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Houve um tempo em que se dizia que nenhuma continuação era superior ao original (só O Poderoso Chefão 2 – Parte 2O Império Contra-Ataca, o que sempre é discutível, mas era o que se dizia). Hoje já existem muitas partes 2 melhores que a parte 1, mas parece que sobre as partes 3 alguma maldição acontece. O senso comum costuma apedrejá-las (pergunte o que o pessoal acha de Homem-Aranha 3Homem de Ferro 3X-Men – O Confronto Final, por exemplo – em tempo: gosto dos três).

Então vamos a um top 10 de partes 3 que burlam isso aí. São filmes bem aceitos por público em geral e pela crítica e, às vezes, até melhores que o original.

"Star Wars – A Vingança dos Sith"

“Star Wars – A Vingança dos Sith”

10 – STAR WARS – A VINGANÇA DOS SITH (2005)

A segunda trilogia da série Guerra nas Estrelas é cheia de problemas e o próprio A Vingança dos Sith tem alguns bem sérios. Mas é inegável que também é bastante superior aos dois primeiros e possivelmente o único que realmente não faz feio com relação à trilogia original. RT: 80%.

"De Volta para o Futuro – Parte III"

“De Volta para o Futuro – Parte III”

9 – DE VOLTA PARA O FUTURO – PARTE III (1990)

Filmado simultaneamente com a parte II, tem uma diferença razoável com relação aos anteriores por se passar quase inteiramente no velho oeste. Acaba então se tornando uma deliciosa paródia do gênero. E faz isso muito bem, além de também cumprir muito bem o papel de encerrar a história. RT: 73%.

"O Ultimato Bourne"

“O Ultimato Bourne”

8 – O ULTIMATO BOURNE (2007)

Os dois primeiros filmes já são muito bons, mas o terceiro realmente fecha com chave de ouro a trilogia. Paul Greengrass está muito inspirado nas cenas de perseguição e de luta e no ritmo das revelações que vão aparecendo para elucidar a história do agente que, no primeiro filme, começa desacordado e perseguido por colegas sem saber o motivo. RT: 93%.

"Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban"

“Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”

7 – HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN (2004)

Para o terceiro filme da série, houve uma mudança de direção: saiu o burocrático Chris Columbus e entrou o mexicano Alfonso Cuarón, que imprimiu mudanças visíveis: reduziu muito o ar glamouroso e de conto-de-fadas da escola de bruxaria e nos brindou com a sequência antológica em que Harry fica frente a frente com Sirius Black e outra, a da volta no tempo. Nenhum filme que veio depois conseguiu superá-lo (talvez o sétimo dos oito, mas a discutir). RT: 91%.

"O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei"

“O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei”

6 – O SENHOR DOS ANÉIS – O RETORNO DO REI (2003)

A trilogia O Senhor dos Anéis foi filmada numa tirada só, mas a edição foi um de cada vez. Isso deve ter ajudado o diretor Peter Jackson a corrigir problemas a cada passo e controlar, por exemplo, sua tendência ao exagero. Ou isso, ou o exagero se justifica pelo clímax gigante que é o capítulo final da saga. RT: 95%.

"007 – Operação Skyfall"

“007 – Operação Skyfall”

5 – 007 – OPERAÇÃO SKYFALL (2012)

Ok, ok, sabemos que Skyfall é o 23º filme da série James Bond. Mas desde que 007 – Cassino Royale reiniciou a série em 2006, então podemos entender o filme como o terceiro dessa nova fase (fizemos isso também com A Vingança dos Sith, oras). E o sentimento foi de “até que enfim!”. Depois de um ótimo filme que tinha pouco do James Bond que o cinema consagrou e um segundo que nem era muito bom, nem era muito Bond, este conseguiu ser excelente e fazer Daniel Craig envergar bastante da autoparódia que acompanhava o agente desde Sean Connery. Além disso, há a fotografia sensacional de Roger Deakins e sacadas como colocar a M de Judi Dench como a principal bondgirl do filme. RT: 92%.

Indiana Jones e a Ultima Cruzada-26

“Indiana Jones e a Última Cruzada”

4 – INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA (1989)

Steven Spielberg achou o segundo filme da série muito sombrio (gente tendo o coração arrancado do peito… aquelas coisas), então caprichou na comédia em A Última Cruzada. O golpe de mestre foi escalar Sean Connery como o pai de Indy (fazia todo o sentido, já que de certa forma James Bond foi o “pai” de Indiana Jones). Como o original, aqui também tivemos uma corrida apostada contra os nazistas por um tesouro bíblico. RT: 88%.

"Toy Story 3"

“Toy Story 3”

3 – TOY STORY 3 (2010)

Parecia ser difícil superar o excelente segundo filme, de 1999. Além disso, o terceiro filme surgia sob a sombra de puro oportunismo (detentora dos direitos, a Disney ia tocá-lo sozinha quando a Pixar estava para deixar a parceria com o estúdio). Mas Pixar conseguiu surpreender e entregar, 11 anos depois, uma continuação melhor ainda, que vira um filme de prisão, chega no limite do suspense para um filme infantil e com um final de deixar o coração apertado. RT: 99%.

"Três Homens em Conflito"

“Três Homens em Conflito”

2 – TRÊS HOMENS EM CONFLITO (1966)

É a terceira parte da trilogia do Homem sem Nome, de Sergio Leone. Os anteriores – Por um Punhado de Dólares (1964) e Por uns Dólares a Mais (1965) – foram eclipsados por esta ciranda de trapaças e violências entre o bom (Clint Eastwood), o mau (Lee Van Cleef) e o feio (Eli Wallach). Seria o máximo do western spaghetti, não fosse Era uma Vez no Oeste (1968), do próprio Leone. RT: 97%.

"007 contra Goldfinger"

“007 contra Goldfinger”

1 – 007 CONTRA GOLDFINGER (1963)

Em Goldfinger, James Bond finalmente estava completo como o personagem que se tornaria um dos mais conhecidos do universo da ficção (muito mais do que na literatura). Os dois filmes anteriores contribuíram muito para isso (principalmente o segundo, Moscou contra 007, de 1963), mas aqui todos os elementos chegaram ao ponto ideal: um vilão megalomaníaco, capangas magistrais, bondgirls de tirar o fôlego, cenas antológicas (a beldade que morre folheada a ouro, o raio laser que corta a mesa em direção a 007) e a autoparódia, o não-se levar-muito-a-sério (no começo do filme, Bond sai do mar de escafandro e já tem um smoking por baixo). Ainda é o melhor dos até agora 23 filmes de Bond. RT: 96%.

Zooey Deschanel em "500 Dias com Ela"

Zooey Deschanel em “500 Dias com Ela”

1 – ZOOEY DESCHANEL, por 500 Dias com Ela

Anteriormente em Musas retroativas: 19ª em 2000, por Quase Famosos; 14ª em 2005, por O Guia do Mochileiro das Galáxias; 12ª em 2007, por Ponte para Terabítia e por O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford; 9ª em 2008, por Sim, Senhor, por Gigantesco e por Fim dos Tempos.

Zooey Deschanel já chamava a atenção há muito tempo (quando a vi em Quase Famosos logo procurei saber o nome dela e fui acompanhando). Quando estrelou 500 Dias com Ela, como a garota interessante que tem Ringo Starr como Beatle preferido, ela chegou ao topo de seu encantamento. Superou aqui a campeã do ano passado, Penélope Cruz, que quase chegou ao bicampeonato – podendo muito bem ter ganhado como mostra sua dança em Nine.  E Julianne Moore ficou 10 anos fora da lista, mas voltou por cima, compondo o pódio. Contou com a ajuda inestimável de Amanda Seyfried, sua companheira de cena (e que cena!) em O Preço da Traição (Amanda, que ficou em primeiro na lista imediata do blog de musas dos filmes de 2010 nos cinemas de JP). Além de Penélope e Julianne, Scarlett Johansson e Nicole Kidman são outras campeãs de outros anos presentes. Pelo Brasil, Paola Oliveira aparece de novo super bem colocada. Primeira aparição: Melanie Laurent, Carey Mulligan, Giovanna Antonelli. Brasileiras na lista: Paola Oliveira, Luana Piovani, Giovanna Antonelli.

Penélope Cruz em "Abraços Partidos"

Penélope Cruz em “Abraços Partidos”

Penélope Cruz em "Nine"

Penélope Cruz em “Nine”

2 – PENÉLOPE CRUZ, por Abraços Partidos e por Nine

Anteriormente em Musas retroativas: 7ª em 1992, por Jamón, Jamón; 13ª em 2001, por Vanilla Sky; 3ª em 2006, por Volver; 1ª em 2008, por Vicky Cristina Barcelona e por Fatal.

Julianne Moore em "O Preço da Traição"

Julianne Moore em “O Preço da Traição”

Julianne Moore em "Direito de Amar"

Julianne Moore em “Direito de Amar”

3 – JULIANNE MOORE, por O Preço da Traição e por Direito de Amar

Anteriormente em Musas retroativas: 14ª em 1992, por Corpo em Evidência e por A Mão que Balança o Berço; 12ª em 1993, por Short Cuts – Cenas da Vida e por O Fugitivo; 3ª em 1997, por Boogie Nights – Prazer sem Limites; 12ª em 1998, O Grande Lebowski e por Psicose; 1ª em 1999, por Fim de Caso e por Magnólia.

Paola Oliveira em "Budapeste"

Paola Oliveira em “Budapeste”

4 – PAOLA OLIVEIRA, por Budapeste

Anteriormente em Musas retroativas: 3ªem 2008, por Entre Lençóis.

Amanda Seyfried em "O Preço da Traição"

Amanda Seyfried em “O Preço da Traição”

Amanda Seyfried em "Garota Infernal"

Amanda Seyfried em “Garota Infernal”

5 – AMANDA SEYFRIED, por O Preço da Traição e por Garota Infernal

Anteriormente em Musas retroativas: 10ª em 2008, por Mamma Mia! – O Filme.

Melanie Laurent em "Bastardos Inglórios"

Mélanie Laurent em “Bastardos Inglórios”

Melanie Laurent em "O Concerto"

Mélanie Laurent em “O Concerto”

6 – MÉLANIE LAURENT, por Bastardos Inglórios e por O Concerto

Scarlett Johansson em "Ele Não Está Tão a Fim de Você"

Scarlett Johansson em “Ele Não Está Tão a Fim de Você”

7 – SCARLETT JOHANSSON, por Ele Não Está Tão a Fim de Você

Anteriormente em Musas retroativas4ª em 2003, por Encontros e Desencontros; 1ª em 2005, por Ponto Final – Match Point e por A Ilha; 2ª em 2006, por Scoop – O Grande Furo, por Dália Negra e por O Grande Truque; 2ª em 2008, por Vicky Cristina Barcelona, por A Outra e por The Spirit – O Filme.

Luana Piovani em "A Mulher Invisível"

Luana Piovani em “A Mulher Invisível”

8 – LUANA PIOVANI, por A Mulher Invisível

Anteriormente em Musas retroativas: 5ª em 2003, por O Homem que Copiava.

Marion Cotillard em "Nine"

Marion Cotillard em “Nine”

Marion Cotillard em "Inimigos Públicos"

Marion Cotillard em “Inimigos Públicos”

9 – MARION COTILLARD, por Nine e por Inimigos Públicos

Anteriormente em Musas retroativas11ª em 2006, por Um Bom Ano.

Megan Fox em "Garota Infernal"

Megan Fox em “Garota Infernal”

Megan Fox em "Transformers - A Vingança dos Derrotados"

Megan Fox em “Transformers – A Vingança dos Derrotados”

10 – MEGAN FOX, por Garota Infernal e por Transformers – A Vingança dos Derrotados

Anteriormente em Musas retroativas3ª em 2007, por Transformers.

10 - Nicole Kidman em "Nine"

Nicole Kidman em “Nine”

11 – NICOLE KIDMAN, por Nine

Anteriormente em Musas retroativas: 20ª em 1991, por Billy Bathgate – O Mundo a Seus Pés; 11ª em 1993, por Malícia; 1ª em 1995, por Um Sonho sem Limites e por Batman Eternamente; 14ª em 1998, por Da Magia à Sedução; 2ª em 1999, por De Olhos Bem Fechados; 8ª em 2001, por A Isca Perfeita, por Moulin Rouge – Amor em Vermelho e por Os Outros; 10ª em 2003, por Dogville, por Revelações e por Cold Mountain.

Natalie Portman em "Entre Irmãos"

Natalie Portman em “Entre Irmãos”

Natalie Portman em "As Coisas Impossíveis do Amor"

Natalie Portman em “As Coisas Impossíveis do Amor”

12 – NATALIE PORTMAN, por Entre Irmãos e por As Coisas Impossíveis do Amor

Anteriormente em em Musas retroativas12ª em 2003, por Cold Mountain; 4ª em 2004, por Closer – Perto Demais; 18ª em 2005, por V de Vingança e por Star Wars – A Vingança dos Sith; 16ª em 2006, por Paris, Te Amo e por As Sombras de Goya; 9ª em 2007, por Um Beijo Roubado.

Emma Stone em "Zumbilândia"

Emma Stone em “Zumbilândia”

13 – EMMA STONE, por Zumbilândia

Anteriormente em Musas retroativas16ª em 2007, por Superbad – É Hoje!

14 - Amy Adams-b

Amy Adams em “Uma Noite no Museu 2”

Amy Adams em "Julie & Julia"

Amy Adams em “Julie & Julia”

14 – AMY ADAMS, por Uma Noite no Museu 2 e por Julie & Julia

Anteriormente em Musas retroativas5ª em 2008, por A Vida num Só Dia, por Dúvida e por Trabalho Sujo.

Emma Watson em "Harry Potter e o Enigma do Príncipe"

Emma Watson em “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”

15 – EMMA WATSON, por Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Anteriormente em Musas retroativas13ª em 2007, por Harry Potter e a Ordem da Fênix.

Carey Mulligan em "Educação"

Carey Mulligan em “Educação”

Carey Mulligan em "Inimigos Públicos"

Carey Mulligan em “Inimigos Públicos”

16 – CAREY MULLIGAN, por Educação e por Inimigos Públicos

Kate Hudson em "Nine"

Kate Hudson em “Nine”

Kate Hudson em "Noivas em Guerra"

Kate Hudson em “Noivas em Guerra”

17 – KATE HUDSON, por Nine e por Noivas em Guerra

Anteriormente em Musas retroativas4ª em 2000, por Quase Famosos.

Eva Mendes em "Vício Frenético"

Eva Mendes em “Vício Frenético”

18 – EVA MENDES, por Vício Frenético

Anteriormente em Musas retroativas: 10ª em 2001, por Dia de Treinamento; 6ª em 2007, por Os Donos da Noite e por Motoqueiro Fantasma; 15ª em 2008, por The Spirit – O Filme e por Mulheres – O Sexo Forte.

Giovanna Antonelli em "Budapeste"

Giovanna Antonelli em “Budapeste”

19 – GIOVANNA ANTONELLI, por Budapeste

Sienna Miller em "G.I. Joe - A Origem de Cobra"

Sienna Miller em “G.I. Joe – A Origem de Cobra”

20 – SIENNA MILLER, por G.I. Joe – A Origem de Cobra

Anteriormente em Musas retroativas14ª em 2006, por Uma Garota Irresistível.

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Estrelas-03 e meia juntas-site

Um equilíbrio difícil

Daniel Radcliffe e Zoe Kazan: carisma e diálogos espirituosos

Daniel Radcliffe e Zoe Kazan: charme e diálogos espirituosos

A comédia-romântica é um subgênero bastante menosprezado pela crítica, mas, na verdade, é bem difícil de fazer (de fazer bem feito, claro). Ela demanda um equilíbrio muito difícil entre seguir e se afastar de certas regras, e precisa se manter interessante mesmo sendo, em boa medida, previsível. Será que? (What If/ The F Word, Canadá/ Irlanda, 2013) é um dos que conseguem um bom resultado.

A trama se passa em Toronto e Daniel Radcliffe é Wallace, o estudante de medicina que passou por um rompimento difícil do qual ainda não se recuperou um ano depois. Ele conhece em uma festa Chantry (Zoe Kazan), a prima de seu melhor amigo Allan (Adam Driver, da série Girls) e ela é a garota perfeita: charmosa, esperta, um papo incrível, a química é automática e inegável. O problema: ela tem namorado.

Os dois acabam firmando uma amizade cada vez maior (a “palavra com f” do título no Canadá é “friends”), enquanto Wallace mantém em segredo seu interesse por ela – algo que ele até gostaria de fazer desaparecer, mas tem grandes dificuldades em domar. E ele ainda vai precisar lidar com a pressão dos amigos, sempre perguntando sobre a possibilidade de um romance. E tudo vai ficando mais complicado nessa relação muito particular.

Pois é, há muito de Harry & Sally, Feitos um para o Outro (1989) em Será Que?, mesmo que o filme do canadense Michael Dowse seja baseado em uma peça. O filme dribla essa semelhança apostando bem no carisma de seus protagonistas. Radcliffe vai deixando Harry Potter para trás e Zoe, neta do grande cineasta Elia Kazan e ela própria também roteirista (é dela o roteiro de Ruby Sparks, a Namorada Perfeita, 2012, outra comédia-romântica ótima), foge do padrão supermodelo de beleza, mas é uma gracinha com talento evidente.

No registro visual, o diretor aproveita a profissão de Chantry – animadora – para usar um desenho animado dela mesma como comentário da trama. Mas uma das melhores coisas do filme é mais simples e diz respeito a como a amizade entre Chantry e Wallace vai sendo construída: quando ajudam um carteiro a recolher cartas que voam, por exemplo, ou a emblemática imagem dos dois debaixo de um mesmo guarda-chuva esperando o sinal abrir para atravessarem a rua, imagens que pontuam diálogos gostosamente espirituosos e velozes.

É bom, também, que os tradicionais amigos dos protagonistas com quem eles podem discutir seus dilemas, sempre presentes no subgênero, não sejam apenas mais um ponto de comédia, mas que possuam também os seus próprios dilemas. O espectador vai acompanhando também o desenrolar da relação amorosa de Allan e sua cara-metade, aparentemente tão pirada quanto ele. Dilemas estes que não apenas românticos, mas dizem respeito à vida – ou melhor, a se estabelecer em uma vida adulta que está começando, o que também é um tema forte e bem desenvolvido em Será que?

Será que? What If/ The F Word. Irlanda/ Canadá, 2013. Direção: Michael Dowse. Elenco: Daniel Radcliffe, Zoe Kazan, Adam Driver, Megan Park, Mackenzie Davis, Rafe Spall, Oona Chaplin.

Noite de Estreia

Planilhas na mão: vai começar a terceira edição da mostra Noite de Estreia, no Box Cinépolis do Manaíra Shopping. Desta vez são 11 filmes que não passaram nos cinemas de João Pessoa e prometem repetir o sucesso das duas primeiras edições, que aconteceram no primeiro semestre de 2012.

Começando pelo fundamental Cabra Marcado para Morrer, em cópia restaurada e passando por filmes como Febre do RatoAs Vantagens de Ser InvisívelInfância Clandestina e No, indicado ao Oscar de filme de língua não inglesa.

No quadro acima, confeccionado pela coordenação da mostra, a tabela de filmes por dia.

– ATUALIZAÇÃO I15/2, 11h30): Na manhã de hoje, 0 premiado e muito elogiado O Som ao Redor foi anunciado na programação. No quadro acima, ele entra no lugar de O Exercício do Poder. A relação abaixo já está atualizada.

Aqui embaixo, os filmes, do que tratam, seus trailers legendados e em que dias e horários serão exibidos. Programe-se!

Bem Amadas: Musical de Chistophe Honoré sobre a relação de mãe e filha – Catherine Deneuve e Chiara Mastroianni, mãe e filha na vida real. Ludivine Sagnier é a personagem de Deneuve na juventude. O cineasta tcheco Milos Forman (de Amadeus e Um Estranho no Ninho) está no elenco, assim como, claro, Louis Garrel, ator-assinatura de Honoré. Sexta 15 (21h); sábado 23 (17h); terça 26 (19h)

Boa Sorte, Meu Amor: O filme do pernambucano Daniel Aragão foi premiado no Festival de Locarno, na Suíça. Em preto-e-branco, mostra a relação de uma estudante de música e um empresário do ramo da demolição em um jogo de passado e presente, diferenças de classe, valorização da arte e um monte de outras coisas. Terça 19 (19h); quarta 27 (21h)

Cabra Marcado para Morrer: O clássico documentário de Eduardo Coutinho foi relançado ano passado em cópia restaurada. A história, você sabe: o filme começou a ser realizado nos anos 1960 como uma ficção sobre o assassinato do líder das Ligas Camponesas na Paraíba, usando a verdadeira viúva como atriz, mas as filmagens foram interrompidas com o golpe de 1964. Quase 20 anos depois, Coutinho foi em busca daquelas pessoas para saber o que aconteceu com elas. Sexta 15 (19h); domingo 24 (17h)

Elefante Branco: Ricardo Darín é um padre que se envolve com as questões sociais na maior favela de Buenos Aires. Foi indicado a três prêmios da Academia Argentina (incluindo melhor filme). Sábado 16 (15h); quarta 27 (19h)

Fausto: Leão de Ouro e mais dois prêmios no Festival de Veneza de 2011, o novo filme do russo Alexandr Sokurov é uma adaptação da obra de Goethe sobre o homem que vende a alma ao diabo, com a elaboração visual que marca o diretor de Arca Russa. Segunda 18 (19h); segunda 25 (21h)

Febre do Rato: O novo filme do pernambucano Cláudio Assis tem Irandhir Santos como um poeta que entra em parafuso quando a mulher por quem ele se encanta não dá bola para ele. Falando assim, parece bonitinho, mas é um filme do Cláudio Assis. Levou oito prêmios no finado Festival de Paulínia – incluindo filme, direção, ator e atriz (Nanda Costa, nunca é demais dizer). Domingo 17 (15h); quinta 28 (19h)

Infância Clandestina: Em 1979, na Argentina sob a rígida ditadura militar, um garoto vive clandestinamente com sua família que luta contra o regime. Mas ele se apaixona por uma menina, um envolvimento que complica tudo. É uma história real. Ganhou dez prêmios da Academia Argentina de Cinema (incluindo melhor filme, direção, ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante) e foi o escolhido pela Argentina para concorrer a indicação ao Oscar de filme de língua não inglesa deste ano. E atenção, no elenco está a querida paraibana Mayana Neiva! Domingo 17 (17h); quarta 20 (19h); sábado 23 (15h)

As Neves do Kilimanjaro: Um casal feliz há 30 anos são abordados com violência em um assalto, onde é levado o dinheiro que tinham para uma viagem ao Monte Kilimanjaro. Mas quando os bandidos são encontrados, eles acabam tendo uma reação que surpreende os parentes e amigos. É baseado em um poema de Vitor Hugo e, apesar do mesmo título, não tem nada a ver com o filme de Hollywood de 1952, com Gregory Peck e Ava Gardner. Indicado ao César de melhor atriz. Segunda 18 (21h); quinta 21 (21h); sexta 22 (21h)

No: Indicado ao Oscar de filme de língua não inglesa deste ano, o filme chileno se passa no referendo que definiria se o ditador Pinochet continuaria ou não no governo em 1988. René Saavedra (Gael García Bernal) coordena a campanha do “Não” com pouco dinheiro e sempre vigiado pelos agentes do governo (um dos mais sangrentos entre as ditaduras latino-americanas). Ganhou como melhor filme estrangeiro na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Prêmio C.I.C.A.E., em Cannes. Quinta 21 (19h); segunda 25 (19h); quinta 28 (21h)

O Som ao Redor: O filme do pernambucano Kléber Mendonça Filho fez furor nos festivais ano passado e entrou nas listas de melhores do ano da Film Comment (revista de cinema do Lincoln Center) e do The New York Times. Ganhou o prêmio do júri no Festival de Roterdã, melhor filme na Mostra de São Paulo e Festival do Rio, júri popular e prêmio da crítica em Gramado… E com nosso W.J. Solha no elenco. A história se passa em uma rua de classe média de Recife, onde uma milícia oferece um serviço de segurança, alterando a rotina e as relações entre os moradores. O filme substitui O Exercício do Poder, anteriormente programado para a mostra. Terça 19 (21h); sexta 22 (19h); terça 26 (21h)

As Vantagens de Ser Invisível: O próprio Stephen Chbosky fez o roteiro e dirigiu a adaptação de seu livro, a história de um calouro introvertido que é acolhido por outros dois deslocados com quem constrói uma verdadeira amizade. O filme americano tem no elenco a lindinha Emma Watson, a Hermione dos filmes de Harry Potter. Sábado 16 (17h); quarta 20 (21h); domingo 24 (15h)

Clímax do começo ao fim

Harry, Hermione e Rony: urgência na ação e no romance

Na divisão do livro Harry Potter e as Relíquias da Morte em dois filmes, a Parte 1 avançou até cerca de 350 páginas, restando, para a Parte 2, se concentrar nas últimas cerca de 150. Isso reflete muito o que são os dois filmes, muito diferentes entre si. Boa parte de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 (2010) segue em compasso de espera, com Harry (Daniel Radcliffe), Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) se escondendo dos seguidores de Voldemort, enquanto tentam descobrir como como contra-atacar e destruir o vilão. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 2, EUA/ Reino Unido, 2011) mostra, enfim, esse contra-ataque. É um grande clímax, do primeiro ao último fotograma.

Em seus sete filmes anteriores, a série ficou marcada por uma coerência artística admirável, à qual o oitavo e último filme se integra com perfeição. A trama soma referências a todos os filmes anteriores, entre personagens, elementos físicos e flashbacks. E coroa o amadurecimento visível e constante da série, desde os primeiros dias de alegria e encantamento em Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001).

Se gradativamente os filmes foram ficando mais difíceis para quem pegava o bonde andando, o capítulo oito não tem a menor cerimônia (nem muito tempo para gastar) com os novatos na platéia. Já começa como se, na TV, estivesse voltando de um comercial: pegando a história pelo meio e seguindo em frente em ritmo acelerado e quase ininterrupto. As informações precedentes sobre o que está acontecendo são inseridas rapidamente, mas, pelo menos, bem colocadas nos diálogos.

O importante é saber que os jovens bruxos estão à procura das últimas horcruxes, os objetosonde Voldemort depositou as partes fracionadas de sua alma e que devem ser destruídos para que o vilão volte a ser mortal e possa ser, então, derrotado. E devem fazer isso antes que ele e seus seguidores, os comensais da morte, invadam e dominem Hogwarts e, na seqüência, o mundo inteiro.

Para isso, Harry, Rony e Hermione começam invadindo o banco dos bruxos e retornam a Hogwarts, pouco antes da escola virar palco de uma batalha entre Voldemort e seus seguidores contra os professores e os alunos. Ali se dará as últimas revelações e o confronto final entre Harry e Voldemort.

Essa grande clímax parece dar a este oitavo filme menos oportunidades para ousadias formais e temáticas que o anterior – e é verdade. Mas a narrativa do diretor David Yates (a partir do roteiro de Steve Kloves) é praticamente impecável. O filme – superpopuloso e com muita informação – talvez pudesse ser apenas um pouco mais longo (com 2h10 de duração, é o mais curto da série) para que algumas situações fossem trabalhadas com mais atenção.

Mas isso a princípio. Mortes de personagens queridos e/ ou importantes que são mostradas rapidamente ou só depois de acontecer, mas Yates pode estar querendo dizer alguma coisa sobre a banalidade da vida em uma guerra e fazer tudo isso pesar ainda mais sobre os ombros de Harry: ao encerrar um combate, logo se descobre que um amigo morreu, e depois mais outro e outro… Da mesma forma, há pouco (pouquíssimo) tempo para romance, e tudo se torna urgente. Como diz um personagem, que resolve declarar seu amor por uma garota porque a expectativa de morrer dali a algumas horas.

Mesm0 com toda a urgência, há momentos muito inspirados. A invasão ao banco rende uma movimentada cena de ação, mas o filé mignon é o início dela: um bem armado suspense, com escolhas de tomadas muito interessantes – como o olho aterrorizado de Rony em primeiríssimo plano, na iminência de ser descoberto.

Mas o grande momento mesmo é quando entra em cena a penseira e Harry literalmente mergulha nas lembranças de Severo Snape, mostrando o grande personagem que ele é, reforçado pelo talento incrível de Alan Rickman. É algo que simplesmente redimensiona a série desde seu início.

Também é bom ver Maggie Smith voltando a ter destaque depois de vários filmes em que foi quase figurante. A verdadeira convenção de grandes atores britânicos que a série Harry Potter virou se tornou uma atração à parte – eles foram como professores, realmente, para os alunos Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint. E estão quase todos de volta, muitos para uma aparição e duas ou três falas. Não é o caso de Ralph Fiennes, claro, que se diverte a valer com seu Voldemort, indo do mais terrível até a fanfarronice.

São personagens que se tornaram extremamente familiares para o público nestes dez anos. E esses personagens e esse público foram brindados com um fecho de ouro, com direito a um epílogo comovente. Nem é preciso ser muito atento para reparar que, de uma cena bem específica no meio e daí para o fim do filme, o tema original de John Williams volta com força. Muito presente nos três primeiros filmes da série, o “Hedwig’s theme” foi se tornando cada vez mais discreto quando outros compositores assumiram a função. Agora, com Alexandre Desplat o traz de volta e a série se encerra, no eílogo, muito apropriadamente fechando também este ciclo.

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 2, EUA/ Reino Unido, 2011). Direção: David Yates. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Helena Bonham Carter, Tom Felton, Bonnie Wright, Evanna Lynch, Maggie Smith, Robbie Coltrane, Julie Walters, Mark Williams, James Phelps, Oliver Phelps, Jim Broadbent, Jason Isaacs, David Thewlis, John Hurt, Emma Thompson, Kelly Macdonald, Gemma Jones, Helen McCrory, Ciarán Hinds, Warwick Davis, Gary Oldman, Geraldine Sommerville, Adrian Rawlins, Michael Gambon.

* Versão estendida de crítica publicada no Correio da Paraíba.

Leia mais:

Precedido por:
– Crítica de Harry Potter e a Pedra Filosofal
– Crítica de Harry Potter e a Câmara Secreta
– Crítica de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
– Crítica de Harry Potter e o Cálice de Fogo
– Crítica de Harry Potter e a Ordem da Fênix
– Crítica de Harry Potter e o Enigma do Príncipe
– Crítica de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1

Magia negra

Os jovens bruxos preparam-se para o pior

Até agora, a série criada por J.K. Rowling segue uma escalada constante rumo à tragédia. Assim, não surpreende que Harry Potter e a Ordem da Fênix (Harry Potter and the Order of Phoenix, Inglaterra/ Estados Unidos, 2007) seja o mais sombrio dos – até então – cinco filmes. Os problemas na vida de Harry se sucedem e quase não há espaço para momentos alegres neste quinto ano em Hogwarts.

Mesmo o tão comentado beijo de Harry (Daniel Radcliffe) e Cho Chang (Katie Leung) é só uma pequena exceção em meio a um turbilhão de tensões emocionais. Aos 15 anos, o bruxo está inquieto e rebelde. Tem pesadelos terríveis, o que pode indicar Voldemort em sua mente. Sem querer, vai se isolando de seus amigos Hermione (Emma Watson) e Rony (Rupert Grint). Também não entende a frieza de Dumbledore (Michael Gambon).

Para piorar, existe a desconfiança generalizada de que ele tenha visto mesmo Voldemort (Ralph Fiennes), que efetivamewnte voltou no final de Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005), e Hogwarts sofre uma intervenção do Ministério da Magia, que transforma a escola quase no governo Médici em níveis de repressão. Cabe a Harry liderar os alunos num grupo clandestino para que treinem escondidos e se preparem para o pior.

É mais um passo no amadurecimento do personagem e um dos pontos positivos do filme, que traz as cenas mais assustadoras da série até aqui e seus momentos dramáticos mais intensos. Uma bela estréia para o diretor David Yates. Vale destacar a invasão do Ministério da Magia, na reta final do filme, e seu visual sombrio e diferente.

Nitidamente um filme de transição, Harry Potter e a Ordem da Fênix só tem problemas mesmo com a duração, que não dá muito espaço para a ótima Helena Bonham-Carter (como a importante vilã Bellatrix Lestrange) e a novata Evanna Lynch (como Luna Lovegood, a nova amiga que parece sempre no mundo da Lua), além de outros grandes atores sem muito a fazer (como MaggieSmith e Emma Thompson). Imelda Stauton, pelo contrário, brilha no papel da nova professora Dolores Umbridge e sua doçura ameaçadora.

Harry Potter e a Ordem da Fênix. EUA/ Reino Unido, 2007. Direção: David Yates. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Imelda Stauton, Gary Oldman, Ralph Fiennes, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, David Thewlis, Evanna Lynch, Robbie Coltrane, Katie Leung, James Phelps, Oliver Phelps, Emma Thompson, Bonnie Wright, Matthew Lewis, Julie Walters, Maggie Smith, Mark Williams, Brendan Gleeson, Jason Isaacs, Tom Felton, Warwick Davis, Fiona Shaw, Richard Griffiths, Geraldine Sommerville, Timothy Spall.

* Versão estendida e atualizada de crítica publicada no Jornal da Paraíba.

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– Crítica de Harry Potter e a Pedra Filosofal
– Crítica de Harry Potter e a Câmara Secreta
– Crítica de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
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Seqüências:
– Crítica de Harry Potter e o Enigma do Príncipe
– Crítica de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1
– Crítica de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

Nada será como antes

Rony, Hermione e Harry: aventuras e hormônios

No final de Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, EUA/ Reino Unido, 2005), Hermione (Emma Watson) pergunta: “Nada mais será como antes, não é?”. “Não, não será”, Harry (Daniel Radcliffe) responde. Realmente, o quarto filme da série é o momento em que ela dá uma guinada para se tornar uma história definitiva única e intrincada. Mas isso é no final – até lá, o filme dirigido por Mike Newell é episódico, um passo atrás após o grande final do filme anterior, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.

Agora, Hogwart recebe as delegações de outras duas escolas – um internato masculino, da Bulgária, e outro feminino, da França – para a realização do Torneio Tribuxo. Nele, um aluno, cada um representando sua escola, é escolhido (pelo cálice de fogo do título) para participar de três provas – de perigo bastante considerável. Por isso, há um limite mínimo de idade para os incritos. Mesmo assim – e mesmo com Cedrico Griggory (Robert Pattinson, antes de Crepúsculo, 2008) escolhido para representar Hogwarts – o nome de Harry, em seus 14 anos, também aparece como um surpreendente quarto jogador.

Paralelamente, o encontro das três escolas leva também a um baile, o que faz os jovens darem tratos à bola para saber quem convidar. O clima entre Rony (Rupert Grint) e Hermione começa a esquentar depois das dicas dadas nos filmes anteriores e, pela primeira vez, Harry mostra um interesse amoroso.

E há, também, a sombra de uma possível volta de Voldemort mais forte. O filme abre com a Copa do Mundo de Quadribol, interrompida pelo ataque dos comensais da morte, seguidores de Voldemort. Este é o primeiro filme em que vemos o vilão da cabeça aos pés, interpretado com vigor por Ralph Fiennes – depois de uma aparição por efeitos especiais no primeiro filme, A Pedra Filosofal (2001), e numa espécie de fantasma de sua versão adolescente no segundo, A Câmara Secreta (2002).

Em O Cálice de Fogo, Harry se torna um pouco mais britânico. Depois do americano Chris Columbus nos dois primeiros, e do mexicano Alfonso Cuarón no terceiro, agora é o inglês Mike Newell (de Quatro Casamentos e um Funeral, 1994) que assume o leme. Sua direção não chega a brilhar mais do que a de Cuarón em O Prisioneiro de Azkaban (2004), mas se sai muito bem na parte final, narrando muito bem o desafio do labirinto, e é adequadíssima ao novo degrau de relacionamentos que se estabelece entre os personagens jovens. Na trilha sonora, também, sai o americano John Williams – que criou a identidade musical da série e comôs a trilha dos três primeiros – e entra o escocês Patrick Doyle, responsável pela grande música dos filmes dirigidos por Kenneth Branagh, entre outros.

Tudo – até o próprio Torneio Tribruxo e o surgimento na trama do novo professor de Defesa contra a Arte das Trevas, Olho-Tonto Moody (Brendan Glesson) – converge para o dramático final e o que ele aponta para os filmes seguintes da franquia. Por isso, Harry Potter e o Cálice de Fogo se torna, no final, muito mais interessante.

Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, EUA/ Reino Unido, 2005). Direção: Mike Newell. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Alan Rickman, Robert Pattinson, Ralph Fiennes, Brendan Gleeson, Robbie Coltrane, Clémence Poésy, Miranda Richardson, Maggie Smith, Jason Isaacs, Tom Felton, Timothy Spall, James Phelps, Oliver Phelps, Katie Leung, Gary Oldman, Matthew Lewis, Frances de la Tour, Mark Williams, Bonnie Wright, Geraldine Somerville, Warwick Davies. 

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– Crítica de Harry Potter e a Pedra Filosofal
– Crítica de Harry Potter e a Câmara Secreta
– Crítica de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Seqüências:
– Crítica de Harry Potter e a Ordem da Fênix
– Crítica de Harry Potter e o Enigma do Príncipe
– Crítica de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1
– Crítica de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

½

Continuação de personalidade

Hermione (Emma), Harry (Radcliffe) e Rony (Grint): crescendo

Há um salto evidente entre o filme anterior, Harry Potter e a Câmara Secreta (2002) e este Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, EUA/ Reino Unido, 2004), o terceiro da série. A mudança de Chris Columbus, um diretor competente, mas sem ousadia, pelo mexicano Alfonso Cuarón deu ao terceiro filme uma personalidade própria, sem deixar de ser uma continuação lógica e natural dos dois primeiros. A referência de Cuarón era, àquela altura, o intenso e erótico E Sua Mãe Também (2001), o que poderia fazer sua escolha parecer estranha. Mas ele não era totalmente alheio à plateia infanto-juvenil: dirigiu o ótimo A Princesinha (1995).

O que mais se sobressai, sem dúvida, é a mudança de estilo. Mesmo em pequenos detalhes, como cenas que terminam e começam com uma íris – um recurso do cinema mudo em que um círculo vai fechando uma cena e abrindo a seguinte. É um dado inteligente que contribui para criar uma atmosfera um pouco mais sombria do que o anterior. A passagem de tempo no filme é marcada pelas mudanças na árvore “temperamental” que foi vista no filme anterior – o que também é uma antecipação para o papel que ela própria terá no fim deste filme.

Os cenários do mundo encantado de Hogwarts também começam a parecer mais lúgubres e frios. Não há mais tanto lugar para quadros vivos e escadas que mudam de direção, embora elas estejam lá. Harry (Daniel Radcliffe), Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) também se vestem de maneira bem mais informal na maior parte do tempo, parecendo mais jovens do dia-a-dia e deixando claro que o tempo do encantamento com o mundo da magia já passou.

A história começa com Harry fugindo da casa dos tios trouxas após mais uma ofensa com relação a seus pais, também bruxos. No entanto, ele acaba sendo levado a seus amigos bruxos, que estão preocupados com a fuga de Sirius Black (Gary Oldman), um notório assassino, da prisão de Azakaban. Como ele traiu os pais de Harry, provocando a morte deles pelas mãos de Voldemort, acham que Sirius pode tentar matar Harry também.

Carcereiros de Azkaban ficam nas entradas de Hogwarts para o caso de Sirius aparecer – mas são muito mais assustadores. São criaturas chamadas dementadores, que farejam o medo e sugam a essência vital de suas vítimas. Mas não parecem discernir quem é inocente e quem deve ser punido: qualquer um pode ser vítima deles.

Dois novos professores estão na trama. Sibila Trelawney, vivida por Emma Thompson, ensina clarividência e não parece muito firme no que está fazendo, mas acaba é responsável por uma premonição sinistra importante. E Remo Lupin (David Thewlis) assume a cadeira de Defesa contra a Arte das Trevas. Ele fez parte do grupo que combateu Voldemort no passado e foi amigo do pai de Harry.

Também estreia na série Michael Gambon, como Dumbledore, substituindo Richard Harris, que morreu após o segundo filme. Gambon não se espelha na atuação anterior, construindo um Dumbledore com mais energia. Visualmente, o filme também não se preocupou em torná-lo parecido com a encaranação anterior, o que é curioso, mas não prejudica em nada o filme do ponto de vista de quem acompanha a série toda.

O trio de jovens protagonistas está crescendo – já parecem bastante diferente com suas primeiras cenas, em A Pedra Filosofal. Isso também se reflete em suas atitudes da história: há um pouco mais de rebeldia, questionamento e até destempero.

Os três também são apresentados a novos elementos mágicos: o hipogrifo Bicuço, um lobisomem que ronda Hogwarts e alguns interessantes instrumentos, entre eles: o mapa do maroto, que revela onde está cada uma das pessoas em Hogwarts e que é usado por Harry em uma busca por um corredor escuro, em uma cena de admirável suspense.

Tudo é preparação para a sensacional meia hora final de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban – certamente, um dos melhores momentos da série inteira. A cena envolve, claro, a volta de Sirius Black, aparições repentinas, traições, indefinições sobre os objetivos de vários personagens, enfrentamento e fuga – tudo isso em poucos minutos. Há mais depois, envolvendo o caso do lobisomem e uma mexida no tempo que o filme narra de maneira magistral. São momentos que elevam este Harry Potter um patamar acima dos dois anteriores e pavimenta o tom em que os próximos iriam trilhar.

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, EUA/ Reino Unido, 2004). Direção: Alfonso Cuarón. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Robbie Coltrane, Alan Rickman, David Thewlis, Emma Thompson, Gary Oldman, Maggie Smith, Oliver Phelps, James Phelps, Julie Waters, Bonnie Wright, Tom Felton, Mark Williams, Fiona Shaw, Richard Griffiths, Julie Christie, Timothy Spall, Matthew Lewis, Geraldine Somerville, Warwick Davies.

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½

Antes, os personagens

Gina (Bonnie Wright) e Harry (Daniel Radcliffe): personalidades fazem diferença no final do segundo filme da série

Alguém já disse uma vez que adaptar é trair. O nome já diz: levar uma obra de arte de um meio para outro é adaptá-la a esse novo meio – mudá-la onde necessário para que renda melhor nos novos códigos narrativos a que ela deve responder. Fidelidade é necessária, claro, mas demais também passa a ser um problema. E é esse o problema em Harry Potter e a Câmara Secreta (Harryu Potter and the Chamber of Secrets, EUA/ Reino Unido, 2002).

Lançado pontualmente um ano depois do primeiro filme, este – novamente dirigido por Chris Columbus – sente principalmente a duração excessiva (bate nas 2h40 de duração, e os livros seguintes da série são maiores do que este, o significaria filmes ainda mais longos pela frente). O respeito excessivo à obra de J.K. Rowling levou a isso. É um problema, mas não fatal. O filme ainda cumpre muito bem sua missão de entreter e dar seqüência à saga de Harry.

O filme mantém o bom equilíbrio entre o encanto do mundo mágico da escola de Hogwarts e aspectos sombrios que rondam os personagens, mas só se revelam pontualmente. Já há um degrau acima nesse quesito, em Câmara Secreta: uma voz ameaçadora em uma língua estranha entra na mente de Harry, personagens são petrificados, mensagens são escritas com sangue nas paredes, páginas de um diário onde não há nada escrito responde perguntas de maneira fantasmagórica.

Tudo isso é mais assustador que as aranhas gigantes e o próprio desenlace a respeito da tal câmara secreta, uma lenda de onde um monstro pode ter saído e estar petrificando os alunos, o que remete a um descendente de Salazar Sonserina, o mais sombrio dos quarto co-fundadores de Hogwarts (e Harry passa a desconfiar que ele pode ser um descendente de Sonserina). A coisa toda leva a uma memória do passado, de quando a câmara secreta foi aberta outrta vez, envolvendo um estranho aluno: Tom Riddle.

Há momentos de humor, também. O carro voador, no começo da história, exagera nos efeitos visuais e não funciona muito bem. Os melhores momentos estão mesmo a cargo do fanfarrão professor Lockhart, vivido por um ótimo Kenneth Branagh. Assumindo a cadeira de Defesa contra a Arte das Trevas, ele é um astro pop do mundo dos bruxos, mas rapidamente revela que é só tem a fachada (sua autobiografia, que ele autografa arrancando suspiros das mulheres e mocinhas, chama-se Magical Me).

Outro personagem interessante é o elfo Dobby. Um dos primeiros personagens importantes gerados totalmente por computador no cinema (depois de, bem, Jar Jar Binks em Star Wars – A Ameaça Fantasma, 1999, e do Gollum de O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel, 2001), ele começa como um personagem de alívio cômico, mas logo se revela uma questão social que o envolve – tornando o mundo dos bruxos um pouco mais complexo, menos encantador e mais realista para o espectador.

Assim, embora longo Harry Potter e a Câmara Secreta consegue desenvolver bem seu mistério e levar a um final muito bom. Que chega a incomodar com um Deus ex-machina que não parece muito bem colocado, mas isso é logo esquecido porque o fim (e o filme inteiro, diga-se) e pródigo em tirar sua força da personalidade de seus personagens.

E aí, mais uma vez, o acerto do trio principal – Daniel Radcliffe, como Harry, Emma Watson como Hermione, e Rupert Grint como Rony) – é fundamental para o filme. O entrosamento entre eles envolve o espectador sem dificuldades e nos mantém acesos até o epílogo.

Harry Potter e a Câmara Secreta (Harry Potter and the Chamber of Secrets, EUA/ Reino Unido, 2002). Direção: Chris Columbus. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Richard Harris, Kenneth Branagh, Robbie Coltrane, Alan Rickman, Maggie Smith, Jason Isaacs, Tom Felton, Julie Walters, Bonnie Wright, Mark Williams, Miriam Margolyes, Fiona Shaw, James Phelps, Oliver Phelps, Matthew Lewis, Richard Griffiths, John Cleese, Warwick Davis, Gemma Jones, Geraldine Sommerville. Vozes na dublagem original: Toby Jones, Julian Glover.

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Lista elaborada a partir dos filmes exibidos comercialmente nos cinemas de JP em 2010.

Amanda Seyfried em “O Preço da Traição”

Amanda Seyfried em “Cartas para Julieta”

1 – AMANDA SEYFRIED, por O Preço da Traição e por Cartas para Julieta

Anteriormente em Musas/ Cinema em JP: 17ª em 2008, por Mamma Mia! – O Filme; 9ª em 2009, por Garota Infernal.

Muito mais do que pelo água com açucar Cartas para Julieta, é por O Preço da Traição que Amanda Seyfried está no topo da lista de musas de 2010. Ela vinha em ascenção, de maiô em Mamma Mia! ou no beijaço com Megan Fox em Garota Infernal. Ela vai muito além em O Preço da Traição: para uma atriz que tinha cara de namoradinha da América, há generosa nudez e uma cena erótica antológica com uma das preferidas de todos os tempos neste blog, Julianne Moore (não por acaso, também no pódio deste ano – e pela primeira vez na lista nesta categoria Cinema em JP, que contabiliza musas desde 2005). Outras favoritas estão por aí: Pe, Scarlett, Emily Blunt, Natalie, Maria Flor. Rebecca Hall, Tina Fey e Mariana Ximenes são sempre bem-vindas. E uma novidade muito promissora: a inglesa Gemma Arterton, a melhor coisa de dois filmes bem fraquinhos.

Penélope Cruz em “Abraços Partidos”

2 – PENÉLOPE CRUZ, por Abraços Partidos

Anteriormente em Musas/ cinema em JP: 3ª em 2006, por Volver; 5ª em 2008, por Vicky Cristina Barcelona; 4ª em 2009, por FatalPosteriormente em Musas/ cinema em JP14ª em 2012, por Para Roma, com Amor.

Amanda Seyfried e Julianne Moore em “O Preço da Traição”

Julianne Moore em “Direito de Amar”

3 – JULIANNE MOORE, por O Preço da Traição e por Direito de Amar

Posteriormente em Musas/ cinema em JP4ª em 2011, por Minhas Mães e Meu Pai e por Amor à Toda Prova; 4ª em 2015, por Mapas para as Estrelas e por Para Sempre Alice.

Gemma Arterton em “Fúria de Titãs”

Gemma Arterton em "Príncipe da Pérsia - As Areias do Tempo"

Gemma Arterton em “Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo”

4 – GEMMA ARTERTON, por Fúria de Titãs e por Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo

Marion Cotillard em “A Origem”

5 – MARION COTILLARD, por A Origem

Anteriormente em Musas/ cinema em JP: 12ª em 2007, por Um Bom Ano; 6ª em 2009, por Inimigos PúblicosPosteriormente em Musas/ cinema em JP: 18ª em 2011, por Meia-Noite em Paris e por Contágio; 11ª em 2012, por Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

Emma Stone em “Zumbilândia”

6 – EMMA STONE, por Zumbilândia

Posteriormente em Musas/ cinema em JP: 3ª em 2013, por Caça aos Gangsters; 11ª em 2014, por Magia ao Luar e por O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro.

Léa Seydoux em “A Bela Junie”

7 – LÉA SEYDOUX, por A Bela Junie

Posteriormente em Musas/ cinema em JP: 19ª em 2013, por Adeus, Minha Rainha; 4ª em 2014, por Azul É a Cor Mais Quente; 1ª em 2015, por 007 contra Spectre.

Scarlett Johansson em “Homem de Ferro 2”

8 – SCARLETT JOHANSSON, por Homem de Ferro 2

Anteriormente em Musas/ cinema em JP: 1ª em 2006, por Ponto Final – Match Point, por O Grande Truque e por Dália Negra; 2ª em 2007, por Scoop – O Grande Furo; 7ª em 2008, por Vicky Cristina BarcelonaPosteriormente em Musas/ cinema em JP1ª em 2012, por Os Vingadores – The Avengers; 12ª em 2013, por Hitchcock e por Como Não Perder Essa Mulher; 7ª em 2014, por Capitão América 2 – O Soldado Invernal e por Lucy; 15ª em 2015, por Vingadores – Era de Ultron.

Emily Blunt em “O Lobisomem”

9 – EMILY BLUNT, por O Lobisomem

Anteriormente em Musas/ cinema em JP: 16ª em 2006, por O Diabo Veste Prada; 12ª em 2008, por Jogos do Poder.

Natalie Portman em “Entre Irmãos”

10 – NATALIE PORTMAN, por Entre Irmãos

Anteriormente em Musas/ cinema em JP: 5ª em 2005, por Closer – Perto Demais; 14ª em 2008, por Um Beijo Roubado e por A Outra. Posteriormente em Musas/ cinema em JP:1ª em 2011, por Cisne Negro, Sexo sem Compromisso e Thor.

Tina Fey em "Uma Noite Fora de Série"

Tina Fey em “Uma Noite Fora de Série”

11 – TINA FEY, por Uma Noite Fora de Série

Charlize Theron em “A Estrada”

12 – CHARLIZE THERON, por A Estrada

Posteriormente em Musas/ cinema em JP: 17ª em 2012, por Jovens Adultos, por Branca de Neve e o Caçador e por Prometheus; 9ª em 2015, por Mad Max – Estrada da Fúria.

Maria Flor em “O Bem Amado”

Maria Flor em “A Suprema Felicidade”

13 – MARIA FLOR, por O Bem Amado e por A Suprema Felicidade

Anteriormente em Musas/ cinema em JP: 19ª em 2007, por Podecrer!; 18ª em 2008, por Chega de Saudade.

Rebecca Hall em “Atração Perigosa”

14 – REBECCA HALL, por Atração Perigosa

Anteriormente em Musas/ cinema em JP: 9ª em 2008, por Vicky Cristina Barcelona.

Olivia Wilde em “Tron – O Legado”

15 – OLIVIA WILDE, por Tron – O Legado

Posteriormente em Musas/ cinema em JP: 7ª em 2013, por Rush – No Limite da Emoção.

Mariana Ximenes em “Quincas Berro d’Água”

16 – MARIANA XIMENES, por Quincas Berro d’Água

Anteriormente em Musas/ cinema em JP: 15ª em 2006, por A Máquina e por Muito Gelo e Dois Dedos d’ÁguaPosteriormente em Musas/ cinema em JP: 12ª em 2012, por Os Penetras.

Vera Farmiga em “Amor sem Escalas”

17 – VERA FARMIGA, por Amor sem Escalas

Evan Rachel Wood em “Tudo Pode Dar Certo”

18 – EVAN RACHEL WOOD, por Tudo Pode Dar Certo

Ellen Page em "A Origem"

Ellen Page em “A Origem”

19 – ELLEN PAGE, por A Origem

Anteriormente em Musas/ cinema em JP: 10ª em 2008, por Juno.

Emma Watson em “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1”

20 – EMMA WATSON, por Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1

Anteriormente em Musas/ cinema em JP: 14ª em 2007, por Harry Potter e a Ordem da Fênix; 19ª em 2009, por Harry Potter e o Enigma do PríncipePosteriormente em Musas/ cinema em JP13ª em 2011, por Harry Potter e as Reliquias da Morte – Parte 2; 4ª em 2013, por As Vantagens de Ser Invisível e por É o Fim; 12ª em 2014, por Noé.

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Mais retrospectiva 2010:

Os melhores filmes do ano
O cinema da década
Os títulos mais esdrúxulos de 2010
50 filmes que não foram exibidos em 2010

Sem medo de ousar

Harry, Rony e Hermione: “Estamos sozinhos”

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 1, Reino Unido/ EUA, 2010) é uma espécie de O Império Contra-Ataca do mundo de Harry Potter. O episódio V de Guerra nas Estrelas terminava absolutamente em aberto, com os mocinhos na pior, e era natural esperar algo semelhante deste sétimo filme da série do jovem bruxo, que já vem num mergulho gradativo em direção ao sombrio desde o primeiro filme, de 2001. E o diretor David Yates e o roteirista Steve Kloves ainda conseguem algumas surpresas – até para os especialistas no mundo de Hogwarts.

A trama se concentra basicamente na busca de Harry Potter (Daniel Radcliffe), Hermione (Emma Watson) e Rony (Rupert Grint) pela horcruxes – os objetos enfeitiçados onde o vilão Voldemort “depositou” frações de sua alma repartida. Só com a destruição desses objetos, ele poderá ser derrotado. O trio de jovens, agora com 17 anos, no entanto está sendo caçado pelos Comensais da Morte, que passam a dominar até o Ministério da Magia.

Não há mais a proteção de Dumbledore (Michael Gambon), que morreu no sexto episódio. Nem dos demais professores ou do meio-gigante Hagrid (Robbie Coltrane), já que eles não estão mais no ambiente familiar da escola de Hogwarts. Se tornam fugitivos nas ruas de Londres ou no meio do mato. Quando chegam à casa da família Black, que servirá de refúgio, certicam-se de que ela está vazia e aí, quando Hermione diz “Estamos sozinhos”, essa frase toma uma dimensão muito maior.

Os filmes gozam de uma coerência interna bastante respeitável para qualquer série: não há grandes alterações de qualidade de um filme para os outros. As nuances, no entanto, permitem que alguns se sobressaiam. Este é o terceiro dirigido por Yates, sempre disposto a tornar tudo lúgubre (é fácil reparar, por exemplo, na sobriedade dos cenários de Hogwarts em comparação ao colorido dos primeiros filmes), mas desta vez as ousadias formais e temáticas vão muito além do esperado.

Yates consegue imprimir um clima de constante perigo no isolamento dos personagens. Mas – como nenhum outro filme da série antes – a câmera torna-se nervosa nas cenas de perseguição e há momentos que lembram os melhores filmes de espionagem. As Relíquias da Morte constrói bem tanto cenas de suspense, como uma invasão ao Ministério, quanto pequenas cenas intimistas, como o trio discutindo o que fazer, sentado à mesa de uma lanchonete.

Há outras construções de cena muito interessantes. Se alguém poderia fazer uma analogia entre a guerra movida pelos Comensais da Morte para que prevaleça a “pureza” do sangue e o nazismo – eles consideram os nascidos de uma união entre bruxo e “trouxa” (humanos não bruxos, você sabe) e os nascidos de dois “trouxas” como “sangue-ruim” –  quando se torna institucional, fica bem mais evidente: interrogatórios são feitos para descobrir bruxos de “sangue ruim”, os guardas do ministério usam uniformes que lembram os dos soldados nazistas e até os cartazes seguem a programação visual típica do III Reich. É um tempero político muito bem-vindo.

Outro grande momento, claro, é a seqüência das relíquias da morte propriamente dita. O conto é narrado através de uma belíssima animação do suíço Ben Hibon: são três incríveis minutos que funcionam como um curta-metragem dentro do filme e estebelecem elementos importantes para a reta final da história.

Mas há também o lado emocional, que o filme equilibra bem com a trama de ação e suspense. Há muito que se fala que os filmes da série estão se tornando adultos junto com os personagens, mas agora os hormônios em ebulição rendem mais do que primeiros beijos inocentes. Agora, há inesperados momentos até de nudez – esta, durante um delírio enciumado de Rony, num momento capital da trama. Em outro momento, uma dança entre Harry e Hermione parece colocá-los em dúvida sobre o que realmente querem.

Hermione é destaque em duas cenas fortes – fortes por motivos distintos. Em uma, logo no começo, ela apaga a si mesma da memória dos próprios pais para protegê-los da perseguição que virá. É um momento de profunda emoção, mas que passa longe do melodramático. Outra cena é quando a jovem bruxa é torturada por Belatriz Lestrange (Helena Bonham-Carter), um momento forte que foi até podado para não arriscar uma classificação indicativa mais severa nos Estados Unidos e na Inglaterra.

E se esse texto parece meio cifrado a ponto de não ser entendido por quem não tem a menor intimidade com a série, é isso mesmo: o filme também é. Pode ser preciso ter familiaridade com conceitos expostos de dez anos para cá para perceber melhor os dramas e pequenas conquistas dos personagens.

Ou não: como escreveu o crítico americano Rober Ebert, o importante é que os personagens saibam o que está acontecendo. O espectador que caiu de pára-quedas só precisa confiar neles e também vai aproveitar bem um grande filme. Ou esclarecer uma coisa ou outra com a menininha sentada ao seu lado, na platéia.

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 1, Reino Unido/ EUA, 2010). Direção: David Yates. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Alan Rickman, Ralph Fiennes, Tom Felton, Helena Bonham Carter, Robbie Coltrane, Evanna Lynch, Jason Isaacs, Bonnie Wright, Rhys Ifans, Helen McCrory, Brendan Gleeson, James Phelps, Oliver Phelps, Imelda Staunton, Michael Gambon, Timothy Spall, Julie Waters, Bill Nighy, David Thewlis, Mark Williams, John Hurt, Fiona Shaw, Richard Griffiths, Warwick Davis, Maggie Smith, Clémence Poésy, Matthew Lewis, Geraldine Sommerville, Katie Leung, Miranda Richardson.

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A Marina Sousa, filha do Maurício e inspiradora da personagem Marina da Turma da Mônica, publicou no Twitter esta imagem aí saída de Cascão Porker, um próximo número de Clássicos do Cinema Turma da Mônica. Você identifica os figurantes?

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O sombrio que cai muito bem

Gina e Harry encontram tempo para o romance

Gina e Harry encontram tempo para o romance

Isabela Boscov matou a charada na Veja. Repare como Hogwarts aparece sóbria, quase franciscana, com paredes nuas em Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince, Reino Unido/ Estados Unidos, 2009). E como o tom opaco domina o filme inteiro, quase sem cores vivas. É um acertado reflexo da lógica interna do filme, o sexto da série estrelada pelo bruxinho adolescente e o mais sombrio deles.

É uma trajetória firme, constante e que não é de hoje. A série baseada nos livros de J.K. Rowling encaminha-se para uma direção cada vez mais pesada e complexa  – um reflexo do crescimento dos personagens e do público. O trio Harry (Daniel Radcliffe), Hermione (Emma Watson) e Rony (Rupert Grint) começam com dez, onze anos em Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001). Agora, estão entre 16 e 17.

Assim, o novo filme, o segundo dirigido por David Yates, combina o suspense em torno do avanço dos vilões da trama com os cada vez mais turbulentos momentos românticos. E tudo funciona muitíssimo bem. Yates dá um passo à frente em relação ao filme anterior, Harry Potter e a Ordem da Fênix (2007) equilibrando bem os elementos de ação e suspense com os romances que surgem, mesmo que os personagens não tenham muito tempo para isso. Afinal, mesmo com 2h30 de filme, muita coisa do livro original teve que ser cortada ou simplificada.

Também por isso é difícil de acompanhar para quem, pelo menos, não viu os anteriores – já que cada um conta uma história, mas todas fazem parte de uma grande trama. Voldemort, Comensais da Morte, quadribol, Sala Precisa… São termos sobre os quais é necessário estar familiarizado porque o filme não tem tempo para reexplicar tudo.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe passa voando, como numa vassoura. Mas ainda assim, é lúgubre, um prenúncio de tragédia e por isso a escola Hogwarts não tem praticamente nada do encanto do começo da série. O filme, que começa com um ataque mágico a Londres, termina com uma morte que (quem leu o livro já sabe) abala profundamente os personagens – e é orquestrada de uma maneira que tira o fôlego do espectador e o confunde seguidas vezes em pouquíssimo tempo. E deixa a expectativa em alta para os dois últimos capítulos da saga, que já estão em filmagem.

Ao passar por tudo isso, Harry – conhecido por ter sido o único que sobreviveu, ainda bebê, a um ataque do superbruxo Voldemort – se convence cada vez mais que cabe a ele impedir o inimigo. “Com  grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, diria outro herói famoso, e é por isso que logo na abertura o jovem bruxo precisa deixar uma atraente garçonete esperando para acompanhar seu mentor Dumbledore (Michael Gambon) em uma missão.

Dumbledore resolve preparar o jovem bruxo para o combate final: ele literalmente mergulha em lembranças a respeito da infância de Voldemort (interpretado quando criança por Hero Fiennes-Tiffin, sobrinho de Ralph Fiennes, o Voldemort adulto em outros filmes da série). Ele também precisa convencer o novo professor Horácio Slughorn (Jim Broadbent) a revelar uma lembrança decisiva para que se entenda quem é Voldemort e como destruí-lo.

Ao mesmo tempo, os Comensais da Morte (que são os seguidores de Voldemort) procuram um meio de entrar na escola de bruxaria de Hogwarts e atacam a comunidade bruxa. Mesmo com tudo isso acontecendo, os adolescentes encontram tempo para encontros e desencontros amorosos.

Rony conquista o coração da pegajosa Lilá Brown (Jessie Cave) e despedaça o de Hermione no processo. E Harry percebe, enfim, a irmã de Rony, Gina (Bonnie Wright) – que gosta dele em segredo desde o segundo filme. O personagem de Gina é um dos grandes lances deste sexto filme. Ela afirma sua importância na trama com personalidade e atitude. Interessante ver a atriz Bonnie Wright como uma das protagonistas quando no primeiro filme ela aparece apenas em um breve momento.

Os jovens continuam dando conta do recado, secundados por vários dos melhores atores britânicos disponíveis no mercado: Gambon, Broadbent, Maggie Smith, Alan Rickman (que tem um grande momento), Julie Waters, Timothy Spall e uma deliciosa Helena Bonham-Carter, que aparece pouco, mas exala maldade por todos os poros.

O Enigma do Príncipe consegue equacionar um difícil equilíbrio entre aventura, drama juvenil e romance leve, com uma pitada de humor. Supera até um desafio que tem se notado uma constante para as continuações: como lidar com novos personagens importantes. Não tira o protagonismo do trio de ferro Harry-Hermione-Rony, mas dá uma bela atenção a coadjuvantes que finalmente dizem a que vieram – como Gina e também Draco Malfoy (Tom Felton).

Os fãs, agora, começam a se preparar para a despedida, com Harry amadurecido e encarando a responsabilidade que se anuncia há anos. Mas as sombras que dominam este Harry Potter e o Enigma do Príncipe não vão se dissipar fácil. E vai escurecer mais antes de ficar mais claro.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince, Reino Unido/ Estados Unidos, 2009). Direção: David Yates. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Alan Rickman, Jim Broadbent, Bonnie Wright, Helena Bonham Carter, Robbie Coltrane, Maggie Smith, David Thewlis, Julie Walters, Tom Felton, Timothy Spall. Estréia nesta quarta em JP e CG.

Leia mais:

Precedido por:
– Crítica de Harry Potter e a Pedra Filosofal
– Crítica de Harry Potter e a Câmara Secreta
– Crítica de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
– Crítica de Harry Potter e o Cálice de Fogo
– Crítica de Harry Potter e a Ordem da Fênix

Seqüências:
– Crítica de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1
– Crítica de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

2001

2001

2002

2002

2004

2004

2005

2005

2007

2007

2009

2009

Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint em Harry Potter e a Pedra Filosofal, Harry Potter e a Câmara Secreta, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, Harry Potter e o Cálice de Fogo, Harry Potter e a Ordem da Fênix e Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Este último tem pré-estréia à meia-noite no Box Manaíra e entra em cartaz nesta quarta.

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