementos dos livros pop-up. Gilberto Gil compôs “Minha princesa cordel” para a abertura e a canta com Roberta Sá. Novela de Thelma Guedes e Duca Rachid.

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22 – SELVA DE PEDRA (Globo, 1986)

Quando o remake de um dos maiores sucessos de Janete Clair foi planejado, Boni ordenou que não queria nada de “Rock and roll lullaby” na trilha. Este tinha sido a icônica canção do casal romântico da primeira versão. A abertura, a cidade de arranha-céus que brota do chão foi feita em maquete, com o elenco no reflexo dos edifícios espelhados. No final, vistos de cima, 2.800 maquetes formavam o rosto de Tony Ramos, o protagonista. A canção escolhida inicialmente foi “Demais”, com Verônica Sabino, mas não teve jeito: já no segundo capítulo, Boni mudou de ideia e pediu uma versão instrumental de “Rock and roll lullaby” para ocupar a abertura. A composição é de Barry Mann e Cynthia Weil, e a nova versão foi creditada a Freesounds (a original é cantada por B.J. Thomas).

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21 – A PRÓXIMA VÍTIMA (Globo, 1995)

Ao som de “Vítima”, de Rita Lee e Roberto de Carvalho (originalmente de 1985), que, além do título também fala de São Paulo, a abertura mostra pessoas em lugares paulistanos desaparecendo ao som de tiros e de seus rostos serem mudados para os do elenco da novela. Perfeito casamento com a obra de Sílvio de Abreu.

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20 – A HISTÓRIA DE ANA RAIO E ZÉ TROVÃO (Manchete, 1990-1991)

Ana Raio e Zé Trovão era uma novela itinerante, gravada em diversas partes do Brasil, de norte a sul, com o drama se desenrolando em uma caravana que cruzava o país. A abertura refletia essa aventura (dos personagens e da própria equipe), num plano-sequência com vários cenários estilizados, cheios de detalhes, e culminando nos dois cavalos empinados que simbolizam o casal protagonista. A canção é “Raio e trovão”, com o grupo Sagrado Coração da Terra. Novela de Marcos Caruso e Rita Buzzar.

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19 – TROPICALIENTE (Globo, 1994)

Aberturas com golpes de vista são bem legais, e a de Tropicaliente é bem alto astral, refletindo o cenário das praias nordestinas, onde se passa a trama. Quase nada de CGI: quase tudo feito na câmera. Elba Ramalho canta “Coração da gente”, de Nando Cordel e João Wash. Novela de Walther Negrão.

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18 – TOP MODEL (Globo, 1989-1990)

Modelos desfilando é uma ideia óbvia, mas a abertura se inspirou nas Penrose Stairs (essa construção surrealista das escadas) para colocar as top models em um espaço sem gravidade, andando pelas passarelas de lado ou de cabeça para baixo. O ritmo é ótimo, começando pelo take inicial rente à “passarela” e o caminhar da modelo se afastando da câmera. O tema de abertura é “Eu só quero ser feliz”, com o grupo Buana 4. Novela de Walther Negrão e Antônio Calmon.

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17 – ROQUE SANTEIRO (Globo, 1985-1986)

A interação entre homens e natureza, através de golpes de vista com o uso de chroma-key e miniaturas. Boias-frias andando sobre folhas, tratores sobre milhos, barcos navegando em asas de borboletas… Criativo e divertido, mesmo que as miniaturas no final sejam evidentes. “Santa fé”, de Moraes Moreira, é o tema de abertura. Novela de Dias Gomes.

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16 – ESTÚPIDO CUPIDO (Globo, 1976-1977)

A novela que se passava nos anos 1950 usou o clássico maravilhoso de Celly Campello (de 1959) para embalar cartões recortados que deslizavam e interagiam. Totalmente no clima da novela, agitada e divertida, sem afetação nenhuma. Novela de Mário Prata.

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15 – VALE TUDO (Globo, 1988-1989)

Novela de Gilberto Braga, Vale Tudo discutia a ética no Brasil. A partir disso, a abertura trazia uma saraivada acelerada de imagens do país, embalada pela explosiva “Brasil”, de Cazuza, George Israel e Nilo Pedrosa, na voz de Gal Costa (que regravou a canção especialmente para a abertura).

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14 – MULHERES DE AREIA (Globo, 1993)

Água e areia simbolizavam as gêmeas rivais da trama, resumidas na abertura na modelo Mônica Carvalho. Quando a novela passou no Vale a Pena Ver de Novo, a nudez de Mônica teve que ser amenizada por tarjas que desfocavam as partes superior e inferior da tela. A canção-tema era “Sexy Iemanjá”, de Pepeu Gomes e Tavinho Paes, cantada por Pepeu. Novela de Ivani Ribeiro.

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13 – VAMP (Globo, 1991-1992)

Caçadores de vampiros. que entram em cena dançando numa sátira ao clipe de “Thriller”, estão em busca de um cão preto que persegue Cláudia Ohana. Charme e bom humor, com a adição de “Noite preta”, com Vange Leonel (dela com Cilmara Bedaque, perfeita para a abertura), resultaram em uma das mais lembradas aberturas dos anos 1990. Novela de Antônio Calmon.

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12 – TIETA (Globo, 1989-1990)

O corpaço nu de Isadora Ribeiro se “desdistorcia” para compor com a natureza de Mangue Seco, na Bahia. A abertura começa só ao som do vento, para depois entrar “Tieta”, de Paulo Debétio e Boni, com Luiz Caldas, e terminar com a imagem da silhueta da modelo andando insinuante em direção à câmera. Um clássico sensual, que traduz totalmente a novela de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares.

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11 – BREGA & CHIQUE (Globo, 1987)

Com a novela de Dias Gomes tratando da dicotomia entre uma personagem rica e outra pobre que invertiam as posições, a abertura alterna mulheres em versões brega e chique de um jeito que a gente nem sabe bem onde começa um e termina o outro. A edição ágil e algo sexy ganham pontos, assim como a música antológica do Ultraje a Rigor (“Pelado”). A abertura teve problemas de censura – em parte da novela havia uma impagável folhinha de parreira que a Globo incluiu para encobrir a bunda do cidadão, na cena final. Doris Giesse está entre as moças que aparecem. Novela de Cassiano Gabus Mendes. No vídeo a seguir, a abertura está sem os créditos. Para ver com os créditos, clique aqui.

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10 – O CRAVO E A ROSA (Globo, 2000-2001)

Para uma novela romântica que se passava nos anos 1920, a abertura da novela de Walcyr Carrasco e Mário Teixeira teve a ótima sacada de brincar com o cinema mudo. Outro grande acerto é a música é “Jura”, de Sinhô, gravada pela primeira vez em 1928, aqui em uma nova versão com Zeca Pagodinho.

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9 – A FAVORITA (Globo, 2008-2009)

A abertura é uma animação estilizada que conta a trama central, num estilo que lembra os cartazes e aberturas de Saul Bass para filmes como Um Corpo que Cai e Anatomia de um Crime. Na trilha, o tango “Pá bailar”, do grupo Bajofondo. Novela de João Emanuel Carneiro.

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8 – PAI HERÓI (Globo, 1979)

Antológica abertura com a montagem de um quebra-cabeças em que, no final, uma parte fica faltando: a silhueta do pai de uma criança. Embalada pela música “Pai”, de Fábio Jr. Novela de Janete Clair.

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7 – O DONO DO MUNDO (Globo, 1991-1992)

A cena de Charles Chaplin satirizando Hitler em O Grande Ditador, no balé com o globo terrestre, é a base da abertura da novela centrada em um vilão que começa destruindo um casamento seduzindo a noiva no dia da cerimônia. A sequência recebe uma intervenção com belas mulheres dentro do globo. Com “Querida”, composta e interpretada por Antônio Carlos Jobim, não tinha como dar errado. Novela de Gilberto Braga.

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6 – PEDRA SOBRE PEDRA (Globo, 1992)

Os anos pós-ditadura militar, com o fim da censura, foram de exacerbação da liberdade. Um dos destinos a que isso levou foi a um show de nudez nas aberturas de novelas. Tieta, Mulheres de Areia e, um pouco mais discretamente (ou menos indiscreta), O Dono do Mundo deslumbraram o espectador com corpos de belas mulheres; enquanto Brega & Chique ousou colocar um bonitão de bunda de fora às 19h. A abertura de Pedra sobre Pedra foi o auge. Mônica Fraga desfila em nudez quase total, com seu corpo se fundindo e se misturando às paisagens naturais de pedras e árvores da Chapada Diamantina. Na trilha, a antológica versão de “Pedras que cantam”, de Dominguinhos e Fausto Nilo, na voz de Fagner. Novela de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares.

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5 – TI TI TI (Globo, 1985-1986)

Hans Donner, o homem do design gráfico por trás de muitas das melhores aberturas da Globo, criou, com sua equipe, este grande clássico: lápis coloridos, tesouras, fitas métricas e agulhas que brigam entre si, espelhando a divertida rivalidade entre dois costureiros que conduzia a novela de Cassiano Gabus Mendes. Tudo sem computadores: imãs e fios foram usados para animar os objetos. A canção-título, de Rita Lee e Roberto de Carvalho, foi repaginada para a abertura pelo grupo Metrô. A original embalou a abertura da refilmagem de 2010, que também refez a abertura, desta vez em CGI (mas a original é bem melhor).

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4 – POR AMOR (Globo, 1997-1998)

Com mãe e filha protagonistas interpretadas por atrizes que são mesmo mãe e filha, a abertura aproveitou brilhantemente o fato. Fotos das duas, juntas ou separadas, foram usadas num mosaico. Mas não só isso: a execução foi um primor, com os rostos de uma e da outra se fundindo. Tudo ao som do MPB-4 e do Quarteto em Cy cantando “Falando de amor”, de Antônio Carlos Jobim. Novela de Manoel Carlos.

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3 – DANCIN’ DAYS (Globo, 1978-1979)

Nenhuma abertura representou melhor sua época. O espetacular sucesso d’As Frenéticas (composto por Nelson Motta e Rubens Queiroz), que batizou a novela, foi inspirado na discoteca Frenetic Dancing Days, de Motta. Numa montagem com fotos de pessoas dançando numa discoteca, os créditos do elenco, do autor Gilberto Braga e do diretor Daniel Filho apareciam em fontes diferentes, piscando, como em letreiros neon. É irresistível.

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2 – DEUS NOS ACUDA (Globo, 1992-1993)

No ano do impeachment de Collor, a novela de Sílvio de Abreu falava da ética do brasileiro, da corrupção, mas no registro da sátira. A abertura antológica deitou e rolou: uma festa chique começa a afundar num mar de lama, que vira um redemoinho, que se revela um ralo no mapa do Brasil. Um prodígio cenográfico, com a parte da festa dispensando o CGI (os atores estavam em uma espécie de gaiola suspensa que ia afundando nessa piscina coberta de lama artificial, feita de isopor ralado). O tema musical, usado de modo irônico, é a clássica “Canta Brasil”, de Alcyr Pires Vermelho e David Nasser, lançada originalmente em 1941 por Francisco Alves e cantada aqui por Gal Costa na gravação de 1981.

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1 – ELAS POR ELAS (Globo, 1982)

A novela de Cassiano Gabus Mendes partia do reencontro de sete amigas de colégio, que não se viam há anos. A abertura, então, capturou a ideia de maneira brilhante: uma festa nos anos 1960, as imagens em preto-e-branco são congeladas em fotos e das garotas nas fotos saem as versões atuais e coloridas das personagens (Aracy Balabanian, Ester Góes, Sandra Bréa, Mila Moreira, Eva Wilma, Maria Helena Dias e Joana Fomm). A canção-tema foi feita para a novela, mas evocando os anos 1960: “Elas por elas” foi composta por Augusto César e Nelson Motta, gravada pelo grupo The Fevers. Com o nome inicial de “Coisas da vida”, ela depois foi rebatizada como “Elas por elas” por causa do sucesso da novela.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que aberturas você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!).

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VEJA TAMBÉM:

Meu comentário para a CBN sobre Liga da Justiça de Zack Snyder. Tem coisas melhores que a versão finalizada por Whedon? Tem. Tem coisas piores? Tem também.

Para ouvir, clique aqui.

Meu recorte exclui aberturas mais antigas, quando essa arte ainda estava em evolução. Também só listamos aberturas da Globo porque, francamente, a concorrência seria desleal.

10 – FELICIDADE (1991)

A maneira como o arco-íris transforma o tédio em alegria é muito engraçada de tão ruim. Faltou um esforço. Novela de Manoel Carlos. Tema de abertura: “Felicidade”, com Roupa Nova, de Kiko e Orlando Morais.

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9 – A INDOMADA (1997)

É Maria Fernanda Cândido, antes da carreira de atriz, que corre superando obstáculos toscos de maneira também bem tosca. Ela encarna elementos da natureza contra barreiras de ferro e concreto. Novela de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. Tema instrumental “Maracatudo”, de Sérgio Mendes.

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8 – ZAZÁ (1997)

Com todo o respeito à dona Fernanda, ela de piloto nesses transportes voadores de animação, sobre imagens aéreas do Rio não funcionou. Nem mesmo Rita Lee no tema musical (“Dona Doida”, composta com Roberto de Carvalho) foi muito feliz. Novela de Lauro César Muniz.

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7 – A LEI DO AMOR (2016)

Riponga em excesso, com essas fitas vermelhas citando uma tradição chinesa, etc. e tal. Nem Ney Matogrosso cantando Villa-Lobos (“O trenzinho do caipira”) salva. Novela de Maria Adelaide Amaral e Vicente Villari.

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6 – AVENIDA BRASIL (2012)

Nada mais que um baile muitíssimo vagamente ligado à novela, com focos de luz coloridos ao fundo (ah, faróis de carros!… Estão numa avenida, então… Hum-rum…). A música (há quem goste) é “Vamos dançar com tudo” (“com tudo” em vez da palavra original, provavelmente porque a emissora não quis “kuduro” repetido todo dia no horário nobre), com Robson Moura e Lino Krizz. Rendeu ao menos uma hashtag no Twitter: #oioioi. Novela de João Emanuel Carneiro.

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5 – AGORA É QUE SÃO ELAS (2003)

Cores fortes, uma animação digital xarope e enjoativa e fotos do elenco, o que é quase sempre sinal de pouquíssima inspiração. Música (também pouco inspirada) de Lulu Santos (“Já é”). Novela de Ricardo Linhares.

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4 – O PROFETA (2006)

Fotos dos atores nessa geleca. O tema, também péssimo, é “Além do olhar”, com Ivo Pessoa. Parece coisa das piores novelas do SBT. Novela de Duca Rachid, Thelma Guedes e Júlio Fischer.

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3 – OLHO NO OLHO (1993)

Não se pode dizer que a abertura não combina com a novela: é tão ridícula quanto. Sabe quem é o paranormal soltando raiozinhos pelos olhos? Ricardo Macchi, que depois seria o inesquecível cigano Igor! Não podia mesmo dar certo. Tema de abertura: “Magnificat”, com Rútila Máquina. Novela de Antônio Calmon.

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2 – SENHORA DO DESTINO (2004)

A câmera passeia por totens digitais de pessoas comuns em preto-e-branco. No meio delas, estão os personagens da novela, coloridos. Era pra parecer que eles são gente comum? É uma abertura preguiçosa demais, desinteressante na ideia e na execução. É preguiçosa a ponto de nem editarem direito o tema de abertura, terminando no meio de uma frase. O tema, aliás, é “Encontros e despedidas”, com Maria Rita, de Fernando Brant e Milton Nascimento. Novela de Aguinaldo Silva.

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1 – VILA MADALENA (1999)

Nosso primeiro lugar chegou a posto porque é simplesmente uma não-abertura. Eu disse que o auge da preguiça era a abertura de Senhora do Destino? Não, é esta: resolveram não fazer abertura nenhuma. Apenas jogaram clipes com músicas da trilha sonora, trocados semanalmente, e os créditos do elenco por cima. Inacreditável. Novela de Walther Negrão.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que aberturas você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!).

A VERDADE
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 14

Quatro anos antes, Brigitte Bardot apareceu para o mundo (e como veio ao mundo) em E Deus Criou a Mulher. Em A Verdade, ela tentou dar um passo para um desafio dramático maior. Esplendorosa, é a jovem de vida livre que está sendo julgada pelo assassinato do amante. A moralidade entra na balança, enquanto a história trágica de amor (ou não) é contada em flashback, ainda com doses generosas do corpo de Bardot.

Onde ver: DVD, YouTube

La Verité, 1960.
Direção: Henri-Georges Clouzot. Elenco: Brigitte Bardot, Sami Frey, Marie-Jose Nat.

O GAROTO
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 13

100 anos de risos e, talvez, uma lágrima

100 anos este ano de O Garoto. “Um filme com um sorriso – e, talvez, uma lágrima”, diz a primeira cartela do filme, primeiro longa dirigido por Charles Chaplin. O espírito já está posto desde o princípio: a comédia misturada com o melodrama, que Chaplin sabia fazer como ninguém.

Talvez fosse um aviso, para o espectador que estivesse esperando só as risadas. Mas o drama é que abre o filme, com a mulher que se vê obrigada a abrir mão de seu bebê. Ela tenta deixá-lo com uma família rica, mas, por circunstâncias do destino, ele vai parar nos braços do paupérrimo Carlitos, que até tenta, mas não consegue se livrar dele naquele primeiro momento.

Alguns anos depois, vem a famosa cena que mostra o entrosamento entre esse pai e esse filho. Eles trabalham juntos: Carlitos é o vidraceiro que providencialmente aparece para consertar as janelas que o moleque quebra.

São transgressores contra uma sociedade que não os entende e logo se voltará contra eles quando tenta separá-los. Vem aí a grande sequência dramática do filme: o garotinho chorando no caminhão pelo pai e Carlitos correndo pelos telhados para alcançá-lo. Merece, sem dúvida, a lágrima prometida no começo do filme.

É tocante, ainda mais quando se pensa na infância miserável e sem pai do próprio Chaplin. O retrato da vizinhança pobre vem da lembrança de seus próprios dias difíceis em Londres: a pobreza, a mãe com problemas mentais, a possibilidade de ir parar num orfanato (chegando a fugir da polícia para evitar isso). De uma maneira ou de outro, tudo isso está no filme.

A química entre Chaplin e Coogan é admirável e vem da relação que o cineasta cultivou com o astro mirim fora dos sets: o levava a parques de diversões e a passeios. Essa proximidade por ter vindo da infância sem pai de Charlie ou do fato de que ele mesmo havia perdido há pouco tempo um filho, de seu casamento com Mildred Harris: o bebê morreu três dias depois de nascer. De qualquer forma, resultou em uma relação sincera de carinho que foi captada perfeitamente pelo filme.

Chaplin relançou o filme em 1971. Com a reedição, ficou mais curto: de 1h08 para 50min, eliminando cenas que o diretor naquele momento considerou excessivamente sentimentais (todas envolvendo o sofrimento da mãe, vivida por Edna Purviance, parceira de longa da data de Chaplin em seus filmes). O Garoto ganhou também uma bela trilha sonora composta por Chaplin.

O filme, que foi concebido como curta e foi crescendo na duração durante a produção, mudou a carreira de Chaplin. Ele já tinha criado a United Artists em 1919 (seu próprio estúdio, em sociedade com o diretor D.W. Griffith e os astros Douglas Fairbanks e Mary Pickford) e O Garoto seria um dos últimos produtos de seu contrato com a First National. O sucesso estrondoso redirecionou sua carreira para os longas-metragens.

E ainda em 1921 as memórias que estão por todo lado em O Garoto ganham vida quando Chaplin visita a Inglaterra, para onde não tinha voltado desde 1912, quando viajou para os Estados Unidos. Foi quando reencontrou sua mãe, a quem mantinha sob cuidados em seu país natal, e a levou para morar com ele e o irmão Sidney nos EUA.

Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play, YouTube

The Kid, 1921
Direção: Charles Chaplin. Elenco: Charles Chaplin, Jackie Coogan, Edna Purviance.

ROSAS DE SANGUE
⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 12

Roger Vadim aborda a história insinuante de Carmilla, a vampira de Karnstein, com a esposa da vez, a dinamarquesa Annette Stroyberg (na época, Annette Vadim). Vadim era ótimo em revelar atrizes lindas, mas não era lá um grande diretor. O filme é correto, tem um certo ar erótico entre suas duas atrizes, mas pouco mais que isso. Carmilla voltou outras vezes ao cinema, como a principal representante do filão das vampiras lésbicas.

Et Mourir de Plaisir, 1960
Direção: Roger Vadim. Elenco: Annette Stroyberg, Mel Ferrer, Elsa Martinelli.

TIO BOONMEE, QUE PODE RECORDAR SUAS VIDAS PASSADAS
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 11

Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, o filme tailandês é um exercício livre sobre memórias e tradições, episódico e em tom de fábula. E metaforizando, segundo o diretor, as transformações pelas quais o cinema vinha passando ali naquela época (o digital substituindo a película, o que influía no próprio jeito de filmar). É aparentemente enigmático, esquisito, mas talvez porque para nossa sociedade ocidental não seja tão natural a ideia de fantasmas que nos visitam quando a morte se aproxima, entre outros elementos fantásticos como homens-macacos e sexo com peixes. O mais interessante é que o filme trata tudo isso com naturalidade e serenidade.

Onde ver: DVD

Loong Boonmee Raleuk Chat, 2010
Direção: Apichatpong Weerasethakul. Elenco: Thanapat Saisaymar, Jenjira Pongpas, Wallapa Mongkolprasert

A VOLTA DE FRANK JAMES ou O RETORNO DE FRANK JAMES
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 10

O filme fantasia os eventos que teriam acontecido após o assassinato do lendário Jesse James, pelas costas, por homens de seu bando. O irmão Frank sai de seu esconderijo para vingar a morte. É uma continuação de Jesse James (1939), inclusive abrindo com a cena da morte de Jesse do filme anterior, e vários atores reprisando seus papéis, inclusive Henry Fonda como o agora protagonista. Lang, bem ajustado aos filmes B americanos, está bem longe de seus dias no Expressionismo Alemão. E tem a estreia da belíssima Gene Tierney.

Onde ver: DVD, YouTube

The Return of Frank James, 1940
Direção: Fritz Lang. Elenco: Henry Fonda, Gene Tierney, Jackie Cooper, Henry Hull, John Carradine.

A CARTA
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 9

Na primeira cena, um plano sequência numa bucólica noite de um cenário exótico. Então, aparece ninguém menos que Bette Davis descarregando a arma num infeliz. Ela conta ao marido e ao advogado: o sujeito a atacou e ela o matou em legítima defesa. Mas uma carta misteriosa e uma chantagem podem complicar seu julgamento. Wyler, um grande diretor, e Bette Davis, uma atriz inigualável, numa história de verdades e mentiras, esplendidamente fotografada, mas guiada pelas regras de crime e castigo do Código Hays: é uma versão mais moralista que outra de 1929, baseada na mesma peça.

Onde ver: DVD, YouTube

The Letter, 1940
Direção: William Wyler. Elenco: Bette Davis, Herbert Marshall, James Setephenson, Gale Sondergaard.

THE MAKING OF PSYCHO
⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 8

Longa realizado pelo especialista em documentários making of Laurent Bouzereau. É, como sempre, simples e direto, mas conta todas as histórias importantes sobre Psicose, com depoimentos de, entre outros, Janet Leigh e do roteirista Joseph Stefano.

Onde ver: DVD e blu-ray (como extra de Psicose)

The Making of Psycho, 1997
Direção: Laurent Bouzereau.

PSICOSE
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 7

As histórias em torno da concepção, filmagem e recepção de Psicose são tantas que renderam até uma dramatização em filme (Hitchcock, 2012). O material original chocante, a decisão de filmar rápido com a equipe de sua série de TV, o risco financeiro, matar a estrela antes da metade do filme, a procura pelo som ideal da faca entrando na pele, um quarto da filmagem dedicada à cena do chuveiro, a rancorosa desglamourização de Vera Miles, o sutiã branco/ sutiã preto, o quanto ou não mostrar de nudez, a música de Bernard Herrmann, as jogadas de marketing no lançamento (“Ninguém será admitido no cinema após o começo”, “Não conte o final”)… E, mais que tudo, a direção não só do filme, mas também do espectador, levado por Hitch para onde o diretor quer.

Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play

Psycho, 1960
Direção: Alfred Hitchcock. Elenco: Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles, Martin Balsam

20 – UM GATO EM PARIS (Une Vie de Chat)

Uma animação estilosa sobre um gato que se divide entre dois donos: uma menina que é filha de uma delegada de polícia; e um ladrão super habilidoso.
França/ Bélgica. Direção: Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol. Roteiro: Alain Gagnol e Jacques-Rémy Girerd (diálogos). Vozes na dublagem original: Dominique Blanc, Bernadette Lafont, Bruno Salomone. Vozes na dublagem brasileira: Denise Reis, Arlette Montenegro, César Marcheti.

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19 – INCONTROLÁVEL (Unstoppable)

Geralmente exagerado, Tony Scott foi na medida neste ótimo filme de ação sobre dois maquinistas tentando parar um trem desgovernado.
Estados Unidos. Direção: Tony Scott. Roteiro: Mark Bombach. Elenco: Denzel Washington, Chris Pine, Rosario Dawson, Kevin Dunn.

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18 – SENNA (Senna)

Documentário sobre o piloto, que consegue expressar muito bem as rivalidades e velocidade da Fórmula-1.
Reino Unido/ França/ Estados Unidos. Direção: Asif Kapadia. Roteiro: Manish Pandey.

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17 – O PRIMEIRO AMOR (Flipped)

Rob Reiner faz uma espécie de Harry & Sally juvenil: menina e menino nos anos 1960 vivem um relacionamento complicado, que é visto pelo espectador ora na visão dela, ora na visão dele.
Estados Unidos. Direção: Rob Reiner. Elenco: Rob Reiner e Andrew Scheinman, baseado em romance de Wendelin Van Draanen. Elenco: Madeline Carroll, Callan McAuliffe, Rebecca De Mornay, Anthony Edwards, John Mahoney, Penelope Ann Miller, Aidan Quinn.

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16 – COMO TREINAR O SEU DRAGÃO (How to Train Your Dragon)

A animação da DreamWorks é dirigida pelos cineastas de Lilo & Stitch e, embora agora seja um trabalho digital, há bastante aqui do charme do que a dupla havia feito na Disney.
Estados Unidos. Direção: Dean DeBlois e Chris Sanders. Roteiro: William Davies, Dean DeBlois e Chris Sanders, com Adam F. Goldberg (material adicional) e Marc Hyman (colaborador), baseado no livro de Cressida Cowell. Vozes na dublagem original: Jay Baruchel, Gerard Butler, America Ferrera, Jonah Hill, Kristen Wiig, David Tennant. Vozes na dublagem brasileira: Gustavo Pereira, Mauro Ramos, Luisa Palomanes.

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15 – UMA NOITE EM 67

O documentário sobre a espetacular final do Festival de Música Popular Brasileira de 1967 não se afasta do formato entrevistas mais cenas de arquivo. E nem precisava: as cenas da nata da MPB no palco são impressionantes e as curiosas entrevistas nos bastidores são uma delícia de assistir.
Brasil. Direção: Ricardo Calil e Renato Terra.

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14 – NAMORADOS PARA SEMPRE (Blue Valentine)

Apesar do título brasileiro enganoso, o filme é um drama melancólico sobre um amor se desfazendo, apoiado em dois atores ótimos.
Estados Unidos. Direção: Derek Cianfrance. Roteiro: Derek Cianfrance, Joey Curtis e Cami Delavigne. Elenco: Ryan Gosling, Michelle Williams, Faith Wladyka.

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13 – 127 HORAS (127 Hours)

Danny Boyle conta a história de um montanhista que fica preso num canyon e tenta sobreviver do jeito que puder. James Franco segura bem o filme atuando praticamente sozinho o tempo todo.
Estados Unidos/ Reino Unido/ França. Direção: Danny Boyle. Roteiro: Danny Boyle e Simon Beaufoy, baseado no livro de Aron Ralston. Elenco: James Franco, Kate Mara, Amber Tamblyn, Treat Williams.

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12 – ILHA DO MEDO (Shutter Island)

Scorsese adapta o livro de Dennis Lehane, viaja ao filme noir e encontra espaço para citar visualmente o Expressionismo Alemão em geral e O Gabinete do Dr. Caligari em particular. Quem já tem alguma estrada nesse negócio de ver filmes sabe que o mistério que se apresenta não tem muitas opções de conclusão. Mas o diálogo na cena final, que maravilha. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: Martin Scorsese. Roteiro: Laeta Kalogridis, baseado no romance de Dennis Lehane. Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley.

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11 – VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO

Uma experiência curiosa de um road movie onde nunca vemos o protagonista, apenas ouvimos sua voz. Assim, ele vai apresentando e refletindo o interior do Nordeste.
Brasil. Direção: Karim Ainouz e Marcelo Gomes. Narração: Irandhir Santos.

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10 – O DISCURSO DO REI (The King’s Speech)

O rei gago vai tomar aulas de dicção com um professor que não está muito aí para sua realeza. Ele vai precisar ajudar o monarca a fazer um discurso importante incentivando o país na guerra contra os nazistas. Dentro de uma narrativa tradicional, o diretor Hooper tem uma preferência visual interessante por enquadramentos fora do padrão, mas que não “gritam”. Leia mais: crítica.
Reino Unido/ Estados Unidos/ Austrália. Direção: Tom Hooper. Roteiro: David Seidler. Elenco: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Michael Gambon, Guy Pearce, Claire Bloom, Derek Jacobi, Timothy Spall.

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9 – TROPA DE ELITE 2 – O INIMIGO AGORA É OUTRO

O Capitão Nascimento retorna, agora às voltas com as ligações entre política e o crime organizado. O diretor Padilha se queimou depois com a equivocada série O Mecanismo, e um pouco daquele simplismo está aqui, mas o filme questiona um pouco mais e mais claramente o papel de Nascimento, o que é muito bom. Leia mais: crítica.
Brasil. Direção: José Padilha. Roteiro: Bráulio Mantovani e José Padilha, de argumento de Mantovani, Padilha e Rodrigo Pimentel. Elenco: Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Milhem Cortaz, Maria Ribeiro, Seu Jorge, Sandro Rocha, Tainá Muller, André Mattos.

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8 – CÓPIA FIEL (Copie Conforme)

Kiarostami na Itália. Na história do escritor britânico que conhece uma mulher francesa, uma dicussão sobre se a cópia da arte também é arte evolui para os recém-conhecidos se comportando como se fossem casados. O fingimento, se bem vivido, vira uma realidade?
França/ Itália/ Bélgica/ Irã. Direção: Abbas Kiarostami. Roteiro: Abbas Kiarostami, com Caroline Eliacheff (colaboradora). Elenco: Juliette Binoche, William Shimell, Jean-Claude Carrière.

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7 – INCÊNDIOS (Incendies)

Na jornada de um casal de gêmeos pela história da mãe no Líbano, os segredos vão revelando quem era essa mulher. O destino é encontrar o pai que não conhecem e um irmão que não sabiam que existia. O filme lida bem demais com seus segredos e revelações e a vida que se vira no meio da violência.
Canadá/ França. Direção: Denis Villeneuve. Roteiro: Denis Villeneuve, com Valérie Beaugrand-Champagne (colaboradora), baseado na peça de Wajdi Mouawad. Elenco: Lubna Azabal, Mélissa Désormeaux-Poulin, Maxim Gaudette.

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6 – A REDE SOCIAL (The Social Network)

Um filme de tribunal que conta a origem do Facebook e explora a personalidade muito particular de seu fundador, Mark Zuckerberg. Um estudo de personagem, que tem milhões de amigos virtuais, mas não consegue manter nenhum em um nível pessoal. E um final brilhante, que é um pequeno “Rosebud”. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: David Fincher. Roteiro: Aaron Sorkin, baseado no livro de Ben Mezrich. Elenco: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Rashida Jones, Armie Hammer, Rooney Mara, Dakota Johnson, Aaron Sorkin.

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5 – HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 1)

O sétimo filme da franquia é um dos melhores, com o jovem trio de protagonistas em uma busca que os mantém sozinhos boa parte do filme, relações com uma estética nazista acentuando o tom político, um conto narrado em bela animação, emoções mais intensas. É O Império Contra-Ataca da série Harry Potter. Leia mais: crítica.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: David Yates. Roteiro: Steve Kloves, baseado no romance de J.K. Rowling. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Julie Walters, Robbie Coltrane, Helena Bonham Carter, Bonnie Wright, Evana Lynch, Tom Felton, Brendan Gleeson, Timothy Spall, Helen McCrory, Jason Isaacs, Richard Griffiths, Bill Nighy, Rhys Ifans, Fiona Shaw, Michael Gambon, John Hurt, Imelda Staunton. Voz: Toby Jones.

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4 – CISNE NEGRO (Black Swan)

Uma bailarina sob pressão, em uma turbulência psicológica. Aronofsky usa e abusa dos maneirismos para esse mergulho na psiquê de uma artista atormentada por sua arte e por seu lado ‘cisne negro’. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: Darren Aronofsky. Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz e John J. McLaughlin, de argumento de Heinz. Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder.

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3 – TOY STORY 3 (Toy Story 3)

Dez anos depois do segundo filme, o terceiro expandiu um tema que já estava no segundo: brinquedos órfãos de sua criança que cresceu. Isso, combinado com um “filme de prisão”, que leva a uma reta final sensacional, com suspense e lágrimas. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: Lee Unkrich. Roteiro: Michael Arndt, com argumento de John Lasseter, Andrew Stanton e Lee Unkrich. Vozes na dublagem original: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Ned Beatty, Michael Keaton, Jodi Benson, Wallace Shawn, Don Rickles, Estelle Harris, Laurie Metcalf, Timothy Dalton, Bonnie Hunt, Whoopi Goldberg, R. Lee Ermey.

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2 – BRAVURA INDÔMITA (True Grit)

Os irmãos Coen revisitam o faroeste clássico e fazem uma versão melhor que a original, estrelada por John Wayne em 1969. Um road movie do faroeste, com excelentes atuações de Jeff Bridges e Hailee Steinfeld. Ela, em particular, simboliza o espírito do filme: entre o deslumbramento e a descrença dos mitos. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Joel Coen e Ethan Coen, baseado no romance de Charles Portis. Elenco: Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Matt Damon, Josh Brolin.

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1 – A ORIGEM (Inception)

Um filme sobre sonhos dentro de sonhos, misturado com espionagem, vertiginoso nas imagens e na narrativa. Uma equipe em um plano para implantar uma ideia em um sujeito através dos sonhos. Explicações complicadas para não levar muito a sério: um truque engenhoso, delirante e sofisticado. Leia mais: crítica.
Estados Unidos/ Reino Unido. Direção e roteiro: Christopher Nolan. Elenco: Leonardo DiCaprio, Elliot Page, Joseph Gordon Levitt, Marion Cotillard, Michael Caine, Tom Hardy, Ken Watanabe, Cillian Murphy, Tom Berenger, Pete Postlethwaite.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

APERTEM OS CINTOS! O PILOTO SUMIU…
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 6

Desde a primeira cena (uma asa de avião rasgando o mar de nuvens, sob a música-tema de Tubarão), Apertem os Cintos mostra que o disparate é a lei. Mas o que o torna ainda mais engraçado é que ele combina isso com uma “seriedade de mentira”. Além de surfar obviamente na série blockbuster Aeroporto, o filme é, em boa parte, uma refilmagem de um filme-catástrofe dramático (Entre a Vida e a Morte, 1957), repetindo várias cenas e diálogos, acrescentando piadas.

O elenco, por sua vez, representa tudo quase sempre muito sério – e aí o destaque é Leslie Nielsen, que inaugurou uma nova fase em sua carreira. O nonsense e os trocadilhos são ingredientes importantes com diálogos maravilhosos como “Precisamos levas essas pessoas ao hospital”. “Hospital? Mas o que será?” “É um prédio branco com pacientes, mas isso não é importante agora”.

Onde ver: DVD, YouTube, Telecine Play, Apple TV

Airplane!, 1980
Direção: Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker. Elenco: Robert Hays, Julie Hagerty, Lloyd Bridges, Peter Graves, Robert Stack, Lorna Patterson, Kareem Abdul-Jabbar, Ethel Merman.

LÁBIOS SEM BEIJOS
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 5

O primeiro filme da Cinédia começou a ser feito por Carmen Santos, que também o estrelava, mas foi concluído por Humberto Mauro, recém-chegado de Cataguazes ao Rio, e com Lelita Rosa no papel principal. Mudo, tem uma história romântica simples, da garota que se apaixona por homem com fama de Don Juan e, por uma coincidência de nomes, acaba achando que ele ficou com a irmã dela. Tem o pioneirismo, belas imagens do Rio de Janeiro de 90 anos atrás e bonitos planos da direção de Mauro.

Onde ver: YouTube

Lábios sem Beijos, 1930
Direção: Humberto Mauro. Elenco: Lelita Rosa, Paulo Morano, Didi Viana.

20 – O GAROTO SELVAGEM (L’Enfant Sauvage)

Truffaut partiu de uma história real do seculo XVIII: um garoto há anos sem contato com a civilização, sem falar ou ler, que é pratucamente adotado por um médico que se esforça em civilizá-lo. O filme parece seguir mais o ponto de vista da curiosidade científica que da emoção, mas é bem contado.
França. Direção: François Truffaut. Roteiro: François Truffaut e Jean Gruault, baseado nas memórias de Jean Itard. Elenco: François Truffaut, Jean-Pierre Cargol, Françoise Seigner.

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19 – LOVE STORYUMA HISTÓRIA DE AMOR (Love Story)

“Amar é nunca ter que pedir perdão”. Virou ícone cultural esse melodrama jovem que, ainda por cima, envolve classes sociais e doença grave.
Estados Unidos. Direção: Arthur Hiller. Roteiro: Erich Segal. Elenco: Ryan O’Neal, Ali MacGraw, Ray Milland, Tommy Lee Jones.

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18 – A VIDA ÍNTIMA DE SHERLOCK HOLMES (The Private Life of Sherlock Holmes)

Billy Wilder desenvolveu um filme de mais de três horas e episódico que foi severamente cortado pela United Artists. Ainda assim é um curioso olhar que ele queria muito fazer sobre Sherlock Holmes, levando-o até o monstro de Loch Ness.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: Billy Wilder. Roteiro: Billy Wilder e I.A.L. Diamond. Elenco: Robert Stephens, Colin Blakely, Geneviève Page, Christopher Lee.

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17 – GIMME SHELTER (Gimme Shelter)

Seria mais um documentário sobre rock, mas o show dos Rolling Stones em uma rodovia terminou em tragédia. O filme começa já fazendo os Stones encararem as filmagens da confusão na plateia, após a ideia infeliz de colocar os Hell’s Angels como seguranças.
Estados Unidos. Direção: Albert Maysles, David Maysles e Charlotte Zwerin.

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16 — MATOU A FAMÍLIA E FOI AO CINEMA

Exemplar do cinema marginal brasileiro, terceiro longa de Bressane. Parte da premissa literal do título, um rapaz que mata os pais e vai ao cinema, para outros contos curtos de violência, como o das meninas que se apaixonam e matam a mãe de uma delas. Teve uma refilmagem muito ruim em 1991, com Cláudia Raia.
Brasil. Direção e roteiro: Júlio Bressane. Elenco: Márcia Rodrigues, Renata Sorrah, Vanda Lacerda, Antero de Oliveira.

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15 – CADA UM VIVE COMO QUER (Five Easy Pieces)

Jack Nicholson é o operário que gosta de tocar piano e tem um relacionamento que não o anima muito, e que volta às raízes: a família rica e musicista. Esse contraste de modos de vida leva a tensões. Nicholson na sua aurora como grande ator, que se consolidaria nos anos 1970.
Estados Unidos. Direção: Bob Rafelson. Roteiro: Carole Eastman, baseado em argumento de Eastman e Bob Rafelson. Elenco: Jack Nicholson, Karen Black, Susan Anspach.

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14 – A MULHER DE TODOS

Helena Ignez é a mulher imparável nessa comédia do cinema marginal (o que parece funcionar melhor), libertária, cafajeste, chegada à linguagem dos quadrinhos e com um Jô Soares inspirado.
Brasil. Direção: Rogério Sganzerla. Roteiro: Rogério Sganzerla, baseado em argumento de Egídio Eccio. Elenco: Helena Ignez, Jô Soares, Stênio Garcia, Paulo Villaça, Antônio Pitanga. Narração: Renato Machado.

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13 – DEIXA ESTAR ou LET IT BE (Let it Be)

É tido como um registro dos Beatles a caminho do fim, com os turbulentos ensaios e gravações do que viria a ser o álbum Let it Be. Tem lá a célebre discussão entre Paul e George (“Eu toco do jeito que você quiser. Se não quiser, também não toco”), mas não há depoimentos ou narração. Não há George abandonando o grupo por alguns dias. A mudança do Twickenham Studios para o prédio da Apple aparece, mas sem qualquer explicação. Boa parte da crise fica mesmo nas entrelinhas pra quem conhece a história da banda. Mas são os Beatles, experimentando e cantando e culminando no show do telhado, que é uma imagem (e som) eterna.
Reino Unido. Direção: Michael Lindsay-Hogg.

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12 – A FILHA DE RYAN (Ryan’s Daughter)

David Lean ficou quase 15 anos sem dirigir um filme depois que esse não foi bem recebido. Realmente parece agigantado sem muita razão de ser. É uma história de amor e adultério simples, embora com paisagens embasbacantes e um fundo histórico – como havia sido, cinco anos antes, Doutor Jivago, na Rússia dos tempos da Revolução. Esse ultimo quesito, porém (revoltas na Irlanda contra a Inglaterra em 1916), é bem menos presente na trama. Mas é bonito, Lean não precisava ter passado esse tempo todo longe.
Reino Unido. Direção: David Lean. Roteiro: Robert Bolt. Elenco: Sarah Miles, Robert Mitchum, Christopher Jones, Trevor Howard, John Mills, Leo McKern.

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11 – INVESTIGAÇÃO SOBRE UM CIDADÃO ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA (Indagine su un Cittadino al di Sopra di Ogni Sospetto)

Chefe da divisão de homicídios da polícia mata a amante e vai deixando pistas pelo caminho, parecendo querer ver se a polícia consegue passar por cima dos pré-julgamentos e pegá-lo. Um clássico dos filmes políticos, uma bofetada na hipocrisia das instituições, retratando uma ambiente de opressão italiana a tudo que não era reacionário.
Itália. Direção: Elio Petri. Roteiro: Elio Petri e Ugo Pirro. Elenco: Gian Maria Volontè, Florinda Bolkan, Gianni Santuccio.

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10 – TRISTANA, UMA PAIXÃO MÓRBIDA (Tristana)

Buñuel deixa o surrealismo um pouco de lado e vai para um registro meio seco para mostrar um caso de obsessão amorosa de um homem rico por uma bela e pobre jovem. Uma tragédia muda, no entanto, o jogo de forças. Deneuve linda, mesmo quando não é para ser.
Espanha/ Itália/ França. Direção: Luís Buñuel. Roteiro: Luís Buñuel e Julio Alessandro, do romance de Benito Pérez Galdós. Elenco: Catherine Deneuve, Fernando Rey, Franco Nero.

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9 – BANZÉ NA RÚSSIA (The Twelve Chairs)

O humor maluco de Mel Brooks servindo-se de uma história clássica já adaptada até pela Atlântida no Brasil. É antes de se concentrar nas sátiras ao próprio cinema, que viria logo a seguir. Aqui, os alvos são a ganância inerente aos homens e as contradições da União Soviética pós-Revolução Russa. Como na placa da Rua Marx, Engels, Lenin & Trotsky, em que o nome de Trostky aparece riscado.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Mel Brooks, baseado no romance de Ilya Ilf e Yevgeni Petrov. Elenco: Ron Moody, Frank Langella, Dom DeLuise, Mel Brooks.

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8 – DOMICÍLIO CONJUGAL (Domicile Conjugal)

Interessante como Truffaut estreou o personagem Antoine Doinel como seu alter-ego em um drama tão tocante como Os Incompreendidos (1959) e depois retornou a ele em comédias românticas leves como esta. Este é o quarto filme com Doinel, que arruma problemas para seu casamento ao se envolver com outra mulher.
França. Direção: François Truffaut. Roteiro: François Truffaut, Claude de Givray e Bernard Revon. Elenco: Jean-Pierre Léaud, Claude Jade, Hiroko Berghauer.

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7 – A ESTRATÉGIA DA ARANHA (Strategia del Ragno)

O filho volta à sua cidadezinha natal para se envolver na história misteriosa do pai, herói local, líder da resistência contra os fascistas, morto há muitos anos. Grande fotografia de Vittorio Storaro e Franco Di Giacomo, cujo ponto alto é aquele plano sequência soberbo no começo, em que o filho está parado na praça e, quando anda, vemos que ele encobria o busto do pai. E, enquanto caminha, acaba sendo coberto por ele.
Itália. Direção: Bernardo Bertolucci. Roteiro; Bernardo Bertolucci, Marilù Parolini e Eduardo de Gregorio, baseado em conto de Jorge Luis Borges. Elenco: Giulio Brogi, Alida Valli, Pippo Campanini.

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6 – WOODSTOCK – 3 DIAS DE PAZ, AMOR E MÚSICA (Woodstock)

Mais do que registrar os três dias de um festival de rock que se tornou mítico, o documentário teve a sagacidade de traduzir o estado de espírito de quem estava no palco, nos bastidores, na plateia e nos arredores. O uso da câmera dividida só reforça a sensação de que estava acontecendo muito mais do que todo mundo estava percebendo.
Estados Unidos. Direção: Michael Wadleigh.

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5 – PEQUENO GRANDE HOMEM (Little Big Man)

Em uma época de revisionismo do western e de reavaliação da figura do nativo norte-americano na tela, o herói é uma figura nada heroica que aprende a ser um índio, se torna um pistoleiro de araque e acaba integrando a tropa do General Custer rumo à batalha de Little Big Horn. O filme tem humor e senso de grandeza.
Estados Unidos. Direção: Arthur Penn. Roteiro: Calder Willingham, baseado no romance de Thomas Berger. Elenco: Dustin Hoffman, Faye Dunaway, Chief Dan George, Martin Balsam.

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4 – PATTON – REBELDE OU HERÓI? (Patton)

É praticamente um Lawrence da Arábia americano, no sentido de ser a grandiosa cinebiografia de um militar que ama o que faz. Politicamente incorreto, irascível, visceral e um gênio do teatro de guerra, Patton é um grande personagem. A abertura, com o general discursando para as tropas na frente de uma imensa bandeira americana, é icônica. Tanto quanto a cena em que ele esbofeteia um soldado traumatizado porque não admite tal fraqueza (depois é obrigado a se desculpar).
Estados Unidos. Direção: Franklin J. Schaffner. Roteiro: Francis Ford Coppola e Edmund H. North, baseado nos livros de Ladislas Farago e Omar N. Bradley. Elenco: George C. Scott, Karl Malden, Stephen Young.

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3 – M.A.S.H. (M.A.S.H.)

Um trio de cirurgiões em um hospital de campanha se defende da violência da guerra com atitudes irreverentes e iconoclastas. A guerra é a da Coreia, nos anos 1950, mas Robert Altman quase não menciona: ele queria que o público associasse ao Vietnã. Também incentivou o elenco a improvisar bastante. O espírito do filme é tão irreverente quanto seus personagens.
Estados Unidos. Direção: 1robert Altman. Roteiro: Ring Lardner Jr., baseado em romance de Richard Hooker. Elenco: Donald Sutherland, Elliot Gould, Tom Skerritt, Sally Kellerman, Robert Duvall.

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2 – O CONFORMISTA (Il Conformista)

O filme acompanha um fascista italiano que precisa cumprir a missão de assassinato de um antigo professor, na França. Apesar de sua dedicação ao fascismo, memórias de infância e as relações tanto com sua recém-esposa quanto com a mulher do professor, ambas extremamente atraentes e que se tornam ligadas uma à outra, complicam tudo. Um belíssimo filme político de Bertolucci, embalado numa fotografia descomunal de Vittorio Storaro.
Itália/ França/ Alemanha Ocidental. Direção e roteiro: Bernardo Bertolucci, baseado em romance de Alberto Moravia. Elenco: Jean-Louis Trintignant, Stefania Sandrelli, Dominique Sanda.

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1 – O JARDIM DOS FINZI CONTINI (Il Giardino dei Finzi Contini)

De Sica mostra o fascínio de um jovem por uma família rica judia, enquanto o fascismo avança na Itália. É o registro de um idílio que vai se desfazendo, de uma ilha de beleza no meio de um mar de horror que a vai engolindo. O fascínio não é só pela família, mas pela bela mulher que, encastelada, não parece ver o que está acontecendo até ser tarde demais. Como a sociedade, aliás.
Itália/ Alemanha Ocidental. Direção: Vittorio de Sica. Roteiro: Ugo Pirro e Vittorio Bonicelli, além de, não creditados, Vittorio de Sica, Cesare Zavattini, Franco Brusati, Alain Katz, Tullio Pinelli e Valerio Zurlini, baseado no livro de Giorgio Bassani. Elenco: Lino Capolichio, Dominique Sanda, Fabio Teste, Helmut Berger.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

MULHER-MARAVILHA 1984
⭐½
Diário de Filmes 2021: 4

Não há nada de errado em um filme que pretenda ser leve, alegre, descompromissado, engraçado. Não é esse o problema do segundo filme solo da Mulher-Maravilha. Os problemas são o mau roteiro e a má direção. A nova aventura da princesa amazona estabelece contradições com que não consegue lidar, desdenha da inteligência do espectador e disfarça como humor vergonhas inaceitáveis da trama (como um poder de tornar as coisas invisíveis que, sem trocadilho, aparece do nada). Um esforçozinho em fazer as coisas um pouco mais inteligentes já melhoraria muito o filme. Do jeito que está, parece que apenas desejaram que fosse bom e pronto. Não funcionou.

Onde ver: cinemas, Now, Looke, Google Play, Apple TV, UOL Play, Vivo Play

WW84, 2019
Direção: Patty Jenkins. Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Kristen Wiig, Pedro Pascal.

FORREST GUMP, O CONTADOR DE HISTÓRIAS
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 3

O encanto irresistível de Forrest Gump permanece. A história de Forrest, o sujeito de inteligência limitada que por acaso vai tomando parte de momentos capitais da história dos EUA entre os anos 1950 e 1980, contrasta com a de Jenny, a garota que ele sempre amou. Forrest conhece presidentes, sobrevive à guerra, enriquece, mas só pensa nela e nos amigos, Ela corre atrás de todos os modismos tentando ficar famosa e nunca consegue.

Narrada em tom de fábula, dosando a maior parte do tempo o melodrama com a comédia, e de uma época em que o diretor Zemeckis usava efeitos especiais, mas era mais interessado em gente do que na técnica. Era um equilíbrio maravilhoso, que deu certo tantas vezes. Foi muito bom rever, mesmo que Sessão de Sábado da Globo, que criminosamente espremeu as 2h22 de filme em inacreditáveis 1h50.

Onde ver: DVD, blu-ray, Netflix, Telecine Play, Globoplay, Vivo Play, UOL Play, Apple TV

Forrest Gump, 1994
Direção: Robert Zemeckis. Elenco: Tom Hanks, Robin Wright, Sally Field, Gary Sinise.

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