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DIÁRIO DE FILMES 2018: 15 – WALL-E
Sem borda - 05 estrelas

A Terra tomada pelo lixo e deserta: apenas um robozinho permanece limpando lixo, que forma montanhas maiores que os arranha-céus. Como uma animação de premissa tão deprê poderia funcionar numa produção a princípio infantil? Mas o protagonista tem tanto de Chaplin e de Buster Keaton que sustenta 40 minutos praticamente sem falas. Uma visão do futuro tão aterradora quanto divertida. Uma obra-prima desde o primeiro segundo, estabelecendo a relação com o musical Alô, Dolly (1969) que depois vai nortear a relação romântica com a mais avançada Eva.

Wall-E. Wall-E. Estados Unidos, 2008. Direção: Andrew Stanton. Elenco: Fred Willard. Vozes na dublagem original: Ben Burtt, Elissa Knight, Jeff Garlin, John Ratzenberger, Kathy Najimi, Sigourney Weaver. Vozes na dublagem brasileira: Cláudio Galvan, Sylvia Salustti, Reginaldo Primo, Guilherme Briggs, Priscila Amorim. Em DVD.

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Ratatouille

DIÁRIO DE FILMES 2018: 14 – RATATOUILLE
Sem borda - 05 estrelas

Mais de dez anos após o lançamento, Ratatouille permanece um dos melhores filmes da Pixar. Há originalidade na história de um ratinho cozinheiro, mas, sobretudo, há um roteiro bem desenhado e uma narrativa com momentos brilhantes. Como a sequência em que em um plano rápido o filme mostra que os diálogos que ouvimos dos ratinhos são “traduzidos”, a sequência em que Remy sobe por dentro das paredes de um prédio, a fuga com os documentos pelas ruas de Paris, o momento proustiano do crítico Anton Ego, sua crítica e as imagens que a acompanham.

Ratatouille. Ratatouille. Estados Unidos, 2007. Direção: Brad Bird. Vozes na dublagem original: Patton Oswalt, Lou Romano, Ian Holm, Janeane Garofalo, Peter O’Toole, Brian Dennehy. Vozes na dublagem brasileira: Philippe Maia, Thiago Fragoso, Márcio Simões, Samara Felippo, Lauro Fabiano, Carlos Gesteira. Em DVD.

Viva - 02

Miguel e a bisavó Lupita: indo além do esperado

VIVA – A VIDA É UMA FESTA
Estrelas-04 e meia juntas-site

Saudade é vida

. por Renato Félix

Se existe vida além da morte, o que seria “a morte da morte”? Viva – A Vida É uma Festa (2017) dá sua visão: é o esquecimento. Nossos mortos continuam vivos em nossas memórias. Se nos esquecemos deles, eles deixam de existir. Com essa base, o estúdio de animação – que tem alternado seus melhores momentos com continuações meio no piloto automático – volta à sua melhor forma.

E essa melhor forma vem principalmente da combinação de roteiro e animação para esculpir personagens que conseguem transmitir grandes e complexas emoções, por mais que o filme não perca de vista o público infantil e o alto astral. Então, mais uma vez, humor, música e cores (mesmo no mundo dos mortos) são colocados como a base em que, quando menos se percebe, é construído algo que vai além.

O tema –  a morte –  é delicado e complexo, tanto que o marketing tentou desviar do assunto o melhor que pôde. O título brasileiro, então, exagera desnecessariamente na alegria. A vida não é uma festa para Miguel, o protagonista. O garoto quer ser músico, mas a família é contra: quer que ele siga a tradição sem graça dos parentes e seja um sapateiro.

O que ajuda o filme é que evidentemente a trama se passa no México, onde o Dia de Finados é encarado de uma maneira muito particular. Segundo a tradição, é o dia em que os mortos têm a permissão de visitar os parentes e amigos vivos. Enquanto a família tem um altar com fotos dos parentes que já se foram, Miguel tem o seu particular para Ernesto de la Cruz, um antigo ídolo da música.

Uma situação limite o leva, vivo, ao mundo dos mortos. E para voltar antes do fim do dia, o garoto vai ter que repensar valores familiares, sua vocação e descobrir segredos do passado. Conhece os antepassados, mas sua volta está ligada ao seu futuro e o levará ao encontro do ídolo em quem se espelha. Na jornada, terá a ajuda de Hector, uma caveira que parece ser apenas um alivio cômico, mas é o personagem em que Viva vai se apoiar para chegar mais longe.

O visual do mundo dos mortos é impressionante, começando pela ponte de pétalas que o liga ao mundo dos vivos e as plataformas inspiradas nas pirâmides astecas. Ter que conseguir o “visto de imigração” para passar “para o nosso lado” é uma situação que não pode estar ali por acaso.

E a animação aproveita para muitas brincadeiras visuais, lembrando tanto clássicos da Warner Bros. quanto o curta A Dança dos Esqueletos (1929), uma das primeiras Silly Symphonies da Disney.

A aventura misturada com comédia familiar começa a abraçar outras emoções quando entra em cena a possibilidade do esquecimento desses personagens mortos, mas com tanta vida, por parte de quem ficou por aqui (através da saudade). Coco, o título original (de que a Disney Brasil teve tanto medo de um trocadilho infame), se refere a personagem da bisavó, já sofrendo do mal de Alzheimer. É uma pena que o título brasileiro tenha desperdiçado essa relação com a personagem.

Linhas se cruzam e surgem algumas soluções que são mais fáceis e certos segredos que podem ser previstos a uma boa distância pelo espectador. Mas nada disso chega a ser um problema. As qualidades do filme de Lee Unkrich (é se segundo longa como diretor; o primeiro foi Toy Story 3) compensam, como centrar em dois personagens até então coadjuvantes (Hector e Coco, que aqui no Brasl foi rebatizada como Lupita) para construir uma cena de dimensão tão grande, que já está no rol daquelas da Pixar que arrancam lágrimas do espectador.

Viva! – A Vida É uma Festa. Coco. EUA, 2017. Direção: Lee Unkrich, Adrian Molina. Vozes na dublagem original: Anthony Gonzalez, Gael García Bernal, Benjamin Bratt, Alanna Ubach, Renee Victor, Alfonso Arau. Vozes na dublagem brasileira: Arthur Salerno, Leandro Luna, Nando Prado, Adriana Quadros.

* Crítica estendida da original publicada no Correio da Paraíba, em 13 de janeiro de 2018.

Touro Ferdinando

DIÁRIO DE FILMES 2018: 9 – O TOURO FERDINANDO
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A história é bem conhecida, seja pelo livro de Munro Leaf (ilustrado por Robert Lawson), de 1936, ou pelo curta animado da Disney, vencedor do Oscar, de 1938. O desafio da Blue Sky e do diretor Carlos Saldanha foi ampliar a trama. Esse trabalho é bem feito, adicionando uma fuga, uma vida paralela, mas o retorno ao andamento básico da trama: picado por uma abelha, o gentil Ferdinando sai doido e é confundido com um touro bravo, indo parar numa arena. O clímax contra o toureiro é muito bom. Uma coisa que atrapalha é o excesso de personagens: não basta ter um ouriço malandro, são três; não basta ter um cavalo arrogante, são três!

O Touro Ferdinando. Ferdinand. EUA, 2017. Direção: Carlos Saldanha. Vozes na dublagem original: John Cena, Kate McKinnon, Lily Day, David Tennant, Gina Rodriguez, Jeremy Sisto. Vozes na dublagem brasileira: Thalita Carauta, Maísa Silva, Otaviano Costa. No cinema.

Bee Movie

DIÁRIO DE FILMES 2018: 8 – BEE MOVIE – A HISTÓRIA DE UMA ABELHA
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Arthur voltou a assistir Bee Movie e eu com ele. É meio consenso que essa animação podia ter rendido mais, mas acho, no geral, bastante boa, com boas ideias e alguns momentos acima da média. Como virar um filme de tribunal em certo momento, com destaque para o depoimento de Sting. Ou o mosquito advogado: “Eu já era um grande sanguessuga, mesmo”. Uma coisa interessante é que, sendo um projeto concebido e estrelado por Jerry Seinfeld, a persona do comediante é figura forte para quem vai assistir ao filme e gosta da série: a dublagem em português não consegue corresponder a isso. Não por deficiência no trabalho do grande Guilherme Briggs, claro, mas porque são vozes bem diferentes e o efeito se perde. Provavelmente, uma perda inevitável, assim como muitos trocadilhos intraduzíveis do original (já começa no título: Bee Movie lembra “B movie” ou “filme B”).

Bee Movie – A História de uma Abelha. Bee Movie. Estados Unidos, 2007. Direção: Simon J. Smith, Steve Hickner. Vozes da dublagem original: Jerry Seinfeld, Renée Zellweger, Matthew Broderick, Patrick Warburton, John Goodman, Chris Rock, Kathy Bates, Barry Levinson, Larry King, Ray Liotta, Sting, Oprah Winfrey, Megan Mullaly, Rip Torn, Michael Richards. Vozes na dublagem brasileira: Guilherme Briggs, Fernanda Baronne, Alexandre Moreno. Em DVD.

Com Amor Van Gogh 2

DIÁRIO DE FILMES 2018: 6 – COM AMOR, VAN GOGH
Sem borda - 04 estrelas

Todo animado a partir de pinturas a óleo, o filme da polonesa Dorota Kobiela e do britânico Hugh Welchman é um evento visual. A narrativa bebe na fonte de Cidadão Kane para recontar os últimos dias do pintor holandês. Mais detalhes na minha crítica.

Com Amor, Van Gogh. Loving Vincent. Reino Unido/ Polônia, 2017. Direção: Dorota Kobiela, Hugh Welchman. Vozes na dublagem original: Douglas Booth, Robert Gulaczyk, Saoirse Ronan. No cinema.

Com Amor Van Gogh

Metalinguagem do filme evoca estilo de Van Gogh

COM AMOR, VAN GOGH
Sem borda - 04 estrelas

Um mundo pintado a óleo

por Renato Félix

É difícil não se impressionar. Uma equipe de 100 artistas, comandados pelos diretores Dorota Kobiela e Hugh Welchman, pintou centenas e centenas de quadros a óleo que foram animados para gerar Com Amor, Van Gogh (2017), filme em que o jovem filho de um carteiro é encarregado de entregar uma carta do pintor holandês, um ano após a morte dele. Viajando à procura da família de Van Gogh, vai conhecendo pessoas que o conheceram e foram retratadas por ele.

Começa aí um processo narrativo semelhante ao de Cidadão Kane (1941). O jovem Armand ouve de cada um versões sobre a vida de Van Gogh, passando pela infância e pelo episódio dramático do corte da própria orelha. Mas os relatos são especialmente sobre seus últimos dias, que desembocaram no tiro que deu contra si mesmo, resultando na morte do pintor dois dias depois.

Armand questiona a versão do suicídio – ele terá mesmo se matado ou terá sido assassinado? – e procura entender o intenso artista e seus tormentos. A narrativa segue o modelo de Cidadão Kane de perto, com cada depoimento puxando uma cena do passado (mostradas em preto-e-branco). Através delas, quadros de Van Gogh são recriados quando surgem os personagens com quem ele conviveu e pintou.

Não é uma narrativa que busca inovação e talvez até seja didática demais. Mas o projeto todo é comovente pelo carinho pelo seu personagem, que transborda de cada cena. Muito, claro, pelo esforço em narrar tudo seguindo o estilo visual de Van Gogh. Uma metalinguagem e tanto.

A técnica fica mais evidente nos momentos coloridos e, curiosamente, as cenas  com “movimento de câmera” dão uma curiosa sensação de que é o cenário que está se movimentando, não os personagens. As cenas em preto-e-branco “escondem” mais as pinceladas. Mas a graça, claro, não é escondê-las, mas que a técnica esteja bem evidente. Um retrato visual fiel da realidade, afinal, não era pretendido por Van Gogh e, também não o é pelo filme.

Com Amor, Van Gogh. Loving Vincent. Reino Unido/ Polônia, 2017. Direção: Dorota Kobiela, Hugh Welchman. Vozes na dublagem original: Douglas Booth, Robert Gulaczyk, Saoirse Ronan. No cinema.

 

Estreias 10.26

Atenção para as estreias do cinema no circuito paraibano nesta quinta, 26 de outubro. É uma semana movimentada, com nove estreias e uma reestreia.

O blockbuster da semana é o elogiado Thor – Ragnarok, o terceiro solo do deus do trovão. Cris Hemsworth tem a companhia de Mark Ruffalo como Hulk, Tom Hiddleston como Loki e de Cate Blanchett, a grande vilã. Estreia quinta em JP (Cinépolis Manaíra, Centerplex MAG, Cinesercla Tambiá, Cinépolis Mangabeira), CG (Cinesercla Partage) e Patos (Cine Guedes).

Premiado em Berlim, Uma Mulher Fantástica lidera as estreias do Cine Banguê, em João Pessoa, sábado. Também chegam por lá o elogiado As Duas Irenes, a partir de segunda, e o documentário Gaga – O Amor pela Dança, a partir de domingo. E, a partir de domingo, a reestreia de Como Nossos Pais, da Laís Bodanzky, que já esteve em cartaz, mas por pouco tempo.

Em tempo: neste sábado, a partir das 15h, o Banguê exibe uma mostra comemorando o Dia da Animação. Em tempo 2: a reestreia do antológico  Cidade dos Sonhos no Banguê já tem data: é no dia 2.

O Centerplex MAG exibe sozinho três estreias: Manifestotour de force experimental em que Cate Blanchett interpreta 13 personagens (e ela, lembrando, ainda está também em Thor – Ragnarok); O Formidável, sobre Jean-Luc Godard e do diretor de O Artista, Michel Hazanavicius (que passa apenas sábado e domingo); e A Menina Indigo, do diretor de Nosso Lar.

O criticado Pelé – O Nascimento de uma Lenda, produção americana sobre a juventude do rei do futebol, entra só no Cinépolis Manaíra. E ainda tem a animação europeia Missão Cegonha, em JP (Cinépolis Manaíra, Cinesercla Tambiá e Cinépolis Mangabeira).

 


TRAILERS:

  • Thor – Ragnarok:

  • Uma Mulher Fantástica:

  • As Duas Irenes:

  • Manifesto:

  • O Formidável:

  • Gaga – O Amor pela Dança:

  • A Menina Indigo:

  • Pelé – O Nascimento de uma Lenda:

  • Missão Cegonha:

  • Como Nossos Pais:

Turma do Charlie Brown - 01

16 de julho, há 40 anos: Estreia, em 1977, o filme A Turma do Charlie Brown. Rebatizado anos depois na TV a cabo como Corra por Sua Vida, Charlie Brown, é o terceiro longa-metragem animado estrelado pelos personagens criados por Charlie M. Schulz para a tira Peanuts. Os primeiros são Charlie Brown e Snoopy (1968) e Volte para Casa, Snoopy (1972). A animação segue o estilo dos especiais animados de cerca de 25 minutos vinham sendo produzidos para a TV desde 1965. O filme não tem trilha musical de Vince Guaraldi, responsável pelo acento jazzístico da trilha dos especiais, porque o músico morreu meses antes de a produção começar.

Pernalonga - What_s Opera, Doc-02

1º de julho, há 60 anos: É lançado, em 1957, o curta animado Vai de Ópera, Velhinho? (What’s Opera, Doc?), de Chuck Jones. Estrelado por Pernalonga e Hortelino, numa paródia do estilo e temáticas das óperas de Wagner (em especial, O Anel dos Nibelungos, mas há trechos que remetem a O Holandês Voador entre outras obras do compositor alemão), o desenho animado foi eleito o melhor de todos os tempos, em 1994, em uma eleição com mil membros da indústria de cinema de animação. Também foi o primeiro curta de animação eleito para preservação pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Além de ser um dos três únicos curtas em que Hortelino derrota Pernalonga, é o último com o personagem troca-letras dirigido por Jones.

 

A seguir, os meus melhores filmes de 2016, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, como em todo ano, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

O número de filmes em cartaz em João Pessoa explodiu em 2016: foram 258 estreias contra as 163 de 2015 e 164 de 2014. O recorde anterior, desde 2006, ano em que o Boulevard começou a fazer esse acompanhamento, havia sido 165 em 2007. Os motivos determinantes para esse aumento são a inauguração do novo Cine Banguê, que vem servindo filmes que não passam nos demais cinemas, e alguma diversidade no Cinépolis e no Cinespaço.

THE REVENANT

1 – O REGRESSO, de Alejandro González Iñarritu

Iñarritu é um diretor que arrisca muito em suas narrativas, nem sempre com sucesso. Mas quando acerta, entrega coisas belas como este O Regresso, a jornada selvagem e espiritual de um homem em busca de outro que o deixou para morrer, aós ter sido atacado por um urso. A interpretação visceral de Leonardo DiCaprio foi, com toda a justiça, premiada com o Oscar, o Globo de Ouro, o SAG e o Bafta. Crítica no Boulevard

Elle - 03

2 – ELLE, de Paul Verhoeven

Isabelle Huppert matadora, para variar, em um filme desconcertante e doentio – Paul Verhoeven sendo Paul Verhoeven. Isabelle é uma mulher fria e cerebral que é estuprada dentro de casa por um mascarado e lida ao seu modo com a possibilidade de um novo ataque.

Aquarius - 06

3 – AQUARIUS, de Kléber Mendonça Filho

Sônia Braga é a única moradora que restou em um antigo prédio que uma construtora quer demolir. Mas ela luta pelo direito de preservar suas memórias afetivas. Uma bela defesa de que coisas – como discos ou um apartamento – podem não ser apenas “coisas”.

Zootopia - 06

4 – ZOOTOPIA – ESSA CIDADE É O BICHO, de Byron Howard e Rich Moore

No que parecia apenas mais uma sátira de bichinhos se comportando como seres humanos, desenrola-se uma imaginação bem cuidada de como seria essa cidade levando-se em consideração as características dos animais antropomorfizados, uma história policial instigante e uma crítica surpreendente e dura aos preconceitos de quem se acha o mocinho.

Spotlight - 01

5 – SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS, de Tom McCarthy

Com uma história que tinha tudo para mergulhar no melodrama, essa trama que conta a investigação jornalística que expôs o escândalo de pedofilia da Igreja de Boston é contida e precisa em sua narrativa. Crítica no Boulevard

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6 – CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL, de Anthony Russo e Joe Russo

Um filme de super-heróis que reflete sobre si mesmo, sobre o gênero e seus personagens. E coloca os dois personagens principais do universo cinematográfico da Marvel com o peso dramático acumulado em todos estes anos e filmes.

Bruxa - 03

7 – A BRUXA, de Robert Eggers

Famílias isoladas à mercê do sobrenatural não são exatamente uma novidade, mas este filme consegue imprimir um clima opressor e tanto. Crítica no Boulevard

Cinco Gracas - 03

8 – CINCO GRAÇAS, de Deniz Gamze Ergüven

Cinco irmãs jovens e cheias de vida vítimas de um tio que as prende em casa e as obriga a casamentos arranjados. O filme nos leva a procurar tanto quanto elas uma saída.

Filho de Saul - 03

 

9 – FILHO DE SAUL, de Lázló Nemes

Filmado quase todo em close, é uma experiência que nos faz acompanhar de perto o drama pesado e doloroso de um homem que tenta impedir que o filho morto seja incinerado pelo nazistas. Ao menos isso.

ARRIVAL

 

10 – A CHEGADA, de Denis Villeneuve

Uma ficção científica que recusa a pirotecnia e celebra o poder da comunicação. Denis Villeneuve evoca o Spielberg de Contatos Imediatos do Terceiro Grau.

+ 10: A Grande Aposta, de Adam McKay; Deadpool, de Tim Miller; Mia Madre, de Nanni Moretti; Café Society, de Woody Allen; Sully, o Herói do Rio Hudson, de Clint Eastwood; Rogue One – Uma História Star Wars, de Gareth Edwards; Star Trek – Sem Fronteiras, de Justin Lin; Carol, de Todd Haynes; Jogo do Dinheiro, de Jodie Foster; Animais Fantásticos e Onde Habitam, de David Yates.

***

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MAIS RETROSPECTIVA 2016:

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“Moana – Um Mar de Aventuras” (2016)

4 – MOANA – UM MAR DE AVENTURAS

por Renato Félix

Em determinado momento de Moana – Um Mar de Aventuras, o semideus polinésio Maui a chama – com desdém – de princesa. “Não sou uma princesa”, ela retruca. “É a filha do chefe, é a mesma coisa”, rebate ele, e emenda: “Se usa um vestido e tem um bichinho de parceiro, é uma princesa”. A personagem-título de sua nova animação é mais uma tentativa da Disney de dar um passo à frente na modernização do conceito de “princesa”, um patrimônio cultural e de marketing do estúdio desde Branca de Neve, em 1937.

Moana não é uma princesa decorativa: é treinada para um dia governar. Desafia o pai o tempo todo no seu contrasenso de comandar um povo da Polinésia e ter medo do mar. Um dia, o destino faz a menina navegar como seus antepassados para encontrar Maui e reverter uma maldição que chega à sua ilha.

Se em A Princesa e o Sapo (2009), a princesa resiste ao romance por aspirações profissionais (mas se rende no decorrer do filme), se em Valente (2012) a princesa rejeitava seus pretendentes, e se em Frozen (2013) o príncipe se revelava o vilão (e o verdadeiro interesse amoroso estava em segundo plano), nesta progressão agora não há qualquer sinal de príncipe encantado à vista. A relação entre Moana e Maui está mais para irmão mais velho/ irmã caçula.

Mas mesmo com esse esforço de modernização, em termos de narrativa ainda é difícil não relacionar motivações e parte da jornada de Moana às de outras princesas Disney, como Ariel, de A Pequena Sereia (1989, dos mesmos diretores John Musker e Ron Clements) ou Belle, de A Bela e a Fera (1991).

Como Ariel, Moana tem curiosidade pelo mundo além das fronteiras do seu, mas é tolhida pelo pai. As duas possuem, ainda no primeiro terço de seus filmes, uma canção de “eu anseio por mais”, assim como outras princesas Disney. Foi “Part of your world” para Ariel em A Pequena Sereia, “Almost there” para Tiana em A Princesa e o Sapo (outro Musker-Clements), “When will my life begin?” para Rapunzel em Enrolados (2010), e é “How far I’ll go” em Moana.

É uma bela canção (que está indicada ao Oscar) de uma bela trilha, que reflete um cuidado da produção ao trabalhar com a cultura local. As canções ficaram a cargo de uma parceria entre o letrista novaiorquino Lin-Manuel Miranda e o músico Opetaia Foa’i. Dos números musicais, o melhor é “You’re welcome”, em que Maui (Dwayne Johnson no original; o cantor de musical Saulo Vasconcellos, na versão brasileira) bravateia seu heroísmo, com ótimos recursos visuais.

O visual arrebatador é um dos pontos em que Musker e Clements mostram a competência de sempre. Assim como no carisma dos personagens e um humor que sobrevive a certos atalhos fáceis e desnecessários do roteiro, como os bichinhos que não contribuem em nada para a trama (apesar de o galo burro ser ocasionalmente engraçado). Ou como o mar “vivo” que ajuda a heroína, que sempre parece um recurso forçado (embora também tenha ocasionalmente sua graça).

Aliás, a relação de Moana com o mar podia ser mais próxima na introdução da história. Embora ela seja naturalmente atraída por ele e, além disso, seja “a escolhida” desde bebê para reverter a maldição, não há nenhuma cena da garota em intimidade com o mar, mesmo morando em uma aldeia à beira-mar. Nem um simples mergulho.

No fim, Musker e Clements, oriundos das animações feitas à mão, fazem uma estreia muito boa na animação digital. É uma pena, somente, que isso signifique mais uma pá de cal nos longas feitos à mão, que renderam vários dos melhores exemplares do gênero. O último longa para o cinema a sair da própria Disney foi justamente A Princesa e o Sapo, já há seis anos.

Moana – Um Mar de Aventuras. Moana. Estados Unidos, 2016. Direção: John Musker, Ron Clements. Vozes na dublagem original: Auli’i Cravalho, Dwayne Johnson, Rachel House. Vozes na dublagem brasileira: Any Gabrielly, Saulo Vasconcelos, Saulo Javan, Mariana Elisabetsky. No cinema (Cinespaço MAG). Revisão.

A seguir, os meus melhores filmes de 2015, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, como em todo ano, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

– 163 filmes estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa em 2014 (419 estrearam no Brasil, segundo o levantamento da Abraccine). É um a menos que no ano passado, pertinho do recorde de 2007 (165), marca de antes do fechamento do primeiro multiplex do MAG. O Boulevard faz esse acompanhamento desde 2006.

– A participação do cinema brasileiro foi de 25,76% dos filmes em cartaz, só um pouco menor que no ano passado, quando chegou a 26,8%, melhor marca desde que começamos a contar. Em números brutos, são 42 este ano contra 44 em 2014. Em 2013, foram 32.

Divertida Mente

Raiva, Nojinho, Alegria, Medo e Tristeza: confusão de sentimentos

1 – DIVERTIDA MENTE, de Pete Docter

A Pixar deu uma aula de emoção dentro da mente de uma pré-adolescente. Acompanha ao mesmo tempo a vida dessa menina cujo mundo vira de cabeça para baixo quando a família se muda de cidade e suas emoções básicas personificadas. Tudo vira uma bagunça quando a Alegria e a Tristeza somem da sala de comando. O lance genial é justamente descobrir a beleza e a importância da Tristeza na vida de todos nós. Crítica no Boulevard

Que Horas Ela Volta

Camila Mardila e Regina Casé: filha e mãe que pensam diferente

2 – QUE HORAS ELA VOLTA?, de Anna Muylaert

Conseguiu combinar algo dificílimo no cinema brasileiro: a crítica social e o drama de personagens que conquistam o espectador. Regina Casé lembra a grande atriz que é como a Val, empregada em uma casa rica, que recebe a filha que vai prestar o vestibular. A outra mentalidade da moça, que não se acha inferior a ninguém, sacode a vida de patrões e empregados e ajuda o filme a colocar em xeque uma herança social incômoda . Crítica no Boulevard

Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorancia

Michael Keaton e a sombra dele mesmo o atormentando

3 – BIRDMAN (OU A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), de Alejandro González Iñarritu

O falso plano-sequência único (construído a partir de diversos planos-sequência de verdade e efeitos visuais) é de embasbacar. Mas além disso o filme transpira a angústia de seu protagonista e possui grandes interpretações de todo o elenco (Michael Keaton, Edward Norton e Emma Stone à frente) para um mergulho na necessidade e perigos de fazer arte.

Daisy Riodley, John Boyega (e BB8): filme confia (e faz bem em confiar) nos novos personagens

Daisy Ridley, John Boyega e BB-8 sustentam muito bem o filme

4 – STAR WARS – O DESPERTAR DA FORÇA, de J.J. Abrams

Com cerca de meia hora já adentradas do episódio VII de Guerra nas Estrelas, o espectador pode se dar conta de que nenhum dos personagens clássicos apareceu ainda e ele está acompanhando apenas as aventuras do novos rostos da série (Daisy Ridley, John Boyega, Adam Driver e, claro, o andróide BB-8). Um início corajoso que compensa muito uma rendição excessiva à trilogia original na repetição de certas situações. No fim, há um equilíbrio admirável entre essa herança que nos fez esquecer a trilogia-prelúdio e esperar ansiosamente pelo que o futuro reserva. Crítica no Boulevard

Mad Max - Estrada da Fúria-08

5 – MAD MAX – ESTRADA DA FÚRIA, de George Miller

É incrível pensar que, 30 anos depois, a franquia Mad Max voltaria com o mesmo diretor e uma disposição de se reinventar radicalmente. Semelhante ao segundo filme, o personagem principal é metido em uma situação onde ele é quase testemunha: a fuga de mulheres usadas como reprodutora pelo líder de uma cidade que detém o poder através da posse de um líquido precioso. O que nos anos 1980 era a gasolina, refletindo a crise do petróleo, agora é água. As fugitivas são lideradas por uma feroz Charlize Theron com um braço só. A trama se resume a uma gigantesca fuga sobre rodas pelo deserto, uma estilizada ode ao movimento com o visual alucinado do qual Miller é mestre. Diário de filmes no Boulevard

Pequeno Principe-2015-05

6 – O PEQUENO PRÍNCIPE, de Mark Osborne

Em geral, a decisão de dividir a história original com uma atual, sobre uma garotinha adultizada pela mãe e que conhece seu vizinho, um velho aviador, seria de torcer o nariz. Mas a verdade é que a nova história se alimenta bem do conto de Saint Exupèry e visualmente o filme acerta muito ao separar a animação digital para a nova história e o stop-motion para a trama do livro. E ainda há trilha irrestistível, com canções de Camille.

Mistress America-12

7 – MISTRESS AMERICA, de Noah Baumbach

Em geral, a decisão de dividir a história original com uma atual, sobre uma garotinha adultizada pela mãe e que conhece seu vizinho, um velho aviador, seria de torcer o nariz. Mas a verdade é que a nova história se alimenta bem do conto de Saint Exupèry e visualmente o filme acerta muito ao separar a animação digital para a nova história e o stop-motion para a trama do livro. E ainda há a trilha irresistível, com canções de Camille.

Perdido em Marte

8 – PERDIDO EM MARTE, de Ridley Scott

Não é de hoje que Hollywood é fascinada com a paisagem marciana. E Scott não deixa de usar o que pode dessa paisagem em um filme que também se arrisca e acerta ao passar um tempo considerável apenas com Matt Damon em cena. O bom humor de seu personagem faz não só sua vida menos difícil como ajuda também o espectador nessa travessia.

 

Conto da Princesa Kaguya-04

9 – O CONTO DA PRINCESA KAGUYA, de Isao Takahata

A história da princesinha que nasce em um broto de bambu e é encontrada por um lavrador é contada por delicadeza ímpar nessa produção do Studio Ghibli. Um dos filmes mais bonitos do ano.

Ponte dos Espioes-10

10 – PONTE DOS ESPIÕES, de Steven Spielberg

No auge da guerra fria, o advogado de uma companhia de seguros é jogado dentro de uma trama em que precisa defender um espião soviético capturado nos EUA e depois negociar sua troca por outro, americano, preso na Alemanha Oriental. A recriação de um clima paranoico dos dois lados e descobrir a humanidade no “inimigo” são alguns dos méritos desse thriller.

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MAIS RETROSPECTIVA 2015

Top 5 - 11.21

Mais uma semana de votação, filmes de abril incluídos, e Capitão América 2 – O Soldado Invernal já entra em segundo no nosso ranking. Com média 4,142, está 0,191 atrás do líder, que ainda é O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese. A animação nacional O Menino e o Mundo subiu muito de média e chegou também ao top 5, empatado com o francês (de diretor iraniano) O Passado. É interessante notar a diferença de médias entre os volumes 1 e 2 de Ninfomaníaca: o primeiro tem 3,125; o segundo nem chega ao top 25, com 2,363.

Ao todo 36 filmes conseguiram o quórum mínimo até agora. A seguir, nosso top 25:

O Lobo de Wall Street – 4,333
Capitão América 2 – O Soldado Invernal – 4,142
Blue Jasmine – 4,055
O Menino e o Mundo – 4
O Passado – 4

12 Anos de Escravidão – 3,928
Frozen – Uma Aventura Congelante – 3,812
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho – 3,8
Azul É a Cor Mais Quente – 3,733
Tatuagem – 3,727

Sem Escalas – 3,5
Walt nos Bastidores de Mary Poppins – 3,4
Trapaça – 3,375
Uma Aventura Lego – 3,375
Eu, Mamãe e os Meninos – 3,25

RoboCop – 3,181
Ninfomaníaca – Volume 1 – 3,125
Caçadores de Obras-Primas – 3
Noé – 3
Uma Relação Delicada – 3

Confissões de Adolescente – 2,8
Divergente – 2,75
A Menina que Roubava Livros – 2,666
Frankenstein – Entre Anjos e Demônios – 2,6
Operação Sombra – Jack Ryan – 2,571

Os seis piores do ano até agora:

300 – A Ascensão do Império – 2
Rio 2 – 2
Atividade Paranormal – Marcados pelo Mal – 2
Muita Calma Nessa Hora 2 – 1,8
Pompeia – 1,5
S.O.S. – Mulheres ao Mar – 1,25

Cinco filmes estão com três notas, falta uma para o quórum: Caminhando com DinossaurosAs Aventuras de Peabody e ShermanNeed for Speed – O FilmeO Grande HeróiUm Amor em Paris.

– A Era do Gelo 3: A bem sucedida franquia dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha, produzida pela Blue Sky e distribuída pela Fox ganha mais um exemplar. Agora, o trio formado pela preguiça Sid, o mamute Manny e o tigre dentes-de-sabre Diego estão acomodados, mas acabam descobrindo um vale onde os dinossauros ainda existem. Apenas em versões dubladas. No Box, estas sessões ainda são pré-estréias – datas e horários devem mudar na sexta. No Tambiá e no Iguatemi, já devem ser os horários definitivos.
Em João Pessoa – No Box Manaíra 1 (qua.: 14h10, 16h20, 18h35, 20h45; qui.: 16h20, 18h35, 20h45), no Box Manaíra 3 (qua.: 13h40, 15h50, 18h05, 20h15; qui.: 15h50, 18h05, 20h15), no Box Manaíra 8 (qua.: 14h40, 16h50, 19h05, 21h15; qui.: 16h50, 19h05, 21h15) e no Tambiá Shopping 6 (qua. e qui.: 14h15, 16h15, 18h15, 20h15).
Em Campina – No Shopping Boulevard 1 (qua. e qui.: 14h20, 16h20, 18h20, 20h20).

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