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PROCURANDO NEMO
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 23

Busca frenética

Quinto longa da Pixar, Procurando Nemo ainda não se aventura em dilemas mais ambiciosos os quais a produtora abordaria mais tarde (a morte, o sentido da vida, o fim do mundo, a velhice, o amadurecimento das emoções…). Ainda é um tema básico do amor incondicional entre pai e filho, superando barreiras muito maiores que eles (no caso, dois peixinhos de repente separados pela imensidão do oceano).

Por uma lado também dá para identificar aqui o fio narrativo comum a filmes de ação como Busca Imnplacável, com Liam Neeson, ou Comando para Matar, com Schwarzenegger: pais que enfrentam tudo para salvar o rebento sequestrado.

Mas a narrativa é irresistível, estabelecendo duas situações paralelas que vão se alternando: uma, o filho Nemo tentando uma fuga da prisão com seus novos amigos no aquário; outra, o pai superprotetor e traumatizado Marlin superando seus medos para atravessar o mar em busca do filho. As passagens de um cenário a outro são precisas e mantém a história girando no ponto exato.

Junto a ele, Dory, a peixinha que sofre com perda de memória recente. Como ela, outros coadjuvantes brilham, como a tartaruga hiponga Crush, o pelicano Nigel e o tubarão Bruce, que está no programa de comedores de peixes anônimos. Nemo, com grande visual e simplicidade na ambição, ainda mantém seu charme e encanto intactos.

Onde ver: DVD, blu-ray, Disney +

Finding Nemo, 2003.
Direção: Andrew Stanton. Co-direção: Lee Unkrich. Vozes na dublagem original: Albert Brooks, Ellen DeGeneres, Alexander Gould, Willem Dafoe, Allison Janney, Geoffrey Rush, Eric Bana. Vozes na dublagem brasileira: Julio Chaves, Maira Góes, Gustavo Pereira (dublagem de 2003), Caio Bismarck (redublagem de 2013), Marcio Simões, Guilherme Briggs

20 – UM GATO EM PARIS (Une Vie de Chat)

Uma animação estilosa sobre um gato que se divide entre dois donos: uma menina que é filha de uma delegada de polícia; e um ladrão super habilidoso.
França/ Bélgica. Direção: Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol. Roteiro: Alain Gagnol e Jacques-Rémy Girerd (diálogos). Vozes na dublagem original: Dominique Blanc, Bernadette Lafont, Bruno Salomone. Vozes na dublagem brasileira: Denise Reis, Arlette Montenegro, César Marcheti.

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19 – INCONTROLÁVEL (Unstoppable)

Geralmente exagerado, Tony Scott foi na medida neste ótimo filme de ação sobre dois maquinistas tentando parar um trem desgovernado.
Estados Unidos. Direção: Tony Scott. Roteiro: Mark Bombach. Elenco: Denzel Washington, Chris Pine, Rosario Dawson, Kevin Dunn.

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18 – SENNA (Senna)

Documentário sobre o piloto, que consegue expressar muito bem as rivalidades e velocidade da Fórmula-1.
Reino Unido/ França/ Estados Unidos. Direção: Asif Kapadia. Roteiro: Manish Pandey.

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17 – O PRIMEIRO AMOR (Flipped)

Rob Reiner faz uma espécie de Harry & Sally juvenil: menina e menino nos anos 1960 vivem um relacionamento complicado, que é visto pelo espectador ora na visão dela, ora na visão dele.
Estados Unidos. Direção: Rob Reiner. Elenco: Rob Reiner e Andrew Scheinman, baseado em romance de Wendelin Van Draanen. Elenco: Madeline Carroll, Callan McAuliffe, Rebecca De Mornay, Anthony Edwards, John Mahoney, Penelope Ann Miller, Aidan Quinn.

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16 – COMO TREINAR O SEU DRAGÃO (How to Train Your Dragon)

A animação da DreamWorks é dirigida pelos cineastas de Lilo & Stitch e, embora agora seja um trabalho digital, há bastante aqui do charme do que a dupla havia feito na Disney.
Estados Unidos. Direção: Dean DeBlois e Chris Sanders. Roteiro: William Davies, Dean DeBlois e Chris Sanders, com Adam F. Goldberg (material adicional) e Marc Hyman (colaborador), baseado no livro de Cressida Cowell. Vozes na dublagem original: Jay Baruchel, Gerard Butler, America Ferrera, Jonah Hill, Kristen Wiig, David Tennant. Vozes na dublagem brasileira: Gustavo Pereira, Mauro Ramos, Luisa Palomanes.

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15 – UMA NOITE EM 67

O documentário sobre a espetacular final do Festival de Música Popular Brasileira de 1967 não se afasta do formato entrevistas mais cenas de arquivo. E nem precisava: as cenas da nata da MPB no palco são impressionantes e as curiosas entrevistas nos bastidores são uma delícia de assistir.
Brasil. Direção: Ricardo Calil e Renato Terra.

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14 – NAMORADOS PARA SEMPRE (Blue Valentine)

Apesar do título brasileiro enganoso, o filme é um drama melancólico sobre um amor se desfazendo, apoiado em dois atores ótimos.
Estados Unidos. Direção: Derek Cianfrance. Roteiro: Derek Cianfrance, Joey Curtis e Cami Delavigne. Elenco: Ryan Gosling, Michelle Williams, Faith Wladyka.

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13 – 127 HORAS (127 Hours)

Danny Boyle conta a história de um montanhista que fica preso num canyon e tenta sobreviver do jeito que puder. James Franco segura bem o filme atuando praticamente sozinho o tempo todo.
Estados Unidos/ Reino Unido/ França. Direção: Danny Boyle. Roteiro: Danny Boyle e Simon Beaufoy, baseado no livro de Aron Ralston. Elenco: James Franco, Kate Mara, Amber Tamblyn, Treat Williams.

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12 – ILHA DO MEDO (Shutter Island)

Scorsese adapta o livro de Dennis Lehane, viaja ao filme noir e encontra espaço para citar visualmente o Expressionismo Alemão em geral e O Gabinete do Dr. Caligari em particular. Quem já tem alguma estrada nesse negócio de ver filmes sabe que o mistério que se apresenta não tem muitas opções de conclusão. Mas o diálogo na cena final, que maravilha. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: Martin Scorsese. Roteiro: Laeta Kalogridis, baseado no romance de Dennis Lehane. Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley.

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11 – VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO

Uma experiência curiosa de um road movie onde nunca vemos o protagonista, apenas ouvimos sua voz. Assim, ele vai apresentando e refletindo o interior do Nordeste.
Brasil. Direção: Karim Ainouz e Marcelo Gomes. Narração: Irandhir Santos.

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10 – O DISCURSO DO REI (The King’s Speech)

O rei gago vai tomar aulas de dicção com um professor que não está muito aí para sua realeza. Ele vai precisar ajudar o monarca a fazer um discurso importante incentivando o país na guerra contra os nazistas. Dentro de uma narrativa tradicional, o diretor Hooper tem uma preferência visual interessante por enquadramentos fora do padrão, mas que não “gritam”. Leia mais: crítica.
Reino Unido/ Estados Unidos/ Austrália. Direção: Tom Hooper. Roteiro: David Seidler. Elenco: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Michael Gambon, Guy Pearce, Claire Bloom, Derek Jacobi, Timothy Spall.

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9 – TROPA DE ELITE 2 – O INIMIGO AGORA É OUTRO

O Capitão Nascimento retorna, agora às voltas com as ligações entre política e o crime organizado. O diretor Padilha se queimou depois com a equivocada série O Mecanismo, e um pouco daquele simplismo está aqui, mas o filme questiona um pouco mais e mais claramente o papel de Nascimento, o que é muito bom. Leia mais: crítica.
Brasil. Direção: José Padilha. Roteiro: Bráulio Mantovani e José Padilha, de argumento de Mantovani, Padilha e Rodrigo Pimentel. Elenco: Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Milhem Cortaz, Maria Ribeiro, Seu Jorge, Sandro Rocha, Tainá Muller, André Mattos.

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8 – CÓPIA FIEL (Copie Conforme)

Kiarostami na Itália. Na história do escritor britânico que conhece uma mulher francesa, uma dicussão sobre se a cópia da arte também é arte evolui para os recém-conhecidos se comportando como se fossem casados. O fingimento, se bem vivido, vira uma realidade?
França/ Itália/ Bélgica/ Irã. Direção: Abbas Kiarostami. Roteiro: Abbas Kiarostami, com Caroline Eliacheff (colaboradora). Elenco: Juliette Binoche, William Shimell, Jean-Claude Carrière.

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7 – INCÊNDIOS (Incendies)

Na jornada de um casal de gêmeos pela história da mãe no Líbano, os segredos vão revelando quem era essa mulher. O destino é encontrar o pai que não conhecem e um irmão que não sabiam que existia. O filme lida bem demais com seus segredos e revelações e a vida que se vira no meio da violência.
Canadá/ França. Direção: Denis Villeneuve. Roteiro: Denis Villeneuve, com Valérie Beaugrand-Champagne (colaboradora), baseado na peça de Wajdi Mouawad. Elenco: Lubna Azabal, Mélissa Désormeaux-Poulin, Maxim Gaudette.

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6 – A REDE SOCIAL (The Social Network)

Um filme de tribunal que conta a origem do Facebook e explora a personalidade muito particular de seu fundador, Mark Zuckerberg. Um estudo de personagem, que tem milhões de amigos virtuais, mas não consegue manter nenhum em um nível pessoal. E um final brilhante, que é um pequeno “Rosebud”. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: David Fincher. Roteiro: Aaron Sorkin, baseado no livro de Ben Mezrich. Elenco: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Rashida Jones, Armie Hammer, Rooney Mara, Dakota Johnson, Aaron Sorkin.

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5 – HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 1)

O sétimo filme da franquia é um dos melhores, com o jovem trio de protagonistas em uma busca que os mantém sozinhos boa parte do filme, relações com uma estética nazista acentuando o tom político, um conto narrado em bela animação, emoções mais intensas. É O Império Contra-Ataca da série Harry Potter. Leia mais: crítica.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: David Yates. Roteiro: Steve Kloves, baseado no romance de J.K. Rowling. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Julie Walters, Robbie Coltrane, Helena Bonham Carter, Bonnie Wright, Evana Lynch, Tom Felton, Brendan Gleeson, Timothy Spall, Helen McCrory, Jason Isaacs, Richard Griffiths, Bill Nighy, Rhys Ifans, Fiona Shaw, Michael Gambon, John Hurt, Imelda Staunton. Voz: Toby Jones.

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4 – CISNE NEGRO (Black Swan)

Uma bailarina sob pressão, em uma turbulência psicológica. Aronofsky usa e abusa dos maneirismos para esse mergulho na psiquê de uma artista atormentada por sua arte e por seu lado ‘cisne negro’. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: Darren Aronofsky. Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz e John J. McLaughlin, de argumento de Heinz. Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder.

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3 – TOY STORY 3 (Toy Story 3)

Dez anos depois do segundo filme, o terceiro expandiu um tema que já estava no segundo: brinquedos órfãos de sua criança que cresceu. Isso, combinado com um “filme de prisão”, que leva a uma reta final sensacional, com suspense e lágrimas. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: Lee Unkrich. Roteiro: Michael Arndt, com argumento de John Lasseter, Andrew Stanton e Lee Unkrich. Vozes na dublagem original: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Ned Beatty, Michael Keaton, Jodi Benson, Wallace Shawn, Don Rickles, Estelle Harris, Laurie Metcalf, Timothy Dalton, Bonnie Hunt, Whoopi Goldberg, R. Lee Ermey.

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2 – BRAVURA INDÔMITA (True Grit)

Os irmãos Coen revisitam o faroeste clássico e fazem uma versão melhor que a original, estrelada por John Wayne em 1969. Um road movie do faroeste, com excelentes atuações de Jeff Bridges e Hailee Steinfeld. Ela, em particular, simboliza o espírito do filme: entre o deslumbramento e a descrença dos mitos. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Joel Coen e Ethan Coen, baseado no romance de Charles Portis. Elenco: Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Matt Damon, Josh Brolin.

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1 – A ORIGEM (Inception)

Um filme sobre sonhos dentro de sonhos, misturado com espionagem, vertiginoso nas imagens e na narrativa. Uma equipe em um plano para implantar uma ideia em um sujeito através dos sonhos. Explicações complicadas para não levar muito a sério: um truque engenhoso, delirante e sofisticado. Leia mais: crítica.
Estados Unidos/ Reino Unido. Direção e roteiro: Christopher Nolan. Elenco: Leonardo DiCaprio, Elliot Page, Joseph Gordon Levitt, Marion Cotillard, Michael Caine, Tom Hardy, Ken Watanabe, Cillian Murphy, Tom Berenger, Pete Postlethwaite.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

20 – CARNAVAL NO FOGO

É o filme que estabeleceu o modelo clássico das chanchadas (não sou eu quem digo, é o Sérgio Augusto, no Este Mundo É um Pandeiro), com muita confusão no Copacabana Palace, trocas de identidade, números musicais com artistas do rádio, José Lewgoy de vilãozão, Eliana como a mocinha que dá bordoadas, e, claro, Oscarito e Grande Otelo. Não apenas isso, mas Oscarito e Grande Otelo na antológica cena do balcão de Romeu e Julieta. Otelo estava vivendo uma tragédia indizível: na noite anterior à filmagem da cena, a esposa do ator tinha matado uma filha do casal e se matado. Bebeu sem parar, foi filmar mesmo assim aos bagaços e entregou uma performance antológica.
Brasil. Direção: Watson Macedo. Roteiro: Alinor Azevedo e Watson Macedo, de argumento de Anselmo Duarte. Elenco: Oscarito, Anselmo Duarte, Eliana Macedo, José Lewgoy, Grande Otelo, Adelaide Chiozzo, Wilson Grey, Jece Valadão, Dircinha Batista, Bené Nunes.

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19 – RIO BRAVO ou RIO GRANDE (Rio Grande)

A melhor coisa de John Ford não está em seus filmes sobre cavalaria, mas de novo ele se aproveita do cenário para tratar da relação entre os personagens: um coronel que vê o próprio filho (que ele não vê desde que o rapaz era um bebê) ingressar como soldado em suas fileiras para o difícil combate com os índios, e a mãe do rapaz, que vai lá buscá-lo. O conflito interno entre o dever com a família e o dever com o exército é o cerne do personagem de John Wayne. Além do mais, é o filme que viabilizou o posterior (e maravilhoso) Depois do Vendaval e é o primeiro dos cinco filmes de Wayne com Maureen O’Hara – então a gente tem que agradecer. O título brasileiro é curioso. O Rio Grande do original virou Rio Bravo aqui. Acontece que o rio que é fronteira dos EUA com o México é chamado de Grande do lado americano e Bravo do lado mexicano – e a tradução brasileira optou pelo nome do México. Quando anos depois Hollywood lançou um filme chamado Rio Bravo (Onde Começa o Inferno, aqui), deu-se a confusão. Em DVD, o filme de Ford chegou a sair com o título original: Rio Grande.
Estados Unidos. Direção: John Ford. Roteiro: James Kevin McGuiness, baseado em conto de James Warner Bellah. Elenco: John Wayne, Maureen O’Hara, Ben Johnson, Claude Jarman Jr, Victor McLaglen.

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18 – BONITA E VALENTE (Annie Get Your Gun)

Annie Oakley, atiradora que foi estrela do show de Buffalo Bill no velho oeste e foi adotada pelo chefe índio Touro Sentado, inspirou um musical no teatro produzido por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, com músicas de Irving Berlin, e, depois, este filme da MGM. Judy Garland começou a filmar, mas foi demitida. Busby Berkeley também começou dirigindo e recebeu o bilhete azul. Muita confusão, mas o filme sobrevive com cenas ótimas como “There’s no business like show business” e “Anything you can do, I can do better’.
Estados Unidos. Direção: George Sidney, Busby Berkeley (não creditado). Roteiro: Sidney Sheldon, baseado em peça musical de Herbert Fields e Dorothy Fields. Elenco: Betty Hutton, Howard Keel, Louis Calhern, J. Carrol Naish.

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17 – PÂNICO NAS RUAS (Panic in the Streets)

Inesperada atualidade para esse filme: uma caçada policial a um assassino, mas o motivo principal é que ele está infectado com uma doença e pode contaminar a cidade. Kazan estava ainda nos primeiros anos de sua grande carreira como diretor.
Estados Unidos. Direção: Elia Kazan. Roteiro: Richard Murphy, argumento de Edna Anhalt e Edward Anhalt, e adaptação de Daniel Fuchs. Elenco: Richard Widmark, Paul Douglas, Barbara Bel Geddes, Jack Palance, Zero Mostel.

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16 – ESSE PINGUIM É UMA FRIA (8 Ball Bunny)

“Com licença. Tem algum trocado para ajudar um compatriota americano um pouco sem sorte?”. Azar deu o Pernalonga, ao dar de cara com um pinguim e se comprometer a levá-lo para casa – na Antártida. A viagem rende um dos melhores curtas do coelho, o tempo todo esbarrando no Humphrey Bogart maltrapilho do começo de O Tesouro de Sierra Madre.
Estados Unidos. Direção: Chuck Jones. Roteiro: Michael Maltese. Vozes na dublagem original: Mel Blanc, Dave Barry.

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15 – O MATADOR (The Gunfighter)

A fama de rápido no gatilho pode parecer bacana, mas cobra um preço. É sobre isso este filme, um exemplar do que ficou sendo chamado de faroeste psicológico: um pistoleiro chega a uma cidadezinha e sua mera presença leva turbulência ao lugar. Alguns querem vingança, outros querem fama. Ele não quer briga, só reencontrar a humanidade que já teve e deixou para trás.
Estados Unidos. Direção: Henry King. Roteiro: William Bowers e William Sellers, argumento de William Bowers e André De Toth. Elenco: Gregory Peck, Helen Westcott, Millard Mitchell, Jean Parker, Karl Malden.

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14 – A ILHA DO TESOURO (Treasure Island/ Robert Louis Stevenson’s Treasure Island)

Primeiro filme da Disney totalmente com atores, é uma aventurona que adapta um dos maiores clássicos literários do gênero. E não decepciona: é uma produção bem cuidada, movimentada e até violenta para os padrões de hoje do cinema infanto-juvenil.
Estados Unidos/ Reino Unido. Direção: Byron Haskin. Roteiro: Lawrence Edward Watkin, baseado em romance de Robert Louis Stevenson. Elenco: Bobby Driscoll, Robert Newton, Basil Sidney, Walter Fitzgerald.

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13 – OS ESQUECIDOS (Los Olvidados)

Buñuel começou seu exílio no México com este filme, já uma pedrada na sociedade do país adotivo. Com atmosfera neo-realista, o cineasta espanhol conta a história de garotos marginalizados e a violência ao seu redor sem economizar nas tintas. Pessoas no país não gostaram nada de ver suas mazelas expostas de tal maneira.
México. Direção: Luís Buñuel. Roteiro: Luis Alcoriza e Luís Buñuel. Elenco: Alfonso Mejía, Roberto Cobo, Estela Inda, Miguel Inclán.

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12 – O GAROTO FABULOSO (Gerald McBoing-Boing)

Nem Warner, nem Disney, nem MGM: foi a UPA que surpreendeu e ganhou o Oscar de curta de animação com este primor de grafismo. Baseado na obra do Dr. Seuss, o filme conta a história do garoto que não falava, só dizia ‘boing’.
Estados Unidos. Direção: Robert Cannon. Roteiro: Bill Scott e Phil Eastman, baseado em história de Dr. Seuss. Narração na dublagem original: Marvin Miller.

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11 – WINCHESTER 73 (Winchester 73)

Anthony Mann ajudou a reinventar a carreira de Jimmy Stewart. Consagrado como bom moço, tímido e idealista, aqui ele é durão, amargo e vingativo. Sua carreira também não vinha bem das pernas e esta redefinição veio bem a calhar.
Estados Unidos. Direção: Anthony Mann. Roteiro: Robert L. Richards e Borden Chase, de argumento de Stuart N. Lake. Elenco: James Stewart, Shelley Winters, Dan Duryea, Millard Mitchell.

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10 – O SEGREDO DAS JÓIAS (The Asphalt Jungle)

Um dos grandes filmes de roubo da história. John Huston mostra uma coleção de personagens antes, durante e depois de um muito arquitetado assalto a uma joalheria. De quebra, duas beldades daquelas: Jean Hagen (que dali a dois anos seria a inesquecível Lina Lamont de Cantando na Chuva) e ninguém menos que Marilyn Monroe (em papel pequeno, mas roubando a cena).
Estados Unidos. Direção: John Huston. Roteiro: Ben Maddow e John Huston, baseado em romance de W.R. Burnett. Elenco: Sterling Hayden, Sam Jaffe, Louis Calhern, Jean Hagen, Marilyn Monroe, James Whitmore, Jack Warden, Marc Lawrence.

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9 – NASCIDA ONTEM (Born Yesterday)

Judy Holliday ganhou o Oscar com essa interpretação com a qual já tinha arrasado no teatro: a amante de um político brutalhão e corrupto que deve receber uma aula de etiqueta de um jornalista, mas acaba adquirindo cidadania e o poder de pensar. Holliday conseguiu outro feito raro: foi indicada ao Globo de Ouro a melhor atriz de comédia (que ganhou) e de drama pelo mesmo papel.
Estados Unidos. Direção: George Cukor. Roteiro: Albert Mannheimer, baseado em peça de Garson Kanin. Elenco: Judy Holliday, William Holden, Broderick Crawford, Howard St. John, Frank Otto.

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8 – STROMBOLI (Stromboli, Terra di Dio)

Ingrid Bergman largou o estrelato em Hollywood para fazer filmes neo-realistas na Itália. Foi parar numa ilhota vulcânica primitiva como a mulher linda e sofisticada entre os aldeões brutalizados — um choque cultural inevitável.
Itália/ Estados Unidos. Direção: Roberto Rossellini. Roteiro: Roberto Rossellini, com colaboração de Sergio Amidei, Gian Paolo Callegari, Art Cohn, Renzo Cesana e Félix Morlión. Elenco: Ingrid Bergman, Mario Vitale, Renzo Cesana.

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7 – PATETA NO TRÂNSITO ou MOTORMANIA (Motor Mania)

O Sr. Andante e o Sr. Volante são as duas faces de uma mesma pessoa que é o Dr. Jekyll quando pedestre e vira o Mr. Hyde quando entra no carro. Ainda é a melhor tradução dos humores de boa parte do trânsito em qualquer lugar do mundo. O curta é daquela série da Disney em que todos os personagens são versões do Pateta, numa sátira da sociedade. E este é eterno.
Estados Unidos. Direção: Jack Kinney. Roteiro: Dick Kinney e Milt Schaffer. Vozes na dublagem original: Bob Jackman, John McLeish.

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6 – O COELHO DE SEVILHA (Rabbit of Seville)

O final dos anos 1940 e o começo dos anos 1950 foi a época mais incrível do Pernalonga. Seus dois melhores diretores – Chuck Jones e Friz Freleng – estavam no máximo e deram ao seu astro o melhor material em que trabalhar. Aqui, a eterna perseguição do Hortelino ao coelho invade o palco de uma ópera que está para começar e se desenrola freneticamente ao som da abertura de O Barbeiro de Sevilha.
Estados Unidos. Direção: Chuck Jones. Roteiro: Michael Maltese. Vozes na dublagem original: Mel Blanc, Arthur Q. Bryan.

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5 – CINDERELA ou A GATA BORRALHEIRA (Cinderella)

Em apuros financeiros, a Disney recorreu à fórmula com que fez sucesso em Branca de Neve e os Sete Anões (1937): uma garota oprimida por uma madrasta, bondosa a ponto de conversar com os bichinhos, e que, no fim, vive feliz para sempre com seu príncipe. Com a ajuda de uma fada madrinha, como em Pinóquio (1940). O estilo de conto-de-fadas é cativante, mas o que torna o filme memorável, mesmo, é a animação maravilhosa, em cenas como a de Cinderela esfregando o chão e as bolhas de sabão repetindo sua imagem, ou sua corrida em desespero para a escuridão e saindo ao fundo para o jardim, vista através da grande janela. Para rapidez, o estúdio filmou tudo com uma atriz antes – os desenhistas disseram depois que não gostaram muito disso, e usaram só o que achavam que deviam. No Brasil, o filme foi exibido nos cinemas (na estreia e em reprises até os anos 1990) de A Gata Borralheira.
Estados Unidos. Direção: Wilfred Jackson, Hamilton L. Luske, Clyde Geronimi. Roteiro: Bill Peet, Erdman Penner, Ted Sears, Winston Hibler, Homer Brightman, Harry Reeves, Ken Anderson, Joe Rinaldi, Maurice Rapf (não creditado), Frank Tashlin (não creditado). Vozes originais: Ilene Woods, Eleanor Audley, Verna Felton. Vozes na dublagem brasileira: Simone de Morais, Tina Vita, Olga Nobre, Aloysio de Oliveira.

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4 – MORTALMENTE PERIGOSA (Gun Crazy/ Deadly Is the Female)

17 anos antes de Bonnie & Clyde, o filme, e 16 anos após a morte do casal real de assaltantes de banco, houve Mortalmente Perigosa. Clássico exemplar do filme B: com baixo orçamento, mas muita personalidade e grandes ideias narrativas. Aqui, o fio condutor é o amor bandido entre um atirador e sua esposa que parece gostar demais do crime. Além da tensão sexual e psicológica entre os protagonistas, há cenas como a do assalto a banco, mostrado num plano-sequência. Com a câmera sempre dentro do carro, ela mostra desde a chegada do casal à cidade até a fuga.
Estados Unidos. Direção: Joseph H. Lewis. Roteiro: MacKinlay Kantor e Dalton Trumbo (como Millard Kaufman), com argumento de Kantor. Elenco: Peggy Cummins, John Dall, Berry Kroeger, Anabel Shaw, Harry Lewis

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3 – RASHOMON (Rashomon)

Foi no Festival de Veneza que Rashomon mostrou ao ocidente a qualidade do cinema que se fazia no Japão. A história do samurai e sua esposa surpreendidos por um ladrão na floresta (o que terminou com a morte do marido) é contada quatro vezes, de maneira muito diferente dependendo do ponto de vista de quem conta. A verdade é a contada pela mulher, pelo ladrão, pelo fantasma do morto ou por um observador de fora, que estava passando na hora? Kurosawa disse que Rashomon espelhava a vida, e a vida não tinha sentido.
Japão. Direção: Akira Kurosawa. Roteiro: Akira Kurosawa e Shinobu Hashimoto, baseado em história de Ryunosuke Akutagawa. Elenco: Toshiro Mifune, Machiko Kyo, Masayuki Mori, Takashi Shimura.

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2 – A MALVADA (All About Eve)

Uma atriz está para ser laureada nas primeiras cenas de A Malvada. “Saberemos tudo sobre Eve”, diz o narrador. Então vemos sua aparição quase como uma gatinha escondida num beco chuvoso, uma fã ardorosa que cai nas graças de uma amiga da estrela do teatro, de quem Eve é devota. O que acontece entre um ponto e outro é um dos grandes filmes da história, capitaneado por duas atrizes esplêndidas: Bette Davis e Anne Baxter. Entre os coadjuvantes, a competência de sempre de Celeste Holm, uma brilhante Thelma Ritter, um refinadamente odioso George Sanders e uma iniciante Marilyn Monroe. A bordo de um roteiro que entrega um diálogo antológico após outro. Narrado quase todo o tempo por flashbacks de personagens diferentes, é um mergulho fascinante e duro no mundo do teatro. Ganhou o Oscar de melhor filme e outros cinco, partindo de 14 indicações (recorde até hoje).
Estados Unidos. Direção: Joseph L. Mankiewicz. Roteiro: Joseph L. Mankiewicz, baseado em conto de Mary Orr (não creditada). Elenco: Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders, Celeste Holm, Gary Merrill, Hugh Marlowe, Thelma Ritter, Marilyn Monroe, Gregory Ratoff, Barbara Bates.

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1 – CREPÚSCULO DOS DEUSES (Sunset Blvd.)

“Você é Norma Desmond. Você era grande!”. “Eu SOU grande. Os filmes é que ficaram pequenos”. Billy Wilder deu uma sapatada na cara de Hollywood com essa história tortuosa do roteirista fuleira que se envolve com uma estrela do cinema mudo, aposentada contra a vontade quando os filmes passaram a ser falados. É cheio de piadas internas: Gloria Swanson tinha sido mesmo uma estrela dos filmes mudos, Erich von Stroheim foi um dos grandes diretores dela, Cecil B. De Mille e a colunista Hedda Hopper interpretam a si mesmos, Buster Keaton faz uma ponta. Billy dá um nó tático narrativo desde o começo ao fazer o filme ser narrado por um morto, enche o filme de frases antológicas e o encerra com um dos melhores e terríveis finais já vistos. “Tudo bem, Sr. DeMille, estou pronta para o meu close-up”.
Estados Unidos. Direção: Billy Wilder. Roteiro: Billy Wilder, Charles Brackett e D.M. Marshman Jr. Elenco: William Holden, Gloria Swanson, Erich von Stroheim, Nancy Olson, Fred Clark, Jack Webb, Cecil B. DeMille, Buster Keaton, Hedda Hopper, H.B. Warner.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

Alta Fidelidade

20 — ALTA FIDELIDADE (High Fidelity)

Música e romance sempre andaram juntos e seguem o mesmo ritmo nessa adaptação do romance de Nick Hornby. Narrado em primeira pessoa, comentando canções e fazendo listas, também é uma saudação às lojas dd discos como local de encontros entre as pessoas.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: Stephen Frears. Roteiro: D.V. DeVincentis, Steve Pink, John Cusack e Scott Rosenberg, baseado em livro de Nick Hornby. Elenco: John Cusack, Iben Hjejle, Jack Black, Todd Louiso, Lisa Bonet, Catherine Zeta-Jones, Joan Cusack, Tim Robbins, Lili Taylor, Sara Gilbert, Beverly d’Angelo.

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Catadores e Eu - 01

19 — OS CATADORES E EU (Les Glanuers et la Glaneuse)

Agnès Varda percorre a França para investigar a tradição dos catadores no país. E aborda desde o pessoal que cata as sobras das colheitas, aos que precisam catar lixo para comer e os que pegam o que ninguém quer mais para fazer arte. A diretora belga também faz umas digressões sobre o próprio envelhecimento e o ato de filmar pela primeira vez com uma câmera digital: se detém nas ranhuras das próprias mãos ou nos caminhões na estrada. Nos mantém aos seu lado, batendo papo.
França. Direção e roteiro: Agnès Varda.

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Amores Brutos

18 — AMORES BRUTOS (Amores Perros)

Um rapaz da periferia tenta conseguir uma grana em uma rinha de cachorros, para fugir com a esposa grávida do irmão bandido; uma modelo e atriz famosa que vai finalmente morar junto ao amante vê a vida degringolar após um acidente de carro e ao bizarro sumiço de seu cachorrinho sob o assoalho do apartamento dos sonhos novo; um mendigo que perambula pela cidade na verdade é um assassino profissional lidando com suas próprias perdas. Todas essas histórias se cruzam no intrincado roteiro de Guillermo Arriaga (mas a segunda história é mais fraca que as demais).
México. Direção: Alejandro González Iñárritu. Roteiro: Guillermo Arriaga. Elenco: Gael García Bernal, Emilio Echevarría, Goya Toledo.

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Nova Onda do Imperador

17 — A NOVA ONDA DO IMPERADOR (Emperor’s New Groove)

O longa da Disney parece se inspirar nos curtas de humor alucinado dos Looney Tunes para contar a história do mimado imperador Cuzco, transformado em lhama e que precisa da ajuda de um camponês que ele desprezou. Muito engraçado, com os vilões Izma e Kronk roubando o show e a dublagem brasileira (com Sélton Mello e Marieta Severo) engraçadíssima.
Estados Unidos. Direção: Mark Dindal. Roteiro: David Reynolds, história original de Roger Allers e Matthew Jacobs, história de Chris Williams e Mark Dindal, material adicional de Stephen J. Anderson, Don Hall, John Norton, Doug Frankel, Mark Kennedy e Mark Walton. Vozes na dublagem original: David Spade, John Goodman, Eartha Kitt, Patrick Warburton. Vozes na dublagem brasileira: Sélton Mello, Humberto Martins, Marieta Severo, Guilherme Briggs.

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Erin Brockovich

16 — ERIN BROCKOVICH, UMA MULHER DE TALENTO (Erin Brockovich)

Julia Roberts domina a cena como a personagem real que não e advogada, é uma mulher comum, sem grana ou conhecimentos legais, cheia de problemas, mas que lidera um processo importante contra uma poderosa industria farmacêutica. Soderbergh dá aquele verniz de filme independente, mas o destaque é mesmo a atuação.
Estados Unidos. Direção: Steven Soderbergh. Elenco: Julia Roberts, Albert Finney, Aaron Eckhart, Peter Coyote, Erin Brockovich-Ellis.

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Corpo Fechado

15 — CORPO FECHADO (Unbreakable)

M.Night Shyamalan explora o universo dos super-heróis de quadrinhos, tratando do tema de maneira mais introspectiva e misteriosa. Foi o filme feito logo após O Sexto Sentido e, ainda que já desse para ver que o diretor-roteirista estava ficando prisioneiro do próprio estilo de “surpresa final”, é um filme envolvente de um período em que a cultura das histórias em quadrinhos ainda era raridade na tela.
Estados Unidos. Direção: M. Night Shyamalan. Elenco: Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Robin Wright, Spencer Treat Clark, Charlayne Woodard, M. Night Shyamalan.

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Traffic

14 — TRAFFIC (Traffic)

Soderbergh lançou dois filmes nesse ano e este é o que tinha mais ambições artísticas. Uma ampla trama sobre drogas, que entrelaça várias histórias e aspectos do problema: o trabalho policial; a mulher do traficante que assume o negócio; o juiz que move uma cruzada, mas que descobre que a própria filha é viciada. Cada história numa tonalidade de cor diferente.
Estados Unidos/ Alemanha. Direção: Steven Soderbergh. Elenco: Michael Douglas, Benicio Del Toro, Catherine Zeta-Jones, Don Cheadle, Erika Christensen, Luis Guzmán, Dennis Quaid, Alec Roberts, Miguel Ferrer, James Brolin, Steven Bauer, Amy Irving, Benjamin Bratt, Salma Hayek.

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Nove Rainhas

13 — NOVE RAINHAS (Nueve Reinas)

Todo mundo que já viu um certo número de filmes sabe que, em um filme sobre golpistas, a chance de um dar um golpe no outro é grande. Nove Rainhas lida com essa expectativa, jogando com o espectador o tempo todo. E o carisma de Ricardo Darín é um trufo importante.
Argentina. Direção: Fabián Bielinsky. Elenco: Gastón Pauls, Ricardo Darín, Leticia Brédice, Tomás Fonzi.

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X-Men - O Filme

12 — X-MEN — O FILME (X-Men)

Toda essa onda de filmes de super-heróis começou aqui: com essa adaptação do supergrupo da Marvel, superstars nos quadrinhos e com uma série animada popular na TV. O filme deu muito certo ao situar tudo no mundo “real” (em vez de cenários estilizados) e escalar um elenco carismático. Patrick Stewart como Professor Xavier, e Ian McKellen, como Magneto, emprestam seus status artísticos para as duas forças morais do filme. E Hugh Jackman como Wolverine foi um achado que se provou fundamental. O diretor Bryan Singer ainda soube conduzir bem a questão do preconceito contra os mutantes, o que ajudou este filme a furar a bolha da aventura de quadrinhos só para fãs.
Estados Unidos. Direção: Bryan Singer. Roteiro: David Hayter, história de Tom DeSanto e Bryan Singer, baseado na série de quadrinhos criada por Stan Lee e Jack Kirby. Elenco: Patrick Stewart, Hugh Jackman, Ian McKellen, Anna Paquin, Famke Janssen, James Marsden, Halle Berry, Tyler Mane, Ray Park, Rebecca Romijn-Stamos, Bruce Davison, Stan Lee.

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Malena - 02

11 — MALÈNA (Malèna)

Senhoras e senhores: Monica Bellucci. Uma deusa do cinema, do quilate de outras deusas italianas que viveram no tempo de um cinema mais elegante, Monica é a mulher que passa ondulando por um grupo de adolescentes e vira o sonho impossível de um garoto. Esse garoto assiste ao desenrolar da vida da musa durante a II Guerra na Itália, em meio a uma cidadezinha conservadora hipócrita e de mentalidade miserável. A versão para os EUA, que é a que passou aqui nos cinemas e foi lançada em DVD, foi muito cortada. A original italiana, basicamente, tem mais Monica Bellucci e, principalmente, mais da Monica Bellucci nos delírios eróticos do garoto. Então só poderia mesmo ser ainda melhor.
Itália/ Estados Unidos. Direção e roteiro: Giuseppe Tornatore, história original de Luciano Vincenzoni. Elenco: Monica Bellucci, Giuseppe Sulfaro, Luciano Federico, Matilde Piana.

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Eu Tu Eles

10 — EU, TU, ELES

Nordeste do Brasil e Regina Casé encontra não um, nem dois, mas três pretendentes. Mais do que isso, elas consegue estabelecer uma relação com os três (Lima Duarte, Stênio Garcia e Luiz Carlos Vasconcelos) na mesma casa. Um grande sucesso, de uma época em que o cinema brasileiro ainda estava lutando para ressurgir após a política cultural assassina do governo Collor.
Brasil. Direção: Andrucha Waddington. Roteiro: Elena Soarez. Elenco: Regina Casé, Lima Duarte, Stênio Garcia, Luís Carlos Vasconcelos, Nilda Spencer.

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Requiem para um Sonho

9 — RÉQUIEM PARA UM SONHO (Requiem for a Dream)

Uma paulada que aborda a vida de diversos personagens e o estrago que diversas drogas fazem em suas vidas. O filme proporcionou à grande Ellen Burstyn uma de suas interpretações mais elogiadas e sua sexta indicação ao Oscar. Entre os personagens que estão descendo a ladeira, está a de Jennifer Connelly, protagonizando uma das cenas mais chocantes daquele ano.
Estados Unidos. Direção: Darren Aronofsky. Roteiro: Hubert Selby Jr. e Darren Aronofsky, baseado no livro de Selby Jr. Elenco: Jared Leto, Jennifer Connelly, Ellen Burstyn, Marlon Wayans, Christopher McDonald, Louise Lasser, Marcia Jean Kurtz.

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Coisas Simples da Vida

8 — AS COISAS SIMPLES DA VIDA (Yi Yi)

Um longo épico intimista sobre uma família e os dramas de seus integrantes: quando a avó entra em coma, a filha adolescente se sente culpada e acaba envolvida no namoro da vizinha; o pai reencontra uma namorada do passado; a mãe entra em crise por não ter perspectivas na vida e refugia-se na religião; o tio vive numa confusão financeira e sentimental. Há várias sequências especiais, como o encontro do pai com a ex em Tóquio espelhado no da filha com o ex da amiga em Taipei.
Taiwan/ Japão. Direção e roteiro: Edward Yang. Elenco: Nien-Jen Wu, Kelly Lee, Elaine Jin, Jonathan Chang.  

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Fuga das Galinhas

7 — A FUGA DAS GALINHAS (Chicken Run)

Um Fugindo do Inferno com penas. A animação em stop-motion da britânica Aardman faz uma versâo inusitada do clássico filme de guerra de 1963, com galinhas que tramam uma fuga espetacular de sua granja, que parece um campo nazista de prisioneiros. A animação é impressionante, sem optar por atalhos fáceis, e o roteiro é inteligente e muito divertido.
Reino Unido. Direção: Peter Lord, Nick Park. Roteiro: Karey Kirkpatrick, com diálogos adicionais de Mark Burton e John O’Farrell, história de Peter Lord e Nick Park. Vozes na dublagem original: Julia Sawalha, Mel Gibson, Miranda Richardson, Lynn Ferguson, Imelda Staunton, Timothy Spall. Vozes na dublagem brasileira: Miriam Fischer, Dário de Castro, Nádia Carvalho, Sylvia Salustti. 

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Amnesia

6 — AMNÉSIA (Memento)

O filme com o qual Christopher Nolan estourou é um inteligente quebra-cabeças narrativo. A história de vingança de um homem obcecado em encontrar o sujeito que estuprou e matou sua mulher é contada em dois eixos intercalados: um, em preto-e-branco, o mostra conversando por telefone em um quarto; o outro, a cores, mostra a caçada, mas em sequências que vão voltando no tempo. É que o homem sofre de perda de memória recente. Para dar um pouco dessa sensação ao espectador, a cada três, quatro, cinco minutos, o filme volta para mostrar o que aconteceu antes. Assim, a desorientação vai ganhando sentido e vamos também obtendo informações que o protagonista não tem mais, porque já esqueceu. Entre as cenas a cores, a narrativa em preto-e-branco vai nos dando um pouco mais do contexto. Mas tem mais: essa narrativa é em “V”. Ou seja: as duas linhas narrativas vão se encontrar no final: o desfecho do filme é o meio da história, e traz o motivo pelo qual a sequência de trás para a frente acontece. Para algo tão complicado de explicar, a destreza narrativa faz o filme não perder o sentido.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Christopher Nolan, baseado em conto de Jonathan Nolan. Elenco: Guy Pearce, Carrie-Anne Moss, Joe Pantoliano, Mark Boone Junior, Stephen Tobolowsky.

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Auto da Compadecida

5 — O AUTO DA COMPADECIDA

A minissérie de TV de 1999 ganhou esta versão reduzida para o cinema e fez grande sucesso também na telona. A peça de Ariano Suassuna ganhou muito ao ser filmada no interior da Paraiba, onde efetivamente acontece. O elenco se deu bem demais com isso. O tom teatral de Guel Arraes (que já tinha dirigido o texto no palco) combina e o resultado é tão bom que poderiam ter cortado menos para o cinema.
Brasil. Direção: Guel Arraes. Roteiro: Guel Arraes, Adriana Falcão e João Falcão, baseado em peça de Ariano Suassuna. Elenco: Matheus Natchtergaele, Sélton Mello, Rogério Cardoso, Denise Fraga, Diogo Villela, Virgínia Cavendish, Lima Duarte, Fernanda Montenegro, Marco Nanini, Luís Melo, Maurício Gonçalves, Paulo Goulart, Enrique Diaz, Aramis Trindade.

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Cast Away (2000)Directed by Robert ZemeckisShown: Tom Hanks (as Chuck Noland)

4 — NÁUFRAGO (Cast Away)

Último grande filme de Zemeckis, de uma época em que ele parecia infalível. Tom Hanks leva o filme sozinho em cena parte considerável do tempo, como o funcionário da Fedex que sscapa de um acidente aéreo para se ver em uma ilha deserta. O desempenho de Hanks — com seu personagem conversando com uma bola de vôlei pra não pirar de verdade — é brilhante (perder para Russell Crowe em Gladiador no Oscar do ano seguinte foi uma piada de mau gosto). Todo o segmento de sua volta à civilização é um primor, culminando no ótimo final aberto.
Estados Unidos. Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: William Broyles Jr. Elenco: Tom Hanks, Helen Hunt, Nick Searcy, Chris Noth, Lari White, Geoffrey Blake.

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Quase Famosos

3 — QUASE FAMOSOS (Almost Famous)

Cameron Crowe usou suas memórias de jornalista de música para este conto sobre amadurecimento nos bastidores do rock dos anos 1970. É bonito e é engraçado. Crowe nunca mais fez algo tão bom. Katie Holmes, então — tão linda e promissora que era — nem se fala.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Cameron Crowe. Elenco: Patrick Fugit, Kate Hudson, Billy Crudup, Frances McDormand, Jason Lee, Philip Seymour Hoffman, Fairuza Balk, Noah Taylor, Anna Paquin, Jimmy Fallon.

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Tigre e o Dragão

2 — O TIGRE E O DRAGÃO (Wo Hu Cang Long ou Crouching Tiger, Hidden Dragon)

Após convencer em sua carreira nos EUA, Ang Lee voltou a Taiwan para dirigir este épico de artes marciais, praticamente um filme de super-heróis oriental, temperado com grandes doses de poesia visual —Zhang Ziyi não é uma lutadora treinada, mas usou suas técnicas de dança pra ajudar). Ziyi, Michelle Yeoh e Chow Yun-Fat estão ótimos, fazendo as acrobacias e tudo (os cabos que os içavam foram retirados digitalmente). Um deleite dramático, de aventura e para os olhos.
Taiwan/ Hong Kong/ Estados Unidos/ China. Direção: Ang Lee. Roteiro: Hui-Ling Wang, James Schamus e Kuo Jung Tsai, baseado em livro de Du Lu Wang. Elenco: Chow Yun-Fat, Michelle Yeoh, Zhang Ziyi.

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Amor a Flor da Pele - 03

1 — AMOR À FLOR DA PELE (Fa Yeung Nin Wa ou In the Mood for Love)

Existe um outro filme que Wong Kar-Wai deixou de fora na montagem para dar vida a Amor à Flor da Pele. Tirou o que tinha de mais explícito na relação entre o Sr. Chow (Tony Chiu Wai Leung) e a Sra. Chan (Maggie Cheung) e depurou tudo até não ficar mais claro se há ou não algo para valer entre eles. Seus cônjuges, sim, estão mandando ver numa relação adúltera (e nunca aparecem plenamente em cena — ficaram de fora na montagem). Mas eles, embora estejam muito a fim, andam no fio da navalha entre dar ou não esse passo. O filme brinca com essa expectativa, em diálogos onde parece que a coisa se consumou e, depois, o espectador vê que é um “ensaio” sobre um possível diálogo futuro, ou um exercício de imaginação. E tem todo o charme sessentista, a voz de Nat King Cole cantando em espanhol na trilha, a claustrofobia dos corredores apertados e escadas onde os dois personagens se cruzam…
Hong Kong/ França/ Tailândia. Direção e roteiro: Wong Kar-Wai. Elenco: Maggie Cheung, Tony Leung Chiu Wai, Ping Lam Siu.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS:

Isadore “Friz Freleng” é outro dos grandes diretores do Pernalonga. Ele, para começar, lançou o Eufrazino em 1945 e o usou várias vezes como antagonista do coelho, em diversos cenários (velho oeste, navio pirata, Roma antiga, Inglaterra medieval, deserto do Saara, guerra da independência dos EUA…).

Também foi com Freleng que o coelho ganhou seu único Oscar. Friz ficava entre a elegância da narrativa de Jones e a piração completa de Robert Clampett. São dele também os principais curtas de Frajola e Piu-Piu e também, já fora da Warner, os primeiros e melhores curtas da Pantera Cor-de-Rosa (que ele continuou produzindo depois, mesmo que não mais dirigindo).

Vamos, então, ao melhor de Friz:

Pernalonga - Little Red Riding Rabbit

“Little Red Riding Hood” (1944)

10. LITTLE RED RIDING RABBIT/ UM CHAPEUZINHO VERMELHO DIFERENTE/ CHAPEUZINHO VERMELHO, PERNALONGA E O LOBO MAU (1944)

Mais assemelhado ao Pernalonga de Bob Clampett que ao de Chuck Jones, esta sátira a Chapeuzinho Vermelho é demolidora e não deixa pedra sobre pedra. Começa pela própria Chapeuzinho, uma adolescente chata de galochas, que leva Pernalonga em sua cesta para a vovozinha. O duelo do coelho, claro, será com o lobo, vestido como a velha. É o primeiro curta a creditar mel Blanc como dublador.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 2.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

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Pernalonga - A Hare Grows in Manhattan

“A Hare Grows in Manhattan” (1944)

9. A HARE GROWS IN MANHATTAN/ INFÂNCIA EM MANHATTAN/ TRAPALHADAS DE UM COELHO (1947)

Pernalonga não tem uma origem fixa, graças a Deus. Nesta animação cujo título faz referência ao livro e filme A Tree Grows in Brooklyn, há uma delas. O filme de Elia Kazan, que aqui se chama Laços Humanos, havia saído dois anos deste curta e inspirou o título e a gag final. O astro Pernalonga (o curta começa com um passeio visual pela propriedade suntuosa com piscina, mas cuja casa mesmo ainda é uma toca no chão) conta a uma repórter de fofocas sobre sua infância no East Side, onde é perturbado por uma gangue de cães. A cidade de Nova York é uma bela co-protagonista.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 3.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro

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Stage Door Cartoon

“Stage Door Cartoon” (1944)

8. STAGE DOOR CARTOON/ CAÇADA NO PALCO (1944)

A caçada de Hortelino a Pernalonga vai parar dentro de um teatro onde há um show de vaudeville. Essas apresentações populares de variedades foi tema precioso nos curtas do coelho, o próprio Freleng voltou a ele outras vezes. Dançarinas de can-can, uma apresentação de piano, Shakespeare e até um número de strip-tease estão no programa. E o Pernalonga fazendo Hortelino saltar de um trampolim imenso em um copinho d’água.

Em DVD: Aventuras com a Turma Looney Tunes – Vol. 3.

Trecho no YouTube, com dublagem da Herbert Richers.

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Slick Hare

“Slick Hare” (1947)

7. SLICK HARE/ O COELHO DO DIA/ COELHO SALIENTE (1947)

Agora o confronto entre Pernalonga e Hortelino é num restaurante frequentado por estrelas de Hollywood. O careca é o dono do lugar, Humphrey Bogart exige coelho para o jantar e Pernalonga se vira, entre outras coisas, sambando após uma apresentação de Carmen Miranda. O desenho remete ao clássico Hollywood Steps Out (1941), de Tex Avery, que é todo com caricaturas de estrelas do cinema da época.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 2.

Trecho no YouTube, com o som original.

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Pernalonga - Show Biz Bugs

“Show Biz Bugs” (1957)

6. SHOW BIZ BUGS/ SHOW INFERNAL/ DUELO DE VAIDADES (1957)

Pobre Patolino. No show que divide com Pernalonga no teatro seu nome vem em letras minúsculas, seu camarim é o banheiro e, por mais que faça no palco o mesmo que o coelho ou melhor, só recebe da plateia um silêncio sepulcral ou ocasionalmente um tomate. A disputa entre os dois é ótima: com destaque para os pombos treinados que saem voando ou aquele número de mágica de cortar uma pessoa ao meio para o qual Patolino se oferece para demonstrar a fraude (“O turbante dele também é falso! É uma toalha de banho”).

Em DVD: Aventuras com a Turma Looney Tunes – Vol. 3.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

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Pernalonga - Mutiny on the Bunny-02

“Mutiny on the Bunny” (1950)

5. MUTINY ON THE BUNNY/ O MOTIM (1950)

Eufrazino contrata o coelho como seu único tripulante. Não é o primeiro com o pirata Eufrazino, mas é o melhor, com o começo impactante do marinheiro aos frangalhos fugindo e alertando para a câmera: “Eu já fui um ser humano”. E tem a impagável sequência em que Eufrazino remenda sozinho e seguidas vezes seu navio, só para ele afundar de novo em seguida.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

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Pernalonga - Bugs Bunny Rides Again

“Bugs Bunny Rides Again” (1948)

4. BUGS BUNNY RIDES AGAIN/ PERNALONGA ATACA DE NOVO/ PERNALONGA ATACA OUTRA VEZ (1948)

O oeste é o lar de Eufrazino, onde ele se sente mais à vontade. E este curta alopradíssimo é quase um resumo das piadas possíveis com clichês do gênero. O enredo é simples: Eufrazino aparece na cidade tocando o terror e o Pernalonga aceita enfrentá-lo. A partir daí, o coelho subvertendo a realidade de maneira frenética, cortando o baralho no poquer com um facão ou fazendo um show de vaudeville quando Eufrazino atira em seu pés gritando “Dance!”. Que ritmo tem esse desenho!

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 2.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

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Pernalonga - Big House Bunny

“Big House Bunny” (1950)

3. BIG HOUSE BUNNY/ COELHO NA PRISÃO (1950)

O coitado do Eufrazino não se dá bem nem mesmo quando está do lado certo da lei. Carcereiro em uma prisão, dá o azar de o Pernalonga aparecer lá fugindo de caçadores. Começa prendendo o coelho, quando acha que ele era um preso tentando fugir. A partir daí a sucessão de gags é quase ininterrupta, com destaque para a fuga cujo túnel vai dar em uma selva que se revelam as plantas da sala do diretor da penitenciária. Eufrazino (que originalmente chama-se Yosemite Sam) aqui é chamado de Sam Schultz.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 1.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

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Pernalonga - Bugs and Thugs-03

“Bugs and Thugs” (1954)

2. BUGS AND THUGS/ PERNALONGA E OS BANDIDOS (1954)

O melhor dos curtas em que o coelho contracena com a dupla de gangsters Rocky e Mugsy. Ele vai ao banco sacar uma cenoura de seu cofre e depois pega um taxi, que é na verdade o carro dos dois assaltantes. Ele acaba sendo levado como refém. Visualmente é um desenho belíssimo (como a cena em que Rocky manda Mugsy dar cabo do coelho, vista apenas em silhueta por trás de uma janela no covil dos bandidos), de narrativa ágil, com ótimas piadas e ainda tem essa cena antológica em que Pernalonga convence os bandidos de que a casa está cercada e os esconde no forno enquanto finge ser interrogado do lado de fora (“Eu acenderia o gás se ele estivesse no forno? Eu acenderia este fósforo se eles estivessem no forno?”). Pessoalmente, me rendeu um bordão que sempre uso: “É possível, coelho, é possível…”.

Em DVD: Aventuras com a Turma Looney Tunes – Vol. 2.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

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Antes do primeiro lugar, algumas MENÇÕES HONROSAS: Knighty Knight Bugs/ Cavaleiro Pernalonga (1958), único Oscar vencido por Pernalonga, em uma aventura na Inglaterra medieval; Roman Legion Hare (1955), Pernalonga contra o centurião Eufrazino na Roma antiga; Hare Brush/ Troca de Sorte (1955), com “Eu sou o senhor Elmer, o milionário. Eu tenho uma mansão e um iate”; Ballot Box Bunny/ Pernalonga em Campanha/ Disputa Acirrada (1951), em que Pernalonga e Eufrazino disputam uma eleição; Baseball Bugs/ O Campeão de Beisebol/ Beisebol com Pernalonga (1946), em que Pernalonga sozinho enfrenta um time de brutamontes; Rhapsody Rabbit/ Concerto sem Dó (1946), Pernalonga toca piano e é atrapalhado por um rato.

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Pernalonga - High Diving Hare-03

“High Diving Hare” (1949)

1. HIGH DIVING HARE/ PRATICANDO MERGULHO/ MERGULHO DE ALTO RISCO (1949)

Promotor de um show no velho oeste, Pernalonga entra em apuros quando sua principal atração, Ousadino, que mergulha de um trampolim altíssimo em uma tina d’água, não aparece. Eufrazino, na plateia, força o coelho a fazer o número. Aí começa o duelo de tenacidade dos dois: Eufrazino empurrando o coelho escada acima sob a mira de uma arma, o coelho fazendo com que o enfezado é que caia lá de cima. A cena se repete freneticamente, o coelho sempre dando um jeito engraçadíssimo e enganar o oponente. Até a frase definitiva: “Eu sei que isso desafia a lei da gravidade, mas, sabe, eu nunca estudei leis…”. Um clássico absoluto de Freleng!

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 1.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro

Em 27 de julho de 1940, há exatos 80 anos, as plateias dos cinemas ouviam pela primeira vez a frase “O que é que há, velhinho?”. Era a estreia de O Coelho Selvagem (A Wild Hare) e do Pernalonga, já enfrentando o caçador Hortelino (que abre o desenho com a também clássica “Fiquem bem tietos. Estou taçando toelhos“).

Direção de Tex Avery, roteiro de Rich Hogan, culminando o que vinha sendo desenvolvido em três ou quatro desenhos a partir de 1938 com um coelho protótipo, que só seria o Pernalonga formado realmente em A Wild Hare.

Diferentes diretores foram responsáveis por desenvolver o coelho em sua fase clássica: de 1940 a 1964, 24 anos e 178 cartoons. Avery, Robert Clampett, Friz Freleng, Chuck Jones e Robert McKimson foram os principais. Esta semana, vou fazer quatro top 10 para cada diretor (vou combinar Avery e Clampett porque dirigiram menos em quantidade).

Começando por Chuck Jones.

Jones, pra mim, é o maior. Um gênio da narrativa cômica, ele evolui de maneira impressionante durante seus anos na Warner. É visível a diferença entre seus desenhos dos anos 1940, mas próximo do estilo alucinado de seus colegas, e os dois anos 1950, quando os cenários vão ficando cada vez mais estilizados e ele desenvolve um humor que surge da economia de movimentos.

Não por limitação de grana ou pressa, como seria mais tarde com Hanna-Barbera na TV, mas para realçar expressões e movimentos específicos. Ele levaria esse estilo para sua ótima série de Tom & Jerry, que faria na MGM nos anos 1960.

Além do Pernalonga, ele era responsável na Warner pelos curtas do Papa-Léguas e do Pepe le Gambá e criou clássicos absolutos que nem tinham personagens famosos e recorrentes, como Sapo da Sorte (One Froggy Evening), aquele do sapo cantor.

Vamos a seu incrível top 10:

Pernalonga - Operation Rabbit

“Operation: Rabbit” (1952)

10. OPERATION: RABBIT/ OPERAÇÃO: COELHO (1952)

O coiote, que aqui se apresenta como “Willie E. Coyote, gênio”, só havia aparecido uma vez no então único desenho do Papa-Léguas (Fast and Furry-ous, 1949). Três anos depois, Jones reutilizou o personagem pela primeira vez tendo como alvo, agora, o coelho, e dando a ele uma voz. O coiote, cheio de si, se apresenta ao Pernalonga já no começo, levando sua própria porta. A dupla contracenou outras quatro vezes, mas esta aqui é a que marcou.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

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Pernalonga - Haredevil Hare-02

“Haredevil Hare” (1948)

9. HAREDEVIL HARE/ PERNALONGA NA LUA/ COELHO HERÓICO/ COELHO ESPACIAL (1948)

Pernalonga conhece um novo rival: Marvin, o Marciano (aqui, ainda sem nome). O começo já é ótimo, com o coelho sendo lançado em pânico ao espaço pela Nasa. Em Marte, ele conhece o sujeitinho que quer explodir a Terra porque “está atrapalhando sua vista de Vênus”.

Em DVD: Aventuras com a Turma Looney Tunes – Volume 1.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro

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Pernalonga - Beanstalk Bunny-13

“Beanstalk Bunny” (1955)

8. BEANSTALK BUNNY/ O COELHO E O PÉ DE FEIJÃO (1955)

Em 1951, Jones e o roteirista Michael Maltese tiveram a ideia genial de juntar Pernalonga, Patolino e Hortelino num mesmo desenho. Aqui, a ambientação já não é o “temporada de coelho versus temporada de pato”. Agora, o pato é o João do pé-de-feijão e a planta cresce a partir dos feijões mágicos que ele joga desavisadamente na toca do sonolento coelho. Hortelino é o gigante. Há diálogos maravilhosos (“É mentira! Meu nome é Aloísio! Ele é o João: João Coelho”), grande ritmo, humor visual de primeira (para fugir de uma redoma com um cortador de vidro, a dupla corta suas exatas silhuetas).

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro

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Pernalonga - Rabbit Seasoning

“Rabbit Seasoning” (1952)

7. RABBIT SEASONING/ TEMPORADA DE CAÇA/ CAÇA AO PATO (1952)

Segundo da melhor trilogia da história do cinema: a Trilogia da Caça (dirigida por Jones e escrita por Michael Maltese). Este é aquele do “Vai atirar nele agora ou vai esperar até chegar em casa?”. Em termos de ritmo de comédia, é tão bom quanto o primeiro, Rabbit Fire (1951). E o terceiro, Duck! Rabbit! Duck! (1953) não fica atrás. Na eleição de 50 melhores cartoons, a partir de uma votação entre mil animadores, ficou em 30º lugar.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Volume 1.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro

O desenho dublado por mim

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Pernalonga - Rabbit Hood-03

“Rabbit Hood” (1949)

6. RABBIT HOOD/ PERNALONGA HOOD/ COELHO HOOD/ PERNALONGA EM SHERWOOD (1949)

Pernalonga ataca o canteiro real de cenouras e tem que se ver com o Xerife de Nottingham. Mas João Pequeno aparece ao longo do episódio anunciando solenemente: “Não se aflija! Não tema! Porque Robin Hood não tarda a chegar!”. Não que o coelho precise: ele vende o terreno ao xerife (que só cai em si quando já está erguendo a casa) e, fingindo ser o rei, ele destroça o xerife enquanto o sagra cavaleiro seguidas vezes em mais uma sequência antológica (“Levante Sir Royal do Bife! Levante Cavaleiro da Abóbora! Levante, seu cavaleiro idiota!”)..

Trecho no YouTube, com a dublagem da Cinecastro

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Whats Opera Doc

“What’s Opera, Doc?” (1957)

5. WHAT’S OPERA, DOC?/ QUE ÓPERA, VELHINHO?/ VAI DE ÓPERA, VELHINHO? (1957)

Na já mencionada eleição com mil animadores, este ficou com o primeiríssimo lugar. Não é difícil imaginar os motivos. É ousado ao ser narrado do início ao fim tirando sarro da linguagem operística wagneriana (arranjo de Milt Franklyn), com direito a final trágico (“O que vocês queriam de uma ópera?”, pergunta o Pernalonga no desfecho). Tem desempenhos vocais extraordinários de Mel Blanc e Arthur Q. Bryan. E o estupendo visual gráfico estilizado que Chuck Jones imprimiu em seus desenhos do coelho (layouts de Maurice Noble) a partir de meados dos anos 1950, com seu estilo de animação particular, que tira o humor da economia de movimentos. Uma beleza!

Em DVD: Aventuras com a Turma Looney Tunes – Volume 3.

Trecho no YouTube, com dublagem da Herbert Richers.

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Pernalonga - Bully for Bugs

“Bully for Bugs” (1953)

4. BULLY FOR BUGS/ COELHO TOUREIRO/ PERNALONGA, O TOUREIRO (1953)

Colocar o herói como toureiro foi um expediente muito usado nas animações clássicas. Nenhum se saiu tão bem quanto o Pernalonga, que foi parar em uma arena ao tomar o caminho errado para um festival de cenouras (“Eu sabia que devia ter virado à esquerda em Albuquerque”). O olhar assassino do touro torna o duelo memorável, assim como as artimanhas do coelho para iludi-lo (como aproveitar uma dança para estapear o bicho).

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Volume 1.

Trecho no YouTube, com o som original

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Bugs Bunny

“Long-Haired Hare” (1949)

3. LONG-HAIRED HARE/ MAESTRO PERNALONGA (1949)

Um dos maiores momentos da comédia em todos os tempos, entre animações e seres humanos: a imitação que Pernalonga faz do maestro Leopold Stokowski, regendo o tenor Giovanni Jones, com quem tem uma rusga em pleno recital do sujeito no Hollywood Bowl. Tudo começa porque o ensaio de Jones é atrapalhado seguidas vezes pelo coelho, atacando “Raining night at Rio” no banjo, depois tocando harpa e uma tuba.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Volume 1.

Trecho no YouTube, com o som original

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Pernalonga - Rabbit of Seville-02

“Rabbit of Seville” (1950)

2. RABBIT OF SEVILLE/ O COELHO DE SEVILHA (1950)

Em sua eterna perseguição, Pernalonga e Hortelino vão parar no palco de uma ópera que está para começar. Quando a cortina sobe e a orquestra ataca, a confusão se dá ao som da abertura de O Barbeiro de Sevilha. A dupla transforma esse trecho inicial da obra-prima de Rossini em uma ópera à parte, cantada e subvertida por eles. Cada piada é melhor que a outra, num exemplo magnífico da conjunção entre música e animação.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Volume 1.

Trecho no YouTube, com o som original.

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Antes do primeiro lugar, algumas MENÇÕES HONROSAS: Duck! Rabbit! Duck! (1953), terceiro da Trilogia da Caça; Ali-Baba Bunny (1957), com Pernalonga e Patolino na caverna de tesouros de Ali Babá; Water, Water Every Hare (1946), com o monstro cabeludo depois conhecido como Gossamer; Baby Buggy Bunny (1954), em que Pernalonga adota um bebê sem saber que é um gangster; Mississipi Hare (1949), “Eu tenho cinco ases, filho”, “Eu tenho só seis ases, filho”; 8 Ball Bunny (1950), em que Pernalonga atravessa o mundo para levar um pinguim à Antártida e esbarra com Humphrey Bogart, “um semelhante americano um pouco sem sorte”; Rabbit Punch (1950), no mundo do boxe; Baton Bunny (1959), onde o coelho é um maestro.

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Rabbit Fire

“Rabbit Fire” (1951)

1. RABBIT FIRE/ TEMPORADA DE CAÇA (1951)

O primeiro da Trilogia da Caça marcou a primeira vez em que Pernalonga e Patolino contracenam. Até então duas estrelas da Warner com suas próprias séries de curtas, o coelho e o pato combinaram de maneira espantosa. Jones e Maltese redefiniram aqui a personalidade do Patolino, que deixava de ser o pato maluquete do começo da carreira para se tornar mais sofisticado e complexo: vaidoso, ganancioso, egoísta, vingativo e se achando mais esperto do que de fato é. Os diálogos são brilhantes, partindo, claro, da cena “Duck season! Rabbit season!”. Um show particular do dublador Mel Blanc, que fazia as vozes tanto do coelho quanto do pato.

Em DVD: Aventuras com Patolino e Gaguinho.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

Trecho no YouTube, com dublagem da Herbert Richers.

O desenho dublado por mim.

20 — O PÁSSARO AZUL (The Blue Bird)

A Metro quis Shirley Temple para estrelar O Mágico de Oz em 1939, e não conseguiu. A Fox, então, resolveu colocar a estrela mirim em sua própria aventura encantada. Já aos 12 anos, Shirley já não é mais tão novinha e faz um papel antipático. Não é Oz, longe disso, mas o filme marcou uma geração.
Estados Unidos. Direção: Walter Lang. Roteiro: Ernest Pacal, com Walter Bullocm (diálogos adicionais), baseado em peça de Maurice Maeterlinck. Elenco: Shirley Temple, Spring Byington, Nigel Bruce, Gale Sodeengard.

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19 — A VOLTA DE FRANK JAMES (The Return of Frank James)

O filme fantasia os eventos que teriam acontecido após o assassinato do lendário Jesse James, pelas costas, por homens de seu bando. O irmão Frank sai de seu esconderijo para vingar a morte. É uma continuação de Jesse James (1939), inclusive abrindo com a cena da morte do filme anterior, e vários atores reprisando seus papéis, inclusive Henry Fonda. Lang, bem ajustado aos filmes B americanos, está bem longe de seus dias no Expressionismo Alemão. 
Estados Unidos. Direção: Fritz Lang. Roteiro: Sam Hellman. Elenco: Henry Fonda, Gene Tierney, Jackie Cooper, Henry Hull, John Carradine.

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18 — PICA-PAU ATACA NOVAMENTE (Knock, Knock)

Apesar do título brasileiro falar em novo ataque, essa é a estreia do Pica-Pau, na série do Andy Panda, apenas como uma dor de cabeça ocasional para o pai do ursinho. O personagem ainda nem tinha nome. Seu comportamento alucinado garantiu a ele protagonizar um novo curta no ano seguinte (Pica-Pau Biruta, em que enlouquece um psiquiatra) e o resto é história.
Estados Unidos. Direção: Walter Lantz e Alex Lovy (não creditados). Roteiro: Lowell Elliot e Ben Hardaway. Vozes na dublagem original: Sara Berner, Mel Blanc.

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Wild Hare

17 — COELHO SELVAGEM (A Wild Hare)

Outro curta com uma estreia muito importante: aqui, o Pernalonga surge definido, após alguns protótipos terem aparecido em desenhos anteriores. O coelho subverte a caçada de Hortelino com todos os truques que aprimoraria nos anos seguintes. Pela primeira vez, ele diz o célebre “O que é que há, velhinho?”.
Estados Unidos. Direção: Tex Avery. Roteiro: Rich Hogan. Vozes na dublagem original: Mel Blanc, Arthur Q. Bryan.

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Melodia da Broadway de 1940 - 03

16 — MELODIA DA BROADWAY DE 1940 (Broadway Melody of 1940)

Não é um dos mais inspirados musicais da Metro, mas aconteceu de unir os dois melhores em seu ofício. Fred Astaire e Eleanor Powell, dois gênios absolutos, o melhor dançarino e a melhor dançarina do cinema, se encontraram na tela e entregaram juntos pelo menos dois momentos antológicos. “Jukebox’s dance” e “Begin the beguine” entram em qualquer antologia séria da dança no cinema.
Estados Unidos. Direção: Norman Taurog. Roteiro: Leon Gordon e George Oppenheimer, história original de Jack McGowan e Dore Schary, contribuições não creditadas de Preston Sturges, Walter DeLeon, Vincent Lawrence, Albert Mannheimer, Eddie Moran, Thomas Phipps e Sid Silvers. Elenco: Fred Astaire, Eleanor Powell, George Murphy, Frank Morgan.

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Ponte de Waterloo

15 — A PONTE DE WATERLOO (Waterloo Bridge)

Depois de …E o Vento Levou, Vivien Leigh estrelou esse melodrama que volta aos dias da I Guerra: ela é uma bailarina que se apaixona por um oficial. Tudo vai bem, mas ela perde o emprego e acha que ele morreu em combate. Sem dinheiro e esperança, acaba se tornando prostituta. Refilmagem de um filme de 1931, parece datado na maneira como trata a prostituição (ninguém ousa dizer o nome). Mas, bem, o filme se passa nos anos 1910. Vivien é absolutamente hipnotizante e Robert Taylor é um dos atores mais bonitos que o cinema já viu.
Estados Unidos. Direção: Mervyn LeRoy. Roteiro: S.N. Behrman, Hans Rameau e George Foerschel, baseado em peça de Robert E. Sherwood. Elenco: Vivien Leigh, Robert Taylor, Virginia Field, Lucile Watson, Maria Ouspenskaya.

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Bichano em Maus Lençóis

14 — UM BICHANO EM MAUS LENÇÓIS ou UM GATO TRAVESSO (Puss Get the Boot)

Esse curta é a estreia de dois dos personagens mais amados e de maior sucesso dos desenhos animados: Tom & Jerry. Aqui, ainda sem seus nomes definitivos: Tom é chamado de Jasper, e Jerry nem tem seu nome mencionado. Mas a dinâmica já está toda aí: com o camundongo aproveitando que a dona mandou o gato não fazer bagunça para fazer da vida do bichano um inferno.
Estados Unidos. Direção e roteiro: William Hanna e Joseph Barbera. Voz na dublagem original: Lillian Randolph.

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13 — A CARTA (The Letter)

Bette Davis já surge em cena descarregando uma arma em um infeliz. Depois disso, ela se justifica para o marido e o advogado, mas sua história é ameaçada pela notícia de que há uma carta comprometedora. Wyler mostra sua perícia com a câmera e o uso da luz para contar esse dramão de crime e castigo.
Estados Unidos. Direção: William Wyler. Roteiro: Howard Koch, baseado na peça de W. Somerset Maughan. Elenco: Bette Davis, Herbert Marshall, James Stephenson, Gale Sondergaard.

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12 — VOCÊ DEVIA ESTAR NO CINEMA (You Ought to Be in Pictures)

Patolino convence Gaguinho a romper seu contrato de desenho animado com a Warner e tentar ser ator no cinema. Isso acontece numa divertida mistura de personagens animados em cenários reais, com o produtor Leon Schlesinger interpretando a si mesmo, e o roteirista Michael Maltese como um guarda de estúdio.
Estados Unidos. Direção: Friz Freleng. Roteiro: Jack Miller. Elenco: Leon Schlesinger, Michael Maltese. Voz na dublagem original: Mel Blanc.

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Correpondente Estrangeiro11 — CORRESPONDENTE ESTRANGEIRO (Foreign Correspondent)

O segundo filme de Alfred Hitchcock em Hollywood é um suspense de espionagem já sobre a II Guerra (os EUA estavam ainda fora do conflito, mas a Inglaterra natal do diretor estava dentro). É daqui a grande cena do avião que cai no mar e acompanhamos a queda de dentro da cabine até a água entrar.
Estados Unidos. Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Charles Bennett e Joan Harrison, com diálogos de James Hilton e Robert Benchley, e contribuições de Ben Hecht (não creditado) e Richard Maibaum (não creditado). Elenco: Joel McCrea, Laraine Day, Herbert Marshall, George Sanders, Robert Benchley, Edmund Gwenn.

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Marca do Zorro10 — A MARCA DO ZORRO (The Mark of Zorro)

Tyrone Power estrela a versão 1940 do herói da literatura que já havia tido uma adaptação antológica no cinema mudo (em 1920, com Douglas Fairbanks). Bem produzida, ágil, é um grande representante do gênero capa-e-espada. Tem um grande herói, um baita vilão (Basil Rathbone) e uma mocinha das mais deslumbrantes (Linda Darnell, aos 16 anos nas filmagens). O duelo final é antológico.
Estados Unidos. Direção: Rouben Mamoulian. Roteiro: John Taintor Foote, com adaptação de Garret Fort e Besse Meredyth para o romance seriado de Johnston McCulley. Elenco: Tyrone Power, Linda Darnell, Basil Rathbone, Gale Sondergaard.

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Sr Pato Sai de Casa

9 — O SR. PATO SAI DE CASA ou DONALD ADORA DANÇAR (Mr. Duck Steps Out)

O curta da Disney mostra Donald e seus três sobrinhos em um inusitado duelo quando o pato visita a namorada. O desenho estabelece de vez a personagem da Margarida, que aqui ganha seu nome. Tem aquele momento safadinho em que, no sofá, ela dá aquela afastada no pato saidinho, mas o chama com o rabinho. Clarence Nash faz todas as vozes (inclusive a da Margarida).
Estados Unidos. Direção: Jack King. Roteiro (não creditados): Carl Barks, Chuck Couch, Jack Hannah, Harry Reeves, Milt Schaffer e Frank Tashlin. Voz na dublagem original: Clarence Nash.

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Loja da Esquina8 — A LOJA DA ESQUINA (The Shop Around the Corner)

A comédia romântica de Lubitsch se passa em uma loja de presentes em Budapeste, com algumas tramas, sendo a principal a do casal de vendedores que vive às turras, mas que, sem saber, são apaixonados um pelo outro. É que eles trocam cartas de maneira anônima. A combinação da direção com os ótimos James Stewart e Margaret Sullavan é perfeita. O filme originou o também bem bom Mensagem para Você, em 1998, já no mundo dos e-mails.
Estados Unidos. Direção: Ernst Lubitsch. Roteiro: Samson Raphaelson, com colaboração de Ben Hetch (não creditado), baseado em peça de Miklós László. Elenco: Margaret Sullavan, James Stewart, Frank Morgan, Joseph Schildkraut.

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Grande Ditador

7 — O GRANDE DITADOR (The Great Dictator)

Chaplin usou música e algumas falas pontuais em seus dois filmes anteriores, mas este é o seu primeiro falado para valer. E ele não desperdiçou sua voz. De um lado há um barbeiro judeu (o último filme de Carlitos?) em um gueto. Do outro, o ditador que parodia Hitler. Na primeira cena, o ditador ridículo discursa histrionicamente num alemão inventado. Na última, o barbeiro que foi parar no lugar do ditador faz o maior discurso pela paz e humanismo no cinema. É bom lembrar que a guerra já estava comendo no centro na Europa e os EUA ainda nem aí.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Charles Chaplin. Elenco: Charles Chaplin, Paulette Goddard, Jack Oakie.

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Núpcias de Escândalo6 — NÚPCIAS DE ESCÂNDALO (The Philadelphia Story)

A primeira cena é de antologia. Cary Grant sai pela porta em direção ao carro. Atrás dele, vem Katharine Hepburn, flutuando, com seus tacos de golfe. Ao chegar perto, os solta no chão. E, com aquela cara de satisfação, parte um dos tacos ao meio. É quando sabemos que estamos assistindo a uma separação. A história começa mesmo quando ela vai casar de novo, o ex reaparece com um repórter e uma fotógrafa de uma revista de fofocas para embaralhar o negócio. Uma comédia de erros de Cukor é cheia de maus entendidos, paixões que vêm e vão, falsas premissas. O elenco é incrível, mas o show é de Kate Hepburn: a peça na Broadway foi escrita para ela; ela comprou os direitos para o cinema; ela apostou no material para reerguer sua carreira em Hollywood, que andava em baixa. Deu certíssimo.
Estados Unidos. Direção: George Cukor. Roteiro: Donald Ogden Stewart, com colaboração de Waldo Salt (não creditado), baseado em peça de Philip Barry. Elenco: Katharine Hepburn, Cary Grant, James Stewart, Ruth Hussey, John Howard.

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Rebecca5 — REBECCA, A MULHER INESQUECÍVEL (Rebecca)

A estreia de Hitchcock em Hollywood foi um duelo entre ele e o produtor David O. Selnick pelo controle criativo do filme. A história é a da jovem que se casa com um aristocrata, mas a presença da primeira mulher morta na propriedade é sufocante além da conta. Rebecca é o nome até do próprio filme, a pobre nova Senhora De Winter nem nome tem na história.
Estados Unidos. Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Robert E. Sherwood e Joan Harrison, com adaptação de Philip MacDonald e Michael Hogan para o romance de Daphne Du Maurier. Elenco: Joan Fontaine, Laurence Olivier, Judith Anderson, George Sanders.

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Fantasia

4 — FANTASIA (Fantasia)

Walt Disney pensou bem grande ao conceber Fantasia: um filme-concerto, com curtas animados inspirados em peças da música clássica. E a ideia ainda era ir relançando o filme anualmente, trocando alguns segmentos a cada vez. Não deu porque o filme não foi bem de bilheteria, mas ele acabou encontrado seu público e status de obra de arte ao ser relançado. É a silly symphony definitiva, que vai do Mickey aprendiz de feiticeiro à uma representação ambiciosa do começo da vida na Terra.
Estados Unidos. Direção: James Algar, Samuel Armstrong, Ford Beebe Jr., Norman Ferguson, David Hand, Jim Handley, T. Hee, Wilfred Jackson, Hamilton Luske, Bill Roberts, Paul Satterfield e Ben Sharpsteen. Roteiro: Joe Grant e Dick Huemer (diretores de história), Lee Blair, Elmer Plummer, Phil Dike, Sylvia Moberly-Holland, Norman Wright, Albert Heath, Bianca Majolie, Graham Heid, Perce Pearce, Carl Fallberg, William Martin, Leo Thiele, Robert Sterner, John McLeish, Otto Englander, Webb Smith, Erdman Penner, Joseph Sabo, Bill Peet, Vernon Stallings, Campbell Grant, Arthur Heinemann e Phil Dike. Elenco: Deems Taylor, Leopold Stokowski.

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Pinóquio - 023 — PINÓQUIO (Pinocchio)

A animação em Pinóquio é, 80 anos após seu lançamento, de cair o queixo. O conto moral infantil que ainda cala fundo no imaginário coletivo, sobre amor paterno, fadas e os perigos das mentiras e do mundo, é embalado por imagens lindamente confeccionadas, movimentos de câmera elaborados e momentos impactantes (a impressionante aparição da baleia Monstro, a assustadora sequência dos meninos se transformando literalmente em burros).
Estados Unidos. Direção: Hamilton Luske e Ben Sharpsteen (supervisores), Norman Ferguson, T. Hee, Wilfred Jackson, Jack Kinney, Bill Roberts. Roteiro: Ted Sears, Otto Englander, Webb Smith, William Cottrell, Joseph Sabo, Erdman Penner, Aurelius Battaglia, com colaboração não creditada de Bill Peet e Frank Tashlin, baseado em livro de Carlo Collodi. Vozes na dublagem original: Dickie Jones, Cliff Edwards, Christian Rub, Evelyn Venable, Charles Judels. Vozes na dublagem brasileira de 1940: Doraldo Thompson, Mesquitinha, Baptista Junior, Zezé Fonseca. Vozes na dublagem brasileira de 1965: Carlos Alberto Mello, Ênio Santos, Luis Motta, Selma Lopes.

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Jejum de Amor2 — JEJUM DE AMOR (His Girl Friday)

A Primeira Página é uma peça onde os dois personagens principais são um editor de jornal e seu repórter que quer largar o emprego para se casar, mas é empurrado para a cobertura de um preso à beira da execução. Howard Hawks contava que, lendo diálogos numa festa com uma amiga, sacou que ficava muito melhor se um dos personagens fosse uma mulher. E, assim, a peça ganhou sua segunda adaptação para o cinema, na qual “o” repórter passava a ser “a” repórter. Cary Grant e Rosalind Russell, além de parceiros profissionais, agora também seriam ex-casados. À tensão romântica, Hawks ainda acrescentaria o modo de metralhar os diálogos. Rapidíssimos e sobrepostos, com uma técnica ensaiada onde o espectador não ficaria sem entender nada importante, e ainda abertos aos improvisos dos atores, são um marco na maneira de atuar no cinema. E, claro, é muito engraçado.
Estados Unidos. Direção: Howard Hawks. Roteiro: Charles Lederer, com colaboração de Ben Hecht (não creditado) e diálogos adicionais de Morrie Ryskind (não creditado), baseado na peça de Hecht e Charles MacArthur. Elenco: Cary Grant, Rosalind Russell, Ralph Bellamy, Gene Lockhart, Cliff Edwards.

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The Grapes Of Wrath - 1940

1 — VINHAS DA IRA (The Grapes of Wrath)

A saga de uma família americana que é expulsa de sua terra por ricos proprietários e atravessa o país até a Califórnia em busca de trabalho digno em plantações. A miséria nos Estados Unidos durante a Grande Depressão viajou da prosa premiada de John Steinbeck para a narrativa de um cineasta maravilhoso, John Ford. Ele conta esse épico da pobreza, que avança com a formação da consciência social do filho mais velho da família, vivido por Henry Fonda, a respeito de uma sociedade que se vende como justa, mas massacra os pobres com violência, discriminação e mesquinharia. Ganhou os Oscars de direção e atriz coadjuvante (para Jane Darwell, a comovente mãe do clã).
Estados Unidos. Direção: John Ford. Roteiro: Nunnally Johnson, baseado em romance de John Steinbeck. Elenco: Henry Fonda, Jane Darwell, John Carradine, Charley Grapewin, Dorris Bowdon, Ward Bond.

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ATUALIZAÇÕES:

11/2/2021: A lista passa de 15 filmes para 20. Os cinco novos filmes são: O Pássaro Azul (20º), A Volta de Frank James (19º), Pica-Pau Ataca Novamente (18º), A Carta (13º), Você Devia Estar no Cinema (12º). Coelho Selvagem foi de 14º para 17º. Melodia da Broadway de 1940 foi de 15º para 16º. A Ponte de Waterloo, de 13º para 15º. Um Bichando em Maus Lençóis, de 12º para 14º. Correspondente Estrangeiro, de 10º para 11º. A Marca do Zorro, de 9º para 10º. O Sr. Pato Sai de Casa, de 11º para 9º.

* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS:

Atlantis - 07

Como não foi um grande sucesso nas bilheterias, Atlantis — O Reino Perdido é meio escanteado na história da Disney. É injusto. Da mesma dupla de diretores de A Bela e a Fera (1991) e O Corcunda de Notre Dame (1996), foi uma das primeiras tentativas do estúdio de uma animação de aventura mais jovem, menos infantil, e sem ser um musical.

E, no caso, totalmente inspirado em Jules Verne, com visual desenvolvido por Mike Mignola (quadrinhista criador de Hellboy, creditado como desenhista de produção). Ambientado em 1914, é bonito, tem ritmo e ainda tem mensagens ecológicas e contra o militarismo e o imperialismo. Foi o último longa dos dois diretores, o que é uma pena.

ATLANTIS — O REINO PERDIDO (Gary Trousdale e Kirk Wise, 2001)

Cantando na Chuva - 33

Donald O’Connor, Debbie Reynolds e Gene Kelly, em “Cantando na Chuva”

30. ‘JE CHERCHE APRÈS TITINE’, de Tempos Modernos (1936)
Com Charles Chaplin. Direção: Charles Chaplin. Canção de Léo Daniderff, Marcel Bertal e Louis Maubon.

Como todo mundo sabe, Charles Chaplin resistiu o quanto pôde ao cinema falado. Quando Tempos Modernos estreou, já fazia nove anos da estreia de O Cantor de Jazz. E o filme, genial, continua praticamente sem diálogos. Há duas exceções. Uma são as ordens ásperas do chefe da fábrica. A outra é o único momento em que Carlitos fala. Contratado para cantar em um restaurante, ele esquece em cena a letra da canção. “Cante! Deixe as palavras pra lá!”, orienta, em socorro, a personagem de Paulette Goddard. O que vem a seguir só podia ser obra de um gênio como Chaplin: ouve-se a voz de Carlitos, mas as palavras são inventadas, não fazem sentido. O sentido da música, o que ela conta, está na coreografia que ele faz, na pantomima, como Carlitos se comunicava desde que surgiu no cinema, em 1914.

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29. ‘MEIN HERR’, de Cabaret (1972)
Com Liza Minnelli. Direção e coreografia: Bob Fosse. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de John Kander e Fred Ebb.

“Mein herr” é a primeira aparição de Liza Minnelli em Cabaret, e que introdução! Sexy, ela mostra logo que esse não é um musical como os que sua mãe, Judy Garland, fazia. A canção foi feita para o filme – não estava na versão original para os palcos.

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28. ‘GET HAPPY’, de Casa, Comida e Carinho (1950)
Com Judy Garland. Direção e coreografia: Charles Walters. Canção de Harold Arlen e Ted Koehler.

O inferno de Judy Garland com o vício em remédios já afetavam seu trabalho na Metro, e o estúdio a demitiu após esse filme. Nas filmagens, Judy passou por alterações de peso, de humor, incapacidade de trabalhar. Este número foi rodado três meses depois do resto do trabalho do filme ter sido concluído. É um verdadeiro canto do cisne de sua obra na Metro. Judy perdeu peso e está absolutamente espetacular. Seu figurino virou uma assinatura (a ideia foi resgatada de um número de Desfile de Páscoa que acabou cortado). A canção (escolhida por Judy) parece dizer mais do que todo mundo ali sabia no momento (ela morreria muito jovem, apenas 19 anos depois). Judy passou dois dias aprendendo e ensaiando a coreografia, gravou a canção num take só e perfeito e a sequência levou outros dois dias para ser filmada. Foi seu último número na Metro. E foi uma obra-prima.

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27. ‘EVERY SPERM IS SACRED’, de O Sentido da Vida (1983)
Com Michael Palin, Terry Jones, Andrew MacLachlan, Jennifer Franks, Graham Chapman e Eric Idle. Direção: Terry Jones. Coreografia: Arlene Phillips. Canção de Michael Palin, Terry Jones, André Jacquemin e Dave Howman.

Uma família católica fervorosa tem uma multidão de filhos porque não pode usar métodos contraceptivos. Dessa proposta aloprada, surge um dos números musicais mais inacreditáveis do cinema: “Todo esperma é sagrado/ Se o esperma é desperdiçado/ Deus fica muito irado”. As crianças não tinham ideia sobre o que estavam cantando (algumas palavras sujas foram mudadas na filmagem e dubladas depois). Um número alto astral, embora as crianças estejam para ser vendidas para experimentos científicos! Terry Jones gastou a maior parte do orçamento do filme neste número implacável e demolidor, que diz animadamente sobre ser católico: “Você não precisa ter um grande cérebro/ você é católico desde que o papai gozou”.

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26. ‘SILK STOCKINGS’, de Meias de Seda (1957)
Com Cyd Charisse. Direção: Rouben Mamoulien. Coreografia: Eugene Loring. Música de Cole Porter.

Uma magnífica Cyd Charisse interpreta uma espiã russa durona que acaba seduzida pelo luxo de Paris (o musical é uma refilmagem de Ninotchka, com Greta Garbo). Seu momento de virada é aqui: um número solo antológico onde sua roupas sisudas de comunista dão lugar às meias de seda do título e ao vestido suntuoso. Cyd (com suas pernas lendárias) é tão sublime que a gente quase não percebe estar assistindo a um strip-tease de uma belíssima mulher (mentira).

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25. ‘SHAKIN’ THE BLUES AWAY’, de Ama-me ou Esquece-me (1955)
Com Doris Day. Direção: Charles Vidor. Coreografia: Alex Romero. Canção de Irving Berlin.

Doris Day fazia musicais na Warner, com resultados oscilantes. Dois anos antes, tinha conseguido um gol com Ardida como Pimenta (1953), no qual cantou a vencedora do Oscar “Secret love”. Ama-me ou Esquece-me, no entanto, foi na Metro — e aí era “ôto patamá”. Ela interpreta Ruth Etting, cantora dos anos 1920 que, para chegar ao sucesso, se envolve com um gangster (James Cagney). Marcada por papéis virtuosos que renderam a ela o apelido de “virgem profissional de Hollywood”, Doris nunca esteve tão sensual como neste filme. E neste número, a bordo de uma produção de primeira e uma canção otimista toda-vida de Irving Berlin, ela seduz cantando e dançando.

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24. ‘UNDER THE SEA’, de A Pequena Sereia (1989)
Com Samuel E. Wright. Direção: Jon Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Ariel quer se meter com os humanos na superfície e o caranguejo Sebastião tenta convencê-la que é muito melhor no fundo do mar. É difícil não concordar com ele, nesta maravilhosa canção vencedora do Oscar que inspirou esse número colorido e movimentado que diz que, lá, peixe termina no aquário — e este tem até sorte, porque se o chefe fica com fome… “Lá eles tem um monte de areia, aqui temos uma banda de crustáceos da pesada”. Não adianta: a sereia já se mandou no meio da música. Mas o espectador fica.

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23. ‘WELL DID YOU EVAH?’, de Alta Sociedade (1956)
Com Bing Crosby e Frank Sinatra. Direção: Charles Walters. Canção de Cole Porter.

Esses dois monstros sagrados da música popular americana nunca tinham aparecido juntos num longa-metragem. Nesta refilmagem de Núpcias de Escândalo (1940), eles dão uma escapada de uma festa chique para beber mais do que a elegância permite. Sinatra é o jornalista que está lá para cobrir o casório para sua revista de celebridades e ricaços. Crosby é o ex-marido da tempestuosa noiva, que ainda gosta dela. Juntos, os dois homens desfilam más notícias de brincadeira, ironias, bebem mais, falam besteira e resumem suas impressões sobre aquilo tudo: “Bem, quem diria? Que festa legal essa é!”. O número, originalmente do musical de palco Du Barry Was a Lady, foi acrescentado ao filme para dar a Crosby e Sinatra um momento em que pudessem cantar junto. Decisão mais que acertada: um número divertidíssimo com dois caras com grandes vozes e carismas ainda maiores.

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22. ‘REMEMBER MY FORGOTTEN MAN’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Joan Blondell, Etta Moten e côro. Direção: Mervyn LeRoy. Direção de dança: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

O musical geralmente é um gênero indentificado com o escapismo, o romance, o sonho, o humor. O que dizer de “Remember my forgotten man”, então? Em 1933, o número que encerra grandiosamente Cavadoras de Ouro dá um tapa na cara da sociedade americana, falando dos desvalidos que foram mandados à guerra como soldados e voltam esfolados e sem encontrar seu lugar. E que terminam marginalizados pelo mesmo país que foram defender. Busby Berkerley em estado de graça: um momento mostra uma fila de garbosos soldados parte para o conflito e outra ao lado, com os homens retornando feridos. Mas o final é que é brilhante: com o desfile militar de silhuetas ao fundo, Joan Blondell quase fazendo uma oração cercada pelos “forgotten men” e o incrível plano sequência final, que começa no rosto da atriz e termina com a cena inteira. Sensacional.

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21. ‘GOOD MORNING’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly, Debbie Reynolds e Donald O’Connor. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Nacio Herb Brown e Arthur Freed.

Depois de muito baixo astral, um boa ideia reanima os ânimos do trio. E como! Don Lockwood, Kathy Selden e Cosmo Brown fazem da casa um palco: dançam na cozinha, pelas escadas, com capas de chuva, no bar, viram sofás, em uma das maiores exibições de sapateado do cinema. E, nisso, um grande destaque para Debbie Reynolds, que, aos 19 aninhos, não era dançarina, teve que dançar com dois monstros do ofício e deu conta do recado olimpicamente. “Cantando na Chuva e dar à luz foram as duas coisas mais difíceis que já fiz”, disse ela em suas memórias, em 2013. Este número levou 15 horas no dia para ser filmado. São três minutos e apenas nove cortes. No fim, Debbie estava com os pés sangrando. Mas ela conseguiu: entregou o momento mais formidável de sua carreira.

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FROZEN 2

Existe essa regra na “cartilha” de Hollywood segundo a qual toda continuação deve ser maior que o filme anterior. Frozen II tem mais ação, mas personagens, mais plots, mais música, mais melodrama. Tudo resultando num baita exagero geral, com algumas resoluções de roteiro muito ruins. O visual continua um deslumbre, mas é pouco.

FROZEN II (Chris Buck, Jennifer Lee, 2019)
½

OS 15 MELHORES DE 1969

Butch Cassidy - 01

1 — BUTCH CASSIDY (Butch Cassidy and the Sundance Kid)

Na linhagem dos “bandidos simpáticos”, poucos se comparam à dupla formada por Newman e Redford em Butch Cassidy. O filme é de uma época em que o faroeste passava por uma revisão. Menos glamour, um pouco mais de sujeira, abraçando um pouco o que vinha sendo feito na Itália. Butch e Sundance também ganhavam uma releitura menos interessada na fidelidade histórica e mais em inseri-los no simbolismo da rebeldia dos anos 1960, um pouco como havia sido feito em Bonnie & Clyde, dois anos antes. Newman, Redford e Katharine Ross desfilam charme pelo filme todo.
Estados Unidos. Direção: George Roy Hill. Roteiro: William Goldman. Elenco: Paul Newman, Robert Redford, Katharine Ross, Strother Martin.

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Meu Odio Sera Sua Heranca - 01

2 — MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA (The Wild Bunch)

Zack Snyder devia assistir a esse filmes três vezes por dia até aprender como usar a câmera lenta para propósitos dramáticos. Numa época em que sangue não era gasto em galões no cinema, Peckinpah era conhecido como o mestre da violência. Mas também por causa de sua carga dramática. Aqui, ele um canto do cisne do faroeste, com a missão final de pistoleiros veteranos.
Estados Unidos. Direção: Sam Peckinpah. Roteiro: Walon Green e Sam Peckinpah, argumento de Walon Green e Roy N. Sickner. Elenco: William Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan, Edmond O’Brien, Warren Oates, Strother Martin.

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Z - 02

3 — (Z)

Costa-Gavras se tornou conhecido por um cinema fortemente político. E aqui ele denuncia a ditadura militar grega, através de um jornalista que investiga o assassinato de um líder da oposição. Foi o primeiro filme de língua não inglesa indicado ao Oscar de melhor filme.
França/ Argélia. Direção: Costa-Gavras. Roteiro: Costa-Gavras e Ben Barzman, dialogos de Jorge Semprún, baseado em romance de Vasilis Vasilikos. Elenco: Yves Montand, Irene Papas, Jean-Louis Trintignant, François Pérrier, Jacques Perrin.

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Perdidos na Noite - 01

4 — PERDIDOS NA NOITE (Midnight Cowboy)

Jon Voight chega a Nova York para ganhar a vida como prostituto. O ingênuo caipira encontra um trapaceiro de rua, o “Ratso” Rizzo vivido por Dustin Hoffman. Os dois atores comandam este, que foi o primeiro filme para maiores de 18 a vencer o Oscar. Um filme sobre amizade na sarjeta. E tem aquele improviso maravilhoso de Hoffman com o taxi: “Hey, I’m walking here!”.
Estados Unidos. Direção: John Schlesinger. Roteiro: Waldo Salt, baseado em romance de James Leo Herlihy. Elenco: Jon Voight, Dustin Hoffman, Sylvia Miles, Brenda Vaccaro, Jennifer Salt.

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Charlie Brown e Snoopy-04

5 — CHARLIE E SNOOPY ou CHARLIE BROWN E SNOOPY ou UM GAROTO CHAMADO CHARLIE BROWN (A Boy Named Charlie Brown)

A turma da tira Peanuts, escrita e desenhada por Charles M. Schulz, já aparecia na TV em especiais de pouco mais de 20 minutos desde 1965, com O Natal de Charlie Brown, no ritmo de uma ou duas vezes por ano. Em 1969, Charlie, Lucy, Linus e o cãozinho Snoopy chegavam às telonas em um longa que mantinha o estilo simples das produções para a TV e os mesmos temas recorrentes da frustração e medo da rejeição.
Estados Unidos. Direção: Bill Melendez. Roteiro: Charles M. Schulz, baseado em sua própria tira de quadrinhos. Vozes na dublagem original: Peter Robbins, Pamelyn Ferdin, Glenn Gilger.

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Macunaima - 02

6 — MACUNAÍMA

O romance modernista de Mário de Andrade ganhou uma versão irreverente pelas mãos de Joaquim Pedro de Andrade, com dois atores-ícones do cinema nacional dividindo o papel-título (Grande Otelo e Paulo José) e ainda Dina Sfat.
Brasil. Direção e roteiro: Joaquim Pedro de Andrade, baseado em romance de Mário de Andrade. Elenco: Grande Otelo, Paulo José, Dina Sfat, Jardel Filho, Milton Gonçalves, Joanna Fomm, Zezé Macedo, Wilza Carla.

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007 a Servico de Sua Majestade - 03

7 — 007 A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE (On Her Majesty’s Secret Service)

O senso comum aponta George Lazenby como o pior ator a encarnar James Bond. É difícil discordar. O interessante é que isso acontece em um ótimo exemplar da série, que tenta humanizar um pouco o agente 007 e tem Diana Rigg como uma das melhores bondgirls (ou bondwoman, como se diz hoje).
Reino Unido. Direção: Peter Hunt. Roteiro: Richard Maibaum, com diálogos adicionais por Simon Raven, baseado em romance de Ian Fleming. Elenco: George Lazenby, Telly Savallas, Diana Rigg, Gabriele Ferzetti, Lois Maxwell, Bernard Lee, Desmond Llewelyn.

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Dragao da Maldade contra o Santo Guerreiro - 01

8 — O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO

Glauber voltou aqui ao personagem mítico Antônio das Mortes, de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), alçando-o ao papel principal e fazendo-o refletir sobre sua atividade de matador de cangaceiros. Ganhou melhor direção em Cannes.
França/ Brasil/ Alemanha Ocidental/ Estados Unidos. Direção e roteiro: Glauber Rocha. Elenco: Maurício do Valle, Odete Lata, Othon Bastos, Hugo Carvana, Jofre Soares.

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Sem Destino - 01

9 — SEM DESTINO (Easy Rider)

Emblemático talvez seja a melhor palavra para Sem Destino. Um filme que, em sua história dos motoqueiros que viajam pelos EUA, resume em si um espírito daquela época no que diz respeito à contracultura. A própria produção do filme foi louquíssima, como eram os personagens e aqueles dias.
Estados Unidos. Direção: Dennis Hopper. Roteiro: Peter Fonda, Dennis Hopper e Terry Southern. Elenco: Peter Fonda, Dennis Hopper, Jack Nicholson, Phil Spector.

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Assaltante Bem Trapalhao - 01

10 — UM ASSALTANTE BEM TRAPALHÃO (Take the Money and Run)

Primeiro filme valendo pontos de Woody Allen como diretor, é uma comédia rasgada sobre um assaltante de banco que não tinha nada de gênio do crime. Allen já mostrava que tinha vontade de ir além, ao brincar um pouco com a narrativa dos documentários, inserindo depoimentos para contar a história.
Estados Unidos. Direção: Woody Allen. Roteiro: Woody Allen e Michael Rose. Elenco: Woody Allen, Janet Margolin, Michael Hillaire.

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Noite dos Desesperados - 01

11 — A NOITE DOS DESESPERADOS (They Shoot Horses, Don’t They?)

O filme se passa nos anos 1930, época da Grande Depressão nos EUA, e o cenário é uma desumana maratona de dança onde personagem sem qualquer esperança jogam suas últimas fichas em busca de uma virada na vida — ou morrer. Tambpem marcou uma virada na carreira de Jane Fonda em busca de papéis mais fortes — no ano anterior, ela havia feito Barbarella!
Estados Unidos. Direção: Sydney Pollack. Roteiro: James Poe e Robert E. Thompson, baseado em romance de Horace McCoy. Elenco: Jane Fonda, Michael Sarrazin, Susannah York, Gig Young, Red Button, Bonnie Bedelia, Bruce Dern.

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Flor de Cacto-07

12 — FLOR DE CACTO (Cactus Flower)

Adaptação de uma comédia de sucesso da Broadway, revelou Goldie Hawn, que acabou ganhando um Oscar de coadjuvante. Walter Matthau é o protagonista do roteiro maluquete, sobre um dentista que finge que é casado pra não ter que firmar compromisso com a “amante”. Mas aí sua enfermeira, vivida por Ingrid Bergman, precisa fingir que é a esposa.
Estados Unidos. Direção: Gene Saks. Roteiro: I.A.L. Diamond, baseado em peça de Abe Burrows, por sua vez versão da peça francesa de Pierre Barillet e Jean-Pierre Grédy. Elenco: Walter Matthau, Ingrid Bergman, Goldie Hawn.

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Alo Dolly - 01

13 — ALÔ, DOLLY! (Hello, Dolly!)

Barbra Streisand pós Oscar por A Garota Genial é a grande estrela deste musical da Broadway dirigido no cinema por Gene Kelly – um dos maiores astros e coreógrafos do gênero, aqui ele só é diretor (foi indicado ao Globo de Ouro). Barbra e Walter Matthau não se deram e o filme tem coisa demais, mas ainda é bem divertido. E ainda tem a aparição de Louis Armstrong, sua última no cinema.
Estados Unidos. Direção: Gene Kelly. Roteiro: Ernest Lehman, baseado na peça musical de Michael Stewart, por sua vez baseado na peça de Thornton Wilder, por sua vez versão da peça francesa de Johann Nestroy. Elenco: Barbra Streisand, Walter Matthau, Michael Crawford, Marianne McAndrew.

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Matou a Família e Foi ao Cinema - 1969 - 01

14 — MATOU A FAMÍLIA E FOI AO CINEMA

Exemplar do cinema marginal brasileiro, terceiro longa de Bressane. Parte da premissa literal do título, um rapaz que mata os pais e vai ao cinema, para outros contos curtos de violência, como o das meninas que se apaixonam e matam a mãe de uma delas. Teve uma refilmagem muito ruim em 1991, com Cláudia Raia.
Brasil. Direção e roteiro: Júlio Bressane. Elenco: Márcia Rodrigues, Renata Sorrah, Vanda Lacerda, Antero de Oliveira.

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Bravura Indomita - 1969 - 05

15 — BRAVURA INDÔMITA (True Grit)

Garota determinada procura um profissional que a ajude a prender o homem que matou seu pai. Consegue o xerife bebum, caolho e decadente vivido por John Wayne. Um papel longe dos costumeiros papéis invencíveis do astro, o que rendeu a ele um Oscar. Bem bom, rendeu uma refilmagem ainda melhor, dirigida pelos irmãos Coen em 2010.
Estados Unidos. Direção: Henry Hathaway. Roteiro: Marguerite Roberts, baseado no romance de Charles Portis. Elenco: John Wayne, Kim Darby, Glen Campbell, Robert Duvall, Dennis Hopper, Strother Martin.


Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.


OUTRAS LISTAS:

Rei Leao - 2019

O REI LEÃO
⭐⭐⭐

Animais viraram bando de ‘ciganos Igor’

por Renato Félix

A Disney achou uma mina de ouro nessa franquia em que cata em seus clássicos da animação material para adaptações com atores em carne-e-osso. O Rei Leão não é um live action, mas a ideia é parecer o máximo com um: todos os animais são animações por computador extremamente realistas. Mas, em geral, é como as experiências anteriores: em que pese o grande sucesso de bilheteria e alguma atualização das personagens femininas, artisticamente tudo parece desnecessário e sem chegar aos pés do original.

A trama do novo filme segue muito de perto o original. Na verdade, a cena de abertura — com o número “Circle of life” e os animais se encaminhando  para a apresentação do herdeiro do trono — é um decalque plano a plano da original. Em termos de narrativa, a maior parte do filme é por aí, como uma cópia xerox ou aproximada da animação feita majoritariamente à mão em 1994.

Isso, claro, garante que o filme seja um bom entretenimento e mantenha as mensagens sobre responsabilidade e contra a tirania. O problema é que a vontade de parecer “de verdade” (mesmo que seja com animais que falam e cantam) distancia este filme daquilo que o original tinha de melhor.

Para começar, o carisma dos personagens. A animação à mão de 1994 tinha a liberdade de recorrer ao cartunesco quando quisesse. Esta se limita a abrir e fechar a boca dos personagens para os diálogos e canções. Emoções dependem exclusivamente da dublagem e de alguma expressão corporal. Fora isso, qualquer sentimento é expresso pela mesma cara: os ricos personagens de O Rei Leão parecem todos interpretados pelo cigano Igor.

Isso também se reflete nos números musicais. “Circle of life” impressiona visualmente pela transposição fiel e aspecto realista. Mas esse impacto não demora a se tornar mera curiosidade. E nos momentos em que a animação de 1994 passava a uma esfera mais expressionista, o novo filme não tem coragem de dar esse passo. Não demora a acontecer: em “I just can’t wait to be king”, a própria animação de 1994 sai de um registro mais realista para se tornar ainda mais colorido e movimentado. Isso não ocorre na versão de 2019, aprisionada em sua vontade de aparentar realidade.

Outro número que sofre especificamente com isso é “Be prepared”, em que o vilão Scar canta seus planos de traição para um séquito de hienas que, na versão de 1994, não demoram a desfilar como numa parada nazista. Essa referência totalitária é limada da adaptação e o número perde bastante de sua força dramática.

As maiores mudanças na trama dizem respeito ao maior espaço dado a Nala, que ganha uma cena em que escapa do reinado de terror de Scar, e a uma conversão de Simba ao vegetarianismo. Nesse caso, na animação de 1994, ele passa a comer insetos porque “aqui não tem zebra nem antílopes”, como informava Timão, depois de encontrá-lo do outro lado do deserto. Agora há: a região é povoada com todo tipo de animais, mas o pequeno Simba é que escolhe não comê-los.

Nesse ponto, ele não seguiu o papo do pai sobre o ciclo da vida lá no começo: “A gente come os antílopes, quando morremos viramos grama e o antílope come ela”. Era uma compensação estranha mesmo (do ponto de vista do antílope).

O REI LEÃO. The Lion King. EUA, 2019. Direção: Jon Favreau. Vozes na dublagem original: Donald Glover, Chiwetel Ejiofor, Billy Eichner, Seth Rogen, Beyoncé, James Earl Jones, Alfre Woodard, JD McCrary. Vozes na dublagem brasileira: Ícaro Silva, Rodrigo Miallaret, Ivan Parente, Glauco Marques, Iza, Saulo Javan.

Gilda - 01

Rita Hayworth em “Gilda” (1946)

50. ‘I WANNA BE LOVED BY YOU’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe. Direção: Billy Wilder. Coreografia: Jack Cole. Canção de Herbert Stothart, Harry Ruby e Bert Kalmar.

“Boop-boop-a-doop”. A canção de 1928 é a cara da Betty Boop e não por acaso: a interpretação de Helen Kane, com sua voz meio infantil cantando esse “boop-boop-a-doop” inspirou a criação da personagem dos desenhos animados, em 1930. Como Quanto Mais Quente Melhor se passa em 1929, caiu como uma luva para Marilyn desfilar sua sensualidade brejeira na canção. Como Billy Wilder dizia, filmar com Marilyn podia ser um pesadelo, mas o resultado compensava de longe.

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49. ‘SO LONG, FAREWELL’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Charmian Carr, Nicholas Hammond, Heather Menzies-Urich, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner e Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II.

O capitão Von Trapp não que transformar sua família num grupo musical, mas está difícil. No final de uma festa em casa, seus sete filhos se despedem dos convidados com este encantador número musical. Uma das forças desse filme é o carisma das crianças. “So long, farewell, auf wiedersehen, adieu”, em um número reprisado mais tarde no filme (e rever sempre é muito bem-vindo).

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48. ‘CABARET’, de Cabaret (1972)
Com Liza Minnelli. Direção e coreografia: Bob Fosse. Canção de John Kander e Fred Ebb.

Liza, sozinha em cena: e precisa mais? A canção-título do filme estabelece que esse não é um musical inocente como a maioria do que vieram antes dele. E, três anos após a morte da mãe Judy Garland, Liza chama o trono para si com toda a justiça, ao menos nesse filme. A vida é um cabaré, old chum, apesar dos profetas do pessimismo.

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47. ‘A WHOLE NEW WORLD’, de Aladdin (1992)
Com Brad Kane e Lea Salonga (vozes). Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Tim Rice.

Aladdin joga baixo para conquistar a princesa Jasmine: a leva em um passeio de tapete mágico pelo mundo. As maravilhas que vai encontrando são embaladas pela maravilha que é essa canção vencedora do Oscar. A animação é um deslumbre.

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46. ‘THE BALLET OF RED SHOES’, de Sapatinhos Vermelhos (1948)
Com Moira Shearer, Alan Carter, Joan Harris. Direção: Michael Powell e Emeric Pressburger. Coreografia: Robert Helpmann. Música de Brian Esdale.

Bailarina de carreira consolidada nos anos 1940, a escocesa Moira Shearer estreou no cinema no papel principal de Sapatinhos Vermelhos. E o ponto alto do filme é o balé que dá nome ao filme, um número espetacular de quase 15 minutos, que soma recursos cinematográficos à atmosfera da dança no palco para ir além da fábula dançada e representar o turbilhão emocional da protagonista: closes, planos de detalhe, câmera lenta, sobreposição de imagens. Este número impressionou tanto Gene Kelly que o inspirou para Sinfonia de Paris (1951).

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45. ‘ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE’, de A Vida de Brian (1979)
Com Eric Idle. Direção: Terry Jones. Canção de Eric Idle.

Essa música adorável e incrivelmente otimista, com assobios e tudo, é um dos momentos mais clássicos do grupo Monty Python. Contribui para isso, é claro, o fato de ela ser cantada por um grupo que está sendo crucificado na Judeia dos tempos de Cristo. O tipo de nonsense que foi a genialidade do grupo inglês.

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44. ‘CAN’T BUY ME LOVE’, de A Hard Day’s Night (1964)
Com The Beatles. Direção: Richard Lester. Canção de Paul McCartney (creditada a John Lennon e Paul McCartney).

A Hard Day’s Night acompanha os Beatles no que seria seu cotidiano típico de correrias para fugir das fãs, compromissos comerciais e entrevistas chatas pra caramba. Em um momento de descuido dos outros, eles escapolem por uma porta, dão numa escada externa e se divertem a valer em campo aberto, filmados de helicóptero em patetices de cinema mudo. Sua descida pelas escadas é uma das mais célebres do grupo.

Para assistir, clique aqui.

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43. ‘PUT THE BLAME ON MAME’, de Gilda (1946)
Com Rita Hayworth (voz de Anita Ellis). Direção: Charles Vidor. Coreografia: Jack Cole. Canção de Allan Roberts e Doris Fischer.

Pê da vida com o marido, (“nunca houve uma mulher como”) Gilda irrompe no palco do nightclub que ele dirige e canta “Put the blame on Mame”. Não só isso, como tira uma das luvas — e é o bastante para que seja um dos mais sexy strip-teases da história. O vestido tomara-que-caia ajuda: nos closes é como se Gilda… bem… não estivesse usando nada.

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42. ‘BELLE’, de A Bela e a Fera (1991)
Com Paige O’Hara, Richard White, Alec Murphy, Mary Kay Bergman, Kath Soucie e coro (vozes). Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Após um breve prólogo, A Bela e a Fera já mostra a que veio: a cena de apresentação da protagonista e seu vilarejo acanhado e o vilão valentão que a deseja é um espetáculo, com todo o jeito de Broadway. Dá para imaginar os cantores e bailarinos pelo palco. Mas aqui é cinema, há planos clássicos e divinos: Bela deslizando pelas prateleiras de livros em direção à câmera, ou a câmera girando em torno dela quando ela diz que quer “mais que essa vida provinciana”.

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41. ‘WOULDN’T BE LOVERLY?’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (voz de Marni Nixon). Direção: George Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe.

A florista pobre Eliza Doolittle tem sua canção de “eu quero” após ser desmerecida pelo irritante professor de dicção. Ela canta nesse momento adorável, errando todas as palavras que pode (canta “ands” em vez de “hands”, por exemplo). Sonha com um mundo de elegância e amor em meio aos restos e aos desvalidos. Audrey, que sempre apareceu como dama nos filmes, brilha como a pobretona inculta que, no fim, vai embora em sua carruagem: uma carroça de lixo.

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Bob Esponja - Um Heroi Fora d'Agua - 01

BOB ESPONJA — UM HERÓI FORA D’ÁGUA (Paul Tibbitt e Mike Mitchell, 2018)
1/2
Diário de Filmes 2019: 34

O trailer e o subtítulo brasileiro me enganaram: fizeram parecer que essa coisa de super-herói iria ocupar o filme todo ou quase todo. Felizmente, não. A trama combina o fundo do mar no estilo tradicional da série, com a aventura fora do mar com os personagens em animação digital contracenando com Antonio Banderas sem medo da canastrice. Muita maluquice e a melhor delas é a engraçadíssima Fenda do Biquíni pós-apocalíptica.

Lino - 02

LINO — UMA AVENTURA DE SETE VIDAS (Rafael Ribas, 2017)

Diário de Filmes 2019: 33

Lino é  uma animação brasileira que se esforça bastante para parecer uma produção padrão de Hollywood. O animador de festas magicamente transformado em gato gigante precisa resolver sua situação enquanto é perseguido pela polícia por um crime que não cometeu. E com uma garotinha a tira-colo, que ele inicialmente não quer por perto, mas que o adora (a dinâmica de Sulley e Bu em Monstros S.A.). É agitado, mas aos personagens falta carisma. Um ponto bom é Selton Mello na dublagem do personagem principal: sua voz é bastante familiar em outras animações, o que não deixa de ser, por tabela, mais um ponto para soar como uma animação americana. Rafael Ribas é filho de Walbercy Ribas, de O Grilo Feliz

Toy Story 3

TOY STORY 3 (Lee Unkrich, 2010)

Diário de Filmes 2019: 26

11 anos depois do segundo filme, há a recuperação e expansão de um tema que já envolvia a personagem Jessie: brinquedos que precisam encarar uma criança que cresce e os vai deixando de lado. A derivação disso leva ao cenário de uma creche onde a animação ganha ares de filme de prisão. Um “Fugindo do Inferno” com bonecos. O Ken é um ótimo acréscimo, e os resets no Buzz Lightyear são sempre divertidos (chamando os outros de “metrossexual de plástico” ou a versão amante espanhol). A reta final é sensacional (e o momento da aceitação da morte não se vê todo dia numa animação infantil). E a sequência final é uma das melhores já feitas no cinema, sem exagero.

OS 20 MELHORES DE 1989

Faca a Coisa Certa - 03

1 — FAÇA A COISA CERTA (Do the Right Thing)

O caldeirão multicultural em Bed-Stuy está fervilhando no dia mais quente do ano e a intolerância racial está em ebulição. Lee, em seu quarto longa, traça um mosaico complexo e sem resolução fácil, sustentado por personagens marcantes. Seu filme termina com citações de Martin Luther King e Malcolm X, historicamente líderes que lutavam pela mesma causa, mas divergiam sobre o uso da violência.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Spike Lee. Elenco: Danny Aiello, Spike Lee, John Tuturro, Rosie Perez, Sameul L. Jackson, Ossie Davis, Ruby Dee, Bill Nunn, Martin Lawrence, John Savage.

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When Harry Met Sally2 — HARRY E SALLY, FEITOS UM PARA O OUTRO (When Harry Met Sally…)

O filme que redefiniu a comédia romântica tem um quê de inspiração em Woody Allen, brinca com o documentário (com atores interpretando depoimentos de histórias que, na verdade, são reais), tem diálogos ótimos (como a discussão sobre existir ou não amizade entre homem e mulher), momentos de improviso (a cena imortal do orgasmo fingido no restaurante foi sugestão de Meg Ryan; a fala final dessa cena foi sugestão de Billy Crystal), telas divididas espertas (homenageando Indiscreta, 1958, e Confidências à Meia-Noite, 1959). A trama é a do homem e da mulher que se detestam à primeira vista, depois ficam amigos, depois se apaixonam.
Estados Unidos. Direção: Rob Reiner. Roteiro: Nora Ephron. Elenco: Billy Crystal, Meg Ryan, Carrie Fisher, Bruno Kirby.

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Ilha das Flores

3 — ILHA DAS FLORES

Histórico curta que começa bem-humorado ao narrar a trajetória de um tomate através de hiperlinks com fatos históricos e científicos (técnica narrativa que fez sucesso de novo anos depois em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) e personagens fictícios (o fazendeiro que cria os tomates, o quitandeiro que vende, a dona de casa que compra e cozinha). Para, no fim, dar um belo soco de realidade.
Brasil. Direção e roteiro: Jorge Furtado. Narração: Paulo José.

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Dead Poets Society (1989) Directed by Peter Weir Shown: Robin Williams

4 — SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS (Dead Poets Society)

Robin Williams em todas as suas potencialidades cômicas e dramáticas num filme sobre o poder transformador da arte. Filme obrigatório também sobre a arte de ensinar.
Estados Unidos. Direção: Peter Weir. Roteiro: Tom Schulman. Elenco: Robin Williams, Ethan Hawke, Robert Sean Leonard, Josh Charles, Norman Lloyd.

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Splendor-11

5 — SPLENDOR (Splendor)

Lançado meses depois de Cinema Paradiso, foi meio eclipsado pelo filme de Tornatore, mas é outro grande filme sobre o amor ao cinema. E o final ainda é citação direta de A Felicidade Não Se Compra.
Itália/ França. Direção e roteiro: Ettore Scola. Elenco: Marcello Mastroianni, Massimo Troisi, Marina Vlady.

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THE LITTLE MERMAID 3D

6 — A PEQUENA SEREIA (The Little Mermaid)

O filme que simboliza a renascença da Disney, após um período de filmes de pouco sucesso. O estúdio retornou à seara das princesas com algumas atualizações, caprichou na animação deslumbrante do fundo do mar e nas canções, com as ótimas “Part of your world” e “Kiss the girl” e a maravilhosa “Under the sea”.
Estados Unidos. Direção e roteiro: John Musker, Ron Clements. Vozes na dublagem original: Jodi Benson, Pat Carroll, Kenneth Mars.

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Indiana Jones e a Ultima Cruzada-26

7 — INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA (Indiana Jones and the Last Crusade)

Spielberg resolveu pegar mais leve na terceira parte da franquia, que volta ao esquema do primeiro: uma corrida contra os nazistas por um tesouro místico. O golpe de mestre foi incluir o pai de Indy na trama, vivido na medida por Sean Connery (e os filmes de James Bond não são o “pai” dos de Indiana Jones, afinal de contas?). Vale o destaque para o prólogo com River Phoenix vivendo o jovem Indy.
Estados Unidos. Direção: Steven Spielberg. Roteiro: Jeffrey Boam. Elenco: Harrison Ford, Sean Connery, Denholm Elliot, Alison Doody, John Rhys-Davies, Julian Glover, River Phoenix.

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Crimes e Pecados - 01

8 — CRIMES E PECADOS (Crimes and Misdemeanors)

Como em Hannah e Suas Irmãs, Woody divide o filme em drama e comédia. E de novo equilibra bem as duas tramas que se entrelaçam. Se inspirou em Crime e Castigo e voltará a isso em Match Point (2006).
Estados Unidos. Direção e roteiro: Woody Allen. Elenco: Martin Landau, Woody Allen, Anjelica Huston, Alan Alda, Mia Farrow, Claire Bloom.

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Henrique V - 1989 - 02

9 — HENRIQUE V (Henry V)

Em seu primeiro filme como diretor, Branagh mostrou uma grande força criativa e narrativa nesta adaptação da peça de Shakespeare. A sequência da batalha de Azincourt é um grande momento, onde o ufanismo que Laurence Olivier usou como tom no filme de 1944 é trocado pela tragédia.
Reino Unido. Direção e roteiro: Kenneth Branagh. Elenco: Kenneth Branagh, Ian Holm, Brian Blessed, Emma Thompson, Derek Jacobi.

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Sexo Mentiras e Videotape - 01

10 — SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE (Sex, Lies and Videotape)

Em um período onde o cinema independente não aparecia com tanto destaque, o filme de Soderbergh mostrou a força criativa que existia fora dos grandes estúdios.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Steven Soderbergh. Elenco: James Spader, Andie MacDowell, Peter Gallagher, Laura San Giacomo.

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Tempo de Gloria - 02

11 — TEMPO DE GLÓRIA (Glory)

A história do primeiro pelotão de soldados negros na Guerra Civil Americana, e o preconceito que enfrentaram até de seu próprio exército.
Estados Unidos. Direção: Edward Zwick. Roteiro: Kevin Jarre. Elenco: Matthew Broderick, Denzel Washington, Cary Elwes, Morgan Freeman.

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De Volta para o Futuro - Parte 2 - 12

12 — DE VOLTA PARA O FUTURO — PARTE II (Back to the Future — Part II)

O divertidíssimo segundo filme tem três momentos: mostra o futuro prometido no final do primeiro, depois volta a 1985 alterado (como o mundo em que George não existiu em A Felicidade Não Se Compra, 1946) e volta a 1955, onde a nova trama tem momento de interseção com a do primeiro filme. Engenhoso e com efeitos especiais que hoje, na era do CGI, são corriqueiros, mas foram surpreendentes na época.
Estados Unidos. Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: Robert Zemeckis e Bob Gale. Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Thomas F. Wilson, Elisabeth Shue, Billy Zane, Elijah Wood.

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Arquitetura da Destruicao - 01

13 — ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO (Undergângens Arkitektur)

O ideal estético do nazismo, da raça pura e da arte “não degenerada”, é analisada nesse excelente documentário. A visão estética deformada do III Reich se refletiu em sua odiosa política higienista, onde a ideia de uma “arte degenerada” refletia o preconceito com doentes mentais e uma obsessão com uma suposta pureza que gerou o Holocausto.
Suécia. Direção: Peter Cohen.

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Black Rain - A Coragem de uma Raca - 01

14 — BLACK RAIN — A CORAGEM DE UMA RAÇA (Kuroi Ame)

Uma visão dramática e poderosa, em preto-e-branco, da cidade de Hiroshima depois da explosão da bomba atômica jogada pelos americanos no final da II Guerra.
Japão. Direção: Shohei Imamura. Roteiro: Shohei Imamura e Toshiro Ishido. Elenco: Yoshiko Tanaka, Kazuo Kitamura, Etsuko Ichihara.

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Eu Sou o Senhor do Castelo - 01

15 — EU SOU O SENHOR DO CASTELO (Je Suis le Seigneur du Château)

Filmes com criança nem sempre são filmes infantis. Aqui, o filho do dono de uma mansão empreende uma rivalidade feroz contra o filho da empregada.
França. Direção: Régis Wargnier. Roteiro: Alain Le Henry e Régis Wargnier. Elenco: Régis Arpin, David Behar, Jean Rochefort, Dominique Blanc.

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Campo dos Sonhos - 01

16 — CAMPO DOS SONHOS (Field of Dreams)

Um dos melhores feel good movies, que aposta numa história difícil de levar a sério: um fazendeiro que ouve vozes que dizem para construir um campo de beisebol no meio de um milharal. E aí grandes jogadores do passado aparecem do além para bater uma bolinha. Mas, embarcando, é uma delícia de ver.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Phil Alden Robinson. Elenco: Kevin Costner, Amy Madigan, Ray Liotta, James Earl Jones, Burt Lancaster, Gaby Hoffmann.

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Shirley Valentine - 01

17 — SHIRLEY VALENTINE (Shirley Valentine)

Russell adapta a própria peça de sucesso, com a mesma Pauline Collins, que ganhou um Tony pelo papel: uma dona-de-casa inglesa tão solitária que dá bom dia às paredes e quebra a quarta parede para conversar com o espectador. Nada que uma viagem à Grécia não mude. Gilbert digiriu três filmes de 007 nos anos 1960 e 1970.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: Lewis Gilbert. Roteiro: Willy Russell. Elenco: Pauline Collins, Tom Conti, Joanna Lumley.

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Meu Pe Esquerdo - 06

18 — MEU PÉ ESQUERDO (My Left Foot — The Story of Christy Brown)

A história real de Christy Brown, que nasceu com paralisia cerebral e descobriu como escrever e pintando com a única parte do corpo que conseguia controlar: o pé esquerdo. O primeiro dos três Oscars de Day-Lewis.
Irlanda/ Reino Unido. Direção: Jim Sheridan. Roteiro: Shane Connaughton e Jim Sheridan. Elenco: Daniel Day-Lewis, Brenda Fricker, Alison Whelan, Fiona Shaw.

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Batman-1989-20

19 — BATMAN (Batman)

A primeira grande adaptação do Homem-Morcego para os cinemas detonou uma batmania mundial. O filme é cheio de senões (o Coringa ser responsável pela morte dos pais do Batman, pro exemplo), muita gente reclamou de Keaton como o herói, mas o Coringa de Nicholson é brilhante e Burton conseguiu impor sua marca autoral, isso não se pode negar.
Estados Unidos. Direção: Tim Burton. Roteiro: Sam Hamm, Warren Skaaren. Elenco: Michael Keaton, Jack Nicholson, Kim Basinger, Jack Palance, Billy Dee Williams.

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M8DSEOF EC020

20 — VÍTIMAS DE UMA PAIXÃO (Sea of Love)

Al Pacino encerrou um hiato de quatro anos sem um filme com esse noir moderno, em que é um policial que investiga assassinatos e se envolve com uma mulher que pode ser a culpada. Nesse papel, está Ellen Barkin, em seu papel mais memorável e sexy.
Estados Unidos. Direção: Harold Becker. Roteiro: Richard Price. Elenco: Al Pacino, Ellen Barkin, John Goodman, Michael Rooker, Richard Jenkins, William Hickey, Samuel L. Jackson.

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OS 10 PIORES

Orquidea Selvagem - 01

1 — ORQUÍDEA SELVAGEM

Uma advogada é levada a um turismo erótico pelo Rio de Janeiro por um milionário. Produtor e roteirista de 9 1/2 Semanas de Amor (1986), King tentou reproduzir o sucesso com o mesmo Mickey Rourke e a modelo Carré Otis, linda, mas inexpressiva, no lugar de Kim Basinger. O resultado foi péssimo, onde pessoas dobrando uma esquina no Rio e saindo em Salvador era o de menos.
Estados Unidos. Direção: Zalman King. Roteiro: Patricia Louisianna Knope e Zalman King. Elenco: Carré Otis, Mickey Rourke, Jacqueline Bisset, Assumpta Serna, Milton Gonçalves.

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2 — O JUSTICEIRO (The Punisher, Austrália/ Estados Unidos) Direção: Mark Goldblatt. Elenco: Dolph Lundgren, Louis Gossett Jr. Versão podreira muito longe do que a Marvel é hoje no cinema.

3 — DOIDA DEMAIS (Brasil) Direção: Sergio Rezende. Elenco: Vera Fischer, Paulo Betti, José Wilker. Aventura que tenta usar a sensualidade de Vera Fischer e não muito mais.

4 — A MOSCA II (Estados Unidos) Direção: Chris Walas. Elenco: Eric Stoltz, Daphne Zuniga. Caça-níquel total.

5 — CONDENAÇÃO BRUTAL (Lock Up, Estados Unidos). Direção: John Flynn. Elenco: Sylvester Stallone, Donald Sutherland, Tom Sizemore. Um dos piores filmes de Stallone e essa é uma escolha difícil

6 — GUERREIRO AMERICANO III (American Ninja III Blood Hunt, Estados Unidos/ Canadá/ África do Sul). Direção: Cedric Sundstrom. Elenco: David Bradley, Steve James. Essa série foi uma praga com toda a cara da produtora Golan-Globus.

7 — LOUCADEMIA DE POLÍCIA VI — CIDADE EM ESTADO DE SÍTIO (Police Academy VI City Under Siege, Estados Unidos) Direção: Peter Bonerz. Elenco: Michael Winslow, G.W. Bailey, Bubba Smith, David Graf, George Gaynes, Leslie Easterbrook, Marion Ramsey. Steve Gutenberg já tinha pulado fora dois filmes atrás e a série não aprendeu com o filme anterior que era hora de acabar.

8 — MATADOR DE ALUGUEL (Road House, Estados Unidos). Direção: Rowdy Herrington. Elenco: Patrick Swayze, Kelly Lynch, Sam Elliott, Ben Gazzara. Patrick Swayze como leão de chácara. Pior que Dirty Dancing.

9 — OS TRAPALHÕES NA TERRA DOS MONSTROS (Brasil) Direção: Flávio Migliaccio. Elenco: Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Zacarias, Angélica, Conrado, Gugu Liberato, Vanessa de Oliveira. Os Trapalhões têm filmes bons e ruins. Mas esse aqui sofre com péssimos monstrinhos (e falo também das atuações de Angélica, Conrado e Gugu).

10 — CONFUSÕES DE UM SEDUTOR (Skin Deep, Estados Unidos). Direção: Blake Edwards. Elenco: John Ritter, Vincent Gardenia, Nina Foch. Deve ser o pior filme da carreira de Blake Edwards. Ele parece ter feito esse filme antes e muito melhor.


EDIÇÕES:

Em 15/5/2020: Sai Ata-me, que entrou para a lista de 1990. Entrou Ilha das Flores, em 3º. E Sexo, Mentiras e Videotape caiu de 6º para 10º.


Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria. Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada, claro, aos filmes que vi — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes dessa lista ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano.


OUTRAS LISTAS:

Hair - 03

Renn Woods em “Aquarius”, de “Hair” (1979)

70. ‘THE SHORTY GEORGE’, de Bonita como Nunca (1942)
Com Fred Astaire, Rita Hayworth (voz de Nan Wynn) e Xavier Cugat e sua orquestra. Direção: William A. Seiter. Direção de dança: Val Raset. Coreografia: Fred Astaire e Nicanor Molinare. Canção de Jerome Kern e Johnny Mercer.

Fred Astaire e Rita Hayworth tinham mesmo alguma coisa mágica entre eles. Basta a graça, a química entre eles, o bom humor e essa grande música para transformar esse número simples numa delícia de ver. Infelizmente o símbolo sexual impressionante que Rita se tornaria dali a pouco parece que eclipsou um pouco esse seu talento como dançarina. Mas olha como ela era ótima! O número é uma homenagem a George “Shorty” Snowden, dançarino negro do Harlem nos anos 1920 e 1930.

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69. ‘LET IT GO’, de Frozen — Uma Aventura Congelante (2013)
Com Idina Menzel. Direção: Chris Buck e Jennifer Lee. Canção de Kristen Anderon-Lopez e Robert Lopez.

Um dos maiores sucesso musicais da Disney dos últimos tempos, inevitável Oscar de melhor canção, é uma poderosa canção de autoafirmação que começa praticamente do zero e vai num crescendo: no ânimo da Rainha Elsa e na animação, que começa numa paisagem gelada de céu e neve para terminar num castelo erguido do gelo e a luz do sol. A sequência da ponte é particularmente bonita.

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68. ‘LULLABY OF BROADWAY’, de Mordedoras de 1935 (1935)
Com Wini Shaw, Ramon & Rosita, Dick Powell, Alice Brady e elenco. Direção e coreografia: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

Há muito a dizer sobre esse impressionante número de 1935, que leva 13 minutos. É outro daqueles números que no filme se passam num palco, mas impossíveis de caber em um de verdade. Um curta-metragem dentro do filme. Começa pelo incrível plano da cabecinha da cantora “flutuando” lá no fundo preto enquanto a câmera lentamente se aproxima até um superclose (recriado com Doris Day em 1951). Um show de iluminação e câmera. Depois, a girada e o rosto que se torna a Broadway. Depois começa o ruge-ruge do dia na cidade grande. Também há quem chegue da noitada. Para estes, o dia só começa de novo à noite e a noite é deles. O nightclub parece que é só do casal vivido por Dick Powell e Alice Brady. Eles são a única plateia para as dezenas de dançarinos que fazem aquelas coreografias gigantescas de Berkeley. E a câmera dança: o diretor-coreógrafo os filma em 90º de cima e até em 90º de baixo, mostrando as solas dos pés. Um delírio que cresce até terminar em tragédia.

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67. STREET DANCE TO RAISE MONEY, de A Pequena Rebelde (1935)
Com Shirley Temple e Bill “Bojangles” Robinson. Direção: David Butler.

Shriley Temple tinha 7 anos, Bill Robinson tinha 57. Eles formaram o primeiro casal de dançarinos inter-racial do cinema em cenas cheias de graça como esta, que nem foi a primeira (que aparecerá na lista mais tarde). Aqui, eles dançam na rua e passam o chapéu para arrumar fundos e salvar o pai da menina, prisioneiro na guerra civil americana. O filme tem sua dose de racismo (aquela coisa do “bom escravo”), mas, ao menos, registra o talento do genial Bojangles e ajudou a quebrar essa barreira: uma branca e um negro dançando juntos.

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66. ‘THE GOLD DIGGERS’ SONG (WE’RE IN THE MONEY)’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Ginger Rogers e elenco. Direção: Mervyn LeRoy. Direção de dança e coreografia: Burby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

“Estamos montadas na grana” é o que basicamente dizem as primeiras palavras de Cavadoras de Ouro, cantadas por Ginger Rogers. Do close de Ginger passamos para as outras as dançarinas e delas para o plano aberto em que vemos que se trata do ensaio de um número de teatro. A dupla ironia é que, sem o espetáculo, as dançarinas estarão quebradas; e o país inteiro estava ainda sobre os efeitos devastadores da Grande Depressão. Detalhe: em determinado trecho, Ginger canta em “pig-latin”, um jogo infantil de mudar palavras para transformá-las em código (meio como fazemos aqui com a língua do P).

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65. ‘STEP IN TIME’, de Mary Poppins (1961)
Com Dick van Dyke, Julie Andrews e elenco. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

Como as pessoas nas casas embaixo não reclamavam do barulho do incrível sapateado dos limpadores de chaminés em seus telhados? Deve fazer parte da magia de Mary Poppins, mas o fato é que a coreografia de extremo vigor tem poucas competidoras no quesito animação. A participação de Julie Andrews, na segunda metade do número, dá um charme extra e mil rodopios extras.

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64. ‘THINK’, de Os Irmãos Cara de Pau (1980)
Com Aretha Franklin, Matt Murphy, Carolyn Franklin, Brenda Bryant Corbett, Margaret Branch, Lou Marini, John Belushi, Dan Aykroyd. Direção: John Landis. Coreografia: Carlton Johnson. Canção de Ted White e Aretha Franklin.

A inigualável Aretha Franklin faz uma participação enérgica no filme com nova versão de seu sucesso de 1968. No restaurante meio fuleira do casal, Aretha dá uma prensa no maridão, Matt “Guitarra” Murphy, quando os Blues Brothers aparecem para convocá-lo (e ao sax “Blue” Lou Marini) para voltar à banda. Daqui a pouco, o plano que abre das três garotas do coro para os Blues Brothers participando da coreografia. E, sobre o balcão, Lou Marini fazendo uns passinhos. Tudo muito divertido.

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63. ‘EPILOGUE’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Emma Stone e Ryan Gosling. Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz.

À moda de Sinfonia de Paris (1951), La La Land reservou uma fantasia musical para seu clímax. Aqui, ao reencontrar o amor do passado, a personagem de Emma Stone reimagina a própria história desde o momento em que o conheceu, mas com mudanças em que eles terminam juntos. Como o sonho é dela, ele é que abre mãos dos seus sonhos para segui-la. Diversos segmentos embalados em rebuscamento visual e citações de musicais clássicos. É lindo e é triste: uma lembrança do que poderia ter sido.

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62. ‘AQUARIUS’, de Hair (1979)
Com Renn Woods e elenco. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt McDermot, Gerome Ragni e James Rado.

A música mais famosa de Hair é uma declaração filosófica na abertura, estabelecendo o que virá pela frente. O que acontecia no palco, ali ganhava o Central Park, com coreografia que inclui ironias contra a autoridade (os hippies fazendo os cavalos dos policiais dançarem). Os protagonistas do filme aparecem no número, mas sem cantar ou dançar. Quem canta é Renn Woods, com flores no cabelo (como mandava aquela canção de Scott McKenzie, mesmo que fosse sobre San Francisco e não Nova York) e câmera sempre girando em torno, ela que havia feito Raízes em 1977, na TV.

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61. ‘STORMY WEATHER’, de Tempestade de Ritmos (1943)
Com Lena Horne e Katherine Dunham. Direção: Andrew L. Stone. Direção de dança: Nick Castle. Coreografia: Clarence Robinson. Canção de Harold Arlen e Ted Koehler.

A espetacular Lena Horne foi outra vítima do racismo em Hollywood. Grande cantora e muito linda, era relegada pela MGM a participações como cantora nos filmes, para que os números pudessem simplesmente ser cortados quando exibidos para as plateias racistas do sul dos Estados Unidos. Por isso, ela raramente teve a chance de ter um papel, muito menos de protagonista. Isto aconteceu em filmes como este, com elenco negro, dirigido a um “público negro”. Sua interpretação definitiva de “Stormy weather” mostra o que o cinema muitas vezes preferiu perder. O número tem aquela curiosidade de passar de um palco para uma realidade fantasiosa que não caberia num ambiente fechado. É onde aparece a dança de Katherine Dunham. Um dos grandes nomes negros da dança também como coreógrafa, ela fez carreira acadêmica no campo da antropologia da dança.

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Bela e a Fera - 1991 - 31

A BELA E A FERA (Gary Trousdale e Kirk Wise, 1991)
⭐⭐
Diário de Filmes 2019: 16

Primeira animação indicada ao Oscar de melhor filme (numa época em que não havia uma categoria própria e eram só cinco indicados), A Bela e a Fera consolidou o renascimento dos longas da Disney após um período de baixa. O primeiro número musical, “Belle”, já mostra as cartas do filme: uma animação estupenda de um número musical que é pura Broadway. O que vem pela frente navega entre o drama, o horror, a ação e, naturalmente, o filme para crianças.

Pequeno Príncipe - 2015 - 02

O PEQUENO PRÍNCIPE (Mark Osborne, 2015)
⭐⭐
Diário de Filmes 2019: 14

Segunda vez no ano porque é hit com Arthur aqui em casa. A interação entre a parte nova, da garotinha adulta, com a adaptação propriamente dita do livro (esta em stop-motion com papel) sempre me encanta.

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