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A seguir, os meus melhores filmes de 2016, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, como em todo ano, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

O número de filmes em cartaz em João Pessoa explodiu em 2016: foram 258 estreias contra as 163 de 2015 e 164 de 2014. O recorde anterior, desde 2006, ano em que o Boulevard começou a fazer esse acompanhamento, havia sido 165 em 2007. Os motivos determinantes para esse aumento são a inauguração do novo Cine Banguê, que vem servindo filmes que não passam nos demais cinemas, e alguma diversidade no Cinépolis e no Cinespaço.

THE REVENANT

1 – O REGRESSO, de Alejandro González Iñarritu

Iñarritu é um diretor que arrisca muito em suas narrativas, nem sempre com sucesso. Mas quando acerta, entrega coisas belas como este O Regresso, a jornada selvagem e espiritual de um homem em busca de outro que o deixou para morrer, aós ter sido atacado por um urso. A interpretação visceral de Leonardo DiCaprio foi, com toda a justiça, premiada com o Oscar, o Globo de Ouro, o SAG e o Bafta. Crítica no Boulevard

Elle - 03

2 – ELLE, de Paul Verhoeven

Isabelle Huppert matadora, para variar, em um filme desconcertante e doentio – Paul Verhoeven sendo Paul Verhoeven. Isabelle é uma mulher fria e cerebral que é estuprada dentro de casa por um mascarado e lida ao seu modo com a possibilidade de um novo ataque.

Aquarius - 06

3 – AQUARIUS, de Kléber Mendonça Filho

Sônia Braga é a única moradora que restou em um antigo prédio que uma construtora quer demolir. Mas ela luta pelo direito de preservar suas memórias afetivas. Uma bela defesa de que coisas – como discos ou um apartamento – podem não ser apenas “coisas”.

Zootopia - 06

4 – ZOOTOPIA – ESSA CIDADE É O BICHO, de Byron Howard e Rich Moore

No que parecia apenas mais uma sátira de bichinhos se comportando como seres humanos, desenrola-se uma imaginação bem cuidada de como seria essa cidade levando-se em consideração as características dos animais antropomorfizados, uma história policial instigante e uma crítica surpreendente e dura aos preconceitos de quem se acha o mocinho.

Spotlight - 01

5 – SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS, de Tom McCarthy

Com uma história que tinha tudo para mergulhar no melodrama, essa trama que conta a investigação jornalística que expôs o escândalo de pedofilia da Igreja de Boston é contida e precisa em sua narrativa. Crítica no Boulevard

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6 – CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL, de Anthony Russo e Joe Russo

Um filme de super-heróis que reflete sobre si mesmo, sobre o gênero e seus personagens. E coloca os dois personagens principais do universo cinematográfico da Marvel com o peso dramático acumulado em todos estes anos e filmes.

Bruxa - 03

7 – A BRUXA, de Robert Eggers

Famílias isoladas à mercê do sobrenatural não são exatamente uma novidade, mas este filme consegue imprimir um clima opressor e tanto. Crítica no Boulevard

Cinco Gracas - 03

8 – CINCO GRAÇAS, de Deniz Gamze Ergüven

Cinco irmãs jovens e cheias de vida vítimas de um tio que as prende em casa e as obriga a casamentos arranjados. O filme nos leva a procurar tanto quanto elas uma saída.

Filho de Saul - 03

 

9 – FILHO DE SAUL, de Lázló Nemes

Filmado quase todo em close, é uma experiência que nos faz acompanhar de perto o drama pesado e doloroso de um homem que tenta impedir que o filho morto seja incinerado pelo nazistas. Ao menos isso.

ARRIVAL

 

10 – A CHEGADA, de Denis Villeneuve

Uma ficção científica que recusa a pirotecnia e celebra o poder da comunicação. Denis Villeneuve evoca o Spielberg de Contatos Imediatos do Terceiro Grau.

+ 10: A Grande Aposta, de Adam McKay; Deadpool, de Tim Miller; Mia Madre, de Nanni Moretti; Café Society, de Woody Allen; Sully, o Herói do Rio Hudson, de Clint Eastwood; Rogue One – Uma História Star Wars, de Gareth Edwards; Star Trek – Sem Fronteiras, de Justin Lin; Carol, de Todd Haynes; Jogo do Dinheiro, de Jodie Foster; Animais Fantásticos e Onde Habitam, de David Yates.

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MAIS RETROSPECTIVA 2016:

Eleição Melhores do Ano 2016
– 50 filmes não exibidos nos cinemas de JP em 2016

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Moonlight - 02

Coluna Cinemascope (#25). Correio da Paraíba, 8/3/2017

Por que Moonlight venceu

por Renato Félix

Encerrando o Oscar por este ano, acho que vale refletir sobre tendências claras que o prêmio vem mostrando. Por que, quando todos esperavam a vitória de La La Land e o filme tendo ganhado tudo antes e faturando o maior número de prêmios da noite, justo o Oscar de melhor filme foi para Moonlight?

Não tenho os dados da votação, mas é possível traçar algumas hipóteses que vão além da preferência simples por este ou aquele filme (o prêmio estaria bem com qualquer um dos dois). Nos últimos cinco anos, em quatro aconteceu um fenômeno até então meio raro: os prêmios de melhor filme e melhor diretor indo para filmes diferentes.

Não apenas isso, mas o melhor filme sempre terminando com poucos prêmios no total (2 ou 3) e o filme que ficou com melhor diretor levando mais (de 4 a 7). E visivelmente o principal vencedor da noite com um tema socialmente importante (Argo em 2013, 12 Anos de Escravidão em 2014, Spotlight em 2016 e Moonlight) e o melhor diretor foi para um espetáculo visual mais elaborado (As Aventuras de Pi em 2013, Gravidade em 2014, O Regresso em 2016 e La La Land).

Um adicional é a fórmula como é calculado o vencedor. Desde 2009, o eleito para melhor filme não é escolhido da mesma forma das outras categorias (em que se vota em um indicado e quem tem mais votos ganha). Para melhor filme, os acadêmicos elaboram uma lista de preferência, do primeiro a último dos (este ano) nove indicados. Um filme tem que chegar a mais de 50% de primeiros lugares.

Se nenhum consegue, retira-se o filme com menos primeiros lugares e, nessas listas, o segundo vira primeiro. Assim, um filme pode ter mais primeiros lugares no começo e perder, se muitos o colocarem em, digamos, quinto ou sexto lugar. O filme de consenso é privilegiado. E pode ter sido este o cenário em que Moonlight saiu vencedor.

FOTO: Barry Jenkins, diretor de Moonlight – Sob a Luz do Luar, recebe o Oscar de melhor filme

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Moonlight

Jordan Horowitz, produtor de “La La Land”, mostra o cartão que anuncia a vitória de “Moonlight” no Oscar 2017

Coluna Cinemascope (#24). Correio da Paraíba, 1/3/2017

Gafes e suas culpas 

por Renato Félix

Em 1952, Shelley Winters estava tão certa que iria vencer o Oscar de melhor atriz por Um Lugar ao Sol que, quando a vencedora foi anunciada, levantou-se naturalmente e encaminhou-se para o palco. Só quando caiu no corredor depois de agarrada pelo marido Vittoria Gassman é que ouviu dele: “Shelley, é Vivien Leigh”. E, assim, enquanto a atriz britânica recebia seu Oscar por Uma Rua Chamada Pecado, Shelley e Gassman voltavam engatinhando para seus lugares. Culpa de Shelley.

Em 1934, o apresentador Will Rogers abriu o envelope para anunciar o prêmio de melhor direção. “Ora, ora, ora. O que vocês acham? Eu acompanho este rapaz há muito tempo. Eu o vi vir lá de baixo, e quero dizer de baixo. Isso não poderia acontecer a um cara melhor. Suba aqui e pegue-o, Frank!”.

Frank Capra, indicado por Dama por um Dia, levantou-se e começou a andar para o palco. E viu que os holofotes foram para… Frank Lloyd, o outro Frank indicado na categoria, por Cavalgada. “Foi a mais longa, mais triste, mais arrasadora caminhada da minha vida. Todos os meus amigos na mesa estavam chorando”, disse Capra. Culpa de quem? Não de Capra, claro. Culpa de Will Rogers.

No domingo passado, certamente a culpa não foi de Warren Beatty e Faye Dunaway, que apenas leram o que lhes foi dado para ser lido. Ainda assim, Warren sentiu que havia algo errado, mas não conseguiu evitar o constrangimento antes que a colega lesse a informação errada. Eu gostaria de saber quem colocou aquele envelope nas mãos dele. E onde estava o envelope correto naquele momento?

Está aí uma história do Oscar que espero ver contada nos próximos dias.

FOTO: Jordan Horowitz, produtor de La La Land, mostra o cartão que anuncia a vitória de Moonlight no Oscar 2017

ADENDO: Da publicação original desse texto para cá, sabemos bem o que aconteceu, claro.

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88th Oscars®, Academy Awards, Telecast

Chris Rock arrebentou no monólogo de abertura desse Oscar. Não fugiu um segundo da polêmica, atirou para todo o lado (a falta de diversidade que existe mesmo, mas também para quem vê racismo em tudo). Meu amigo Luiz Joaquim, crítico de cinema pernambucano, fez uma bela análise em seu blog. De minha parte, aqui vai a transcrião completa do monólogo:

CHRIS ROCK (após o clipe com cenas dos filmes de destaque no ano passado): “Cara, eu contei pelo menos 15 negros nessa montagem! Estou aqui no Oscar, também conhecido como o Pessoas Brancas Choice Awards.

Você sabe, se eles indicassem os mestres de cerimônia, eu nem conseguiria esse emprego. Então vocês estariam assistindo ao Neil Patrick Harris agora.

Mas esta é o Oscar mais selvagem e mais louco para apresentar, porque temos toda essa polêmica. Não, não há indicados negros, você sabe, e as pessoas ficam dizendo “Chris, você deve boicotar. Chris, você devia cair fora. Você devia cair fora”.

Repare que só desempregados te dizem para sair de alguma coisa, tá sabendo? Ninguém com um emprego nunca te diz para se demitir.

Então, eu pensei em cair fora. Eu pensei nisso pra valer. Mas, eu pensei, eles fariam o Oscar de qualquer jeito. Eles não vão cancelar o Oscar porque eu saí. Entendem? E a última coisa que eu preciso é perder outro emprego para o Kevin Hart, ok?

Eu não preciso disso. Kev, bem ali – Kev faz filmes rápido. Todo mês. Estrelas pornô não fazem filmes tão rápido.

Agora o negócio é o seguinte: por que estamos protestando? A grande questão: por que neste Oscar? Por que neste Oscar, entende?

É o 88º Oscar.É o 88º Oscar, o que significa que toda esta coisa de nenhum indicado negro aconteceu, pelo menos, 71 outras vezes. Ok?

Você tem que entender que isso aconteceu nos anos 1950, nos anos 1960 – você sabe, nos anos 1960, num desses anos, Sidney não colocou um filme na rua. Tenho certeza de que não havia indicados negros em alguns desses anos. Vamos dizer, 1962 ou 1963, e os negros não protestaram.

Por quê? Porque nós tínhamos coisas reais para protestar naquele tempo, tá sabendo? Tínhamos coisas reais para protestar; você sabe, a gente estava muito ocupado sendo estuprado e linchado para se preocupar com quem ganhou melhor fotografia.

Você sabe, quando sua avó está pendurada em uma árvore, é realmente difícil se importar com o melhor curta documentário estrangeiro.

Mas o que aconteceu este ano? O que aconteceu? As pessoas enlouqueceram. Spike ficou puto – ficou puto, e Jada ficou furiosa, e Will ficou louco. Todo mundo ficou puto, sabe?

Jada ficou furiosa! Jada diz que não vem, em protesto. E eu: “Mas ela não faz uma série de TV?

Jada vai boicotar o Oscar… Jada boicotar o Oscar é como eu boicotar a calcinha da Rihanna. Eu não fui convidado.

Oh, esse é um convite em que eu não recusaria.

Mas eu entendo, não estou reclamando. Eu entendo sua fúria. Jada furiosa porque seu homem Will não foi indicado por Um Homem entre Gigantes. Eu entendo, eu entendo.

De verdade. Eu entendo, eu entendo. Você ficou louca – não é justo que Will tenha estado tão bem e não tenha sido indicado.

 

Sim, você está certa. Também não é justo que Will tenha recebido 20 milhões de dólares para As Loucuras de James West, ok?

Essas coisas, você sabe (com o gesto de que se equlibram)… Este ano, o Oscar, as coisas vão ser um pouco diferentes. As coisas vão ser um pouco diferentes no Oscar. Este ano, na parte do In Memoriam, vai ser só pessoas negras que levaram tiros da polícia quando estavam indo pro cinema.

É, é. Eu disse isso. Tá certo?

Ei, se você quiser indicado negros todo ano, precisa apenas ter categorias para negros. Isso é o que você precisa. Você precisa ter categorias negras.

Você já faz isso com homens e mulheres. Pense nisso: não há nenhuma razão real para que haja uma categoria para homem e outra para mulher em atuação.

Qual é? Não há motivo. Não é atletismo.

Você não tem que separá-los. Sabe, o Robert De Niro nunca disse: “É melhor eu ir mais devagar nessa atuação, assim a Meryl Streep pode me alcançar”.

Não, de jeito nenhum, cara! Se você quer negros todo ano no Oscar, apenas tenha categorias negras como o melhor amigo negro.

Está certo. “E a vencedora, pelo 18º ano consecutivo é Wanda Sykes. Este é 18º Oscar Negro da Wanda”.

Mas aqui está a verdadeira questão. A pergunta que todo mundo realmente quer saber, todo mundo no mundo quer saber é: Hollywood é racista? Hollywood é racista?

Você sabe, isso é um … você tem que ir nesse assunto do jeito certo.

É racista de queimar cruzes? Não.

É racista de me-traz-uma-limonada? Não, não, não, não.

É um tipo diferente de racista. Olha, eu lembro de uma noite em que eu estava em um evento para arrecadar fundos para o presidente Obama. Muitos de vocês estavam lá. Eu e toda a Hollywood.

Estávamos todos lá. E tinha cerca de quatro negros lá: eu, hã, vamos ver, Quincy Jones, Russell Simmons, Questlove. Você sabe, os suspeitos de sempre, certo? E cada ator negro que não estava trabalhando.

Desnecessário dizer que Kev Hart não estava lá. Ok? Então, em certo momento você vai tirar uma foto com o presidente, e, você sabe, enquanto eles estão acertando o enquadramento, você consegue ter um momento com o presidente.

Eu disse algo como “Sr. Presidente, está vendo todos esses escritores e produtores e atores? Eles não contratam negros, e eles são os brancos mais legais do mundo! Eles são liberais! Diga ‘x’!”.

Tá certo. Hollywood é racista? Você tem toda a razão: Hollywood é racista. Mas não a racista a que você cresceu acostumado.

Hollywood é um fraternidade de moças racista.

É como “Nós gostamos de você, Rhonda, mas você não é uma Kappa”.

É assim que Hollywood é.

Mas as coisas estão mudando. As coisas estão mudando.

Temos um Rocky negro este ano. Algumas pessoas o chamam de Creed. Eu chamo de “Rocky Negro”.

E isso é uma grande, inacreditável afirmação. Quer dizer, porque Rocky se passa em um mundo onde os atletas brancos são tão bons quanto os atletas negros.

Rocky é um filme de ficção científica. Há coisas que aconteceram em Guerra nas Estrelas, que são mais críveis do que coisas que aconteceram em Rocky, ok?

Mas, ei, nós estamos aqui para honrar atores. Estamos aqui para honrar atores, estamos aqui para honrar filmes.

Há um monte de injustiças, muitas injustiças. Uma das maiores injustiças ninguém está falando: meu ator favorito no mundo é Paul Giamatti.

Paul Giamatti, pra mim, é o maior ator do mundo. Pense sobre o que Paul Giamatti fez nos últimos dois anos.

No ano passado, ele esteve em 12 Anos de Escravidão – ​​odeia pessoas negras. Este ano, ele está em Straight Outta Compton – ama pessoas negras.

Ano passado, ele estava gritando com Lupita; este ano, ele está chorando no funeral de Eazy-E.

Isso é que é versatilidade. Ben Affleck não consegue fazer isso.

O que eu estou tentando dizer é, você sabe, não se trata de boicotar coisa alguma. É só que queremos oportunidade. Queremos que atores negros tenham as mesmas oportunidades que os atores brancos.

É isso aí. Não apenas uma vez. Leo recebe um grande papel todo ano e, você sabe, todo mundo, todos vocês, têm grandes papeis o tempo todo.

Mas o que acontece com os atores negros?

Olha para o Jamie Foxx. Jamie Foxx é um dos melhores atores do mundo, cara. Jamie Foxx estava tão bom em Ray que foram ao hospital e tiraram da tomada os aparelhos do verdadeiro Ray Charles. É como “Nós não precisamos de dois deles!”. Não, cara.

Sabe, nem tudo é sobre raça, cara. Outro grande tema de hoje à noite é – alguém me disse isso – que você não está mais autorizado a perguntar às mulheres o que eles estão vestindo.

Há essa coisa toda, “Pergunte mais coisas a ela. Você tem que perguntar mais”. Você sabe, é como, você pergunta outras coisas aos homens.

Nem tudo é sexismo, nem tudo é racismo.

Eles perguntam mais coisas aos homens porque os homens estão todos vestindo a mesma roupa, ok? Cada cara lá está vestindo exatamente a mesma coisa.

Você sabe, se George Clooney aparecesse com um smoking verde-limão, e um cisne saindo da bunda dele, alguém perguntaria: “O que você está vestindo, George?”

Ei, bem-vindos ao 88º Oscar. É, obrigado.

Você quer diversidade? Temos diversidade: por favor, deem as boas vindas a Emily Blunt e alguém ainda mais branca, Charlize Theron!”.

Veja o vídeo com a abertura legendada aqui.

 

Spotlight

Rachel McAdams, Mark Ruffalo, Brian d’Arcy James, Michael Keaton e John Slattery

por Renato Félix

Muitas vezes as pessoas parecem esperar que um grande filme seja sempre inventivo na sua forma ou grandioso na sua emoção. Mas, na verdade, a grandeza pode estar na sabedoria de adequar sua narrativa ao que o seu conteúdo precisa. É por aí que vai Spotlight – Segredos Revelados, filme que concorre a seis Oscars, incluindo melhor filme.

O diretor Tom McCarthy prefere não inventar muito e dedicar toda a atenção à colocar sua trama no foco principal: o grupo de repórteres do Boston Globe que, no começo dos anos 2000, investiga os recorrentes casos de abusos de crianças por parte de padres, mas principalmente as ações que a Igreja Católica tomou para abafar os escândalos.

O “Spotlight” do título é o nome desse grupo, uma unidade praticamente independente dentro da redação do Globe. Com liberdade e sobretudo tempo para escarafunchar documentos, arquivos e interrogar todas as fontes de que precisam, os personagens de Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams e Brian d’Arcy James vão se surpreendendo com algo que achavam ser alguns episódios isolados.

Um elenco muito bem ajustado, com Mark Ruffalo construindo cuidadosamente um tipo e destaques também para Liev Schreiber e Michael Keaton. Rachel McAdams não está mal, mas sua indicação para o Oscar demonstra, na verdade mais a força do próprio filme com a Academia do que a da sua interpretação isoladamente.

Sóbrio, Spotlight vai driblando a tentação do dramalhão, que surge a cada bater de porta no filme. Embora a natural comparação seja com Todos os Homens do Presidente (1976), o filme (os dois filmes, na verdade) lembra um pouco os trabalhos de Howard Hawks, nos quais o principal motor é que os profissionais devem fazer aquilo que devem fazer.

Há uma diferença importante também: Todos os Homens do Presidente lidava com a corrupção política, algo que não passa nem perto do melodrama; Spotlight lida com um assunto muito mais propenso às lágrimas e personagens perdendo o controle.

McCarthy (que é co-autor da história de Up – Altas Aventuras), pelo jeito, sabe que a história que conta já tem impacto suficiente – horror mesmo – para chocar qualquer um e abdicou de dourar a pílula. É também um elogio ao trabalho duro e de formiguinha do bom jornalismo impresso.

Sem borda - 04 estrelas

Spotlight – Segredos Revelados. Spotlight. EUA, 2015. Direção: Tom McCarthy. Elenco: Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber, Brian d’Arcy James, Stanley Tucci, John Slattery, Billy Crudup.

Regresso-14

por Renato Félix

Pode-se dizer qualquer coisa do mexicano Alejandro González Iñarritu, menos que ele é um diretor acomodado.Desde Amores Brutos (2000), ele sempre foi pautado pela busca em realizar filmes únicos, singulares. Às vezes fica só na pretensão, como em Babel (2006). Mas parece ter achado o ponto, com grandes acertos em seus dois últimos filmes. Ano passado, Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância (2014) ganhou o Oscar de melhor filme. Agora é O Regresso (2015) que vai tentar repetir o prêmio – e é um filme ainda melhor que Birdman.

Iñarritu parte da história real do caçador e explorador Hugh Glass que, em 1823, é brutalmente atacado por um urso, deixado para trás à beira da morte pelos companheiros (principalmente Fitzgerald,  o personagem de Tom Hardy, ótimo), sem suprimentos ou armas, mas sobrevive e atravessa o rigoroso inverno em um longa jornada busca de vingança. Uma história sobre obstinação que já parece inacreditável por si só. Até já havia rendido um filme: Fúria Selvagem (1971), com Richard Harris.

Aqui, o papel é de Leonardo DiCaprio, que dá tudo de si no personagem e mais uma vez entrega um admirável trabalho. Sua atuação foi acrescida de uma série de desafios na composição de Glass – de comer o fígado cru de um bisão sendo vegetariano a aprender a falar duas línguas indígenas, a fazer uma fogueira e técnicas de cura ancestrais. O resultado de seu trabalho está à altura da grandeza do filme, compondo perfeitamente com o que está ao seu redor, sem precisar brigar para não ser sufocado pela produção.

Já são famosas as opções de Iñarritu e do diretor de fotografia (também mexicano) Emmanuel Lubezki de filmar em temperaturas abaixo de zero e de usar só luz natural, o que limitou o tempo de filmagem a algumas horas por dia. A questão é: valeu a pena?

A primeira imagem na floresta já responde. A fotografia é um espanto, meio difusa, mas de longo alcance, valorizada pelos movimentos de câmera intricados e planos-sequência vertiginosos, que certamente não facilitaram nada o trabalho geral. Lubezki deve ganhar seu terceiro Oscar seguido (já levou por Gravidade e Birdman; se vencer de novo, ele será o único diretor de fotografia a conseguir esse tricampeonato na história do prêmio).

Essa combinação evoca Terence Malick e Andrei Tarkovsky, certamente com menos profundidade existencial, mas com uma narrativa mais precisa, firme e contundente. Vale destacar a trilha de Ryuichi Sakamoto, que contribui para a construção de um trabalho em diversos momentos hipnótico. Com ela, esta jornada violenta do homem contra a natureza se torna algo que namora o sublime.

Sem borda - 05 estrelas

O Regresso. The Revenant. Estados Unidos, 2015. Direção: Alejandro González Iñarritu. Elenco: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson. 

por Renato Félix

FILME:

ET-23

E.T., o Extraterrestre, de Steven Spielberg

As outras indicações: Blade Runner – O Caçador de Andróides, de Ridley Scott; Fanny & Alexander, de Ingmar Bergman; Tootsie, de Sydney Pollack; Victor ou Victoria, de Blake Edwards

Quem ganhou, na verdade: Gandhi, de Richard Attenborough

DIREÇÃO:

Fanny e Alexander-07-filmagem

Ingmar Bergman (Fanny & Alexander)

As outras indicações: Ridley Scott (Blade Runner – O Caçador de Andróides); Steven Spielberg (E.T., o Extraterrestre); Sidney Pollack (Tootsie); Blake Edwards (Victor ou Victoria)

Quem ganhou, na verdade: Richard Attenborough (Gandhi)

ATOR:

Tootsie-04

Dustin Hoffman (Tootsie)

As outras indicações: Harrison Ford (Blade Runner – O Caçador de Andróides); Steve Martin (Cliente Morto Não Paga); Gerard Depardieu (Danton – O Processo da Revolução); Ben Kignsley (Gandhi)

Quem ganhou, na verdade: Bem Kingsley (Gandhi)

ATRIZ:

Escolha de Sofia-04

Meryl Streep (A Escolha de Sofia)

As outras indicações: Ewa Fröling (Fanny & Alexander); Jessica Lange (Frances); Jessica Lange (Tootsie); Julie Andrews (Victor ou Victoria)

Quem ganhou, na verdade: Meryl Streeo (A Escolha de Sofia)

ATOR COADJUVANTE:

Blade Runner-05

Rutger Hauer (Blade Runner – O Caçador de Andróides)

As outras indicações: Kevin Kline (A Escolha de Sofia); Sean Penn (Picardias Estudantis); Charles Durning (Tootsie); Robert Preston (Victor ou Victoria)

Quem ganhou, na verdade: Louis Gosset Jr. (A Força do Destino)

ATRIZ COADJUVANTE:

Tootsie-15

Teri Garr (Tootsie)

As outras indicações: Lesley Ann Warren (Victor ou Victoria); Daryl Hannah (Blade Runner – O Caçador de Andróides); Dee Wallace (E.T., o Extraterrestre); Glenn Close (O Mundo Segundo Garp)

Quem ganhou, na verdade: Jessica Lange (Tootsie)

 

CRÉDITOS DE ABERTURA:

Victor ou Victoria

As outras indicações: Conan, o Bárbaro; O Fundo do Coração; O Mundo Segundo Garp; Tootsie

FILME BRASILEIRO DO ANO:

Pra Frente Brasil

Pra Frente, Brasil, de Roberto Farias

ATOR: Steve Carell (Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo); Bradley Cooper (Sniper Americano); Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação); Michael Keaton (Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância); Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo).

Oscar - 03 - melhor ator

Steve Carell concorre por FoxCatcher, produção bem cotada, mas que acabou não indicado a melhor filme. Ele interpreta o milionário John Du Pont, que resolve montar sua própria equipe de atletas olímpicos de luta greco-romana (a trama é baseada em uma história real). Contrata um dos maiores atletas do esporte e seu irmão treinador (interpretados por Chaning Tatum e Mark Ruffalo) e o conflito entre eles se encaminha para a tragédia. Carrell, mais conhecido como comediante, sempre foi bom também no drama. Aqui, ele tem o rosto mudado por próteses e maquiagem e ainda interpreta um personagem esquizofrênico. É sua primeira indicação ao Oscar. Concorreu também ao Globo de Ouro e ao Bafta. Estreou no brasil em 22 de janeiro (continua inédito em João Pessoa).

Bradley Cooper é Chris Kyle, que ficou conhecido como o mais eficiente atirador do exército dos Estados Unidos e cuja vida é tema de Sniper Americano, de Clint Eastwood. É um projeto pessoal dele, que comprou os direitos da histórias e assina também como produtor. Cooper consegue a terceira indicação ao Oscar (as outras duas foram como melhor ator por O Lado Bom da Vida, de 2013, e melhor ator coadjuvante por Trapaça, em 2014). Ele é só o décimo ator na história a conseguir três indicações consecutivas. Mas, das principais premiações, só o Oscar o colocou entre os cinco indicados. Estreia no Brasil no dia 19.

Benedict Cumberbatch interpreta o matemático Alan Turing em O Jogo da Imitação. O ator se destacou na série Sherlock e se tornou um queridinho das produções nerd (já fez Star TrekO Hobbit e será o Doutor Estranho da Marvel) e teve atuação celebrada neste filme inglês baseado na vida de Turing, que ajudou a Inglaterra a desvendar um código secreto nazista, foi fundamental para a ciência da computação e foi processado por ser homossexual. É a primeira indicação de Cumberbatch, que concorreu também ao Globo de Ouro, ao Bafta e ao SAG. O filme está em cartaz no Brasil (incluindo João Pessoa).

Michael Keaton concorre como o ator e diretor Riggan Thomson em Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância. O papel dialoga, não por acaso, com a carreira de Keaton: um ator que fez fama como um super-herói no cinema, mas que, depois disso, decaiu. Agora, Thomson luta como pode para que a peça que está montando na Broadway dê certo e ele recupere seu prestígio, apesar de todas as pressões – familiares, de bastidores e até a ameaça das críticas negativas. Keaton tem sua primeira indicação ao Oscar. Ganhou o Globo de Ouro de ator/ musical ou comédia e foi eleito melhor ator pela National Board of Review. Foi indicado também ao Bafta e ao SAG. O filme está em cartaz no Brasil (mas não em João Pessoa).

E Eddie Redmayne é o favorito, como o físico Stephen Hawking de A Teoria de Tudo. Hawking é tão famoso por seu brilhante trabalho como cientista quanto pela doença degenerativa que o acompanha há muitos anos. Redmayne incorpora Hawking nesse processo e sua atuação tem ganhado os principais prêmios do ano e se consolidado como favorita: já levou o Globo de Ouro de ator/ drama, o SAG e o Bafta. É sua primeira indicação ao Oscar. O filme está em cartaz no Brasil (e também não em João Pessoa).

ATRIZ: Marion Cotillard (Dois Dias, uma Noite); Felicity Jones (A Teoria de Tudo); Julianne Moore (Para Sempre Alice); Rosamund Pike (Garota Exemplar); Reese Witherspoon (Livre)

Oscar - 02 - melhor atriz

Marion Cotillard está indicada pelo filme francês Dois Dias, uma Noite, dos irmãos Dardenne. É um olhar sobre a crise europeia onde Marion é Sandra, uma operária que é demitida depois que seus colegas aceitam um bônus no pagamento em troca de ela ser posta para fora da empresa. Sua única chance de evitar a demissão é convencer, em um fim de semana, os colegas a recusarem o bônus. Ela ganhou o European Film Awards e foi escolhida a melhor atriz do ano pelo Círculo de Críticos de Nova York (mas por O Imigrante). Ela ja ganhou um Oscar (melhor atriz por Piah – Um Hino ao Amor, 2008, também em sua língua original, o francês). Esta é sua segunda indicação. O filme estreia no Brasil esta semana.

Felicity Jones concorre como Jane, esposa do físico Stephen Hawking, em A Teoria de Tudo. É a primeira indicação da atriz inglesa, que fecha as concorrentes também do Screen Actors Guild. Felicity foi a primeira escolha do diretor para o papel da mulher que dá suporte a Hawking, enquanto seu corpo deteriora. Também está indicada ao Bafta. Foi indicada ao Globo de Ouro e SAG, mas perdeu. É sua primeira indicação ao Oscar. O filme estreou no Brasil em 22 de janeiro (ainda não passou em JP).

Julianne Moore é a personagem título de Para Sempre Alice: um professora de linguística, feliz com sua família, que começa a ter esquecimentos e descobre que está com o Mal de Alzheimer. Julianne tirou um mês de folga de Jogos Vorazes – A Esperança: Parte 1 para trabalhar neste filme, que teve 23 dias de filmagem, com as cenas em ordem cronológica. Ela ganhou o Globo de Ouro de atriz/drama e o SAG e foi eleita melhor atriz no National Board of Review. É sua quinta indicação ao Oscar, as anteriores foram por Boogie Nights – Prazer sem Limites (atriz coadjuvante, 1997), Fim de Caso (atriz, 1999), Longe do Paraíso (atriz, 2002), As Horas (atriz coadjuvante, 2002). Caramba, já fazia 12 anos que ela não era indicada! Ela também está indicada ao Bafta. O filme só estreia no Brasil dia 12 de março, depois do Oscar.

Rosamund Pike concorre como Amy, a esposa desaparecida e a quem vamos conhecendo aos poucos em Garota Exemplar, o filme de David Fincher que foi praticamente (e injustamente) ignorado no Oscar. A atriz londrina tem uma interpretação aclamada, digna de uma virada na carreira que até agora havia pouco mais que explorado sua beleza glacial. Ela intepreta a personagem em fases diferentes da vida e ganhou e perdeu peso para isso. É sua primeira indicação ao Oscar – ela concorreu também ao Globo de Ouro e ao SAG, mas Julianne Moore levou tudo. Ela também está indicada ao Bafta (quem sabe em casa?). O filme esteve em cartaz no Brasil em outubro.

E Reese Witherspoon está indicada por Livre, como Cheryl Strayed, que, em 1994, decide trilhar a Pacific Crast Trail (que tem, no total, mais de 4 mil quilômetros através da costa oeste do Canadá e dos EUA) como um meio de se recuperar das tragédias e desvios de sua vida. Curiosamente, a atriz é a produtora de Garota Exemplar e ia interpretar o papel principal, mas foi convencida pelo diretor a declinar. Acabou indicada por Livre. Também concorreu ao SAG e ao Globo de Ouro e é mais uma também indicada ao Bafta. No Oscar, é sua segunda indicação – ganhou a primeira, melhor atriz por Johnny & June (2005). O filme estreou no Brasil em 15 de janeiro, mas não passou em JP.

FILME: Sniper Americano, de Clint Eastwood, produção de Clint Eastwood, Robert Lorenz, Andrew Lazar, Bradley Cooper e Peter Morgan; Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância, de Alejandro González Iñarritu, produção de Alejandro González Iñárritu, John Lesher e James W. Skotchdopole; Boyhood – Da Infância à Juventude, de Richard Linklater, produção de Richard Linklater e Cathleen Sutherland; O Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson, produção de Wes Anderson, Scott Rudin, Steven Rales e Jeremy Dawson; O Jogo da Imitação, de Morten Tyldum, produção de Nora Grossman, Ido Ostrowsky e Teddy Schwarzman; Selma – Uma Luta pela Igualdade, de Ava DuVernay, produção de Christian Colson, Oprah Winfrey, Dede Gardner e Jeremy Kleiner; A Teoria de Tudo, de James Marsh, produção de Tim Bevan, Eric Fellner, Lisa Bruce and Anthony McCarten;Whiplash – Em Busca da Perfeição, de Damien Chazelle, produção de Jason Blum, Helen Estabrook and David Lancaster.

Veja os indicados em todas as categorias aqui.

Oscar - 01 - melhor filme

Sniper Americano é de Clint Eastwood, que já dirigiu dois vencedores da categoria: Os Imperdoáveis (1992) e Menina de Ouro (2004). Agora, ele narra a história de Chris Kyle, apresentado ao espectador como “o mais letal atirador dos EUA”, com roteiro baseado na autobiografia dele. O filme tem seis indicações: filme, ator (Bradley Cooper), roteiro adaptado (Jason Hall), montagem, mixagem de som e edição de som. Estreia no Brasil em 19 de fevereiro.

Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância, do espanhol Alejandro González-Iñarritú, tem Michael Keaton como um ator famoso por interpretar um super-herói e desistiu de voltar para um quarto filme para se reinventar dirigindo uma peça na Broadway. O filme gira em torno da acidentada noite de estreia, onde ele deve lidar com seu passado, sua filha, um ator difícil, um crítico do New York Times. O filme tira proveito da metalinguagem, afinal todo mundo lembra que Michael Keaton foi o Batman nos dois filmes de Tim Burton em 1989 e 1992 e sua carreira não demorou a desandar depois disso. São nove indicações no total: filme, direção, ator (Keaton), ator coadjuvante (Edward Norton), atriz coadjuvante (Emma Stone), roteiro original (Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Jr. e Armando Bo), fotografia (Emmanuel Lubezki), mixagem de som e edição de som. Ganhou o o Producers’ Guild Awards e o Screen Actor’s Guild Awards (de melhor elenco). Estreia no Brasil: quinta (mas não aqui na Paraíba).

Boyhood – Da Infância à Juventude, de Richard Linklater, é uma experiência fílmica: os atores foram filmados ao longo de 11 anos para retratar para valer a passagem do tempo. Anna dos 6 aos 18 (1994), de Nikita Mikhalkov, já havia feito isso como documentário, Truffaut contou história de Antoine Doinel em quatro longas e um curta, de Os Incompreendidos (1959) a O Amor em Fuga (1979), sempre com Jean-Pierre Léaud, os filmes de Harry Potter acompanham o crescimento do elenco. Mas em um filme só e ficcional, com essa repercussão, é inédito. Mas o melhor é que parece que o filme vai bem além da mera experiência. São seis indicações: filme, direção, ator coadjuvante (Ethan Hawke), atriz coadjuvante (Patricia Arquette, favorita), roteiro original (Linklater) e montagem. Ganhou o Globo de Ouro de melhor filme/ drama. O filme estreou no Brasil em 30 de outubro (não passou em João Pessoa, o que é vergonhoso).

O Grande Hotel Budapeste é a nova joia de Wes Anderson. O filme se passa numa Europa imaginária, em um hotel no entre-guerras, onde o conciérge (Ralph Fiennes) e seu novo boy (Tony Revolori) se veem às voltas com uma pintura renascentista roubada e a fortuna de uma família em jogo. Tem todas as qualidades dos melhores filmes de Anderson: seus planos muito particulares e simetricamente rigorosos, aquela mistura de comédia maluca e atmosfera de contos-de-fadas e um elenco impressionante (Willem Dafoe, Saoirse Ronan, Harvey Keitel, Edward Norton, Jude Lawm Bill Murray, Tilda Swinton, Léa Seydoux…). Recebeu nove indicações: filme, direção, roteiro original (Anderson), fotografia (Robert Yeoman), montagem, trilha sonora (Alexandre Desplat), desenho de produção, figurino, maquiagem & penteado. Ganhou o Globo de Ouro de melhor filme/ musical ou comédia. Estreou no Brasil em julho, mas vergonhosamente para os exibidores locais não entrou em cartaz em João Pessoa.

O Jogo da Imitação, do norueguês Morten Tyldum, é uma produção anglo-americana estrelada por Benedict Cumberbatch (superqueridinho da cultura pop atual, indo da excelente série Sherlock ao mais recente Star Trek e à voz do dragão Smaug nos dois últimos O Hobbit). Ele interpreta Alan Turing, matemático que ajudou a decifrar códigos de comunicação dos nazistas numa corrida contra o tempo na II Guerra Mundial. E ainda tem a história de que ele era homossexual em um tempo em que ainda dava cadeia na Grã-Bretanha. É baseado em uma história real. Oito indicações: filme, direção, ator (Cumberbatch), atriz coadjuvante (Keira Knightley), roteiro adaptado (Graham Moore), montagem, trilha sonora (Alexandre Desplat) e desenho de produção. A estreia no Brasil está marcada para quinta, mas aqui em João Pessoa o filme permanece em pré-estreia.

Selma – Uma Luta pela Igualdade, de Ava DuVernay, não é referência a um nome de mulher, mas à cidade do Alabama onde Martin Luther King liderou três marchas importantes na luta pelos direitos humanos, em 1965, enfrentando intimidação e repressão policial. O filme de Ava conta essa história. Se esperava muito, mas o filme foi quase ignorado pelo Oscar, só duas indicações: filme e canção (“Glory”). Estreia no Brasil: 5 de fevereiro.

A Teoria de Tudo, de James Marsh, tem Eddie Redmayne (de Sete Dias com Marilyn e Os Miseráveis) como Stephen Hawking, físico e cosmólogo, um dos mais célebres cientistas do nosso tempo, que convive há anos com a esclerose lateral amiotrófica. O filme é sua cinebiografia. São cinco indicações: filme, ator (Redmayne, se tornando cada vez mais o favorito), atriz (Felicity Jones), roteiro adaptado (Anthony McCarten) e trilha sonora (Jóhann Jóhannsson). Estréia no Brasil: quinta (mas nada ainda em João Pessoa).

Whiplash – Em Busca da Perfeição, de Damien Chazelle, uma história sobre música de um baterista em um conservatório de música, treinado por um professor tirano – tem gente comparando este filme à primeira parte de Nascido para Matar (1987). Recebeu cinco indicações: filme, ator coadjuvante (J.K. Simmons, como o professor, favoritíssimo), roteiro adaptado (Chazelle), montagem e mixagem de som. Ganhou os prêmios de filme dramático do júri e da audiência no Festival de Sundance. Estreou no Brasil dia 8 (aqui em João Pessoa? Nada ainda).

"Birdman" e "O Grande Hotel Budapeste", os filmes com o maior número de indicações: 9

“Birdman” e “O Grande Hotel Budapeste”, os filmes com o maior número de indicações: 9

Confira a seguir todos os indicados ao Oscar 2015, com links para os trailers correspondentes!

FILME: Sniper Americano, de Clint Eastwood, produção de Clint Eastwood, Robert Lorenz, Andrew Lazar, Bradley Cooper e Peter Morgan; Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância, de Alejandro González Iñarritu, produção de Alejandro González Iñárritu, John Lesher e James W. Skotchdopole; Boyhood – Da Infância à Juventude, de Richard Linklater, produção de Richard Linklater e Cathleen Sutherland; O Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson, produção de Wes Anderson, Scott Rudin, Steven Rales e Jeremy Dawson; O Jogo da Imitação, de Morten Tyldum, produção de Nora Grossman, Ido Ostrowsky e Teddy Schwarzman; Selma, de Ava DuVernay, produção de Christian Colson, Oprah Winfrey, Dede Gardner e Jeremy Kleiner; A Teoria de Tudo, de James Marsh, produção de Tim Bevan, Eric Fellner, Lisa Bruce and Anthony McCarten; Whiplash – Em Busca da Perfeição, de Damien Chazelle, produção de Jason Blum, Helen Estabrook and David Lancaster.

DIREÇÃO: Alejandro González Iñárritu (Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância); Richard Linklater (Boyhood – Da Infância à Juventude); Bennett Miller (Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo); Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste); Morten Tyldum (O Jogo da Imitação).

ATOR: Steve Carell (Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo); Bradley Cooper (Sniper Americano); Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação); Michael Keaton (Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância); Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo).

ATRIZ: Marion Cotillard (Dois Dias, uma Noite); Felicity Jones (A Teoria de Tudo); Julianne Moore (Para Sempre Alice); Rosamund Pike (Garota Exemplar); Reese Witherspoon (Livre)

ATOR COADJUVANTE: Robert Duvall (O Juiz); Ethan Hawke (Boyhood – Da Infância à Juventude); Edward Norton (Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância); Mark Ruffalo (Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo); J.K. Simmons (Whiplash – Em Busca da Perfeição).

ATRIZ COADJUVANTE: Patricia Arquette (Boyhood – Da Infância à Juventude); Laura Dern (Livre); Keira Knightley (O Jogo da Imitação); Emma Stone (Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância); Meryl Streep (Caminhos da Floresta)

FILME DE ANIMAÇÃO: Operação Big Hero, de Don Hall e Chris Williams; Os Boxtrolls, de Graham Annable e Anthony Stacchi; Como Treinar o Seu Dragão 2, de Dean DeBlois; Song of the Sea, de Tomm Moore; O Conto da Princesa Kaguya, de Isao Takahata.

FILME DE LÍNGUA NÃO INGLESA: Ida, de Pawel Pawlikowski (Polônia); Leviatã, de Andrey Zvyagintsev (Rússia); Mandariinid (Tangerines), de Zaza Urushadze (Estônia); Timbuktu, de Abderrahmane Sissako (Mauritânia); Relatos Selvagens, de Damián Szifron (Argentina)

DOCUMENTÁRIO: Citizenfour, de Laura Poitras; A Fotografia Oculta de Vivian Maier, de John Maloof e Charlie Siskel; Last Days in Vietnam, de Rory Kennedy; O Sal da Terra, de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado; Virunga, de Orlando von Einsiedel.

ROTEIRO ORIGINAL: Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância, por Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Jr. e Armando Bo; Boyhood – Da Infância à Juventude, por Richard Linklater; Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo, por E. Max Frye e Dan Futterman; O Grande Hotel Budapeste, por Wes Anderson; O Abutre, por Dan Gilroy.

ROTEIRO ADAPTADO: Sniper Americano, por Jason Hall; O Jogo da Imitação, por Graham Moore; Vício Inerente, por Paul Thomas Anderson; A Teoria de Tudo, por Anthony McCarten; Whiplash – Em Busca da Perfeição, por Damien Chazelle.

FOTOGRAFIA: Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância, por Emmanuel Lubezki; O Grande Hotel Budapeste, por Robert Yeoman; Ida, por Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski; Sr. Turner, por Dick Pope; Invencível, por Roger Deakins.

MONTAGEM: Sniper Americano, por Joel Cox e Gary D. Roach; Boyhood – Da Infância à Juventude, por Sandra Adair; O Grande Hotel Budapeste, por Barney Pilling; O Jogo da Imitação, por William Goldenberg; Whiplash – Em Busca da Perfeição, por Tom Cross.

MÚSICA/ TRILHA ORIGINAL: O Grande Hotel Budapeste, por Alexandre Desplat; O Jogo da Imitação, por Alexandre Desplat; Interestelar, por Hans Zimmer; Sr. Turner, por Gary Yershon; A Teoria de Tudo, por Jóhann Jóhannsson.

MÚSICA/ CANÇÃO ORIGINAL: “Everything Is Awesome” (Uma Aventura Lego), de Shawn Patterson; “Glory” (Selma), de John Stephens and Lonnie Lynn; “Grateful” (Além das Luzes), de Diane Warren; “I’m Not Gonna Miss You” (Glen Campbell: I’ll Be Me), de Glen Campbell e Julian Raymond; “Lost Stars” (Mesmo Se Nada Der Certo), de Gregg Alexander and Danielle Brisebois.

DESENHO DE PRODUÇÃO: O Grande Hotel Budapeste, por Adam Stockhausen e Anna Pinnock; O Jogo da Imitação, por Maria Djurkovic e Tatiana Macdonald; Interestelar, por Nathan Crowley  e Gary Fettis; Caminhos da Floresta, por Dennis Gassner e Anna Pinnock; Sr. Turner, por Suzie Davies e Charlotte Watts.

MIXAGEM DE SOM: Sniper Americano, por John Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin; Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância, por Jon Taylor, Frank A. Montaño e Thomas Varga; Interestelar, por Gary A. Rizzo, Gregg Landaker e Mark Weingarten; Invencível, por Jon Taylor, Frank A. Montaño e David Lee; Whiplash – Em Busca da Perfeição, por Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley.

EDIÇÃO DE SOM: Sniper Americano, por Alan Robert Murray e Bub Asman; Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância, por Martin Hernández e Aaron Glascock; O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos, por Brent Burge e Jason Canovas; Interestelar, por Richard King; Invencível, por Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro.

FIGURINO: O Grande Hotel Budapeste, por Milena Canonero; Vício Inerente, por Mark Bridges; Caminhos da Floresta, por Colleen Atwood; Malévola, por Anna B. Sheppard e Jane Clive; Sr. Turner, por Jacqueline Durran.

MAQUIAGEM E PENTEADO: Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo, por Bill Corso e Dennis Liddiard; O Grande Hotel Budapeste, por Frances Hannon e Mark Coulier; Guardiões da Galáxia, por Elizabeth Yianni-Georgiou e David White.

EFEITOS VISUAIS: Capitão América 2 – O Soldado Invernal, por Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill e Dan Sudick; Planeta dos Macacos – O Confronto, por Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett e Erik Winquist; Guardiões da Galáxia, por Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner e Paul Corbould; Interestelar, por Paul Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter e Scott Fisher; X-Men – Dias de um Futuro Esquecido, por Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie e Cameron Waldbauer.

CURTA-METRAGEM: Aya, de Oded Binnun and Mihal Brezis; Boogaloo and Graham, de Michael Lennox; La Lampe au Beurre de Yak, de Wei Hu; Parvaneh, de Talkhon Hamzavi; The Phone Call, de Mat Kirkby.

CURTA-METRAGEM/ DOCUMENTÁRIO: Crisis Hotline: Veterans Press 1, de Ellen Goosenberg Kent; Joanna, de Aneta Kopacz; Nasza Klatwa (Our Curse), de Tomasz Śliwiński; La Parka, de Gabriel Serra Arguello; White Earth, de J. Christian Jensen.

CURTA-METRAGEM/ ANIMAÇÃO: The Bigger Picture, de Daisy Jacobs; The Dam Keeper, de Robert Kondo and Dice Tsutsumi; O Banquete, de Patrick Osborne; Me and My Moulton, de Torill Kove; A Single Life, de Marieke Blaauw, Joris Oprins e Job Roggeveen.

 

 

 

Primo da Roça (Country Cousin, 1936)
Direção: Wilfred Jackson. Produção: Walt Disney.
Vencedor do Oscar de curta de animação de 1937.

A série Silly Symphonies emplaca mais um Oscar. Aqui, o filme começa com a carta em que um primo convida o outro para viver a boa vida da cidade. O do interior aceita o convite e aí vemos que se trata de um ratinho. O que ele encontra na cidade não é, assim, a vida na flauta vendida pelo primo de fraque e cartola, mas que, mesmo bem vestido, ainda tem que driblar o gato para conseguir um pouco de comida. Uma brincadeira com o falso glamour e a vida de aparências que, em Hollywood, já era comum. Não seria surpresa se o curta tiver inspirado Tom & Jerry, que só surgiria em 1940.

http://br.youtube.com/watch?v=3U7adg_yPLM

 

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As vantagens da imperfeição

Hugh Jackman e Anne Hathaway: soluços entre o canto

Hugh Jackman e Anne Hathaway: soluços entre o canto

Por incrível que pareça, talvez seja mais facil alguém que não goste de musicais sair satisfeito do esplendoroso Os Miseráveis (Les Misérables, Reino Unido, 2012) do que do modelo que Hollywood tornou clássico. Em um filme como, digamos, Sinfonia de Paris (1951), os opositores do gênero podem sentir “solavancos” narrativos quando 0 filme passa do dialogo à música e vice versa e não aceitar bem a convivência entre cenas “realistas” e números musicais. Um formato de ópera, como em Os Miseráveis causa uma estranheza nesse publico logo de saída, mas, todo cantado, é capaz de convencê-lo a aceitar essa opção narrativa como “a” realidade proposta pelo filme e se deixar envolver por ela.

Já quem gosta de musicais vai encontrar um dos melhores exemplares do gênero das últimas décadas. O diretor Tom Hooper já tinha definido um estilo visual particular para O Discurso do Rei (2010) e 0 faz de novo em Os Miseráveis. Os principais numeros musicais são filmados em close e em plano-sequência – 0 principal caso é 0 do número “I dreamed I dream”, que rendeu 0 Oscar de coadjuvante para Anne Hathaway. 4 minutos e 41 segundos que valem ouro para um ator.

Como se sabe, Hooper optou por uma estratégia arriscada: não fazer seu elenco gravar as canções antes para, em frente às câmeras, dublá-las, como sempre se faz nos musicais desde que o cinema passou a ser sonoro; ele decidiu fazê-los cantar no set. Com isso, preferiu perder a perfeição técnica do canto em prol de uma emoção mais genuína que ressaltasse a muito dramática história clássica de Vitor Hugo. O resultado são cenas intensas, da combinação da atuação em cima do lance e a orquestração adicionada depois, já se moldando à interpretação dos atores.

No caso, os atores usavam pontos em que ouviam apenas um piano fora de estúdio que servia de guia para que não saíssem do tom. E muitos de seus movimentos também foram improvisados – o primeiro solo de Jean Valjean foi filmado com uma steadicam que seguia o ator Hugh Jackman. Na cena, Valjean acaba de se livrar de voltar para a cadeia por um padre a quem ele tinha roubado, mas que, por misericórdia, negou o roubo aos policiais que o prenderam. Valjean havia passado anos na cadeia por roubar um pão para sua irmã. A partir do solo, onde faz uma dolorida reflexão sobre sua vida, decide recomeçar a vida sob outra identidade. Anos mais tarde, envolve-se com o drama de Fantine, pobre trabahadora empurrada para a prostituição, tendo no encalço o policial Javert (Russell Crowe), para quem Valjean é apenas um criminoso fugitivo.

A ambientação, o passo atrás dado pela França após a Revolução Francesa, é riquíssima, e a expectativa de uma nova revolução está no ar. O drama pessoal de Jean Valjean caminha ao lado da vibração política de jovens estudantes conspirando e aguardando o apoio dos cidadãos parisienses quando o combate começar. Números como “Do you hear the people sing” e “One day more!” (este, lembrando o antológico “Quintet” de Amor, Estranho Amor, de 1961) são muito eloquentes.

A “imperfeição” do canto joga a favor do filme, com a multicelebrada Anne Hathaway ganhando fácil o Oscar (estando na tela por meros 15 minutos), Hugh Jackman na possivelmente melhor interpretação de sua carreira e revelando Elizabeth Barks (ótima como Eponine, seu papel de estreia no cinema, mas que ela interpretou nos palcos) – os três soluçando entre os versos de seus solos. Russell Crowe foi criticado: mas está apenas em um outro registro, eficiente como contraponto ao tom mais operístico dos demais protagonistas. Entre estes, se incluem Amanda Seyfried e Isabelle Allen, como, respectivamente Cosette adulta e criança. Eddie redmayne tem um momento ótio em “Empty chairs at empty tables” e em “Red and black”, em dueto/ duelo com Aaron Tveit. Helena Bonham-Carter e Sacha Baron Cohen respondem pelos momentos mais cômicos, como o casal de estajadeiros que cria (e explora) Cosette.

Ajuda muito, claro, o score de Claude-Michel Schonberg, Alain Boublil and Herbert Kretzmer ser excelente. Uma grande musica é 0 ponto de partida para um grande filme musical. Nos adaptações recentes dos musicais de palco para o cinema, há cada vez mais música. Este, que é todo música, tem mais história que qualquer um deles.

Os Miseráveis. Les Misérables. Reino Unido, 2012. Direção: Tom Hooper. Elenco: Hugh Jackman, Russell Crowe, Anne Hathaway, Amanda Seyfried, Sacha Baron Cohen, Helena Bonham Carter, Eddie Redmayne, Samantha Barks, Daniel Huttlestone, Isabelle Allen.

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Suspensa no vácuo

Sandra Bullock: desconforto físico e uma grande atuação

Sandra Bullock: desconforto físico e uma grande atuação

O prodígio técnico de Gravidade (Gravity, Estados Unidos/ Reino Unido, 2013) é o que se nota à primeira vista: o filme consegue, como nunca antes, mostrar o espaço abolindo as noções de “em cima” e “embaixo”. Isso, em um complexo plano sequência de sete minutos, seguido por outro de cinco, que combinam atores pendurados em cabos e cenário em animação. Mas o impacto visual é só o apoio para um filme que, na verdade, combina suspense com uma metáfora mais ou menos óbvia (mas não por isso menos eficiente) da solidão e de parecer estar em “suspenso no ar” (ou melhor, no vácuo) quanto à própria vida.

A história é centrada na astronauta Ryan Stone (Sandra Bullock), cientista em sua primeira missão espacial, instalando um dispositivo no telescópio Hubble. Mas os detritos de satélites que se chocaram longe dali e que agora estão viajando em alta velocidade chegam ao local onde a equipe dela está e logo só restam Ryan e o veterano Matt Kowalsky (George Clooney).

A dupla à deriva no espaço precisa encontrar uma maneira de voltar para a Terra – e viajar pelo espaço se mostra tão difícil, desconfortável, perigoso e angustiante que atinge em cheio qualquer ilusão de criança quanto ao assunto.

Em boa parte do filme ficamos só com Sandra Bullock, em um monólogo que certamente impressiona. Com todos os efeitos à sua volta, Sandra sustenta o filme ela própria, com um prodígio inclusive físico bastante considerável. Na maior parte do filme, ela esta sustentada por cabos ou erguida como uma marionete para criar a ilusão da gravidade zero. Em com todo esse desconforto, ela entrega uma grande atuação, ajudando decisivamente a que Gravidade seja, na verdade, sobre sua personagem e não sobre os efeitos visuais.

Curtinho, o filme de Alfonso Cuarón não tem “barrigas”: mantém a tensão constante do começo ao fim e nem faz digressões em flashbacks, prólogos ou epílogos. Ele é concentrado com firmeza apenas na história que quer contar, que é a da cientista redescobrindo a própria vida.

Assim como o conceito geral, há momentos metafóricos bem evidentes: Sandra dentro da nave, flutuando em posição fetal após tirar a roupa de astronauta (para quem viu a abertura de Barbarella, vai ser impossível não lembrar do filme com Jane Fonda). A simbologia da água com o útero também é clara, tanto quanto a de “andar com as próprias pernas”.

Na reta final, Gravidade cede à tentação do melodrama e sobe desnecessariamente o tom da música de Steven Price (vencedora do Oscar, assim como outras seis categorias em o filme venceu: direção, fotografia, montagem, mixagem de som, edição de som e feitos visuais). Mas não chega a abalar a grandeza do filme, certamente a grande viagem em que o cinemão hollywoodiano leva o espectador em muito tempo.

Gravidade. Gravity. Estados Unidos/ Reino Unido, 2013. Direção: Alfonso Cuarón. Elenco: Sandra Bullock, George Clooney. Voz: Ed Harris.

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A banalidade do mal

Lupíta Nyong'o, Michael Fassbender e Chiwetel Ejiofor: ser menos do que é

Lupíta Nyong’o, Michael Fassbender e Chiwetel Ejiofor: ser menos do que é

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, Estados Unidos/ Reino Unido, 2013) parte de uma história individual – a de Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), violinista negro na Saratoga de 1841 – para abordar outras mais gerais – os negros livres que eram sequestrados e vendidos como escravos naqueles anos ainda de escravidão legal nos Estados Unidos e, ampliando a lente, o cotidiano da escravidão em si. O filme dirigido por Steve McQueen se esmera em narrar esse mundo e é assustador ao expor a banalidade do mal.

Muito se falou e escreveu da violência física no filme, inclusive com o incrível exagero de enquadrá-las como torture porn. Como se 12 Anos de Escravidão fosse da linha de O Albergue e similares, onde o uso da violência é um componente da diversão. Para começar, a violência física (e há bastante) se alinha à postura que o filme pretende exibir de maneira direta. Por outro lado, não há mais do que em – digamos – A Paixão de Cristo (2004), de Mel Gibson, e em diversos momentos essa violência é dosada, para chocar na medida, mas não demais.

Mas não é mais importante que a rotina de humilhações pelas quais Solomon tem que passar depois que é enganado, dopado e capturado – rotina sobre a qual, tendo nascido livre e vivendo no norte dos Estados Unidos, possivelmente ele era alheio. A nudez coletiva, a submissão obrigatória no tratamento, ser negociado como um animal, a terrível sensação de que não há como ou para onde fugir e a necessidade (para a sobrevivência) de fingir ser menos do que se é.

Esse último aspecto é ensinado a Solomon por Clemens (Chris Chalk), um companheiro de cativeiro logo no começo. E ainda assim, ele aprende a duras penas. Para seu primeiro dono, Ford (Benedict Cumberbatch), ele se esforça em mostrar dons. Ganha a confiança e o respeito do “amo”, mas nem isso o livra de sofrimento e riscos.

Sempre empurrado para ser menos do que é, negando até que saiba ler e escrever e muito menos reivindicando sua situação legal de homem livre, Solomon vai deixando de se comportar como tal. E a narração de McQueen brilhantemente vai nos “acostumando” à situação, assim como acontece com o protagonista. Lá pelo meio do filme, é fácil assisti-lo como um drama sobre escravidão onde o escravo que é o personagem principal sempre foi escravo, e não um homem que sempre viveu livre e está nessa condição.

Nesse sentido, a cena ainda na parte inicial em que o escravo cético que dá dicas a Solomon é salvo por seu dono vai ecoar em um momento chave do final – e também será ela própria melhor compreendida quando estivermos lá. É um dos grandes momentos da ótima narração de McQueen.

Há diversos outros grandes momentos. Como a sequência em que Solomon não aceita a agressão gratuita do feitor Tibeats (Paul Dano) e recebe do capataz a instrução: “Fique aqui. Não fuja ou não poderei defendê-lo”. O tempo de espera em que ele fica sozinho aguardando o dono para a resolução do assunto é esticado ao máximo multiplicando a angústia do personagem que não sabe qual será seu destino.

A essa cena, segue-se a do enforcamento, onde, de novo, o diretor coloca a ação em suspenso por um longo tempo em que o público vê Chiwetel Ejiofor com a corda no pescoço e na ponta dos pés, sem saber se virá ou não alguma ajuda. Enquanto isso, ao fundo, outros escravos lentamente retomam seus afazeres normais enquanto a cena brutal acontece.

Em outro momento, já sob o jugo de Edwin Epps (Michael Fassbender), ele é acusado no meio da noite de tramar uma fuga. Fassbender passa o braço pelos ombros de Ejiofor segurando uma lanterna. E quando sai, o que resta do escravo na tela é sua silhueta contornada pela luz da lanterna por trás, sublinhando sua fragilidade extrema nesse momento.

Lupita Nyong’o, mexicana de nascimento e filha de pais quenianos, ganhou o Oscar de coadjuvante pelo papel de Patsey: a escrava que é a obsessão do dono Epps. Mais uma vez o ensinamento de ser menos do que é: se destacar, aí, leva à ira da mulher de Epps (Sarah Paulson) e, mais além, ao ciúme do próprio Epps. Enquanto Ford está na trama para ponderar a respeito do que é o bem “sob certas circunstâncias”, como é debatido pelos próprios escravos, Epps é, sem dúvida, um exemplo do pior que poderia ser (sem o espírito cartunesco do Django Livre de Tarantino). Ele é capaz de levar os escravos para dentro da casa e fazê-los dançar um minueto só por uma bizarra e extremamente humilhante diversão.

Lupita é mais uma de um grande elenco, onde ainda vale destacar a pequena participação de Paul Giamatti, como um vendedor de escravos que parece estar vendendo cavalos. E o papel de Giamatti é mais um dado de que 12 Anos de Escravidão se esforça para traçar um amplo painel – coisa rara hoje em dia, faz isso sem ser prolixo. Seria fácil levar esse filme às três horas de duração ou mais. Mas McQueen usa o poder da síntese para não ir a mais dos que as 2h14 sem, aparentemente, deixar de abordar nada do que gostaria e tendo espaço para jogar bem com o tempo de cada cena. É um muito digno vencedor do Oscar de melhor filme, mas sua maior vitória é realmente mostrar como é fácil ser mau quando a sociedade diz que está dentro da lei.

12 Anos de Escravidão. 12 Years a Slave. Estados Unidos/ Reino Unido, 2013. Direção: Steve McQueen. Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Lupita Nyong’o, Benedict Cumberbatch, Sarah Paulson, Paul Dano, Paul Giamatti, Brad Pitt, Alfree Woodard, Quvenzhané Wallis.

Estrelas-03 e meia juntas

Melhor na soma das partes

Amy, Cooper, Renner, Bale e Jennifer: o elenco é uma das forças

Amy, Cooper, Renner, Bale e Jennifer: o elenco é uma das forças

Por alguma razão, David O. Russell se tornou o queridinho da Academia. Talvez por seu talento como diretor de atores – este já havia sido o forte de O Vencedor (2010), assim como foi o de O Lado Bom da Vida (2012), e os dois filmes renderam Oscars de atuação. Agora, Trapaça (American Hustle, Estados Unidos, 2013) tem 10 indicações – incluindo as quatro de atuação.

E realmente, de novo, é no elenco bem composto e com muita disposição que está a maior qualidade do filme. Russell faz uma reunião de atores com quem trabalhou recentemente: Christian Bale (Oscar de coadjuvante por O Vencedor), Bradley Cooper (indicado por O Lado Bom da Vida), Amy Adams (indicada a coadjuvante por O Vencedor), Jennifer Lawrence (Oscar por O Lado Bom da Vida), Robert De Niro (indicação a coadjuvante por O Lado Bom da Vida). O novato na turma é Jeremy Renner.

Essa constelação está a serviço de uma trama intrincada, que começa com uma discussão entre os personagens de Bale e Amy (amantes que aplicavam golpes) e Cooper (o agente do FBI que está louco para subir de importância no trabalho e os força a ajudá-lo a dar flagrantes em políticos que aceitam propina). Ali já é jogada a senha de que alguém está enganando alguém. O filme passa então ao flashback narrado ora por Bale, ora por Amy, contando como se conheceram, seu romance, seu acerto nos “negócios” e a entrada de Cooper em cena.

Mas na primeira metade do filme Russell parece mais encantando com a ambientação anos 1970 do que em fazer a história andar. Há um capricho em retratar os interiores, o figurino, os penteados, os modismos, a trilha sonora. O próprio diretor já declarou que os personagens interessam mais a ele que a história, o que explica o esmero em cenas que mostram como eles tentam o tempo todo fingir algo que não são – começando pelo personagem de Bale arrumando os cabelos para debilmente esconder a calvície ou Cooper usando minibobs para gerar os cachinhos.

A trama em si engrena mesmo lá pela segunda metade, onde o elenco também cresce – Bale, consciente ou não, imitando De Niro; Jennifer dublando vorazmente “Live and let die”; Amy Adams mudando de sotaque e mais sexy do que nunca. E a aparição ótima de De Niro.

A trama é inspirada em uma operação real do FBI que contou com a ajuda de um trambiqueiro nos mesmos anos 1970. Mas, partindo do ponto em que Russell não se importa tanto com a história, o que aconteceu de fato é apenas um ponto de partida para a construção e desfile dessa galeria de tipos. Que também é muito boa.

O número de indicações talvez refleita isso: Trapaça parece melhor na soma de suas partes do que no todo.

Trapaça. American Hustle. Estados Unidos, 2013. Direção: David O. Russell. Elenco: Christian Bale, Bradley Cooper, Amy Adams, Jeremy Renner, Jennifer Lawrence, Louis C.K.

Programação dos cinemas em João Pessoa, Campina Grande e Patos, de 24 a 30 de janeiro. Clique no título dos filmes para assistir aos trailers.

ESTREIA:

Blue Jasmine
Estrelas-04 juntasBLUE JASMINE – O filme de Woody Allen demorou dois meses para estrear aqui, mas estreou. É hora de conferir (ou conferir na tela grande) o desempenho brilhante de Cate Blanchett como a socialite que ficou na pior depois que o marido (Alec Baldwin) foi preso e agora tem que morar com a meio-irmã (Sally Hawkins) em San Francisco. Woody explora bem a tragicomédia e é difícil dizer onde começa uma coisa e termina a outra. Também com Bobby Cannavale, Louis C.K., Peter Sarsgaard. Indicado a 3 Oscars: atriz (Cate Blanchett), atriz coadjuvante (Sally Hawkins) e roteiro original. Globo de Ouro de atriz/drama (Cate Blanchett). Cate ganhou também o SAG e o Critics Choice Awards. Duração: 1h38. 14 anos.
João Pessoa: Box Cinépolis Manaíra 8: leg.: 19h15, 21h30. Cinespaço MAG 1: leg.: 19h50, 21h50.

i-frankenstein-hi-res

FRANKENSTEIN – ENTRE ANJOS E DEMÔNIOS – Só faltava essa. O monstro criado pelo Doutor Frankenstein agora é um malhado e muito bem articulado Aaron Eckhart, no meio de uma briga de clãs ancestrais e em uma cidade onde outros monstros aparecem. Quem sabe o Van Helsing de Hugh Jackman também não dá as caras? Baseado em uma história em quadrinhos. Direção de Stuart Beattie. Também com Bill Nighy (que parece que topa tudo), Yvonne Strahovski (da série Chuck), Miranda Otto. Duração: 1h33. 12 anos.
João Pessoa: Box Cinépolis Manaíra 5: 3D: sex. e dom. a qui.: dub.: 13h45; leg.: 17h30, 19h45, 22h; sab.: dub.: 13h45; leg.: 17h30, 19h45. Cinespaço MAG 2: leg.: 14h, 16h, 18h, 20h, 22h. Cinesercla Tambiá 5: dub.: 14h50, 16h50, 18h50, 20h50.
Campina Grande: Cinesercla Boulevard 4: dub.: 14h50, 16h50, 18h50, 20h50.

Lobo de Wall Street-02

O LOBO DE WALL STREET – O mestre Scorsese dá outros dos seus mergulhos no universo alucinado de um personagem. No caso, é a história real de um corretor de Wall Street (Leonardo DiCaprio, indicado ao Oscar e vencedor do Globo de Ouro de ator/ musical ou comédia) que entra de cabeça na roda viva de grana, drogas, sexo e corrupção. Espantosamente, tem causado polêmica nos EUA por causa dos excessos. Esse pessoal esqueceu quem é Scorsese? Também no elenco Jonah Hill (indicado a ator coadjuvante), Matthew McConaughey (em grande fase), Margot Robbie (que fez a malfadada série PanAm), Kyle Chandler (que fez Early Edition), Jean Dujardin (de O Artista), além de Rob Reiner (diretor de Harry & Sally e que não atuava no cinema desde 2003) e Jon Favreau (diretor dos dois primeiros Homem de Ferro). Indicado a 5 Oscars, incluindo filme e direção e roteiro adaptado. Duração: 3h. 16 anos.
João Pessoa: Box Cinépolis Manaíra 2: leg.: 15h, 18h30, 22h10. Box Cinépolis Manaíra 6: sex.: dub.: 13h15; leg.: 16h45; sab. a qui.: dub.: 13h15, 20h15; leg.: 16h45. Box Cinépolis Manaíra 7: leg.: 21h15. Cinespaço MAG 3: leg.: 18h30.

RE-ESTREIA:
Estrelas-04 juntas CAPITÃO PHILLIPS – O diretor Paul Greengrass é ótimo em dar um ar de documentário a seus filmes. Aqui, a trama é real: Tom Hanks é o capitão de um navio comercial que é atacado por piratas somalis na costa da África. A tensão é constante e o filme tem o mérito adicional de não simplificar a questão. Também com Barkhad Abdi (somali de nascimento cuja família fugiu da guerra civil lá quando ele era criança; vive em Minnesota desde os 14 anos e trabalhava como motorista quando foi descoberto para o filme; está indicado a ator coadjuvante), Catherine Keener. Indicado a 6 Oscars, incluindo melhor filme e roteiro adaptado. Duração: 2h14. 14 anos.
João Pessoa: Box Cinépolis Manaíra 6: leg.: sex.: 20h15.

GRAVIDADE – O brilhante filme de Alfonso Cuarón tem muitas qualidades, começando pelo assombro técnico. É o primeiro filme que se passa no espaço que realmente me fez abolir a sensação de “em cima” e “embaixo”. Ele funciona como aventura e também com o subtexto do renascimento de uma pessoa que está “sem chão”. E tem Sandra Bullock, ótima e sustentando o filme sozinha boa parte do tempo como a astronauta iniciante que, por um acidente, fica à deriva no espaço sem fim. Também com George Clooney e a voz de Ed Harris. Indicado a 10 Oscars, incluindo melhor filme, direção, atriz (Sandra Bullock) e fotografia. Globo de Ouro de melhor direção. Duração: 1h30. 12 anos.
João Pessoa: Box Cinépolis Manaíra 5: 3D: leg.: sab.: 22h.

CONTINUAÇÃO:
ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE 2 – A continuação da comédia de 2012, estrelando Leandro Hassum e com Camila Morgado no lugar de Danielle Winits. Agora a família torra seu dinheiro em Las Vegas – e o destaque é uma participação de ninguém menos que Jerry Lewis.
Quinta semana em cartaz. Duração: 1h42. 12 anos.
João Pessoa: Box Cinépolis Manaíra 3: 14h30, 17h15, 19h30, 21h55. Cinespaço MAG 1: 17h50. Cinesercla Tambiá 1: 14h30, 16h30, 18h30, 20h30.
Campina Grande: Cinesercla Boulevard 1: dub.: 14h30, 16h30, 18h30, 20h30.

ATIVIDADE PARANORMAL – MARCADOS PELO MAL – A série sem fim (este ano vai estrear o número 5, sem contar o episódio do Japão) ganhou este derivado em que um vizinho é amaldiçoado após uma tragédia acontecer ao lado. Terceira semana em cartaz. Duração: 1h24. 14 anos.
João Pessoa: Box Cinépolis Manaíra 1: leg.: 20h30. Box Cinépolis Manaíra 3: leg.: 20h. Cinesercla Tambiá 3: dub.: 16h45, 20h45.
Campina Grande: Cinesercla Boulevard 2: dub.: 16h40, 20h40.
Patos: Cine Guedes 1: dub.: 21h10.

CAMINHANDO COM DINOSSAUROS – Lembra daquela série que passava no Fantástico mostrando como deve ter sido a vida dos dinossauros através de animação por computador? Pois é, esta é uma adaptação para o cinema, fazendo dos dinossauros personagens. Segunda semana em cartaz. Duração: 1h27. Livre.
João Pessoa: Box Cinépolis Manaíra 8: dub.: 12h30, 14h45, 17h. Cinesercla Tambiá 6: 3D: dub.: 13h50, 17h15, 20h40.
Campina Grande: Cinesercla Boulevard 5: 3D: dub.: 13h50, 17h15, 20h40.

CONFISSÕES DE ADOLESCENTE – Versão para o cinema do muito bom seriado dos anos 1990, que já era uma versão da peça de Maria Mariana de 1992, um grande sucesso. O diretor e roteirista de Apenas o Fim, Matheus Rocha, atualizou a adolescência das quatro irmãs vivendo todas as questões dessa fase. Direção: Daniel Filho (que também dirigiu a série), Cris d’Amato. No elenco: Sophia Abrahão, Isabella Camero, Clara Tiezzi, Cássio Gabus Mendes, com participação das quatro protagonistas da série: Deborah Secco, Maria Mariana, Georgiana Góes e Daniele Valente. Terceira semana em cartaz. Duração: 1h36. 12 anos.
João Pessoa: Box Cinépolis Manaíra 1: 13h30, 15h45. Cinesercla Tambiá 3: 14h45, 18h45.
Campina Grande: Cinesercla Boulevard 2: 14h40, 18h40.

FROZEN – UMA AVENTURA CONGELANTE – A animação da Disney é baseada no conto de Hans Christian Andersen da rainha da neve que congela seu reino (curiosamente, teve uma animação russa que passou em 2013 nos cinemas de JP que também se baseava nessa história: O Reino Gelado). O filme tem sido muito elogiado e concorre a dois Oscars: Filme de animação (concorre com o novo de Miyazaki) e canção original (“Let it go”). Direção: Chris Buck, Jennifer Lee. Quarta semana em cartaz. Duração: 1h42. Livre.
João Pessoa: Box Cinépolis Manaíra 7: 3D: 13h, 15h30, 18h45. Cinespaço MAG 3: 3D: dub.: 14h10, 16h20. Cinesercla Tambiá 2: dub.: 14h, 16h, 18h, 20h.
Patos: Cine Guedes 2: 3D: dub.: 21h15.

O MENINO E O MUNDO – Animação brasileira de Alê Abreu que ganhou prêmio no Festival de Havana. É super rebuscada, usando técnicas diferentes para a história do menino do campo que vai tentar encontrar o pai na cidade grande. Na dublagem, Emicida, Vinícius Garcia, Naná Vasconcelos. Segunda semana em cartaz. Duração: 1h25. Livre.
João Pessoa: Cinespaço MAG 1: 14h10, 16h.

MUITA CALMA NESSA HORA 2 – É a continuação da comédia (muito ruim) de 2010 sobre quatro amigas e suas desventuras amorosas. Agora, ao invés de Búzios, temos o Rio, mesmo. Andréia Horta, Fernanda Souza, Gianne Albertoni e Débora Lamm repetem a aparição como as quatro amigas. Marcelo Adnet também está no filme, de novo fazendo um mauricinho paulista (melhor coisa do primeiro filme, aliás). Bruno Mazzeo, Heloísa Périssé e Nelson Freitas também comparecem e a direção é de Felipe Joffily, do primeiro filme e de E Aí, Comeu?. Segunda semana em cartaz. Duração: 1h30. 12 anos.
João Pessoa: Box Cinépolis Manaíra 4: 14h15, 16h30, 19h, 21h. Cinespaço MAG 4: 14h, 16h, 18h, 20h, 22h. Cinesercla Tambiá 4: 14h40, 16h40, 18h40, 20h40.
Campina Grande: Cinesercla Boulevard 3: dub.: 14h45, 16h45, 18h45, 20h45.
Patos: Cine Guedes 1: 17h15, 19h15.

Estrelas-02 e meia juntas NINFOMANÍACA – O primeiro filme (ou primeira metade, se quiserem) não diz muito a que veio. Charlotte Gainbourg, ferida, é recolhida da rua por Stellan Skasgard e resolve contar suas aventuras sexuais para provar que não é uma “boa pessoa”. Nos flashbacks, a estreante Stacy Martin (inglesa, 22 anos) fica com o trabalho pesado das variadas cenas de sexo, como a personagem de Charlotte na juventude. Lars von Trier faz graça de propósito muitas vezes e parece estar sempre em um estado de deboche – o que é pouco para dois filmes (ou filme extremamente longo, de cinco horas no total). O elenco ainda tem Shia LaBeouf, Christian Slater, Uma Thurman, Connie Nielsen. Terceira semana em cartaz. Duração: 2h02. 18 anos.
João Pessoa: Cinespaço MAG 3: leg.: 21h50.

TARZAN – A EVOLUÇÃO DA LENDA – Desde o cinema mudo, passando por Johnny Weissmuller, Greystoke e pela animação da Disney, Tarzan nunca ficou muito tempo longe do cinema. Agora, volta em uma animação digital alemã, de Reinhard Klooss. É uma versão modernizada, em que Tarzan, ainda um órfão criado por macacos na selva africana, enfrenta uma companhia de energia. Na dublagem brasileira, as vozes são de José Loreto, Débora Nascimento e o onipresente Alexandre Moreno. Segunda semana em cartaz. Duração: 1h34. Livre.
João Pessoa: Box Cinépolis Manaíra 1: dub.: 18h. Box Cinépolis Manaíra 2: dub.: 12h50. Box Cinépolis Manaíra 5: 3D: dub.: 15h15. Cinesercla Tambiá 6: 3D: dub.: 15h30, 18h55.
Campina Grande: Cinesercla Boulevard 5: 3D: dub.: 15h30, 18h55.
Patos: Cine Guedes 2: 3D: dub.: 17h15, 19h15.

A Flecha do Amor (Who Killed Cock Robin?, 1935)
Direção: David Hand. Produção: Walt Disney.
Indicado ao Oscar de curta de animação de 1936

Mais um título da série Sinfonias Ingênuas que, junto às similares dos outros estúdios, dominaram a premiação nesses primeiros anos da categoria no Oscar. No DVD da série, o próprio Walt Disney aparece explicando que a animação se baseia em versos infantis muito antigos e que acabaram perdendo um pouco o sentido. Aqui, vira um “desenho de tribunal musical”, onde os pássaros tentam descobrir quem matou Cock Robin com uma flechada. A parte mais divertida é a caricatura de Mae West.

Indicado ao Oscar 1936: O Dragão de Chita <<
>> Vencedor do Oscar 1937: Primo da Roça

O Dragão de Chita (The Calico Dragon, 1935)
Direção: Rudolf Ising. Produção: Hugh Harman e Rudolf Ising
Indicado ao Oscar de curta de animação de 1936

Da série Happy Harmonies, da MGM (a Silly Simphonies de lá). Depois que uma menina lê na cama uma história de cavaleiros e dragões, seus bonecos de pano (um homem, um cavalo e um cachorro) resolvem viver suas aventuras. O que faz diferença é a sacada do mundo imaginário retratado como se tudo fosse de pano – desde a água de um rio até o não-tão-terrível-assim dragão de três cabeças (que formam um trio vocal). A maneira como ele cospe fogo é uma delícia de surpreendente e lúdico.

Vencedor do Oscar 1936: Três Gatinhos Órfãos <<
>> Indicado ao Oscar 1936: A Flecha do Amor

No Reino dos Anões (Jolly Little Elves, 1934)
Direção: Manuel Moreno. Produção: Walter Lantz.
Indicado ao Oscar de curta de animação 1935.

Um casal de velhinhos paupérrimos (ele, um sapateiro) divide sua única rosquinha dura com um elfo que bate à sua janela. Depois, sua generosidade é recompensada. Desenho musical na linha Silly Symphonies, produção de Walter Lantz para a Universal. Todo o humor é extraído do contraste do tamanho dos elfos com os objetos. É um típico curta animado dos anos 1930 que, na verdade, envelheceu um bocado.

Vencedor do Oscar 1935: A Tartaruga e a Lebre <<
Como não encontrei no YouTube o outro indicado de 1935, Holiday Land, da Screen Gems, pulamos para…
>> Vencedor do Oscar 1936: Três Gatinhos Órfãos

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