5 – HORIZONTE SOMBRIO (Way Down East)

Griffith mergulha no melodrama para contar a história da moça pobre que se envolve com um rapaz rico e é abandonada grávida. Acaba sendo acolhida em uma fazenda, se apaixona pelo filho do dono, mas o passado reaparece. Tem uma cena imortal no clímax: Lillian Gish desfalecida sobre blocos de gelo em um rio, a caminho de uma cachoeira.
(Estados Unidos). Direção: D.W. Griffith. Roteiro: Anthony Paul Kelly, da peça de Lottie Blair Parker e William A. Brady. Elenco: Lillian Gish, Richard Barthelmess, Lowell Sherman.

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4 – O GOLEM – COMO VEIO AO MUNDO (Der Golem Wie er in Die Welt Kam)

Antes de Frankenstein, o filme, teve O Golem (mas, nos romances, o de Mary Shelley veio antes, embora o romance alemão se baseie em uma lenda judaica). Aqui, um rabino usa feitiçaria para criar um ser para proteger os judeus da perseguição na Praga do século XVI. Da aurora do Expressionismo Alemão. Wegener havia dirigido outra versão em 1915, mas ficou insatisfeito e fez de novo.
(Alemanha). Direção: Carl Boese, Paul Wegener. Roteiro: Paul Wegener e Henrik Galeen, baseado em romance de Galeen. Elenco: Paul Wegener, Albert Steinrück, Lyda Salmonova.

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3 – A MARCA DO ZORRO (The Mark of Zorro)

É a primeira adaptação para o cinema com o personagem lançado em uma história seriada em uma revista, no ano anterior. Também reinventou a carreira de Douglas Fairbanks, até então ator de romances e que, acrobático e carismático, se tornou o grande astro de filmes de ação da época. É divertido, vibrante, ainda uma das melhores versões.
(Estados Unidos). Direção: Fred Niblo. Roteiro: Douglas Fairbanks e Eugene Miller, baseado em romance seriado de Johnston McCulley. Elenco: Douglas Fairbanks, Marguerite de la Motte, Robert McKim.

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2 – UMA SEMANA (One Week)

Antológico curta de Buster Keaton, no qual ele e Sybil Seely se casam e ganham uma casa pré-fabricada, que acaba sendo construída errada. Tudo fica fora de lugar, provocando mil confusões: de portas que dão em lugar nenhum até a casa inteira girando durante uma ventania (com a câmera girando 360º, a primeira vez em que se fez isso). Engraçadíssimo, com cenas incríveis, como a mudança da casa inteira que para em cima dos trilhos, com um trem vindo. E sacadas metalinguísticas, como Sybil Seely prestes a levantar da banheira para pegar um sabonete e uma mão tampando a câmera.
(Estados Unidos). Direção e roteiro: Edward F. Cline, Buster Keaton. Elenco: Buster Keaton, Sybil Seely.

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1 – O GABINETE DO DOUTOR CALIGARI (Das Cabinet des Dr. Caligari)

Mais que puro suco de Expressionismo Alemão, esse é o Expressionismo colhido do pé. O filme aposta em cenários tortuosos e sombras pintadas para refletir o estado de espírito da sociedade alemã. Depois que o diretor foi obrigado a mudar o final, passou a refletir, também, uma mente doentia. É influente até hoje, de Blade Runner a Ilha do Medo.
(Alemanha). Direção: Robert Wiene. Roteiro: Carl Meyer e Hans Janovitz. Elenco: Werner Krauss, Conrad Veidt, Friedrich Feher, Lil Dagover.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

20 – CARNAVAL NO FOGO

É o filme que estabeleceu o modelo clássico das chanchadas (não sou eu quem digo, é o Sérgio Augusto, no Este Mundo É um Pandeiro), com muita confusão no Copacabana Palace, trocas de identidade, números musicais com artistas do rádio, José Lewgoy de vilãozão, Eliana como a mocinha que dá bordoadas, e, claro, Oscarito e Grande Otelo. Não apenas isso, mas Oscarito e Grande Otelo na antológica cena do balcão de Romeu e Julieta.
Brasil. Direção: Watson Macedo. Roteiro: Alinor Azevedo e Watson Macedo, de argumento de Anselmo Duarte. Elenco: Oscarito, Anselmo Duarte, Eliana Macedo, José Lewgoy, Grande Otelo, Adelaide Chiozzo, Wilson Grey, Jece Valadão, Dircinha Batista, Bené Nunes.

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19 – RIO BRAVO ou RIO GRANDE (Rio Grande)

A melhor coisa de John Ford não está em seus filmes sobre cavalaria, mas de novo ele se aproveita do cenário para tratar da relação entre os personagens: um coronel que vê o próprio filho (que ele não vê desde que o rapaz era um bebê) ingressar como soldado em suas fileiras para o difícil combate com os índios, e a mãe do rapaz, que vai lá buscá-lo. O conflito interno entre o dever com a família e o dever com o exército é o cerne do personagem de John Wayne. Além do mais, é o filme que viabilizou o posterior (e maravilhoso) Depois do Vendaval e é o primeiro dos cinco filmes de Wayne com Maureen O’Hara – então a gente tem que agradecer. O título brasileiro é curioso. O Rio Grande do original virou Rio Bravo aqui. Acontece que o rio que é fronteira dos EUA com o México é chamado de Grande do lado americano e Bravo do lado mexicano – e a tradução brasileira optou pelo nome do México. Quando anos depois Hollywood lançou um filme chamado Rio Bravo (Onde Começa o Inferno, aqui), deu-se a confusão. Em DVD, o filme de Ford chegou a sair com o título original: Rio Grande.
Estados Unidos. Direção: John Ford. Roteiro: James Kevin McGuiness, baseado em conto de James Warner Bellah. Elenco: John Wayne, Maureen O’Hara, Ben Johnson, Claude Jarman Jr, Victor McLaglen.

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18 – BONITA E VALENTE (Annie Get Your Gun)

Annie Oakley, atiradora que foi estrela do show de Buffalo Bill no velho oeste e foi adotada pelo chefe índio Touro Sentado, inspirou um musical no teatro produzido por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, com músicas de Irving Berlin, e, depois, este filme da MGM. Judy Garland começou a filmar, mas foi demitida. Busby Berkeley também começou dirigindo e recebeu o bilhete azul. Muita confusão, mas o filme sobrevive com cenas ótimas como “There’s no business like show business” e “Anything you can do, I can do better’.
Estados Unidos. Direção: George Sidney, Busby Berkeley (não creditado). Roteiro: Sidney Sheldon, baseado em peça musical de Herbert Fields e Dorothy Fields. Elenco: Betty Hutton, Howard Keel, Louis Calhern, J. Carrol Naish.

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17 – PÂNICO NAS RUAS (Panic in the Streets)

Inesperada atualidade para esse filme: uma caçada policial a um assassino, mas o motivo principal é que ele está infectado com uma doença e pode contaminar a cidade. Kazan estava ainda nos primeiros anos de sua grande carreira como diretor.
Estados Unidos. Direção: Elia Kazan. Roteiro: Richard Murphy, argumento de Edna Anhalt e Edward Anhalt, e adaptação de Daniel Fuchs. Elenco: Richard Widmark, Paul Douglas, Barbara Bel Geddes, Jack Palance, Zero Mostel.

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16 – ESSE PINGUIM É UMA FRIA (8 Ball Bunny)

“Com licença. Tem algum trocado para ajudar um compatriota americano um pouco sem sorte?”. Azar deu o Pernalonga, ao dar de cara com um pinguim e se comprometer a levá-lo para casa – na Antártida. A viagem rende um dos melhores curtas do coelho, o tempo todo esbarrando no Humphrey Bogart maltrapilho do começo de O Tesouro de Sierra Madre.
Estados Unidos. Direção: Chuck Jones. Roteiro: Michael Maltese. Vozes na dublagem original: Mel Blanc, Dave Barry.

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15 – O MATADOR (The Gunfighter)

A fama de rápido no gatilho pode parecer bacana, mas cobra um preço. É sobre isso este filme, um exemplar do que ficou sendo chamado de faroeste psicológico: um pistoleiro chega a uma cidadezinha e sua mera presença leva turbulência ao lugar. Alguns querem vingança, outros querem fama. Ele não quer briga, só reencontrar a humanidade que já teve e deixou para trás.
Estados Unidos. Direção: Henry King. Roteiro: William Bowers e William Sellers, argumento de William Bowers e André De Toth. Elenco: Gregory Peck, Helen Westcott, Millard Mitchell, Jean Parker, Karl Malden.

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14 – A ILHA DO TESOURO (Treasure Island/ Robert Louis Stevenson’s Treasure Island)

Primeiro filme da Disney totalmente com atores, é uma aventurona que adapta um dos maiores clássicos literários do gênero. E não decepciona: é uma produção bem cuidada, movimentada e até violenta para os padrões de hoje do cinema infanto-juvenil.
Estados Unidos/ Reino Unido. Direção: Byron Haskin. Roteiro: Lawrence Edward Watkin, baseado em romance de Robert Louis Stevenson. Elenco: Bobby Driscoll, Robert Newton, Basil Sidney, Walter Fitzgerald.

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13 – OS ESQUECIDOS (Los Olvidados)

Buñuel começou seu exílio no México com este filme, já uma pedrada na sociedade do país adotivo. Com atmosfera neo-realista, o cineasta espanhol conta a história de garotos marginalizados e a violência ao seu redor sem economizar nas tintas. Pessoas no país não gostaram nada de ver suas mazelas expostas de tal maneira.
México. Direção: Luís Buñuel. Roteiro: Luis Alcoriza e Luís Buñuel. Elenco: Alfonso Mejía, Roberto Cobo, Estela Inda, Miguel Inclán.

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12 – O GAROTO FABULOSO (Gerald McBoing-Boing)

Nem Warner, nem Disney, nem MGM: foi a UPA que surpreendeu e ganhou o Oscar de curta de animação com este primor de grafismo. Baseado na obra do Dr. Seuss, o filme conta a história do garoto que não falava, só dizia ‘boing’.
Estados Unidos. Direção: Robert Cannon. Roteiro: Bill Scott e Phil Eastman, baseado em história de Dr. Seuss. Narração na dublagem original: Marvin Miller.

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11 – WINCHESTER 73 (Winchester 73)

Anthony Mann ajudou a reinventar a carreira de Jimmy Stewart. Consagrado como bom moço, tímido e idealista, aqui ele é durão, amargo e vingativo. Sua carreira também não vinha bem das pernas e esta redefinição veio bem a calhar.
Estados Unidos. Direção: Anthony Mann. Roteiro: Robert L. Richards e Borden Chase, de argumento de Stuart N. Lake. Elenco: James Stewart, Shelley Winters, Dan Duryea, Millard Mitchell.

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10 – O SEGREDO DAS JÓIAS (The Asphalt Jungle)

Um dos grandes filmes de roubo da história. John Huston mostra uma coleção de personagens antes, durante e depois de um muito arquitetado assalto a uma joalheria. De quebra, duas beldades daquelas: Jean Hagen (que dali a dois anos seria a inesquecível Lina Lamont de Cantando na Chuva) e ninguém menos que Marilyn Monroe (em papel pequeno, mas roubando a cena).
Estados Unidos. Direção: John Huston. Roteiro: Ben Maddow e John Huston, baseado em romance de W.R. Burnett. Elenco: Sterling Hayden, Sam Jaffe, Louis Calhern, Jean Hagen, Marilyn Monroe, James Whitmore, Jack Warden, Marc Lawrence.

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9 – NASCIDA ONTEM (Born Yesterday)

Judy Holliday ganhou o Oscar com essa interpretação com a qual já tinha arrasado no teatro: a amante de um político brutalhão e corrupto que deve receber uma aula de etiqueta de um jornalista, mas acaba adquirindo cidadania e o poder de pensar. Holliday conseguiu outro feito raro: foi indicada ao Globo de Ouro a melhor atriz de comédia (que ganhou) e de drama pelo mesmo papel.
Estados Unidos. Direção: George Cukor. Roteiro: Albert Mannheimer, baseado em peça de Garson Kanin. Elenco: Judy Holliday, William Holden, Broderick Crawford, Howard St. John, Frank Otto.

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8 – STROMBOLI (Stromboli, Terra di Dio)

Ingrid Bergman largou o estrelato em Hollywood para fazer filmes neo-realistas na Itália. Foi parar numa ilhota vulcânica primitiva como a mulher linda e sofisticada entre os aldeões brutalizados — um choque cultural inevitável.
Itália/ Estados Unidos. Direção: Roberto Rossellini. Roteiro: Roberto Rossellini, com colaboração de Sergio Amidei, Gian Paolo Callegari, Art Cohn, Renzo Cesana e Félix Morlión. Elenco: Ingrid Bergman, Mario Vitale, Renzo Cesana.

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7 – PATETA NO TRÂNSITO ou MOTORMANIA (Motor Mania)

O Sr. Andante e o Sr. Volante são as duas faces de uma mesma pessoa que é o Dr. Jekyll quando pedestre e vira o Mr. Hyde quando entra no carro. Ainda é a melhor tradução dos humores de boa parte do trânsito em qualquer lugar do mundo. O curta é daquela série da Disney em que todos os personagens são versões do Pateta, numa sátira da sociedade. E este é eterno.
Estados Unidos. Direção: Jack Kinney. Roteiro: Dick Kinney e Milt Schaffer. Vozes na dublagem original: Bob Jackman, John McLeish.

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6 – O COELHO DE SEVILHA (Rabbit of Seville)

O final dos anos 1940 e o começo dos anos 1950 foi a época mais incrível do Pernalonga. Seus dois melhores diretores – Chuck Jones e Friz Freleng – estavam no máximo e deram ao seu astro o melhor material em que trabalhar. Aqui, a eterna perseguição do Hortelino ao coelho invade o palco de uma ópera que está para começar e se desenrola freneticamente ao som da abertura de O Barbeiro de Sevilha.
Estados Unidos. Direção: Chuck Jones. Roteiro: Michael Maltese. Vozes na dublagem original: Mel Blanc, Arthur Q. Bryan.

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5 – CINDERELA ou A GATA BORRALHEIRA (Cinderella)

Em apuros financeiros, a Disney recorreu à fórmula com que fez sucesso em Branca de Neve e os Sete Anões (1937): uma garota oprimida por uma madrasta, bondosa a ponto de conversar com os bichinhos, e que, no fim, vive feliz para sempre com seu príncipe. Com a ajuda de uma fada madrinha, como em Pinóquio (1940). O estilo de conto-de-fadas é cativante, mas o que torna o filme memorável, mesmo, é a animação maravilhosa, em cenas como a de Cinderela esfregando o chão e as bolhas de sabão repetindo sua imagem, ou sua corrida em desespero para a escuridão e saindo ao fundo para o jardim, vista através da grande janela. Para rapidez, o estúdio filmou tudo com uma atriz antes – os desenhistas disseram depois que não gostaram muito disso, e usaram só o que achavam que deviam. No Brasil, o filme foi exibido nos cinemas (na estreia e em reprises até os anos 1990) de A Gata Borralheira.
Estados Unidos. Direção: Wilfred Jackson, Hamilton L. Luske, Clyde Geronimi. Roteiro: Bill Peet, Erdman Penner, Ted Sears, Winston Hibler, Homer Brightman, Harry Reeves, Ken Anderson, Joe Rinaldi, Maurice Rapf (não creditado), Frank Tashlin (não creditado). Vozes originais: Ilene Woods, Eleanor Audley, Verna Felton. Vozes na dublagem brasileira: Simone de Morais, Tina Vita, Olga Nobre, Aloysio de Oliveira.

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4 – MORTALMENTE PERIGOSA (Gun Crazy/ Deadly Is the Female)

17 anos antes de Bonnie & Clyde, o filme, e 16 anos após a morte do casal real de assaltantes de banco, houve Mortalmente Perigosa. Clássico exemplar do filme B: com baixo orçamento, mas muita personalidade e grandes ideias narrativas. Aqui, o fio condutor é o amor bandido entre um atirador e sua esposa que parece gostar demais do crime. Além da tensão sexual e psicológica entre os protagonistas, há cenas como a do assalto a banco, mostrado num plano-sequência. Com a câmera sempre dentro do carro, ela mostra desde a chegada do casal à cidade até a fuga.
Estados Unidos. Direção: Joseph H. Lewis. Roteiro: MacKinlay Kantor e Dalton Trumbo (como Millard Kaufman), com argumento de Kantor. Elenco: Peggy Cummins, John Dall, Berry Kroeger, Anabel Shaw, Harry Lewis

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3 – RASHOMON (Rashomon)

Foi no Festival de Veneza que Rashomon mostrou ao ocidente a qualidade do cinema que se fazia no Japão. A história do samurai e sua esposa surpreendidos por um ladrão na floresta (o que terminou com a morte do marido) é contada quatro vezes, de maneira muito diferente dependendo do ponto de vista de quem conta. A verdade é a contada pela mulher, pelo ladrão, pelo fantasma do morto ou por um observador de fora, que estava passando na hora? Kurosawa disse que Rashomon espelhava a vida, e a vida não tinha sentido.
Japão. Direção: Akira Kurosawa. Roteiro: Akira Kurosawa e Shinobu Hashimoto, baseado em história de Ryunosuke Akutagawa. Elenco: Toshiro Mifune, Machiko Kyo, Masayuki Mori, Takashi Shimura.

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2 – A MALVADA (All About Eve)

Uma atriz está para ser laureada nas primeiras cenas de A Malvada. “Saberemos tudo sobre Eve”, diz o narrador. Então vemos sua aparição quase como uma gatinha escondida num beco chuvoso, uma fã ardorosa que cai nas graças de uma amiga da estrela do teatro, de quem Eve é devota. O que acontece entre um ponto e outro é um dos grandes filmes da história, capitaneado por duas atrizes esplêndidas: Bette Davis e Anne Baxter. Entre os coadjuvantes, a competência de sempre de Celeste Holm, uma brilhante Thelma Ritter, um refinadamente odioso George Sanders e uma iniciante Marilyn Monroe. A bordo de um roteiro que entrega um diálogo antológico após outro. Narrado quase todo o tempo por flashbacks de personagens diferentes, é um mergulho fascinante e duro no mundo do teatro. Ganhou o Oscar de melhor filme e outros cinco, partindo de 14 indicações (recorde até hoje).
Estados Unidos. Direção: Joseph L. Mankiewicz. Roteiro: Joseph L. Mankiewicz, baseado em conto de Mary Orr (não creditada). Elenco: Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders, Celeste Holm, Gary Merrill, Hugh Marlowe, Thelma Ritter, Marilyn Monroe, Gregory Ratoff, Barbara Bates.

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1 – CREPÚSCULO DOS DEUSES (Sunset Blvd.)

“Você é Norma Desmond. Você era grande!”. “Eu SOU grande. Os filmes é que ficaram pequenos”. Billy Wilder deu uma sapatada na cara de Hollywood com essa história tortuosa do roteirista fuleira que se envolve com uma estrela do cinema mudo, aposentada contra a vontade quando os filmes passaram a ser falados. É cheio de piadas internas: Gloria Swanson tinha sido mesmo uma estrela dos filmes mudos, Erich von Stroheim foi um dos grandes diretores dela, Cecil B. De Mille e a colunista Hedda Hopper interpretam a si mesmos, Buster Keaton faz uma ponta. Billy dá um nó tático narrativo desde o começo ao fazer o filme ser narrado por um morto, enche o filme de frases antológicas e o encerra com um dos melhores e terríveis finais já vistos. “Tudo bem, Sr. DeMille, estou pronta para o meu close-up”.
Estados Unidos. Direção: Billy Wilder. Roteiro: Billy Wilder, Charles Brackett e D.M. Marshman Jr. Elenco: William Holden, Gloria Swanson, Erich von Stroheim, Nancy Olson, Fred Clark, Jack Webb, Cecil B. DeMille, Buster Keaton, Hedda Hopper, H.B. Warner.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

1. ‘SINGIN’ IN THE RAIN’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Música de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

Muita gente que me conhece está agora dizendo: “Mas é óbvio”. Mas juro que não foi tão óbvio assim. “Singin’ in the rain” passou boa parte do tempo fora do primeiro lugar. Mas o peso de sua importância foi decisivo num desempate, assim como o fato de que o número está totalmente integrado à narrativa da história (não é mostrado como uma apresentação num palco). Aqui, Don Lockwood, o personagem de Gene Kelly, diz através da música aquilo que está sentido e dança para sublinhar isso. Quem nunca teve vontade de, numa alegria imensa, sair correndo e pulando? “Singin’ in the rain” é isso. Além disso, é cheio de perícias técnicas que permitiram ao número ser a referência que é hoje. Há o fato de que leite foi misturado à água para que a chuva pudesse ser melhor vista na tela. Que buracos foram cavados no chão, para que água fosse acumulada exatamente onde a coreografia pedia. Que Gene Kelly gravou com febre. Que a música já havia aparecido seis ou quatro vezes antes em filmes da Metro e esta eclipsou todas as outras para sempre. E o resultado é uma obra-prima de técnica e emoção, com Kelly jogando e pegando o guarda-chuva no ar, se equilibrando no meio-fio, flutua para se agarrar a um poste, brincando com biqueiras e vitrines, pulando em poças e sendo silenciosamente repreendido por um policial com cara de poucos amigos. Do primeiro ao último segundo, uma maravilha.

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2. ‘BEGIN THE BEGUINE’, de Melodia da Broadway de 1940 (1940)
Com Eleanor Powell e Fred Astaire. Direção: Norman Taurog. Coreografia: Bobby Connolly. Música de Cole Porter.

Às vezes, tudo o que é preciso é um casal incrível e uma grande música. Eleanor Powell, a melhor entre as mulheres, e Fred Astaire, o melhor entre os homens, só se encontraram em um filme, esse filme. E nem é um filme muito bom, não deve estar nem entre os 50 melhores musicais da MGM. Quase tudo de Melodia da Broadway de 1940 poderia ser descartado, menos (e jamais!) as cenas em que Fred e Eleanor trocam passos, olhares, sorrisos, carisma e talento puro. Já vimos uma dessas cenas (a cena da jukebox) nessa lista, mas essa daqui é inigualável. Eles não cantam. Não há cenário, além de um palco basicamente vazio e escuro, com umas luzinhas e um espelho ao fundo, e com um chão que os reflete. Nem é uma dança romântica como as de Fred e Ginger. Eles até fazem isso em outro momento, mas aqui Fred e Eleanor são mais é espelhos um do outro, se convidam, se desafiam. Fazem tudo o que fazem em dois únicos e impressionantes planos-sequência. Por 46 segundos, nem de música precisam: ela é cortesia unicamente do ritmo e da velocidade dos pés da dupla. Que gigantes! E olhe que Eleanor nem gostava de sapateado no início da carreira, teve que aprender a contragosto. Esse número é para se revisto várias vezes: olhando o conjunto, depois só os pés, depois só as mãos, depois só os rostos… E até prestando atenção no reflexo ao fundo, que mostra de costas os dois dançando. Quando esse número é apresentado no documentário Era uma Vez em Hollywood (1974), Frank Sinatra o introduz dizendo: “Vocês nunca vão ver algo assim de novo”. E ele estava absolutamente certo.

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Bacurau - 06

Nesta segunda tem Bacurau em Tela Quente. Mais uma oportunidade para ver ou rever o filme brasileiro mais comentado de 2019, e vencedor do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro há poucas semanas.

Ótima oportunidade para ver ou rever, e com a interessante opção dos estrangeiros dublados, que, ao julgar pelo comercial é a que vai ao ar. Mas também tem toda uma questão simbólica de um filme como esse ocupar um espaço geralmente destinado ao que o diretor Kléber Mendonça Filho chama de “filme de boneco”: os filmes de ação e super-heróis.

Para os paraibanos, aquele orgulho de rever os seis atores da Paraíba no elenco, fazendo um ótimo trabalho: Thardelly Lima, Suzy Lopes, Ingrid Trigueiro, Buda Lira, Dani Barbosa e Jamila Facury.

Escrevi sobre o “filme de boneco” de Kléber e Juliano Dornelles: leia aqui.

3. ‘THE BARN RAISING DANCE (BLESS YOUR BEAUTIFUL HIDE)’, de Sete Noivas para Sete Irmãos (1954)
Com Russ Tamblyn, Tommy Rall, Marc Platt, Matt Mattox, Jacques d’Amboise, Jeff Richards, Virginia Gibson, Julie Newmar, Nancy Kilgas, Betty Carr, Ruta Lee, Norma Doggett, Jane Powell e elenco. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Michael Kidd. Música de Gene de Paul e Johnny Mercer.

O cinema já mostrou todo tipo de duelo: com revólveres, com espadas, no ringue, na cama. E na dança? Nesta cena mais famosa de Sete Noivas para Sete Irmãos, os seis rapazes Pontipee estão na quermesse para a construção de um celeiro e querendo dar uma paquerada nas moças (o sétimo, mais velho, casou não faz muito). Eles se arrumam logo, mas têm rivais almofadinhas da cidade. Na hora da dança, os adversários de cinza levam as moças para o tablado, mas os irmãos, de camisetas coloridas e treinados por Millie (a esposa do irmão mais velho), também sobem. E aos poucos se desenha o duelo, em que os rapazes disputam passo a passo a atenção e a companhia das garotas. A dança mais marcada evolui para passos mais exuberantes e, dai, para momentos acrobáticos antológicos (saltos de telhados, deslizamentos por baixo de bancos, saltos mortais sobre tábuas). Stanley Donen, diretor, e Michael Kidd, coreógrafo, sem muita grana e obrigados a ter no elenco um irmão que nem dançar sabia, criaram um momento imortal em que tudo ruma para o final maravilhoso. Onde, apesar de toda a luta entre os rapazes, quem decide mesmo são as moças.

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4. ‘DO RE MI’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews, Charmian Carr, Heather Menzies, Nicholas Hammond, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner, Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Música de Oscar Hammerstein II e Richard Rodgers.

“Do re mi” mudou de lugar na história, na transposição da peça de teatro para o cinema. Nos palcos, esse número já aparece na cena em que a fraulein Maria conhece os sete filho do capitão Von Trapp. O roteirista Ernest Lehman a colocou mais à frente, fez a relação entre a babá e as crianças ter algumas turbulências até que, após finalmente conquistá-las e longe das vistas do pai severo, ela descobre que os pequenos não conhecem nenhuma música. Isso acontece em um piquenique nas montanhas, um local significativo: foi ali que, na abertura do filme, Maria cantou todo seu amor pela música. Julie Andrews começa no “dó re mi” e, no fim, com algumas passagens de tempo, as crianças já estão estrelas da Broadway. Muitos momentos da edição são fabulosos, nos quadros simétricos de Wise que aproveitam ao máximo a paisagem de Salzburgo. As bicicletas, a carruagem, a borda do monumento, a corrida, o portal com as estátuas, o final em que cada degrau corresponde a uma das notas musicais).

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5. ‘PICK YOURSELF UP’, de Ritmo Louco (1936)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: George Stevens. Direção de dança: Hermes Pan. Música de Dorothy Fields e Jerome Kern.

Os personagens de Fred usaram desse truque muitas vezes. Fingia que tinha dois pés esquerdos, fazia a garota ensinar uns passos de dança para se aproximar dela e, no meio da aula – zás! – ele mostrava tudo o que sabia. Aqui, ele se revela para ajudar a moça, professora prestes a ser despedida da escola de dança. “Como era mesmo aquele passo que estava me ensinando? Ah, sim”, ele pergunta, na frente do dono do lugar. E o show começa. É a quintessência de Fred e Ginger: leves, charmosos, com uma química fundamental entre eles, como uma extensão natural um do outro, tirando onda ao caminhar de braços dados no meio da música, fazendo tudo parecer extremamente fácil e natural. E aquela saída fantástica dos pulinhos sobre as cerquinhas. Antes, quando ele levou uns bons tombos com ela, Ginger havia cantado o conselho: “Pick yourself up, dust yourself off”, que poseríamos traduzir com o nosso “levanta, sacode a poeira”.

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6. ‘MOSES SUPPOSES’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly e Donald O’Connor. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Música de Betty Comden, Adolph Green e Roger Edens.

Eu me lembro como se fosse hoje o impacto de assistir a “Moses supposes”, na primeira vez que vi Cantando na Chuva, na TV, no réveillon de 1988. A energia, temperada com muita irreverência, era irresistível. Dava vontade de levantar e dançar junto pela sala. A música era, então, uma novidade. A trilha do filme era quase toda feita de antigas canções de Arthur Freed e Nacio Herb Brown, mais duas criadas especialmente para o filme: “Make’em laugh” e “Moses supposes”. No contexto de atores do cinema mudo sendo treinados em dicção para atuar no cinema falado, os personagens de Donald O’Connor e Gene Kelly subvertem uma aula a partir dos trava-línguas propostos pelo sisudo professor. Eles sapateiam sobre uma mesa, brincam com cadeiras e cortinas, jogam o professor para lá e para cá. Uma farra, mas com uma das maiores exibições de sapateado do cinema. E a câmera é exemplar, dançando com O’Connor e Kelly, os seguindo sem descanso, para um lado, para o outro, para cima e para baixo.

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7. ‘AMERICA’, de Amor, Sublime Amor (1961)
Com Rita Moreno, George Chakiris, Suzie Kaye, Yvonne Wilder e elenco. Direção: Robert Wise e Jerome Robbins. Coreografia: Jerome Robbins. Música de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim.

Os garotos porto-riquenhos, reunidos num telhado, debatem suas visões conflitantes sobre a vida de imigrante nos Estados Unidos. Oportunidades versus racismo. Consumo versus violência. Distância da pobreza de seu local de origem versus a pobreza no país adotivo. “America” tem uma melodia incrível e conhecidíssima e uma letra antológica que o filme melhorou: na Broadway, ela tirava sarro dos portorriquenhos; no filme, o foco é a discriminação sofrida pelos imigrantes. Este foi um dos quatro números concluídos por Robbins, antes de ser retirado do filme. Encenador do espetáculo no teatro, ele foi demitido do filme por refilmar muito as cenas, mas seu talento pode ser muito apreciado aqui, com uma dança espetacular. Liderando a cena, a maravilhosa Rita Moreno e George Chakiris, que ganharam os Oscars de coadjuvante aquele ano.

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8. ‘THE TROLLEY SONG’, de Agora Seremos Felizes (1944)
Com Judy Garland. Direção: Vincente Minnelli. Direção de dança: Charles Walters. Coreografia: Paul Jones. Música de Hugh Martin e Ralph Blane.

Não chega a ser uma regra escrita na pedra, mas o musical clássico muitas vezes apresenta o número desta maneira: quem canta (e eventualmente dança) é quem está conectado na mesma emoção. Quem não está, fica alheio. Isso é exemplar em “The trolley song”. A garotada vai passear de bonde até onde estão sendo construídos os pavilhões para a Feira Mundial de St. Louis. A personagem de Judy Garland está esperando que o vizinho de quem ela está a fim apareça. Mas chega a hora, e nada do rapaz. Todo mundo canta feliz, mas ela passa pela turma calada e cabisbaixa. É só quando o sujeito aparece correndo atrás do bonde que Judy começa a cantar e domina a cena. E aí Vincente Minelli começa a compor quadros diferentes dentro do mesmo plano sequência, com os coadjuvantes levantando ou sentando ou trocando de lado para formarem uma moldura colorida para Judy, magnífica. A canção virou (como “Over the rainbow”) assinatura da atriz/ cantora. E até João Gilberto gravou.

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9. ‘DANCING IN THE DARK’, de A Roda da Fortuna (1953)
Com Fred Astaire e Cyd Charisse. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Michael Kidd. Música de Arthur Schwartz e Howard Dietz.

Na história de A Roda da Fortuna, os personagens de Fred Astaire e Cyd Charisse se estranham de cara. Ele, um sapateador; ela, uma bailarina clássica; ambos colocados lado a lado para estrelarem um pretensioso musical da Broadway. Este é o momento no qual eles finalmente entram em sintonia. Sem uma única palavra (falada ou cantada), em um Central Park de estúdio. Não pelo diálogo, não pela canção: a comunicação e o entendimento vem exclusivamente através da dança, em um dos mais belos duetos de movimento da história do cinema.

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10. ‘MAKE’EM LAUGH’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Donald O’Connor. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Música de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

Donald O’Connor interpreta Cosmo Brown, o amigo comediante do galã Don Lockwood (Gene Kelly). Para animar o parceiro, ele diz que o show deve continuar – e o show dele, no caso, é fazer rir. O’Connor ganhou este solo no filme e não desperdiçou: dá tudo de si em um número inesquecível. Faz caretas, leva tombos, dança com um boneco (e apanha dele), dá saltos mortais (dois seguidos, subindo correndo pelas paredes). Fumante inveterado, o ator-dançarino ficou uma semana no hospital para se recuperar. Só que a filmagem foi comprometida e ele, de volta, precisou fazer os saltos de novo… E a música é um caso à parte. Foi pedido a Arthur Freed e Nacio Herb Brown esta nova canção com a comédia como tema. Quando foi entregue, a melodia da dita cuja era igualzinha a ‘Be a clown’, de Cole Porter… Cole nunca reclamou, ainda bem.

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20 – O HOMEM ELEFANTE (The Elephant Man)

Em preto-e-branco, David Lynch impõe um clima de horror gótico à história real do homem deformado que tenta mostrar, na Inglaterra vitoriana, que nada mais é que um ser humano.
(Reino Unido/ Estados Unidos). Direção: David Lynch. Roteiro: Christopher De Vore, Eric Bergren e David Lynch, baseado em livros de Frederick Treves e Ashley Montagu. Elenco: John Hurt, Anthony Hopkins, Anne Bancroft, John Gielgud, Freddie Jones, Wendy Hiller.

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19 – GAIJIN – OS CAMINHOS DA LIBERDADE

Tizuka Yamasaki conta a saga de um grupo de famílias japonesas que vêm tentar a vida trabalhando em uma fazenda brasileira. A dureza da imigração, geralmente contada em lentes cor-de-rosa em outras produções.
(Brasil). Direção: Tizuka Yamasaki. Roteiro: Jorge Durán e Tizuka Yamasaki. Elenco: Kyoko Tsukamoto, Antônio Fagundes, Jiro Kawarazaki, Gianfrancesco Guarnieri, Álvaro Freire, Clarisse Abujamra, José Dumont, Louise Cardoso, Carlos Augusto Strasser.

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18 – EM ALGUM LUGAR DO PASSADO (Somewhere in Time)

Um filme romântico que marcou uma geração, com o Superman Reeve voltando de novo no tempo por amor. Desta vez, em sua melhor tentativa de ter uma carreira além do super-herói, ele é um personagem que vence as barreiras cronológicas para encontrar a mulher que vê numa pintura (a lindíssima Jane Seymour).
(Estados Unidos). Direção: Jeannot Szwarc. Roteiro: Richard Matheson, baseado em seu romance. Elenco: Christopher Reeve, Jane Seymour, Christopher Plummer, Teresa Wright.

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17 – GENTE COMO A GENTE (Ordinary People)

Robert Redford não se escalou como ator na sua estreia na direção. Preferiu ficar só atrás das câmeras para contar a história de uma família que tenta se recuperar a morte de um filho. Amor, desamor, incomunicabilidade, depressão e um desempenho bem sensível de Timothy Hutton. Ganhou o Oscar de filme, direção e Hutton, de maneira absurda, o de ator coadjuvante quando é o protagonista do filme.
(Estados Unidos). Direção: Robert Redford. Roteiro: Alvin Sargent e Nancy Dowd (não creditada), baseado em romance de Judith Guest. Elenco: Timothy Hutton, Mary Tyler Moore, Donald Sutherland, Judd Hirsch, Elizabeth McGovern, M. Emmet Walsh, Dinah Manoff.

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16 – MEMÓRIAS (Stardust Memories)

Depois de evocar Bergman em Interiores (1978), Woody Allen voltou-se para Fellini em Memórias: um diretor de cinema em crise às voltas com questões de seu passado. Mas com seus toques típicos de humor, como no encontro com alienígenas que aparecem e não só não trazem nenhuma resposta para os dilemas da humanidade como ainda dizem que gostam dos filmes dele “mas dos antigos, mais engraçados”.
(Estados Unidos). Direção e roteiro: Woody Allen. Elenco: Woody Allen, Charlotte Rampling, Jessica Harper, Marie-Christine Barrault, Tony Roberts, Daniel Stern.

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15 – GLORIA (Gloria)

Gloria é, aparentemente, um trabalho mais comercial do grande nome pioneiro do cinema independente: John Cassavettes. Um filme policial nas ruas de Nova York, protagonizado por uma mulher dura na queda que protege relutantemente um garoto que tem provas contra mafiosos e teve a família assassinada. O diretor foca principalmente no relacionamento entre essas duas figuras muito diferentes. Não me surpreenderia que tivesse inspirado Central do Brasil (1998).
(Estados Unidos). Direção e roteiro: John Cassavettes. Elenco: Gena Rowlands, John Adames, John Finnegan.

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14 – AGONIA E GLÓRIA (The Big Red One)

O histórico diretor Samuel Fuller não aparecia assinando um filme no cinema desde 1969. Mas o retorno foi triunfal: Fuller levou suas memórias da II Guerra ao cinema. E com sua filosofia particular a respeito: um grupo de soldados com missões a cumprir e que não têm tempo nem espaço para dramalhões e questões sobre o horror das guerras. Para isso, ninguém melhor que Lee Marvin para o papel principal.
(Estados Unidos). Direção e roteiro: Samuel Fuller. Elenco: Lee Marvin, Mark Hamill, Robert Carradine, Bobby Di Cicco, Kelly Ward, Stéphane Audran.

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13 – O ÚLTIMO METRÔ (Le Dernier Metro)

Mais II Guerra, desta vez no cotidiano de uma companhia teatral em Paris, cujo chefe, judeu, está foragido dos nazistas. Na verdade, está escondido no porão do teatro e comanda a companhia em segredo através de sua esposa atriz. Requintada produção de Truffaut, com Deneuve divina e muito carinho pela arte dos palcos.
(França). Direção: François Truffaut. Roteiro: François Truffaut e Suzanne Schiffman, com diálogos também de Jean-Claude Grumberg. Elenco: Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Jean Poiret, Jean-Louis Richard.

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12 – COMO ELIMINAR SEU CHEFE (9 to 5)

Lily Tomlin, Dolly Parton e Jane Fonda formam o grande trio que se une para a vingança contra o chefe que abusa de diferentes maneiras delas e das demais funcionárias. Por baixo da eficiente comédia, está a representação das agruras enfrentadas pela mulher no mercado de trabalho.
(Estados Unidos). Direção: Colin Higgins. Roteiro: Colin Higgins e Patricia Resnick, baseado em argumento de Resnick. Elenco: Jane Fonda, Dolly Parton, Lily Tomlin, Dabney Coleman, Sterling Hayden, Marian Mercer.

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11 – KAGEMUSHA – A SOMBRA DO SAMURAI (Kagemusha)

O grande mestre Akira Kurosawa teve Coppola e George Lucas como produtores executivos para este épico suntuoso sobre um ladrão que é sósia do chefe de um clã e acaba sendo levado a assumir o posto com a morte do titular. E vai se confundindo com o papel, enquanto os eventos levam a uma gigantesca batalha, um evento real ocorrido em 1575.
(Japão/ Estados Unidos). Direção: Akira Kurosawa. Roteiro: Masato Ide e Akira Kurosawa. Elenco: Tatsuya Nakadai, Tsutomo Yamasaki, Ken’ichi Hagiwara.

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10 – SUPERMAN II – A AVENTURA CONTINUA (Superman II)

Começou a ser filmado junto com Superman – O Filme (1978), teve mudança de diretor, mudança de roteiro, de tom, ator que protestou e se recusou a voltar… Mais transtornos que os causados pelos três kryptonianos que chegam à Terra para atazanar a vida do Super-Homem e fazê-lo “se ajoelhar perante Zod”. Mas ninguém pensou nisso na época, na plateia: apenas curtiu um filme vibrante, mais para o escapismo que para o tom épico do primeiro filme. Em 2006, foi lançada uma versão que aproveitava as cenas cortadas e reduzia um pouco do humor excessivo: ficou ainda melhor.
(Estados Unidos/ Reino Unido/ Canadá). Direção: Richard Lester, Richard Donner (não creditado na edição de 1980). Roteiro: Mario Puzo, David Newman e Leslie Newman, com Tom Mankiewicz (não creditado), argumento de Puzo baseado em personagens de Jerry Siegel e Joe Shuster. Elenco: Christopher Reeve, Gene Hackman, Margot Kidder, Terence Stamp, Sarah Douglas, Susannah York (na edição de 1980), Jackie Cooper, Jack O’Halloran, Valerie Perrine, Ned Beatty, E.G. Marshall, Clifton James, Marc McClure, Marlon Brando (na edição de 2006).

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9 – FAMA (Fame)

As aspirações artísticas de alunos de uma escola de artes dramáticas de Nova York. A narrativa acompanha o período na escola da matrícula à formatura, como um painel ou uma crônica, sem um protagonista. Vários jovens carismáticos, ótimos momentos musicais (mesmo que não haja números musicais tradicionais). Entre os temas: dilemas artísticos, os problemas familiares, a relação com os professores, decisões equivocadas, medos, questões sociais. Rendeu uma série de TV que durou de 1982 a 1987 e teve alguns atores do filme repetindo seus papéis.
(Estados Unidos). Direção: Alan Parker. Roteiro: Christopher Gore. Elenco: Irene Cara, Barry Miller, Gene Anthony Ray, Lee Currieri, Paul McCrane, Maureen Teefy, Antonia Franceschi, Laura Dean, Gene Anthony Ray

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8 – PIXOTE A LEI DO MAIS FRACO

Hector Babenco aparece no começo do filme fazendo uma introdução sociológica sobre as comunidades pobres das periferias brasileiras. De quebra, apresenta seu ator protagonista, o pequeno Fernando Ramos da Silva, oriundo daquela comunidade. Como Pixote, ele se agiganta numa odisseia marginal comovente com diversos degraus, como uma passagem por um reformatório e a relação com uma prostituta (Marília Pêra, em grande desempenho). Visto hoje, é impossível adicionar ao filme a camada do trágico fim do ator, que participou de alguns assaltos, e acabou morto aos 19 anos por policiais (demitidos depois por fraude processual, nesse caso em particular).
(Brasil). Direção: Hector Babenco. Roteiro: Hector Babenco e Jorge Durán, baseado em livro de José Louzeiro. Elenco: Fernando Ramos da Silva, Gilberto Moura, Jorge Julião, Edilson Lino, Marília Pêra, Jardel Filho, Rubens de Falco, Elke Maravilha, Toni Tornado, Beatriz Segall, Ariclê Perez.

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7 – VESTIDA PARA MATAR (Dressed to Kill)

Um dos grandes exemplares de Brian de Palma em seu modelo homenagem-a-Hitchcock. Uma garota de programa testemunha um crime e começa a ser perseguida pela assassina misteriosa. A vítima é Angie Dickinson, cliente do psicanalista vivido por Michael Caine. Nancy Allen, linda demais, é a prostituta, em seu melhor momento no cinema. Os ecos de Psicose (1960) são muito fortes – tem até cena do chuveiro.
(Estados Unidos). Direção e roteiro: Brian De Palma. Elenco: Michael Caine, Nancy Allen, Keith Gordon, Angie Dickinson, Dennis Franz.

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6 – OS IRMÃOS CARA DE PAU (The Blues Brothers)

Personagens de um quadro do Saturday Night Live, a banda The Blues Brothers lançou um disco em 1978 e protagonizou seu próprio filme dois anos depois. Com John Landis no leme, o filme reuniu um dream team do blues em participações (Aretha Franklin, Ray Charles, James Brown, Cab Calloway, John Lee Hooker), numa história louquíssima em que a banda é reunida para a missão divina de salvar um orfanato, fugindo da polícia, valentões caipiras e neonazistas. Kathleen Freeman (histórica coadjuvante dos filmes de Jerry Lewis), a supermodelo Twiggy e até Steven Spielberg também fazem pontas.
(Estados Unidos). Direção: John Landis. Roteiro: John Belushi e Dan Aykroyd. Elenco: John Belushi, Dan Aykroyd, Cab Calloway, John Candy, James Brown, Carrie Fisher, Henry Gibson, Ray Charles, Aretha Franklin, Kathleen Freeman, John Lee Hooker, Pee-Wee Herman, Twiggy, Frank Oz, Steven Spielberg, Chaka Khan, Murphy Dunne, Tom Malone, Matt Murphy, Steve Cropper, Donald Dunn, Willie Hall, Lou Marini, Alan Rubin, Charles Napier, John Landis.

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5 – BYE BYE BRASIL

Uma odisseia bufa pelo interiorzão do Brasil, seguindo uma trupe de artistas pé-de-chinelo: a Caravana Rolidei e seus tipos pitorescos, liderados pelos personagens de José Wilker e Betty Faria. Um road movie mambembe, tão mambembe quanto o próprio país que ele desbrava.
(Brasil). Direção: Carlos Diegues. Roteiro: Carlos Diegues e Leopoldo Serran. Elenco: José Wilker, Betty Faria, Fábio Jr., Zaira Zambelli, Príncipe Nabor, Carlos Kroebber, Joffre Soares.

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4 – O ILUMINADO (The Shining)

Stephen King, autor do livro original, já reclamou da versão de Stanley Kubrick para o cinema. Problema dele. O filme é envolvente, tem um clima de desconforto realçado também pelo uso da steady-cam pelos corredores do hotel vazio (e, no fim, pelo labirinto). E cenas que extraem as vísceras de seus atores, principalmente Jack Nicholson e Shelley Duvall.
(Reino Unido). Direção: Stanley Kubrick. Roteiro: Stanley Kubrick e Diane Johnson, baseado em romance de Stephen King. Elenco: Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd, Scatman Crothers, Barry Nelson.

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3 – O IMPÉRIO CONTRA-ATACA ou STAR WARS – EPISÓDIO V: O IMPÉRIO CONTRA-ATACA (The Empire Strikes Back ou Star Wars Episode V: the Empire Strikes Back)

Qual terá sido a reação das primeiras plateias do segundo Guerra nas Estrelas à cena capital do filme, “Não, Luke. Eu sou seu pai”? O capítulo do meio da primeira trilogia é, praticamente um consenso, o melhor da série. Passa a maior parte do tempo dividido em duas subtramas: Han Solo, Leia e os andróides fugindo do Império; e Luke Skywalker encontrando o mestre Yoda para virar de vez um jedi. Muito bem equilibrado entre movimento e emoção.
(Estados Unidos). Direção: Irvin Kershner. Roteiro: Leigh Brackett e Lawrence Kasdan, com argumento de George Lucas. Elenco: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Alec Guinness, Billy Dee Williams, Anthony Daniels, David Prowse, Kenny Baker, Peter Mayhew, Jeremy Bulloch, Julian Glover, Treat Williams. Vozes: James Earl Jones, Frank Oz, Clyde Revill.

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2 – TOURO INDOMÁVEL (Raging Bull)

Diz que Scorsese foi assistir a uma luta de boxe e ficou apavorado: “Não tenho a menor ideia de como filmar esse negócio!”. Era a preparação para Touro Indomável, projeto para onde foi praticamente empurrado pelo velho amigo Robert De Niro. De alguma forma, ele encontrou seu jeito. Em preto-e-branco, com a câmera dentro do ringue, sangue e suor, a explosão de violência como válvula de escape de um homem patético e confuso que só consegue se expressar através justamente da violência.
(Estados Unidos). Direção: Martin Scorsese. Roteiro: Paul Schrader e Mardik Martin, com Joseph Carter e Peter Savage, baseado na autobiografia de Jake LaMotta. Elenco: Robert De Niro, Cathy Moriarty, Joe Pesci, Frank Vincent, Nicholas Colasanto, John Turturro, Martin Scorsese.

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1 – APERTEM OS CINTOS! O PILOTO SUMIU… (Airplane!)

“Precisamos pousar o avião. Esta mulher precisa ser levada a um hospital”. “Hospital?! Mas o que é??”. “É um prédio grande e branco com pacientes, mas isso não é importante agora”. Apertem os Cintos! é uma joia brilhante e aloprada, que pega um filme-catástrofe metido a sério de 1957 (Entre a Vida e a Morte) e o refilma como a mais louca das comédias até então. Os atores interpretam todos com a maior seriedade os diálogos mais absurdos e os trocadilhos mais infames. É uma esculhambação genial.
(Estados Unidos). Direção e roteiro: Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker, baseado em roteiro anterior de Hall Bartlett, John C. Champion e Arthur Hailey. Elenco: Robert Hays, Julie Hagerty, Leslie Nielsen, Lloyd Bridges, Peter Graves, Robert Stack, Kareem Abdul-Jabbar, Lorna Patterson.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

Pai, mãe e filho vivem em uma casa de arquitetura modernosa e impessoal. Mas o menino tem um tio, o Sr. Hulot, que vive em um outro bairro: pobre, bagunçado, mas muito mais humano. Hulot apresenta ao menino este outro lado da vida.

Meu Tio é a obra-prima de Tati, que usa Hulot para apresentar sua visão de mundo. Mais uma vez ele faz um filme puramente visual, praticamente sem nenhum diálogo importante e com um tema musical que se repete.

A arquitetura cheia de pose e nada prática dá pano para muito riso e debate. Assim como a necessidade de ostentar um status (a mulher liga a fonte sempre que chega uma visita – mas se é o irmão, Hulot, ela logo desliga).

Assim como o contraste com a área pobre, com uma vila labiríntica, ruínas de muros (em contraposição aos muros altos das casas ricas), e cachorros vadios que correm soltos pelas ruas (como as crianças).

Tati nunca perde de vista o foco em seus personagens. É algo com que o filme seguinte, Playtime, sofreria. Mas aqui o equilíbrio é perfeito.

Diário de Filmes 2020: 22
MEU TIO (Mon Oncle, 1958)
Direção: Jacques Tati. Elenco: Jacques Tati, Alain Bécourt, Jean-Pierre Zola, Adrienne Servantie.
⭐⭐⭐⭐⭐

Em DVD: na coleção Jacques Tati, do selo Obras-Primas do Cinema

A história surpreendente de um policial negro que se infiltrou na Ku Klux Klan nos anos 1970 é contada por Spike Lee usando elementos de thriller e de comédia. John David Washington (filho de Denzel) é o policial que, por telefone, entra para a organização. Consegue montar uma equipe, inclusive um coilega branco (Adam Driver) que ele prepara para ser seu físico in loco.

Lee não perde a viagem para fazer ligações diretas entre a trama e os tempos atuais dos Estados Unidos sob o governo Trump. No fim, imagens reais dos conflitos em Charlottesville, em 2017, quando Trump passou pano para os supremacistas brancos é um ponto de exclamação para mostrar que a KKK – apesar de feita de boba no filme – é uma ameaça sempre real.

Diário de Filmes 2020: 21
INFILTRADO NA KLAN (Spike Lee, 2018)
⭐⭐⭐⭐

Lolita, o livro, havia saído apenas sete anos antes e foi aquele escândalo que todo mundo sabe. O filme Sue Lyon tinha 14 anos quando o filme foi rodado e 16 quando lançado, interpretando a personagem que, no romance de Vladimir Nabokov, tinha 12. Mesmo com Kubrick produzindo de maneira independente na Inglaterra, o tema explosivo foi amenizando até onde deu. A relação entre Humbert Humbert (vivido por um bravo James Mason) e Lolita nunca é gráfica e basicamente quase sempre insinuada. Com personagens difíceis ou impossíveis de simpatizar, é narrado com elegância e perícia por Kubrick.

Diário de Filmes 2020: 20
LOLITA (Stanley Kubrick, 1962)
⭐⭐⭐⭐

Em 2002, o CGI estava em franca ascensão e dominaria o mercado de longas em breve. Mas Lilo & Stitch é um atestado da beleza da animação feita à mão. A combinação de ficção científica (um alien criado artificialmente para ser uma máquina de destruição) e inocência infantil (uma garotinha e sua irmã, orfãs, que estão na mira da assistência social) deu muito certo, fora o visual belíssimo para o qual os cenários foram pintados em aquarela (a primeira vez desde Dumbo, de 1941). O filme tem uma ótima narrativa dramática e de humor e mostra que perdemos muito com a postura da Disney de não lançar mais longas animados à mão.

Diário de Filmes 2020: 19
LILO & STITCH (Dean deBlois e Chris Sanders, 2002)
⭐⭐⭐⭐

As Férias do Sr. Hulot é o segundo longa de Jacques Tati e o primeiro com o personagem que ele interpretaria aí e em mais três filmes posteriores. Como ele também voltaria a fazer, não há bem uma história, mas uma situação estabelecida na qual ele desfila uma série de esquetes e personagens, observando com humor a relação entre as pessoas, convenções sociais e modismos.

Ancorado pelo gentil e desengonçado Hulot vai, como tanta gente, a um balneário. Não é um filme mudo, mas os diálogos são muito poucos e quase nenhum com alguma importância.

Mesmo a trilha é franciscana: consiste basicamente de um mesmo tema musical que se repete ocasionalmente. O humor é basicamente visual e, nisso, muito preciso.

Como a cena em que Hulot tenta pintar um bote à beira-mar e nunca acha a lata de tinta porque o mar a leva para o outro lado do barquinho. Ou sua luta para segurar as rédeas de um cavalo, que o faz aparecer e desaparecer de cena por trás de um casebre — uma aula de pantomima.

Diário de Filmes 2020: 17
AS FÉRIAS DO SR. HULOT (Les Vacances de Monsieur Hulot, 1953)
Direção: Jacques Tati. Elenco: Jacques Tati, Nathalie Pascaud, Micheline Rolla.
⭐⭐⭐⭐

Em DVD: na Coleção Jacques Tati, do selo Obras-Primas do Cinema.

Quanto tempo você passa olhando suas redes sociais? É uma das primeiras perguntas que O Dilema das Redes faz. E que o espectador pode ficar se fazendo após assistir ao documentário da Netflix.


O filme de Jeff Orlowski, que tem na carreira documentários sobre natureza, é simples e direto no formato, mas muito eficiente na comunicação de suas ideias. Diz coisas como “Se você não paga pelo produto, então o produto é você”. E “as redes sociais não são uma ferramenta que fica lá, parada, esperando que você a use. Elas têm seus próprios interesses”.

Na forma, é construído sobre entrevistas com ex-executivos e desenvolvedores de empresas tecnólogicas como Facebook, Instagram, Google, etc, que revelam as estratégias e sistemáticas para que as redes sociais atinjam seus interesses.

São alertas já dados em outras ocasiões, mas reunidos e explicados didaticamente (com uma ficçãozinha com os efeitos das redes em uma família, e uma representação humana de como as redes nos manipulam, como se fosse Divertida Mente).

Basicamente, as redes sociais querem grana. Para ter grana, é preciso manter o usuário o máximo de tempo possível ligado, Para isso, foram desenvolvidos algoritmos que criam padrões cada vez melhores sobre cada um de nós. Assim, nos é oferecido sempre só o que nos interessa.

Com isso surgem o vício, a depressão por não se adequar a padrões ou conseguir curtidas suficientes, e as bolhas. E se alguém já tem propensão a teorias da conspiração, começa a receber sugestões de terraplanismo, grupos antivacina, negacionismos do aquecimento global e da covid-19, maluquices de extrema direita, governos autoritários escorados em fake news. Num pulo, a democracia no mundo está ameaçada.

O Brasil aparece, claro, com nosso trágico exemplo atualmente no poder.
Os profissionais não escondem seus medos, arrependimentos, a surpresa quando se descobriram viciados nos apps que ajudaram a criar, e da declaração de que não deixam seus filhos usá-los.

A gente já podia desconfiar que tinha coisa errada aí (ou aqui, dependendo de onde você está lendo isso), mas esse alerta nunca teve tal alcance. Expor o tema e contá-lo de maneira a atingir todo mundo é a grande qualidade do filme, que não se preocupa em grande arroubos artísticos. O negócio dele é a comunicação.

Quanto às redes sociais, o que fazer a partir de agora é o grande dilema. O filme coloca a humanidade numa encruzilhada muito difícil.

Diário de Filmes 2020: 102
O DILEMA DAS REDES (The Social Dilemma, 2020)
Direção: Jeff Orlowski.
⭐⭐⭐⭐

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