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A última impressão é a que fica? Aqui está uma lista de meus 50 finais preferidos de filmes. 

Noivo Neurotico Noiva Nervosa - 41

50. NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA. Woody Allen, 1977

ALVY: “Eu, eu pensei naquela velha piada, sabe, um, um cara vai a um psiquiatra e diz: ‘Doutor, hã, meu irmão está louco. Ele pensa que é uma galinha’. E, hã, o doutor diz: ‘Bem, por que você não o interna?’. E o cara diz: ‘Eu ia, mas eu preciso dos ovos’. Bem, acho que isso é muito como eu me sinto sobre relacionamentos. Você sabe, eles são totalmente irracionais e loucos e absurdos e… mas, hã, acho que continuamos com eles porque, hã, a maioria de nós precisa dos ovos”.

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Bebe de Rosemary - 14

49. O BEBÊ DE ROSEMARY. Roman Polanski, 1968

ROSEMARY: “Você está balançando muito rápido”.

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Doce Vida - 15

48. A DOCE VIDA. Federico Fellini, 1960

MARCELLO: “Não consigo escutar!”.

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Setimo Selo-03

47. O SÉTIMO SELO. Ingmar Bergman, 1957

JOF: “E a Morte, a mestre severa, os convida para dançar”.

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Intocaveis - 1987 - 10

46. OS INTOCÁVEIS. Brian de Palma, 1987

ELLIOT NESS: “Acho que vou tomar um drinque”.

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Chinatown - 26

45. CHINATOWN. Roman Polanski, 1974

WALSH: “Esqueça, Jake. É Chinatown”.

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Bonequinha de Luxo-15

44. BONEQUINHA DE LUXO. Blake Edwards, 1961

HOLLY: “O Gato… Onde está o Gato?…”

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Separacao - 09

43. A SEPARAÇÃO. Asghar Farhadi, 2011

JUIZ: “Você quer que eles esperem lá fora, se for difícil para você?
TERMEH: “Eles podem?”

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Vida de Brian - 12

42. A VIDA DE BRIAN. Terry Jones, 1979

SR. FRISBEE: “Olhe sempre o lado bom da vida”.

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Clube dos Cinco-29

41. CLUBE DOS CINCO. John Hughes, 1985

BRIAN: “Mas o que descobrimos é que cada um de nós é um cérebro…”
ANDREW: “…e um atleta…”
ALLISON: “…e uma inútil…”
CLAIRE: “…e uma princesa…”
BENDER: “…e um criminoso.”

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Pacto de Sangue - 02

41. PACTO DE SANGUE. Billy Wilder, 1944

KEYES: “Você não vai chegar nem ao elevador”.

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Butch Cassidy - 06

40. BUTCH CASSIDY. George Roy Hill, 1969

BUTCH: “Tenho uma grande ideia de onde deveríamos ir depois daqui”.

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Montanha dos Sete Abutres - 09

39. A MONTANHA DOS SETE ABUTRES. Billy Wilder, 1951

CHUCK: “Gostaria de ganhar mil dólares por dia, Sr. Boot? Sou um jornalista que vale mil dólares por dia. Pode ficar comigo por nada”.

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Deus e o Diabo na Terra do Sol - 12

38. DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL. Glauber Rocha, 1964

CORISCO: “Mais fortes são os poderes do povo!”.

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Bons Companheiros - 06

37. OS BONS COMPANHEIROS. Martin Scorsese, 1990

HENRY: “Sou um ninguém. Vou viver o resto da minha vida como um merda”.

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Toy Story 3 - 09

36. TOY STORY 3. Lee Unkrich, 2010

WOODY: “Até mais, parceiro”.

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Cavadoras de Ouro - 07

35. CAVADORAS DE OURO DE 1933. Mervyn LeRoy, 1933

CAROL: “Lembre-se do meu homem esquecido”.

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Homem de Ferro - 34

34. HOMEM DE FERRO. Jon Favreau, 2008

TONY STARK: “Eu sou o Homem de Ferro”.

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Dona Flor e Seus Dois Maridos - 21

33. DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS. Bruno Barreto, 1976

TRILHA SONORA: “O que será, que será, que andam suspirando pelas alcovas?”

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Sociedade dos Poetas Mortos - 03

32. SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS. Peter Weir, 1989

KEATING: “Obrigado, garotos. Obrigado”.

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Ouro e Maldicao - 02

31. OURO E MALDIÇÃO. Erich von Stroheim, 1924

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Princesa e o Plebeu - 15

29. A PRINCESA E O PLEBEU. William Wyler, 1953

ANN: “Muito feliz, Sr. Bradley”.

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Malvada - 09

28. A MALVADA. Joseph L. Mankiewicz, 1950

ADDISON: “Você deve perguntar à Srta. Harrington como conseguir um. A Srta. Harrington sabe tudo sobre isso”.

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8½

27. 8 ½. Federico Fellini, 1963

GUIDO: “Esta confusão… sou eu”.

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Inimigo Publico - 03

26. INIMIGO PÚBLICO. 1931

MIKE: “Mãe, estão trazendo Tom para casa!”.

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Incompreendidos - 05

25. OS INCOMPREENDIDOS. François Truffaut, 1959

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Thelma e Louise-08

24. THELMA & LOUISE. Ridley Scott, 1991

THELMA: “Apenas vamos em frente”.

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Tempos Modernos - 05

23. TEMPOS MODERNOS. Charles Chaplin, 1936

CARLITOS: “Sorria!”

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Suspeitos - 1995 - 02

22. OS SUSPEITOS. Bryan Singer, 1995

VERBAL: “O maior truque do diabo foi convencer o mundo de que ele não existe”.

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Cinema Paradiso - 20

21. CINEMA PARADISO. Giuseppe Tornatore, 1988

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E o Vento Levou-13

20. …E O VENTO LEVOU. Victor Fleming, 1939

RHETT: “Francamente, minha querida, estou cagando pra isso”.

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Passaros - 34

19. OS PÁSSAROS. Alfred Hitchcock, 1963

CATHY: “Posso levar os periquitos, Mitch? Eles não machucaram ninguém”.

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Ladroes de Bicicleta - 12

18. LADRÕES DE BICICLETA. Vittorio de Sica, 1948

BRUNO: “Papai! Papai!”

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Se Meu Apartamento Falasse - 06

17. SE MEU APARTAMENTO FALASSE. Billy Wilder, 1960

FRAN KUBELIK: “Cale a boca e dê as cartas”.

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Casablanca - 40

 

16. CASABLANCA. Michael Curtiz, 1942

RICK: “Louis, acho que este é o início de uma bela amizade”.

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Planeta dos Macacos - 1968 - 10

15. O PLANETA DOS MACACOS. Franklin J. Schaffner, 1968

GEORGE TAYLOR: “Seus maníacos! Vocês estragaram tudo! Malditos sejam!”.

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primeira-noite-de-um-homem-07.png

14. A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM. Mike Nichols, 1967

TRILHA SONORA: “Olá, escuridão, velha amiga”.

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De Volta para o Futuro - 31

13. DE VOLTA PARA O FUTURO. Robert Zemeckis, 1985

DOUTOR BROWN: “Ruas? Para onde vamos não precisamos… de ruas”.

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2001 - Uma Odisseia no Espaco - 25

12. 2001 – UMA ODISSEIA NO ESPAÇO. Stanley Kubrick, 1968

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Bonnie e Clyde - 35

11. BONNIE AND CLYDE – UMA RAJADA DE BALAS. Arthur Penn, 1967

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Rastros de Ódio - 01

10. RASTROS DE ÓDIO. John Ford, 1956

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Cidadao Kane - 38

9. CIDADÃO KANE. Orson Welles, 1941

JERRY THOMPSON: “Talvez ‘Rosebud’ seja alguma coisa que ele não conseguiu. Ou algumas coisa que ele perdeu”.

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Psicose - 1960 - 20

8. PSICOSE. Alfred Hitchcock, 1960

NORMA BATES: “Ele vão dizer: ‘Ela não mataria uma mosca’…”.

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Quanto Mais Quente Melhor - 22

7. QUANTO MAIS QUENTE MELHOR. Billy Wilder, 1959

OSGOOD: “Ninguém é perfeito”.

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Noites de Cabiria - 04

6. NOITES DE CABÍRIA. Federico Fellini, 1957

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Manhattan - 03

5. MANHATTAN. Woody Allen, 1979

TRACY: “Nem todo mundo se corrompe. Você tem que ter um pouco de fé nas pessoas”.

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Felicidade Nao Se Compra - 18

4. A FELICIDADE NÃO SE COMPRA. Frank Capra, 1946

HARRY: “Ao meu irmão George: o homem mais rico da cidade”.

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Poderoso Chefao - 08

3. O PODEROSO CHEFÃO. Francis Ford Coppola, 1972

KAY: “É verdade? É?”
MICHAEL: “Não”.

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Crepusculo dos Deuses-12

2. CREPÚSCULO DOS DEUSES. Billy Wilder, 1950

NORMA DESMOND: “Está bem, Sr. DeMille, estou pronta para o meu close-up”.

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Luzes da Cidade - 03

1. LUZES DA CIDADE. Charles Chaplin, 1931

CARLITOS: “Você consegue ver agora?”
FLORISTA: “Sim, eu consigo ver agora”.

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Marilyn Monroe-02

Marilyn Monroe estaria completando hoje 90 anos. Sempre apontada como o maior sex symbol do cinema, ela também tinha um talento natural para a comédia (foi premiada no Globo de Ouro por Quanto Mais Quente Melhor, 1959) e foi se tornando também uma boa atriz dramática (como mostrou em filmes como Nunca Fui Santa, 1956, e Os Desajustados, 1961). Era insegura, autodestrutiva, esquecia as falas, enlouquecia os diretores com quem trabalhava. Billy Wilder dizia que filmar com ela era um inferno, mas tudo compensava quando se via o resultado na tela. Sua morte trágica aos 36 anos a transformou em um mito eterno.

 

Marilyn Monroe, Tony Curtis e Jack Lemmon

Marilyn Monroe, Tony Curtis e Jack Lemmon

Estrelas-05 juntas-site

Sexo e tiros, graças ao deus Billy

Em preto-e-branco, um carro funerário antigo vem pela rua. Logo, é perseguido pela polícia. Tiros são trocados, uma perseguição acontece, o carro escapa, mas o caixão foi atingido. Dos furos, jorra um líquido. Não é sangue: quando o caixão é aberto, nos é revelado que está cheio de garrafas de birita. E só aí Quanto Mais Quente Melhor nos localiza (para quem ainda não percebeu por si só): estamos em Chicago, 1929. Época da Lei Seca.

O filme de Billy Wilder, escrito por ele e o parceiro I.A.L. Diamond, mostra de saída uma de suas maiores qualidades (entre tantas e tantas): o ritmo. Não há pressa: o filme começa com uma trama que ainda não envolve seus personagens principais: essa fuga, a batida da polícia em uma funerária de fachada que na verdade é um nightclub. Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon), músicos que tocam na banda do lugar, só aparecem aí, aos 7 minutos de filme. A outra protagonista do filme, Sugar Kane (Marilyn Monroe), só aos 25. E essa cadência é tão precisa quanto o rebolado de Marilyn em sua primeira aparição, na estação de trem. “Olha como ela se mexe! É como gelatina com molas”, diz o personagem de Lemmon. “Deve ter algum tipo de motor interno. Vou te dizer, é um sexo totalmente diferente!”.

Nesta cena, Joe e Jerry já estão vestidos de mulher. Eles – com uma dinâmica meio Dean Martin e Jerry Lewis – testemunharam o acerto de contas entre gangsters que ficou conhecido como o massacre do Dia de São Valentim (que aconteceu mesmo) e, para não serem mortos também, precisam fugir da cidade. Conseguem emprego em uma banda que está indo para Miami – só que é uma banda só de mulheres. Então, Joe vira Josephine e Jerry, Geraldine. Até sua antológica apresentação ao pessoal da banda: “Sou Daphne”. Mais um exemplo do ritmo do roteiro: há todo um diálogo depois disso até que Joe possa finalmente colocar Jerry na parede e perguntar: “Daphne??”.

O desafio da dupla é se tornar esse “sexo totalmente diferente”. É claro que não vai ser fácil. Joe parece mais desconfortável, mas mais concentrado. Jerry fica saltitante ao se ver entre as mulheres da banda, mas curiosamente rapidamente cria uma expansiva persona feminina. Além disso, há Sugar, a cantora da banda. Que homem resiste a Marilyn em seu máximo? Em um segundo, os dois se interessam por ela e vão arriscar seus disfarces e pescoços.

No hotel e Miami, ainda há os milionários em busca de aventuras amorosas. Joe se aproveita disso e cria um novo personagem para conquistar Sugar, em uma impagável imitação de Cary Grant (“Que sotaque é esse? Ninguém fala assim!”, diz Jerry). Já Daphne atrai a atenções de um ricaço de verdade, Osgood Fielding (Joe E. Brown).

As correrias e o entra-e-sai são orquestrados na medida, emoldurando (e várias vezes desviando a atenção) todas as piadas com o homossexualismo que não podiam ser feitas naquela época em que o Código de Produção ainda ditava normas em Hollywood. A cena em que Daphne conta que foi pedida em casamento – um dos melhores diálogos da história do cinema (Joe: “Por que um cara se casaria com outro cara?”; Daphne: “Segurança!”) – é cheia de subentendidos, desmentidos, coisas que ficam no ar e é tão engraçada que Billy Wilder entregou duas maracas para Jack Lemmon e o instruiu a sacudi-las entre os diálogos – para dar ao público tempo de rir sem perder nada.

A interação entre Curtis e Lemmon é perfeita, mas o filme tem em Marilyn uma arma que não desperdiça. Billy Wilder pagou seus pecados com a atriz e sua dificuldade em decorar as falas. Em uma cena, ela só tinha que entrar no quarto e perguntar “Cadê aquele bourbon?”, mas não acertava. Billy, então, escreveu a fala num papel e colocou dentro de uma gaveta que ela deveria abrir. E ela não conseguia abrir a gaveta certa. Então, o diretor pôs a fala dentro de todas a gavetas. Foram 49 takes e não foi a única cena a ser repetida tantas vezes.

Billy já tinha dirigido Marilyn em O Pecado Mora ao Lado e sabia que valia a insistência. E valeu mesmo. Marilyn está luminosa no seu tipo de ser a mulher mais sensual do mundo sem ter consciência de que é. E seus números musicais (“Runnin’ wild”, “I wanna be loved by you” e “I’m through with love”) são todos ótimos.

São todas músicas do período em que o filme se passa, o final dos anos 1920. E Marilyn (que ganhou o Globo de Ouro de atriz/ comédia ou musical; Jack Lemmon ganhou melhor ator e ainda teve o de melhor filme) está fascinante de maneiras diferentes em cada um deles (estava com uns quilinhos a mais porque estava grávida, mas quem liga?). No segundo ainda há aquele jogo de luz, que brinca, ficando acima do já generoso decote de Sugar, evocando a nudez da personagem. O sexo está por todo lado no filme.

Às vezes, em dois lugares ao mesmo tempo e com sentidos diferentes, como na cena em que Sugar se esforça para seduzir o suposto milionário supostamente impotente que Joe finge ser enquanto Jerry, como Daphne, precisa lidar com o apaixonado Osgood em um baile (“Daphne, está conduzindo de novo”).

E tem o final, claro. Billy Wilder (com seus parceiros) era brilhante em seus finais. E o de Quanto Mais Quente Melhor, eleito pelo American Film Institute como a melhor comédia do cinema american, é lendário. A solução de resolver com um atrevido nonsense a questão entre Osgood e Daphne causou dúvidas até no próprio Wilder (I.A.L. Diamond criou a fala). É tão surpreendente, absurdo e anticlimático que a plateia só pensa nas possíveis implicações dela depois. Pode ser que ninguém seja perfeito, mas esse final é.

Quanto Mais Quente Melhor. Some Like it Hot. Estados Unidos, 1959. Direção: Billy Wilder. Roteiro: Billy Wilder e I.A.L. Diamond, a partir de história de Robert Thoeren e Michael Logan, inspirado no filme alemão Ritmos de Amor (1951). Elenco: Marilyn Monroe, Tony Curtis, Jack Lemmon, George Raft, Pat O’Brien, Joe E. Brown.

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A serpente na gaveta

Frases de um Billy Wilder afiado e Kirk Douglas dominando o filme todo em "A Montanha dos Sete Abutres"

Frases de um Billy Wilder afiado e Kirk Douglas dominando o filme todo em “A Montanha dos Sete Abutres”

Se 50 serpentes estão soltas em uma pequena cidade, causando o pânico à população, e 49 são encontradas, onde está a última? Ela pode estar em qualquer lugar, pronta para dar o bote, mas ninguém consegue encontrá-la. Onde ela estará? “Na minha gaveta”, diz o jornalista Charles Tatum (Kirk Douglas), ensinando o jovem fotógrafo que o acompanha como esticar o interesse por uma reportagem. E Billy Wilder dá uma lição do que é jornalismo à América. Ou, ao menos, do que é um certo jornalismo, escancarado sem dó nem piedade no clássico A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the HoleThe Big Carnival, Estados Unidos, 1951).

Não que o jornalismo gozasse de reputação intocável no cinema. Desde a peça The Front Page, de Ben Hecht, que, até ali, havia gerado dois filmes (A Última Hora, 1931; e Jejum de Amor, 1940), já se sabia que um jornalista decidido a fisgar um furo de reportagem podia não ser flor que se cheirasse. Para não deixar dúvidas, o próprio Wilder viria a fazer uma terceira adaptação da peça, em 1974: A Primeira PáginaThe Front Page era centrado em repórteres mais interessados em suas matérias do que no fato que estavam cobrindo, mas não mostrava a manipulação do público como A Montanha dos Sete Abutres viria a fazer – e muito menos com o cinismo e a virulência de Wilder.

A história começa com Tatum procurando um emprego num jornaleco de Albuquerque – ele foi parar lá depois de ser despedido de vários grandes jornais, por variadas razões. É um ambiente estranho para ele: na parede, bordado, um quadro com os dizeres “Diga a verdade”. É para ele que Tatum está olhando quando diz ao editor Boot (Porter Hall) que já mentiu para homens que usavam cinto e homens que usavam suspensórios – mas nunca foi idiota para mentir para um que usasse cintos e suspensórios ao mesmo tempo. E o convence parodiando uma máxima das redações: “Eu posso cuidar de grandes notícias ou pequenas notícias. E se não houver notícias, eu saio e mordo um cachorro”.

Aqui, como sempre, Wilder é diretor e co-roteirista (com Walter Newman e Lesser Samuels) e – como se vê – seu talento para diálogos antológicos já está afiado desde o começo do filme. Virão outros quando Tatum e o fotógrafo Herbie (Robert Arthur) saem para uma reportagem corriqueira e dão de cara com outra: um homem, Leo Minosa (Richard Benedict), que está soterrado em ruínas indígenas na Montanha dos Sete Abutres. O jornalista vê aí sua chance de ter uma grande matéria – aquela que o levará de volta à primeira divisão, a um grande jornal nova-iorquino.

Ele começa a armar uma teia para extrair o máximo que pode desse drama humano. Manipula o xerife para que o salvamento seja feito pelo meio mais difícil e, assim, ter mais tempo para explorar a história – e o xerife, para bancar o herói e garantir a reeleição. Outro exercício de sensacionalismo é a tristeza da esposa Lorraine (Jan Sterling), que, na verdade, parece mais interessada no jornalista que no marido preso embaixo da montanha. Quem é pior em A Montanha dos Sete Abutres? Difícil dizer, já que, como escreveu Ruy Castro, Billy Wilder não faz o melhor dos juízos do ser humano.

Se petardos são disparados para todo lado, alguns deles têm o povo americano bem na mira. Uma família de caipiras, passando por perto, resolve dar uma olhada rápida no que está acontecendo, antes de seguir viagem. Logo, estão com acampamento montado. Não demora, diante das centenas de pessoas que transformaram o salvamento no grande parque de diversões de um dos títulos originais, já estão se gabando para a imprensa de terem sidos os primeiros a chegar. O recado foi dado, porque nem a imprensa e nem o público gostaram de como Billy Wilder os via. Resultado: o filme naufragou na bilheteria. A Paramount tentou reverter a situação mudando o título do filme – de Ace in the Hole para The Big Carnival –, mas não adiantou.

Se a carapuça serviu, para ambos os lados, não foi à toa. O diretor sabia do que estava falando: foi jornalista até 1926, ainda na sua Áustria natal. Não só isso, mas a história de A Montanha dos Sete Abutres é baseada em um caso real, a de Floyd Collins, que ficou soterrado por 18 dias, em 1925, sendo material para uma festa da imprensa e do público. A versão de A Montanha dos Sete Abutres explora o pior de quase todos os personagens (“Eu não rezo. Desfia as minhas meias”, diz Lorraine) – até que o próprio Tatum é obrigado a ficar frente a frente com sua ética, e a partir daí começa a ser construído mais um dos finais inesquecíveis do velho Billy.

Mas até lá, predominam a arrogância, na interpretação de um Kirk Douglas que domina o filme todo. Como na cena em que Tatum, controlando as informações, ouve o pedido dos outros jornalistas que passam a pão e água: “Estamos no mesmo barco”. “Eu estou no barco. Vocês estão na água”.

A Montanha dos Sete Abutres. (Ace in the HoleThe Big Carnival). Estados Unidos, 1951. Direção: Billy Wilder. Elenco: Kirk Douglas, Jan Sterling, Robert Arthur, Porter Hall, Frank Cady, Richard Benedict. 

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