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A seguir, os meus melhores filmes de 2016, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, como em todo ano, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

O número de filmes em cartaz em João Pessoa explodiu em 2016: foram 258 estreias contra as 163 de 2015 e 164 de 2014. O recorde anterior, desde 2006, ano em que o Boulevard começou a fazer esse acompanhamento, havia sido 165 em 2007. Os motivos determinantes para esse aumento são a inauguração do novo Cine Banguê, que vem servindo filmes que não passam nos demais cinemas, e alguma diversidade no Cinépolis e no Cinespaço.

THE REVENANT

1 – O REGRESSO, de Alejandro González Iñarritu

Iñarritu é um diretor que arrisca muito em suas narrativas, nem sempre com sucesso. Mas quando acerta, entrega coisas belas como este O Regresso, a jornada selvagem e espiritual de um homem em busca de outro que o deixou para morrer, aós ter sido atacado por um urso. A interpretação visceral de Leonardo DiCaprio foi, com toda a justiça, premiada com o Oscar, o Globo de Ouro, o SAG e o Bafta. Crítica no Boulevard

Elle - 03

2 – ELLE, de Paul Verhoeven

Isabelle Huppert matadora, para variar, em um filme desconcertante e doentio – Paul Verhoeven sendo Paul Verhoeven. Isabelle é uma mulher fria e cerebral que é estuprada dentro de casa por um mascarado e lida ao seu modo com a possibilidade de um novo ataque.

Aquarius - 06

3 – AQUARIUS, de Kléber Mendonça Filho

Sônia Braga é a única moradora que restou em um antigo prédio que uma construtora quer demolir. Mas ela luta pelo direito de preservar suas memórias afetivas. Uma bela defesa de que coisas – como discos ou um apartamento – podem não ser apenas “coisas”.

Zootopia - 06

4 – ZOOTOPIA – ESSA CIDADE É O BICHO, de Byron Howard e Rich Moore

No que parecia apenas mais uma sátira de bichinhos se comportando como seres humanos, desenrola-se uma imaginação bem cuidada de como seria essa cidade levando-se em consideração as características dos animais antropomorfizados, uma história policial instigante e uma crítica surpreendente e dura aos preconceitos de quem se acha o mocinho.

Spotlight - 01

5 – SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS, de Tom McCarthy

Com uma história que tinha tudo para mergulhar no melodrama, essa trama que conta a investigação jornalística que expôs o escândalo de pedofilia da Igreja de Boston é contida e precisa em sua narrativa. Crítica no Boulevard

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6 – CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL, de Anthony Russo e Joe Russo

Um filme de super-heróis que reflete sobre si mesmo, sobre o gênero e seus personagens. E coloca os dois personagens principais do universo cinematográfico da Marvel com o peso dramático acumulado em todos estes anos e filmes.

Bruxa - 03

7 – A BRUXA, de Robert Eggers

Famílias isoladas à mercê do sobrenatural não são exatamente uma novidade, mas este filme consegue imprimir um clima opressor e tanto. Crítica no Boulevard

Cinco Gracas - 03

8 – CINCO GRAÇAS, de Deniz Gamze Ergüven

Cinco irmãs jovens e cheias de vida vítimas de um tio que as prende em casa e as obriga a casamentos arranjados. O filme nos leva a procurar tanto quanto elas uma saída.

Filho de Saul - 03

 

9 – FILHO DE SAUL, de Lázló Nemes

Filmado quase todo em close, é uma experiência que nos faz acompanhar de perto o drama pesado e doloroso de um homem que tenta impedir que o filho morto seja incinerado pelo nazistas. Ao menos isso.

ARRIVAL

 

10 – A CHEGADA, de Denis Villeneuve

Uma ficção científica que recusa a pirotecnia e celebra o poder da comunicação. Denis Villeneuve evoca o Spielberg de Contatos Imediatos do Terceiro Grau.

+ 10: A Grande Aposta, de Adam McKay; Deadpool, de Tim Miller; Mia Madre, de Nanni Moretti; Café Society, de Woody Allen; Sully, o Herói do Rio Hudson, de Clint Eastwood; Rogue One – Uma História Star Wars, de Gareth Edwards; Star Trek – Sem Fronteiras, de Justin Lin; Carol, de Todd Haynes; Jogo do Dinheiro, de Jodie Foster; Animais Fantásticos e Onde Habitam, de David Yates.

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MAIS RETROSPECTIVA 2016:

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“Moana – Um Mar de Aventuras” (2016)

4 – MOANA – UM MAR DE AVENTURAS

por Renato Félix

Em determinado momento de Moana – Um Mar de Aventuras, o semideus polinésio Maui a chama – com desdém – de princesa. “Não sou uma princesa”, ela retruca. “É a filha do chefe, é a mesma coisa”, rebate ele, e emenda: “Se usa um vestido e tem um bichinho de parceiro, é uma princesa”. A personagem-título de sua nova animação é mais uma tentativa da Disney de dar um passo à frente na modernização do conceito de “princesa”, um patrimônio cultural e de marketing do estúdio desde Branca de Neve, em 1937.

Moana não é uma princesa decorativa: é treinada para um dia governar. Desafia o pai o tempo todo no seu contrasenso de comandar um povo da Polinésia e ter medo do mar. Um dia, o destino faz a menina navegar como seus antepassados para encontrar Maui e reverter uma maldição que chega à sua ilha.

Se em A Princesa e o Sapo (2009), a princesa resiste ao romance por aspirações profissionais (mas se rende no decorrer do filme), se em Valente (2012) a princesa rejeitava seus pretendentes, e se em Frozen (2013) o príncipe se revelava o vilão (e o verdadeiro interesse amoroso estava em segundo plano), nesta progressão agora não há qualquer sinal de príncipe encantado à vista. A relação entre Moana e Maui está mais para irmão mais velho/ irmã caçula.

Mas mesmo com esse esforço de modernização, em termos de narrativa ainda é difícil não relacionar motivações e parte da jornada de Moana às de outras princesas Disney, como Ariel, de A Pequena Sereia (1989, dos mesmos diretores John Musker e Ron Clements) ou Belle, de A Bela e a Fera (1991).

Como Ariel, Moana tem curiosidade pelo mundo além das fronteiras do seu, mas é tolhida pelo pai. As duas possuem, ainda no primeiro terço de seus filmes, uma canção de “eu anseio por mais”, assim como outras princesas Disney. Foi “Part of your world” para Ariel em A Pequena Sereia, “Almost there” para Tiana em A Princesa e o Sapo (outro Musker-Clements), “When will my life begin?” para Rapunzel em Enrolados (2010), e é “How far I’ll go” em Moana.

É uma bela canção (que está indicada ao Oscar) de uma bela trilha, que reflete um cuidado da produção ao trabalhar com a cultura local. As canções ficaram a cargo de uma parceria entre o letrista novaiorquino Lin-Manuel Miranda e o músico Opetaia Foa’i. Dos números musicais, o melhor é “You’re welcome”, em que Maui (Dwayne Johnson no original; o cantor de musical Saulo Vasconcellos, na versão brasileira) bravateia seu heroísmo, com ótimos recursos visuais.

O visual arrebatador é um dos pontos em que Musker e Clements mostram a competência de sempre. Assim como no carisma dos personagens e um humor que sobrevive a certos atalhos fáceis e desnecessários do roteiro, como os bichinhos que não contribuem em nada para a trama (apesar de o galo burro ser ocasionalmente engraçado). Ou como o mar “vivo” que ajuda a heroína, que sempre parece um recurso forçado (embora também tenha ocasionalmente sua graça).

Aliás, a relação de Moana com o mar podia ser mais próxima na introdução da história. Embora ela seja naturalmente atraída por ele e, além disso, seja “a escolhida” desde bebê para reverter a maldição, não há nenhuma cena da garota em intimidade com o mar, mesmo morando em uma aldeia à beira-mar. Nem um simples mergulho.

No fim, Musker e Clements, oriundos das animações feitas à mão, fazem uma estreia muito boa na animação digital. É uma pena, somente, que isso signifique mais uma pá de cal nos longas feitos à mão, que renderam vários dos melhores exemplares do gênero. O último longa para o cinema a sair da própria Disney foi justamente A Princesa e o Sapo, já há seis anos.

Moana – Um Mar de Aventuras. Moana. Estados Unidos, 2016. Direção: John Musker, Ron Clements. Vozes na dublagem original: Auli’i Cravalho, Dwayne Johnson, Rachel House. Vozes na dublagem brasileira: Any Gabrielly, Saulo Vasconcelos, Saulo Javan, Mariana Elisabetsky. No cinema (Cinespaço MAG). Revisão.

Coluna Cinemascope (#10). Correio da Paraíba, 23/11/2016.

Jaws

“Tubarão” (1975)

Antes e depois deles

por Renato Félix

Um dia desses debati com um amigo sobre o fato de Pulp Fiction (1994) ter ou não mudado a história do cinema. Ele achando que sim, eu que não. O filme de Tarantino sem dúvida tem grandes qualidades como cinema, foi a afirmação de um esteta, reprocessou muita coisa, mas isso não é mudar a história. Isso é para pouquíssimos filmes.

É uma afirmação para ser usada, por exemplo, para Viagem à Lua (1902), de George Méliès. O curta que usou os parcos recursos técnicos da época para fazer o espectador viajar ao espaço. Não só afirmou que o caminho maior do cinema seria ali pela fantasia como inaugurou a ficção científica no cinema.

É também para ser atribuído a O Nascimento de uma Nação (1915), de D.W. Griffith, que praticamente instituiu uma gramática da linguagem cinematográfica. Ou O Encouraçado Potemkin (1925), de Sergei Eisenstein, o pilar da edição soviética, que mostrou que a montagem podia ser usada para mais do que emendar uma cena na outra: mas para criar ideias a partir da união das imagens.

Também entra aí Roma, Cidade Aberta (1945), de Roberto Rossellini, que inaugurou o neo-realismo italiano e levou o cinema pra rua, para fora dos estúdios, e levou atores não profissionais para dentro do cinema. Em 1960, Acossado, de Jean-Luc Godard, abriu o leque do conceito de montagem, apostando no salto das imagens.

Branca de Neve e os Sete Anões (1937) criou um novo mercado: os longas de animação. E Toy Story (1995), a animação por computador, que dominaria o gênero. Sem esquecer de Tubarão (1975), que instituiu o conceito de blockbuster. Esses, sim, mudaram o cinema.

FOTO: Tubarão (1975)

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Aqui vamos para mais uma lista de títulos nacionais esdrúxulos. Essa é a referente aos lançamentos nos cinemas pessoenses em 2014. Evidente que o post não está em questão a qualidade dos filmes e nem sendo bobo de exigir 100% de fidelidade à tradução literal. Cada caso é um caso, como vemos a seguir.

1. Walt nos Bastidores de Mary Poppins – O título original, Saving Mr. Banks, tem íntima ligação com a trama de Mary poppins e as motivações de P.L. Travers para escrever a história – o que, afinal, é o mote principal do filme. Chamar o título por Disney, porque seria mais “familiar” ao espectador (ou pra puxar a sardinha para a “casa”, já que o filme é da própria Disney), já é ruim, mas toda essa construção “nos Bastidores de Mary Poppins” é péssima. Ainda mais porque esses “bastidores” se resumem ao processo de adaptação do roteiro e composição das músicas. O título resultou enorme, esquisito, desconjuntado. Tudo errado, tudo errado.

2. O Físico – O personagem principal não é físico, nem é um marombado. É médico, que é o que “physician” significa. Esse é da Imagem Filmes.

3. Débi & Lóide 2 – Débi & Lóide – Dois Idiotas em Apuros deve ser o único caso de um filme que tem duas “partes 2”. Entenda a confusão: o primeiro filme (Dumb & Dumber, no original, ou “burro e mais burro”) é de 1994. Em 2003, foi lançado Dumb and Dumberer – When Harry Met Lloyd (“Burro e ainda mais burro: quando Harry conheceu Lloyd”), um prelúdio sem o elenco original e que aqui virou Debi & Lóide 2 – Quando Débi Conheceu Lóide. Aí, eis que em 2014 Jim Carrey e Jeff Daniels voltam aos personagens. E o título brasileiro da nova continuação, a – na prática – parte 3, o segundo da Imagem Filmes na lista, ignora na cara dura o filme anterior. O original, que faz um trocadilho com o número dois, mas não o usa explicitamente (Dumb and Dumber To), dribla esse problema.

4. O que Será de Nozes? – O protagonista é um esquilo, claro. Esse é do tipo que o cara diz e cutuca o outro com o cotovelo, dizendo: “Hein? Hein?”. Para ser justo, suponho que o original também seja um trocadilho: The Nut Job (de “nose job”, que é como chamam as cirurgias plásticas no nariz). Mesmo assim. Da Diamond Films.

5. Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola – O original significa “Um milhão de maneira de morrer no Oeste”. Mas é uma comédia, então temos que ser engraçados já no título, não é? Obra da Universal.

6. Uma Juíza sem Juízo – Desculpe o meu francês, mas acho que o título original quer dizer “empreendimento de 9 meses”, referindo-se à gravidez inesperada da juíza protagonista do filme. Mas é uma comédia, então (ver o número 4)… Esse é da Mares Filmes.

7. November Man – Um Espião Nunca Morre – O que é um “november man”? Não estou certo, mas como Pierce Brosnan faz um espião que já não é um menino, suponho que seja uma metáfora com o ano no fim. Bom, em português a expressão não faz o menor sentido. Para que deixá-la no título, PlayArte?

8. Transcendence – A Revolução – Outro caso em que a tradução ficou “muito difícil”. Transcendence e não “Transcendência”. Pior é que Portugal nem pra me ajudar aqui: lá também ficou Transcendence com um subtítulo: A Nova Inteligência. Pelo menos é melhor que o nosso, da Diamond.

9. Operação Big Hero – O título original da animação da Disney é o nome do grupo de super-heróis que é formado no filme. O nacional leva “big hero”, sem traduzir (é “grande herói”, muito difícil), a se referir apenas ao robô inflável da história.

10. Hércules – O problema não é o filme se chamar Hércules. O problema é ter dois no mesmo ano com o mesmíssimo título. O primeiro, lançado no começo do ano, no original é “A lenda de Hércules”. O segundo é só Hercules, mesmo, mas no Brasil o outro havia sido lançado há pouco tempo. Custa não confundir o espectador? Aliás, registre-se que o segundo filme é uma continuação da história clássica do semideus grego, com uma trama original. Se chamar só de Hércules, como se fosse a trama clássica dos doze trabalhos e tal, é meio pegadinha. O primeiro é da Diamonds, sua terceira aparição na lista; o segundo, da Paramount.

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RETROSPECTIVA 2014:
Eleição Melhores do Ano
Meus melhores do ano
Musas/ Cinema em 2014
50 filmes que não passaram nos cinemas de João Pessoa em 2014

O Dia dos Pais foi domingo, mas a lista ainda vale: dez grandes pais no cinema. A quem observar que alguns na lista não são pais biológicos, me adianto: não me importa.

Kramer vs Kramer - 04

Justin Henry e Dustin Hoffman, em “Kramer vs. Kramer”

10 – TED KRAMER, Dustin Hoffman em Kramer vs. Kramer (1979)

Abandonado pela mulher, Ted precisa se redescobrir como pai: não só aprendendo a cuidar do filho, mas também a se conectar emocionalmente com a criança. O título diz respeito tanto a uma batalha posterior pela custódia quanto à convivência entre pai e filho.

Natal-felicidade

James Stewart e Donna Reed em “A Felicidade Não Se Compra”

9 – GEORGE BAILEY, James Stewart em A Felicidade Não Se Compra (1946), de Frank Capra

A vida fez George abdicar de seus sonhos de aventuras e viagens pelo mundo. Em seu pior momento, um anjo mostra o que ele teria a perder se não existisse – como seus quatro filhos.

Retorno de Jedi-33

Mark Hamill e David Prowse, em “O Retorno de Jedi”

8 – DARTH VADER, David Prowse e voz de James Earl Jones em O Retorno de Jedi (1983), de Richard Marquand

Ok, a grande frase “Não, Luke. Eu sou seu pai” é do filme anterior, O Império Contra-Ataca (1980), mas é no terceiro filme da trilogia original de Guerra nas Estrelas onde a relação pai-filho se desenvolve: Luke Skywalker vai ao encontro de Darth Vader para sua missão mais difícil: tentar resgatá-lo do lado negro da Força.

Menina de Ouro

Clint Eastwood e Hilary Swank em “Menina de Ouro”

7 – FRANKIE DUNN, em Menina de Ouro (2004), de Clint Eastwood

Velho dono de uma academia, Frankie não quer treinar a iniciante boxeadora Maggie. Quando acaba cedendo contrariado, pouco a pouco ela ocupa o lugar da filha de quem Frankie está afastado há tanto tempo.

Vida E Bela - 08

Roberto Benigni e Giorgio Cantarini em “A Vida É Bela”

6 – GUIDO, em A Vida É Bela (1997), de Roberto Benigni

Em um campo de concentração nazista, Guido faz de tudo para que seu filho pequeno não perceba o ambiente de atrocidades que os rodeia. Vai criando fantasias e jogos e se mantém firme. Até o fim.

FINDING NEMO, Nemo, Marlin, 2003, (c) Walt Disney/courtesy Everett Collection

“Procurando Nemo”

5 – MARLIN, voz de Albert Brooks em Procurando Nemo (2003), de Andrew Stanton

Traumatizado com uma tragédia pessoal, Marlin supera todos os seus medos para cruzar o oceano em busca do filho sequestrado. Enfrenta tubarões, pega carona em tartarugas-marinhas, escapa de ser engolido por uma baleia. E supera seu maior medo: deixar o filho enfrentar o mundo.

Sol E para Todos - 22

Mary Badham e Gregory Peck em “O Sol É para Todos”

4 – ATTICUS FINCH, em O Sol É para Todos (1962), de Richard Mulligan

É pelo olhos de seus filhos que assistimos ao advogado viúvo Atticus Finch defender um negro da acusação de estupro em uma cidade racista. Scout, que narra o filme como uma memória de adulta, e Jem vivem dias de amadurecimento sob a orientação do personagem eleito pelo AFI o maior herói do cinema americano.

Poderoso Chefao - 27

Al Pacino e Marlon Brando, em “O Poderoso Chefão”

 

3 – VITO CORLEONE, em O Poderoso Chefão (1972), de Francis Ford Coppola

“Um homem que não passa tempo com sua família pode nunca ser um homem de verdade”. “Eu trabalhei a minha vida inteira, eu não me desculpo por isso, para cuidar da minha família. E eu me recusei a dançar para todos aqueles figurões. Essa é a minha vida, eu não me desculpo por isso”. São palavras de Don Vito Corleone, um gangster, mas um pai capaz de desejar uma vida fora do crime para seu filho Michael ou de comover ao chorar perante o corpo do filho Sonny.

Ladroes de Bicicleta-05

Lamberto Maggiorani e Enzo Staiola em “Ladrões de Bicicleta”

2 – ANTONIO RICCI, em Ladrões de Bicicleta (1948), de Vittorio de Sica

Uma das obras máximas do neo-realismo italiano é uma história de pai e filho. Antonio precisa da bicicleta para trabalhar, mas ela é roubada. Ele percorre Roma com o filho Bruno na tentativa de encontrá-la. Eles se apoiam e se estranham, mas ninguém é imune ao momento em que ele desaba na frente do garoto e a relação dos dois é redefinida.

Antes do primeiro colocado, algumas menções honrosas: Clayton Poole, Jerry Lewis em Bancando a Ama-Seca (1958); Daniel Hillard, Robin Williams em Uma Babá Quase Perfeita (1993); Henry Jones, Sean Connery em Indiana Jones e a Última Cruzada (1989); Thomas Dunson, John Wayne em Rio Vermelho (1948); Mustafa, voz de James Earl Jones em O Rei Leão (1994); Ed Bloom, Ewan McGregor e Albert Finney em Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (2003); Adam Trask, Raymond Massey em Vidas Amargas (1955); Shukichi Hirayama, Chisu Ryu em Era uma Vez em Tóquio (1953), de Yasujiro Ozu

Garoto-03

Jackie Coogan e Charles Chaplin, em “O Garoto”

1 – CARLITOS, em O Garoto (1921), de Charles Chaplin

Um garoto quebra uma vidraça. Logo depois, “por coincidência”, surge na rua um vidraceiro pronto para fazer o conserto e, claro, receber por ele. O vidraceiro é Carlitos. Logo se vê que o garoto, claro, está com ele. Tão desprotegido quanto o próprio vagabundo, que o encontrou ainda bebê, abandonado numa lixeira, e o criou (a seu modo). Chaplin amava tanto à comédia quanto o melodrama e que cena quando o serviço social vem arrancar o filho de seus braços, em imagens inundadas de lágrimas e amor.

Procurado Dory, a continuação de Procurando Nemo (2003), ganhou seu primeiro teaser trailer nacional (não sei qual a diferença desse pra um trailer mesmo). A animação segue um deslumbre, mas tudo ainda tem cara de repetição. Vamos ver. O filme, agora, é centrado na busca da peixinha que vive com falta de memória pela família que um dia esqueceu e da qual agora lembrou. Estreia no Brasil em 30 de junho.

A seguir, os meus melhores filmes de 2015, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, como em todo ano, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

– 163 filmes estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa em 2014 (419 estrearam no Brasil, segundo o levantamento da Abraccine). É um a menos que no ano passado, pertinho do recorde de 2007 (165), marca de antes do fechamento do primeiro multiplex do MAG. O Boulevard faz esse acompanhamento desde 2006.

– A participação do cinema brasileiro foi de 25,76% dos filmes em cartaz, só um pouco menor que no ano passado, quando chegou a 26,8%, melhor marca desde que começamos a contar. Em números brutos, são 42 este ano contra 44 em 2014. Em 2013, foram 32.

Divertida Mente

Raiva, Nojinho, Alegria, Medo e Tristeza: confusão de sentimentos

1 – DIVERTIDA MENTE, de Pete Docter

A Pixar deu uma aula de emoção dentro da mente de uma pré-adolescente. Acompanha ao mesmo tempo a vida dessa menina cujo mundo vira de cabeça para baixo quando a família se muda de cidade e suas emoções básicas personificadas. Tudo vira uma bagunça quando a Alegria e a Tristeza somem da sala de comando. O lance genial é justamente descobrir a beleza e a importância da Tristeza na vida de todos nós. Crítica no Boulevard

Que Horas Ela Volta

Camila Mardila e Regina Casé: filha e mãe que pensam diferente

2 – QUE HORAS ELA VOLTA?, de Anna Muylaert

Conseguiu combinar algo dificílimo no cinema brasileiro: a crítica social e o drama de personagens que conquistam o espectador. Regina Casé lembra a grande atriz que é como a Val, empregada em uma casa rica, que recebe a filha que vai prestar o vestibular. A outra mentalidade da moça, que não se acha inferior a ninguém, sacode a vida de patrões e empregados e ajuda o filme a colocar em xeque uma herança social incômoda . Crítica no Boulevard

Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorancia

Michael Keaton e a sombra dele mesmo o atormentando

3 – BIRDMAN (OU A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), de Alejandro González Iñarritu

O falso plano-sequência único (construído a partir de diversos planos-sequência de verdade e efeitos visuais) é de embasbacar. Mas além disso o filme transpira a angústia de seu protagonista e possui grandes interpretações de todo o elenco (Michael Keaton, Edward Norton e Emma Stone à frente) para um mergulho na necessidade e perigos de fazer arte.

Daisy Riodley, John Boyega (e BB8): filme confia (e faz bem em confiar) nos novos personagens

Daisy Ridley, John Boyega e BB-8 sustentam muito bem o filme

4 – STAR WARS – O DESPERTAR DA FORÇA, de J.J. Abrams

Com cerca de meia hora já adentradas do episódio VII de Guerra nas Estrelas, o espectador pode se dar conta de que nenhum dos personagens clássicos apareceu ainda e ele está acompanhando apenas as aventuras do novos rostos da série (Daisy Ridley, John Boyega, Adam Driver e, claro, o andróide BB-8). Um início corajoso que compensa muito uma rendição excessiva à trilogia original na repetição de certas situações. No fim, há um equilíbrio admirável entre essa herança que nos fez esquecer a trilogia-prelúdio e esperar ansiosamente pelo que o futuro reserva. Crítica no Boulevard

Mad Max - Estrada da Fúria-08

5 – MAD MAX – ESTRADA DA FÚRIA, de George Miller

É incrível pensar que, 30 anos depois, a franquia Mad Max voltaria com o mesmo diretor e uma disposição de se reinventar radicalmente. Semelhante ao segundo filme, o personagem principal é metido em uma situação onde ele é quase testemunha: a fuga de mulheres usadas como reprodutora pelo líder de uma cidade que detém o poder através da posse de um líquido precioso. O que nos anos 1980 era a gasolina, refletindo a crise do petróleo, agora é água. As fugitivas são lideradas por uma feroz Charlize Theron com um braço só. A trama se resume a uma gigantesca fuga sobre rodas pelo deserto, uma estilizada ode ao movimento com o visual alucinado do qual Miller é mestre. Diário de filmes no Boulevard

Pequeno Principe-2015-05

6 – O PEQUENO PRÍNCIPE, de Mark Osborne

Em geral, a decisão de dividir a história original com uma atual, sobre uma garotinha adultizada pela mãe e que conhece seu vizinho, um velho aviador, seria de torcer o nariz. Mas a verdade é que a nova história se alimenta bem do conto de Saint Exupèry e visualmente o filme acerta muito ao separar a animação digital para a nova história e o stop-motion para a trama do livro. E ainda há trilha irrestistível, com canções de Camille.

Mistress America-12

7 – MISTRESS AMERICA, de Noah Baumbach

Em geral, a decisão de dividir a história original com uma atual, sobre uma garotinha adultizada pela mãe e que conhece seu vizinho, um velho aviador, seria de torcer o nariz. Mas a verdade é que a nova história se alimenta bem do conto de Saint Exupèry e visualmente o filme acerta muito ao separar a animação digital para a nova história e o stop-motion para a trama do livro. E ainda há a trilha irresistível, com canções de Camille.

Perdido em Marte

8 – PERDIDO EM MARTE, de Ridley Scott

Não é de hoje que Hollywood é fascinada com a paisagem marciana. E Scott não deixa de usar o que pode dessa paisagem em um filme que também se arrisca e acerta ao passar um tempo considerável apenas com Matt Damon em cena. O bom humor de seu personagem faz não só sua vida menos difícil como ajuda também o espectador nessa travessia.

 

Conto da Princesa Kaguya-04

9 – O CONTO DA PRINCESA KAGUYA, de Isao Takahata

A história da princesinha que nasce em um broto de bambu e é encontrada por um lavrador é contada por delicadeza ímpar nessa produção do Studio Ghibli. Um dos filmes mais bonitos do ano.

Ponte dos Espioes-10

10 – PONTE DOS ESPIÕES, de Steven Spielberg

No auge da guerra fria, o advogado de uma companhia de seguros é jogado dentro de uma trama em que precisa defender um espião soviético capturado nos EUA e depois negociar sua troca por outro, americano, preso na Alemanha Oriental. A recriação de um clima paranoico dos dois lados e descobrir a humanidade no “inimigo” são alguns dos méritos desse thriller.

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MAIS RETROSPECTIVA 2015

Houve um tempo em que se dizia que nenhuma continuação era superior ao original (só O Poderoso Chefão 2 – Parte 2O Império Contra-Ataca, o que sempre é discutível, mas era o que se dizia). Hoje já existem muitas partes 2 melhores que a parte 1, mas parece que sobre as partes 3 alguma maldição acontece. O senso comum costuma apedrejá-las (pergunte o que o pessoal acha de Homem-Aranha 3Homem de Ferro 3X-Men – O Confronto Final, por exemplo – em tempo: gosto dos três).

Então vamos a um top 10 de partes 3 que burlam isso aí. São filmes bem aceitos por público em geral e pela crítica e, às vezes, até melhores que o original.

"Star Wars – A Vingança dos Sith"

“Star Wars – A Vingança dos Sith”

10 – STAR WARS – A VINGANÇA DOS SITH (2005)

A segunda trilogia da série Guerra nas Estrelas é cheia de problemas e o próprio A Vingança dos Sith tem alguns bem sérios. Mas é inegável que também é bastante superior aos dois primeiros e possivelmente o único que realmente não faz feio com relação à trilogia original. RT: 80%.

"De Volta para o Futuro – Parte III"

“De Volta para o Futuro – Parte III”

9 – DE VOLTA PARA O FUTURO – PARTE III (1990)

Filmado simultaneamente com a parte II, tem uma diferença razoável com relação aos anteriores por se passar quase inteiramente no velho oeste. Acaba então se tornando uma deliciosa paródia do gênero. E faz isso muito bem, além de também cumprir muito bem o papel de encerrar a história. RT: 73%.

"O Ultimato Bourne"

“O Ultimato Bourne”

8 – O ULTIMATO BOURNE (2007)

Os dois primeiros filmes já são muito bons, mas o terceiro realmente fecha com chave de ouro a trilogia. Paul Greengrass está muito inspirado nas cenas de perseguição e de luta e no ritmo das revelações que vão aparecendo para elucidar a história do agente que, no primeiro filme, começa desacordado e perseguido por colegas sem saber o motivo. RT: 93%.

"Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban"

“Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”

7 – HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN (2004)

Para o terceiro filme da série, houve uma mudança de direção: saiu o burocrático Chris Columbus e entrou o mexicano Alfonso Cuarón, que imprimiu mudanças visíveis: reduziu muito o ar glamouroso e de conto-de-fadas da escola de bruxaria e nos brindou com a sequência antológica em que Harry fica frente a frente com Sirius Black e outra, a da volta no tempo. Nenhum filme que veio depois conseguiu superá-lo (talvez o sétimo dos oito, mas a discutir). RT: 91%.

"O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei"

“O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei”

6 – O SENHOR DOS ANÉIS – O RETORNO DO REI (2003)

A trilogia O Senhor dos Anéis foi filmada numa tirada só, mas a edição foi um de cada vez. Isso deve ter ajudado o diretor Peter Jackson a corrigir problemas a cada passo e controlar, por exemplo, sua tendência ao exagero. Ou isso, ou o exagero se justifica pelo clímax gigante que é o capítulo final da saga. RT: 95%.

"007 – Operação Skyfall"

“007 – Operação Skyfall”

5 – 007 – OPERAÇÃO SKYFALL (2012)

Ok, ok, sabemos que Skyfall é o 23º filme da série James Bond. Mas desde que 007 – Cassino Royale reiniciou a série em 2006, então podemos entender o filme como o terceiro dessa nova fase (fizemos isso também com A Vingança dos Sith, oras). E o sentimento foi de “até que enfim!”. Depois de um ótimo filme que tinha pouco do James Bond que o cinema consagrou e um segundo que nem era muito bom, nem era muito Bond, este conseguiu ser excelente e fazer Daniel Craig envergar bastante da autoparódia que acompanhava o agente desde Sean Connery. Além disso, há a fotografia sensacional de Roger Deakins e sacadas como colocar a M de Judi Dench como a principal bondgirl do filme. RT: 92%.

Indiana Jones e a Ultima Cruzada-26

“Indiana Jones e a Última Cruzada”

4 – INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA (1989)

Steven Spielberg achou o segundo filme da série muito sombrio (gente tendo o coração arrancado do peito… aquelas coisas), então caprichou na comédia em A Última Cruzada. O golpe de mestre foi escalar Sean Connery como o pai de Indy (fazia todo o sentido, já que de certa forma James Bond foi o “pai” de Indiana Jones). Como o original, aqui também tivemos uma corrida apostada contra os nazistas por um tesouro bíblico. RT: 88%.

"Toy Story 3"

“Toy Story 3”

3 – TOY STORY 3 (2010)

Parecia ser difícil superar o excelente segundo filme, de 1999. Além disso, o terceiro filme surgia sob a sombra de puro oportunismo (detentora dos direitos, a Disney ia tocá-lo sozinha quando a Pixar estava para deixar a parceria com o estúdio). Mas Pixar conseguiu surpreender e entregar, 11 anos depois, uma continuação melhor ainda, que vira um filme de prisão, chega no limite do suspense para um filme infantil e com um final de deixar o coração apertado. RT: 99%.

"Três Homens em Conflito"

“Três Homens em Conflito”

2 – TRÊS HOMENS EM CONFLITO (1966)

É a terceira parte da trilogia do Homem sem Nome, de Sergio Leone. Os anteriores – Por um Punhado de Dólares (1964) e Por uns Dólares a Mais (1965) – foram eclipsados por esta ciranda de trapaças e violências entre o bom (Clint Eastwood), o mau (Lee Van Cleef) e o feio (Eli Wallach). Seria o máximo do western spaghetti, não fosse Era uma Vez no Oeste (1968), do próprio Leone. RT: 97%.

"007 contra Goldfinger"

“007 contra Goldfinger”

1 – 007 CONTRA GOLDFINGER (1963)

Em Goldfinger, James Bond finalmente estava completo como o personagem que se tornaria um dos mais conhecidos do universo da ficção (muito mais do que na literatura). Os dois filmes anteriores contribuíram muito para isso (principalmente o segundo, Moscou contra 007, de 1963), mas aqui todos os elementos chegaram ao ponto ideal: um vilão megalomaníaco, capangas magistrais, bondgirls de tirar o fôlego, cenas antológicas (a beldade que morre folheada a ouro, o raio laser que corta a mesa em direção a 007) e a autoparódia, o não-se levar-muito-a-sério (no começo do filme, Bond sai do mar de escafandro e já tem um smoking por baixo). Ainda é o melhor dos até agora 23 filmes de Bond. RT: 96%.

Saiu o primeiro trailer do próximo filmes da Disney/ Pixar: O Bom Dinossauro. O filme parte da seguinte premissa: e se o meteroro que erradicou os dinossauros tivesse errado o alvo? O trailer é um clipe emotivo focando a amizade entre um dinossauro desengonçado e uma criança humana das cavernas. Parece meio convencional, por enquanto, mas a premissa dá pano pra manga. Mas depois de Divertida Mente, a responsabilidade é grande. É o longa filme de Peter Sohn dirigindo. A estreia no Brasil é 17 de dezembro.

Divertida Mente

Raiva (Léo Jaime), Nojinho (Dani Calabresa), Alegria (MIá Mello), Medo (Otaviano Costa) e Tristeza (Katiuscia Canoro): a sala de controle da mente está prestes a sair do controle

Sem borda - 05 estrelas

Roda viva de emoções

Na sala de controle da mente de uma menina de 11 anos, as emoções trabalham juntas para manter tudo sobre controle. Riley é uma criança feliz, então a Alegria domina a cena, secundada pela Raiva, o Nojinho e o Medo, enquanto a Tristeza é sempre deixada meio de escanteio, sem muito o que fazer. Mas a menina precisa enfrentar uma nova realidade, o que balança o coreto de suas emoções, que viram uma bagunça. É o tema de Divertida Mente (Inside Out, Estados Unidos, 2015), animação da Disney/ Pixar atualmente em cartaz.

Depois de alguns filmes meio no piloto automático, a Pixar entrega um filme no nível de excelência de Procurando Nemo (2003), Ratatouille (2007), Wall-E (2008) e Toy Story 3 (2010). Na direção, o mesmo Pete Docter que supera seus já ótimos Monstros S.A. (2001) e Up – Altas Aventuras (2009).

A imaginação do que acontece por dentro de Riley quando ela muda de Minnesota, onde viveu a infância, para uma desconhecida e a princípio problemática San Francisco, é nada menos que brilhante. É uma mudança difícil, para não dizer traumática.

Agora pense nos seus filhos: se tudo correr bem, as crianças são mesmo dominadas pela alegria em seus primeiros anos. Mas chega inevitavelmente o momento em que as coisas ficam confusas e é preciso encarar a tristeza por alguma coisa. Nós, claro, evitamos como podemos que a tristeza domine nossos pequenos. É dessa forma que a Alegria age no filme: ela nem mesmo entende por que a Tristeza está ali e, para evitar que Riley fique para baixo, a todo custo impede a Tristeza de fazer alguma coisa.

O filme, no fundo, é sobre isso: descobrir a importância (e até a beleza) da tristeza em nossas vidas. Entender que – apesar de querermos – ninguém é feliz sempre e ficar triste faz parte da vida, e uma parte importante. Como cenário está o momento de mudança dessa garota, em que sua personalidade (visível através das “ilhas” de honestidade, família, hóquei e bobeira) está mudando e as memórias de infância vão ficando para trás.

Crescer não é fácil pra ninguém, mas aqui isso é mostrado de maneira até épica (já que as escalas são maiores no mundo “dentro da mente”). Acidentalmente expulsas da sala de controle, Alegria e Tristeza precisam voltar com memórias fundamentais de Riley. Enquanto isso, as emoções da garota ficam confusas e a levam a atitudes extremas que ela não tinha antes. O que é mostrado em cenas grandiosas, como uma ilha de personalidade ruindo ou em detalhes como a cor do “céu” em sua mente.

A dupla passa pelo arquivo de memórias, a terra da imaginação, o trem do pensamento, a escuridão do subconsciente, os sonhos e pelas memórias que vão sendo apagadas para sempre. Tudo é orquestrado por um roteiro firme e ostentando um design elaborado.

Sem dúvida, é um filme que tem o mérito de não tentar agradar as crianças pelo caminho mais fácil. Embora não deixe de ter personagens fofinhos e cores vivas, ele não se acomoda no encantamento infantil e busca um “algo a mais” muito bem-vindo. Mesmo que o filme vá em direção àquele clímax grandiloquente já esperado da aventura, a resolução é inteligente e o conjunto é um primor.

E vale lembrar que a dublagem brasileira também faz um ótimo trabalho, com Miá Mello (Alegria), Katiuscia Canoro (Tristeza), Dani Calabresa (Nojinho), Léo Jaime (Raiva) e Otaviano Costa (Medo) sempre soando como personagens e nunca como celebridades contratadas.

Divertida Mente é uma animação que torna visíveis conceitos complexos e abstratos. Não possui romance ou vilões propriamente ditos. E mostra a incrível roda viva interna que todos nós acabamos sendo uma vez ou outra.

Divertida Mente. Inside Out. Estados Unidos, 2015. Direção: Pete Docter. Vozes na dublagem brasileira: Miá Mello, Katiuscia Canoro, Dani Calabresa, Otaviano Costa, Léo Jaime.

Top 5 - 11.21

Mais uma semana de votação, filmes de abril incluídos, e Capitão América 2 – O Soldado Invernal já entra em segundo no nosso ranking. Com média 4,142, está 0,191 atrás do líder, que ainda é O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese. A animação nacional O Menino e o Mundo subiu muito de média e chegou também ao top 5, empatado com o francês (de diretor iraniano) O Passado. É interessante notar a diferença de médias entre os volumes 1 e 2 de Ninfomaníaca: o primeiro tem 3,125; o segundo nem chega ao top 25, com 2,363.

Ao todo 36 filmes conseguiram o quórum mínimo até agora. A seguir, nosso top 25:

O Lobo de Wall Street – 4,333
Capitão América 2 – O Soldado Invernal – 4,142
Blue Jasmine – 4,055
O Menino e o Mundo – 4
O Passado – 4

12 Anos de Escravidão – 3,928
Frozen – Uma Aventura Congelante – 3,812
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho – 3,8
Azul É a Cor Mais Quente – 3,733
Tatuagem – 3,727

Sem Escalas – 3,5
Walt nos Bastidores de Mary Poppins – 3,4
Trapaça – 3,375
Uma Aventura Lego – 3,375
Eu, Mamãe e os Meninos – 3,25

RoboCop – 3,181
Ninfomaníaca – Volume 1 – 3,125
Caçadores de Obras-Primas – 3
Noé – 3
Uma Relação Delicada – 3

Confissões de Adolescente – 2,8
Divergente – 2,75
A Menina que Roubava Livros – 2,666
Frankenstein – Entre Anjos e Demônios – 2,6
Operação Sombra – Jack Ryan – 2,571

Os seis piores do ano até agora:

300 – A Ascensão do Império – 2
Rio 2 – 2
Atividade Paranormal – Marcados pelo Mal – 2
Muita Calma Nessa Hora 2 – 1,8
Pompeia – 1,5
S.O.S. – Mulheres ao Mar – 1,25

Cinco filmes estão com três notas, falta uma para o quórum: Caminhando com DinossaurosAs Aventuras de Peabody e ShermanNeed for Speed – O FilmeO Grande HeróiUm Amor em Paris.

A Flecha do Amor (Who Killed Cock Robin?, 1935)
Direção: David Hand. Produção: Walt Disney.
Indicado ao Oscar de curta de animação de 1936

Mais um título da série Sinfonias Ingênuas que, junto às similares dos outros estúdios, dominaram a premiação nesses primeiros anos da categoria no Oscar. No DVD da série, o próprio Walt Disney aparece explicando que a animação se baseia em versos infantis muito antigos e que acabaram perdendo um pouco o sentido. Aqui, vira um “desenho de tribunal musical”, onde os pássaros tentam descobrir quem matou Cock Robin com uma flechada. A parte mais divertida é a caricatura de Mae West.

Indicado ao Oscar 1936: O Dragão de Chita <<
>> Vencedor do Oscar 1937: Primo da Roça

A Tartaruga e a Lebre (The Tortoise and the Hare, 1935)
Direção: Wilfred Jackson. Produção: Walt Disney.
Vencedor do Oscar de curta de animação em 1935.

Com A Tartaruga e a Lebre, outra fábula, a série Silly Symphonies se tornou tricampeã do Oscar. Dizem que a lebre deste desenho inspirou o Pernalonga – realmente há bastante semelhança. Como sempre, nesta fase, a adaptação do conto-de-fadas é fiel, mas a Disney elabora o recheio: a principal distração da lebre, por exemplo, é uma escola para moças, onde ele fica se exibindo. A narrativa é muito bem pensada – veja o detalhe da reta de chegada, em que a “câmera” é sempre mais rápida que a tartaruga e não consegue acompanhar a lebre.  Os efeitos de velocidade eram, também, ainda uma novidade no campo da animação.

Indicado ao Oscar 1934: The Merry Old Soul <<
>> Indicado ao Oscar 1935: No Reino dos Anões

Arranhando o Céu (Building a Building, 1933)
Direção: David Hand. Produção: Walt Disney, John Sutherland.
Indicado ao Oscar de curta de animação em 1934.

Segunda indicação do Mickey Mouse, em um ambiente comum nas animações da primeira metade do século 20: o esqueleto de um edifício em construção, um possível reflexo da recuperação da economia americana na saída da grande depressão. Enquanto o camundongo (com voz original de Walt Disney) comanda uma escavadeira que possui rosto e expressões, Minnie aparece como vendedora de lanches para os operários. Bafo é o capataz. O curta segue a linha dos demais do ratinho: uma profusão de gags, uma atrás da outra, com a música ditando o ritmo e ainda em preto-e-branco.

Vencedor do Oscar 1934: Os Três Porquinhos <<
>> 
Indicado ao Oscar 1934: The Merry Old Soul

Os Três Porquinhos/ Os Três Leitõezinhos (Three Little Pigs, 1933)
Direção: Burt Gillett. Produção: Walt Disney.
Vencedor do Oscar de curta de animação de 1934.

Se a adaptação de contos-de-fadas são uma marca da Disney, estes foram os primeiros tempos, na série Sinfonias Ingênuas. O Technicolor fez de novo a diferença na versão mais conhecida dos porquinhos que constróem suas casas e o Lobo Mau que tenta derrubá-las. O curta imortalizou a canção “Who’s afraid of the Big Bad Wolf?” (“Quem tem medo do Lobo Mau?”) – quem não conhece? O desenho teve o papel de inspirar otimismo nas pessoas na época da grande depressão, e a canção se tornou um símbolo disso – diz o crítico e historiador Leonard Maltin. O desenho é ainda melhor quando se observa os detalhes: na casa do Prático, até o piano é de tijolos e o quadro na parede, do pai dos trigêmeos, mostra uma linguiça.

Indicado ao Oscar 1932: Pai de Órfãos <<
>> Indicado ao Oscar 1934: Arranhando o Céu

Pai de Órfãos (Mickey’s Orphans, 1931)
Direção: Burt Gillett. Produção: Walt Disney, John Sutherland.
Indicado ao Oscar de curta de animação em 1932.

Mickey em pessoa foi indicado pela primeira vez nesse curta em preto-e-branco, co-estrelado por Minnie e Pluto. Na época de Natal, eles encontram em sua porta um cesto com um bebê – um só não, uma ninhada, uma multidão de gatinhos endiabrados. A figura desconhecida que abandona os bebês no começo do desenho tem um tratamento triste, num desenho tão traquinas. A voz de Mickey, que havia sido criado há apenas quatro anos, é do próprio Walt Disney.

Indicado ao Oscar 1932: It’s Got Me, Again! <<
>> Vencedor do Oscar 1933: Os Três Porquinhos

Flores e Árvores (Flowers and Trees, 1932)
Direção: Burt Gillett. Produção: Walt Disney.
Vencedor do Oscar de curta de animação de 1932

É da série Silly Symphonies o primeiro Oscar para um curta de animação na História – ainda na época que o prêmio era para filmes lançado da segunda metade de um ano à primeira metade de outro. Primeiro desenho animado em Technicolor, o curta da Disney não deixa barato e aproveita bem seu enredo no uso das cores. A insistência pelo colorido foi do próprio Disney, já que a animação havia sido produzida originalmente em preto-e-branco. O desenho dá consciência a plantas, animais e, em um pequeno momento, até ao fogo, para contar um romance entre duas árvores. Mantém o charme até hoje. A atenção aos detalhes é uma marca que a Disney saudavelmente manteve – como os morcegos que saem da boca do tronco ranzinza que boceja.

>> Indicado ao Oscar 1932: It’s Got Me Again

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