O novo filme de Woody Allen, Roda-Gigante, é um drama com elementos de filme noir que se passa em Coney Island, nos anos 1950. Kate Winslet é a esposa do operador de carrossel vivido por Jim Belushi. Ela se apaixona pelo salva-vidas da praia, papel de Justin Timberlake. E aparece na vida de todos a filha de seu marido, vivida por Juno Temple, perseguida por gangsters. É a primeira vez que Kate é dirigida por Woody e a segunda colaboração do diretor com o diretor de fotografia Vittorio Storaro. Estreia no Brasil: 28 de dezembro.

Anúncios

Falta um mês para a segunda temporada de The Crown ser disponibilizada para Netflix. O trailer mostra os anos 1950 e os conflitos constantes de Elizabeth II e o marido, e as questão de anacronia da monarquia britânica. Estreia: 8 de dezembro.

 

Estreias 10.26

Atenção para as estreias do cinema no circuito paraibano nesta quinta, 26 de outubro. É uma semana movimentada, com nove estreias e uma reestreia.

O blockbuster da semana é o elogiado Thor – Ragnarok, o terceiro solo do deus do trovão. Cris Hemsworth tem a companhia de Mark Ruffalo como Hulk, Tom Hiddleston como Loki e de Cate Blanchett, a grande vilã. Estreia quinta em JP (Cinépolis Manaíra, Centerplex MAG, Cinesercla Tambiá, Cinépolis Mangabeira), CG (Cinesercla Partage) e Patos (Cine Guedes).

Premiado em Berlim, Uma Mulher Fantástica lidera as estreias do Cine Banguê, em João Pessoa, sábado. Também chegam por lá o elogiado As Duas Irenes, a partir de segunda, e o documentário Gaga – O Amor pela Dança, a partir de domingo. E, a partir de domingo, a reestreia de Como Nossos Pais, da Laís Bodanzky, que já esteve em cartaz, mas por pouco tempo.

Em tempo: neste sábado, a partir das 15h, o Banguê exibe uma mostra comemorando o Dia da Animação. Em tempo 2: a reestreia do antológico  Cidade dos Sonhos no Banguê já tem data: é no dia 2.

O Centerplex MAG exibe sozinho três estreias: Manifestotour de force experimental em que Cate Blanchett interpreta 13 personagens (e ela, lembrando, ainda está também em Thor – Ragnarok); O Formidável, sobre Jean-Luc Godard e do diretor de O Artista, Michel Hazanavicius (que passa apenas sábado e domingo); e A Menina Indigo, do diretor de Nosso Lar.

O criticado Pelé – O Nascimento de uma Lenda, produção americana sobre a juventude do rei do futebol, entra só no Cinépolis Manaíra. E ainda tem a animação europeia Missão Cegonha, em JP (Cinépolis Manaíra, Cinesercla Tambiá e Cinépolis Mangabeira).

 


TRAILERS:

  • Thor – Ragnarok:

  • Uma Mulher Fantástica:

  • As Duas Irenes:

  • Manifesto:

  • O Formidável:

  • Gaga – O Amor pela Dança:

  • A Menina Indigo:

  • Pelé – O Nascimento de uma Lenda:

  • Missão Cegonha:

  • Como Nossos Pais:

Daniel Day-Lewis + Paul Thomas Anderson: é só o que você precisa saber. Aparentemente não há data de estreia no Brasil ainda (nem título em português). Nos EUA, chega aos cinemas no Natal.

 

Paolla Oliveira estrela uma comédia romântica portuguesa: Alguém como Eu. No filme, ela é uma brasileira (carioca, faz questão de salientar o trailer) que vai passar uma temporada em Portugal, se apaixona, mas deseja que o namorado (Ricardo Pereira) a entenda melhor. Aí, ele começa a se comportar como uma mulher e ela passa a enxergá-lo assim literalmente (na pele de Sara Prata, atriz de novelas da TV portuguesa). A direção é de Leonel Vieira, que comandou algumas comédias populares por lá (como O Pátio das Cantigas, 2015). Aparentemente ainda não foi divulgada data de estreia do lado de cá do Atlântico, mas vai acontecer: a co-produção é da brasileira Gullane.

01-cyd-charisse

1 – CYD CHARISSE, por Cantando na Chuva

Posteriormente em Musas retroativas: 2ª em 1953, por A Roda da Fortuna; 6ª em 1954, por A Lenda dos Beijos Perdidos; 5ª em 1955, por Dançando nas Nuvens; 20ª em 1956, por Viva Las Vegas; 1ª em 1957, por Meias de Seda; 5ª em 1958, por A Bela do Bas-Fond.

Cyd Charisse não diz uma palavra em Cantando na Chuva. Vinha de papéis pequenos e muitas vezes com aparições apenas como dançarina anônima. Aqui, é o sonho de Gene Kelly na fantasia “Broadway melody ballet”, praticamente um curta-metragem dentro do filme, todo contado em canto e dança. Cyd é a mulher fatal de pernas descomunais que desperta a paixão do dançarino iniciante e que vai rencontrá-lo quando ele for famoso. Apesar de Debbie Reynolds e Jean Hagen, o impacto de Cyd na tela é difícil de esquecer ou superar. Não à toa, virou estrela da Metro a partir daqui, passando a estrelar alguns grandes musicais. O top 5 tem outras musas no começo do estrelato: Grace Kelly, a esposa (que não aceita violência) do xerife em Matar ou Morrere Marilyn Monroe em cinco (!) filmes, incluindo a secretária já com seu tipo de inocente sedutora em A Invenção da Mocidade. E, mais abaixo, Brigitte Bardot e Liz Taylor. Única aparição: Jean Hagen, Zsa Zsa Gabor, Debbie Reynolds, Claire Bloom. Brasileiras na lista: nenhuma.

02-grace-kelly

2 – GRACE KELLY, por Matar ou Morrer

Posteriormente em Musas retroativas: 8ª em 1953, por Mogambo; 1ª em 1954, por Janela Indiscreta, por Disque M para Matar, por Amar É Sofrer e por Tentação Verde; 2ª em 1955, por Ladrão de Casaca; 2ª em 1956, por Alta Sociedade e por O Cisne.

assim-estava-escrito-17

3 – LANA TURNER, por Assim Estava Escrito

Posteriormente em Musas retroativas: 14ª em 1954, por Atraiçoado; 8ª em 1955, por O Filho Pródigo e por Mares Violentos; 18ª em 1957, por A Caldeira do Diabo; 15ª em 1959, por Imitação da Vida.

04-marilyn-monroe-a 04-marilyn-monroe-b EXTRAIT DU FILM "LE DEMON S'EVEILLE LA NUIT" 04-marilyn-monroe-d 04-marilyn-monroe-e

4 – MARILYN MONROE, por O Inventor da Mocidade, por Almas Desesperadas, por Só a Mulher Peca, por Travessuras de Casados e por Páginas da Vida

Posteriormente em Musas retroativas: 3ª em 1953, por Os Homens Preferem as Louras, por Torrentes de Paixão e por Como Agarrar um Milionário; 3ª em 1954, por O Mundo da Fantasia e por O Rio das Almas Perdidas; 1ª em 1955, por O Pecado Mora ao Lado; 4ª em 1956, por Nunca Fui Santa; 3ª em 1957, por O Príncipe e a Corista; 2ª em 1959, por Quanto Mais Quente Melhor; 11ª em 1960, por Adorável Pecadora; 2ª em 1961, por Os Desajustados; 1ª em 1962, por Something’s Got to Give.

05-maureen-ohara

5 – MAUREEN O’HARA, por Depois do Vendaval

Posteriormente em Musas retroativas: 16ª em 1955, por A Paixão de uma Vida.

Gina Lollobrigida in Christian-Jaque'sÊFANFAN LA TULIPEÊ(1952).

6 – GINA LOLLOBRIGIDA, por Fanfan la Tulipe

Posteriormente em Musas retroativas: 8ª em 1953, por Pão, Amor e Fantasia e por O Diabo Riu por Último; 8ª em 1959, por Salomão e a Rainha de Sabá; 9ª em 1961, por Quando Setembro Vier; 14ª em 1971, por A Quadrilha da Fronteira.

Ava Gardner

7 – AVA GARDNER, por As Neves do Kilimanjaro

Posteriormente em Musas retroativas: 6ª em 1953, por Mogambo; 10ª em 1954, por A Condessa Descalça; 16ª em 1957, por E Agora Brilha o Sol; 11ª em 1958, por A Maja Desnuda.

Eleanor Parker

8 – ELEANOR PARKER, por Scaramouche

Posteriormente em Musas retroativas: 20ª em 1954, por A Selva Nua e por O Vale dos Reis; 15ª em 1956, por O Homem do Braço de Ouro.

Jean Hagen

9 – JEAN HAGEN, por Cantando na Chuva

Zsa Zsa Gabor

10 – ZSA ZSA GABOR, por Moulin Rouge

Ingrid Bergman

11 – INGRID BERGMAN, por Europa 51

Posteriormente em Musas retroativas: 7ª em 1954, por Romance na Itália; 10ª em 1956, por Anastácia, a Princesa Esquecida; 17ª em 1958, por Indiscreta e por A Morada da Sexta Felicidade; 15ª em 1969, por Flor de Cacto.

Debbie Reynolds

12 – DEBBIE REYNOLDS, por Cantando na Chuva

Rita Hayworth

13 – RITA HAYWORTH, por Uma Viúva em Trinidad

Posteriormente em Musas retroativas: 10ª em 1953, por Salomé e por A Mulher de Satã.

Jean Peters

14 – JEAN PETERS, por Viva Zapata

Posteriormente em Musas retroativas: 14ª em 1953, por Anjo do Mal.

Brigitte Bardot In 'Girl In The Bikini'

15 – BRIGITTE BARDOT, por Manina

Posteriormente em Musas retroativas: 1ª em 1956, por E Deus Criou a Mulher; 3ª em 1958, por Amar É Minha Profissão e por Vingança de Mulher; 5ª em 1960, por A Verdade; 2ª em 1963, por O Desprezo; 6ª em 1965, por Viva Maria!; 11ª em 1968, por Shalako.

Gloria Grahame Gloria Grahame - O Maior Espetáculo da Terra

16 – GLORIA GRAHAME, por Assim Estava Escrito e por O Maior Espetáculo da Terra

Posteriormente em Musas retroativas: 15ª em 1953, por Os Corruptos.

Janet Leigh

17 – JANET LEIGH, por Scaramouche

Posteriormente em Musas retroativas: 11ª em 1953, por O Preço de um Homem, por Que Delícia o Amor e por Houdini, o Homem Miraculoso; 6ª em 1958, por A Marca da Maldade; 11ª em 1960, por Psicose.

Elizabeth Taylor

18 – ELIZABETH TAYLOR, por Ivanhoé, o Vingador do Rei

Posteriormente em Musas retroativas: 4ª em 1954, por No Caminho dos Elefantes e por A Última Vez que Vi Paris; 3ª em 1956, por Assim Caminha a Humanidade; 1ª em 1958, por Gata em Teto de Zinco Quente; 1ª em 1959, por De Repente, no Último Verão; 2ª em 1960, por Disque Butterfield 8; 3ª em 1963, por Cleópatra; 15ª em 1965, por Adeus às Ilusões; 18ª em 1970, por Jogo de Paixões.

Marlene Dietrich

19 – MARLENE DIETRICH, por O Diabo Feito Mulher

Posteriormente em Musas retroativas: 17ª em 1957, por Testemunha de Acusação.

Claire Bloom

20 – CLAIRE BLOOM, por Luzes da Ribalta


LEIA MAIS:

Musas de 1951 <<
>> Musas de 1953

Lista elaborada a partir dos filmes exibidos comercialmente nos cinemas de JP em 2016.

Esquadrao Suicida - 12

_L3A3072.dng

Margot Robbie - A Grande Aposta 2

1 – MARGOT ROBBIE, por Esquadrão Suicida, por A Lenda de Tarzan e por A Grande Aposta

Anteriormente em Musas/ cinema em JP6ª em 2014, por O Lobo de Wall Street; 8ª em 2015, por Golpe Duplo.

Sempre há a possibilidade de se sobreviver a um filme muito ruim. Às vezes um filme ruim pode até ressaltar, por comparação com o entorno, alguma particularidade interessante que tenha. Isso aconteceu com Margot Robbie, que chegou ao topo das musas de 2016 a bordo do intragável Esquadrão Suicida – e com a ajuda de outros dois filmes, ok, mas seu destaque foi mesmo a Arlequina, delícia de vilã que tinha mais personalidade que todos os seus colegas somados e multiplicados por si mesmos. No segundo lugar, um nome novo: Haley Bennet, de quem lembrávamos como a cantorinha pop-rebolativa de Letra & Música. Ela tem um papel bem sexy em A Garota no Trem e outro mais recatado, bem diferente, em Sete Homens e um Destino. O pódio fecha com a gigante Cate Blanchett. Scarlett Johansson empata o recorde de Jennifer Lawrence com cinco aparições consecutivas na lista (e esta é sua nona aparição no total de 12 listas). Primeira aparição: Haley Bennet; Anya Taylor-Joy; Alison Sudol; Morena Baccarin; Madalina Diana Ghenea; Alessandra Negrini; Isabelle Huppert; Sônia Braga; Zoe Saldana; Katherine Waterston; Gal Gadot. Brasileiras na lista: Alessandra Negrini, Sônia Braga.

Girl on a Train, The Sete Homens e um Destino - 2016 - 12

2 – HALEY BENNETT, por A Garota no Trem e por Sete Homens e um Destino

Carol - 02

3 – CATE BLANCHETT, por Carol

Anteriormente em Musas/ cinema em JP6ª em 2007, por Notas sobre um Escândalo.

Juventude - 2015 - 13

4 – RACHEL WEISZ, por A Juventude

Anteriormente em Musas/ cinema em JP: 3ª em 2005, por O Jardineiro Fiel; 18ª em 2006, por Fonte da Vida; 2ª em 2008, por Um Beijo Roubado e por Três Vezes Amor; 18ª em 2012, por 360 e por O Legado Bourne.

Bruxa - 02

5 – ANYA TAYLOR-JOY, por A Bruxa

Animais Fantasticos e Onde Habitam - 11

6 – ALISON SUDOL, por Animais Fantásticos e Onde Habitam

null

7 – SCARLETT JOHANSSON, por Capitão América – Guerra Civil

Anteriormente em Musas/ cinema em JP: 1ª em 2006, por Ponto Final – Match Point, por O Grande Truque e por Dália Negra; 2ª em 2007, por Scoop – O Grande Furo; 7ª em 2008, por Vicky Cristina Barcelona; 8ª em 2010, por Homem de Ferro 2; 1ª em 2012, por Os Vingadores – The Avengers; 12ª em 2013, por Hitchcock e por Como Não Perder Essa Mulher; 7ª em 2014, por Capitão América 2 – O Soldado Invernal e por Lucy; 15ª em 2015, por Vingadores – Era de Ultron.

Chegada - 08

8 – AMY ADAMS, por A Chegada

Anteriormente em Musas retroativas/ cinema em JP: 10ª em 2009, por Uma Noite no Museu 2 e por Dúvida; 17ª em 2011, por O Vencedor e por Os Muppets; 5ª em 2013, por O Homem de Aço e por O Mestre; 2ª em 2014, por Trapaça; 13ª em 2015, por Grandes Olhos.

Cacador e a Rainha de Gelo - 01

9 – CHARLIZE THERON, por O Caçador e a Rainha de Gelo

Anteriormente em Musas/ cinema em JP12ª em 2010, por A Estrada; 17ª em 2012, por Jovens Adultos, por Branca de Neve e o Caçador e por Prometheus; 9ª em 2015, por Mad Max – Estrada da Fúria.

Deadpool - 05

10 – MORENA BACCARIN, por Deadpool

Juventude - 2015 - 18

11 – MADALINA DIANA GHENEA, por A Juventude

Abismo Prateado - 01

12 – ALESSANDRA NEGRINI, por O Abismo Prateado

Elle - 05

13 – ISABELLE HUPPERT, por Elle

Cacador e a Rainha de Gelo - 03

14 – JESSICA CHASTAIN, por O Caçador e a Rainha do Gelo

Anteriormente em Musas/ Cinema em JP: 14ª em 2011, por A Árvore da Vida; 7ª em 2012, por Os Infratores e por Histórias Cruzadas; 16ª em 2014, por Interestelar.

wasp2015_day_09-0159.CR2

15 – KRISTEN STEWART, por Café Society

Anteriormente em Musas/ Cinema em JP: 10ª em 2012, por Na Estrada, por Branca de Neve e o Caçador e por Amanhecer – Parte 2.

Aquarius - 01

16 – SONIA BRAGA, por Aquarius

MISS PEREGRINE'S HOME FOR PECULIAR CHILDREN

17 – EVA GREEN, por O Lar das Crianças Peculiares

Anteriormente em Musas/ cinema em JP: 8ª em 2006, por 007 – Cassino Royale; 10ª em 2014, por Sin City – A Dama Fatal e por 300 – A Ascensão do Império.

STAR TREK BEYOND

18 – ZOE SALDANA, por Star Trek – Sem Fronteiras

Animais Fantasticos e Onde Habitam - 13

19 – KATHERINE WATERSTON, por Animais Fantásticos e Onde Habitam

Batman vs Superman - 09

20 – GAL GADOT, por Batman Vs. Superman – A Origem da Justiça

 


LEIA MAIS:

<< Cinema em JP/ Musas de 2015

 


MAIS RETROSPECTIVA 2016:

No do Diabo - 02a

Assombrados pela História: Alexandre Souza e Clébia Souza em “O Nó do Diabo”

O NÓ DO DIABO

Horrores do Brasil real

Fazer um filme de horror é um projeto sempre arriscado: a possibilidade de se cair no ridículo é grande. Por esse teste, o longa paraibano O Nó do Diabo passa bem: é um filme competente em seu passeio por diversos estilos do gênero, sem medo do mergulho. E em um festival onde Daniella Thomas recebeu muitas críticas por sua narrativa da escravatura em Vazante, o longa paraibano também passou no teste: sua abordagem onde os negros são os protagonistas em cinco contos que voltam no tempo do século XXI ao XIX, agradou também pelo viés adotado.

O filme é a transposição para o cinema de uma série criada por Ramon Porto Mota para a TV Brasil e que permanece inédita. Os cinco episódios são enfileirados contando diferentes histórias interligadas por se passarem sempre no mesmo local, uma fazenda, e por um mesmo ator, Fernando Teixeira. Ele interpreta sempre o dono da propriedade, nas diferentes épocas (um simbolismo de que essa elite é, no fundo, sempre a mesma através dos anos).

As histórias combinam com bastante eficiência questões de racismo e opressões de classe, terrores bem reais da realidade brasileira, com o terror sobrenatural consagrado no cinema. Na primeira (dirigida por Mota; escrita por ele, Jhésus Tribuzi e Gabriel Martins), Tavinho Teixeira é um capataz que precisa defender uma fazenda vazia de posseiros. Mas a atmosfera da casa o vai enlouquecendo.

Na segunda (de Martins; escrita por ele, Mota e Anacã Agra), em 1987, um casal negro (Clébia Souza e Alexandre Sena) consegue emprego na fazenda decadente, mas também é afetado pela atmosfera sombria do lugar e da família da casa. A terceira (que tem Ian Abé como diretor e ele, Tribuzi, Martins e Mota como roteiristas), em 1921, mostra duas irmãs negras (Miuly Felipe da Silva e Yurie Felipe da Silva) ainda tratadas como escravas – uma deseja se rebelar, a outra tem medo, mas demonstra poderes paranormais.

O quarto episódio (de Jhésus Tribuzi; roteiro dele, Agra e Martins) acompanha um escravo (Edilson Silva) que, em 1871, foge após vingar a morte da esposa. Perseguido, ele tenta escapar pelas pedras, mas é atormentado por lembranças e demônios interiores. O episódio final volta a ser dirigido por Mota, com roteiro dele, Agra e Tribuzi, tem participação de Zezé Motta e se passa em 1818. Aqui a fazenda é o refúgio de escravos fugidos que tentam se proteger dos perseguidores: capangas do dono da fazenda, retratados quase como uma horda de zumbis. O confronto revela também a origem da maldição de assola a casa, intimamente relacionada à opressão vivida pelos negros nesse período e nas décadas que se se seguem.

Os três primeiros episódios mantêm uma pegada parecida e mais direta no gênero do terror. No quarto, o ritmo cai. O episódio de Tribuzi não é ruim por si só, mas é prejudicado por sua posição na história. Usando da repetição de diálogos e cenas, se torna cansativo após já mais de uma hora de projeção. Ainda tem um “falso final”: quando o público imagina que já está no quinto episódio, descobre que ainda não saiu da quarta parte.

Isso acaba dificultando também a recuperação no quinto episódio. O criador da série contou que não houve edições nos episódios: eles foram colados um no outro da maneira como editados originalmente, sendo trabalhadas apenas as transições entre eles. No fim, o filme acaba se revelando longo e uma edição para reduzir a duração dos episódios não fosse uma má ideia.

Mas o que se sobressai, ainda, é a ousadia da proposta, o ótimo trabalho do elenco, o desenho de som inteligente e o comentário incisivo sobre os horrores nossos que continuam por aí.

O Nó do Diabo. Brasil, 2017. Direção: Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé e Jhésus Tribuzi. Roteiro: Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé, Jhésus Tribuzi e Anacã Agra. Elenco: Fernando Teixeira, Tavinho Teixeira, Zezé Motta, Isabél Zuaa, Clebia Souza, Alexandre Sena, Cíntia Lima, Edilson Silva, Yurie Felipe da Silva, Miuly Felipe da Silva, Everaldo Pontes, Escurinho, Soia Lira. Exibido no Festival de Brasília 2017, ainda inédito nos cinemas.

Estrelas Alem do Tempo - 06

Um ambiente veladamente (mas não muito) hostil: Taraji P. Henson em “Estrelas Além do Tempo”

ESTRELAS ALÉM DO TEMPO
Sem borda - 04 estrelas

A inteligência não tem cor 

É de se pensar que a Nasa, a agência espacial americana, é e sempre foi um lugar à frente de seu tempo. Onde o futuro chega primeiro. Mas Estrelas Além do Tempo (2016), indicado ao Oscar de melhor filme, mostra que, nos anos 1950 e 1960, em certos aspectos, a agência espacial americana era um ambiente tão retrógrado quanto os piores locais dos Estados Unidos na época. O filme é centrado em matemáticas negras que trabalham na agência: em um prédio separado, usando banheiros e bebedores separados dos brancos.

Taraji P. Henson, Janelle Monäe e Octavia Spencer interpretam as três personagens reais em que o filme se concentra: respectivamente Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, que são algumas histórias contadas no livro-reportagem homônimo de Margot Lee Shetterly.

São as “hidden figures” do título original, bem melhor que o brasileiro. Johnson é requisitada para ajudar nos cálculos para levar um americano ao espaço pela primeira vez (e trazê-lo de lá em segurança). De repente, é a única pessoa negra em um ambiente veladamente (mas nem tanto) hostil. Vaughan luta para ter a chance de estudar para se tornar engenheira, embora as leis do estado não permitam que ela almeje ir tão longe. E Jackson, chefe da sessão, lida com a ameaça de demissão de todas as matemáticas pela informática, que já está batendo na porta.

Há filmes que se destacam por seus voos narrativos. Não é caso aqui. O diretor Theodore Melfi prefere não ousar, e dar todo o destaque à história que conta, importante e interessante. O filme segue de maneira bastante tradicional, deixando para o elenco e as personagens que interpretam a responsabilidade de elevar o filme. Também seus coadjuvantes dão conta (entre eles, Maheshala Ali. Que ano desse ator! Fez também Moonlight, pelo qual ganhou o Oscar, e ainda foi o vilão da série Luke Cage).

Mas o destaque mesmo é o trio central, que leva a trama com brilho. Se ainda é necessário mostrar, está aí mais uma prova de que a inteligência e o talento não têm cor ou sexo.

Estrelas Além do Tempo. Hidden Figures. EUA, 2016. Direção: Theodore Melfi. Elenco: Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe, Kevin Costner, Kirsten Dunst, Jim Parsons, Mahershala Ali.

Pola Negri

1 de agosto, há 30 anos: Morre, em 1987, aos 90 anos, a atriz russa Pola Negri. Nascida em uma região que hoje pertence à Polônia, ela foi uma sedutora estrela do cinema mudo. Começou a carreira no balé, mas, por causa de uma doença, entrou na escola de artes dramáticas de Varsóvia. Virou estrela dos palcos, mas, com a I Guerra, passou para o cinema. Já em Berlim, trabalhou com o diretor Ernst Lubitsch, em filmes como Madame DuBarry (1919). Em 1922, os dois se transferiram para Hollywood. Sua carreira em filmes como Paraíso Proibido (1924) e Hotel Imperial (1927) competiu com sua vida pessoal, ao namorar Charles Chaplin e Rodolfo Valentino. A carreira decaiu à medida em que a rigidez conservadora começou a imperar no cinema americano e a chegada do som evidenciou seu sotaque polonês. Seu último filme é de 1964.

Buffy a Caca-Vampiros - 01

31 de julho, há 25 anos: Estreia, em 1992, o filme Buffy, a Caça-Vampiros. Estrelado por Kristy Swanson, o filme deu origem, cinco anos depois, a uma bem-sucedida série de TV homônima, que teve sete temporadas e foi estrelada por Sarah Michelle Gellar. Joss Whedon, roteirista e depois criador da série, não gostou do resultado no cinema e não assumiu o filme como canônico quando a história foi para a TV.

Bergman e Antonioni

30 de julho, há 10 anos: Morrem no mesmo dia, em 2007, os cineastas Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni. Ambos são considerados entre os mais importantes diretores da sétima arte, com obras extremamente pessoais. O sueco Bergman discutiu a dor humana, a existência de Deus, a opressão religiosa, a arte em filmes como O Sétimo Selo (1957), Morangos Silvestres (1957), Persona (1966), Gritos e Sussurros (1972), Sonata de Outono (1978) e Fanny & Alexander (1982). O italiano Antonioni ficou conhecido como o cineastas da incomunicabilidade, por obras como A Aventura (1960), A Noite (1961), O Eclipse (1962), Blow Up – Depois Daquele Beijo (1966) e Profissão: Repórter (1975).

Reflections_Supremes

29 de julho, há 50 anos: É lançado, em 1967, o single Reflections, o primeiro a trazer o nome Diana Ross & The Supremes, novo nome da banda The Supremes, ressaltando o protagonismo de Diana. É o último single do trio a ter a voz de Florence Ballard, que o gravou antes de ser demitida do grupo, no dia 1º. Nas apresentações ao vivo que viriam a seguir, Cindy Birdsong já estaria efetivada como integrante do trio feminino da Motown.

O começo do filme francês Intocáveis (2011) mostra a polícia abordando um carrão em alta velocidade. Um negro dirige. Ele tenta se justificar: ele está levando ao hospital o amigo branco ao lado, um tetraplégico que está tendo um ataque. A polícia se redime e presta ajuda: se propõe a escoltar a dupla. Aí, de novo dentro do carro…

O passageiro é realmente tetraplégico, mas fingiu o ataque para despistar a polícia. O dramalhão vira comédia, agora sabemos o que esperar e os créditos de abertura aparecem sobre a escolta, na maior farra, com os dois personagens ouvindo alto e cantando “September”, clássico dos anos 1970 do Earth, Wind and Fire.

A tela dividida dá um charme gráfico todo especial e ainda mais ritmo a essa abertura que já é uma assinatura do filme. E ainda há os carismas de François Cluzet e Omar Sy.

<< Anterior: Um Corpo que Cai (1958)

Marcel Duchamp

28 de julho, há 130 anos: Nasce, em 1887, o pintor e escultor francês Marcel Duchamp. Após começar a carreira artística pela pintura, ele passa para a escultura, passando pelo pós-impressionismo, o cubismo e o dadaísmo. Marcaria a história com o conceito de “readymade”: levar um objeto do cotidiano para o ambiente da arte, inaugurando e pondo em questão toda uma nova visão sobre o que é a arte. Começou por colocar uma roda de bicicleta em seu estúdio, em 1913. Mas a obra em questão foi “A fonte”, um urinol enviado sem qualquer alteração a um concurso em 1917. Foi rejeitado, mas a provocação gera debate até hoje: foi eleita, em 2004, a mais influente obra de arte do século XX por um corpo de 500 artistas e historiadores.

10 000 Maniacs

27 de julho, há 30 anos: É lançado, em 1987, o disco In My Tribe, da banda americana 10.000 Maniacs. É o primeiro álbum de grande sucesso do grupo formado em 1981 e o disco em que buscaram um acento mais pop. Ainda com a vocalista original e compositora Natalie Merchant, que ficou no grupo até 1993, o álbum tem músicas que marcaram a história da banda, como “What’s the matter here?” e “Like the weather”. Está na lista de 100 melhores discos dos anos 1980, da revista Rolling Stone.

jason-statham-7a

26 de julho, há 50 anos: Nasce, em 1967, o ator inglês Jason Statham. Um dos principais astros de filmes de ação no mundo atualmente, ele teve uma parceria de sucesso com o diretor Guy Ritchie, em filmes como Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998). Estrelou a série Carga Explosiva (2002/ 05/ 08), o ótimo Efeito Dominó (2008) e participa das franquias Os Mercenários (2010/ 12/ 14) e Velozes e Furiosos (2013/ 15/ 17).

Castelo Vogelod - 01

Um crime volta à baila: Arnold Kroff e Olga Tschechowa em ‘O Castelo Vogelöd’

O CASTELO VOGELÖD
Estrelas-03 e meia juntas-site

O alemão F.W. Murnau enfileirou filmes maravilhosos (Nosferatu, 1922; A Última Gargalhada, 1925; Fausto, 1926; Aurora, 1927). O Castelo Vogelöd é de um pouco antes dessa fase. É um filme que parece se interessar menos pela criatividade visual, que veríamos nos filmes seguintes, e mais por sua trama rocambolesca.

É uma história de mistério que se passa numa mansão no campo, onde ricaços reúnem-se para uma caçada. Mas aparece uma visita inconveniente: um conde que é suspeito de matar o irmão. É ainda mais inconveniente porque os anfitriões aguardam a chegada da viúva, que, claro, não gosta nada de estar no mesmo lugar que o conde.

Mas ela é convencida a ficar porque também está para chegar um parente que é padre e com quem ela precisa desabafar. A partir da chegada do religioso, o clima de mistério se estabelece: sobre o passado, com relação ao que realmente aconteceu, e sobre o presente, porque um desaparecimento movimenta a trama. Um pesadelo responde pelo elemento fantástico que surge no filme.

Aos olhos de hoje, milhares e milhares de filmes depois, o mistério é facilmente desvendável e certas motivações parecem inocentes. É difícil imaginar o quanto uma ou outra reviravolta impactou a plateia da época. A restauração da coleção Expressionismo Alemão, que a Obras-Primas do Cinema lançou em DVD, impressiona, mas é verdade também que os filmes que Murnau dirigiu depois se mantiveram bem mais impactantes (um deles, Fausto, também está nesta coleção).

O Castelo Vogelöd. Schloss Vogelöd. Alemanha, 1921. Direção: F.W. Murnau. Roteiro: Carl Mayer, baseado em romance de Rudolf Stratz. Elenco: Lothar Mehrnet, Olga Tschechowa, Paul Bildt, Arnold Korff. 

Matt LebLanc

25 de julho, há 50 anos: Nasce, em 1967, o ator e produtor americano Matt LeBlanc. Para sempre conhecido por interpretar o conquistador bobalhão Joey Tribbiani no seriado Friends (1994-2004), LeBlanc não obteve o mesmo sucesso ao levar o personagem para uma série própria, Joey (2004-2006). Depois de cinco anos sem atuar, voltou bem ao interpretar a si mesmo na série Episodes, que terá sua quinta temporada e pelo qual ganhou o Globo de Ouro de ator em série de comédia ou musical, em 2012. Foi indicado cinco vezes ao Globo de Ouro (duas por Friends, um por Joey e duas por Episodes) e sete vezes ao Emmy (três por Friends, quatro por Episodes).

La Bamba-02

24 de julho, há 30 anos: Estreia, em 1987, o filme La Bamba, dirigido pelo americano Luis Valdez. O filme é uma cinebiografia do astro adolescente do rock Ritchie Valens, de carreira meteórica. Em sete meses de carreira emplacou três grandes hits: “La bamba”, “Come on, let’s go” e “Donna”, mas morreu ainda aos 17 anos em um acidente de avião, com Buddy Holly e The Big Bopper, tragédia que ficou conhecida como “o dia em que a música morreu”. No filme, Valens é interpretado por Lou Diamond Phillips.

Sigam-me os bons (no Twitter)

novembro 2017
D S T Q Q S S
« out    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

Cenas da Vida

Páginas

Estatísticas

  • 1,265,104 hits