You are currently browsing the category archive for the ‘Cinema’ category.

null

HAN SOLO (Ron Howard, 2018)
Diário de Filmes 2019: 18

Fazer um filme sobre o passado de um personagem tão mítico quanto Han Solo – com outros criadores e outro elenco – é praticamente pedir pra perder. Dificilmente vai se chegar à altura da representação original (no caso, Harrison Ford na trilogia original de Guerra nas Estrelas). Dito isso, não é um filme ruim. É uma aventura honesta e com boa dose de diversão. Mas seria ótimo se fosse tão inspirado quanto os posters setentistas da divulgação do filme.

Anúncios

null

A BELA E A FERA (Bill Condon, 2017)
Diário de Filmes 2019: 17

Seguindo muito de perto a versão animada, incluindo as canções, essa versão carne-osso-e-CGI tem acertos e problemas. De cara, se perde o carisma que a liberdade da animação dá aos personagens, principalmente aos objetos que são pessoas encantadas. O número “Belle” já mostra também que a vivacidade da animação ganhou comedimento com os atores e cenários reais. Por outro lado, há um trabalho para avançar no empoderamento da personagem da Bela (que já era avançada em 1991, em comparação a outras princesas Disney), fazer as causas e consequências ganharem um pouco mais de sentido, personagens como o pai da Bela e Lefou melhoraram bastante e há uma sequência nova envolvendo a história da mãe da protagonista.

***

70. ‘THE SHORTY GEORGE’, de Bonita como Nunca (1942)
Com Fred Astaire, Rita Hayworth (voz de Nan Wynn) e Xavier Cugat e sua orquestra. Direção: William A. Seiter. Direção de dança: Val Raset. Coreografia: Fred Astaire e Nicanor Molinare. Canção de Jerome Kern e Johnny Mercer.

Fred Astaire e Rita Hayworth tinham mesmo alguma coisa mágica entre eles. Basta a graça, a química entre eles, o bom humor e essa grande música para transformar esse número simples numa delícia de ver. Infelizmente o símbolo sexual impressionante que Rita se tornaria dali a pouco parece que eclipsou um pouco esse seu talento como da dançarina. Mas olha como ela era ótima!

***

69. ‘LET IT GO’, de Frozen — Uma Aventura Congelante (2013)
Com Idina Menzel. Direção: Chris Buck e Jennifer Lee. Canção de Kristen Anderon-Lopez e Robert Lopez.

Um dos maiores sucesso musicais da Disney dos últimos tempos, inevitável Oscar de melhor canção, é uma poderosa canção de autoafirmação que começa praticamente do zero e vai num crescendo: no ânimo da Rainha Elsa e na animação, que começa numa paisagem gelada de céu e neve para terminar num castelo erguido do gelo e a luz do sol. A sequência da ponte é particularmente bonita.

***

68. ‘LULLABY OF BROADWAY’, de Mordedoras de 1935 (1935)
Com Wini Shaw, Ramon & Rosita, Dick Powell, Alice Brady e elenco. Direção e coreografia: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

Há muito a dizer sobre esse impressionante número de 1935, que leva 13 minutos. É outro daqueles números que no filme se passa num palco, mas impossíveis de caber em um de verdade. Um curta-metragem dentro do filme. Começa pelo incrível plano da cabecinha da cantora “flutuando” lá no fundo preto enquanto a câmera lentamente se aproxima até um superclose (recriado com Doris Day em 1951). Um show de iluminação e câmera. Depois, a girada e o rosto que se torna a Broadway. Depois começa o ruge-ruge do dia na cidade grande. Também há quem chegue da noitada. Para estes, o dia só começa de novo à noite e a noite é deles. O nightclub parece que é só do casal vivido por Dick Powell e Alice Brady. Eles são a única plateia para as dezenas de dançarinos que fazem aquelas coreografias gigantescas de Berkeley. E a câmera dança: o diretor-coreógrafo os filma em 90º de cima e até em 90º de baixo, mostrando as solas dos pés. Um delírio que cresce até terminar em tragédia.

***

67. STREET DANCE TO RAISE MONEY, de A Pequena Rebelde (1935)
Com Shirley Temple e Bill “Bojangles” Robinson. Direção: David Butler.

Shriley Temple tinha 7 anos, Bill Robinson tinha 57. Eles formaram o primeiro casal de dançarinos inter-racial do cinema em cenas cheias de graça como esta, que nem foi a primeira (que aparecerá na lista mais tarde). Aqui, eles dançam na rua e passam o chapéu para arrumar fundos e salvar o pai da menina, prisioneiro na guerra civil americana. O filme tem sua dose de racismo (aquela coisa do “bom escravo”), mas, ao menos, registra o talento do genial Bojangles e ajudou a quebrou essa barreira: uma branca e um negro dançando juntos.

***

66. ‘THE GOLD DIGGERS’ SONG (WE’RE IN THE MONEY)’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Ginger Rogers e elenco. Direção: Mervyn LeRoy. Direção de dança e coreografia: Burby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

“Estamos montadas na grana” é o que basicamente dizem as primeiras palavras de Cavadoras de Ouro, cantadas por Ginger Rogers. Do close de Ginger passamos para as outras as dançarinas e delas para o plano aberto em que vemos que se trata do ensaio de um número de teatro. A dupla ironia é que, sem o espetáculo, as dançarinas estarão quebradas; e o país inteiro estava ainda sobre os efeitos devastadores da Grande Depressão. Detalhe: em determinado trecho, Ginger canta em “pig-latin”, um jogo infantil de mudar palavras para transformá-las em código (meio como fazemos aqui com a língua do P).

***

65. ‘STEP IN TIME’, de Mary Poppins (1961)
Com Dick van Dyke, Julie Andrews e elenco. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

Como as pessoas nas casas embaixo não reclamavam do barulho do incrível sapateado dos limpadores de chaminés em seus telhados? Deve fazer parte da magia de Mary Poppins, mas o fato é que a coreografia de extremo vigor tem poucas competidoras no quesito animação. A participação de Julie Andrews, na segunda metade do número, dá um charme extra e mil rodopios extras.

***

64. ‘THINK’, de Os Irmãos Cara de Pau (1980)
Com Aretha Franklin, Matt Murphy, Carolyn Franklin, Brenda Bryant Corbett, Margaret Branch, Lou Marini, John Belushi, Dan Aykroyd. Direção: John Landis. Coreografia: Carlton Johnson. Canção de Ted White e Aretha Franklin.

A inigualável Aretha Franklin faz uma participação enérgica no filme com nova versão de seu sucesso de 1968. No restaurante meio fuleira do casal, Aretha dá uma prensa no maridão, Matt “Guitarra” Murphy, quando os Blues Brothers aparecem para convocá-lo (e ao sax “Blue” Lou Marini) para voltar à banda. Daqui a pouco, o plano que abre das três garotas do coro para os Blues Brothers participando da coreografia. E, sobre o balcão, Lou Marini fazendo uns passinhos. Tudo muito divertido.

***

63. ‘EPILOGUE’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Emma Stone e Ryan Gosling. Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz.

À moda de Sinfonia de Paris (1951), La La Land reservou uma fantasia musical para seu clímax. Aqui, ao reencontrar o amor do passado, a personagem de Emma Stone reimagina a própria história desde o momento em que o conheceu, mas com mudanças em que eles terminam juntos. Como o sonho é dela, ele é que abre mãos dos seus sonhos para segui-la. Diversos segmentos embalados em rebuscamento visual e citações de musicais clássicos. É lindo e é triste: uma lembrança do que poderia ter sido.

***

62. ‘AQUARIUS’, de Hair (1979)
Com Renn Woods e elenco. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt McDermot, Gerome Ragni e James Rado.

A música mais famosa de Hair é uma declaração filosófica na abertura, estabelecendo o que virá pela frente. O que acontecia no palco, ali ganhava o Central Park, com coreografia que inclui e ironias contra a autoridade (os hippies fazendo os cavalos dos policiais dançarem). Os protagonistas aparecem no número, mas sem cantar ou dançar. Quem canta é Renn Woods, com flores no cabelo e câmera sempre girando em torno, ela que havia feito Raízes em 1977, na TV.

***

61. ‘STORMY WEATHER’, de Tesmpestade de Ritmos (1986)
Com Lena Horne e Katherine Dunham. Direção: Andrew L. Stone. Direção de dança: Nick Castle. Coreografia: Clarence Robinson. Canção de Harold Arlen e Ted Koehler.

A espetacular Lena Horne foi outra vítima do racismo em Hollywood. Grande cantora e muito linda, era relegada pela MGM a participações como cantora nos filmes, para que os números pudessem simplesmente ser cortados quando exibidos para as plateias racistas do sul dos Estados Unidos. Por isso, ela raramente teve a chance de ter um papel, muito menos de protagonista. Isto aconteceu em filmes como este, com elenco negro, dirigido a um “público negro”. Sua interpretação definitiva de “Stormy weather” mostra o que o cinema muitas vezes preferiu perder. O número tem aquela curiosidade de passar de um palco para uma realidade fantasiosa que não caberia num ambiente fechado. É onde aparece a dança de Katherine Dunham. Um dos grandes nomes negros da dança também como coreógrafa, ela fez carreira acadêmica no campo da antropologia da dança.

Continue lendo »

Bela e a Fera - 1991 - 31

A BELA E A FERA (Gary Trousdale e Kirk Wise, 1991)
Diário de Filmes 2019: 16

Primeira animação indicada ao Oscar de melhor filme (numa época em que não havia uma categoria própria e eram só cinco indicados), A Bela e a Fera consolidou o renascimento dos longas da Disney após um período de baixa. O primeiro número musical, “Belle”, já mostra as cartas do filme: uma animação estupenda de um número musical que é pura Broadway. O que vem pela frente navega entre o drama, o horror, a ação e, naturalmente, o filme para crianças.

Aquaman - 06

AQUAMAN (James Wan, 2018)
Diário de Filmes 2019: 15

Finalmente parece que alguém estava se divertindo num filme do Universo DC. Aquaman não sai muito do mediano, perdendo tempo como um sub-Indiana Jones em certo momento, abusando das bobagens no roteiro e se afundando numa exagerada megabatalha final. Mas tem um protagonista que tira onda, abraça sua estética muito kitsch e isso rende algumas risadas.

Pequeno Príncipe - 2015 - 02

O PEQUENO PRÍNCIPE (Mark Osborne, 2015)
Diário de Filmes 2019: 14

Segunda vez no ano porque é hit com Arthur aqui em casa. A interação entre a parte nova, da garotinha adulta, com a adaptação propriamente dita do livro (esta em stop-motion com papel) sempre me encanta.

80. ‘SPRINGTIME FOR HITLER/ HEIL MYSELF’, de Os Produtores (2005)
Com John Barrowman, Gary Beach, Uma Thurman e coro. Direção e coreografia: Susan Stroman. Canção de Mel Brooks.

Uma ridicularização implacável do nazismo na figura de um musical da Broadway que o glorifica, a primeira parte é a refilmagem encorpada do número do filme original de 1968, Primavera para Hitler. Quando Hitler entra em cena, interpretado na peça pelo diretor gay Roger DeBris (por sua vez, vivido por Gary Beach), é a parte nova para Os Produtores e igualmente antológica e hilariante. O uso da expressão “Heil myself” é um tributo de Brooks a Ernst Lubitsch, que sacaneou Hitler com essa expressão em Ser ou Não Ser (1942), refilmado em 1983 como Sou ou Não Sou, com o próprio Mel Brooks no papel principal.

***

79. ‘WE BOTH REACHED FOR THE GUN’, de Chicago (2002)
Com Richard Gere, Renée Zellweger, Christine Baranski. Direção e coreografia: Rob Marshall. Canção de John Kander e Fred Ebb.

Primor de metáfora, uma coletiva de imprensa manipulada por um advogado espertalhão é retratada como um show de ventriloquismo e marionetes, através de um delicioso ragtime, ritmo muito identificado com a época em que o filme se passa. Como acontece na narrativa de Chicago, o filme alterna entre o registro realista e o de fantasia, como musical.

***

78. ‘THE RAIN IN SPAIN’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (com voz de Marni Nixon), Rex Harrison e Wilfrid Hyde-White. Direção: George Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Frederick Loewe e Alan Jay Lerner.

Massacrada pelo tirânico professor de fonética, a florista pobre Eliza Doolittle finalmente consegue articular uma frase corretamente: “The rain in Spain stays mainly in a plain”. A euforia que toma conta de todos é um momento muito especial de My Fair Lady e o ponto de virada da trama da florista que o professor quer fazer virar dama.

***

77. ‘THEY ALL LAUGHED’, de Vamos Dançar? (1937)
Com Ginger Rogers e Fred Astaire. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Harry Losee. Canção de George Gerswhin e Ira Gershwin.

Na trama de Vamos Dançar?, Fred dança balé clássico e finge que é russo. O encontro com Ginger é o choque de dois mundos, e esse choque acontece para valer em “They all laughed”, delicinha de canção dos Gershwin. Ginger canta na primeira parte, depois os dois se estranham na dança, depois Fred mostra quem é e o que sabe. Depois, o que vem é magia.

 

 

***

76. ‘A HARD DAY’S NIGHT’, de A Hard Day’s Night (1964)
Com The Beatles. Direção: Richard Lester. Canção de John Lennon e Paul McCartney.

A abertura de A Hard Day’s Night é antológica, reproduzindo a histeria da beatlemania com toques de nonsense e dando o tom do que virá no filme: a reprodução cômica do que seria um dia no cotidiano agitado dos Beatles, com um ar meio de documentário. O apuro visual de Richard Lester fez essas imagens ficarem clássicas.

***

75. ‘JUMPIN JIVE’, de Tempestade de Ritmos (1943)
Com Cab Calloway e os Nicholas Brothers. Direção: Andrew L. Stone. Direção de dança: Nick Castle. Coreografia: Clarence Robinson. Canção de Cab Calloway, Jack Palmer e Frank Froeba.

Você nunca vai ver no cinema alguma coisa igual aos Nicholas Brothers. De uma agilidade inacreditável eles faziam coisas que nem superstars do calibre de Ferd Astaire e Gene Kelly se atreviam. Infelizmente, o racismo jogava contra: para não incomodar as plateias segregacionistas de alguns estados, os grandes filmes reservavam a eles apenas participações especiais, que podiam ser cortadas nas exibições nesses lugares. Eles tinham melhor espaço em filmes de elenco negro e destinados ao público negro como este Tempestade de Ritmos. Antecedidos pelo inimitável Cab Calloway, os Nicholas sapateiam e saltam um sobre o outro, saltam por cima da orquestra, saltam subindo e descendo uma escada. Um assombro.

 

***

74. ‘BLACK BOYS/ WHITE BOYS’, de Hair (1979)
Com Laurie Beechman, Debi Dye, Ellen Foley, Johnny Maestro, Fred Ferrara, Jim Rosica, Vincent Carella, Nell Carter, Charlayne Woodard, Trudy Perkins, Chuck Patterson, H. Douglas Berring, Russell Costen, Kenny Brawner e The Stylistics. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt McDermot.

O número mais irreverente e iconoclasta de Hair faz um paralelo genial entre garotas num parque falando abertamente sobre seus desejos a respeito de rapazes de outra cor… e militares numa junta de alistamento avaliando os novos recrutas. A seriedade na face de alguns dos militares enquanto cantam o que cantam dá ainda mais graça à coisa toda.

 

 

 

***

73. ‘SUDDENLY SEYMOUR’, de A Pequena Loja dos Horrores (1986)
Com Rick Moranis, Ellen Greene, Michelle Weeks, Tichina Arnold e Tisha Campbell-Martin. Direção: Frank Oz. Coreografia: Pat Garrett. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Dois sofredores do mundo, o funcionário de uma floricultura testemunha o desencanto da mulher que ama, mas que só se envolve com homens abusivos. Sua declaração de amor é uma pérola de sentimento dentro da galhofa deste ótimo musical cômico. Rick Moranis está ótimo, mas Ellen Greene (reprisando seu papel dos palcos) é sensacional.

***

72. ‘ANOTHER DAY OF SUN’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Reshma Gajjar, Hunter Hamilton, Damian Gomez, Candice Coke e elenco (vozes de Angela Parrish, Nick Baxter, Marius De Vries, Briana Lee e Sam Stone). Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul.

Quantos sonhos a chatice de um engarramento esconde? Em outro dia comum de sol e carros parados em Los Angeles, as aspirações ganham vida quando os motoristas saem de seus carros e começam a contar daquilo que os levaram até a cidade: o sonho de vencer em Hollywood. Filmado numa autoestrada real, com três planos-sequência com cortes escondidos para que pareça tudo um único plano. É uma declaração de intenções do filme: abrindo com este número, sem qualquer dos personagens principais, já estão aqui o estilo narrativo, o estilo visual e o tema central.

***

71. ‘I HAVE CONFIDENCE’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

O carisma avassalador de Julie é combinado com a paisagem de tirar o fòlego de Salzburgo, captada através dos enquadramentos rigorosos e incríveis de Wise. Reparem, no começo, o recuo da câmera que mostra que a fraulein Maria está enquadrada entre as grades do portão. Ou quando ela vem do fundo do quadro, com os prédios ao fundo, e a câmera faz outro recuo para mostrar o ônibus para onde ela vai. Ou ela cantando na janela, com a paisagem refletida no outro vidro. Ou quando ela desde do ônibus e dá meia volta indo para o fundo do quadro. Fora a música, um canto de otimismo com violão na mão e saltinhos meio desengonçados no ar, que começa na dúvida e termina na autoconfiança plena.

Continue lendo »

VisagesVillages_Poster_70x100.indd

VISAGES VILLAGES (Agnes Varda e JR, 2017)
Diário de Filmes 2019: 13

JR é um fotógrafo e artista plástico que gosta de fazer murais com fotos gigantes. A veterana Agnes Varda é uma das grandes cineastas do mundo. Essa dupla improvável viaja por vilarejos franceses para registrar as pessoas, conhecê-las e trocar impressões. Funciona bastante bem, com um olhar carinhoso para as pessoas comuns, retratados em sua grandeza nos murais que vão ficando pelo caminho.

null

VIVA – A VIDA É UMA FESTA (Lee Unkrich e Adrian Molina, 2017)
Diário de Filmes 2019: 12

É sempre um prazer rever a bela animação da Disney, que imagina um mundo dos mortos e trata da importância da saudade.
Para mais, leia minha crítica do filme.
E leia também minha matéria sobre a arquitetura do filme na revista AE.

Filme Looney Looney Looney do Pernalonga - 01

O FILME LOONEY, LOONEY, LOONEY DO PERNALONGA (Friz Freleng, 1981)
Diário de Filmes 2019: 11

Longa-metragem que emenda diversos curtas dirigidos por Friz Freleng em três blocos temáticos: Eufrazino (em duelo com Pernalonga em cenários como o velho oeste e a Roma antiga), os gansgsters Rocky e Mugsy (sequestrando Pernalonga poe acaso ou ameaçando o Patolino para que ele bote um ovo de ouro) e outros reunidos sob o pretexto de grandes atuações animadas em um prêmio tipo Oscar (clássicos como O Jazz dos Três Porquinhos, Frajola entrando para os comedores de pássaros anônimos, Pernalonga e Eufrazino duelando num número de mergulho, Pernalonga e Patolino duelando no palco). A ligação entre eles é feita por alguns novos e breves segmentos animados, em geral menos inspirados. Mas o curtas originais são irresistíveis, afinal Freleng foi um dos maiores diretores das animações da Warner. Antes do longa propriamente dito, o início é com o curta Knighty Knight Bugs (1958), única vez em que o Pernalonga ganhou um Oscar. Esse filme deve ter tido outro título ao passar aqui nos cinemas ou ter sido lançado em VHS, mas não encontrei referência.

Pequeno Príncipe - 2015 - 05

O PEQUENO PRÍNCIPE (Mark Osborne, 2015)
Diário de Filmes 2019: 10

Fazer uma adaptação do clássico de Saint-Exupéry em que metade ou mais da metade é uma história nova e moderna é uma temeridade. Mas funciona aqui – e bem. O filme consegue vincular as duas tramas, fazer uma influenciar a outra e as demarca com inteligência através do uso de duas técnicas de animação diferentes. A parte moderna, em CGI; a adaptação direta do livro, em stop-motion com papel. A reta final é o resgate da infância para uma menininha muito adulta (em “um mundo que ficou adulto demais”) e um tom de aventura, mas sem perder a obra original de vista.

Faster Pussycat Kill Kill - 01

FASTER, PUSSYCAT! KILL! KILL! (Russ Meyer, 1965)
Diário de Filmes 2019: 9

Os admiradores de Russ Meyer costumam admirar as mulheres que botam pra quebrar desse filme: três dançarinas eróticas que também correm em alta velocidade pelas estradas, lutam e matam com as próprias mãos. A influência em Tarantino é conhecida e evidente. Há quem também se divirta com sua estetica trash e sem vergonha, onde, por exemplo, carros estão em alta velocidade, mas, nos closes, as nuvens no céu estão paradíssimas; ou os dialogos quase 100% marrentos.

Começa nesta quinta a 10ª edição do Festival Varilux do Cinema Francês, em 77 cidades do país. Em João Pessoa, as sessões serão novamente no Centerplex, no MAG Shopping: quatro filmes por dia, até o dia 19. São 16 filmes da mais recente produção francesa inéditos no Brasil , e mais um clássico — no caso, Cyrano (1990), de Jean-Paul Rappeneau e com Gérard Depardieu, grande filme que vi no Cine Banguê lá no começo dos anos 1990.

Confira aqui nesta post um guia do festival. Primeiro, os filmes, com seus trailers e os dias e horários das sessões de cada um. Lá embaixo, a programação por dia.

— OS FILMES:

— AMOR À SEGUNDA VISTA: Homem se dá conta que está vivendo em uma realidade paralela, onde sua esposa não o conhece mais e tenta conquistá-la de novo. É do diretor de Uma Família de Dois. Qui 6, 16h35; Sex 7, 18h50; Qua 12, 18h45; Dom 16, 21h10.

***

— ASTERIX E O SEGREDO DA POÇÃO MÁGICA: Todo ano o festival programa um filme infantil, geralmente uma animação. Este ano é a nova animação com os personagens dos quadrinhos de René Goscinny e Albert Uderzo. Desta vez, a trama não é baseada em nenhum dos álbuns clássicos, mas uma história original. Pela primeira vez, também, Asterix estrela uma animação digital. Sab 8, 17h15; Dom 9, 14h30; Dom 16, 17h15.

***

— ATRAVÉS DO FOGO: É um drama sobre um bombeiro que se fere num incêndio e fica com o rosto desfigurado. Agora, terá que aprender a viver de novo. Sex 7, 16h35; Seg 10, 14h30; Ter 18, 21h05.

***

— BOAS INTENÇÕES: O filme segue uma professora que ensina francês para imigrantes, mas não consegue deixar de extrapolar a ajuda para outras áreas. Seg 10, 16h45; Dom 16, 15h15; Qua 19, 20h45.

***

— CYRANO: O clássico do festival é o filme de 1990 dirigido por Jean-Paul Rapenneau e estrelado por Gérard Depardieu, adaptação da peça clássica sobre o poeta narigudo que é apaixonado pela bela Roxane (Anne Girardot), mas, complexado com a própria aparência, acaba ajudando um rival bonito, mas tapado (Vincent Pérez), a conquistá-la. Dom 9, 16h15; Seg 17, 14h45.

***

— CYRANO, MON AMOUR: Além de Cyrano, o festival traz essa comédia que narra o processo de criação da peça pelo autor, Edmond Rostand. É uma adaptação de um sucesso dos palcos franceses. Dom 9, 18h50; Qui 13, 17h15; Sex 14, 15h00; Sab 15, 21h15.

***

— OS DOIS FILHOS DE JOSEPH: Menino de 13 anos que está amadurecendo começa a repensar o pai e o irmão mais velho como exemplos a seguir. Sex 7, 14h45; Qui 13, 21h15; Ter 18, 19h15; Qua 19, 16h50.

***

— FILHAS DO SOL: O filme mostra a luta das guerreiras de um batalhão de soldadas curdas na guerra do Curdistão, acompanhadas por uma fotógrafa francesa. Seg 10, 20h50; Ter 11, 14h40; Ter 18, 17h00.

***

— FINALMENTE LIVRES: Esta comédia teve nove indicações ao César (o Oscar francês), incluindo melhor filme, direção, ator (Pio Marmal), atriz (Adèle Haenel), ator coadjuvante (Damien Bonnard), atriz coadjuvante (Audrey Tautou, sempre lembrada como a Amélie Poulain) e roteiro original. É a história de uma policial que descobre que o marido, que morreu como herói, não era boa peça. Então tenta reparar os erros dele. Sab 8, 19h00; Qua 12, 15h00; Dom 16, 19h00.

***

— GRAÇAS A DEUS: O novo filme de François Ozon é sobre um grupo de homens que decide enfrentar o padre que abusou deles quando eram crianças e a instituição que insiste em protegê-lo. Levou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim. Dom 9, 21h00; Sab 15, 18h35; Seg 17, 21h00.

***

— UM HOMEM FIEL: Dirigido por Louis Garrel, com ele, Laetitia Casta e Lily-Rose Depp (a filha de Vanessa Paradis e Johnny Depp, e a cara da mãe), mostra um intrincado triângulo amoroso com ramificações familiares. Ter 11, 21h15; Qua 12, 17h10; Sab 15, 15h00; Seg 17, 17h20.

***

— INOCÊNCIA ROUBADA: Uma bailarina enfrenta as memórias de um abuso na infância e as implicações dessa revelação. Qui, 14h30; Sex 14, 17h10; Seg 17, 18h55.

***

— MEU BEBÊ: Uma mulher com dificuldades de encarar a filha mais velha saindo de casa. Sab 8, 21h10; Qui 13, 19h25; Qua 19, 15h.

***

— O MISTÉRIO DE HENRI PICK: Um filme de mistério literário. Uma editora encontra um manuscrito e, ao publicá-lo, o livro vira um best seller. Mas a viúva do autor, um pizzaiolo morto dois anos antes da publicação, diz que ele nunca escreveu nada. E um crítico (Fabrice Luchini) resolve investigar e provar que se trata de uma fraude. Sex 7, 21h10; Ter 11, 19h15; Sab 15, 16h35; Ter 18, 15h.

***

— O PROFESSOR SUBSTITUTO: Mais um filme de mistério. Um professor substituto lida com uma classe de alunos muito inteligentes, muito unidos, mas também perturbadores. Seg 10, 18h45; Qui 13, 15h10; Qua 19, 18h40.

***

— QUEM VOCÊ PENSA QUE SOU: A grande Juliette Binoche é uma mulher que cria um perfil falso mais jovem e vai se enredando no relacionamento virtual com um rapaz. Qui 6, 21h15; Sab 8, 15h15; Qua 12, 21h05; Sex 14, 19h15.

***

— A REVOLUÇÃO EM PARIS: Mês que vem, a Revolução Francesa completa 230 anos. E este filme volta àqueles dias em que o povo se rebelou contra a monarquia em tom épico, contando histórias de pessoas comuns e de personagens como o rei Luís XVI. Qui 6, 18h55; Ter 11, 16h55; Sex 14, 21h15.

***

— A PROGRAMAÇÃO POR DIA:

QUINTA, 6:
14h30: Inocência Roubada
16h35: Amor à Segunda Vista
18h55: A Revolução em Paris
21h15: Quem Você Pensa que Sou?

— SEXTA, 7:
14h45: Os Dois Filhos de Joseph
16h35: Através do Fogo
18h50: Amor à Segunda Vista
21h10: O Mistério de Henri Pick

— SÁBADO, 8:
15h15: Quem Você Pensa que Sou
17h15: Asterix e o Segredo da Poção Mágica
19h: Finalmente Livres
21h10: Meu Bebê

— DOMINGO, 9:
14h30: Asterix e o Segredo da Poção Mágica
16h15: Cyrano
18h50: Cyrano, Mon Amour
21h: Graças a Deus

— SEGUNDA, 10:
14h30: Através do Fogo
16h45: Boas Intenções
18h45: O Professor Substituto
20h50: Filhas do Sol

TERÇA, 11:
14h40: Filhas do Sol
16h55: A Revolução em Paris
19h15: O Mistério de Henri Pick
21h15: Um Homem Fiel

— QUARTA, 12:
15h: Finalmente Livres
17h10: Um Homem Fiel
18h45: Amor à Segunda Vista
21h05: Quem Você Pensa que Sou

— QUINTA, 13:
15h10: O Professor Substituto
17h15: Cyrano, Mon Amour
19h25: Meu Bebê
21h15: Os Dois Filhos de Joseph

— SEXTA, 14:
15h: Cyrano, Mon Amour
17h10: Inocência Roubada
19h15: Quem Você Pensa que Sou
21h15: A Revolução em Paris

— SÁBADO, 15:
15h: Um Homem Fiel
16h35: O Mistério de Henri Pick
18h35: Graças a Deus
21h15: Cyrano, Mon Amour

— DOMINGO, 16:
15h15: Boas Intenções
17h15: Asterix e o Segredo da Poção Mágica
19h: Finalmente Livres
21h10: Amor à Segunda Vista

— SEGUNDA, 17:
14h45: Cyrano
17h20: Um Homem Fiel
18h55: Inocência Roubada
21h: Graças a Deus

— TERÇA, 18:
15h: O Mistério de Henri Pick
17h: Filhas do Sol
19h15: Os Dois Filhos de Joseph
21h05: Através do Fogo

QUARTA, 19:
15h: Meu Bebê
16h50: Os Dois Filhos de Joseph
18h40: O Professor Substituto
20h45: Boas Intenções

90. ‘NOW YOU HAS JAZZ’, de Alta Sociedade (1956)
Com Bing Crosby e Louis Armstrong. Direção: Charles Walters. Canção de Cole Porter.

Dois monstros sagrados da música popular, Bing Crosby e Louis Armstrong, ensinando o que é o jazz. Não há professores melhores. Bing interpreta um personagem, mas Louis interpreta ele mesmo, como o parceiro faz questão de mostrar quando apresenta a banda: “E ouçam, bem, vocês sabem quem”.

***

89. ‘BE A CLOWN’, de O Pirata (1940)
Com Judy Garland e Gene Kelly. Direção: Vincente Minnelli. Direção de dança: Robert Alton, Gene Kelly. Canção de Cole Porter.

Gene e Judy subvertem o esperado final glamouroso do filme com um divertidíssimo número de palhaços — um ” anti Fred & Ginger”. É a reprise de uma canção que é cantada antes no filme por Gene e os Nicholas Brothers. E foi copiada na cara dura por Arthur Freed e Nacio Herb Brown para o espetacular “Make’em laugh” de Cantando na Chuva (1952).

***

88. ‘LA VIE BOHEME’, de Rent — Os Boêmios (2005)
Com Taye Diggs, Anthony Rapp, Idina Menzel, Adam Pascal, Jesse L. Martin, Rosario Dawson, Wilson Jermaine Heredia, Tracie Thoms, Shaun Earl. Direção: Chris Columbus. Coreografia: Keith Young. Canção de Jonathan Larson e Billy Aronson.

Dividido em A e B, com outras cena no meio, esse número é uma celebração da boemia, da arte, da igualdade de direitos e do sexo sem culpa, com um número sem referências na letra e uma grande agitação rebelde em cena, com grandes passagens como “sermos ‘nós’, pelo menos uma vez, em vez de ‘eles'” ou, no meio da confusão, os personagens principais todos juntos para cantarem “não morrer da doença” (a Aids).

***

87. ‘I DREAMED I DREAM’, de Os Miseráveis (2012)
Com Anne Hathaway. Direção: Tom Hooper. Coreografia: Liam Steel. Canção de Herbert Kretzmer, Claude-Michel Schönberg e Alain Boublil.

A decisão de gravar os vocais aos vivo (em vez de filmar sobre o áudio já gravado antes) captou uma interpretação visceral de Anne Hathaway da mais doída das canções de Os Miseráveis e talvez de todos os musicais (“Eu tinha um sonho de como seria minha vida/ Tão diferente deste inferno em que vivo”). São quatro minutos de cortar o coração e que renderam a ela um Oscar — e com toda a justiça.

***

86. ‘OS QUINDINS DE IAIÁ’, de Você Já Foi à Bahia? (1945)
Com Aurora Miranda, Almirante, Aloysio de Oliveira e as vozes de Clarence Nash e José Oliveira. Direção: Norman Ferguson. Coreografia: Billy Daniel, Aloysio de Oliveira. Canção de Ary Barroso.

Zé Carioca apresenta a Bahia ao Pato Donald e ele cai de amores pela baiana que vende quindins. Essa baiana é a maravilhosa Aurora Miranda, irmã de Carmen, e a cantora original de “Cidade maravilhosa”, entre outras canções. O malandro é Almirante e o sujeito das tangerinas é Aloysio de Oliveira. Muito divertido, usando e abusando da interação entre atores reais e desenhos animados, do delírio inspirado pela música e com a própria Salvador sendo posta para dançar no final. (No vídeo abaixo, o número começa aos 2min30seg).

***

85. ‘THE TYPEWRITER’, de Errado pra Cachorro (1963)
Com Jerry Lewis. Direção: Frank Tashlin. Música de Leroy Anderson.

“The typewriter” é uma peça para máquina de escrever e orquestra (de verdade) que Jerry Lewis transformou em um delicioso show de pantomima com um instrumento invisível. Ele o faz neste grande momento de Errado pra Cachorro e o repetiu em apresentações ao vivo e em programas de televisão.

***

84. ‘LE JAZZ HOT’, de Victor ou Victoria (1982)
Com Julie Andrews. Direção: Blake Edwards. Coreografia: Paddy Stone. Canção de Henri Mancini e Leslie Bricusse.

Julie Andrews é uma cantora que finge ser um homem que faz um show de travesti.  E este número é sua entrada triunfal, que dá um nó na cabeça de quem não conhece o seu segredo. Julie, com muito mais malícia do que em seus papéis icônicos de Mary Poppins ou fraulein Maria.

***

83. ‘I FEEL PRETTY’, de Amor, Sublime Amor (1961)
Com Natalie Wood (com voz de Marni Nixon), Suzie Kaye, Yvonne Wilder e Joanne Miya. Direção: Robert Wise e Jerome Robbins. Coreografia: Jerome Robbins. Canção de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim,.

Na volta do intervalo do filme, Maria canta sua felicidade, de como o amor a faz sentir mais bonita, enquanto as colegas de trabalho na loja de costura acham que ela ficou doida. Os exageros são uma delícia: “Miss América já pode renunciar”, “um comitê deveria ser formado para me homenagear”, “a cidade deveria me dar a chave”. Capitaneando tudo, todo o charme e talento de Natalie Wood.

***

82. ‘YOU CAN’T STOP THE BEAT’, de Hairspray Em Busca da Fama (2007)
Com Nikki Blonsky, Zac Efron, Amanda Bynes, Elijah Kelley, John Travolta, Queen Latifah. Direção e coreografia: Adam Shankman. Canção de Scott Wittman e Marc Shaiman.

gran finale de Hairspray é a subversão de um concurso de popularidade da TV onde gordos e negros viram protagonistas e derrubam o racismo da emissora. “This is the future”, sentencia o apresentador num palco que une dançarinos negros e brancos. Embalando isso, a incrível vibração que é a marca desse musical, com uma música irresistível.

***

81. ‘GOIN’ CO’TIN’, de Sete Noivas para Sete Irmãos (1954)
Com Jane Powell, Jeff Richards, Russ Tamblyn, Tommy Rall, Marc Platt, Matt Mattox e Jacques d’Amboise. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Gene de Paul e Johnny Mercer.

Jane Powell está decidida a civilizar seus seis cunhados brutamontes. E um dos passos é ensiná-los a paquerar as moças da cidade. E, além das várias estratégias para usar naquele cafundó do velho oeste, existe a dança. E, como é um musical da Metro, é a aula de dança mais rápida e maravilhosa de todos os tempos. Conhecimento que eles vão usar em seguida, naquele número absolutamente sensacional que todos sabemos qual é.

Continue lendo »

Filme Benzinho
Credito: Bianca Aun/Divulgação

BENZINHO (Gustavo Pizzi, 2018)
Diário de Filmes 2019: 9

Irene está às voltas com muita coisa. Mãe em uma família de classe média, mora em uma casa velha cuja porta nem abre, o marido pressiona para vender outra casa na praia que é emocionalmente cara a ela, a irmã tenta se desvencilhar de um marido abusivo, está tentando terminar uma faculdade. E, agora, o filho mais velho recebe uma proposta para jogar handebol na Alemanha. Lidar com essa novidade vai ser especialmente difícil. O filme retrata bem os conflitos internos da personagem, sem recorrer ao melodrama, mas também sem pose de indiferença artística. Karine Teles, roteirista e atriz principal, brilha. E a direção de Gustavo Pizzi, também roteirista do filme com Karine, com quem foi casado, dá espaço para todos os personagens e busca planos bem elaborados. 

Em download.

100. ‘I GOT RHYTHM’, de Sinfonia de Paris (1951)
Com Gene Kelly e crianças. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Gene Kelly. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Uma máxima dos grandes dançarinos do cinema é que ele fazem o difícil parecer fácil. Exigente como poucos, Gene Kelly parece uma das crianças com quem ele contracena neste número delicioso, em que ele brinca com o fato de, sendo um americano em Paris, ensinar palavras inglesas aos garotos da vizinhança.

***

99. ‘FOOTLOOSE’, de Footloose – Ritmo Louco (1984)
Com Kevin Bacon, Lori Singer, Chris Penn. Direção: Herbert Ross. Coreografia: Lynne Taylor-Corbett. Canção de Kenny Loggins e Keith Pitchford.

Quem nunca tentou repetir esses passos quando “Footloose” toca numa festa? O baile de formatura de uma cidade onde a dança era proibida é um momento de libertação para os jovens e a cena retrata isso muito bem.

***

98. ‘KEEP IT GAY’, de Os Produtores (2005)
Com Gary Beach, Roger Bart, Nathan Lane, Matthew Broderick, Brent Barrett, Peter Bartlett, Jim Borstelmann e Kathy Fitzgerald. Direção e coreografia: Susan Stroman. Canção de Mel Brooks.

Os dois produtores que estão tentando garantir que sua próxima peça seja um fracasso tentam convencer o pior diretor da Broadway a pegar o projeto. Retratar a Alemanha nazista parece meio deprimente, então a chave é fazer a trama um pouco mais alegre (gay). Entrecortado por diálogos, o aloprado número é conduzido por um Roger De Bris de vestido longo e termina apoteoticamente numa animadíssima conga.

***

97. ‘ALL I DO IS DREAM OF YOU’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Debbie Reynolds. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Nacio Herb Brown e Arthur Freed.

Debbie Reynolds é uma das coristas contratadas pra um showzinho numa festa de um chefe de estúdio de Hollywood. Todas lindas, mas que, por mágica do cinema, não competem com, mas, sim, ressaltam a graça de Debbie. A ambientação é fim dos anos 1920, então o charleston marca presença. Num detalhe, Debbie tira uma serpentina que caiu sobre seu rosto, sem deixar a peteca cair. The cat’s meow!

***

96. ‘SIXTEEN GOING ON SEVENTEEN’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Charmian Carr e Daniel Truhitte. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

Liesl, a filha mais velha do Capitão Von Trapp, dá aquela escapadinha depois do jantar para encontrar o namorado mensageiro no jardim. Eles cantam sobre a inocência dela aos 16 e a autopresumida maturidade dele aos 17. Mas, na verdade, é um momento idílico e esplendidamente fotografado que retrata a inocência daqueles dias, antes da ascensão do nazismo, que chega na segunda metade do filme.

***

95. ‘GEE, OFFICER KRUPKE’, de Amor, Sublime Amor (1961)
Com Russ Tamblyn, Tony Mordente, Bert Michaels, David Winters, David Bean. Direção: Robert Wise e Jerome Robbins. Coreografia: Jerome Robbins. Canção de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim.

A gangue dos Jets tira onda do policial da vizinhança e da sociedade, interpretando juízes, psicólogos e assistentes sociais, que empurram o problema uns para os outros, satirizando várias justificativas clichê para seu mal comportamento com uma letra genial: “nossas mães são drogadas, nossos pais são bêbados: claro que somos marginais”, “não somos delinquentes, somos incompreendidos”, “não sou anti-social, sou é anti-trabalho” e por aí vai. É um distúrbio psicológico? É uma doença social? É um bando de vagabundos que merecem ir presos? No fim, é tudo muito mais complexo e o número mostra que os rapazes não tem noção (ou não querem ter) do próprio problema.

***

94. ‘A COUPLE OF SWELLS’, de Desfile de Páscoa (1948)
Com Judy Garland e Fred Astaire. Direção: Charles Walters. Coreografia: Fred Astaire e Charles Walters. Canção de Irving Berlin.

Fred Astaire sempre foi identificado com a extrema elegância. Aqui, ele e Judy Garland aparecem aos farrapos, mas como dois vagabundos cheios de pose. Um número de palco cheio de graça, nos dois sentidos, mostrando mais uma vez o talento para o humor desses dois astros gigantescos do canto e da dança.

***

93. ‘THE BABBITT AND THE BROMIDE’, de Ziegfeld Follies (1945)
Com Fred Astaire e Gene Kelly. Direção: Vincente Minnelli. Direção de dança: Robert Alton. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Momento antológico, para começar, por ser a única vez em que Fred Astaire e Gene Kelly aparecem dançando juntos num filme valendo pontos (31 anos depois, eles voltaram a trocar uns passos no documentário Isto Também Era Hollywood). Como dois cavalheiros que se provocam, eles estrelam um dos segmentos de Ziegfeld Follies, filme que é uma colagem de números (o número foi encenados originalmente nos palcos por Fred e sua irmã Adele, em 1927). Astaire eram então, um astro consagrado: já fazia seis anos que havia encerrado sua icônica série de filmes com Ginger Rogers na RKO e 15 anos de sua primeira aparição num filme. Kelly era, em comparação, um iniciante: havia estreado no cinema apenas três anos antes. Visto hoje, é o momento encantado de dois monstros sagrados juntos, que a Metro decidiu não reunir de novo nos filmes que fariam no estúdio dali para a frente.

***

92. ‘RUNNIN’ WILD’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe, Jack Lemmon, Tony Curtis. Direção: Billy Wilder. Coreografia: Jack Cole. Canção de A.H. Gibbs, Joe Grey e Leo Wood.

É um pouquinho mais de um minuto. Joe e Jerry – ou melhor, Josephine e Daphne – estão atacando no sax e no contrabaixo no ensaio da banda feminina ao bordo do trem que segue para Miami. Aí entra Marilyn como a vocalista Sugar Kane e seu ukelele (tocado, na verdade, por Al Hendrickson) e o mundo para.

***

91. ‘LE RENCONTRES’, de Duas Garotas Românticas (1967)
Com Françoise Dorléac (com voz de Claude Parent), Jacques Perrin (com voz de Jacques Revaux), Gene Kelly (com voz de Donald Burke) e Catherine Deneuve (com voz de Anne Germain). Direção: Jacques Demy. Coreografia: Norman Maen. Canção de Michel Legrand.

Este é o momento em que Duas Garotas Românticas mais se parece com Os Guarda-Chuvas do Amor (1964), musical anterior de Demy e Legrand. A canção é formada por diálogos cantados, com personagens que vão se cruzando pelo caminho, mas os casais que estão uns à procura dos outros ainda não se esbarram. A diferença para o filme anterior é que aqui há alto astral e muito mais humor.

 

Continue lendo »

Homem-Aranha no Aranhaverso

HOMEM-ARANHA NO ARANHAVERSO (Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman, 2018)
Diário de Filmes 2019: 7

Nos quadrinhos, a saga do Aranhaverso foi um fan service gigante que brincava com encontros de inúmeras versões do Homem-Aranha, já existentes ou criadas para a história. A adaptação da ideia para o cinema organiza e simplifica a coisa – e a aproveita para apresentar ao público alheio aos quadrinhos o Homem-Aranha alternativo mais popular: Miles Morales. Negro e latino, é para o universo dele que convergem outros cinco Aranhas, que se juntam para impedir a destruição de seus universos paralelos através de uma máquina fatal, etc. Para o leitor aficcionado por cronologia, um prato cheio para debater referências e se o Parker veterano que aparece é ou não o “nosso” Peter Parker. Para o espectador comum, isso não tem muita importância: o filme é ágil, divertido, a animação investe num ar cartunesco, a narrativa explora bem os diferentes heróis aracnídeos (com alguns mais protagonistas e outros mais coadjuvantes) e há boas sacadas como evocar a textura de quadrinhos antigos e recontar as origens dos heróis várias vezes, com suas particularidades.

 

ET o Extraterrestre - 20

ET, O EXTRATERRESTRE (Steven Spielberg, 1982)
Diário de Filmes 2019: 6

Uma das maiores qualidades de Spielberg como cineasta é que ele pensa em imagens. Até em seus filmes menores há momentos em que fica evidente que o que a câmera mostra foi arquitetado, desenhado, para tentar contar alguma coisa a mais ou fugir do lugar comum. Com um movimento de câmera, ou um enquadramento ou a movimentação dos atores dentro do quadro. Se é assim em seus filmes menores, imagine nos maiores, como ET. Pegue o fato de que, com exceção da mãe de Elliot, todos os adultos só aparecem sem mostrar o rosto até cerca de 1h30 de filme. Apenas da cintura para baixo, de costas, por baixo de máscaras, escondidos pelos para-brisas dos carros em movimento (como em Encurralado) ou apenas através de sombras ou detalhes do corpo. Para as crianças do filme, ET é um deles; os adultos é que são os alienígenas. E há planos incríveis como as mãos das crianças soltando as rãs pela janela ou a câmera rente ao chão enquanto passam velozes as bicicletas perseguidas pelos carros de polícia. Ando revendo muito por causa do Arthur, que virou fã do filme – mas não cansa nunca.

Em DVD.

Estreias 03.14

Em João Pessoa:

Estreiam esta semana:
— ‘O PARQUE DOS SONHOS’ (Cinépolis Manaíra; Cinesercla Tambiá; Cinépolis Mangabeira) — estreia amanhã
— ‘SUPREMA’ (Cinépolis Manaíra) — estreia amanhã
— ‘MALIGNO’ (Cinépolis Manaíra; Cinesercla Tambiá; Cinépolis Mangabeira) — estreia amanhã
— ‘VINGANÇA A SANGUE-FRIO’ (Cinépolis Manaíra; Cinépolis Mangabeira) — estreia amanhã
— ‘SUEÑO FLORIANÓPOLIS’ (Cine Banguê) — estreia sábado
— ‘O CASO DO HOMEM ERRADO’ (Cine Banguê) — estreia domingo

Reestreia amanhã:
— ‘O PROCESSO’ (Cine Banguê)

Só até hoje:
— ‘A MORTE TE DÁ PARABÉNS 2’ (Cinépolis Manaíra; Cinesercla Tambiá; Cinépolis Mangabeira)
— ‘SAI DE BAIXO — O FILME’ (Cinépolis Manaíra; Cinesercla Tambiá; Cinépolis Mangabeira)
— ‘ALITA — ANJO DE COMBATE’ (Centerplex MAG; Cinesercla Tambiá; Cinépolis Mangabeira)
— ‘BARONESA’ (Cine Banguê)

Continuam:
— ‘CAPITÃ MARVEL’ (Cinépolis Manaíra; Centerplex MAG; Cinesercla Tambiá; Cinépolis Mangabeira)
— ‘NO PORTAL DA ETERNIDADE’ (Cinépolis Manaíra)
— ‘GREEN BOOK — O GUIA’ (Cinépolis Manaíra)
— ‘A MULA’ (Cinépolis Manaíra)
— ‘TITO E OS PÁSSAROS’ (Cine Banguê)
— ‘LEMBRO MAIS DOS CORVOS’ (Cine Banguê)
— ‘A CAMINHO DE CASA’ (Cinépolis Manaíra; Cinépolis Mangabeira)
— ‘CINDERELA POP’ (Cinépolis Manaíra; Cinesercla Tambiá)

* ‘O CASO DO HOMEM ERRADO’ tem exibição especial hoje, gratuita e com debate com a diretora, no Cine Banguê.
* ‘A CINCO PASSOS DE VOCÊ’ tem pré-estreias sábado e domingo, no Cinépolis Manaíra e Cinépolis Mangabeira
* ‘WIFI RALPH — QUEBRANDO A INTERNET’ tem sessão única no Centerplex MAG na sexta pela manhã

***

Em Campina (Cinesercla Partage):

Entra amanhã:
— ‘O PARQUE DOS SONHOS’
— ‘MALIGNO’

Só até hoje:
— ‘SAI DE BAIXO — O FILME’
— ‘ALITA — ANJO DE COMBATE’
— ‘GREEN BOOK — O GUIA’

Continuam:
— ‘CAPITÃ MARVEL’
— ‘CINDERELA POP’

* ‘A CINCO PASSOS DE VOCÊ’ tem pré-estreia sábado e domingo

***

Em Patos (Cine Guedes):

Estreiam amanhã:
— ‘MALIGNO’

Só até hoje:
— ‘A MORTE TE DÁ PARABÉNS 2’
— ‘SAI DE BAIXO — O FILME’
— ‘ALITA — ANJO DE COMBATE’

Continuam:
— ‘CAPITÃ MARVEL’
— ‘A CAMINHO DE CASA’

***

Em Guarabira (Cinemaxx Cidade Luz):

Estreia amanhã:
— ‘MALIGNO’

Só até hoje:
— ‘SAI DE BAIXO — O FILME’

Continuam:
— ‘CAPITÃ MARVEL’
— ‘A CAMINHO DE CASA’

***

Em Remígio (Cine RT):

Continua:
— ‘CAPITÃ MARVEL’

***

Em Solânea (Cinemaxxi da Serra):

Continua:
— ‘CAPITÃ MARVEL’

***

Em Catolé do Rocha (Cine Garden 7):

Continua:
— ‘CAPITÃ MARVEL’

* As programações são enviadas pelas companhias exibidoras. Qualquer alteração, naturalmente, é de responsabilidade delas.

Trama Fantasma - 01

TRAMA FANTASMA (Paul Thomas Anderson, 2018)
Diário de Filmes 2019: 5

A narrativa espelha seu protagonista: um extremo rigor visual, uma busca pela beleza que chega a ser opressiva. É, principalmente, um meticuloso estudo de personagem. Na verdade, de dois personagens obsessivos: o “sexo” após o primeiro encontro é o personagem de Day-Lewis fazendo a garçonete experimentar vestidos que ele desenhou e tirando as medidas dela. A diferença é que a nova musa não será passiva e Isso vai abalar progressivamente o mundo milimetricamente controlado e sempre ao dispor do estilista.

Em download.

Sigam-me os bons (no Twitter)

agosto 2019
D S T Q Q S S
« jul    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Cenas da Vida

Páginas

Estatísticas

  • 1.334.387 hits
Anúncios