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A seguir, os meus melhores filmes de 2016, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, como em todo ano, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

O número de filmes em cartaz em João Pessoa explodiu em 2016: foram 258 estreias contra as 163 de 2015 e 164 de 2014. O recorde anterior, desde 2006, ano em que o Boulevard começou a fazer esse acompanhamento, havia sido 165 em 2007. Os motivos determinantes para esse aumento são a inauguração do novo Cine Banguê, que vem servindo filmes que não passam nos demais cinemas, e alguma diversidade no Cinépolis e no Cinespaço.

THE REVENANT

1 – O REGRESSO, de Alejandro González Iñarritu

Iñarritu é um diretor que arrisca muito em suas narrativas, nem sempre com sucesso. Mas quando acerta, entrega coisas belas como este O Regresso, a jornada selvagem e espiritual de um homem em busca de outro que o deixou para morrer, aós ter sido atacado por um urso. A interpretação visceral de Leonardo DiCaprio foi, com toda a justiça, premiada com o Oscar, o Globo de Ouro, o SAG e o Bafta. Crítica no Boulevard

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2 – ELLE, de Paul Verhoeven

Isabelle Huppert matadora, para variar, em um filme desconcertante e doentio – Paul Verhoeven sendo Paul Verhoeven. Isabelle é uma mulher fria e cerebral que é estuprada dentro de casa por um mascarado e lida ao seu modo com a possibilidade de um novo ataque.

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3 – AQUARIUS, de Kléber Mendonça Filho

Sônia Braga é a única moradora que restou em um antigo prédio que uma construtora quer demolir. Mas ela luta pelo direito de preservar suas memórias afetivas. Uma bela defesa de que coisas – como discos ou um apartamento – podem não ser apenas “coisas”.

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4 – ZOOTOPIA – ESSA CIDADE É O BICHO, de Byron Howard e Rich Moore

No que parecia apenas mais uma sátira de bichinhos se comportando como seres humanos, desenrola-se uma imaginação bem cuidada de como seria essa cidade levando-se em consideração as características dos animais antropomorfizados, uma história policial instigante e uma crítica surpreendente e dura aos preconceitos de quem se acha o mocinho.

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5 – SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS, de Tom McCarthy

Com uma história que tinha tudo para mergulhar no melodrama, essa trama que conta a investigação jornalística que expôs o escândalo de pedofilia da Igreja de Boston é contida e precisa em sua narrativa. Crítica no Boulevard

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6 – CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL, de Anthony Russo e Joe Russo

Um filme de super-heróis que reflete sobre si mesmo, sobre o gênero e seus personagens. E coloca os dois personagens principais do universo cinematográfico da Marvel com o peso dramático acumulado em todos estes anos e filmes.

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7 – A BRUXA, de Robert Eggers

Famílias isoladas à mercê do sobrenatural não são exatamente uma novidade, mas este filme consegue imprimir um clima opressor e tanto. Crítica no Boulevard

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8 – CINCO GRAÇAS, de Deniz Gamze Ergüven

Cinco irmãs jovens e cheias de vida vítimas de um tio que as prende em casa e as obriga a casamentos arranjados. O filme nos leva a procurar tanto quanto elas uma saída.

Filho de Saul - 03

 

9 – FILHO DE SAUL, de Lázló Nemes

Filmado quase todo em close, é uma experiência que nos faz acompanhar de perto o drama pesado e doloroso de um homem que tenta impedir que o filho morto seja incinerado pelo nazistas. Ao menos isso.

ARRIVAL

 

10 – A CHEGADA, de Denis Villeneuve

Uma ficção científica que recusa a pirotecnia e celebra o poder da comunicação. Denis Villeneuve evoca o Spielberg de Contatos Imediatos do Terceiro Grau.

+ 10: A Grande Aposta, de Adam McKay; Deadpool, de Tim Miller; Mia Madre, de Nanni Moretti; Café Society, de Woody Allen; Sully, o Herói do Rio Hudson, de Clint Eastwood; Rogue One – Uma História Star Wars, de Gareth Edwards; Star Trek – Sem Fronteiras, de Justin Lin; Carol, de Todd Haynes; Jogo do Dinheiro, de Jodie Foster; Animais Fantásticos e Onde Habitam, de David Yates.

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MAIS RETROSPECTIVA 2016:

Eleição Melhores do Ano 2016
– 50 filmes não exibidos nos cinemas de JP em 2016

A situação melhorou muito no circuito pessoense, com a volta do Cine Banguê, a sessão de cinema de arte do Cinépolis e com o Cinespaço botando em cartaz vários dos filmes do Festival Varilux. Ainda assim, aqui vai nossa lista de 50 filmes que entraram em cartaz no Brasil, mas não entraram em cartaz comercialmente nos cinemas pessoenses.

Ah, eu sei que alguns deles entraram em cartaz nestes meses de janeiro e fevereiro. Mas a lista é referente ao que entrou em cartaz no Brasil em 2016 e não passou no mesmo ano.

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1 – O QUARTO DE JACK

Brie Larson ganhou o Oscar, o Globo de Ouro, o Bafta, o SAG e o Independent Spirit de melhor atriz. O garotinho Jacob Tremblay cativou meio mundo. E não foi o suficiente para O Quarto de Jack entrar em cartaz nos cinemas paraibanos. Restou o DVD, a TV paga, o streaming, o download. Estreou no Brasil em 18/2/2016.

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2 – AVE, CÉSAR!

O filme dos irmãos Coen, com George Clooney e Scarlett Johnasson, é um retorno dos diretores à comédia, com uma história que se passa na Hollywood dos anos 1950. Estreou no Brasil em 14/2/2016.

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3 – ANOMALISA

Animação em stop motion dirigida por Charlie Kaufman, elogiadíssimo, chamado de obra-prima e o escambau. Estreou no Brasil em 28/1/2016.

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4 – A ASSASSINA

Filme chinês de Hou Hsiao-Hsien, indicado ao Bafta, se passa na China do século XVIII: Shu Qi é a assassina que deve matar um político. Estreou no Brasil em 5/5/2016.

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5 – BLOW-UP – DEPOIS DAQUELE BEIJO

O clássico de Michelangelo Antonioni, com David Hemmings e Vanessa Redgrave,  ícone da swinging London, completou 50 anos em 2016 e voltou aos cinemas. Mas não na Paraíba. Reestreou no Brasil em 8/12/2016.

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6 – MUCH LOVED

Muito comentado filme marroquino de Nabil Ayouch que mostra a vida de prostitutas no país e arrumou problemas com a censura de lá e alguns imbecis. Concorreu à Palma de Ouro em Cannes. Estreou no Brasil em 10/11/2016.

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7 – BR 716

O filme de Domingos de Oliveira versa sobre a boemia em uma Copacabana às vésperas do golpe (o de 1964, não o do ano passado). Ganhou o Festival de Gramado e acabou entrando aqui este ano, no Banguê. Estreou no Brasil em 17/11/2016.

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8 – SR. SHERLOCK HOLMES

Ian McKellen interpretando o detetive na velhice. Só isso já deveria ser o suficiente para colocarem esse filme em cartaz. Estreou no Brasil em 13/1/2016.

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9 – QUE VIVA EISENSTEIN! – 10 DIAS QUE ABALARAM O MÉXICO

O delirante Peter Greenaway mergulha no período em que o cineasta russo Sergei Eisenstein passou no México. Estreou no Brasil em 1/1/2016.

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10 – ESTRANHOS NO PARAÍSO

Outro clássico relançado, desta vez do muito pessoal cineasta Jim Jarmusch. Reestreou no Brasil em 3/11/2016.

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11 – EU SOU CARLOS IMPERIAL

Documentário sobre esta folclórica e polêmica figuraça da nossa música, cinema e TV, dos mesmos diretores de Uma Noite em 67. Estreou no Brasil em 17/3/2016.

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12 – O LOBO DO DESERTO

Este filme da Jordânia foi indicado ao Oscar de filme de língua não inglesa, sobre um garoto que guia um oficial britânico pelo deserto, na I Guerra. Estreou no Brasil em 18/2/2016.

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13 – BROOKLIN

Indicado ao Oscar de melhor filme, também teve Saorise Ronan indicada a melhor atriz. Estreou no Brasil em 11/2/2016.

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14 – O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO

Provocativo filme anti-racista de Nate Parker, que se propõe um contraponto ao fundamental (mas racista) clássico de D.W. Griffith, de 1915. Foi um sucesso em Sundance, mas o retorno à baila de um julgamento por estupro (no qual o diretor foi absolvido) em 2001 minaram o filme. Estreou no Brasil em 10/11/2016.

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15 – SIERANEVADA

Co-produção do Leste Europeu sobre acerto de contas familiar foi selecionado para Cannes. Acabou entrando no Banguê este ano. Estreou no Brasil em 15/12/2016.

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16 – CAPITÃO FANTÁSTICO

O filme teve a interpretação de Viggo Mortensen indicada ao Globo de Ouro e ao Oscar. Estreou no Brasil em 22/12/2016.

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17 – O QUE ESTÁ POR VIR

Isabelle Huppert nunca é demais e sempre queremos mais (1). Este acabou entrando no Banguê este ano. Estreou no Brasil em 22/12/2016.

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18 – ANIMAIS NOTURNOS

O filme de Tom Ford fez barulho, embora tenha chegado fraco à temporada de prêmios. E tem uma elogiada interpretação de Amy Adams. Acabou entrando em cartaz este ano, no Cinépolis. Estreou no Brasil em 29/12/2016.

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19 – CONSPIRAÇÃO E PODER

Com Cate Blanchett e Robert Redford, uma história real de jornalismo e poder: uma produtora do 60 Minutes desencava uma história polêmica do serviço militar de George W. Bush em campanha pela reeleição e sofrem uma campanha de descrédito. Estreou no Brasil em 24/3/2016.

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20 – WHITE GOD

Filme húngaro vencedor de dois prêmios no Festival de Cannes: garota tem que se desfazer de seu cachorro por ele ser mestiço. Enquanto o bicho tenta sobreviver pelas ruas, ela tenta resgatá-lo. Estreou no Brasil em 25/2/2016.

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21 – ROCK EM CABUL

Com Bill Murray e Zooey Deschanel e de Barry Levinson, diretor de Rain Man Bom Dia Vietnã, entre outros. Estreou no Brasil em 2/6/2016.

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22 – ASTERIX E O DOMÍNIO DOS DEUSES

É a primeira animação digital com o personagem, que é sucesso editorial em vários países e já foi adaptado para o cinema em animação tradicional e com atores. Estreou no Brasil em 7/4/2016.

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23 – A SENHORA DA VAN

Maggie Smith foi indicada ao Globo de Ouro por essa comédia, uma idosa que mora em uma van e faz amizade com um escritor em 1970. Estreou no Brasil em 7/4/2016.

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24 – UM BELO VERÃO

Cécile de France (de O Garoto de Bicicleta) e Izïa Higelin (de Samba) são duas mulheres que vivem uma história de amor em 1971, contexto da liberação sexual e de mais liberdades para as mulheres. Estreou no Brasil em 7/7/2016.

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25 – HAVANA MOON – THE ROLLING STONES IN CUBA

O registro do histórico show dos Stones na capital cubana. Estreou no Brasil em 6/10/2016.

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26 – JOVENS, LOUCOS E MAIS REBELDES!!

Richard Linklater, de Boyhood, fez uma continuação de seu Jovens, Loucos e Rebeldes (1993), um de seus primeiros filmes. Estreou no Brasil em 20/10/2016.

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27 – NERUDA

O diretor de No aqui conta a vida de Neruda como perseguido político. Acabou entrando em cartaz no Banguê. Estreou no Brasil em 15/12/2016.

File picture shows Brazilian citizen Marco Archer Cardoso Moreira sitting in front of his lawyer at Tangerang court, near Jakarta

28 – CURUMIM

Documentário sobre o brasileiro no corredor da morte das Filipinas, condenado por tráfico de drogas. Estreou no Brasil em 3/11/2016.

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29 – O PRESIDENTE

Na co-produção entre Alemanha, França, Reino Unido e Geórgia, um presidente deposto por um golpe foge acompanhado do neto de cinco anos. E entra pela primeira vez em contato com seu povo. Estreou no Brasil em 10/3/2016.

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30 – ELVIS E NIXON

O inusitado encontro entre o Rei do Rock e o presidente que renunciaria. Michael Shannon é Elvis e Kevin Spacey entra para a galeria de intérpretes de Nixon (que já tinha Anthony Hopkins e Frank Langella). Estreou no Brasil em 16/6/2016.

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31 – AS MONTANHAS SE SEPARAM

Uma chinesa entre dois possíveis romances neste filmes do diretor Jia Zhangke, alvo de documentário de Walter Salles. Estreou no Brasil em 23/6/2016.

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32 – DE PALMA

Documentário sobre o grande diretor de Os IntocáveisVestida para Matar O Pagamento Final. Estreou no Brasil em 24/11/2016.

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33 – TUDO VAI FICAR BEM

Filme de Wim Wenders, com Rachel McAdams, James Franco e Charlotte Gainsbourg, sobre o trauma de um escritor para superar uma tragédia. Estreou no Brasil em 10/3/2016.

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34 – MARAVILHOSO BOCCACCIO

Os irmãos Taviani levam á tela cinco histórias do Decamerão, de Boccaccio. Estreou no Brasil em 5/5/2016.

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35 – DEMÔNIO DE NEON

Elle Fanning é uma modelo ingênua no mundo da moda. Estreou no Brasil em 29/9/2016.

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36 – FOGO NO MAR

Documentário sobre o drama dos refugiados na Europa, a partir de uma ilha na Itália. Levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim e foi indicado ao Oscar de documentário. Estreou no Brasil em 28/4/2016.

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37 – NOSSO FIEL TRAIDOR

Thriller de espionagem, baseado em John LeCarré, com um elencão: Ewan McGregor, Damian Lewis, Naomie Harris, Stellan Skasgard. Estreou no Brasil em 6/10/2016.

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38 – UM HOMEM SÓ

Uma raríssima ficção científica brasileira, em que Vladimir Brichta contrata uma empres apara produzir um clone para levar sua vida medíocre por ele. Com Mariana Ximenes. Estreou no Brasil em 29/9/2016.

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39 – AMOR POR DIREITO

Julianne Moore é uma policial que descobre que está muito doente. Ela quer que a companheira (Ellen Page) receba a pensão da polícia após sua morte. E aí começa a batalha legal contra a discriminação. Steve Carrell também está no elenco dessa adaptação de uma história real acontecida não faz tanto tempo: em 2002. Estreou no Brasil em 21/4/2016.

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40 – MUNDO CÃO

De Marcos Jorge, diretor de Estômago, uma trama de vingança que o personagem de Lázaro Ramos trama contra Babu Santana, o funcionário de um centro de zoonoses que pegou o cachorro dele, depois sacrificado. Estreou no Brasil em 17/3/2016.

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41 – A DESPEDIDA

Nélson Xavier é o velho doente que se despede dos amigos, incluindo a amante bem mais nova vivida por Juliana Paes, com quem ele vive ainda momentos de amor. Estreou no Brasil em 9/6/2016.

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42 – MILLER & FRIED – AS ORIGENS DO PAÍS DO FUTEBOL

Um documentário que volta ao berço do nosso futebol: Charles Miller, que trouxe a primeira bola ao Brasil, e Arthur Friedenreich, nosso primeiro grande craque. Estreou no Brasil em 28/7/2016.

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43 – A LUZ ENTRE OCEANOS

O título refere-se ao trabalho do personagem de Michael Fassbender, em um farol na Austrália, justo na divisão dos oceanos Pacífico e Atlântico. Alicia Vikander é sua esposa, que o convence a criarem com deles o bebê que surge em um barco, ao lado de um homem morto. Estreou no Brasil em 3/11/2016.

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44 – É APENAS O FIM DO MUNDO

O drama francês mostra uma reunião de família que sai do controle por causa das muitas mágoas. O elenco tem Nathalie Baye, Léa Seydoux e Vincent Cassel. Estreou no Brasil em 24/11/2016.

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45 – RAINHA DE KATWE

Produção da Disney dirigida pela indiana Mira Nair sobre uma jovem de Uganda que deseja se tornar uma grande jogadora de xadrez. Estreou no Brasil em 24/11/2016.

46 – A CORTE

Fabrice Luchini é o juiz rígido que fica abalado ao reencontrar um antigo amor no tribunal. Chegou a passar no Festival Varilux, mas não entrou em cartaz. Estreou no Brasil em 11/8/2016.

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47 – FIQUE COMIGO

Isabelle Huppert nunca é demais e sempre queremos mais (2). É uma comédia dramática com seis personagens que se cruzam em um edifício. Estreou no Brasil em 3/3/2016.

Lily James;Bella Heathcote

48 – ORGULHO E PRECONCEITO E ZUMBIS

Essa curiosidade une o universo de Jane Austen a um elemento icônico da cultura de terror pop. Estreou no Brasil em 25/2/2016.

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49 – MULHERES NO PODER

Dira Paes é uma senadora tentando se dar bem em uma mamata, mas há outras mulheres também querendo levar vantagem. Estreou no Brasil em 12/5/2016.

Life - Um Retrato de James Dean

 

50 – LIFE – UM RETRATO DE JAMES DEAN

 

A amizade entre James Dean e o fotógrafo Dennis Stock, às vésperas de Dean se tornar um grande sucesso. Estreou no Brasil em 21/7/2016.

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LEIA MAIS:

Coluna Cinemascope (#20). Correio da Paraíba, 1/2/2017

Saltimbancos Trapalhoes - Rumo a Hollywood - 01

Sumiram com os Saltimbancos

por Renato Félix

Faz alguns anos que Renato Aragão não aparece semanalmente em um programa na TV aberta. E só pode ser essa a razão (imediatista e rasa) para que as companhias exibidoras tenham simplesmente desprezado a volta do trapalhão aos cinemas, com Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood.

O filme não chegou a entrar em cartaz nas quatro sessões em nenhuma sala paraibana: teve duas numa sala do Cinespaço MAG, outras duas em uma sala do Cinépolis Manaíra e só duas também nos Cinesercla do Tambiá Shopping e do Partage Shopping, este em Campina. No Cinépolis Mangabeira, nem passou.

E olhe que, além de ser estrelado por Renato Aragão e Dedé Santana, trata-se de uma nova versão de um de seus maiores sucessos, que levou 5 milhões de pessoas aos cinemas em 1981/ 1982. E fez grande sucesso recente como musical de teatro, de onde esta nova versão foi adaptada. Na trilha, as mesmas canções de Chico Buarque que são cantadas até hoje por adultos e crianças.

Hoje, o filme não pode ser visto em João Pessoa: esta semana, passou apenas sábado e domingo. Na Paraíba, está sendo exibido apenas em Remígio. Provavelmente estará fora da programação já amanhã. E podia ser pior: soube que em Porto Alegre nem chegou a passar.

Minha infância foi pegando longas filas, dobrando o quarteirão, para ver o novo filme dos Trapalhões no cinema. Ok, os tempos são outros, mas a verdade é que o filme nem foi testado: os cinemas trataram de matar sua carreira no nascedouro.

Enquanto isso, filmes com youtubers estreiam com pompa e circunstância, ocupando várias salas. Não dá para não ter uma ponta de tristeza com as opções que nossos exibidores tomam.

FOTO: Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood (2016)

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Do mesmo diretor de Cine Holliúdy, e com o mesmo Edmilson Filho, O Shaolin do Sertão parece um desdobramento lógico do filme anterior. Afinal, depois da brincadeira de evocar os baratíssimos filmes de kung fu que rodavam pelos cinemas de antigamente, por que não fazer um para valer? O elenco coadjuvante tem Dedé Santana, Fafy Siqueira, Marcos Veras e um Falcão com jeito de quem vai roubar o filme. Estreia nacional: 27 de outubro (no Ceará começa antes, dia 13).

Soy Cuba o Mamute Siberiano

Soy Cuba, o Mamute Siberiano. Brasil, 2005. Direção: Vicente Ferraz. Documentário. Nos primeiros anos da Revolução Cubana, uma equipe cinematográfica soviética aporta na ilha para criar um filme épico sobre o país. Ferraz reconstitui com fartos depoimentos a história de Soy Cuba, o filme que acabou não agradando nem cubanos nem soviéticos e acabou esquecido por décadas, até ser resgatado do limbo por Martin Scorsese e Francis Ford Coppola. A produção dirigida por Mikhail Kalatozov recebeu, desde então, os devidos elogios pelas belíssimas imagens (que o doc brasileiro usa à vontade).
Sem borda - 04 estrelas

Visto no Canal Curta!

A seguir, os meus melhores filmes de 2015, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, como em todo ano, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

– 163 filmes estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa em 2014 (419 estrearam no Brasil, segundo o levantamento da Abraccine). É um a menos que no ano passado, pertinho do recorde de 2007 (165), marca de antes do fechamento do primeiro multiplex do MAG. O Boulevard faz esse acompanhamento desde 2006.

– A participação do cinema brasileiro foi de 25,76% dos filmes em cartaz, só um pouco menor que no ano passado, quando chegou a 26,8%, melhor marca desde que começamos a contar. Em números brutos, são 42 este ano contra 44 em 2014. Em 2013, foram 32.

Divertida Mente

Raiva, Nojinho, Alegria, Medo e Tristeza: confusão de sentimentos

1 – DIVERTIDA MENTE, de Pete Docter

A Pixar deu uma aula de emoção dentro da mente de uma pré-adolescente. Acompanha ao mesmo tempo a vida dessa menina cujo mundo vira de cabeça para baixo quando a família se muda de cidade e suas emoções básicas personificadas. Tudo vira uma bagunça quando a Alegria e a Tristeza somem da sala de comando. O lance genial é justamente descobrir a beleza e a importância da Tristeza na vida de todos nós. Crítica no Boulevard

Que Horas Ela Volta

Camila Mardila e Regina Casé: filha e mãe que pensam diferente

2 – QUE HORAS ELA VOLTA?, de Anna Muylaert

Conseguiu combinar algo dificílimo no cinema brasileiro: a crítica social e o drama de personagens que conquistam o espectador. Regina Casé lembra a grande atriz que é como a Val, empregada em uma casa rica, que recebe a filha que vai prestar o vestibular. A outra mentalidade da moça, que não se acha inferior a ninguém, sacode a vida de patrões e empregados e ajuda o filme a colocar em xeque uma herança social incômoda . Crítica no Boulevard

Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorancia

Michael Keaton e a sombra dele mesmo o atormentando

3 – BIRDMAN (OU A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), de Alejandro González Iñarritu

O falso plano-sequência único (construído a partir de diversos planos-sequência de verdade e efeitos visuais) é de embasbacar. Mas além disso o filme transpira a angústia de seu protagonista e possui grandes interpretações de todo o elenco (Michael Keaton, Edward Norton e Emma Stone à frente) para um mergulho na necessidade e perigos de fazer arte.

Daisy Riodley, John Boyega (e BB8): filme confia (e faz bem em confiar) nos novos personagens

Daisy Ridley, John Boyega e BB-8 sustentam muito bem o filme

4 – STAR WARS – O DESPERTAR DA FORÇA, de J.J. Abrams

Com cerca de meia hora já adentradas do episódio VII de Guerra nas Estrelas, o espectador pode se dar conta de que nenhum dos personagens clássicos apareceu ainda e ele está acompanhando apenas as aventuras do novos rostos da série (Daisy Ridley, John Boyega, Adam Driver e, claro, o andróide BB-8). Um início corajoso que compensa muito uma rendição excessiva à trilogia original na repetição de certas situações. No fim, há um equilíbrio admirável entre essa herança que nos fez esquecer a trilogia-prelúdio e esperar ansiosamente pelo que o futuro reserva. Crítica no Boulevard

Mad Max - Estrada da Fúria-08

5 – MAD MAX – ESTRADA DA FÚRIA, de George Miller

É incrível pensar que, 30 anos depois, a franquia Mad Max voltaria com o mesmo diretor e uma disposição de se reinventar radicalmente. Semelhante ao segundo filme, o personagem principal é metido em uma situação onde ele é quase testemunha: a fuga de mulheres usadas como reprodutora pelo líder de uma cidade que detém o poder através da posse de um líquido precioso. O que nos anos 1980 era a gasolina, refletindo a crise do petróleo, agora é água. As fugitivas são lideradas por uma feroz Charlize Theron com um braço só. A trama se resume a uma gigantesca fuga sobre rodas pelo deserto, uma estilizada ode ao movimento com o visual alucinado do qual Miller é mestre. Diário de filmes no Boulevard

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6 – O PEQUENO PRÍNCIPE, de Mark Osborne

Em geral, a decisão de dividir a história original com uma atual, sobre uma garotinha adultizada pela mãe e que conhece seu vizinho, um velho aviador, seria de torcer o nariz. Mas a verdade é que a nova história se alimenta bem do conto de Saint Exupèry e visualmente o filme acerta muito ao separar a animação digital para a nova história e o stop-motion para a trama do livro. E ainda há trilha irrestistível, com canções de Camille.

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7 – MISTRESS AMERICA, de Noah Baumbach

Em geral, a decisão de dividir a história original com uma atual, sobre uma garotinha adultizada pela mãe e que conhece seu vizinho, um velho aviador, seria de torcer o nariz. Mas a verdade é que a nova história se alimenta bem do conto de Saint Exupèry e visualmente o filme acerta muito ao separar a animação digital para a nova história e o stop-motion para a trama do livro. E ainda há a trilha irresistível, com canções de Camille.

Perdido em Marte

8 – PERDIDO EM MARTE, de Ridley Scott

Não é de hoje que Hollywood é fascinada com a paisagem marciana. E Scott não deixa de usar o que pode dessa paisagem em um filme que também se arrisca e acerta ao passar um tempo considerável apenas com Matt Damon em cena. O bom humor de seu personagem faz não só sua vida menos difícil como ajuda também o espectador nessa travessia.

 

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9 – O CONTO DA PRINCESA KAGUYA, de Isao Takahata

A história da princesinha que nasce em um broto de bambu e é encontrada por um lavrador é contada por delicadeza ímpar nessa produção do Studio Ghibli. Um dos filmes mais bonitos do ano.

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10 – PONTE DOS ESPIÕES, de Steven Spielberg

No auge da guerra fria, o advogado de uma companhia de seguros é jogado dentro de uma trama em que precisa defender um espião soviético capturado nos EUA e depois negociar sua troca por outro, americano, preso na Alemanha Oriental. A recriação de um clima paranoico dos dois lados e descobrir a humanidade no “inimigo” são alguns dos méritos desse thriller.

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MAIS RETROSPECTIVA 2015

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A fronteira da cozinha

Camila Márdila e Regina Casé: premiadas em Sundance

Camila Márdila e Regina Casé: premiadas em Sundance

A emoção e a razão muitas vezes são tratadas como excludentes no cinema. Existem os filmes que se esforçam para envolver o espectador e evitam pensar sobre qualquer coisa mais profunda e não faltam aqueles que abordam situações de maneira cerebral, mas evitam o drama como o diabo. Que Horas Ela Volta? (Brasil, 2015) não sofre com isso: é ao mesmo tempo um drama humano de largo alcance e um filme que pensa muito o Brasil a partir de sua metáfora.

Para começar, é uma história de mães. De início, a de Val (Regina Casé, em excelente atuação),  uma babá e empregada nordestina que vive há anos na casa dos patrões ricos paulistanos. O suficiente para ter visto o garoto da casa crescer e ter com ele uma relação mãe-e-filho mais do que o rapaz tem com a própria mãe, Bárbara (Karine Teles).

Mas ela tem sua própria filha, Jessica (Camila Márdila, que dividiu com Regina o prêmio de melhor atriz em Sundance), que deixou em Pernambuco para ser criada por parentes enquanto ganha a vida em São Paulo. Elas não se veem há anos e a garota, que a chama de Val (não de mãe), vai a São Paulo para prestar um concorrido vestibular para Arquitetura. Ela tem a primeira decepção rápido, ao descobrir que a mãe não mora em sua própria casa, mas num quartinho na casa dos patrões.

Sem os anos de subserviência e renúncia pessoal que a mãe teve e influenciada por professores que a fizeram enxergar possibilidades em seu futuro, a garota não desperdiça as chances que são dadas a ela de ter acessos pela casa que a mãe não esperava. Val, “quase da família”, sempre “conheceu o seu lugar”. A visão que Val tem desse mundo é aquela que o filme mostra quando Carlos (Lourenço Mutarelli) requisita a Val “um guaraná, por favor” lá da mesa na sala de jantar e é visto do ponto de vista da cozinha, através da porta, de onde se pode ver só um pedaço do outro cômodo.

Jessica está no limite entre a independência e, talvez, um certo oportunismo. Embaralha essa realidade que até então funcionava bem. Os homens da casa não parecem perceber a tempestade se formando e as relações de poder dentro da casa, mesmo fazendo parte ativa delas (o personagem de Lourenço Mutarelli rapidinho se mostra interessado na bela filha da empregada, por exemplo). Bárbara e Val, as duas mães, é que sentem mais a situação. E Val parece sentir mais a invasão do que Bárbara. A empregada deixa claro mais diretamente seu desconforto, enquanto a patroa tenta disfarçar, usar subterfúgios, empurrar o conflito para baixo do tapete.

Aos poucos, Que Horas Ela Volta? vai evidenciando também o drama da personagem de Karine Teles que vê o filho se conectar mais com Val do que com ela e expõe a cultura das mulheres que, por diferentes razões, são levadas a entregar seus filhos para serem criados por outras mulheres. A cena do resultado do vestibular, no quarto, em que Val de certa forma faz uma opção natural pela própria filha mostra as complexidades dessas relações dentro da casa.

A diretora Anna Muyalert faz declaradamente um paralelo com o que ela chama de “herança escravocrata” brasileira: a “Casa Grande & Senzala” que acontece naturalmente dentro de tantas casas onde pessoas vivem “da porta da cozinha para cá” e “da porta da cozinha para lá” e empregados são “quase da família”, enquanto convém aos patrões. Metaforizando uma situação muito brasileira, que chega a surpreender os espectadores no exterior, Que Horas Ela Volta? têm tido fôlego para convencer também essas plateias e críticos de outros países pela força de seu drama de personagens. As referências sociais diferentes, nesse caso, são amenizadas em prol de sentimentos universais.

Que Horas Ela Volta? Brasil, 2015. Direção: Anna Muylaert. Elenco: Regina Casé, Camila Márdila, Karine Teles, Lourenço Mutarelli, Michel Joelsas.

O novo filme do mestre Domingos Oliveira está online. Infância se passa nos anos 1950 e tem Fernanda Montenegro como a matriarca durona de uma família. Algumas das figurinhas fáceis do cinema do Domingos estão no elenco: Priscilla Rozembaum e Ricardo Kozovski. A eles, se juntam Paulo Betti, Nanda Costa e Maria Flor. Raul Guaraná é o garoto de quem através do olhos a história é contada. Uma versão do próprio Domingos, já que a história tem ecos autobiográficos. É baseado em sua peça Do Fundo do Lago Azul, de 1977, que Fernandona encenou na primeira montagem como a mãe de Domingos (agora faz a avó). O filme está estreando hoje nos cinemas brasileiros (vamos rezar pra chegar a João Pessoa, que em geral fica devendo ao cineasta).

O que entra na quinta, o que fica até quarta e o que continua em cartaz nos cinemas paraibanos (João Pessoa, Campina Grande, Patos e Remígio).

Estreias 08.20

JOÃO PESSOA

Entram quinta em JP:
– ‘O PEQUENO PRÍNCIPE’ (Cinépolis Manaíra [3D dub]; Cinespaço MAG [3D leg, 3D dub]; Cinesercla Tambiá [3D dub])
– ‘LINDA DE MORRER’ (Cinépolis Manaíra [2D em port]; Cinespaço MAG [2D em port]; Cinesercla Tambiá [2D em port])
– ‘EXORCISTAS DO VATICANO’ (Cinépolis Manaíra [2D leg, 2D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub])

Volta em JP:
– ‘A DOCE VIDA’ (Cinespaço MAG [2D leg])

Só até quarta em JP:
– ‘HOMEM-FORMIGA’ (Cinépolis Manaíra [3D leg, 3D dub])
– ‘QUE MAL EU FIZ A DEUS?’ (Cinépolis Manaíra [2D leg]; Cinespaço MAG [2D leg])
– ‘MINIONS’ (Cinépolis Manaíra [3D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub])
– ‘JOGADA DE MESTRE’ (Cinépolis Manaíra [2D leg])
– ‘SOBRENATURAL – A ORIGEM’ (Cinépolis Manaíra [2D leg, 2D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub])
– ‘VOO 7500’ (Cinépolis Manaíra [2D leg])
– ‘PIXELS’ (Cinépolis Manaíra [2D dub, 3D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub])

Continuam em JP:
– ‘MISSÃO IMPOSSÍVEL – NAÇÃO SECRETA’ (Cinépolis Manaíra [2D leg, 2D dub]; Cinespaço MAG [2D leg, 2D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub])
– ‘O CONTO DA PRINCESA KAGUYA’ (Cinépolis Manaíra [2D leg])
– ‘SOBRE AMIGOS, AMOR E VINHO’ (Cinépolis Manaíra [2D leg])
– ‘QUARTETO FANTÁSTICO’ (Cinépolis Manaíra [2D leg, 2D dub]; Cinespaço MAG [2D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub])
– ‘A ESCOLHA PERFEITA 2’ (Cinépolis Manaíra [2D leg]; Cinespaço MAG [2D leg]; Cinesercla Tambiá [2D dub])
– ‘CARROSSEL – O FILME’ (Cinépolis Manaíra [2D em port]; Cinesercla Tambiá [2D em port])

 

CAMPINA GRANDE (Cinesercla Partage)

Entram quinta em CG:
– ‘LINDA DE MORRER’ [2D em port]

Só até quarta em CG:
– ‘MINIONS’ [2D dub]

Continuam em CG:
– ‘MISSÃO IMPOSSÍVEL – NAÇÃO SECRETA’ [2D leg, 2D dub]
– ‘QUARTETO FANTÁSTICO’ [2D dub])
– ‘A ESCOLHA PERFEITA 2’ [2D leg]
– ‘CARROSSEL – O FILME’ [2D em port]
– ‘PIXELS’ [2D dub]

 

PATOS (Cine Guedes)

Não enviou a programação.

 

 

 

REMÍGIO (Cine RT)

Continuam em Remígio:
– ‘DIVERTIDA MENTE’ [2D dub]
– ‘O EXTERMINADOR DO FUTURO – GENESIS’ [2D dub]
– ‘MEU PASSADO ME CONDENA 2’ [2D em port]

O tablóide carioca Meia Hora tem feito muito barulho nas bancas e nas redes sociais por causa de suas capas, que jogam com o sensacionalismo e o humor. O ponto alto foi o Prêmio Esso pela capa do 7 a 1. Agora, uma oportunidade de conhecer um pouco mais do jornal: o documentário Meia Hora e as Manchetes que Viram Manchetes já tem trailer. Estreia nacional: 6 de agosto.

Christine Fernandes

Christine Fernandes

Sem borda - 2,5 estrelasLara. Brasil, 2002. Direção: Ana Maria Magalhães. Roteiro: Ana Maria Magalhães e Rita Buzzar. Elenco: Christine Fernandes, Maria Manoella, Caco Ciocler, Tuca Andrada, Monique Lafond, Heloísa Périssé, Ana Beatriz Nogueira, Mariana Lima, José Celso Martinez Corrêa. Nos anos 1950, uma descendente de italianos cujos pais cometeram suicídio e que passou por um orfanato, começa a despontar como modelo e se torna uma das maiores musas do cinema brasileiro. Cinebiografia de Odete Lara, vivida por Christine em seu anos de estrelato, por Maria Manoella na juventude e por Luanne Louback quando criança. O filme tem um curioso pudor em mudar os nomes de personagens muito conhecidos, numa espécie de declaração de tomar as liberdades que achar necessária com os fatos (Odete Lara é sempre chamada apenas de Lara, há uma cena com a própria Odete em um filme passando na TV sem que fique claro se há relação na história ou não com a personagem de Christine e personalidades como Glauber Rocha também aparecem sob outro nome). A atriz participou de filmes importantes, teve uma vida conturbada e se afastou da atuação buscando uma vida mais tranquila e espiritual. O filme tenta captar isso, mas a falta de recursos por vezes fica muito evidente (por exemplo, em uma cena de passeata contra o regime militar). Mas é difícil pensar em uma atriz mais ideal que a linda Christine para viver Odete Lara. Manoella, por outro lado, parece deslocada, unidimensional e não rende.

Filme completo no Youtube.

Vladimir Carvalho é muita coisa e uma delas é esta: um dos melhores papos deste país. Qualquer conversa com ele pode ir longe e é tão agradável quanto informativa, educativa e inspiradora sobre a arte, o trabalho e o Brasil. Seus 80 anos, hoje, renderam a capa do Caderno 2 do Correio da Paraíba e minha matéria, em versão estendida, está aqui.

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O cinema de verdade de Vladimir

Vladimir, em sua casa, em Brasília, com uma câmera do mesmo modelo que filmou "Aruanda" (foto: Vívian Corrêa)

Vladimir, em sua casa, em Brasília, com uma câmera do mesmo modelo que filmou “Aruanda” (foto: Vívian Corrêa)

Um tanto avesso a comemorações de aniversário (segundo ele, já há uns 30 anos), Vladimir Carvalho já tinha planejado passar o dia de hoje em Recife, trabalhando. Neste período, iria filmar entrevistas e ambientação para o longa que está rodando sobre o artista plástico Cícero Dias. Mas o seu cinegrafista se machucou e os planos foram cancelados. Assim, seus 80 anos, aos quais chega hoje, serão em Brasília mesmo. “No máximo, faço um almoço ou um jantar em casa mesmo”, conta. “Gosto de comemorar quando é trabalho, quando é a estreia de um filme…”.

Paraibano de Itabaiana, Vladimir é reconhecidamente um dos maiores documentaristas do país, com um trabalho sempre voltado à discussão do Brasil e questões de poder e trabalho. Esses temas estão presentes até em Rock Brasília – Era de Ouro (2011), seu filme mais recente. Seu legado também extrapola sua obra, passando por seu irmão mais novo, Walter Carvalho, um dos grandes diretores de fotografia do cinema brasileiro (de Central do Brasil, 1998, entre muitos outros) e que hoje também é um cineasta respeitado (de Raul – O Início, o Fim e o Meio, 2012, entre outros) – iniciado no fazer cinematográfico por Vladimir nos anos 1970. E, por extensão, o legado chega ao filho de Walter, Lula Carvalho, hoje também um premiado diretor de fotografia do cinema brasileiro (dos dois Tropa de Elite, 2007 e 2010, e de RoboCop, 2014).

“Vladimir é o documentarista mais completo do cinema brasileiro”, crava o crítico Carlos Alberto Mattos, que biografou o cineasta em Pedras na Lua e Pelejas no Planalto, volume da coleção Aplauso. “Digo isso pela variedade de dispositivos que ele já utilizou em seus filmes, da evocação lírica de O País de São Saruê (1971) à epopeia trágica de Conterrâneos Velhos de Guerra (1990); da ressignificação de arquivos em Brasília Segundo Feldman (1979) à busca pessoal de ressonâncias históricas em O Homem de Areia (1980) e Rock Brasília, só para ficar em alguns exemplos. Digo isso também pela disposição do realizador para tratar do antropológico, do cultural e do político sem traçar fronteiras muito claras entre cada uma dessas categorias”.

Vladimir, eu e Walter, no Cineport de 2014: irmão e sobrinho também são legados (foto: Suzy Lopes)

Vladimir, eu e Walter, no Cineport de 2014: irmão e sobrinho também são legados (foto: Suzy Lopes)

“Além da obra filmada e das reflexões sobre documentários, Vladimir exibe uma rara qualidade: um entusiasmo inesgotável – pelo cinema, pela vida”, adiciona Susana Schild, de O Globo. “Simples, direto, pés no chão – mas sempre tomado pela paixão”. “O cineasta de visão notável sobre a sociedade brasileira e sua história, cujas obras nos suscitam reflexão”, define o crítico cearense Pedro Martins Freire, do site Cinema e Artes.

“Eu tenho a noção de dever cumprido dentro das minhas possibilidades”, reflete Vladimir. “Eu só filmo se aquilo é um apelo que vem de dentro pra fora. Que, se eu não fizer, vou sentir um desconforto. Algo que está em acordo com a minha formação, visão de mundo. Por sorte, atravessei até aqui sem me subjugar”.

O mestre e eu, em sua casa, em 2013 (foto: Vívian Corrêa)

O mestre e eu, em sua casa, em 2013 (foto: Vívian Corrêa)

Sua produção atual sobre Cícero Dias, pintor pernambucano que viveu de 1907 a 2003, foi influenciado pelo modernismo nos anos 1920 e participou da cena cultural francesa dos anos 1930, também é algo que “veio de dentro”.

“Quando eu era garoto, vi uma discussão entre meu pai e um tio um tanto quanto reacionário, em que meu pai defendia uma exposição de Cícero Dias em Recife em 1948, exposição que foi um choque cultural na cidade”, lembra Vladimir. Com O Homem de Areia, sobre José Américo de Almeida, e O Engenho de Zé Lins (2007), sobre José Lins do Rêgo, o cineasta, que foi fundador da Escola de Arte Tomás Santa Roza nos anos 1960 (junto com nomes como Raul Córdula e Breno Mattos) acredita concluir uma trilogia informal sobre o modernismo.

Essa subjetividade no olhar e na escolha dos temas também é uma das qualidades saudadas do documentário de Vladimir. “Minha admiração por sua obra tem a ver também com a maneira como ele, muito antes da maioria, desmentiu os preceitos de objetividade e neutralidade que o documentário infelizmente herdou do jornalismo”, diz Carlos Alberto Mattos. “Seus filmes sempre foram engajados e pessoais. Vladimir fez da sua presença dentro da cena de muitos filmes o instrumento de afirmação do seu ponto de vista, ou pelo menos do seu desejo de investigar. São 80 anos de um cinema criativo, intrépido, mas gentil ao mesmo tempo. Como uma fruta plantada no Nordeste e colhida mais que doce no Planalto Central”.

C01A jornalista Maria do Rosário Caetano, da Revista de Cinema, chama a atenção para a relação muito próxima que Vladimir sempre manteve com a Paraíba, mesmo há décadas morando em Brasília. “Vladimir esteve, em sua juventude, em dois projetos que têm tudo a ver com a Paraiba: Aruanda (1960), de Linduarte Noronha, e Cabra Marcado para Morrer (1964, primeira fase), de Eduardo Coutinho. Depois realizou seus filmes mais importantes na Paraíba e em Brasília. No maior deles, Conterrâneos Velhos de Guerra, somou a Paraíba (o Nordeste como um todo) à nova capital. Seus conterrâneos que ergueram no Planalto Central, a ‘Tebas moderna’, o motivaram a construiu uma ‘epópera’ arrebatadora. A Paraíba está entranhada na alma dele”.

Outro dado que move o cineasta é a vontade de saber mais. “Porque vou filmar isso se não me acrescenta?”, pergunta, dando um exemplo de O Homem de Areia: vários anos antes do documentário, em 1966 ou 1967 (ele não lembra a data com precisão), Vladimir entrevistou José Américo para o Correio da Paraíba. O contato impactante ficou dentro dele até a filmagem do documentário, em 1979. “Nem sei porque me mandaram para essa entrevista, eu era muito inexperiente. Quando terminamos, Zé Américo pediu pra ver o que eu tinha anotado”, lembra. “Aí, pegou uma caneta e rubricou minhas anotações. ‘Pode mostrar lá para o seu chefe’, me disse”.

É o caso de Cícero Dias, curiosidade adormecida que desembocou no próximo filme, que deve ficar pronto até o final do ano. Curiosidade que vem desde menino, de modo que a declaração de Vladimir sobre a idade se justifica: “A ficha ainda não caiu. Não me habituei a ver esse senhorzinho de cabeça branca no espelho. Acho que é – como dizem? – crise de identidade (risos)”.

* Versão estendida de matéria publicada no dia 31 de janeiro, no Correio da Paraíba.

Top 10 - 01.16

– A foto mostra o top 10 da nossa eleição até agora. Até agora (de janeiro a julho, meses abertos à votação) foram computados 102 filmes que estrearam em João Pessoa. Desses, 55 atingiram o quórum mínimo de quatro notas. Um índice muito alto de “abstenção”, quase 50%.

– Após o empate, ‘O Lobo de Wall Street’, de Martin Scorsese, voltou à liderança por microscópica margem. ‘O Passado’ está somente 0,008 atrás.

– A grande novidade da lista é ‘Guardiões da Galáxia’, filme de julho que já aparece em 3º. Aliás, mostra o poder da Marvel no cinema atualmente: três filmes baseados em HQs da editora estão no top 10: ‘Capitão América 2’ está em 5º e ‘X-Men – Dias de um Futuro Esquecido’ em 10º. A decepção é ‘O Espetacular Homem-Aranha 2’, amargando apenas um 40º lugar.

– O pessoal continua preferindo o primeiro ‘Ninfomaníaaca’ (22º, média 3,318) ao segundo (31º, média 2,952).

Top 25 (até agora):

O Lobo de Wall Street – 4,28
O Passado – 4,272
Guardiões da Galáxia – 4,181
Blue Jasmine – 4,083
12 Anos de Escravidão – 4,074

Capitão América 2 – O Soldado Invernal – 4,047
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho – 4
O Menino e o Mundo – 3,833
Praia do Futuro – 3,818
X-Men – Dias de um Futuro Esquecido – 3,789

Tatuagem – 3,785
Azul É a Cor Mais Quente – 3,739
Frozen – Uma Aventura Congelante – 3,7
Planeta dos Macacos – O Confronto – 3,555
Como Treinar Seu Dragão 2 – 3,5

Uma Aventura Lego – 3,454
Trapaça – 3,4
Sem Escalas – 3,4
No Limite do Amanhã – 3,4
Eu, Mamãe e os Meninos – 3,375

Noé – 3,272
Ninfomaníaca – Volume 1 – 3,318
A Culpa É das Estrelas – 3,222
Um Amor em Paris – 3,2
Uma Relação Delicada – 3,166

Entraram no top 25: ‘Guardiões da Galáxia’ (3º), ‘Planeta dos Macacos – O Confronto’ (14º), ‘Como Treinar Seu Dragão 2’ (15º), ‘No Limite do Amanhã’ (17º).

Saíram do top 25: ‘Malévola’ (caiu de 25º para 26º), ‘RoboCop’ (de 21º para 27º), ‘Walt nos Bastidores de Mary Poppins’ (de 22º para 28º) e ‘As Aventuras de Peabody e Sherman’ (de 23º para 30º).

– Filmes com três notas (faltando uma para o quórum): ‘Caminhando com Dinossauros’, ‘Namoro ou Liberdade’, ‘O Grande Herói’, ‘Um Plano Perfeito’, ‘Uma Viagem Extraordinária’, ‘Antes do Inverno’, ‘Inatividade Paranormal 2’, ‘Em Busca de Iara’, ‘Junho – O Mês que Abalou o Brasil’ e ‘O Homem das Multidões’.

A seguir, os meus melhores filmes de 2014, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

– 164 filmes estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa em 2014 (379 estrearam no Brasil, segundo o levantamento da Abraccine). São 13 a mais que no ano passado, encostando no recorde de 2007 (165), marca de antes do fechamento do primeiro multiplex do MAG. O Boulevard faz esse acompanhamento desde 2006.

– A participação do cinema brasileiro é a melhor de todos os tempos. Chegou a 26,8% dos filmes em cartaz (44 no total). No ano passado, com 32 filmes, o cinema tupiniquim ficou nos 21,2%. Ainda estava bem porque, de 2010 para trás, a conta ficava nos 20 filmes e pouco mais de 10% de filmes em cartaz.

Rosamund Pike em "Garota Exemplar"

Rosamund Pike em “Garota Exemplar”

1 – GAROTA EXEMPLAR, de David Fincher

Uma trama de mistério que brilha no jogo de entregar e sonegar informação ao espectador. A plateia acompanha o tormento do marido (Ben Affleck) que pode ou não ter matado a esposa (Rosamnd Pike, excelente). E acompanha a leitura do diário dela, antes mesmo dos personagens do filme. Semanas em cartaz: duas. Crítica no Boulevard

Leonardo DiCaprio em "O Lobo de Wall Street"

Leonardo DiCaprio em “O Lobo de Wall Street”

2 – O LOBO DE WALL STREET, de Martin Scorsese

Scorsese ridiculariza as falcatruas do mercado financeiro e exige o máximo de Leonardo DiCaprio, talvez na melhor interpretação de sua carreira. Alucinado, é como se fosse um filme sob efeito de cocaína. Semanas em cartaz: sete.

 

Chiwetel Ejiofor e Michael Fassbender em "12 Anos de Escravidão"

Chiwetel Ejiofor e Michael Fassbender em “12 Anos de Escravidão”

3 – 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO, de Steve McQueen

O vencedor do Oscar mostra um homem negro que nasceu livre e é sequestrado e vendido como escravo. Sua luta é a de não se tornar um escravo por dentro. Michael Fassbender está assustador. Semanas em cartaz: três. Crítica no Boulevard

 

Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux em "Azul É a Cor Mais Quente"

Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux em “Azul É a Cor Mais Quente”

4 – AZUL É A COR MAIS QUENTE, de Abdellatif Kechiche

Dormir, comer, amar, chorar, fazer sexo: o filme de Kechiche mostra como que através de um microscópio os muitos detalhes da vida de Adéle, vivida pela revelação Adèle Exarchopoulos. Semanas em cartaz: três.

Bérenice Bejo e ???? em "O Passado"

Bérenice Bejo e Ali Mosaffa em “O Passado”

5 – O PASSADO, de Asghar Farhadi

De novo Farhadi traça filme de mistério e investigação sem sair do drama familiar, com peças a juntar e personagens com algo a esconder. Passou no Festival Varilux e depois entrou em cartaz rapidamente. Semanas em cartaz: uma.

Charis Evans e Scarlett Johansson em "Capitão América 2 - O Soldado Invernal"

Charis Evans e Scarlett Johansson em “Capitão América 2 – O Soldado Invernal”

6 – CAPITÃO AMÉRICA 2 – O SOLDADO INVERNAL, de Anthony Russo e Joe Russo

O filme tem muita ação e movimento, mas o grande lance é o contraste entre o herói de valores antiquados em um mundo complexo. Semanas em cartaz: sete. Crítica no Boulevard

"Planeta dos Macacos - O Confronto"

“Planeta dos Macacos – O Confronto”

7 – PLANETA DOS MACACOS – O CONFRONTO, de Matt Reeves

Esta continuação é tão boa (talvez melhor) que o primeiro filme da retomada da série. Pela primeira vez, um ator em captura de movimento surge em primeiro nos créditos. Com justiça, é Andy Serkis. Semanas em cartaz: cinco.

Cate Blanchett em "Blue Jasmine"

Cate Blanchett em “Blue Jasmine”

8 – BLUE JASMINE, de Woody Allen

Cate Blanchett foi quase unanimidade como a melhor interpretação feminina de 2013 (o filme só estreou em JP este ano) como a Jasmine, meio Blanche DuBois, de Allen. E ganhou o Oscar de melhor atriz. Semanas em cartaz: três.

Zoe Saldana, Chris Pratt e Dave Bautista em "Guardiões da Galáxia"

Zoe Saldana, Chris Pratt e Dave Bautista em “Guardiões da Galáxia”

9 –  GUARDIÕES DA GALÁXIA, de James Gunn

Heróis absolutamente desconhecidos do grande público e nenhum ator famoso, a não ser na dublagem de uma árvore e de um guaxinim. Mas com ritmo e humor, o filme foi um sucesso. E ainda tinha aquele awesome mix!. Semanas em cartaz: cinco. Crítica no Boulevard

Fabio Audi, Tess Amorim e Ghilherme Lobo em "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho"

Fabio Audi, Tess Amorim e Ghilherme Lobo em “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”

10 – HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO, de Daniel Ribeiro

Uma bem sucedida versão em longa-metragem do curta Não Quero Voltar Sozinho, o filme tem um cativante trio de jovens protagonistas e é uma delicado e muito bem narrado conto sobre o primeiro amor. Semanas em cartaz: duas.

Vale lembrar também: Frozen – Uma Aventura CongelanteO Menino e o MundoTatuagemUma Aventura LegoRoboCopWalt nos Bastidores de Mary PoppinsEu, Mamãe e os MeninosUma Viagem ExtraordináriaEm Busca de IaraOs Filhos do PadrePraia do FuturoX-Men – Dias de um Futuro EsquecidoO Mercado de NotíciasSerá que?Magia ao LuarTim MaiaJogos Vorazes – A Esperança: Parte 1.

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MAIS RETROPECTIVA 2014:

Top 5 - 11.21

Mais uma semana de votação, filmes de abril incluídos, e Capitão América 2 – O Soldado Invernal já entra em segundo no nosso ranking. Com média 4,142, está 0,191 atrás do líder, que ainda é O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese. A animação nacional O Menino e o Mundo subiu muito de média e chegou também ao top 5, empatado com o francês (de diretor iraniano) O Passado. É interessante notar a diferença de médias entre os volumes 1 e 2 de Ninfomaníaca: o primeiro tem 3,125; o segundo nem chega ao top 25, com 2,363.

Ao todo 36 filmes conseguiram o quórum mínimo até agora. A seguir, nosso top 25:

O Lobo de Wall Street – 4,333
Capitão América 2 – O Soldado Invernal – 4,142
Blue Jasmine – 4,055
O Menino e o Mundo – 4
O Passado – 4

12 Anos de Escravidão – 3,928
Frozen – Uma Aventura Congelante – 3,812
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho – 3,8
Azul É a Cor Mais Quente – 3,733
Tatuagem – 3,727

Sem Escalas – 3,5
Walt nos Bastidores de Mary Poppins – 3,4
Trapaça – 3,375
Uma Aventura Lego – 3,375
Eu, Mamãe e os Meninos – 3,25

RoboCop – 3,181
Ninfomaníaca – Volume 1 – 3,125
Caçadores de Obras-Primas – 3
Noé – 3
Uma Relação Delicada – 3

Confissões de Adolescente – 2,8
Divergente – 2,75
A Menina que Roubava Livros – 2,666
Frankenstein – Entre Anjos e Demônios – 2,6
Operação Sombra – Jack Ryan – 2,571

Os seis piores do ano até agora:

300 – A Ascensão do Império – 2
Rio 2 – 2
Atividade Paranormal – Marcados pelo Mal – 2
Muita Calma Nessa Hora 2 – 1,8
Pompeia – 1,5
S.O.S. – Mulheres ao Mar – 1,25

Cinco filmes estão com três notas, falta uma para o quórum: Caminhando com DinossaurosAs Aventuras de Peabody e ShermanNeed for Speed – O FilmeO Grande HeróiUm Amor em Paris.

Estrelas-03 juntas-site

Um problema maior

Giovanni Rato e Rita Batata: irmãos unidos, mas que vão enfrentar um grande problema

Giovanni Gallo e Rita Batata: irmãos unidos, mas que vão enfrentar um grande problema

De Menor (Brasil, 2014), melhor ficção nacional no Festival do Rio 2013, é um filme que se debruça sobre o debate em relação à maioridade penal. Mais do que isso, sua diretora (Caru Alves de Souza, filha da também cineasta Tata Amaral) e elenco tem uma posição clara, definida e divulgada sobre o tema: são contra a redução.

Não está claro se o filme é pretendido como uma defesa dessa visão – se for, é incerto se ele consiga convencer. A história gira em torno de um casal de irmãos, órfãos, em Santos. Helena (Rita Batata) é uma defensora pública que trabalha com menores infratores. Caio (Giovanni Gallo) e seu irmão caçula. Eles são bastante próximos, mas um dia Helena terá que defender o próprio irmão, que foi preso.

Evitando qualquer drama mais acentuado, o filme mostra as agruras penais pelas quais um jovem pode passar nesse sistema e usa um exemplo de que a criminalidade juvenil deve ter raízes mais profundas (no subtema em que Helena tenta reconciliar por si mesma um de seus clientes com a mãe pobre, que vive em São Paulo). E fica nisso. Se a ideia é fornecer elementos para que o espectador tire suas próprias conclusões, sem defender um lado ou o outro, nisso o filme se sai bem melhor. Aborda alguns fatos, se escandaliza sobre como menores infratores são tratados no país e a falta de perspectiva na qual eles são atirados, mas não sugere – nem pretende sugerir – alternativas.

Como drama humano, De Menor funciona bem, principalmente por causa dos atores. Rita Batata está muito bem e sustenta o filme como protagonista. As cenas de intimidade entre os irmãos são bem construídas e bonitas (como Helena chegando em casa e conversando com o irmão no banho, e as dos dois na praia). Nas cenas de audiência, a atriz de 28 anos (que parece mais jovem do que realmente é) é bem secundada p0r Caco Ciocler, como o juiz, e Rui Ricardo Diaz (que foi o Lula do filme de Fábio Barreto), como o promotor. São cenas que dão complexidade às situações e mostram que não há uma solução fácil – se é que existe uma.

De Menor. Brasil, 2014. Direção: Caru Alves de Souza. Elenco: Rita Batata, Giovanni Gallo, Caco Ciocler, Rui Ricardo Diaz.

* Versão estendida de crítica publicada no Correio da Paraíba, em 1 de outubro de 2014

A entrevista a seguir foi publicada no Correio da Paraíba no dia 4 de maio, logo após o Cine-PE. No festival, ele mostrou o documentário O Mercado de Notícias, que tem estreia nacional hoje (incluindo João Pessoa) – o filme acabou premiado como o melhor doc do festival. No dia seguinte à exibição, almoçamos juntos para esta entrevista, que aproveito a estreia do filme para resgatar.

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Jorge Furtado dirigindo a peça dentro do filme

Jorge Furtado dirigindo a peça dentro do filme

Recife, PE – O cineasta gaúcho Jorge Furtado tem seus admiradores pelos filmes que dirige – principalmente O Homem que Copiava (2003), Meu Tio Matou um Cara (2004) e Saneamento Básico, o Filme (2007), todos com uma boa dose de comédia. Mas agora ele embarca em um gênero diferente: o documentário. Em O Mercado de Notícias, exibido no festival Cine-PE, ele se propôs algo ousado: analisar a grande imprensa brasileira em seus diversos aspectos éticos, políticos e mercadológicos.

Entrevistou um seleto grupo de jornalistas – Jânio de Freitas, Renata LoPrete, Luís Nassif, Mino Carta, Bob Fernandes, Cristiana Lôbo, Geneton Moraes Neto, José Roberto de Toledo e outros – e pontuou com a encenação de uma peça que descobriu e traduziu: O Mercado de Notícias, do inglês Ben Jonson, de 1625! O filme trata de fontes, publicidade, liberdade de imprensa e os erros do jornalismo, com alguns casos emblemáticos – José Serra e a bolinha de papel, a acusação sem fundamento contra os donos da Escola Base, e o suposto quadro de Picasso vítima do descaso no INSS que ganhou capa de jornal (e, no fim, era só um pôster comum do quadro original).

O projeto ambicioso já virou um site (http://www.omercadodenoticias.com.br) com a função de continuar estudando o assunto. Jorge Furtado conversou com o CORREIO sobre o filme e as inquietações que o levaram a pensar sobre a grande imprensa do Brasil, com todo o seu “gauchês”.

 

– Como esse filme foi surgindo pra você? Eu sei que você já falava sobre isso no seu blog, sobre questões da imprensa, mas como é que você começou a prestar atenção nisso?

– Tem vários assuntos que eu tratava no blog e que eu pensava: “Isso aqui dá pra filmar”. Quando começou a juntar material, começou a ter muita coisa, eu disse: “Olha, isso aqui… É um assunto interessante, um assunto que ninguém tá falando”. É uma questão muito importante e pouquíssimo comentada porque a imprensa não se critica. Isso aí, na entrevista do Jânio, que tá inteira já no site e eu não usei no filme – aliás, revendo a entrevista eu devia ter usado – ele diz: “A imprensa brasileira vive uma coisa assim: eu te protejo, tu me proteges e nós nos protegemos”. Ninguém nem comenta. O Globo jamais diz assim: “A Folha errou”. E nem a Folha: “O Globo publicou isso, assim, que não é verdade”. Existe um certo compadrio, assim. Esse assunto tá meio interditado. É um assunto meio proibido. Aí, bom, como é que seria um documentário sobre isso? Eu sempre usei a internet, desde 1997, para botar textos alternativos à imprensa. Vê, 1997 ainda era governo Fernando Henrique. E aí esse processo, com o Lula em 2002, se radicalizou muito. A imprensa virou realmente um partido de oposição. Ela publicava o que queria e da maneira que queria, e não tinha muito espaço para a contestação. Daí, eu comecei a me interessar por esse assunto. E em 2006, resolvi fazer o filme. E quando achei a peça, pensei: “Vou usar a peça como linha condutora para essa conversa”.

 

– Entre os casos que você cita no filme, o público gostou muito do Picasso do INSS (em 2004, a Folha deu na capa com alarde que um quadro de Picasso estava vivendo um descaso no INSS, o que repercute no Brasil e no exterior; mas a observação de alguns leitores logo apontou que se tratava de uma reprodução fotográfica, sem valor algum). Você filmou o verdadeiro em Nova York. Foi lá para isso?

– Foi uma coincidência total. Eu fui a Nova York por causa do Emmy e aí falei pra minha esposa: “Vamos ver o Picasso”. O quadro é do Metropolitan. Fui direto pra sala do Picasso, mas o quadro não estava lá. Aí, fala com o guarda, com o gerente: “Cadê o quadro do Picasso?”. “Não sei”. Voltamos pro hotel e vi no jornal: exposição no Guggenheim, “Picasso em preto-e-branco”. Aí, pensei: “Mas o quadro não é em preto-e-branco. Mas vamos lá”. E ele estava lá. Filmei com uma câmera escondida. É engraçado porque basta olhar. Ele é desenhado a pincel. No pôster, é exatamente a mesma pincelada, só que em preto-e-branco. Quem é que achou que isso era um Picasso? Só quem não prestou atenção nem em um, nem no outro – é só olhar, são idênticos. Nenhum dos jornalistas que fizeram a matéria pensou em medir com uma régua! Qualquer obra de arte clássica tem as dimensões oficiais – nenhum disse as dimensões, eu tive que calcular o tamanho por uma tomada que tinha do lado, pra saber que o quadro do INSS tinha 30 centímetros. Mas é porque a pauta tava pronta: era mostrar o quadro com a foto do Lula ao fundo!

 

– A gente ainda está tentando entender as manifestações do ano passado, mas o papel da imprensa foi duplamente atacado. Ao mesmo tempo as pessoas diziam que a imprensa estava contra o governo e as manifestações estavam sendo incentivadas por ela e também diziam que a imprensa não estava mostrando as manifestações porque estava contra o povo. Que leitura você fez disso?

– Foi bem estranho. Realmente não deu pra entender muito bem. Porque quando começou parecia que o governo estava navegando num mar tranquilo. De repente, com as manifestações de rua, a popularidade da Dilma cai e a imprensa percebe que aquilo ali é uma maneira, talvez, de minar essa popularidade. “O governo está sendo contestado, vamos divulgar isso aqui”. Só que a imprensa foi pra rua e foi recebida na porrada. Aí, começaram a filmar de cima dos edifícios porque não podiam ir lá embaixo. O movimento poderia ter ido contra o governo e usar a imprensa, mas a imprensa é um dos alvos dos protestos. E um protesto muito despolitizado… Esse movimento contra a política é uma coisa meio cíclica. Se tu pensar, em 1964, os golpistas diziam que a política só tinha corrupto. No Getúlio já era assim!

 

– E como você compara a imprensa no governo FHC com a do governo Lula?

– Fernando Henrique foi totalmente apoiado pela imprensa durante oito anos. Não tem um caso que eu possa dizer que a imprensa pegou no pé de Fernando Henrique. Nada, zero. O resto é recente: no momento em que o Lula se elegeu, o que é que acontece? Essas transformações mesmo tímidas do governo Lula, essa incorporação de uma multidão na classe média, esse investimento no mercado interno – que acabou salvando o Brasil de uma crise externa – isso criou uma idéia de que pela via democrática, pela eleição, vai ser difícil de tomar o poder de novo. Porque são 6% da população que vê notícia. 94% da população está pouco se lixando.

 

– É daí que vem a ênfase na corrupção quando se fala de política?

– Pois é. Aí o que que se faz? O Jânio (Quadros) se elegeu com essa ideia, de criminalizar a política. O Collor foi a mesma coisa. E agora, de novo: só se fala em política pra se falar de roubo, de corrupção. E a imprensa tem um papel decisivo nisso. O viés é sempre esse. Aí o que é que tá acontecendo? Na última pesquisa deu que 62% das pessoas dizem que não vão votar em ninguém! Um descrédito total da política. E isso é um terror porque sem política como é que faz?

 

– Você não acha que é complexo no Brasil isso no sentido de que quando o PT se elegeu, com toda uma esperança por trás de que certas coisas mudariam, e de repente, por causa do jogo da política, teve que buscar aliados no Sarney e o próprio Collor passando a fazer parte da base do governo. Isso não acabou também dando um certo nó na cabeça dessa pessoas? De pensar: “Meu Deus, mudou o quê, então?”

– Sei, se o Sarney tá apoiando, se o Collor tá apoiando, o que mudou? É, a política real tem esse problema. Uma coisa é tu vender na televisão e na campanha: “Somos totalmente diferentes”. Mas aí tu assume e “Não, não somos tão diferentes assim”. O PT acaba apostando um pouco eu acho nessa ideia de que 94% das pessoas não estão nem aí pro noticiário político. “Minha vida melhorou, vou votar”. Mas o espaço para a discussão pública, o debate público, vira uma loucura. Só se fala em grampo, em grampo, corrupção, roubalheira. Ninguém discute tendência política, propostas pro país, nada. E a imprensa tem um papel decisivo nisso.

 

– Alguém comenta no filme que a imprensa conservadora radicalizou de um jeito na luta contra o governo que uma pequena imprensa do outro lado também teve que radicalizar. E aí ficou uma  coisa Veja contra a CartaCapital, uma coisa de extremos.

– É, mas eu acho essa avaliação injusta com a CartaCapital. Porque não se compara com a Veja. Tu pode dizer o seguinte: a CartaCapital sem dúvida apóia a Dilma, a tendência é mais de esquerda, de apoio ao governo… Mas faz jornalismo! Tem boas matérias, tem informação, tem um certo equilíbrio – mesmo, às vezes, críticas ao governo. A Veja abandonou o jornalismo há muito tempo.

 

– É melhor ser claro no apoio, mesmo que o apoio seja esse conservador, ou buscar uma imparcialidade?

– Eu acho que é melhor ser aberto. Dizer “Eu apoio, voto em…”. Tem uma frase que diz “A política nos reúne sobre a melhor maneira de nos separar”. É isso, a política é dizer “eu não concordo com isso, mas vamos conversar, vamos ver o que se vai fazer”. Mas tem que ser um debate aberto, franco e que proponha um avanço. E não simplesmente tu dizer que eu sou ladrão e eu digo que tu é assassino. Talvez os dois tenham razão (risos), mas não se vai a lugar nenhum. Não é um debate, é uma troca de ofensas. E nessa sociedade midiática aí em que a fama e a infâmia parece que são sinônimos, as pessoas querem aparecer de qualquer jeito.

 

– A radicalização parece ainda maior na internet, não?

– A tendência é se radicalizar, cada um falando pro seu nicho. Também tem isso, né? O Raimundo Pereira no filme – o Raimundo acho que é o último comunista do planeta; o Niemeyer morreu e sobrou ele – diz assim: “Eu não sou um dos maiores admiradores da burguesia, mas o jornal burguês reúne um monte de gente”. Tem esporte, tem política, tem economia, tem cultura, tem de tudo, tu te informa mais ou menos ali, e pode haver dentro do jornal uma certa pluralidade e tu acaba lendo alguém com quem tu não concorda. O que acontece na internet? As pessoas só leem alguém com quem elas concordam. Aí o cara é fã do blogueiro tal, ele entra lá e só lê aquele cara, com quem ele já concorda.

 

– É no jornal impresso que essa pluralidade ainda pode ser encontrada?

– Dentro de qualquer veículo tem bons jornalistas. Nesse domingo foi o último dia de ombudsman da Suzana Singer na Folha e ela fez uma análise interessante: na questão da opinião, a Folha nada de braçada, é o único jornal que tem Reinaldo Azevedo e o Jânio no mesmo espaço. Uma pluralidade… Acho inaceitável que a Folha tenha colocado o Reinaldo Azevedo pra escrever, mas enfim… Tem uma pluralidade ali dentro: pode pegar o jornal e vai ver gente a favor e gente contra. No jornalismo, não. Ela mesmo diz: no jornalismo, ela é igual ao Estadão, ao Globo

 

– Essa pluralidade pode render conflitos dentro do próprio jornal, não é?

– A minha irmã é jornalista e trabalhou na sucursal da Veja no Rio Grande do Sul. Uma vez ela fez uma matéria sobre a Jussara Cony, que é uma deputada comunista, que se elegeu lá pelo PC do B, e foi a mais votada em Porto Alegre, mas não se elegeu porque o PC do B não faz o coeficiente eleitoral. Aí, a minha irmã achou interessante e fez uma matéria. Pô, ela fez 100 mil votos e não se elegeu! Aí, os caras: “Não, não vamos publicar”. “Mas por quê?”. “Porque ela é muito feia”. Ela é realmente feia, mas, enfim, o que tem a ver com o assunto (risos)? Quer dizer, às vezes o repórter, dentro do jornal, faz a matéria. Mas não sai, não publicam. É ridículo, um negócio incrível! Como diz o Paulo Moreira Leite: quando o editor não quer publicar uma matéria e não quer dizer que não quer, diz: “Vamos checar mais”. Vai checar pra sempre!

 

– Qual o papel do jornalista nisso tudo, então?

– O jornalista é uma profissão fundamental. E cada vez mais fundamental nessa confusão de informações que a gente recebe toda hora, alguém que diga – bom, se esse cara, se o Jânio tá dizendo… Ele pesquisou, ele não tá dizendo isso à toa. Bons jornalistas, né? Mas ao mesmo tempo, a indústria jornalística tá passando por uma revolução total.

 

– Sua pesquisa vai continuar no site?

– Vai. Ontem mesmo a (jornalista) Maria do Rosário Caetano me passou um texto do (economista) Paul Singer sobre a escandalização da política, “Escândalos em série”, na Folha. E eu vou botar no site. Vou continuar alimentando o site com textos sobre jornalismo, vou colocar todas as entrevistas, vou colocar a peça inteira e até fazer mais entrevistas.

O final com a frase antológica: Leandro Firmino da Hora, em "Cidade de Deus"

O final com a frase emblemática: Leandro Firmino da Hora em “Cidade de Deus”

A história da “boca dos apês” é uma passagem de tempo em flashback absolutamente brilhante, com a câmera parada e as cenas se desenrolando em vários locais da sala, uma se misturando às outras. E termina justamente com o emblemático “Dadinho é o caralho! Meu nome agora é Zé Pequeno, porra!”.

Cidade de Deus (2002), direção de Fernando Meirelles; roteiro de Bráulio Mantovani, baseado em livro de Paulo Lins.

O amor, a vida e arte

Domingos Oliveira: "O que é o amor? É o estado natural do homem"

Domingos Oliveira: “O que é o amor? É o estado natural do homem”

Homem de teatro e de cinema, principalmente, Domingos Oliveira está completando 50 anos de carreira em 2014. Diz respeito ao seu começo de carreira no teatro – o primeiro longa veio em 1967, o clássico Todas as Mulheres do Mundo, com Paulo José e Leila Diniz. O Canal Brasil vem há algumas semanas exibindo filmes do diretor às terças, às 23h15. 

Conversei com Domingos Oliveira após a coletiva no Festival de Gramado em que apresentou um dos dois filmes que lançou no ano passado: O Primeiro Dia de um Ano Qualquer – matéria publicada sábado, no Correio da Paraíba. Falou de algo específico da obra dele, essa contaminação entre teatro e cinema, mas falou principalmente dos assuntos que ama e sobre os quais giram seus filmes: a vida, a arte e o amor.

Sobre cinema, o diretor publicou um texto na imprensa, no final de 2013, reclamando da dificuldade de lançar seus filmes – Primeiro Dia sairia em apenas três salas, junto com outro filme seu, Paixão e Acaso.

Leila Diniz  em "Todas as Mulheres do Mundo"

Leila Diniz em “Todas as Mulheres do Mundo” (1967)

“Hoje está dez vezes mais difícil. Porque as pessoas que não são de cinema invadiram o cinema”, diz o diretor. “Nossa legislação é ruim, é deletéria mesmo. Basta dizer que ela é baseada em incentivos fiscais. Por exemplo, a Lei Rouanet. A primeira coisa que uma lei desse tipo faz é desligar dois amantes inseparáveis: o público e o cineasta. Não importa mais se o filme faz sucesso, importa se eu ganho patrocínio com ele. Não importa mais o que o público pensa do meu filme. Isso é horrível. A última notícia que se ouve é de um tipo de legislação que apoia tanto o mercado que vai dar os financiamentos na medida e na proporção do que você faturou no ano anterior. Ora, isso é dar dinheiro pros ricos. Em termos de colégio, isso é uma bela definição de capitalismo selvagem (risos).”

Mesmo com essa dificuldade, ele não desiste: já tem projetos engatilhados para este ano, inclusive um filme sobre a copa. “Eu e minha geração somos revoltados contra a condição humana. Somos revoltados contra a morte”, diz, aos 77 anos, sobre a simbiose entre sua vida e sua arte. “Acho que a morte é uma coisa que não deveria existir, que é incompreensível, que é absurda. Que torna toda a aventura humana uma coisa ridícula. E minha posição contra a morte é que eu sou contra! Daí que minha função na vida é lutar contra ela o tempo inteiro”.

Para ele, a arte é um dos elementos que o ser humano usa para essa luta. “Se todo mundo buscar modos de se distrair, não fica pensando besteira – porque pensar na morte é besteira, você vai morrer mesmo. Uns pensam em dinheiro, outros pensam até no amor”, filosofa. “São ‘alienativos’, digamos assim, são forças – umas mais construtivas, outras menos construtivas, outras até destrutivas – que podem afastar tua cabeça da ideia inexorável e inaceitável de que você vai morrer. Porque a natureza botou no homem um desejo imenso de fazer uma coisa que você não vai poder fazer – que é permanecer vivo”.

Fernanda Rocha, Maria Ribeiro e Domingos em "Separações" (2002)

Fernanda Rocha, Maria Ribeiro e Domingos em “Separações” (2002)

É aí que entra a arte. “Então você se aliena através de várias coisas: da política… Cada um inventa um jogo. Há jogos incríveis: mulheres pensando na sua beleza pessoal, homens pensando na sua ambição. Besteira. Tudo invenção. Invenção para escapar da preocupação essencial”, continua. “A melhor de todas as opções, digamos assim, a que constrói humanidades, constrói civilizações, é a arte. Eu sou inteiramente regido pela arte. Penso na arte o dia inteiro! Assim, eu não penso em besteira”.

Domingos Oliveira está escrevendo um livro de memórias – já terminou a primeira versão. O homem que viveu com Leila Diniz e fez para ela Todas as Mulheres do Mundo depois de se separarem e que mantém com a atriz e roteirista Priscilla Rozembaum há anos uma parceria de amor e arte tem muito a dizer sobre o amor.

“Sobre o amor, eu fiz muitos filmes, posso dizer que estudei isso a minha vida inteira”, disse. “A paixão acho que é estado máximo do homem para atingir a espiritualidade. A paixão é o Himalaia de Deus. Um lugar onde tudo está certo e se não está certo não poderia ser de outro modo”.

Teatro e cinema se contaminam na carreira de Domingos Oliveira, mas ele acha uma relação natural. “Todo o cinema bom é contaminado pelo teatro. O cinema jamais perdoará o teatro por um autor poder dizer: ‘Gente, estamos em Marte’ – e estamos. Ao passo que o cinema tem um jogo com o tempo, uma magia com o tempo que o teatro não tem”, diz.

Arte e amor são temas que também se contaminam há muito tempo – e, claro, na obra de Domingos também. “Acho que do amor não dá pra entender nada”, resume. “Ele é absolutamente incompreensível, ele é gratuito. É uma coisa mágica”.

Priscilla Rozembaum, Domingos e eu, em Gramado

Priscilla Rozembaum, Domingos e eu, em Gramado

Ele cita Schopenhauer – o “mais mal-humorado de todos os filósofos”, segundo ele – para uma explicação mais próxima sobre o amor. “Ele disse: ‘O amor é uma traição que a espécie faz com o indivíduo’. Durante algum tempo a pessoa ama e se torna um servo da espécie. A função é ter filhos para que a espécie possa continuar. E que a escolha da paixão é uma escolha complicadíssima, interna, muito mais racional de descobrir qual o parceiro que vai criar o melhor espécime futuro. Mas isso é uma bobagem. Eu acredito que o amor não tem nenhuma explicação”.

Para Domingos, a arte explica o mundo melhor que o amor. “Mas ela se alimenta do amor. E o que é o amor? O amor é o estado natural do homem”, define. “Só não ama quem levou muita porrada. O estado natural dos bebês é amar”. Ele complementa lembrando uma cena de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964). “Eu me lembro do filme do Glauber Rocha em que vão procurar o Corisco e o cabra diz pra ele: ‘Corisco, vai embora daqui que vêm os soldados te matar. Você vai morrer’. E o Corisco se vira pra ele com uma cara terrível, nunca esqueci isso, e diz: ‘Eu já estou moooooorto!’”, diz, empostando a voz, quase interpretando o Corisco de Othon Bastos, para depois fazer a relação: “Tem gente sofreu tanto que já morreu em vida”.

Ele complementa com a relação do amor com a arte. “A posição natural do homem é amar. E a posição natural do homem é criar. Acho que essa espécie humana – tão estranha, de destino misterioso – tem duas vocações. Tem duas coisas que ela parece ter nascido para fazer: uma é trepar e a outra é criar. Entre a reprodução da espécie e a criação está a verdadeira vocação do homem”.

Pequeno imenso ator

Com Oscarito em 'Carnaval no Fogo' (1950)

Com Oscarito em ‘Carnaval no Fogo’ (1950)

Se fosse preciso definir o cinema brasileiro por uma imagem e apenas uma, ela bem que poderia ser a de Grande Otelo. E uma que não fosse de um filme específico, para não privilegiar nenhuma das tantas fases que ele viveu no cinema nacional – desde Noites Cariocas, seu primeiro filme, de 1935. Otelo morreu há exatos 20 anos, quando desembarcava em Paris, onde iria ser homenageado.

“Ator, dançarino, cantor, Grande Otelo não apenas foi um dos maiores talentos do cinema brasileiro, como concentrou em si os momentos mais importantes dessa cinematografia. Brilhou na chanchada, no cinema novo e no cinema dito ‘marginal’, diz o crítico de cinema José Geraldo Couto. Mas foi uma trajetória dura, sofrida e cheia de reviravoltas.

Rio Zona Norte-02

Com Ângela Maria, em “Rio, Zona Norte” (1957)

O apelido faz referência, claro, ao personagem de Shakespeare – mas no começo, ainda nos tempos do teatro e do circo, ele era o “pequeno Otelo”. Sebastião Bernardes de Sousa Prata (Prata porque era o sobrenome da família branca para quem seus pais trabalhavam, na cidade mineira de Uberlândia) estudou em um colégio particular porque uma família branca se encantou com o garoto – um escândalo, no começo. Cantava no hall de um hotel ganhando uns trocados e fazia trabalhos nos circos que passavam pela cidade.

Com oito anos, entrou em cena como a mulher do palhaço. Do circo, passou ao teatro, em São Paulo. No Rio, veio o teatro de revista e o cinema. Seu sucesso nos palcos o levou a contracenar com Josephine Baker, quando ela esteve no Brasil, e com Carmen Miranda. Orson Welles o chamou para seu It’s All True, que começou a filmar no Brasil, mas não conseguiu terminar. “Ele foi amigo de Orson Welles, servindo-lhe de ‘ponte’ com a cultura brasileira”, lembra Couto. E quando surgiu a Atlântida, o primeiro filme foi Moleque Tião (1943), biografia ficcional de Otelo, estrelada por ele mesmo.

"Assalto ao Trem Pagador" (1962)

“Assalto ao Trem Pagador” (1962)

Na nova companhia, o sucesso aumentou ainda mais com as chanchadas e a parceria com Oscarito. Juntos, fizeram filmes antológicos da comédia nacional, como Carnaval no Fogo (1950), Aviso aos Navegantes (1951) e Matar ou Correr (1954). Entre esses, um tom diferente para a comédia dramática Dupla do Barulho (1953), filme de Carlos Manga que reflete sobre a dupla e a posição do negro como subalterno.

No filme, os dois fazem sucesso como uma dupla cômica, mas o personagem de Otelo se revolta ao se ver como escada do parceiro, vivendo momentos dramáticos a partir daí. Na vida real, a competitividade entre os dois impedia que um fosse escada do outro. “Grande Otelo foi um grande ator porque, além do talento dramático e cômico, soube superar os estereótipos que lhe eram destinados e transformar-se num ícone do caráter brasileiro no cinema”, completa o crítico Carlos Alberto Mattos. “Sua versatilidade e capacidade de atender a diversas demandas o fez interpretar personagens os mais variados e se tornar, ele próprio, um grande personagem”.

"Macunaíma" (1969)

“Macunaíma” (1969)

Uma situação em Carnaval no Fogo é exemplar para a vida e carreira de Grande Otelo: sua companheira matou o filho do casal e se matou. Arrasado, no dia seguinte Otelo estava no set para gravar a que talvez seja a mais antológica cena da comédia nacional no cinema: Oscarito de Romeu e ele de Julieta, fazendo a cena do balcão.

Otelo saiu da Atlântida e fez chanchadas em outras companhias, mas teve também bons papéis em filmes de jovens diretores que prenunciavam um novo cinema chegando. Caso de Rio, Zona Norte (1957), de Nélson Pereira dos Santos, e Assalto ao Trem Pagador (1962), de Roberto Farias. Em 1969, veio Macunaíma: sua participação nem é tão grande, mas é ele a imagem que ficou eternizada no filme. de Joaquim Pedro de Andrade.

"Jubiabá" (1986)

“Jubiabá” (1986)

Otelo já estaria totalmente identificado com o Brasil, seja no teatro, no cinema ou na TV (toda uma nova geração passou a tê-lo na intimidade como o Seu Eustáquio da Escolinha do Professor Raimundo, nos anos 1990). Não era um combativo, mas sua representatividade (e a representatividade de sua história) era imensa. “Corria o Festival de Gramado, no início dos anos 1990. Era aquele momento de profundo baixo astral do cinema brasileiro: produção paralisada pelo governo Collor, ninguém filmando, insegurança e pessimismo gerais. Aí o Grande Otelo sobe ao palco para receber uma homenagem do festival”, conta o crítico de cinema Celso Sabadin. “Aquele homem pequenininho, no meio do grande palco de Gramado, pega o microfone, faz uma baita discurso otimista, diz que devemos manter a cabeça erguida sempre, e conclama todo mundo a cantar aquela musiquinha ‘Tá, tá, tá, tá na hora…’ (a ‘Marcha do gago’, marchinha de carnaval de Armando Cavalcanti e Klécius Caldas que foi lançada por Oscarito em Carnaval no Fogo). E mil pessoas cantam e batem palmas sob o comando do sorriso contagiante daquele gigante. Gigante Otelo! Confesso que Grande Otelo, que sempre me fez rir, naquela noite fria em Gramado me fez chorar. De emoção”.

O crítico de cinema baiano João Carlos Sampaio conviveu com Otelo no último filme do ator, o curta Troca de Cabeça, de Sérgio Machado, onde Sampaio foi assistente de direção: “Acabou se tornando o último trabalho deste ator gigante. Mesmo me esforçando, não posso fazer outra coisa senão recorrer ao lugar comum de dizer que sua presença trazia uma aura, uma força que ia além do seu carisma, capaz de nos contaminar a todos. Coisa de astro rei, que nos deixa gravitando em torno”.

CINCO VEZES GRANDE OTELO:

CARNAVAL NO FOGO (1950) – O momento mais célebre da dupla de Otelo com Oscarito: arrasado pela morte trágica da mulher e do filho na noite anterior, ele comparece à filmagem e dá show como Julieta para o Romeu do parceiro.

RIO, ZONA NORTE (1957) – “Uma passagem que eu destacaria de sua luminosa carreira é sua atuação como o sambista Espírito da Luz, em Rio Zona Norte (1957), de Nelson Pereira dos Santos, em especial a cena em que seu personagem canta para Angela Maria seu samba (na verdade, de Zé Keti) “Morreu Malvadeza Durão”. O momento em que a Angela Maria começa a cantar e Otelo abre um grande sorriso emocionado é um dos mais sublimes do cinema brasileiro”., diz José Geraldo Couto. Carlos Alberto Mattos destacou a mesma cena: “A cena em que ele subitamente se cala embevecido ao ver Ângela Maria apoderar-se da canção no estúdio da rádio é antológica”.

ASSALTO AO TREM PAGADOR (1962) – Roberto Farias fez a jato a adaptação da história real do referido assalto. Uma das forças do filme é seu elenco, onde Grande Otelo é um dos destaques.

MACUNAÍMA (1969) – O papel principal é de Paulo José e Otelo só interpreta Macunaíma quando bebê e jovem – num grande exercício de surrealismo -, mas é ele a imagem mais lembrada do filme.

JUBIABÁ (1986) – Otelo interpreta o personagem de Jorge Amado em uam co-produção da França com a Embrafilme, fazendo um pai-de-santo com poesia e liderando um elenco dos dois países.

*Versão estendida da matéria publicada hoje no Correio da Paraíba.

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