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20 – ROCKETEER (The Rocketeer)

Filmes com super-heróis ou baseados em quadrinhos ainda eram raridade. Rocketeer é isso e ainda tem um sabor dos velhos seriados até com uma trama que se passa nos anos 1940. Delicinha carismática. Onde ver: Disney Plus.
Estados Unidos. Direção: Joe Johnston. Roteiro: Danny Bilson e Paul De Meo, com argumento de Bilson, De Meo e William Dear, baseado na graphic novel de Dave Stevens. Elenco: Billy Campbell, Jennifer Connelly, Timothy Dalton, Paul Sorvino.

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19 – A ARTE DE VIVER (Tui Shou ou Pushing Hands)

Primeiro filme de Ang Lee, super independente, financiado pelo governo de Taiwan através de um concurso, um veterano chinês que foi morar com o filho nos EUA e, sem falar inglês, tem dificuldades para se adaptar. Entre outras coisas, há um choque cultural forte com a nora americana. Sensível e leve, pegada que Lee teria ainda em seus próximos filmes (Banquete de Casamento e Comer, Beber, Viver). Onde ver: DVD digipack Trilogia Ang Lee.
Taiwan/ Estados Unidos. Direção: Ang Lee. Roteiro: Ang Lee e James Schamus. Elenco: Shihung Lung, Bozhao Wang, Deb Snyder, Lai Wang.

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18 – OS PESCADOR DE ILUSÕES (The Fisher King)

Terry Gilliam conta essa fábula, em que Jeff Bridges é um ex-DJ atormentado por um erro que cometeu e Robin Williams é um sem teto afetado por esse erro e que pensa que é um cavaleiro do Rei Arthur em busca do cálice sagrado. Bridges, então, ajuda Williams em uma jornada da própria redenção. Robin Williams estava em estado de graça naqueles anos. Saudades da Mercedes Ruehl. Onde ver: DVD, Google Play/ YouTube Filmes, Claro Vídeo, Apple TV/ iTunes.
Estados Unidos. Direção: Terry Gilliam. Roteiro: Richard Lagravenese. Elenco: Jeff Bridges, Robin Williams, Mercedes Ruehl, Amanda Plummer.

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17 – O APOCALIPSE DE UM CINEASTA (Heart of Darkness – A Filmmaker’s Apocalypse)

A odisseia das filmagens de Apocalypse Now, na Tailândia, foram registradas por Eleanor Coppola, esposa de Francis. Ela gravou, inclusive, desabafos do marido sem que ele soubesse. Um material valioso sobre uma produção tão acidentada (teve furacão, interferência do governo local, ataque cardíaco do ator principal, Marlon Brando aparecendo no set acima do peso e sem ter decorado nada) que resultou em um filme imediatamente aclamado. Onde ver: Belas Artes a la Carte.
Estados Unidos. Direção: Fax Bahr, George Hickenlooper, Eleanor Coppola. Roteiro: Fax Bahr e George Hickenlooper.

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16 – CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ 2½ (The Naked Gun 2½ – The Smell of Fear)

É incrível, mas essa continuação da maluquíssima comédia de 1988 resolveu trazer junto uma mensagem pela ecologia e sustentabilidade energética. Poderia ter colocado tudo a perder, mas à frente continuou a equipe do original e o elenco liderado por Leslie Nielsen, cada vez mais à vontade com a veia cômica descoberta em Apertem os Cintos! O Piloto Sumiu…, de 1980, de Zucker, seu irmão Jerry e Jim Abrahams). Onde ver: DVD, blu-ray Trilogia Corra que a Polícia Vem Aí, Google Play/ YouTube Filmes, Microsoft Store, Claro Vídeo, Apple TV/ iTunes.
Estados Unidos. Direção: David Zucker. Roteiro: David Zucker e Pat Proft, baseado na série de TV Esquadrão de Polícia. Elenco: Leslie Nielsen, Priscilla Presley, George Kennedy, O.J. Simpson, Robert Goulet, Richard Griffiths, Weird Al Yankovic, Zsa Zsa Gabor.

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15 – A FAMÍLIA ADDAMS (The Addams Family)

Diretor de fotografia de grande personalidade, Barry Sonnenfeld estreou em grande estilo na direção nessa adaptação de A Família Addams, que começou nos cartuns e já tinha virado série com atores e animação. O acerto começou no elenco brilhante, com uma escalação perfeita de Raul Julia, Anjelica Huston e Christopher Lloyd, e que revelou Christina Ricci, e segue pelo visual estiloso. Onde ver: DVD, Oi Play.
Estados Unidos. Direção: Barry Sonnenfeld. Roteiro: Caroline Thompson e Larry Wilson, baseado nos quadrinhos de Charles Addams. Elenco: Raul Julia, Angelica Huston, Christopher Lloyd, Christina Ricci.

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14 – NEBLINA E SOMBRAS (Shadows and Fog)

Woody Allen brinca de expressionismo alemão nessa kafkiana história do sujeito acordado no meio da noite para entrar em um grupo que caça um assassino. Mas ele não sabe o que deve fazer e, logo, acaba virando o principal suspeito. O elenco é estelar, falando diálogos de um Woody afiadíssimo. Onde ver: DVD, blu-ray, Apple TV/ iTunes.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Woody Allen. Elenco: Woody Allen, Mia Farrow, John Malkovich, Kathy Bates, John Cusack, Madonna, Julie Kavner, Lily Tomlin, Jodie Foster, Kenneth Mars, Donald Pleasence, John C. Reilly, William H. Macy.

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13 – TOMATES VERDES FRITOS (Fried Green Tomatoes)

São duas histórias de amizade feminina separadas no tempo, mas entrelaçadas. Kathy Bates, de vida infeliz, encontra conforto nos papos com a velhinha Jessica Tandy, que conta a história de carinho e apoio mútuo entre duas jovens que ela conheceu no passado. Há um romance entre elas no livro, que acabou sendo amenizado no filme, mas ainda assim há ternura, emoção e personagens cativantes. Onde ver: DVD, Apple TV/ iTunes, Google Play/ YouTube Filmes.
Estados Unidos. Direção: Jon Avnet. Roteiro: Fannie Flagg e Carol Sobieski, baseado em romance de Flagg. Elenco: Kathy Bates, Mary Stuart Masterson, Mary Louise Parker, Jessica Tandy, Cicely Tyson, Chris O’Donnell.

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12 – VOLTAR A MORRER (Dead Again)

Kenneth Branagh dirigiu seu segundo filme, já mostrando um gosto por variar os estilos. Depois do shakespeareano Henrique V, ele enveredou por um filme noir misturado com reencarnação que se passa em dois tempos. No presente, um detetive tenta ajudar uma moça sem memória. O mistério tem a ver com o passado, onde os dois aparecem como um compositor e sua esposa em uma relação marcada pelo ciúme. Branagh explora bem a química entre ele e a grande Emma Thompson, esposa dele na época. Onde ver: DVD, Amazon Prime Video.
Estados Unidos. Direção: Kenneth Branagh. Roteiro: Scott Frank. Elenco: Kenneth Branagh, Emma Thompson, Andy Garcia, Robin Williams, Derek Jacobi, Hannah Schygulla, Wayne Knight.

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11 – JFK – A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR (JFK)

Oliver Stone gosta de mexer nuns vespeiros e caprichou aqui. Usando imagens reais até então nunca vistas do assassinato de Kennedy (Jackie catando o cérebro do marido sobre o capô do carro, etc), o diretor adapta o livro do procurador Jim Garrison e sua investigação sobre o que havia sobre o caso que o governo não estava contando. Onde ver: DVD, blu-ray, Amazon Prime Video.
Estados Unidos/ França. Direção: Oliver Stone. Roteiro: Oliver Stone e Zachary Sklar, baseado nos livros de Jim Garrison e Jim Marrs. Elenco: Kevin Costner, Sissy Spacek, Gary Oldman, Tommy Lee Jones, Joe Pesci, Wayne Knight, Michael Rooker, Donald Sutherland, Jack Lemmon, Vincent D’Onofrio, Laurie Metcalf, Walter Matthau, John Candy, Kevin Bacon, Lolita Davidovich.

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10 – CABO DO MEDO (Cape Fear)

Scorsese refilmou Círculo do Medo (1962) e estendeu o tapete para Robert de Niro deitar e rolar. O papel é o de Max Cady, o psicopata que sai da prisão decidido a fazer um inferno na vida do advogado que não impediu sua prisão anos antes. Nick Nolte, Jessica Lange e Juliette Lewis são a família perfeita por fora e em pedaços por dentro que vai sendo enredada pelo predador. Lewis foi, aqui, uma revelação. E Scorsese, convidado por Spielberg para este filme, entrega um suspense mais comercial, mas temperado com seu estilo expressivo e improvisações (a cena entre De Niro e Lewis no auditório, por exemplo). Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play, Now, Oi Play, Claro Video, Google Play/ YouTube Filmes, Apple TV/ iTunes.
Estados Unidos. Direção: Martin Scorsese. Roteiro: Wesley Strick, baseado no roteiro anterior de James R. Webb e no romance de John D. MacDonald. Elenco: Robert De Niro, Nick Nolte, Jessica Lange, Juliette Lewis, Joe Don Baker, Robert Mitchum, Gregory Peck, Martin Balsam, Illeana Douglas.

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9 – A BELA INTRIGANTE (La Belle Noiseuse)

Quatro horas de projeção para a história de um pintor perseguindo sua obra-prima e duelando com sua modelo. Como se dá essa relação? Até que ponto a modelo é um instrumento moldável, um corpo à disposição do artista ou uma co-autora da obra? Incrível como o filme de Rivette não cansa, enclausurado por tanto tempo nesse ateliê. Uma das razões certamente é que o esperto diretor equilibra a alta discussão sobre arte com uma mundana obra de arte em si mesma, que é a nudez onipresente de Emmanuelle Béart, uma das mais lindas atrizes do seu tempo. Onde ver: DVD A Arte de Jacques Rivette.
França/ Suíça. Direção: Jacques Rivette. Roteiro: Pascal Bonitzer, Christine Laurent e Jacques Rivette, diálogos de Bonitzer e Laurent, baseado em romance de Honoré de Balzac. Elenco: Michel Piccoli, Emmanuelle Béart, Jane Birkin.

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8 – BOYZ N THE HOOD OS DONOS DA RUA (Boyz n the Hood)

John Singleton foi o primeiro diretor negro indicado ao Oscar. O filme foi esse, baseado em suas memórias sobre como é crescer em uma vizinhança pobre e violenta e tentar encontrar o caminho do futuro. Sem o rebuscamento visual de Spike Lee em Faça a Coisa Certa (1989), mais “cru” e direto, Boyz n the Hood derrubou muros e influenciou gerações. Onde ver: Netflix, Apple TV/ iTunes.
Estados Unidos. Direção e roteiro: John Singleton. Elenco: Cuba Gooding Jr., Ice Cube, Laurence Fishburne, Angela Bassett, Nia Long, Regina King.

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7 – JORNADA NAS ESTRELAS VI A TERRA DESCONHECIDA (Star Trek The Undiscovered Country)

Após o quinto filme não ter se saído bem, o diretor do ótimo segundo exemplar da série voltou ao leme e o tom de comédia foi reduzido em prol de uma metáfora direta e evidente do cenário político daqueles dias: o acidente nuclear de Chernobyl e a Glasnost de Gorbachev na União Soviética são representados pela aproximação entre klingons e a Federação de Planetas, velhos inimigos. Prestes a se aposentar, a tripulação da Enterprise é envolvida nesse momento diplomático delicado, precisando enfrentar velhos preconceitos e também sabotagens ao processo de paz. como despedida do elenco original, é emocionante. Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play, Google Play/ YouTube Filmes, Claro Video, Apple TV/ iTunes.
Estados Unidos. Direção: Nicholas Meyer. Roteiro: Nicholas Meyer e Denny Martin Flynn, a partir de argumento de Leonard Nimoy, Lawrence Konner e Mark Rosenthal, baseado na série de TV Jornada nas Estrelas. Elenco: William Shatner, Leonard Nimoy, DeForest Kelley, James Doohan, Walter Koenig, Nichelle Nichols, George Takei, Kim Catrall, Mark Lenard, Christopher Plummer, Grace Lee Whitney, Christian Slater, Iman.

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6 – O EXTERMINADOR DO FUTURO 2 O JULGAMENTO FINAL (Terminator 2 Judgment Day)

Schwarzenegger volta como o andróide futurista. Mas em 1991 ele já era um superastro então, em vez do vilão do primeiro filme, agora ele era o mocinho. ele vem do futuro com a missão de proteger o garoto que um dia será o líder da resistência humana contra o exército das máquinas. O segundo filme é, em tudo, várias escalas acima: na ação, na produção agigantada e no vilão, agora de “metal líquido”, um efeito especial que marcou uma geração. Onde ver: DVD, blu-ray, Netflix, Amazon Prime Video, Google Play/ YouTube Filmes, Microsoft Store, Apple TV/ iTunes.
Estados Unidos. Direção: James Cameron. Roteiro: James Cameron e William Wisher. Elenco: Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Edward Furlong, Robert Patrick.

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5 – THE COMMITMENTS LOUCOS PELA FAMA (The Commitments)

Sem rostos conhecidos, Alan Parker montou um time super carismático de atores-cantores e atores-músicos para contar a história de uma banda de soul da periferia de Dublin. Tem ótimo diálogos, é muito divertido e musicalmente é uma maravilha, numa seara onde Parker era um mestre, construindo cenas como a montagem de “Nowhere to run” com integrantes da banda ensaiando em lugares diferentes (entre as roupas de um varal, na carroceria de um caminhão, num frigorífico, num ônibus…). Onde ver: DVD.
Irlanda/ Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: Alan Parker. Roteiro: Dick Clement, Ian La Frenais e Roddy Doyle, baseado em romance de Doyle. Elenco: Robert Arkins, Angeline Ball, Maria Doyle Kennedy, Glen Hansard, Bronagh Gallagher, Johnny Murphy, Andrew Strong, Andrea Corr.

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4 – A BELA E A FERA (Beauty and the Beast)

Depois de um longo período meio no piloto automático, a Disney vivia seu renascimento e emplacou aqui a primeira animação indicada ao Oscar de melhor filme. O conto-de-fadas ganhou um trabalho de animação estonteante, foi um passo à frente na modernização de suas princesas (outros viriam) e soube usar muito bem um tom de terror e suspense (mas ainda adequado a crianças). E, musicalmente, tem muito do espírito de um musical da Broadway (não por acaso, foi parar depois nos palcos) e também momentos em que cita Busby Berkeley. Onde ver: DVD, blu-ray, Disney Plus.
Estados Unidos. Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise. Roteiro: Linda Woolverton, com argumento de Brenda Chapman, Chris Sanders, Burny Mattinson, Kevin Harkey, Brian Pimental, Bruce Woodside, Joe Ranft, Tom Ellery, Kally Asbury e Robert Lence, baseado em contos de Jeanne-Marie Leprince de Beaumont e Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve. Vozes na dublagem original: Paige O’Hara, Robby Benson, Angela Lansbury, Jerry Orbach, David Odgen Stiers. Vozes na dublagem brasileira: Ju Cassou, Garcia Junior, Maurício Luz, Ivon Cury.

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3 – LANTERNAS VERMELHAS (Dà Hóng Denglong Gaogao Guà)

Uma universitária chinesa nos anos 1920 é obrigada pelas circunstâncias a se casar com um homem rico e se torna sua quarta esposa. Na vila onde todos vivem, ela logo se vê em uma disputa de poder com as outras esposas e até com sua criada. Gong Li, deslumbrante, comanda as ações em uma personagem condenada a um cenário retrógrado ao qual não se adapta, embora se esforce. As mulheres são o epicentro do filme: o senhor marido só é visto de costas ou de longe. Onde ver: DVD.
China/ Hong Kong/ Taiwan. Direção: Zhang Yimou. Roteiro: Zhen Ni, baseado no romance de Tong Su. Elenco: Gong Li, Saifei He, Jingwu Ma.

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2 – O SILÊNCIO DOS INOCENTES (The Silence of the Lambs)

Anthony Hopkins tem 16 minutos em cena. Com eles, ganhou o Oscar de melhor ator e se tornou um ícone pop com o psicopata canibal Hannibal Lecter. Jodie Foster também venceu como Clarice Starling, a agente novata do FBI escalada para conseguir algumas informações dele na prisão para capturar outro serial killer. Mas, para isso, precisa encarar um jogo mental em que Hannibal tenta entrar na mente dela e fazê-la reviver dores do passado. O diretor Jonathan Demme vinha de duas comédias ótimas e meio maluquetes (Totalmente Selvagem, 1986, e De Caso com a Máfia, 1988). Virou a chave para este suspense em que as conversas entre Clarice e Lecter, sempre separados por um vidro, são tão ou mais importantes e aflitivas que o enfrentamento ao sequestrador assassino no escuro total. O Silêncio dos Inocentes é uma das únicas três produções a vencer os Oscars de filme, direção, ator, atriz e roteiro. E o último que conseguiu isso. Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play, Apple TV/iTunes, Google Play/YouTube Filmes.
Estados Unidos. Direção: Jonathan Demme. Roteiro: Ted Tally, baseado em romance de Thomas Harris. Elenco: Jodie Foster, Anthony Hopkins, Scott Glenn, Ted Levine.

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1 – THELMA & LOUISE (Thelma & Louise)

Mais importante que o destino é a viagem: uma tese clássica dos road movies. Thelma e Louise iam viajar para passar um fim de semana longe das aporrinhações. Encontraram a violência e o machismo. Encontraram também a si mesmas. Deslumbrante visualmente, cativante emocionalmente, impactante socialmente, Thelma & Louise mostra como é fácil a vida virar um inferno para as mulheres. Mas faz isso não sem dosar o drama e a ação com muito bom humor. Um coquetel dificílimo de equilibrar, mas que o roteiro de Callie Khouri e a direção de Ridley Scott montam com perfeição. Faz isso não sem mostrar como suas protagonistas pressionadas e perseguidas são apaixonantes e apaixonadas pela vida. Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play, Apple TV/iTunes.
Estados Unidos/ Reino Unido/ França. Direção: Ridley Scott. Roteiro: Callie Khouri. Elenco: Susan Sarandon, Geena Davis, Harvey Keitel, Michael Madsen, Christopher McDonald, Stephen Tobolowsky, Brad Pitt.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com ela inteira. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente. Esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

20 – BOM MOMENTO PARA UMA MOEDA (A Good Time for a Dime)

Depois de ser coadjuvante do Mickey de 1934 a 1938, Donald passou a “estar mais focado” na carreira solo. Era um personagem que provou segurar sozinho um curta animado, como este em que experimenta as diferentes atrações de um parque. O destaque é o surpreendente striptease da Margarida no nickelodeon da “Dança dos Sete Véus”. Onde ver: DVD Disney Treasures – Cronologia do Donald, YouTube (som original).
Estados Unidos. Direção: Jack King, Dick Lundy (não creditados). Roteiro não creditado. Voz na dublagem original: Clarence Nash.

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19 – UMA NOITE NO RIO (That Night in Rio)

Alice Faye e Don Ameche são os protagonistas dessa comédia de identidades trocadas, passada num Rio de Janeiro de fantasia. Mas o filme, até pela locação, foi feito para Carmen Miranda, em sua segunda produção em Hollywood. Ela canta quatro músicas e o diretor finalmente descobre como filmá-la, dando espaço para sua dança, em vez de “prendê-la” em closes. Onde ver: DVD, YouTube (dublado).
Estados Unidos. Direção: Irving Cummings. Roteiro: George Seaton, Bess Meredyth e Hal Long, com diálogos adicionais de Samuel Hoffenstein, adaptação de Jessie Ernst, baseado em peça de Rudolph Lothar e Hans Adler. Elenco: Alice Faye, Don Ameche, Carmen Miranda, S.Z. Sakall, Bando da Lua, Maria Montez.

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18 – MADEIRA (Timber)

Outro ótimo curta do Donald dirigido por Jack King. Desta vez com o Bafo-de-Onça como antagonista e patrão, o forçando a trabalhar como lenhador. Muito movimentado e com ótimas gags. Onde ver: DVD Disney Treasures – Cronologia do Donald, YouTube (som original).
Estados Unidos. Direção: Jack King (não creditado). Roteiro: Carl Barks e Jack Hannah (não creditados), com argumento de Frank Tashlin (não creditado). Vozes na dublagem original: Clarence Nash, Billy Bletcher.

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17 – SARGENTO YORK (Sergeant York)

A história real de um rapagão do interior que se torna um católico fervoroso e, depois (contra a vontade até o momento decisivo) em herói de guerra é dirigida cheia de solenidade por Hawks. Um herói relutante é um personagem que não é o habitual do diretor, mais chegado aos profissionais do perigo. A trama da I Guerra foi levada ao cinema, claro, de olho na entrada americana na II Guerra. Cooper ganhou aqui seu primeiro Oscar. Acima da idade para o papel, ele relutou em aceitar o personagem que tinha uma bondade irreal – até conhecer o verdadeiro York, que pediu pessoalmente ao ator para interpretá-lo. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção: Howard Hawks. Roteiro: Abem Finkel, Harry Chandlee, Howard Koch e John Huston, com Sam Cowan (não creditado), baseado no diário de Alvin C. York. Elenco: Gary Cooper, Walter Brennan, Joan Leslie, Margaret Wycherly, Ward Bond.

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16 – SEU ÚLTIMO REFÚGIO (High Sierra)

Bogart faz um bandido que sai da cadeia e aceita o serviço de um assalto. Mas ele está cansado, pensando em parar. Tem aspirações de um vida classe média ao lado de uma menina virginal de uma família que conhece e à qual se afeiçoa. Mas ele tem futuro? O filme vende firme a redenção do bandido, que só faz mal a outros bandidos. E Bogart e Ida Lupino estão ótimos. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção: Raoul Walsh. Roteiro: John Huston e W.R. Burnett, baseado em romance de Burnett. Elenco: Humphrey Bogart, Ida Lupino, Arthur Kennedy, Henry Travers.

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15 – SUPERMAN ou SUPER-HOMEM ou O SUPER-HOMEM Nº1 (Superman)

A animação dos Estúdios Fleischer foi a primeira adaptação para o cinema do personagem de Jerry Siegel e Joe Shuster, contando com as vozes do programa de sucesso no rádio, e as introduções “Mais rápido que uma bala…” e “É um pássaro! É um avião!”. Feita através de rotoscopia, a animação é de encher os olhos, mas ainda melhoraria nos episódios seguintes, assim como a trama que, aqui, enfoca um cientista louco. Onde ver: extra no DVD Superman – O Filme (edição tripla); DVD Superman de Max Fleischer – 1941-1942; DVD Superman em A Humanidade em Perigo; YouTube (som original e dublado).
Estados Unidos. Direção: Dave Fleischer e Steve Muffati (não creditado). Roteiro: Seymour Kneitel e Izzy Sparber, e Jay Morton (não creditado), baseado em personagens criados por Jerry Siegel e Joe Shuster. Vozes na dublagem original: Bud Collyer, Joan Alexander, Jack Mercer.

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14 – AMOR À PRIMEIRA VISTA (The Nifty Nineties)

Mickey, símbolo máximo da Disney, vinha perdendo espaço nos curtas animados do estúdio, sendo ofuscado por seus coadjuvante (Donald, Pateta e Pluto). Passou por uma pequena reinvenção em 1941, com um visual mais rebuscado, mais magro e com cabeça, mãos e pés maiores. Esse curta é um charme só: Mickey e Minnie num encontro romântico no final do século 19. A atmosfera é um encanto: o par vai a um show de vaudeville (cujos artistas homenageiam os animadores Ward Kimball e Fred Moore), veem um melodrama contado em slides (antepassado do cinema), passeiam em um carro cuja velocidade máxima é tipo 20km/h. Onde ver: DVD Disney Treasures – Mickey Mouse em Cores Vivas – Volume 2, YouTube (som original).
Estados Unidos. Direção: Riley Thomson (não creditado). Roteiro não creditado. Vozes na dublagem original: Walt Disney, Thelma Boardman, Ward Kimball, Fred Moore, Clarence Nash.

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13 – DIVERSÃO DE HOLLYWOOD (Hollywood Steps Out)

Este curta animado da Warner satiriza vários astros e estrelas do cinema dos anos 1940: Bing Crosby, James Stewart, Greta Garbo, Cary Grant, Dorothy Lamour, Groucho Marx e muitos outros. Uma inspirada alopração. Onde ver: DVD Aventuras com a Turma Looney Tunes – Volume 3; YouTube (som original).
Estados Unidos. Direção: Tex Avery. Roteiro: Melvin Millar. Vozes na dublagem original: Dave Barry, Sara Berner, Mel Blanc.

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12 – QUE ESPERE O CÉU (Here Comes Mr. Jordan)

Divertida fantasia sobre o além, em que um boxeador morre, mas, na verdade, é levado antes da hora. Porém, não pode voltar ao seu corpo, porque foi cremado. É feito um arranjo para que retorne em outro corpo: o de um milionário assassinado. Bem divertido, consegue naturalizar seus absurdos, apoiado em um elenco carismático. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção: Alexander Hall. Roteiro: Sidney Buchman e Seton I. Miller, baseado na peça de Harry Segall. Elenco: Robert Montgomery, Claude Rains, Evelyn Keyes, Edward Everett Horton.

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11 – O PEQUENO FURACÃO (The Little Whirlwind)

Esse foi o curta em que o Mickey estreou seu novo visual, mais magro, com cabeça, mãos e pés maiores e com as célebres orelhas com efeito de relevo. O ratinho segura o desenho sozinho, tentando limpar as folhas de um quintal para ganhar um bolo da Minnie, mas enfrentando um furacãozinho bagunceiro. Muito movimentado, com um visual muito bonito. Onde ver: DVD Disney Treasures – Mickey Mouse em Cores Vivas – Volume 2, Disney +.
Estados Unidos. Direção: Riley Thomson (não creditado). Roteiro não creditado. Vozes na dublagem original: Walt Disney, Thelma Boardman.

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10 – AO COMPASSO DO AMOR (You’ll Never Get Rich)

Depois de encerrar a série de filmes em parceria com Ginger Rogers na RKO, Fred Astaire encontrou outra parceira à altura em Rita Hayworth, na Columbia. Eles produziram magia juntos em dois filmes, este foi o primeiro. Toda a trilah é de Cole Porter, com destaque para “So near and yet so far”, o melhor momento de Astaire e Rita no filme. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção: Sidney Lanfield. Roteiro: Michael Fessier e Ernest Pagano. Elenco: Fred Astaire, Rita Hayworth, Robert Benchley.

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9 – SUSPEITA (Suspicion)

O quase sempre afável Cary Grant aqui é escalado por Hitchcock como o ameaçador marido de Joan Fontaine (que levou o Oscar de melhor atriz). Ela desconfia que ele quer matá-la e, para ressaltar isso, Hitch cria alguns momentos antológicos, como Grant subindo a escada com o copo de leite, cuja iluminação, através de um truque, chama a atenção do espectador diretamente para ele. Onde ver: DVD, Belas Artes a la Carte, Looke.
Estados Unidos. Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Samson Raphaelson, Joan Harrison e Alma Reville, baseado em romance de Anthony Berkeley. Elenco: Cary Grant, Joan Fontaine, Cedric Hardwicke.

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8 – DUMBO (Dumbo)

Depois que os ambiciosos Pinóquio e Fantasia não foram bem nas bilheterias, Walt Disney apostou em um longa mais simples e infantil, basicamente uma Silly Symphony estendida. Dumbo é isso, uma fantasia leve e sentimental de um elefantinho desprezado por ter orelhas imensas, mas que uma hora descobre que consegue voar por causa delas. Funciona bem demais e ainda tem aquela cena pré-psicodélica do delírio dos elefantes rosa, provocado por um porre. Onde ver: DVD, blu-ray, Disney +.
Estados Unidos. Direção: Ben Sharpsteen (supervisão), Samuel Armstrong (sequência), Norman Ferguson (sequência), Wilfred Jackson (sequência), Jack Kinney (sequência), Bill Roberts (sequência), John Elliott (não creditado). Roteiro: argumento de Joe Grant e Dick Huemer, com desenvolvimento de história de Bill Peet, Aurelius Bataglia, Joe Rinaldi, Vernon Stallings e Webb Smith, com direção de história de Otton Englander, baseado em livro de Helen Aberson e Harold Pearl. Vozes na dublagem original: Edward Brophy, Cliff Edwards, Sterling Holloway, Verna Felton.

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7 – O DIABO E A MULHER (The Devil and Miss Jones)

O diabo é um magnata tão rico que nem lembra que é dono também de uma loja de departamentos. A mulher é a
Srta. Jones, uma funcionária da loja, do setor de sapatos. Quando ele se emprega lá secretamente para descobrir quem está liderando protestos dos trabalhadores contra o dono, por melhores condições de trabalho, ela acolhe o “novato”. E o patrão acaba vendo na pele os problemas de seus funcionários. Um dos vários filmes da época sobre as questões trabalhistas, aqui ancorado em elenco sólido e ótimos roteiro e direção. Onde ver: DVD digipack Comédias Clássicas.
Estados Unidos. Direção: Sam Wood. Roteiro: Norman Krasna. Elenco: Jean Arthur, Charles Coburn, Robert Cummings, Spring Byington, Edmund Gwenn, S.Z. Sakall.

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6 – COMO ERA VERDE MEU VALE (How Green Was My Valley)

Na virada do século, no País de Gales, o cotidiano de uma família onde pai e filhos, assim como toda a vila, trabalham na mina local. A história é vista em retrospectiva pelo filho mais novo, já adulto. De novo John Ford alia a força dos laços familiares a um trama sobre a vida e desafios dos trabalhadores. Nostálgico e sentimental, mais até do que o normal para o diretor, que de novo compõe belas imagens míticas. Onde ver: DVD, YouTube (dublado), YouTube (som original, com legendas).
Estados Unidos. Direção: John Ford. Roteiro: Philip Dunne, baseado no romance de Richard Llewellyn. Elenco: Walter Pidgeon, Maureen O’Hara, Roddy McDowall, Sarah Allgood, Anna Lee, Donald Crisp, Barry Fitzgerald.

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5 – AS TRÊS NOITES DE EVA (The Lady Eve)

Barbara Stanwyck em estado de graça com uma golpista que tem um jovem e ingênuo milionário (Henry Fonda) na mira durante uma viagem de navio. Só que ela se apaixona de verdade por ele, mas ele descobre a farsa inicial e a despreza. Tempos depois, ela consegue a oportunidade de se vingar, reaparecendo na mansão da família dele como uma lady inglesa. Grande comédia, cheia de idas e vindas, num ano especial tanto para Barbara quanto para o diretor Preston Sturges. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção: Preston Sturges. Roteiro: Preston Sturges e Monckton Hoffe, baseado em peça de Hoffe. Elenco: Barbara Stanwyck, Henry Fonda, Charles Coburn.

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4 – ADORÁVEL VAGABUNDO (Meet John Doe)

Um Frank Capra em ótima forma, mais uma vez em seus temas humanistas. A abertura já é sensacional: o jornal que troca de direção, simbolizado pela placa original sendo retirada à britadeira, com close na expressão “free press” sendo detonada letra por letra. Em seguida, o garoto que sai da sala do novo editor e “convida” os jornalistas da vez a serem demitidos simplesmente apontando o dedo, fazendo um assovio e o gesto de garganta cortada. Barbara Stanwyck é um deles, mas vira o jogo quando inventa, em sua última coluna, um desempregado em desespero que afirma que vai se atirar de um prédio em protesto contra a as condições sociais no país. A repercussão a faz não só recuperar seu emprego, mas manter a farsa junto com o jornal, encontrando no pobretão vivido por Gary Cooper alguém para personificar o “João Ninguém” fictício. Surge um movimento social que os poderosos não demoram a querer manipular. Onde ver: DVD, YouTube.
Estados Unidos. Direção: Frank Capra. Roteiro: Robert Riskin, com contribuições aos diálogos de Myles Connolly, de um argumento de Richard Connell e Robert Presnell Sr. Elenco: Gary Cooper, Barbara Stanwyck, Walter Brennan.

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3 – CONTRASTES HUMANOS (Sullivan’s Travels)

Preston Sturges faz um belo tributo a seu gênero de ofício, a comédia, na trama do diretor de cinema que faz muito sucesso divertindo as plateias com seus filmes, mas que acha que, naquele momento de crise nos EUA, precisa dizer algo importante: quer fazer um épico dramático sobre os desvalidos. Mas o que ele sabe sobre ser pobre? Resolve, então, passar alguns dias vivendo como um dos inúmeros sem teto que vagam pelo país. Sturges surpreendentemente vai da comédia rasgada ao drama e, através do drama, mostra a importância da comédia. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Preston Sturges. Elenco: Joel McCrea, Veronica Lake, Robert Warwick.

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2 – RELÍQUIA MACABRA ou O FALCÃO MALTÊS – RELÍQUIA MACABRA (The Maltese Falcon)

Estreia na direção de John Huston e estreia também do filme noir como gênero. Huston pescou o livro de Dashiell Hammet dos direitos de adaptação que a Warner já tinha (e que já havia filmado duas vezes) e construiu uma narrativa direta como o próprio detetive Sam Spade, que podia até podia até estar de caso com a mulher do sócio, mas não ia deixar barato o assassinato dele. Desvendar o crime implica em se envolver na caçada internacional de uma turma de golpistas por uma estatueta lendária, histórica e de ouro. George Raft declinou do papel principal porque achou que o filme não tinha importância. Mas ele acabou se revelando feito do “material do que são feitos os sonhos”. Onde ver: DVD, blu-ray, Apple TV.
Estados Unidos. Direção e roteiro: John Huston, baseado em romance de Dashiell Hammett. Elenco: Humphrey Bogart, Mary Astor, Peter Lorre, Sydney Greenstreet.

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1 – CIDADÃO KANE (Citizen Kane)

Consagrado através dos anos como “o mais importante filme já feito”, muito do que era um compêndio de revoluções narrativas em Cidadão Kane já foi absorvido, reprocessado e subvertido pelo próprio cinema. O que fica é a arte maravilhosa de contar uma história, começando pela opção de começar pela morte do protagonista, para depois resumir sua vida e então ver o que está por trás dos fatos pelos depoimentos de quem o conheceu. Mas também pela disposição feroz de fazer cada cena algo inspirado, criativo, inteligente. Orson Welles e seus colaboradores (principalmente o co-roteirista Herman J. Maniewicz e o diretor de fotografia Gregg Toland) buscaram ferozmente soluções imaginativas. Planos-sequência (com vários planos dentro do plano), profundidade de campo (combinando megacloses e personagens minúsculos ao fundo, criados na câmera ou combinados com projeção de fundo), o uso expressivo do forte contraste entre luz e sombra, os pontos de vista de baixo pra cima, o humor de comédia maluca alternando com o melodrama. Uma maravilha na qual em cada segundo há algo para se comentar: do “Proibida a entrada” do começo ao “Proibida a entrada” do final. Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play, Google Play, YouTube Filmes, Looke, Microsoft Store, Apple TV.
Estados Unidos. Direção: Orson Welles. Roteiro: Herman J. Mankiewicz e Orson Welles. Elenco: Orson Welles, Joseph Cotten, Everett Sloane, Dorothy Comingore, Agnes Moorehead.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente. Esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

PROCURANDO NEMO
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 23

Busca frenética

Quinto longa da Pixar, Procurando Nemo ainda não se aventura em dilemas mais ambiciosos os quais a produtora abordaria mais tarde (a morte, o sentido da vida, o fim do mundo, a velhice, o amadurecimento das emoções…). Ainda é um tema básico do amor incondicional entre pai e filho, superando barreiras muito maiores que eles (no caso, dois peixinhos de repente separados pela imensidão do oceano).

Por uma lado também dá para identificar aqui o fio narrativo comum a filmes de ação como Busca Imnplacável, com Liam Neeson, ou Comando para Matar, com Schwarzenegger: pais que enfrentam tudo para salvar o rebento sequestrado.

Mas a narrativa é irresistível, estabelecendo duas situações paralelas que vão se alternando: uma, o filho Nemo tentando uma fuga da prisão com seus novos amigos no aquário; outra, o pai superprotetor e traumatizado Marlin superando seus medos para atravessar o mar em busca do filho. As passagens de um cenário a outro são precisas e mantém a história girando no ponto exato.

Junto a ele, Dory, a peixinha que sofre com perda de memória recente. Como ela, outros coadjuvantes brilham, como a tartaruga hiponga Crush, o pelicano Nigel e o tubarão Bruce, que está no programa de comedores de peixes anônimos. Nemo, com grande visual e simplicidade na ambição, ainda mantém seu charme e encanto intactos.

Onde ver: DVD, blu-ray, Disney +

Finding Nemo, 2003.
Direção: Andrew Stanton. Co-direção: Lee Unkrich. Vozes na dublagem original: Albert Brooks, Ellen DeGeneres, Alexander Gould, Willem Dafoe, Allison Janney, Geoffrey Rush, Eric Bana. Vozes na dublagem brasileira: Julio Chaves, Maira Góes, Gustavo Pereira (dublagem de 2003), Caio Bismarck (redublagem de 2013), Marcio Simões, Guilherme Briggs

20 – UM GATO EM PARIS (Une Vie de Chat)

Uma animação estilosa sobre um gato que se divide entre dois donos: uma menina que é filha de uma delegada de polícia; e um ladrão super habilidoso.
França/ Bélgica. Direção: Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol. Roteiro: Alain Gagnol e Jacques-Rémy Girerd (diálogos). Vozes na dublagem original: Dominique Blanc, Bernadette Lafont, Bruno Salomone. Vozes na dublagem brasileira: Denise Reis, Arlette Montenegro, César Marcheti.

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19 – INCONTROLÁVEL (Unstoppable)

Geralmente exagerado, Tony Scott foi na medida neste ótimo filme de ação sobre dois maquinistas tentando parar um trem desgovernado.
Estados Unidos. Direção: Tony Scott. Roteiro: Mark Bombach. Elenco: Denzel Washington, Chris Pine, Rosario Dawson, Kevin Dunn.

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18 – SENNA (Senna)

Documentário sobre o piloto, que consegue expressar muito bem as rivalidades e velocidade da Fórmula-1.
Reino Unido/ França/ Estados Unidos. Direção: Asif Kapadia. Roteiro: Manish Pandey.

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17 – O PRIMEIRO AMOR (Flipped)

Rob Reiner faz uma espécie de Harry & Sally juvenil: menina e menino nos anos 1960 vivem um relacionamento complicado, que é visto pelo espectador ora na visão dela, ora na visão dele.
Estados Unidos. Direção: Rob Reiner. Elenco: Rob Reiner e Andrew Scheinman, baseado em romance de Wendelin Van Draanen. Elenco: Madeline Carroll, Callan McAuliffe, Rebecca De Mornay, Anthony Edwards, John Mahoney, Penelope Ann Miller, Aidan Quinn.

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16 – COMO TREINAR O SEU DRAGÃO (How to Train Your Dragon)

A animação da DreamWorks é dirigida pelos cineastas de Lilo & Stitch e, embora agora seja um trabalho digital, há bastante aqui do charme do que a dupla havia feito na Disney.
Estados Unidos. Direção: Dean DeBlois e Chris Sanders. Roteiro: William Davies, Dean DeBlois e Chris Sanders, com Adam F. Goldberg (material adicional) e Marc Hyman (colaborador), baseado no livro de Cressida Cowell. Vozes na dublagem original: Jay Baruchel, Gerard Butler, America Ferrera, Jonah Hill, Kristen Wiig, David Tennant. Vozes na dublagem brasileira: Gustavo Pereira, Mauro Ramos, Luisa Palomanes.

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15 – UMA NOITE EM 67

O documentário sobre a espetacular final do Festival de Música Popular Brasileira de 1967 não se afasta do formato entrevistas mais cenas de arquivo. E nem precisava: as cenas da nata da MPB no palco são impressionantes e as curiosas entrevistas nos bastidores são uma delícia de assistir.
Brasil. Direção: Ricardo Calil e Renato Terra.

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14 – NAMORADOS PARA SEMPRE (Blue Valentine)

Apesar do título brasileiro enganoso, o filme é um drama melancólico sobre um amor se desfazendo, apoiado em dois atores ótimos.
Estados Unidos. Direção: Derek Cianfrance. Roteiro: Derek Cianfrance, Joey Curtis e Cami Delavigne. Elenco: Ryan Gosling, Michelle Williams, Faith Wladyka.

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13 – 127 HORAS (127 Hours)

Danny Boyle conta a história de um montanhista que fica preso num canyon e tenta sobreviver do jeito que puder. James Franco segura bem o filme atuando praticamente sozinho o tempo todo.
Estados Unidos/ Reino Unido/ França. Direção: Danny Boyle. Roteiro: Danny Boyle e Simon Beaufoy, baseado no livro de Aron Ralston. Elenco: James Franco, Kate Mara, Amber Tamblyn, Treat Williams.

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12 – ILHA DO MEDO (Shutter Island)

Scorsese adapta o livro de Dennis Lehane, viaja ao filme noir e encontra espaço para citar visualmente o Expressionismo Alemão em geral e O Gabinete do Dr. Caligari em particular. Quem já tem alguma estrada nesse negócio de ver filmes sabe que o mistério que se apresenta não tem muitas opções de conclusão. Mas o diálogo na cena final, que maravilha. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: Martin Scorsese. Roteiro: Laeta Kalogridis, baseado no romance de Dennis Lehane. Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley.

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11 – VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO

Uma experiência curiosa de um road movie onde nunca vemos o protagonista, apenas ouvimos sua voz. Assim, ele vai apresentando e refletindo o interior do Nordeste.
Brasil. Direção: Karim Ainouz e Marcelo Gomes. Narração: Irandhir Santos.

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10 – O DISCURSO DO REI (The King’s Speech)

O rei gago vai tomar aulas de dicção com um professor que não está muito aí para sua realeza. Ele vai precisar ajudar o monarca a fazer um discurso importante incentivando o país na guerra contra os nazistas. Dentro de uma narrativa tradicional, o diretor Hooper tem uma preferência visual interessante por enquadramentos fora do padrão, mas que não “gritam”. Leia mais: crítica.
Reino Unido/ Estados Unidos/ Austrália. Direção: Tom Hooper. Roteiro: David Seidler. Elenco: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Michael Gambon, Guy Pearce, Claire Bloom, Derek Jacobi, Timothy Spall.

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9 – TROPA DE ELITE 2 – O INIMIGO AGORA É OUTRO

O Capitão Nascimento retorna, agora às voltas com as ligações entre política e o crime organizado. O diretor Padilha se queimou depois com a equivocada série O Mecanismo, e um pouco daquele simplismo está aqui, mas o filme questiona um pouco mais e mais claramente o papel de Nascimento, o que é muito bom. Leia mais: crítica.
Brasil. Direção: José Padilha. Roteiro: Bráulio Mantovani e José Padilha, de argumento de Mantovani, Padilha e Rodrigo Pimentel. Elenco: Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Milhem Cortaz, Maria Ribeiro, Seu Jorge, Sandro Rocha, Tainá Muller, André Mattos.

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8 – CÓPIA FIEL (Copie Conforme)

Kiarostami na Itália. Na história do escritor britânico que conhece uma mulher francesa, uma dicussão sobre se a cópia da arte também é arte evolui para os recém-conhecidos se comportando como se fossem casados. O fingimento, se bem vivido, vira uma realidade?
França/ Itália/ Bélgica/ Irã. Direção: Abbas Kiarostami. Roteiro: Abbas Kiarostami, com Caroline Eliacheff (colaboradora). Elenco: Juliette Binoche, William Shimell, Jean-Claude Carrière.

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7 – INCÊNDIOS (Incendies)

Na jornada de um casal de gêmeos pela história da mãe no Líbano, os segredos vão revelando quem era essa mulher. O destino é encontrar o pai que não conhecem e um irmão que não sabiam que existia. O filme lida bem demais com seus segredos e revelações e a vida que se vira no meio da violência.
Canadá/ França. Direção: Denis Villeneuve. Roteiro: Denis Villeneuve, com Valérie Beaugrand-Champagne (colaboradora), baseado na peça de Wajdi Mouawad. Elenco: Lubna Azabal, Mélissa Désormeaux-Poulin, Maxim Gaudette.

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6 – A REDE SOCIAL (The Social Network)

Um filme de tribunal que conta a origem do Facebook e explora a personalidade muito particular de seu fundador, Mark Zuckerberg. Um estudo de personagem, que tem milhões de amigos virtuais, mas não consegue manter nenhum em um nível pessoal. E um final brilhante, que é um pequeno “Rosebud”. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: David Fincher. Roteiro: Aaron Sorkin, baseado no livro de Ben Mezrich. Elenco: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Rashida Jones, Armie Hammer, Rooney Mara, Dakota Johnson, Aaron Sorkin.

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5 – HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 1)

O sétimo filme da franquia é um dos melhores, com o jovem trio de protagonistas em uma busca que os mantém sozinhos boa parte do filme, relações com uma estética nazista acentuando o tom político, um conto narrado em bela animação, emoções mais intensas. É O Império Contra-Ataca da série Harry Potter. Leia mais: crítica.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: David Yates. Roteiro: Steve Kloves, baseado no romance de J.K. Rowling. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Julie Walters, Robbie Coltrane, Helena Bonham Carter, Bonnie Wright, Evana Lynch, Tom Felton, Brendan Gleeson, Timothy Spall, Helen McCrory, Jason Isaacs, Richard Griffiths, Bill Nighy, Rhys Ifans, Fiona Shaw, Michael Gambon, John Hurt, Imelda Staunton. Voz: Toby Jones.

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4 – CISNE NEGRO (Black Swan)

Uma bailarina sob pressão, em uma turbulência psicológica. Aronofsky usa e abusa dos maneirismos para esse mergulho na psiquê de uma artista atormentada por sua arte e por seu lado ‘cisne negro’. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: Darren Aronofsky. Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz e John J. McLaughlin, de argumento de Heinz. Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder.

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3 – TOY STORY 3 (Toy Story 3)

Dez anos depois do segundo filme, o terceiro expandiu um tema que já estava no segundo: brinquedos órfãos de sua criança que cresceu. Isso, combinado com um “filme de prisão”, que leva a uma reta final sensacional, com suspense e lágrimas. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção: Lee Unkrich. Roteiro: Michael Arndt, com argumento de John Lasseter, Andrew Stanton e Lee Unkrich. Vozes na dublagem original: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Ned Beatty, Michael Keaton, Jodi Benson, Wallace Shawn, Don Rickles, Estelle Harris, Laurie Metcalf, Timothy Dalton, Bonnie Hunt, Whoopi Goldberg, R. Lee Ermey.

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2 – BRAVURA INDÔMITA (True Grit)

Os irmãos Coen revisitam o faroeste clássico e fazem uma versão melhor que a original, estrelada por John Wayne em 1969. Um road movie do faroeste, com excelentes atuações de Jeff Bridges e Hailee Steinfeld. Ela, em particular, simboliza o espírito do filme: entre o deslumbramento e a descrença dos mitos. Leia mais: crítica.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Joel Coen e Ethan Coen, baseado no romance de Charles Portis. Elenco: Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Matt Damon, Josh Brolin.

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1 – A ORIGEM (Inception)

Um filme sobre sonhos dentro de sonhos, misturado com espionagem, vertiginoso nas imagens e na narrativa. Uma equipe em um plano para implantar uma ideia em um sujeito através dos sonhos. Explicações complicadas para não levar muito a sério: um truque engenhoso, delirante e sofisticado. Leia mais: crítica.
Estados Unidos/ Reino Unido. Direção e roteiro: Christopher Nolan. Elenco: Leonardo DiCaprio, Elliot Page, Joseph Gordon Levitt, Marion Cotillard, Michael Caine, Tom Hardy, Ken Watanabe, Cillian Murphy, Tom Berenger, Pete Postlethwaite.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

20 – CARNAVAL NO FOGO

É o filme que estabeleceu o modelo clássico das chanchadas (não sou eu quem digo, é o Sérgio Augusto, no Este Mundo É um Pandeiro), com muita confusão no Copacabana Palace, trocas de identidade, números musicais com artistas do rádio, José Lewgoy de vilãozão, Eliana como a mocinha que dá bordoadas, e, claro, Oscarito e Grande Otelo. Não apenas isso, mas Oscarito e Grande Otelo na antológica cena do balcão de Romeu e Julieta. Otelo estava vivendo uma tragédia indizível: na noite anterior à filmagem da cena, a esposa do ator tinha matado uma filha do casal e se matado. Bebeu sem parar, foi filmar mesmo assim aos bagaços e entregou uma performance antológica.
Brasil. Direção: Watson Macedo. Roteiro: Alinor Azevedo e Watson Macedo, de argumento de Anselmo Duarte. Elenco: Oscarito, Anselmo Duarte, Eliana Macedo, José Lewgoy, Grande Otelo, Adelaide Chiozzo, Wilson Grey, Jece Valadão, Dircinha Batista, Bené Nunes.

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19 – RIO BRAVO ou RIO GRANDE (Rio Grande)

A melhor coisa de John Ford não está em seus filmes sobre cavalaria, mas de novo ele se aproveita do cenário para tratar da relação entre os personagens: um coronel que vê o próprio filho (que ele não vê desde que o rapaz era um bebê) ingressar como soldado em suas fileiras para o difícil combate com os índios, e a mãe do rapaz, que vai lá buscá-lo. O conflito interno entre o dever com a família e o dever com o exército é o cerne do personagem de John Wayne. Além do mais, é o filme que viabilizou o posterior (e maravilhoso) Depois do Vendaval e é o primeiro dos cinco filmes de Wayne com Maureen O’Hara – então a gente tem que agradecer. O título brasileiro é curioso. O Rio Grande do original virou Rio Bravo aqui. Acontece que o rio que é fronteira dos EUA com o México é chamado de Grande do lado americano e Bravo do lado mexicano – e a tradução brasileira optou pelo nome do México. Quando anos depois Hollywood lançou um filme chamado Rio Bravo (Onde Começa o Inferno, aqui), deu-se a confusão. Em DVD, o filme de Ford chegou a sair com o título original: Rio Grande.
Estados Unidos. Direção: John Ford. Roteiro: James Kevin McGuiness, baseado em conto de James Warner Bellah. Elenco: John Wayne, Maureen O’Hara, Ben Johnson, Claude Jarman Jr, Victor McLaglen.

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18 – BONITA E VALENTE (Annie Get Your Gun)

Annie Oakley, atiradora que foi estrela do show de Buffalo Bill no velho oeste e foi adotada pelo chefe índio Touro Sentado, inspirou um musical no teatro produzido por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, com músicas de Irving Berlin, e, depois, este filme da MGM. Judy Garland começou a filmar, mas foi demitida. Busby Berkeley também começou dirigindo e recebeu o bilhete azul. Muita confusão, mas o filme sobrevive com cenas ótimas como “There’s no business like show business” e “Anything you can do, I can do better’.
Estados Unidos. Direção: George Sidney, Busby Berkeley (não creditado). Roteiro: Sidney Sheldon, baseado em peça musical de Herbert Fields e Dorothy Fields. Elenco: Betty Hutton, Howard Keel, Louis Calhern, J. Carrol Naish.

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17 – PÂNICO NAS RUAS (Panic in the Streets)

Inesperada atualidade para esse filme: uma caçada policial a um assassino, mas o motivo principal é que ele está infectado com uma doença e pode contaminar a cidade. Kazan estava ainda nos primeiros anos de sua grande carreira como diretor.
Estados Unidos. Direção: Elia Kazan. Roteiro: Richard Murphy, argumento de Edna Anhalt e Edward Anhalt, e adaptação de Daniel Fuchs. Elenco: Richard Widmark, Paul Douglas, Barbara Bel Geddes, Jack Palance, Zero Mostel.

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16 – ESSE PINGUIM É UMA FRIA (8 Ball Bunny)

“Com licença. Tem algum trocado para ajudar um compatriota americano um pouco sem sorte?”. Azar deu o Pernalonga, ao dar de cara com um pinguim e se comprometer a levá-lo para casa – na Antártida. A viagem rende um dos melhores curtas do coelho, o tempo todo esbarrando no Humphrey Bogart maltrapilho do começo de O Tesouro de Sierra Madre.
Estados Unidos. Direção: Chuck Jones. Roteiro: Michael Maltese. Vozes na dublagem original: Mel Blanc, Dave Barry.

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15 – O MATADOR (The Gunfighter)

A fama de rápido no gatilho pode parecer bacana, mas cobra um preço. É sobre isso este filme, um exemplar do que ficou sendo chamado de faroeste psicológico: um pistoleiro chega a uma cidadezinha e sua mera presença leva turbulência ao lugar. Alguns querem vingança, outros querem fama. Ele não quer briga, só reencontrar a humanidade que já teve e deixou para trás.
Estados Unidos. Direção: Henry King. Roteiro: William Bowers e William Sellers, argumento de William Bowers e André De Toth. Elenco: Gregory Peck, Helen Westcott, Millard Mitchell, Jean Parker, Karl Malden.

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14 – A ILHA DO TESOURO (Treasure Island/ Robert Louis Stevenson’s Treasure Island)

Primeiro filme da Disney totalmente com atores, é uma aventurona que adapta um dos maiores clássicos literários do gênero. E não decepciona: é uma produção bem cuidada, movimentada e até violenta para os padrões de hoje do cinema infanto-juvenil.
Estados Unidos/ Reino Unido. Direção: Byron Haskin. Roteiro: Lawrence Edward Watkin, baseado em romance de Robert Louis Stevenson. Elenco: Bobby Driscoll, Robert Newton, Basil Sidney, Walter Fitzgerald.

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13 – OS ESQUECIDOS (Los Olvidados)

Buñuel começou seu exílio no México com este filme, já uma pedrada na sociedade do país adotivo. Com atmosfera neo-realista, o cineasta espanhol conta a história de garotos marginalizados e a violência ao seu redor sem economizar nas tintas. Pessoas no país não gostaram nada de ver suas mazelas expostas de tal maneira.
México. Direção: Luís Buñuel. Roteiro: Luis Alcoriza e Luís Buñuel. Elenco: Alfonso Mejía, Roberto Cobo, Estela Inda, Miguel Inclán.

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12 – O GAROTO FABULOSO (Gerald McBoing-Boing)

Nem Warner, nem Disney, nem MGM: foi a UPA que surpreendeu e ganhou o Oscar de curta de animação com este primor de grafismo. Baseado na obra do Dr. Seuss, o filme conta a história do garoto que não falava, só dizia ‘boing’.
Estados Unidos. Direção: Robert Cannon. Roteiro: Bill Scott e Phil Eastman, baseado em história de Dr. Seuss. Narração na dublagem original: Marvin Miller.

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11 – WINCHESTER 73 (Winchester 73)

Anthony Mann ajudou a reinventar a carreira de Jimmy Stewart. Consagrado como bom moço, tímido e idealista, aqui ele é durão, amargo e vingativo. Sua carreira também não vinha bem das pernas e esta redefinição veio bem a calhar.
Estados Unidos. Direção: Anthony Mann. Roteiro: Robert L. Richards e Borden Chase, de argumento de Stuart N. Lake. Elenco: James Stewart, Shelley Winters, Dan Duryea, Millard Mitchell.

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10 – O SEGREDO DAS JÓIAS (The Asphalt Jungle)

Um dos grandes filmes de roubo da história. John Huston mostra uma coleção de personagens antes, durante e depois de um muito arquitetado assalto a uma joalheria. De quebra, duas beldades daquelas: Jean Hagen (que dali a dois anos seria a inesquecível Lina Lamont de Cantando na Chuva) e ninguém menos que Marilyn Monroe (em papel pequeno, mas roubando a cena).
Estados Unidos. Direção: John Huston. Roteiro: Ben Maddow e John Huston, baseado em romance de W.R. Burnett. Elenco: Sterling Hayden, Sam Jaffe, Louis Calhern, Jean Hagen, Marilyn Monroe, James Whitmore, Jack Warden, Marc Lawrence.

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9 – NASCIDA ONTEM (Born Yesterday)

Judy Holliday ganhou o Oscar com essa interpretação com a qual já tinha arrasado no teatro: a amante de um político brutalhão e corrupto que deve receber uma aula de etiqueta de um jornalista, mas acaba adquirindo cidadania e o poder de pensar. Holliday conseguiu outro feito raro: foi indicada ao Globo de Ouro a melhor atriz de comédia (que ganhou) e de drama pelo mesmo papel.
Estados Unidos. Direção: George Cukor. Roteiro: Albert Mannheimer, baseado em peça de Garson Kanin. Elenco: Judy Holliday, William Holden, Broderick Crawford, Howard St. John, Frank Otto.

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8 – STROMBOLI (Stromboli, Terra di Dio)

Ingrid Bergman largou o estrelato em Hollywood para fazer filmes neo-realistas na Itália. Foi parar numa ilhota vulcânica primitiva como a mulher linda e sofisticada entre os aldeões brutalizados — um choque cultural inevitável.
Itália/ Estados Unidos. Direção: Roberto Rossellini. Roteiro: Roberto Rossellini, com colaboração de Sergio Amidei, Gian Paolo Callegari, Art Cohn, Renzo Cesana e Félix Morlión. Elenco: Ingrid Bergman, Mario Vitale, Renzo Cesana.

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7 – PATETA NO TRÂNSITO ou MOTORMANIA (Motor Mania)

O Sr. Andante e o Sr. Volante são as duas faces de uma mesma pessoa que é o Dr. Jekyll quando pedestre e vira o Mr. Hyde quando entra no carro. Ainda é a melhor tradução dos humores de boa parte do trânsito em qualquer lugar do mundo. O curta é daquela série da Disney em que todos os personagens são versões do Pateta, numa sátira da sociedade. E este é eterno.
Estados Unidos. Direção: Jack Kinney. Roteiro: Dick Kinney e Milt Schaffer. Vozes na dublagem original: Bob Jackman, John McLeish.

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6 – O COELHO DE SEVILHA (Rabbit of Seville)

O final dos anos 1940 e o começo dos anos 1950 foi a época mais incrível do Pernalonga. Seus dois melhores diretores – Chuck Jones e Friz Freleng – estavam no máximo e deram ao seu astro o melhor material em que trabalhar. Aqui, a eterna perseguição do Hortelino ao coelho invade o palco de uma ópera que está para começar e se desenrola freneticamente ao som da abertura de O Barbeiro de Sevilha.
Estados Unidos. Direção: Chuck Jones. Roteiro: Michael Maltese. Vozes na dublagem original: Mel Blanc, Arthur Q. Bryan.

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5 – CINDERELA ou A GATA BORRALHEIRA (Cinderella)

Em apuros financeiros, a Disney recorreu à fórmula com que fez sucesso em Branca de Neve e os Sete Anões (1937): uma garota oprimida por uma madrasta, bondosa a ponto de conversar com os bichinhos, e que, no fim, vive feliz para sempre com seu príncipe. Com a ajuda de uma fada madrinha, como em Pinóquio (1940). O estilo de conto-de-fadas é cativante, mas o que torna o filme memorável, mesmo, é a animação maravilhosa, em cenas como a de Cinderela esfregando o chão e as bolhas de sabão repetindo sua imagem, ou sua corrida em desespero para a escuridão e saindo ao fundo para o jardim, vista através da grande janela. Para rapidez, o estúdio filmou tudo com uma atriz antes – os desenhistas disseram depois que não gostaram muito disso, e usaram só o que achavam que deviam. No Brasil, o filme foi exibido nos cinemas (na estreia e em reprises até os anos 1990) de A Gata Borralheira.
Estados Unidos. Direção: Wilfred Jackson, Hamilton L. Luske, Clyde Geronimi. Roteiro: Bill Peet, Erdman Penner, Ted Sears, Winston Hibler, Homer Brightman, Harry Reeves, Ken Anderson, Joe Rinaldi, Maurice Rapf (não creditado), Frank Tashlin (não creditado). Vozes originais: Ilene Woods, Eleanor Audley, Verna Felton. Vozes na dublagem brasileira: Simone de Morais, Tina Vita, Olga Nobre, Aloysio de Oliveira.

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4 – MORTALMENTE PERIGOSA (Gun Crazy/ Deadly Is the Female)

17 anos antes de Bonnie & Clyde, o filme, e 16 anos após a morte do casal real de assaltantes de banco, houve Mortalmente Perigosa. Clássico exemplar do filme B: com baixo orçamento, mas muita personalidade e grandes ideias narrativas. Aqui, o fio condutor é o amor bandido entre um atirador e sua esposa que parece gostar demais do crime. Além da tensão sexual e psicológica entre os protagonistas, há cenas como a do assalto a banco, mostrado num plano-sequência. Com a câmera sempre dentro do carro, ela mostra desde a chegada do casal à cidade até a fuga.
Estados Unidos. Direção: Joseph H. Lewis. Roteiro: MacKinlay Kantor e Dalton Trumbo (como Millard Kaufman), com argumento de Kantor. Elenco: Peggy Cummins, John Dall, Berry Kroeger, Anabel Shaw, Harry Lewis

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3 – RASHOMON (Rashomon)

Foi no Festival de Veneza que Rashomon mostrou ao ocidente a qualidade do cinema que se fazia no Japão. A história do samurai e sua esposa surpreendidos por um ladrão na floresta (o que terminou com a morte do marido) é contada quatro vezes, de maneira muito diferente dependendo do ponto de vista de quem conta. A verdade é a contada pela mulher, pelo ladrão, pelo fantasma do morto ou por um observador de fora, que estava passando na hora? Kurosawa disse que Rashomon espelhava a vida, e a vida não tinha sentido.
Japão. Direção: Akira Kurosawa. Roteiro: Akira Kurosawa e Shinobu Hashimoto, baseado em história de Ryunosuke Akutagawa. Elenco: Toshiro Mifune, Machiko Kyo, Masayuki Mori, Takashi Shimura.

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2 – A MALVADA (All About Eve)

Uma atriz está para ser laureada nas primeiras cenas de A Malvada. “Saberemos tudo sobre Eve”, diz o narrador. Então vemos sua aparição quase como uma gatinha escondida num beco chuvoso, uma fã ardorosa que cai nas graças de uma amiga da estrela do teatro, de quem Eve é devota. O que acontece entre um ponto e outro é um dos grandes filmes da história, capitaneado por duas atrizes esplêndidas: Bette Davis e Anne Baxter. Entre os coadjuvantes, a competência de sempre de Celeste Holm, uma brilhante Thelma Ritter, um refinadamente odioso George Sanders e uma iniciante Marilyn Monroe. A bordo de um roteiro que entrega um diálogo antológico após outro. Narrado quase todo o tempo por flashbacks de personagens diferentes, é um mergulho fascinante e duro no mundo do teatro. Ganhou o Oscar de melhor filme e outros cinco, partindo de 14 indicações (recorde até hoje).
Estados Unidos. Direção: Joseph L. Mankiewicz. Roteiro: Joseph L. Mankiewicz, baseado em conto de Mary Orr (não creditada). Elenco: Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders, Celeste Holm, Gary Merrill, Hugh Marlowe, Thelma Ritter, Marilyn Monroe, Gregory Ratoff, Barbara Bates.

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1 – CREPÚSCULO DOS DEUSES (Sunset Blvd.)

“Você é Norma Desmond. Você era grande!”. “Eu SOU grande. Os filmes é que ficaram pequenos”. Billy Wilder deu uma sapatada na cara de Hollywood com essa história tortuosa do roteirista fuleira que se envolve com uma estrela do cinema mudo, aposentada contra a vontade quando os filmes passaram a ser falados. É cheio de piadas internas: Gloria Swanson tinha sido mesmo uma estrela dos filmes mudos, Erich von Stroheim foi um dos grandes diretores dela, Cecil B. De Mille e a colunista Hedda Hopper interpretam a si mesmos, Buster Keaton faz uma ponta. Billy dá um nó tático narrativo desde o começo ao fazer o filme ser narrado por um morto, enche o filme de frases antológicas e o encerra com um dos melhores e terríveis finais já vistos. “Tudo bem, Sr. DeMille, estou pronta para o meu close-up”.
Estados Unidos. Direção: Billy Wilder. Roteiro: Billy Wilder, Charles Brackett e D.M. Marshman Jr. Elenco: William Holden, Gloria Swanson, Erich von Stroheim, Nancy Olson, Fred Clark, Jack Webb, Cecil B. DeMille, Buster Keaton, Hedda Hopper, H.B. Warner.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

Em 2002, o CGI estava em franca ascensão e dominaria o mercado de longas em breve. Mas Lilo & Stitch é um atestado da beleza da animação feita à mão. A combinação de ficção científica (um alien criado artificialmente para ser uma máquina de destruição) e inocência infantil (uma garotinha e sua irmã, orfãs, que estão na mira da assistência social) deu muito certo, fora o visual belíssimo para o qual os cenários foram pintados em aquarela (a primeira vez desde Dumbo, de 1941). O filme tem uma ótima narrativa dramática e de humor e mostra que perdemos muito com a postura da Disney de não lançar mais longas animados à mão.

Diário de Filmes 2020: 19
LILO & STITCH (Dean deBlois e Chris Sanders, 2002)
⭐⭐⭐⭐

Alta Fidelidade

20 — ALTA FIDELIDADE (High Fidelity)

Música e romance sempre andaram juntos e seguem o mesmo ritmo nessa adaptação do romance de Nick Hornby. Narrado em primeira pessoa, comentando canções e fazendo listas, também é uma saudação às lojas dd discos como local de encontros entre as pessoas.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: Stephen Frears. Roteiro: D.V. DeVincentis, Steve Pink, John Cusack e Scott Rosenberg, baseado em livro de Nick Hornby. Elenco: John Cusack, Iben Hjejle, Jack Black, Todd Louiso, Lisa Bonet, Catherine Zeta-Jones, Joan Cusack, Tim Robbins, Lili Taylor, Sara Gilbert, Beverly d’Angelo.

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Catadores e Eu - 01

19 — OS CATADORES E EU (Les Glanuers et la Glaneuse)

Agnès Varda percorre a França para investigar a tradição dos catadores no país. E aborda desde o pessoal que cata as sobras das colheitas, aos que precisam catar lixo para comer e os que pegam o que ninguém quer mais para fazer arte. A diretora belga também faz umas digressões sobre o próprio envelhecimento e o ato de filmar pela primeira vez com uma câmera digital: se detém nas ranhuras das próprias mãos ou nos caminhões na estrada. Nos mantém aos seu lado, batendo papo.
França. Direção e roteiro: Agnès Varda.

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Amores Brutos

18 — AMORES BRUTOS (Amores Perros)

Um rapaz da periferia tenta conseguir uma grana em uma rinha de cachorros, para fugir com a esposa grávida do irmão bandido; uma modelo e atriz famosa que vai finalmente morar junto ao amante vê a vida degringolar após um acidente de carro e ao bizarro sumiço de seu cachorrinho sob o assoalho do apartamento dos sonhos novo; um mendigo que perambula pela cidade na verdade é um assassino profissional lidando com suas próprias perdas. Todas essas histórias se cruzam no intrincado roteiro de Guillermo Arriaga (mas a segunda história é mais fraca que as demais).
México. Direção: Alejandro González Iñárritu. Roteiro: Guillermo Arriaga. Elenco: Gael García Bernal, Emilio Echevarría, Goya Toledo.

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Nova Onda do Imperador

17 — A NOVA ONDA DO IMPERADOR (Emperor’s New Groove)

O longa da Disney parece se inspirar nos curtas de humor alucinado dos Looney Tunes para contar a história do mimado imperador Cuzco, transformado em lhama e que precisa da ajuda de um camponês que ele desprezou. Muito engraçado, com os vilões Izma e Kronk roubando o show e a dublagem brasileira (com Sélton Mello e Marieta Severo) engraçadíssima.
Estados Unidos. Direção: Mark Dindal. Roteiro: David Reynolds, história original de Roger Allers e Matthew Jacobs, história de Chris Williams e Mark Dindal, material adicional de Stephen J. Anderson, Don Hall, John Norton, Doug Frankel, Mark Kennedy e Mark Walton. Vozes na dublagem original: David Spade, John Goodman, Eartha Kitt, Patrick Warburton. Vozes na dublagem brasileira: Sélton Mello, Humberto Martins, Marieta Severo, Guilherme Briggs.

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Erin Brockovich

16 — ERIN BROCKOVICH, UMA MULHER DE TALENTO (Erin Brockovich)

Julia Roberts domina a cena como a personagem real que não e advogada, é uma mulher comum, sem grana ou conhecimentos legais, cheia de problemas, mas que lidera um processo importante contra uma poderosa industria farmacêutica. Soderbergh dá aquele verniz de filme independente, mas o destaque é mesmo a atuação.
Estados Unidos. Direção: Steven Soderbergh. Elenco: Julia Roberts, Albert Finney, Aaron Eckhart, Peter Coyote, Erin Brockovich-Ellis.

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Corpo Fechado

15 — CORPO FECHADO (Unbreakable)

M.Night Shyamalan explora o universo dos super-heróis de quadrinhos, tratando do tema de maneira mais introspectiva e misteriosa. Foi o filme feito logo após O Sexto Sentido e, ainda que já desse para ver que o diretor-roteirista estava ficando prisioneiro do próprio estilo de “surpresa final”, é um filme envolvente de um período em que a cultura das histórias em quadrinhos ainda era raridade na tela.
Estados Unidos. Direção: M. Night Shyamalan. Elenco: Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Robin Wright, Spencer Treat Clark, Charlayne Woodard, M. Night Shyamalan.

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Traffic

14 — TRAFFIC (Traffic)

Soderbergh lançou dois filmes nesse ano e este é o que tinha mais ambições artísticas. Uma ampla trama sobre drogas, que entrelaça várias histórias e aspectos do problema: o trabalho policial; a mulher do traficante que assume o negócio; o juiz que move uma cruzada, mas que descobre que a própria filha é viciada. Cada história numa tonalidade de cor diferente.
Estados Unidos/ Alemanha. Direção: Steven Soderbergh. Elenco: Michael Douglas, Benicio Del Toro, Catherine Zeta-Jones, Don Cheadle, Erika Christensen, Luis Guzmán, Dennis Quaid, Alec Roberts, Miguel Ferrer, James Brolin, Steven Bauer, Amy Irving, Benjamin Bratt, Salma Hayek.

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Nove Rainhas

13 — NOVE RAINHAS (Nueve Reinas)

Todo mundo que já viu um certo número de filmes sabe que, em um filme sobre golpistas, a chance de um dar um golpe no outro é grande. Nove Rainhas lida com essa expectativa, jogando com o espectador o tempo todo. E o carisma de Ricardo Darín é um trufo importante.
Argentina. Direção: Fabián Bielinsky. Elenco: Gastón Pauls, Ricardo Darín, Leticia Brédice, Tomás Fonzi.

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X-Men - O Filme

12 — X-MEN — O FILME (X-Men)

Toda essa onda de filmes de super-heróis começou aqui: com essa adaptação do supergrupo da Marvel, superstars nos quadrinhos e com uma série animada popular na TV. O filme deu muito certo ao situar tudo no mundo “real” (em vez de cenários estilizados) e escalar um elenco carismático. Patrick Stewart como Professor Xavier, e Ian McKellen, como Magneto, emprestam seus status artísticos para as duas forças morais do filme. E Hugh Jackman como Wolverine foi um achado que se provou fundamental. O diretor Bryan Singer ainda soube conduzir bem a questão do preconceito contra os mutantes, o que ajudou este filme a furar a bolha da aventura de quadrinhos só para fãs.
Estados Unidos. Direção: Bryan Singer. Roteiro: David Hayter, história de Tom DeSanto e Bryan Singer, baseado na série de quadrinhos criada por Stan Lee e Jack Kirby. Elenco: Patrick Stewart, Hugh Jackman, Ian McKellen, Anna Paquin, Famke Janssen, James Marsden, Halle Berry, Tyler Mane, Ray Park, Rebecca Romijn-Stamos, Bruce Davison, Stan Lee.

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Malena - 02

11 — MALÈNA (Malèna)

Senhoras e senhores: Monica Bellucci. Uma deusa do cinema, do quilate de outras deusas italianas que viveram no tempo de um cinema mais elegante, Monica é a mulher que passa ondulando por um grupo de adolescentes e vira o sonho impossível de um garoto. Esse garoto assiste ao desenrolar da vida da musa durante a II Guerra na Itália, em meio a uma cidadezinha conservadora hipócrita e de mentalidade miserável. A versão para os EUA, que é a que passou aqui nos cinemas e foi lançada em DVD, foi muito cortada. A original italiana, basicamente, tem mais Monica Bellucci e, principalmente, mais da Monica Bellucci nos delírios eróticos do garoto. Então só poderia mesmo ser ainda melhor.
Itália/ Estados Unidos. Direção e roteiro: Giuseppe Tornatore, história original de Luciano Vincenzoni. Elenco: Monica Bellucci, Giuseppe Sulfaro, Luciano Federico, Matilde Piana.

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Eu Tu Eles

10 — EU, TU, ELES

Nordeste do Brasil e Regina Casé encontra não um, nem dois, mas três pretendentes. Mais do que isso, elas consegue estabelecer uma relação com os três (Lima Duarte, Stênio Garcia e Luiz Carlos Vasconcelos) na mesma casa. Um grande sucesso, de uma época em que o cinema brasileiro ainda estava lutando para ressurgir após a política cultural assassina do governo Collor.
Brasil. Direção: Andrucha Waddington. Roteiro: Elena Soarez. Elenco: Regina Casé, Lima Duarte, Stênio Garcia, Luís Carlos Vasconcelos, Nilda Spencer.

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Requiem para um Sonho

9 — RÉQUIEM PARA UM SONHO (Requiem for a Dream)

Uma paulada que aborda a vida de diversos personagens e o estrago que diversas drogas fazem em suas vidas. O filme proporcionou à grande Ellen Burstyn uma de suas interpretações mais elogiadas e sua sexta indicação ao Oscar. Entre os personagens que estão descendo a ladeira, está a de Jennifer Connelly, protagonizando uma das cenas mais chocantes daquele ano.
Estados Unidos. Direção: Darren Aronofsky. Roteiro: Hubert Selby Jr. e Darren Aronofsky, baseado no livro de Selby Jr. Elenco: Jared Leto, Jennifer Connelly, Ellen Burstyn, Marlon Wayans, Christopher McDonald, Louise Lasser, Marcia Jean Kurtz.

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Coisas Simples da Vida

8 — AS COISAS SIMPLES DA VIDA (Yi Yi)

Um longo épico intimista sobre uma família e os dramas de seus integrantes: quando a avó entra em coma, a filha adolescente se sente culpada e acaba envolvida no namoro da vizinha; o pai reencontra uma namorada do passado; a mãe entra em crise por não ter perspectivas na vida e refugia-se na religião; o tio vive numa confusão financeira e sentimental. Há várias sequências especiais, como o encontro do pai com a ex em Tóquio espelhado no da filha com o ex da amiga em Taipei.
Taiwan/ Japão. Direção e roteiro: Edward Yang. Elenco: Nien-Jen Wu, Kelly Lee, Elaine Jin, Jonathan Chang.  

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Fuga das Galinhas

7 — A FUGA DAS GALINHAS (Chicken Run)

Um Fugindo do Inferno com penas. A animação em stop-motion da britânica Aardman faz uma versâo inusitada do clássico filme de guerra de 1963, com galinhas que tramam uma fuga espetacular de sua granja, que parece um campo nazista de prisioneiros. A animação é impressionante, sem optar por atalhos fáceis, e o roteiro é inteligente e muito divertido.
Reino Unido. Direção: Peter Lord, Nick Park. Roteiro: Karey Kirkpatrick, com diálogos adicionais de Mark Burton e John O’Farrell, história de Peter Lord e Nick Park. Vozes na dublagem original: Julia Sawalha, Mel Gibson, Miranda Richardson, Lynn Ferguson, Imelda Staunton, Timothy Spall. Vozes na dublagem brasileira: Miriam Fischer, Dário de Castro, Nádia Carvalho, Sylvia Salustti. 

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Amnesia

6 — AMNÉSIA (Memento)

O filme com o qual Christopher Nolan estourou é um inteligente quebra-cabeças narrativo. A história de vingança de um homem obcecado em encontrar o sujeito que estuprou e matou sua mulher é contada em dois eixos intercalados: um, em preto-e-branco, o mostra conversando por telefone em um quarto; o outro, a cores, mostra a caçada, mas em sequências que vão voltando no tempo. É que o homem sofre de perda de memória recente. Para dar um pouco dessa sensação ao espectador, a cada três, quatro, cinco minutos, o filme volta para mostrar o que aconteceu antes. Assim, a desorientação vai ganhando sentido e vamos também obtendo informações que o protagonista não tem mais, porque já esqueceu. Entre as cenas a cores, a narrativa em preto-e-branco vai nos dando um pouco mais do contexto. Mas tem mais: essa narrativa é em “V”. Ou seja: as duas linhas narrativas vão se encontrar no final: o desfecho do filme é o meio da história, e traz o motivo pelo qual a sequência de trás para a frente acontece. Para algo tão complicado de explicar, a destreza narrativa faz o filme não perder o sentido.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Christopher Nolan, baseado em conto de Jonathan Nolan. Elenco: Guy Pearce, Carrie-Anne Moss, Joe Pantoliano, Mark Boone Junior, Stephen Tobolowsky.

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Auto da Compadecida

5 — O AUTO DA COMPADECIDA

A minissérie de TV de 1999 ganhou esta versão reduzida para o cinema e fez grande sucesso também na telona. A peça de Ariano Suassuna ganhou muito ao ser filmada no interior da Paraiba, onde efetivamente acontece. O elenco se deu bem demais com isso. O tom teatral de Guel Arraes (que já tinha dirigido o texto no palco) combina e o resultado é tão bom que poderiam ter cortado menos para o cinema.
Brasil. Direção: Guel Arraes. Roteiro: Guel Arraes, Adriana Falcão e João Falcão, baseado em peça de Ariano Suassuna. Elenco: Matheus Natchtergaele, Sélton Mello, Rogério Cardoso, Denise Fraga, Diogo Villela, Virgínia Cavendish, Lima Duarte, Fernanda Montenegro, Marco Nanini, Luís Melo, Maurício Gonçalves, Paulo Goulart, Enrique Diaz, Aramis Trindade.

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Cast Away (2000)Directed by Robert ZemeckisShown: Tom Hanks (as Chuck Noland)

4 — NÁUFRAGO (Cast Away)

Último grande filme de Zemeckis, de uma época em que ele parecia infalível. Tom Hanks leva o filme sozinho em cena parte considerável do tempo, como o funcionário da Fedex que sscapa de um acidente aéreo para se ver em uma ilha deserta. O desempenho de Hanks — com seu personagem conversando com uma bola de vôlei pra não pirar de verdade — é brilhante (perder para Russell Crowe em Gladiador no Oscar do ano seguinte foi uma piada de mau gosto). Todo o segmento de sua volta à civilização é um primor, culminando no ótimo final aberto.
Estados Unidos. Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: William Broyles Jr. Elenco: Tom Hanks, Helen Hunt, Nick Searcy, Chris Noth, Lari White, Geoffrey Blake.

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Quase Famosos

3 — QUASE FAMOSOS (Almost Famous)

Cameron Crowe usou suas memórias de jornalista de música para este conto sobre amadurecimento nos bastidores do rock dos anos 1970. É bonito e é engraçado. Crowe nunca mais fez algo tão bom. Katie Holmes, então — tão linda e promissora que era — nem se fala.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Cameron Crowe. Elenco: Patrick Fugit, Kate Hudson, Billy Crudup, Frances McDormand, Jason Lee, Philip Seymour Hoffman, Fairuza Balk, Noah Taylor, Anna Paquin, Jimmy Fallon.

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Tigre e o Dragão

2 — O TIGRE E O DRAGÃO (Wo Hu Cang Long ou Crouching Tiger, Hidden Dragon)

Após convencer em sua carreira nos EUA, Ang Lee voltou a Taiwan para dirigir este épico de artes marciais, praticamente um filme de super-heróis oriental, temperado com grandes doses de poesia visual —Zhang Ziyi não é uma lutadora treinada, mas usou suas técnicas de dança pra ajudar). Ziyi, Michelle Yeoh e Chow Yun-Fat estão ótimos, fazendo as acrobacias e tudo (os cabos que os içavam foram retirados digitalmente). Um deleite dramático, de aventura e para os olhos.
Taiwan/ Hong Kong/ Estados Unidos/ China. Direção: Ang Lee. Roteiro: Hui-Ling Wang, James Schamus e Kuo Jung Tsai, baseado em livro de Du Lu Wang. Elenco: Chow Yun-Fat, Michelle Yeoh, Zhang Ziyi.

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Amor a Flor da Pele - 03

1 — AMOR À FLOR DA PELE (Fa Yeung Nin Wa ou In the Mood for Love)

Existe um outro filme que Wong Kar-Wai deixou de fora na montagem para dar vida a Amor à Flor da Pele. Tirou o que tinha de mais explícito na relação entre o Sr. Chow (Tony Chiu Wai Leung) e a Sra. Chan (Maggie Cheung) e depurou tudo até não ficar mais claro se há ou não algo para valer entre eles. Seus cônjuges, sim, estão mandando ver numa relação adúltera (e nunca aparecem plenamente em cena — ficaram de fora na montagem). Mas eles, embora estejam muito a fim, andam no fio da navalha entre dar ou não esse passo. O filme brinca com essa expectativa, em diálogos onde parece que a coisa se consumou e, depois, o espectador vê que é um “ensaio” sobre um possível diálogo futuro, ou um exercício de imaginação. E tem todo o charme sessentista, a voz de Nat King Cole cantando em espanhol na trilha, a claustrofobia dos corredores apertados e escadas onde os dois personagens se cruzam…
Hong Kong/ França/ Tailândia. Direção e roteiro: Wong Kar-Wai. Elenco: Maggie Cheung, Tony Leung Chiu Wai, Ping Lam Siu.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS:

Ritmo Louco

Fred Astaire e Ginger Rogers em “Ritmo Louco”

20. ‘OVER THE RAINBOW’, de O Mágico de Oz (1939)
Com Judy Garland. Direção: Victor Fleming. Canção de E.Y. Harburg e Harold Arlen.

Uma das canções definitivas do cinema americano, com Judy no papel para o qual a Metro queria Shirley Temple. Ainda no Kansas tão sem graça que é fotografado em sépia, a menina Dorothy sonha com algum lugar mais colorido (que ela conhecerá após o furacão que a levará “além do arco-íris”). Não precisa muito para criar um momento eterno: é Judy cantando, com seu ar de quem precisa de proteção, e apenas com Totó de plateia.

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19. ‘FRIEND LIKE ME’, de Aladdin (1992)
Com Robin Williams. Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Escalar Robin Williams como o Gênio de Aladdin foi um jogada de mestre. O comediante improvisou a valer, em imitações, vozes e diálogos. E deu um show na interpretação desta música introdutória de seu personagem. O que inspirou os animadores a também darem um show para acompanhar sua interpretação. É tão fantástico que a versão live action de 2019, com todo o CGI à disposição, simplesmente não consegue acompanhar.

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18. ‘BROADWAY RHYTHM BALLET’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly, Cyd Charisse e elenco. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

“Gotta dance!”. Ao modo do que Sinfonia de Paris fez um ano antes, Cantando na Chuva também reservou um grande balé para perto do seu final. É quase um curta-metragem dançado dentro do filme. No caso, é a imaginação de um número para o filme-dentro-do-filme: um dançarino que tenta começar na Broadway e sua escalada ao sucesso, tendo, no caminho, o encontro com uma sedutora mulher que é namorada de um gangster. Para o número, foi escalada a monumental Cyd Charisse, bailarina que fazia pequenos papeís na MGM. Com pernas intermináveis, este número a catapultou para o primeiro time dos musicais do estúdio. E já estava demorando.

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17. ‘CHEEK TO CHEEK’, de O Picolino (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Fred Astaire. Canção de Irving Berlin.

Este talvez seja o momento mais icônico da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers. Apareceu em momentos capitais, por exemplo, de A Rosa Púrpura do Cairo (1985) e À Espera de um um Milagre (1999). Muito se fala sobre essa cena, inclusive que Fred odiava esse vestido de Ginger, que ela insistiu em usar, porque as penas o faziam espirrar e se soltavam durante a dança. Ginger acabou ganhando o apelido sacana de “Feathers”, mas a a magia da dança no cinema é isso aí: fazer o difícil parecer sublime. “Anjos… Eles são como anjos no céu”, diz sobre eles o personagem de À Espera de um Milagre.

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16. ‘LET’S CALL THE WHOLE THING OFF’, de Vamos Dançar? (1937)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Harry Losee. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

George Gershwin notou que Fred Astaire e Ginger Rogers tinham sotaques diferentes. E escreveu com irmão letrista Ira uma canção especialmente para brincar com isso. “You say ‘eether’, and I say ‘eyether'”, “You say ‘tomayto’, and I say ‘tomahto'” e por aí vai. Já é uma obra-prima, mas ainda tem a parte da dança, esse impressionante dueto… sobre patins! Número que, fora os ensaios, levou mais 150 takes. No fim, na cena em que os dois se estabanam na grama falsa, Fred e Ginger já estavam mesmo com tudo doendo de tanto repetirem a cena.

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15. ‘AN AMERICAN IN PARIS BALLET’, de Sinfonia de Paris (1951)
Com Gene Kelly, Leslie Caron é elenco. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Gene Kelly. Música de George Gershwin.

Sapatinhos Vermelhos pegou fundo em Gene Kelly. Ele usou o recurso de um grande como clímax já no ano seguinte, em Um Dia em Nova York. Usaria também, ainda mais elaborado, em Cantando na Chuva. E, entre eles, aqui: um ponto de inflexão em sua carreira como astro e como coreógrafo. Seu personagem é pintor e, neste delírio quando perde a mulher amada, ele entra literalmente dentro de obras de pintores franceses famosos.

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14. ‘SUPERCALIFRAGILISTICEXPIALIDOCIOUS’, de Mary Poppins (1964)
Com Julie Andrews e Dick van Dyke. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

A palavra para se dizer quando não se sabe o que dizer. Dentro de um mundo de desenho animado, Mary Poppins e Bert cantam e dançam com os desenhos, no estilo dos números musicais no teatro de 1910. É uma canção antológica, que ficou em 36º lugar na eleição das 100 canções do cinema americano pelo American Film Institute. É um trava-língua indo e voltando: Julie Andrews diz a palavra de trás pra frente em um momento (e já mostrou que ainda consegue fazê-lo).

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13. ‘DIAMONDS ARE A GIRL’S BEST FRIEND’, de Os Homens Preferem as Louras (1953)
Com Marilyn Monroe. Direção: Howard Hawks. Coreografia: Jack Cole. Canção de Jule Styne e Leo Robin.

1953 foi o ano em que Marilyn explodiu para o mundo. E este permanece até hoje seu número-assinatura: no filme, ela se apresenta para uma plateia, mas também manda um recado irônico para o ex-noivo. É icônico, uma referência visual e auditiva para sempre. Não por acaso, foi citado no clipe de “Material girl”, da Madonna, e nos filmes Moulin RougeAves de Rapina.

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12. ‘YOU’RE ALL THE WORLD TO ME’, de Núpcias Reais (1951)
Com Fred Astaire. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Nick Castle. Canção de Burton Lane e Alan Jay Lerner.

Dançando, Fred Astaire era capaz de tudo: até de subir pelas paredes. Nem a gravidade era páreo para ele. Num efeito especial genial ainda hoje, Fred dança nas paredes e no teto de um quarto. Por muito tempo cinéfilos se perguntaram como foi feito. O segredo é que o quarto inteiro girava e a câmera girava junto. Astaire usava a perícia para acompanhar a rotação. Esse exemplo antológico do artesanato do cinema foi usado recentemente com a mesma técnica em A Origem, por exemplo. Mas lembre-se que aqui estamos falando de 1951.

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11. ‘NEVER GONNA DANCE’, de Ritmo Louco (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: George Stevens. Direção de dança: Hermes Pan. Canção de Dorothy Fields e Jerome Kern.

Fred quer Ginger, Ginger quer ir embora. Ele tenta reconquistá-la, primeiro, cantando. Então, eles estão juntos na pista de dança vazia. O que se segue é uma preciosidade. Do andar desalentado, evolui-se para a dança. Na dança, surgem passos que já foram trocados em momentos mais felizes no filme. É a dança contando a história, sem palavras. Uma dança espetacular em um plano sequência de 2 minutos e 30 segundos, que inclui uma subida de escada e a dança seguindo depois disso. Só há um corte, para um segundo plano, com os muitos giros de Ginger Rogers (que levou 47 takes em um dia e fez os pés de Ginger sangrarem).

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Mogli

Diário de Filmes 2020: 14

O sucesso desta versão de Mogli animou a Disney a produzir em série versões live action de seus clássicos animados. No caso, aqui, é um mezzo live action (porque só o menino é real; tudo em volta é CGI). É bem decente e a presença humana talvez amenize um pouco, por contraste, a falta de expressividade dos animais digitais falantes. É um problema que ficou maior em O Rei Leão, do mesmo Favreau (e que é zero live action). Curiosamente, o final deste Mogli século XXI é mais conto-de-fadas que a animação dos anos 1960: lá, o menino-lobo segue seu curso rumo à aldeia dos homens; aqui, a fantasia forçada de continuar seguir na floresta com o urso Balu e a pantera Baguera.

MOGLI, O MENINO-LOBO (Jon Favreau, 2016)
½

20 — O PÁSSARO AZUL (The Blue Bird)

A Metro quis Shirley Temple para estrelar O Mágico de Oz em 1939, e não conseguiu. A Fox, então, resolveu colocar a estrela mirim em sua própria aventura encantada. Já aos 12 anos, Shirley já não é mais tão novinha e faz um papel antipático. Não é Oz, longe disso, mas o filme marcou uma geração.
Estados Unidos. Direção: Walter Lang. Roteiro: Ernest Pacal, com Walter Bullocm (diálogos adicionais), baseado em peça de Maurice Maeterlinck. Elenco: Shirley Temple, Spring Byington, Nigel Bruce, Gale Sodeengard.

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19 — A VOLTA DE FRANK JAMES (The Return of Frank James)

O filme fantasia os eventos que teriam acontecido após o assassinato do lendário Jesse James, pelas costas, por homens de seu bando. O irmão Frank sai de seu esconderijo para vingar a morte. É uma continuação de Jesse James (1939), inclusive abrindo com a cena da morte do filme anterior, e vários atores reprisando seus papéis, inclusive Henry Fonda. Lang, bem ajustado aos filmes B americanos, está bem longe de seus dias no Expressionismo Alemão. 
Estados Unidos. Direção: Fritz Lang. Roteiro: Sam Hellman. Elenco: Henry Fonda, Gene Tierney, Jackie Cooper, Henry Hull, John Carradine.

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18 — PICA-PAU ATACA NOVAMENTE (Knock, Knock)

Apesar do título brasileiro falar em novo ataque, essa é a estreia do Pica-Pau, na série do Andy Panda, apenas como uma dor de cabeça ocasional para o pai do ursinho. O personagem ainda nem tinha nome. Seu comportamento alucinado garantiu a ele protagonizar um novo curta no ano seguinte (Pica-Pau Biruta, em que enlouquece um psiquiatra) e o resto é história.
Estados Unidos. Direção: Walter Lantz e Alex Lovy (não creditados). Roteiro: Lowell Elliot e Ben Hardaway. Vozes na dublagem original: Sara Berner, Mel Blanc.

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Wild Hare

17 — COELHO SELVAGEM (A Wild Hare)

Outro curta com uma estreia muito importante: aqui, o Pernalonga surge definido, após alguns protótipos terem aparecido em desenhos anteriores. O coelho subverte a caçada de Hortelino com todos os truques que aprimoraria nos anos seguintes. Pela primeira vez, ele diz o célebre “O que é que há, velhinho?”.
Estados Unidos. Direção: Tex Avery. Roteiro: Rich Hogan. Vozes na dublagem original: Mel Blanc, Arthur Q. Bryan.

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Melodia da Broadway de 1940 - 03

16 — MELODIA DA BROADWAY DE 1940 (Broadway Melody of 1940)

Não é um dos mais inspirados musicais da Metro, mas aconteceu de unir os dois melhores em seu ofício. Fred Astaire e Eleanor Powell, dois gênios absolutos, o melhor dançarino e a melhor dançarina do cinema, se encontraram na tela e entregaram juntos pelo menos dois momentos antológicos. “Jukebox’s dance” e “Begin the beguine” entram em qualquer antologia séria da dança no cinema.
Estados Unidos. Direção: Norman Taurog. Roteiro: Leon Gordon e George Oppenheimer, história original de Jack McGowan e Dore Schary, contribuições não creditadas de Preston Sturges, Walter DeLeon, Vincent Lawrence, Albert Mannheimer, Eddie Moran, Thomas Phipps e Sid Silvers. Elenco: Fred Astaire, Eleanor Powell, George Murphy, Frank Morgan.

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Ponte de Waterloo

15 — A PONTE DE WATERLOO (Waterloo Bridge)

Depois de …E o Vento Levou, Vivien Leigh estrelou esse melodrama que volta aos dias da I Guerra: ela é uma bailarina que se apaixona por um oficial. Tudo vai bem, mas ela perde o emprego e acha que ele morreu em combate. Sem dinheiro e esperança, acaba se tornando prostituta. Refilmagem de um filme de 1931, parece datado na maneira como trata a prostituição (ninguém ousa dizer o nome). Mas, bem, o filme se passa nos anos 1910. Vivien é absolutamente hipnotizante e Robert Taylor é um dos atores mais bonitos que o cinema já viu.
Estados Unidos. Direção: Mervyn LeRoy. Roteiro: S.N. Behrman, Hans Rameau e George Foerschel, baseado em peça de Robert E. Sherwood. Elenco: Vivien Leigh, Robert Taylor, Virginia Field, Lucile Watson, Maria Ouspenskaya.

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Bichano em Maus Lençóis

14 — UM BICHANO EM MAUS LENÇÓIS ou UM GATO TRAVESSO (Puss Get the Boot)

Esse curta é a estreia de dois dos personagens mais amados e de maior sucesso dos desenhos animados: Tom & Jerry. Aqui, ainda sem seus nomes definitivos: Tom é chamado de Jasper, e Jerry nem tem seu nome mencionado. Mas a dinâmica já está toda aí: com o camundongo aproveitando que a dona mandou o gato não fazer bagunça para fazer da vida do bichano um inferno.
Estados Unidos. Direção e roteiro: William Hanna e Joseph Barbera. Voz na dublagem original: Lillian Randolph.

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13 — A CARTA (The Letter)

Bette Davis já surge em cena descarregando uma arma em um infeliz. Depois disso, ela se justifica para o marido e o advogado, mas sua história é ameaçada pela notícia de que há uma carta comprometedora. Wyler mostra sua perícia com a câmera e o uso da luz para contar esse dramão de crime e castigo.
Estados Unidos. Direção: William Wyler. Roteiro: Howard Koch, baseado na peça de W. Somerset Maughan. Elenco: Bette Davis, Herbert Marshall, James Stephenson, Gale Sondergaard.

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12 — VOCÊ DEVIA ESTAR NO CINEMA (You Ought to Be in Pictures)

Patolino convence Gaguinho a romper seu contrato de desenho animado com a Warner e tentar ser ator no cinema. Isso acontece numa divertida mistura de personagens animados em cenários reais, com o produtor Leon Schlesinger interpretando a si mesmo, e o roteirista Michael Maltese como um guarda de estúdio.
Estados Unidos. Direção: Friz Freleng. Roteiro: Jack Miller. Elenco: Leon Schlesinger, Michael Maltese. Voz na dublagem original: Mel Blanc.

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Correpondente Estrangeiro11 — CORRESPONDENTE ESTRANGEIRO (Foreign Correspondent)

O segundo filme de Alfred Hitchcock em Hollywood é um suspense de espionagem já sobre a II Guerra (os EUA estavam ainda fora do conflito, mas a Inglaterra natal do diretor estava dentro). É daqui a grande cena do avião que cai no mar e acompanhamos a queda de dentro da cabine até a água entrar.
Estados Unidos. Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Charles Bennett e Joan Harrison, com diálogos de James Hilton e Robert Benchley, e contribuições de Ben Hecht (não creditado) e Richard Maibaum (não creditado). Elenco: Joel McCrea, Laraine Day, Herbert Marshall, George Sanders, Robert Benchley, Edmund Gwenn.

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Marca do Zorro10 — A MARCA DO ZORRO (The Mark of Zorro)

Tyrone Power estrela a versão 1940 do herói da literatura que já havia tido uma adaptação antológica no cinema mudo (em 1920, com Douglas Fairbanks). Bem produzida, ágil, é um grande representante do gênero capa-e-espada. Tem um grande herói, um baita vilão (Basil Rathbone) e uma mocinha das mais deslumbrantes (Linda Darnell, aos 16 anos nas filmagens). O duelo final é antológico.
Estados Unidos. Direção: Rouben Mamoulian. Roteiro: John Taintor Foote, com adaptação de Garret Fort e Besse Meredyth para o romance seriado de Johnston McCulley. Elenco: Tyrone Power, Linda Darnell, Basil Rathbone, Gale Sondergaard.

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Sr Pato Sai de Casa

9 — O SR. PATO SAI DE CASA ou DONALD ADORA DANÇAR (Mr. Duck Steps Out)

O curta da Disney mostra Donald e seus três sobrinhos em um inusitado duelo quando o pato visita a namorada. O desenho estabelece de vez a personagem da Margarida, que aqui ganha seu nome. Tem aquele momento safadinho em que, no sofá, ela dá aquela afastada no pato saidinho, mas o chama com o rabinho. Clarence Nash faz todas as vozes (inclusive a da Margarida).
Estados Unidos. Direção: Jack King. Roteiro (não creditados): Carl Barks, Chuck Couch, Jack Hannah, Harry Reeves, Milt Schaffer e Frank Tashlin. Voz na dublagem original: Clarence Nash.

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Loja da Esquina8 — A LOJA DA ESQUINA (The Shop Around the Corner)

A comédia romântica de Lubitsch se passa em uma loja de presentes em Budapeste, com algumas tramas, sendo a principal a do casal de vendedores que vive às turras, mas que, sem saber, são apaixonados um pelo outro. É que eles trocam cartas de maneira anônima. A combinação da direção com os ótimos James Stewart e Margaret Sullavan é perfeita. O filme originou o também bem bom Mensagem para Você, em 1998, já no mundo dos e-mails.
Estados Unidos. Direção: Ernst Lubitsch. Roteiro: Samson Raphaelson, com colaboração de Ben Hetch (não creditado), baseado em peça de Miklós László. Elenco: Margaret Sullavan, James Stewart, Frank Morgan, Joseph Schildkraut.

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Grande Ditador

7 — O GRANDE DITADOR (The Great Dictator)

Chaplin usou música e algumas falas pontuais em seus dois filmes anteriores, mas este é o seu primeiro falado para valer. E ele não desperdiçou sua voz. De um lado há um barbeiro judeu (o último filme de Carlitos?) em um gueto. Do outro, o ditador que parodia Hitler. Na primeira cena, o ditador ridículo discursa histrionicamente num alemão inventado. Na última, o barbeiro que foi parar no lugar do ditador faz o maior discurso pela paz e humanismo no cinema. É bom lembrar que a guerra já estava comendo no centro na Europa e os EUA ainda nem aí.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Charles Chaplin. Elenco: Charles Chaplin, Paulette Goddard, Jack Oakie.

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Núpcias de Escândalo6 — NÚPCIAS DE ESCÂNDALO (The Philadelphia Story)

A primeira cena é de antologia. Cary Grant sai pela porta em direção ao carro. Atrás dele, vem Katharine Hepburn, flutuando, com seus tacos de golfe. Ao chegar perto, os solta no chão. E, com aquela cara de satisfação, parte um dos tacos ao meio. É quando sabemos que estamos assistindo a uma separação. A história começa mesmo quando ela vai casar de novo, o ex reaparece com um repórter e uma fotógrafa de uma revista de fofocas para embaralhar o negócio. Uma comédia de erros de Cukor é cheia de maus entendidos, paixões que vêm e vão, falsas premissas. O elenco é incrível, mas o show é de Kate Hepburn: a peça na Broadway foi escrita para ela; ela comprou os direitos para o cinema; ela apostou no material para reerguer sua carreira em Hollywood, que andava em baixa. Deu certíssimo.
Estados Unidos. Direção: George Cukor. Roteiro: Donald Ogden Stewart, com colaboração de Waldo Salt (não creditado), baseado em peça de Philip Barry. Elenco: Katharine Hepburn, Cary Grant, James Stewart, Ruth Hussey, John Howard.

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Rebecca5 — REBECCA, A MULHER INESQUECÍVEL (Rebecca)

A estreia de Hitchcock em Hollywood foi um duelo entre ele e o produtor David O. Selnick pelo controle criativo do filme. A história é a da jovem que se casa com um aristocrata, mas a presença da primeira mulher morta na propriedade é sufocante além da conta. Rebecca é o nome até do próprio filme, a pobre nova Senhora De Winter nem nome tem na história.
Estados Unidos. Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Robert E. Sherwood e Joan Harrison, com adaptação de Philip MacDonald e Michael Hogan para o romance de Daphne Du Maurier. Elenco: Joan Fontaine, Laurence Olivier, Judith Anderson, George Sanders.

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Fantasia

4 — FANTASIA (Fantasia)

Walt Disney pensou bem grande ao conceber Fantasia: um filme-concerto, com curtas animados inspirados em peças da música clássica. E a ideia ainda era ir relançando o filme anualmente, trocando alguns segmentos a cada vez. Não deu porque o filme não foi bem de bilheteria, mas ele acabou encontrado seu público e status de obra de arte ao ser relançado. É a silly symphony definitiva, que vai do Mickey aprendiz de feiticeiro à uma representação ambiciosa do começo da vida na Terra.
Estados Unidos. Direção: James Algar, Samuel Armstrong, Ford Beebe Jr., Norman Ferguson, David Hand, Jim Handley, T. Hee, Wilfred Jackson, Hamilton Luske, Bill Roberts, Paul Satterfield e Ben Sharpsteen. Roteiro: Joe Grant e Dick Huemer (diretores de história), Lee Blair, Elmer Plummer, Phil Dike, Sylvia Moberly-Holland, Norman Wright, Albert Heath, Bianca Majolie, Graham Heid, Perce Pearce, Carl Fallberg, William Martin, Leo Thiele, Robert Sterner, John McLeish, Otto Englander, Webb Smith, Erdman Penner, Joseph Sabo, Bill Peet, Vernon Stallings, Campbell Grant, Arthur Heinemann e Phil Dike. Elenco: Deems Taylor, Leopold Stokowski.

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Pinóquio - 023 — PINÓQUIO (Pinocchio)

A animação em Pinóquio é, 80 anos após seu lançamento, de cair o queixo. O conto moral infantil que ainda cala fundo no imaginário coletivo, sobre amor paterno, fadas e os perigos das mentiras e do mundo, é embalado por imagens lindamente confeccionadas, movimentos de câmera elaborados e momentos impactantes (a impressionante aparição da baleia Monstro, a assustadora sequência dos meninos se transformando literalmente em burros).
Estados Unidos. Direção: Hamilton Luske e Ben Sharpsteen (supervisores), Norman Ferguson, T. Hee, Wilfred Jackson, Jack Kinney, Bill Roberts. Roteiro: Ted Sears, Otto Englander, Webb Smith, William Cottrell, Joseph Sabo, Erdman Penner, Aurelius Battaglia, com colaboração não creditada de Bill Peet e Frank Tashlin, baseado em livro de Carlo Collodi. Vozes na dublagem original: Dickie Jones, Cliff Edwards, Christian Rub, Evelyn Venable, Charles Judels. Vozes na dublagem brasileira de 1940: Doraldo Thompson, Mesquitinha, Baptista Junior, Zezé Fonseca. Vozes na dublagem brasileira de 1965: Carlos Alberto Mello, Ênio Santos, Luis Motta, Selma Lopes.

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Jejum de Amor2 — JEJUM DE AMOR (His Girl Friday)

A Primeira Página é uma peça onde os dois personagens principais são um editor de jornal e seu repórter que quer largar o emprego para se casar, mas é empurrado para a cobertura de um preso à beira da execução. Howard Hawks contava que, lendo diálogos numa festa com uma amiga, sacou que ficava muito melhor se um dos personagens fosse uma mulher. E, assim, a peça ganhou sua segunda adaptação para o cinema, na qual “o” repórter passava a ser “a” repórter. Cary Grant e Rosalind Russell, além de parceiros profissionais, agora também seriam ex-casados. À tensão romântica, Hawks ainda acrescentaria o modo de metralhar os diálogos. Rapidíssimos e sobrepostos, com uma técnica ensaiada onde o espectador não ficaria sem entender nada importante, e ainda abertos aos improvisos dos atores, são um marco na maneira de atuar no cinema. E, claro, é muito engraçado.
Estados Unidos. Direção: Howard Hawks. Roteiro: Charles Lederer, com colaboração de Ben Hecht (não creditado) e diálogos adicionais de Morrie Ryskind (não creditado), baseado na peça de Hecht e Charles MacArthur. Elenco: Cary Grant, Rosalind Russell, Ralph Bellamy, Gene Lockhart, Cliff Edwards.

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The Grapes Of Wrath - 1940

1 — VINHAS DA IRA (The Grapes of Wrath)

A saga de uma família americana que é expulsa de sua terra por ricos proprietários e atravessa o país até a Califórnia em busca de trabalho digno em plantações. A miséria nos Estados Unidos durante a Grande Depressão viajou da prosa premiada de John Steinbeck para a narrativa de um cineasta maravilhoso, John Ford. Ele conta esse épico da pobreza, que avança com a formação da consciência social do filho mais velho da família, vivido por Henry Fonda, a respeito de uma sociedade que se vende como justa, mas massacra os pobres com violência, discriminação e mesquinharia. Ganhou os Oscars de direção e atriz coadjuvante (para Jane Darwell, a comovente mãe do clã).
Estados Unidos. Direção: John Ford. Roteiro: Nunnally Johnson, baseado em romance de John Steinbeck. Elenco: Henry Fonda, Jane Darwell, John Carradine, Charley Grapewin, Dorris Bowdon, Ward Bond.

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ATUALIZAÇÕES:

11/2/2021: A lista passa de 15 filmes para 20. Os cinco novos filmes são: O Pássaro Azul (20º), A Volta de Frank James (19º), Pica-Pau Ataca Novamente (18º), A Carta (13º), Você Devia Estar no Cinema (12º). Coelho Selvagem foi de 14º para 17º. Melodia da Broadway de 1940 foi de 15º para 16º. A Ponte de Waterloo, de 13º para 15º. Um Bichando em Maus Lençóis, de 12º para 14º. Correspondente Estrangeiro, de 10º para 11º. A Marca do Zorro, de 9º para 10º. O Sr. Pato Sai de Casa, de 11º para 9º.

* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS:

Meu Amigo o Dragao - 2016 - 07

Refilmagem de um filme de 1977 que colocava atores contracenando com um dragão de desenho animado, este se propõe a uma pegada mais “realista”. Se no de 1977, o dragão parecia saído de um desenho do Mickey, com pretensão zero em ser real, aqui o CGI tenta inseri-lo na realidade ao redor. Também não é um musical, como o anterior. Poderia dar muito errado, mas funciona, com Robert Redford emprestando sua dignidade.

MEU AMIGO, O DRAGÃO (David Loewry, 2016)

Atlantis - 07

Como não foi um grande sucesso nas bilheterias, Atlantis — O Reino Perdido é meio escanteado na história da Disney. É injusto. Da mesma dupla de diretores de A Bela e a Fera (1991) e O Corcunda de Notre Dame (1996), foi uma das primeiras tentativas do estúdio de uma animação de aventura mais jovem, menos infantil, e sem ser um musical.

E, no caso, totalmente inspirado em Jules Verne, com visual desenvolvido por Mike Mignola (quadrinhista criador de Hellboy, creditado como desenhista de produção). Ambientado em 1914, é bonito, tem ritmo e ainda tem mensagens ecológicas e contra o militarismo e o imperialismo. Foi o último longa dos dois diretores, o que é uma pena.

ATLANTIS — O REINO PERDIDO (Gary Trousdale e Kirk Wise, 2001)

Cantando na Chuva - 33

Donald O’Connor, Debbie Reynolds e Gene Kelly, em “Cantando na Chuva”

30. ‘JE CHERCHE APRÈS TITINE’, de Tempos Modernos (1936)
Com Charles Chaplin. Direção: Charles Chaplin. Canção de Léo Daniderff, Marcel Bertal e Louis Maubon.

Como todo mundo sabe, Charles Chaplin resistiu o quanto pôde ao cinema falado. Quando Tempos Modernos estreou, já fazia nove anos da estreia de O Cantor de Jazz. E o filme, genial, continua praticamente sem diálogos. Há duas exceções. Uma são as ordens ásperas do chefe da fábrica. A outra é o único momento em que Carlitos fala. Contratado para cantar em um restaurante, ele esquece em cena a letra da canção. “Cante! Deixe as palavras pra lá!”, orienta, em socorro, a personagem de Paulette Goddard. O que vem a seguir só podia ser obra de um gênio como Chaplin: ouve-se a voz de Carlitos, mas as palavras são inventadas, não fazem sentido. O sentido da música, o que ela conta, está na coreografia que ele faz, na pantomima, como Carlitos se comunicava desde que surgiu no cinema, em 1914.

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29. ‘MEIN HERR’, de Cabaret (1972)
Com Liza Minnelli. Direção e coreografia: Bob Fosse. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de John Kander e Fred Ebb.

“Mein herr” é a primeira aparição de Liza Minnelli em Cabaret, e que introdução! Sexy, ela mostra logo que esse não é um musical como os que sua mãe, Judy Garland, fazia. A canção foi feita para o filme – não estava na versão original para os palcos.

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28. ‘GET HAPPY’, de Casa, Comida e Carinho (1950)
Com Judy Garland. Direção e coreografia: Charles Walters. Canção de Harold Arlen e Ted Koehler.

O inferno de Judy Garland com o vício em remédios já afetavam seu trabalho na Metro, e o estúdio a demitiu após esse filme. Nas filmagens, Judy passou por alterações de peso, de humor, incapacidade de trabalhar. Este número foi rodado três meses depois do resto do trabalho do filme ter sido concluído. É um verdadeiro canto do cisne de sua obra na Metro. Judy perdeu peso e está absolutamente espetacular. Seu figurino virou uma assinatura (a ideia foi resgatada de um número de Desfile de Páscoa que acabou cortado). A canção (escolhida por Judy) parece dizer mais do que todo mundo ali sabia no momento (ela morreria muito jovem, apenas 19 anos depois). Judy passou dois dias aprendendo e ensaiando a coreografia, gravou a canção num take só e perfeito e a sequência levou outros dois dias para ser filmada. Foi seu último número na Metro. E foi uma obra-prima.

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27. ‘EVERY SPERM IS SACRED’, de O Sentido da Vida (1983)
Com Michael Palin, Terry Jones, Andrew MacLachlan, Jennifer Franks, Graham Chapman e Eric Idle. Direção: Terry Jones. Coreografia: Arlene Phillips. Canção de Michael Palin, Terry Jones, André Jacquemin e Dave Howman.

Uma família católica fervorosa tem uma multidão de filhos porque não pode usar métodos contraceptivos. Dessa proposta aloprada, surge um dos números musicais mais inacreditáveis do cinema: “Todo esperma é sagrado/ Se o esperma é desperdiçado/ Deus fica muito irado”. As crianças não tinham ideia sobre o que estavam cantando (algumas palavras sujas foram mudadas na filmagem e dubladas depois). Um número alto astral, embora as crianças estejam para ser vendidas para experimentos científicos! Terry Jones gastou a maior parte do orçamento do filme neste número implacável e demolidor, que diz animadamente sobre ser católico: “Você não precisa ter um grande cérebro/ você é católico desde que o papai gozou”.

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26. ‘SILK STOCKINGS’, de Meias de Seda (1957)
Com Cyd Charisse. Direção: Rouben Mamoulien. Coreografia: Eugene Loring. Música de Cole Porter.

Uma magnífica Cyd Charisse interpreta uma espiã russa durona que acaba seduzida pelo luxo de Paris (o musical é uma refilmagem de Ninotchka, com Greta Garbo). Seu momento de virada é aqui: um número solo antológico onde sua roupas sisudas de comunista dão lugar às meias de seda do título e ao vestido suntuoso. Cyd (com suas pernas lendárias) é tão sublime que a gente quase não percebe estar assistindo a um strip-tease de uma belíssima mulher (mentira).

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25. ‘SHAKIN’ THE BLUES AWAY’, de Ama-me ou Esquece-me (1955)
Com Doris Day. Direção: Charles Vidor. Coreografia: Alex Romero. Canção de Irving Berlin.

Doris Day fazia musicais na Warner, com resultados oscilantes. Dois anos antes, tinha conseguido um gol com Ardida como Pimenta (1953), no qual cantou a vencedora do Oscar “Secret love”. Ama-me ou Esquece-me, no entanto, foi na Metro — e aí era “ôto patamá”. Ela interpreta Ruth Etting, cantora dos anos 1920 que, para chegar ao sucesso, se envolve com um gangster (James Cagney). Marcada por papéis virtuosos que renderam a ela o apelido de “virgem profissional de Hollywood”, Doris nunca esteve tão sensual como neste filme. E neste número, a bordo de uma produção de primeira e uma canção otimista toda-vida de Irving Berlin, ela seduz cantando e dançando.

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24. ‘UNDER THE SEA’, de A Pequena Sereia (1989)
Com Samuel E. Wright. Direção: Jon Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Ariel quer se meter com os humanos na superfície e o caranguejo Sebastião tenta convencê-la que é muito melhor no fundo do mar. É difícil não concordar com ele, nesta maravilhosa canção vencedora do Oscar que inspirou esse número colorido e movimentado que diz que, lá, peixe termina no aquário — e este tem até sorte, porque se o chefe fica com fome… “Lá eles tem um monte de areia, aqui temos uma banda de crustáceos da pesada”. Não adianta: a sereia já se mandou no meio da música. Mas o espectador fica.

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23. ‘WELL DID YOU EVAH?’, de Alta Sociedade (1956)
Com Bing Crosby e Frank Sinatra. Direção: Charles Walters. Canção de Cole Porter.

Esses dois monstros sagrados da música popular americana nunca tinham aparecido juntos num longa-metragem. Nesta refilmagem de Núpcias de Escândalo (1940), eles dão uma escapada de uma festa chique para beber mais do que a elegância permite. Sinatra é o jornalista que está lá para cobrir o casório para sua revista de celebridades e ricaços. Crosby é o ex-marido da tempestuosa noiva, que ainda gosta dela. Juntos, os dois homens desfilam más notícias de brincadeira, ironias, bebem mais, falam besteira e resumem suas impressões sobre aquilo tudo: “Bem, quem diria? Que festa legal essa é!”. O número, originalmente do musical de palco Du Barry Was a Lady, foi acrescentado ao filme para dar a Crosby e Sinatra um momento em que pudessem cantar junto. Decisão mais que acertada: um número divertidíssimo com dois caras com grandes vozes e carismas ainda maiores.

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22. ‘REMEMBER MY FORGOTTEN MAN’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Joan Blondell, Etta Moten e côro. Direção: Mervyn LeRoy. Direção de dança: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

O musical geralmente é um gênero indentificado com o escapismo, o romance, o sonho, o humor. O que dizer de “Remember my forgotten man”, então? Em 1933, o número que encerra grandiosamente Cavadoras de Ouro dá um tapa na cara da sociedade americana, falando dos desvalidos que foram mandados à guerra como soldados e voltam esfolados e sem encontrar seu lugar. E que terminam marginalizados pelo mesmo país que foram defender. Busby Berkerley em estado de graça: um momento mostra uma fila de garbosos soldados parte para o conflito e outra ao lado, com os homens retornando feridos. Mas o final é que é brilhante: com o desfile militar de silhuetas ao fundo, Joan Blondell quase fazendo uma oração cercada pelos “forgotten men” e o incrível plano sequência final, que começa no rosto da atriz e termina com a cena inteira. Sensacional.

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21. ‘GOOD MORNING’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly, Debbie Reynolds e Donald O’Connor. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Nacio Herb Brown e Arthur Freed.

Depois de muito baixo astral, um boa ideia reanima os ânimos do trio. E como! Don Lockwood, Kathy Selden e Cosmo Brown fazem da casa um palco: dançam na cozinha, pelas escadas, com capas de chuva, no bar, viram sofás, em uma das maiores exibições de sapateado do cinema. E, nisso, um grande destaque para Debbie Reynolds, que, aos 19 aninhos, não era dançarina, teve que dançar com dois monstros do ofício e deu conta do recado olimpicamente. “Cantando na Chuva e dar à luz foram as duas coisas mais difíceis que já fiz”, disse ela em suas memórias, em 2013. Este número levou 15 horas no dia para ser filmado. São três minutos e apenas nove cortes. No fim, Debbie estava com os pés sangrando. Mas ela conseguiu: entregou o momento mais formidável de sua carreira.

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FROZEN 2

Existe essa regra na “cartilha” de Hollywood segundo a qual toda continuação deve ser maior que o filme anterior. Frozen II tem mais ação, mas personagens, mais plots, mais música, mais melodrama. Tudo resultando num baita exagero geral, com algumas resoluções de roteiro muito ruins. O visual continua um deslumbre, mas é pouco.

FROZEN II (Chris Buck, Jennifer Lee, 2019)
½

Operação Big Hero-02

A primeira animação do Walt Disney Animation Studios a usar como material personagens da Marvel se debruçou sobre ilustres desconhecidos do grande público. Mas entregou um elenco animado bem carismático, que sustenta uma animação de aventura muito bem contada.

OPERAÇÃO BIG HERO (Don Hall e Chris Williams, 2014)
⭐⭐⭐⭐

Rei Leao - 2019

O REI LEÃO
⭐⭐⭐

Animais viraram bando de ‘ciganos Igor’

por Renato Félix

A Disney achou uma mina de ouro nessa franquia em que cata em seus clássicos da animação material para adaptações com atores em carne-e-osso. O Rei Leão não é um live action, mas a ideia é parecer o máximo com um: todos os animais são animações por computador extremamente realistas. Mas, em geral, é como as experiências anteriores: em que pese o grande sucesso de bilheteria e alguma atualização das personagens femininas, artisticamente tudo parece desnecessário e sem chegar aos pés do original.

A trama do novo filme segue muito de perto o original. Na verdade, a cena de abertura — com o número “Circle of life” e os animais se encaminhando  para a apresentação do herdeiro do trono — é um decalque plano a plano da original. Em termos de narrativa, a maior parte do filme é por aí, como uma cópia xerox ou aproximada da animação feita majoritariamente à mão em 1994.

Isso, claro, garante que o filme seja um bom entretenimento e mantenha as mensagens sobre responsabilidade e contra a tirania. O problema é que a vontade de parecer “de verdade” (mesmo que seja com animais que falam e cantam) distancia este filme daquilo que o original tinha de melhor.

Para começar, o carisma dos personagens. A animação à mão de 1994 tinha a liberdade de recorrer ao cartunesco quando quisesse. Esta se limita a abrir e fechar a boca dos personagens para os diálogos e canções. Emoções dependem exclusivamente da dublagem e de alguma expressão corporal. Fora isso, qualquer sentimento é expresso pela mesma cara: os ricos personagens de O Rei Leão parecem todos interpretados pelo cigano Igor.

Isso também se reflete nos números musicais. “Circle of life” impressiona visualmente pela transposição fiel e aspecto realista. Mas esse impacto não demora a se tornar mera curiosidade. E nos momentos em que a animação de 1994 passava a uma esfera mais expressionista, o novo filme não tem coragem de dar esse passo. Não demora a acontecer: em “I just can’t wait to be king”, a própria animação de 1994 sai de um registro mais realista para se tornar ainda mais colorido e movimentado. Isso não ocorre na versão de 2019, aprisionada em sua vontade de aparentar realidade.

Outro número que sofre especificamente com isso é “Be prepared”, em que o vilão Scar canta seus planos de traição para um séquito de hienas que, na versão de 1994, não demoram a desfilar como numa parada nazista. Essa referência totalitária é limada da adaptação e o número perde bastante de sua força dramática.

As maiores mudanças na trama dizem respeito ao maior espaço dado a Nala, que ganha uma cena em que escapa do reinado de terror de Scar, e a uma conversão de Simba ao vegetarianismo. Nesse caso, na animação de 1994, ele passa a comer insetos porque “aqui não tem zebra nem antílopes”, como informava Timão, depois de encontrá-lo do outro lado do deserto. Agora há: a região é povoada com todo tipo de animais, mas o pequeno Simba é que escolhe não comê-los.

Nesse ponto, ele não seguiu o papo do pai sobre o ciclo da vida lá no começo: “A gente come os antílopes, quando morremos viramos grama e o antílope come ela”. Era uma compensação estranha mesmo (do ponto de vista do antílope).

O REI LEÃO. The Lion King. EUA, 2019. Direção: Jon Favreau. Vozes na dublagem original: Donald Glover, Chiwetel Ejiofor, Billy Eichner, Seth Rogen, Beyoncé, James Earl Jones, Alfre Woodard, JD McCrary. Vozes na dublagem brasileira: Ícaro Silva, Rodrigo Miallaret, Ivan Parente, Glauco Marques, Iza, Saulo Javan.

OS 20 MELHORES DE 1999

Tudo sobre Minha Mae - 01

1 — TUDO SOBRE MINHA MÃE (Todo Sobre Mi Madre)

Almodóvar voltava a investir no melodrama, temperado por seu amor pelas atrizes. Um jovem que quer ser escritor tenta pegar um autógrafo de uma famosa atriz, mas é atropelado e morre.  Sua mãe convive com esse luto enquanto busca pelo pai do rapaz, para dar a notícia. Na jornada, conhece um travesti, uma freira e a própria atriz. O título mostrava sua devoção à Hollywood clássica, citando diretamente o clássico All about Eve (A Malvada no Brasil, filme de 1950), com Bette Davis e Anne Baxter. O filme é dedicado a Bette, a Romy Schneider e Gena Rowlands, três grandes atrizes do cinema. Ganhou o Oscar de filme de língua não inglesa.
Espanha/ França. Direção: Pedro Almodóvar. Elenco: Cecília Roth, Marisa Paredes, Candela Peña, Antonia San Juan, Penélope Cruz.

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Toy Story 2 - 01

2 — TOY STORY 2 (Toy Story 2)

Quatro anos após o primeiro filme, Toy Story coloca o devotado boneco Woody frente a possibilidade de um dia ser descartado (tema que seria retomado no terceiro e quarto filmes). O drama da rejeição aparece mais forte na figura de Jessie e a canção que conta sua história com a antiga dona, com um final de cortar o coração. Há muitas, muitas ideias maravilhosas: o segundo Buzz Lightyear, que — como o primeiro, no primeiro filme — pensa que é mesmo um herói espacial, mas é ainda mais caricato e engraçadíssimo; o prólogo; a sequência nas esteiras do aeroporto; o clímax que remete aos faroestes.
Estados Unidos. Direção: John Lasseter. Elenco (vozes originais): Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Kelsey Grammer, Don Rickles, Wallace Shawn, Annie Potts, Wayne Knight, Lurie Metcalf, Estelle Harris. R. Lee Ermey, Jodi Benson.

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Buena Vista Social Club

3 — BUENA VISTA SOCIAL CLUB (Buena Vista Social Club)

Wim Wenders e Ry Cooder foram pra Cuba. E lá eles trouxeram à luz uma série de músicos extraordinários que estavam meio esquecidos: Compay Segundo, Ibrahim Ferrer, Rubén González, Omara Portuondo e muitos outros. O filme e o disco resgataram essa parte da música cubana para o mundo.
Alemanha/ Estados Unidos/ Reino Unido/ França/ Cuba. Direção: Wim Wenders. 

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Eleicao

4 — ELEIÇÃO (Election)

Em uma aparentemente inocente eleição do corpo estudantil de uma escola, um professor detecta o perigo futuro em uma das concorrentes, especialmente ambiciosa. Ele resolve interferir no pleito, enquanto sua vida pessoal vai se tornando mais e mais confusa. Uma comédia que parece um John Hughes dark.
Estados Unidos. Direção: Alexander Payne. Elenco: Matthew Broderick, Reese Witherspoon, Chris Klein, Jessica Campbell, Colleen Camp.

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Sexto Sentido - 04

5 — O SEXTO SENTIDO (The Sixth Sense)

Um dos finais-surpresa mais famosos da História, o filme é uma extremamente bem armada pegadinha narrativa, além de criar um clima de terror dramático mais importante que eventuais sustos.
Estados Unidos. Direção: M. Night Shyamalan. Elenco: Bruce Willis, Haley Joel Osment, Toni Collette, Olivia Williams. 

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Informante - 1999 - 02

6 — O INFORMANTE (The Insider)

Às vezes Michael Mann se deixa levar pelo apuro estético e esquece um pouco de contar a história. Não é o que acontece aqui, na forte trama de um denunciante da indústria do tabaco (Crowe que,  ganhou o Oscar do ano seguinte por Gladiador, quando merecia muito mais por este aqui) que é atacado depois que resolve abrir a boca em um programa jornalístico da TV após a insistência de um produtor (Pacino).
Estados Unidos. Direção: Michael Mann. Elenco: Al Pacino, Russell Crowe, Christopher Plummer, Diane Venora, Gina Gershon. 

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Quero Ser John Malkovich - 04

7 — QUERO SER JOHN MALKOVICH (Being John Malkovich)

Filmes esquisitos hoje não são mais tão incomuns, mas a trama de um meio-andar em um prédio onde as pessoas têm que andar curvadas e onde há uma passagem para dentro da mente do ator John Malkovich foi uma imensa surpresa em sua época. O roteiro é de Charlie Kaufman, que a partir daqui virou grife.
Estados Unidos. Direção: Spike Jonze. Elenco: John Cusack, Cameron Diaz, Catherne Keener, Octavia Spencer, John Malkovich. 

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DH Wallpapers

8 — MAGNÓLIA (Magnolia)

Uma intrincada teia de dramas, ressentimentos, dores, frustrações e desesperos interligando diversos personagens, pela batuta firme e elegante de P.T. Anderson.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Paul Thomas Anderson. Elenco: Julianne Moore, Tom Cruise, William H. Macy, Phillip Seymour Hoffman, Jason Robards, John C. Reilly, Philip Baker Hall, Alfred Molina, Melinda Dillon.

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A Espera de um Milagre - 04

9 — À ESPERA DE UM MILAGRE (The Green Mile)

Darabont dirige outra trama de Stephen King (depois de Um Sonho de Liberdade, 1995) e de novo entregou um grande trabalho. Há o elemento sobrenatural, na figura do preso gigante que é acusado de matar uma menina e que tem um dom misterioso, e há a rotina do corredor da morte, de seus hóspedes e dos policiais que os guardam. O filme tem vários bons personagens, defendidos por um elenco ótimo.
Estados Unidos. Direção: Frank Darabont. Elenco: Tom Hanks, Michael Clarke Duncan, David Morse, James Cromwell, Bonnie Hunt, Sam Rockwell, Michael Jeter, Doug Hutchison, Patricia Clarkson, Harry Dean Stanton. 

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Picaretas - 01

10 — OS PICARETAS (Bowfinger)

Uma comédia amorosa sobre o mundo do cinema em que Steve Martin é um produtor/diretor meia-boca que resolve dirigir um filme com um grande astro — sem que ele saiba. Para isso, vale usar de todos os recursos para a interação com o ator, que ainda é um paranoico membro de uma religião dessas tipo cientologia.
Estados Unidos. Direção: Frank Oz. Roteiro: Steve Martin. Elenco: Steve Martin, Eddie Murphy, Heather Graham, Christine Baranski, Terence Stamp, Robert Downey Jr. 

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Lugar Chamado Notting Hill - 03

11 — UM LUGAR CHAMADO NOTTING HILL (Notting Hill)

Especialista em comédias românticas, Richard Curtis teve um ponto alto aqui, fantasiando essa relação entre um britânico suburbano sem graça e uma estrela de Hollywood. Michell tem uma direção inspirada e há diversos bons coadjuvantes.
Estados Unidos. Direção: Roger Michell. Roteiro: Richard Curtis. Elenco: Hugh Grant, Julia Roberts, Rhys Ifans, Tim McInnerny, Gina McKee, Emma Chambers, Hugh Bonneville. 

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Virgens Suicidas - 01

12 — AS VIRGENS SUICIDAS (The Virgin Suicides)

A redenção de uma artista, nove anos antes massacrada por uma escalação infeliz do pai e uma consequente má atuação em O Poderoso Chefão — Parte III, Com As Virgens Suicidas, Sofia Coppola se revelou uma cineasta sensível e talentosa nessa história dos rapazes obcecados com as cinco misteriosas irmãs novas na vizinhança.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Sofia Coppola. Elenco: Kirsten Dunst, James Woods, Kathleen Turner, Josh Hartnett, Michael Paré, Scott Glenn, Danny DeVito, Hayden Christensen.

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Clube da Luta - 01

13 — CLUBE DA LUTA (Fight Club)

Vidas em Jogo (1997) não havia tido a mesma recepção impressionante de Seven (1995), mas David Fincher recuperou seu prestígio narrativo com essa adaptação vistosa e que se tornou cult do livro de Chuck Palahniuk. É incrivelmente o primeiro roteiro de Uhls.
Estados Unidos/ Alemanha. Direção: David Fincher. Roteiro: Jim Uhls. Elenco: Edward Norton, Brad Pitt, Helena Bonham Carter, Meat Loaf.

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Tarzan - 13

14 — TARZAN (Tarzan)

Foi meio surpreendente que a Disney tivesse recorrido a um personagem já usado tantas vezes no cinema para seu longa de animação da vez. No fim, foi um ponto alto do estúdio nos anos 1990, um dos últimos grandes trabalhos da animação tradicional na Disney para o cinema antes do computador tomar conta de vez.
Estados Unidos. Direção: Chris Buck, Kevin Lima. Roteiro: Tab Murphy, Bob Tzudiker, Noni White. Elenco (vozes na dublagem original): Tony Goldwin, Minnie Driver, Glenn Close, Brian Blessed, Lance Henriksen, Rosie O’Donnel, Nigel Hawthorne, Wayne Knight.

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Matrix - 01

15 — MATRIX (The Matrix)

O universo hacker, efeitos de última geração, a pílula azul ou a pílula vermelha, filosofia pop, estilo visual cyberpunk. Matrix fez a cabeça de um mundo de gente e nem as desastrosas continuações diminuíram sua força.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Lana Wachowski e Lilly Wachowski. Elenco: Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving.

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Mundo de Andy

16 — O MUNDO DE ANDY (Man on the Moon)

Jim Carrey entrega uma daquelas performances que costumam chamar de mediúnicas na cinebiografia de um lendário comediante americano, pouco conhecido por aqui: Andy Kaufman.
Estados Unidos. Direção: Milos Forman. Roteiro: Scott Alexander e Larry Karaszewski. Elenco: Jim Carrey, Danny DeVito, Courtney Love, Paul Giamatti.

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Meninos Nao Choram - 01

17 — MENINOS NÃO CHORAM (Boys Don’t Cry)

A crua cinebiografia de Brandon Teena, e sua vida de homem transgênero no interior dos EUA, revelou a grande atriz Hilary Swank, que ganhou o Oscar, mas teve poucas oportunidades realmente boas depois.
Estados Unidos. Direção: Kimberly Pearce. Roteiro: Kimberly Peirce e Andy Bienen. Elenco: Hilary Swank, Chloë Sevigny, Peter Sarsgaard.

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Gigante de Ferro - 01

18 — O GIGANTE DE FERRO (The Iron Giant)

Animação que bebe na ficção científica dos anos 1950, com a história de um robô gigante que veio do espaço, cai próximo a uma cidadezinha do interior e faz amizade com um garoto local. Não por acaso, o filme se passa exatamente nos anos 1950. Lembra também Frankenstein Jr., da Hanna-Barbera. Bird depois dirigiu Ratatouille e Os Incríveis, na Pixar, e o melhor filme disparado de Missão: Impossível.
Estados Unidos. Direção: Brad Bird. Roteiro: Tim McCanlies. Elenco (vozes na dublagem original): Eli Marienthal, Jennifer Aniston, Harry Connick Jr., Vin Diesel. 

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Beleza Americana-04

19 — BELEZA AMERICANA (American Beauty)

A partir da crise de meia idade de um sujeito assolado pelo desejo pela amiga da filha vão se revelando os desejos ocultos na comunidade americana suburbana perfeitinha na superfície.
Estados Unidos. Direção: Sam Mendes. Roteiro: Alan Ball. Elenco: Kevin Spacey, Annette Bening, Thora Birch, Wes Bentley, Mena Suvari, Peter Gallagher, Allison Jenney, Chris Cooper. 

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Fim de Caso - 16

20 — FIM DE CASO (The End of the Affair)

Jordan adaptou o romance de Graham Greene, no qual um escritor tem notícia de uma ex-amante, que o abandonou sem explicação, e tenta obsessivamente descobrir o motivos do final abrupto. Um grande elenco, com uma Julianne Morre especialmente deslumbrante.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção e roteiro: Neil Jordan. Elenco: Ralph Fiennes, Julianne Moore, Stephen Rea, Jason Isaacs.

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OS 10 PIORES

Zoando na TV - 01

1 — ZOANDO NA TV

A primeira produção da Globo Filmes é essa comédia infantojuvenil que usa o elenco da emissora (a na época apresentadora infantil à frente) girando em torno da própria TV. Mau começo, parece forçado o tempo todo.
Brasil. Direção: José Alvarenga Jr. Roteiro: Carlos Lombardi, Mauro Wilson, José Alvarenga Júnior, Maria Carmem Barbosa. Elenco: Angélica, Márcio Garcia, Danielle Winits, Paloma Duarte, Miguel Falabella, Bussunda, Oscar Magrini, Nicete Bruno, Maria Padilha, Odilon Wagner.

2 — UM COPO DE CÓLERA (Brasil). Direção: Aluízio Abranches. Elenco: Júlia Lemmertz, Alexandre Borges. Um livro lido em cena (e sexo).

3 — UMA AVENTURA DO ZICO (Brasil). Direção: Antônio Carlos da Fontoura. Elenco: Zico, Laura Cardoso. Fazem um clone do Zico e a personalidade dele é dividida em duas: um fica sério demais e o outro, zoeiro. Não podia dar certo.

4 — ARMADILHA (Entrapment, EUA/ Reino Unido/ Alemanha). Direção: Jon Amiel. Elenco: Sean Connery, Catherine Zeta-Jones. Um dos piores filmes de roubo já feitos, só vale pela Catherine, lindíssima.

5 — ROMANCE (Romance, França). Direção: Catherine Breillat. Elenco: Caroline Ducey, Rocco Sifredi. Fez o maior bafafá na época porque era um filme “sério” que tinha sexo explícito. Mas, como filme, é bem fraco.

6 — DO FUNDO DO MAR (Deep Blue Sea, EUA/ México). Direção: Renny Harlin. Elenco: Saffron Burrows, Thomas Jane, Samuel L. Jackson. Tubarões inteligentes digitais.

7 — ORFEU (Brasil). Direção: Carlos Diegues. Elenco: Toni Garrido, Patrícia França, Murilo Benício. Tentativa de atualizar a peça de Vinicius e Tom Jobim, que não funcionou. E ainda teve aquela ponta nonsense do Caetano tocando violão numa laje.

8 — A CASA AMALDIÇOADA (The Hauting, EUA). Direção: Jan de Bont. Elenco: Liam Neeson, Catherine Zeta-Jones, Lily Taylor, Owen Wilson, Virginia Madsen. Fazia parte de um projeto de refilmar clássicos do horror dos anos 1950. Tinha um bom elenco e bons nomes por trás das câmeras, mas não foi longe.

9 — O TRAPALHÃO E A LUZ AZUL (Brasil). Direção: Paulo Aragão e Alexandre Boury. Elenco: Renato Aragão, Adriana Esteves, Rodrigo Santoro, Christine Fernandes, Danielle Winits, Dedé Snatana, Roberto Guilherme. Dois filmes e oito anos depois, este filme trouxe Dedé de volta, mas como vilão. Já começou errado.

10 — STAR WARS — A AMEAÇA FANTASMA (Star Wars — The Phantom Menace, EUA). Direção: George Lucas. Elenco: Liam Neeson, Ewan McGregor, Natalie Portman, Jake Lloyd, Ian McDiarmid, Terence Stamp. Lucas recomeçou a saga Star Wars no cinema assumindo sozinho a direção e o roteiro. Estava fora de forma. Apesar da pompa e de causar muita expectativa no lançamento, o “episódio 1” pode ser descartado tranquilamente.

  • Não estão na lista porque não vi (mas aposto que entrariam: Xuxa Requebra e Gigolô por Acidente)

Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria. Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.


OUTRAS LISTAS:

Gilda - 01

Rita Hayworth em “Gilda” (1946)

50. ‘I WANNA BE LOVED BY YOU’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe. Direção: Billy Wilder. Coreografia: Jack Cole. Canção de Herbert Stothart, Harry Ruby e Bert Kalmar.

“Boop-boop-a-doop”. A canção de 1928 é a cara da Betty Boop e não por acaso: a interpretação de Helen Kane, com sua voz meio infantil cantando esse “boop-boop-a-doop” inspirou a criação da personagem dos desenhos animados, em 1930. Como Quanto Mais Quente Melhor se passa em 1929, caiu como uma luva para Marilyn desfilar sua sensualidade brejeira na canção. Como Billy Wilder dizia, filmar com Marilyn podia ser um pesadelo, mas o resultado compensava de longe.

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49. ‘SO LONG, FAREWELL’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Charmian Carr, Nicholas Hammond, Heather Menzies-Urich, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner e Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II.

O capitão Von Trapp não que transformar sua família num grupo musical, mas está difícil. No final de uma festa em casa, seus sete filhos se despedem dos convidados com este encantador número musical. Uma das forças desse filme é o carisma das crianças. “So long, farewell, auf wiedersehen, adieu”, em um número reprisado mais tarde no filme (e rever sempre é muito bem-vindo).

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48. ‘CABARET’, de Cabaret (1972)
Com Liza Minnelli. Direção e coreografia: Bob Fosse. Canção de John Kander e Fred Ebb.

Liza, sozinha em cena: e precisa mais? A canção-título do filme estabelece que esse não é um musical inocente como a maioria do que vieram antes dele. E, três anos após a morte da mãe Judy Garland, Liza chama o trono para si com toda a justiça, ao menos nesse filme. A vida é um cabaré, old chum, apesar dos profetas do pessimismo.

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47. ‘A WHOLE NEW WORLD’, de Aladdin (1992)
Com Brad Kane e Lea Salonga (vozes). Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Tim Rice.

Aladdin joga baixo para conquistar a princesa Jasmine: a leva em um passeio de tapete mágico pelo mundo. As maravilhas que vai encontrando são embaladas pela maravilha que é essa canção vencedora do Oscar. A animação é um deslumbre.

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46. ‘THE BALLET OF RED SHOES’, de Sapatinhos Vermelhos (1948)
Com Moira Shearer, Alan Carter, Joan Harris. Direção: Michael Powell e Emeric Pressburger. Coreografia: Robert Helpmann. Música de Brian Esdale.

Bailarina de carreira consolidada nos anos 1940, a escocesa Moira Shearer estreou no cinema no papel principal de Sapatinhos Vermelhos. E o ponto alto do filme é o balé que dá nome ao filme, um número espetacular de quase 15 minutos, que soma recursos cinematográficos à atmosfera da dança no palco para ir além da fábula dançada e representar o turbilhão emocional da protagonista: closes, planos de detalhe, câmera lenta, sobreposição de imagens. Este número impressionou tanto Gene Kelly que o inspirou para Sinfonia de Paris (1951).

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45. ‘ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE’, de A Vida de Brian (1979)
Com Eric Idle. Direção: Terry Jones. Canção de Eric Idle.

Essa música adorável e incrivelmente otimista, com assobios e tudo, é um dos momentos mais clássicos do grupo Monty Python. Contribui para isso, é claro, o fato de ela ser cantada por um grupo que está sendo crucificado na Judeia dos tempos de Cristo. O tipo de nonsense que foi a genialidade do grupo inglês.

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44. ‘CAN’T BUY ME LOVE’, de A Hard Day’s Night (1964)
Com The Beatles. Direção: Richard Lester. Canção de Paul McCartney (creditada a John Lennon e Paul McCartney).

A Hard Day’s Night acompanha os Beatles no que seria seu cotidiano típico de correrias para fugir das fãs, compromissos comerciais e entrevistas chatas pra caramba. Em um momento de descuido dos outros, eles escapolem por uma porta, dão numa escada externa e se divertem a valer em campo aberto, filmados de helicóptero em patetices de cinema mudo. Sua descida pelas escadas é uma das mais célebres do grupo.

Para assistir, clique aqui.

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43. ‘PUT THE BLAME ON MAME’, de Gilda (1946)
Com Rita Hayworth (voz de Anita Ellis). Direção: Charles Vidor. Coreografia: Jack Cole. Canção de Allan Roberts e Doris Fischer.

Pê da vida com o marido, (“nunca houve uma mulher como”) Gilda irrompe no palco do nightclub que ele dirige e canta “Put the blame on Mame”. Não só isso, como tira uma das luvas — e é o bastante para que seja um dos mais sexy strip-teases da história. O vestido tomara-que-caia ajuda: nos closes é como se Gilda… bem… não estivesse usando nada.

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42. ‘BELLE’, de A Bela e a Fera (1991)
Com Paige O’Hara, Richard White, Alec Murphy, Mary Kay Bergman, Kath Soucie e coro (vozes). Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Após um breve prólogo, A Bela e a Fera já mostra a que veio: a cena de apresentação da protagonista e seu vilarejo acanhado e o vilão valentão que a deseja é um espetáculo, com todo o jeito de Broadway. Dá para imaginar os cantores e bailarinos pelo palco. Mas aqui é cinema, há planos clássicos e divinos: Bela deslizando pelas prateleiras de livros em direção à câmera, ou a câmera girando em torno dela quando ela diz que quer “mais que essa vida provinciana”.

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41. ‘WOULDN’T BE LOVERLY?’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (voz de Marni Nixon). Direção: George Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe.

A florista pobre Eliza Doolittle tem sua canção de “eu quero” após ser desmerecida pelo irritante professor de dicção. Ela canta nesse momento adorável, errando todas as palavras que pode (canta “ands” em vez de “hands”, por exemplo). Sonha com um mundo de elegância e amor em meio aos restos e aos desvalidos. Audrey, que sempre apareceu como dama nos filmes, brilha como a pobretona inculta que, no fim, vai embora em sua carruagem: uma carroça de lixo.

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Monstros SA - 01

MONSTROS S.A. (Pete Docter, 2001)

Diário de Filmes 2019: 42

Monstros S.A. parece que acabou, com o tempo, meio eclipsado pelas obras-primas da Pixar que vieram logo depois (Procurando Nemo, Ratatouille, Wall-E). Mas que filme ótimo! Ele se apoia na ideia recorrente de uma realidade alternativa fantástica que adapta a nossa própria, mas é um dos melhores filmes a fazer isso. Desde a ideia já engraçada de monstros com nomes absolutamente humanos e banais até a crise de energia.

A partir da premissa de que a energia do mundo dos monstros vem dos gritos de medo das crianças e que as portas dos armários são portais por onde assustadores profissionais fazem o trabalho, inverte-se o drama: o trabalho precisa ser feito, mas os monstros, na verdade, morrem de medo das crianças, que seriam tóxicas.

A confusão começa mesmo quando uma menininha passa para o outro lado. Personagens ótimos, narração ótima (a sequência no depósito das portas é um primor), piadas ótimas (“Temos um 2319! Temos um 2319!”).

Toy Story 3

TOY STORY 3 (Lee Unkrich, 2010)

Diário de Filmes 2019: 26

11 anos depois do segundo filme, há a recuperação e expansão de um tema que já envolvia a personagem Jessie: brinquedos que precisam encarar uma criança que cresce e os vai deixando de lado. A derivação disso leva ao cenário de uma creche onde a animação ganha ares de filme de prisão. Um “Fugindo do Inferno” com bonecos. O Ken é um ótimo acréscimo, e os resets no Buzz Lightyear são sempre divertidos (chamando os outros de “metrossexual de plástico” ou a versão amante espanhol). A reta final é sensacional (e o momento da aceitação da morte não se vê todo dia numa animação infantil). E a sequência final é uma das melhores já feitas no cinema, sem exagero.

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