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CABRAS DA PESTE
⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 38

Dois tiras da risada

Da mesma família de Cine Holliúdy (Halder Gomes é produtor aqui), essa comédia começa com uma ótima carta de intenções: uma perseguição policial a pé numa cidade do sertão a um meliante que roubou um ventilador e com uma trilha onde “The heat is on”, icônico tema de Um Tira da Pesada, vira “Calor do cão” na voz de Gabi Amarantos.

O filme começa mesmo quando o policial com mais disposição do que a cidade quer, vivido por Edmilson Filho, é obrigado a tomar conta de uma cabra e a perde: ela é levada por um caminhoneiro suspeito para São Paulo. Obstinado, ele vai à cidade e acaba fazendo uma parceria com um tira local com disposição de menos, vivido por Matheus Nachtergaele.

Como em Cine Holliúdy, a vontade de fazer rir é grande, mas nem todas as piadas funcionam. Mas o clima geral é muito bom, o filme é divertido quando parodia e abrasileira os clichês do gênero e a química entre os dois atores existe. E ainda tem Falcão como vilão!

Onde ver: Netflix.

Cabras da Peste, 2021.
Direção: Vítor Brandt. Elenco: Edmilson Filho, Matheus Nachtergaele, Letícia Lima, Leandro Ramos, Falcão, Evelyn Castro, Juliano Cazarré.

LIMITE
⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 35

Vaca sagrada do cinema brasileiro

Limite, 90 anos esta semana, é uma vaca sagrada do cinema brasileiro. O status é de lenda. Eleito pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) como o melhor nacional de todos os tempos. Único filme de seu diretor, Mário Peixoto, aos 22 anos. Não entrou no circuito comercial: foi exibido algumas vezes, saiu de circulação, voltou décadas depois. Experimental, vanguardista, à frente do seu tempo.

Ele nunca foi e nunca será um filme fácil. Desconfio que, se tivesse entrado no circuito comercial, não teria grande público. “Limite” abre mão da comunicação com a plateia em prol da plasticidade, da introspecção, do simbolismo, da poesia e da abstração. Quase não usa cartelas com diálogos ou narrações. Não é filme para quem procura uma narrativa tradicional. É algo não “além da narrativa”, nem “aquém”: é “à parte”.

O filme trata de duas mulheres e um homem à deriva em um bote. Vagamente eles contam suas histórias antes de chegar lá. A primeira mulher fugiu da prisão e tentou retomar a vida; a outra deixou o marido bêbado; o homem tinha uma amante casada e, confrontado pelo marido, descobriu que ela tem lepra.

Fora isso, não há muito de história. São cenas soltas, personagens caminhando muito, e sofrendo, ou sofrendo com um tédio mortal de tudo. Por que estão no barco, o filme não se dá ao trabalho de responder (ou ficou em alguma cena perdida).

Mário Peixoto, com Edgar Brazil na direção de fotografia, se dedica a um extraordinário trabalho de câmera, procurando sempre um ângulo inusitado. Às vezes, puro virtuosismo (a câmera correndo para enfocar uma biqueira, plano repetido três ou quatro vezes; ou super de baixo para cima entre dois personagens conversando na rua); outras, simbolicamente poderosas (a câmera gira, refletindo a desorientação da personagem no alto de um penhasco).

A restauração de 2011, pela World Cinema Foundation (criada por Martin Scorsese) com a Cinemateca Brasileira, ajuda a curtir mais a beleza das imagens e da música clássica na trilha. E daí que saiu a edição em blu-ray da prestigiada Criterion Collection, nunca lançada no Brasil. Mas esta cópia também está disponível no YouTube. Vão longe os dias em que Limite era a “obra-prima que ninguém viu”. Hoje, todo mundo pode ver.

Onde ver: blu-ray (da Criterion Collection, importado), Libreflix, YouTube.

Limite, 1931.
Direção: Mário Peixoto. Elenco: Olga Breno, Tatiana Rey, Raul Schnoor, Mário Peixoto

Na minha coluna de hoje na CBN João Pessoa, comentei dois filmes e uma minissérie para não passar verginha chamando o golpe militar de 1964 de “movimento”. Está online, ouça aqui.

Na foto: Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho.

20 – UM GATO EM PARIS (Une Vie de Chat)

Uma animação estilosa sobre um gato que se divide entre dois donos: uma menina que é filha de uma delegada de polícia; e um ladrão super habilidoso.
França/ Bélgica. Direção: Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol. Roteiro: Alain Gagnol e Jacques-Rémy Girerd (diálogos). Vozes na dublagem original: Dominique Blanc, Bernadette Lafont, Bruno Salomone. Vozes na dublagem brasileira: Denise Reis, Arlette Montenegro, César Marcheti.

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19 – INCONTROLÁVEL (Unstoppable)

Geralmente exagerado, Tony Scott foi na medida neste ótimo filme de ação sobre dois maquinistas tentando parar um trem desgovernado.
Estados Unidos. Direção: Tony Scott. Roteiro: Mark Bombach. Elenco: Denzel Washington, Chris Pine, Rosario Dawson, Kevin Dunn.

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18 – SENNA (Senna)

Documentário sobre o piloto, que consegue expressar muito bem as rivalidades e velocidade da Fórmula-1.
Reino Unido/ França/ Estados Unidos. Direção: Asif Kapadia. Roteiro: Manish Pandey.

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17 – O PRIMEIRO AMOR (Flipped)

Rob Reiner faz uma espécie de Harry & Sally juvenil: menina e menino nos anos 1960 vivem um relacionamento complicado, que é visto pelo espectador ora na visão dela, ora na visão dele.
Estados Unidos. Direção: Rob Reiner. Elenco: Rob Reiner e Andrew Scheinman, baseado em romance de Wendelin Van Draanen. Elenco: Madeline Carroll, Callan McAuliffe, Rebecca De Mornay, Anthony Edwards, John Mahoney, Penelope Ann Miller, Aidan Quinn.

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16 – COMO TREINAR O SEU DRAGÃO (How to Train Your Dragon)

A animação da DreamWorks é dirigida pelos cineastas de Lilo & Stitch e, embora agora seja um trabalho digital, há bastante aqui do charme do que a dupla havia feito na Disney.
Estados Unidos. Direção: Dean DeBlois e Chris Sanders. Roteiro: William Davies, Dean DeBlois e Chris Sanders, com Adam F. Goldberg (material adicional) e Marc Hyman (colaborador), baseado no livro de Cressida Cowell. Vozes na dublagem original: Jay Baruchel, Gerard Butler, America Ferrera, Jonah Hill, Kristen Wiig, David Tennant. Vozes na dublagem brasileira: Gustavo Pereira, Mauro Ramos, Luisa Palomanes.

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15 – UMA NOITE EM 67

O documentário sobre a espetacular final do Festival de Música Popular Brasileira de 1967 não se afasta do formato entrevistas mais cenas de arquivo. E nem precisava: as cenas da nata da MPB no palco são impressionantes e as curiosas entrevistas nos bastidores são uma delícia de assistir.
Brasil. Direção: Ricardo Calil e Renato Terra.

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14 – NAMORADOS PARA SEMPRE (Blue Valentine)

Apesar do título brasileiro enganoso, o filme é um drama melancólico sobre um amor se desfazendo, apoiado em dois atores ótimos.
Estados Unidos. Direção: Derek Cianfrance. Roteiro: Derek Cianfrance, Joey Curtis e Cami Delavigne. Elenco: Ryan Gosling, Michelle Williams, Faith Wladyka.

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13 – 127 HORAS (127 Hours)

Danny Boyle conta a história de um montanhista que fica preso num canyon e tenta sobreviver do jeito que puder. James Franco segura bem o filme atuando praticamente sozinho o tempo todo.
Estados Unidos/ Reino Unido/ França. Direção: Danny Boyle. Roteiro: Danny Boyle e Simon Beaufoy, baseado no livro de Aron Ralston. Elenco: James Franco, Kate Mara, Amber Tamblyn, Treat Williams.

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12 – ILHA DO MEDO (Shutter Island)

Scorsese adapta o livro de Dennis Lehane, viaja ao filme noir e encontra espaço para citar visualmente o Expressionismo Alemão em geral e O Gabinete do Dr. Caligari em particular. Quem já tem alguma estrada nesse negócio de ver filmes sabe que o mistério que se apresenta não tem muitas opções de conclusão. Mas o diálogo na cena final, que maravilha. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: Martin Scorsese. Roteiro: Laeta Kalogridis, baseado no romance de Dennis Lehane. Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley.

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11 – VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO

Uma experiência curiosa de um road movie onde nunca vemos o protagonista, apenas ouvimos sua voz. Assim, ele vai apresentando e refletindo o interior do Nordeste.
Brasil. Direção: Karim Ainouz e Marcelo Gomes. Narração: Irandhir Santos.

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10 – O DISCURSO DO REI (The King’s Speech)

O rei gago vai tomar aulas de dicção com um professor que não está muito aí para sua realeza. Ele vai precisar ajudar o monarca a fazer um discurso importante incentivando o país na guerra contra os nazistas. Dentro de uma narrativa tradicional, o diretor Hooper tem uma preferência visual interessante por enquadramentos fora do padrão, mas que não “gritam”. Leia mais: crítica.
Reino Unido/ Estados Unidos/ Austrália. Direção: Tom Hooper. Roteiro: David Seidler. Elenco: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Michael Gambon, Guy Pearce, Claire Bloom, Derek Jacobi, Timothy Spall.

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9 – TROPA DE ELITE 2 – O INIMIGO AGORA É OUTRO

O Capitão Nascimento retorna, agora às voltas com as ligações entre política e o crime organizado. O diretor Padilha se queimou depois com a equivocada série O Mecanismo, e um pouco daquele simplismo está aqui, mas o filme questiona um pouco mais e mais claramente o papel de Nascimento, o que é muito bom. Leia mais: crítica.
Brasil. Direção: José Padilha. Roteiro: Bráulio Mantovani e José Padilha, de argumento de Mantovani, Padilha e Rodrigo Pimentel. Elenco: Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Milhem Cortaz, Maria Ribeiro, Seu Jorge, Sandro Rocha, Tainá Muller, André Mattos.

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8 – CÓPIA FIEL (Copie Conforme)

Kiarostami na Itália. Na história do escritor britânico que conhece uma mulher francesa, uma dicussão sobre se a cópia da arte também é arte evolui para os recém-conhecidos se comportando como se fossem casados. O fingimento, se bem vivido, vira uma realidade?
França/ Itália/ Bélgica/ Irã. Direção: Abbas Kiarostami. Roteiro: Abbas Kiarostami, com Caroline Eliacheff (colaboradora). Elenco: Juliette Binoche, William Shimell, Jean-Claude Carrière.

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7 – INCÊNDIOS (Incendies)

Na jornada de um casal de gêmeos pela história da mãe no Líbano, os segredos vão revelando quem era essa mulher. O destino é encontrar o pai que não conhecem e um irmão que não sabiam que existia. O filme lida bem demais com seus segredos e revelações e a vida que se vira no meio da violência.
Canadá/ França. Direção: Denis Villeneuve. Roteiro: Denis Villeneuve, com Valérie Beaugrand-Champagne (colaboradora), baseado na peça de Wajdi Mouawad. Elenco: Lubna Azabal, Mélissa Désormeaux-Poulin, Maxim Gaudette.

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6 – A REDE SOCIAL (The Social Network)

Um filme de tribunal que conta a origem do Facebook e explora a personalidade muito particular de seu fundador, Mark Zuckerberg. Um estudo de personagem, que tem milhões de amigos virtuais, mas não consegue manter nenhum em um nível pessoal. E um final brilhante, que é um pequeno “Rosebud”. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: David Fincher. Roteiro: Aaron Sorkin, baseado no livro de Ben Mezrich. Elenco: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Rashida Jones, Armie Hammer, Rooney Mara, Dakota Johnson, Aaron Sorkin.

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5 – HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 1)

O sétimo filme da franquia é um dos melhores, com o jovem trio de protagonistas em uma busca que os mantém sozinhos boa parte do filme, relações com uma estética nazista acentuando o tom político, um conto narrado em bela animação, emoções mais intensas. É O Império Contra-Ataca da série Harry Potter. Leia mais: crítica.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: David Yates. Roteiro: Steve Kloves, baseado no romance de J.K. Rowling. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Julie Walters, Robbie Coltrane, Helena Bonham Carter, Bonnie Wright, Evana Lynch, Tom Felton, Brendan Gleeson, Timothy Spall, Helen McCrory, Jason Isaacs, Richard Griffiths, Bill Nighy, Rhys Ifans, Fiona Shaw, Michael Gambon, John Hurt, Imelda Staunton. Voz: Toby Jones.

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4 – CISNE NEGRO (Black Swan)

Uma bailarina sob pressão, em uma turbulência psicológica. Aronofsky usa e abusa dos maneirismos para esse mergulho na psiquê de uma artista atormentada por sua arte e por seu lado ‘cisne negro’. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: Darren Aronofsky. Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz e John J. McLaughlin, de argumento de Heinz. Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder.

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3 – TOY STORY 3 (Toy Story 3)

Dez anos depois do segundo filme, o terceiro expandiu um tema que já estava no segundo: brinquedos órfãos de sua criança que cresceu. Isso, combinado com um “filme de prisão”, que leva a uma reta final sensacional, com suspense e lágrimas. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: Lee Unkrich. Roteiro: Michael Arndt, com argumento de John Lasseter, Andrew Stanton e Lee Unkrich. Vozes na dublagem original: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Ned Beatty, Michael Keaton, Jodi Benson, Wallace Shawn, Don Rickles, Estelle Harris, Laurie Metcalf, Timothy Dalton, Bonnie Hunt, Whoopi Goldberg, R. Lee Ermey.

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2 – BRAVURA INDÔMITA (True Grit)

Os irmãos Coen revisitam o faroeste clássico e fazem uma versão melhor que a original, estrelada por John Wayne em 1969. Um road movie do faroeste, com excelentes atuações de Jeff Bridges e Hailee Steinfeld. Ela, em particular, simboliza o espírito do filme: entre o deslumbramento e a descrença dos mitos. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Joel Coen e Ethan Coen, baseado no romance de Charles Portis. Elenco: Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Matt Damon, Josh Brolin.

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1 – A ORIGEM (Inception)

Um filme sobre sonhos dentro de sonhos, misturado com espionagem, vertiginoso nas imagens e na narrativa. Uma equipe em um plano para implantar uma ideia em um sujeito através dos sonhos. Explicações complicadas para não levar muito a sério: um truque engenhoso, delirante e sofisticado. Leia mais: crítica.
Estados Unidos/ Reino Unido. Direção e roteiro: Christopher Nolan. Elenco: Leonardo DiCaprio, Elliot Page, Joseph Gordon Levitt, Marion Cotillard, Michael Caine, Tom Hardy, Ken Watanabe, Cillian Murphy, Tom Berenger, Pete Postlethwaite.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

Bacurau - 06

Nesta segunda tem Bacurau em Tela Quente. Mais uma oportunidade para ver ou rever o filme brasileiro mais comentado de 2019, e vencedor do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro há poucas semanas.

Ótima oportunidade para ver ou rever, e com a interessante opção dos estrangeiros dublados, que, ao julgar pelo comercial é a que vai ao ar. Mas também tem toda uma questão simbólica de um filme como esse ocupar um espaço geralmente destinado ao que o diretor Kléber Mendonça Filho chama de “filme de boneco”: os filmes de ação e super-heróis.

Para os paraibanos, aquele orgulho de rever os seis atores da Paraíba no elenco, fazendo um ótimo trabalho: Thardelly Lima, Suzy Lopes, Ingrid Trigueiro, Buda Lira, Dani Barbosa e Jamila Facury.

Escrevi sobre o “filme de boneco” de Kléber e Juliano Dornelles: leia aqui.

Alta Fidelidade

20 — ALTA FIDELIDADE (High Fidelity)

Música e romance sempre andaram juntos e seguem o mesmo ritmo nessa adaptação do romance de Nick Hornby. Narrado em primeira pessoa, comentando canções e fazendo listas, também é uma saudação às lojas dd discos como local de encontros entre as pessoas.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: Stephen Frears. Roteiro: D.V. DeVincentis, Steve Pink, John Cusack e Scott Rosenberg, baseado em livro de Nick Hornby. Elenco: John Cusack, Iben Hjejle, Jack Black, Todd Louiso, Lisa Bonet, Catherine Zeta-Jones, Joan Cusack, Tim Robbins, Lili Taylor, Sara Gilbert, Beverly d’Angelo.

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Catadores e Eu - 01

19 — OS CATADORES E EU (Les Glanuers et la Glaneuse)

Agnès Varda percorre a França para investigar a tradição dos catadores no país. E aborda desde o pessoal que cata as sobras das colheitas, aos que precisam catar lixo para comer e os que pegam o que ninguém quer mais para fazer arte. A diretora belga também faz umas digressões sobre o próprio envelhecimento e o ato de filmar pela primeira vez com uma câmera digital: se detém nas ranhuras das próprias mãos ou nos caminhões na estrada. Nos mantém aos seu lado, batendo papo.
França. Direção e roteiro: Agnès Varda.

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Amores Brutos

18 — AMORES BRUTOS (Amores Perros)

Um rapaz da periferia tenta conseguir uma grana em uma rinha de cachorros, para fugir com a esposa grávida do irmão bandido; uma modelo e atriz famosa que vai finalmente morar junto ao amante vê a vida degringolar após um acidente de carro e ao bizarro sumiço de seu cachorrinho sob o assoalho do apartamento dos sonhos novo; um mendigo que perambula pela cidade na verdade é um assassino profissional lidando com suas próprias perdas. Todas essas histórias se cruzam no intrincado roteiro de Guillermo Arriaga (mas a segunda história é mais fraca que as demais).
México. Direção: Alejandro González Iñárritu. Roteiro: Guillermo Arriaga. Elenco: Gael García Bernal, Emilio Echevarría, Goya Toledo.

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Nova Onda do Imperador

17 — A NOVA ONDA DO IMPERADOR (Emperor’s New Groove)

O longa da Disney parece se inspirar nos curtas de humor alucinado dos Looney Tunes para contar a história do mimado imperador Cuzco, transformado em lhama e que precisa da ajuda de um camponês que ele desprezou. Muito engraçado, com os vilões Izma e Kronk roubando o show e a dublagem brasileira (com Sélton Mello e Marieta Severo) engraçadíssima.
Estados Unidos. Direção: Mark Dindal. Roteiro: David Reynolds, história original de Roger Allers e Matthew Jacobs, história de Chris Williams e Mark Dindal, material adicional de Stephen J. Anderson, Don Hall, John Norton, Doug Frankel, Mark Kennedy e Mark Walton. Vozes na dublagem original: David Spade, John Goodman, Eartha Kitt, Patrick Warburton. Vozes na dublagem brasileira: Sélton Mello, Humberto Martins, Marieta Severo, Guilherme Briggs.

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Erin Brockovich

16 — ERIN BROCKOVICH, UMA MULHER DE TALENTO (Erin Brockovich)

Julia Roberts domina a cena como a personagem real que não e advogada, é uma mulher comum, sem grana ou conhecimentos legais, cheia de problemas, mas que lidera um processo importante contra uma poderosa industria farmacêutica. Soderbergh dá aquele verniz de filme independente, mas o destaque é mesmo a atuação.
Estados Unidos. Direção: Steven Soderbergh. Elenco: Julia Roberts, Albert Finney, Aaron Eckhart, Peter Coyote, Erin Brockovich-Ellis.

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Corpo Fechado

15 — CORPO FECHADO (Unbreakable)

M.Night Shyamalan explora o universo dos super-heróis de quadrinhos, tratando do tema de maneira mais introspectiva e misteriosa. Foi o filme feito logo após O Sexto Sentido e, ainda que já desse para ver que o diretor-roteirista estava ficando prisioneiro do próprio estilo de “surpresa final”, é um filme envolvente de um período em que a cultura das histórias em quadrinhos ainda era raridade na tela.
Estados Unidos. Direção: M. Night Shyamalan. Elenco: Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Robin Wright, Spencer Treat Clark, Charlayne Woodard, M. Night Shyamalan.

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Traffic

14 — TRAFFIC (Traffic)

Soderbergh lançou dois filmes nesse ano e este é o que tinha mais ambições artísticas. Uma ampla trama sobre drogas, que entrelaça várias histórias e aspectos do problema: o trabalho policial; a mulher do traficante que assume o negócio; o juiz que move uma cruzada, mas que descobre que a própria filha é viciada. Cada história numa tonalidade de cor diferente.
Estados Unidos/ Alemanha. Direção: Steven Soderbergh. Elenco: Michael Douglas, Benicio Del Toro, Catherine Zeta-Jones, Don Cheadle, Erika Christensen, Luis Guzmán, Dennis Quaid, Alec Roberts, Miguel Ferrer, James Brolin, Steven Bauer, Amy Irving, Benjamin Bratt, Salma Hayek.

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Nove Rainhas

13 — NOVE RAINHAS (Nueve Reinas)

Todo mundo que já viu um certo número de filmes sabe que, em um filme sobre golpistas, a chance de um dar um golpe no outro é grande. Nove Rainhas lida com essa expectativa, jogando com o espectador o tempo todo. E o carisma de Ricardo Darín é um trufo importante.
Argentina. Direção: Fabián Bielinsky. Elenco: Gastón Pauls, Ricardo Darín, Leticia Brédice, Tomás Fonzi.

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X-Men - O Filme

12 — X-MEN — O FILME (X-Men)

Toda essa onda de filmes de super-heróis começou aqui: com essa adaptação do supergrupo da Marvel, superstars nos quadrinhos e com uma série animada popular na TV. O filme deu muito certo ao situar tudo no mundo “real” (em vez de cenários estilizados) e escalar um elenco carismático. Patrick Stewart como Professor Xavier, e Ian McKellen, como Magneto, emprestam seus status artísticos para as duas forças morais do filme. E Hugh Jackman como Wolverine foi um achado que se provou fundamental. O diretor Bryan Singer ainda soube conduzir bem a questão do preconceito contra os mutantes, o que ajudou este filme a furar a bolha da aventura de quadrinhos só para fãs.
Estados Unidos. Direção: Bryan Singer. Roteiro: David Hayter, história de Tom DeSanto e Bryan Singer, baseado na série de quadrinhos criada por Stan Lee e Jack Kirby. Elenco: Patrick Stewart, Hugh Jackman, Ian McKellen, Anna Paquin, Famke Janssen, James Marsden, Halle Berry, Tyler Mane, Ray Park, Rebecca Romijn-Stamos, Bruce Davison, Stan Lee.

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Malena - 02

11 — MALÈNA (Malèna)

Senhoras e senhores: Monica Bellucci. Uma deusa do cinema, do quilate de outras deusas italianas que viveram no tempo de um cinema mais elegante, Monica é a mulher que passa ondulando por um grupo de adolescentes e vira o sonho impossível de um garoto. Esse garoto assiste ao desenrolar da vida da musa durante a II Guerra na Itália, em meio a uma cidadezinha conservadora hipócrita e de mentalidade miserável. A versão para os EUA, que é a que passou aqui nos cinemas e foi lançada em DVD, foi muito cortada. A original italiana, basicamente, tem mais Monica Bellucci e, principalmente, mais da Monica Bellucci nos delírios eróticos do garoto. Então só poderia mesmo ser ainda melhor.
Itália/ Estados Unidos. Direção e roteiro: Giuseppe Tornatore, história original de Luciano Vincenzoni. Elenco: Monica Bellucci, Giuseppe Sulfaro, Luciano Federico, Matilde Piana.

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Eu Tu Eles

10 — EU, TU, ELES

Nordeste do Brasil e Regina Casé encontra não um, nem dois, mas três pretendentes. Mais do que isso, elas consegue estabelecer uma relação com os três (Lima Duarte, Stênio Garcia e Luiz Carlos Vasconcelos) na mesma casa. Um grande sucesso, de uma época em que o cinema brasileiro ainda estava lutando para ressurgir após a política cultural assassina do governo Collor.
Brasil. Direção: Andrucha Waddington. Roteiro: Elena Soarez. Elenco: Regina Casé, Lima Duarte, Stênio Garcia, Luís Carlos Vasconcelos, Nilda Spencer.

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Requiem para um Sonho

9 — RÉQUIEM PARA UM SONHO (Requiem for a Dream)

Uma paulada que aborda a vida de diversos personagens e o estrago que diversas drogas fazem em suas vidas. O filme proporcionou à grande Ellen Burstyn uma de suas interpretações mais elogiadas e sua sexta indicação ao Oscar. Entre os personagens que estão descendo a ladeira, está a de Jennifer Connelly, protagonizando uma das cenas mais chocantes daquele ano.
Estados Unidos. Direção: Darren Aronofsky. Roteiro: Hubert Selby Jr. e Darren Aronofsky, baseado no livro de Selby Jr. Elenco: Jared Leto, Jennifer Connelly, Ellen Burstyn, Marlon Wayans, Christopher McDonald, Louise Lasser, Marcia Jean Kurtz.

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Coisas Simples da Vida

8 — AS COISAS SIMPLES DA VIDA (Yi Yi)

Um longo épico intimista sobre uma família e os dramas de seus integrantes: quando a avó entra em coma, a filha adolescente se sente culpada e acaba envolvida no namoro da vizinha; o pai reencontra uma namorada do passado; a mãe entra em crise por não ter perspectivas na vida e refugia-se na religião; o tio vive numa confusão financeira e sentimental. Há várias sequências especiais, como o encontro do pai com a ex em Tóquio espelhado no da filha com o ex da amiga em Taipei.
Taiwan/ Japão. Direção e roteiro: Edward Yang. Elenco: Nien-Jen Wu, Kelly Lee, Elaine Jin, Jonathan Chang.  

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Fuga das Galinhas

7 — A FUGA DAS GALINHAS (Chicken Run)

Um Fugindo do Inferno com penas. A animação em stop-motion da britânica Aardman faz uma versâo inusitada do clássico filme de guerra de 1963, com galinhas que tramam uma fuga espetacular de sua granja, que parece um campo nazista de prisioneiros. A animação é impressionante, sem optar por atalhos fáceis, e o roteiro é inteligente e muito divertido.
Reino Unido. Direção: Peter Lord, Nick Park. Roteiro: Karey Kirkpatrick, com diálogos adicionais de Mark Burton e John O’Farrell, história de Peter Lord e Nick Park. Vozes na dublagem original: Julia Sawalha, Mel Gibson, Miranda Richardson, Lynn Ferguson, Imelda Staunton, Timothy Spall. Vozes na dublagem brasileira: Miriam Fischer, Dário de Castro, Nádia Carvalho, Sylvia Salustti. 

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Amnesia

6 — AMNÉSIA (Memento)

O filme com o qual Christopher Nolan estourou é um inteligente quebra-cabeças narrativo. A história de vingança de um homem obcecado em encontrar o sujeito que estuprou e matou sua mulher é contada em dois eixos intercalados: um, em preto-e-branco, o mostra conversando por telefone em um quarto; o outro, a cores, mostra a caçada, mas em sequências que vão voltando no tempo. É que o homem sofre de perda de memória recente. Para dar um pouco dessa sensação ao espectador, a cada três, quatro, cinco minutos, o filme volta para mostrar o que aconteceu antes. Assim, a desorientação vai ganhando sentido e vamos também obtendo informações que o protagonista não tem mais, porque já esqueceu. Entre as cenas a cores, a narrativa em preto-e-branco vai nos dando um pouco mais do contexto. Mas tem mais: essa narrativa é em “V”. Ou seja: as duas linhas narrativas vão se encontrar no final: o desfecho do filme é o meio da história, e traz o motivo pelo qual a sequência de trás para a frente acontece. Para algo tão complicado de explicar, a destreza narrativa faz o filme não perder o sentido.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Christopher Nolan, baseado em conto de Jonathan Nolan. Elenco: Guy Pearce, Carrie-Anne Moss, Joe Pantoliano, Mark Boone Junior, Stephen Tobolowsky.

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Auto da Compadecida

5 — O AUTO DA COMPADECIDA

A minissérie de TV de 1999 ganhou esta versão reduzida para o cinema e fez grande sucesso também na telona. A peça de Ariano Suassuna ganhou muito ao ser filmada no interior da Paraiba, onde efetivamente acontece. O elenco se deu bem demais com isso. O tom teatral de Guel Arraes (que já tinha dirigido o texto no palco) combina e o resultado é tão bom que poderiam ter cortado menos para o cinema.
Brasil. Direção: Guel Arraes. Roteiro: Guel Arraes, Adriana Falcão e João Falcão, baseado em peça de Ariano Suassuna. Elenco: Matheus Natchtergaele, Sélton Mello, Rogério Cardoso, Denise Fraga, Diogo Villela, Virgínia Cavendish, Lima Duarte, Fernanda Montenegro, Marco Nanini, Luís Melo, Maurício Gonçalves, Paulo Goulart, Enrique Diaz, Aramis Trindade.

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Cast Away (2000)Directed by Robert ZemeckisShown: Tom Hanks (as Chuck Noland)

4 — NÁUFRAGO (Cast Away)

Último grande filme de Zemeckis, de uma época em que ele parecia infalível. Tom Hanks leva o filme sozinho em cena parte considerável do tempo, como o funcionário da Fedex que sscapa de um acidente aéreo para se ver em uma ilha deserta. O desempenho de Hanks — com seu personagem conversando com uma bola de vôlei pra não pirar de verdade — é brilhante (perder para Russell Crowe em Gladiador no Oscar do ano seguinte foi uma piada de mau gosto). Todo o segmento de sua volta à civilização é um primor, culminando no ótimo final aberto.
Estados Unidos. Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: William Broyles Jr. Elenco: Tom Hanks, Helen Hunt, Nick Searcy, Chris Noth, Lari White, Geoffrey Blake.

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Quase Famosos

3 — QUASE FAMOSOS (Almost Famous)

Cameron Crowe usou suas memórias de jornalista de música para este conto sobre amadurecimento nos bastidores do rock dos anos 1970. É bonito e é engraçado. Crowe nunca mais fez algo tão bom. Katie Holmes, então — tão linda e promissora que era — nem se fala.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Cameron Crowe. Elenco: Patrick Fugit, Kate Hudson, Billy Crudup, Frances McDormand, Jason Lee, Philip Seymour Hoffman, Fairuza Balk, Noah Taylor, Anna Paquin, Jimmy Fallon.

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Tigre e o Dragão

2 — O TIGRE E O DRAGÃO (Wo Hu Cang Long ou Crouching Tiger, Hidden Dragon)

Após convencer em sua carreira nos EUA, Ang Lee voltou a Taiwan para dirigir este épico de artes marciais, praticamente um filme de super-heróis oriental, temperado com grandes doses de poesia visual —Zhang Ziyi não é uma lutadora treinada, mas usou suas técnicas de dança pra ajudar). Ziyi, Michelle Yeoh e Chow Yun-Fat estão ótimos, fazendo as acrobacias e tudo (os cabos que os içavam foram retirados digitalmente). Um deleite dramático, de aventura e para os olhos.
Taiwan/ Hong Kong/ Estados Unidos/ China. Direção: Ang Lee. Roteiro: Hui-Ling Wang, James Schamus e Kuo Jung Tsai, baseado em livro de Du Lu Wang. Elenco: Chow Yun-Fat, Michelle Yeoh, Zhang Ziyi.

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Amor a Flor da Pele - 03

1 — AMOR À FLOR DA PELE (Fa Yeung Nin Wa ou In the Mood for Love)

Existe um outro filme que Wong Kar-Wai deixou de fora na montagem para dar vida a Amor à Flor da Pele. Tirou o que tinha de mais explícito na relação entre o Sr. Chow (Tony Chiu Wai Leung) e a Sra. Chan (Maggie Cheung) e depurou tudo até não ficar mais claro se há ou não algo para valer entre eles. Seus cônjuges, sim, estão mandando ver numa relação adúltera (e nunca aparecem plenamente em cena — ficaram de fora na montagem). Mas eles, embora estejam muito a fim, andam no fio da navalha entre dar ou não esse passo. O filme brinca com essa expectativa, em diálogos onde parece que a coisa se consumou e, depois, o espectador vê que é um “ensaio” sobre um possível diálogo futuro, ou um exercício de imaginação. E tem todo o charme sessentista, a voz de Nat King Cole cantando em espanhol na trilha, a claustrofobia dos corredores apertados e escadas onde os dois personagens se cruzam…
Hong Kong/ França/ Tailândia. Direção e roteiro: Wong Kar-Wai. Elenco: Maggie Cheung, Tony Leung Chiu Wai, Ping Lam Siu.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS:

OS 15 MELHORES DE 1969

Butch Cassidy - 01

1 — BUTCH CASSIDY (Butch Cassidy and the Sundance Kid)

Na linhagem dos “bandidos simpáticos”, poucos se comparam à dupla formada por Newman e Redford em Butch Cassidy. O filme é de uma época em que o faroeste passava por uma revisão. Menos glamour, um pouco mais de sujeira, abraçando um pouco o que vinha sendo feito na Itália. Butch e Sundance também ganhavam uma releitura menos interessada na fidelidade histórica e mais em inseri-los no simbolismo da rebeldia dos anos 1960, um pouco como havia sido feito em Bonnie & Clyde, dois anos antes. Newman, Redford e Katharine Ross desfilam charme pelo filme todo.
Estados Unidos. Direção: George Roy Hill. Roteiro: William Goldman. Elenco: Paul Newman, Robert Redford, Katharine Ross, Strother Martin.

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Meu Odio Sera Sua Heranca - 01

2 — MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA (The Wild Bunch)

Zack Snyder devia assistir a esse filmes três vezes por dia até aprender como usar a câmera lenta para propósitos dramáticos. Numa época em que sangue não era gasto em galões no cinema, Peckinpah era conhecido como o mestre da violência. Mas também por causa de sua carga dramática. Aqui, ele um canto do cisne do faroeste, com a missão final de pistoleiros veteranos.
Estados Unidos. Direção: Sam Peckinpah. Roteiro: Walon Green e Sam Peckinpah, argumento de Walon Green e Roy N. Sickner. Elenco: William Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan, Edmond O’Brien, Warren Oates, Strother Martin.

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Z - 02

3 — (Z)

Costa-Gavras se tornou conhecido por um cinema fortemente político. E aqui ele denuncia a ditadura militar grega, através de um jornalista que investiga o assassinato de um líder da oposição. Foi o primeiro filme de língua não inglesa indicado ao Oscar de melhor filme.
França/ Argélia. Direção: Costa-Gavras. Roteiro: Costa-Gavras e Ben Barzman, dialogos de Jorge Semprún, baseado em romance de Vasilis Vasilikos. Elenco: Yves Montand, Irene Papas, Jean-Louis Trintignant, François Pérrier, Jacques Perrin.

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Perdidos na Noite - 01

4 — PERDIDOS NA NOITE (Midnight Cowboy)

Jon Voight chega a Nova York para ganhar a vida como prostituto. O ingênuo caipira encontra um trapaceiro de rua, o “Ratso” Rizzo vivido por Dustin Hoffman. Os dois atores comandam este, que foi o primeiro filme para maiores de 18 a vencer o Oscar. Um filme sobre amizade na sarjeta. E tem aquele improviso maravilhoso de Hoffman com o taxi: “Hey, I’m walking here!”.
Estados Unidos. Direção: John Schlesinger. Roteiro: Waldo Salt, baseado em romance de James Leo Herlihy. Elenco: Jon Voight, Dustin Hoffman, Sylvia Miles, Brenda Vaccaro, Jennifer Salt.

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Charlie Brown e Snoopy-04

5 — CHARLIE E SNOOPY ou CHARLIE BROWN E SNOOPY ou UM GAROTO CHAMADO CHARLIE BROWN (A Boy Named Charlie Brown)

A turma da tira Peanuts, escrita e desenhada por Charles M. Schulz, já aparecia na TV em especiais de pouco mais de 20 minutos desde 1965, com O Natal de Charlie Brown, no ritmo de uma ou duas vezes por ano. Em 1969, Charlie, Lucy, Linus e o cãozinho Snoopy chegavam às telonas em um longa que mantinha o estilo simples das produções para a TV e os mesmos temas recorrentes da frustração e medo da rejeição.
Estados Unidos. Direção: Bill Melendez. Roteiro: Charles M. Schulz, baseado em sua própria tira de quadrinhos. Vozes na dublagem original: Peter Robbins, Pamelyn Ferdin, Glenn Gilger.

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Macunaima - 02

6 — MACUNAÍMA

O romance modernista de Mário de Andrade ganhou uma versão irreverente pelas mãos de Joaquim Pedro de Andrade, com dois atores-ícones do cinema nacional dividindo o papel-título (Grande Otelo e Paulo José) e ainda Dina Sfat.
Brasil. Direção e roteiro: Joaquim Pedro de Andrade, baseado em romance de Mário de Andrade. Elenco: Grande Otelo, Paulo José, Dina Sfat, Jardel Filho, Milton Gonçalves, Joanna Fomm, Zezé Macedo, Wilza Carla.

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007 a Servico de Sua Majestade - 03

7 — 007 A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE (On Her Majesty’s Secret Service)

O senso comum aponta George Lazenby como o pior ator a encarnar James Bond. É difícil discordar. O interessante é que isso acontece em um ótimo exemplar da série, que tenta humanizar um pouco o agente 007 e tem Diana Rigg como uma das melhores bondgirls (ou bondwoman, como se diz hoje).
Reino Unido. Direção: Peter Hunt. Roteiro: Richard Maibaum, com diálogos adicionais por Simon Raven, baseado em romance de Ian Fleming. Elenco: George Lazenby, Telly Savallas, Diana Rigg, Gabriele Ferzetti, Lois Maxwell, Bernard Lee, Desmond Llewelyn.

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Dragao da Maldade contra o Santo Guerreiro - 01

8 — O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO

Glauber voltou aqui ao personagem mítico Antônio das Mortes, de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), alçando-o ao papel principal e fazendo-o refletir sobre sua atividade de matador de cangaceiros. Ganhou melhor direção em Cannes.
França/ Brasil/ Alemanha Ocidental/ Estados Unidos. Direção e roteiro: Glauber Rocha. Elenco: Maurício do Valle, Odete Lata, Othon Bastos, Hugo Carvana, Jofre Soares.

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Sem Destino - 01

9 — SEM DESTINO (Easy Rider)

Emblemático talvez seja a melhor palavra para Sem Destino. Um filme que, em sua história dos motoqueiros que viajam pelos EUA, resume em si um espírito daquela época no que diz respeito à contracultura. A própria produção do filme foi louquíssima, como eram os personagens e aqueles dias.
Estados Unidos. Direção: Dennis Hopper. Roteiro: Peter Fonda, Dennis Hopper e Terry Southern. Elenco: Peter Fonda, Dennis Hopper, Jack Nicholson, Phil Spector.

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Assaltante Bem Trapalhao - 01

10 — UM ASSALTANTE BEM TRAPALHÃO (Take the Money and Run)

Primeiro filme valendo pontos de Woody Allen como diretor, é uma comédia rasgada sobre um assaltante de banco que não tinha nada de gênio do crime. Allen já mostrava que tinha vontade de ir além, ao brincar um pouco com a narrativa dos documentários, inserindo depoimentos para contar a história.
Estados Unidos. Direção: Woody Allen. Roteiro: Woody Allen e Michael Rose. Elenco: Woody Allen, Janet Margolin, Michael Hillaire.

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Noite dos Desesperados - 01

11 — A NOITE DOS DESESPERADOS (They Shoot Horses, Don’t They?)

O filme se passa nos anos 1930, época da Grande Depressão nos EUA, e o cenário é uma desumana maratona de dança onde personagem sem qualquer esperança jogam suas últimas fichas em busca de uma virada na vida — ou morrer. Tambpem marcou uma virada na carreira de Jane Fonda em busca de papéis mais fortes — no ano anterior, ela havia feito Barbarella!
Estados Unidos. Direção: Sydney Pollack. Roteiro: James Poe e Robert E. Thompson, baseado em romance de Horace McCoy. Elenco: Jane Fonda, Michael Sarrazin, Susannah York, Gig Young, Red Button, Bonnie Bedelia, Bruce Dern.

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Flor de Cacto-07

12 — FLOR DE CACTO (Cactus Flower)

Adaptação de uma comédia de sucesso da Broadway, revelou Goldie Hawn, que acabou ganhando um Oscar de coadjuvante. Walter Matthau é o protagonista do roteiro maluquete, sobre um dentista que finge que é casado pra não ter que firmar compromisso com a “amante”. Mas aí sua enfermeira, vivida por Ingrid Bergman, precisa fingir que é a esposa.
Estados Unidos. Direção: Gene Saks. Roteiro: I.A.L. Diamond, baseado em peça de Abe Burrows, por sua vez versão da peça francesa de Pierre Barillet e Jean-Pierre Grédy. Elenco: Walter Matthau, Ingrid Bergman, Goldie Hawn.

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Alo Dolly - 01

13 — ALÔ, DOLLY! (Hello, Dolly!)

Barbra Streisand pós Oscar por A Garota Genial é a grande estrela deste musical da Broadway dirigido no cinema por Gene Kelly – um dos maiores astros e coreógrafos do gênero, aqui ele só é diretor (foi indicado ao Globo de Ouro). Barbra e Walter Matthau não se deram e o filme tem coisa demais, mas ainda é bem divertido. E ainda tem a aparição de Louis Armstrong, sua última no cinema.
Estados Unidos. Direção: Gene Kelly. Roteiro: Ernest Lehman, baseado na peça musical de Michael Stewart, por sua vez baseado na peça de Thornton Wilder, por sua vez versão da peça francesa de Johann Nestroy. Elenco: Barbra Streisand, Walter Matthau, Michael Crawford, Marianne McAndrew.

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Matou a Família e Foi ao Cinema - 1969 - 01

14 — MATOU A FAMÍLIA E FOI AO CINEMA

Exemplar do cinema marginal brasileiro, terceiro longa de Bressane. Parte da premissa literal do título, um rapaz que mata os pais e vai ao cinema, para outros contos curtos de violência, como o das meninas que se apaixonam e matam a mãe de uma delas. Teve uma refilmagem muito ruim em 1991, com Cláudia Raia.
Brasil. Direção e roteiro: Júlio Bressane. Elenco: Márcia Rodrigues, Renata Sorrah, Vanda Lacerda, Antero de Oliveira.

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Bravura Indomita - 1969 - 05

15 — BRAVURA INDÔMITA (True Grit)

Garota determinada procura um profissional que a ajude a prender o homem que matou seu pai. Consegue o xerife bebum, caolho e decadente vivido por John Wayne. Um papel longe dos costumeiros papéis invencíveis do astro, o que rendeu a ele um Oscar. Bem bom, rendeu uma refilmagem ainda melhor, dirigida pelos irmãos Coen em 2010.
Estados Unidos. Direção: Henry Hathaway. Roteiro: Marguerite Roberts, baseado no romance de Charles Portis. Elenco: John Wayne, Kim Darby, Glen Campbell, Robert Duvall, Dennis Hopper, Strother Martin.


Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.


OUTRAS LISTAS:

Bacurau - 06

BACURAU
⭐⭐⭐⭐⭐

O Nordeste contra-ataca ou ‘O senhor já combinou com os russos?’ 

por Renato Félix  

Bacurau é um filme bastante estudado, no que diz respeito à narrativa. Há um jogo muito grande de entregar e sonegar informações do espectador. Quem assiste pode ir deduzindo elementos, mas também ser ocasionalmente enganado por pistas falsas, enquanto outras reais vão passando despercebidas. Por essa razão, é muito difícil conversar sobre o filme sem abordar algumas de suas surpresas e seus efeitos. Portanto, revelações sobre o enredo (os não tão populares spoilers) vêm a seguir. Vá em frente por conta e risco. E, se for, vá na paz.

O filme de Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles se passa em um povoado do fim do mundo do sertão nordestino: Bacurau. O tempo é o futuro próximo. Trata-se, então, de uma ficção científica? Empurrando o espectador para este lado, o filme chega a plantar um disco voador em determinado momento do filme. Não um qualquer, mas um com toda a cara de filme americano dos anos 1950, tipo O Dia em que a Terra Parou (1951).

No clássico de Robert Wise, um alienígena chega à Terra para alertar sobre a crescente violência em nosso planeta. Não deu certo: os habitantes de Bacurau, que começam o filme lidando com seus próprios problemas, logo se dão conta que estão sendo vítimas de um ataque misterioso.

Quem seriam os agressores, a ameaça? O filme vai nos contando aos poucos, e o disquinho voador, que segue uma primeira imagem que vê a Terra do ponto de vista do espaço, dá toda a pinta de algo como um ataque alienígena. Uma invasão como em Vampiros de Almas (1956), em que os aliens se disfarçam de humanos para conquistar a Terra a partir de uma cidadezinha do interior dos EUA (a trama era parábola da paranoia anticomunista).

O disquinho, de aparência tão falsa que incomoda, é uma das pistas falas: é um drone, na verdade. Mas as pessoas quem estão por trás são, sem dúvida, alienígenas àquela terra, embora deste mesmo planeta.

Embora o filme não se preocupe em esmiuçar detalhes — o que nos coloca apenas um pouco menos no mesmo isolamento que os habitantes de Bacurau —, o grupo de estrangeiros está ali para caçar os habitantes do povoado. É uma espécie de safari.

O filme, nesse ponto, reflete uma das faces mais aterradoras da sociedade estadunidense: as armas no cotidiano e os seguidos massacres a cidadãos comuns indefesos. Um dia, alguém pega uma arma, se dirige a uma escola ou restaurante e abre fogo. Caça outras pessoas.

Aparentemente, nesse futuro próximo, grupos de predadores supremacistas chegaram à conclusão que a ânsia de matar não precisa ser contra os de seu próprio país. Se organizaram para caçadas “seguras” a pessoas em terras para as quais eles não ligam — e tampouco o governo local. Na visão deles, pode até haver um viés ecológico nisso: eles não matam animais em perigo de extinção na África, mas seres humanos — o que, afinal,  o planeta tem sobrando.

O supremacismo branco é um dos poucos elementos que ficam muito claro em Bacurau: na cena em que os estrangeiros debocham dos brasileiros brancos, seus aliados, e que se acham iguais aos estrangeiros. Esses brasileiros são, também, alienígenas: surgem em suas motos e roupas coloridas, não tendo nada a ver com os habitantes dali. Seu comportamento também mostra isso, ao darem pouco caso ao convite para conhecer melhor a história do lugar, visitando o pequeno museu dali.

O fator de identificação com o povo de Bacurau — portanto, do sertão nordestino — ou com os alienígenas — os estrangeiros brancos — certamente provocou algumas das críticas perplexas e assustadas que Bacurau recebeu, principalmente em veículos da região Sudeste.

O que acontece em seguida foi avisado em pistas cifradas no decorrer do filme. A placa de boas-vindas — “Bacurau — Se for, vá na paz” — está mais para um aviso a quem passa por ela. A definição do que significa o nome da cidade — um pássaro que só sai à noite porque “é brabo” — também.

Mais do que a ficção científica, deixada mais de lado quando os mistérios vão ficando mais claros, é o faroeste a fonte de onde os diretores bebem. Não só no plano do prefeito no povoado, a câmera subindo para mostrá-lo só na rua (decalcado de Matar ou Morrer, 1952), mas sobretudo na reta final, uma espécie de versão de Sete Homens e um Destino (1960), sem os sete homens.

No faroeste de John Sturges (e no filme em que ele se baseia, Os Sete Samurais, de Kurosawa, de 1954), um povoado é periodicamente saqueado por bandidos que aparecem, roubam tudo e vão embora. Os habitantes procuram um grupo de caubóis (ou samurais, no original) para defendê-los. E os guerreiros acabam treinando o povo para enfrentar os opressores. No fim, não só os guerreiros, mas a comunidade dá cabo dos vilões.

Aqui, o povo não precisa desses professores: sua história de enfrentamento das opressões que vêm de fora já os treinou. A explosão de violência contra a violência de quem se considera superior a ponto de achar que a vida do outro não vale nada não deixa a plateia incólume: é espertamente embalada nesses códigos do faroeste, que mostram como são ainda efetivos.

O cinema de gênero é abraçado por Bacurau e é fator importante para a vibração das plateias. Além do faroeste, Rambo também está lá (a violência do filme ganha até uma autosátira: quando um personagem pergunta se outro não foi “longe demais”, é Bacurau dando uma piscadela sobre si mesmo). Não à toa seus personagens se tornaram familiares ao público, frases vão sendo repetidas, memes são feitos. Coisa que o cinema brasileiro recente alcançou poucas vezes — com Cidade de Deus (2002) e Tropa de Elite (2007), principalmente.

De certa forma, Kléber Mendonça Filho fez o seu próprio “filme de boneco”, termo que ele usa para se referir aos filmes de super-herói.

Houve quem reclamasse da falta de profundidade nos personagens de Bacurau. É verdade, mas não se trata muito de um filme “de personagem” (como foi Aquarius, o longa anterior de Mendonça, de 2016), mas “de grupos”, de comunidades. Há, claro, excelentes caracterizações básicas — como Disney ensinou lá atrás, em Branca de Neve e os Sete Anões (1937), ao definir que cada anão tinha que ter uma característica predominante, para que o público diferenciasse facilmente um do outro.

Muitos dos personagens de Bacurau poderiam até ganhar seus próprios filmes, prelúdios que contam sua história anterior.

Claro que, paralelo a essas questões narrativas, existe a alegoria política e social. Não dá para não relacionar o Nordeste atacado por supremacistas estrangeiros aliados ao poder, em Bacurau, com o Brasil atual, da extrema-direita no poder, revanchista contra a região que, no geral, votou contra sua ascensão. O contra-ataque de Bacurau é a metáfora da resistência do Nordeste.

A catarse da reta final do filme pega o espectador na veia porque não é só uma revanche contra o ataque físico. É contra a soberba e a arrogância de quem se acha melhor que os outros, a ponto de nem levar esse outros em consideração como oponentes. De desconsiderar suas vidas e história (uma visitinha ao museu não teria feito nada mal).

Diz que na Copa do Mundo de 1958, o técnico Vicente Feola fez uma preleção com os jogadores da Seleção Brasileira sobre o jogo a seguir com a União Soviética. Com seu quadro de “xizinhos” e “bolinhas” mostrou a estratégia em campo que, sem dúvida, traria a vitória ao Brasil. Até que Garrincha levantou a mão: “Está bem, professor. Mas o senhor já combinou com os russos?”.

Os alienígenas de Bacurau foram de férias para o safari perfeito. Só esqueceram de combinar com o povo de Bacurau.

BACURAU — Brasil/ França, 2019. Direção: Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Elenco: Barbara Colen, Sonia Braga, Udo Kier, Thomas Aquino, Silvero Pereira, Ingrid Trigueiro, Thardelly Lima, Karine Teles, Buda Lira, Suzy Lopes, Danny Barbosa, Jamila Facury. Em cartaz.

Lino - 02

LINO — UMA AVENTURA DE SETE VIDAS (Rafael Ribas, 2017)

Diário de Filmes 2019: 33

Lino é  uma animação brasileira que se esforça bastante para parecer uma produção padrão de Hollywood. O animador de festas magicamente transformado em gato gigante precisa resolver sua situação enquanto é perseguido pela polícia por um crime que não cometeu. E com uma garotinha a tira-colo, que ele inicialmente não quer por perto, mas que o adora (a dinâmica de Sulley e Bu em Monstros S.A.). É agitado, mas aos personagens falta carisma. Um ponto bom é Selton Mello na dublagem do personagem principal: sua voz é bastante familiar em outras animações, o que não deixa de ser, por tabela, mais um ponto para soar como uma animação americana. Rafael Ribas é filho de Walbercy Ribas, de O Grilo Feliz

Filme Benzinho Credito: Bianca Aun/Divulgação

BENZINHO (Gustavo Pizzi, 2018)

Diário de Filmes 2019: 9

Irene está às voltas com muita coisa. Mãe em uma família de classe média, mora em uma casa velha cuja porta nem abre, o marido pressiona para vender outra casa na praia que é emocionalmente cara a ela, a irmã tenta se desvencilhar de um marido abusivo, está tentando terminar uma faculdade. E, agora, o filho mais velho recebe uma proposta para jogar handebol na Alemanha. Lidar com essa novidade vai ser especialmente difícil. O filme retrata bem os conflitos internos da personagem, sem recorrer ao melodrama, mas também sem pose de indiferença artística. Karine Teles, roteirista e atriz principal, brilha. E a direção de Gustavo Pizzi, também roteirista do filme com Karine, com quem foi casado, dá espaço para todos os personagens e busca planos bem elaborados. 

Em download.

Boas Maneiras - 02

AS BOAS MANEIRAS (Marco Dutra e Juliana Rojas, 2018)
½
Diário de Filmes 2019: 4

Um filme mutável, que vai adquirindo novas faces ao longo da projeção. O drama social se revela um filme de horror, a trama ganha um “capítulo 2” dentro do próprio filme, namora inesperadamente o musical. Se encanta demais com as possibilidades dos efeitos especiais e acaba ficando desnecessariamente explícito em certos momentos, mas esse coquetel de elementos tem personalidade, bons atores, muita força dramática.

Em download.

Bela Adormecida - 02

“Once upon a dream”, de “A Bela Adormecida” (1959)

170. ‘YOUR SONG’, de Moulin Rouge — Amor em Vermelho (2001)
Com Ewan McGregor e Placido Domingo. Direção: Baz Luhrmann. Canção de Elton John e Bernie Taupin.

Baz Luhrmann exagerando no exagero, mas com essa belíssima canção de Elton John e o talento de McGregor e Kidman, ficou uma bela cena. Não por acaso, a primeira parte, centrada apenas nos atores dentro do quarto, é muito melhor que a segunda.

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169. ‘KISS THE GIRL’, de A Pequena Sereia (1989)
Com Samuel E. Wright. Direção: John Musker, Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Ariel, a sereia, trocou sua bela voz por pernas para conhecer o mundo da superfície. Como num conto clássico, um beijo pode quebrar o encanto. Mas a falta de conversa atravanca o romance e os amigos animais tentam criar o clima para o beijo acontecer.

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168. ‘PIRUETAS’, de Os Saltimbancos Trapalhões (1981)
Com Chico Buarque e Os Trapalhões. Direção: J.B Tanko. Canção de Chico Buarque, Sergio Bardotti e Luis Enriquez Bacalov.

O amor pelos cirquinhos transpira nesse número que entra no filme como a viga principal da lona. Mesmo que o intervalo tenha cheirim de macarrão. Chico cantando com os Trapalhões é um incrível e saboroso encontro de dois mundos.

(No vídeo, número em 32min)

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167. ‘SINGIN’ IN THE RAIN’, de Um Amor de Pequena (1940)
Com Judy Garland. Direção: Norman Taurog. Canção de Arthur Freed e Nacio Herb Brown

Antes de Gene Kelly, “Singin’ in the rain” já era um sucesso cantado diversas vezes no cinema. E uma especial teve como uma protagonista toda faceira a “pequena com uma grande voz”: Judy Garland aos 17.

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166. ‘BOOGIE WOOGIE BUGLE BOY OF COMPANY B’, de Ordinário, Marche! (1941)
Com The Andrew Sisters. Direção: Arthur Lubin. Direção de dança: Nick Castle. Canção de Don Raye e Hugh Prince.

O filme da dupla cômica Abbott e Costello abriu espaço para um número de baixo orçamento, mas muito charme, com as Andrew Sisters lançando aqui esse clássico absoluto.

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165. ‘SKIP TO MY LOU’, de Agora Seremos Felizes (1944)
Com Judy Garland, Lucille Bremer, Tom Drake, Henry H. Daniels Jr. e elenco. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Charles Walters. Canção de Hugh Martin e Ralph Blane.

Agora Seremos Felizes foi um marco por ser um musical que não era uma trama de bastidores: os protagonistas eram uma família comum na St. Louis de 1903. E esta cena reflete isso: uma festa caseira, com músicas tradicionais, que vira um número musical lindamente coreografado e filmado em apenas quatro planos.

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164. ‘THE LUMBERJACK SONG’, de E Agora, para Algo Completamente Diferente (1971)
Com Michael Palin e The Fred Tomlinson Singers. Direção: Ian MacNaughton. Canção de Michael Palin, Terry Jones e Fred Tomlinson.

O lenhador machão que canta seu cotidiano abraçado à sua beldade loura e acompanhado por um coro da polícia montada canadense é, originalmente, um número da série Monty Python’s Flying Circus. Mas vários quadros foram refilmados para este primeiro filme do grupo inglês. O mais engraçado são os guardas surpreendidos e se entreolhando durate a canção. Oh, Beavis, nós achávamos que você era durão!

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163. ‘SO NEAR AND YET SO FAR’, de Ao Compasso do Amor (1941)
Com Fred Astaire e Rita Hayworth. Direção do filme: Sidney Lanfield. Coreografia: Robert Alton. Canção de Cole Porter.

Rita Hayworth foi uma das melhores parceiras de Fred Astaire, em dois filmes na Columbia. Rita com a responsabilidade cruel e suceder Ginger Rogers (cuja parceria com Astaire havia acabado dois anos antes): dançando demais, linda de morrer e antes ainda de virar um sex symbol supremo com Gilda, diga-se.

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162. ‘ONCE UPON A DREAM’, de A Bela Adormecida (1959)
Com Mary Costa e Bill Shirley. Direção: Clyde Geronimi. Canção de Sammy Fain e Jack Lawrence, baseado em Tchaikovsky.

Uma das animações mais lindas da Disney, a conclusão de uma era de ouro do estúdio, tem essa cena que é uma canção de “eu quero”, baseada no balé A Bela Adormecida de Tchaikovsky, e que é também um espécie de releitura de “Some day my prince will come”, de Branca de Neve e os Sete Anões. Visualmente é espetacular.

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161. ‘SHOES WITH WINGS ON’, de Ciúme, Sinal de Amor (1949)
Com Fred Astaire. Direção do filme: Charles Walters. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Harry Warren e Ira Gershwin.

Fred Astaire gostava de experimentar com efeitos especiais. Aqui, ele trava um duelo de sapateado com vários pares de sapatos.

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O Fest-Aruanda começa hoje aqui em João Pessoa e, sem mais delongas, segue aqui um guia dos filmes que serão exibidos no festival. O local é o Cinépolis Manaíra e a entrada é franca! A programação tem também debates e lançamentos de livros (veja completa no site do festival).

QUINTA
19h30 – Curta: Ary Barroso — Ele Era Assim, de Angela Zoé; longa: Todas as Canções de Amor, de Joana Mariani

O curta é um documentário sobre o compositor, radialista e flameguista Ary Barroso, pela diretora do longa Henfil, que está estreando por aí. O longa tem Marina Ruy Barbosa e Bruno Gagliasso como um casal que encontra uma fita K7 que embalou a história de amor de outro casal.

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SEXTA
14h – Curtas vencedores do concurso Vídeo do Minuto contra a Corrupção; curta: Vidas Cinzas, de Leonardo Martinelli

O curta é um falso documentário em que, no meio dessa crise toda, o governo corta as cores do Rio de Janeiro, deixando a cidade cinza.

18h – Curta: Parto Sim!, de Kátia Mesel; longa: Torre das Donzelas, de Susanna Lira

A cineasta pernambucana, de 50 anos de carreira, mostra um curta de ficção sobre uma situação real: as mulheres de Fernando de Noronha devem deixar a ilha aos sete meses de gestação porque não há hospitais no local. Torre das Donzelas é o primeiro dos dois documentários de Susanna no dia: é sobre a resistência das mulheres durante a ditadura.

21h – Mostra competitiva de curtas-metragens

22h – Longa: Mussum — Um Filme do Cacildis, de Susanna Lira

O documentário foca o músico e humorista que fez sucesso primeiro em Os Originais do Samba e, depois, como o carismático integrante dos Trapalhões.

Mussum - Um Filme do Cacildis - 01

Mussum — Um Filme do Cacildis

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SÁBADO
11h – Longa: Os Trapalhões no Auto da Compadecida, de Roberto Farias

Entre as homenagens do festival a Roberto Farias, que morreu este ano, está esta re-exibição do filme de 1987, em que os Trapalhões fizeram sua adaptação da peça de Ariano Suassuna

Trapalhoes no Auto da Compadecida - 01

Os Trapalhões e o Auto da Compadecida

15h – Longa: Rebento, de André Morais

O filme abre a série inédita de seis longas paraibanos exibidos em uma mesma edição do Aruanda. Premiado em alguns festivais, incluindo a atuação visceral de Ingrid Trigueiro, como uma mulher obrigada a conviver com uma tragédia pessoal.

18h20 – Longa: Beiço de Estrada, de Eliézer Rolim

No segundo paraibano da mostra, Eliézer transforma em filme sua própria peça, montada nos anos 1980 e que revelou uma geração de grandes atores paraibanos. No elenco, Darnele Glória, Jackson Antunes e Mayana Neiva.

21h – Mostra competitiva de curtas-metragens

21h50 – Longa: Som, Sol & Surf: Saquarema, de Hélio Pitanga

O documentário aborda a revolução comportamental em uma pequena cidade do Rio, através de um festival de música que se tornou histórico nos anos 1970.

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DOMINGO
11h – Longa: Os Trapalhões no Auto da Compadecida, de Roberto Farias

Segunda exibição do filme que reuniu Os Trapalhões e Ariano Suassuna.

15h – Longa: Estrangeiro, de Edson Lemos Akatou

É o terceiro paraibano do festival. Este mostra uma mulher que retorna às suas origens na praia de Tabatinga, depois de anos vivendo em trânsito após um trauma.

18h – Longa: O Seu Amor de Volta — Mesmo que Ele Não Queira, de Bertrand Lira

Quarto paraibano no festival, o documentário conta as histórias de amores perdidos e na crença da magia para resgatá-los.

Seu amor de volta Foto Alessandro-Potter 02

O Seu Amor de Volta — Mesmo que Ele Não Queira

21h30 – Longa: Azougue Nazaré, de Tiago Melo; longa: Clementina, de Ana Rieper

Dois longas em sequência nesta noite. No primeiro, numa zona canavieira, um pasto acredita que o maracatu é coisa do diabo. E coisas sobrenaturais começam a acontecer. O segundo é um documentário sobre a cantora Clementina de Jesus.

Clementina - 01

Clementina

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SEGUNDA
15h30 – Longa: Corisco & Dadá, de Rosemberg Cariry

Na homenagem a Chico Diaz, a exibição deste filme de 1996, bem no começo da Retomada, onde Diaz é o cangaceiro Corisco e Dira Paes é a companheira Dadá.

Corisco e Dadá - 01

Corisco & Dadá

17h30 – Longa: Sol Alegria, de Tavinho Teixeira e Mariah Teixeira

Pai e filha co-dirigem e atuam neste, que é o quinto longa paraibano neste Fest Aruanda. É um cenário rocambolesco em que pastores controlam o governo, uma família comete um atentato, se refugia com uma falange comandada por freiras não convencionais e um mapa pode salvar a humanidade à beira do apocalipse. Ney Matogrosso e Everaldo Pontes estão no elenco.

21h – Mostra competitiva de curtas-metragens

22h – Longa: Adoniran — Meu Nome É João Rubinato, de Pedro Serrano

O documentário de Serrano é a primeira de suas duas produções sobre o sambista paulista Adoniran Barbosa neste Aruanda (o outro é o curta, Dá Licença de Contar, na quarta).

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TERÇA
14h30 – Longa: Zuzu Angel, de Sérgio Rezende; média: Waldick — Sempre no Meu Coração, de Patrícia Pillar

A programação é uma homenagem a Patrícia Pillar. Ela estrela Zuzu Angel, de 2006, sobre a estilista que enfrentou a ditadura nos anos 1970, e dirige o doc de 2008 sobre Waldick Soriano.

18h – Longa: Ambiente Familiar, de Torquato Joel

Documentarista de grandes trabalhos, em seu primeiro longa Torquato Joel experimenta a ficção. Trata-se de uma história de três rapazes que formam uma família. É o sexto longa paraibano no festival.

21h20 – Longa: Simonal, de Leonardo Domingues

O filme é a cinebiografia de Wilson Simonal, sua carreira de incrível sucesso e as polêmicas envolvendo sua relação com a ditadura e o exílio que o mercado musical aplicou a ele.

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QUARTA
14h – Longa: Roberto Carlos em Ritmo de Aventura, de Roberto Farias

A homenagem a Roberto Farias inclui dois dos três filmes que dirigiu estrelados por Robert Carlos. Neste, o cantor interpreta a si mesmo, perseguido por um vilão vivido pelo maior vilão do cinema brasileiro, José Lewgoy. A história é desculpa para uma série de esquetes, com direito a um passeio de helicóptero por um lindíssimo Rio de Janeiro dos anos 1960. Segundo a programação oficial, este filme será exibido no auditório do Hotel Luxxor Cabo Branco.

16h – Longa: Humberto Mauro, de André di Mauro

Um documentário sobre um dos diretores fundamentais do cinema brasileiro. Segundo a programação oficial, este filme será exibido no auditório do Hotel Luxxor Cabo Branco.

20h – Curta: Dá Licença de Contar, de Pedro Serrano; longa: Roberto Carlos a 300km por Hora, de Roberto Farias

Dá Licença de Contar é um simpaticíssimo curta que mescla a vida e a obra de Adoniran Barbosa. Paulo Miklos vive o compositor que, com seus amigos Matogrosso e Joca, vive as histórias de “Samba do Arnesto”, “Trem das onze”, “Saudosa maloca”, etc. Já Roberto Carlos a 300km por Hora é o último filme estrelado pelo cantor, e o único em que não interpreta a si mesmo, mas, sim, outro personagem: é um mecânico que deseja ser piloto de corridas e ama a filha do patrão.

A animação brasileira Tito e os Pássaros ganhou o Anima Mundi, foi selecionado para o Fesyival de Annecy e está pré-indicado ao Oscar de longa de animação. Na história, um garoto e seus amigos enfrentam uma epidemia de medo que assola o mundo. Olha só o visual do filme de Gustavo Steinberg. Ainda não há data para o lançamento no Brasil, que eu saiba.

A última impressão é a que fica? Aqui está uma lista de meus 50 finais preferidos de filmes. 

Noivo Neurotico Noiva Nervosa - 41

50. NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA. Woody Allen, 1977

ALVY: “Eu, eu pensei naquela velha piada, sabe, um, um cara vai a um psiquiatra e diz: ‘Doutor, hã, meu irmão está louco. Ele pensa que é uma galinha’. E, hã, o doutor diz: ‘Bem, por que você não o interna?’. E o cara diz: ‘Eu ia, mas eu preciso dos ovos’. Bem, acho que isso é muito como eu me sinto sobre relacionamentos. Você sabe, eles são totalmente irracionais e loucos e absurdos e… mas, hã, acho que continuamos com eles porque, hã, a maioria de nós precisa dos ovos”.

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Bebe de Rosemary - 14

49. O BEBÊ DE ROSEMARY. Roman Polanski, 1968

ROSEMARY: “Você está balançando muito rápido”.

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Doce Vida - 15

48. A DOCE VIDA. Federico Fellini, 1960

MARCELLO: “Não consigo escutar!”.

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Setimo Selo-03

47. O SÉTIMO SELO. Ingmar Bergman, 1957

JOF: “E a Morte, a mestre severa, os convida para dançar”.

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Intocaveis - 1987 - 10

46. OS INTOCÁVEIS. The Untouchables. Brian de Palma, 1987

REPÓRTER: “Estão dizendo que vão revogar a Lei Seca. O que o senhor vai fazer?”
ELLIOT NESS: “Acho que vou tomar um drinque”.

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Chinatown - 26

45. CHINATOWN. Chinatown. Roman Polanski, 1974

WALSH: “Esqueça, Jake. É Chinatown”.

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Bonequinha de Luxo-15

44. BONEQUINHA DE LUXO. Breakfast at Tiffany’s. Blake Edwards, 1961

HOLLY: “O Gato… Onde está o Gato?…”

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Separacao - 09

43. A SEPARAÇÃO. Jodaeiye Nader az Simin. Asghar Farhadi, 2011

JUIZ: “Você quer que eles esperem lá fora, se for difícil para você?
TERMEH: “Eles podem?”

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Vida de Brian - 12

42. A VIDA DE BRIAN. Life of Brian. Terry Jones, 1979

SR. FRISBEE: “Olhe sempre o lado bom da vida”.

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Clube dos Cinco-29

41. CLUBE DOS CINCO. The Breakfast Club. John Hughes, 1985

BRIAN: “Mas o que descobrimos é que cada um de nós é um CDF…”
ANDREW: “…e um atleta…”
ALLISON: “…e uma inútil…”
CLAIRE: “…e uma princesa…”
BENDER: “…e um marginal.”

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Pacto de Sangue - 02

41. PACTO DE SANGUE. Double Indemnity. Billy Wilder, 1944

KEYES: “Você nunca vai chegar na fronteira”
WALTER: “Isso é o que você pensa”
KEYES: “Você não vai chegar nem ao elevador”.

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Butch Cassidy - 06

40. BUTCH CASSIDY. Butch Cassidy and the Sundance Kid. George Roy Hill, 1969

BUTCH: “Tenho uma grande ideia de para onde deveríamos ir depois daqui”.

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Montanha dos Sete Abutres - 09

39. A MONTANHA DOS SETE ABUTRES. Ace in the Hole/ The Big Carnival. Billy Wilder, 1951

CHUCK: “Gostaria de ganhar mil dólares por dia, Sr. Boot? Sou um jornalista que vale mil dólares por dia. Pode ficar comigo por nada”.

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Deus e o Diabo na Terra do Sol - 12

38. DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL. Glauber Rocha, 1964

CORISCO: “Mais fortes são os poderes do povo!”.

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Bons Companheiros - 06

37. OS BONS COMPANHEIROS. Goodfellas. Martin Scorsese, 1990

HENRY: “Sou um ninguém. Vou viver o resto da minha vida como um merda”.

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Toy Story 3 - 09

36. TOY STORY 3. Toy Story 3. Lee Unkrich, 2010

WOODY: “Até mais, parceiro”.

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Cavadoras de Ouro - 07

35. CAVADORAS DE OURO. Gold Diggers of 1933. Mervyn LeRoy, 1933

CAROL: “Lembre-se do meu homem esquecido”.

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Homem de Ferro - 34

34. HOMEM DE FERRO. Iron Man. Jon Favreau, 2008

TONY STARK: “Eu sou o Homem de Ferro”.

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Dona Flor e Seus Dois Maridos - 21

33. DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS. Bruno Barreto, 1976

TRILHA SONORA: “O que será, que será, que andam suspirando pelas alcovas?”

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Sociedade dos Poetas Mortos - 03

32. SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS. Dead Poets Society. Peter Weir, 1989

ANDERSON: “Oh, capitão, meu capitão!”.

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Ouro e Maldicao - 02

31. OURO E MALDIÇÃO. Greed. Erich von Stroheim, 1924

MARCUS: “Não há água em uma centena de milhas daqui. Nós… somos… homens… mortos”.

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Princesa e o Plebeu - 15

29. A PRINCESA E O PLEBEU. Roman Holiday. William Wyler, 1953

ANN: “Muito feliz, Sr. Bradley”.

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Malvada - 09

28. A MALVADA. All about Eve. Joseph L. Mankiewicz, 1950

ADDISON: “Você deve perguntar à Srta. Harrington como conseguir um. A Srta. Harrington sabe tudo sobre isso”.

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8½

27. 8 ½. 8 ½. Federico Fellini, 1963

GUIDO: “Esta confusão… sou eu”.

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Inimigo Publico - 03

26. INIMIGO PÚBLICO. The Public Enemy. 1931

MIKE: “Mãe, estão trazendo Tom para casa!”.

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Incompreendidos - 05

25. OS INCOMPREENDIDOS. Les 400 Coups. François Truffaut, 1959

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Thelma e Louise-08

24. THELMA & LOUISE. Thelma & Louise. Ridley Scott, 1991

THELMA: “Apenas vamos em frente”.

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Tempos Modernos - 05

23. TEMPOS MODERNOS. Modern Times. Charles Chaplin, 1936

CARLITOS: “Sorria!”

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Suspeitos - 1995 - 02

22. OS SUSPEITOS. The Usual Suspects. Bryan Singer, 1995

VERBAL: “O maior truque do diabo foi convencer o mundo de que ele não existe”.

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Cinema Paradiso - 20

21. CINEMA PARADISO. Nuovo Cinema Paradiso. Giuseppe Tornatore, 1988

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E o Vento Levou-13

20. …E O VENTO LEVOU. Gone with the Wind. Victor Fleming, 1939

RHETT: “Francamente, minha querida, estou cagando pra isso”.

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Passaros - 34

19. OS PÁSSAROS. The Birds. Alfred Hitchcock, 1963

CATHY: “Posso levar os periquitos, Mitch? Eles não machucaram ninguém”.

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Ladroes de Bicicleta - 12

18. LADRÕES DE BICICLETA. Ladri di Biciclette. Vittorio de Sica, 1948

BRUNO: “Papai! Papai!”

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Se Meu Apartamento Falasse - 06

17. SE MEU APARTAMENTO FALASSE. The Apartment. Billy Wilder, 1960

FRAN KUBELIK: “Cale a boca e dê as cartas”.

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Casablanca - 40

16. CASABLANCA. Casablanca. Michael Curtiz, 1942

RICK: “Louis, acho que este é o início de uma bela amizade”.

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Planeta dos Macacos - 1968 - 10

15. O PLANETA DOS MACACOS. Planet of the Apes. Franklin J. Schaffner, 1968

GEORGE TAYLOR: “Seus maníacos! Vocês estragaram tudo! Malditos sejam!”.

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14. A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM. Mike Nichols, 1967

TRILHA SONORA: “Olá, escuridão, velha amiga”.

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De Volta para o Futuro - 31

13. DE VOLTA PARA O FUTURO. Back to the Future. Robert Zemeckis, 1985

DOUTOR BROWN: “Ruas? Para onde vamos não precisamos… de ruas”.

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2001 - Uma Odisseia no Espaco - 25

12. 2001 – UMA ODISSEIA NO ESPAÇO. 2001 – A Space Odyssey. Stanley Kubrick, 1968

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Bonnie e Clyde - 35

11. BONNIE AND CLYDE – UMA RAJADA DE BALAS. Bonnie and Clyde. Arthur Penn, 1967

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Rastros de Ódio - 01

10. RASTROS DE ÓDIO. The Searchers. John Ford, 1956

TRILHA SONORA: “Um homem vai procurar seu coração e sua alma”

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Cidadao Kane - 38

9. CIDADÃO KANE. Citizen Kane. Orson Welles, 1941

JERRY THOMPSON: “Talvez ‘Rosebud’ seja alguma coisa que ele não conseguiu. Ou alguma coisa que ele perdeu”.

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Psicose - 1960 - 20

8. PSICOSE. Psycho. Alfred Hitchcock, 1960

NORMA BATES: “Ele vão dizer: ‘Ela não mataria uma mosca’…”.

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Quanto Mais Quente Melhor - 22

7. QUANTO MAIS QUENTE MELHOR. Billy Wilder, 1959

OSGOOD: “Ninguém é perfeito”.

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Noites de Cabiria - 04

6. NOITES DE CABÍRIA. Le Notti di Cabiria. Federico Fellini, 1957

GAROTA: “Boa noite”.

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Manhattan - 03

5. MANHATTAN. Woody Allen, 1979

TRACY: “Nem todo mundo se corrompe. Você tem que ter um pouco de fé nas pessoas”.

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Felicidade Nao Se Compra - 18

4. A FELICIDADE NÃO SE COMPRA. It’s a Wonderful Life. Frank Capra, 1946

HARRY: “Ao meu irmão mais velho George: o homem mais rico da cidade”.

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Poderoso Chefao - 08

3. O PODEROSO CHEFÃO. The Godfather. Francis Ford Coppola, 1972

KAY: “É verdade? É?”
MICHAEL: “Não”.

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Crepusculo dos Deuses-12

2. CREPÚSCULO DOS DEUSES. Sunset Boulevard. Billy Wilder, 1950

NORMA DESMOND: “Está bem, Sr. DeMille, estou pronta para o meu close-up”.

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Luzes da Cidade - 03

1. LUZES DA CIDADE. City Lights. Charles Chaplin, 1931

CARLITOS: “Você consegue ver agora?”
FLORISTA: “Sim, eu consigo ver agora”.

 

Estreias 10.26

Atenção para as estreias do cinema no circuito paraibano nesta quinta, 26 de outubro. É uma semana movimentada, com nove estreias e uma reestreia.

O blockbuster da semana é o elogiado Thor – Ragnarok, o terceiro solo do deus do trovão. Cris Hemsworth tem a companhia de Mark Ruffalo como Hulk, Tom Hiddleston como Loki e de Cate Blanchett, a grande vilã. Estreia quinta em JP (Cinépolis Manaíra, Centerplex MAG, Cinesercla Tambiá, Cinépolis Mangabeira), CG (Cinesercla Partage) e Patos (Cine Guedes).

Premiado em Berlim, Uma Mulher Fantástica lidera as estreias do Cine Banguê, em João Pessoa, sábado. Também chegam por lá o elogiado As Duas Irenes, a partir de segunda, e o documentário Gaga – O Amor pela Dança, a partir de domingo. E, a partir de domingo, a reestreia de Como Nossos Pais, da Laís Bodanzky, que já esteve em cartaz, mas por pouco tempo.

Em tempo: neste sábado, a partir das 15h, o Banguê exibe uma mostra comemorando o Dia da Animação. Em tempo 2: a reestreia do antológico  Cidade dos Sonhos no Banguê já tem data: é no dia 2.

O Centerplex MAG exibe sozinho três estreias: Manifestotour de force experimental em que Cate Blanchett interpreta 13 personagens (e ela, lembrando, ainda está também em Thor – Ragnarok); O Formidável, sobre Jean-Luc Godard e do diretor de O Artista, Michel Hazanavicius (que passa apenas sábado e domingo); e A Menina Indigo, do diretor de Nosso Lar.

O criticado Pelé – O Nascimento de uma Lenda, produção americana sobre a juventude do rei do futebol, entra só no Cinépolis Manaíra. E ainda tem a animação europeia Missão Cegonha, em JP (Cinépolis Manaíra, Cinesercla Tambiá e Cinépolis Mangabeira).

 


TRAILERS:

  • Thor – Ragnarok:

  • Uma Mulher Fantástica:

  • As Duas Irenes:

  • Manifesto:

  • O Formidável:

  • Gaga – O Amor pela Dança:

  • A Menina Indigo:

  • Pelé – O Nascimento de uma Lenda:

  • Missão Cegonha:

  • Como Nossos Pais:

No do Diabo - 02a

Assombrados pela História: Alexandre Souza e Clébia Souza em “O Nó do Diabo”

O NÓ DO DIABO

Horrores do Brasil real

Fazer um filme de horror é um projeto sempre arriscado: a possibilidade de se cair no ridículo é grande. Por esse teste, o longa paraibano O Nó do Diabo passa bem: é um filme competente em seu passeio por diversos estilos do gênero, sem medo do mergulho. E em um festival onde Daniella Thomas recebeu muitas críticas por sua narrativa da escravatura em Vazante, o longa paraibano também passou no teste: sua abordagem onde os negros são os protagonistas em cinco contos que voltam no tempo do século XXI ao XIX, agradou também pelo viés adotado.

O filme é a transposição para o cinema de uma série criada por Ramon Porto Mota para a TV Brasil e que permanece inédita. Os cinco episódios são enfileirados contando diferentes histórias interligadas por se passarem sempre no mesmo local, uma fazenda, e por um mesmo ator, Fernando Teixeira. Ele interpreta sempre o dono da propriedade, nas diferentes épocas (um simbolismo de que essa elite é, no fundo, sempre a mesma através dos anos).

As histórias combinam com bastante eficiência questões de racismo e opressões de classe, terrores bem reais da realidade brasileira, com o terror sobrenatural consagrado no cinema. Na primeira (dirigida por Mota; escrita por ele, Jhésus Tribuzi e Gabriel Martins), Tavinho Teixeira é um capataz que precisa defender uma fazenda vazia de posseiros. Mas a atmosfera da casa o vai enlouquecendo.

Na segunda (de Martins; escrita por ele, Mota e Anacã Agra), em 1987, um casal negro (Clébia Souza e Alexandre Sena) consegue emprego na fazenda decadente, mas também é afetado pela atmosfera sombria do lugar e da família da casa. A terceira (que tem Ian Abé como diretor e ele, Tribuzi, Martins e Mota como roteiristas), em 1921, mostra duas irmãs negras (Miuly Felipe da Silva e Yurie Felipe da Silva) ainda tratadas como escravas – uma deseja se rebelar, a outra tem medo, mas demonstra poderes paranormais.

O quarto episódio (de Jhésus Tribuzi; roteiro dele, Agra e Martins) acompanha um escravo (Edilson Silva) que, em 1871, foge após vingar a morte da esposa. Perseguido, ele tenta escapar pelas pedras, mas é atormentado por lembranças e demônios interiores. O episódio final volta a ser dirigido por Mota, com roteiro dele, Agra e Tribuzi, tem participação de Zezé Motta e se passa em 1818. Aqui a fazenda é o refúgio de escravos fugidos que tentam se proteger dos perseguidores: capangas do dono da fazenda, retratados quase como uma horda de zumbis. O confronto revela também a origem da maldição de assola a casa, intimamente relacionada à opressão vivida pelos negros nesse período e nas décadas que se se seguem.

Os três primeiros episódios mantêm uma pegada parecida e mais direta no gênero do terror. No quarto, o ritmo cai. O episódio de Tribuzi não é ruim por si só, mas é prejudicado por sua posição na história. Usando da repetição de diálogos e cenas, se torna cansativo após já mais de uma hora de projeção. Ainda tem um “falso final”: quando o público imagina que já está no quinto episódio, descobre que ainda não saiu da quarta parte.

Isso acaba dificultando também a recuperação no quinto episódio. O criador da série contou que não houve edições nos episódios: eles foram colados um no outro da maneira como editados originalmente, sendo trabalhadas apenas as transições entre eles. No fim, o filme acaba se revelando longo e uma edição para reduzir a duração dos episódios não fosse uma má ideia.

Mas o que se sobressai, ainda, é a ousadia da proposta, o ótimo trabalho do elenco, o desenho de som inteligente e o comentário incisivo sobre os horrores nossos que continuam por aí.

O Nó do Diabo. Brasil, 2017. Direção: Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé e Jhésus Tribuzi. Roteiro: Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé, Jhésus Tribuzi e Anacã Agra. Elenco: Fernando Teixeira, Tavinho Teixeira, Zezé Motta, Isabél Zuaa, Clebia Souza, Alexandre Sena, Cíntia Lima, Edilson Silva, Yurie Felipe da Silva, Miuly Felipe da Silva, Everaldo Pontes, Escurinho, Soia Lira. Exibido no Festival de Brasília 2017, ainda inédito nos cinemas.

A seguir, os meus melhores filmes de 2016, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, como em todo ano, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

O número de filmes em cartaz em João Pessoa explodiu em 2016: foram 258 estreias contra as 163 de 2015 e 164 de 2014. O recorde anterior, desde 2006, ano em que o Boulevard começou a fazer esse acompanhamento, havia sido 165 em 2007. Os motivos determinantes para esse aumento são a inauguração do novo Cine Banguê, que vem servindo filmes que não passam nos demais cinemas, e alguma diversidade no Cinépolis e no Cinespaço.

THE REVENANT

1 – O REGRESSO, de Alejandro González Iñarritu

Iñarritu é um diretor que arrisca muito em suas narrativas, nem sempre com sucesso. Mas quando acerta, entrega coisas belas como este O Regresso, a jornada selvagem e espiritual de um homem em busca de outro que o deixou para morrer, aós ter sido atacado por um urso. A interpretação visceral de Leonardo DiCaprio foi, com toda a justiça, premiada com o Oscar, o Globo de Ouro, o SAG e o Bafta. Crítica no Boulevard

Elle - 03

2 – ELLE, de Paul Verhoeven

Isabelle Huppert matadora, para variar, em um filme desconcertante e doentio – Paul Verhoeven sendo Paul Verhoeven. Isabelle é uma mulher fria e cerebral que é estuprada dentro de casa por um mascarado e lida ao seu modo com a possibilidade de um novo ataque.

Aquarius - 06

3 – AQUARIUS, de Kléber Mendonça Filho

Sônia Braga é a única moradora que restou em um antigo prédio que uma construtora quer demolir. Mas ela luta pelo direito de preservar suas memórias afetivas. Uma bela defesa de que coisas – como discos ou um apartamento – podem não ser apenas “coisas”.

Zootopia - 06

4 – ZOOTOPIA – ESSA CIDADE É O BICHO, de Byron Howard e Rich Moore

No que parecia apenas mais uma sátira de bichinhos se comportando como seres humanos, desenrola-se uma imaginação bem cuidada de como seria essa cidade levando-se em consideração as características dos animais antropomorfizados, uma história policial instigante e uma crítica surpreendente e dura aos preconceitos de quem se acha o mocinho.

Spotlight - 01

5 – SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS, de Tom McCarthy

Com uma história que tinha tudo para mergulhar no melodrama, essa trama que conta a investigação jornalística que expôs o escândalo de pedofilia da Igreja de Boston é contida e precisa em sua narrativa. Crítica no Boulevard

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6 – CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL, de Anthony Russo e Joe Russo

Um filme de super-heróis que reflete sobre si mesmo, sobre o gênero e seus personagens. E coloca os dois personagens principais do universo cinematográfico da Marvel com o peso dramático acumulado em todos estes anos e filmes.

Bruxa - 03

7 – A BRUXA, de Robert Eggers

Famílias isoladas à mercê do sobrenatural não são exatamente uma novidade, mas este filme consegue imprimir um clima opressor e tanto. Crítica no Boulevard

Cinco Gracas - 03

8 – CINCO GRAÇAS, de Deniz Gamze Ergüven

Cinco irmãs jovens e cheias de vida vítimas de um tio que as prende em casa e as obriga a casamentos arranjados. O filme nos leva a procurar tanto quanto elas uma saída.

Filho de Saul - 03

 

9 – FILHO DE SAUL, de Lázló Nemes

Filmado quase todo em close, é uma experiência que nos faz acompanhar de perto o drama pesado e doloroso de um homem que tenta impedir que o filho morto seja incinerado pelo nazistas. Ao menos isso.

ARRIVAL

 

10 – A CHEGADA, de Denis Villeneuve

Uma ficção científica que recusa a pirotecnia e celebra o poder da comunicação. Denis Villeneuve evoca o Spielberg de Contatos Imediatos do Terceiro Grau.

+ 10: A Grande Aposta, de Adam McKay; Deadpool, de Tim Miller; Mia Madre, de Nanni Moretti; Café Society, de Woody Allen; Sully, o Herói do Rio Hudson, de Clint Eastwood; Rogue One – Uma História Star Wars, de Gareth Edwards; Star Trek – Sem Fronteiras, de Justin Lin; Carol, de Todd Haynes; Jogo do Dinheiro, de Jodie Foster; Animais Fantásticos e Onde Habitam, de David Yates.

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MAIS RETROSPECTIVA 2016:

A situação melhorou muito no circuito pessoense, com a volta do Cine Banguê, a sessão de cinema de arte do Cinépolis e com o Cinespaço botando em cartaz vários dos filmes do Festival Varilux. Ainda assim, aqui vai nossa lista de 50 filmes que entraram em cartaz no Brasil, mas não entraram em cartaz comercialmente nos cinemas pessoenses.

Ah, eu sei que alguns deles entraram em cartaz nestes meses de janeiro e fevereiro. Mas a lista é referente ao que entrou em cartaz no Brasil em 2016 e não passou no mesmo ano.

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1 – O QUARTO DE JACK

Brie Larson ganhou o Oscar, o Globo de Ouro, o Bafta, o SAG e o Independent Spirit de melhor atriz. O garotinho Jacob Tremblay cativou meio mundo. E não foi o suficiente para O Quarto de Jack entrar em cartaz nos cinemas paraibanos. Restou o DVD, a TV paga, o streaming, o download. Estreou no Brasil em 18/2/2016.

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2 – AVE, CÉSAR!

O filme dos irmãos Coen, com George Clooney e Scarlett Johnasson, é um retorno dos diretores à comédia, com uma história que se passa na Hollywood dos anos 1950. Estreou no Brasil em 14/2/2016.

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3 – ANOMALISA

Animação em stop motion dirigida por Charlie Kaufman, elogiadíssimo, chamado de obra-prima e o escambau. Estreou no Brasil em 28/1/2016.

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4 – A ASSASSINA

Filme chinês de Hou Hsiao-Hsien, indicado ao Bafta, se passa na China do século XVIII: Shu Qi é a assassina que deve matar um político. Estreou no Brasil em 5/5/2016.

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5 – BLOW-UP – DEPOIS DAQUELE BEIJO

O clássico de Michelangelo Antonioni, com David Hemmings e Vanessa Redgrave,  ícone da swinging London, completou 50 anos em 2016 e voltou aos cinemas. Mas não na Paraíba. Reestreou no Brasil em 8/12/2016.

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6 – MUCH LOVED

Muito comentado filme marroquino de Nabil Ayouch que mostra a vida de prostitutas no país e arrumou problemas com a censura de lá e alguns imbecis. Concorreu à Palma de Ouro em Cannes. Estreou no Brasil em 10/11/2016.

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7 – BR 716

O filme de Domingos de Oliveira versa sobre a boemia em uma Copacabana às vésperas do golpe (o de 1964, não o do ano passado). Ganhou o Festival de Gramado e acabou entrando aqui este ano, no Banguê. Estreou no Brasil em 17/11/2016.

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8 – SR. SHERLOCK HOLMES

Ian McKellen interpretando o detetive na velhice. Só isso já deveria ser o suficiente para colocarem esse filme em cartaz. Estreou no Brasil em 13/1/2016.

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9 – QUE VIVA EISENSTEIN! – 10 DIAS QUE ABALARAM O MÉXICO

O delirante Peter Greenaway mergulha no período em que o cineasta russo Sergei Eisenstein passou no México. Estreou no Brasil em 1/1/2016.

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10 – ESTRANHOS NO PARAÍSO

Outro clássico relançado, desta vez do muito pessoal cineasta Jim Jarmusch. Reestreou no Brasil em 3/11/2016.

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11 – EU SOU CARLOS IMPERIAL

Documentário sobre esta folclórica e polêmica figuraça da nossa música, cinema e TV, dos mesmos diretores de Uma Noite em 67. Estreou no Brasil em 17/3/2016.

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12 – O LOBO DO DESERTO

Este filme da Jordânia foi indicado ao Oscar de filme de língua não inglesa, sobre um garoto que guia um oficial britânico pelo deserto, na I Guerra. Estreou no Brasil em 18/2/2016.

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13 – BROOKLIN

Indicado ao Oscar de melhor filme, também teve Saorise Ronan indicada a melhor atriz. Estreou no Brasil em 11/2/2016.

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14 – O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO

Provocativo filme anti-racista de Nate Parker, que se propõe um contraponto ao fundamental (mas racista) clássico de D.W. Griffith, de 1915. Foi um sucesso em Sundance, mas o retorno à baila de um julgamento por estupro (no qual o diretor foi absolvido) em 2001 minaram o filme. Estreou no Brasil em 10/11/2016.

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15 – SIERANEVADA

Co-produção do Leste Europeu sobre acerto de contas familiar foi selecionado para Cannes. Acabou entrando no Banguê este ano. Estreou no Brasil em 15/12/2016.

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16 – CAPITÃO FANTÁSTICO

O filme teve a interpretação de Viggo Mortensen indicada ao Globo de Ouro e ao Oscar. Estreou no Brasil em 22/12/2016.

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17 – O QUE ESTÁ POR VIR

Isabelle Huppert nunca é demais e sempre queremos mais (1). Este acabou entrando no Banguê este ano. Estreou no Brasil em 22/12/2016.

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18 – ANIMAIS NOTURNOS

O filme de Tom Ford fez barulho, embora tenha chegado fraco à temporada de prêmios. E tem uma elogiada interpretação de Amy Adams. Acabou entrando em cartaz este ano, no Cinépolis. Estreou no Brasil em 29/12/2016.

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19 – CONSPIRAÇÃO E PODER

Com Cate Blanchett e Robert Redford, uma história real de jornalismo e poder: uma produtora do 60 Minutes desencava uma história polêmica do serviço militar de George W. Bush em campanha pela reeleição e sofrem uma campanha de descrédito. Estreou no Brasil em 24/3/2016.

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20 – WHITE GOD

Filme húngaro vencedor de dois prêmios no Festival de Cannes: garota tem que se desfazer de seu cachorro por ele ser mestiço. Enquanto o bicho tenta sobreviver pelas ruas, ela tenta resgatá-lo. Estreou no Brasil em 25/2/2016.

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21 – ROCK EM CABUL

Com Bill Murray e Zooey Deschanel e de Barry Levinson, diretor de Rain Man Bom Dia Vietnã, entre outros. Estreou no Brasil em 2/6/2016.

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22 – ASTERIX E O DOMÍNIO DOS DEUSES

É a primeira animação digital com o personagem, que é sucesso editorial em vários países e já foi adaptado para o cinema em animação tradicional e com atores. Estreou no Brasil em 7/4/2016.

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23 – A SENHORA DA VAN

Maggie Smith foi indicada ao Globo de Ouro por essa comédia, uma idosa que mora em uma van e faz amizade com um escritor em 1970. Estreou no Brasil em 7/4/2016.

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24 – UM BELO VERÃO

Cécile de France (de O Garoto de Bicicleta) e Izïa Higelin (de Samba) são duas mulheres que vivem uma história de amor em 1971, contexto da liberação sexual e de mais liberdades para as mulheres. Estreou no Brasil em 7/7/2016.

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25 – HAVANA MOON – THE ROLLING STONES IN CUBA

O registro do histórico show dos Stones na capital cubana. Estreou no Brasil em 6/10/2016.

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26 – JOVENS, LOUCOS E MAIS REBELDES!!

Richard Linklater, de Boyhood, fez uma continuação de seu Jovens, Loucos e Rebeldes (1993), um de seus primeiros filmes. Estreou no Brasil em 20/10/2016.

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27 – NERUDA

O diretor de No aqui conta a vida de Neruda como perseguido político. Acabou entrando em cartaz no Banguê. Estreou no Brasil em 15/12/2016.

File picture shows Brazilian citizen Marco Archer Cardoso Moreira sitting in front of his lawyer at Tangerang court, near Jakarta

28 – CURUMIM

Documentário sobre o brasileiro no corredor da morte das Filipinas, condenado por tráfico de drogas. Estreou no Brasil em 3/11/2016.

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29 – O PRESIDENTE

Na co-produção entre Alemanha, França, Reino Unido e Geórgia, um presidente deposto por um golpe foge acompanhado do neto de cinco anos. E entra pela primeira vez em contato com seu povo. Estreou no Brasil em 10/3/2016.

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30 – ELVIS E NIXON

O inusitado encontro entre o Rei do Rock e o presidente que renunciaria. Michael Shannon é Elvis e Kevin Spacey entra para a galeria de intérpretes de Nixon (que já tinha Anthony Hopkins e Frank Langella). Estreou no Brasil em 16/6/2016.

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31 – AS MONTANHAS SE SEPARAM

Uma chinesa entre dois possíveis romances neste filmes do diretor Jia Zhangke, alvo de documentário de Walter Salles. Estreou no Brasil em 23/6/2016.

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32 – DE PALMA

Documentário sobre o grande diretor de Os IntocáveisVestida para Matar O Pagamento Final. Estreou no Brasil em 24/11/2016.

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33 – TUDO VAI FICAR BEM

Filme de Wim Wenders, com Rachel McAdams, James Franco e Charlotte Gainsbourg, sobre o trauma de um escritor para superar uma tragédia. Estreou no Brasil em 10/3/2016.

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34 – MARAVILHOSO BOCCACCIO

Os irmãos Taviani levam á tela cinco histórias do Decamerão, de Boccaccio. Estreou no Brasil em 5/5/2016.

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35 – DEMÔNIO DE NEON

Elle Fanning é uma modelo ingênua no mundo da moda. Estreou no Brasil em 29/9/2016.

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36 – FOGO NO MAR

Documentário sobre o drama dos refugiados na Europa, a partir de uma ilha na Itália. Levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim e foi indicado ao Oscar de documentário. Estreou no Brasil em 28/4/2016.

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37 – NOSSO FIEL TRAIDOR

Thriller de espionagem, baseado em John LeCarré, com um elencão: Ewan McGregor, Damian Lewis, Naomie Harris, Stellan Skasgard. Estreou no Brasil em 6/10/2016.

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38 – UM HOMEM SÓ

Uma raríssima ficção científica brasileira, em que Vladimir Brichta contrata uma empres apara produzir um clone para levar sua vida medíocre por ele. Com Mariana Ximenes. Estreou no Brasil em 29/9/2016.

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39 – AMOR POR DIREITO

Julianne Moore é uma policial que descobre que está muito doente. Ela quer que a companheira (Ellen Page) receba a pensão da polícia após sua morte. E aí começa a batalha legal contra a discriminação. Steve Carrell também está no elenco dessa adaptação de uma história real acontecida não faz tanto tempo: em 2002. Estreou no Brasil em 21/4/2016.

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40 – MUNDO CÃO

De Marcos Jorge, diretor de Estômago, uma trama de vingança que o personagem de Lázaro Ramos trama contra Babu Santana, o funcionário de um centro de zoonoses que pegou o cachorro dele, depois sacrificado. Estreou no Brasil em 17/3/2016.

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41 – A DESPEDIDA

Nélson Xavier é o velho doente que se despede dos amigos, incluindo a amante bem mais nova vivida por Juliana Paes, com quem ele vive ainda momentos de amor. Estreou no Brasil em 9/6/2016.

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42 – MILLER & FRIED – AS ORIGENS DO PAÍS DO FUTEBOL

Um documentário que volta ao berço do nosso futebol: Charles Miller, que trouxe a primeira bola ao Brasil, e Arthur Friedenreich, nosso primeiro grande craque. Estreou no Brasil em 28/7/2016.

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43 – A LUZ ENTRE OCEANOS

O título refere-se ao trabalho do personagem de Michael Fassbender, em um farol na Austrália, justo na divisão dos oceanos Pacífico e Atlântico. Alicia Vikander é sua esposa, que o convence a criarem com deles o bebê que surge em um barco, ao lado de um homem morto. Estreou no Brasil em 3/11/2016.

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44 – É APENAS O FIM DO MUNDO

O drama francês mostra uma reunião de família que sai do controle por causa das muitas mágoas. O elenco tem Nathalie Baye, Léa Seydoux e Vincent Cassel. Estreou no Brasil em 24/11/2016.

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45 – RAINHA DE KATWE

Produção da Disney dirigida pela indiana Mira Nair sobre uma jovem de Uganda que deseja se tornar uma grande jogadora de xadrez. Estreou no Brasil em 24/11/2016.

46 – A CORTE

Fabrice Luchini é o juiz rígido que fica abalado ao reencontrar um antigo amor no tribunal. Chegou a passar no Festival Varilux, mas não entrou em cartaz. Estreou no Brasil em 11/8/2016.

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47 – FIQUE COMIGO

Isabelle Huppert nunca é demais e sempre queremos mais (2). É uma comédia dramática com seis personagens que se cruzam em um edifício. Estreou no Brasil em 3/3/2016.

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48 – ORGULHO E PRECONCEITO E ZUMBIS

Essa curiosidade une o universo de Jane Austen a um elemento icônico da cultura de terror pop. Estreou no Brasil em 25/2/2016.

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49 – MULHERES NO PODER

Dira Paes é uma senadora tentando se dar bem em uma mamata, mas há outras mulheres também querendo levar vantagem. Estreou no Brasil em 12/5/2016.

Life - Um Retrato de James Dean

 

50 – LIFE – UM RETRATO DE JAMES DEAN

 

A amizade entre James Dean e o fotógrafo Dennis Stock, às vésperas de Dean se tornar um grande sucesso. Estreou no Brasil em 21/7/2016.


LEIA MAIS:

 


MAIS RETROSPECTIVA 2016:

Coluna Cinemascope (#20). Correio da Paraíba, 1/2/2017

Saltimbancos Trapalhoes - Rumo a Hollywood - 01

Sumiram com os Saltimbancos

por Renato Félix

Faz alguns anos que Renato Aragão não aparece semanalmente em um programa na TV aberta. E só pode ser essa a razão (imediatista e rasa) para que as companhias exibidoras tenham simplesmente desprezado a volta do trapalhão aos cinemas, com Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood.

O filme não chegou a entrar em cartaz nas quatro sessões em nenhuma sala paraibana: teve duas numa sala do Cinespaço MAG, outras duas em uma sala do Cinépolis Manaíra e só duas também nos Cinesercla do Tambiá Shopping e do Partage Shopping, este em Campina. No Cinépolis Mangabeira, nem passou.

E olhe que, além de ser estrelado por Renato Aragão e Dedé Santana, trata-se de uma nova versão de um de seus maiores sucessos, que levou 5 milhões de pessoas aos cinemas em 1981/ 1982. E fez grande sucesso recente como musical de teatro, de onde esta nova versão foi adaptada. Na trilha, as mesmas canções de Chico Buarque que são cantadas até hoje por adultos e crianças.

Hoje, o filme não pode ser visto em João Pessoa: esta semana, passou apenas sábado e domingo. Na Paraíba, está sendo exibido apenas em Remígio. Provavelmente estará fora da programação já amanhã. E podia ser pior: soube que em Porto Alegre nem chegou a passar.

Minha infância foi pegando longas filas, dobrando o quarteirão, para ver o novo filme dos Trapalhões no cinema. Ok, os tempos são outros, mas a verdade é que o filme nem foi testado: os cinemas trataram de matar sua carreira no nascedouro.

Enquanto isso, filmes com youtubers estreiam com pompa e circunstância, ocupando várias salas. Não dá para não ter uma ponta de tristeza com as opções que nossos exibidores tomam.

FOTO: Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood (2016)

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