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80. ‘SPRINGTIME FOR HITLER/ HEIL MYSELF’, de Os Produtores (2005)
Com John Barrowman, Gary Beach, Uma Thurman e coro. Direção e coreografia: Susan Stroman. Canção de Mel Brooks.

Uma ridicularização implacável do nazismo na figura de um musical da Broadway que o glorifica, a primeira parte é a refilmagem encorpada do número do filme original de 1968, Primavera para Hitler. Quando Hitler entra em cena, interpretado na peça pelo diretor gay Roger DeBris (por sua vez, vivido por Gary Beach), é a parte nova para Os Produtores e igualmente antológica e hilariante. O uso da expressão “Heil myself” é um tributo de Brooks a Ernst Lubitsch, que sacaneou Hitler com essa expressão em Ser ou Não Ser (1942), refilmado em 1983 como Sou ou Não Sou, com o próprio Mel Brooks no papel principal.

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79. ‘WE BOTH REACHED FOR THE GUN’, de Chicago (2002)
Com Richard Gere, Renée Zellweger, Christine Baranski. Direção e coreografia: Rob Marshall. Canção de John Kander e Fred Ebb.

Primor de metáfora, uma coletiva de imprensa manipulada por um advogado espertalhão é retratada como um show de ventriloquismo e marionetes, através de um delicioso ragtime, ritmo muito identificado com a época em que o filme se passa. Como acontece na narrativa de Chicago, o filme alterna entre o registro realista e o de fantasia, como musical.

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78. ‘THE RAIN IN SPAIN’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (com voz de Marni Nixon), Rex Harrison e Wilfrid Hyde-White. Direção: George Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Frederick Loewe e Alan Jay Lerner.

Massacrada pelo tirânico professor de fonética, a florista pobre Eliza Doolittle finalmente consegue articular uma frase corretamente: “The rain in Spain stays mainly in a plain”. A euforia que toma conta de todos é um momento muito especial de My Fair Lady e o ponto de virada da trama da florista que o professor quer fazer virar dama.

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77. ‘THEY ALL LAUGHED’, de Vamos Dançar? (1937)
Com Ginger Rogers e Fred Astaire. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Harry Losee. Canção de George Gerswhin e Ira Gershwin.

Na trama de Vamos Dançar?, Fred dança balé clássico e finge que é russo. O encontro com Ginger é o choque de dois mundos, e esse choque acontece para valer em “They all laughed”, delicinha de canção dos Gershwin. Ginger canta na primeira parte, depois os dois se estranham na dança, depois Fred mostra quem é e o que sabe. Depois, o que vem é magia.

 

 

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76. ‘A HARD DAY’S NIGHT’, de A Hard Day’s Night (1964)
Com The Beatles. Direção: Richard Lester. Canção de John Lennon e Paul McCartney.

A abertura de A Hard Day’s Night é antológica, reproduzindo a histeria da beatlemania com toques de nonsense e dando o tom do que virá no filme: a reprodução cômica do que seria um dia no cotidiano agitado dos Beatles, com um ar meio de documentário. O apuro visual de Richard Lester fez essas imagens ficarem clássicas.

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75. ‘JUMPIN JIVE’, de Tempestade de Ritmos (1943)
Com Cab Calloway e os Nicholas Brothers. Direção: Andrew L. Stone. Direção de dança: Nick Castle. Coreografia: Clarence Robinson. Canção de Cab Calloway, Jack Palmer e Frank Froeba.

Você nunca vai ver no cinema alguma coisa igual aos Nicholas Brothers. De uma agilidade inacreditável eles faziam coisas que nem superstars do calibre de Ferd Astaire e Gene Kelly se atreviam. Infelizmente, o racismo jogava contra: para não incomodar as plateias segregacionistas de alguns estados, os grandes filmes reservavam a eles apenas participações especiais, que podiam ser cortadas nas exibições nesses lugares. Eles tinham melhor espaço em filmes de elenco negro e destinados ao público negro como este Tempestade de Ritmos. Antecedidos pelo inimitável Cab Calloway, os Nicholas sapateiam e saltam um sobre o outro, saltam por cima da orquestra, saltam subindo e descendo uma escada. Um assombro.

 

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74. ‘BLACK BOYS/ WHITE BOYS’, de Hair (1979)
Com Laurie Beechman, Debi Dye, Ellen Foley, Johnny Maestro, Fred Ferrara, Jim Rosica, Vincent Carella, Nell Carter, Charlayne Woodard, Trudy Perkins, Chuck Patterson, H. Douglas Berring, Russell Costen, Kenny Brawner e The Stylistics. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt McDermot.

O número mais irreverente e iconoclasta de Hair faz um paralelo genial entre garotas num parque falando abertamente sobre seus desejos a respeito de rapazes de outra cor… e militares numa junta de alistamento avaliando os novos recrutas. A seriedade na face de alguns dos militares enquanto cantam o que cantam dá ainda mais graça à coisa toda.

 

 

 

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73. ‘SUDDENLY SEYMOUR’, de A Pequena Loja dos Horrores (1986)
Com Rick Moranis, Ellen Greene, Michelle Weeks, Tichina Arnold e Tisha Campbell-Martin. Direção: Frank Oz. Coreografia: Pat Garrett. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Dois sofredores do mundo, o funcionário de uma floricultura testemunha o desencanto da mulher que ama, mas que só se envolve com homens abusivos. Sua declaração de amor é uma pérola de sentimento dentro da galhofa deste ótimo musical cômico. Rick Moranis está ótimo, mas Ellen Greene (reprisando seu papel dos palcos) é sensacional.

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72. ‘ANOTHER DAY OF SUN’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Reshma Gajjar, Hunter Hamilton, Damian Gomez, Candice Coke e elenco (vozes de Angela Parrish, Nick Baxter, Marius De Vries, Briana Lee e Sam Stone). Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul.

Quantos sonhos a chatice de um engarramento esconde? Em outro dia comum de sol e carros parados em Los Angeles, as aspirações ganham vida quando os motoristas saem de seus carros e começam a contar daquilo que os levaram até a cidade: o sonho de vencer em Hollywood. Filmado numa autoestrada real, com três planos-sequência com cortes escondidos para que pareça tudo um único plano. É uma declaração de intenções do filme: abrindo com este número, sem qualquer dos personagens principais, já estão aqui o estilo narrativo, o estilo visual e o tema central.

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71. ‘I HAVE CONFIDENCE’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

O carisma avassalador de Julie é combinado com a paisagem de tirar o fòlego de Salzburgo, captada através dos enquadramentos rigorosos e incríveis de Wise. Reparem, no começo, o recuo da câmera que mostra que a fraulein Maria está enquadrada entre as grades do portão. Ou quando ela vem do fundo do quadro, com os prédios ao fundo, e a câmera faz outro recuo para mostrar o ônibus para onde ela vai. Ou ela cantando na janela, com a paisagem refletida no outro vidro. Ou quando ela desde do ônibus e dá meia volta indo para o fundo do quadro. Fora a música, um canto de otimismo com violão na mão e saltinhos meio desengonçados no ar, que começa na dúvida e termina na autoconfiança plena.

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VisagesVillages_Poster_70x100.indd

VISAGES VILLAGES (Agnes Varda e JR, 2017)
Diário de Filmes 2019: 13

JR é um fotógrafo e artista plástico que gosta de fazer murais com fotos gigantes. A veterana Agnes Varda é uma das grandes cineastas do mundo. Essa dupla improvável viaja por vilarejos franceses para registrar as pessoas, conhecê-las e trocar impressões. Funciona bastante bem, com um olhar carinhoso para as pessoas comuns, retratados em sua grandeza nos murais que vão ficando pelo caminho.

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VIVA – A VIDA É UMA FESTA (Lee Unkrich e Adrian Molina, 2017)
Diário de Filmes 2019: 12

É sempre um prazer rever a bela animação da Disney, que imagina um mundo dos mortos e trata da importância da saudade.
Para mais, leia minha crítica do filme.
E leia também minha matéria sobre a arquitetura do filme na revista AE.

Filme Looney Looney Looney do Pernalonga - 01

O FILME LOONEY, LOONEY, LOONEY DO PERNALONGA (Friz Freleng, 1981)
Diário de Filmes 2019: 11

Longa-metragem que emenda diversos curtas dirigidos por Friz Freleng em três blocos temáticos: Eufrazino (em duelo com Pernalonga em cenários como o velho oeste e a Roma antiga), os gansgsters Rocky e Mugsy (sequestrando Pernalonga poe acaso ou ameaçando o Patolino para que ele bote um ovo de ouro) e outros reunidos sob o pretexto de grandes atuações animadas em um prêmio tipo Oscar (clássicos como O Jazz dos Três Porquinhos, Frajola entrando para os comedores de pássaros anônimos, Pernalonga e Eufrazino duelando num número de mergulho, Pernalonga e Patolino duelando no palco). A ligação entre eles é feita por alguns novos e breves segmentos animados, em geral menos inspirados. Mas o curtas originais são irresistíveis, afinal Freleng foi um dos maiores diretores das animações da Warner. Antes do longa propriamente dito, o início é com o curta Knighty Knight Bugs (1958), única vez em que o Pernalonga ganhou um Oscar. Esse filme deve ter tido outro título ao passar aqui nos cinemas ou ter sido lançado em VHS, mas não encontrei referência.

Pequeno Príncipe - 2015 - 05

O PEQUENO PRÍNCIPE (Mark Osborne, 2015)
Diário de Filmes 2019: 10

Fazer uma adaptação do clássico de Saint-Exupéry em que metade ou mais da metade é uma história nova e moderna é uma temeridade. Mas funciona aqui – e bem. O filme consegue vincular as duas tramas, fazer uma influenciar a outra e as demarca com inteligência através do uso de duas técnicas de animação diferentes. A parte moderna, em CGI; a adaptação direta do livro, em stop-motion com papel. A reta final é o resgate da infância para uma menininha muito adulta (em “um mundo que ficou adulto demais”) e um tom de aventura, mas sem perder a obra original de vista.

Faster Pussycat Kill Kill - 01

FASTER, PUSSYCAT! KILL! KILL! (Russ Meyer, 1965)
Diário de Filmes 2019: 9

Os admiradores de Russ Meyer costumam admirar as mulheres que botam pra quebrar desse filme: três dançarinas eróticas que também correm em alta velocidade pelas estradas, lutam e matam com as próprias mãos. A influência em Tarantino é conhecida e evidente. Há quem também se divirta com sua estetica trash e sem vergonha, onde, por exemplo, carros estão em alta velocidade, mas, nos closes, as nuvens no céu estão paradíssimas; ou os dialogos quase 100% marrentos.

Começa nesta quinta a 10ª edição do Festival Varilux do Cinema Francês, em 77 cidades do país. Em João Pessoa, as sessões serão novamente no Centerplex, no MAG Shopping: quatro filmes por dia, até o dia 19. São 16 filmes da mais recente produção francesa inéditos no Brasil , e mais um clássico — no caso, Cyrano (1990), de Jean-Paul Rappeneau e com Gérard Depardieu, grande filme que vi no Cine Banguê lá no começo dos anos 1990.

Confira aqui nesta post um guia do festival. Primeiro, os filmes, com seus trailers e os dias e horários das sessões de cada um. Lá embaixo, a programação por dia.

— OS FILMES:

— AMOR À SEGUNDA VISTA: Homem se dá conta que está vivendo em uma realidade paralela, onde sua esposa não o conhece mais e tenta conquistá-la de novo. É do diretor de Uma Família de Dois. Qui 6, 16h35; Sex 7, 18h50; Qua 12, 18h45; Dom 16, 21h10.

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— ASTERIX E O SEGREDO DA POÇÃO MÁGICA: Todo ano o festival programa um filme infantil, geralmente uma animação. Este ano é a nova animação com os personagens dos quadrinhos de René Goscinny e Albert Uderzo. Desta vez, a trama não é baseada em nenhum dos álbuns clássicos, mas uma história original. Pela primeira vez, também, Asterix estrela uma animação digital. Sab 8, 17h15; Dom 9, 14h30; Dom 16, 17h15.

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— ATRAVÉS DO FOGO: É um drama sobre um bombeiro que se fere num incêndio e fica com o rosto desfigurado. Agora, terá que aprender a viver de novo. Sex 7, 16h35; Seg 10, 14h30; Ter 18, 21h05.

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— BOAS INTENÇÕES: O filme segue uma professora que ensina francês para imigrantes, mas não consegue deixar de extrapolar a ajuda para outras áreas. Seg 10, 16h45; Dom 16, 15h15; Qua 19, 20h45.

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— CYRANO: O clássico do festival é o filme de 1990 dirigido por Jean-Paul Rapenneau e estrelado por Gérard Depardieu, adaptação da peça clássica sobre o poeta narigudo que é apaixonado pela bela Roxane (Anne Girardot), mas, complexado com a própria aparência, acaba ajudando um rival bonito, mas tapado (Vincent Pérez), a conquistá-la. Dom 9, 16h15; Seg 17, 14h45.

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— CYRANO, MON AMOUR: Além de Cyrano, o festival traz essa comédia que narra o processo de criação da peça pelo autor, Edmond Rostand. É uma adaptação de um sucesso dos palcos franceses. Dom 9, 18h50; Qui 13, 17h15; Sex 14, 15h00; Sab 15, 21h15.

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— OS DOIS FILHOS DE JOSEPH: Menino de 13 anos que está amadurecendo começa a repensar o pai e o irmão mais velho como exemplos a seguir. Sex 7, 14h45; Qui 13, 21h15; Ter 18, 19h15; Qua 19, 16h50.

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— FILHAS DO SOL: O filme mostra a luta das guerreiras de um batalhão de soldadas curdas na guerra do Curdistão, acompanhadas por uma fotógrafa francesa. Seg 10, 20h50; Ter 11, 14h40; Ter 18, 17h00.

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— FINALMENTE LIVRES: Esta comédia teve nove indicações ao César (o Oscar francês), incluindo melhor filme, direção, ator (Pio Marmal), atriz (Adèle Haenel), ator coadjuvante (Damien Bonnard), atriz coadjuvante (Audrey Tautou, sempre lembrada como a Amélie Poulain) e roteiro original. É a história de uma policial que descobre que o marido, que morreu como herói, não era boa peça. Então tenta reparar os erros dele. Sab 8, 19h00; Qua 12, 15h00; Dom 16, 19h00.

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— GRAÇAS A DEUS: O novo filme de François Ozon é sobre um grupo de homens que decide enfrentar o padre que abusou deles quando eram crianças e a instituição que insiste em protegê-lo. Levou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim. Dom 9, 21h00; Sab 15, 18h35; Seg 17, 21h00.

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— UM HOMEM FIEL: Dirigido por Louis Garrel, com ele, Laetitia Casta e Lily-Rose Depp (a filha de Vanessa Paradis e Johnny Depp, e a cara da mãe), mostra um intrincado triângulo amoroso com ramificações familiares. Ter 11, 21h15; Qua 12, 17h10; Sab 15, 15h00; Seg 17, 17h20.

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— INOCÊNCIA ROUBADA: Uma bailarina enfrenta as memórias de um abuso na infância e as implicações dessa revelação. Qui, 14h30; Sex 14, 17h10; Seg 17, 18h55.

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— MEU BEBÊ: Uma mulher com dificuldades de encarar a filha mais velha saindo de casa. Sab 8, 21h10; Qui 13, 19h25; Qua 19, 15h.

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— O MISTÉRIO DE HENRI PICK: Um filme de mistério literário. Uma editora encontra um manuscrito e, ao publicá-lo, o livro vira um best seller. Mas a viúva do autor, um pizzaiolo morto dois anos antes da publicação, diz que ele nunca escreveu nada. E um crítico (Fabrice Luchini) resolve investigar e provar que se trata de uma fraude. Sex 7, 21h10; Ter 11, 19h15; Sab 15, 16h35; Ter 18, 15h.

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— O PROFESSOR SUBSTITUTO: Mais um filme de mistério. Um professor substituto lida com uma classe de alunos muito inteligentes, muito unidos, mas também perturbadores. Seg 10, 18h45; Qui 13, 15h10; Qua 19, 18h40.

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— QUEM VOCÊ PENSA QUE SOU: A grande Juliette Binoche é uma mulher que cria um perfil falso mais jovem e vai se enredando no relacionamento virtual com um rapaz. Qui 6, 21h15; Sab 8, 15h15; Qua 12, 21h05; Sex 14, 19h15.

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— A REVOLUÇÃO EM PARIS: Mês que vem, a Revolução Francesa completa 230 anos. E este filme volta àqueles dias em que o povo se rebelou contra a monarquia em tom épico, contando histórias de pessoas comuns e de personagens como o rei Luís XVI. Qui 6, 18h55; Ter 11, 16h55; Sex 14, 21h15.

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— A PROGRAMAÇÃO POR DIA:

QUINTA, 6:
14h30: Inocência Roubada
16h35: Amor à Segunda Vista
18h55: A Revolução em Paris
21h15: Quem Você Pensa que Sou?

— SEXTA, 7:
14h45: Os Dois Filhos de Joseph
16h35: Através do Fogo
18h50: Amor à Segunda Vista
21h10: O Mistério de Henri Pick

— SÁBADO, 8:
15h15: Quem Você Pensa que Sou
17h15: Asterix e o Segredo da Poção Mágica
19h: Finalmente Livres
21h10: Meu Bebê

— DOMINGO, 9:
14h30: Asterix e o Segredo da Poção Mágica
16h15: Cyrano
18h50: Cyrano, Mon Amour
21h: Graças a Deus

— SEGUNDA, 10:
14h30: Através do Fogo
16h45: Boas Intenções
18h45: O Professor Substituto
20h50: Filhas do Sol

TERÇA, 11:
14h40: Filhas do Sol
16h55: A Revolução em Paris
19h15: O Mistério de Henri Pick
21h15: Um Homem Fiel

— QUARTA, 12:
15h: Finalmente Livres
17h10: Um Homem Fiel
18h45: Amor à Segunda Vista
21h05: Quem Você Pensa que Sou

— QUINTA, 13:
15h10: O Professor Substituto
17h15: Cyrano, Mon Amour
19h25: Meu Bebê
21h15: Os Dois Filhos de Joseph

— SEXTA, 14:
15h: Cyrano, Mon Amour
17h10: Inocência Roubada
19h15: Quem Você Pensa que Sou
21h15: A Revolução em Paris

— SÁBADO, 15:
15h: Um Homem Fiel
16h35: O Mistério de Henri Pick
18h35: Graças a Deus
21h15: Cyrano, Mon Amour

— DOMINGO, 16:
15h15: Boas Intenções
17h15: Asterix e o Segredo da Poção Mágica
19h: Finalmente Livres
21h10: Amor à Segunda Vista

— SEGUNDA, 17:
14h45: Cyrano
17h20: Um Homem Fiel
18h55: Inocência Roubada
21h: Graças a Deus

— TERÇA, 18:
15h: O Mistério de Henri Pick
17h: Filhas do Sol
19h15: Os Dois Filhos de Joseph
21h05: Através do Fogo

QUARTA, 19:
15h: Meu Bebê
16h50: Os Dois Filhos de Joseph
18h40: O Professor Substituto
20h45: Boas Intenções

90. ‘NOW YOU HAS JAZZ’, de Alta Sociedade (1956)
Com Bing Crosby e Louis Armstrong. Direção: Charles Walters. Canção de Cole Porter.

Dois monstros sagrados da música popular, Bing Crosby e Louis Armstrong, ensinando o que é o jazz. Não há professores melhores. Bing interpreta um personagem, mas Louis interpreta ele mesmo, como o parceiro faz questão de mostrar quando apresenta a banda: “E ouçam, bem, vocês sabem quem”.

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89. ‘BE A CLOWN’, de O Pirata (1940)
Com Judy Garland e Gene Kelly. Direção: Vincente Minnelli. Direção de dança: Robert Alton, Gene Kelly. Canção de Cole Porter.

Gene e Judy subvertem o esperado final glamouroso do filme com um divertidíssimo número de palhaços — um ” anti Fred & Ginger”. É a reprise de uma canção que é cantada antes no filme por Gene e os Nicholas Brothers. E foi copiada na cara dura por Arthur Freed e Nacio Herb Brown para o espetacular “Make’em laugh” de Cantando na Chuva (1952).

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88. ‘LA VIE BOHEME’, de Rent — Os Boêmios (2005)
Com Taye Diggs, Anthony Rapp, Idina Menzel, Adam Pascal, Jesse L. Martin, Rosario Dawson, Wilson Jermaine Heredia, Tracie Thoms, Shaun Earl. Direção: Chris Columbus. Coreografia: Keith Young. Canção de Jonathan Larson e Billy Aronson.

Dividido em A e B, com outras cena no meio, esse número é uma celebração da boemia, da arte, da igualdade de direitos e do sexo sem culpa, com um número sem referências na letra e uma grande agitação rebelde em cena, com grandes passagens como “sermos ‘nós’, pelo menos uma vez, em vez de ‘eles'” ou, no meio da confusão, os personagens principais todos juntos para cantarem “não morrer da doença” (a Aids).

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87. ‘I DREAMED I DREAM’, de Os Miseráveis (2012)
Com Anne Hathaway. Direção: Tom Hooper. Coreografia: Liam Steel. Canção de Herbert Kretzmer, Claude-Michel Schönberg e Alain Boublil.

A decisão de gravar os vocais aos vivo (em vez de filmar sobre o áudio já gravado antes) captou uma interpretação visceral de Anne Hathaway da mais doída das canções de Os Miseráveis e talvez de todos os musicais (“Eu tinha um sonho de como seria minha vida/ Tão diferente deste inferno em que vivo”). São quatro minutos de cortar o coração e que renderam a ela um Oscar — e com toda a justiça.

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86. ‘OS QUINDINS DE IAIÁ’, de Você Já Foi à Bahia? (1945)
Com Aurora Miranda, Almirante, Aloysio de Oliveira e as vozes de Clarence Nash e José Oliveira. Direção: Norman Ferguson. Coreografia: Billy Daniel, Aloysio de Oliveira. Canção de Ary Barroso.

Zé Carioca apresenta a Bahia ao Pato Donald e ele cai de amores pela baiana que vende quindins. Essa baiana é a maravilhosa Aurora Miranda, irmã de Carmen, e a cantora original de “Cidade maravilhosa”, entre outras canções. O malandro é Almirante e o sujeito das tangerinas é Aloysio de Oliveira. Muito divertido, usando e abusando da interação entre atores reais e desenhos animados, do delírio inspirado pela música e com a própria Salvador sendo posta para dançar no final. (No vídeo abaixo, o número começa aos 2min30seg).

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85. ‘THE TYPEWRITER’, de Errado pra Cachorro (1963)
Com Jerry Lewis. Direção: Frank Tashlin. Música de Leroy Anderson.

“The typewriter” é uma peça para máquina de escrever e orquestra (de verdade) que Jerry Lewis transformou em um delicioso show de pantomima com um instrumento invisível. Ele o faz neste grande momento de Errado pra Cachorro e o repetiu em apresentações ao vivo e em programas de televisão.

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84. ‘LE JAZZ HOT’, de Victor ou Victoria (1982)
Com Julie Andrews. Direção: Blake Edwards. Coreografia: Paddy Stone. Canção de Henri Mancini e Leslie Bricusse.

Julie Andrews é uma cantora que finge ser um homem que faz um show de travesti.  E este número é sua entrada triunfal, que dá um nó na cabeça de quem não conhece o seu segredo. Julie, com muito mais malícia do que em seus papéis icônicos de Mary Poppins ou fraulein Maria.

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83. ‘I FEEL PRETTY’, de Amor, Sublime Amor (1961)
Com Natalie Wood (com voz de Marni Nixon), Suzie Kaye, Yvonne Wilder e Joanne Miya. Direção: Robert Wise e Jerome Robbins. Coreografia: Jerome Robbins. Canção de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim,.

Na volta do intervalo do filme, Maria canta sua felicidade, de como o amor a faz sentir mais bonita, enquanto as colegas de trabalho na loja de costura acham que ela ficou doida. Os exageros são uma delícia: “Miss América já pode renunciar”, “um comitê deveria ser formado para me homenagear”, “a cidade deveria me dar a chave”. Capitaneando tudo, todo o charme e talento de Natalie Wood.

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82. ‘YOU CAN’T STOP THE BEAT’, de Hairspray Em Busca da Fama (2007)
Com Nikki Blonsky, Zac Efron, Amanda Bynes, Elijah Kelley, John Travolta, Queen Latifah. Direção e coreografia: Adam Shankman. Canção de Scott Wittman e Marc Shaiman.

gran finale de Hairspray é a subversão de um concurso de popularidade da TV onde gordos e negros viram protagonistas e derrubam o racismo da emissora. “This is the future”, sentencia o apresentador num palco que une dançarinos negros e brancos. Embalando isso, a incrível vibração que é a marca desse musical, com uma música irresistível.

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81. ‘GOIN’ CO’TIN’, de Sete Noivas para Sete Irmãos (1954)
Com Jane Powell, Jeff Richards, Russ Tamblyn, Tommy Rall, Marc Platt, Matt Mattox e Jacques d’Amboise. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Gene de Paul e Johnny Mercer.

Jane Powell está decidida a civilizar seus seis cunhados brutamontes. E um dos passos é ensiná-los a paquerar as moças da cidade. E, além das várias estratégias para usar naquele cafundó do velho oeste, existe a dança. E, como é um musical da Metro, é a aula de dança mais rápida e maravilhosa de todos os tempos. Conhecimento que eles vão usar em seguida, naquele número absolutamente sensacional que todos sabemos qual é.

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Filme Benzinho
Credito: Bianca Aun/Divulgação

BENZINHO (Gustavo Pizzi, 2018)
Diário de Filmes 2019: 9

Irene está às voltas com muita coisa. Mãe em uma família de classe média, mora em uma casa velha cuja porta nem abre, o marido pressiona para vender outra casa na praia que é emocionalmente cara a ela, a irmã tenta se desvencilhar de um marido abusivo, está tentando terminar uma faculdade. E, agora, o filho mais velho recebe uma proposta para jogar handebol na Alemanha. Lidar com essa novidade vai ser especialmente difícil. O filme retrata bem os conflitos internos da personagem, sem recorrer ao melodrama, mas também sem pose de indiferença artística. Karine Teles, roteirista e atriz principal, brilha. E a direção de Gustavo Pizzi, também roteirista do filme com Karine, com quem foi casado, dá espaço para todos os personagens e busca planos bem elaborados. 

Em download.

100. ‘I GOT RHYTHM’, de Sinfonia de Paris (1951)
Com Gene Kelly e crianças. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Gene Kelly. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Uma máxima dos grandes dançarinos do cinema é que ele fazem o difícil parecer fácil. Exigente como poucos, Gene Kelly parece uma das crianças com quem ele contracena neste número delicioso, em que ele brinca com o fato de, sendo um americano em Paris, ensinar palavras inglesas aos garotos da vizinhança.

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99. ‘FOOTLOOSE’, de Footloose – Ritmo Louco (1984)
Com Kevin Bacon, Lori Singer, Chris Penn. Direção: Herbert Ross. Coreografia: Lynne Taylor-Corbett. Canção de Kenny Loggins e Keith Pitchford.

Quem nunca tentou repetir esses passos quando “Footloose” toca numa festa? O baile de formatura de uma cidade onde a dança era proibida é um momento de libertação para os jovens e a cena retrata isso muito bem.

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98. ‘KEEP IT GAY’, de Os Produtores (2005)
Com Gary Beach, Roger Bart, Nathan Lane, Matthew Broderick, Brent Barrett, Peter Bartlett, Jim Borstelmann e Kathy Fitzgerald. Direção e coreografia: Susan Stroman. Canção de Mel Brooks.

Os dois produtores que estão tentando garantir que sua próxima peça seja um fracasso tentam convencer o pior diretor da Broadway a pegar o projeto. Retratar a Alemanha nazista parece meio deprimente, então a chave é fazer a trama um pouco mais alegre (gay). Entrecortado por diálogos, o aloprado número é conduzido por um Roger De Bris de vestido longo e termina apoteoticamente numa animadíssima conga.

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97. ‘ALL I DO IS DREAM OF YOU’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Debbie Reynolds. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Nacio Herb Brown e Arthur Freed.

Debbie Reynolds é uma das coristas contratadas pra um showzinho numa festa de um chefe de estúdio de Hollywood. Todas lindas, mas que, por mágica do cinema, não competem com, mas, sim, ressaltam a graça de Debbie. A ambientação é fim dos anos 1920, então o charleston marca presença. Num detalhe, Debbie tira uma serpentina que caiu sobre seu rosto, sem deixar a peteca cair. The cat’s meow!

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96. ‘SIXTEEN GOING ON SEVENTEEN’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Charmian Carr e Daniel Truhitte. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

Liesl, a filha mais velha do Capitão Von Trapp, dá aquela escapadinha depois do jantar para encontrar o namorado mensageiro no jardim. Eles cantam sobre a inocência dela aos 16 e a autopresumida maturidade dele aos 17. Mas, na verdade, é um momento idílico e esplendidamente fotografado que retrata a inocência daqueles dias, antes da ascensão do nazismo, que chega na segunda metade do filme.

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95. ‘GEE, OFFICER KRUPKE’, de Amor, Sublime Amor (1961)
Com Russ Tamblyn, Tony Mordente, Bert Michaels, David Winters, David Bean. Direção: Robert Wise e Jerome Robbins. Coreografia: Jerome Robbins. Canção de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim.

A gangue dos Jets tira onda do policial da vizinhança e da sociedade, interpretando juízes, psicólogos e assistentes sociais, que empurram o problema uns para os outros, satirizando várias justificativas clichê para seu mal comportamento com uma letra genial: “nossas mães são drogadas, nossos pais são bêbados: claro que somos marginais”, “não somos delinquentes, somos incompreendidos”, “não sou anti-social, sou é anti-trabalho” e por aí vai. É um distúrbio psicológico? É uma doença social? É um bando de vagabundos que merecem ir presos? No fim, é tudo muito mais complexo e o número mostra que os rapazes não tem noção (ou não querem ter) do próprio problema.

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94. ‘A COUPLE OF SWELLS’, de Desfile de Páscoa (1948)
Com Judy Garland e Fred Astaire. Direção: Charles Walters. Coreografia: Fred Astaire e Charles Walters. Canção de Irving Berlin.

Fred Astaire sempre foi identificado com a extrema elegância. Aqui, ele e Judy Garland aparecem aos farrapos, mas como dois vagabundos cheios de pose. Um número de palco cheio de graça, nos dois sentidos, mostrando mais uma vez o talento para o humor desses dois astros gigantescos do canto e da dança.

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93. ‘THE BABBITT AND THE BROMIDE’, de Ziegfeld Follies (1945)
Com Fred Astaire e Gene Kelly. Direção: Vincente Minnelli. Direção de dança: Robert Alton. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Momento antológico, para começar, por ser a única vez em que Fred Astaire e Gene Kelly aparecem dançando juntos num filme valendo pontos (31 anos depois, eles voltaram a trocar uns passos no documentário Isto Também Era Hollywood). Como dois cavalheiros que se provocam, eles estrelam um dos segmentos de Ziegfeld Follies, filme que é uma colagem de números (o número foi encenados originalmente nos palcos por Fred e sua irmã Adele, em 1927). Astaire eram então, um astro consagrado: já fazia seis anos que havia encerrado sua icônica série de filmes com Ginger Rogers na RKO e 15 anos de sua primeira aparição num filme. Kelly era, em comparação, um iniciante: havia estreado no cinema apenas três anos antes. Visto hoje, é o momento encantado de dois monstros sagrados juntos, que a Metro decidiu não reunir de novo nos filmes que fariam no estúdio dali para a frente.

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92. ‘RUNNIN’ WILD’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe, Jack Lemmon, Tony Curtis. Direção: Billy Wilder. Coreografia: Jack Cole. Canção de A.H. Gibbs, Joe Grey e Leo Wood.

É um pouquinho mais de um minuto. Joe e Jerry – ou melhor, Josephine e Daphne – estão atacando no sax e no contrabaixo no ensaio da banda feminina ao bordo do trem que segue para Miami. Aí entra Marilyn como a vocalista Sugar Kane e seu ukelele (tocado, na verdade, por Al Hendrickson) e o mundo para.

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91. ‘LE RENCONTRES’, de Duas Garotas Românticas (1967)
Com Françoise Dorléac (com voz de Claude Parent), Jacques Perrin (com voz de Jacques Revaux), Gene Kelly (com voz de Donald Burke) e Catherine Deneuve (com voz de Anne Germain). Direção: Jacques Demy. Coreografia: Norman Maen. Canção de Michel Legrand.

Este é o momento em que Duas Garotas Românticas mais se parece com Os Guarda-Chuvas do Amor (1964), musical anterior de Demy e Legrand. A canção é formada por diálogos cantados, com personagens que vão se cruzando pelo caminho, mas os casais que estão uns à procura dos outros ainda não se esbarram. A diferença para o filme anterior é que aqui há alto astral e muito mais humor.

 

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Homem-Aranha no Aranhaverso

HOMEM-ARANHA NO ARANHAVERSO (Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman, 2018)
Diário de Filmes 2019: 7

Nos quadrinhos, a saga do Aranhaverso foi um fan service gigante que brincava com encontros de inúmeras versões do Homem-Aranha, já existentes ou criadas para a história. A adaptação da ideia para o cinema organiza e simplifica a coisa – e a aproveita para apresentar ao público alheio aos quadrinhos o Homem-Aranha alternativo mais popular: Miles Morales. Negro e latino, é para o universo dele que convergem outros cinco Aranhas, que se juntam para impedir a destruição de seus universos paralelos através de uma máquina fatal, etc. Para o leitor aficcionado por cronologia, um prato cheio para debater referências e se o Parker veterano que aparece é ou não o “nosso” Peter Parker. Para o espectador comum, isso não tem muita importância: o filme é ágil, divertido, a animação investe num ar cartunesco, a narrativa explora bem os diferentes heróis aracnídeos (com alguns mais protagonistas e outros mais coadjuvantes) e há boas sacadas como evocar a textura de quadrinhos antigos e recontar as origens dos heróis várias vezes, com suas particularidades.

 

ET o Extraterrestre - 20

ET, O EXTRATERRESTRE (Steven Spielberg, 1982)
Diário de Filmes 2019: 6

Uma das maiores qualidades de Spielberg como cineasta é que ele pensa em imagens. Até em seus filmes menores há momentos em que fica evidente que o que a câmera mostra foi arquitetado, desenhado, para tentar contar alguma coisa a mais ou fugir do lugar comum. Com um movimento de câmera, ou um enquadramento ou a movimentação dos atores dentro do quadro. Se é assim em seus filmes menores, imagine nos maiores, como ET. Pegue o fato de que, com exceção da mãe de Elliot, todos os adultos só aparecem sem mostrar o rosto até cerca de 1h30 de filme. Apenas da cintura para baixo, de costas, por baixo de máscaras, escondidos pelos para-brisas dos carros em movimento (como em Encurralado) ou apenas através de sombras ou detalhes do corpo. Para as crianças do filme, ET é um deles; os adultos é que são os alienígenas. E há planos incríveis como as mãos das crianças soltando as rãs pela janela ou a câmera rente ao chão enquanto passam velozes as bicicletas perseguidas pelos carros de polícia. Ando revendo muito por causa do Arthur, que virou fã do filme – mas não cansa nunca.

Em DVD.

Estreias 03.14

Em João Pessoa:

Estreiam esta semana:
— ‘O PARQUE DOS SONHOS’ (Cinépolis Manaíra; Cinesercla Tambiá; Cinépolis Mangabeira) — estreia amanhã
— ‘SUPREMA’ (Cinépolis Manaíra) — estreia amanhã
— ‘MALIGNO’ (Cinépolis Manaíra; Cinesercla Tambiá; Cinépolis Mangabeira) — estreia amanhã
— ‘VINGANÇA A SANGUE-FRIO’ (Cinépolis Manaíra; Cinépolis Mangabeira) — estreia amanhã
— ‘SUEÑO FLORIANÓPOLIS’ (Cine Banguê) — estreia sábado
— ‘O CASO DO HOMEM ERRADO’ (Cine Banguê) — estreia domingo

Reestreia amanhã:
— ‘O PROCESSO’ (Cine Banguê)

Só até hoje:
— ‘A MORTE TE DÁ PARABÉNS 2’ (Cinépolis Manaíra; Cinesercla Tambiá; Cinépolis Mangabeira)
— ‘SAI DE BAIXO — O FILME’ (Cinépolis Manaíra; Cinesercla Tambiá; Cinépolis Mangabeira)
— ‘ALITA — ANJO DE COMBATE’ (Centerplex MAG; Cinesercla Tambiá; Cinépolis Mangabeira)
— ‘BARONESA’ (Cine Banguê)

Continuam:
— ‘CAPITÃ MARVEL’ (Cinépolis Manaíra; Centerplex MAG; Cinesercla Tambiá; Cinépolis Mangabeira)
— ‘NO PORTAL DA ETERNIDADE’ (Cinépolis Manaíra)
— ‘GREEN BOOK — O GUIA’ (Cinépolis Manaíra)
— ‘A MULA’ (Cinépolis Manaíra)
— ‘TITO E OS PÁSSAROS’ (Cine Banguê)
— ‘LEMBRO MAIS DOS CORVOS’ (Cine Banguê)
— ‘A CAMINHO DE CASA’ (Cinépolis Manaíra; Cinépolis Mangabeira)
— ‘CINDERELA POP’ (Cinépolis Manaíra; Cinesercla Tambiá)

* ‘O CASO DO HOMEM ERRADO’ tem exibição especial hoje, gratuita e com debate com a diretora, no Cine Banguê.
* ‘A CINCO PASSOS DE VOCÊ’ tem pré-estreias sábado e domingo, no Cinépolis Manaíra e Cinépolis Mangabeira
* ‘WIFI RALPH — QUEBRANDO A INTERNET’ tem sessão única no Centerplex MAG na sexta pela manhã

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Em Campina (Cinesercla Partage):

Entra amanhã:
— ‘O PARQUE DOS SONHOS’
— ‘MALIGNO’

Só até hoje:
— ‘SAI DE BAIXO — O FILME’
— ‘ALITA — ANJO DE COMBATE’
— ‘GREEN BOOK — O GUIA’

Continuam:
— ‘CAPITÃ MARVEL’
— ‘CINDERELA POP’

* ‘A CINCO PASSOS DE VOCÊ’ tem pré-estreia sábado e domingo

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Em Patos (Cine Guedes):

Estreiam amanhã:
— ‘MALIGNO’

Só até hoje:
— ‘A MORTE TE DÁ PARABÉNS 2’
— ‘SAI DE BAIXO — O FILME’
— ‘ALITA — ANJO DE COMBATE’

Continuam:
— ‘CAPITÃ MARVEL’
— ‘A CAMINHO DE CASA’

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Em Guarabira (Cinemaxx Cidade Luz):

Estreia amanhã:
— ‘MALIGNO’

Só até hoje:
— ‘SAI DE BAIXO — O FILME’

Continuam:
— ‘CAPITÃ MARVEL’
— ‘A CAMINHO DE CASA’

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Em Remígio (Cine RT):

Continua:
— ‘CAPITÃ MARVEL’

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Em Solânea (Cinemaxxi da Serra):

Continua:
— ‘CAPITÃ MARVEL’

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Em Catolé do Rocha (Cine Garden 7):

Continua:
— ‘CAPITÃ MARVEL’

* As programações são enviadas pelas companhias exibidoras. Qualquer alteração, naturalmente, é de responsabilidade delas.

Trama Fantasma - 01

TRAMA FANTASMA (Paul Thomas Anderson, 2018)
Diário de Filmes 2019: 5

A narrativa espelha seu protagonista: um extremo rigor visual, uma busca pela beleza que chega a ser opressiva. É, principalmente, um meticuloso estudo de personagem. Na verdade, de dois personagens obsessivos: o “sexo” após o primeiro encontro é o personagem de Day-Lewis fazendo a garçonete experimentar vestidos que ele desenhou e tirando as medidas dela. A diferença é que a nova musa não será passiva e Isso vai abalar progressivamente o mundo milimetricamente controlado e sempre ao dispor do estilista.

Em download.

110. ‘PART OF YOUR WORLD’, de A Pequena Sereia (1989)
Com Jodi Benson. Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

A melhor das canções “eu quero” das animações da Disney: em uma belíssima animação à mão, Ariel mostra seu refúgio secreto com sua coleção de objetos da superfície que atiçam sua curiosidade por esse lugar onde “os pais não repreendem as filhas”.

 

 

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109. ‘TICO-TICO NO FUBÁ’, de Alô, Amigos! (1942)
Com José Oliveira. Direção: Wilfred Jackson, Jack Kinney, Hamilton Luske e Bill Roberts. Canção de Zequinha de Abreu.

No Brasil, Zé Carioca apresenta o samba ao Pato Donald, numa combinação magistral do clássico “Tico-tico no fubá” e uma inspirada animação dos estúdios Disney, em que o cenário do Rio de Janeiro vai se desenhando à frente dos personagens.

 

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108. ‘I’M THRU WITH LOVE’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe. Direção: Billy Wilder. Canção de Matt Malneck, Fud Livingston e Gus Kahn.

“Estou cansada do amor”, canta Marilyn num momento baixo astral de sua personagem. A canção dos anos 1930 está conectada à época em que o filme se passa. A interpretação de Sugar Kane comove Joe, o personagem de Tony Curtis, que acaba revelando seu disfarce de Josephine — de uma maneira e tanto.

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107. ‘MOVIN’ RIGHT ALONG’, de O Mundo Mágico dos Muppets (1979)
Com Jim Henson e Frank Oz. Direção: James Frawley. Canção de Paul Williams e Kenny Archer.

Dois muppets cruzando a América a bordo de um Studebaker: Caco, o Sapo (nada de Kermit aqui) e o urso Fozzy viajam para Los Angeles para trabalhar no mundo do entretenimento. Carisma não falta, de jeito nenhum. O filme era um prólogo do The Muppet Show, da TV, mostrando como os personagens se conheceram.

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106. ‘SOMEONE IN THE CROWD’, de La La Land Cantando Estações (2016)
Com Callie Hernandez, Sonoya Mizuno, Jessica Rothenberg e Emma Stone. Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul.

A primeira metade desse número é uma obra-prima: sem cortes, freneticamente através dos cômodos da casa, cada um com uma cor dominante, assim como os vestidos das moças. Um show de direção e coreografia parta ver e rever sempre.

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105. ‘CHIM-CHIM CHEREE’, de Mary Poppins (1964)
Com Dick van Dyke, Julie Andrews, Karen Dotrice e Matthew Garber. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

Para tranquilizar os irmãos assustados e perdidos, o agora limpador de chaminés Bert os leva para casa e mostra, na companhia de Mary Poppins, a beleza de Londres à noite vista dos telhados. A canção ganhou o Oscar daquele ano.

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104. ‘TWIST AND SHOUT’, de Curtindo a Vida Adoidado (1986)
Com Matthew Broderick (voz de John Lennon). Direção: John Hughes. Coreografia: Kenny Ortega. Canção de Bert Berns e Phil Medley.

“O que você acha que o Ferris vai fazer agora?”. É a pergunta a ser feita durante todo o Curtindo a Vida Adoidado. Neste momento do filme, ele já está sobre um carro alegórico da Von Steuben Day Parade (que, aliás, existe mesmo: é realizada anualmente em Chicago em homenagem a um barão da Prússia que deu uma força aos americanos na guerra pela independência). Sua dublagem da canção dos Beatles é tão contagiosa que faz dançar todo mundo em volta. Até quem não era ator ou figurante contratado, como os trabalhadores nos andaimes e o lavador de janelas, que se deixaram embalar pela música e foram filmados pela câmera de John Hughes.

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103. ‘THE INQUISITION’, de A História do Mundo – Parte I (1981)
Com Mel Brooks, Jackie Mason e Ronny Graham. Direção: Mel Brooks. Coreografia: Alan Johnson. Canção de Mel Brooks e Ronny Graham.

Usar o musical como forma de demolir uma instituição é um talento particular de Mel Brooks. Aqui, o alvo é a inquisição espanhola, onde as maiores atrocidades são narradas sob o ponto de vista de saltitantes religiosos liderados por Mel em pessoa, que tentam converter judeus com citações a O Poderoso Chefão e Busby Berkeley, frades com joelhos à mostra, freiras nadadoras. Antológico.

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102. ‘SOBBIN’ WOMEN’, de Sete Noivas para Sete Irmãos (1954)
Com Howard Keel, Jeff Richards, Russ Tamblyn, Tommy Rall, Marc Platt, Matt Mattox e Jacques d’Amboise. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Gene de Paul e Johnny Mercer.

Ao ver seus seis irmãos de baixo astral porque a paquera com seis garotas da cidade acabou numa monumental briga com outros seis caras, o irmão mais velho Adam ajuda como pode: contando a história que aprendeu num livro, a dos romanos que simplesmente raptaram mulheres sabinas e que, com o tempo, elas acabaram gostando dos raptores (ele confunde “sabine women” com “sobbin’ women”, “chorosas”). Logo, se está na história, basta fazer o mesmo, não é? Um conselho errado, claro, defendido com vigor e talento.

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101. ‘ISN’T THIS A LOVELY DAY (TO BE CAUGHT IN THE RAIN)?’, de O Picolino (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Fred Astaire. Direção de dança: William Hetzler. Canção de Irving Berlin.

Uma vez Ginger disse: “Eu fazia tudo o que ele fazia, só que de salto alto”. Aqui, ela não está de salto alto, mas a piada nunca foi tão verdadeira. A brincadeira da cena, depois que Fred tenta quebrar o gelo cantando, é que ela aceita dançar com ele, porém imitando-o. De calças, Ginger faz quase um espelho de Fred, é uma dança de casal que não é de casal. Só no final ele a toma nos braços — mas ela também não deixa de conduzir em um momento.

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120. ‘I LOVE LOUISA’, de A Roda da Fortuna (1953)
Com Fred Astaire, Nanette Fabray, Oscar Levant, Cyd Charisse. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Arthur Schwartz e Howard Dietz.

Fred Astaire havia cantado “I love Louisa” em um musical da Broadway de 1931, que levava o mesmo nome original (The Band Wagon) e que Fred protagonizou com sua irmã, Adele (no último musical que fizeram juntos, antes de ela deixar a carreira para se casar). Foi uma das três canções que sobreviveram da trilha da peça para esta versão do cinema, que criou uma história nova (no teatro, o show era de esquetes). Essa brincadeira alemã, no filme, está na festinha com que a equipe da versão musical de Fausto alivia o clima de uma estreia desastrosa. Às vezes, basta uma música ótima, um grande diretor, um coreógrafo que faça dançar um quarto lotado e um gigantesco talento para que um número seja uma delícia. Só isso. More beer!

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119. ‘SEASONS OF LOVE’, de Rent — Os Boêmios (2005)
Com Anthony Rapp, Adam Pascal, Rosario Dawson, Jesse L. Martin, Tracie Thoms, Idina Menzel, Wilson Jermaine Heredia, Taye Diggs. Direção: Chris Columbus. Canção de Jonathan Larson.

“Seasons of love” é uma canção tão poderosa que, no musical de teatro, está localizada no meio da apresentação e o filme a trouxe para os créditos de abertura (cantada por seus oito personagens principais num palco, diante de uma plateia vazia). Uma decisão que funciona muito bem: a letra funciona como uma carta de intenções do que virá pela frente, nesta modernização de La Bohème para a era da Aids. Como você mede os quinhentos e vinte cinco mil e seiscentos minutos que vive num ano?

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118. ‘HAIR’, de Hair (1979)
Com Don Dacus, Treat Williams e Dorsey Wright. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt McDermot, Gerome Ragni e James Rado.

Um canto de amor aos cabelos longos que marcavam o movimento hippie, a ponto de ter batizado o musical histórico que o retratou nos palcos e no cinema. No filme, é um momento delirante dentro de um presídio, combinado com cenas da rua com Williams e muitos cabelos ao vento.

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117. ‘CAI CAI’, de Uma Noite no Rio (1941)
Com Carmen Miranda. Direção: Irving Cummings. Canção de Roberto Martins.

Embora as coreografias sejam assinadas por Hermes Pan, muito dificilmente ele deu algum pitaco aqui. Carmen, em seu segundo filme, faz aquilo que sabia fazer como ninguém e fazia desde sua carreira no Rio de Janeiro: movia as mãos, usava expressões faciais, ia pra lá e pra cá e, combinando isso, brilhava. Em Serenata Tropical, seu primeiro filme, o diretor Irving Cummings parece não saber muito como filmar aquilo: a prendia num cenário e desperdiçava closes em vez de flagrar o máximo de seus movimentos. Ele melhora muito no seguinte: ainda é sempre basicamente Carmen cantando para uma plateia, mas Cummings abre a câmera e a mostra inteira ou de meio corpo, com edição e câmera discretas que bastam segui-la.

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116. ‘SHALL WE DANCE?’, de O Rei e Eu (1956)
Com Deborah Kerr (com voz de Marni Nixon) e Yul Brynner. Direção: Walter Lang. Coreografia: Jerome Robbins. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

Esta visão eurocêntrica de como uma professora inglesa ajudou o Rei do Sião a se modernizar inclui esta bela cena de aula de dança, onde uma alta voltagem sexual (para a época e para o tipo de filme) aparece.

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115. ‘SHAKE YOUR TAIL FEATHER’, de Os Irmãos Cara de Pau (1980)
Com Ray Charles e The Blues Brothers. Direção: John Landis. Coreografia: Carlton Johnson. Canção de Otha Hayes, Andre Williams e Verlie Rice.

Essa canção dos anos 1960 ganha versão de Ray Charles em uma das participações especiais de Os Irmãos Cara de Pau. A música irresistível tem ótima participação cênica da Blues Brothers Band e “contamina” a vizinhança, com as pessoas numa divertida coreografia na frente da loja do Ray. Seria um flashmob?

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114. ‘THE LONELY GOATHERD’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews, Angela Cartwright, Charmian Carr, Heather Menzies, Nicholas Hammond, Duane Chase, Debbie Turner e Kym Karath. Direção: Robert Wise. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

Bil Baird e Cora Baird, famosos manipuladores de marionetes nos EUA, são os grandes protagonistas ocultos desse adorável número em que Maria e as crianças fazem um show de bonecos para uma seleta plateia. Marc Breaux assina a coreografia do filme. Terá feito também a coreografia dos bonequinhos?

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113. ‘CIRCLE OF LIFE’, de O Rei Leão (1994)
Com Carmen Twillie, Lebo M e côro. Direção: Roger Allers e Rob Minkoff. Canção de Elton John e Tim Rice.

Um dos melhores começos de filmes de todos os tempos, “Circle of life” introduz o espectador, sem qualquer diálogo, ao mundo africano onde o leão é o rei, os outros animais são os súditos, e um príncipe é apresentado. Antológico.

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112. ‘THAT’S HOW YOU KNOW’, de Encantada (2007)
Com Amy Adams e Patrick Dempsey. Direção: Kevin Lima. Canção de Alan Menken e Stephen Schwartz.

O barato em Encantada é que é uma sátira, mas também uma afirmação carinhosa dos contos-de-fadas da Disney. E isso implica, claro, em um número musical que invada o mundo real, capitaneado por uma luminosa Amy Adams.

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111. ‘I’M THRU WITH LOVE’, de Todos Dizem Eu Te Amo (1997)
Com Goldie Hawn e Woody Allen. Direção: Woody Allen. Coreografia: Graciela Daniele. Canção de Gus Kahn, Matty Malneck e Fud Livingston.

Esta canção dos anos 1930 (que Marilyn já havia cantado na tela em Quanto Mais Quente Melhor) é recorrente nesse musical leve, divertido e propositalmente meio desajeitado de Woody Allen. E a ela é reservado o belo momento final, cantada por uma adorável Goldie Hawn, que, à beira do Sena, dança e flutua.

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Boas Maneiras - 02

AS BOAS MANEIRAS (Marco Dutra e Juliana Rojas, 2018)
Diário de Filmes 2019: 4

Um filme mutável, que vai adquirindo novas faces ao longo da projeção. O drama social se revela um filme de horror, a trama ganha um “capítulo 2” dentro do próprio filme, namora inesperadamente o musical. Se encanta demais com as possibilidades dos efeitos especiais e acaba ficando desnecessariamente explícito em certos momentos, mas esse coquetel de elementos tem personalidade, bons atores, muita força dramática.

Em download.

Roma - 01

ROMA (Alfonso Cuarón, 2018)
Diario de Filmes2019: 3

Nostalgia embalada em estética poderosa, Roma é um canto a um lugar e época bem específicos: um bairro da capital mexicana nos anos 1970. E se apoia num microcosmo que engloba questões de classe, étnicas, turbulência política, dramas pessoais. É uma narrativa que, mais que contar uma história que vai de um ponto inicial a uma conclusão, é uma observação emotiva sobre eventos episódicos, que mudam tudo e não mudam nada. E elevou a produção de longas para streaming a outro patamar.

Na Netflix.

130. ‘BE OUR GUEST’, de A Bela e a Fera (1991)
Com Jerry Orbach e Angela Lansbury. Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Os longas de animação da Disney quase sempre foram musicais, mas pouco tinham tanta alma de musical como A Bela e a Fera. O filme parece ter nascido como espetáculo da Broadway (para onde efetivamente foi, depois) e “Be our guest” bebe diretamente na fonte de Busby Berkeley e seus delírios musicais nos filmes dos anos 1930, com seus caleidoscópios e balés aquáticos.

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129. ‘STEREOPHONIC SOUND’, de Meias de Seda (1957)
Com Janis Paige e Fred Astaire. Direção: Rouben Mamoulien. Coreografia: Hermen Pan. Canção de Cole Porter.

Em 1957, a tela larga e o som esteofônico eram armas que o cinema ainda estava começando a usar para enfrentar a concorrência da televisão. Este número de Meias de Seda tira onda brilhantemente com isso, dando a receita: diz que “Lassie seria só um cachorro como os outros” se não aparecesse em Cinemascope e latisse em estéreo, ou que antes o dançarino dançava números íntimos e de rosto colado com a parceira “e agora ele nem sabe se ela está por perto”, de tanto que eles precisam se esticar para ocupar a tela toda.

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128. ‘COUNT ON ME’, de Um Dia em Nova York (1949)
Com Frank Sinatra, Betty Garrett, Ann Miller, Jules Munshin, Alice Pearce e Gene Kelly. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Canção de Roger Edens, Adolph Green e Betty Comden.

Gene Kelly está na pior e seus amigos tentam levantar seu astral com uma série de tolices, do quilate de “como disse a calculadora, pode contar comigo”. Gene não resiste, é claro: no meio do número ele já está dançando com todo mundo. Como resistir a tantas palhaçadas alegres e com esse pessoal?

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127. ‘SCHOOL OF ROCK’, de Escola de Rock (2003)
Com School of Rock. Direção: Richard Linklater. Canção de Mike White e Sammy James Jr.

Rock é coisa de criança nesse ótimo filme, onde Jack Black é um roqueiro frustrado que vira professor numa escola chique e leva os meninos que só tocavam música clássica a montar uma banda. As crianças tocam mesmo e o número, muito divertido, cita visualmente “Boys don’t cry’, do The Cure, apenas uma das inúmeras referências roqueiras do filme. A School of Rock tem Black no vocal, Joey Gaydos Jr. na guitarra, Becca Brown no baixo, Robert Tsai nos teclados, Kevin Alexander Clark na bateria e, nos backing vocals, Maryam Hassan, Caitlin Hale e Aleisha Allen. Város deles seguiram carreira na música.

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126. ‘A SPOONFUL OF SUGAR’, de Mary Poppins (1964)
Com Julie Andrews, Katharine Dotrice e Matthew Garber. Direção: Robert Stevenson. Canção de Robert B. Sherman e Richard M. Sherman.

Mary Poppins chega chegando na vida dos irmãos Jane e Michael. Os coloca de cara para arrumar o quarto, mas faz uma magicazinha pra mostrar que a tarefa pode não ser tão chata: “Com um pouco de açúcar, até o remédio é um prazer”, como diz a versão brasileira da canção. Pode ser que as coisas não se arrumem sozinhas num estalar de dedos, mas sem dúvida o trabalho é bem melhor ouvindo Julie Andrews cantar.

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125. ‘THEY CAN’T TAKE THAT AWAY FROM ME’, de Ciúme, Sinal de Amor (1949)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Charles Walters. Coreografia: Robert Alton. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Fred Astaire e Ginger Rogers se consagraram como a maior dupla de dança da história do cinema em nove filmes na RKO, de 1933 a 1939. Depois, ela foi ser atriz dramática (ganhou um Oscar) e ele seguiu em “carreira solo”, sem outra parceira fixa. Mas se reencontraram para um revival dez anos depois, na Metro. E este número justifica o reencontro. Dançando um número que Fred já havia cantado para Ginger em Vamos Dançar?, em 1937 (sem dançar; usar a canção de novo foi sugestão dela), eles mostram que química maravilhosa não se desfaz facilmente.

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124. ‘THE NIGHT THEY INVENTED CHAMPAGNE’, de Gigi (1958)
Com Leslie Caron, Louis Jordan e Hermione Gingold. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Charles Walters. Canção de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe.

Gigi, o papel que, na Broadway, revelou Audrey Hepburn em 1951, teve Leslie Caron no filme vencedor de nove Oscars. Bastante requintado e pomposo, para dar uma amaciada na história da garota que é educada para ser uma cortesã e é amiga de um jovem playboy que ainda a vê como criança neste animado número, onde ele promete levá-la à praia depois de perder no baralho (ela rouba)! Leslie foi dublada nas canções do filme por Betty Wand, mas o vídeo abaixo mostra a voz original da atriz cantando. Mas você pode ver a versão original do filme com a voz de Wand dublando Leslie Caron (a imagem widescreen está estreitada e invertida).

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123. ‘HOW COULD YOU BELIEVE ME WHEN I SAID I LOVED YOU WHEN YOU KNOW I’VE BEEN A LIAR ALL MY LIFE?’, de Núpcias Reais (1951)
Com Fred Astaire e Jane Powell. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Nick Castle. Canção de Burton Lane e Alan Jay Lerner.

Astaire e Jane Powell interpretam um casal de irmãos que têm uma carreira junto nos palcos – como Fred e sua irmã Adele, antes da carreira dele no cinema. Muito divertido, com Jane Powell substituindo bem Judy Garland, que ia fazer o filme, mas foi demitida pela Metro. O número realmente lembra bastante a química cômica de Fred e Judy em “A couple of swells”, de Desfile de Páscoa (1948).

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122. ‘ZERO TO HERO’, de Hércules (1997)
Com Lillias White, Vanéese Y. Thomas, Cheryl Freeman, LaChanze e Roz Ryan. Direção: John Musker, Ron Clements. Canção de Alan Menken e David Zippel.

As musas gregas contam como Hércules passou de um zero à esquerda a herói e superastro pop (com direito até a merchandising). O longa é irregular, mas esta ideia é ótima: as musas são representadas como um grupo musical, unindo um estilo Supremes e música gospel.

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121. ‘YOUNG AND HEALTHY’, de Rua 42 (1933)
Com Dick Powell e Toby Wing. Direção: Lloyd Bacon. Direção de dança: Busby Berkeley. Canção de Al Dubin e Harry Warren.

No ano de 1933, Busby Berkeley fez as marcantes coreografias de três filmes: Belezas em Revista (com aquele balé aquático), Cavadoras de OuroRua 42. “Young and healthy” é um representante de seus caleidoscópios humanos, mas num crescendo: começa com Dick Powell sozinho em um palco vazio; então, surge uma garota (Toby Wing) para quem ele canta; aí, o banco em que estão sentados desce e eles ficam no chão; de cima, a câmera os mostra girando; então surgem os dançarinos, que, deitados no chão e em volta, giram no sentido inverso; logo, Wing está à frente de uma fila de louras; então, garotas e rapaes evoluem para os caleidoscópios humanos vistos em 90 graus em plataformas giratórias que se movimentam em sentido contrário; por fim, as louras formam outra fila e a câmera passa por um túnel de pernas. Ufa!

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140. ‘WHEN THE MIDNIGHT CHOO-CHOO LEAVES FOR ALABAM’’, de O Mundo da Fantasia (1954)
Com Donald O’Connor e Mitzi Gaynor. Direção: Walter Lang. Coreografia: Robert Alton. Canção de Irving Berlin.

A delicinha Mitzi Gaynor era limitada por seu próprio estúdio, a Fox, cujo alcance nos musicais não era tanto. Mas ela sempre deu conta do recado, e um de seus momentos especialmente divertidos é esse: com Donald O’ Connor, como dois irmãos que trabalham no teatro musical, fazendo uma paródia caseira de um número apresentado no início do filme por Ethel Merman e Dan Dailey, seus pais no filme.

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139. ‘XANADU’, de Xanadu (1980)
Com Olivia Newton-John. Direção: Robert Greenwald. Coreografia: Kenny Ortega. Canção de Jeff Lynne.

Kitsch até dizer chega, explodindo em neon, Xanadu não é lá essas coisas como filme. Mas o momento bem virada anos 1970/ anos 1980 desse nímero, com uma grande música, tem uma Olivia Newton-John cheia de graça, conseguindo aparecer no meio dessa poluição visual de dançarinos, patinadores, equilibristas…

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138. ‘PUTTIN’ ON THE RITZ’, de O Jovem Frankenstein (1974)
Com Gene Wilder e Peter Boyle. Direção: Mel Brooks. Canção de Irving Berlin.

O doutor Frankenstein vai mostrar sua criatura ao público, seu prodígio científico. E como ele faz isso? Num palco, cantando e dançando com ela um clássico de Irving Berlin! Puro Mel Brooks, um apaixonado por musicais que sempre dava espaço para um número em seus filmes.

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137. ‘AUDITION (THE FOOLS WHO DREAM)’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Emma Stone. Direção: Damien Chazelle. Canção de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul.

Mia conta uma história de sua tia em Paris, que se torna um hino aos “tolos que sonham” — ela própria inclusa. Uma transição delicada e perfeita do diálogo para a canção, do cenário para apenas Emma Stone num foco de luz e uma câmera que, lentamente, vai até ela, dá a volta por trás dela e retorna ao ponto principal. Se feito com talento, não precisa muito mais que isso pra ser brilhante e inesquecível.

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136. ‘I’M OLD FASHIONED’, de Bonita como Nunca (1942)
Com Rita Hayworth (voz de Nan Wynn) e Fred Astaire. Direção: William A. Seiter. Diretor de dança: Val Raset. Coreografia: Fred Astaire e Nicanor Molinare. Canção de Jerome Kern e Johnny Mercer.

Bonita como Nunca foi o segundo e último filme estrelado por Astaire e Rita Hayworth, mostrando de novo que eles eram perfeitos juntos. É charme que não acaba mais e um final gracinha.

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135. ‘I’M WISHING/ ONE SONG’, de Branca de Neve e os Sete Anões (1937)
Com Adriana Caselotti e Harry Stockwell. Direção: David Hand. Canções de Frank Churchill e Larry Morey.

Sim, claro, é datado: a princesa esperando pelo seu príncipe que vai resgatá-la. Deem um desconto, é 1937. A canção se tornou um ícone que resiste, graças à elegância de uma animação que ainda bota no bolso a maioria do que é feito hoje e a encenação graciosa com o eco do poço e ao pássaro que leva o beijo da Branca de Neve ao príncipe.

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134. ‘IF I ONLY HAD A NERVE/ WE’RE OFF TO SEE THE WIZARD’, de O Mágico de Oz (1939)
Com Bert Lahr, Judy Garland, Ray Bolger, Jack Haley e a voz de Buddy Ebsen. Direção: Victor Fleming. Canção de E.Y. Harburg e Harold Arlen.

Depois de “If I only had a brain”, com o Espantalho, e “If I only had a heart”, com o Homem de Lata, é a vez do Leão covarde cantar sua canção. A diferença é que ela emenda com a icônica “We’re off to see the wizard” (onde a voz do Homem de Lata ainda é a de Buddy Ebsen, que teve alergia à maquiagem e foi substituído na filmagem por Jack Haley). “We’re off to see the wizard” já havia sido cantada três vezes antes, mas esta é a primeira em que estão os quatro juntos, por isso é um momento marcante.

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133. ‘SHALL WE DANCE?’, de Vamos Dançar (1937)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Depois de ter perdido Ginger, o personagem de Fred lida com isso apresentando um número com várias dançarinas usando máscaras da amada. O que ele não espera é que a verdadeira está lá e ele vai ter que encontrá-la para fazerem, como sempre, mágica juntos. É o delicioso final de Vamos Dançar?, candidato a melhor filme da maior dupla de dançarinos do cinema.

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132. ‘HELLO, DOLLY’, de Alô, Dolly (1969)
Com Barbra Streisand e Louis Armstrong. Direção: Gene Kelly. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Jerry Herman.

O grande momento (grande mesmo: mais de sete minutos) de Alô, Dolly, em que a casamenteira atrevida é recebida com pompa e circunstância no restaurante pela infinidade de garçons do lugar. A cereja é a pequena participação do gigante Louis Armstrong. O vídeo abaixo infelizmente não mostra o número todo, mas a canção dá pra ouvir aqui.

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131. ‘CHANSON D’UN JOUR D’ÉTÉ’, de Duas Garotas Românticas (1967)
Com Catherine Deneuve (com voz de Anne Germain) e Françoise Dorléac (com voz de Claude Parent). Direção: Jacques Demy. Coreografia: Norman Maen. Canção de Michel Legrand.

Irmãs no filme e na vida real e irresistíveis, Deneuve e Françoise Dorleac fazem essa apresentação no palco de uma quermesse. Quem resiste quando, no refrão, elas esquecem a plateia e cantam para nós, do outro lado da câmera? Demy namora muito o musical hollywoodiano nesse filme.

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