Duas Garotas Romanticas - 01

Cores e música: Catherine Deneuve e Fraçoise Dorléac

DUAS GAROTAS ROMÂNTICAS
Sem borda - 04 estrelas

Bem mais do que em Os Guarda-Chuvas do Amor (1964), fica evidente em Duas Garotas Românticas (1967) o amor que o cineasta Jacques Demy tinha pelos musicais de Hollywood. A começar pelo formato, que troca os diálogos 100% cantados do filme anterior pela tradicional alternância entre diálogos e canções. Passa pela presença no elenco de grandes nomes do gênero nos EUA: George Chakiris e, principalmente, Gene Kelly. E se consagra pelo uso exuberante e apaixonado da dança, do que Chakiris foi craque e Kelly, um gênio.

Mas eles não são os atores principais, são um suporte de luxo. O protagonismo é todo das irmãs Catherine Deneuve e Françoise Dorléac, que interpretam gêmeas que ensinam dança e canto (Dorléac, que morreu três meses após o lançamento do filme, em um acidente, era um ano mais velha que Deneuve). A chegada de uma feira itinerante à sua cidade, Rochefort, vai agitar o fim de semana em que decidiram que vão tentar a vida artística em Paris.

As duas atrizes, assim como quase todo o elenco, são dubladas nas canções. A exceção é Danielle Darrieux, que interpreta a mãe da dupla, comandando um café que se torna um núcleo da trama, uma ciranda amorosa em que os vários personagens vão se cruzando enquanto isso não acontece aos casais destinados um ao outro.

Kelly é dublado nas canções e em parte dos diálogos, mas não em todos: em boa parte, ele mesmo fala em francês. O espectador versado em musicais percebe logo a diferença e pode estranhar, a princípio.

Mas a entrada de Kelly no filme, no meio da trama, é um golpe de misericórdia de um espetáculo adorável que já vinha funcionando bem. O homem parece ter luz própria e sublinha a credibilidade do filme.

Demy, também roteirista, não se acomoda com sua ciranda amorosa e faz experimentações em diversos momentos. Faz um uso exuberante das cores que é evidente como inspiração de La La Land (2017). Coloca vários dos números musicais ao ar livre, começando pelo dos créditos de abertura, em uma balsa suspensa.

Em outra cena, Catherine Deneuve anda pelas calçadas da cidade, enquanto o mundo dança à sua volta, em um grande plano sequência em que ela atravessa ruas e dobra esquinas. E há a cena do jantar em que não há música, mas os diálogos são rimados. E Gene Kelly faz uma citação, com Françoise Dorléac, da coreografia que dançou à beira do Rio Sena em Sinfonia de Paris (1951).

Há outras citações no filme, como Deneuve e Dorléac evocando, no número apresentado na feira, Marilyn Monroe e Jane Russell em Os Homens Preferem as Louras (1953), de Howard Hawks. Aí e em outro momentos do filme sobrou charme.

DUAS GAROTAS ROMÂNTICAS. Les Demoiselles de Rochefort. França, 1967. Direção: Jacques Demy. Elenco: Catherine Deneuve, Françoise Dorléac, George Chakiris, Gene Kelly, Jacques Perrin, Michel Piccoli, Danielle Darrieux.

 

Blow Up - Depois Daquele Beijo-21

David Hemmings em “Blow Up”: a captura enigmática de uma atmosfera

BLOW UP – DEPOIS DAQUELE BEIJO
Sem borda - 04 estrelas

Há um mistério em Blow Up e ele é bem mais o próprio filme que o assassinato que o fotógrafo Thomas, vivido por David Hemmings, parece descobrir nas ampliações de fotos despretensiosas tiradas por ele num parque. Como bom mistério, o diretor Michelangelo Antonioni deixa pistas verdadeiras e falsas e convida o espectador a desvendar os sentidos do que desenrola na tela.

O filme começa e termina com um grupo de mímicos em cena. A princípio, eles cruzam gratuitamente o caminho do fotógrafo, que vinha de fotografar desvalidos, como um deles, mas entra em seu carrão e parte para o estúdio, onde vai conduzir sessões com belas modelos. No fim, ele os reencontra naquele clássico jogo de tênis sem bola. Mas que, ainda assim, sai da quadra e que ele recolhe no gramado e devolve. Para em seguida ouvirmos o som da bola inexistente.

Enigmático (é baseado em conto de Julio Cortázar, que faz uma ponta no filme), Blow Up deixa a cargo do espectador dar tratos à bola para decifrar enigmas como esse. O fotógrafo amplia as fotos, percebe um rosto assustado, descobre um homem armado nos arbustos, vê o que pode ser um corpo caído nas imagens granuladas. Quem matou? Quem morreu? Por que motivo? Houve mesmo um crime?

Em termos de narrativa, sobressaem-se os planos belos e rigorosos de Antonioni. No pano de fundo, mas talvez até de maior importância, está a captura de um momento particular da história da capital inglesa: a atmosfera efervescente da Swinging London, a moda, a música.

Talvez Blow Up seja um filme maior pela soma das partes (o show de rock dos Yardbirds com a plateia impassível, mas que se solta quando Jeff Beck destrói sua guitarra; a sessão de fotos com a realmente famosa modelo Veruschka, pelo chão; além das já citadas) do que pelo todo. Ou será maior pelo todo, tão sedutor quanto enigmático?

Blow Up – Depois Daquele Beijo. Blowup. Reino Unido/ Itália/ Estados Unidos, 1966. Direção: Michelangelo Antonioni. Elenco: David Hemmings, Vanessa Redgrave, Sarah Miles, Jane Birkin, Veruschka von Lehndorff, The Yardbirds (Jeff Beck, Jimmy Page, Keith Relf).

A seguir, os meus melhores filmes de 2016, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, como em todo ano, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

O número de filmes em cartaz em João Pessoa explodiu em 2016: foram 258 estreias contra as 163 de 2015 e 164 de 2014. O recorde anterior, desde 2006, ano em que o Boulevard começou a fazer esse acompanhamento, havia sido 165 em 2007. Os motivos determinantes para esse aumento são a inauguração do novo Cine Banguê, que vem servindo filmes que não passam nos demais cinemas, e alguma diversidade no Cinépolis e no Cinespaço.

THE REVENANT

1 – O REGRESSO, de Alejandro González Iñarritu

Iñarritu é um diretor que arrisca muito em suas narrativas, nem sempre com sucesso. Mas quando acerta, entrega coisas belas como este O Regresso, a jornada selvagem e espiritual de um homem em busca de outro que o deixou para morrer, aós ter sido atacado por um urso. A interpretação visceral de Leonardo DiCaprio foi, com toda a justiça, premiada com o Oscar, o Globo de Ouro, o SAG e o Bafta. Crítica no Boulevard

Elle - 03

2 – ELLE, de Paul Verhoeven

Isabelle Huppert matadora, para variar, em um filme desconcertante e doentio – Paul Verhoeven sendo Paul Verhoeven. Isabelle é uma mulher fria e cerebral que é estuprada dentro de casa por um mascarado e lida ao seu modo com a possibilidade de um novo ataque.

Aquarius - 06

3 – AQUARIUS, de Kléber Mendonça Filho

Sônia Braga é a única moradora que restou em um antigo prédio que uma construtora quer demolir. Mas ela luta pelo direito de preservar suas memórias afetivas. Uma bela defesa de que coisas – como discos ou um apartamento – podem não ser apenas “coisas”.

Zootopia - 06

4 – ZOOTOPIA – ESSA CIDADE É O BICHO, de Byron Howard e Rich Moore

No que parecia apenas mais uma sátira de bichinhos se comportando como seres humanos, desenrola-se uma imaginação bem cuidada de como seria essa cidade levando-se em consideração as características dos animais antropomorfizados, uma história policial instigante e uma crítica surpreendente e dura aos preconceitos de quem se acha o mocinho.

Spotlight - 01

5 – SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS, de Tom McCarthy

Com uma história que tinha tudo para mergulhar no melodrama, essa trama que conta a investigação jornalística que expôs o escândalo de pedofilia da Igreja de Boston é contida e precisa em sua narrativa. Crítica no Boulevard

null

6 – CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL, de Anthony Russo e Joe Russo

Um filme de super-heróis que reflete sobre si mesmo, sobre o gênero e seus personagens. E coloca os dois personagens principais do universo cinematográfico da Marvel com o peso dramático acumulado em todos estes anos e filmes.

Bruxa - 03

7 – A BRUXA, de Robert Eggers

Famílias isoladas à mercê do sobrenatural não são exatamente uma novidade, mas este filme consegue imprimir um clima opressor e tanto. Crítica no Boulevard

Cinco Gracas - 03

8 – CINCO GRAÇAS, de Deniz Gamze Ergüven

Cinco irmãs jovens e cheias de vida vítimas de um tio que as prende em casa e as obriga a casamentos arranjados. O filme nos leva a procurar tanto quanto elas uma saída.

Filho de Saul - 03

 

9 – FILHO DE SAUL, de Lázló Nemes

Filmado quase todo em close, é uma experiência que nos faz acompanhar de perto o drama pesado e doloroso de um homem que tenta impedir que o filho morto seja incinerado pelo nazistas. Ao menos isso.

ARRIVAL

 

10 – A CHEGADA, de Denis Villeneuve

Uma ficção científica que recusa a pirotecnia e celebra o poder da comunicação. Denis Villeneuve evoca o Spielberg de Contatos Imediatos do Terceiro Grau.

+ 10: A Grande Aposta, de Adam McKay; Deadpool, de Tim Miller; Mia Madre, de Nanni Moretti; Café Society, de Woody Allen; Sully, o Herói do Rio Hudson, de Clint Eastwood; Rogue One – Uma História Star Wars, de Gareth Edwards; Star Trek – Sem Fronteiras, de Justin Lin; Carol, de Todd Haynes; Jogo do Dinheiro, de Jodie Foster; Animais Fantásticos e Onde Habitam, de David Yates.

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MAIS RETROSPECTIVA 2016:

Eleição Melhores do Ano 2016
– 50 filmes não exibidos nos cinemas de JP em 2016

Mulher-Maravilha - 07

Choque de realidade: Gal Gadot em “Mulher-Maravilha”

‘MULHER-MARAVILHA’
Estrelas-03 e meia juntas-site

O universo da DC Comics é muito caro pra mim. São os super-heróis da minha infância, são os cânones dos quais todos os outros são derivados (por aproximação ou oposição). São os modelos primordiais. Por isso tem doído bastante vê-los tão maltratados nos quadrinhos e no cinema. Desisti dos quadrinhos quando a editora tentou enfiar goela abaixo aquela coisa triste chamada “Novos 52”. E no cinema, um festival de tranqueiras tentando montar aos trancos e barrancos um universo compartilhado, como o que a Marvel construiu (com bem mais paciência e inteligência).

Isto posto, a alegria de constatar que conseguiram fazer de Mulher-Maravilha um filme. E não um amontoado de ideias ruins ou mal executadas, como os três exemplares anteriores desse universo compartilhado.

A ambientação na I Guerra Mundial provou-se um grande acerto. Nascida e criada na idílica Themiscyra (antes conhecida como Ilha Paraíso), povoada só por amazonas e isolada do mundo, Diana (Gal Gadot) socorre o aviador Steve Trevor (Chris Pine) que cai ali. E toma conhecimento da guerra que está consumindo o mundo. E decide deixar a ilha para ajudar acabar com a guerra no “mundo dos homens”.

A partir daí, o filme combina um humor leve ancorado na estranheza com que a princesa amazona vê os costumes do mundo de 1918 – especificamente em Londres. As roupas, o papel da mulher na sociedade, ver um bebê (o último em sua ilha havia sido ela mesma).

Ao entrarmos na guerra, Diana vai tomando contato com as complexidades da humanidade. Mesmo que o filme trate várias delas de leve, é quando ele cresce: o sofrimento de pessoas humildes, o racismo, não poder salvar a todos, as mortes gratuitas. Em certa medida, um índio diz que seu povo “foi morto pelo povo dele”, referindo-se ao branco Trevor, aliado de ambos. Como compreender coisas assim? O filme lida muito bem com o impacto disso na personagem.

O mundo é meio o inimigo, e isso compensa um pouco as fragilidades dos vilões do filme. Danny Huston faz o que pode, mas seu personagem é pobre e não ajuda. E, quando o deus Ares se revela, nunca convence, nem seu estratagema. Pior, a sequência final direciona desnecessariamente o filme para o simplismo quando ele navegava bem em mares mais complexos. Também parece um clímax de combate grandioso posto ali meio que por obrigação.

A espanhola Elena Anaya, como a Doutora Veneno, se sai melhor fazendo um tipo propositalmente caricato, mas o filme não a aproveita bem. Sua participação é bem menor do que poderia.

Mas, enfim, o filme também se vale bem do carisma de Gal Gadot e Chris Pine e da boa química entre eles. Há um clima de romance bem conduzido, equilibrando bem com o humor e as cenas de ação.

Cenas de ação, aliás, que exageram nas câmeras lentas: nenhuma amazona pode dar um pulo sequer que para no ar. Esses momentos são incontáveis, de bonitos tornam-se logo banais e repetitivos e, curiosamente, só dão um descanso justamente no combate final.

Felizmente, a construção da personagem é que é o motor do filme: quando ela destrói uma torre para parar um atirador alemão que ataca seu grupo e surge depois lá em cima, é difícil não ver que ali está a Mulher-Maravilha. Em termos de DC no cinema, ultimamente, isso já é muita coisa.

Mulher-Maravilha. Wonder Woman. Estados Unidos, 2017. Direção: Patty Jenkins. Roteiro: Allan Heinberg, baseado em história de Heinberg, Zack Snyder e Jason Fuchs. Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen, Robin Wright, Danny Huston, Elena Anaya, David Thewlis, Saïd Taghmaoui, Ewen Bremner, Eugene Brave Rock, Lucy Davis, Lilly Aspell.

HER

Namoro virtual: Joaquin Phoenix em “Ela”

ELA
Estrelas-04 juntas-site

A relação das pessoas com inteligências artificiais são um tema caro ao cinema, desde Metrópolis (1926), passando por filmes como Blade Runner (1982), D.A.R.Y.L. (1985), O Exterminador do Futuro (1984), Inteligência Artificial (2001), Simone (2002), Eu, Robô (2004). Com diferenças de temas e gêneros. Ela (2013) aborda um viés pouco comum: o romance.

Na história, Theodore (Joaquin Phoenix) é o redator de uma empresa especializada em criar cartas falsamente manuscritas e pessoais para seus clientes. Solitário desde que a esposa (Rooney Mara) decidiu se divorciar, ele compra um novo sistema operacional que interage com o dono em um nível pessoal inédito, adaptado ao cliente e evoluindo a partir do diálogo entre eles.

“Samantha” (voz de Scarlett Johansson) se mostra atenciosa, bem humorada, super competente e curiosa. Pode, nesse futuro em que já é banal falar com máquinas, acontecer o amor entre uma pessoa e um sistema operacional? Há diferença nisso para um namoro com uma pessoa distante via internet? Essa inteligência artificial, na medida em que aprende e demonstra sentimentos e prazer, é uma “pessoa sem corpo”? Essa relação é o reflexo de uma humanidade cada vez mais atenta a seus equipamentos eletrônicos que às pessoas à sua volta?

E se essas inteligências artificiais passarem a tomar suas próprias decisões? Qual o passo seguinte? Se elas se comunicarem entre si?

Todas essas questões são tratadas pelo filme de maneira delicada, envolvendo a relação entre Theodore e Samantha, com as idas e vindas que muitos casais conhecem bem. O filme de Spike Jonze tem a sacada de escolher a atriz ideal para a “mocinha”: Scarlett Johansson tem uma voz marcante e sedutora. Aliás, em termos de voz, destaque também para a engraçada participação de Kristen Wiig, a “Gatinha Sexy” que Theodore encontra em uma sala de bate-papo.

Ela. Her. Estados Unidos, 2013. Direção e roteiro: Spike Jonze. Elenco: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Chris Pratt, Rooney Mara, Olivia Wilde. Vozes: Scarlett Johansson, Kristen Wiig.

Duas Garotas Romanticas - 11

“Duas Garotas Românticas”: sessões em dois domingos

Antes tinham saído os filmes, agora saíram os horários. Confira a programação em João Pessoa do Festival Varilux do Cinema Francês, que vai de 8 a 21 de junho e este ano acontece em dois cinemas: no Cinespaço, do MAG Shopping, e no Cinépolis, do Manaíra Shopping.

No Cinespaço, serão as quatro sessões tradicionais; no Cinépolis, só duas, à noite. O clássico, Duas Garotas Românticas, será exibido só no Cinespaço, mas em duas ocasiões (nos dois domingos). Confira no post anterior mais sobre os filmes e veja os trailers.

QUINTA, 8

Cinespaço
14:30 – Amanhã
16:50 – Frantz
19:05 – Na Cama com Victoria
21:05 – Coração e Alma

Cinépolis
19:00 – A Vida de uma Mulher
21:30 – Rodin

***

SEXTA 9

Cinespaço
14:30 – Uma Agente Muito Louca
16:35 – O Filho Uruguaio
18:35 – Um Instante de Amor
20:55 – Uma Família de Dois

Cinépolis
19:00 – Tour de France
21:30 – Coração e Alma

***

SÁBADO 10

Cinespaço
14:30 – A Viagem de Fanny
16:25 – Amanhã
18:45 – Rodin
21:05 – Rock’n Roll – Por Trás da Fama

Cinépolis
19:00 – Na Cama com Victoria
21:30 – Uma Família de Dois

***

DOMINGO 11

Cinespaço
14:30 – Tour de France
16:25 – Perdidos em Paris
18:10 – Duas Garotas Românticas
20:35 – Frantz

Cinépolis
19:00 – Um Instante de Amor
21:30 – Tal Mãe, Tal Filha

***

SEGUNDA 12

Cinespaço
14:30 – Um Perfil para Dois
16:30 – Coração e Alma
18:30 – O Reencontro
20:50 – Na Vertical

Cinépolis
19:00 – Coração e Alma
21:30 – Um Perfil para Dois

***

TERÇA 13

Cinespaço
14:30 – Um Instante de Amor
16:50 – Rodin
19:10 – Uma Agente Muito Louca
21:15 – Na Cama com Victoria

Cinépolis
19:00 – Na Vertical
21:30 – Frantz

***

QUARTA 14

Cinespaço
14:30 – A Vida de uma Mulher
16:50 – Tal Mãe, Tal Filha
18:45 – A Viagem de Fanny
20:40 – Perdidos em Paris

Cinépolis
19:00 – Uma Família de Dois
21:30 – Tal Mãe, Tal Filha

***

QUINTA 15

Cinespaço
14:30 – Rock’n Roll – Por Trás da Fama
16:55 – O Filho Uruguaio
18:55 – A Vida de uma Mulher
21:15 – Tal Mãe, Tal Filha

Cinépolis
19:00 – Perdidos em Paris
21:30 – O Reencontro

***

SEXTA 16

Cinespaço
14:30 – O Reencontro
16:50 – Amanhã
19:10 – Rock’n Roll – Por Trás da Fama
21:35 – Tour de France

Cinépolis

19:00 – Uma Agente Muito Louca
21:30 – O Filho Uruguaio

***

SÁBADO 17

Cinespaço
14:30 – Perdidos em Paris
16:15 – Uma Agente Muito Louca
18:20 – Uma Família de Dois
20:35 – O Reencontro

Cinépolis
19:00 – Rodin
21:30 – Rock’n Roll – Por Trás da Fama

***

DOMINGO 18

Cinespaço
14:30 – Duas Garotas Românticas
16:55 – A Viagem de Fanny
18:50 – Um Instante de Amor
21:10 – Rodin

Cinépolis
19:00 – Frantz
21:30 – Um Perfil para Dois

***

SEGUNDA 19

Cinespaço
14:30 – Frantz
16:45 – Na Cama com Victoria
18:45 – Tal Mãe, Tal Filha
20:40 – Um Perfil para Dois

Cinépolis
19:00 – A Viagem de Fanny
21:30 – Tour de France

***

TERÇA 20

Cinespaço
14:30 – Coração e Alma
16:30 – Um Perfil para Dois
18:30 – Tour de France
20:25 – Na Vertical

Cinépolis
19:00 – Rock’n Roll – Por Trás da Fama
21:30 – Na Cama com Victoria

***

QUARTA 21

Cinespaço
14:30 – Uma Família de Dois
16:45 – Rock’n Roll – Por Trás da Fama
19:10 – Frantz
21:25 – A Vida de uma Mulher

Cinépolis
19:00 – Amanhã
21:30 – Perdidos em Paris

Catherine Deneuve, Françoise Dorléac

“Duas Garotas Românticas”: festival exibe clássico de 50 anos

O Festival Varilux de Cinema Francês divulgou os 19 filmes que compõem a programação deste ano (que chega a 55 cidades, incluindo mais uma vez João Pessoa). São, como sempre, filmes novíssimos da cinematografia francesa, mais um clássico. O festival vai de 7 a 21 de junho. Confira os filmes e os trailers de cada um (nem todos ainda com legenda).

UMA AGENTE MUITO LOUCA (Raid Dingue), de Dany Boon. Com Dany Boon, Alice Pol, Michel Blanc. Comédia policial sobre mulher que entra para tropa de elite, mas tem um parceiro misógino. Os dois precisam entrar em acordo para impedir crimes.
SEXTA 9 – 14h30 (Cinespaço)
TERÇA 13 – 19h10 (Cinespaço)
SEXTA 16 – 19h (Cinépolis)
SÁBADO 17 – 16h15 (Cinespaço)

***

AMANHà(Demain), de Cyril Dion e Mélanie Laurent. Documentário: após a publicação de um estudo que anunciava o possível desaparecimento de parte da humanidade até 2100, Cyril Dion e Mélanie Laurent partiram com uma equipe de quatro pessoas por dez países para entender o que poderia provocar essa catástrofe e, sobretudo, como evitá-la. Melanie Laurent é a atriz de Bastardos InglóriosO Concerto.
QUINTA 8 – 14h30 (Cinespaço)
SÁBADO 10 – 16h25 (Cinespaço)
SEXTA 16 – 16h50 (Cinespaço)
QUARTA 21 – 19h (Cinépolis)

***

NA CAMA COM VICTORIA (Victoria), de Justine Triet. Com Vincent Lacoste, Virginie Efira e Melvil Poupaud. Comédia dramática sobre advogada que defende antigo amigo da acusação de tentativa de homicídio tendo um cachorro como testemunha e contrata como babá um ex-traficante que conseguiu inocentar.
QUINTA 9 – 19h05 (Cinespaço)
SÁBADO 10 – 19h (Cinépolis)
TERÇA 13 – 21h15 (Cinespaço)
SEGUNDA 19 – 16h45 (Cinespaço)
TERÇA 20 – 21h30 (Cinépolis)

***

CORAÇÃO E ALMA (Reparer les vivants), de Katell Quillévéré. Com Tahar Rahim, Emmanuelle Seigner e Anne Dorval. Drama. De um lado, surfista sofre um acidente e fica por um fio em um hospital. Do outro, mulher aguarda um transplante de órgãos que pode salvar sua vida. Rahim é o “brasileiro” do ótimo Samba, que passou no Varilux. Emmanuelle Seigner esteve recentemente em A Pele de Vênus do maridão Polanski.
QUINTA 8 – 21h05 (Cinespaço)
SEXTA 9 – 21h30 (Cinépolis)
SEGUNDA 12 – 16h30 (Cinespaço); 19h (Cinépolis)
TERÇA 20 – 14h30 (Cinespaço)

***

UMA FAMÍLIA DE DOIS (Demain tout Commence), de Hugo Gélin. Com Omar Sy, Clémence Poésy, Antoine Bertrand. Comédia dramática sobre homem cuja vida muda quando precisa criar a filha bebê sem ajuda da mãe, que desapareceu. Oito anos depois, ela retorna. Omar Sy já é bem familiar para quem curte o festival: teve grandes atuações em IntocáveisSambaChocolate.
SEXTA 9 – 20h55 (Cinespaço)
SÁBADO 10 – 21h30 (Cinépolis)
QUARTA 14 – 19h (Cinépolis)
SÁBADO 17 – 18h20 (Cinespaço)
QUARTA 21 – 14h30 (Cinespaço)

***

O FILHO URUGUAIO (Une Vie Ailleurs), de Olivier Peyon. Com Isabelle Carré, Ramzy Bedia, Maria Dupláa. Mulher vai ao Uruguai seguindo a pista do filho sequestrado pelo pai há quatro anos. Mas chegando lá as coisas se complicam. Isabelle Carré fez Românticos AnônimosEsperando Acordada, filmes que não passaram no Varilux, mas estiveram em cartaz em João Pessoa.
SEXTA 9 – 16h35 (Cinespaço)
QUINTA 15 – 16h55 (Cinespaço)
SEXTA 16 – 21h30 (Cinépolis)[

***

FRANTZ (Frantz), de François Ozon. Com Pierre Niney, Paula Beer, Ernst Stötzner. Em uma pequena cidade alemã, após a Primeira Guerra Mundial, uma jovem que chora diariamente no túmulo de seu noivo, morto em batalha na França, conhece um jovem francês que também coloca flores no túmulo. Em preto-e-branco. Ozon é diretor de filmes como 8 MulheresSwimming PoolPotiche – Esposa Troféu (este passou num Varilux).
QUINTA 9 – 16h50 (Cinespaço)
DOMINGO 11 – 20h35 (Cinespaço)
TERÇA 13 – 21h30 (Cinépolis)
DOMINGO 18 – 19h (Cinépolis)
SEGUNDA 19 – 14h30 (Cinespaço)
QUARTA 21 – 19h10 (Cinespaço)

***

UM INSTANTE DE AMOR (Mal de Pierres), de Nicole Garcia. Com Marion Cotillard, Louis Garrel, Alex Brendemühl. Nos anos 1940, casada por conveniência, infeliz e sem conseguir engravidar, mulher vai a uma estância termal em busca de cura, mas se envolve com um militar casado. Marion Cotillard já é conhecida até por quem só consome Hollywood. Garrel fez filmes como Os SonhadoresA Bela Junie Amantes Constantes. O filme concorreu a 8 Césars, incluindo melhor filme, direção e atriz, mas não ganhou nenhum.
SEXTA 9 – 18h35 (Cinespaço)
DOMINGO 11 – 19h (Cinépolis)
TERÇA 13 – 14h30 (Cinespaço)
DOMINGO 18 – 18h50 (Cinespaço)

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PERDIDOS EM PARIS (Paris Pieds Nus), de Fiona Gordon, Dominique Abel. Com Fiona Gordon, Dominique Abel, Emmanuelle Riva. Comédia sobre bibliotecária no Canadá volta às pressas para a França respondendo a uma carta de uma tia idosa. Mas, chegando lá, ela desapareceu. É um dos últimos filmes de Emmanuelle Riva, de Hiroshima, Mon Amour Amor, que morreu em janeiro.
DOMINGO 11 – 16h25 (Cinespaço)
QUARTA 14 – 20h40 (Cinespaço)
QUINTA 15 – 19h (Cinépolis)
SÁBADO 17 – 14h30 (Cinespaço)
QUARTA 21 – 21h30 (Cinépolis)

***

UM PERFIL PARA DOIS (Un Profil pour Deux), de Stéphane Robelin. Com Pierre Richard, Yaniss Lespert, Fanny Valette. Comédia romântica meio Cyrano: viúvo e aposentado tem um jovem que o ajuda no básico dos compurtadores. Ele conhece uma moça num site de namoro, mas tinha colocado a foto do rapaz, que agora vai precisar se passar por ele no encontro.
SEGUNDA 12 – 14h30 (Cinespaço); 21h30 (Cinépolis)
DOMINGO 18 – 21h30 (Cinépolis)
SEGUNDA 19 – 20h40 (Cinespaço)
TERÇA 20 – 16h30 (Cinespaço)

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O REENCONTRO (Sage Femme), de Martin Provost. Com Catherine Frot, Catherine Deneuve, MylèneDemongeot. Parteira tem a vida sacudida pela volta da extravagante ex-mulher de seu falecido pai. Deneuve é uma lenda vida. Catherine Frot estrelou recentemente Marguerite.
SEGUNDA 12 – 18h30 (Cinespaço)
QUINTA 15 – 21h30 (Cinépolis)
SEXTA 16 – 14h30 (Cinespaço)
SÁBADO 17 – 20h35 (Cinespaço)

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ROCK’N’ROLL POR TRÁS DA FAMA (Rock’n Roll), de Guillaume Canet. Com Guillaume Canet, Marion Cotillard, Gilles Lellouche. Canet dirige e interpreta a si mesmo como um ator em crise quando uma jovem atriz diz a ele que não é mais tão “rock’n’roll” e ele resolve dar uma guinada. Marion Cotillard, sua companheira na vida real, também interpreta a si mesma nesta comédia.
SÁBADO 10 – 21h05 (Cinespaço)
QUINTA 15 – 14h30 (Cinespaço)
SEXTA 16 – 19h10 (Cinespaço)
SÁBADO 17 – 21h30 (Cinépolis)
TERÇA 20 – 19h (Cinépolis)
QUARTA 21 – 16h45 (Cinespaço)

***

RODIN (Rodin), de Jacques Doillon. Com Vincent Lindon, Izia Higelin, Séverine Caneele. Aos 40 anos, o escultor Rodin trabalha naquela se virá a ser sua principal obra, quando conhece Camille Claudel, que virá a ser sua aluna mais talentosa, sua assistente e sua amante. Izia Higelin esteve em Samba Um Belo Verão, exibidos no Varilux.
QUINTA 9 – 21h30 (Cinépolis)
SÁBADO 10 – 18h45 (Cinespaço)
TERÇA 13 – 16h50 (Cinespaço)
SÁBADO 17 – 19h (Cinépolis)
DOMINGO 18 – 21h10 (Cinespaço)

***

TAL MÃE, TAL FILHA (Telle Mére, Telle Fille), de Noèmie Saglio. Com Juliette Binoche, Camille Cotting, Lambert Wilson. Comédia sobre filha certinha e mãe doidivanas, que ficam grávidas ao mesmo tempo. Juliette Binoche é uma super musa do cinema francês.
DOMINGO 11 – 21h30 (Cinépolis)
QUARTA 14 – 16h50 (Cinespaço); 21h30 (Cinépolis)
QUINTA 15 – 21h15 (Cinespaço)
SEGUNDA 19 – 18h45 (Cinespaço)

***

TOUR DE FRANCE (Tour de France), de Rachid DjaïdanI. Com Gérard Depardieu, Sadek e Louise Grinberg. Comédia dramática sobre jovem rapper que precisa passar um tempo com o pai, pintor. Depardieu é outra lenda viva do cinema francês.
SEXTA 9 – 19h (Cinépolis)
DOMINGO 11 – 14h30 (Cinespaço)
SEXTA 16 – 21h35 (Cinespaço)
SEGUNDA 19 – 21h30 (Cinépolis)
TERÇA 20 – 18h30 (Cinespaço)

***

NA VERTICAL (Rester Vertical), de Alain Guiraudie. Com Damien Bonnard, India Hair, Christian Bouillette. Outro filme sobre um pai tendo que criar sozinho um bebê, desta vez o personagem é um cineasta que também procura inspiração para um novo filme. Esteve na seleção principal de Cannes. Do mesmo diretor de Um Estranho no Lago.
SEGUNDA 12 – 20h50 (Cinespaço)
TERÇA 13 – 19h (Cinépolis)
TERÇA 20 – 20h25 (Cinespaço)

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A VIAGEM DE FANNY (Le Voyage de Fanny), de Lola Doillon. Com Léonie Souchaud, Fantine Harduin, Cécile de France. Uma garota de 12 anos lidera um grupo de crianças através da França ocupada rumo à fronteira com a Suíça. Cécile de France é conhecida de Além da Vida (de Eastwood), O Garoto de Bicicleta e esteve no Varilux com Um Belo Verão.
SÁBADO 10 – 14h30 (Cinespaço)
QUARTA 14 – 18h45 (Cinespaço)
DOMINGO 18 – 16h55 (Cinespaço)
SEGUNDA 19 – 19h (Cinépolis)

***

A VIDA DE UMA MULHER (Une Vie), de Stéphane Brizé. Com Judith Chemla, Jean-Pierre Darroussin e Yolande Moreau. Baseado em Guy de Maupassant, é a história de uma jovem do século XIX que se casa com um nobre, que depois se revela um mau marido.
QUINTA 9 – 19h (Cinépolis)
QUARTA 14 – 14h30 (Cinespaço)
QUINTA 15 – 18h55 (Cinespaço)
QUARTA 21 – 21h25 (Cinespaço)

***

DUAS GAROTAS ROMÂNTICAS (Les Demoiselles de Rochefort), de Jacques Demy. Com Catherine Deneuve, Françoise Dorléac, Danielle Darrieux, George Chakiris, Michel Piccoli, Jacques Perrin, Gene Kelly. O festival sempre reapresenta um clássico e desta vez o público poderá ver na tela grande o musical de Demy, filme que completou 50 anos este ano. Com Deneuve e Dorléac, irmãs na vida real, interpretando gêmeas que ensinam dança e piano e Rochefort e sonham em encontrar um grande amor. Dorléac morreu tragicamente em um acidente de carro, aos 25, três meses após o lançamento do filme. Gene Kelly, gênio dos musicais americanos, e George Chakiris, que ganhou um Oscar por Amor, Sublime Amor, participam do filme, que é um dos grandes inspiradores de La La Land.
DOMINGO 11 – 18h10 (Cinespaço)
DOMINGO 18 – 14h30 (Cinespaço)

 

 

Top 10 2016

Spotlight começou liderando, Filho de Saul assumiu quando a lista de março foi aberta, Aquarius liderou a partir de setembro, Mia Madre e Truman chegaram a ser líderes rapidamente quando alcançaram tardiamente o quórum. Elle entrou na votação na lista de novembro, começou em quinto, mas avançou, assumiu a liderança, se consolidou e é o primeiro filme francês a vencer nossa eleição.

Completando o top 10 ficaram AquariusFilho de SaulTrumanA BruxaMia MadreKubo e as Cordas MágicasSpotlight – Segredos ReveladosA Chegada; e Cinco Graças. Do 11º ao 20º, aparecem O RegressoO Abraço da SerpenteA Grande ApostaZootopiaOs Oito OdiadosBoi NeonMargueriteCapitão América – Guerra CivilAs Memórias de Marnie; e Rogue One – Uma História Star Wars.

Pelas médias, os dez piores filmes do ano foram (do pior para o menos pior): Independence Day – O RessurgimentoBoneco do Mal; e A 5ª Onda (os três empatados em 100º e último lugar); Caçadores de Emoção – Além do LimiteTruque de Mestre – O 2º AtoFesta da Salsicha; Esquadrão SuicidaBen-HurBatman Vs. Superman – A Origem da Justiça; e As Tartarugas Ninja – Fora das Sombras.

A eleição contou com votos de 41 pessoas que deram notas para todos os filmes que viram. Cada filme precisou de seis notas para atingir o quórum mínimo. Dos 41 eleitores, 34 deram notas em todos os meses e se credenciaram ao nosso tradicional sorteio de DVDs usados (por mim).

Os Oito Odiados foi o filme mais visto do ano entre os eleitores. 34 votantes assistiram ao filme. Completam o top 5: O Regresso (31); Capitão América –  Guerra Civil e Spotlight –  Segredos Revelados (empatados com 30); e Batman vs. Superman – A Origem da Justiça (29).

Confira o resultado completo na página da eleição.

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Coluna Cinemascope (#26). Correio da Paraíba, 15/3/2017

Filmando e fazendo história

por Renato Félix

Mark Harris é um jornalista a mericano que foi editor executivo da Entertainment Weekly e escreveu em 2008 o livro Cenas de uma Revolução – O Nascimento da Nova Hollywood (L&PM), sobre esse período brilhante do cinema americano a partir dos cinco indicados a melhor filme no Oscar de 1967.

Em 2014, veio Cinco Voltaram (Objetiva), com foco em cinco super diretores de Hollywood e seu trabalho com documentários no front da II Guerra Mundial. São eles Frank Capra, John Ford, John Huston, George Stevens e William Wyler.

É uma história conhecida, mas pouco vista. Quem assistiu a esses documentários nas últimas décadas? Mas o livro gerou uma série documental que o Netflix estreia no final deste mês, no dia 31: Five Came Back  vai contar em três partes essa história e ressucitar essas imagens.

Escrita por Harris, a série terá também o olhar de cinco diretores modernos – Steven Spielberg, Francis Ford Coppola, Guillermo del Toro, Lawrence Kasdan e Paul Greengrass – e narração de Meryl Streep. Além das imagens da guerra, a série promete se debruçar sobre como a experiência mexeu com os próprios diretores.

Todos os cinco partiram para grandes fases em suas carreiras quando voltaram da Europa. Capra entregou logo A Felicidade Não Se Compra (1946) e Wyler, Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946). Huston fez pouco depois O Tesouro de Sierra Madre (1948). Stevens dirigiu sua trilogia da formação da América (Um Lugar ao Sol, 1951; Os Brutos Também Amam, 1953; Assim Caminha a Humanidade, 1956). E Ford logo faria nada menos que Rastros de Ódio (1956).

Viram, filmaram e fizeram história.

FOTO: O coronel Frank Capra, em 1944

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Moonlight - 02

Coluna Cinemascope (#25). Correio da Paraíba, 8/3/2017

Por que Moonlight venceu

por Renato Félix

Encerrando o Oscar por este ano, acho que vale refletir sobre tendências claras que o prêmio vem mostrando. Por que, quando todos esperavam a vitória de La La Land e o filme tendo ganhado tudo antes e faturando o maior número de prêmios da noite, justo o Oscar de melhor filme foi para Moonlight?

Não tenho os dados da votação, mas é possível traçar algumas hipóteses que vão além da preferência simples por este ou aquele filme (o prêmio estaria bem com qualquer um dos dois). Nos últimos cinco anos, em quatro aconteceu um fenômeno até então meio raro: os prêmios de melhor filme e melhor diretor indo para filmes diferentes.

Não apenas isso, mas o melhor filme sempre terminando com poucos prêmios no total (2 ou 3) e o filme que ficou com melhor diretor levando mais (de 4 a 7). E visivelmente o principal vencedor da noite com um tema socialmente importante (Argo em 2013, 12 Anos de Escravidão em 2014, Spotlight em 2016 e Moonlight) e o melhor diretor foi para um espetáculo visual mais elaborado (As Aventuras de Pi em 2013, Gravidade em 2014, O Regresso em 2016 e La La Land).

Um adicional é a fórmula como é calculado o vencedor. Desde 2009, o eleito para melhor filme não é escolhido da mesma forma das outras categorias (em que se vota em um indicado e quem tem mais votos ganha). Para melhor filme, os acadêmicos elaboram uma lista de preferência, do primeiro a último dos (este ano) nove indicados. Um filme tem que chegar a mais de 50% de primeiros lugares.

Se nenhum consegue, retira-se o filme com menos primeiros lugares e, nessas listas, o segundo vira primeiro. Assim, um filme pode ter mais primeiros lugares no começo e perder, se muitos o colocarem em, digamos, quinto ou sexto lugar. O filme de consenso é privilegiado. E pode ter sido este o cenário em que Moonlight saiu vencedor.

FOTO: Barry Jenkins, diretor de Moonlight – Sob a Luz do Luar, recebe o Oscar de melhor filme

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Moonlight

Jordan Horowitz, produtor de “La La Land”, mostra o cartão que anuncia a vitória de “Moonlight” no Oscar 2017

Coluna Cinemascope (#24). Correio da Paraíba, 1/3/2017

Gafes e suas culpas 

por Renato Félix

Em 1952, Shelley Winters estava tão certa que iria vencer o Oscar de melhor atriz por Um Lugar ao Sol que, quando a vencedora foi anunciada, levantou-se naturalmente e encaminhou-se para o palco. Só quando caiu no corredor depois de agarrada pelo marido Vittoria Gassman é que ouviu dele: “Shelley, é Vivien Leigh”. E, assim, enquanto a atriz britânica recebia seu Oscar por Uma Rua Chamada Pecado, Shelley e Gassman voltavam engatinhando para seus lugares. Culpa de Shelley.

Em 1934, o apresentador Will Rogers abriu o envelope para anunciar o prêmio de melhor direção. “Ora, ora, ora. O que vocês acham? Eu acompanho este rapaz há muito tempo. Eu o vi vir lá de baixo, e quero dizer de baixo. Isso não poderia acontecer a um cara melhor. Suba aqui e pegue-o, Frank!”.

Frank Capra, indicado por Dama por um Dia, levantou-se e começou a andar para o palco. E viu que os holofotes foram para… Frank Lloyd, o outro Frank indicado na categoria, por Cavalgada. “Foi a mais longa, mais triste, mais arrasadora caminhada da minha vida. Todos os meus amigos na mesa estavam chorando”, disse Capra. Culpa de quem? Não de Capra, claro. Culpa de Will Rogers.

No domingo passado, certamente a culpa não foi de Warren Beatty e Faye Dunaway, que apenas leram o que lhes foi dado para ser lido. Ainda assim, Warren sentiu que havia algo errado, mas não conseguiu evitar o constrangimento antes que a colega lesse a informação errada. Eu gostaria de saber quem colocou aquele envelope nas mãos dele. E onde estava o envelope correto naquele momento?

Está aí uma história do Oscar que espero ver contada nos próximos dias.

FOTO: Jordan Horowitz, produtor de La La Land, mostra o cartão que anuncia a vitória de Moonlight no Oscar 2017

ADENDO: Da publicação original desse texto para cá, sabemos bem o que aconteceu, claro.

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Coluna Cinemascope (#23). Correio da Paraíba, 22/2/2017

Brutos Tambem Amam - 09

“Os Brutos Também Amam” (1953)

Os defeitos dos perfeitos

por Renato Félix

O fotógrafo de cinema João Carlos Beltrão me contou certa vez que o montador João Ramiro Mello dava aulas na UFPB e, mostrando à classe o faroeste clássico Os Brutos Também Amam (1953), desafiou os alunos: “Ache um defeito nesse filme!”.

Haverá um filme sem defeitos? Creio que a apreciação de um filme parte de qualidades que compensem problemas, sendo que o grande filme não é necessariamente aquele sem defeitos, mas, mais importante, é aquele cujas qualidades são tão grandes que eclipsam os eventuais defeitos.

Por exemplo, quem liga para o evidente erro de montagem em O Encouraçado Potemkin (1925)? Mas logo de montagem, sendo o cinema soviético referência nesse quesito? Pois é. O fato é que, na sequência da escadaria de Odessa (mas logo nessa, uma das fundamentais da história? Sim, logo nessa), a mãe cujo filhinho escapa de suas mãos enquanto descem os degraus, fugindo dos atiradores, assiste horrorizada o filho ser pisoteado mais acima. Porém, quando se aproxima dele, é de cima para baixo.

Pior acontece em Cantando na Chuva (1952), o maravilhoso musical da Metro, outra figurinha fácil no álbum dos melhores filmes do mundo. Em duas cenas o montador só podia estar cochilando. Na primeira, quando o professor de dicção está dizendo trava-línguas para Don (Gene Kelly) e Cosmo (Donald O’Connor) está ao seu lado fazendo caretas, o momento em que o professor o flagra e se assusta repete-se.

Na segunda, um corte brusco no movimento quando Gene Kelly e Cyd Charisse estão na dança sensual do “Broadway Melody Ballet”, como se uma parte dos fotogramas tivessem sido cortados.

Mas quem liga? Isso é o que faz um grande filme.

FOTO: Os Brutos Também Amam (1953)

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A situação melhorou muito no circuito pessoense, com a volta do Cine Banguê, a sessão de cinema de arte do Cinépolis e com o Cinespaço botando em cartaz vários dos filmes do Festival Varilux. Ainda assim, aqui vai nossa lista de 50 filmes que entraram em cartaz no Brasil, mas não entraram em cartaz comercialmente nos cinemas pessoenses.

Ah, eu sei que alguns deles entraram em cartaz nestes meses de janeiro e fevereiro. Mas a lista é referente ao que entrou em cartaz no Brasil em 2016 e não passou no mesmo ano.

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1 – O QUARTO DE JACK

Brie Larson ganhou o Oscar, o Globo de Ouro, o Bafta, o SAG e o Independent Spirit de melhor atriz. O garotinho Jacob Tremblay cativou meio mundo. E não foi o suficiente para O Quarto de Jack entrar em cartaz nos cinemas paraibanos. Restou o DVD, a TV paga, o streaming, o download. Estreou no Brasil em 18/2/2016.

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2 – AVE, CÉSAR!

O filme dos irmãos Coen, com George Clooney e Scarlett Johnasson, é um retorno dos diretores à comédia, com uma história que se passa na Hollywood dos anos 1950. Estreou no Brasil em 14/2/2016.

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3 – ANOMALISA

Animação em stop motion dirigida por Charlie Kaufman, elogiadíssimo, chamado de obra-prima e o escambau. Estreou no Brasil em 28/1/2016.

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4 – A ASSASSINA

Filme chinês de Hou Hsiao-Hsien, indicado ao Bafta, se passa na China do século XVIII: Shu Qi é a assassina que deve matar um político. Estreou no Brasil em 5/5/2016.

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5 – BLOW-UP – DEPOIS DAQUELE BEIJO

O clássico de Michelangelo Antonioni, com David Hemmings e Vanessa Redgrave,  ícone da swinging London, completou 50 anos em 2016 e voltou aos cinemas. Mas não na Paraíba. Reestreou no Brasil em 8/12/2016.

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6 – MUCH LOVED

Muito comentado filme marroquino de Nabil Ayouch que mostra a vida de prostitutas no país e arrumou problemas com a censura de lá e alguns imbecis. Concorreu à Palma de Ouro em Cannes. Estreou no Brasil em 10/11/2016.

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7 – BR 716

O filme de Domingos de Oliveira versa sobre a boemia em uma Copacabana às vésperas do golpe (o de 1964, não o do ano passado). Ganhou o Festival de Gramado e acabou entrando aqui este ano, no Banguê. Estreou no Brasil em 17/11/2016.

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8 – SR. SHERLOCK HOLMES

Ian McKellen interpretando o detetive na velhice. Só isso já deveria ser o suficiente para colocarem esse filme em cartaz. Estreou no Brasil em 13/1/2016.

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9 – QUE VIVA EISENSTEIN! – 10 DIAS QUE ABALARAM O MÉXICO

O delirante Peter Greenaway mergulha no período em que o cineasta russo Sergei Eisenstein passou no México. Estreou no Brasil em 1/1/2016.

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10 – ESTRANHOS NO PARAÍSO

Outro clássico relançado, desta vez do muito pessoal cineasta Jim Jarmusch. Reestreou no Brasil em 3/11/2016.

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11 – EU SOU CARLOS IMPERIAL

Documentário sobre esta folclórica e polêmica figuraça da nossa música, cinema e TV, dos mesmos diretores de Uma Noite em 67. Estreou no Brasil em 17/3/2016.

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12 – O LOBO DO DESERTO

Este filme da Jordânia foi indicado ao Oscar de filme de língua não inglesa, sobre um garoto que guia um oficial britânico pelo deserto, na I Guerra. Estreou no Brasil em 18/2/2016.

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13 – BROOKLIN

Indicado ao Oscar de melhor filme, também teve Saorise Ronan indicada a melhor atriz. Estreou no Brasil em 11/2/2016.

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14 – O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO

Provocativo filme anti-racista de Nate Parker, que se propõe um contraponto ao fundamental (mas racista) clássico de D.W. Griffith, de 1915. Foi um sucesso em Sundance, mas o retorno à baila de um julgamento por estupro (no qual o diretor foi absolvido) em 2001 minaram o filme. Estreou no Brasil em 10/11/2016.

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15 – SIERANEVADA

Co-produção do Leste Europeu sobre acerto de contas familiar foi selecionado para Cannes. Acabou entrando no Banguê este ano. Estreou no Brasil em 15/12/2016.

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16 – CAPITÃO FANTÁSTICO

O filme teve a interpretação de Viggo Mortensen indicada ao Globo de Ouro e ao Oscar. Estreou no Brasil em 22/12/2016.

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17 – O QUE ESTÁ POR VIR

Isabelle Huppert nunca é demais e sempre queremos mais (1). Este acabou entrando no Banguê este ano. Estreou no Brasil em 22/12/2016.

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18 – ANIMAIS NOTURNOS

O filme de Tom Ford fez barulho, embora tenha chegado fraco à temporada de prêmios. E tem uma elogiada interpretação de Amy Adams. Acabou entrando em cartaz este ano, no Cinépolis. Estreou no Brasil em 29/12/2016.

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19 – CONSPIRAÇÃO E PODER

Com Cate Blanchett e Robert Redford, uma história real de jornalismo e poder: uma produtora do 60 Minutes desencava uma história polêmica do serviço militar de George W. Bush em campanha pela reeleição e sofrem uma campanha de descrédito. Estreou no Brasil em 24/3/2016.

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20 – WHITE GOD

Filme húngaro vencedor de dois prêmios no Festival de Cannes: garota tem que se desfazer de seu cachorro por ele ser mestiço. Enquanto o bicho tenta sobreviver pelas ruas, ela tenta resgatá-lo. Estreou no Brasil em 25/2/2016.

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21 – ROCK EM CABUL

Com Bill Murray e Zooey Deschanel e de Barry Levinson, diretor de Rain Man Bom Dia Vietnã, entre outros. Estreou no Brasil em 2/6/2016.

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22 – ASTERIX E O DOMÍNIO DOS DEUSES

É a primeira animação digital com o personagem, que é sucesso editorial em vários países e já foi adaptado para o cinema em animação tradicional e com atores. Estreou no Brasil em 7/4/2016.

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23 – A SENHORA DA VAN

Maggie Smith foi indicada ao Globo de Ouro por essa comédia, uma idosa que mora em uma van e faz amizade com um escritor em 1970. Estreou no Brasil em 7/4/2016.

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24 – UM BELO VERÃO

Cécile de France (de O Garoto de Bicicleta) e Izïa Higelin (de Samba) são duas mulheres que vivem uma história de amor em 1971, contexto da liberação sexual e de mais liberdades para as mulheres. Estreou no Brasil em 7/7/2016.

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25 – HAVANA MOON – THE ROLLING STONES IN CUBA

O registro do histórico show dos Stones na capital cubana. Estreou no Brasil em 6/10/2016.

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26 – JOVENS, LOUCOS E MAIS REBELDES!!

Richard Linklater, de Boyhood, fez uma continuação de seu Jovens, Loucos e Rebeldes (1993), um de seus primeiros filmes. Estreou no Brasil em 20/10/2016.

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27 – NERUDA

O diretor de No aqui conta a vida de Neruda como perseguido político. Acabou entrando em cartaz no Banguê. Estreou no Brasil em 15/12/2016.

File picture shows Brazilian citizen Marco Archer Cardoso Moreira sitting in front of his lawyer at Tangerang court, near Jakarta

28 – CURUMIM

Documentário sobre o brasileiro no corredor da morte das Filipinas, condenado por tráfico de drogas. Estreou no Brasil em 3/11/2016.

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29 – O PRESIDENTE

Na co-produção entre Alemanha, França, Reino Unido e Geórgia, um presidente deposto por um golpe foge acompanhado do neto de cinco anos. E entra pela primeira vez em contato com seu povo. Estreou no Brasil em 10/3/2016.

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30 – ELVIS E NIXON

O inusitado encontro entre o Rei do Rock e o presidente que renunciaria. Michael Shannon é Elvis e Kevin Spacey entra para a galeria de intérpretes de Nixon (que já tinha Anthony Hopkins e Frank Langella). Estreou no Brasil em 16/6/2016.

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31 – AS MONTANHAS SE SEPARAM

Uma chinesa entre dois possíveis romances neste filmes do diretor Jia Zhangke, alvo de documentário de Walter Salles. Estreou no Brasil em 23/6/2016.

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32 – DE PALMA

Documentário sobre o grande diretor de Os IntocáveisVestida para Matar O Pagamento Final. Estreou no Brasil em 24/11/2016.

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33 – TUDO VAI FICAR BEM

Filme de Wim Wenders, com Rachel McAdams, James Franco e Charlotte Gainsbourg, sobre o trauma de um escritor para superar uma tragédia. Estreou no Brasil em 10/3/2016.

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34 – MARAVILHOSO BOCCACCIO

Os irmãos Taviani levam á tela cinco histórias do Decamerão, de Boccaccio. Estreou no Brasil em 5/5/2016.

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35 – DEMÔNIO DE NEON

Elle Fanning é uma modelo ingênua no mundo da moda. Estreou no Brasil em 29/9/2016.

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36 – FOGO NO MAR

Documentário sobre o drama dos refugiados na Europa, a partir de uma ilha na Itália. Levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim e foi indicado ao Oscar de documentário. Estreou no Brasil em 28/4/2016.

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37 – NOSSO FIEL TRAIDOR

Thriller de espionagem, baseado em John LeCarré, com um elencão: Ewan McGregor, Damian Lewis, Naomie Harris, Stellan Skasgard. Estreou no Brasil em 6/10/2016.

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38 – UM HOMEM SÓ

Uma raríssima ficção científica brasileira, em que Vladimir Brichta contrata uma empres apara produzir um clone para levar sua vida medíocre por ele. Com Mariana Ximenes. Estreou no Brasil em 29/9/2016.

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39 – AMOR POR DIREITO

Julianne Moore é uma policial que descobre que está muito doente. Ela quer que a companheira (Ellen Page) receba a pensão da polícia após sua morte. E aí começa a batalha legal contra a discriminação. Steve Carrell também está no elenco dessa adaptação de uma história real acontecida não faz tanto tempo: em 2002. Estreou no Brasil em 21/4/2016.

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40 – MUNDO CÃO

De Marcos Jorge, diretor de Estômago, uma trama de vingança que o personagem de Lázaro Ramos trama contra Babu Santana, o funcionário de um centro de zoonoses que pegou o cachorro dele, depois sacrificado. Estreou no Brasil em 17/3/2016.

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41 – A DESPEDIDA

Nélson Xavier é o velho doente que se despede dos amigos, incluindo a amante bem mais nova vivida por Juliana Paes, com quem ele vive ainda momentos de amor. Estreou no Brasil em 9/6/2016.

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42 – MILLER & FRIED – AS ORIGENS DO PAÍS DO FUTEBOL

Um documentário que volta ao berço do nosso futebol: Charles Miller, que trouxe a primeira bola ao Brasil, e Arthur Friedenreich, nosso primeiro grande craque. Estreou no Brasil em 28/7/2016.

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43 – A LUZ ENTRE OCEANOS

O título refere-se ao trabalho do personagem de Michael Fassbender, em um farol na Austrália, justo na divisão dos oceanos Pacífico e Atlântico. Alicia Vikander é sua esposa, que o convence a criarem com deles o bebê que surge em um barco, ao lado de um homem morto. Estreou no Brasil em 3/11/2016.

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44 – É APENAS O FIM DO MUNDO

O drama francês mostra uma reunião de família que sai do controle por causa das muitas mágoas. O elenco tem Nathalie Baye, Léa Seydoux e Vincent Cassel. Estreou no Brasil em 24/11/2016.

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45 – RAINHA DE KATWE

Produção da Disney dirigida pela indiana Mira Nair sobre uma jovem de Uganda que deseja se tornar uma grande jogadora de xadrez. Estreou no Brasil em 24/11/2016.

46 – A CORTE

Fabrice Luchini é o juiz rígido que fica abalado ao reencontrar um antigo amor no tribunal. Chegou a passar no Festival Varilux, mas não entrou em cartaz. Estreou no Brasil em 11/8/2016.

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47 – FIQUE COMIGO

Isabelle Huppert nunca é demais e sempre queremos mais (2). É uma comédia dramática com seis personagens que se cruzam em um edifício. Estreou no Brasil em 3/3/2016.

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48 – ORGULHO E PRECONCEITO E ZUMBIS

Essa curiosidade une o universo de Jane Austen a um elemento icônico da cultura de terror pop. Estreou no Brasil em 25/2/2016.

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49 – MULHERES NO PODER

Dira Paes é uma senadora tentando se dar bem em uma mamata, mas há outras mulheres também querendo levar vantagem. Estreou no Brasil em 12/5/2016.

Life - Um Retrato de James Dean

 

50 – LIFE – UM RETRATO DE JAMES DEAN

 

A amizade entre James Dean e o fotógrafo Dennis Stock, às vésperas de Dean se tornar um grande sucesso. Estreou no Brasil em 21/7/2016.

***

LEIA MAIS:

Coluna Cinemascope (#22). Correio da Paraíba, 15/2/2017

SEVEN BRIDES FOR SEVEN BROTHERS

O discurso do personagem, o discurso do filme

por Renato Félix

A jornalista Tatiana Learth, uma amiga querida, confessou dia desses que assiste a um filme mais pela mensagem que “de um modo cinéfilo”. Então, os temas e como ele são tratados pelo filme são os pontos de interesse dela. Por outro lado, já ouvi pessoas reclamando da ética de alguns filmes por causa do discurso de um personagem (de machismo, racismo ou o que for).

Aí, é preciso refletir e um pouco “de maneira cinéfila”: o discurso do personagem é o discurso do filme? Porque não necessariamente se trata da mesma coisa.

Por exemplo, meu colega Clóvis Roberto e eu há pouco conversávamos sobre Sete Noivas para Sete Irmãos (1954). Ora, os sete irmãos do filme são nitidamente machistas: são homens selvagens, criados sozinhos quase isolados da civilização. Esta civilização está representada na mulher, na primeira das sete noivas, Millie (Jane Powell). É ela que dá a eles um banho literal e outro de educação.

Mesmo assim, instigados pelo mais velho dos irmãos, que ouviu de Millie e reconta a seu modo a história do rapto das sabinas na Roma Antiga, eles sequestram as seis outras moças confiantes de que, com o tempo, como estão apaixonadas, acabarão aceitando e sendo felizes.

Quando chegam de volta, é Millie que os faz ver o quão errados estavam, expulsando-os de casa e refugiando-se lá dentro com as moças. Então, embora o discurso do protagonista Adam (Howard Keel) dizia que o sequestro e a conquista à força era a solução, ele não é endossado pelo filme.

Acontece o mesmo em diversos outros filmes. Por mais incômodo que uma fala assim seja, é preciso refletir se o filme está expondo para criticar esse discurso ou se está a favor.

FOTO: Sete Noivas para Sete Irmãos (1954)

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Coluna Cinemascope (#21). Correio da Paraíba, 8/2/2017.

Persona-09

Técnico e comunicador

por Renato Félix

O crítico João Batista de Brito publicou ontem em seu blog um texto intitulado “Como escrever sobre cinema”. É menos uma receita de como fazer do que a exposição da sinuca com a qual qualquer crítico, em algum momento (ou o tempo), se depara no relacionamento com o leitor: o quão profundo e técnico ser em seu texto, correndo o risco de ir perdendo poder de comunicação a cada degrau de profundidade; o quão legível ser, correndo o risco de, para atingir a todos, terminar sendo superficial.

O desafio (e exercício) diário é encontrar esse meio termo não muito claro. João conta como, na mesma época, pessoas diferentes o apontaram como tendo um texto “difícil” ou “fácil demais”. De minha parte, fazendo uma autorreflexão, tento evitar um teor difícil ou técnico demais, até porque o espaço não é tanto e é preciso ser sintético. Escrever “difícil” me obriga a explicar os termos para os leitores não iniciados.

Às vezes é difícil, claro. Como traduzir Persona (1966), de Bergman, em palavras 100% simples, por exemplo? Entender bem de psicologia ou não modifica nossa capacidade de absorver e compreender tudo o que está ali, criando múltiplos pontos de vista. Mas ninguém sabe tudo e, de certa forma, talvez este dilema do crítico seja exatamente amalgamar estas suas duas personalidades: o técnico especializado e o comunicador.

Mesmo com pesquisas de mercado, etc, nunca se sabe exatamente quem está lendo o jornal. Ou: o grupo de leitores é variado, nunca totalmente com o mesmo perfil. E o nosso objetivo é estabeler um diálogo com o leitor, que vai refletir ele mesmo sobre o filme e, no fim, concordar ou não com o crítico.

FOTO: Persona (1966)

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Coluna Cinemascope (#20). Correio da Paraíba, 1/2/2017

Saltimbancos Trapalhoes - Rumo a Hollywood - 01

Sumiram com os Saltimbancos

por Renato Félix

Faz alguns anos que Renato Aragão não aparece semanalmente em um programa na TV aberta. E só pode ser essa a razão (imediatista e rasa) para que as companhias exibidoras tenham simplesmente desprezado a volta do trapalhão aos cinemas, com Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood.

O filme não chegou a entrar em cartaz nas quatro sessões em nenhuma sala paraibana: teve duas numa sala do Cinespaço MAG, outras duas em uma sala do Cinépolis Manaíra e só duas também nos Cinesercla do Tambiá Shopping e do Partage Shopping, este em Campina. No Cinépolis Mangabeira, nem passou.

E olhe que, além de ser estrelado por Renato Aragão e Dedé Santana, trata-se de uma nova versão de um de seus maiores sucessos, que levou 5 milhões de pessoas aos cinemas em 1981/ 1982. E fez grande sucesso recente como musical de teatro, de onde esta nova versão foi adaptada. Na trilha, as mesmas canções de Chico Buarque que são cantadas até hoje por adultos e crianças.

Hoje, o filme não pode ser visto em João Pessoa: esta semana, passou apenas sábado e domingo. Na Paraíba, está sendo exibido apenas em Remígio. Provavelmente estará fora da programação já amanhã. E podia ser pior: soube que em Porto Alegre nem chegou a passar.

Minha infância foi pegando longas filas, dobrando o quarteirão, para ver o novo filme dos Trapalhões no cinema. Ok, os tempos são outros, mas a verdade é que o filme nem foi testado: os cinemas trataram de matar sua carreira no nascedouro.

Enquanto isso, filmes com youtubers estreiam com pompa e circunstância, ocupando várias salas. Não dá para não ter uma ponta de tristeza com as opções que nossos exibidores tomam.

FOTO: Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood (2016)

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03.12 - C5 - História-e

Coluna História. Correio da Paraíba, 12/3/2017.

Coluna Cinemascope (#19). Correio da Paraíba, 25/1/2017

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O contexto ‘La La Land’

por Renato Félix

Na última vez que olhei, La La Land – Cantando Estações era o 27º filme de melhor média entre os usuários do IMDb. O 27º entre todos os filmes de todos os tempos.  Mesma média de O Silêncio dos Inocentes (1991), A Felicidade Não Se Compra (1946), Cidade de Deus (2002), Guerra nas Estrelas (1977) e Os Sete Samurais (1954).

No começo do mês, se tornou recordista isolado do Globo de Ouro, com sete prêmios. Ontem, se tornou recordista de indicações ao Oscar: 14 (empatado com A Malvada, 1950, e Titanic, 1997). No Rotten Tomatoes, que faz um levantamento das críticas nos EUA, são 93% de críticas positivas (283 favoráveis, 22 desfavoráveis).

É para tanto? É uma delícia de filme, sim, talvez até um cinco estrelas, mas essa aceitação já é algo para ser analisado além da qualidade do filme em si.

É esse mundo conservador-baixo astral, com reacionários dando cria como gremlins de banho tomado, que está nos fazendo necessitar que o cinema nos eleve – e La La Land é o filme certo na hora certa? É uma boa aposta. O escapismo (e o musical, em particular) foi ao auge na Grande Depressão americana. E a vitória de i no Oscar não tinha tudo a ver com o baixo-astral pós-Nixon, Watergate e Vietnã?

A isso pode contribuir o deserto de musicais no cinema. Certo, um ou outro aparecem, mas não no estilo da Hollywood clássica, tipo anos 1940/ 1950, aqueles com Fred Astaire, Gene Kelly, Judy Garland. Quando um filme abraçou o estilo com tanta disposição, sinceridade e sem cinismo, ele se tornou um representante daquele cinema maravilhoso, todo concentrado em um filme só. E parte do público reencontrou e outra simplesmente descobriu esse prazer.

É o contexto possível para o fenômeno La La Land.

FOTO: La La Land – Cantando Estações (2016)

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Coluna Cinemascope (#18). Correio da Paraíba, 18/1/2017

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“La La Land – Cantando Estações” (2016)

Gostar ou não de musicais

por Renato Félix

Enquanto escrevo, ainda não assisti a La La Land – Cantando Estações, filme mais comentado deste começo de ano e que, como tal, vai gerando tanto comentários elogiosos como outros nem tanto. E, sendo um musical, inevitavelmente surgem os “eu não gosto de musicais” e suas variações.

Eu, que adoro musicais, não vejo problema nisso, a não ser em algumas justificativas. “Ninguém sai cantando assim na vida real”, por exemplo. Não ouço reclamações assim em, digamos, filmes de super-heróis (“Ninguém sai voando na vida real”) ou com certos aspectos da linguagem do cinema em quase todos os filmes (“Não toca música de fundo em cenas românticas na vida real”).

Realidade, verossimilhança, não é a questão. Acho que uma das questões é o esquema narrativo particular de um musical, onde canções vão costurando a narrativa, integradas a ela ou as comentando. O que, na percepção de alguns, é uma “interrupção da história”.

A questão é o espectador se adaptar a uma forma diferente de contar a história. É mais fácil para uns que para outros. De  certa forma, um filme como Os Miseráveis (2012), que é praticamente todo cantado, como uma ópera, pode ser até mais fácil – desde que a cobaia o assista em condições de temperatura e pressão ideais: do começo ao fim, sem interrupções ou distrações, passando pela estranheza inicial para seu cérebro se ajustar que a realidade ali “é assim mesmo” e aceitá-la.

Importante também é gostar da música. Quem não gosta da grande música americana dos anos 1940 e 1950 pode achar difícil encarar um filme com Sinatra. Por outro lado, deve ser esse um dos fatores que leva tanta gente a gostar de um filme medíocre como Moulin Rouge (2001): com a trilha compilando o greatest hits de uma geração fica fácil.

FOTO: La La Land – Cantando Estações (2016)

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Coluna Cinemascope (#17). Correio da Paraíba, 11/1/2017

Hollywood Foreign Press Association

Meryl Streep no Globo de Ouro, em 2017

Discursando por uma causa

por Renato Félix

Meryl Streep sabia que teria aquele tempo para falar o que quisesse no Globo de Ouro, e não desperdiçou. Fez um grande, memorável discurso, defendendo imigrantes, condenando os poderosos que pensam que podem tudo, clamando pela liberdade de imprensa. Vai ser lembrado por muito tempo, ao lado de outros memoráveis discursos políticos em premiações assim.

Já que se trata de um presidente eleito com menos votos que a concorrente, é difícil não voltar a Michael Moore, em 2003, quando Tiros em Columbine levou o Oscar de melhor documentário. “Gostamos de não ficção e vivemos em tempos fictícios. Um tempo com resultados eleitorais fictícios, que elegem um presidente fictício. Um tempo em que um homem nos manda para a guerra por motivos fictícios”. Ele falava de George W. Bush.

Ano passado, Leonardo DiCaprio, aproveitou os holofotes ao ganhar o Oscar de melhor ator por O Regresso, para alertar sobre as mudanças climáticas. “É a mais urgente ameaça contra nossa espécie inteira e nós temos que trabalhar coletivamente e parar de procrastinar. Precisamos que os líderes ao redor do mundo não falem pelos grandes poluidores, mas por toda a humanidade”.

E, claro, a mais clássica de todas aconteceu quando Marlon Brando ganhou o Oscar de melhor ator por O Poderoso Chefão, em 1973, e mandou em seu lugar Sacheen Littlefeather, atriz e ativista pelos direitos dos nativos americanos, para recusar a estatueta: “A razão para isso é o tratamento que os índios americanos recebem hoje da indústria do cinema e da televisão e os recentes acontecimentos em Wounded Knee”.

A cidade (de 382 habitantes em 2010) estava então ocupada por índios em protesto e cercada pela polícia. Ali ocorreu um massacre de índios pela cavalaria em 1890.

FOTO: Meryl Streep no Globo de Ouro, em 2017

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