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Melodia da Broadway de 1940 - 03

15 — MELODIA DA BROADWAY DE 1940

Não é um dos mais inspirados musicais da Metro, mas aconteceu de unir os dois melhores em seu ofício. Fred Astaire e Eleanor Powell, dois gênios absolutos, o melhor dançarino e a melhor dançarina do cinema, se encontraram na tela e entregaram juntos pelo menos dois momentos antológicos. “Jukebox’s dance” e “Begin the beguine” entram em qualquer antologia séria da dança no cinema.
(Broadway Melody of the 1940, Estados Unidos). Direção: Norman Taurog. Roteiro: Leon Gordon e George Oppenheimer, história original de Jack McGowan e Dore Schary, contribuições não creditadas de Preston Sturges, Walter DeLeon, Vincent Lawrence, Albert Mannheimer, Eddie Moran, Thomas Phipps e Sid Silvers. Elenco: Fred Astaire, Eleanor Powell, George Murphy, Frank Morgan.

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Wild Hare

14 — COELHO SELVAGEM

Outro curta com uma estreia muito importante: aqui, o Pernalonga surge definido, após alguns protótipos terem aparecido em desenhos anteriores. O coelho subverte a caçada de Hortelino com todos os truques que aprimoraria nos anos seguintes. Pela primeira vez, ele diz o célebre “O que é que há, velhinho?”.
(A Wild Hare, Estados Unidos). Direção: Tex Avery. Roteiro: Rich Hogan. Vozes na dublagem original: Mel Blanc, Arthur Q. Bryan.

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Ponte de Waterloo

13 — A PONTE DE WATERLOO

Depois de …E o Vento Levou, Vivien Leigh estrelou esse melodrama que volta aos dias da I Guerra: ela é uma bailarina que se apaixona por um oficial. Tudo vai bem, mas ela perde o emprego e acha que ele morreu em combate. Sem dinheiro e esperança, acaba se tornando prostituta. Refilmagem de um filme de 1931, parece datado na maneira como trata a prostituição (ninguém ousa dizer o nome). Mas, bem, o filme se passa nos anos 1910. Vivien é absolutamente hipnotizante e Robert Taylor é um dos atores mais bonitos que o cinema já viu.
(Waterloo Bridge, Estados Unidos). Direção: Mervyn LeRoy. Roteiro: S.N. Behrman, Hans Rameau e George Foerschel, baseado em peça de Robert E. Sherwood. Elenco: Vivien Leigh, Robert Taylor, Virginia Field, Lucile Watson, Maria Ouspenskaya.

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Bichano em Maus Lençóis

12 — UM BICHANO EM MAUS LENÇÓIS/ UM GATO TRAVESSO

Esse curta é a estreia de dois dos personagens mais amados e de maior sucesso dos desenhos animados: Tom & Jerry. Aqui, ainda sem seus nomes definitivos: Tom é chamado de Jasper, e Jerry nem tem seu nome mencionado. Mas a dinâmica já está toda aí: com o camundongo aproveitando que a dona mandou o gato não fazer bagunça para fazer da vida do bichano um inferno.
(Puss Get the Boot, Estados Unidos). Direção e roteiro: William Hanna e Joseph Barbera. Voz na dublagem original: Lillian Randolph.

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Sr Pato Sai de Casa

11 — O SR. PATO SAI DE CASA/ DONALD ADORA DANÇAR

O curta da Disney mostra Donald e seus três sobrinhos em um inusitado duelo quando o pato visita a namorada. O desenho estabelece de vez a personagem da Margarida, que aqui ganha seu nome. Tem aquele momento safadinho em que, no sofá, ela dá aquela afastada no pato saidinho, mas o chama com o rabinho. Clarence Nash faz todas as vozes (inclusive a da Margarida).
(Mr. Duck Steps Out, Estados Unidos). Direção: Jack King. Roteiro (não creditados): Carl Barks, Chuck Couch, Jack Hannah, Harry Reeves, Milt Schaffer e Frank Tashlin. Voz na dublagem original: Clarence Nash.

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Correpondente Estrangeiro10 — CORRESPONDENTE ESTRANGEIRO

O segundo filme de Alfred Hitchcock em Hollywood é um suspense de espionagem já sobre a II Guerra (os EUA estavam ainda fora do conflito, mas a Inglaterra natal do diretor estava dentro). É daqui a grande cena do avião que cai no mar e acompanhamos a queda de dentro da cabine até a água entrar.
(Foreign Correspondent, Estados Unidos). Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Charles Bennett e Joan Harrison, com diálogos de James Hilton e Robert Benchley, e contribuições de Ben Hecht (não creditado) e Richard Maibaum (não creditado). Elenco: Joel McCrea, Laraine Day, Herbert Marshall, George Sanders, Robert Benchley, Edmund Gwenn.

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Marca do Zorro9 — A MARCA DO ZORRO

Tyrone Power estrela a versão 1940 do herói da literatura que já havia tido uma adaptação antológica no cinema mudo (em 1920, com Douglas Fairbanks). Bem produzida, ágil, é um grande representante do gênero capa-e-espada. Tem um grande herói, um baita vilão (Basil Rathbone) e uma mocinha das mais deslumbrantes (Linda Darnell, aos 16 anos nas filmagens). O duelo final é antológico.
(The Mark of Zorro, Estados Unidos). Direção: Rouben Mamoulian. Roteiro: John Taintor Foote, com adaptação de Garret Fort e Besse Meredyth para o romance seriado de Johnston McCulley. Elenco: Tyrone Power, Linda Darnell, Basil Rathbone, Gale Sondergaard.

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Loja da Esquina8 — A LOJA DA ESQUINA

A comédia romântica de Lubitsch se passa em uma loja de presentes em Budapeste, com algumas tramas, sendo a principal a do casal de vendedores que vive às turras, mas que, sem saber, são apaixonados um pelo outro. É que eles trocam cartas de maneira anônima. A combinação da direção com os ótimos James Stewart e Margaret Sullavan é perfeita. O filme originou o também bem bom Mensagem para Você, em 1998, já no mundo dos e-mails.
(The Shop Around the Corner, Estados Unidos). Direção: Ernst Lubitsch. Roteiro: Samson Raphaelson, com colaboração de Ben Hetch (não creditado), baseado em peça de Miklós László. Elenco: Margaret Sullavan, James Stewart, Frank Morgan, Joseph Schildkraut.

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Grande Ditador

7 — O GRANDE DITADOR

Chaplin usou música e algumas falas pontuais em seus dois filmes anteriores, mas este é o seu primeiro falado para valer. E ele não desperdiçou sua voz. De um lado há um barbeiro judeu (o último filme de Carlitos?) em um gueto. Do outro, o ditador que parodia Hitler. Na primeira cena, o ditador ridículo discursa histrionicamente num alemão inventado. Na última, o barbeiro que foi parar no lugar do ditador faz o maior discurso pela paz e humanismo no cinema. É bom lembrar que a guerra já estava comendo no centro na Europa e os EUA ainda nem aí.
(The Great Dictator, Estados Unidos). Direção e roteiro: Charles Chaplin. Elenco: Charles Chaplin, Paulette Goddard, Jack Oakie.

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Núpcias de Escândalo6 — NÚPCIAS DE ESCÂNDALO

A primeira cena é de antologia. Cary Grant sai pela porta em direção ao carro. Atrás dele, vem Katharine Hepburn, flutuando, com seus tacos de golfe. Ao chegar perto, os solta no chão. E, com aquela cara de satisfação, parte um dos tacos ao meio. É quando sabemos que estamos assistindo a uma separação. A história começa mesmo quando ela vai casar de novo, o ex reaparece com um repórter e uma fotógrafa de uma revista de fofocas para embaralhar o negócio. Uma comédia de erros de Cukor é cheia de maus entendidos, paixões que vêm e vão, falsas premissas. O elenco é incrível, mas o show é de Kate Hepburn: a peça na Broadway foi escrita para ela; ela comprou os direitos para o cinema; ela apostou no material para reerguer sua carreira em Hollywood, que andava em baixa. Deu certíssimo.
(The Philadelphia Story, Estados Unidos). Direção: George Cukor. Roteiro: Donald Ogden Stewart, com colaboração de Waldo Salt (não creditado), baseado em peça de Philip Barry. Elenco: Katharine Hepburn, Cary Grant, James Stewart, Ruth Hussey, John Howard.

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Rebecca5 — REBECCA, A MULHER INESQUECÍVEL

A estreia de Hitchcock em Hollywood foi um duelo entre ele e o produtor David O. Selnick pelo controle criativo do filme. A história é a da jovem que se casa com um aristocrata, mas a presença da primeira mulher morta na propriedade é sufocante além da conta. Rebecca é o nome até do próprio filme, a pobre nova Senhora De Winter nem nome tem na história.
(Rebecca, Estados Unidos). Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Robert E. Sherwood e Joan Harrison, com adaptação de Philip MacDonald e Michael Hogan para o romance de Daphne Du Maurier. Elenco: Joan Fontaine, Laurence Olivier, Judith Anderson, George Sanders.

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Fantasia

4 — FANTASIA

Walt Disney pensou bem grande ao conceber Fantasia: um filme-concerto, com curtas animados inspirados em peças da música clássica. E a ideia ainda era ir relançando o filme anualmente, trocando alguns segmentos a cada vez. Não deu porque o filme não foi bem de bilheteria, mas ele acabou encontrado seu público e status de obra de arte ao ser relançado. É a silly symphony definitiva, que vai do Mickey aprendiz de feiticeiro à uma representação ambiciosa do começo da vida na Terra.
(Fantasia, Estados Unidos). Direção: James Algar, Samuel Armstrong, Ford Beebe Jr., Norman Ferguson, David Hand, Jim Handley, T. Hee, Wilfred Jackson, Hamilton Luske, Bill Roberts, Paul Satterfield e Ben Sharpsteen. Roteiro: Joe Grant e Dick Huemer (diretores de história), Lee Blair, Elmer Plummer, Phil Dike, Sylvia Moberly-Holland, Norman Wright, Albert Heath, Bianca Majolie, Graham Heid, Perce Pearce, Carl Fallberg, William Martin, Leo Thiele, Robert Sterner, John McLeish, Otto Englander, Webb Smith, Erdman Penner, Joseph Sabo, Bill Peet, Vernon Stallings, Campbell Grant, Arthur Heinemann e Phil Dike. Elenco: Deems Taylor, Leopold Stokowski.

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Pinóquio - 023 — PINÓQUIO

A animação em Pinóquio é, 80 anos após seu lançamento, de cair o queixo. O conto moral infantil que ainda cala fundo no imaginário coletivo, sobre amor paterno, fadas e os perigos das mentiras e do mundo, é embalado por imagens lindamente confeccionadas, movimentos de câmera elaborados e momentos impactantes (a impressionante aparição da baleia Monstro, a assustadora sequência dos meninos se transformando literalmente em burros).
(Pinocchio, Estados Unidos). Direção: Hamilton Luske e Ben Sharpsteen (supervisores), Norman Ferguson, T. Hee, Wilfred Jackson, Jack Kinney, Bill Roberts. Roteiro: Ted Sears, Otto Englander, Webb Smith, William Cottrell, Joseph Sabo, Erdman Penner, Aurelius Battaglia, com colaboração não creditada de Bill Peet e Frank Tashlin, baseado em livro de Carlo Collodi. Vozes na dublagem original: Dickie Jones, Cliff Edwards, Christian Rub, Evelyn Venable, Charles Judels. Vozes na dublagem brasileira de 1940: Doraldo Thompson, Mesquitinha, Baptista Junior, Zezé Fonseca. Vozes na dublagem brasileira de 1965: Carlos Alberto Mello, Ênio Santos, Luis Motta, Selma Lopes.

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Jejum de Amor2 — JEJUM DE AMOR

A Primeira Página é uma peça onde os dois personagens principais são um editor de jornal e seu repórter que quer largar o emprego para se casar, mas é empurrado para a cobertura de um preso à beira da execução. Howard Hawks contava que, lendo diálogos numa festa com uma amiga, sacou que ficava muito melhor se um dos personagens fosse uma mulher. E, assim, a peça ganhou sua segunda adaptação para o cinema, na qual “o” repórter passava a ser “a” repórter. Cary Grant e Rosalind Russell, além de parceiros profissionais, agora também seriam ex-casados. À tensão romântica, Hawks ainda acrescentaria o modo de metralhar os diálogos. Rapidíssimos e sobrepostos, com uma técnica ensaiada onde o espectador não ficaria sem entender nada importante, e ainda abertos aos improvisos dos atores, são um marco na maneira de atuar no cinema. E, claro, é muito engraçado.
(His Girl Friday, Estados Unidos). Direção: Howard Hawks. Roteiro: Charles Lederer, com colaboração de Ben Hecht (não creditado) e diálogos adicionais de Morrie Ryskind (não creditado), baseado na peça de Hecht e Charles MacArthur. Elenco: Cary Grant, Rosalind Russell, Ralph Bellamy, Gene Lockhart, Cliff Edwards.

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The Grapes Of Wrath - 1940

1 — VINHAS DA IRA

A saga de uma família americana que é expulsa de sua terra por ricos proprietários e atravessa o país até a Califórnia em busca de trabalho digno em plantações. A miséria nos Estados Unidos durante a Grande Depressão viajou da prosa premiada de John Steinbeck para a narrativa de um cineasta maravilhoso, John Ford. Ele conta esse épico da pobreza, que avança com a formação da consciência social do filho mais velho da família, vivido por Henry Fonda, a respeito de uma sociedade que se vende como justa, mas massacra os pobres com violência, discriminação e mesquinharia. Ganhou os Oscars de direção e atriz coadjuvante (para Jane Darwell, a comovente mãe do clã).
(The Grapes of Wrath, Estados Unidos). Direção: John Ford. Roteiro: Nunnally Johnson, baseado em romance de John Steinbeck. Elenco: Henry Fonda, Jane Darwell, John Carradine, Charley Grapewin, Dorris Bowdon, Ward Bond.

* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

OUTRAS LISTAS:

Atlantis - 07

Como não foi um grande sucesso nas bilheterias, Atlantis — O Reino Perdido é meio escanteado na história da Disney. É injusto. Da mesma dupla de diretores de A Bela e a Fera (1991) e O Corcunda de Notre Dame (1996), foi uma das primeiras tentativas do estúdio de uma animação de aventura mais jovem, menos infantil, e sem ser um musical.

E, no caso, totalmente inspirado em Jules Verne, com visual desenvolvido por Mike Mignola (quadrinhista criador de Hellboy, creditado como desenhista de produção). Ambientado em 1914, é bonito, tem ritmo e ainda tem mensagens ecológicas e contra o militarismo e o imperialismo. Foi o último longa dos dois diretores, o que é uma pena.

ATLANTIS — O REINO PERDIDO (Gary Trousdale e Kirk Wise, 2001)

Cantando na Chuva - 33

Donald O’Connor, Debbie Reynolds e Gene Kelly, em “Cantando na Chuva”

30. ‘JE CHERCHE APRÈS TITINE’, de Tempos Modernos (1936)
Com Charles Chaplin. Direção: Charles Chaplin. Canção de Léo Daniderff, Marcel Bertal e Louis Maubon.

Como todo mundo sabe, Charles Chaplin resistiu o quanto pôde ao cinema falado. Quando Tempos Modernos estreou, já fazia nove anos da estreia de O Cantor de Jazz. E o filme, genial, continua praticamente sem diálogos. Há duas exceções. Uma são as ordens ásperas do chefe da fábrica. A outra é o único momento em que Carlitos fala. Contratado para cantar em um restaurante, ele esquece em cena a letra da canção. “Cante! Deixe as palavras pra lá!”, orienta, em socorro, a personagem de Paulette Goddard. O que vem a seguir só podia ser obra de um gênio como Chaplin: ouve-se a voz de Carlitos, mas as palavras são inventadas, não fazem sentido. O sentido da música, o que ela conta, está na coreografia que ele faz, na pantomima, como Carlitos se comunicava desde que surgiu no cinema, em 1914.

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29. ‘MEIN HERR’, de Cabaret (1972)
Com Liza Minnelli. Direção e coreografia: Bob Fosse. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de John Kander e Fred Ebb.

“Mein herr” é a primeira aparição de Liza Minnelli em Cabaret, e que introdução! Sexy, ela mostra logo que esse não é um musical como os que sua mãe, Judy Garland, fazia. A canção foi feita para o filme – não estava na versão original para os palcos.

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28. ‘GET HAPPY’, de Casa, Comida e Carinho (1950)
Com Judy Garland. Direção e coreografia: Charles Walters. Canção de Harold Arlen e Ted Koehler.

O inferno de Judy Garland com o vício em remédios já afetavam seu trabalho na Metro, e o estúdio a demitiu após esse filme. Nas filmagens, Judy passou por alterações de peso, de humor, incapacidade de trabalhar. Este número foi rodado três meses depois do resto do trabalho do filme ter sido concluído. É um verdadeiro canto do cisne de sua obra na Metro. Judy perdeu peso e está absolutamente espetacular. Seu figurino virou uma assinatura (a ideia foi resgatada de um número de Desfile de Páscoa que acabou cortado). A canção (escolhida por Judy) parece dizer mais do que todo mundo ali sabia no momento (ela morreria muito jovem, apenas 19 anos depois). Judy passou dois dias aprendendo e ensaiando a coreografia, gravou a canção num take só e perfeito e a sequência levou outros dois dias para ser filmada. Foi seu último número na Metro. E foi uma obra-prima.

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27. ‘EVERY SPERM IS SACRED’, de O Sentido da Vida (1983)
Com Michael Palin, Terry Jones, Andrew MacLachlan, Jennifer Franks, Graham Chapman e Eric Idle. Direção: Terry Jones. Coreografia: Arlene Phillips. Canção de Michael Palin, Terry Jones, André Jacquemin e Dave Howman.

Uma família católica fervorosa tem uma multidão de filhos porque não pode usar métodos contraceptivos. Dessa proposta aloprada, surge um dos números musicais mais inacreditáveis do cinema: “Todo esperma é sagrado/ Se o esperma é desperdiçado/ Deus fica muito irado”. As crianças não tinham ideia sobre o que estavam cantando (algumas palavras sujas foram mudadas na filmagem e dubladas depois). Um número alto astral, embora as crianças estejam para ser vendidas para experimentos científicos! Terry Jones gastou a maior parte do orçamento do filme neste número implacável e demolidor, que diz animadamente sobre ser católico: “Você não precisa ter um grande cérebro/ você é católico desde que o papai gozou”.

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26. ‘SILK STOCKINGS’, de Meias de Seda (1957)
Com Cyd Charisse. Direção: Rouben Mamoulien. Coreografia: Eugene Loring. Música de Cole Porter.

Uma magnífica Cyd Charisse interpreta uma espiã russa durona que acaba seduzida pelo luxo de Paris (o musical é uma refilmagem de Ninotchka, com Greta Garbo). Seu momento de virada é aqui: um número solo antológico onde sua roupas sisudas de comunista dão lugar às meias de seda do título e ao vestido suntuoso. Cyd (com suas pernas lendárias) é tão sublime que a gente quase não percebe estar assistindo a um strip-tease de uma belíssima mulher (mentira).

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25. ‘SHAKIN’ THE BLUES AWAY’, de Ama-me ou Esquece-me (1955)
Com Doris Day. Direção: Charles Vidor. Coreografia: Alex Romero. Canção de Irving Berlin.

Doris Day fazia musicais na Warner, com resultados oscilantes. Dois anos antes, tinha conseguido um gol com Ardida como Pimenta (1953), no qual cantou a vencedora do Oscar “Secret love”. Ama-me ou Esquece-me, no entanto, foi na Metro — e aí era “ôto patamá”. Ela interpreta Ruth Etting, cantora dos anos 1920 que, para chegar ao sucesso, se envolve com um gangster (James Cagney). Marcada por papéis virtuosos que renderam a ela o apelido de “virgem profissional de Hollywood”, Doris nunca esteve tão sensual como neste filme. E neste número, a bordo de uma produção de primeira e uma canção otimista toda-vida de Irving Berlin, ela seduz cantando e dançando.

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24. ‘UNDER THE SEA’, de A Pequena Sereia (1989)
Com Samuel E. Wright. Direção: Jon Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Ariel quer se meter com os humanos na superfície e o caranguejo Sebastião tenta convencê-la que é muito melhor no fundo do mar. É difícil não concordar com ele, nesta maravilhosa canção vencedora do Oscar que inspirou esse número colorido e movimentado que diz que, lá, peixe termina no aquário — e este tem até sorte, porque se o chefe fica com fome… “Lá eles tem um monte de areia, aqui temos uma banda de crustáceos da pesada”. Não adianta: a sereia já se mandou no meio da música. Mas o espectador fica.

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23. ‘WELL DID YOU EVAH?’, de Alta Sociedade (1956)
Com Bing Crosby e Frank Sinatra. Direção: Charles Walters. Canção de Cole Porter.

Esses dois monstros sagrados da música popular americana nunca tinham aparecido juntos num longa-metragem. Nesta refilmagem de Núpcias de Escândalo (1940), eles dão uma escapada de uma festa chique para beber mais do que a elegância permite. Sinatra é o jornalista que está lá para cobrir o casório para sua revista de celebridades e ricaços. Crosby é o ex-marido da tempestuosa noiva, que ainda gosta dela. Juntos, os dois homens desfilam más notícias de brincadeira, ironias, bebem mais, falam besteira e resumem suas impressões sobre aquilo tudo: “Bem, quem diria? Que festa legal essa é!”. O número, originalmente do musical de palco Du Barry Was a Lady, foi acrescentado ao filme para dar a Crosby e Sinatra um momento em que pudessem cantar junto. Decisão mais que acertada: um número divertidíssimo com dois caras com grandes vozes e carismas ainda maiores.

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22. ‘REMEMBER MY FORGOTTEN MAN’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Joan Blondell, Etta Moten e côro. Direção: Mervyn LeRoy. Direção de dança: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

O musical geralmente é um gênero indentificado com o escapismo, o romance, o sonho, o humor. O que dizer de “Remember my forgotten man”, então? Em 1933, o número que encerra grandiosamente Cavadoras de Ouro dá um tapa na cara da sociedade americana, falando dos desvalidos que foram mandados à guerra como soldados e voltam esfolados e sem encontrar seu lugar. E que terminam marginalizados pelo mesmo país que foram defender. Busby Berkerley em estado de graça: um momento mostra uma fila de garbosos soldados parte para o conflito e outra ao lado, com os homens retornando feridos. Mas o final é que é brilhante: com o desfile militar de silhuetas ao fundo, Joan Blondell quase fazendo uma oração cercada pelos “forgotten men” e o incrível plano sequência final, que começa no rosto da atriz e termina com a cena inteira. Sensacional.

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21. ‘GOOD MORNING’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly, Debbie Reynolds e Donald O’Connor. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Nacio Herb Brown e Arthur Freed.

Depois de muito baixo astral, um boa ideia reanima os ânimos do trio. E como! Don Lockwood, Kathy Selden e Cosmo Brown fazem da casa um palco: dançam na cozinha, pelas escadas, com capas de chuva, no bar, viram sofás, em uma das maiores exibições de sapateado do cinema. E, nisso, um grande destaque para Debbie Reynolds, que, aos 19 aninhos, não era dançarina, teve que dançar com dois monstros do ofício e deu conta do recado olimpicamente. “Cantando na Chuva e dar à luz foram as duas coisas mais difíceis que já fiz”, disse ela em suas memórias, em 2013. Este número levou 15 horas no dia para ser filmado. São três minutos e apenas nove cortes. No fim, Debbie estava com os pés sangrando. Mas ela conseguiu: entregou o momento mais formidável de sua carreira.

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FROZEN 2

Existe essa regra na “cartilha” de Hollywood segundo a qual toda continuação deve ser maior que o filme anterior. Frozen II tem mais ação, mas personagens, mais plots, mais música, mais melodrama. Tudo resultando num baita exagero geral, com algumas resoluções de roteiro muito ruins. O visual continua um deslumbre, mas é pouco.

FROZEN II (Chris Buck, Jennifer Lee, 2019)
½

OS 15 MELHORES DE 1969

Butch Cassidy - 01

 

1 — BUTCH CASSIDY

Na linhagem dos “bandidos simpáticos”, poucos se comparam à dupla formada por Newman e Redford em Butch Cassidy. O filme é de uma época em que o faroeste passava por uma revisão. Menos glamour, um pouco mais de sujeira, abraçando um pouco o que vinha sendo feito na Itália. Butch e Sundance também ganhavam uma releitura menos interessada na fidelidade histórica e mais em inseri-los no simbolismo da rebeldia dos anos 1960, um pouco como havia sido feito em Bonnie & Clyde, dois anos antes. Newman, Redford e Katharine Ross desfilam charme pelo filme todo.
(Butch Cassidy and the Sundance Kid, Estados Unidos). Direção: George Roy Hill. Roteiro: William Goldman. Elenco: Paul Newman, Robert Redford, Katharine Ross, Strother Martin.

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Meu Odio Sera Sua Heranca - 01

2 — MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA

Zack Snyder devia assistir a esse filmes três vezes por dia até aprender como usar a câmera lenta para propósitos dramáticos. Numa época em que sangue não era gasto em galões no cinema, Peckinpah era conhecido como o mestre da violência. Mas também por causa de sua carga dramática. Aqui, ele um canto do cisne do faroeste, com a missão final de pistoleiros veteranos.
(The Wild Bunch, Estados Unidos). Direção: Sam Peckinpah. Roteiro: Walon Green e Sam Peckinpah, argumento de Walon Green e Roy N. Sickner. Elenco: William Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan, Edmond O’Brien, Warren Oates, Strother Martin.

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Z - 02

3 — Z

Costa-Gavras se tornou conhecido por um cinema fortemente político. E aqui ele denuncia a ditadura militar grega, através de um jornalista que investiga o assassinato de um líder da oposição. Foi o primeiro filme de língua não inglesa indicado ao Oscar de melhor filme.
(Z, França/ Argélia). Direção: Costa-Gavras. Roteiro: Costa-Gavras e Ben Barzman, dialogos de Jorge Semprún, baseado em romance de Vasilis Vasilikos. Elenco: Yves Montand, Irene Papas, Jean-Louis Trintignant, François Pérrier, Jacques Perrin.

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Perdidos na Noite - 01

4 — PERDIDOS NA NOITE

Jon Voight chega a Nova York para ganhar a vida como prostituto. O ingênuo caipira encontra um trapaceiro de rua, o “Ratso” Rizzo vivido por Dustin Hoffman. Os dois atores comandam este, que foi o primeiro filme para maiores de 18 a vencer o Oscar. Um filme sobre amizade na sarjeta. E tem aquele improviso maravilhoso de Hoffman com o taxi: “Hey, I’m walking here!”.
(Midnight Cowboy, Estados Unidos). Direção: John Schlesinger. Roteiro: Waldo Salt, baseado em romance de James Leo Herlihy. Elenco: Jon Voight, Dustin Hoffman, Sylvia Miles, Brenda Vaccaro, Jennifer Salt.

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Charlie Brown e Snoopy-04

5 — CHARLIE BROWN E SNOOPY/ UM GAROTO CHAMADO CHARLIE BROWN

A turma da tira Peanuts, escrita e desenhada por Charles M. Schulz, já aparecia na TV em especiais de pouco mais de 20 minutos desde 1965, com O Natal de Charlie Brown, no ritmo de uma ou duas vezes por ano. Em 1969, Charlie, Lucy, Linus e o cãozinho Snoopy chegavam às telonas em um longa que mantinha o estilo simples das produções para a TV e os mesmos temas recorrentes da frustração e medo da rejeição.
(A Boy Named Charlie Brown, Estados Unidos). Direção: Bill Melendez. Roteiro: Charles M. Schulz, baseado em sua própria tira de quadrinhos. Vozes na dublagem original: Peter Robbins, Pamelyn Ferdin, Glenn Gilger.

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Macunaima - 02

6 — MACUNAÍMA

O romance modernista de Mário de Andrade ganhou uma versão irreverente pelas mãos de Joaquim Pedro de Andrade, com dois atores-ícones do cinema nacional dividindo o papel-título (Grande Otelo e Paulo José) e ainda Dina Sfat.
(Brasil). Direção e roteiro: Joaquim Pedro de Andrade, baseado em romance de Mário de Andrade. Elenco: Grande Otelo, Paulo José, Dina Sfat, Jardel Filho, Milton Gonçalves, Joanna Fomm, Zezé Macedo, Wilza Carla.

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007 a Servico de Sua Majestade - 03

7 — 007 A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE

O senso comum aponta George Lazenby como o pior ator a encarnar James Bond. É difícil discordar. O interessante é que isso acontece em um ótimo exemplar da série, que tenta humanizar um pouco o agente 007 e tem Diana Rigg como uma das melhores bondgirls (ou bondwoman, como se diz hoje).
(On Her Majesty’s Secret Service, Reino Unido). Direção: Peter Hunt. Roteiro: Richard Maibaum, com diálogos adicionais por Simon Raven, baseado em romance de Ian Fleming. Elenco: George Lazenby, Telly Savallas, Diana Rigg, Gabriele Ferzetti, Lois Maxwell, Bernard Lee, Desmond Llewelyn.

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Dragao da Maldade contra o Santo Guerreiro - 01

8 — O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO

Glauber voltou aqui ao personagem mítico Antônio das Mortes, de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), alçando-o ao papel principal e fazendo-o refletir sobre sua atividade de matador de cangaceiros. Ganhou melhor direção em Cannes.
(França/ Brasil/ Alemanha Ocidental/ Estados Unidos). Direção e roteiro: Glauber Rocha. Elenco: Maurício do Valle, Odete Lata, Othon Bastos, Hugo Carvana, Jofre Soares.

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Sem Destino - 01

9 — SEM DESTINO

Emblemático talvez seja a melhor palavra para Sem Destino. Um filme que, em sua história dos motoqueiros que viajam pelos EUA, resume em si um espírito daquela época no que diz respeito à contracultura. A própria produção do filme foi louquíssima, como eram os personagens e aqueles dias.
(Easy Rider, Estados Unidos). Direção: Dennis Hopper. Roteiro: Peter Fonda, Dennis Hopper e Terry Southern. Elenco: Peter Fonda, Dennis Hopper, Jack Nicholson, Phil Spector.

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Assaltante Bem Trapalhao - 01

10 — UM ASSALTANTE BEM TRAPALHÃO

Primeiro filme valendo pontos de Woody Allen como diretor, é uma comédia rasgada sobre um assaltante de banco que não tinha nada de gênio do crime. Allen já mostrava que tinha vontade de ir além, ao brincar um pouco com a narrativa dos documentários, inserindo depoimentos para contar a história.
(Take the Money and Run, Estados Unidos). Direção: Woody Allen. Roteiro: Woody Allen e Michael Rose. Elenco: Woody Allen, Janet Margolin, Michael Hillaire.

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Noite dos Desesperados - 01

11 — A NOITE DOS DESESPERADOS

O filme se passa nos anos 1930, época da Grande Depressão nos EUA, e o cenário é uma desumana maratona de dança onde personagem sem qualquer esperança jogam suas últimas fichas em busca de uma virada na vida — ou morrer. Tambpem marcou uma virada na carreira de Jane Fonda em busca de papéis mais fortes — no ano anterior, ela havia feito Barbarella!
(They Shoot Horses, Don’t They?, Estados Unidos). Direção: Sydney Pollack. Roteiro: James Poe e Robert E. Thompson, baseado em romance de Horace McCoy. Elenco: Jane Fonda, Michael Sarrazin, Susannah York, Gig Young, Red Button, Bonnie Bedelia, Bruce Dern.

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Flor de Cacto-07

12 — FLOR DE CACTO

Adaptação de uma comédia de sucesso da Broadway, revelou Goldie Hawn, que acabou ganhando um Oscar de coadjuvante. Walter Matthau é o protagonista do roteiro maluquete, sobre um dentista que finge que é casado pra não ter que firmar compromisso com a “amante”. Mas aí sua enfermeira, vivida por Ingrid Bergman, precisa fingir que é a esposa.
(Cactus Flower, Estados Unidos). Direção: Gene Saks. Roteiro: I.A.L. Diamond, baseado em peça de Abe Burrows, por sua vez versão da peça francesa de Pierre Barillet e Jean-Pierre Grédy. Elenco: Walter Matthau, Ingrid Bergman, Goldie Hawn.

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Alo Dolly - 01

13 — ALÔ, DOLLY!

Barbra Streisand pós Oscar por A Garota Genial é a grande estrela deste musical da Broadway dirigido no cinema por Gene Kelly – um dos maiores astros e coreógrafos do gênero, aqui ele só é diretor (foi indicado ao Globo de Ouro). Barbra e Walter Matthau não se deram e o filme tem coisa demais, mas ainda é bem divertido. E ainda tem a aparição de Louis Armstrong, sua última no cinema.
(Hello, Dolly!, Estados Unidos). Direção: Gene Kelly. Roteiro: Ernest Lehman, baseado na peça musical de Michael Stewart, por sua vez baseado na peça de Thornton Wilder, por sua vez versão da peça francesa de Johann Nestroy. Elenco: Barbra Streisand, Walter Matthau, Michael Crawford, Marianne McAndrew.

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Matou a Família e Foi ao Cinema - 1969 - 01

14 — MATOU A FAMÍLIA E FOI AO CINEMA

Exemplar do cinema marginal brasileiro, terceiro longa de Bressane. Parte da premissa literal do título, um rapaz que mata os pais e vai ao cinema, para outros contos curtos de violência, como o das meninas que se apaixonam e matam a mãe de uma delas. Teve uma refilmagem muito ruim em 1991, com Cláudia Raia.
(Brasil). Direção e roteiro: Júlio Bressane. Elenco: Márcia Rodrigues, Renata Sorrah, Vanda Lacerda, Antero de Oliveira.

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Bravura Indomita - 1969 - 05

15 — BRAVURA INDÔMITA

Garota determinada procura um profissional que a ajude a prender o homem que matou seu pai. Consegue o xerife bebum, caolho e decadente vivido por John Wayne. Um papel longe dos costumeiros papéis invencíveis do astro, o que rendeu a ele um Oscar. Bem bom, rendeu uma refilmagem ainda melhor, dirigida pelos irmãos Coen em 2010.
(True Grit, Estados Unidos). Direção: Henry Hathaway. Roteiro: Marguerite Roberts, baseado no romance de Charles Portis. Elenco: John Wayne, Kim Darby, Glen Campbell, Robert Duvall, Dennis Hopper, Strother Martin.


Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.


OUTRAS LISTAS:

 

Rei Leao - 2019

O REI LEÃO
⭐⭐⭐

Animais viraram bando de ‘ciganos Igor’

por Renato Félix

A Disney achou uma mina de ouro nessa franquia em que cata em seus clássicos da animação material para adaptações com atores em carne-e-osso. O Rei Leão não é um live action, mas a ideia é parecer o máximo com um: todos os animais são animações por computador extremamente realistas. Mas, em geral, é como as experiências anteriores: em que pese o grande sucesso de bilheteria e alguma atualização das personagens femininas, artisticamente tudo parece desnecessário e sem chegar aos pés do original.

A trama do novo filme segue muito de perto o original. Na verdade, a cena de abertura — com o número “Circle of life” e os animais se encaminhando  para a apresentação do herdeiro do trono — é um decalque plano a plano da original. Em termos de narrativa, a maior parte do filme é por aí, como uma cópia xerox ou aproximada da animação feita majoritariamente à mão em 1994.

Isso, claro, garante que o filme seja um bom entretenimento e mantenha as mensagens sobre responsabilidade e contra a tirania. O problema é que a vontade de parecer “de verdade” (mesmo que seja com animais que falam e cantam) distancia este filme daquilo que o original tinha de melhor.

Para começar, o carisma dos personagens. A animação à mão de 1994 tinha a liberdade de recorrer ao cartunesco quando quisesse. Esta se limita a abrir e fechar a boca dos personagens para os diálogos e canções. Emoções dependem exclusivamente da dublagem e de alguma expressão corporal. Fora isso, qualquer sentimento é expresso pela mesma cara: os ricos personagens de O Rei Leão parecem todos interpretados pelo cigano Igor.

Isso também se reflete nos números musicais. “Circle of life” impressiona visualmente pela transposição fiel e aspecto realista. Mas esse impacto não demora a se tornar mera curiosidade. E nos momentos em que a animação de 1994 passava a uma esfera mais expressionista, o novo filme não tem coragem de dar esse passo. Não demora a acontecer: em “I just can’t wait to be king”, a própria animação de 1994 sai de um registro mais realista para se tornar ainda mais colorido e movimentado. Isso não ocorre na versão de 2019, aprisionada em sua vontade de aparentar realidade.

Outro número que sofre especificamente com isso é “Be prepared”, em que o vilão Scar canta seus planos de traição para um séquito de hienas que, na versão de 1994, não demoram a desfilar como numa parada nazista. Essa referência totalitária é limada da adaptação e o número perde bastante de sua força dramática.

As maiores mudanças na trama dizem respeito ao maior espaço dado a Nala, que ganha uma cena em que escapa do reinado de terror de Scar, e a uma conversão de Simba ao vegetarianismo. Nesse caso, na animação de 1994, ele passa a comer insetos porque “aqui não tem zebra nem antílopes”, como informava Timão, depois de encontrá-lo do outro lado do deserto. Agora há: a região é povoada com todo tipo de animais, mas o pequeno Simba é que escolhe não comê-los.

Nesse ponto, ele não seguiu o papo do pai sobre o ciclo da vida lá no começo: “A gente come os antílopes, quando morremos viramos grama e o antílope come ela”. Era uma compensação estranha mesmo (do ponto de vista do antílope).

O REI LEÃO. The Lion King. EUA, 2019. Direção: Jon Favreau. Vozes na dublagem original: Donald Glover, Chiwetel Ejiofor, Billy Eichner, Seth Rogen, Beyoncé, James Earl Jones, Alfre Woodard, JD McCrary. Vozes na dublagem brasileira: Ícaro Silva, Rodrigo Miallaret, Ivan Parente, Glauco Marques, Iza, Saulo Javan.

Gilda - 01

Rita Hayworth em “Gilda” (1946)

50. ‘I WANNA BE LOVED BY YOU’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe. Direção: Billy Wilder. Coreografia: Jack Cole. Canção de Herbert Stothart, Harry Ruby e Bert Kalmar.

“Boop-boop-a-doop”. A canção de 1928 é a cara da Betty Boop e não por acaso: a interpretação de Helen Kane, com sua voz meio infantil cantando esse “boop-boop-a-doop” inspirou a criação da personagem dos desenhos animados, em 1930. Como Quanto Mais Quente Melhor se passa em 1929, caiu como uma luva para Marilyn desfilar sua sensualidade brejeira na canção. Como Billy Wilder dizia, filmar com Marilyn podia ser um pesadelo, mas o resultado compensava de longe.

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49. ‘SO LONG, FAREWELL’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Charmian Carr, Nicholas Hammond, Heather Menzies-Urich, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner e Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II.

O capitão Von Trapp não que transformar sua família num grupo musical, mas está difícil. No final de uma festa em casa, seus sete filhos se despedem dos convidados com este encantador número musical. Uma das forças desse filme é o carisma das crianças. “So long, farewell, auf wiedersehen, adieu”, em um número reprisado mais tarde no filme (e rever sempre é muito bem-vindo).

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48. ‘CABARET’, de Cabaret (1972)
Com Liza Minnelli. Direção e coreografia: Bob Fosse. Canção de John Kander e Fred Ebb.

Liza, sozinha em cena: e precisa mais? A canção-título do filme estabelece que esse não é um musical inocente como a maioria do que vieram antes dele. E, três anos após a morte da mãe Judy Garland, Liza chama o trono para si com toda a justiça, ao menos nesse filme. A vida é um cabaré, old chum, apesar dos profetas do pessimismo.

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47. ‘A WHOLE NEW WORLD’, de Aladdin (1992)
Com Brad Kane e Lea Salonga (vozes). Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Tim Rice.

Aladdin joga baixo para conquistar a princesa Jasmine: a leva em um passeio de tapete mágico pelo mundo. As maravilhas que vai encontrando são embaladas pela maravilha que é essa canção vencedora do Oscar. A animação é um deslumbre.

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46. ‘THE BALLET OF RED SHOES’, de Sapatinhos Vermelhos (1948)
Com Moira Shearer, Alan Carter, Joan Harris. Direção: Michael Powell e Emeric Pressburger. Coreografia: Robert Helpmann. Música de Brian Esdale.

Bailarina de carreira consolidada nos anos 1940, a escocesa Moira Shearer estreou no cinema no papel principal de Sapatinhos Vermelhos. E o ponto alto do filme é o balé que dá nome ao filme, um número espetacular de quase 15 minutos, que soma recursos cinematográficos à atmosfera da dança no palco para ir além da fábula dançada e representar o turbilhão emocional da protagonista: closes, planos de detalhe, câmera lenta, sobreposição de imagens. Este número impressionou tanto Gene Kelly que o inspirou para Sinfonia de Paris (1951).

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45. ‘ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE’, de A Vida de Brian (1979)
Com Eric Idle. Direção: Terry Jones. Canção de Eric Idle.

Essa música adorável e incrivelmente otimista, com assobios e tudo, é um dos momentos mais clássicos do grupo Monty Python. Contribui para isso, é claro, o fato de ela ser cantada por um grupo que está sendo crucificado na Judeia dos tempos de Cristo. O tipo de nonsense que foi a genialidade do grupo inglês.

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44. ‘CAN’T BUY ME LOVE’, de A Hard Day’s Night (1964)
Com The Beatles. Direção: Richard Lester. Canção de Paul McCartney (creditada a John Lennon e Paul McCartney).

A Hard Day’s Night acompanha os Beatles no que seria seu cotidiano típico de correrias para fugir das fãs, compromissos comerciais e entrevistas chatas pra caramba. Em um momento de descuido dos outros, eles escapolem por uma porta, dão numa escada externa e se divertem a valer em campo aberto, filmados de helicóptero em patetices de cinema mudo. Sua descida pelas escadas é uma das mais célebres do grupo.

Para assistir, clique aqui.

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43. ‘PUT THE BLAME ON MAME’, de Gilda (1946)
Com Rita Hayworth (voz de Anita Ellis). Direção: Charles Vidor. Coreografia: Jack Cole. Canção de Allan Roberts e Doris Fischer.

Pê da vida com o marido, (“nunca houve uma mulher como”) Gilda irrompe no palco do nightclub que ele dirige e canta “Put the blame on Mame”. Não só isso, como tira uma das luvas — e é o bastante para que seja um dos mais sexy strip-teases da história. O vestido tomara-que-caia ajuda: nos closes é como se Gilda… bem… não estivesse usando nada.

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42. ‘BELLE’, de A Bela e a Fera (1991)
Com Paige O’Hara, Richard White, Alec Murphy, Mary Kay Bergman, Kath Soucie e coro (vozes). Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Após um breve prólogo, A Bela e a Fera já mostra a que veio: a cena de apresentação da protagonista e seu vilarejo acanhado e o vilão valentão que a deseja é um espetáculo, com todo o jeito de Broadway. Dá para imaginar os cantores e bailarinos pelo palco. Mas aqui é cinema, há planos clássicos e divinos: Bela deslizando pelas prateleiras de livros em direção à câmera, ou a câmera girando em torno dela quando ela diz que quer “mais que essa vida provinciana”.

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41. ‘WOULDN’T BE LOVERLY?’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (voz de Marni Nixon). Direção: George Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe.

A florista pobre Eliza Doolittle tem sua canção de “eu quero” após ser desmerecida pelo irritante professor de dicção. Ela canta nesse momento adorável, errando todas as palavras que pode (canta “ands” em vez de “hands”, por exemplo). Sonha com um mundo de elegância e amor em meio aos restos e aos desvalidos. Audrey, que sempre apareceu como dama nos filmes, brilha como a pobretona inculta que, no fim, vai embora em sua carruagem: uma carroça de lixo.

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Bob Esponja - Um Heroi Fora d'Agua - 01

BOB ESPONJA — UM HERÓI FORA D’ÁGUA (Paul Tibbitt e Mike Mitchell, 2018)
1/2
Diário de Filmes 2019: 34

O trailer e o subtítulo brasileiro me enganaram: fizeram parecer que essa coisa de super-herói iria ocupar o filme todo ou quase todo. Felizmente, não. A trama combina o fundo do mar no estilo tradicional da série, com a aventura fora do mar com os personagens em animação digital contracenando com Antonio Banderas sem medo da canastrice. Muita maluquice e a melhor delas é a engraçadíssima Fenda do Biquíni pós-apocalíptica.

Lino - 02

LINO — UMA AVENTURA DE SETE VIDAS (Rafael Ribas, 2017)

Diário de Filmes 2019: 33

Lino é  uma animação brasileira que se esforça bastante para parecer uma produção padrão de Hollywood. O animador de festas magicamente transformado em gato gigante precisa resolver sua situação enquanto é perseguido pela polícia por um crime que não cometeu. E com uma garotinha a tira-colo, que ele inicialmente não quer por perto, mas que o adora (a dinâmica de Sulley e Bu em Monstros S.A.). É agitado, mas aos personagens falta carisma. Um ponto bom é Selton Mello na dublagem do personagem principal: sua voz é bastante familiar em outras animações, o que não deixa de ser, por tabela, mais um ponto para soar como uma animação americana. Rafael Ribas é filho de Walbercy Ribas, de O Grilo Feliz

Toy Story 3

TOY STORY 3 (Lee Unkrich, 2010)

Diário de Filmes 2019: 26

11 anos depois do segundo filme, há a recuperação e expansão de um tema que já envolvia a personagem Jessie: brinquedos que precisam encarar uma criança que cresce e os vai deixando de lado. A derivação disso leva ao cenário de uma creche onde a animação ganha ares de filme de prisão. Um “Fugindo do Inferno” com bonecos. O Ken é um ótimo acréscimo, e os resets no Buzz Lightyear são sempre divertidos (chamando os outros de “metrossexual de plástico” ou a versão amante espanhol). A reta final é sensacional (e o momento da aceitação da morte não se vê todo dia numa animação infantil). E a sequência final é uma das melhores já feitas no cinema, sem exagero.

OS 20 MELHORES DE 1989

Faca a Coisa Certa - 03

1 — FAÇA A COISA CERTA

(Do the Right Thing, Estados Unidos). Direção e roteiro: Spike Lee. Elenco: Danny Aiello, Spike Lee, John Tuturro, Rosie Perez, Sameul L. Jackson, Ossie Davis, Ruby Dee, Bill Nunn, Martin Lawrence, John Savage.
O caldeirão multicultural em Bed-Stuy está fervilhando no dia mais quente do ano e a intolerância racial está em ebulição. Lee, em seu quarto longa, traça um mosaico complexo e sem resolução fácil, sustentado por personagens marcantes. Seu filme termina com citações de Martin Luther King e Malcolm X, historicamente líderes que lutavam pela mesma causa, mas divergiam sobre o uso da violência.

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When Harry Met Sally2 — HARRY E SALLY, FEITOS UM PARA O OUTRO

(When Harry Met Sally…, Estados Unidos). Direção: Rob Reiner. Roteiro: Nora Ephron. Elenco: Billy Crystal, Meg Ryan, Carrie Fisher, Bruno Kirby.
O filme que redefiniu a comédia romântica tem um quê de inspiração em Woody Allen, brinca com o documentário (com atores interpretando depoimentos de histórias que, na verdade, são reais), tem diálogos ótimos (como a discussão sobre existir ou não amizade entre homem e mulher), momentos de improviso (a cena imortal do orgasmo fingido no restaurante foi sugestão de Meg Ryan; a fala final dessa cena foi sugestão de Billy Crystal), telas divididas espertas (homenageando Indiscreta, 1958, e Confidências à Meia-Noite, 1959). A trama é a do homem e da mulher que se detestam à primeira vista, depois ficam amigos, depois se apaixonam.

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Ilha das Flores

3 — ILHA DAS FLORES

(Brasil) Direção e roteiro: Jorge Furtado. Narração: Paulo José.
Histórico curta que começa bem-humorado ao narrar a trajetória de um tomate através de hiperlinks com fatos históricos e científicos (técnica narrativa que fez sucesso de novo anos depois em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) e personagens fictícios (o fazendeiro que cria os tomates, o quitandeiro que vende, a dona de casa que compra e cozinha). Para, no fim, dar um belo soco de realidade.

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Dead Poets Society (1989) Directed by Peter Weir Shown: Robin Williams

4 — SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS

(Dead Poets Society, Estados Unidos). Direção: Peter Weir. Roteiro: Tom Schulman. Elenco: Robin Williams, Ethan Hawke, Robert Sean Leonard, Josh Charles, Norman Lloyd.
Robin Williams em todas as suas potencialidades cômicas e dramáticas num filme sobre o poder transformador da arte. Filme obrigatório também sobre a arte de ensinar.

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Splendor-11

5 — SPLENDOR

(Splendor, Itália/ França) Direção e roteiro: Ettore Scola. Elenco: Marcello Mastroianni, Massimo Troisi, Marina Vlady.
Lançado meses depois de Cinema Paradiso, foi meio eclipsado pelo filme de Tornatore, mas é outro grande filme sobre o amor ao cinema. E o final ainda é citação direta de A Felicidade Não Se Compra.

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THE LITTLE MERMAID 3D

6 — A PEQUENA SEREIA

(The Little Mermaid, Estados Unidos) Direção e roteiro: John Musker, Ron Clements. Vozes na dublagem original: Jodi Benson, Pat Carroll, Kenneth Mars.
O filme que simboliza a renascença da Disney, após um período de filmes de pouco sucesso. O estúdio retornou à seara das princesas com algumas atualizações, caprichou na animação deslumbrante do fundo do mar e nas canções, com as ótimas “Part of your world” e “Kiss the girl” e a maravilhosa “Under the sea”.

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Indiana Jones e a Ultima Cruzada-26

7 — INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA

(Indiana Jones and the Last Cruzade, Estados Unidos) Direção: Steven Spielberg. Roteiro: Jeffrey Boam. Elenco: Harrison Ford, Sean Connery, Denholm Elliot, Alison Doody, John Rhys-Davies, Julian Glover, River Phoenix.
Spielberg resolveu pegar mais leve na terceira parte da franquia, que volta ao esquema do primeiro: uma corrida contra os nazistas por um tesouro místico. O golpe de mestre foi incluir o pai de Indy na trama, vivido na medida por Sean Connery (e os filmes de James Bond não são o “pai” dos de Indiana Jones, afinal de contas?). Vale o destaque para o prólogo com River Phoenix vivendo o jovem Indy.

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Crimes e Pecados - 01

8 — CRIMES E PECADOS

(Crimes and Misdemeanors, Estados Unidos) Direção e roteiro: Woody Allen. Elenco: Martin Landau, Woody Allen, Anjelica Huston, Alan Alda, Mia Farrow, Claire Bloom.
Como em Hannah e Suas Irmãs, Woody divide o filme em drama e comédia. E de novo equilibra bem as duas tramas que se entrelaçam. Se inspirou em Crime e Castigo e voltará a isso em Match Point (2006).

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Henrique V - 1989 - 02

9 — HENRIQUE V

(Henry V, Reino Unido) Direção e roteiro: Kenneth Branagh. Elenco: Kenneth Branagh, Ian Holm, Brian Blessed, Emma Thompson, Derek Jacobi.
Em seu primeiro filme como diretor, Branagh mostrou uma grande força criativa e narrativa nesta adaptação da peça de Shakespeare. A sequência da batalha de Azincourt é um grande momento, onde o ufanismo que Laurence Olivier usou como tom no filme de 1944 é trocado pela tragédia.

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Sexo Mentiras e Videotape - 01

10 — SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE

(Sex, Lies and Videotape, Estados Unidos) Direção e roteiro: Steven Soderbergh. Elenco: James Spader, Andie MacDowell, Peter Gallagher, Laura San Giacomo.
Em um período onde o cinema independente não aparecia com tanto destaque, o filme de Soderbergh mostrou a força criativa que existia fora dos grandes estúdios.

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Tempo de Gloria - 02

11 — TEMPO DE GLÓRIA

(Glory, Estados Unidos) Direção: Edward Zwick. Roteiro: Kevin Jarre. Elenco: Matthew Broderick, Denzel Washington, Cary Elwes, Morgan Freeman.
A história do primeiro pelotão de soldados negros na Guerra Civil Americana, e o preconceito que enfrentaram até de seu próprio exército.

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De Volta para o Futuro - Parte 2 - 12

12 — DE VOLTA PARA O FUTURO — PARTE II

(Back to the Future — Part II, Estados Unidos) Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: Robert Zemeckis e Bob Gale. Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Thomas F. Wilson, Elisabeth Shue, Billy Zane, Elijah Wood.
O divertidíssimo segundo filme tem três momentos: mostra o futuro prometido no final do primeiro, depois volta a 1985 alterado (como o mundo em que George não existiu em A Felicidade Não Se Compra, 1946) e volta a 1955, onde a nova trama tem momento de interseção com a do primeiro filme. Engenhoso e com efeitos especiais que hoje, na era do CGI, são corriqueiros, mas foram surpreendentes na época.

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Arquitetura da Destruicao - 01

13 — ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO

(Undergångens Arkitektur, Suécia) Direção: Peter Cohen.
O ideal estético do nazismo, da raça pura e da arte “não degenerada”, é analisada nesse excelente documentário. A visão estética deformada do III Reich se refletiu em sua odiosa política higienista, onde a ideia de uma “arte degenerada” refletia o preconceito com doentes mentais e uma obsessão com uma suposta pureza que gerou o Holocausto.

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Black Rain - A Coragem de uma Raca - 01

14 — BLACK RAIN — A CORAGEM DE UMA RAÇA

(Kuroi Ame, Japão) Direção: Shohei Imamura. Roteiro: Shohei Imamura e Toshiro Ishido. Elenco: Yoshiko Tanaka, Kazuo Kitamura, Etsuko Ichihara.
Uma visão dramática e poderosa, em preto-e-branco, da cidade de Hiroshima depois da explosão da bomba atômica jogada pelos americanos no final da II Guerra.

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Eu Sou o Senhor do Castelo - 01

15 — EU SOU O SENHOR DO CASTELO

(Je Suis le Seigneur du Château, França) Direção: Régis Wargnier. Roteiro: Alain Le Henry e Régis Wargnier. Elenco: Régis Arpin, David Behar, Jean Rochefort, Dominique Blanc.
Filmes com criança nem sempre são filmes infantis. Aqui, o filho do dono de uma mansão empreende uma rivalidade feroz contra o filho da empregada.

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Campo dos Sonhos - 01

16 — CAMPO DOS SONHOS

(Field of Dreams, Estados Unidos) Direção e roteiro: Phil Alden Robinson. Elenco: Kevin Costner, Amy Madigan, Ray Liotta, James Earl Jones, Burt Lancaster, Gaby Hoffmann.
Um dos melhores feel good movies, que aposta numa história difícil de levar a sério: um fazendeiro que ouve vozes que dizem para construir um campo de beisebol no meio de um milharal. E aí grandes jogadores do passado aparecem do além para bater uma bolinha. Mas, embarcando, é uma delícia de ver.

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Shirley Valentine - 01

17 — SHIRLEY VALENTINE

(Shirley Valentine, Reino Unido/ Estados Unidos) Direção: Lewis Gilbert. Roteiro: Willy Russell. Elenco: Pauline Collins, Tom Conti, Joanna Lumley.
Russell adapta a própria peça de sucesso, com a mesma Pauline Collins, que ganhou um Tony pelo papel: uma dona-de-casa inglesa tão solitária que dá bom dia às paredes e quebra a quarta parede para conversar com o espectador. Nada que uma viagem à Grécia não mude. Gilbert digiriu três filmes de 007 nos anos 1960 e 1970.

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Meu Pe Esquerdo - 06

18 — MEU PÉ ESQUERDO

(My Left Foot — The Story of Christy Brown, Irlanda/ Reino Unido) Direção: Jim Sheridan. Roteiro: Shane Connaughton e Jim Sheridan. Elenco: Daniel Day-Lewis, Brenda Fricker, Alison Whelan, Fiona Shaw.
A história real de Christy Brown, que nasceu com paralisia cerebral e descobriu como escrever e pintando com a única parte do corpo que conseguia controlar: o pé esquerdo. O primeiro dos três Oscars de Day-Lewis.

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Batman-1989-20

19 — BATMAN

(Batman, Estados Unidos) Direção: Tim Burton. Roteiro: Sam Hamm, Warren Skaaren. Elenco: Michael Keaton, Jack Nicholson, Kim Basinger, Jack Palance, Billy Dee Williams.
A primeira grande adaptação do Homem-Morcego para os cinemas detonou uma batmania mundial. O filme é cheio de senões (o Coringa ser responsável pela morte dos pais do Batman, pro exemplo), muita gente reclamou de Keaton como o herói, mas o Coringa de Nicholson é brilhante e Burton conseguiu impor sua marca autoral, isso não se pode negar.

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M8DSEOF EC020

20 — VÍTIMAS DE UMA PAIXÃO

(Sea of Love, Estados Unidos) Direção: Harold Becker. Roteiro: Richard Price. Elenco: Al Pacino, Ellen Barkin, John Goodman, Michael Rooker, Richard Jenkins, William Hickey, Samuel L. Jackson.
Al Pacino encerrou um hiato de quatro anos sem um filme com esse noir moderno, em que é um policial que investiga assassinatos e se envolve com uma mulher que pode ser a culpada. Nesse papel, está Ellen Barkin, em seu papel mais memorável e sexy.

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OS 10 PIORES

Orquidea Selvagem - 01

1 — ORQUÍDEA SELVAGEM

(Wild Orchid, Estados Unidos) Direção: Zalman King. Roteiro: Patricia Louisianna Knope e Zalman King. Elenco: Carré Otis, Mickey Rourke, Jacqueline Bisset, Assumpta Serna, Milton Gonçalves.
Uma advogada é levada a um turismo erótico pelo Rio de Janeiro por um milionário. Produtor e roteirista de 9 1/2 Semanas de Amor (1986), King tentou reproduzir o sucesso com o mesmo Mickey Rourke e a modelo Carré Otis, linda, mas inexpressiva, no lugar de Kim Basinger. O resultado foi péssimo, onde pessoas dobrando uma esquina no Rio e saindo em Salvador era o de menos.

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2 — O JUSTICEIRO (The Punisher, Austrália/ Estados Unidos) Direção: Mark Goldblatt. Elenco: Dolph Lundgren, Louis Gossett Jr. Versão podreira muito longe do que a Marvel é hoje no cinema.

3 — DOIDA DEMAIS (Brasil) Direção: Sergio Rezende. Elenco: Vera Fischer, Paulo Betti, José Wilker. Aventura que tenta usar a sensualidade de Vera Fischer e não muito mais.

4 — A MOSCA II (Estados Unidos) Direção: Chris Walas. Elenco: Eric Stoltz, Daphne Zuniga. Caça-níquel total.

5 — CONDENAÇÃO BRUTAL (Lock Up, Estados Unidos). Direção: John Flynn. Elenco: Sylvester Stallone, Donald Sutherland, Tom Sizemore. Um dos piores filmes de Stallone e essa é uma escolha difícil

6 — GUERREIRO AMERICANO III (American Ninja III Blood Hunt, Estados Unidos/ Canadá/ África do Sul). Direção: Cedric Sundstrom. Elenco: David Bradley, Steve James. Essa série foi uma praga com toda a cara da produtora Golan-Globus.

7 — LOUCADEMIA DE POLÍCIA VI — CIDADE EM ESTADO DE SÍTIO (Police Academy VI City Under Siege, Estados Unidos) Direção: Peter Bonerz. Elenco: Michael Winslow, G.W. Bailey, Bubba Smith, David Graf, George Gaynes, Leslie Easterbrook, Marion Ramsey. Steve Gutenberg já tinha pulado fora dois filmes atrás e a série não aprendeu com o filme anterior que era hora de acabar.

8 — MATADOR DE ALUGUEL (Road House, Estados Unidos). Direção: Rowdy Herrington. Elenco: Patrick Swayze, Kelly Lynch, Sam Elliott, Ben Gazzara. Patrick Swayze como leão de chácara. Pior que Dirty Dancing.

9 — OS TRAPALHÕES NA TERRA DOS MONSTROS (Brasil) Direção: Flávio Migliaccio. Elenco: Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Zacarias, Angélica, Conrado, Gugu Liberato, Vanessa de Oliveira. Os Trapalhões têm filmes bons e ruins. Mas esse aqui sofre com péssimos monstrinhos (e falo também das atuações de Angélica, Conrado e Gugu).

10 — CONFUSÕES DE UM SEDUTOR (Skin Deep, Estados Unidos). Direção: Blake Edwards. Elenco: John Ritter, Vincent Gardenia, Nina Foch. Deve ser o pior filme da carreira de Blake Edwards. Ele parece ter feito esse filme antes e muito melhor.


EDIÇÕES:

Em 15/5/2020: Sai Ata-me, que entrou para a lista de 1990. Entrou Ilha das Flores, em 3º. E Sexo, Mentiras e Videotape caiu de 6º para 10º.


Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria. Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada, claro, aos filmes que vi — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes dessa lista ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano.


OUTRAS LISTAS:

 

Hair - 03

Renn Woods em “Aquarius”, de “Hair” (1979)

70. ‘THE SHORTY GEORGE’, de Bonita como Nunca (1942)
Com Fred Astaire, Rita Hayworth (voz de Nan Wynn) e Xavier Cugat e sua orquestra. Direção: William A. Seiter. Direção de dança: Val Raset. Coreografia: Fred Astaire e Nicanor Molinare. Canção de Jerome Kern e Johnny Mercer.

Fred Astaire e Rita Hayworth tinham mesmo alguma coisa mágica entre eles. Basta a graça, a química entre eles, o bom humor e essa grande música para transformar esse número simples numa delícia de ver. Infelizmente o símbolo sexual impressionante que Rita se tornaria dali a pouco parece que eclipsou um pouco esse seu talento como dançarina. Mas olha como ela era ótima! O número é uma homenagem a George “Shorty” Snowden, dançarino negro do Harlem nos anos 1920 e 1930.

 

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69. ‘LET IT GO’, de Frozen — Uma Aventura Congelante (2013)
Com Idina Menzel. Direção: Chris Buck e Jennifer Lee. Canção de Kristen Anderon-Lopez e Robert Lopez.

Um dos maiores sucesso musicais da Disney dos últimos tempos, inevitável Oscar de melhor canção, é uma poderosa canção de autoafirmação que começa praticamente do zero e vai num crescendo: no ânimo da Rainha Elsa e na animação, que começa numa paisagem gelada de céu e neve para terminar num castelo erguido do gelo e a luz do sol. A sequência da ponte é particularmente bonita.

 

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68. ‘LULLABY OF BROADWAY’, de Mordedoras de 1935 (1935)
Com Wini Shaw, Ramon & Rosita, Dick Powell, Alice Brady e elenco. Direção e coreografia: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

Há muito a dizer sobre esse impressionante número de 1935, que leva 13 minutos. É outro daqueles números que no filme se passam num palco, mas impossíveis de caber em um de verdade. Um curta-metragem dentro do filme. Começa pelo incrível plano da cabecinha da cantora “flutuando” lá no fundo preto enquanto a câmera lentamente se aproxima até um superclose (recriado com Doris Day em 1951). Um show de iluminação e câmera. Depois, a girada e o rosto que se torna a Broadway. Depois começa o ruge-ruge do dia na cidade grande. Também há quem chegue da noitada. Para estes, o dia só começa de novo à noite e a noite é deles. O nightclub parece que é só do casal vivido por Dick Powell e Alice Brady. Eles são a única plateia para as dezenas de dançarinos que fazem aquelas coreografias gigantescas de Berkeley. E a câmera dança: o diretor-coreógrafo os filma em 90º de cima e até em 90º de baixo, mostrando as solas dos pés. Um delírio que cresce até terminar em tragédia.

 

 

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67. STREET DANCE TO RAISE MONEY, de A Pequena Rebelde (1935)
Com Shirley Temple e Bill “Bojangles” Robinson. Direção: David Butler.

Shriley Temple tinha 7 anos, Bill Robinson tinha 57. Eles formaram o primeiro casal de dançarinos inter-racial do cinema em cenas cheias de graça como esta, que nem foi a primeira (que aparecerá na lista mais tarde). Aqui, eles dançam na rua e passam o chapéu para arrumar fundos e salvar o pai da menina, prisioneiro na guerra civil americana. O filme tem sua dose de racismo (aquela coisa do “bom escravo”), mas, ao menos, registra o talento do genial Bojangles e ajudou a quebrar essa barreira: uma branca e um negro dançando juntos.

 

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66. ‘THE GOLD DIGGERS’ SONG (WE’RE IN THE MONEY)’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Ginger Rogers e elenco. Direção: Mervyn LeRoy. Direção de dança e coreografia: Burby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

“Estamos montadas na grana” é o que basicamente dizem as primeiras palavras de Cavadoras de Ouro, cantadas por Ginger Rogers. Do close de Ginger passamos para as outras as dançarinas e delas para o plano aberto em que vemos que se trata do ensaio de um número de teatro. A dupla ironia é que, sem o espetáculo, as dançarinas estarão quebradas; e o país inteiro estava ainda sobre os efeitos devastadores da Grande Depressão. Detalhe: em determinado trecho, Ginger canta em “pig-latin”, um jogo infantil de mudar palavras para transformá-las em código (meio como fazemos aqui com a língua do P).

 

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65. ‘STEP IN TIME’, de Mary Poppins (1961)
Com Dick van Dyke, Julie Andrews e elenco. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

Como as pessoas nas casas embaixo não reclamavam do barulho do incrível sapateado dos limpadores de chaminés em seus telhados? Deve fazer parte da magia de Mary Poppins, mas o fato é que a coreografia de extremo vigor tem poucas competidoras no quesito animação. A participação de Julie Andrews, na segunda metade do número, dá um charme extra e mil rodopios extras.

 

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64. ‘THINK’, de Os Irmãos Cara de Pau (1980)
Com Aretha Franklin, Matt Murphy, Carolyn Franklin, Brenda Bryant Corbett, Margaret Branch, Lou Marini, John Belushi, Dan Aykroyd. Direção: John Landis. Coreografia: Carlton Johnson. Canção de Ted White e Aretha Franklin.

A inigualável Aretha Franklin faz uma participação enérgica no filme com nova versão de seu sucesso de 1968. No restaurante meio fuleira do casal, Aretha dá uma prensa no maridão, Matt “Guitarra” Murphy, quando os Blues Brothers aparecem para convocá-lo (e ao sax “Blue” Lou Marini) para voltar à banda. Daqui a pouco, o plano que abre das três garotas do coro para os Blues Brothers participando da coreografia. E, sobre o balcão, Lou Marini fazendo uns passinhos. Tudo muito divertido.

 

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63. ‘EPILOGUE’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Emma Stone e Ryan Gosling. Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz.

À moda de Sinfonia de Paris (1951), La La Land reservou uma fantasia musical para seu clímax. Aqui, ao reencontrar o amor do passado, a personagem de Emma Stone reimagina a própria história desde o momento em que o conheceu, mas com mudanças em que eles terminam juntos. Como o sonho é dela, ele é que abre mãos dos seus sonhos para segui-la. Diversos segmentos embalados em rebuscamento visual e citações de musicais clássicos. É lindo e é triste: uma lembrança do que poderia ter sido.

 

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62. ‘AQUARIUS’, de Hair (1979)
Com Renn Woods e elenco. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt McDermot, Gerome Ragni e James Rado.

A música mais famosa de Hair é uma declaração filosófica na abertura, estabelecendo o que virá pela frente. O que acontecia no palco, ali ganhava o Central Park, com coreografia que inclui ironias contra a autoridade (os hippies fazendo os cavalos dos policiais dançarem). Os protagonistas do filme aparecem no número, mas sem cantar ou dançar. Quem canta é Renn Woods, com flores no cabelo (como mandava aquela canção de Scott McKenzie, mesmo que fosse sobre San Francisco e não Nova York) e câmera sempre girando em torno, ela que havia feito Raízes em 1977, na TV.

 

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61. ‘STORMY WEATHER’, de Tempestade de Ritmos (1943)
Com Lena Horne e Katherine Dunham. Direção: Andrew L. Stone. Direção de dança: Nick Castle. Coreografia: Clarence Robinson. Canção de Harold Arlen e Ted Koehler.

A espetacular Lena Horne foi outra vítima do racismo em Hollywood. Grande cantora e muito linda, era relegada pela MGM a participações como cantora nos filmes, para que os números pudessem simplesmente ser cortados quando exibidos para as plateias racistas do sul dos Estados Unidos. Por isso, ela raramente teve a chance de ter um papel, muito menos de protagonista. Isto aconteceu em filmes como este, com elenco negro, dirigido a um “público negro”. Sua interpretação definitiva de “Stormy weather” mostra o que o cinema muitas vezes preferiu perder. O número tem aquela curiosidade de passar de um palco para uma realidade fantasiosa que não caberia num ambiente fechado. É onde aparece a dança de Katherine Dunham. Um dos grandes nomes negros da dança também como coreógrafa, ela fez carreira acadêmica no campo da antropologia da dança.

 

 

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Bela e a Fera - 1991 - 31

A BELA E A FERA (Gary Trousdale e Kirk Wise, 1991)
⭐⭐
Diário de Filmes 2019: 16

Primeira animação indicada ao Oscar de melhor filme (numa época em que não havia uma categoria própria e eram só cinco indicados), A Bela e a Fera consolidou o renascimento dos longas da Disney após um período de baixa. O primeiro número musical, “Belle”, já mostra as cartas do filme: uma animação estupenda de um número musical que é pura Broadway. O que vem pela frente navega entre o drama, o horror, a ação e, naturalmente, o filme para crianças.

Pequeno Príncipe - 2015 - 02

O PEQUENO PRÍNCIPE (Mark Osborne, 2015)
⭐⭐
Diário de Filmes 2019: 14

Segunda vez no ano porque é hit com Arthur aqui em casa. A interação entre a parte nova, da garotinha adulta, com a adaptação propriamente dita do livro (esta em stop-motion com papel) sempre me encanta.

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VIVA – A VIDA É UMA FESTA (Lee Unkrich e Adrian Molina, 2017)
⭐⭐½
Diário de Filmes 2019: 12

É sempre um prazer rever a bela animação da Disney, que imagina um mundo dos mortos e trata da importância da saudade.
Para mais, leia minha crítica do filme.
E leia também minha matéria sobre a arquitetura do filme na revista AE.

Filme Looney Looney Looney do Pernalonga - 01

O FILME LOONEY, LOONEY, LOONEY DO PERNALONGA (Friz Freleng, 1981)

Diário de Filmes 2019: 11

Longa-metragem que emenda diversos curtas dirigidos por Friz Freleng em três blocos temáticos: Eufrazino (em duelo com Pernalonga em cenários como o velho oeste e a Roma antiga), os gansgsters Rocky e Mugsy (sequestrando Pernalonga poe acaso ou ameaçando o Patolino para que ele bote um ovo de ouro) e outros reunidos sob o pretexto de grandes atuações animadas em um prêmio tipo Oscar (clássicos como O Jazz dos Três Porquinhos, Frajola entrando para os comedores de pássaros anônimos, Pernalonga e Eufrazino duelando num número de mergulho, Pernalonga e Patolino duelando no palco). A ligação entre eles é feita por alguns novos e breves segmentos animados, em geral menos inspirados. Mas o curtas originais são irresistíveis, afinal Freleng foi um dos maiores diretores das animações da Warner. Antes do longa propriamente dito, o início é com o curta Knighty Knight Bugs (1958), única vez em que o Pernalonga ganhou um Oscar. Esse filme deve ter tido outro título ao passar aqui nos cinemas ou ter sido lançado em VHS, mas não encontrei referência.

Pequeno Príncipe - 2015 - 05

O PEQUENO PRÍNCIPE (Mark Osborne, 2015)

Diário de Filmes 2019: 10

Fazer uma adaptação do clássico de Saint-Exupéry em que metade ou mais da metade é uma história nova e moderna é uma temeridade. Mas funciona aqui – e bem. O filme consegue vincular as duas tramas, fazer uma influenciar a outra e as demarca com inteligência através do uso de duas técnicas de animação diferentes. A parte moderna, em CGI; a adaptação direta do livro, em stop-motion com papel. A reta final é o resgate da infância para uma menininha muito adulta (em “um mundo que ficou adulto demais”) e um tom de aventura, mas sem perder a obra original de vista.

Amor Sublime Amor - 04

Natalie Wood em “I feel pretty”, de “Amor, Sublime Amor” (1961)

90. ‘NOW YOU HAS JAZZ’, de Alta Sociedade (1956)
Com Bing Crosby e Louis Armstrong. Direção: Charles Walters. Canção de Cole Porter.

Dois monstros sagrados da música popular, Bing Crosby e Louis Armstrong, ensinando o que é o jazz. Não há professores melhores. Bing interpreta um personagem, mas Louis interpreta ele mesmo, como o parceiro faz questão de mostrar quando apresenta a banda: “E ouçam, bem, vocês sabem quem”.

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89. ‘BE A CLOWN’, de O Pirata (1940)
Com Judy Garland e Gene Kelly. Direção: Vincente Minnelli. Direção de dança: Robert Alton, Gene Kelly. Canção de Cole Porter.

Gene e Judy subvertem o esperado final glamouroso do filme com um divertidíssimo número de palhaços — um ” anti Fred & Ginger”. É a reprise de uma canção que é cantada antes no filme por Gene e os Nicholas Brothers. E foi copiada na cara dura por Arthur Freed e Nacio Herb Brown para o espetacular “Make’em laugh” de Cantando na Chuva (1952).

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88. ‘LA VIE BOHEME’, de Rent — Os Boêmios (2005)
Com Taye Diggs, Anthony Rapp, Idina Menzel, Adam Pascal, Jesse L. Martin, Rosario Dawson, Wilson Jermaine Heredia, Tracie Thoms, Shaun Earl. Direção: Chris Columbus. Coreografia: Keith Young. Canção de Jonathan Larson e Billy Aronson.

Dividido em A e B, com outras cena no meio, esse número é uma celebração da boemia, da arte, da igualdade de direitos e do sexo sem culpa, com um número sem referências na letra e uma grande agitação rebelde em cena, com grandes passagens como “sermos ‘nós’, pelo menos uma vez, em vez de ‘eles'” ou, no meio da confusão, os personagens principais todos juntos para cantarem “não morrer da doença” (a Aids).

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87. ‘I DREAMED I DREAM’, de Os Miseráveis (2012)
Com Anne Hathaway. Direção: Tom Hooper. Coreografia: Liam Steel. Canção de Herbert Kretzmer, Claude-Michel Schönberg e Alain Boublil.

A decisão de gravar os vocais aos vivo (em vez de filmar sobre o áudio já gravado antes) captou uma interpretação visceral de Anne Hathaway da mais doída das canções de Os Miseráveis e talvez de todos os musicais (“Eu tinha um sonho de como seria minha vida/ Tão diferente deste inferno em que vivo”). São quatro minutos de cortar o coração e que renderam a ela um Oscar — e com toda a justiça.

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86. ‘OS QUINDINS DE IAIÁ’, de Você Já Foi à Bahia? (1945)
Com Aurora Miranda, Almirante, Aloysio de Oliveira e as vozes de Clarence Nash e José Oliveira. Direção: Norman Ferguson. Coreografia: Billy Daniel, Aloysio de Oliveira. Canção de Ary Barroso.

Zé Carioca apresenta a Bahia ao Pato Donald e ele cai de amores pela baiana que vende quindins. Essa baiana é a maravilhosa Aurora Miranda, irmã de Carmen, e a cantora original de “Cidade maravilhosa”, entre outras canções. O malandro é Almirante e o sujeito das tangerinas é Aloysio de Oliveira. Muito divertido, usando e abusando da interação entre atores reais e desenhos animados, do delírio inspirado pela música e com a própria Salvador sendo posta para dançar no final. (No vídeo abaixo, o número começa aos 2min30seg).

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85. ‘THE TYPEWRITER’, de Errado pra Cachorro (1963)
Com Jerry Lewis. Direção: Frank Tashlin. Música de Leroy Anderson.

“The typewriter” é uma peça para máquina de escrever e orquestra (de verdade) que Jerry Lewis transformou em um delicioso show de pantomima com um instrumento invisível. Ele o faz neste grande momento de Errado pra Cachorro e o repetiu em apresentações ao vivo e em programas de televisão.

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84. ‘LE JAZZ HOT’, de Victor ou Victoria (1982)
Com Julie Andrews. Direção: Blake Edwards. Coreografia: Paddy Stone. Canção de Henri Mancini e Leslie Bricusse.

Julie Andrews é uma cantora que finge ser um homem que faz um show de travesti.  E este número é sua entrada triunfal, que dá um nó na cabeça de quem não conhece o seu segredo. Julie, com muito mais malícia do que em seus papéis icônicos de Mary Poppins ou fraulein Maria.

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83. ‘I FEEL PRETTY’, de Amor, Sublime Amor (1961)
Com Natalie Wood (com voz de Marni Nixon), Suzie Kaye, Yvonne Wilder e Joanne Miya. Direção: Robert Wise e Jerome Robbins. Coreografia: Jerome Robbins. Canção de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim,.

Na volta do intervalo do filme, Maria canta sua felicidade, de como o amor a faz sentir mais bonita, enquanto as colegas de trabalho na loja de costura acham que ela ficou doida. Os exageros são uma delícia: “Miss América já pode renunciar”, “um comitê deveria ser formado para me homenagear”, “a cidade deveria me dar a chave”. Capitaneando tudo, todo o charme e talento de Natalie Wood.

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82. ‘YOU CAN’T STOP THE BEAT’, de Hairspray — Em Busca da Fama (2007)
Com Nikki Blonsky, Zac Efron, Amanda Bynes, Elijah Kelley, John Travolta, Queen Latifah. Direção e coreografia: Adam Shankman. Canção de Scott Wittman e Marc Shaiman.

gran finale de Hairspray é a subversão de um concurso de popularidade da TV onde gordos e negros viram protagonistas e derrubam o racismo da emissora. “This is the future”, sentencia o apresentador num palco que une dançarinos negros e brancos. Embalando isso, a incrível vibração que é a marca desse musical, com uma música irresistível.

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81. ‘GOIN’ CO’TIN’, de Sete Noivas para Sete Irmãos (1954)
Com Jane Powell, Jeff Richards, Russ Tamblyn, Tommy Rall, Marc Platt, Matt Mattox e Jacques d’Amboise. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Gene de Paul e Johnny Mercer.

Jane Powell está decidida a civilizar seus seis cunhados brutamontes. E um dos passos é ensiná-los a paquerar as moças da cidade. E, além das várias estratégias para usar naquele cafundó do velho oeste, existe a dança. E, como é um musical da Metro, é a aula de dança mais rápida e maravilhosa de todos os tempos. Conhecimento que eles vão usar em seguida, naquele número absolutamente sensacional que todos sabemos qual é.

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Homem-Aranha no Aranhaverso

HOMEM-ARANHA NO ARANHAVERSO (Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman, 2018)
½
Diário de Filmes 2019: 7

Nos quadrinhos, a saga do Aranhaverso foi um fan service gigante que brincava com encontros de inúmeras versões do Homem-Aranha, já existentes ou criadas para a história. A adaptação da ideia para o cinema organiza e simplifica a coisa – e a aproveita para apresentar ao público alheio aos quadrinhos o Homem-Aranha alternativo mais popular: Miles Morales. Negro e latino, é para o universo dele que convergem outros cinco Aranhas, que se juntam para impedir a destruição de seus universos paralelos através de uma máquina fatal, etc. Para o leitor aficcionado por cronologia, um prato cheio para debater referências e se o Parker veterano que aparece é ou não o “nosso” Peter Parker. Para o espectador comum, isso não tem muita importância: o filme é ágil, divertido, a animação investe num ar cartunesco, a narrativa explora bem os diferentes heróis aracnídeos (com alguns mais protagonistas e outros mais coadjuvantes) e há boas sacadas como evocar a textura de quadrinhos antigos e recontar as origens dos heróis várias vezes, com suas particularidades.

La La Land - Cantando Estações - 09

Emma Stone, Jessica Rothenberg, Sonoya Mizuno e Callie Hernandez, em “Somewhere in the crowd”, de “La La Land – Cantando Estações” (2017)

110. ‘PART OF YOUR WORLD’, de A Pequena Sereia (1989)
Com Jodi Benson. Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

A melhor das canções “eu quero” das animações da Disney: em uma belíssima animação à mão, Ariel mostra seu refúgio secreto com sua coleção de objetos da superfície que atiçam sua curiosidade por esse lugar onde “os pais não repreendem as filhas”.

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109. ‘TICO-TICO NO FUBÁ’, de Alô, Amigos! (1942)
Com José Oliveira. Direção: Wilfred Jackson, Jack Kinney, Hamilton Luske e Bill Roberts. Canção de Zequinha de Abreu.

No Brasil, Zé Carioca apresenta o samba ao Pato Donald, numa combinação magistral do clássico “Tico-tico no fubá” e uma inspirada animação dos estúdios Disney, em que o cenário do Rio de Janeiro vai se desenhando à frente dos personagens.

 

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108. ‘I’M THRU WITH LOVE’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe. Direção: Billy Wilder. Canção de Matt Malneck, Fud Livingston e Gus Kahn.

“Estou cansada do amor”, canta Marilyn num momento baixo astral de sua personagem. A canção dos anos 1930 está conectada à época em que o filme se passa. A interpretação de Sugar Kane comove Joe, o personagem de Tony Curtis, que acaba revelando seu disfarce de Josephine — de uma maneira e tanto.

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107. ‘MOVIN’ RIGHT ALONG’, de O Mundo Mágico dos Muppets (1979)
Com Jim Henson e Frank Oz. Direção: James Frawley. Canção de Paul Williams e Kenny Archer.

Dois muppets cruzando a América a bordo de um Studebaker: Caco, o Sapo (nada de Kermit aqui) e o urso Fozzy viajam para Los Angeles para trabalhar no mundo do entretenimento. Carisma não falta, de jeito nenhum. O filme era um prólogo do The Muppet Show, da TV, mostrando como os personagens se conheceram.

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106. ‘SOMEONE IN THE CROWD’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Callie Hernandez, Sonoya Mizuno, Jessica Rothenberg e Emma Stone. Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul.

A primeira metade desse número é uma obra-prima: sem cortes, freneticamente através dos cômodos da casa, cada um com uma cor dominante, assim como os vestidos das moças. Um show de direção e coreografia parta ver e rever sempre.

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105. ‘CHIM-CHIM CHEREE’, de Mary Poppins (1964)
Com Dick van Dyke, Julie Andrews, Karen Dotrice e Matthew Garber. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

Para tranquilizar os irmãos assustados e perdidos, o agora limpador de chaminés Bert os leva para casa e mostra, na companhia de Mary Poppins, a beleza de Londres à noite vista dos telhados. A canção ganhou o Oscar daquele ano.

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104. ‘TWIST AND SHOUT’, de Curtindo a Vida Adoidado (1986)
Com Matthew Broderick (voz de John Lennon). Direção: John Hughes. Coreografia: Kenny Ortega. Canção de Bert Berns e Phil Medley.

“O que você acha que o Ferris vai fazer agora?”. É a pergunta a ser feita durante todo o Curtindo a Vida Adoidado. Neste momento do filme, ele já está sobre um carro alegórico da Von Steuben Day Parade (que, aliás, existe mesmo: é realizada anualmente em Chicago em homenagem a um barão da Prússia que deu uma força aos americanos na guerra pela independência). Sua dublagem da canção dos Beatles é tão contagiosa que faz dançar todo mundo em volta. Até quem não era ator ou figurante contratado, como os trabalhadores nos andaimes e o lavador de janelas, que se deixaram embalar pela música e foram filmados pela câmera de John Hughes.

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103. ‘THE INQUISITION’, de A História do Mundo – Parte I (1981)
Com Mel Brooks, Jackie Mason e Ronny Graham. Direção: Mel Brooks. Coreografia: Alan Johnson. Canção de Mel Brooks e Ronny Graham.

Usar o musical como forma de demolir uma instituição é um talento particular de Mel Brooks. Aqui, o alvo é a inquisição espanhola, onde as maiores atrocidades são narradas sob o ponto de vista de saltitantes religiosos liderados por Mel em pessoa, que tentam converter judeus com citações a O Poderoso Chefão e Busby Berkeley, frades com joelhos à mostra, freiras nadadoras. Antológico.

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102. ‘SOBBIN’ WOMEN’, de Sete Noivas para Sete Irmãos (1954)
Com Howard Keel, Jeff Richards, Russ Tamblyn, Tommy Rall, Marc Platt, Matt Mattox e Jacques d’Amboise. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Gene de Paul e Johnny Mercer.

Ao ver seus seis irmãos de baixo astral porque a paquera com seis garotas da cidade acabou numa monumental briga com outros seis caras, o irmão mais velho Adam ajuda como pode: contando a história que aprendeu num livro, a dos romanos que simplesmente raptaram mulheres sabinas e que, com o tempo, elas acabaram gostando dos raptores (ele confunde “sabine women” com “sobbin’ women”, “chorosas”). Logo, se está na história, basta fazer o mesmo, não é? Um conselho errado, claro, defendido com vigor e talento.

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101. ‘ISN’T THIS A LOVELY DAY (TO BE CAUGHT IN THE RAIN)?’, de O Picolino (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Fred Astaire. Direção de dança: William Hetzler. Canção de Irving Berlin.

Uma vez Ginger disse: “Eu fazia tudo o que ele fazia, só que de salto alto”. Aqui, ela não está de salto alto, mas a piada nunca foi tão verdadeira. A brincadeira da cena, depois que Fred tenta quebrar o gelo cantando, é que ela aceita dançar com ele, porém imitando-o. De calças, Ginger faz quase um espelho de Fred, é uma dança de casal que não é de casal. Só no final ele a toma nos braços — mas ela também não deixa de conduzir em um momento.

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