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Na minha coluna da CBN João Pessoa desta sexta, falei sobre a estreia de Meu Pai, com Anthony Hopkins, o festival de documentários É Tudo Verdade (online e gratuito) e sobre a obra da cineasta belga Chantal Akerman, agora disponível restaurada no streaming. Ouça aqui!

(Foto: Olivia Colman e Anthony Hopkins, em Meu Pai)

LIGA DA JUSTIÇA DE ZACK SNYDER
⭐½
Diário de Filmes 2021: 36

Egotrip sem freios

Na primeiríssima cena do corte de Liga da Justiça que esteve nos cinemas em 2017, o Super-Homem é visto pela lente de um celular, filmado por algumas crianças que fazem algumas perguntas ao herói após um salvamento. Meio constrangido, ele reserva um tempinho para responder as perguntas. Além da boca esquisita de Henry Cavill (que tentou eliminar em CGI o bigode que o ator ostentava na ocasião), saltava aos olhos o reencontro da plateia com um personagem que fazia tempo não era visto no cinema: o Super-Homem.

Aquele Super-Homem, pelo menos, e não a versão carrancuda que Zack Snyder imprimiu em O Homem de Aço e Batman vs. Superman. Aquele personagem da abertura de Liga era uma novidade neste universo compartilhado da DC no cinema, e foi fruto direto da troca de comando na direção do filme (a trilha de Danny Elfman até resgatou de leve o tema clássico de John Williams).

Como quase todo mundo sabe, Snyder teve que sair do projeto antes de conclui-lo para lidar com uma tragédia pessoal. A Warner chamou Joss Whedon para terminar o filme, na expectativa de, no fim, ter algo mais próximo ao clima dos dois Vingadores que Whedon dirigiu.

Ele fez o que deu pra fazer com o material que tinha. Não foi muito.

O resultado foi meio uma criatura de Frankenstein, um remendo que terminou não sendo nem um filme padrão de Snyder (que mesmo assim continuou tendo a assinatura solo como diretor), nem um filme de Whedon (que é creditado apenas como co-roteirista). Era um filme meio esquizofrênico, que brigava consigo mesmo o tempo todo.

Mas Zack Snyder tem um grupo de fãs ruidosos, que logo fez campanha para ver o “corte original” do diretor (que não existia, visto que ele não havia editado nada). Snyder abraçou a campanha, fez seu lobby e conseguiu o aval da Warner para fazer sua montagem mais pessoal, com o estúdio de olho em dar um gás em seu serviço próprio de streaming.

Então, a primeira coisa a considerar é: Liga da Justiça de Zack Snyder é a versão original do diretor? A resposta é “não”.

É a visão dele combinando o que pretendia no começo mais suas ideias após ver a versão finalizada por Whedon (o que achou que deu certo, o que achou que deu errado, inclusive sobre o que ele mesmo tinha feito). E ainda o que mais resolveu fazer sabendo que, sendo uma produção para o streaming e não para o cinema, poderia entregar um filme com mais tempo de duração.

Daí, chegamos às 4 horas e dois minutos de duração. O Poderoso Chefão – Parte II (1974) tem 3h22. Ben-Hur (1959) tem 3h32. Lawrence da Arábia (1962) tem 3h48. …E o Vento Levou (1939) tem 3h58. É evidente que no caso de Liga não é para tanto: essas 4h02 são de um diretor sem freio algum para sintetizar o próprio filme. Uma viagem sem volta a uma egotrip.

Faltou limite e o filme se confia no fato de que, já que é para o streaming mesmo, o público pode assisti-lo como minissérie, se quiser. O novo Liga é até dividido em capítulos, para facilitar essa opção.

É claro que há ganhos nessa metragem maior que a da outra versão. Notadamente para o personagem Ciborgue, que ganhou uma história mais detalhada e com peso dramático maior. Também o Flash recebeu alguns momentos melhores.

E, considerando o remendo que é a outra versão, esta é, sem dúvida, mais coerente. É decorrência direta e lógica de O Homem de Aço e Batman vs. Superman. Agora, se isso faz dela um filme melhor, são outros quinhentos. Porque ser uma decorrência lógica, nesse caso, implica em também mergulhar em tudo o que os dois filmes anteriores têm de problemáticos. Snyder é fiel a seu – digamos assim – estilo: tons cinzas e marrons, caras emburradas e infinitas câmeras lentas, que são o que o diretor realmente acredita que dão intensidade dramática a um filme.

Então tem coisas melhores que a versão finalizada por Whedon? Sim. Tem coisas piores? Tem, também.

Visto de uma vez, é um filme interminável. Isso é quase literal: conclui, por assim dizer, com um epílogo inacreditável de longo, que empilha cenas sem parar depois de a história ter acabado. Não só aí, mas pelo meio do filme também brotam cenas e personagens inúteis, enxertados apenas para a alegria dos leitores que vão reconhecê-los dos quadrinhos.

O maior exemplo disso é o Caçador de Marte. Um personagem bem menos conhecido (se não for quase desconhecido) por quem não é leitor da DC, ausente da versão de Joss Whedon e que aparece em duas cenas que não dizem nada. Pelo contrário, o espectador fica se perguntando por que, afinal, ele não toma parte da ação, já que estava por ali.

O que ficou de fora foi tudo o que Whedon filmou a mais para dar uma levantada no astral da outra versão. Por exemplo, o momento em que o Super-Homem deixa momentaneamente de lutar com o vilão para – vejam só – salvar diretamente pessoas em perigo.

Para Zack Snyder, tendo em vista os filmes anteriores e esta versão, salvar pessoas é um inconveniente. O pouco interesse do Super-Homem em salvar pessoas no meio da destruição do quebra-pau em Metrópolis, em O Homem de Aço, virou piada, mas o diretor não aprendeu com isso.

Agora, a solução de Snyder para evitar novos memes é convenientemente localizar a ação do clímax e do combate com o vilão em uma área desabitada. Na versão de Whedon, há moradores ali, inocentes que precisam ser protegidos e ajudados. Agora – que confortável – não é preciso salvar ninguém e os heróis podem se concentrar naquilo que interessa de verdade ao diretor: a troca supostamente épica de sopapos com o vilão da vez.

Uma coisa importante a levar em conta é que o pior da Liga de Whedon (com exceção da boca esquisita de Henry Cavill) já estava no que Zack Snyder tinha feito até sair do projeto. E está de volta.

O Batman, por exemplo, recruta o Aquaman e o Flash no começo do filme. Mas faz isso como Bruce Wayne (!), revelando de primeira sua identidade secreta a desconhecidos. A ideia já é ridícula por si só, mas a construção das cenas torna tudo ainda pior: parece que só importou o momento de efeito (Barry Allen pegando o batarangue que Bruce Wayne atira e descobrindo, assim, que Wayne é o Batman), mas a construção da cena para chegar lá é feita de qualquer jeito.

Darkseid, vilão icônico da DC, criação de Jack Kirby que fez história até nos Superamigos, foi vendido como uma grande novidade dessa nova versão, mas não rende 10% do anunciado. Só age em flashback e sonhos. Na hora H, ainda temos que nos contentar mesmo é com o Lobo da Estepe.

Ou seja: o grande vilão de Liga da Justiça de Zack Snyder continua sendo um capanga, um personagem da quarta divisão da DC Comics, com carisma zero e sem uma motivação minimamente interessante. Aliás, tanto Darkseid quanto seu ajudante, e também os cenários sem qualquer verdade, parecem ter saído direto de um videogame.

E, por fim, ainda tem esse formato 4:3, quase quadrado, como os das TVs antigas, um troço injustificável. Foi justificado como uma “opção artística” do diretor porque se aproxima da tela imax. Mas, francamente… no streaming? Parece só mais um entre tantos caprichos gratuitos do diretor com essa versão.

Onde ver: Google Play, Looke, AppleTV, YouTube.

Zack Snyder’s Justice League, 2021.
Direção: Zack Snyder. Elenco: Ben Affleck, Gal Gadot, Ezra Miller, Jason Momoa, Ray Fisher, Henry Cavill, Amy Adams, J.K. Simmons, Jeremy Irons, Willem Dafoe, Jesse Eisenberg, Robin Wright, Connie Nielsen, Amber Heard, Diane Lane, Billy Crudup.

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LEIA MAIS:

Na minha coluna de hoje na CBN João Pessoa, comentei dois filmes e uma minissérie para não passar verginha chamando o golpe militar de 1964 de “movimento”. Está online, ouça aqui.

Na foto: Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho.

Meu comentário para a CBN sobre Liga da Justiça de Zack Snyder. Tem coisas melhores que a versão finalizada por Whedon? Tem. Tem coisas piores? Tem também.

Para ouvir, clique aqui.

A VERDADE
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 14

Quatro anos antes, Brigitte Bardot apareceu para o mundo (e como veio ao mundo) em E Deus Criou a Mulher. Em A Verdade, ela tentou dar um passo para um desafio dramático maior. Esplendorosa, é a jovem de vida livre que está sendo julgada pelo assassinato do amante. A moralidade entra na balança, enquanto a história trágica de amor (ou não) é contada em flashback, ainda com doses generosas do corpo de Bardot.

Onde ver: DVD, YouTube

La Verité, 1960.
Direção: Henri-Georges Clouzot. Elenco: Brigitte Bardot, Sami Frey, Marie-Jose Nat.

O GAROTO
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 13

100 anos de risos e, talvez, uma lágrima

100 anos este ano de O Garoto. “Um filme com um sorriso – e, talvez, uma lágrima”, diz a primeira cartela do filme, primeiro longa dirigido por Charles Chaplin. O espírito já está posto desde o princípio: a comédia misturada com o melodrama, que Chaplin sabia fazer como ninguém.

Talvez fosse um aviso, para o espectador que estivesse esperando só as risadas. Mas o drama é que abre o filme, com a mulher que se vê obrigada a abrir mão de seu bebê. Ela tenta deixá-lo com uma família rica, mas, por circunstâncias do destino, ele vai parar nos braços do paupérrimo Carlitos, que até tenta, mas não consegue se livrar dele naquele primeiro momento.

Alguns anos depois, vem a famosa cena que mostra o entrosamento entre esse pai e esse filho. Eles trabalham juntos: Carlitos é o vidraceiro que providencialmente aparece para consertar as janelas que o moleque quebra.

São transgressores contra uma sociedade que não os entende e logo se voltará contra eles quando tenta separá-los. Vem aí a grande sequência dramática do filme: o garotinho chorando no caminhão pelo pai e Carlitos correndo pelos telhados para alcançá-lo. Merece, sem dúvida, a lágrima prometida no começo do filme.

É tocante, ainda mais quando se pensa na infância miserável e sem pai do próprio Chaplin. O retrato da vizinhança pobre vem da lembrança de seus próprios dias difíceis em Londres: a pobreza, a mãe com problemas mentais, a possibilidade de ir parar num orfanato (chegando a fugir da polícia para evitar isso). De uma maneira ou de outro, tudo isso está no filme.

A química entre Chaplin e Coogan é admirável e vem da relação que o cineasta cultivou com o astro mirim fora dos sets: o levava a parques de diversões e a passeios. Essa proximidade por ter vindo da infância sem pai de Charlie ou do fato de que ele mesmo havia perdido há pouco tempo um filho, de seu casamento com Mildred Harris: o bebê morreu três dias depois de nascer. De qualquer forma, resultou em uma relação sincera de carinho que foi captada perfeitamente pelo filme.

Chaplin relançou o filme em 1971. Com a reedição, ficou mais curto: de 1h08 para 50min, eliminando cenas que o diretor naquele momento considerou excessivamente sentimentais (todas envolvendo o sofrimento da mãe, vivida por Edna Purviance, parceira de longa da data de Chaplin em seus filmes). O Garoto ganhou também uma bela trilha sonora composta por Chaplin.

O filme, que foi concebido como curta e foi crescendo na duração durante a produção, mudou a carreira de Chaplin. Ele já tinha criado a United Artists em 1919 (seu próprio estúdio, em sociedade com o diretor D.W. Griffith e os astros Douglas Fairbanks e Mary Pickford) e O Garoto seria um dos últimos produtos de seu contrato com a First National. O sucesso estrondoso redirecionou sua carreira para os longas-metragens.

E ainda em 1921 as memórias que estão por todo lado em O Garoto ganham vida quando Chaplin visita a Inglaterra, para onde não tinha voltado desde 1912, quando viajou para os Estados Unidos. Foi quando reencontrou sua mãe, a quem mantinha sob cuidados em seu país natal, e a levou para morar com ele e o irmão Sidney nos EUA.

Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play, YouTube

The Kid, 1921
Direção: Charles Chaplin. Elenco: Charles Chaplin, Jackie Coogan, Edna Purviance.

ROSAS DE SANGUE
⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 12

Roger Vadim aborda a história insinuante de Carmilla, a vampira de Karnstein, com a esposa da vez, a dinamarquesa Annette Stroyberg (na época, Annette Vadim). Vadim era ótimo em revelar atrizes lindas, mas não era lá um grande diretor. O filme é correto, tem um certo ar erótico entre suas duas atrizes, mas pouco mais que isso. Carmilla voltou outras vezes ao cinema, como a principal representante do filão das vampiras lésbicas.

Et Mourir de Plaisir, 1960
Direção: Roger Vadim. Elenco: Annette Stroyberg, Mel Ferrer, Elsa Martinelli.

TIO BOONMEE, QUE PODE RECORDAR SUAS VIDAS PASSADAS
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 11

Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, o filme tailandês é um exercício livre sobre memórias e tradições, episódico e em tom de fábula. E metaforizando, segundo o diretor, as transformações pelas quais o cinema vinha passando ali naquela época (o digital substituindo a película, o que influía no próprio jeito de filmar). É aparentemente enigmático, esquisito, mas talvez porque para nossa sociedade ocidental não seja tão natural a ideia de fantasmas que nos visitam quando a morte se aproxima, entre outros elementos fantásticos como homens-macacos e sexo com peixes. O mais interessante é que o filme trata tudo isso com naturalidade e serenidade.

Onde ver: DVD

Loong Boonmee Raleuk Chat, 2010
Direção: Apichatpong Weerasethakul. Elenco: Thanapat Saisaymar, Jenjira Pongpas, Wallapa Mongkolprasert

A VOLTA DE FRANK JAMES ou O RETORNO DE FRANK JAMES
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 10

O filme fantasia os eventos que teriam acontecido após o assassinato do lendário Jesse James, pelas costas, por homens de seu bando. O irmão Frank sai de seu esconderijo para vingar a morte. É uma continuação de Jesse James (1939), inclusive abrindo com a cena da morte de Jesse do filme anterior, e vários atores reprisando seus papéis, inclusive Henry Fonda como o agora protagonista. Lang, bem ajustado aos filmes B americanos, está bem longe de seus dias no Expressionismo Alemão. E tem a estreia da belíssima Gene Tierney.

Onde ver: DVD, YouTube

The Return of Frank James, 1940
Direção: Fritz Lang. Elenco: Henry Fonda, Gene Tierney, Jackie Cooper, Henry Hull, John Carradine.

A CARTA
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 9

Na primeira cena, um plano sequência numa bucólica noite de um cenário exótico. Então, aparece ninguém menos que Bette Davis descarregando a arma num infeliz. Ela conta ao marido e ao advogado: o sujeito a atacou e ela o matou em legítima defesa. Mas uma carta misteriosa e uma chantagem podem complicar seu julgamento. Wyler, um grande diretor, e Bette Davis, uma atriz inigualável, numa história de verdades e mentiras, esplendidamente fotografada, mas guiada pelas regras de crime e castigo do Código Hays: é uma versão mais moralista que outra de 1929, baseada na mesma peça.

Onde ver: DVD, YouTube

The Letter, 1940
Direção: William Wyler. Elenco: Bette Davis, Herbert Marshall, James Setephenson, Gale Sondergaard.

THE MAKING OF PSYCHO
⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 8

Longa realizado pelo especialista em documentários making of Laurent Bouzereau. É, como sempre, simples e direto, mas conta todas as histórias importantes sobre Psicose, com depoimentos de, entre outros, Janet Leigh e do roteirista Joseph Stefano.

Onde ver: DVD e blu-ray (como extra de Psicose)

The Making of Psycho, 1997
Direção: Laurent Bouzereau.

PSICOSE
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 7

As histórias em torno da concepção, filmagem e recepção de Psicose são tantas que renderam até uma dramatização em filme (Hitchcock, 2012). O material original chocante, a decisão de filmar rápido com a equipe de sua série de TV, o risco financeiro, matar a estrela antes da metade do filme, a procura pelo som ideal da faca entrando na pele, um quarto da filmagem dedicada à cena do chuveiro, a rancorosa desglamourização de Vera Miles, o sutiã branco/ sutiã preto, o quanto ou não mostrar de nudez, a música de Bernard Herrmann, as jogadas de marketing no lançamento (“Ninguém será admitido no cinema após o começo”, “Não conte o final”)… E, mais que tudo, a direção não só do filme, mas também do espectador, levado por Hitch para onde o diretor quer.

Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play

Psycho, 1960
Direção: Alfred Hitchcock. Elenco: Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles, Martin Balsam

20 – UM GATO EM PARIS (Une Vie de Chat)

Uma animação estilosa sobre um gato que se divide entre dois donos: uma menina que é filha de uma delegada de polícia; e um ladrão super habilidoso.
França/ Bélgica. Direção: Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol. Roteiro: Alain Gagnol e Jacques-Rémy Girerd (diálogos). Vozes na dublagem original: Dominique Blanc, Bernadette Lafont, Bruno Salomone. Vozes na dublagem brasileira: Denise Reis, Arlette Montenegro, César Marcheti.

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19 – INCONTROLÁVEL (Unstoppable)

Geralmente exagerado, Tony Scott foi na medida neste ótimo filme de ação sobre dois maquinistas tentando parar um trem desgovernado.
Estados Unidos. Direção: Tony Scott. Roteiro: Mark Bombach. Elenco: Denzel Washington, Chris Pine, Rosario Dawson, Kevin Dunn.

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18 – SENNA (Senna)

Documentário sobre o piloto, que consegue expressar muito bem as rivalidades e velocidade da Fórmula-1.
Reino Unido/ França/ Estados Unidos. Direção: Asif Kapadia. Roteiro: Manish Pandey.

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17 – O PRIMEIRO AMOR (Flipped)

Rob Reiner faz uma espécie de Harry & Sally juvenil: menina e menino nos anos 1960 vivem um relacionamento complicado, que é visto pelo espectador ora na visão dela, ora na visão dele.
Estados Unidos. Direção: Rob Reiner. Elenco: Rob Reiner e Andrew Scheinman, baseado em romance de Wendelin Van Draanen. Elenco: Madeline Carroll, Callan McAuliffe, Rebecca De Mornay, Anthony Edwards, John Mahoney, Penelope Ann Miller, Aidan Quinn.

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16 – COMO TREINAR O SEU DRAGÃO (How to Train Your Dragon)

A animação da DreamWorks é dirigida pelos cineastas de Lilo & Stitch e, embora agora seja um trabalho digital, há bastante aqui do charme do que a dupla havia feito na Disney.
Estados Unidos. Direção: Dean DeBlois e Chris Sanders. Roteiro: William Davies, Dean DeBlois e Chris Sanders, com Adam F. Goldberg (material adicional) e Marc Hyman (colaborador), baseado no livro de Cressida Cowell. Vozes na dublagem original: Jay Baruchel, Gerard Butler, America Ferrera, Jonah Hill, Kristen Wiig, David Tennant. Vozes na dublagem brasileira: Gustavo Pereira, Mauro Ramos, Luisa Palomanes.

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15 – UMA NOITE EM 67

O documentário sobre a espetacular final do Festival de Música Popular Brasileira de 1967 não se afasta do formato entrevistas mais cenas de arquivo. E nem precisava: as cenas da nata da MPB no palco são impressionantes e as curiosas entrevistas nos bastidores são uma delícia de assistir.
Brasil. Direção: Ricardo Calil e Renato Terra.

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14 – NAMORADOS PARA SEMPRE (Blue Valentine)

Apesar do título brasileiro enganoso, o filme é um drama melancólico sobre um amor se desfazendo, apoiado em dois atores ótimos.
Estados Unidos. Direção: Derek Cianfrance. Roteiro: Derek Cianfrance, Joey Curtis e Cami Delavigne. Elenco: Ryan Gosling, Michelle Williams, Faith Wladyka.

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13 – 127 HORAS (127 Hours)

Danny Boyle conta a história de um montanhista que fica preso num canyon e tenta sobreviver do jeito que puder. James Franco segura bem o filme atuando praticamente sozinho o tempo todo.
Estados Unidos/ Reino Unido/ França. Direção: Danny Boyle. Roteiro: Danny Boyle e Simon Beaufoy, baseado no livro de Aron Ralston. Elenco: James Franco, Kate Mara, Amber Tamblyn, Treat Williams.

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12 – ILHA DO MEDO (Shutter Island)

Scorsese adapta o livro de Dennis Lehane, viaja ao filme noir e encontra espaço para citar visualmente o Expressionismo Alemão em geral e O Gabinete do Dr. Caligari em particular. Quem já tem alguma estrada nesse negócio de ver filmes sabe que o mistério que se apresenta não tem muitas opções de conclusão. Mas o diálogo na cena final, que maravilha. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: Martin Scorsese. Roteiro: Laeta Kalogridis, baseado no romance de Dennis Lehane. Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley.

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11 – VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO

Uma experiência curiosa de um road movie onde nunca vemos o protagonista, apenas ouvimos sua voz. Assim, ele vai apresentando e refletindo o interior do Nordeste.
Brasil. Direção: Karim Ainouz e Marcelo Gomes. Narração: Irandhir Santos.

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10 – O DISCURSO DO REI (The King’s Speech)

O rei gago vai tomar aulas de dicção com um professor que não está muito aí para sua realeza. Ele vai precisar ajudar o monarca a fazer um discurso importante incentivando o país na guerra contra os nazistas. Dentro de uma narrativa tradicional, o diretor Hooper tem uma preferência visual interessante por enquadramentos fora do padrão, mas que não “gritam”. Leia mais: crítica.
Reino Unido/ Estados Unidos/ Austrália. Direção: Tom Hooper. Roteiro: David Seidler. Elenco: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Michael Gambon, Guy Pearce, Claire Bloom, Derek Jacobi, Timothy Spall.

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9 – TROPA DE ELITE 2 – O INIMIGO AGORA É OUTRO

O Capitão Nascimento retorna, agora às voltas com as ligações entre política e o crime organizado. O diretor Padilha se queimou depois com a equivocada série O Mecanismo, e um pouco daquele simplismo está aqui, mas o filme questiona um pouco mais e mais claramente o papel de Nascimento, o que é muito bom. Leia mais: crítica.
Brasil. Direção: José Padilha. Roteiro: Bráulio Mantovani e José Padilha, de argumento de Mantovani, Padilha e Rodrigo Pimentel. Elenco: Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Milhem Cortaz, Maria Ribeiro, Seu Jorge, Sandro Rocha, Tainá Muller, André Mattos.

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8 – CÓPIA FIEL (Copie Conforme)

Kiarostami na Itália. Na história do escritor britânico que conhece uma mulher francesa, uma dicussão sobre se a cópia da arte também é arte evolui para os recém-conhecidos se comportando como se fossem casados. O fingimento, se bem vivido, vira uma realidade?
França/ Itália/ Bélgica/ Irã. Direção: Abbas Kiarostami. Roteiro: Abbas Kiarostami, com Caroline Eliacheff (colaboradora). Elenco: Juliette Binoche, William Shimell, Jean-Claude Carrière.

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7 – INCÊNDIOS (Incendies)

Na jornada de um casal de gêmeos pela história da mãe no Líbano, os segredos vão revelando quem era essa mulher. O destino é encontrar o pai que não conhecem e um irmão que não sabiam que existia. O filme lida bem demais com seus segredos e revelações e a vida que se vira no meio da violência.
Canadá/ França. Direção: Denis Villeneuve. Roteiro: Denis Villeneuve, com Valérie Beaugrand-Champagne (colaboradora), baseado na peça de Wajdi Mouawad. Elenco: Lubna Azabal, Mélissa Désormeaux-Poulin, Maxim Gaudette.

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6 – A REDE SOCIAL (The Social Network)

Um filme de tribunal que conta a origem do Facebook e explora a personalidade muito particular de seu fundador, Mark Zuckerberg. Um estudo de personagem, que tem milhões de amigos virtuais, mas não consegue manter nenhum em um nível pessoal. E um final brilhante, que é um pequeno “Rosebud”. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: David Fincher. Roteiro: Aaron Sorkin, baseado no livro de Ben Mezrich. Elenco: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Rashida Jones, Armie Hammer, Rooney Mara, Dakota Johnson, Aaron Sorkin.

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5 – HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 1)

O sétimo filme da franquia é um dos melhores, com o jovem trio de protagonistas em uma busca que os mantém sozinhos boa parte do filme, relações com uma estética nazista acentuando o tom político, um conto narrado em bela animação, emoções mais intensas. É O Império Contra-Ataca da série Harry Potter. Leia mais: crítica.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: David Yates. Roteiro: Steve Kloves, baseado no romance de J.K. Rowling. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Julie Walters, Robbie Coltrane, Helena Bonham Carter, Bonnie Wright, Evana Lynch, Tom Felton, Brendan Gleeson, Timothy Spall, Helen McCrory, Jason Isaacs, Richard Griffiths, Bill Nighy, Rhys Ifans, Fiona Shaw, Michael Gambon, John Hurt, Imelda Staunton. Voz: Toby Jones.

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4 – CISNE NEGRO (Black Swan)

Uma bailarina sob pressão, em uma turbulência psicológica. Aronofsky usa e abusa dos maneirismos para esse mergulho na psiquê de uma artista atormentada por sua arte e por seu lado ‘cisne negro’. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: Darren Aronofsky. Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz e John J. McLaughlin, de argumento de Heinz. Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder.

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3 – TOY STORY 3 (Toy Story 3)

Dez anos depois do segundo filme, o terceiro expandiu um tema que já estava no segundo: brinquedos órfãos de sua criança que cresceu. Isso, combinado com um “filme de prisão”, que leva a uma reta final sensacional, com suspense e lágrimas. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: Lee Unkrich. Roteiro: Michael Arndt, com argumento de John Lasseter, Andrew Stanton e Lee Unkrich. Vozes na dublagem original: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Ned Beatty, Michael Keaton, Jodi Benson, Wallace Shawn, Don Rickles, Estelle Harris, Laurie Metcalf, Timothy Dalton, Bonnie Hunt, Whoopi Goldberg, R. Lee Ermey.

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2 – BRAVURA INDÔMITA (True Grit)

Os irmãos Coen revisitam o faroeste clássico e fazem uma versão melhor que a original, estrelada por John Wayne em 1969. Um road movie do faroeste, com excelentes atuações de Jeff Bridges e Hailee Steinfeld. Ela, em particular, simboliza o espírito do filme: entre o deslumbramento e a descrença dos mitos. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Joel Coen e Ethan Coen, baseado no romance de Charles Portis. Elenco: Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Matt Damon, Josh Brolin.

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1 – A ORIGEM (Inception)

Um filme sobre sonhos dentro de sonhos, misturado com espionagem, vertiginoso nas imagens e na narrativa. Uma equipe em um plano para implantar uma ideia em um sujeito através dos sonhos. Explicações complicadas para não levar muito a sério: um truque engenhoso, delirante e sofisticado. Leia mais: crítica.
Estados Unidos/ Reino Unido. Direção e roteiro: Christopher Nolan. Elenco: Leonardo DiCaprio, Elliot Page, Joseph Gordon Levitt, Marion Cotillard, Michael Caine, Tom Hardy, Ken Watanabe, Cillian Murphy, Tom Berenger, Pete Postlethwaite.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

APERTEM OS CINTOS! O PILOTO SUMIU…
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 6

Desde a primeira cena (uma asa de avião rasgando o mar de nuvens, sob a música-tema de Tubarão), Apertem os Cintos mostra que o disparate é a lei. Mas o que o torna ainda mais engraçado é que ele combina isso com uma “seriedade de mentira”. Além de surfar obviamente na série blockbuster Aeroporto, o filme é, em boa parte, uma refilmagem de um filme-catástrofe dramático (Entre a Vida e a Morte, 1957), repetindo várias cenas e diálogos, acrescentando piadas.

O elenco, por sua vez, representa tudo quase sempre muito sério – e aí o destaque é Leslie Nielsen, que inaugurou uma nova fase em sua carreira. O nonsense e os trocadilhos são ingredientes importantes com diálogos maravilhosos como “Precisamos levas essas pessoas ao hospital”. “Hospital? Mas o que será?” “É um prédio branco com pacientes, mas isso não é importante agora”.

Onde ver: DVD, YouTube, Telecine Play, Apple TV

Airplane!, 1980
Direção: Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker. Elenco: Robert Hays, Julie Hagerty, Lloyd Bridges, Peter Graves, Robert Stack, Lorna Patterson, Kareem Abdul-Jabbar, Ethel Merman.

LÁBIOS SEM BEIJOS
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 5

O primeiro filme da Cinédia começou a ser feito por Carmen Santos, que também o estrelava, mas foi concluído por Humberto Mauro, recém-chegado de Cataguazes ao Rio, e com Lelita Rosa no papel principal. Mudo, tem uma história romântica simples, da garota que se apaixona por homem com fama de Don Juan e, por uma coincidência de nomes, acaba achando que ele ficou com a irmã dela. Tem o pioneirismo, belas imagens do Rio de Janeiro de 90 anos atrás e bonitos planos da direção de Mauro.

Onde ver: YouTube

Lábios sem Beijos, 1930
Direção: Humberto Mauro. Elenco: Lelita Rosa, Paulo Morano, Didi Viana.

20 – O GAROTO SELVAGEM (L’Enfant Sauvage)

Truffaut partiu de uma história real do seculo XVIII: um garoto há anos sem contato com a civilização, sem falar ou ler, que é pratucamente adotado por um médico que se esforça em civilizá-lo. O filme parece seguir mais o ponto de vista da curiosidade científica que da emoção, mas é bem contado.
França. Direção: François Truffaut. Roteiro: François Truffaut e Jean Gruault, baseado nas memórias de Jean Itard. Elenco: François Truffaut, Jean-Pierre Cargol, Françoise Seigner.

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19 – LOVE STORYUMA HISTÓRIA DE AMOR (Love Story)

“Amar é nunca ter que pedir perdão”. Virou ícone cultural esse melodrama jovem que, ainda por cima, envolve classes sociais e doença grave.
Estados Unidos. Direção: Arthur Hiller. Roteiro: Erich Segal. Elenco: Ryan O’Neal, Ali MacGraw, Ray Milland, Tommy Lee Jones.

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18 – A VIDA ÍNTIMA DE SHERLOCK HOLMES (The Private Life of Sherlock Holmes)

Billy Wilder desenvolveu um filme de mais de três horas e episódico que foi severamente cortado pela United Artists. Ainda assim é um curioso olhar que ele queria muito fazer sobre Sherlock Holmes, levando-o até o monstro de Loch Ness.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: Billy Wilder. Roteiro: Billy Wilder e I.A.L. Diamond. Elenco: Robert Stephens, Colin Blakely, Geneviève Page, Christopher Lee.

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17 – GIMME SHELTER (Gimme Shelter)

Seria mais um documentário sobre rock, mas o show dos Rolling Stones em uma rodovia terminou em tragédia. O filme começa já fazendo os Stones encararem as filmagens da confusão na plateia, após a ideia infeliz de colocar os Hell’s Angels como seguranças.
Estados Unidos. Direção: Albert Maysles, David Maysles e Charlotte Zwerin.

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16 — MATOU A FAMÍLIA E FOI AO CINEMA

Exemplar do cinema marginal brasileiro, terceiro longa de Bressane. Parte da premissa literal do título, um rapaz que mata os pais e vai ao cinema, para outros contos curtos de violência, como o das meninas que se apaixonam e matam a mãe de uma delas. Teve uma refilmagem muito ruim em 1991, com Cláudia Raia.
Brasil. Direção e roteiro: Júlio Bressane. Elenco: Márcia Rodrigues, Renata Sorrah, Vanda Lacerda, Antero de Oliveira.

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15 – CADA UM VIVE COMO QUER (Five Easy Pieces)

Jack Nicholson é o operário que gosta de tocar piano e tem um relacionamento que não o anima muito, e que volta às raízes: a família rica e musicista. Esse contraste de modos de vida leva a tensões. Nicholson na sua aurora como grande ator, que se consolidaria nos anos 1970.
Estados Unidos. Direção: Bob Rafelson. Roteiro: Carole Eastman, baseado em argumento de Eastman e Bob Rafelson. Elenco: Jack Nicholson, Karen Black, Susan Anspach.

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14 – A MULHER DE TODOS

Helena Ignez é a mulher imparável nessa comédia do cinema marginal (o que parece funcionar melhor), libertária, cafajeste, chegada à linguagem dos quadrinhos e com um Jô Soares inspirado.
Brasil. Direção: Rogério Sganzerla. Roteiro: Rogério Sganzerla, baseado em argumento de Egídio Eccio. Elenco: Helena Ignez, Jô Soares, Stênio Garcia, Paulo Villaça, Antônio Pitanga. Narração: Renato Machado.

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13 – DEIXA ESTAR ou LET IT BE (Let it Be)

É tido como um registro dos Beatles a caminho do fim, com os turbulentos ensaios e gravações do que viria a ser o álbum Let it Be. Tem lá a célebre discussão entre Paul e George (“Eu toco do jeito que você quiser. Se não quiser, também não toco”), mas não há depoimentos ou narração. Não há George abandonando o grupo por alguns dias. A mudança do Twickenham Studios para o prédio da Apple aparece, mas sem qualquer explicação. Boa parte da crise fica mesmo nas entrelinhas pra quem conhece a história da banda. Mas são os Beatles, experimentando e cantando e culminando no show do telhado, que é uma imagem (e som) eterna.
Reino Unido. Direção: Michael Lindsay-Hogg.

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12 – A FILHA DE RYAN (Ryan’s Daughter)

David Lean ficou quase 15 anos sem dirigir um filme depois que esse não foi bem recebido. Realmente parece agigantado sem muita razão de ser. É uma história de amor e adultério simples, embora com paisagens embasbacantes e um fundo histórico – como havia sido, cinco anos antes, Doutor Jivago, na Rússia dos tempos da Revolução. Esse ultimo quesito, porém (revoltas na Irlanda contra a Inglaterra em 1916), é bem menos presente na trama. Mas é bonito, Lean não precisava ter passado esse tempo todo longe.
Reino Unido. Direção: David Lean. Roteiro: Robert Bolt. Elenco: Sarah Miles, Robert Mitchum, Christopher Jones, Trevor Howard, John Mills, Leo McKern.

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11 – INVESTIGAÇÃO SOBRE UM CIDADÃO ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA (Indagine su un Cittadino al di Sopra di Ogni Sospetto)

Chefe da divisão de homicídios da polícia mata a amante e vai deixando pistas pelo caminho, parecendo querer ver se a polícia consegue passar por cima dos pré-julgamentos e pegá-lo. Um clássico dos filmes políticos, uma bofetada na hipocrisia das instituições, retratando uma ambiente de opressão italiana a tudo que não era reacionário.
Itália. Direção: Elio Petri. Roteiro: Elio Petri e Ugo Pirro. Elenco: Gian Maria Volontè, Florinda Bolkan, Gianni Santuccio.

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10 – TRISTANA, UMA PAIXÃO MÓRBIDA (Tristana)

Buñuel deixa o surrealismo um pouco de lado e vai para um registro meio seco para mostrar um caso de obsessão amorosa de um homem rico por uma bela e pobre jovem. Uma tragédia muda, no entanto, o jogo de forças. Deneuve linda, mesmo quando não é para ser.
Espanha/ Itália/ França. Direção: Luís Buñuel. Roteiro: Luís Buñuel e Julio Alessandro, do romance de Benito Pérez Galdós. Elenco: Catherine Deneuve, Fernando Rey, Franco Nero.

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9 – BANZÉ NA RÚSSIA (The Twelve Chairs)

O humor maluco de Mel Brooks servindo-se de uma história clássica já adaptada até pela Atlântida no Brasil. É antes de se concentrar nas sátiras ao próprio cinema, que viria logo a seguir. Aqui, os alvos são a ganância inerente aos homens e as contradições da União Soviética pós-Revolução Russa. Como na placa da Rua Marx, Engels, Lenin & Trotsky, em que o nome de Trostky aparece riscado.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Mel Brooks, baseado no romance de Ilya Ilf e Yevgeni Petrov. Elenco: Ron Moody, Frank Langella, Dom DeLuise, Mel Brooks.

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8 – DOMICÍLIO CONJUGAL (Domicile Conjugal)

Interessante como Truffaut estreou o personagem Antoine Doinel como seu alter-ego em um drama tão tocante como Os Incompreendidos (1959) e depois retornou a ele em comédias românticas leves como esta. Este é o quarto filme com Doinel, que arruma problemas para seu casamento ao se envolver com outra mulher.
França. Direção: François Truffaut. Roteiro: François Truffaut, Claude de Givray e Bernard Revon. Elenco: Jean-Pierre Léaud, Claude Jade, Hiroko Berghauer.

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7 – A ESTRATÉGIA DA ARANHA (Strategia del Ragno)

O filho volta à sua cidadezinha natal para se envolver na história misteriosa do pai, herói local, líder da resistência contra os fascistas, morto há muitos anos. Grande fotografia de Vittorio Storaro e Franco Di Giacomo, cujo ponto alto é aquele plano sequência soberbo no começo, em que o filho está parado na praça e, quando anda, vemos que ele encobria o busto do pai. E, enquanto caminha, acaba sendo coberto por ele.
Itália. Direção: Bernardo Bertolucci. Roteiro; Bernardo Bertolucci, Marilù Parolini e Eduardo de Gregorio, baseado em conto de Jorge Luis Borges. Elenco: Giulio Brogi, Alida Valli, Pippo Campanini.

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6 – WOODSTOCK – 3 DIAS DE PAZ, AMOR E MÚSICA (Woodstock)

Mais do que registrar os três dias de um festival de rock que se tornou mítico, o documentário teve a sagacidade de traduzir o estado de espírito de quem estava no palco, nos bastidores, na plateia e nos arredores. O uso da câmera dividida só reforça a sensação de que estava acontecendo muito mais do que todo mundo estava percebendo.
Estados Unidos. Direção: Michael Wadleigh.

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5 – PEQUENO GRANDE HOMEM (Little Big Man)

Em uma época de revisionismo do western e de reavaliação da figura do nativo norte-americano na tela, o herói é uma figura nada heroica que aprende a ser um índio, se torna um pistoleiro de araque e acaba integrando a tropa do General Custer rumo à batalha de Little Big Horn. O filme tem humor e senso de grandeza.
Estados Unidos. Direção: Arthur Penn. Roteiro: Calder Willingham, baseado no romance de Thomas Berger. Elenco: Dustin Hoffman, Faye Dunaway, Chief Dan George, Martin Balsam.

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4 – PATTON – REBELDE OU HERÓI? (Patton)

É praticamente um Lawrence da Arábia americano, no sentido de ser a grandiosa cinebiografia de um militar que ama o que faz. Politicamente incorreto, irascível, visceral e um gênio do teatro de guerra, Patton é um grande personagem. A abertura, com o general discursando para as tropas na frente de uma imensa bandeira americana, é icônica. Tanto quanto a cena em que ele esbofeteia um soldado traumatizado porque não admite tal fraqueza (depois é obrigado a se desculpar).
Estados Unidos. Direção: Franklin J. Schaffner. Roteiro: Francis Ford Coppola e Edmund H. North, baseado nos livros de Ladislas Farago e Omar N. Bradley. Elenco: George C. Scott, Karl Malden, Stephen Young.

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3 – M.A.S.H. (M.A.S.H.)

Um trio de cirurgiões em um hospital de campanha se defende da violência da guerra com atitudes irreverentes e iconoclastas. A guerra é a da Coreia, nos anos 1950, mas Robert Altman quase não menciona: ele queria que o público associasse ao Vietnã. Também incentivou o elenco a improvisar bastante. O espírito do filme é tão irreverente quanto seus personagens.
Estados Unidos. Direção: 1robert Altman. Roteiro: Ring Lardner Jr., baseado em romance de Richard Hooker. Elenco: Donald Sutherland, Elliot Gould, Tom Skerritt, Sally Kellerman, Robert Duvall.

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2 – O CONFORMISTA (Il Conformista)

O filme acompanha um fascista italiano que precisa cumprir a missão de assassinato de um antigo professor, na França. Apesar de sua dedicação ao fascismo, memórias de infância e as relações tanto com sua recém-esposa quanto com a mulher do professor, ambas extremamente atraentes e que se tornam ligadas uma à outra, complicam tudo. Um belíssimo filme político de Bertolucci, embalado numa fotografia descomunal de Vittorio Storaro.
Itália/ França/ Alemanha Ocidental. Direção e roteiro: Bernardo Bertolucci, baseado em romance de Alberto Moravia. Elenco: Jean-Louis Trintignant, Stefania Sandrelli, Dominique Sanda.

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1 – O JARDIM DOS FINZI CONTINI (Il Giardino dei Finzi Contini)

De Sica mostra o fascínio de um jovem por uma família rica judia, enquanto o fascismo avança na Itália. É o registro de um idílio que vai se desfazendo, de uma ilha de beleza no meio de um mar de horror que a vai engolindo. O fascínio não é só pela família, mas pela bela mulher que, encastelada, não parece ver o que está acontecendo até ser tarde demais. Como a sociedade, aliás.
Itália/ Alemanha Ocidental. Direção: Vittorio de Sica. Roteiro: Ugo Pirro e Vittorio Bonicelli, além de, não creditados, Vittorio de Sica, Cesare Zavattini, Franco Brusati, Alain Katz, Tullio Pinelli e Valerio Zurlini, baseado no livro de Giorgio Bassani. Elenco: Lino Capolichio, Dominique Sanda, Fabio Teste, Helmut Berger.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

MULHER-MARAVILHA 1984
⭐½
Diário de Filmes 2021: 4

Não há nada de errado em um filme que pretenda ser leve, alegre, descompromissado, engraçado. Não é esse o problema do segundo filme solo da Mulher-Maravilha. Os problemas são o mau roteiro e a má direção. A nova aventura da princesa amazona estabelece contradições com que não consegue lidar, desdenha da inteligência do espectador e disfarça como humor vergonhas inaceitáveis da trama (como um poder de tornar as coisas invisíveis que, sem trocadilho, aparece do nada). Um esforçozinho em fazer as coisas um pouco mais inteligentes já melhoraria muito o filme. Do jeito que está, parece que apenas desejaram que fosse bom e pronto. Não funcionou.

Onde ver: cinemas, Now, Looke, Google Play, Apple TV, UOL Play, Vivo Play

WW84, 2019
Direção: Patty Jenkins. Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Kristen Wiig, Pedro Pascal.

FORREST GUMP, O CONTADOR DE HISTÓRIAS
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 3

O encanto irresistível de Forrest Gump permanece. A história de Forrest, o sujeito de inteligência limitada que por acaso vai tomando parte de momentos capitais da história dos EUA entre os anos 1950 e 1980, contrasta com a de Jenny, a garota que ele sempre amou. Forrest conhece presidentes, sobrevive à guerra, enriquece, mas só pensa nela e nos amigos, Ela corre atrás de todos os modismos tentando ficar famosa e nunca consegue.

Narrada em tom de fábula, dosando a maior parte do tempo o melodrama com a comédia, e de uma época em que o diretor Zemeckis usava efeitos especiais, mas era mais interessado em gente do que na técnica. Era um equilíbrio maravilhoso, que deu certo tantas vezes. Foi muito bom rever, mesmo que Sessão de Sábado da Globo, que criminosamente espremeu as 2h22 de filme em inacreditáveis 1h50.

Onde ver: DVD, blu-ray, Netflix, Telecine Play, Globoplay, Vivo Play, UOL Play, Apple TV

Forrest Gump, 1994
Direção: Robert Zemeckis. Elenco: Tom Hanks, Robin Wright, Sally Field, Gary Sinise.

A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATA
⭐⭐½
The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society, 2018
Direção: Mike Newell. Elenco: Lily James, Michiel Huisman, Penelope Wilton, Tom Courtenay.
Diário de Filmes 2021: 2

A direção é de Mike Newell, o que, em termos de filmes românticos ingleses, me leva logo à lembrança querida de Quatro Casamentos e um Funeral (1994). Passado no fim da II Guerra, mostra uma repórter e escritora visitando uma ilha inglesa que foi dominada pelos nazistas para saber da tal sociedade literária do título. Ela está de casamento marcado, mas lá vai conhecer um outro cara, etc. É simpático, mas não precisava ser tão óbvio. Mesmo a literatura demora a aparecer e aparece bem menos do que poderia.

Onde ver: Netflix.

10 – MARROCOS (Morocco)

Depois de O Anjo Azul na Alemanha, Marlene Dietrich e Joseph von Sternberg deram sequência à parceria em Hollywood. Marlene é magnética, protagoniza uma escandalosa sequência em que tasca um beijo numa moça, mas o filme não vai muito além disso, chegando a um final duro de engolir.
Estados Unidos. Direção: Joseph von Sternberg. Roteiro: Jules Furthman, baseado em peça de Benno Vigny. Elenco: Marlene Dietrich, Gary Cooper, Adolphe Menjou.

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9 – LÁBIOS SEM BEIJOS

Saído de Cataguazes para a Cinédia, no Rio, Humberto Mauro assumiu a direção deste drama romântico mudo, de história simples: garota se apaixona por rapaz com fama de Don Juan, depois de se desentenderem. Um equívoco de identidades faz a moça achar que ele se envolveu com a irmã dela. Imagens bonitas do Rio, em planos às vezes inspirados, como o vento na rua, na abertura.
Brasil. Direção: Humberto Mauro. Roteiro: Adhemar Gonzaga. Elenco: Lelita Rosa, Paulo Morano, Didi Viana.

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8 – A IDADE DO OURO (l’Age d’Or)

Segundo filme da parceria surrealista entre Luís Buñuel e Salvador Dalí, aqui eles já não se entenderam tão bem quanto em Um Cão Andaluz (1929). É mais linear, com ideias mais concatenadas, mas ainda visualmente instigante, embora muito longo para tanta viagem.
França. Direção: Luís Buñuel. Roteiro: Luís Buñuel e Salvador Dalí. Elenco: Gaston Modot, Lya Lys.

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7 – OS GALHOFEIROS (Animal Crackers)

A chegada do cinema falado poderia ser saudada só pela possibilidade dos filmes dos Irmãos Marx. Neste, o segundo, eles aprontam numa mansão onde há uma recepção a um explorador famoso e há o roubo de uma obra de arte. Ideias desconexas e humor demolidor. A música em homenagem ao Capitão Spaulding virou tema do quiz show de Groucho Marx na TV e, depois, revisitada em Todos Dizem Eu Te Amo (1996), de Woody Allen.
Estados Unidos. Direção: Victor Heerman. Roteiro: Morrie Ryskind, baseado em peça de Ryskind, George S. Kaufman, Bert Kalmar e Harry Ruby. Elenco: Groucho Marx, Harpo Marx, Chico Marx, Zeppo Marx, Lillian Roth, Margaret Dumont.

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6 – ASSASSINATO (Murder!)

Um dos primeiros filmes falados de Hitchcock, também é tido como o primeiro em que pensamentos de um personagem são ouvidos pelo espectador. A trama já é super Hitch: um integrante de um júri que condena uma acusada passa a investigar o caso antes que pode inocentar a moça antes que ele seja executada.
Reino Unido. Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Alma Reville, da adaptação de Alfred Hitchcock e Walter C. Mycroft, baseado em romance de Clemence Dane e Helen Simpson. Elenco: Herbert Marshall, Norah Baring, Phyllis Konstam.

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5 – TERRA (Zemlya)

O filme soviético celebra o esforço coletivo de uma comunidade rural de se manter enquanto isso desagrada a poderosos vizinhos donos de terras. Há momentos visuais poderosos, de contemplação de paisagens da natureza e paisagens do rosto humano. Além de momentos dramaticamente fortes, como os camponeses urinando no trator recém adquirido que parou no meio da estrada e precisa de água. E a nudez da moça enlutada pelo noivo, líder assassinado. Coisas de que a censura não gostou.
União Soviética. Direção e roteiro: Aleksandr Dovzhenko. Elenco: Stepan Shkurat, Semyon Svashenko, Yelena Maksimova.

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4 – A PATRULHA DA MADRUGADA (The Dawn Patrol)

É o filme que Anjos do Inferno queria ser. Howard Hawks já coloca no centro sua trama recorrente de heróis profissionais que fazem seu trabalho a todo custo, seja qual for o risco envolvido. Aqui, enquanto aviadores arriscam o pescoço em missões suicidas, seu comandante sofre pela responsabilidade e pressão terrível de mandá-los sabendo que muitos não voltarão. Hawks brilhante nas cenas de ação e no drama.
Estados Unidos. Direção: Howard Hawks. Roteiro: Dan Totheroh, Howard Hawks e Seton I. Miller, baseado na história de John Monk Saunders. Elenco: Richard Barthelmess, Douglas Fairbanks Jr., Neil Hamilton.

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3 – SEM NOVIDADES NO FRONT (All Quiet on the Western Front!)

A I Guerra vista pelo lado de jovens alemães idealistas que se alistam, mas só encontram miséria, sofrimento e morte nos campos de combate. Ganhou o Oscar de melhor filme e chegou a ser censurado pelo contundente tom antibelicista. Fora isso, tem tomadas muito inspiradas, como o discurso patriótico em sala de aula, com uma parada imponente passando na rua, ao fundo. Ou a morte através do plano da mão que tenta alcançar uma flor.
Estados Unidos. Direção: Lewis Milestone. Roteiro: George Abbott, Del Andrews (adaptação), Maxwell Anderson (adaptação e diálogos), C. Gardner Sullivan (supervisão), Walter Anthony (não creditado) e Lewis Milestone (não creditado), baseado em romance de Eric Maria Remarque. Elenco: Louis Wolheim, Lew Ayres, John Wray.

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2 – O ANJO AZUL (Der Blaue Engel)

O encontro mágico entre Marlene Dietrich e o diretor Joseph von Sternberg na Alemanha, que rendeu outros seis filmes em Hollywood. Marlene interpreta Lola-Lola, a cantora de um espetáculo que vira o objeto de desejo e obsessão de um orgulhoso professor moralista. Eles se casam, a vida dele vai degringolando até perder completamente a dignidade. A combinação de ar desinteressado e pernas lendárias de Marlene já estavam aí definindo sua persona.
Alemanha. Direção: Josef von Sternberg. Roteiro: Carl Zuckmayer, Karl Vollmöller, Robert Liebmann e Josef von Sternberg (não creditado), adaptação do romance de Heinrich Mann. Elenco: Emil Jannings, Marlene Dietrich, Kurt Gerron.

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1 – SOB OS TETOS DE PARIS (Sous le Toits de Paris)

Na abertura, o filme começa mostrando telhados para depois descer sobre uma rua onde pessoas cantam até se deter sobre uma moça em uma porta. Um plano sequência antológico para 1930, um tempo do qual se fala muito das limitações que o som impunha à imagem naquele começo de cinema falado. O filme, na verdade, é parcialmente mudo, com cartelas, e parcialmente com diálogos sonoros e canções. As sacadas visuais contam com beleza a história de um vendedor de partituras que se apaixona por uma polonesa, mas é preso e ela fica dividida entre ele e o melhor amigo.
França. Direção e roteiro: René Clair. Elenco: Albert Préjean, Pola Illéry, Edmond T. Greville.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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